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Abstract

p>O artigo apresenta uma análise das relações existentes entre os blocos no poder e as políticas de integração regional dos Estados brasileiro e chileno. Interessa-nos compreender quais os interesses de classe e frações de classe que influenciam os projetos de integração regional na América do Sul, em especial, o Mercosul e a Aliança para o Pacífico. A hipótese que defendemos, tendo como base a caracterização das frações burguesas em formações sociais periféricas e as suas relações com o capital externo desenvolvida por Nicos Poulantzas, é que no Chile a fração hegemônica no interior do bloco no poder é a burguesia compradora ─ fração dependente do mercado internacional que se comporta como correia de transmissão dos interesses imperialistas ─ e no Brasil, a fração que ocupou posição importante até 2014 é a grande burguesia interna ─ fração que é dependente financeira e tecnologicamente do capital externo, mas que depende do mercado interno e da proteção do Estado para concorrer com os produtos e serviços estrangeiros. Por isso, o projeto de integração regional do Estado chileno é o regionalismo aberto , enquanto o Mercosul apontou para um projeto de integração multidimensional (frágil e inconcluso). </p
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As burguesias brasileira e chilena
e a integração regional 1
Brazilian and Chilean bourgeoisie and regionalism
DOI: 10.5752/P.2317-773X.2017v5.n1.p47
Tatiana Berringer 2
Anna Kowalczyk 3
R
O artigo apresenta uma análise das relações existentes entre os blocos no poder
e as políticas de integração regional dos Estados brasileiro e chileno. Interessa-
nos compreender quais os interesses de classe e frações de classes dominantes
que inuenciaram os projetos de integração regional na América do Sul, em
especial, o Mercosul e a Aliança para o Pacíco. A hipótese que defendemos,
tendo como base a caracterização das frações burguesas em formações sociais
periféricas e as suas relações com o capital externo desenvolvida por Nicos
Poulantzas, é que no Chile a fração hegemônica no interior do bloco no poder
é a burguesia compradora – fração dependente do mercado internacional – e no
Brasil, a fração que ocupou posição importante até 2014 é a grande burguesia
interna – fração que é dependente nanceira e tecnologicamente do capital
externo, mas cuja produção e investimentos são voltados para o mercado
interno e regional. Por isso, o projeto de integração regional do Estado chileno
é o regionalismo aberto, enquanto o Mercosul apontou para um projeto de
integração multidimensional (frágil e inconcluso).
Palavras-chave: Burguesia; Brasil; Chile; integração regional; Nicos Poulantzas.
A
The paper analyses the relationship between the power blocs and regional
integration policies of the Brazilian and Chilean States. We are interested
in understanding how the interests of dominant classes and class fractions
inuence regional integration projects in South America, such as Mercosur
and the Pacic Alliance. Our hypothesis is based on the characterization of
bourgeois fractions in peripheral social formations in relation to foreign capital,
developed by Nicos Poulantzas. In Chile the hegemonic fraction within the
power bloc is the comprador bourgeoisie – fraction dependent principally on the
international market – and in Brazil, the fraction which had occupied important
position until 2014 is the interior bourgeoisie – fraction that is dependent
on foreign capital in terms of nance and technology, but it depends on the
domestic and the regional markets. Therefore, the regional integration project
of the Chilean state is open regionalism, while Mercosur is a multidimensional
integration project (fragile and unnished).
Keywords: bourgeoisie; Brazil; Chile; Poulantzas; regional integration
1. Uma versão preliminar deste artigo
foi apresentada na mesa coordenada
pela Associação Brasileira de Ciência
Política durante o encontro da Associa-
ção Brasileira de Relações Internacio-
nais em 2015
2. Professora de Relações Internacionais
na UFABC. Doutora em Ciência Política
pela Unicamp. Integrante do grupo
“Neoliberalismo e relações de classe no
Brasil (Cemarx) coordenado pelo Prof.
Armando Boito Jr da Unicamp. Contato:
berringer.tatiana@ufabc.edu.br
3. Professora na Universidad Alberto
Hurtado, Santiago de Chile. Doutora em
Ciência Política. Integrante do grupo:
“El Estado en América Latina: logros
y fatigas de los processos políticos en
el nuevo siglo” coordenado pela Profa.
Mabel Thwaites Rey da Universidade
de Buenos Aires. Contato: ania_kowal-
czyk@hotmail.com.
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v.5 n.1, p. 47 -61
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Introdução
Este artigo analisa a relação entre as frações de classes dominantes
e os processos de integração regional levados a cabo pelos Estados brasi-
leiro e chileno no início dos anos 2000 (até 2016). Interessa-nos entender
quais os interesses das burguesias hegemônicas no interior do bloco no
poder que levaram à formação da Aliança para o Pacíco e às mudanças
do caráter da do Mercosul nesse período. Consideramos que o Mercosul
transitou de regionalismo aberto para o “novo regionalismo” ou regiona-
lismo multidimensional4 (frágil e inconcluso), e vem sofrendo alterações
com a virada política a partir do impeachment da presidenta Dilma Rous-
se em 2016, e a Aliança para o Pacíco se consagrou como modelo de
regionalismo aberto5. Utilizamos os conceitos de burguesia interna e com-
pradora, elaboradorados pelo intectual marxista greco-francês Nicos Pou-
lantzas, para pensar a relação das frações hegemônicas nessas formações
sociais e suas relações com os projetos de integração regionais. A hipótese
que defendemos é que no Chile a fração hegemônica no interior do blo-
co no poder é a burguesia compradora – fração dependente do mercado
internacional – e no Brasil, a fração que ocupou posição importante até
2014 é a grande burguesia interna – fração que é dependente nanceira e
tecnologicamente do capital externo, mas cujo produção e investimentos
são voltados para o mercado interno e regional.
O texto se divide em quatro partes. A primeira é essa breve intro-
dução, na segunda parte apresentamos o nosso aporte teórico, buscando
destacar que nos inserimos na subárea de estudos das relações internacio-
nais de análises de política externa (APEX), e, apresentamos a abordagem
marxista de inspiração poulantziana para esses estudos. Na terceira e na
quarta parte analisamos cada um dos casos: Brasil e Chile e a relação
entre as burguesias e os processos de integração regional. Na conclusão,
buscamos traçar paralelos entre os dois casos estudados e trazemos al-
guns apontamentos sobre como está se dando o processo de aproximação
entre o Mercosul e a Aliança para o Pacíco desde a virada política com o
golpe no Brasil e a eleição de Macri na Argentina.
