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INTRODUÇÃO À RETÓRICA NO SÉC. XXI

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Sinopse A Retórica é a disciplina que estuda o modo como comunicamos persuasivamente com os outros e está presente em tudo o que fazemos, desde comprar um seguro automóvel, passado pelos anúncios de publicidade até à deliberação política. Não obstante ser, por vezes, reduzida a simples actividade empolada e oca, a Retórica é essencial na vida democrática e pilar indiscutível da sociedade civil. Ela é uma contribuição incontornável para o diálogo e o compromisso, sendo uma ferramenta indispensável para ajuizar não apenas a força da eloquência, mas também o rigor do raciocínio e da argumentação. Nesta Introdução à Retórica no Séc. XXI, Samuel Mateus apresenta os fundamentos da Retórica ao mesmo tempo que os integra nos desafios contemporâneos. Alargando o horizonte persuasivo da Retórica para além da eloquência e do discurso verbal, Mateus explica, de forma rigorosa, mas acessível, a importância que a Retórica assume hoje. Adoptando uma perspectiva comunicativa acerca da Retórica que se situa para lá da sua estrita dimensão histórico-filosófica, Mateus salienta a vitalidade desta disciplina, seja na Retórica Mediatizada, na Retórica Visual, na Retórica Digital, seja ainda na Retórica do Silêncio. O livro encontra-se dividido em quatro partes: os Fundamentos da Retórica; o Sistema Retórico; Retórica e Comunicação; os Campos de Estudo da Retórica na Actualidade. Introdução à Retórica no Séc. XXI irá despertar o interesse nos estudantes de Retórica das mais diversas áreas (Ciências da Comunicação, Filosofia, Estudos Clássicos) mas também dos investigadores em Retórica, Filosofia da Linguagem, Teoria da Argumentação, Comunicação Política, Publicidade, Crítica Literária, Comunicação Digital ou Design de Jogos.
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... O ethos está relacionado com uma série de valores, intrínsecos ao orador ou autor, deduzidos ou avaliados pela audiência ou leitor. O ethos diz respeito à persuasão através do carácter pessoal do autor e da sua credibilidade ou reputação retórica (Covino & Jolliffe, 1995;Demirdöğen, 2010;Gradim, 2008;Mateus, 2018). Atendendo ao discurso em formato textual, o texto deve apresentar-se como sendo fiável, verdadeiro e credível, através de elementos que transmitam honestidade e sinceridade. ...
... O pathos está intimamente associado à relação entre o orador ou autor com o auditório ou leitor. Esta prova artística diz respeito ao conjunto de emoções e sentimentos suscitadas pelo orador na plateia, que são inerentes ao processo persuasivo (Covino & Jolliffe, 1995;Gradim, 2008;Mateus, 2018). Esta forma ativa de persuadir o público pode ser adaptada consoante o perfil ou identidade do público alvo de uma determinada mensagem. ...
... Esta forma ativa de persuadir o público pode ser adaptada consoante o perfil ou identidade do público alvo de uma determinada mensagem. O texto deve assumir diferentes abordagens afetivas e exaltar diferentes reações emocionais no público, persuadindo através de uma ação mais psicológica, do que lógica ou racional (Mateus, 2018). Dependendo da situação e dos objetivos, um texto pode suscitar emoções como raiva, calma, amizade, medo, confiança, desconfiança, vergonha, inveja, entre outros. ...
