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Turismo Criativo para Todos: uma base para o Planeamento Sustentável de Destinos

Authors:

Abstract

Nowadays, tourism destinations are required to adapt its supply to the demands of new and different markets, considering their competitiveness. When associated with the co-creation of experiences, creative tourism offers a unique character to the contexts where it is developed, promoting learning experiences that result from the relationship between tourists and local communities. Nevertheless, this interaction has been restricted to disabled tourists, which is one of the reasons why certain constraints (internal, interactive and external) should be overcome. This paper aims at enhancing how important education and the awareness of destinations’ stakeholders are in promoting a dynamic and interactive connection between all actors of the tourism experience. The suggested Educational Model of Creative Tourism for Everyone stresses the relevance of education in the process of co-creating innovative and inclusive tourism products, bearing in mind a fulfilling experience for everyone involved as well as the competitiveness and development of tourism destinations.
Mariana Cabral, Andreia F. Moura, Maria do Rosário Mira Et Adília Rita Cabral
Páginas/ Pages 11-32
Cabral, M., Moura, A. F., Mira, M. do R., Cabral, A. R. (2017). Turismo Criativo
para todos: uma base para o planeamento sustentável de destinos. DEDiCA.
REVISTA DE EDUCAÇÃO E HUMANIDADES, N.º 12, setembro, 2017, 11-
32. ISSN: 2182-018X 11
TURISMO CRIATIVO PARA TODOS: UMA BASE PARA O
PLANEAMENTO SUSTENTÁVEL DE DESTINOS
CREATIVE TOURISM FOR ALL: FOUNDATIONS FOR PLANNING
SUSTAINABLE DESTINATIONS
Mariana Cabral(1), Andreia F. Moura(1), Maria do Rosário Mira(1)
Et Adília Rita Cabral(1)
(1) Escola Superior de Educação, Instituto Politécnico de Coimbra
(Portugal)
E-mail: marianacabral@esec.pt; andreiamoura@esec.pt; mrmira@esec.pt;
adilia@esec.pt
Recebido: 01/12/2016
Aceite: 26/12/2016
Publicado: 14/09/2017
RESUMO:
Atualmente, os destinos turísticos exigem uma oferta adaptada às exigências
dos novos e diferentes mercados, tendo em vista a competitividade dos
territórios. O turismo criativo, impulsionado pela co-criação de experiências,
surge como uma forma de conferir um caráter único a estes espaços,
proporcionando contextos de aprendizagem e envolvimento entre turistas e
comunidades locais. No entanto, esta interação tem sido vedada à população
com incapacidade, sendo crucial eliminar determinados constrangimentos
(internos, interativos e externos). É neste contexto que o presente artigo visa
realçar a pertinência em se apostar na educação e sensibilização dos
stakeholders dos destinos para a promoção da interatividade, dinamismo e
total envolvimento dos intervenientes na experiência turística. O Modelo
Educacional de Turismo Criativo para Todos sugerido evidencia a importância
da educação na co-criação de produtos turísticos inovadores e inclusivos,
tendo em vista a plena participação de qualquer interveniente, bem como a
competitividade e desenvolvimento dos destinos turísticos.
Palavras chave:
turismo criativo, turismo acessível, co-criação, educação, destinos turísticos
Mariana Cabral, Andreia F. Moura, Maria do Rosário Mira Et Adília Rita Cabral
Páginas/ Pages 11-32
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ABSTRACT:
Nowadays, tourism destinations are required to adapt its supply to the
demands of new and different markets, considering their competitiveness.
When associated with the co-creation of experiences, creative tourism offers
a unique character to the contexts where it is developed, promoting learning
experiences that result from the relationship between tourists and local
communities. Nevertheless, this interaction has been restricted to disabled
tourists, which is one of the reasons why certain constraints (internal,
interactive and external) should be overcome. This paper aims at enhancing
how important education and the awareness of destinations’ stakeholders are
in promoting a dynamic and interactive connection between all actors of the
tourism experience. The suggested Educational Model of Creative Tourism
for Everyone stresses the relevance of education in the process of co-creating
innovative and inclusive tourism products, bearing in mind a fulfilling
experience for everyone involved as well as the competitiveness and
development of tourism destinations.
Keywords:
creative tourism, accessible tourism, co-creation, education, tourism
destinations
Introdução
A atividade turística tem assumido um papel de relevo nas
sociedades contemporâneas nas suas diversas dimensões:
económica, ambiental, cultural e social. Deste modo, o turismo é, hoje
em dia, mais do que uma forma primária de lazer, delineando-se como
uma filosofia de desenvolvimento. De acordo com Marujo e Carvalho
(2010), o turismo será um importante catalisador de desenvolvimento
local, contribuindo para a evolução dos territórios e constituindo um
forte aliado no âmbito da mudança de mentalidades. O
reconhecimento do turismo como agente de progresso tem
aumentado, o que possibilita o aprofundamento das reflexões acerca
de formas de turismo alternativas e atrativas, através das quais seja
possível aliar Criatividade e Acessibilidade.
No contexto da acessibilidade, o turismo tem dado os seus
primeiros passos nos últimos anos, desenhando-se um interesse
crescente pelo turismo acessível e a evolução do seu conceito.
Empiricamente, vários autores comprovam que a população com
incapacidade apresenta as mesmas necessidades e desejos,
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relativamente ao turismo, que a população sem incapacidade
(Przeclawski, 1995; Yau, McKercher, & Packer, 2004), ressalvando-
se, uma diferença significativa que deverá ser considerada ao nível
do planeamento e gestão de destinos turísticos: esses benefícios são
sentidos com maior intensidade pelas pessoas com incapacidade
(Shaw & Coles, 2004; Smith & Hughes, 1999). Ora, o turismo
acessível poderá, então, ser um veículo de empowerment, harmonia,
bem-estar e qualidade de vida de todos, incluindo da população com
incapacidade (Iwasaki, MacTavish, & MacKay, 2005).
