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Relações entre saúde mental e falhas cognitivas no dia a dia: papel dos sintomas internalizantes e externalizantes

Authors:

Abstract and Figures

Objective: Cognitive failures are errors made in everyday life such as forgetting appointments, lack of words when talking, difficulties to memorize what is read, errors of orientation, among others. Internalizing and externalizing psychiatric symptoms may contribute to the occurrence of cognitive failures. The present study aims to evaluate how internalizing and externalizing symptoms contribute to the occurrence of everyday cognitive failures. Methods: We evaluated 366 volunteers using the Cognitive Failure Questionnaire (CFQ), the Self-Reporting Questionnaire-20 (SRQ-20) as a measure of internalizing symptoms and the Adult Self-Report Scale (ASRS-18) as a measure of externalizing symptoms. We classified the participants based on the SRQ-20 and ASRS-18 cut-off scores to create four groups: controls, internalizing, externalizing, and mixed. We compared the groups by means of ANOVA and tested its associations with correlations. Results: all scales showed strong correlations between each other (r> 0.500, p <0.001). The comparison of the groups suggests that participants with clinical scores of internalizing and externalizing symptoms have more failures when compared to the control group (d = 0.86 and d = 1.00), but they do not present differences between themselves (d = 0.21). Participants of the mixed group presented more failures than the control group (d = 2.01), and the internalizing (d = 1.31) and externalizing (d = 1.05) groups. Conclusion: both internalizing and externalizing symptoms contribute to the occurrence of day-to-day cognitive failures. We also observed an additive effect of both symptoms.
Content may be subject to copyright.
ARTIGO ORIGINALARTIGO ORIGINAL
DOI: 10.1590/0047-2085000000188
1 Faculdade de Ciências Médic as de Minas Gerais, Departamento d e Psicologia, Belo Horizonte, MG, Brasil.
2 Laboratório d e Ensino e Pesquisa em Neuropsicologia (L abep Neuro), Belo Horizonte, MG, Br asil.
3 Universidade Fe deral de Minas Gerais (UFMG), Laboratório de Neuro ciência e Medicina Molecular, Belo Horizont e, MG, Brasil.
Endereço para cor respondência: Jonas Jardim de Paula
Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais
Alameda Ezequie l Dias, 275, Centro
30110-130 – Belo Horizonte, MG, Brasil
Telefone: (31) 3248-7100
E-mail: jonasjardim@gmail.com
Recebido em
15/3/2017
Aprovado em
25/1/2018
Palavras-chave
Depressão, transtorno do
déficit de atenção com
hiperatividade, memória,
atenção, função executiva.
Relações entre saúde mental e falhas
cognitivas no dia a dia: papel dos sintomas
internalizantes e externalizantes
Relationship between mental health and everyday cognitive
failures: role of internalizing and externalizing symptoms
Aline Alves Ferreira1,2, Wanessa Gabrielli Augusto Oliveira1,2, Jonas Jardim de Paula1,2,3
RESUMO
Objetivo: Falhas cognitivas são erros cometidos no dia a dia como perda de compromissos,
falta de palavras ao conversar, dificuldades de memorizar o que é lido, erros de orientação,
entre outros. Sintomas psiquiátricos internalizantes e externalizantes podem contribuir para
a ocorrência de falhas cognitivas. O presente estudo objetiva avaliar como sintomas inter-
nalizantes e externalizantes contribuem para a ocorrência de falhas cognitivas no dia a dia.
Métodos: Foram avaliados 366 voluntários utilizando o Questionário de Falhas Cognitivas
(CFQ) e as escalas Self-Reporting Questionnaire-20 (SRQ-20), como medida de sintomas inter-
nalizantes, e Adult Self-Report Scale (ASRS-18), como medida de sintomas externalizantes. Os
participantes foram classificados com base nos pontos de corte da SRQ-20 e ASRS-18 para
a criação de quatro grupos: hígido, internalizante, externalizante e misto. Comparamos os
grupos por meio de ANOVA e testamos a associação das variáveis estudadas por meio de
correlações. Resultados: Todas as escalas apresentaram correlações fortes entre si (r > 0,500,
p < 0,001). A comparação dos grupos sugere que participantes com escores clínicos de sinto-
mas internalizantes e externalizantes apresentam mais falhas quando comparados ao grupo
hígido (d = 0,86 e d = 1,00), mas não apresentam diferenças entre si (d = 0,21). Participantes do
grupo misto apresentaram mais falhas que o grupo hígido (d = 2,01), internalizante (d = 1,31)
e externalizante (d = 1,05). Conclusão: Tanto sintomas internalizantes quanto externalizantes
contribuem para a ocorrência de falhas cognitivas no dia a dia. Observamos ainda um efeito
aditivo de ambos os sintomas.
