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Antropologia Médica Vitalista: uma ampliação ao entendimento do processo de adoecimento humano [Vitalist Medical Anthropology: a broadening to the understanding of the human illness process] - Revista de Medicina (São Paulo)

Authors:
  • School of Medicine University of Sao Paulo

Abstract

Antropologia é a ciência que tem como objetivo estudar o homem em sua pluralidade de modos de vida e de pensamento, incorporando os diversos aspectos da individualidade às suas modalidades de estudo (biológica, social, cultural e filosófica). Por sua vez, a Antropologia Médica estuda os fatores que influenciam o processo saúde-doença, incluindo os aspectos biossocioculturais e os variados sistemas de saúde. Seguindo o objetivo intrínseco de estudar o homem em sua pluralidade, a Antropologia Médica Vitalista fornece subsídios filosóficos para uma ampliação do entendimento do processo de adoecimento, analisando o mecanismo saúde-doença em conformidade com a estrutura ontológica humana. Fundamentando o diagnóstico e o tratamento das doenças em diversas racionalidades médicas não convencionais (Medicina Tradicional Chinesa, Medicina Tradicional Indiana, Medicina Homeopática e Medicina Antroposófica), a concepção vitalista é uma doutrina filosófica que considera a existência de uma força (princípio) vital responsável pela manutenção da saúde e da vida, unida substancialmente ao corpo físico. Além disso, valorizando a interação de outras instâncias superiores da individualidade humana (mente, alma e espírito) no equilíbrio fisiológico-vital, a concepção vitalista inclui a influência dos pensamentos, sentimentos e emoções na etiopatogenia e na evolução das doenças, aspectos difundidos pela dinâmica psicossomática moderna e pelo recente campo de pesquisas que relaciona a saúde à espiritualidade.
Rev Med (São Paulo). 2017 jul.-set.;96(3):145-58.
145
doi: http://dx.doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v96i3p145-158
Antropologia Médica Vitalista: uma ampliação ao entendimento
do processo de adoecimento humano
Vitalist Medical Anthropology: a broadening to the understanding
of the human illness process
Marcus Zulian Teixeira
Teixeira MZ. Antropologia Médica Vitalista: uma ampliação ao entendimento do processo de adoecimento humano / Vitalist Medical
Anthropology: a broadening to the understanding of the human illness process. Rev Med (São Paulo). 2017 jul.-set.;96(3):145-58.
MD, PhD. Médico homeopata. Professor e coordenador da disciplina optativa Fundamentos da Homeopatia (MCM0773), Faculdade
de Medicina FMUSP, Universidade de Sao Paulo, Sao Paulo, SP, BR.
Endereço para correspondência: Marcus Zulian Teixeira. Hospital das Clínicas da FMUSP. Serviço de Clínica Médica
Geral. Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 155, 4º andar - bloco 6. CEP: 05403-900. São Paulo, SP. E-mail: mzulian@usp.br
RESUMO: Antropologia é a ciência que tem como objetivo
estudar o homem em sua pluralidade de modos de vida e de
pensamento, incorporando os diversos aspectos da individualidade
às suas modalidades de estudo (biológica, social, cultural e
losóca). Por sua vez, a Antropologia Médica estuda os fatores
que inuenciam o processo saúde-doença, incluindo os aspectos
biossocioculturais e os variados sistemas de saúde. Seguindo o
objetivo intrínseco de estudar o homem em sua pluralidade, a
Antropologia Médica Vitalista fornece subsídios losócos para
uma ampliação do entendimento do processo de adoecimento,
analisando o mecanismo saúde-doença em conformidade com
a estrutura ontológica humana. Fundamentando o diagnóstico
e o tratamento das doenças em diversas racionalidades médicas
não convencionais (Medicina Tradicional Chinesa, Medicina
Tradicional Indiana, Medicina Homeopática e Medicina
Antroposóca), a concepção vitalista é uma doutrina losóca que
considera a existência de uma força (princípio) vital responsável
pela manutenção da saúde e da vida, unida substancialmente
ao corpo físico. Além disso, valorizando a interação de outras
instâncias superiores da individualidade humana (mente, alma
e espírito) no equilíbrio siológico-vital, a concepção vitalista
inclui a inuência dos pensamentos, sentimentos e emoções na
etiopatogenia e na evolução das doenças, aspectos difundidos
pela dinâmica psicossomática moderna e pelo recente campo de
pesquisas que relaciona a saúde à espiritualidade.
Descritores: Antropologia médica; Filosoa médica; Vitalismo;
Homeopatia; Filosofia homeopática; Medicina tradicional
chinesa; Energia vital em homeopatia; Qi; Espiritualidade.
ABSTRACT: Anthropology is the science that aims to study the
man in his plurality of ways of life and thought, incorporating
the various aspects of individuality to their modalities of study
(biological, social, cultural, and philosophical). In turn, the
medical anthropology studies the factors that influence the
health-disease process, including bio-socio-cultural aspects
and different healthcare systems. Following the intrinsic
purpose of studying man in his plurality, the Vitalist Medical
Anthropology provides philosophical subsidies for expanding
the understanding of the disease process, analyzing the health-
disease mechanism in accordance with the human ontological
structure. Basing the diagnosis and treatment of diseases
in various non-conventional medical rationalities (Chinese
Traditional Medicine, Indian Traditional Medicine, Homeopathic
Medicine, and Anthroposophic Medicine), the vitalist conception
is a philosophical doctrine that considers the existence of a vital
force (principle) responsible for maintaining the health and life,
united substantially to the physical body. Furthermore, valuing
the interaction of other higher instances of human individuality
(mind, soul and spirit) in the physiological-life balance, the
vitalist conception includes the inuence of thoughts, feelings and
emotions in pathogenesis and evolution of the diseases, aspects
disseminated by modern psychosomatic dynamic and the recent
eld of research that relates health to spirituality.