No entanto, estas mais-valias só poderão ser potenciadas
através de experiências turísticas adequadas e positivamente
memoráveis, capazes de dar resposta a necessidades e expetativas
especiais.
No contexto da indústria turística, o turismo cultural e criativo
têm vindo a evidenciar-se nos últimos anos por ressalvar, por um lado,
os recursos potenciais para o desenvolvimento turístico no território
e, por outro, por proporcionar aos turistas uma experiência de
contacto e proximidade com os locais. É neste contexto que o
conceito de criatividade se assume como premente para a
revitalização e promoção da unicidade dos territórios.
A “criatividade” e o “turismo acessível” são, assim, conceitos
interrelacionados que granjeiam um interesse exponencial entre
académicos, devido ao seu potencial de investigação; entre políticos,
considerando as suas implicações em termos económicos,
infraestruturais e de saúde e bem-estar públicos e ainda entre
empresários, que ponderam novas oportunidades de negócio. Com
este artigo, pretende-se assim, realçar a pertinência de se apostar na
educação e sensibilização dos agentes da oferta para evidenciar a
interligação entre estes dois conceitos no contexto dos destinos e,
consequentemente, identificar novas possibilidades de
desenvolvimento turístico sustentável.
Neste sentido, na primeira parte deste trabalho apresentar-
sea criatividade como fator diferenciador de destinos turísticos,
esclarecendo-se de seguida, na segunda parte, como a
acessibilidade poderá constituir uma mais-valia competitiva,
explicando-se, por fim, a proposta conceptual de um novo modelo
educacional de gestão turística sustentável: o turismo criativo para
todos. Finalmente, expõem-se as principais conclusões acerca do
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potencial de realidade ou utopia da união dos conceitos de
criatividade e acessibilidade em turismo.
1.- A Criatividade como fator diferenciador dos destinos
turísticos
A cultura assume um papel reconhecido na competitividade
de um destino, não estivesse esta intimamente ligada à identidade
local, constituindo-se a diferenciação cultural um fator de distinção
(Richards, 2011). A articulação entre cultura e turismo reforça, deste
modo, as mais-valias de um local enquanto destino turístico.
A criatividade assume um papel vital enquanto elemento
distintivo da experiência turística, capaz de satisfazer as expectativas
de um público cada vez mais interessado em viver novas experiências
relacionadas com o local e com a comunidade que visitam. O turismo
criativo tem sido percecionado como a expressão do processo de
mudança do turismo de massas para um turismo feito à medida e tem
vindo a evidenciar-se na última década como alternativa ao
paradigma das viagens (Richards, 2011; Wattanacharoensil &
Schukert, 2014). É também identificado por alguns autores (Richards
& Wilson, 2006; Richards & Marques, 2012) como uma alternativa ao
desenvolvimento cultural de um determinado local, ao mesmo tempo
que a cultura é vista como a matéria-prima para a produção criativa,
englobando não os elementos tangíveis, como também os
intangíveis, igualmente cruciais na criação de experiências no
destino.
Richards e Raymond (2000, citado por Richards & Wilson,
2006: 1215) introduziram o conceito de turismo criativo,
considerando-o como uma forma de “turismo que oferece aos
visitantes a oportunidade de desenvolverem o seu potencial criativo
através da participação ativa em cursos e experiências de
aprendizagem, associadas ao destino de férias onde se encontram”.
Por sua vez, a UNESCO (2006) define turismo criativo como algo que
implica uma interação mais expressiva entre o turista e a comunidade
local, por intermédio de um envolvimento profundo a nível emocional,
educacional e social entre ambas as partes.
Apesar da diversidade de definições adotadas por diferentes
autores, destacam-se como aspetos comuns presentes nas
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definições, o “potencial criativo” do turista na comunidade local que
visita, que pode ser desenvolvido de acordo com a oferta local e a
atitude dinâmica por parte do próprio turista; o seu envolvimento
ativo” com a comunidade recetora; a vivência de experiências únicas”
que permitam a construção de memórias, apelando às sensações no
processo criativo, e a “cocriação”, uma participação ativa do turista no
destino, em que este procura ser coprodutor da sua experiência, isto
é, pretende ter uma papel interventivo na produção da mesma,
desenvolvendo, desta forma, o seu potencial criativo e as suas
capacidades de cocriar um produto adequado às suas necessidades
e exigências (Richards, 2010: 1237).
Neste contexto, a criatividade deve ser entendida como um
motor de transformação dos setores económico e social de um
determinado local, assim como de esmulo à criação de processos
de inovação (Richards & Marques, 2012). No setor cultural, a
criatividade permite o desenvolvimento de novos produtos culturais,
adaptados aos desejos dos visitantes, estimuladores do potencial
cultural de um território através de experiências turísticas
potencialmente mais inovadoras, flexíveis e de difícil reprodução
(Richards & Wilson, 2006; Richards & Marques, 2012). Desta forma,
torna-se crucial relacionar este conceito com a economia das
experiências, proposta por Pine e Gilmore (1999), reforçando-se,
assim, a necessidade de se apostar em experiências únicas e
memoráveis nos destinos, em prol da satisfação dos consumidores e
de uma maior competitividade dos destinos.
Richards e Wilson (2006) consideram que os turistas criativos
são ativos, de tal forma que, sem essa participação, as experiências
criativas não se concretizariam. É ainda salientado o facto de a base
para a concretização das experiências criativas estar relacionada com
atividades do dia-a-dia das comunidades, nomeadamente ao nível do
artesanato, da gastronomia, da criação de perfumes, da pintura em
porcelana e da dança” (Richards & Wilson, 2006: 1219). É, assim,
possível afirmar que este tipo de turismo promove o desenvolvimento
das capacidades dos indivíduos, uma vez que as oportunidades de
aprendizagem são promovidas em contextos diferenciados (Tan,
Kung & Luh, 2013).