O aporte teórico
As análises de política externa (APEX) se diferem da teoria realista
de relações internacionais ao não aceitarem a ideia de interesse nacional
como algo estático e que vise unicamente garantir a segurança e a defesa
do Estado no ambiente internacional. Enfatizam a existência da relação
indissociável entre a política externa e a política doméstica, contrapondo-
-se ao tratamento diferenciado conferido ao ambiente interno e ao ce-
nário internacional. Também questionam as ideias de Estado enquanto
ator monolítico e racional e de interesse nacional como interesse geral
determinado em termos de poder, e incorporam elemento como o papel
das burocracias, o perl das lideranças, a inuência dos regimes políticos,
a disputa entre grupos de interesse, entre outros.
A nossa perspectiva parte da problematização colocada pelas APEX
sobre Estado, interesse nacional e a relação entre a política externa e a
4. A ideia de Mercosul multidimensional
baseia-se na assertiva de que o mo-
delo de integração que o bloco adotou
desde 2003 tinha como pressuposto
a integração inclusiva: modelo de de-
senvolvimento econômico e social que
promoveria a diversificação produtiva
e de comércio, aliado às políticas de
inclusão social ampla, com distribuição
de renda a aprofundamento das demo-
cracias (Pereira, 2014).
5. Regionalismo aberto foi a estratégia
de integração defendida pela Cepal
nos anos 1990. A ideia é que houvesse
uma articulação enntre a liberalização
comercial e a integração regional,
visando inserir as economias locais à
economia mundial, através do tratados
de livre-comércio como o Tratado Norte
Americano de Livre Comércio
– NAFTA (CEPAL,2000).
Berringer, Taana; Kowalczyk, Anna As burguesias brasileira e chilena e a integração regional
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doméstica, centrando-se na disputa entre classes e frações de classe na
denição das preferências e ações da política internacional do Estado.
Interessa-nos compreender quais os interesses de classe que inuenciam
a orientação da política externa de um Estado (BERRINGER, 2015). Utili-
zamos o instrumental teórico sistematizado pelo marxista greco-francês
Nicos Poulantzas em Poder Político e Classes Sociais (1977) e em Classes So-
ciais no Capitalismo de Hoje (1978). Buscamos identicar qual as frações
hegemônicas do bloco no poder6 no interior de cada formação social para
analisar a posição do Estado na estrutura de poder internacional. Essa
posição determina os Estados parceiros, as alianças e os blocos regionais
prioritários, e o caráter dos processos de integração regional levado a
cabo pelo Estado (se regionalismo aberto, integração multidimensional,
intergovernamentalismo, etc).
Para Poulantzas, nas formações sociais periféricas, as frações de clas-
se dominantes podem assumir três tipos de clivagens, que decorrem do
processo de acumulação de capital na esfera internacional e da posição po-
lítica e ideológica face ao imperialismo. O autor visava compreender qual
a função que as burguesias industriais e de serviços das formações sociais
periféricas na Europa, que se formaram no processo de internacionalização
nos anos 1970, desempenhavam. Assim, levando em conta o estágio atual
acumulação capitalista mundial, especialmente o processo de internacio-
nalização produtiva, Poulantzas dene a existencia de três frações de classe
nas formações sociais periféricas: a burguesia compradora dependente dos
mercados internacionais para as suas atividades (por exemplo: exportações,
bancos e nanças); a burguesia interior cuja produção é voltada ao mercado
interno, mas, também é dependente do capital internacional no que tange
à tecnologia e investimentos; a burguesia nacional que não é dependente
do capital internacional (hoje em dia essa burguesia é quase inexistente).
A relação dessa frações das classes dominantes com o capital internacional
está ligada à relação delas com as classes populares: a burguesia comprado-
ra, dada a sua dependência do mercado internacional, não tem interesse no
desenvolvimento do poder aquisitivo do mercado doméstico nem no cha-
mado “bem-estar social”, portanto, é muito pouco provável que se dispo-
ria a realizar concessões às classes populares; a burguesia nacional como é
dependente do mercado doméstico, é, portanto, mais tendente a construir
alianças com as classes populares contra a burguesia compradora e contra
o imperialismo; e a burguesía interna se coloca entre essas duas, podendo,
mesmo que inconscientemente fazer parte de frentes políticas com setores
populares a m de garantir a proteção do Estado diante do capital exter-
no, sem que para isso seja necessário uma postura anti-imperialista (POU-
LANTZAS, 1978).
As reexões de Poulantzas tiveram como pano de fundo a análise
do capitalismo europeu e a sua relação com os Estados Unidos. Apesar
das diferenças temporais e mesmo das especicidades e dos diferentes
graus de desenvolvimento do capitalismo, acreditamos que essas carac-
terizações são úteis para analisarmos a relação entre os blocos no poder
e o capital externo na América do Sul. Neste artigo nos ocupamos com
dois casos: o bloco no poder no Chile e o bloco no poder no Brasil. A
escolha desses casos se deve ao fato de que aparentemente reetem con-
6. Bloco no poder é um conceito
elaborado por Nicos Poulantzas para
indicar a unidade contraditória entre as
classes e frações de classes dominantes
sob a hegemonia de uma delas. Parte
da concepção de que a burguesia é
cindida em frações de classe dada à
competitividade entre os diferentes
setores da economia e das esferas da
produção, essa disputa as encapacita
de se auto-organizarem, é, portanto, o
Estado quem organiza o bloco no poder,
ademais de dividir as classes populares.
As políticas estatais (financiamento,
câmbio, etc) funcionam como efeitos
pertinentes para a aglutinação de
diferentes setores em frações de
classe, tomando em conta as demandas
populares com o propósito de assegurar
a hegemonia. A determinação de classe
se realiza através das esferas econômi-
cas, políticas e ideológicas, e a luta de
classes acontece em dois momentos:
a luta pela disputa de poder do Estado
(momento revolucionário) e a luta pela
distribuição da riqueza. É sobre esta que
focamos a nossa análise.
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gurações distintas dos blocos no poder, que explicariam as diferenças nas
orientações das políticas externas desses Estados, e mais especicamente,
nos diferentes processos de integração regional, a saber: o Mercosul e a
Aliança para o Pacíco.
Vejamos abaixo a análise de cada um dos dois casos.
