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CORPOREIDADE E IDENTIDADE, O CORPO NEGRO COMO ESPAÇO DE SIGNIFICAÇÃO.

Authors:

Abstract

A análise proposta pressupõe que a relação entre a cultura e os corpos negros constituem uma corporeidade que traz consigo, em suas movimentações e expressões, visões estereotipadas sobre a população negra. A maneira como estas visões estereotipadas repercutem na corporeidade do indivíduo e influenciam na sua identificação são pontos a serem abordados. A corporeidade se constitui na relação do sujeito com o seu mundo. Considerando que a sociedade brasileira investe na marginalização dos corpos negros, através da difusão de estereótipos e do racismo, temos no corpo do indivíduo negro um possível espaço de resistência a essas correntes. Cientes do corpo como espaço para a significação do "Eu", percebemos na população negra, a identidade influenciada por toda a trama que se abate sobre sua corporeidade, da opressão à luta contra estereótipos. Pretende-se então a discussão sobre o corpo negro como espaço de significação e luta contra os estereótipos atrelados à sua corporeidade.
CORPOREIDADE E IDENTIDADE, O CORPO NEGRO COMO ESPAÇO DE SIGNIFICAÇÃO SILVA, Joyce Gonçalves da.
Salvador BA: UCSal, 8 a 10 de Outubro de 2014,
ISSN 2316-266X, n.3, v. 17, p.263-275
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CORPOREIDADE E IDENTIDADE, O CORPO NEGRO COMO ESPAÇO
DE SIGNIFICAÇÃO.
SILVA, Joyce Gonçalves da
Estudante de Mestrado do Programa PPRER- CEFET/RJ.
gsilva.joyce@gmail.com
RESUMO:
A análise proposta pressupõe que a relação entre a cultura e os corpos negros constituem uma
corporeidade que traz consigo, em suas movimentações e expressões, visões estereotipadas sobre a
população negra. A maneira como estas visões estereotipadas repercutem na corporeidade do indivíduo e
influenciam na sua identificação são pontos a serem abordados. A corporeidade se constitui na relação do
sujeito com o seu mundo. Considerando que a sociedade brasileira investe na marginalização dos corpos
negros, através da difusão de estereótipos e do racismo, temos no corpo do indivíduo negro um possível
espaço de resistência a essas correntes. Cientes do corpo como espaço para a significação do "Eu",
percebemos na população negra, a identidade influenciada por toda a trama que se abate sobre sua
corporeidade, da opressão à luta contra estereótipos. Pretende-se então a discussão sobre o corpo negro
como espaço de significação e luta contra os estereótipos atrelados à sua corporeidade.
PALAVRAS-CHAVE: Corporeidade; Estereótipo; Identidade.
ABSTRACT:
The proposed analysis assumes that the relationship between culture and black bodies are a corporeality
that brings in their movements and expressions, stereotypes about black people. The way these
stereotypes have repercussions on the corporeality of the individual and influence their identification are
points to be addressed. The corporeality is constituted in the subject's relation to his world. Whereas the
Brazilian society invests in the marginalization of black bodies, through the dissemination of stereotypes
and racism, we have the body of the black guy as a space of possible resistance to these currents. Aware
of the body as a place to construct the meaning of "ME", is noticed in black population, the identity
influenced by the whole plot that befalls its corporeality, from the oppression through combating
stereotypes. The intend of this propose is a discussion over the black body as a place of significance and
combating stereotypes tied to his corporeality.
KEY-WORDS: Embodiment; Corporeality; Stereotype; Identity.
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O Corpo e os sistemas de diferenciação
O corpo é a dimensão biológica que materializa a nossa presença no mundo. É o lugar
concreto onde manifestamos nossas vontades, desejos, tudo o que foi aprendido e observado ao
longo de nossa história pessoal e por esta razão, o corpo, também é fruto de construção social,
repleto de representações culturais e simbólicas de uma sociedade.
O corpo, como relata Foucault, "é uma jaula desagradável, na qual terei que me mostrar e
passear. É através de suas grades que eu vou falar, olhar, ser visto. Meu corpo é o lugar
irremediável a que estou condenado (2010, p.01)". É o canal por onde nos diferenciamos dos
outros, é por onde somos vistos, observados e julgados, é o caminho pelo qual as sensações e
percepções que temos de nós mesmos, de todas as pessoas e das coisas que nos cercam se
internalizam e assim se tornam participantes da estruturação de um conceito que pré-
estabelecemos sobre a diferença.