Desta forma, a oferta turística do destino deve tornar-se mais
criativa e as suas atividades devem desenvolver-se de forma a
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garantir que a atratividade turística vai ao encontro das novas
tendências e exigências por parte da procura, pelo que a aposta na
educação e formação dos gestores de destinos apresenta-se como
crucial para uma melhor adaptação a estes requisitos. Richards
(2011: 1233) considera que “o extraordinário é cada vez mais difícil
de encontrar em formas tradicionais de turismo”, pelo que percecionar
apostas na reinvenção da cultura local considerando as
características identitárias das comunidades, os seus estilos de vida
e os costumes do quotidiano deverá ser, atualmente, uma máxima a
seguir. Os prestadores de serviços turísticos devem contemplar, na
oferta turística, matérias-primas com as quais os turistas possam
produzir as suas próprias experiências, desenvolvendo as suas
competências, aprofundando o conhecimento acerca da comunidade
local e sentindo-se realizados (Richards, 2012). O autor também
enfatiza o papel das comunidades locais no sentido de as mesmas
contribuírem para que os turistas alcancem os objetivos da sua
experiência criativa. Refere também a importância das "competências
específicas do local" como fonte de desenvolvimento no âmbito dos
princípios do turismo criativo e a comunidade local como "uma
fonte de conhecimento e competências a partir da qual os turistas
podem aprender" (Richards, 2011: 1238). A “cocriação” com a
comunidade reforça a ideia de que o turismo criativo pode ser um
elemento dinamizador da própria cultura local.
O turismo criativo abrange, atualmente, um conjunto
diversificado de atividades em que o nível de envolvimento do turista
poderá ser de maior ou menor expressão (Richards & Marques,
2012). Esta nova abordagem do turismo permite que a troca de ideias
e competências entre visitantes, fornecedores de serviços e
comunidade local se traduza num enriquecimento para todas as
partes e num aprimorar das relações, consideradas por Richards
(2012) como verdadeiramente autênticas. O turismo criativo pode
traduzir-se da seguinte forma: através do envolvimento dos turistas
no estilo de vida criativo do destino”; através do “usufruir dos recursos
existentes”, do “fortalecimento da identidade local e do seu carácter
distintivo”, da “auto-expressão”, assim como da “educação”, e como
forma de “recriar e reviver os lugares”, nos quais se pode gerar um
ambiente criativo contextualizado (Richards & Marques, 2012: 4).
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Figura 1 “Formas de Turismo Criativo”
Fonte: adaptado de Richards (2011: 1239)
A figura 1 demonstra a diversidade de expressões que o
turismo criativo pode assumir, envolvendo maior ou menor interação
por parte do turista. Este modelo de Richards (2011) evidencia o
carácter eclético deste tipo de turismo, o que representa uma mais-
valia para os destinos turísticos, uma vez que se comprova a
possibilidade de adaptação dos recursos endógenos de um
determinado território ao turismo criativo.
Num contexto territorial, o destino deve realçar os aspetos
criativos que estão ligados às características desse local e que
proporcionam aos turistas criativos uma motivação específica para os
visitar (Richards, 2011). As competências específicas da comunidade
local são sempre vistas como uma fonte de desenvolvimento do
turismo criativo. Cada destino tem o potencial para oferecer uma
Redes
Parcerias
Criatividade
enquanto
atividade
Criatividade
enquanto
cenário
Aprendizagem
(workshops,
cursos)
Degustação
(experiências,
ateliers)
Observação
(Itinerários)
Envolvimento crescente
De que forma?
Eventos
Empreendedores criativos
Experiências e Produtos
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combinação única de conhecimento e competências que tornam
determinados locais particularmente adaptados ao desenvolvimento
de atividades criativas específicas, muitas vezes ligadas às tradições
criativas desse local.
Considera-se, portanto, indiscutível o papel inovador,
distintivo e vital do turismo criativo no panorama atual da indústria do
turismo, não em termos de recuperação e revalorização da
identidade dos locais e dos seus valores culturais, os quais terão um
papel decisivo na promoção da imagem dos destinos (Richards &
Wilson, 2006), mas também como motor de desenvolvimento
económico dos territórios e propulsor de um perfil de turista mais
envolvido, mais interessado na aprendizagem e na interação com o
contexto de visita.
2.- A Acesibilidade como mais-valia competitiva dos destinos
turísticos
A Declaração de Manila, assinada em 1980 na conferência
da OMT, reconhece que o turismo é um direito fundamental de todas
as pessoas, regulamentando destinos, produtos e serviços turísticos
para que estes sejam acessíveis a todos, sendo a primeira vez que
se assume mundialmente a importância da associação dos conceitos
de turismo e acessibilidade.
Várias definições de turismo acessível estão invariavelmente
centradas na complexidade da deficiência ou das limitações dos
indivíduos (Darcy & Dickson, 2009). Contudo, outras reconhecem a
importância da envolvente e dos relacionamentos sociais (Darcy,
Cameron, & Pegg, 2010). Todavia, para o presente trabalho, aceita-
se a abordagem integrante proposta por Darcy & Buhalis (2011) que
define o turismo acessível como um processo de cooperação entre os
vários stakeholders envolvidos no turismo que permite às pessoas
com incapacidade aceder aos destinos turísticos de forma autónoma
e independente, oferecendo oportunidades efetivas de igualdade,
respeito e cordialidade, através da adequação de infraestruturas e
facilidades baseadas nos princípios do desenho universal, e do
desenvolvimento de produtos, serviços e atividades plenamente
acessíveis.
As novas tendências sociais em torno dos direitos globais da
igualdade de oportunidades e da plena inclusão de todos os membros
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da sociedade, descritas ao longo do presente trabalho, poderiam
justificar per si a pertinência do turismo acessível ou turismo para
todos. No entanto, o turismo para todos afirma-se, igualmente, no
campo da economia ou desenvolvimento económico; prova disso são
os cerca de 650 milhões de indivíduos que têm algum tipo de
incapacidade em todo o mundo (OMS, 2008), bem como a galopante
tendência para o envelhecimento populacional mundial, que conduz
invariavelmente ao aumento da população com incapacidade. De
acordo com Darcy e Buhalis (2011), prevê-se que em 2030, este
número ascenda para um bilião de pessoas, ou seja, uma em cada
oito pessoas terá algum tipo de incapacidade, o que representa um
aumento de cerca de 140%. Atualmente, o mercado da incapacidade
representa 10% da população mundial, o que, em termos
económicos, poderá extrapolar o nicho de mercado e consagrar-se
como um segmento de mercado interessante para a rentabilidade dos
destinos turísticos.