Brasil: bloco no poder e política externa
Nos anos 2000, em especial, durante os governos Lula e Dilma
(2003-2016) a grande burguesia interna, composta por diferentes setores
(mineração, construção civil, indústria manufatureira, empresas estatais,
agronegócio e, perifericamente, algumas multinacionais instaladas no
país), fortaleceu-se no interior do bloco no poder, deslocando a fração do
capital nanceiro que ocupou a posição hegemônica nos anos 1990. A
aglutinação dessa fração se deu, em grande medida, em função dos efeitos
negativos que a implementação do neoliberalismo ortodoxo gerou como
a queda da balança comercial, desnacionalização da indústria nacional, a
desestatização, etc. Esses diferentes setores se unicaram em torno dos
seguintes pontos: a preferência nas compras governamentais, o acesso
a nanciamento estatal, o acesso a mercados externos, menor abertura
comercial, o apoio à internacionalização das empresas brasileiras (BOI-
TO, 2012). As negociações da Área de Livre Comércio das Américas –
ALCA7–, Mercosul-União Europeia e Organização Mundial do Comércio
– OMC – exerceram um importante papel na aglutinação desses setores
numa mesma fração. Ainda que, no princípio, o agronegócio e a indústria
manufatureira tivessem posições distintas em relação ao acordo, ao longo
dos anos, ao perceberem que a liberalização agrícola dos Estados Unidos
e Europa dependia da abertura do mercado interno para produtos manu-
faturados, decidiram se juntar à burguesia industrial, passando então a
atuarem através da Coalização Empresarial Brasileira (CEB), coordenada
pela Confederação Nacional da Indústria.
Ao longo dos anos, a burguesia interna percebeu que os impasses
no interior das negociações econômicas internacionais estavam ligados
ao fato de que os Estados imperialistas Estado Unidos e Europa, não acei-
tavam diminuir os subsídios agrícolas. Assim, esses setores que nos nais
dos anos 1980 e início dos anos 1990 defenderam a implantação do neoli-
beralismo no Brasil (com exceção de algumas resistências seletivas), pas-
saram a reivindicar do Estado brasileiro uma postura de maior enfrenta-
mento face às propostas dos Estados imperialistas, contrária à abertura
comercial unilateral que vinha sendo adotada (BERRINGER, 2015).
O fortalecimento da grande burguesia interna durante os gover-
nos Lula (2003-2010) esteve ligado à plataforma política neodesenvolvi-
mentista, que se resume ao papel do Estado na promoção do crescimen-
to econômico tendo em vista o fortalecimento do mercado interno e,
o apoio as exportações e à internacionalização das empresas brasileiras
(esses dois últimos elementos e a presença de outros setores que não só
a indústria de transformação, indicam, de maneira breve, a escolha do
prexo “neo”) (BOITO, 2012). A política externa “sul-sul” foi, portanto,
um instrumento fundamental para garantir maior margem de manobra
7. Acordo proposto pelos Estados
Unidos em 1994 na Cúpula de Miami
que previa a criação de uma área de
livre-comércio entre os 34 países de
continente.
Berringer, Taana; Kowalczyk, Anna As burguesias brasileira e chilena e a integração regional
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em relação ao imperialismo. Destacou-se, em especial, o foco conferido
à integração regional: o fortalecimento do Mercosul e a criação da Una-
sul (BERRINGER, 2015).
Até 2005 a política de integração regional cumpriu o importante
papel de unicar a posição de parte dos Estados sul-americanos contrária
à criação da ALCA . O conjunto de eleições de governos com discursos e
práticas políticas contrárias ao neoliberalismo ortodoxo na região contri-
buiu para o arquivamento da proposta dos EUA em Mar del Plata. O Es-
tado brasileiro, enquanto maior economia da região logrou beneciar-se
desse quadro, garantindo uma posição de coordenação política e apoio ao
ciclo de governos progressistas na América do Sul.
Honório (2012) defende que em contraposição ao projeto de re-
gionalismo aberto dos anos 1990, o Mercosul e a Unasul passaram a con-
formar o “novo regionalismo” nos anos 2000, dada a incorporação das
pautas ligadas ao desenvolvimento, políticas de combate à fome e à po-
breza, projetos políticos e obras de infraestrutura. Cabe lembrar que
a criação do Conselho de Defesa Sul-Americano no âmbito da Unasul
foi um marco histórico na busca por maior distanciamento regional da
dominação dos Estados Unidos. Além disso, a posição contrária à insta-
lação das bases militares na Colômbia e outras iniciativas coordenadas
pelo Estado brasileiro demonstraram a existência de conitos pontuais
entre os dois Estados, apesar de não ter havido rompimento das rela-
ções bilaterais, até mesmo após o escândalo da espionagem da Agência
de Segurança Nacional dos Estados Unidos à Petrobras e ao Ministério
da Casa Civil, revelados em 2013.
Paralelamente a isso, os Estados Unidos rmaram acordos de
livre-comércio com os governos aliados a ele na região, em especial,
com o Chile, Peru e Colômbia. Assim, coube ao Estado brasileiro bus-
car formas de aproximar esses Estados e fortalecer as suas iniciativas
regionais. Na verdade, desde 1994, já havia lançado a ideia de criação de
uma Área de Livre-Comércio Sul-americana – ALCSA –, que não obte-
ve muita adesão dada à adoção de neoliberalismo e à aproximação com
os Estados Unidos na maioria dos países da América do Sul. A estratégia
do Estado brasileiro depois do arquivamento da ALCA foi de se apro-
ximar dos Estados com maior proximidade política-ideológica entre os
governos que estavam na presidência, e criar mecanismo institucionais
que ampliassem os compromissos dos Estados com a integração. Nesse
sentido, criou-se o Parlamento do Mercosul e o Fundo de Convergência
Estrutural – FOCEM –, e aprovou-se a entrada do Estado venezuelano
em 2006, fato que só ocorreu em 2012 quando da suspensão do Esta-
do paraguaio após o golpe de Estado que depôs o Presidente Fernando
Lugo. Neste mesmo ano foi aprovada a entrada do Estado boliviano
como Estado-membro do bloco, decisão que ainda aguarda a aprovação
dos Congressos Nacionais dos Estados-membros. Além disso, o Estado
brasileiro também buscou avançar sobre o projeto de aproximação en-
tre Mercosul e a Comunidade Andina das Nações (CAN): o Equador, e a
Colômbia se tornaram membros associados ao bloco, e foram rmados
acordos de complementação econômica (ACE) com o Peru (2005), Equa-
dor, Colômbia, Venezuela (2004) e Cuba (2006).