A diferença é como uma conceituação criada por nós mesmos, influenciados pela cultura,
sobre o que nos difere das coisas do mundo. Assim sendo, as características físicas e visíveis de
todas as coisas do mundo são utilizadas como elemento diferenciador, as cores, os formatos, as
texturas. Segundo Hall (2013,p.04) " O que importa com relação às diferenças são os sistemas
que utilizamos para dar sentido a elas, a forma como organizamos essas diferenças em sistemas
de sentido, com os quais fazemos com que o mundo nos seja inteligível." Isso somente é possível
quando, ainda segundo o autor, estas diferenças são organizadas dentro da linguagem, quando
elas adquirem sentido.
Este sentido é adquirido através dos sistemas de representação oferecidos pela cultura.
Estes sistemas nos oferecem subsídios para o sentido/significado do que nos é diferente. Segundo
Rodrigues (2006, p.20) "os sistemas de representação estabelecem cortes e contrastes e instituem
diferenças." Estas diferenças são assimiladas pela cultura em forma de sistemas classificatórios e
a marcação destas diferenças é o componente chave destes sistemas.
A marcação da diferença ocorre tanto no processo de classificação, quanto nos processos
simbólicos de representação, formando a partir daí um significado para o que é visto no mundo.
Esta marcação das diferenças ocorre também nas formas de exclusão social. A autora Kathryn
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Woodward contempla a questão ressaltando como a cultura estabelece sua ação nos processos de
diferenciação e constituição de sentido.
" Cada cultura tem suas próprias e distintivas formas de classificar o mundo. É
pela construção de sistemas classificatórios que a cultura nos propicia os meios
pelos quais podemos dar sentido ao mundo social e construir significados. '
(WOODWARD, In: SILVA, 2013, p.42)"
O processo de conscientização da diferença ocorre ainda na infância, quando a criança
descobre o seu corpo, construindo seu esquema corporal e com a ajuda dos pais e do meio
ambiente, estrutura-se sua imagem corporal. Desta maneira, a criança institui o que é semelhante
e o que é diferente de seu corpo. A estruturação da imagem corporal se completa mais tarde
quando o contato desta criança com a sociedade aumenta e a cultura se instaura no cotidiano
desta. A cultura é o dinamizador da constituição da diferenciação na criança, como podemos
observar nas palavras de Rodrigues:
"Quando crianças, habituamo-nos a absorver as características de nossa cultura
tão inconsciente como aquela pela qual aprendemos o idioma que falamos. De
fato, o comportamento social liga-se a uma pauta que está para a consciência do
agente de maneira tão sutil e disfarçada como as regras da língua estão para o
falante. Da mesma forma, os contrastes e oposições que se responsabilizam pela
constituição de sentido das coisas e do mundo estão muitas vezes implícitos e
dissimulados numa região de difícil acesso para a consciência dos indivíduos"
(RODRIGUES, 2006, p.42)
Desta maneira, a cultura e seus conceitos são internalizados pelos corpos dos indivíduos,
naturalizando as diferenças, havendo mesmo assim uma conceituação sobre cada uma delas, por
onde se baseia a discriminação: Eu/outro.
Logo, se analisarmos as diferenciações a partir das características físicas das coisas que
compõe o mundo, o corpo do Outro, será avaliado também a partir disto. Ao considerarmos a
nossa sociedade, onde pessoas são discriminadas e oprimidas em razão de sua cor de pele e
posição social, observaremos que nela a cultura apresenta o corpo do Outro sendo caracterizado
exclusivamente pela cor, características físicas e condição social. Segundo Bhabha (1998, p.107)
"o corpo está sempre simultaneamente inscrito tanto na economia do discurso, da dominação e
do poder." O corpo, neste caso, é o instrumento de representação do poder.
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Cientes de nosso passado colonial, estabelecemos uma relação entre o discurso construído
sobre a população negra, e que ainda resiste, e os corpos dos excluídos socialmente. Observamos
então que, utilizando a cultura e a educação, são disseminados os conhecimentos do colonizador.