Keywords: Anthropology, medical; Philosophy, medical;
Vitalism; Homeopathy; Homeopathic philosophy; Medicine,
chinese traditional; Vital force in homeopathy; Qi; Spirituality.
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Teixeira MZ. Antropologia Médica Vitalista: uma ampliação ao entendimento do processo de adoecimento.
INTRODUÇÃO
Etimologicamente, o termo Antropologia deriva
da junção dos vocábulos gregos anthropos
(homem) e logos (estudo), ou seja, o estudo do homem.
Antropologia é a ciência que tem como objetivo estudar
o homem em sua pluralidade de modos de vida e
de pensamento, englobando os diversos aspectos da
individualidade (biológicos, sociais, culturais e losócos):
“nenhuma parte do homem poderá ser entendida
plenamente e com exatidão se for separada do todo e, por
conseguinte, o todo não pode ser percebido com exatidão
sem o conhecimento profundo e especializado das partes”
(p.4)1.
Segundo as diversas modalidades de estudo
e pesquisa, divide-se em Antropologia Biológica ou
Física (aspectos genéticos e biológicos do homem),
Antropologia Social (comportamento do homem em
sociedade: organizações sociais e políticas, relações e
instituições sociais), Antropologia Cultural (características
das culturas: costumes, mitos, valores, crenças, rituais,
religiões e linguagem) e Antropologia Filosóca (estrutura
essencial ou ontológica do homem), dentre outras, cada qual
abrigando diversas correntes de pensamento.
Por sua vez, a Antropologia da Saúde ou
Antropologia Médica é denida como o estudo dos diversos
aspectos que englobam o processo saúde-doença, incluindo
sua adaptação biossociocultural e os variados sistemas de
saúde. Segundo Helman2, “a antropologia médica estuda
a forma como as pessoas, em diferentes culturas e grupos
sociais, explicam as causas dos problemas de saúde, os tipos
de tratamento nos quais elas acreditam e a quem recorrem
quando adoecem” (p.11). Ressalta ainda o estudo de “como
essas crenças e práticas relacionam-se com as alterações
biológicas, psicológicas e sociais no organismo humano,
tanto na saúde quanto na doença” (p.11).
Dessa forma, a Antropologia Médica irá desenvolver
sua vertente de estudo em conformidade com a concepção
do processo de adoecimento incorporada às distintas
culturas ou grupos sociais, fundamentando nesse conjunto
de crenças, conhecimentos e práticas uma racionalidade
médica especíca, que permitirá o diagnóstico das causas
dos problemas de saúde e indicará o tipo de tratamento
adequado. Assim sendo, a complexidade do estudo do
processo saúde-doença “transparece na multiplicação de
discursos sobre a saúde que coexistem atualmente, cada
um privilegiando diferentes fatores e sugerindo estratégias
de intervenção e de pesquisa também diversas” (p.497)3.
No modelo biomédico vigente, a compreensão do
adoecer humano se reete numa “concepção mecanicista
do corpo e de suas funções, que sustenta uma visão
reducionista dos fenômenos saúde e doença”, sendo
que “a doença é ora vista como um problema físico
ou mental, ora como biológico ou psicossocial, mas
raramente como fenômeno multidimensional”. Assim
sendo, “a fragmentação do objeto gera a fragmentação
das abordagens” e a “descontinuidade entre as diferentes
abordagens retarda a apreensão multidimensional do
objeto” (p.500)3.
Com o intuito de ampliar o entendimento fracionado
da biomedicina moderna, surge na antropologia médica a
corrente interpretativa4, incluindo a Antropologia Cultural
(costumes, mitos, valores, crenças, rituais, religiões e
linguagem) aos estudos dos problemas relacionados à
saúde: a Antropologia Médica Interpretativa “estabelece
ligação entre as formas de pensar e as formas de agir
dos indivíduos de um grupo, ou seja, entre os aspectos
cognitivos e pragmáticos da vida humana, e ressalta a
importância da cultura na construção de todo fenômeno
humano” (p.500)3.
Seguindo o objetivo intrínseco de estudar o
homem em sua pluralidade, faz-se necessário que a
Antropologia acrescente o estudo da estrutura íntima,
essencial ou ontológica da natureza humana aos demais
campos do saber, contribuição trazida por sua vertente
losóca. Segundo um de seus principais expoentes, o
lósofo alemão Max Ferdinand Scheler (1874-1928)5-7, a
Antropologia Filosóca une a metafísica à antropologia
(meta-antropologia ou antropologia espiritual), abordando
as correlações do homem com Deus, da evolução das
espécies com a antropogênese humana, da conduta ética
e moral com a essência espiritual do homem, da evolução
do espírito com os diversos aspectos da experiência de
vida, dentre outras.
