Tecnologias Educacionais e a Formação Docente: da teoria às práticas pedagógicas

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Conference: XIX International Symposium on Computers in Education, At Lisboa - Portugual
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Abstract
Os sujeitos da pesquisa, em sua maioria não tinham experiência docente por meio de uso de tecnologias na educação. Os resultados apontam que processos de formação em que se viabilize a prática dos conteúdos desenvolvidos de maneira significativa, apresentam-se como um importante aliado no que se refere ao uso efetivo das tecnologias na Educação.
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7HFQRORJLDV(GXFDFLRQDLVHD)RUPDomR'RFHQWH
'DWHRULDjVSUiWLFDVSHGDJyJLFDV
Danielli Veiga Carneiro Sondermann
Instituto Federal do Espírito Santo
Rua Barão de Mauá, nº 30, Jucutuquara, Vitória, ES, Brasil
+55 27 3222-2613
danielli@ifes.edu.br
Jaqueline Maissiat
Instituto Federal do Espírito Santo
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jaqueline.maissiat@ifes.edu.br
Isaura Alcina Martins Nobre
Instituto Federal do Espírito Santo
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+55 27 3222-2613
isaura@ifes.edu.br
Marize Lyra Silva Passos
Instituto Federal do Espírito Santo
Rua Barão de Mauá, nº 30, Jucutuquara, Vitória, ES, Brasil
+55 27 3222-2613
marize@ifes.edu.br
Resumo - Os sujeitos da pesquisa, em sua maioria não tinham
experiência docente por meio de uso de tecnologias na educação.
Os resultados apontam que processos de formação em que se
viabilize a prática dos conteúdos desenvolvidos de maneira
significativa, apresentam-se como um importante aliado no que
se refere ao uso efetivo das tecnologias na Educação.
Palavras-chave - tecnologia; formação; educação
Abstract²The research subjects, in their majority had no
teaching experience through the use of technology in education.
The results indicate that processes of formation in which facilitates
the circulation of content developed in a meaningful way, present
themselves as an important ally when it comes to effective use of
technology in education.
keywords²Technology; training; education
I. INTRODUÇÃO
muito tempo se discute sobre a importância do uso das
tecnologias no processo de ensino-aprendizagem e a
necessidade de formação docente para o uso efetivo na escola
e/ou em espaços não formais da educação. Por outro lado, a
proposição de novas práticas pedagógicas e um novo olhar
sobre o papel do professor frente às novas tecnologias não
acompanha a velocidade em que a tecnologia se desenvolve.
Então, espera-se que as instituições responsáveis pela
formação de professores, preparem seus docentes para usarem
adequadamente a tecnologia em suas práticas educacionais
[1]. Diante disso, os cursos de formação de professores em
todo o mundo, fazem vários esforços para reformular seu
currículo [2].
Observa-se que o uso dos computadores não emplacou
como se esperava em muitas escolas brasileiras, ficando estes
obsoletos sem o devido uso e/ou em condições de uso, em
especial pelo difícil acesso, devido às políticas de uso internas
estabelecidas pelas instituições de ensino. Por outro lado,
observa-se o crescimento do uso de smartphones, que vêm se
constituindo como uma tecnologia acessível e com muitas
potencialidades no âmbito educacional.
O acesso cada vez mais amplo à internet, em especial pelo
acesso via dispositivos móveis, vem propiciando novas formas
de ensinar e aprender. O professor não é mais o detentor do
conhecimento e o único que deve utilizar a tecnologia,
cabendo a este se dispor a se apropriar do potencial
pedagógico que pode vir a ser explorado a partir das
tecnologias digitais disponíveis, envolvendo seu uso também
pelos alunos, usando a tecnologia como apoio a construção do
conhecimento.
Segundo Johnson et al. [3]:
Os professores não são as principais fontes de informação e
conhecimento para os alunos quando uma rápida pesquisa
na web está imediatamente disponível. Em vez disso, cabe
aos professores reforçar os hábitos e disciplina que os
alunos formam ao longo da vida ² em última análise,
promover o tipo de curiosidade que obrigaria os alunos a
continuar além de uma pesquisa na Internet e aprofundar o
assunto.
Além disso, a Base Nacional Comum Curricular (BCNN)
[4], desenvolvida no Brasil, e lançada recentemente, prevê o
pensamento computacional como forma de desenvolvimento
das chamadas habilidades do século XXI. Com isso, observa-
se que o uso de tecnologias na educação está para além de
oferecer acesso às pesquisas e formas de apresentar conteúdo.