Isto ocorre por meio de seu discurso e de sua atuação política, impondo aos corpos dos
indivíduos, os saberes e normas de conduta dentro dos quais estão as visões e percepções acerca
do sujeito colonial. Este discurso colonial tem como "seu objetivo apresentar o colonizado como
uma população de tipos degenerados com base na origem racial de modo a justificar a conquista
e estabelecer sistemas de administração e instrução." (BHABHA, 1998, p.111)
O corpo e o discurso colonial
O discurso colonial europeu manteve sua força e poder por meio do discurso da
dominação colonial e da desmoralização dos povos colonizados onde a supremacia da raça
branca europeia sobrepujava todos os outros que desta não faziam parte. Este discurso segundo
Bhabha (1998, p. 111), " emprega um sistema de representação, um regime de verdade, que é
estruturalmente similar ao realismo." Desta maneira, reconhecido é, como conhecimento, os
regimes discursivos do colonizador proporcionando ausências referenciais na formação
identitária dos povos, onde estas referências aos seus atributos culturais e corporais são
difundidos somente por aspectos negativos ou sobrecarregados por exotismo.
Como a Europa era o ponto central da civilização, centro de cultura e conhecimento,
abarcamos em nossa cultura, os termos utilizados pela alta cultura europeia, que se estrutura e se
mantém a partir do discurso da superioridade colonial.
Em nossos discursos atuais temos resquícios e conceituações advindas deste período, que
ainda permanecem como verdades. É esta a dinâmica que ocorre nas sociedades que foram
colônias europeias, incluindo o Brasil. Dinâmica que "procura a legitimação de suas estratégias
através da produção de conhecimentos do colonizador e do colonizado que são estereotipados
mas avaliados antiteticamente" (BHABHA, 1998, p.111). Assim sendo, os conhecimentos e
atitudes atribuídas às populações oprimidas pelo sistema colonial demonstram uma variação de
verdade, sendo assimilada por seus corpos e tornando-se parte de sua historia pessoal expressa
por este corpo.
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É a partir desta dinâmica de apreensão do conhecimento e de uma cultura genuína
oferecidas pelo colonizador que as diferenças culturais e as características físicas se tornam parte
de um esquema de diferenciação e discriminação. Ao instituir seu discurso de superioridade
enquanto verdade, o colonizador conceitua negativamente as características físicas e culturais
dos outros povos, julga seus comportamentos e ações e condena as atitudes corporais de seus
colonizados. Tudo isso na tentativa de normatizar os comportamentos da sociedade que pretende
construir nas colônias onde difunde as ideias estereotipadas sobre aqueles que não se enquadram
em seu desejo de sociedade.
O corpo e a cultura
Acreditamos que a consequência desta postura tenha atingido a formação de nossa
cultura, de maneira que a cultura brasileira se torna no decorrer dos anos uma mostra da cultura
periférica do país, sendo apropriada e ressignificada a fim de satisfazer as normas delineadas pela
elite, que ainda mantém, como dito anteriormente, resquícios de um discurso eurocêntrico,
mesmo com a globalização e a ascensão da cultura americana.
Laraia (2013,p.67), nos diz que "a cultura de uma sociedade é como uma lente através da
qual o homem o mundo". Nesta lente estão embutidos todos os conceitos, regras e
comportamentos que a sociedade estabeleceu como característicos e ideais para a boa
convivência de seus cidadãos. Com isso, assistimos na cultura brasileira, toda a gama de
preconceitos e estereótipos empregados a fim de definir o que é melhor e o que é pior para o
consumo cultural e para a vida em sociedade. No período de definição do que seria a cultura
nacional brasileira, a fim de melhorar a imagem da mestiçagem e legitimar a imagem do país no
exterior, ocorreu uma apropriação e uma ressignificação das produções artístico-culturais de
negros e mestiços, transformando estas manifestações em nacionais, o que de uma maneira ou de
outra, as descaracterizou enquanto manifestações negras.
