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ACERVO CULTURAL: CURADORIA DIGITAL E REUSO

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Resumo: O presente texto discorre sobre como os museus trabalham tecnicamente com o aumento contínuo dos objetos digitais culturais presentes nas instituições museológicas e que se tornam também parte do seu patrimônio cultural. O objetivo é demonstrar que os museus podem dinamizar a oferta de serviços informacionais integrada com as demais instituições culturais através da curadoria digital deste material, incentivando o compartilhamento e o reuso destes objetos digitais culturais. Espera-se a confirmação da curadoria digital como recurso para controle e manutenção do tratamento técnico dos objetos digitais culturais, proporcionando o reuso dos mesmos em prol da expansão do conhecimento e difusão da informação. Palavras-chave: acervo digital; curadoria digital; museus; objeto digital cultural; reuso. Abstract: The present text discusses how museums work technically with the continuous increase of the digital cultural objects present in the museological institutions and that also become part of its cultural patrimony. The objective is to demonstrate that museums can stimulate the supply of information services integrated with other cultural institutions through the digital curation of this material, encouraging the sharing and reuse of these cultural digital objects. The digital curatorship is expected to be confirmed as a resource for the control and maintenance of the technical treatment of cultural digital objects, allowing them to be reused in order to expand knowledge and disseminate information.
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ACERVO CULTURAL:
CURADORIA DIGITAL E REUSO
Éricka Madeira de Souza
Luis Fernando Sayão
Fundação Casa de Rui Barbosa
Resumo: O presente texto discorre sobre como os museus trabalham tecnicamente com o aumento
contínuo dos objetos digitais culturais presentes nas instituições museológicas e que se tornam
também parte do seu patrimônio cultural. O objetivo é demonstrar que os museus podem dinamizar a
oferta de serviços informacionais integrada com as demais instituições culturais através da curadoria
digital deste material, incentivando o compartilhamento e o reuso destes objetos digitais culturais.
Espera-se a confirmação da curadoria digital como recurso para controle e manutenção do tratamento
técnico dos objetos digitais culturais, proporcionando o reuso dos mesmos em prol da expansão do
conhecimento e difusão da informação.
Palavras-chave: acervo digital; curadoria digital; museus; objeto digital cultural; reuso.
Abstract: The present text discusses how museums work technically with the continuous increase of
the digital cultural objects present in the museological institutions and that also become part of its
cultural patrimony. The objective is to demonstrate that museums can stimulate the supply of
information services integrated with other cultural institutions through the digital curation of this
material, encouraging the sharing and reuse of these cultural digital objects. The digital curatorship is
expected to be confirmed as a resource for the control and maintenance of the technical treatment of
cultural digital objects, allowing them to be reused in order to expand knowledge and disseminate
information.
Key-words: digital collection; digital curation; museums; digital cultural object; reuse.
ACERVO CULTURAL: CURADORIA DIGITAL E REUSO
O tema desta pesquisa é desenvolvido no mestrado profissional do Programa de Pós-
Graduação em Memória e Acervos, da Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, a
partir dos trabalhos desenvolvidos pela Coordenação de Museologia da Superintendência de
Museus (SMU), Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro (SEC-RJ), equipe que
integro desde 2013.
O ambiente de pesquisa deste trabalho se insere no âmbito da Rede Web de Museus do
Estado do Rio de Janeiro, um projeto da SMU, cujo objetivo principal é instituir e fomentar
um ambiente colaborativo na web, a partir da disseminação e do gerenciamento dos acervos
museológicos do estado (BRASIL, 2014). Pretende ainda estimular a troca de experiências e a
cooperação técnica entre suas unidades participantes, promovendo a atualização e adoção de
padrões e normas de tratamento técnico, apoiada em fóruns de discussão de temas específicos,
e a possibilidade de desenvolvimento de aulas e ações educativas que possam se basear nos
seus acervos conjuntos e interligados.