No entanto, que relembrar que os turistas com
incapacidade apresentam condições sociais, económicas e
demográficas particulares e de clara desvantagem relativamente aos
seus pares, que devem ser tidas em consideração no âmbito do
planeamento de destinos turísticos para todos. Ora, estas condições
afetam claramente a participação na atividade turística e devem ser
tidas em consideração no desenho de equipamentos e infraestruturas
turísticas e também na planificação de serviços e atividades turísticas.
Neste caso concreto, isto é, para o turista com incapacidade,
a qualidade da experiência turística, especificamente a primeira
experiência, é de tal forma relevante, que condiciona
automaticamente a sua propensão futura para participar no turismo
(Murray & Sproats, 1990; Packer, McKercher, & Yau, 2007; Yau et al.,
2004). Assim, Neumann (2004) salientou que os indivíduos com
incapacidade não participam no turismo, não por falta de vontade,
mas porque ainda encontram muitos constrangimentos nos destinos
turísticos que colocam em causa a sua livre e ativa participação no
turismo.
Os constrangimentos que condicionam a participação das
pessoas com incapacidade no turismo são de variada ordem, não
querendo por isso dizer que se apliquem isoladamente. Muitas vezes,
o desenvolvimento dos destinos turísticos terá de resolver e promover
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soluções para o resultado da combinação dos vários obstáculos
enumerados, já que é essa combinação que afeta irremediavelmente
a experiência turística do indivíduo com incapacidade (Smith, 1987).
Desta maneira, se este segmento de mercado desistir de viajar, o
futuro dos destinos turísticos poderá também ficar comprometido,
senão vejamos: a esperança média de vida tem aumentando de forma
constante o que significa que a população mundial está cada vez mais
envelhecida e, naturalmente, mais propensa a adquirir algum tipo de
incapacidade, não esquecendo que a própria sociedade também tem
evoluído bastante nos últimos anos, no sentido da integração e
inclusão social da população com incapacidade.
Neste contexto, sendo o turismo uma atividade social que
implica contacto, convívio e interação, uma das grandes mais-valias
que lhe está intrinsecamente associada é a oportunidade de inclusão
social. Ou seja, o turismo é per se uma forma de eliminar
constrangimentos internos, interativos e externos, contribuindo para o
desenvolvimento pessoal de cada um (Przeclawski, 1995), com
efeitos notórios a nível físico, psicológico, emocional, social, espiritual
ou estético (Henderson & Bialeschki, 2005), não esquecendo o
contributo determinante para o crescimento da auto e inter confiança
e da melhoria da comunicação interpessoal (Goodwin, Peco, &
Ginther, 2009; Hood & Carruthers, 2007; Lobozewicz, 1995; Loeffler,
2004; Przeclawski, 1995). É de destacar que estes benefícios não se
limitam ao momento da participação no turismo, mas que se
repercutem ao longo do tempo, contribuindo para a qualidade de vida
percebida dos indivíduos com incapacidade (Anderson, Schleien,
McAvoy, Lais, & Seligmann, 1997; Goodwin et al., 2009; Hood &
Carruthers, 2007).
Ao mesmo tempo, há ainda que considerar um aspeto muito
particular neste âmbito dos benefícios, que é a importância que o
turismo assume para o alívio ou quebra das obrigações quotidianas
dos seus acompanhantes ou cuidadores (Shaw & Coles, 2004). Ora,
as mais-valias do turismo acessível não são exclusivas da indústria
turística no que concerne às oportunidades de negócio que oferece,
mas estendem-se aos próprios participantes e aos seus
acompanhantes, ou seja, às sociedades de uma forma genérica.
Será utopia sugerir o turismo criativo como potencial resposta
de promoção de uma experiência turística positiva para todos? É
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fulcral pensar o turismo através de uma abordagem sistémica de
complementaridade entre todos os elementos da cadeia de valor
turística, ou seja, através de um novo modelo de gestão dos destinos,
capaz de ponderar as especificidades de um público-alvo especial,
considerar a integração da oferta turística e abarcar os três pilares
basilares da sustentabilidade: económico, ambiental e social, tal
como se pretende demonstrar através do ponto seguinte.
3.- Turismo Criativo Para Todos: um novo modelo educacional
de gestão
O delinear de destinos turísticos acessíveis implica uma visão
estratégica assente na igualdade de experiências, considerando
fatores internos e externos ao sistema turístico (Kastenholz, Pinho,
Eusébio & Figueiredo, 2010). De acordo com vários autores, apenas
a integração e sustentabilidade globais do destino em termos
económicos, sociais e ambientais poderá corresponder a uma
experiência turística totalmente acessível, envolvendo todas as
dimensões setoriais e transversais ao turismo (Darcy & Buhalis, 2011;
Darcy & Dickson, 2009). Deste modo, os destinos turísticos criativos
para todos implicam pensar e organizar fatores como infraestruturas,
segurança, recursos humanos, ordenamento territorial, comunicação
e marketing, entre outros elementos da cadeia de valor da indústria
turística (Devile & Kastenholz, 2009).
Neumann (2004) defende que antes de iniciar o planeamento
de um destino turístico que se pretende acessível, será fundamental
traçar panoramas de desenvolvimento consoante o nível de
acessibilidade existente. Neste sentido, os planeadores turísticos
poderão deparar-se com três tipos de cenários: inatividade,
adaptação ou prioridade.