As tecnologias utilizadas para o desenvolvimento do
pensamento computacional, auxiliam tanto na compreensão
dos conhecimentos quanto no desenvolvimento do raciocínio
lógico.
Diante desse contexto, este trabalho tem por objetivo
apresentar o processo de formação para o uso de tecnologias e
as discussões geradas durante a disciplina de Tecnologias
Educacionais ofertada no curso de Mestrado em Educação em
Ciências e Matemática, ofertado em uma instituição pública de
ensino, a partir de projetos de intervenção, mediante
realização de práticas pedagógicas baseada no uso de
tecnologias, realizados pelos alunos da disciplina em escolas
onde atuam, em suas maioria nas séries iniciais.
II. ASPECTOS SOBRE AS TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS
Em 1999, Pierre Lévy descrevia sobre a importância do
uso de tecnologias na educação, ressaltando sua importância e
a do trabalho colaborativo. Para Lévy:
205 de 299
[...] é preciso colocar as pessoas nessa situação de
curiosidade, nessa possibilidade de exploração. Não
individualmente, não sozinhas, mas juntas, em grupo. Para
que tentem se conhecer e conhecer o mundo a sua volta. Uma
vez compreendido esse princípio básico, todos os meios
servem. Os meios audiovisuais, interativos, os mundos
virtuais, os grupos de discussão, tudo o que quisermos [5].
Diversas iniciativas de uso das tecnologias na educação
tem sido adotada e como possibilidades diversas. Jonassen [6]
em seus estudos, afirmou que o papel da tecnologia poderia
ser classificado em três categorias ainda muito presentes no
contexto atual:
i. Tecnologia como ferramenta - é usada em três grandes
áreas da aprendizagem: obtenção da informação,
representação de ideias por meio de textos, desenhos, vídeos e
animações e comunicação com terceiros.
ii. Tecnologia como parceira intelectual - aparece em cinco
áreas: a articulação daquilo que o aprendiz sabe
(representação do conhecimento); reflexão sobre o que foi
aprendido e como foi aprendido; suporte à negociação interna
para construção do significado; construção de representações
pessoais de significado e apoio à reflexão aberta.
iii.Tecnologia como contexto - abrange quatro domínios: (1)
representação e solução de problemas, (2) situações e
contextos significativos do mundo real; (3) representação de
crenças, perspectivas, argumentos e história de terceiros;
definição de um espaço controlável para o raciocínio do aluno
e (4) apoio ao diálogo entre comunidade de aprendizes que
buscam a construção do conhecimento.
Por outro lado, tem-se pesquisadoras, como Miranda [7]
que reflete sobre as mudanças necessárias para o uso das
tecnologias na educação e sua efetividade na aprendizagem
dos alunos, questiona-VH ³6HUi TXH DV QRYDV WHFQRORJLDV
modificam o modo como os professores estão habituados a
ensinar e os alunos D DSUHQGHU" 2VDOXQRV DSUHQGHPµPDLVH
PHOKRU¶ TXDQGR XVDP WHFQRORJLD"´ $ DXWRUD DSUHVHQWD WUrV
posições na literatura:
i. Otimistas: acreditam em uma mudança radical advinda da
tecnologia, pois as pessoas poderão aprender onde e quando
quiserem de um modo mais livre e flexível.
ii. Pessimistas: chamam atenção para os aspectos negativos da
introdução massiva dos computadores na sociedade e na
educação, que podem levar ao isolamento e à depressão. Para
eles o fato do professor usar o computador e a Internet não
altera o seu modo de ensinar.
iii.Realistas: para eles o fato de introduzir novas tecnologias
às atividades existentes nas escolas, não produz efeitos
positivos visíveis com relação à aprendizagem. Estes são
verificados, quando os professores sH HQYROYHP GHµFRUSR H
DOPD¶ QD DSUHQGL]DJHP GRV DOXQRV SRU PHLR GH DWLYLGDGHV
desafiadoras e criativas.
Segundo Miranda, a introdução dos computadores e a
internet nas escolas não são suficientes para se obter
resultados positivos no processo de aprendizagem dos alunos.