A Rede também fornece aos seus membros uma ferramenta tecnológica de catalogação
de acervos, o Sistema de Gerenciamento de Acervos Museológicos (SISGAM), desenvolvida
em 2007, pela Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro (FUNARJ)
em parceria com a SMU/SEC-RJ, que permite e promove a ampliação de acesso às coleções
nele catalogadas pelo acesso via internet, a oferta de serviços integrados e a presença online
das atuais vinte e cinco instituições participantes.
O SISGAM é uma plataforma tecnológica online de gestão, registro e documentação
de acervos, utilizando normas e padrões de descrição reconhecidos internacionalmente e que
viabiliza a pesquisa transversal nas suas coleções, e em 2014, por meio do Projeto Rede Web
de Museus, promovido novamente em parceria da FUNARJ com a SEC/SMU, esta
plataforma foi oferecida primeiramente para as instituições que receberam recursos de editais
abertos pela SEC/SMU, compondo a Rede a partir destas adesões.
Este trabalho se justifica por reconhecer e reforçar a importância da curadoria digital
no tratamento técnico dos objetos digitais culturais das instituições museológicas, e tentar
corroborar com o desenvolvimento de seus conceitos e a aplicação de suas técnicas nestes
acervos. Ou seja, um novo modelo de gestão para ser aplicado nestes novos objetos das
instituições culturais. A fim de garantir as possibilidades de uso e reuso destes objetos
digitais, é essencial não só para a expansão do alcance dos equipamentos culturais sobre a
sociedade, seja tecnicamente tratado e gerenciado, potencializando a gama de serviços
informacionais gerados a partir destes bens culturais.
Os desdobramentos da sociedade moderna trouxeram novos questionamentos sociais e
culturais aos museus, como de que maneira estreitar os relacionamentos das coleções não
com as comunidades sociais, mas também com as demais instituições culturais aproximando
suas coleções de modo que seus objetos estabeleçam relações de troca e acréscimo de
informações entre si mediante pesquisas e trabalhos desenvolvidos em parceria,
proporcionando a dinamização de serviços? Este trabalho aborda a curadoria digital como
solução para promoção desta interação e do reuso das informações em diferentes contextos.
Museus: transição para novas formulações
Conforme o desenvolvimento da sociedade e do domínio de seus conhecimentos,
também foi exigido das instituições que a cercam o acompanhamento destes processos que
reconfigura o comportamento social e gera uma demanda cada vez mais intensa de
informação e dos fluxos de comunicação.
A partir da década de 1990, os museus começaram a explorar novos níveis de relação
e interação entre suas obras e os públicos proporcionados pelo avanço da tecnologia com o
advento da internet. A ocupação deste território intangível e recente, mas de muitas
possibilidades, logo permitiu perceber o alcance da projeção de comunicação e da capacidade
de ampliação dos potenciais de difusão e acesso às suas coleções.
Jamie McKenzie (1995)
1
, definiu os museus virtuais sugerindo que seriam coleções de
artefatos eletrônicos e recursos informacionais que possam conduzir o usuário pesquisador a
outros sítios virtuais, estabelecendo relações com outros recursos que também sejam de
interesse dos museus, englobando basicamente tudo que possa ser convertido para o meio
digital.
Mais tarde, com a incorporação destes novos recursos tecnológicos às metodologias de
trabalho nos setores dos museus, a automação de seus acervos e disponibilização para acesso
na web foram fluxos de trabalho naturais a serem seguidos nestes locais, tendo em vista as
vantagens acrescidas a diversos segmentos do museu e maior segurança da informação
referente aos itens, contribuindo com a preservação do patrimônio cultural.
A consolidação dos museus com suas múltiplas facetas perante a responsabilidade
social de preservar e promover este patrimônio cultural, a heterogeneidade de suas coleções e
a busca pela constante integração transversal dessas coleções e seus conteúdos informacionais
envolve um engajamento articulado dentro da própria instituição, como vemos em “A garantia
da integridade passa pela realização de diferentes atividades de gestão de acervos que
permitem ao museu se estabelecerem de fato, como um espaço de pesquisa, produção e
disseminação de conhecimento.” (MACHADO; MONTEIRO, 2010, p. 134).