Com o intuito de incorporar esses contributos
losócos à Antropologia Médica, o estudo das concepções
filosóficas vitalistas (Antropologia Médica Vitalista)
permitiria ampliar o entendimento da natureza íntima do ser
humano e correlacionar os aspectos metafísicos e espirituais
da individualidade ao processo saúde-doença. Descrito na
antropologia e na medicina de antigas civilizações orientais
(babilônica, egípcia, hindu, caldéia-assírica, chinesa,
grega e hebraica, dentre outras) segundo termos distintos
e signicados semelhantes, o vitalismo foi incorporado
à medicina ocidental européia a partir do século XVIII8,
representando uma doutrina que considera, dentre outros
aspectos, a existência nos seres vivos de uma força ou
princípio vital responsável pela manutenção da saúde e
da vida, unido de forma indissociável ao corpo físico, e
que sofre a inuência das instâncias individuais superiores
(mente, alma ou espírito). Para a concepção vitalista, a
doença ocorre pelo desequilíbrio do princípio vital ou por
lesões físicas na organização das partes do corpo.
Ampliando a compreensão do processo de
adoecimento em diversas racionalidades médicas atuais
(Medicina Homeopática, Medicina Tradicional Chinesa,
Medicina Tradicional Indiana ou Ayurveda e Medicina
Antroposóca, dentre outras), a Antropologia Médica
Vitalista, em sentido amplo, se propõe a estudar a essência
espiritual do homem, correlacionando a evolução do
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Rev Med (São Paulo). 2017 jul.-set.;96(3):145-58.
espírito aos aspectos da experiência humana e descrevendo
a influência de outras manifestações (pensamentos,
sentimentos e emoções) ou entidades (mente, alma ou
espírito) não materiais no corpo físico material, ampliando
o entendimento da etiopatogenia de diversas enfermidades
modernas com causas psicossomáticas ou desconhecidas
(idiopáticas).
Assim como ocorre com a observância dos aspectos
antropológicos socioculturais, desprezados nas abordagens
semiológica, diagnóstica e terapêutica da medicina
biológica, o conhecimento e a valorização dos aspectos
losócos e espirituais (meta-antropologia) pelo médico
forneceria subsídios para entender, observar, diagnosticar
e atuar terapeuticamente em diversas variáveis subjetivas
que interferem no estado de saúde, permitindo uma prática
médica mais globalizante, efetiva e humanizada.
Nessa revisão, serão descritas inicialmente as
analogias existentes entre as concepções vitalistas das
principais racionalidades médicas e doutrinas losócas,
trazendo subsídios para a ampliação do entendimento do
processo de adoecimento humano através da Antropologia
Médica Vitalista. Num segundo momento, buscaremos
atualizar os conceitos e propriedades vitalistas perante
conhecimentos cientícos modernos, citando pesquisas
nos campos da Física, da Cosmologia, da Epigenética e
da interconexão Saúde, Espiritualidade e Religiosidade.
Tema que vimos estudando nas últimas décadas9-13,
a Antropologia Médica Vitalista permite traçar correlações
com outras abordagens antropológicas do processo saúde-
doença publicadas na Revista de Medicina (São Paulo)14-19,
propiciando aos leitores novos conteúdos de reexão para
uma ampliação da arte de curar.
CONCEPÇÃO VITALISTA DA MEDICINA
HOMEOPÁTICA
Fundamentado por Samuel Hahnemann (1755-
1843) no nal do século XVIII, o modelo homeopático
de tratamento das doenças baseia-se em quatro pilares
ou pressupostos fundamentais: princípio de cura
pelos semelhantes, experimentação patogenética dos
medicamentos em indivíduos sadios, uso de medicamentos
dinamizados (ultradiluídos) e prescrição de medicamentos
individualizados. Embora se atribua grande importância
ao medicamento dinamizado (diluições e agitações
seriadas dos medicamentos), incorporado posteriormente
ao modelo homeopático para minimizar as possíveis
agravações sintomáticas advindas da aplicação da
similitude terapêutica, as duas primeiras premissas são a
base da episteme homeopática, restando ao medicamento
individualizado (escolhido segundo a totalidade de sinais
e sintomas característicos) a condição inerente para que a
reação curativa do organismo seja despertada20,21.
O princípio da similitude terapêutica emprega
medicamentos que causam determinados sintomas
em indivíduos sadios (experimentação patogenética
homeopática) para tratar sintomas semelhantes em
indivíduos doentes (similia similibus curentur), com o
intuito de estimular uma reação vital curativa do organismo
contra os seus próprios distúrbios21. Essa reação secundária
(vital ou homeostática) do organismo despertada pelo
tratamento homeopático está fundamentada no estudo do
efeito rebote dos fármacos modernos17,22,23, evento adverso
que pode causar transtornos graves após a descontinuação
de inúmeras classes de medicamentos empregados segundo
o princípio dos contrários (contraria contrariis curentur)
para neutralizar os sintomas das doenças.