ABSTRACT
Objective: Cognitive failures are errors made in everyday life such as forgetting appoint-
ments, lack of words when talking, difficulties to memorize what is read, errors of orientation,
among others. Internalizing and externalizing psychiatric symptoms may contribute to the
occurrence of cognitive failures. The present study aims to evaluate how internalizing and
externalizing symptoms contribute to the occurrence of everyday cognitive failures. Me-
thods: We evaluated 366 volunteers using the Cognitive Failure Questionnaire (CFQ), the
Self-Reporting Questionnaire-20 (SRQ-20) as a measure of internalizing symptoms and the
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Saúde men tal e falhas cogn itivas
Adult Self-Report Scale (ASRS-18) as a measure of externalizing symptoms. We classified the
participants based on the SRQ-20 and ASRS-18 cut-off scores to create four groups: con-
trols, internalizing, externalizing, and mixed. We compared the groups by means of ANOVA
and tested its associations with correlations. Results: All scales showed strong correlations
between each other (r > 0.500, p < 0.001). The comparison of the groups suggests that
participants with clinical scores of internalizing and externalizing symptoms have more fai-
lures when compared to the control group (d = 0.86 and d = 1.00), but they do not present
differences between themselves (d = 0.21). Participants of the mixed group presented more
failures than the control group (d = 2.01), and the internalizing (d = 1.31) and externalizing
(d = 1.05) groups. Conclusion: Both internalizing and externalizing symptoms contribute to
the occurrence of day-to-day cognitive failures. We also observed an additive effect of both
symptoms.
Keywords
Depression, attention
deficit hyperactivity
disorder, memory, attention,
executive function.
INTRODUÇÃO
A cognição humana pode ser descrita como um agrupa-
mento de habilidades responsáveis pelo aprendizado, com-
preensão, integração e aplicação de informações variadas
que ocorrem no cotidiano. Essas habilidades podem ser
agrupadas de form-a geral em cinco grandes construtos:
funções executivas, linguagem, atenção, processamento es-
pacial e memória, segundo evidências da neuropsicologia e
da psicologia das diferenças individuais¹.
Erros cognitivos no dia a dia são comumente reconheci-
dos como falhas cognitivas². Falhas cognitivas são pequenos
erros de memória, percepção, planejamento e execução de
determinada tarefa ou atividade, sendo frequentes no coti-
diano da maioria das pessoas. Essas falhas raramente refle-
tem o funcionamento cognitivo em si, em termos de “traço”,
mas em geral representam problemas na aplicação dessas
funções em situações do cotidiano, pouco estruturadas,
sendo melhor compreendidas em termos de um “estado”
cognitivo3. Essas falhas cognitivas podem ser consideradas
comuns entre adultos hígidos, sendo relacionadas a fatores
como maior exposição ao estresse, fatores de personalidade,
sono ou com a cognição3. A ocorrência de falhas cognitivas
no cotidiano pode ser um indicativo de transtornos mentais,
ocorrendo com frequência em transtornos internalizantes e
externalizantes2,4. As consequências negativas das falhas cog-
nitivas no dia a dia não se restringem à frustração ou ao sofri-
mento psicológico, mas comprometem o funcionamento so-
cial do indivíduo, por exemplo, em seu desempenho escolar5.
De forma geral, sintomas típicos dos transtornos mentais
mais comuns podem ser agrupados em dois grandes gru-
pos: internalizantes – disforia, anedonia, retraimento social,
ansiedade e sintomas somáticos – e externalizantes – im-
pulsividade, uso de substâncias, hiperatividade, desatenção
e agressividade6. Ambos os sintomas podem influenciar o
funcionamento cognitivo e seus reflexos no dia a dia7,8. Os
sintomas de disforia e anedonia são considerados critérios
diagnósticos centrais ao transtorno depressivo maior,
enquanto outros sintomas internalizantes são considerados
critérios secundários. Sintomas depressivos relacionados ao
polo de anedonia, como a apatia e a lentificação psicomoto-
ra, são associados a pior funcionalidade no dia a dia e a maior
demanda por suporte externo na realização de atividades roti-
neiras9. Por outro lado, os sintomas de desatenção, hiperativi-
dade e impulsividade são centrais ao transtorno do déficit de
atenção e hiperatividade (TDAH). Esse transtorno do neuro-
desenvolvimento cursa comumente com comprometimen-
to das funções executivas e da atenção, comprometimento
esse que se reflete negativamente no dia a dia10. Ainda que
conceitualmente sintomas externalizantes e internalizantes
sejam construtos independentes, uma sobreposição impor-
tante ocorre entre ambos, como observado, por exemplo, na
maior ocorrência de sintomas depressivos em pessoas com
TDAH11 ou na maior expressão de impulsividade em pacien-
tes com transtorno depressivo maior12. Nesse sentido, tanto
os sintomas externalizantes quanto os internalizantes podem
influenciar as falhas cognitivas no dia a dia. Nesse sentido,
uma associação de ambos os tipos de sintoma com as falhas
cognitivas poderia sugerir que essas falhas apresentam múl-
tiplas etiologias, em que diferentes quadros clínicos acarreta-
riam sintomas semelhantes. Esse tópico é pouco investigado
na literatura, embora uma revisão sobre falhas cognitivas em
adultos sugira uma etiologia multidimensional, embora os es-
tudos em geral não investiguem essa hipótese³. Não se sabe,
contudo, como esses dois tipos de sintomas interagem para
a ocorrência das falhas cognitivas no dia a dia.
Diante da possível associação de sintomas internalizan-
tes e externalizantes com as falhas cognitivas no dia a dia,
o objetivo do estudo é avaliar como esses três fatores se re-
lacionam na população adulta. Abordaremos essa pergunta
tanto em uma perspectiva categórica/clínica (considerando
participantes com sintomas em intensidade atipicamente
alta) quanto em uma perspectiva dimensional (consideran-
do a intensidade dos sintomas em si). Nossa hipótese é que
tanto sintomas internalizantes quanto externalizantes contri-
buirão para a ocorrência de falhas cognitivas.