"Foi nos anos 1930 que o mestiço transformou-se definitivamente em ícone
nacional, em um símbolo de nossa identidade cruzada no sangue, sincrética na
cultura, isto é, no samba , na capoeira, no candomblé, na comida e no futebol. A
valorização do nacional é acima de tudo uma retórica que não encontra
contrapartida fácil na valorização das populações mestiças e negras, que
continuam a ser, como veremos, discriminadas nas esferas da justiça, do direito,
do trabalho e até do lazer."(SCHWARCZ, 2012, p.28)
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Nossa lente foi habituada, após este momento pontual, a enxergar manifestações de
matriz afro brasileira como uma produção nacional, ou seja, engloba o mito das três raças e não
valoriza a matriz africana de grande contribuição. Neste processo de apropriação da cultura
negra, alguns estereótipos insistiram em permanecer no imaginário social, atingindo as
manifestações culturais, e consequentemente os corpos negros, que passaram a ser vistos por
imagens que exaltam a sexualidade e o erotismo. Mais uma vez o corpo negro é renegado às
esferas intelectuais. Não que não houvessem intelectuais negros neste período, mas a imagem
massificada pela mídia foi a da sensualidade da mulata, da malemolência do malandro mulato e
da predisposição dos negros ao futebol, como podemos observar nas palavras de Schwarcz:
"Para além do debate intelectual, tudo leva a crer que, a partir dos anos 1930, no
discurso oficial "o mestiço vira nacional" ao lado de um processo de
desafricanização de vários elementos culturais, simbolicamente clareados. Esse
é o caso da feijoada, naquele contexto destacada como um prato típico da
culinária brasileira. A princípio conhecida como comida de escravos, a feijoada
se converte em prato nacional, carregando consigo a representação simbólica da
mestiçagem. Era, portanto numa determinada cultura popular e mestiça que se
selecionavam os ícones desse país: da cozinha à oficialidade, a feijoada saía dos
porões e transformava-se num prato tradicional."(SCHWARCZ, 2012,p.59)
A matriz negra desta maneira é clareada e melhor aceita no diferentes meios onde ainda
predominam os não negros, a elite brasileira.
As consequências desta arquitetura para a corpo negro: Estigmatização de suas atitudes
corporais, mais uma vez. O que poderia ser positivo, se tornou uma referência negativa quando
generalizada e apimentada com os recorrentes estereótipos negativos com relação ao trabalho e
aos estudos.
Dito isto, podemos observar na cultura a presença de um discurso para difusão dos ideais
da política dominante. Sua ação por sobre o corpo, atravessa a razão, chega-nos até a
corporeidade influenciando visões, percepções, ações e comportamentos dos sujeitos. A atitude
corporal da população negra foi, então, atrelada ao malandro e a boemia, aos jeitinhos e ao
roubo, a preguiça e à falta de instrução.
Desta maneira, percebemos como os estereótipos sobre o Outro ganham força ao utilizar
o corpo como referência, sendo "o estereótipo a principal estratégia discursiva do colonialismo."
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(BHABHA,1998, p.105), temos uma grande moeda de força para impedir a ascensão dos que
foram excluídos socialmente.
O estereótipo estrutura a imagem do sujeito, transforma a sua auto imagem e o seu corpo,
tornando este em um ser desasjustado na sociedade. As populações atingidas por estereótipos
têm na constituição de sua identidade o peso dessas visões. São instituídos rótulos, padrões de
comportamentos e ações que acabam por marcar a corporeidade do indivíduo na sociedade.
Estas diferenciações instituídas a partir das características físicas dos indivíduos acabam
por modificar os corpos destes. Assim, toda a linguagem e imagem corporal que é construída
pelo indivíduo a partir de seu corpo e de seu contato com o meio onde vive, é influenciada pela
atuação dos estereótipos. Os comportamentos e atitudes deste corpo obedecem às ordens
impostas pela cultura e pelos olhares que o Outro mantém sobre ele, neste caso, olhares
estereotipados, que influenciam diretamente em seu autoreconhecimento, que:
"se caracteriza pela capacidade do ser humano de construir uma representação
interna do universo e também uma representação interna de si mesmo. Cada um
de nós avalia sua posição no âmbito físico e social. Leva-se em conta a posição,
prestígio social, a aprovação do outro, o respeito e a segurança." (LEE
MANOEL, 2002, p.34)
O auto reconhecimento é também uma forma de identificação. A representação interna
que o indivíduo faz de si e dos que os cercam, é o que constitui a sua identidade pessoal e esta
constituição da identidade é marcada por símbolos. Os símbolos em uma sociedade, marcada
pela presença de um discurso com resquícios do tempo colonial, se apresentam numa cultura
onde eles servem como objetos de diferenciação. Na história do Brasil os símbolos que
representavam a população negra foram ressignificados e alguns invisibilizados em função da
criação de uma identidade nacional, desta maneira "uma série de símbolos vão virando mestiços,
assim como uma alentada convivência cultural miscigenada se torna modelo de igualdade
racial."(SCHWARCZ, 2012,p.68)
É através da difusão destes símbolos como objetos de diferenciação que ocorre a
marginalização dos corpos dos excluídos, da periferia. Como os símbolos expressos na cultura da
periferia onde se encontram estes corpos excluídos é julgada como inferior e vulgar, a elite
dominante, em seu discurso, hoje amparado pela mídia, amplia e divulga as ideias e os
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estereótipos sobre este corpo, discriminando, segregando, estabelecendo locais e ações para sua
expressão. Considerando que a população negra possui uma enorme expressão cultural, voltemos
a alertar que este é o corpo que sofre com a marginalização.