Segundo a concepção vitalista de Samuel
Hahnemann9-13, originária do movimento vitalista europeu
dos séculos XVIII-XIX8, a força vital homeopática
assemelha-se à vis medicatrix hipocrática, manifestando-
se de forma automática e sujeitando-se às leis do corpo
físico. Possuindo a propriedade de manter o equilíbrio
orgânico no estado de saúde, a força ou princípio vital
perde essa capacidade com a instalação do processo de
adoecimento. Se a força vital, conservadora da saúde e
da vida, for afastada do corpo físico, este ca entregue
às leis da química e da física, entrando em estado de
decomposição. Comportando-se como outros tipos de
energia ans, Hahnemann compara a natureza da força
vital ao magnetismo, à eletricidade, ao eletromagnetismo
e ao galvanismo, dentre outras.
Pela concepção vitalista homeopática, toda doença
ocorre pelo desequilíbrio da força vital, traduzido ao
médico pelo conjunto de sinais e sintomas manifestos,
através do qual realiza o diagnóstico do distúrbio e a escolha
do medicamento individualizado a ser prescrito. A cura
através dos medicamentos homeopáticos é desencadeada
pela reação do princípio vital contra o desequilíbrio
orgânico semelhante, representado na totalidade de sinais
e sintomas do indivíduo doente.
Segundo Hahnemann9-13, a força vital irracional
difere em natureza e espécie do espírito racional e
inteligente, o qual se utiliza da unidade físico-vital para
cumprir “os altos ns de sua existência”. Esse espírito ou
alma não está ligado substancialmente ao corpo físico nem
à força vital, diferenciando-se destes como uma entidade
separada e autônoma. Relaciona ainda a força vital às bras
nervosas, atribuindo a estas o papel de distribuir a inuência
dinâmica à unidade orgânica, como um substrato material-
energético através do qual a força vital ui e interage com
o organismo físico.
Por outro lado, atribui aos órgãos mentais ou
mente (“sede das atividades psíquicas”) a característica
de “órgãos de mais alta hierarquia, invisivelmente sutis,
quase não materiais”, correlacionando esta unidade mental
à unidade orgânica, apesar de considerá-las como entidades
distintas. Nessa mente teríamos a base da vida psíquica,
possibilitando que o espírito racional interaja com a força
vital e o corpo físico através do psiquismo (pensamentos e
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Teixeira MZ. Antropologia Médica Vitalista: uma ampliação ao entendimento do processo de adoecimento.
sentimentos). Daí a grande relevância dada por Hahnemann
aos aspectos psicoemocionais na gênese do adoecimento
humano e ao caminho da moral como o mais elevado
objeto da vida, pois aproxima o homem ao Criador através
de “sensações que asseguram tua felicidade, de ações que
exaltam tua dignidade e de conhecimentos que abraçam o
universo”9-13.
Em resumo, observamos na concepção antropológica
vitalista homeopática uma hierarquia de inuências mútuas
entre as instâncias não materiais do homem, nas quais o
espírito (alma) manifesta suas potencialidades através dos
pensamentos e sentimentos emanados pela mente, que atua
sobre a força vital inuenciando o corpo físico e o binômio
saúde-doença: espírito ou alma menteforça vital
corpo físico.
Representada em seu modus operandi pelas
respostas de manutenção da homeostase orgânica frente aos
diversos estímulos, a reação vital homeopática é descrita
na resposta integrativa dos sistemas siológicos estudada
pela Fisiologia moderna11.
CONCEPÇÃO VITALISTA DA MEDICINA
TRADICIONAL CHINESA
A Medicina Tradicional Chinesa (MTC), que tem
na acupuntura18,24 sua principal prática terapêutica, possui
como obra de referência o milenar Nei Tsing ou Nei
Ching, O Livro de Acupuntura do Imperador Amarelo25,
no qual a energia vital já era citada como responsável pela
manutenção da saúde e da vida. Essa obra está dividida em
duas partes, So Wen e Ling Shu, contendo as abordagens
losócas e terapêuticas da MTC, respectivamente.
A força vital do modelo homeopático é denida
como tsri, qi ou chi na MTC, sendo composta pelos
princípios polares e complementares denominados Yin
e Yang. Como na concepção homeopática, o tsri (chi)
está intimamente ligado ao corpo físico formando uma
unidade substancial com o mesmo, circulando dentro dos
meridianos ou canais de energia com uma velocidade
própria e sendo passível de ser modulado pelo estímulo das
agulhas em determinados pontos do corpo, dentre outras
intervenções.
Ao tsri, como à força vital homeopática, atribui-se
a função de animar e estruturar o organismo físico. Ao se
debilitar, o organismo perde a resistência e a atividade,
adoecendo. Esgotando-se numa parte do organismo, ocorre
a desagregação celular. Ao abandonar completamente o
corpo físico, ocorre a morte do indivíduo. O tsri ou chi é
produzido pelos rins, compreendendo a força de caráter
ou decisão.
Segundo a MTC18,24,25, analogamente à Homeopatia,
toda doença é fruto do desequilíbrio desta força vivicante
(tsri, chi) e a cura ocorrerá pela reestruturação da mesma,
obtida através da acupuntura e demais técnicas terapêuticas.
Segundo a siologia energética da MTC, existem cinco
formas básicas de energia circulando no organismo
humano: energia yong, energia oé, sangue, energia
ancestral (tinh) e energia mental (than).
A energia yong é a energia nutritiva do organismo,
sendo considerada a energia pura que provém dos alimentos
e está em contínuo movimento dentro dos meridianos; todo
o sangue se forma a partir desta energia. A energia oé é a
energia defensiva do organismo, sendo classicada como
a energia robusta dos alimentos, circulando nos meridianos
tendino-musculares. O conjunto destas duas formas de
energia, yong e oé, constitui a energia essencial, o chi ou
a força vital homeopática.