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Ferreira AA, et al.
MÉTODOS
Participantes
Esta pesquisa faz parte de um projeto mais abrangente, apro-
vado pelo comitê de ética da Faculdade de Ciências Médicas
de Minas Gerais (CAAE: 57378016.5.0000.5134). Participaram
deste estudo 366 adultos brasileiros. A coleta de dados foi
realizada por meio da internet, em uma plataforma virtual
construída pelos pesquisadores utilizando o aplicativo Goo-
gle Forms. Estudos anteriores sugerem boa concordância
entre a coleta de dados via internet e o uso de questionários
e escalas em formato tradicional13,14. Esse tamanho amostral
permite a detecção de efeitos moderados, com poder amos-
tral variando de 98% a 99% em nosso estudo, dependendo
das técnicas utilizadas (essa estimativa foi realizada por meio
software G*Power15). A descrição dos participantes é apre-
sentada na Tabela 1.
Avaliação dos participantes
Questionário de Falhas Cognitivas (QFC)²
O QFC é um instrumento de autorrelato contendo 25 ques-
tões sobre falhas cognitivas cometidas por adultos no dia a
dia. O instrumento foi padronizado para uso clínico15 e valida-
do para o contexto brasileiro16. O questionário possui aplica-
ção breve e relativamente simples e fornece uma variável de
natureza ecológica, representando a frequência, intensidade
e padrão de falhas cognitivas que o sujeito apresenta no coti-
diano. O QFC envolve perguntas como “Você lê alguma coisa,
percebe que não estava prestando atenção e precisa lê-la no-
vamente?”, “Você esquece onde colocou alguma coisa, como
o jornal, o celular ou suas chaves?” e “Você confunde esquerda
e direita ao indicar o caminho a alguém?”, e o sujeito responde
em uma escala de cinco pontos, variando de nunca a quase
sempre. A confiabilidade do QFC é superior a 0,916. Os resul-
tados variam de 0 a 100. Escores mais elevados indicam maior
ocorrência de falhas cognitivas.
Self-Reporting Questionnaire (SRQ-20).
O SQR-20 é uma escala para rastreio de transtornos mentais
não psicóticos, com foco em sintomas internalizantes. As res-
postas são do tipo sim/não. Cada resposta afirmativa é pon-
tuada com o valor de 1 para compor o escore final por meio
do somatório desses valores. Os escores variam de 0 a 20,
sendo os escores mais elevados relacionados à maior inten-
sidade de sintomas. A escala apresenta boa confiabilidade,
com consistência interna superior a 0,817. No Brasil, o estudo
proposto por Gonçalves et al.18 apresenta o ponto de corte
7/8 (não clínico/clínico) como o mais preciso para a detec-
ção de transtornos de natureza internalizante.
Adult Self-Report Scale (ASRS-18)
Trata-se de uma escala que avalia sintomas de desatenção,
hiperatividade e impulsividade, aspectos centrais do TDAH
e outros transtornos externalizantes. As respostas são pon-
tuadas com base na frequência com a qual os sintomas se
apresentam no dia a dia. Pontuam-se separadamente as
dimensões desatenção e hiperatividade/impulsividade, e
os escores variam entre 0 e 36 pontos para cada uma de-
las. Escores mais elevados são indicativos de maior número
de sintomas19. A confiabilidade da escala é superior a 0,920.
No Brasil, o estudo proposto por Leite20 sugere que escores
iguais ou superiores a 21 em qualquer uma das duas dimen-
sões classificam corretamente 94% dos adultos com TDAH
quando comparados a controles típicos.
Análise estatística
Após análise da distribuição dos dados, avaliamos a associa-
ção de sintomas externalizantes, internalizantes e falhas cog-
nitivas por meio de correlações de Pearson, conduzidas na
amostra como um todo, e o teste Z de Steiger, para compa-
Tabela 1. Descrição dos participantes
n %
Idade 18-24 anos 186 51%
25-34 anos 117 32%
35+ anos 63 17%
Sexo Masculino 129 35%
Feminino 237 65%
Estado civil Sem informação 11 3%
Casado 78 21%
Solteiro 268 73%
Divorciado 92%
Educação Básica 15 4%
Colegial 201 55%
Superior 150 41%
Tipo de esc ola Privada 161 44%
Pública 205 56%
Ocupação Não es tuda ou trabalha 19 5%
Estuda 125 34%
Trabalha 96 26%
Estuda e Trab alha 126 34%
Histórico de transtorno mental Não 290 79%
Sim 76 21%
Transtornos mentais relatados TDAH 12 3%
Ansiedade 10 3%
Depressão 30 8%
Depressão e ansiedade 72%
Transtorno do pânico 10 3%
Outro 51%
Uso de medicamento
psicotrópico
Não 319 87%
Sim 47 13%
TDAH: trans torno do défici t de atenção e hipe ratividade.