O Conselho Internacional de Museus (ICOM)
2
, em seu Código de Ética para Museus
(2011)
3
, estabelece as prioridades dos museus enquanto equipamentos culturais que devem
preservar, interpretar e promover o patrimônio da humanidade e, consequentemente, garantir
1
Tradução nossa.
2
International Council of Museums.
3
O documento original foi publicado em 1986, sua última revisão foi realizada em outubro de 2004, em Seul,
Coréia do Sul.
que estes objetos e suas informações sejam registradas, documentadas, pesquisadas,
preservadas e estejam disponíveis e difundidas na sociedade, baseado no princípio de que
Os museus são responsáveis pelo patrimônio natural e cultural, material e
imaterial. As autoridades de tutela e todos os responsáveis pela orientação
estratégica e a supervisão dos museus têm como primeira obrigação proteger
e promover este patrimônio, assim como prover os recursos humanos,
materiais e financeiros necessários para este fim (ICOM, 2011, p. 14).
Com uma formulação mais eloquente a respeito dos museus virtuais, podemos ver no
artigo “O que se pode designar como museu virtual segundo os museus que assim se
apresentam...”, com autoria da museóloga Diana Lima (2009), a partir de uma perspectiva da
consolidação das tecnologias da informação, os resultados de pesquisas a cerca de termos e
conceitos técnicos do campo da museologia, dentre outros esclarecimentos e exposição de
termos associados ao âmbito dos museus virtuais, exemplifica três possíveis categorias
deduzidas deste tipo de museu.
A autora apresenta o Museu Virtual Original Digital, onde o museu e sua coleção não
possuem correspondentes no mundo físico e estão disponíveis para acesso e consulta somente
no ambiente digital da internet; o Museu Virtual Conversão Digital, onde o museu possui um
correspondente no mundo físico, com objetos físicos, mas também está disponível on-line por
meio de objetos digitais que foram convertidos dos objetos analógicos do museu; por fim,
expõe o tipo Museu Virtual Composição Mista, em que “O Museu é criado digitalmente e
existe na web, mas a coleção que é exibida resulta de coleta e arranjo (imagens ou textos)
feitos por este Museu, procedendo de vários lugares, instituições, pessoas da vida real.”
(LIMA, 2009, p. 12).
Patrimônio digital: objetos digitais culturais
Os recursos digitais foram tão incorporados pela sociedade que, atualmente, os objetos
digitais já compõem grande parte do nosso patrimônio cultural e intelectual, por englobarem
também objetos elaborados e nascidos nestes formatos, que apenas existem virtualmente
com o apoio de programas e códigos binários, em detrimento de outros materiais físicos,
como diários digitais em blogs ou vídeos digitais que substituíram os filmes de acetato
(YOUNG, 2012, p. 2).
Parte deste material produzido digitalmente já vem compondo patrimônio de suas
comunidades desde o final da década de 1960, quando a arte passou a se manifestar por meio
dos recursos digitais com o surgimento da videoarte. A UNESCO, United Nations
Educational, Scientific and Cultural Organization (2003), definiu que o patrimônio digital
“Abarca recursos culturais, educacionais, científicos e administrativos, assim como técnicos,
legais, médicos e outros tipos de informações criadas digitalmente, ou convertidas para o
formato digital a partir de formas analógicas.”.
Os objetos digitais culturais podem desempenhar inúmeras funções em paralelo aos
objetos físicos dos museus e demais instituições culturais, o que lhes confere um imenso valor
para o desenvolvimento informacional dos acervos físicos, e no que diz respeito aos processos
de manutenção e preservação também estas coleções devem receber o tratamento necessário
e, por consequência, integram o patrimônio destas instituições.
Com relação às atividades de documentação e à segurança das obras do museu as
imagens digitais dos objetos compõem as suas fichas catalográficas. Muitas exposições
utilizam estas imagens digitais como recursos visuais na museografia projetando-as durante a
evolução da exposição. As imagens também são requisitadas por pesquisadores externos em
virtude de algum tema que perpasse pela obra pertencente ao museu ou que encontre nela
algum apoio aos seus argumentos.