É necessária uma reflexão sobre o tema que torne a
aprendizagem efetiva e a transformação dos espaços e
atividades curriculares, de modo que as novas ferramentas,
inseridas no ambiente educacional, possam apoiar a
construção de conhecimento disciplinar significativo [7].
Outra questão relevante no que tange as tecnologias na
Educação é sobre a reusabilidade e a autoria. Segundo Demo
[8], a definição de autoria múltipla, impulsionada pelo advento
dessas novas tecnologias, é fundamental para os alunos e os
professores, pois propicia uma aprendizagem voltada tanto
para a elaboração de textos coletivos, quanto para a melhoria
da capacidade interpretativa e argumentativa dos alunos e para
a construção de cidadania.
Novas possibilidades surgiram para a Educação a
Distância (EaD), em especial graças à Web 2.0, que difere da
Web 1.0, a qual se baseia na transmissão de informações, por
meio de páginas estáticas. Na Web 2.0 as relações vão muito
além do professor-aluno, crescem as práticas pedagógicas que
favorecem a relação aluno-aluno [9]. A Web 2.0, também
conhecida como Web Social veio para promover uma
interação participativa e favorecer a aprendizagem
colaborativa. Tem-se: Redes Sociais, Wiki, Blogs, Youtube e
HWFeGHVHMiYHOD³>@FRPELQDomRRXPLVWXUDHMustaposições
desses aplicativos ou ferramentas digitais para formar a base
para um ambiente dinâmico e criativo no qual as pessoas
possam aprender através de trabalhos colaborativos e coletivos
EDVHDGRVHPSHVTXLVDV´>@
O conceito de Web 3.0 ou Web Semântica, também surge
nas redes, anunciada como a terceira onda da Internet e que
tem como projeto estruturar todo o conteúdo disponível na
rede mundial de computadores dentro dos conceitos de
µFRPSUHHQVmRGDV PiTXLQDV¶HµVHPkQWLFDGDVUHGHV¶$LGHLD
é umD,QWHUQHWPDLVµLQWHOLJHQWH¶TXHWUDQVIRUPDUiRFRQWH~GR
ainda desorganizado da internet em informação relevante para
a tomada de decisão, por meio do cruzamento de dados.
Segundo Berners-/HH /DVVLOD H +HQGOHU ³>@ D :HE
Semântica não é uma Web separada, mas uma extensão da
atual. Nela a informação é dada com um significado bem
definido, permitindo melhor interação entre os computadores e
DVSHVVRDV´>@
Segundo Tondeur et al. [11] (tradução nossa) existem 12
fatores-chave para o uso das tecnologias na sala de aula por
professores iniciantes, distribuídos em três partes: (i)
preparação dos professores iniciantes (ii) condições
necessárias em nível institucional e (iii) modelo abrangente.
Preparação dos Professores Iniciantes
a) Alinhamento entre Teoria e Prática: o processo de
formação requer a discussão de conteúdos a partir de
propostas educacionais, organizando as leituras /
demonstração com alguma prática.
b) Formadores como modelo: muitos estudos relatam a
importância dos formadores serem modelo para os
educandos, a forma como estes formadores utilizam a
tecnologia no processo de ensino e de aprendizagem,
influenciam diretamente na formação dos educandos
e nas habilidades desenvolvidas ao longo do curso.
c) Reflexão sobre atitudes a partir de modelos de
tecnologia na Educação: discussões em grupo,
observação e registros auxiliam os educandos a
206 de 299
refletirem sobre os modelos de uso de Tecnologia na
Educação e como efetivamente pode ser integrada na
prática.
d) Aprendizagem de Tecnologia por projeto:
importância do design instrucional no planejamento e
preparação das práticas educacionais envolvendo
tecnologias.
e) Colaboração por Pares: discussão e
compartilhamento de informação entre os pares é
algo muito importante nos processos de formação.
Em ambientes online, esta colaboração pode ser
realizada por meio do fóruns de discussão. Alguns
estudos sugerem que mudanças na composição dos
grupos trazem benefícios no processo de
aprendizagem.
f) Desenvolvimento de experiências reais referente ao
uso de tecnologias: educandos consideram importante
aplicar o conhecimento referente ao uso de
tecnologias de maneira autêntica, de maneira
planejada e com o devido acompanhamento do
formador.
g) Feedback contínuo: as formações devem ser
avaliadas durante o processo e o esforço dos
educandos, considerando participação ativa,
desenvolvimento de materiais, cooperação etc.). O
acompanhamento por meio de portfólios ou outro
recurso que permita a avaliação contínua.