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Saúde men tal e falhas cogn itivas
rar a magnitude das correlações. Posteriormente, dividimos
os participantes em quatro grupos, com base nos pontos de
corte reportados anteriormente para a SRQ-20 e a ASRS-18:
hígidos/controles (abaixo do ponto de corte de ambas as es-
calas), internalizante (acima do ponto de corte da SRQ-20,
mas não da ASRS-18), externalizante (acima do ponto de cor-
te na ASRS-18, mas não da SRQ-20) e misto (acima do ponto
de corte tanto na ASRS-18 quanto na SRQ-20). Comparamos
os quatro grupos em termos de falhas cognitivas por meio
de análise de variância simples, com comparações post hoc
ajustadas pelo método de Bonferroni. Os procedimentos fo-
ram realizados no software Jasp 0.821.
RESU LTAD OS
As correlações entre as falhas cognitivas, sintomas internali-
zantes e externalizantes são apresentadas na Tabela 2. Todas
as correlações foram significativas (p < 0,001), positivas e for-
tes (r > 0,500). Nota-se que os sintomas de desatenção foram
os mais fortemente associados ao CFQ quando comparados
sintomas internalizantes (p < 0,001) e os de hiperatividade-
-impulsividade (p < 0,001).
Quando os quatro grupos são comparados em termos
de falhas cognitivas, obtemos um modelo significativo
(F = 71,36, p < 0,001). As análises post hoc sugerem que o
grupo controle apresentou menos falhas cognitivas que
o grupo internalizante (p < 0,001, d = 0,86), externalizante
(p < 0,001, d = 1,00) e misto (p < 0,001, d = 2,01). Os grupos
internalizante e externalizante não apresentaram diferenças
estatisticamente significativas entre si (p = 0,800, d = 0,21),
mas ambos apresentaram menos falhas quando compara-
dos ao grupo misto (p < 0,001, d = 1,31 e p < 0,001, d = 1,05,
respectivamente). A Figura 1 sintetiza essas comparações.
Tabela 2. Correlações entre as falhas cognitivas (CFQ), sintomas
internalizantes (SRQ-20) e sintomas externalizantes (ASRS-18)
CFQ SRQ-20 ASRS-18 (HI) AS RS -18 (D )
CFQ -0.589** 0.513** 0 .760**
SRQ -20 -0.4 46* * 0.527**
AS RS-1 8 (HI ) -0.50 6**
AS RS-1 8 (D) -
** p < 0,001; CFQ: Qu estionár io de Falhas Cogniti vas; SRQ-20: Self-Reporting Questionnaire 20; A SRS -18:
Adult Self-Repor ted Scale 18; HI: hiperatividade-impulsividade; D: desatenção.
A Tabela 3 apresenta a pontuação média e a variabilidade
dos resultados nas escalas adotados no estudo, estratifica-
das pelos quatro grupos criados anteriormente. Observa-se
que, independentemente do grupo, o relato da ocorrência
de falhas cognitivas é comum, visto que a média do grupo
hígido é equivalente a aproximadamente um terço do total
do questionário.
Tabela 3. Descrição dos par ticipantes nos questionários adotados
no estudo
Controle
(n = 229)
Internalizante
(n = 64)
Externalizante
(n = 26)
Misto
(n = 47)
M (DP) M (DP) M (DP) M (DP)
Idade 29,10 (10,49) 25,98 (8 ,38) 24,88 (6,79) 25,53 (7,56)
CFQ 35,72 (12,09) 45,92 (11,35) 48,54 (13,45) 64,04 (15,79)
SRQ -20 2,86 (2,19) 11,0 5 (2, 58) 4,4 6 (2 ,12) 12 ,38 (3, 29)
AS RS-19 (HI ) 11,49 (4,8 9) 13 ,84 (4, 54) 20 ,35 ( 6,14) 21,64 (6,05)
AS RS-1 8 (D) 12,72 (4,59) 15,72 (4,75) 21,73 (6,38) 24,38 (5,90)
p < 0,001; CFQ: Questionári o de Falhas Cogni tivas; SRQ-20: Self-Reporting Questionnaire 20; AS RS-18:
Adult Self-Repor ted Scale 18; HI: hiperatividade-impulsividade; D: desatenção.
Figura 1. Falhas cognitivas em participantes hígidos e nos
grupos clínicos avaliados.
DISCUSSÃO
Nossos resultados sugerem que tanto sintomas internalizan-
tes quanto externalizantes se correlacionam positivamente
com a ocorrência de falhas cognitivas no dia a dia. Quando
os participantes foram estratificados em grupos, com base
na prevalência de sintomas externalizantes, internalizantes
ou ambos, observamos que todos os grupos apresentam
mais falhas cognitivas que o grupo controle. Além disso, os
grupos internalizantes e externalizantes não diferiram entre
si, porém a combinação dos dois sintomas no grupo misto
gera um padrão mais intenso de falhas cognitivas, superior
a todos os demais grupos estudados. Nossos resultados su-
gerem que tanto sintomas internalizantes quanto sintomas
externalizantes se associam às falhas cognitivas. Mais ainda,
ambos os transtornos parecem apresentar um efeito sinér-
gico, visto que, em conjunto, comprometem ainda mais o
funcionamento cognitivo dos participantes no dia a dia.