No que diz respeito à conservação do bem e a evolução ou manutenção do seu estado
de conservação a coleção digital permite uma comparação entre o registro fotográfico do item
de uma data passada e o registro atual da obra, este controle propicia a organização de um
planejamento regular de conservação nas coleções do museu e de supervisão ou revisão
climática do ambiente de guarda das obras. Com relação às ações de restauro nas obras de um
museu, as imagens são essenciais para a documentação de todo o processo efetuado no bem,
registrando seu estado físico anterior ao restauro e posterior, demonstrando o resultado das
ações.
Os objetos digitais culturais devem significar dentro de suas instituições mais do que
apenas representações digitais dos acervos físicos, pois suas possibilidades de uso e reuso são
extremamente flexíveis, desde que recebam os tratamentos técnicos e gerenciamentos
adequados, permitindo essa alta usabilidade, como vemos em “o acervo digital que está
paralelo ao acervo físico original, pode ir além de uma representação funcional deste,
ampliando o seu potencial informacional, comunicacional e de reinterpretação e
apresentação.” (SAYÃO, 2016b, p. 3).
A qualidade de uma coleção digital está diretamente associada à capacidade da
coleção de atender às necessidades de ao menos duas comunidades de usuários desta coleção,
conforme o guia de construção de boas coleções digitais, “A Framework of Guidance for
Building Good Digital Collections”, publicado em 2007 pela National Information Standards
Organization (NISO), uma associação não lucrativa americana que, desde 1939, “[...]
identifica, desenvolve, mantém e publica padrões técnicos para o gerenciamento
informacional no constantemente mutável ambiente digital”
4
(NISO, 2009). A tecnologia e
suas possibilidades conduziram esta avaliação qualitativa a outros requisitos, e para tal, uma
4
“[...] identifies, develops, maintains, and publishes technical Standards to manage information in today’s
continually changing digital environment” [tradução nossa].
boa coleção digital deve ser capaz de atender a demandas de diferentes tipos de comunidades
de usuários, incluindo diversos tipos de usabilidade, acessibilidade e readequação.
Documentação e preservação do patrimônio digital
A memória da web não é criada de maneira orgânica, como a disciplina da História se
encarrega de documentar, pesquisar e transmitir os fenômenos sociais, culturais e
econômicos, segundo Sayão (2016a) ela precisa ser planejada e projetada intencionalmente e
para o processo de interoperabilidade e promoção de maior interação com os usuários, é
importante que os objetos digitais culturais sigam um planejamento de concepção, onde os
metadados e os direitos associados são essenciais para garantir seu potencial de reuso.
Os metadados circunscrevem, descrevem e controlam uma informação ou um conjunto
de informações relevantes que estão associadas ao objeto em análise, vem expandindo sua
capacidade de abrangência para além de apenas descrever e controlar dados,[...] descrevem
os atributos dos documentos [...] dando-lhes significado, contexto e organização, permitindo a
produção, gestão, utilização deles ao longo do tempo.” (SAYÃO, 2016a, slide 69).
Em 2010, Sayão expõe o desenvolvimento e a expansão das funcionalidades dos
metadados que auxiliam na garantia do acesso e da interpretação desses conteúdos e cita
algumas das principais funções dos metadados no ambiente virtual no que diz respeito à
gestão e preservação dos objetos digitais, “[...] controle dos direitos, intercâmbio, comércio
eletrônico, interoperabilidade técnica e semântica, reuso da informação e curadoria digital,
[...]” (p 3) e apresenta as seguintes categorias: metadados descritivos, estruturais,
administrativos e de preservação.
Os metadados de preservação são essenciais para o planejamento da preservação
digital. Eles são responsáveis por documentar a conjuntura tecnológica em que os objetos
digitais foram criados. Informam sobre os relacionamentos e ordenação dos hardwares e
softwares necessários para a reprodução e decodificação do objeto digital.
O ideal é que seja possível reconhecer as especificidades técnicas do ambiente digital
de concepção daquele objeto e, a partir destes dados, reconstruí-lo quando necessário ou
submeter o objeto em questão aos mesmos programas que eram utilizados para sua leitura e
interpretação. Lembrando que, além da decodificação do objeto, é fundamental que seja
possível reproduzi-lo com a mesma apresentação que o objeto foi criado, muitas vezes o
usuário depende desta forma de apresentação para a interpretação real da mensagem e do
conteúdo do objeto.