Condições necessárias em níveis institucionais
a) Planejamento de Tecnologia e Liderança: revela a
importância da visão institucional em termos do uso
de tecnologia na educação e que afeta diretamente os
cursos de formação nesta área.
b) Cooperação entre instituições: destaca a importância
da cooperação entre as fases apresentadas e entre
instituições, em especial nas relações entre as
equipes, formadores e educandos.
c) Desenvolvimento de Equipe: estudos demonstram a
importância da integração das equipes, workshops,
consultores e compartilhamento de informações
visando o aperfeiçoamento de toda a equipe.
d) Acesso a recursos: envolve o acesso a hardware,
softwares, materiais didáticos, documentações, etc.
e) Esforços por mudanças sistemática e sistêmica:
envolve a importância do uso de tecnologia no
currículo, no primeiro ano de curso e assim, ao final
promover uma mudança substancial na integração do
currículo às tecnologias.
Modelo Abrangente
A Figura 1 apresenta um modelo abrangente que
envolve a preparação de formação inicial para o uso de
tecnologias, com dois níveis de agregação, do nível micro para
o nível macro, que se refere ao esforço institucional para
implementar as condições necessárias. Duas fases são
apresentadas, os esforços de mudanças sistematizadas e o
alinhamento da teoria e prática envolvendo as demais fases no
processo de formação, por exemplo: colaboração, reflexão,
feedback, experiências reais etc.
Figura 1. Modelo Abrangente
Fonte: Adaptado de Tondeur et al. (2012)
Com base no exposto percebe-se que ensinar com
tecnologia consiste em um processo construtivo e interativo.
Em outras palavras, parece que, para formar professores para o
uso de tecnologias com êxito, os programas de formação de
professores precisam abordar todos os fatores apresentados de
forma ponderada, permitindo o efetivo alinhamento da teoria à
prática em um contexto de aprendizagem real.
III. ASPECTOS METODOLÓGICOS
Este estudo de cunho qualitativo faz uma análise a
partir dos dados coletados por meio da Observação
Participante.
Como contexto para a pesquisa, temos o Programa de
mestrado em Educação em Ciências e Matemática (Educimat),
curso de mestrado voltado para formação docente na área de
ensino e que tem como principal característica, por ser um
mestrado profissional, alinhar a teoria com a prática. A
pesquisa ocorreu em uma turma composta por 31 alunos no
período de Agosto a Dezembro de 2016. Os dados foram
coletados na disciplina de Tecnologias Educacionais, a turma
era dividida de acordo com as áreas de estudos, ficando
distribuídas nas áreas de Ciências e Matemática. Esta pesquisa
foi realizada com o grupo de Ciências, composta por 18 alunos
a partir da qual as pesquisadoras puderam realizar as
observações. Os alunos, sujeitos da pesquisa, em sua maioria
docentes da educação básica com raras experiências
educacionais com uso de tecnologias.
Todos os materiais da disciplina foram organizados
no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) - Moodle, aos
quais os alunos tinham acesso antes dos encontros presenciais.
As aulas eram ministradas às sextas-feiras de 8h às
12h, sendo distribuídas da seguinte forma: debate sobre as
leituras propostas, relatos de experiência referentes aos
assuntos abordados e construção colaborativa de uma
intervenção pedagógica utilizando algum tipo de tecnologia
educacional. Para tal a turma foi dividida em grupos de até
três alunos, e os grupos tinham liberdade para definir a
207 de 299
proposta de intervenção quanto ao uso de tecnologias em sala
de aula, respeitando as especificidades do espaço espaço
escolar escolhido.
As seguintes temáticas foram discutidas em sala de aula:
ƔTecnologias Educacionais - tendências e desafios:
uso de tecnologias na educação, instrucionismo,
construcionismo, modelo ADDIE e relatórios NMC
Horizon Report;
ƔSoftware Educacional e Objetos de Aprendizagem:
fundamentos, classificação, principais repositórios,
jogos, softwares de autoria;
ƔMapas conceituais: aplicação dos mapas conceituais
na educação, CMAPTools;
ƔCibercultura: fundamentos, redes sociais,
aprendizagem móvel, comunidades virtuais de
aprendizagem;
ƔTecnologias Assistivas: fundamentos, acessibilidade,
tipos de deficiência e exemplos.