Neste contexto, é possível compreender que a
competitividade de um destino poderá decidir-se de acordo com a sua
acessibilidade, não esquecendo que esta não é apenas física ou
arquitetónica (Curtis & Scheurer, 2010), mas que invoca a abolição
de todos os constrangimentos à participação no turismo. Para isso, é
fundamental sensibilizar para a formação de todos os stakeholders do
destino e promover o seu envolvimento, conciliando interesses e
responsabilidades, estabelecendo redes e parcerias, e construindo
pontes e sinergias entre os diversos agentes do sistema turístico
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(Darcy & Dickson, 2009). Todos os atores do sistema deverão unir-se
para que a acessibilidade impere, não só no interior do destino, mas
também, e de forma efetiva, desde o ambiente habitual do turista,
desde que sai de casa, e ao longo de todo o percurso até ao território
de chegada (Umbelino, 2014). Para tal, revela-se crucial apostar na
promoção e análise de boas práticas que, num contexto
local/regional, possam ser adaptadas em prol de um melhoramento
da experiência turística.
Assim, os turistas com ou sem incapacidade devem ser
acompanhados e auxiliados antes, durante e depois da participação
turística. Contudo, para que este acompanhamento seja possível é
essencial conhecer o mercado, as suas caraterísticas, desejos e
necessidades especiais, ponderando os recursos e as
potencialidades dos destinos (Moura & Kastenholz, 2010). É
considerando esta premissa que se propõe um turismo criativo para
todos como um novo modelo educacional de gestão e
desenvolvimento de destinos turísticos.
A forma como se organiza a oferta turística de um destino é a
fórmula de sucesso ou insucesso para o desenvolvimento
sustentável. Desta maneira, para alcançar o almejado
desenvolvimento ponderado e compatível entre aspetos económicos,
sociais e ambientais é crucial fomentar a criação de redes e parcerias
entre os vários agentes locais (Novelli, Schmitz, & Spencer, 2006). Os
países ocidentais, reconhecidos como mais desenvolvidos em termos
económicos e sociais, apresentam destinos turísticos assentes em
sistemas produtivos articulados internamente e apoiados por agentes
externos que permitem alcançar elevados níveis de competitividade
nos mercados, cada vez mais globais (Rodrigues, Kastenholz &
Rodrigues, 2007). Porém, há que sublinhar também, que hoje em dia
e crescentemente, o global parte do regional e do local (Rodrigues et
al., 2007).
Neste sentido, surgem novos modelos de planeamento e
governança assentes na interação, colaboração e coparticipação
ativa entre setores público e privado (Breda, Costa, & Costa, 2006;
Sharpley, 2005). As vantagens económicas são evidentes, no que diz
respeito ao tecido empresarial, uma vez que se estimula a
cooperação e o relacionamento comercial em rede, o que conduzi
ao crescimento do fluxo de clientes entre empresas, aumento da
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permanência média e fidelização dos clientes, incremento das
despesas efetuadas no destino, e consequentemente à melhoria da
qualidade do produto e ainda a melhores condições de financiamento.
No que concerne à estrutura económica local, potencia-se a
colaboração entre setores público e privado, o que resultará no
melhor aproveitamento de recursos, diminuição de fugas de capital e
maximização dos efeitos multiplicadores do turismo. Por outro lado,
as vantagens sociais devem ser consideradas segundo a perspetiva
da comunidade local, já que o turismo criativo para todos permitirá o
estabelecimento de objetivos comuns, a integração de pequenas e
médias empresas locais no processo de desenvolvimento e o reforço
da identidade local e sentimento de comunidade.
Atualmente, considera-se que o turista tende a “afastar-se da
perspetiva tradicional de passar meramente pela paisagem e
experienciá-la simplesmente através do olhar” (Daugstad, 2008: 413),
atitude típica do “tourist gaze”, sugerida por John Urry (2002). O
turista moderno procura, pelo contrário, um maior envolvimento
pessoal na sua visita, valorizando o “sabor”, o “sentir” e o “viver as
histórias que fazem parte da herança cultural de um determinado
lugar. Desta forma, é pertinente procurar proporcionar as melhores
condições para um envolvimento total por parte dos turistas nas
atividades que são proporcionadas pelos anfitriões e uma perfeita
simbiose na relação entre ambos, uma vez que a perceção da
experiência turística é bastante influenciada pela atitude da
comunidade local face à visita de turistas. Será esse envolvimento o
responsável pelo despoletar de emoções e sensações que marcarão
a visita dos turistas a um determinado lugar. Atividades interativas,
tais como os workshops de gastronomia, artes, pintura, dança,
escultura, fotografia e aprendizagem da língua local, que implicam a
transmissão de conhecimento entre comunidade local e visitantes,
são exemplos atuais que vão ao encontro das novas tendências de
procura, refletidas em novas propostas da oferta (Binkhorst, 2007;
Cloke, 2007), assentes no conceito de co-criação. Este é, assim,
percecionado como “a interação de um indivíduo num local e tempo
específicos e num contexto artístico específico” (Binkhorst & Dekker,
2009: 315). Este é um elemento crucial na promoção de novos
produtos criativos e do turismo criativo.
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Deste modo, para maximizar as vantagens anteriormente
descritas é fundamental criar uma entidade que permita a gestão
eficaz, eficiente, articulada e sustentável de todo o setor turístico do
destino, as denominadas Destination Management Organization
(DMO). Considerando uma DMO com base nos conceitos de
“criatividade” e “acessibilidade”, denominada Turismo Criativo para
Todos (TCT) seria possível: (i) a dinamização de redes e parcerias
entre os diversos stakeholders, compatibilizando interesses e
fomentando a comunicação e a partilha de informação e
conhecimento; (ii) a aposta na formação de recursos humanos, tendo
em vista o aprofundar de conhecimentos técnicos exigidos na
aplicação dos conceitos ao nível da gestão da oferta no destino; (iii) a
valorização da identidade local, preservando tradições e tipicidades
locais, maximizando a atratividade do destino e oferecendo
oportunidades de contacto entre turistas e comunidade local; (iv) a
conservação do património edificado e paisagístico, promovendo o
respeito pela cultura regional e pelo património cultural do destino; (v)
a renovação e modernização de infraestruturas de acordo com os
princípios da sustentabilidade: ambiental, social e económica; (vi) o
desenvolvimento e divulgação de novos espaços de lazer, recreio e
entretenimento; (vii) a utilização e aproveitamento das novas
tecnologias em todas as fases de desenvolvimento turístico
(Sharpley, 2004, cit. in Rodrigues et al., 2007).