No caso das coleções digitais, a ideia de preservação está atrelada a outros tipos de
demandas de ações em torno destes objetos digitais. Para manter o acesso contínuo a estes
objetos da maneira em que foram projetados em alguns casos é preciso manter sua estrutura
lógica em constante atualização e alteração, como a mudança de formatos, renovação de
mídias, hardwares e softwares.
A preservação digital é um compilado de “[...] ações requeridas para manter o acesso a
materiais digitais além dos limites de falha da mídia ou da mudança tecnológica.”
5
(DPC,
2008, p. 24), e é um campo recém explorado pelas equipes técnicas de instituições
museológicas. Tal qual a preservação de objetos físicos, exige recursos pouco comuns em
instituições culturais de pequeno porte. Esta ação está inserida na curadoria digital, que inclui
“os processos de arquivamento digital e preservação digital, os processos necessários para
criação de dados de qualidade e gestão, e a capacidade de acrescentar valor aos dados para
produção de novas fontes de conhecimento.” (SANTOS, 2014b, slide 21).
De acordo com o livro Preservation management of digital materials: the
handbook
6
(2008) publicado pela Digital Preservation Coalition, uma instituição com sedes
5
“[...] actions required to maintain access to digital materials beyond the limits of media failure or technological
change.” [tradução nossa].
6
Este livro foi compilado primeiro por Neil Beagrie e Maggie Jones, atualmente é mantido e atualizado pelo
DPC [tradução nossa].
administrativas no Reino Unido e na Irlanda, que tem a missão de tornar nossa memória
digital acessível para o futuro,
Materiais digitais são especialmente vulneráveis a perda e destruição porque
eles são armazenados em mídia frágil magnética e opticamente que deteriora
rapidamente e que pode falhar inesperadamente devido à exposição ao calor,
umidade, ar contaminado, ou por falhas de dispositivos de leitura e gravação
(HEDSTROM, MONTGOMERY apud DPC, 2008, p. 36).
A obsolescência tecnológica é o maior desafio enfrentado pelos profissionais da
informação para a preservação digital, posto que ela ameaça não só o acesso e a reutilização
das informações contidas nos objetos digitais, mas também o aspecto estrutural do objeto.
Como o conteúdo, a forma e a apresentação do objeto digital estão intimamente associados a
este ambiente tecnológico em que foi desenvolvido, ou seja, para ser acessado, compreendido
e interpretado por um indivíduo ele precisa ser intermediado por diversas camadas de
tecnologia, como softwares, hardwares e equipamentos especiais, é essencial que além dos
metadados descritivos, haja o conjunto de metadados que registrem as informações sobre este
meio de leitura e apresentação do objeto.
Deste modo, deduz-se que tão importante quanto a preservação do suporte da mídia, é
a preservação da tecnologia correspondente ao acesso daquela mídia e o gerenciamento passa
a ser norteada em função de algo invisível, “Preservação digital não é armazenamento
digital.” (SAYÃO, 2016a, slide 27).
Na dissertação Curadoria digital: o conceito no período de 2000 a 2013”, de Thayse
Santos (2014a), para o programa de Mestrado em Ciência da Informação, da Universidade de
Brasília, a autora apresenta um levantamento e uma reflexão da trajetória da expressão
curadoria digital no período de 2000 a 2013, e enuncia que
A curadoria digital é o processo de estabelecimento e manutenção de um
corpo confiável de informação digital dentro de repositórios de preservação
a longo prazo para uso corrente e futuro por pesquisadores, cientistas,
historiadores e acadêmicos em geral. (SANTOS, 2014a, p. 106).
Os repositórios digitais confiáveis são centros de armazenamento para o depósito legal
dos documentos e objetos digitais produzidos ou mantidos por uma instituição e onde a gestão
ativa destes dados se desenvolve, “No intuito de por em prática soluções para o problema,
observa-se, no âmbito de várias disciplinas, um esforço em torno do desenvolvimento de
repositórios digitais orientados especialmente para uma gestão ativa de dados de pesquisa.”