A Figura 2 apresenta a sala virtual elaborada no ambiente
Moodle com o objetivo de apoiar as aulas presenciais.
Figura 2. Sala no Moodle
Fonte: As autoras
A sala foi organizada de forma que a agenda e todas as
atividades avaliativas ficassem dispostas no primeiro tópico do
curso, ficando os demais tópicos para cada temática
desenvolvida, a partir dos quais foram disponibilizados
diversos materiais para leitura, bem como links para vídeos.
As atividades foram planejadas para serem realizadas
individualmente, fora da sala de aula e as atividades em grupo
foram organizadas para serem desenvolvidas nos encontros
presenciais, aproximando-se da proposta de sala de aula
invertida, deixando os encontros em sala de aula para
discussões e construção de conhecimento colaborativa.
A primeira leitura indicada foi o NMC Horizon Report de
2015 que provocou uma reflexão sobre as tendências em
tecnologias no mundo e a realidade brasileira.
Os alunos puderam escolher livremente o conteúdo a ser
trabalhado no desenvolvimento do projeto e que tipo de
tecnologia seria utilizada (Quadro 1).
Quadro 1. Projetos Desenvolvidos utilizando tecnologias
Aprendizagem móvel em ciências: um relato de experiência
sobre os ecossistemas costeiros da mata atlântica
Este projeto buscou promover uma discussão sobre o uso de
tecnologias móveis, por meio do aplicativo Map of Life, em aulas de
campo de Ciências, com alunos do 7º ano de uma Escola Municipal,
em dois ecossistemas costeiros da Mata Atlântica: o manguezal e a
restinga, ambos situados no estuário do Rio Itapemirim em
Marataízes (ES).
+LVWyULDVHPHPyULDVGDUHJLmRGDJUDQGHURGDG¶iJXDXVRGR
celular na educação
Este projeto buscou promover a valorização da cultura local por
meio das histórias e memórias dos sujeitos inseridos na comunidade
fazendo uso do celular como importante recurso didático para
registro e divulgação. A pesquisa foi desenvolvida na referida escola
envolvendo os alunos do ano do ensino fundamental e membros
da comunidade do entorno.
Uso de objetos de aprendizagem como recurso didático para o
ensino-aprendizagem sobre química da célula
Este projeto tem buscou apresentar os resultados de uma pesquisa
exploratória quanto ao ensino de Biologia e Química, apoiado por
tecnologias educacionais e organizado por meio de uma Sequência
Didática, realizada em uma escola pública na primeira série do
ensino médio em Santa Teresa-ES.
Uso de celular e do facebook como recursos didáticos na
discussão do combate ao aedes aegypti
Com base nas potencialidades do uso dos aparelhos celulares como
recurso pedagógico e o compartilhamento de informações facilitado
pela rede social Facebook, este projeto buscou descrever e avaliar o
uso dessas ferramentas utilizadas por estudantes da segunda série do
Ensino Médio de uma escola pública estadual do município de
Serra/ES.
Bacia hidrográfica e questões socioambientais: potencializando o
ensino-
aprendizagem por meio de fotografias a partir da visão
do aluno
Este projeto desenvolveu uma atividade usando fotografias tiradas
por meio de celular como recurso para a Educação Socioambiental,
para tal analisou as concepções dos alunos de 3ª série de uma escola
pública de Bom Jesus do Itabapoana
-
RJ quanto aos problemas
socioambientais da bacia hidrográfica. Foi utilizado um blog como
ferramenta facilitadora da socialização das fotografias, de modo que
os estudantes pudessem interagir, registrando comentários e
discussões a cerca do tema proposto.
O uso da linguagem da animação para a discussão de questões
ambientais
Analisar a contribuição do uso da linguagem da animação para a
GLVFXVVmRGHTXHVW}HVDPELHQWDLV´'HVWHPRGRRUHIHUHQFLDOWHyULFR
foi construído com três focos principais: o ensino de ciências como
potencia
liza
dora do espírito crítico na discussão da temática
ambiental, as contribuições do uso da tecnologia numa perspectiva
construcionista e mais especificamente, as possibilidades educativas
do uso da linguagem da animação. Apresentando assim, os dados de
uma pesquisa qualitativa de abordagem exploratória e descritiva,
realizada na Escola Estadual de Ensino Médio Ormanda Gonçalves
com alunos do 1o ano do ensino médio do turno matutino, localizada
no município de Vila Velha-ES.