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A burguesia interna brasileira beneciou-se amplamente do con-
junto da política de integração regional liderada pelo Estado brasileiro
durante os governos PT. As exportações saltaram de 11 bilhões de dólares
em 2000 para 45 bilhões em 2011, sofrendo quedas em 2012, 2013 e 2014.
Em 2015, as exportações foram na ordem de 31 bilhões de dólares, sendo
que o fator agregado das exportações brasileiras para a América do Sul foi
prioritariamente de produtos industrializados: 38 bilhões, em 2011, 84%
do volume exportado foi de produtos manufaturados e semimanufatura-
dos, e em 2015 a proporção foi de 80% dos total das exportações. Outro
elemento importante foi o aumento do investimento externo direto bra-
sileiro na América do Sul, através da instalação de plantas e aquisição de
empresas. Como se pode ver na tabela abaixo, o Chile e a Argentina estão
entre os principais destinos dos investimentos brasileiros direto.
Diante desses dados, entre 2003 e 2012, houve um forte apoio dessa
fração as ações do Estado no plano regional. Nos documentos de posicio-
namento eleitoral da CNI em 2006 e 2010 há um forte apoio a política de
integração regional, respaldada não só pelo comércio, mas também pelos
interesses no investimento em infraestrutura – transporte e logística (CNI,
2007). Nesse sentido, passaram a requerer proteção jurídica aos investimen-
tos externos diretos do Brasil e aumento do nanciamento à internaciona-
lização das empresas brasileiras (CNI, 2010), o que indica que havia uma
convergência clara entre esses interesses e a atuação do Estado brasileiro.
O ponto de desacordo entre a burguesia interna e o Estado brasi-
leiro na política regional foi o ingresso do Estado venezuelano. Os docu-
mentos da Fiesp diziam que as relações comerciais bilaterais já eram boas
e que a entrada do Estado venezuelano no Mercosul poderia contaminar
a agenda externa do bloco, ou seja, não concordavam com o discurso anti-
-imperialista dos governos Chavez e Maduro. Isso demonstra a fragilida-
de política e ideológica dessa fração burguesa, que apesar de necessitar
da proteção do Estado e do mercado regional sul-americano, não deseja
sustentar políticas de enfrentamento real com o imperialismo (BERRIN-
GER, 2015).
Essa posição passou a se fortalecer em 2012, após o Golpe de Estado
no Paraguai que depôs o Presidente Fernando Lugo, quando o Mercosul
decidiu então suspender o Estado paraguaio do bloco, acusando-o de des-
Tabela 01: Investimentos diretos brasileiros por país de destino (US$ milhões)
Ano 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014
Total 24216 12135 18028 8462 30228 23475 13718 18208 24126
Chile 41 699 547 55 898 88 1066 84 264
Argentina 1312 528 620 191 530 1159 618 446 162
Colômbia - - 173 18 39 213 323 55 42
Uruguai 233 229 483 77 184 228 250 215 150
Bolívia 3 4 3 12 21 6 15 2 1
Venezuela -73 183 1153 10 11 14 0
Equador 4 1 - - 12 2 3 1 2
Fonte: Banco Central do Brasil (2015). Elaboração própria.
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respeitar a cláusula democrática rmada através dos Tratados de Ushuaia
em 1998 e 2012. Em seguida, o Mercosul aprovou a entrada do Estado
venezuelano como Estado-membro, dado que esse aguardava apenas a
decisão do Congresso paraguaio para o seu ingresso no bloco. Esses acon-
tecimentos acenderam os receios da burguesia interna sobre os contornos
políticos que a integração regional mercosulina poderia assumir, em es-
pecial, na relação com os Estados Unidos e União Europeia: o medo de
que posição política do Estado venezuelano pudesse contaminar a agenda
externa do Mercosul.
Somou-se a isso mais seis elementos: 1) a assinatura da Aliança
para o Pacíco (acordo de livre-comércio, bens, investimentos e prote-
ção à propriedade intelectual que visa aproximar as economias da Amé-
rica Latina – Chile, Peru, Colômbia e México – cujo comércio é mais
ligado à região da Asia-Pacíco); 2) o acirramento da crise nanceira
internacional e a diminuição e a diminuição do crescimento econômico
brasileiro; 3) a ofensiva imperialista sobre os governos progressistas na
América do Sul; 4) o processo de reorganização da economia mundial
tendo em vista o crescimento da economia chinesa que levou a acela-
ração das negociações dos mega-acordos de investimento e comércio
como o Acordo de Parceria Transpacíca (TPP), Acordo de Comércio
e Investimentos (TISA) e o Acordo Transatlântico; 5) a expansão das
exportações chinesas de manufaturas para a região, que produziu que-
da nas vendas de produtos manufaturados nos mercados internos; 6) a
Argentina – principal sócio do Estado brasileiro no Mercosul – também
entrou em uma grave crise econômica a aprtir de 2011, aumentando a
proteção à indústria local, trazendo com isso reexos imediatos para
as exportações brasileiras. Esse conjunto de elementos foi interpretado
pela burguesia brasileira como um processo de isolamento da economia
nacional, que seria fruto das “amarras” do Mercosul, da União Adua-
neira, e da política externa “ideológica”. Ou seja, o Mercosul passou a
sofrer o impacto da disputa entre os Estados imperialistas na busca pela
recuperação das suas economias, diante à crise nanceira internacional
e da ascenção chinesa. Assim, a União Europeia, desde 2010 partiu para
a reabertura da mesa de negociações do Acordo com o Mercosul e os Es-
tados Unidos trataram de avançar as negociações do TPP como forma
de pressão para o retorno de políticas neoliberais e de uma integração
pauta pelo regionalismo aberto.
Ademais, foi nesse mesmo ano que a economia brasileira passou a
registrar um declínio do crescimento econômico, fruto dos reexos da
crise nanceira internacional e do início da crise política nacional que
levou ao impeachment da Presidenta Dilma.
Como o Estado brasileiro tentou reagir a essa pressão externa e
interna? Buscando expandir os acordos de complementação econômica
com os Estados sul-americanos que assinaram a Aliança para o Pacíco
(Peru, Chile e México), propondo a antecipação da implementação da ta-
rifa zero de comércio para a região. Além disso, aprofundou os laços que
mantinham o agrupamento BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África
do Sul –, que veio a resultar na criação do Banco de Desenvolvimento, e
no Arranjo de Contingente de Reservas.