A energia ancestral ou tinh, proveniente dos pais,
funciona como substrato energético para a formação dos
meridianos e das estruturas corporais no feto. Como outra
forma de energia, distinta das demais, existe a energia
mental ou than, originária da união dos dois tinh no
momento da fecundação, considerada como o conjunto
dos sentimentos e pensamentos no homem. É esta
energia mental que comanda o sistema nervoso central
e, consequentemente, o corpo físico. Comparando-se ao
modelo homeopático, a energia mental ou than da MTC
corresponderia à energia que circula nos órgãos mentais
ou mente da concepção hahnemanniana.
O chi ou tsri é influenciado pelo excesso de
trabalho e pelo desequilíbrio emocional, propondo-se
que o destempero dos pensamentos e sentimentos exaure
essa força vital, predispondo o surgimento das doenças.
Assim como na Homeopatia, ensina-se na MTC que a
postura psicoemocional equilibrada, fundamentada dentro
dos princípios da ética e da moral, mantém o vigor vital
primitivo, minimizando as suscetibilidades mórbidas e
as possibilidades de adoecimento. Assim sendo, o reto
caminho (Tao) é encarado como fator indispensável
à manutenção do equilíbrio da força vital e da saúde
orgânica (analogamente ao caminho da moral citado por
Hahnemann9-13).
Retornando à mente da concepção vitalista
homeopática, as partes que a compõe são diferenciadas na
MTC, estabelecendo-se uma relação direta das mesmas com
os órgãos físicos, considerados como moradas temporárias
dessas entidades sutis durante a permanência do espírito
divino (consciente de Freud, segundo Morant24) no corpo
físico. Essas entidades não materiais, distintas da força
vital orgânica, são em número de três: as ideias ou tesouro
das ideias e do saber (inteligência), a alma ou faculdades
espirituais (subconsciente de Freud, segundo Morant24),
e a alma inferior, secundária ou espíritos animais
(inconsciente de Freud, segundo Morant24).
Em relação ao espírito divino, entidade de maior
hierarquia na constituição humana, o Nei Ching25 diz
que após a formação do feto, quando as energias estão
circulando e os cinco órgãos estão constituídos, “o espírito
se aloja no coração, isso é a vida”. Por outro lado, no
avançar da idade, quando a energia vital se esgota, “o
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Teixeira MZ. Antropologia Médica Vitalista: uma ampliação ao entendimento do processo de adoecimento.
espírito se vai, não resta mais que o corpo físico”. Como na
concepção homeopática, o espírito ou alma é uma entidade
distinta das demais, utilizando-se do organismo vivo para
cumprir sua missão durante a vida. Deste espírito divino,
alojado no coração, emana a vida mental ou psíquica do
homem24.
A correlação entre as entidades não materiais e
os órgãos que as abrigam, suas energias constituintes e
respectivas potencialidades estão assim esquematizadas,
segundo uma hierarquia descendente: espírito divino/
coração/ consciência (plano psíquico superior, razão e
consciência moral) alma ou faculdades espirituais/
fígado/ subconsciente (plano psíquico médio, as três
memórias e o padrão moral) tesouro das ideias e do
saber/ baço-pâncreas/ than ou energia mental (inteligência,
pensamentos, intelectualidade, espírito de síntese e
concentração) alma inferior, secundária ou espíritos
animais/ pulmões/ tinh ou energia ancestral (inconsciente,
plano psíquico inferior, instintos primitivos e plano motor
ou primata) tsri, chi ou energia essencial/ rins/ força
de caráter ou decisão (vontade, determinação, entusiasmo,
astúcia e sedução).
CONCEPÇÃO VITALISTA DA MEDICINA
TRADICIONAL INDIANA (AYURVEDA)
Incorporando os conceitos descritos nos Vedas26,
escrituras milenares e sagradas da losoa hindu-tibetana,
a Medicina Tradicional Indiana (MTI) ou Ayurveda (ayus,
longevidade; veda, conhecimento ou ciência) também
vislumbra a constituição humana segundo os conceitos da
meta-antropologia ou antropologia espiritual, ou seja, um
conjunto de entidades mais ou menos sutis, compreendidas
entre a materialidade do corpo físico e a sutileza do espírito.
Os Vedas26 são em número de quatro (Rig, Yajur,
Sama, e Atharva), cada qual dividido em duas partes:
trabalho e conhecimento. Enquanto na primeira parte
encontramos instruções relacionadas aos rituais e regras
de conduta, na segunda parte, Os Upanishads27, o
conhecimento de Deus e das Verdades Eternas é transmitido
aos discípulos. Na tradução literal, upanishad quer dizer
“sentado perto devotadamente”, “ensinamento secreto”
ou “o conhecimento de Brahma (Deus), o conhecimento
que destrói os laços da ignorância e leva à meta suprema
da liberdade” (analogamente ao caminho da moral da
Homeopatia e ao Tao ou reto caminho da MTC).