A marginalização da corporeidade negra segue por caminhos que chegam a impedir que
seus jovens frequentem locais, onde por imposição da cultura dominante, não haveria espaço
para eles. Sua arte não é tão bem vista, pois está atrelada, devido aos estereótipos, à sexualidade
e a vulgaridade. As imagens difundidas e defendidas pela a mídia não contemplam a
corporeidade e a estética negra, assim sem referencial, os corpos negros se encontram perdidos
em meio a uma inundação de perfis que não se encaixam na realidade social que se encontram.
Temos a partir desta conjuntura um paradigma de identidade para a população negra.
Como o corpo negro estará presente em uma sociedade que o invisibiliza? Que linguagem será
expressa por este corpo?
Seguindo a observação de Hall (2013, p.06) podemos enxergar o corpo como um texto,
um texto pronto para ser lido e interpretado. Um texto que segundo Fanon, tem uma leitura
pronta, que é aquela do observador branco: "Pois o negro não tem mais de ser negro , mas sê-lo
diante do branco.(2008, p.104)" Atentamos para o fato que nosso corpo, enquanto texto, se
constrói a partir do que sabemos sobre ele e também sobre o que é dito sobre ele. A população
negra brasileira tem um texto pré-escrito não muito favorável à sua ascensão e valorização
cultural. A corporeidade negra sofre em ser-no-mundo.
Sendo a corporeidade o próprio agir no mundo, a complexidade do entendimento do
ser/estar, temos na corporeidade a expressão do EU.
Acompanhando o pensamento de Gumbrecth (2004, p.91), a corporeidade é como o nosso
componente de presença. Somos e estamos no mundo através de nossa relação com as coisas do
mundo, de nossas atitudes e comportamentos neste mundo, de nossa intencionalidade de
movimento, através de nossa corporeidade.
Nossa corporeidade ao expressar a linguagem de nosso corpo, traz consigo as
conceituações e a normalização estabelecida pela cultura. Assim sendo, a corporeidade negra traz
consigo as marcas concretas dos discursos vigentes sobre a população negra, "marcas estas que
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hoje podem ser reconhecidas pelo olhar da discriminação que as mantêm vivas, enquanto
mecanismo de opressão e dominação." (MATTOS, 2010, p.34). Não esquecendo que com isso a
expressão da corporeidade negra está imbuída da resistência e dos estereótipos atribuídos a este
corpo. Mattos (2010, p.49), esclarece que a representação corporal do sujeito negro é um atributo
pelo qual ele é avaliado e, por esta razão, influenciado pelos estereótipos. Assim, assistimos a
invisibilização e a inferiorização desse atributo.
No corpo negro, temos além do esquema corporal e as percepções de si, a atribuição da
raça às características fenotípicas. O cabelo e a cor de pele são como insígnas da raça negra.
Estas características físicas em si não são capazes de caracterizar um grupo de pessoas ou
determinadas culturas como diz Hall (2013, p.01), mas com relação à população negra torna-se
sinônimo de ancestralidade e preconceito. Os discursos discriminatórios sobre o corpo negro,
foram criados justamente a partir destas características físicas e por isso raciais, sendo ainda
relacionados aos comportamentos e atitudes corporais. Crescem desta conjuntura as visões
estereotipadas sobre a população afro brasileira, estampadas tanto nos discursos como na
corporeidade de sua população negra.