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Diante desse cenário, a grande burguesia interna teve uma mudan-
ça de postura em relação à integração regional? Ela teria se aliado aos
interesses dos setores agroexportadores que visam aumentar o acesso aos
mercados da Europa e dos Estados Unidos? Houve o fortalecimento dos
setores ligados ao capital nanceiro e de exportações de commodities no
interior do bloco no poder e ela passou uma posição secundária? O ar-
gumento que aparece na imprensa e é bastante explorado pela oposição
político-partidária – PSDB – é que a economia brasileira estaria isolada
e a política externa dos governos PT teria sido “ideológica”. Defendem
que as economias dos Estados que integram a Aliança do Pacíco e que
assinaram o TPP mantiveram o crescimento econômico e que o Brasil
estaria estagnado8 Como avaliar crítica à suposta ideologização da polí-
tica externa brasileira ela interesse primeiramente ao capital nanceiro
e ao imperialismo ou à grande burguesia interna? Essa fração tem sido
a porta-voz dos interesses de outras frações ou a grande interessada no
abandono da União Aduaneira do Mercosul?
Diante do quadro político nacional e internacional, as posturas crí-
ticas da burguesia interna em relação às imperfeições da zona de livre-co-
mércio e aos contornos políticos do bloco ganharam força.Uma leitura dos
documentos da Fiesp nos mostra que a entidade transitou de reticente à
demandante do acordo Mercosul-União Europeia exatamente no momen-
to em que a crise política se acentura no Brasil (depois de junho de 2013).
No relatório de pesquisa da Fiesp e do ICONE em 2012, que pre-
via as expectativas de ganhos e perdas econômicas e o posicionamento
político das principais associações setoriais face às negociações econô-
micas em curso na época, destacou-se que os acordos com a Améri-
ca do Sul eram os que mais favoreceriam as indústrias brasileiras, ao
passo que acordos como o Mercosul-União Europeia poderiam trazer
maior ganhos aos agronegócio (FIESP & ICONE, 2012). E no documen-
to produzido pela Fiesp em 2014, ano eleitoral, defende-se que o Estado
brasileiro deveria buscar aprofundar a integração regional, fazendo va-
ler tanto o compromisso de livre-comércio intra-zona como buscando
aperfeiçoar o compromisso da União Aduaneira, e a integração da re-
gião nas cadeias produtivas globais de valor, sendo uma das medidas
para isso a conclusão do acordo entre o Mercosul e a União Europeia
(UE) (FIESP, 2014). Acreditamos que um elemento que contribuiu para
a alteração na posição da entidade em relação ao acordo com a UE teria
sido a exclusão do Brasil, Argentina e Uruguai do Sistema Geral de Pre-
ferências (SGP) Europeu.
Ademais, é preciso considerar que o projeto do “novo regionalis-
mo” estava intimanente conectado ao programa neodesenvolvimentista
dos governos PT. Por isso, a crise política e o impeachment da presidenta
Dilma tem fortes alterações sobre como as classes e frações de classe se
comportam diante do governo e, mais especicamente, diante dos pro-
jetos de integração regional. Nesse sentido, o contexto internacional e a
crise política nacional produziram efeitos diretos no Mercosul sobre a
base de sustentação do governo, em especial, a grande burguesia inter-
na, que no momento de crise política e econômica, preferiu se aliar com
a burguesia compradora e o imperialismo a m de colocar um freio às
8. Sobre essas posições ver: Barbosa
(2014) e Lima e Abreu (2015).
Berringer, Taana; Kowalczyk, Anna As burguesias brasileira e chilena e a integração regional
55
políticas distributivas e ao aumento da margem de manobra do Estado
brasileiro no cenário internacional.
Para seguirmos essa reexão, passemos a ver um pouco mais de
perto, a conguração do bloco no poder no Chile e a sua política externa.
Chile: bloco no poder e a política externa
A política externa do Chile centra-se fundamentalmente no fomen-
to ao livre-comércio e liberalização das nanças. O Estado chileno se con-
verteu em um dos países com mais acordos comerciais na esfera mundial:
atualmente o Chile participa de 24 acordos com 64 países. Qualquer ini-
ciativa global ou regional que possa impedir o livre-comércio, como o
Mercosul, em função da União Aduaneira, tem pouca probabilidade de
conseguir apoio do Estado chileno. Por isso, o forte interesse do Estado
chileno nos acordos de “regionalismo aberto” na América Latina como a
Aliança do Pacíco, que permite expandir suas atividades com os países
da região sem ao mesmo tempo prejudicar os acordos comerciais já rma-
dos com os Estados Unidos, Europa e Ásia. Apesar disso, o Estado chileno
tem interesse em manter boas relações com o Mercosul porque os setores
importantes da economia chilena dependem deste mercado. O segundo
governo de Michelle Bachelet, reeleita em 2013, colocou como objetivo
aproximar a Aliança do Pacíco do Mercosul. Com a vitória eleitoral de
Mauricio Macri, na Argentina, e processo de impeachment da presidenta
Dilma, esta aproximação tem caminhado no sentido da abertura crescen-
te do Mercosul, isto pode ser um retorno ao regionalismo aberto.
A dedicação do Chile ao regionalismo aberto, em grande medi-
da, pode ser explicada pelas características do bloco no poder chileno: a
burguesia compradora ocupa a posição hegemônica e deste modo dirige
o bloco no poder. Ainda que existam certas contradições no interior do
bloco, a burguesia dependente do mercado interno é muito pequena e
pouco expressiva politicamente, a maioria das empresas chilenas geram
50% ou mais dos seus lucros no exterior (FAZIO, 2011, p. 155). A burgue-
sia chilena é fortemente marcada pela dependência em relação ao capital
nanceiro e pela extração de recursos naturais, que em sua maioria são
destinados aos mercados asiáticos. Por isso, entender o bloco no poder
chileno é crucial para analisar a sua política externa.
Para entender a posição hegemônica da fração nanceira do bloco
no poder no Chile é necessário retroceder ao aumento da liquidez inter-
nacional de meados dos anos 1970 que puseram a posição vantajosa para
liderar o bloco no poder.