(Idem, p. 49).
No Brasil, uma importante iniciativa neste campo partiu da Rede Cariniana, criada em
2002, pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), que é
vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Em 2013, a Rede, em parceria
com mais cinco instituições de ensino superior no Brasil, aderiu ao programa LOCKSS
7
da
Universidade de Stanford, na Califórnia (EUA), o qual “[...] fornece softwares livres de
preservação digital premiados [...], com vistas à preservação de conteúdos digitais
permanentes e originais, assim como à garantia de acesso a esses acervos.” (REDE
CARINIANA, 2016).
Uma política de preservação digital em qualquer instituição tem início na intenção do
projeto, relacionada com a missão do local e precisa traçar seu planejamento em função de
etapas de acordo com a prioridade e a estrutura para a continuidade do trabalho. Neste
sentido, A condição básica à preservação digital seria, então, a adoção desses métodos e
7
Lots of Copies Keep Stuff Safe; Muitas Cópias Mantém Coisas a Salvo [tradução nossa].
tecnologias que integrariam a preservação física, lógica e intelectual dos objetos digitais.”
(REDE CARINIANA, 2014).
Curadoria digital
O termo técnico curadoria tem sua origem no escopo da museologia, na conjuntura de
planejamento e concepção de exposições, onde o curador é o profissional reconhecido como
especialista no tema pela sua comunidade profissional e técnica. Dentro da contextualização
abordada no tema de uma exposição, o curador é responsável por selecionar as obras de arte
ou objetos documentais que integrarão o evento, e poderão ser publicados no catálogo da
exposição, por meio de conhecimento profundo sobre o tema e pesquisa e supervisionar a
montagem das exposições.
A expressão curadoria digital compreende que atualmente os conteúdos digitais
produzidos não apenas nos museus, mas em todas as instituições que trabalham com a
informação digital, necessitam igualmente de seleção, armazenamento, classificação e análise,
colocando estas questões em cheque nas instituições que atuam no cenário informacional, seja
produzindo ou apenas transmitindo conteúdos.
A noção de curadoria digital surgiu pela primeira vez em 2001, a partir de
preocupações expressas em questões tal qual como garantir a autenticidade e a integridade de
valores culturais digitais (CONSTANTOPOULOS, DALLAS, 2010). Abbot (2010) afirma
que o conceito inclui não só as ações de preservação digital, mas todo o processo de gestão
destes dados, desde o planejamento de sua criação até as boas práticas de digitalização,
vertente também apoiada pelo DCC Digital Curation Center - (2014a), que sintetiza a
curadoria digital na manutenção, preservação e agregação de valor aos documentos digitais e
propõe um modelo de ciclo de vida da curadoria digital (2014b).
Os objetivos específicos da curadoria digital são garantir algumas características
essenciais para a manutenção da relevância e da preservação dos objetos digitais. São elas: a
fácil acessibilidade ao objeto como um todo, tanto à sua composição quanto à sua
apresentação e conteúdo; a veracidade das informações que o objeto ou documento digital
pretende comunicar; a autenticidade; a confiabilidade, manter o grau de fidelidade da
informação contida daquele objeto ou documento em relação ao original; a usabilidade,
refere-se à capacidade do objeto digital ser usado em mais de um contexto, proporcionando
múltiplas facetas de pesquisa a seu respeito, por exemplo, e endossando a história do objeto
através do acréscimo de mais informações em sua documentação; por fim mas não menos
importante, a integridade, que prova a apresentação origina do objeto, por meio da
documentação de suas informações através dos metadados.
Reuso de coleções digitais
O reuso dos objetos digitais é um dos maiores objetivos da curadoria digital. Através
de todo gerenciamento no processo da curadoria digital é possível obter serviços derivados
dos objetos tratados tecnicamente, promover a socialização e o compartilhamento destes
dados em outros contextos de modo que os objetos ou dados digitais não fiquem restritos às
análises de seu contexto original, alcançar novas audiências nestas instituições. O público
jovem é a comunidade de usuário mais ativo no ambiente virtual e as inovações que
promovem e difundem pelas redes da internet podem beneficiar os museus e seus acervos, e
principalmente, estes processos auxiliam na construção a análise da memória coletiva,
aproximando as coleções dos museus da sociedade sem riscos de danos ao patrimônio físico.