A atribuição do significado de raça enquanto caracterização física dos indivíduos,
influencia a corporeidade e a estética das populações negras, porém reconhecemos que o
significado de raça no Brasil é mais profundo, associa ainda atributos físicos e posição social. A
raça é como na citação de Hall (2013, p.01)," um significante flutuante, um componente
discursivo". O seu significado está atrelado ao sentido histórico cultural que este meio de
diferenciação tem em uma sociedade e na sociedade brasileira. Sujeitos negros foram
desprovidos da cidadania por séculos, passaram pelo abandono do poder público no pós-
abolição e tiveram a raça associada à causa de todas as mazelas da sociedade. Tornando assim, a
raça um parâmetro de avaliação do olhar branco sobre a população negra no Brasil. A raça para
as populações negras é a marca concreta de sua diferença, que está explícita em seu corpo. Hall
(2013, p.01), em seu texto esclarece que "como elemento discursivo, a raça é uma construção
social, que só aparece nos corpos pela distinção da diferença."
A raça associada às características físicas, a condição social e ao comportamento
esperado, atribui ao corpo negro um significado/sentido na sociedade. Este sentido "cercado"
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por preconceitos tem no corpo negro brasileiro a incorporação dos estereótipos defendidos desde
os tempos coloniais. Desde então temos atrelado ao corpo negro a noção de intelectualidade
inferior, propensão aos trabalhos manuais extenuantes, insatisfação pelo trabalho formal,
sexualidade exacerbada, pele não limpa, cabelos crespos, descuidados e fealdade. São
estereótipos atribuídos aos negros que até hoje vigoram marcando profundamente a corporeidade
destes.
A corporeidade negra brasileira, tem a sua história contada a partir destas visões, o que
reforça o racismo e a discriminação racial. As tradições afro brasileiras relacionadas às
expressões corporais e às artes, tem sido incorporadas pela cultura vigente, realizando uma leve
valorização, porém o corpo negro, que foi posto às margens da sociedade sofre com a
estigmatização de sua imagem. Desta maneira, os corpos negros na atualidade brasileira tem em
suas expressão e corporeidade, suas movimentações e atitudes, ainda atribuídos à
comportamentos desaprovados para o convívio em sociedade, sendo esses atributos atrelados à
sua condição social. O racismo brasileiro possui esta característica e os corpos da população
negra sofrem esta imposição, como bem reconhece Lilian Schwarcz:
"Tudo isso indica que estamos diante de um tipo particular de racismo, um
racismo silencioso e que se esconde por trás de uma suposta garantia de
universalidade e da igualdade das leis, e que lança para o terreno privado o jogo
da discriminação. Em uma sociedade marcada historicamente pela
desigualdade, pelo paternalismo das relações e pelo clientelismo, o racismo só
se afirma na intimidade, não se afirma publicamente. No entanto, depende da
esfera pública para a sua explicitação, numa complicada demonstração de
etiqueta que mistura raça com educação e com posição social e econômica."
(SCHWARCZ, 2012, p.32)
A corporeidade negra: a linguagem corporal.
As movimentações e atitudes corporais do corpo negro, trazem em suas linguagens, a
ancestralidade corporal, uma referência em sua linguagem aos movimentos e expressões
exercidas por seus antepassados.
"São muitas as ação repetidas das tradições ancestrais, outras foram adaptadas,
algumas criadas ou fundidas, mas têm sempre no corpo possível, no corpo do
trabalho, o principal elemento-base para realizar, nos momentos permitidos, a
celebração da pessoa com a sua história, sempre marcada pela música e dança."
(SABINO; LODY, 2011, p.80)
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É como se o que foi vivido pelos antepassados negros estivesse marcado na corporeidade
das populações afro descendentes. Isto posto, as linguagens corporais expressadas pelos corpos
negros estariam carregadas, além de todo o estereótipo atribuído a ele, de um movimento de
resistência às imposições de normatização de seus aspectos culturais para enquadramento na
sociedade. Deste modo, este corpo é repleto de expressões sobre a luta difundida pelos
antepassados por sua libertação e conquista da cidadania.
Segundo Hall (2013, p. 324), "dentro de toda exclusão e opressão sofrida na colonização,
restou às populações de descendência africana o seu corpo como forma de expressão e
identificação na diáspora". Mais uma vez o corpo se torna um espaço de significação. Os
sistemas de representação impostos pela cultura estão neste momento internalizados na
corporeidade.