A associação de sintomas externalizantes com as falhas
cognitivas é a mais comumente estudada na literatura, ten-
Grupo
Questionário de falhas cognitivas
Hígido
100
80
60
40
20
0
Internalizante Externalizante Misto
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do em vista que, por definição, queixas de desatenção e im-
pulsividade por exemplo são tanto sintomas externalizantes
como manifestações cognitivas6,22. Já a associação dos sinto-
mas internalizantes com queixas cognitivas é menos intui-
tiva, uma vez que os sintomas desse tipo em geral se rela-
cionam ao humor e à regulação emocional. Contudo, vários
estudos sugerem que sintomas internalizantes se associam
ao funcionamento cognitivo, quer em termos de autorrela-
to4 ou de avaliação cognitiva por meio de testes7. Embora
esses dois aspectos anteriores estejam bem documentados
na literatura, a comparação de um grupo misto, tanto com
sintomas internalizantes quanto externalizantes, é raramen-
te estudada. Nesse sentido, nosso estudo traz uma contri-
buição interessante ao campo, sugerindo que ambos os
sintomas contribuem para o ocorrência de falhas cognitivas
no dia a dia. Isso indica que as falhas cognitivas no dia a dia
podem ser um desfecho comum a quadros clínicos de etio-
logia distinta, e é corroborado pela similaridade das queixas
cognitivas entre os grupos internalizante e externalizante o
efeito aditivo desses dois sintomas na ocorrência das falhas.
Esse achado pode ter implicações importantes em re-
lação à terapêutica das falhas cognitivas. Sintomas interna-
lizantes e externalizantes ocorrem em diversos transtornos
mentais, podendo ainda coocorrer em um mesmo pacien-
te. Pacientes com queixas cognitivas associadas a sintomas
internalizantes ou externalizantes poderiam apresentar me-
lhora cognitiva após o tratamento dos transtornos em si23,24.
Contudo, o tipo de tratamento adotado para transtornos in-
ternalizantes usualmente difere do dos transtornos externa-
lizantes, em termos tanto farmacológicos quanto psicoterá-
picos ou mesmo neuromodulação, sugerindo que múltiplos
tratamentos podem levar a um mesmo desfecho em função
da provável causa das falhas cognitivas. Nos participantes
com sintomas internalizantes e externalizantes concomitan-
tes, terapêuticas distintas podem ser combinadas e possivel-
mente apresentar sinergia na redução das falhas cognitivas.
Esse tópico pode ser melhor investigado em futuros estudos.
Carrigan e Barkus³ argumentam, em um artigo de revi-
são, que a ocorrência de falhas cognitivas é uma variável do
tipo “estado”. Isso sugere que, embora o participante pos-
sua um perfil cognitivo relativamente estável (traço), que é
mensurado por exemplo por meio de testes psicológicos
ou neuropsicológicos, nem sempre é possível que ele apli-
que suas habilidades integralmente no dia a dia. Sintomas
internalizantes e externalizantes podem ser variáveis mode-
radoras dessa relação, dificultando a aplicação dos recursos
cognitivos em situações de vida real. Isso explicaria a associa-
ção relativamente baixa entre os testes cognitivos e as falhas
cognitivas no dia a dia e sua associação significativamente
maior com a saúde mental25,26.
O presente estudo apresenta limitações que devem ser
consideradas em sua interpretação. Nossos participantes com-
puseram uma amostra de conveniência, não representando a
população adulta brasileira em termos epidemiológicos. Como
os dados foram coletados em um ambiente virtual, a temática
e o acesso à plataforma de pesquisa constituem um viés de
seleção dos participantes. Avaliamos ainda apenas o autorre-
lato dos participantes por meio de questionários, não sendo
realizada, nessa amostra, avaliação presencial ou propriamente
uma entrevista diagnóstica para transtornos mentais. Contudo,
algumas de suas características mais positivas envolvem um
tamanho amostral suficiente para a detecção dos efeitos inves-
tigados, o uso de questionários e escalas adaptados e validados
no contexto brasileiro e o uso do CFQ, considerado ainda hoje
como a medida mais robusta de falhas cognitivas no dia a dia.
CONCLUSÃO
O estudo sugere que as falhas cognitivas se associam tanto
a sintomas internalizantes quanto externalizantes em parti-
cipantes adultos. A concorrência desses sintomas apresenta
um efeito sinérgico nas falhas cognitivas, aumentando ainda
mais sua frequência.
CONFLITOS DE INTERESSE
Os autores declaram não possuir conflitos de interesse em
relação a este estudo.
CONTRIBUIÇÕES INDIVIDUAIS
Aline Alves Ferreira e Wanessa Gabrielli Augusto Oliveira rea-
lizaram a coleta dos dados. Todos os autores contribuíram
para a análise dos dados, redação e revisão do artigo, e apro-
varam sua versão final.
AGRADECIMENTOS
Aos representantes do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP)
da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (FCMMG),
pelas orientações e auxílio durante as fases preliminares des-
sa pesquisa, e à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado
de Minas Gerais (Fapemig), pelo apoio financeiro à iniciação
científica das duas primeiras autoras. Agradecemos, ainda, à
professora Kathy R. Parkes, por nos autorizar a adaptar o QFC
ao Brasil e a utilizá-lo em nossas pesquisas.
REFERÊNCIAS
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... We assessed the study participants by personal assessment or using an online platform containing questionnaires, scales, and other tests. The platform was elaborated using the Google Forms app, as used in other studies [20][21] . As a validation procedure part if the sample was interviewed by the researchers who applied the questionnaires traditionally (pen-paper -n=65). ...