O reuso fomenta também, além da interdisciplinaridade entre museus, arquivos e
bibliotecas, principais centro de produção e disseminação de informação, a
interdisciplinaridade de pesquisas a partir do compartilhamento das informações obtidas e
geradas e do conhecimento adquirido, “[...] essas tecnologias têm o potencial não somente de
engajar novas audiências para as coleções dos museus, mas também de produzir concepções
inéditas de produtos e serviços culturais.” (SAYÃO, 2016b, p. 8).
Nos museus os objetos digitais podem ir além das funções de gerenciamento como
documentação, apresentação e conservação dos objetos físicos, conforme visto
anteriormente. Uma base de dados de imagens, que organize e recupere as especificidades
técnicas pode ampliar o domínio de interação entre estes objetos e aumentar seu grau de
usabilidade.
As coleções digitais beneficiam e enriquecem as coleções físicas dos museus de tantas
formas quantas forem possíveis a criatividade da equipe e comunidade envolvida com os
museus, principalmente contribuindo para uma transversalidade e intercâmbio de
conhecimento entre as demais instituições que são referências da guarda e comunicação da
memória da sociedade e produtoras de informação, como as bibliotecas e os arquivos, por
exemplo.
Considerações finais
No cenário do reuso de objetos digitais culturais algumas instituições e
organizações pioneiras que se consolidaram como referências no uso e promoção destes
recursos como o projeto Europeana Space, cujo objetivo é contribuir com o crescimento e o
fomento da indústria criativa na Europa a partir dos recursos culturais digitais das instituições
que integram o projeto, oriundas de diversos países.
Estes projetos servem como inspiração para o espelhamento das atividades
desenvolvidas em outros locais que ainda estão em processos de digitalização de seus acervos
ou de estruturação da curadoria digital. Espera-se que a conclusão deste projeto corrobore
com o desenvolvimento e consolidação da curadoria digital no ambiente da Rede Web de
Museus, onde as instituições participantes podem dinamizar seus acervos e seus serviços
informacionais oriundos da produção de conhecimento a partir da interação entre as coleções.
Conforme a ilustração abaixo, no caso da Rede Web de Museus, pode-se concluir que
a Rede vem estruturando um ambiente de objetos digitais culturais que em paralelo aos
objetos físicos também demandam um trabalho de gestão dinâmica destes arquivos com a
curadoria digital, de modo que eles possam ser tratados e preservados a fim de garantir o
acesso contínuo aos seus conteúdos e conservem seus potenciais para a geração de novos
serviços informacionais na área cultura, contribuindo com a indústria criativa e também
fomentando novas oportunidades de emprego.
Figura 1: Ciclo da curadoria digital para o reuso de objetos e informações
As possibilidades de reuso destes arquivos e das informações por eles produzidas a
partir da reanálise ou da combinação de dados relacionados são inúmeras. Alguns exemplos
do que a Rede pode proporcionar para suas instituições são aulas virtuais que apoiem projetos
educacionais, material para aplicativos e jogos que envolvam o conteúdo das coleções,
exposições virtuais que reproduzam ou dialoguem com as exposições físicas, entre outros.
Para que estes propósitos sejam alcançados efetivamente é necessário que a curadoria
dos objetos digitais seja planejada e realizada por equipes técnicas cada vez mais
especializadas e apoiadas em tecnologias e infra-estruturas adequadas, as instituições
precisam investir também nestes recursos a fim de manter o acesso à memória institucional
digital das mesmas. Além dos benefícios do reuso das coleções digitais para os acervos físicos
dos museus, a partir da curadoria digital destes materiais planejada em função de boas práticas
de criação dos objetos digitais, seleção, preservação digital, armazenamento entre outras, evita
a duplicação de esforços institucionais nestas iniciativas e, principalmente, o retrabalho do
manuseio dos objetos de museus que também representa para o acervo físico um desgaste e
exposição a diversos riscos para sua integridade física.
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