A TCT teria de apresentar uma forte liderança, munindo-se de
uma equipa experiente e competente ao nível do planeamento e
gestão da evolução da atividade turística que, por sua vez, orientaria
duas unidades funcionais: a unidade de Criatividade e a unidade de
Acessibilidade. A primeira seria responsável pelas áreas de criação e
desenvolvimento de novos produtos e serviços turísticos e de
inovadoras atividades de animação turística, não esquecendo o
marketing criativo, por meio da sugestão de formas adequadas de
promoção e divulgação do destino turístico. A segunda seria
direcionada para a formação e sensibilização para a acessibilidade,
bem como para o controlo de equipamentos e infraestruturas, tendo
em vista a sua acessibilização e integração na oferta turística total.
Em termos esquemáticos poderá observar-se a proposta de modelo
de gestão através da Figura 2.
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Figura 2 Proposta de Modelo Educacional de Turismo Criativo para Todos
(TCT)
Fonte: Elaboração Própria
É importante sublinhar que o modelo de gestão apresentado
implica que a TCT realize uma estimulação constante da rede
proposta, desenvolvimento de infraestruturas e equipamentos,
distribuição de informações e conhecimento e ainda partilha de boas
práticas, através do qual as PME’s locais poderão ser
autossustentáveis, contribuindo para o sucesso do desenvolvimento
turístico.
Em suma, pretende-se que a linha orientadora do modelo
integrado e sustentável proposto reflita uma malha de interligações
de sucesso cooperativo entre os atores locais, gerando situações win-
win (D'Angella & Go, 2009), que por sua vez surtirão efeitos positivos
ao nível da competitividade e diluirão perceções de risco financeiro,
oferecendo maior efetividade operacional à DMO. É certo que a
implementação de uma DMO com estas caraterísticas não é tarefa
fácil e reconhece-se que existe ainda um longo caminho a percorrer
neste âmbito. O modelo de gestão TCT apresentado poderá constituir
uma orientação ou estruturação estratégica preliminar para qualquer
destino, tratando-se uma perspetiva sistémica para a integração da
oferta turística, através da formalização de uma rede sólida entre
agentes locais e população, no sentido de garantir a sustentabilidade
do desenvolvimento da atividade turística e, assim, a plena satisfação
dos seus visitantes.
4.- Conclusões
De acordo com Weaver e Opperman (2000 cit. in Darcy &
Buhalis, 2011), o turismo acessível é um processo de cooperação
Áreas de Atuação
Unidades Funcionais
Direção Planeamento e Gestão
CRIATIVIDADE
Atividades,
Produtos e
Serviços
Promoção e
Divulgação
ACESSIBILIDADE
Formação e
Sensibilização Controlo de
Equipamento e
Infraestruturas
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entre atores locais que promovem o acesso universal, de maneira a
que qualquer indivíduo possa usufruir de ambientes, produtos e
serviços turísticos de forma independente, autónoma, equitativa e
com dignidade. Esta definição inclui incapacidades permanentes e
temporárias, pessoas idosas, obesos, famílias com crianças
pequenas e quaisquer outras que necessitem ou beneficiem de um
ambiente mais seguro e socialmente sustentável. Chega-se, então, à
conclusão que o turismo acessível é um formato de gestão e
planeamento para todos, ou seja, inclusivo e evolutivo de destinos
turísticos universalmente acessíveis.
O turismo acessível é, assim, uma oportunidade para o
desenvolvimento sustentável dos destinos. Todavia, a sua
operacionalização implica a remoção ou minimização de
constrangimentos que se colocam à participação turística dos
indivíduos com incapacidade. A incapacidade está longe de ser um
constructo unidimensional, tratando-se claramente de um conceito
multidimensional, que envolve a compreensão do indivíduo, mas
também das práticas, das abordagens, das atitudes e do ambiente
envolvente (Darcy & Buhalis, 2011).
O turismo criativo poderá, desta forma, assumir um papel
fundamental na eliminação dos obstáculos que impedem ou
diminuem a participação das pessoas com incapacidade no turismo.
Ou seja, este novo modelo de gestão deverá considerar todos os
elementos da cadeia de valor do turismo e utilizar uma abordagem
sistémica passível de minimizar constrangimentos e,
simultaneamente, integrada e inclusiva, capaz de maximizar os
benefícios provocados pela participação em atividades turísticas.
Do ponto de vista da oferta, é importante que os agentes
locais e institucionais desenvolvam sinergias (redes criativas),
identifiquem os recursos criativos e selecionem estratégias criativas
tendo por base as características locais mais valorizadas, com o
intuito de responder, tanto às necessidades dos turistas como dos
residentes e, ao mesmo tempo, acrescentar valor económico e
contribuir para um desenvolvimento sustentável local (Kastenholz,
Carneiro & Marques, 2012). Criar e oferecer aos consumidores
experiências baseadas em fatores distintivos locais é, de facto, um
desafio para qualquer destino. Contudo, o sucesso das experiências
criativas vai também depender do envolvimento e da interação dos
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turistas com o ambiente local (comunidade local e agentes locais)
(Richards & Marques, 2012). Desta forma, a experiência criativa deve
ser entendida como co-criada e experienciada pelos turistas,
comunidade local e fornecedores de serviços turísticos (Kastenholz et
al., 2012).
Em conclusão, existem já evidências conceptuais e estudos
suficientes para justificar a pertinência do turismo criativo, bem como
os efeitos positivos ou benefícios desta filosofia de gestão para os
mercados e destinos turísticos. Torna-se claro que nenhum destino
turístico poderá planear um futuro sustentado sem incorporar todos
os elementos necessários à sua acessibilização num futuro próximo
(Darcy & Buhalis, 2011), através de uma abordagem
inequivocamente criativa. Resta apenas alertar os decisores e
promotores turísticos para esta realidade, no sentido de orientar o
desenvolvimento turístico dos destinos de acordo com as máximas do
turismo criativo para todos. Deste modo, a gestão de destinos
turísticos será realizada de forma integrada e sustentável, prevendo
a reengenharia ou criação de novos produtos turísticos acessíveis, de
modo a proporcionar experiências diversificadas e memoráveis, mas
principalmente, inclusivas, criativas e de qualidade.