O surgimento da liquidez internacional e dos empréstimos para a
América Latina nos anos 1970 converteu a atividade nanceira em curto
prazo em alta rentabilidade. Três fatores importantes contribuíram para
o aumento da disponibilidade dos empréstimos. Primeiro, a emergência
do mercado de eurodólares que signicou que havia maiores reservas dis-
poníveis para empréstimos, junto com a maior autonomia dos mercados
nanceiros e dos sistemas bancários nacionais (STALLINGS, 1987, p. 148-
150). Segundo, aumentou o acesso às nanças na América Latina devido
à expansão das liais bancárias na região, já que os bancos seguiram os
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v.5 n.1, p. 47 -61
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seus clientes (as empresas multinacionais) para não serem substituídas
por fontes locais de créditos (STALLINGS, 1987, p. 84-94). Finalmente, o
aumento do preço do petróleo nos anos 1973-1974 contribuiu para a reces-
são nos países centrais e a consequente queda da demanda dos emprésti-
mos. Consequentemente, os bancos começaram a oferecer empréstimos
para os Estados periféricos competindo entre si, o que gerou o aumento
da quantidade de empréstimos e, ao mesmo tempo, a redução dos custos
dos mesmos (STALLINGS, 1987, p. 94-102,161-165). O aumento da liqui-
dez internacional contribuiu para a prosperidade do capital nanceiro em
toda a América Latina: o papel do sistema bancário como intermediário
entre os credores estrangeiros e os receptores domésticos era muito lu-
crativo. Como consequência, em quase todos os países que emprestavam
os setores nanceiros comerciais cresceram rapidamente e a especulação
nanceira desviou recursos dos projetos industriais a longo prazo e con-
tribuiu para a concentração econômica (MAXFIELD, 1989).
No Chile, os mesmos processos que conduziram ao fortalecimento
da fração nanceira contribuíram para a aguda deterioração da indús-
tria voltada para o mercado interno. Durante os anos 1973-1974 o preço
do petróleo no Chile, país que dependia de 50% das importações dessa
energia fóssil, aumentou quatro vezes. Isso levou ao enfraquecimento
dos produtores voltados ao mercado interno, uma vez que perderam a
competitividade vis-a-vis às importações (SILVA, 1996, p. 102-103). Em ou-
tras palavras, a situação internacional conduziu a alteração dos lucros dos
setores industriais para os setores nanceiros. Essa situação, combinada
com a política do regime militar, levou a reestruturação do bloco no po-
der. Durante a década de 1970 a ditadura facilitou o desenvolvimento do
setor nanceiro.9 A mudança de atitude do regime em relação à integra-
ção regional estava vinculada com essa transformação. Em 1976 o Chile
abandou a Comunidade Andina das Nações (CAN), que anteriormente
ocupou um papel importante na relação de fortalecimento da indústria
chilena (CASTELLS, 1974, p. 62-70).
Sem entrar nos detalhes da conformação do bloco no poder nos
anos 1980 até o presente momento, se pode dizer que a fração hegemô-
nica do bloco no poder chileno é a nanceira. Os grandes grupos econô-
micos, que concentram atividades em poucas empresas interconectadas
no Chile, estão fortemente vinculados às atividades nanceiras (FAZIO,
2010, p. 285-288). Desde os anos 1990, a expansão do sistema nanceiro
no Chile, o converteu no maior sistema nanceiro doméstico da América
Latina (STALLINGS, 2006, p. 45-183). O setor nanceiro é tão importante
que muitas das medidas anti-inacionárias do Banco Central que o favo-
rece, funcionam contra outros setores da burguesia compradora, como
as exportações minerais (exceto o cobre), agrícolas e industriais. A apre-
ciação da moeda que acompanha o crescimento do valor das exportações
da cobre afeta os exportadores de manufaturas e o setor agrícola. Isso
foi evidente durante a crise dos anos 2009-2010 quando Chile foi um dos
países latino-americanos que não interveio na taxa de câmbio para conter
a apreciação da sua moeda (FAZIO, 2011, p. 125-133).
Os tratados de livre-comércio e integração regional também tem
sido a causa de conitos no interior do bloco no poder: as negociações
9. Antes da crise financeira de 1982-
1983 liberalizou-se a conta de capitais
e criaram-se os fundos privados de
pensiones. A crise, a maior do Chile
desde a grande depressão de 1929, teve
como o consequência a implementação
das algumas regulações do mercado
financeiro e importância maior de outra
fração da burguesia compradora –
exportação das matérias primas.
Berringer, Taana; Kowalczyk, Anna As burguesias brasileira e chilena e a integração regional
57
com o Mercosul nos anos 1990 opuseram os agricultores cuja produção
é voltada ao mercado interno (produtores de frango, porco, leite, entre
outros) que temiam a concorrência com o bloco regional. Os mesmos
setores se opunham à ALCA (BULL, 2008). Os agricultores mostravam
interesse no aumento do poder aquisitivo da população chilena, o que
não foi acolhido pelas frações hegemônicas (FAZIO, 2011, p. 150-153).
A maioria das exportações chilenas se concentram em recursos
naturais, especialmente o cobre e os produtos da mineração: em 2010 os
recursos naturais representavam 90% das exportações totais do Chile
(em comparação com aproximadamente 80% das exportações do Brasil)
(FOXLEY, 2014, p. 15). O destino principal das exportações chilenas é
a China, seu mais importante sócio comercial, e esta é uma das razões
para as quais a integração Ásia-Pacíco é tão forte para o Estado chile-
no. E o principal destino das exportações chilenas fora o cobre são para
os Estados Unidos, por isso, o Estado chileno também tem interesse
boas relações.
Em 2015, o Chile se converteu no primeiro país não-asiático a assi-
nar um tratado de livre-comércio com a China. A grande debilidade da
posição da indústria chilena no bloco no poder fez com que o tratado pu-
desse ser rmado sem maior resistência, já que são poucos os setores que
vêm sendo afetados pelo aumento do volume das importações chinesas.
A China exporta para o Chile principalmente produtos têxteis, vestuá-
rios, lingerie, produtos mecânicos, elétricos e eletrodomésticos e importa
cobre, salitre, papel, celulose, farinha de peixe, madeira, etc. (ECHEBAR-
A; ESTEVADEORDAL, 2014)
Em função da força do sistema nanceiro chileno descrita anterior-
mente, o Chile não sem razão, se converteu em uma plataforma da inter-
nacionalização do yuan na América Latina. Durante a última visita (maio
de 2015), o primeiro ministro chinês, Li Kegiang, acordou a criação de
um banco de compensação em renminbi no Chile, o Banco de Construção
Chinesa, que permitirá efetuar os pagamentos nesta moeda no seu país e
no resto da América Latina. Desta forma, o Chile se tornará a capital re-
gional do renminbi e será a plataforma de internacionalização da moeda
chinesa da América Latina.