208 de 299
A educação ambiental crítica em uma aula de campo e as
contribuições do uso de recursos tecnológicos nessa prática
Este trabalho teve como proposta, investigar como a Educação
Ambiental Crítica pode ser trabalhada por meio de uma aula de
campo e as contribuições do uso do celular e da rede social
Whatsapp nessa prática. O contexto da pesquisa ocorreu durante a
UHDOL]DomR GH XP SURMHWR LQWLWXODGR ³5HODomR 6HU KXPDQR H
DPELHQWH´ GHVHQYROYLGR FRP GXDV WXUPDV GR  DQR GR HQVLQR
médio, envolvendo um total de 50 alunos, da Escola Estadual de
Ensino Fundamental e Médio São João Batista, localizada no
Município de Cariacica-ES.
Fonte: As autoras.
A maioria dos projetos foram desenvolvidos em escolas
públicas, desde as séries iniciais até propostas no nível médio.
No primeiro momento da definição dos projetos, observou-se
uma maioria optando pelo uso do celular para realização de
seus projetos, restrito ao uso de registro por fotos e vídeos,
mais tarde evoluiu-se para uso de redes sociais, APPs,
animações etc.
Os alunos perceberam que a tecnologia poderia ser melhor
exploradada, independente do espaço de educação, formal ou
não formal. Os projetos foram organizados utilizando
tecnologia desde de aplicação de questionário para fins de
avaliação diagnóstica, desenvolvimento de uma proposta com
uso de tecnologias até a avaliação da prática pedagógica
realizada.
A coleta de dados para a obtenção dos dados se deu pelos
registros disponíveis na sala do Moodle e pelas anotações
realizadas durante a observação participante.
IV. ANÁLISE DOS RESULTADOS
Optamos em organizar a análise dos dados baseados nos
estudos de Tondeur et al. (2012). Apesar do planejamento
inicial da disciplina pesquisada não ter sido inspirada nos
estudos de Tondeur et al (2012), estes ajudam a uma melhor
compreensão sobre a reflexão à prática adotada. Optou-se por
duas categorias para a análise dos dados: preparação dos
professores iniciantes ao uso de tecnologias e as condições
necessárias em níveis institucionais.
Preparação dos Professores Iniciantes
a) Alinhamento da Teoria e Prática: toda a disciplina foi
planejada de forma que os alunos pudessem aplicar
em suas áreas de atuação.
b) Uso dos formadores como modelo: as três
professoras envolvidas na disciplina são graduadas na
área de Informática com mestrado em Informática e
possuem doutorado Educação. Neste sentido, a
facilidade de uso de tecnologias na educação
IDYRUHFH D VHUHP µPRGHORV¶ 8VR GH ZKDWVDSS
feedback utilizando o google docs para fins de
registro, mesmo nos momentos presenciais, uso de
diferentes dias, uso do ambiente virtual de
aprendizagem - Moodle.
c) Reflexão sobre atitudes a partir de modelos de
Tecnologia na Educação: durante os momentos de
discussão em sala de aula, os alunos eram desafiados
a pensar em possibilidades de uso das tecnologias no
contexto educacional na qual estes estavam inseridos,
muitas vezes com laboratórios de informática
sucateados e pouco acesso à Internet.
d) Aprendizagem de tecnologia por projeto: todos os
projetos foram planejados utilizando o modelo
ADDIE.
e) Colaboração por Pares: apesar da discussão e
compartilhamento de informação entre os
participantes do projeto em nossa análise sentimos
falta da participação dos demais membros opinarem
sobre os demais projetos, isto aconteceu no
seminário final quando todos haviam realizado o
projeto na escola escolhida para realização da
pesquisa.
f) Construção de experiências reais referente ao uso de
tecnologias: o fato dos alunos serem motivados a
aplicar a proposta de intervenção em alguma escola e
em temas de seu domínio de conhecimento foi um
dos fatores mais importantes para envolvimento e
dedicação à formação. Alguns envolveram seus
respectivos alunos na elaboração das propostas,
tornando-os sujeitos ativos do processo de
aprendizagem.
g) Feedback contínuo: o tempo reservado a cada aula
para acompanhamento do projeto foram
fundamentais para o feedback durante o
planejamento e a implementação dos projetos. Outro
aspecto importante foi a utilização do Google Docs o
que favoreceu o acompanhamento dos trabalhos pelas
professores, quando necessário, além do tempo
dedicado em aula.