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Objectives: To analyze how self-regulation processes can impact psychosocial outcomes of university students. Method: We investigated 215 participants. As a measure of self-control, the Barratt Impulsiveness Scale, the Delaying Gratification inventory and the Ego Resilience Scale were used. As psychosocial outcomes, we analyzed stress (Cohen's Perceived Stress Scale), quality of life (WHOQOL-BREF), and mental health (Self-Reporting Questionnaire-20). Results: self-control measures correlated significantly with all outcomes. In regression analysis, impulse control and ego resilience were simultaneously associated with outcomes, while delaying gratification was not significant. Conclusion: Variables of self-regulation were of mental health, stress, and quality of life of university students. These measures may be to indicate non-functional outcomes or protective factors, depending on how the subject reacts to the environment.
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The study investigated 1) relationships and explanatory models of mental health indicators from cognitive abilities and 2) relationships between mental health indicators and academic performance one year later. Participants were 86 children, students of the 1st year of Elementary Education, evaluated in intelligence, inhibitory control (IC) and language. Parents and teachers completed the Strengths and Difficulties Questionnaire (SDQ). One year later, the children were re-evaluated in word recognition (WR) and arithmetic. The IC measures were related and could explain up to 21.9% of the variance in the SDQ indices completed by parents and teachers. The SDQ indices completed by teachers were related to WR and arithmetic performances, predicting up to 16.3% of the variance in school performance measures the following year. There was no IC mediation effect on the models generated. The findings suggest an interaction between specific cognitive skills, mental health indicators and academic performance.
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Objetivo O estudo propôs-se a avaliar diferentes domínios das funções executivas em adolescentes como preditores ao uso de álcool e cigarro. Métodos Utilizou-se um delineamento transversal. A amostra foi composta por 239 adolescentes com idade média de 15,34 (±2,32). Os testes Alcohol Use Disorders Identification Test (AUDIT) e Fagerstrom Test for Nicotine Dependence (FTND) avaliaram o uso de álcool e cigarro respectivamente. O Self-Reporting Questionnaire (SRQ-20) foi utilizado para rastreio de saúde mental. Os testes Iowa Gambling Task (IGT), Wisconsin Card Sorting Test (WCST) e Continuous Performance Task (CPT) avaliaram os domínios executivos. Foi utilizado o estimador Odds Ratio adjusted (ORa). Resultados Os modelos logísticos ajustados demonstraram associação entre os domínios controle inibitório (ORa = 1.043; IC de 95% = 1,013-1,069; p = 0,001), flexibilidade cognitiva (ORa = 1.069; IC de 95% = 1,01-1,11; p = 0,001) e a tomada de decisão (ORa = 1.025; IC de 95% = 0,258-0,867; p < 0,014) e o uso de álcool. Também houve associação entre os domínios controle inibitório (ORa = 1.053; IC de 95% = 1,017-1,041; p = 0,003) e flexibilidade cognitiva (ORa =1.047; IC 95% = 1,004-1,250; p = 0,001) e o uso de cigarro. A faixa dos 14 aos 16 anos com 1,065 (ORa = 1.065; IC de 95% = 1,05-1,95; p = 0,010) razão de chances maiores para o uso de álcool e 1,067 (ORa = 1.067; IC de 95% = 0,156-1,453; p = 0,016) razão de chances para o uso de cigarro. Conclusão Os domínios cognitivos das funções executivas são fatores preditores associados ao uso de álcool e cigarro por adolescentes. Adolescentes com piores desempenhos nos domínios das funções executivas possuem maiores chances de fazer o uso de álcool ou cigarro.
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Introduction: Cognitive failures are simple mistakes in routine activities, such as forgetting commitments and have difficulties in concentrating. The Cognitive Failures Questionnaire (CFQ) was designed to assess the frequency of this errors in everyday life. Although widely used in psychiatry and psychology, both in clinical and research settings, we found no adaptation of the CFQ to Brazil. Our objective was to perform a transcultural adaptation of the CFQ to Brazil and assess its validity and reliability. Methods: the translation of the original version of the CFQ was performed by two independent researchers, analyzed by a multidisciplinary board of experts and back-translated to English. The final version was applied in 225 adults. Validity was assessed by correlations with the Self Reporting Questionnaire-20 (SRQ-20) and the Adult Attention Deficit/Hyperactivity Disorder Self-Report Scale (ASRS-18). Reliability was analyzed by calculating CFQ internal consistency and test-retest stability. Results: the adapted version of the CFQ showed significant correlations with SRQ-20 (r=-0.311), ASRS-18 Inattention (r=0.696) and Hyperactivity/Impulsivity (r=0.405) scores. Reliability analysis suggests high internal consistency (0.906) and temporal stability (0.813). Conclusion: we performed the translation of the CFQ analyzed its psychometric characteristics. The test showed moderate-large correlations with other measures of mental health and showed adequate reliability.