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Ethos, pathos and logos Comparative analysis of the (fake) news persuasive process eikon Ethos, pathos e logos Análise comparativa do processo persuasivo das (fake) news journal on semiotics and culture _ Fake news continues to be widely shared and consumed, influencing and manipulating readers' beliefs. Our study aims to assess the persuasive ability of fake news, compared to news, through a textual analysis using Aristotelian persuasion evidence: ethos, pathos and logos. A textual analysis of 10 news published on the Facebook pages of newspapers and 10 publications on the Facebook pages of fake news was carried out. Our results allowed us to validate an analysis methodology. Fake news is concerned with persuading the reader by circumventing the appeal to reasoned arguments, trying to give priority to the emotional appeal (pathos) through feelings that overlap with reason and reasoning in the persuasive process. Through simple language and shorter texts, fake news has a persuasive heuristic method, unlike news that validates its arguments with facts, evidence and quotes. Keywords Fake news, rhetoric, narrative, news
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Este livro é sobre a mediação discursiva do mundo social exercida pelos dispositivos tecnológicos de mediação simbólica (Media). Por outras palavras, diz respeito à natureza discursiva do poder dos Media, e o seu objectivo é triplo: em primeiro lugar, clarificar o que podemos entender por discurso e definir as suas fronteiras. Em segundo lugar, introduzir o leitor à variedade de teorias, correntes de pensamentos e conceitos que enquadram o Discurso Mediático. Em terceiro lugar, apresentar a metodologia necessária ao campo de estudos emergente chamado “Análise do Discurso Mediático”. Em seis pequenos capítulos, com mais de 40 ilustrações, é traçado um percurso pelos meandros do Discurso Mediático desde a definição de Texto e Discurso, passando pela caracterização do Discurso Mediático, pelos princípios intertextual e multimodal de construção discursiva, pelos resultados das pesquisas lusófonas que têm sido feitas nesta área (em especial sobre o discurso publicitário e o discurso jornalístico) e pela proposta de grelha de Análise especialmente dedicada à especificidade dos textos dos Media. Ao oferecer, de forma sucinta mas rigorosa, os principais pontos de referência para a identificação e avaliação do Discurso Mediático, esta obra é especialmente valiosa para os estudantes que, pela primeira vez, tomam contacto com a disciplina, e útil para os investigadores que nela encontram uma proposta metodológica para a sua análise.
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The coronavirus pandemic is also a pandemic of pictures disseminated by thermal cameras, extroverted intimacy in videoconferences, projections on facades and numerous reproductions of the computerized synthesis of the virus. No less significant, in the Brazilian context, are pictures of President Bolsonaro, whose photos express his political view of the coronavirus and those of bulldozers opening graves for the victims of the virus. This article analyzes some striking images of social isolation during COVID-19 in Brazil as statements of the visual rhetoric that constitute the cultural experience of the ‘new normal’. Based on the Didi-Huberman methodology described in his book “Bark”, we analyze pictures to understand the pandemic context. Barthe’s, Foss’ and Mateus’ discussions on visual rhetoric make up the theoretical background that supports our conclusion that the pandemic’s biopolitical dimension is understood from the field of invisibilities.
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Em março de 2017 a marca de detergentes para roupa Surf lançou no site de streaming de vídeos Youtube um filme intitulado “CAP I – O Segredo do Vizinho”. Nele, o modelo Pedro Martin, intitulado pela marca como “o novo homem Surf”, aparece sem camisa, anunciando o produto através de um discurso repleto de duplo sentidos. Seu tom provocativo suscitou diferentes perspectivas sobre o fato de transmitir ou não uma mensagem sexista. Por um lado, a demonstração de objetificação de um homem, e não de uma mulher, parece ter levado parte do público a crer que o vídeo era feminista. Mas, a mensagem e elementos do vídeo trazem também fortes indicações de que o spot tem como público-alvo as mulheres. Essa possível segmentação, por sua vez, levanta uma importante questão: focar a venda de um detergente de roupas em mulheres não seria, por si só, uma atitude machista? Este artigo, portanto, teve como objetivo tentar entender a verdadeira intenção da mensagem que este conteúdo transmite, através de estudo de caso do vídeo “CAP I – O Segredo do Vizinho”, baseado em uma revisão de literatura que cruza temas como beleza, gênero, consumo e narcisismo. Com isso, pudemos desmembrar a retórica do spot, a confrontando com diferentes visões e possíveis interpretações. Ao final deste exercício, pudemos não apenas chegar à conclusão de que a aparente ambiguidade do vídeo parece de fato esconder uma mensagem bastante unilateral, como também acabamos por conseguir chegar a uma hipótese a respeito de como uma retórica aparentemente tão simples conseguiu criar interpretações tão diferentes nos públicos.
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Se as emoções são fenómenos sociais e culturais e se se encontram intimamente ligadas à forma como pensamos e sentimos, a retórica, enquanto condutora da alma ou psicagogia – devem contemplar a possibilidade persuasiva das emoções, não enquanto meros recursos complementares da argumentação e do raciocínio lógico, mas como recursos fundamentais que se autonomizaram no processo de persuasão. Definimos a retórica afetiva como o uso dos meios afetivos de persuasão visando induzir a cooperação em seres que, pela sua natureza, respondem não apenas a símbolos mas às emoções que esses símbolos geram.