Na avaliação da disciplina observou-se o processo de
mudança referente a opinião sobre o uso de tecnologias na
escola, conforme recortes a seguir,
Confesso que mesmo se usava as tecnologias na minha
prática, não me interessava muito. Mudei de opinião
sobre o trabalho colaborativo com o Drive e os
aplicativos. Estou mais atencioso sobre as
possibilidades do uso do celular e sobre a riqueza e a
validade de objetos educacionais. Minha ótica sobre o
universo das Tecnologias Educacionais mudou, e
considero que minha participação dessa disciplina que
a priori não me interessava foi um sucesso (aluno,
informação textual, 26 de Julho de 2016).
Certamente, após cursar esta disciplina, minha visão
quanto ao uso de tecnologias educacionais em sala de
aula ganhou novos significados. Já inseri em minha
prática docente pelo menos umas três ferramentas que
conheci durante as aulas o que certamente trouxe novo
fôlego e motivação para meu trabalho (aluna
informação textual, 26 de Julho de 2016).
Condições necessárias em níveis institucionais
a) Planejamento de Tecnologia e Liderança: durante o
estudo percebeu-se que muitas instituições escolhidas
pelos alunos davam pouco ou nenhum apoio em
termos de uso de tecnologia. Em algumas instituições
até o uso de celulares era proibido.
209 de 299
b) Cooperação entre instituições: sabemos que o uso de
tecnologia pode envolver mais de um setor dentro da
instituição ou até mesmo como outras instituições,
em especial, nos projetos que envolveram os espaços
não formais. Os projetos que envolveram os espaços
não formais fez com que os alunos repensarem suas
práticas a partir de outros espaços.
c) Desenvolvimento de Equipe: em vários projetos
percebeu-se a necessidade de oficinas e/ou momentos
para capacitação dos alunos e/ou das equipes
envolvidas.
d) Acesso a recursos: os projetos se limitaram aos
recursos já disponíveis pelos alunos, em sua maioria,
acesso ao celular.
e) Esforço de mudanças sistemático e sistêmico:
percebeu-se que o uso de tecnologias na escola tem-
se desenvolvido a partir de iniciativas de docentes
por motivação própria. Entretanto, conclui-se que é
necessário o desenvolvimento de políticas de
formação inicial e continuada que permitam a efetiva
capacitação dos docentes quanto ao uso de
tecnologias na educação.
V. CONCLUSÃO
A partir da oferta da disciplina de Tecnologias
Educacionais, por meio do desenvolvimento de projetos de
intervenção com o uso de tecnologias, foi possível atingir o
propósito de alinhar teoria e prática em contextos reais
vivenciados pelos alunos em seu dia a dia ou em seus projetos
de pesquisa do mestrado.
Foi possível verificar que grande parte dos alunos não
faziam uso de tecnologias como recurso didático em suas
aulas devido às limitações encontradas no espaço escolar, mas
também, e principalmente, por não terem formação e não
serem capazes de refletir sobre seus possíveis usos e ganhos
educacionais.
Neste estudo observou-se que o alinhamento entre a teoria
e a prática nos processos de formação de maneira geral é algo
demandado pela sociedade do século XXI e, mais ainda,
quando se refere ao uso de tecnologias na educação, o que
QmRSRGHHVWDUUHVWULWRQDµDSUHVHQWDomR¶GHTXHVW}HVSUiWLFDVH
VLP QR µID]HU¶ GRFHQWH $OJXPDV IRUPDo}HV GmR rQIDVH DRV
aspectos técnicoV GH FRPR µRSHUDU¶ FHUWRV DSOLFDWLYRV PDV
pouca ênfase aos aspectos pedagógicos visando uma melhor
construção de conhecimento.
Aspectos como cooperação, feedback, experiências reais,
modelo docente e um bom projeto de design instrucional são
fatores essenciais para os processos de formação docente
quanto ao uso de tecnologias. É no exercício da prática
pedagógica que o docentes consegue avançar e refletir sobre o
uso de tecnologias na educação.
Vale destacar, que os alunos foram incentivados a registrar
as intervenções por meio de um artigo científico. E que todos
os trabalhos foram aceitos para publicação em um evento
científico nacional, bem qualificado pela área de Ensino.