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Objective: Attention-deficit/hyperactivity disorder (ADHD) and conduct disorder (CD) are common externalizing disorders. Despite previous research demonstrating that both are longitudinally associated with adverse outcomes, there have been no systematic reviews examining all of the available evidence linking ADHD and CD with a range of health and psychosocial outcomes. Method: Electronic databases (EMBASE, Medline, and PsycINFO) were searched for studies published from 1980 up to March 2015. Published cohort and case-control studies were included if they reported a longitudinal association between ADHD or CD and adverse outcomes with a minimum follow-up of 2 years. Outcomes with sufficient data were pooled in a random effects meta-analysis to give overall odds ratios (ORs) with corresponding 95% CIs. Results: Of the 278 studies assessed, 114 met inclusion criteria and 98 were used in subsequent meta-analyses. ADHD was associated with adverse outcomes including academic achievement (e.g. failure to complete high school; odds ratio [OR] = 3.7, 95% CIs 2.0-7.0), other mental and substance use disorders (e.g. depression; OR = 2.3, 1.5-3.7), criminality (e.g. arrest; OR = 2.4, 1.5-3.8), and employment (e.g., unemployment; OR = 2.0, 1.0-3.9). CD was associated with outcomes relating to academic achievement (e.g. failure to complete high school; OR = 2.7, 1.5-4.7), other mental and substance use disorders (e.g., illicit drug use; OR = 2.1, 1.7-2.6), and criminality (e.g. violence; OR = 3.5, 2.3-5.3). Conclusion: This study demonstrated that ADHD and CD are associated with disability beyond immediate health loss. Although the analyses could not determine the mechanisms behind these longitudinal associations, they demonstrate the importance of addressing ADHD and CD early in life so as to potentially avert a wide range of future adverse outcomes.
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Introdução: O Índice de Religiosidade de Duke (DUREL) é um instrumento breve para a avaliação de aspectos relacionados à religiosidade organizada, à religiosidade não organizada e à religiosidade intrínseca. Seu uso em estudos ligados à saúde mental e coletiva tem aumentado nos últimos anos. Uma opção em contexto de pesquisa na área de saúde coletiva pode ser o uso de plataformas virtuais para coleta de dados. Objetivo: O presente estudo se propõe à avaliação das propriedades psicométricas do DUREL aplicado em uma plataforma virtual. Métodos: Avaliamos 253 adultos por meio de uma série de questionários on-line, incluindo o DUREL. Comparamos as pontuações de ateus/agnósticos, católicos, evangélicos e pertencentes a outras religiões na escala e calculamos sua consistência interna, estrutura fatorial e correlações com outras medidas. Resultados: O DUREL aplicado em plataforma virtual apresentou consistência interna moderada-forte, estrutura fatorial de um único componente e associações com variáveis sociodemográficas e de saúde mental. Conclusão: Os resultados sugerem que as propriedades psicométricas do DUREL aplicado via internet sejam semelhantes à aplicação convencional.
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Cognitive functioning influences activities of daily living (ADL). However, studies reporting the association between ADL and neuropsychological performance show inconsistent results regarding what specific cognitive domains are related to each specific functional domains. Additionally, whether depressive symptoms are associated with a worse functional performance in older adults is still under explored. We investigated if specific cognitive domains and depressive symptoms would affect different aspects of ADL. Participants were 274 older adults (96 normal aging participants, 85 patients with mild cognitive impairment, and 93 patients probable with mild Alzheimer's disease dementia) with low formal education (∼4 years). Measures of ADL included three complexity levels: Self-care, Instrumental-Domestic, and Instrumental-Complex. The specific cognitive functions were evaluated through a factorial strategy resulting in four cognitive domains: Executive Functions, Language/Semantic Memory, Episodic Memory, and Visuospatial Abilities. The Geriatric Depression Scale measured depressive symptoms. Multiple linear regression analysis showed executive functions and episodic memory as significant predictors of Instrumental-Domestic ADL, and executive functions, episodic memory and language/semantic memory as predictors of Instrumental-Complex ADL (22 and 28% of explained variance, respectively). Ordinal regression analysis showed the influence of specific cognitive functions and depressive symptoms on each one of the instrumental ADL. We observed a heterogeneous pattern of association with explained variance ranging from 22 to 38%. Different instrumental ADL had specific cognitive predictors and depressive symptoms were predictive of ADL involving social contact. Our results suggest a specific pattern of influence depending on the specific instrumental daily living activity.
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Purpose: Classification is the cornerstone of clinical diagnostic practice and research. However, the extant psychiatric classification systems are not well supported by research evidence. In particular, extensive comorbidity among putatively distinct disorders flags an urgent need for fundamental changes in how we conceptualize psychopathology. Over the past decade, research has coalesced on an empirically based model that suggests many common mental disorders are structured according to two correlated latent dimensions: internalizing and externalizing. Methods: We review and discuss the development of a dimensional-spectrum model which organizes mental disorders in an empirically based manner. We also touch upon changes in the DSM-5 and put forward recommendations for future research endeavors. Results: Our review highlights substantial empirical support for the empirically based internalizing-externalizing model of psychopathology, which provides a parsimonious means of addressing comorbidity. Conclusions: As future research goals, we suggest that the field would benefit from: expanding the meta-structure of psychopathology to include additional disorders, development of empirically based thresholds, inclusion of a developmental perspective, and intertwining genomic and neuroscience dimensions with the empirical structure of psychopathology.