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Para saber mais sobre as autoras ...
Mariana Sousa e Silva Cabral de Carvalho
ID. ORCID: 0000-003-0305-5341
Aluna de Doutoramento em Turismo na Universidade de Aveiro.
Mestre em Gestão e Planeamento em Turismo pela mesma Universidade.
Licenciada em Turismo, Lazer e Património pela Faculdade de Letras da
Universidade de Coimbra.
Assume funções de docência como Assistente Convidada na Escola Superior
de Educação do Instituto Politécnico de Coimbra.
Tem como foco de investigação a co-criação no contexto de experiências
gastronómicas, enquanto impulsionadora da competitividade de destinos,
tendo, igualmente, interesse por áreas de investigação como o turismo
criativo e o turismo de experiências.
Andreia Filipa Antunes Moura
ID. ORCID: 0000-0002-1722-3476
Doutora em Turismo pela Universidade de Aveiro.
Licenciada em Turismo pela Escola Superior de Educação, Instituto
Politécnico de Coimbra .
Professora Adjunta Convidada na Escola Superior de Educação, Instituto
Politécnico de Coimbra.
Foi docente na Escola Superior de Turismo de Tecnologia do Mar e na Escola
Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria.
Tem participado em vários projetos de consultoria e investigação, com
especial enfoque no turismo acessível ou turismo para todos e no
planeamento e desenvolvimento de produtos e destinos turísticos.
Maria do Rosário Campos Mira
ID. ORCID: 0000-0001-8878-955X
Aluna de Doutoramento em Turismo na Universidade de Aveiro.
Mestre em Psicologia pela Universidade de Coimbra.
Professora Especialista em Turismo.
Especializou-se no âmbito das redes e parcerias no turismo.
Exerce funções de docência na Escola Superior de Educação, Instituto
Politécnico de Coimbra, como Professora Adjunta.
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Auditora Internacional do Programa de Certificação TedQual, da Organização
Mundial de Turismo, para a qualidade de ensino em turismo.
Tem vindo a aprofundar os seus conhecimentos e a diversificar os seus
interesses de investigação nas áreas da competitividade e
internacionalização de destinos turísticos.
Adília Rita Cabral de Carvalho
ID. ORCID: 0000-0003-4534-2592
Doutora em Turismo pela Universidade de Aveiro Portugal,
Mestrado em Ciências da Educação pela Universidade de Coimbra
Portugal,
Mestrado em Geografia e Planeamento pela Universidade de Rouen França
e Licenciatura em Geografia e Planeamento pela Universidade de Coimbra
Portugal.
Professora Coordenadora da Escola Superior de Educação do Instituto
Politécnico de Coimbra Portugal.
Vice-presidente (2010-2017), Presidente da Comissão Pedagógica do
Departamento de Comunicação e Ciências Empresariais em várias ocasiões,
assim como Presidente e Vice-Presidente da Assembleia de Representantes,
Coordenadora do Mestrado em Turismo de Interior e Directora da
Licenciatura em Turismo e outros muitos cargos de gestão, tudo na Escola
Superior de Educação do Politécnico de Coimbra Portugal.
Membro do Conselho Técnico-Científico da Escola Superior de Educação do
Instituto Politécnico de Coimbra Portugal.
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Em Pernambuco, a atividade turística concentra-se no litoral sul do estado, com foco no turismo de sol e mar. Apesar da diversidade cultural pernambucana, na maioria das cidades do interior o turismo ainda está se desenvolvendo. Visando esse potencial da região interiorana e tendo como base a Economia Criativa, buscou-se analisar as possibilidades de desenvolvimento do Turismo Criativo, mais especificamente na cidade de São José do Egito, Sertão do Pajeú (Pernambuco), onde surgiu o projeto audiovisual "Nos Passos da Poesia de São José do Egito". Neste trabalho, apresenta-se uma análise dos discursos das e dos poetas que participaram como entrevistadas, para entender as relações da poesia com a cidade e da cidade com a poesia, e as oportunidades para o desenvolvimento turístico a partir de tais relações.
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The tourism industry is constantly evolving, mostly due to the development of destinations and ever-changing tourist preferences. As a result, there has been a growing concern with promoting the use of existing resources and increasing profitability, particularly by encouraging diversity and creating local dynamics, moving beyond mass tourism. As tourists show a preference for more personalized and authentic experiences, there is also a growing demand for different experiences, paving the way for creative tourism and co-created activities. Focusing on creative tourism in Vila Nova de Foz Côa, this paper aims to contribute to the understanding of the concept of creative tourism, as well as to identify its potential and impact on this region. Drawing from a literature review crosscutting the concepts of authenticity, creativity, and memorability, and on semi-structured interviews with local stakeholders, authors put forward a comprehensive analysis of the state of the art of local policies and available tourism activities, outlining key-areas for future development. Overall, the main results of this research show that creative tourism in Vila Nova de Foz Côa is still at an early stage, and even though there is a common interest in developing this practice, it is necessary to improve the relationship between the different stakeholders, particularly when it comes to their communication and involvement in shared initiatives. On the other hand, given the potential of the region, it was also possible to identify prospective tourism products and activities, which can leverage future initiatives within this scope.