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This research hasn't been cited in any other publications.
  • Information communication technology: challenges & some prospects from preservice education to the classroom. Mid-Atlantic Education Review
    • Kristina Kaufman
    Kaufman, Kristina. Information communication technology: challenges & some prospects from preservice education to the classroom. Mid-Atlantic Education Review, 2015.
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  • Educação hoje: novas tecnologias, pressões e oportunidades
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    Demo, P. Educação hoje: novas tecnologias, pressões e oportunidades. São Paulo, SP: Atlas, 2009.
  • Contextos de aprendizagem para uma sociedade de conhecimento
    • Guilhermina L Miranda
    Miranda, Guilhermina L. As novas tecnologias e a inovação das práticas pedagógicas. In: TRIGUEIROS, A. (Org.), Contextos de aprendizagem para uma sociedade de conhecimento. Castelo Branco: RVJ Editores, 2006. p. 78.
  • Article
    Full-text available
    In this article we study how online teacher education programmes may enhance innovative ways of teaching and learning with Information and Communication Technology (ICT). We explore how online teachers are practising professional digital competence, in general and within subject areas, and to what extent they encourage student teachers to develop their own professional digital competence. Based on online teacher education programmes at two distinct higher education institutions (HEIs), we applied mixed method design including quantitative and qualitative approaches to illuminate the aims and the scope. Our study revealed that even if online teacher education programmes represent good avenues for stimulating teachers and student teachers to develop digital competence for pedagogical purposes, this aspect is poorly integrated within the actual programmes, although some interesting examples were demonstrated. By looking at the origins of the discourses on online education and on digital competence, we found that they derive from different stakeholders: while the discourse on online education originated from the management side at both HEIs, the discourse on digital competence derived from certain teaching staff at the two HEIs. Our study indicated that there is still some way to go to innovative solutions and to develop the potential of professional digital competence in online teacher education programmes.
  • Article
    Considers the goal of creating communities of learners and how to integrate technology with learning. Highlights include cognitive apprenticeships; qualities of meaningful learning, including constructivism and collaboration; assumptions about technology, including knowledge construction; proper roles for technology; and how to support meaningful learning with technologies. (LRW)
  • Article
    Full-text available
    We have witnessed a rapid increase in the use of Web-based 'collaborationware' in recent years. These Web 2.0 applications, particularly wikis, blogs and podcasts, have been increasingly adopted by many online health-related professional and educational services. Because of their ease of use and rapidity of deployment, they offer the opportunity for powerful information sharing and ease of collaboration. Wikis are Web sites that can be edited by anyone who has access to them. The word 'blog' is a contraction of 'Web Log' – an online Web journal that can offer a resource rich multimedia environment. Podcasts are repositories of audio and video materials that can be "pushed" to subscribers, even without user intervention. These audio and video files can be downloaded to portable media players that can be taken anywhere, providing the potential for "anytime, anywhere" learning experiences (mobile learning). Wikis, blogs and podcasts are all relatively easy to use, which partly accounts for their proliferation. The fact that there are many free and Open Source versions of these tools may also be responsible for their explosive growth. Thus it would be relatively easy to implement any or all within a Health Professions' Educational Environment. Paradoxically, some of their disadvantages also relate to their openness and ease of use. With virtually anybody able to alter, edit or otherwise contribute to the collaborative Web pages, it can be problematic to gauge the reliability and accuracy of such resources. While arguably, the very process of collaboration leads to a Darwinian type 'survival of the fittest' content within a Web page, the veracity of these resources can be assured through careful monitoring, moderation, and operation of the collaborationware in a closed and secure digital environment. Empirical research is still needed to build our pedagogic evidence base about the different aspects of these tools in the context of medical/health education. Summary and conclusion If effectively deployed, wikis, blogs and podcasts could offer a way to enhance students', clinicians' and patients' learning experiences, and deepen levels of learners' engagement and collaboration within digital learning environments. Therefore, research should be conducted to determine the best ways to integrate these tools into existing e-Learning programmes for students, health professionals and patients, taking into account the different, but also overlapping, needs of these three audience classes and the opportunities of virtual collaboration between them. Of particular importance is research into novel integrative applications, to serve as the "glue" to bind the different forms of Web-based collaborationware synergistically in order to provide a coherent wholesome learning experience.