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Background: One of the threatening health issues is prevalence of high-risk behaviors in various groups. Because of rapid social changes, it has been considered as of the most important problems of society by health organizations, administrative laws, and social policymakers. Objectives: The aim of this study was to determine the role of cognitive failure and alexithymia in predicting high-risk behaviors of students with learning disabilities. Patients and Methods: This was a correlational research including all 14-16 years old students during 2012-2013 school year in Arak, IR Iran. Eighty students with learning disabilities were sampled by simply random sampling. The data were collected by cognitive failures questionnaire, Toronto alexithymia scale, and high-risk behavior questionnaire. Results: The results showed that high-risk behaviors had significant positive correlations with difficulty identifying feelings (r = 0.321), difficulty describing feelings (r = 0.336), externally oriented thinking (r = 0.248), distractibility (0.292), memory distortion (r = 0.374), blunders (r = 0.335), and names amnesia (r = 0.275). Multiple regression analysis showed that cognitive failure and alexithymia predicted 32% of the total variance of high-risk behaviors. Conclusions: These findings demonstrated that cognitive failure and alexithymia had important roles in strengthening and appearance of high-risk behaviors in students with learning disabilities. Therefore, considering those problems, precautionary actions might be necessary.
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Objective: Fluid intelligence and the behavioral problems of attention-deficit/hyperactivity disorder (ADHD) are related to academic performance, but how this association occurs is unclear. This study aimed to assess mediation and moderation models that test possible pathways of influence between these factors. Methods: Sixty-two children with ADHD and 33 age-matched, typically developing students were evaluated with Raven's Colored Progressive Matrices and the spelling and arithmetic subtests of the Brazilian School Achievement Test. Dimensional ADHD symptomatology was reported by parents. Results: Our findings suggest that fluid intelligence has a significant impact on academic tests through inattention. The inattentive dimension was the principal behavioral source of influence, also accounting for the association of hyperactive-impulsive manifestations with school achievement. This cognitive-to-behavioral influence path seems to be independent of diagnosis related group, and gender, but lower socioeconomic status might increase its strength. Conclusion: Fluid intelligence is a relevant factor in the influence of ADHD behavioral symptoms on academic performance, but its impact is indirect. Therefore, early identification of both fluid intelligence and inattentive symptoms is of the utmost importance to prevent impaired academic performance and future difficulties in functioning.
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The purpose of this study was to expand our understanding of the range of negative affect associated with reported problems with everyday functions and activities, measured by the cognitive failures questionnaire (CFQ). Evidence from previous research indicates that individuals meeting criteria for mood disorders, such as major depression or seasonal affective disorder, experience cognitive deficits in memory and attention that can lead to problems with everyday activities reported in the CFQ. The Positive and Negative Affect Scale (PANAS) was used to assess potential correlations with a wider range of negative emotions. Findings for a sample of 129 college students revealed that negative affective experiences were significantly correlated with failures of memory and attention on the CFQ (fear = .41, hostility = .38, sadness = .28, and guilt = .43). Conversely, positive affect was negatively correlated with distractibility ( r = − . 21 ). Additional affective scales on the PANAS (e.g., shyness and fatigue) were also associated with higher reports of cognitive failures. The results provide converging evidence of a relationship between negative affective experiences and reported frequency of problems on the cognitive failures questionnaire.
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Objectives: To evaluate the effect of depression and cognition on function in older adults with amnestic and nonamnestic mild cognitive impairment (aMCI and nonaMCI). Design: The study uses baseline data from the National Alzheimer's Coordinating Center. Setting: Data were collected at multiple Alzheimer's Disease Centers in the United States. Participants: The sample included a total of 3,117 individuals with MCI, mean age = 74.37 years, SD: 9.37 (aMCI, n = 2,488; non-aMCI, n = 629). Measurements: The 10-item Pfeffer Functional Activities Questionnaire assessed function. Results: Depressive symptoms (Geriatric Depression Scale), memory impairment (Logical Memory II), and processing speed decrements (Digit Symbol Substitution Test) were significantly associated with functional impairment (p <0.001). Processing speed partially mediated the effect of depression on function and fully mediated the effect of executive dysfunction on function (p <0.001) in the total MCI and aMCI subsample, while in the non-aMCI subsample, processing speed mediated the effect of executive function but not the effect of depression (p = 0.20) on function. Conclusions: The findings show that processing speed is central to the effect that depression and executive dysfunction have on functional impairment in cognitively impaired older adults. Future studies are needed to better understand the physiologic underpinnings in age-related and disease-specific decrements in processing speed, and to address the problems in the assessment of processing speed in clinical samples.
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Cognitive failures are minor errors in thinking reported by clinical and non-clinical individuals during everyday life. It is not yet clear how subjectively-reported cognitive failures relate to objective neuropsychological ability. We aimed to consolidate the definition of cognitive failures, outline evidence for the relationship with objective cognition, and develop a unified model of factors that increase cognitive failures. We conducted a systematic review of cognitive failures, identifying 45 articles according to the PRISMA statement. Failures were defined as reflecting proneness to errors in ‘real world’ planned thought and action. Vulnerability to failures was not consistently associated with objective cognitive performance. A range of stable and variable factors were linked to increased risk of cognitive failures. We conclude that cognitive failures measure real world cognitive capacity rather than pure ‘unchallenged’ ability. Momentary state may interact with predisposing trait factors to increase the likelihood of failures occurring. Inclusion of self-reported cognitive failures in objective cognitive research will increase the translational relevance of ability into more ecologically valid aspects of real world functioning.