No Upanishad Prasna27, a constituição não material
do homem é descrita sucintamente: “O homem é composto
de elementos como o sopro vital, ações, pensamentos e
os sentidos - obtendo todos sua existência no eu. Eles
surgiram do eu, e no eu nalmente desaparecerão - como
as águas de um rio desaparecem no mar”. No Upanishad
Taittiriya27, esta natureza não material é detalhada,
discorrendo-se sobre o invólucro vital (prânamayakosha),
o invólucro mental (manomayakosha), o invólucro
intelectual (vijuanamayakosha) e o invólucro do ego
(anandamayakosha), todos com formas semelhantes ao
invólucro material (annamayakosha) ou corpo físico. Todos
esses veículos não materiais estão subordinados ao eu.
Segundo os ensinamentos vedantas, em analogia aos
meridianos ou canais de energia da MTC, existe no homem
uma anatomosiologia sutil (unida substancialmente ao
corpo físico) constituída por condutos por onde circulam
o uido vital ou prâna, denidos em sânscrito por nâdî e
conhecidos no ocidente por chakras, centros de força ou
centros sutis do corpo vital. Descreve o uido vital (ojas)
como uma substância leitosa que envolve todo o corpo,
considerando-o como a quintessência dos sete elementos
orgânicos substanciais (suco orgânico ou quilo, sangue,
ossos, medula, carne, gordura e esperma). Esse uido
vital, prâna ou quintessência, unido de forma substancial
aos componentes corporais, se exaure com transtornos
psicoemocionais, fadiga, fome e excessos sexuais, e quando
se esgota totalmente sobrevém a morte. Conceitos vitalistas
análogos aos descritos na Homeopatia e na MTC11.
De forma semelhante à teoria hipocrática humoral,
a MTI descreve sete elementos orgânicos ou componentes
corporais (suco orgânico ou quilo, sangue, ossos, medula,
carne, gordura e esperma) e três elementos primários ou
ativos (vento, pituita e bílis). Na teoria prânica ou dos
sopros, o prâna é estudado em suas múltiplas formas,
analogamente à MTC: originário da energia cósmica ou
uido universal, o prâna divide-se em cinco tipos (prâna,
apâna, vyâna, samâna e udâna), cada qual relacionado a
determinado chakra ou centro de força, grupo de órgãos e
funções siológicas especícas.
Assim como na teoria hipocrática dos quatro
elementos (ar, terra, água e fogo), a Ayurveda ensina que
as funções do organismo são controladas por três elementos
(doshas) fundamentais15,28: ar (vata), “que controla todos
os movimentos internos e externos no corpo”; fogo (pitta),
“que promove todos os processos de transformação, sejam
digestivos, enzimáticos ou hormonais”; e água (kapha),
“responsável pela lubricação, nutrição e estruturação
do corpo e da mente”. Analogamente à concepção
hipocrática, tanto o diagnóstico quanto o tratamento
das doenças baseiam-se na distribuição dos elementos
orgânicos (humores) e dos elementos principais (doshas)
em cada região do corpo, assim como na relação entre
eles. Além dessas causas, muitos desequilíbrios orgânicos
estão relacionados a alterações psicoemocionais. Para
equilibrar esses aspectos, a Ayurveda se utiliza de medidas
higienodietéticas (alimentação, sono e atividade física);
mudanças em hábitos e atitudes mentais; dietas, óleos e
banhos desintoxicantes; medicamentos toterápicos; e
estimulação de centros de força, dentre outras práticas
terapêuticas15.
Principal difusora da meta-antropologia ou
antropologia espiritual hindu-tibetana-egípcia, Helena
Petrovna Blavatsky (1831-1891) viajou pela Índia, pelo
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Teixeira MZ. Antropologia Médica Vitalista: uma ampliação ao entendimento do processo de adoecimento.
Tibete e pelo Egito estudando as concepções losócas
matrizes desses povos, sintetizando esse conteúdo
doutrinário em sua obra A Doutrina Secreta29, compêndio
de conhecimentos iniciáticos dessas culturas orientais
que fundamenta ou permeia outras concepções losócas
ocidentais (Teosoa, Rosacruz, Antroposoa e Maçonaria,
dentre outras)11.
Segundo a concepção vitalista hindu-tibetana
descrita na referida obra29, substrato ao entendimento
do adoecimento humano segundo a MTI ou Ayurveda,
enquanto o sthula sharira é o termo atribuído ao corpo
físico, o linga sharira (duplo etérico da concepção
teosóca) é uma entidade não material constituída pelo
prâna ou uido universal (energia fundamental que anima
e organiza a matéria), que corresponde ao princípio vital
homeopático e ao tsri ou chi da MTC.
Analogamente às concepções da Homeopatia e da
MTC11, o linga sharira é desprovido de razão e inteligência,
não podendo servir de veículo independente da consciência.
Estando ligado de forma indissociável ao corpo físico, é
responsável pela saúde orgânica durante a vida. Através
dele, pensamentos e sentimentos oriundos de instâncias
superiores da individualidade atingem o corpo físico e, de
forma inversa, impressões externas são captadas (sentidos)
e enviadas às referidas entidades. Assim como nas demais
concepções, pensamentos e sentimentos em desequilíbrio
causam distonia no linga sharira e, consequentemente,
predispõem o corpo físico ao adoecimento.
Correspondendo à concepção geral de mente da
Homeopatia e à alma inferior ou espíritos animais da MTC
(inconsciente de Freud), temos o kama rupa da antropologia
espiritual hindu-tibetana (corpo astral da concepção
teosóca)11. Através deste veículo sutil, a individualidade
expressa suas paixões, desejos, emoções e sentimentos,
cando nele impresso os hábitos e as tendências adquiridas.