A Aliança do Pacíco se tornou a principal iniciativa de integração
regional liderada pelo Chile, que reúne Estados que mantiveram o neo-
liberalismo ortodoxo como plataforma política e econômica dos seus go-
vernos. Não por acaso, esses Estados mantêm alianças e tratados com os
Estados Unidos, ainda que o acordo entre eles tenha como foco a Ásia. O
bloco é conhecido, sobretudo, pela abertura comercial e pela visão de re-
gionalismo aberto, já que aponta para uma ambiciosa agenda de acordos
desse tipo (vários desses Estados também rmaram acordos comerciais
com a União Europeia).
A iniciativa da Aliança para o Pacíco é frequentemente vista como
um projeto oposto à concepção de integração defendida pelo Estado bra-
sileiro na América do Sul (GOULART MENEZES, 2014). Mas, a depen-
dência das empresas chilenas do mercado brasileiro e as suas diculda-
des de competir com as empresas imperialistas fazem com que o Estado
chileno não possa abandonar as relações com os Estados do Mercosul.
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O principal destino das empresas chilenas é o Brasil (seguido dos países
da Aliança do Pacíco, Peru e Colômbia): destacam-se a fusão das aeroli-
neas Lan com a Tam e a aquisição da cadeia de supermercado Bretas pela
Cencosud (FAZIO, 2011, p. 59). Dado o pequeno tamanho do mercado
chileno, a indústria vinculada aos transportes e ao varejo, entre outras,
depende do mercado regional. ,
Ainda é importante destacar que diferentemente dos Estados pe-
ruano e colombiano o Estado chileno é bastante favorável à atuação do
Conselho de Defesa Sul-americano da Unasul. Segundo Pierre e Lopes
(2014), o fato de não haver muitos conitos agrários e nem mesmo uma
presença marcante do narcotráco faz com que o Estado chileno seja fa-
vorável a existência do CDS. Isso confronta análises que avaliam a in-
compatibilidade da Aliança do Pacíco e do Mercosul para a construção
da Unasul. Aqui percebe-se maiores ssuras e contradições que não são
necessariamente da ordem da política comercial e dos interesses das bur-
guesias. Outros elementos como a presença ou não de conitos agrários
pode ter efeito sobre a ação política dos Estado sul-americanos na região
(SAINT-PIERRE; LOPES, 2014).
O Chile rmou em 1996, o Acordo de Complementação Econômi-
ca com o Mercosul e participa enquanto membro associado do bloco, as-
sim como Peru e a Colômbia. Não por acaso, em 1999, os investimentos
chilenos na América Latina (especialmente na Argentina) começaram a
diminuir em função da crise econômica mundial e do aumento do custo
de nanciamento externo das empresas dos países em desenvolvimento
(FAZIO, 2000, p. 37-45). Este é um dos fatores que podem explicar porque
o Chile o distanciamento do Chile do Mercosul e a assinatura do trata-
do de livre-comércio com os Estados Unidos, e, recentemente a rma do
Acordo de Parceria Transpacíca (TPP). É importante destacar o tanto o
Tratado de Livre-comércio com os Estados Unidos, como a Aliança para
o Pacíco e o TPP inscrevem-se na agenda OMC-plus que passou a ser
defendida pelos Estados Unidos após o fracasso da Rodada Doha em 2003
e após o arquivamento da Alca em 2005.
Conclusões
A compreensão da estrutura dos blocos no poder é fundamental
para entender as políticas de Estado em relação às iniciativas de integra-
ção regional. Ainda que não seja o único fato que explique essas iniciati-
vas, a inuência dos interesses de classe na formulação das políticas regio-
nais faz com que não se possa ignorar esse fator. Tanto no Chile como no
Brasil as associações empresariais participam fortemente das negociações
econômicas regionais.
O agrupamento de frações burguesas segundo as categorias pro-
postas por Nicos Poulantzas tem a importância de mostrar como a polí-
tica doméstica está umbilicalmente ligada à política internacional. Ainda
que cada fração da burguesia tenha relações internas contraditórias que
podem inuenciar as particularidades de cada política, a direção da polí-
tica externa dos Estados está particularmente vinculada à fração hegemô-
nica do bloco no poder na sua totalidade.10
10. É importante destacar que as lutas
populares, que não foram analisados
neste artigo, também influenciam a
direção da política exterior, mas isto
da sua força social e política, e da
composição de aliança e frentes com as
classes e frações de classe dominantes.
A aproximação do governo do Estado
chileno com o Mercosul é parcialmen-
te uma resposta às lutas populares
que constituem a base social do seu
governo. Por isso, ela é em grande parte
simbólica e midiática, e buscan na
verdade, a conversão do Mercosul em
regionalismo aberto.
Berringer, Taana; Kowalczyk, Anna As burguesias brasileira e chilena e a integração regional
59
Os casos estudados demonstram como a hegemonia da burguesia
compradora no Chile inuencia na relação deste Estado com o imperia-
lismo (tratado de livre-comércio com os Estados Unidos, por exemplo) e
com o contorno da política regional que ocupa centralidade na estratégia
da política externa, nesse caso, a Aliança do Pacíco, e a estratégia do
regionalismo aberto. Isto é: uma regionalização pautada na liberalização
comercial, na harmonização das política macroeconômicas, na adoção de
regras e leis que atendam aos das grandes corporações nanceiras inter-
nacionais e das empresas transnacionais. O resultado é o aumento da su-
bordinação dos Estados dependentes ao imperialismo e a hegemonía do
capital nanceiro e das burguesias compradoras no bloco no poder.
O caso do Brasil aponta a existência de uma relação conituosa na
qual houve uma revisão do projeto inicial do Mercosul pautado pelo re-
gionalismo aberto para a tentativa de construção de uma integração multi-
dimensional que pudesse caminhar para uma integração produtiva como
previa Prebisch em 1959. Tratar-se-ia de um processo ao mesmo tempo
completar e necessário para a industrialização da região (MEDEIROS,
2008). O chamado “novo regionalismo”, pautado em aspectos políticos,
sociais visa uma integração profunda que inclua os aspectos económi-
cos, políticos e sociais, que podem de gerar maior autonomia de ação dos
Estados e da região face ao imperialismo (RUIZ, 2013). Atualmente, esse
proceso está ameaçado um elemento importante levantado por Medeiros
(2008) é a ausência de uma “locomotiva” da integração. Isto é: uma econo-
mia/Estado capaz de liderar o processo de integração como fez a Alema-
nha na União Europeia após a reunicação nos anos 1990. Ademais, faz-se
necessário um processo de mudança estrutural nas sociedades envolvidas
e de um arcabouço nanceiro para as indústrias e para a infra-estrutura.