Desta maneira, concluímos que a constituição da identidade se dá também através da
corporeidade. A corporeidade é constituída a partir de nossa relação com o mundo. Se o mundo
onde vivemos se constitui de uma sociedade que foi colonizada, onde os conhecimentos
reverenciam uma parcela da população e invisibilizam outra, acreditamos que a corporeidade dos
invisibilizados esteja formada de maneira a manter-se invisível. Porém, pela ação da resistência
cultural, temos um novo panorama para a corporeidade negra. O mesmo corpo que é
marginalizado, subjugado como incapaz de alguns afazeres intelectuais, tem hoje o seu retrato
modificado pela ação das linguagens corporais negras incorporadas à cultura vigente. Apesar da
globalização e do deslocamentos das culturas para a periferia, o que assistimos é o crescimento
das vertentes de matriz africana participando cada vez mais da cultura de massa, tornando a
corporeidade negra, sim visível.
O corpo negro, a partir de então com toda a sua corporeidade, englobando expressões
corporais, estética e comportamento, tem a sua visibilidade assegurada a partir das lutas das
populações negras em legitimar sua cultura, lutando pela anulação dos estereótipos. Essa é uma
luta de forças como coloca Deleuze (1976, p.21), as forças reativas na atualidade m
demonstrado sua força ao encontrar espaços para legitimação de seus significantes culturais. A
estética, as políticas afirmativas, a cultura de massa, são vertentes que auxiliam nesta
legitimação.
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Esperemos da sociedade brasileira modificações nas visões e percepções de forma que
sejam maximizados os espaços de intervenção da população negra engajada na luta contra a sua
invisibilidade.
Referências:
BHABHA, H.K. O local da Cultura. Belo horizonte: Editora UFMG, 1998. p. p.105 - 128..
DELEUZE, G. Nietzsche e a filosofia. Rio de Janeiro: Editora Rio, 1976. p.21-23.
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... "O discurso colonial europeu manteve sua força e poder por meio do discurso da dominação colonial e da desmoralização dos povos colonizados onde a supremacia da raça branca europeia sobrepujava todos os outros que desta não faziam parte." (SILVA, p.266, 2014) Segundo a pesquisadora Joyce Gonçalves da Silva (2014), essas ausências referenciais provocadas pelo discurso colonizador, provocam na formação identitária dos povos, uma percepção negativa e exótica do corpo negro. No caso do Brasil, essa imagem negra é restrita aos estereótipos da sexualidade, malandragem e criminalidade. ...
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Flagelada desde o evento da escravidão, diante do racismo estrutural, a corporalidade negra ainda carece de narrativas que a fortaleçam no engajamento político-cultural. Os estereótipos dedicados à mulher negra e ao homem negro são parodiados e censurados nas composições do rapper baiano Baco Exu do Blues, mediante críticas ácidas. Na dialética que se estabelece na produção da linguagem, em resposta a enunciados racistas e antirracistas, o artista engendra o reconhecimento das capacidades positivas dos afrodescendentes trazendo narrativas de empoderamento, principalmente para a juventude preta. O rap atua disseminando que assumir a negritude é um ato político e necessário para o enfrentamento ao preconceito e à discriminação. Trata-se de uma luta travada no plano das construções da ideologia do cotidiano, que influencia as consciências individuais e todos os sistemas de expressão humana. A partir dos pressupostos da Análise Dialógica do Discurso, o presente trabalho possui como objetivo examinar as condições de produção da materialidade discursiva da corporeidade negra e o discurso de Baco acerca dessa constituição em suas canções. A base teórica da pesquisa, além da Filosofia da Linguagem, dialoga também com a Teoria da Literatura e os Estudos Culturais. Como método de investigação é utilizada a abordagem metalinguística. Ora parodiando, ora censurando o lugar-comum, o rapper agencia o orgulho negro. Assim, é produzida uma linguagem que abrange a filosofia da Consciência Negra, o pensamento que corresponde a uma parte essencial da luta que busca reparar os danos sofridos pela opressão e o silenciamento das alteridades dominadas pela supremacia branca.