Conference Paper
The tourism industry is constantly evolving, mostly due to the development of destinations and ever-changing tourist preferences. As a result, there has been a growing concern with promoting the use of existing resources and increasing profitability, particularly by encouraging diversity and creating local dynamics, moving beyond mass tourism. As tourists show a preference for more personalized and authentic experiences, there is also a growing demand for different experiences, paving the way for creative tourism and co-created activities. Focusing on creative tourism in Vila Nova de Foz Côa, this paper aims to contribute to the understanding of the concept of creative tourism, as well as to identify its potential and impact on this region. Drawing from a literature review crosscutting the concepts of authenticity, creativity, and memorability, and on semi-structured interviews with local stakeholders, authors put forward a comprehensive analysis of the state of the art of local policies and available tourism activities, outlining key-areas for future development. Overall, the main results of this research show that creative tourism in Vila Nova de Foz Côa is still at an early stage, and even though there is a common interest in developing this practice, it is necessary to improve the relationship between the different stakeholders, particularly when it comes to their communication and involvement in shared initiatives. On the other hand, given the potential of the region, it was also possible to identify prospective tourism products and activities, which can leverage future initiatives within this scope.
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This article contributes to an understanding of how creative tourism is perceived on a national level, by using Thailand as a case analysis. The primary objective of this article is to investigate Thailand's plans and policies for the creative economy at both national and ministry levels in relation to creative tourism. It also identifies how a national strategic plan can provide a blueprint for individual agency master plans to provide policy support for the development of the creative economy in the tourism sector. Thailand is chosen as an example of how government and related agencies can contribute to a national creative tourism movement in the country, especially in the light of the Tourism Authority of Thailand branding campaign to stimulate creative tourism to the destination. The qualitative research methodology through content analysis is used to scrutinise the plan and policy contents from the selected government agencies. The results demonstrate a better view of how creative tourism is positioned in the Thailand context and contribute to a policy study on the creative economy in the tourism sector as well as in creative tourism.
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As áreas rurais encontram-se, frequentemente, a sofrer de problemas económicos e sociais, de marginalização e de falta de recursos e igualdade de oportunidades, devido ao declínio da rentabilidade do sector agrícola. Neste contexto, o turismo acessível, ou turismo para todos, pode representar uma atractiva alternativa de desenvolvimento. Actualmente, numa sociedade envelhecida, o turismo para todos é mais do que um nicho de mercado, já que as actividades turísticas para pessoas com (diferentes graus e formas de) deficiência são cada vez mais procuradas, constituindo-se como uma realidade económica viável. Por outro lado, o turismo rural ganha cada vez mais importância, atendendo às necessidades e desejos de novos e emergentes mercados turísticos, com um número crescente de destinos de turismo rural a competir numa escala global. Uma vez que a procura turística é o resultado da motivação dos turistas, bem como de acções de marketing bem sucedidas, de recursos e de factores de contingência (Pearce e Butler, 1993), a compreensão de todos esses factores podem contribuir activamente para o sucesso do destino. Deste modo, o presente trabalho tem como objectivo apresentar a potencialidade do turismo acessível como uma estratégia inovadora de desenvolvimento, respondendo às novas exigências do mercado e, potencialmente, agregando valor a produtos e destinos de turismo rural, melhorando a sua competitividade e, finalmente, contribuindo para o desenvolvimento sustentável das comunidades rurais.
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This paper provides an overview of the contributions to special issue of the Journal of Tourism Consumption and Practice entitled „Exploring Creative Tourism‟. Creative tourism has grown rapidly in the past decade, reflecting the growing desire of consumers to develop their own creative potential and to attach themselves to creative networks, as well as the need for creative producers, cities and regions to profile themselves in an increasingly crowded global market. The case studies in the special issue examine creative tourism in a range of different contexts and present a range of models of creative tourism development in fields such as music, art, heritage and crafts. Creative tourism can therefore be viewed as a form of networked tourism, which depends on the ability of producers and consumers to relate to each other and to generate value from their encounters.
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The rapidly developing relationship between tourism and creativity, arguably heralds a ‘creative turn’ in tourism studies. Creativity has been employed to transform traditional cultural tourism, shifting from tangible heritage towards more intangible culture and greater involvement with the everyday life of the destination. The emergence of ‘creative tourism’ reflects the growing integration between tourism and different placemaking strategies, including promotion of the creative industries, creative cities and the ‘creative class’. Creative tourism is also arguably an escape route from the serial reproduction of mass cultural tourism, offering more flexible and authentic experiences which can be co-created between host and tourist. However the gathering critique also highlights the potential dangers of creative hype and commodification of everyday life.
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Planning policy goals now emphasise the need to plan for accessibility and it is clear that increasing the mode share of public transport is a key requirement. One of the enduring issues has been how to embed these policy aspirations into mainstream planning practice. There is considerable diversity of approach to measuring accessibility with no single perfect accessibility measure. Applications of accessibility tools in planning practice have tended to be single issue focussed. There remains a gap in accessibility tool development capable of providing a multi-focus perspective both on land use and transport integration, which also consider accessibility as a city wide application where access from every centre to every other centre is considered. In addition to these shortcomings, there is also a strong need for accessibility tools that can enhance the understanding of land use transport integration, not only for professional practitioners but for a wider range of stakeholders. To achieve this, the inputs and outputs of accessibility tools need to be communicated in an ‘accessible’ way too.This paper demonstrates the application of a new accessibility planning tool and the way in which it has functioned as a trans-disciplinary communication tool to demonstrate the integration between land use and transport in a way that practitioners and stakeholders can fully understand. We show that it is critical to apply several measures in combination in order to present the necessary information to inform debate and deliberation. The most important driver, however, will be to apply measures framed around the way individuals make decisions in their travel plans—particularly in choosing between car and public transport. We argue that the dissemination of accessibility measures through visually well-represented media can significantly enhance understanding, making a contribution towards a productive discourse on future directions for urban form and mobility.
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Landscape is a vitally important asset for Norwegian rural tourism. Different views and perceptions of landscape are negotiated among key actors such as operators, tourists, and farmers. This article investigates these negotiations in relation to three dimension of landscape: values and requirements; how it is experienced; and future development prospects. The study shows that while actors hold different positions and attitudes, all of them unite in their concerns about landscape change, and in their desire to preserve food traditions and local produce. Further, this paper argues that there is a general re-orientation in landscape perception from “spectacularization” towards “multi-sensing”.