Enquanto na MTC essa entidade relaciona-se aos pulmões,
na Ayurveda está ligada ao fígado.
Também relacionado ao conceito de mente da
concepção homeopática e ao tesouro das ideias e do
saber da MTC, existe o manas da concepção hindu-
tibetana (corpo mental da concepção teosóca)11, dividido
em manas inferior e superior. Enquanto o primeiro é
responsável pelas faculdades de comparação, razão,
julgamento e memória da individualidade, expressando
os pensamentos concretos ao cérebro humano, o manas
superior expressa os pensamentos abstratos.
Correspondendo à alma superior ou faculdades
espirituais da MTC (subconsciente de Freud) temos o
buddhi (corpo de beatitude da concepção teosóca) na
meta-antropologia hindu-tibetana11, que representa a
faculdade da percepção humana e se manifesta no ser
humano através da virtude da intuição. Como instância
de maior hierarquia, semelhante ao espírito ou alma da
concepção homeopática e ao espírito divino ou consciência
moral da MTC (consciente de Freud), temos o atma na
concepção hindu-tibetana (divina consciência da concepção
teosóca)11. Assim como na visão taoísta, possui no coração
humano sua morada temporária.
Analogamente às demais concepções vitalistas11, da
energia espiritual emanada pelo atma se originam as outras
formas de energia, que irão gerar manifestações diversas
quando incorporadas aos níveis de consciência das demais
entidades: atma buddhi manas superior/inferior
kama rupa linga sharira sthula sharira.
CONCEPÇÃO VITALISTA DA MEDICINA
ANTROPOSÓFICA
A Antroposoa é uma concepção antropolosóca
criada por Rudolf Steiner (1861-1925) no início do
século XX, que traz contribuições para diversas áreas
do conhecimento humano, da Agricultura (Agricultura
Biodinâmica) à Pedagogia (Pedagogia Waldorf),
incluindo a Medicina (Medicina Antroposóca). Rudolf
Steiner desligou-se da Sociedade Teosóca Alemã para
desenvolver um corpo doutrinário com atributos de uma
ciência espiritual, acrescentando conceitos próprios ao
conhecimento teosóco-rosacruz adquirido.
Na Medicina Antroposóca, a concepção vitalista
ou conhecimento dos corpos suprassensíveis assume
importante papel no modo de entender as doenças e atuar
terapeuticamente, propondo-se a tratar as disfunções
existentes na relação entre os veículos sutis da constituição
humana, promotoras dos distúrbios orgânicos, com
medicamentos ultradiluídos (homeopáticos), dentre outras
práticas.
Segundo a concepção vitalista antroposóca16,30, o
corpo etéreo (etérico) ou corpo vital tem a capacidade de
reprodução e crescimento, conferindo as características
individuais às diversas espécies vivas (hereditariedade)
através da força vital plasmadora e formativa. Em
conformidade com as outras concepções estudadas11 , o
corpo etéreo é que transmite a vitalidade ao corpo físico,
preservando-o da desagregação e da morte. O corpo etéreo
humano acha-se ordenado segundo o espírito pensante,
que o impregna com suas características individuais.
Com a morte, enquanto os constituintes do corpo físico
desagregado retornam ao mundo mineral de origem, a força
vital, que constitui o corpo etéreo, dissolve-se na natureza
vital. Isto demonstra a unidade substancial formada pelo
corpo físico e pela força vital, que não se perpetua após a
morte do organismo material. Esse corpo etéreo (etérico)
corresponde ao linga sharira ou duplo etérico da conotação
hindu-teosóca.
Como outra entidade distinta, temos o corpo astral,
que apresenta a capacidade de interiorizar as impressões
captadas do mundo exterior na forma de sensações. Às
sensações devemos acrescentar os instintos, os impulsos,
as paixões, os desejos e os sentimentos de prazer e de
desprazer. Denominado como kama rupa ou corpo
151
Teixeira MZ. Antropologia Médica Vitalista: uma ampliação ao entendimento do processo de adoecimento.
astral segundo a concepção hindu-teosófica, interage
reciprocamente com o corpo físico (unido substancialmente
ao corpo etéreo) e com a alma do intelecto (organização
do eu).
Após interiorizar as impressões externas em
impulsos, sensações e sentimentos, a individualidade
humana reete sobre os mesmos, formando um pensamento
ou juízo próprio, que denotará um determinado modo de
agir: “o homem forma pensamentos sobre as suas sensações
e assim se instrui sobre o mundo exterior” (p.15)30. Essa
atividade pensante, emanando os pensamentos ou energia
mental ou força pensante, penetra e atua no corpo astral
(assim como o corpo etéreo penetra e plasma o corpo
físico), modelando os impulsos que partem irreetidamente
do mesmo, diferenciando o homem dos animais, que agem
segundo seus instintos primitivos. Essa entidade distinta,
que se manifesta através do pensar, é denominada alma do
intelecto ou organização do eu, correspondendo ao manas
inferior ou corpo mental da concepção hindu-teosóca.