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O objetivo central do artigo é identificar e problematizar como a produção visual que tematiza as experiências negras surgem na arte e na pesquisa acadêmica brasileira dos últimos dez anos e de que maneira impactam na formação dos licenciandos de artes visuais. O levantamento de dados se deu a partir do banco de teses da CAPES; da catalogação da produção de jovens artistas que problematizam as experiências negras em suas obras com base em catálogos de exposições das principais instituições culturais brasileiras, em revistas especializadas em artes visuais e no Instagram. A pesquisa considerou como jovens artistas os nascidos a partir de 1987, entretanto, percebemos que no caso dos artistas afrodescendentes o acesso ao mercado de arte se dá após os trinta anos de idade, sendo o racismo institucional um dos entraves vivenciados por este grupo. A investigação também revelou a invisibilidade da produção de artistas e pesquisadores afrodescendentes que se debruçam sobre a temática negra contemporânea tanto na academia quanto no currículo de formação de professores de arte.
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O presente artigo tem como objetivo, realizar uma breve reflexão sobre as significações das músicas do rapper paulistano Rincon Sapiência. Sobretudo, o conteúdo das músicas presentes no seu mais recente trabalho Mundo Manicongo: Dramas, Danças e Afroreps. A proposta de análise a ser empreendia aqui, visa identificar a contribuição cultural e pedagógica que este disco possui, quando pensamos sobre o prisma da corporeidade negra e as ressignificações identitárias dos sujeitos pertencentes a este grupo. Desta forma, além de evidenciar o impacto das músicas de Rincon na construção de identidades negras contemporâneas, busca-se também, apontar as concepções históricas acerca das sociabilidades negras. Nas quais, muitas das manifestações culturais exercidas pela população negra, tiveram e ainda tem, como principal vetor de expressão o corpo negro somado a musicalidade.
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Este artigo propõe-se a realizar uma análise do documentário Pedra da Memória (2011), de Renata Amaral, utilizando proposições que observem as diferentes linguagens e diálogos culturais sintetizados na obra. Neste trabalho, transpomos nosso olhar ao viés intermidiático desta leitura fílmica. As narrativas presentes no filme são observadas enquanto formas de se visibilizar os trânsitos de uma memória corpo-ancestral que embarcou forçosamente em África, e que foram e são reproduzidas e mantidas nas casas de religião afro-brasileira em todo território nacional. Nesta oportunidade, conduzimos aproximações e conexões a partir da possibilidade e potencialidade que emerge dentro da construção artística fílmica, que expressa uma tendência e necessidade em convergir linguagens, como meio de aproximar e reformular narrativas históricas. Observam-se nesta leitura duas dimensões intermidiáticas da obra fílmica: uma que se direciona a pensar o uso de sobreposições de imagens, realizada através de uma combinação de mídias, e outra que se dedica a pensar o corpo como um veículo intermidiático, marcado pela perspectiva e pelo elo ancestral. Para realizar tal leitura, nos utilizamos, fundamentalmente, dos referenciais teóricos cunhados pela pesquisadora Irina Rajewsky (2005), no que tange à intermidialidade, e da historiadora brasileira Beatriz Nascimento (1989), no tocante à corporeidade afro-brasileira enquanto um veículo ancestral que comunica saberes.
  • M Foucault
  • Corpo Utópico
FOUCAULT, M. O corpo Utópico. Trad. Cepat. Página/12 (Buenos Aires), 29/10/2010 (1966).
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  • Disponível Em
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Danças de matriz africana: Antropologia do movimento
  • J Sabino
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  • H K Bhabha
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  • G Deleuze
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Produção de presença: o que o sentido não consegue transmitir. Rio de Janeiro: Contraponto/PUC Rio
  • H U Gumbrecht
GUMBRECHT, H.U. Produção de presença: o que o sentido não consegue transmitir. Rio de Janeiro: Contraponto/PUC Rio, 2004 p.75 -117.
Nem preto, nem branco, muito pelo contrário: cor e raça na sociabilidade brasileira. 1.ed -São Paulo
  • L M Schwarcz
SCHWARCZ,L. M. Nem preto, nem branco, muito pelo contrário: cor e raça na sociabilidade brasileira. 1.ed -São Paulo; Claro Enigma,2012.
Identidade e diferença: A perspectiva dos Estudos Culturais
  • T T Silva
SILVA, T.T. Identidade e diferença: A perspectiva dos Estudos Culturais. 13.ed, Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 2013.