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Em sociedades dotadas de uma forte cultura visual, urge interrogar a legitimidade de estender a nocao classica e logocentrica de “argumento”, ate dominios nao discursivos ou linguisticos, como e o caso dos fenomenos visuais. Contribuindo para discussao lusofona acerca do potencial argumentativo das imagens, este artigo argui que, embora nem todas as imagens possuam uma forma argumentativa, tal nao nos leva necessariamente a supor que nenhum argumento pode ser apresentado sob a forma visual. Admitindo a perspectiva verbalista do argumento visual, segundo a qual os argumentos visuais possuem uma natureza discursiva, salienta-se a importância das proposicoes visuais para a apresentacao de conclusoes e razoes que as sustentem. A analise de um cartoon e o isolamento das suas proposicoes visuais fornece a oportunidade de demonstrar como, na vida quotidiana, podemos observar o funcionamento de um argumento visual.
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This article discusses the concept of rhetorical situation. The presence of rhetorical discourse indicates the presence of a rhetorical situation. No major theorist has treated rhetorical situation thoroughly as a distinct subject in rhetorical theory. Those rhetoricians who discuss situation led to consider situation when he treats types of discourse. In order to clarify rhetoric as essentially related to situation, we should acknowledge a viewpoint that is commonplace but fundamental. Rhetoric is a mode of altering reality, not by the direct application of energy to objects, but by the creation of discourse which changes reality through the mediation of thought and action. To say that rhetorical discourse comes into being in order to effect change is altogether general. Traditional theories of rhetoric have dealt not with the sorts of primitive utterances described by Malinowski but with larger units of speech which come more readily under the guidance of artistic principle and method. Rhetorical situation may be defined as a complex of persons, events, objects, and relations presenting an actual or potential exigence which can be completely or partially removed if discourse, introduced into the situation, can so constrain human decision or action as to bring about the significant modification of the exigence.
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Professors nd scholars William Keith and Christian Lundberg believe that an understanding of rhetorical theory and its practical applications is a critical component of effective and competent communication. This is why their booklet The Essential Guide to Rhetoric provides an accessible and balanced overview of core historical and contemporary theories through concrete, relevant examples and jargon-free language, helping students move from concepts to action. Designed to complement a wide variety of courses, this guide offers instructors a flexible option wherever coverage of rhetoric is needed.
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The Dynamics of Persuasion has been a staple resource for teaching persuasion for nearly two decades. Author Richard M. Perloff speaks to students in a style that is engaging and informational, explaining key theories and research as well as providing timely and relevant examples. The companion website includes materials for both students and instructors, expanding the pedagogical utilities and facilitating adoptions. The sixth edition includes: • updated theoretical and applied research in a variety of areas, including framing, inoculation, and self-affirmation; • new studies of health campaigns; • expanded coverage of social media marketing; • enhanced discussion of the Elaboration Likelihood Model in light of continued research and new applications to everyday persuasion. The fundamentals of the book - emphasis on theory, clear-cut explanation of findings, in-depth discussion of persuasion processes and effects, and easy-to-follow real-world applications - continue in the sixth edition.
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Informal Logic is an introductory guidebook to the basic principles of constructing sound arguments and criticizing bad ones. Non-technical in approach, it is based on 186 examples, which Douglas Walton, a leading authority in the field of informal logic, discusses and evaluates in clear, illustrative detail. Walton explains how errors, fallacies, and other key failures of argument occur. He shows how correct uses of argument are based on sound strategies for reasoned persuasion and critical responses. Among the many subjects covered are: forms of valid argument, defeasible arguments, relevance, appeals to emotion, personal attack, straw man argument, jumping to a conclusion, uses and abuses of expert opinion, problems in drawing conclusions from polls and statistics, loaded terms, equivocation, arguments from analogy, and techniques of posing, replying to, and criticizing questions. This new edition takes into account many new developments in the field of argumentation study that have occurred since 1989, many created by the author. Drawing on these developments, Walton includes and analyzes 36 new topical examples and also brings in recent work on argumentation schemes. Ideally suited for use in courses in informal logic and introduction to philosophy, this book will also be valuable to students of pragmatics, rhetoric, and speech communication.