Nesse caso, os aportes do Fundo para Convergência Estrutural do Mer-
cosul são insucientes, os acordos produtivos e os projetos de infra-estru-
tura são setorializados. O que impediu parte do avanço desse processo.
Defendemos que o caráter da grande burguesia interna brasileira
impôs limites aos compromissos do Estado e, sobretudo ao distanciamen-
to e nível de conitividade o que este pode assumir com o imperialismo.
A contradição presente nesse caso é que essa fração, cuja produção é, prio-
ritariamente voltada ao mercado interno e regional, e, ao mesmo tempo,
é dependente tecnológica e nanceiramente do capital externo. Isso a co-
loca numa posição dúbia, de defesa da integração regional de novo tipo,
pautada na busca por interação digirida e profunda entre os países, que
busque avançar na construção de infra-estrutura, de acordos produtivos,
na diminuição das vulnerabilidades externa, de fortalecimento das indus-
trias e dos mercados internos, mas, ela não admite que isso não resulte
em uma posição anti-imperialista. Isso está ligado tanto ao aspecto estru-
tural da dependência desta fração em relação ao capital externo, como da
sua fragilidade político-ideológica. Essa questão também levou que ela es-
teja transitando de posição, defendendo atualmente o abandono da união
aduaneira e a aprovação do Acordo Mercosul-União Europeia.
Em suma, o tipo de integração está ligado à fração hegemônica no
interior do bloco no poder de cada Estado. A diferença entre o projeto
mercosulino e a iniciativa da Aliança para o Pacíco dizem respeito aos
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v.5 n.1, p. 47 -61
60
graus de desenvolvimento do capitalismo e a existência ou não de bur-
guesias internas com maior força dentro das formações sociais sul-ame-
ricanas. Isso aparentemente impunha um limite à construção da Unasul,
que não poderia se tornar uma União Aduaneira, dado que a tarifa exter-
na comum acordada entre os Estados-membros do Mercosul conita com
os tratados de libre-comércio adotados pelos Estados que fazem parte da
Aliança para o Pacíco. Por isso, interessava uma organização com baixo
perl institucional e com poucos compromissos políticos entre os Esta-
dos-membros. Assim mesmo, para avançar no projeto de integração polí-
tica e social na região, a Unasul dependerá de uma política de cooperação
nanceira e integração produtiva. Nesse sentido, o Banco do Sul que ain-
da é muito mais um esboço do que um projeto poderá vir a cumprir esse
papel. Ou, pode-se buscar parte desse recurso no Banco do BRICS. Mas,
para isso se efetivar não poderia estar em curso uma mudança no interior
do bloco no poder no Brasil e na Argentina, levando ao retorno da adoção
de políticas neoliberais e de subordinação ao imperialismo, que indica
muito mais o retorno da estratégia de regionalismo aberto no Mercosul
do que a construção de um projeto profundo e de mudanças estruturais
na região.
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Abstract This article aims to present the Marxist theoretical framework based on Nicos Poulantzas’s thought to analyse regionalism in Latin America. We propose that regionalism is determined by the interests of the bourgeois hegemonic fraction in the power bloc. The originality of the theoretical proposal presented lies in the thesis that regionalisms are the fruit of relations between power blocs of the member states. The article illustrates the recent processes of regionalism in Latin America that, from this theoretical proposal’s point of view, can vary among the following models: open regionalism (related to the interests of comprador bourgeoisie); multidimensional regionalism (linked to internal bourgeoisie interests); and anti-imperialism (related to a national bourgeoisie project). We conclude that the dependency of these social formations, the presence of foreign capital, and the role of US imperialism should be considered in the analysis of regionalism in Latin America.
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O presente artigo tem como objetivo apresentar a Teoria Marxista do Estado de Nicos Poulantzas e realizar um debate com as principais visões sobre o regionalismo latino-americano. Como metodologia é realizada a discussão bibliográfica entre as obras utilizadas para a análise dos regionalismos latino-americanos. Por fim, é apresentado o marxismo e seus instrumentos, como a dinâmica das classes sociais, para compreender a dinâmica da integração em formações sociais capitalistas dependentes.
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Ejes y modelos en la etapa actual de la integración económica regional en América Latina Axes and models in the current scenario of regional economic integration in Latin America José Briceño Ruiz * Resumen Este trabajo se propone revisar el escenario actual de la integración re-gional en América Latina. En este sentido, se argumenta que en la región existe actualmente una fragmentación de la integración económica en tres ejes: un eje de integración abierta, un eje revisionista y un eje anti-sistémico. En cada uno de estos ejes se han adoptado distintos modelos económicos de integración. Acudiendo a Max Weber proponemos la existencia de tres tipos ideales de modelos de integración económica: el regionalismo estratégico, el regionalismo productivo y el regionalismo social. En el trabajo se analizan las interacciones existentes entre los ejes y los modelos de integración existentes en la región latinoamericana. Abstract This paper analyses the current scenario of regional economic integra-tion in Latin America. Thus, we argue that a fragmentation of regional
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Within Latin America, Chile is distinguished by its stable trade policies and rapid negotiation of trade agreements with countries and regions all over the world. Explanations for these phenomena often point to the stable pro-free trade coalition established in the aftermath of the shock-therapy pursued in the 1970s, and Chile's professional government bureaucracy. Although both of these elements are important, this article shows how the rapid integration of Chile into the world economy has also depended on the existence of business associations with expertise on trade issues. Through the process of integration, a close policy network has evolved between key public officials and business representatives. This is premised on the mutual recognition of expertise in the public and private sectors, and is held together by close personal networks of loyalty and trust across the public-private divide. However, while the development of such a policy network has been highly favourable to the process of negotiating trade agreements, it has also contributed to the de-facto exclusion of societal actors that have less to contribute to trade negotiations than business sectors.
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O texto analisa os vínculos existentes entre a concepção militar e diplomática na formulação e conduta da política externa brasileira, nos inícios dos anos 1980.
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