Como alma da consciência, entendamos a luz da
verdade existente no íntimo de todos os seres humanos, que
os induz ao caminho da ética e da moral, reto caminho ou
do bem verdadeiro. Com uma natureza divina e autônoma,
representa a chamada consciência humana, a região da
individualidade em que reside a verdade imutável. Assim
como os limites do corpo físico são ultrapassados pela
dimensão do corpo etéreo, a alma da sensação irradia-se
para além desse último e a alma do intelecto se expande
ainda mais, proporcionalmente às manifestações de
bondade e verdade que cultive dentro de si30. O conjunto da
alma do intelecto com a alma da consciência corresponde
ao eu da concepção antroposóca, semelhante ao manas da
visão hindu-teosóca, sendo a primeira o manas inferior e
a segunda o manas superior.
Ao adquirir a noção da bondade e da verdade
(autoconsciência) através da alma da consciência, o homem
passou a ser um ser autônomo, separado do restante da
Natureza, representado pelo termo eu. Assim sendo, passa
a atuar no conjunto físico-etéreo e na alma humana, tendo-
os como moradas provisórias. Assim como o eu vive e se
manifesta no corpo e na alma, o espírito vive e se manifesta
no eu, plasmando-o. Ao espírito que vive e se constitui
como um eu, denomina-se personalidade espiritual, ou
seja, representa a personalidade do homem. Através da
intuição, a personalidade espiritual incorpora no eu as leis
espirituais de verdade e bondade, ou seja, a personalidade
espiritual transmite ao homem consciente, através da
intuição, o influxo do espírito. Essa personalidade
espiritual corresponde ao buddhi ou corpo de beatitude
da concepção hindu-teosóca.
Da mesma forma que o corpo físico é formado pelos
elementos do mundo físico, o homem-espírito é constituído
pelos elementos do mundo espiritual. Analogamente à
epiderme física que envolve o corpo físico, temos a derme
espiritual ou invólucro espiritual, que envolve e encerra o
homem-espírito. O homem-espírito é edicado pela força
vital espiritual ou espírito vital, do mesmo modo que o
corpo físico possui um corpo etéreo ou vital, constituído
pela força vital orgânica. O homem-espírito, na essência,
corresponde ao atma ou divina consciência da concepção
hindu-teosóca.
O fato dos sentimentos e dos pensamentos não
poder ser observado pelo sentido da visão, não invalida
a existência dos mesmos. Tanto os sentimentos como
os pensamentos humanos irradiam formas próprias de
energia, vistas e diferenciadas pelos clarividentes através de
efeitos luminosos. Ao conjunto dos fenômenos luminosos
irradiados pelo sentir e pelo pensar humano, envolvendo
o corpo físico numa forma oval, denomina-se aura
humana. Segundo Steiner30, as cores, tonalidades e formas
dessa aura, observadas pelos olhos do espírito, reetem a
vida íntima do homem. Visto como forma-pensamento,
ao pensamento humano cabe a força plasmadora desse
processo, recebendo dos sentimentos individuais as cores
e os matizes sutis, ou seja, o caráter do pensamento. Desse
modo, entendemos as inuências mentais recíprocas a que
todos os seres estão suscetíveis.
Enquanto o corpo etéreo atua sobre a entidade física
com forças plasmadoras, formativas e de crescimento,
o corpo astral e a organização do eu desgastam o
corpo humano com as atividades do sentir e do pensar,
respectivamente. Quando o sentir e o pensar sobrepujam
seus limites, impedem que ocorra a autocura orgânica, ou
seja, desestruturam o corpo vital que perde sua capacidade
natural de preservar e manter a saúde. Nessa ligação
excessiva e desproporcional dessas entidades superiores
com o corpo físico, perturbando a atividade siológico-
metabólica normal (regulada pelo corpo etéreo), temos
a causa das doenças humanas segundo a Medicina
Antroposófica. Nesse caso, no processo terapêutico
antroposóco, administram-se medicamentos ultradiluídos
(homeopáticos) que atuam “afrouxando a ligação excessiva
do corpo astral ou da organização do eu com o corpo
físico”31.
Na “deciência do corpo etérico em si” teríamos
outra causa para o adoecimento, impedindo a ligação
correta do corpo astral e da organização do eu ao corpo
físico. Nesses casos, administram-se medicamentos
ultradiluídos (homeopáticos) que fortalecem o corpo vital:
“podemos reconhecer a saúde como sendo um estado que
têm sua origem no organismo etérico”31.
De forma análoga às outras concepções vitalistas11,
essas entidades constituintes do ser humano se inter-
relacionam através de suas emanações sutis: homem-
espírito ↔ personalidade espiritual alma da consciência
↔ organização do eu ↔ corpo astral ↔ corpo etéreo ↔
corpo físico.
SINOPSE DAS CONCEPÇÕES VITALISTAS11
Em todas as civilizações e culturas, desde épocas
mais remotas, o homem busca entender sua essência
152
Teixeira MZ. Antropologia Médica Vitalista: uma ampliação ao entendimento do processo de adoecimento.
de forma plural e integral, incorporando aos conceitos
antropológicos materialistas outros aspectos não materiais
e ontológicos, ponto de ligação com sua espiritualidade
latente e subsídio ao entendimento do processo saúde-
doença, assim como do mistério da vida e da morte. Nos
antigos povos da Ásia e do Egito surgiram concepções
vitalistas semelhantes sobre a natureza não material do
homem (corpos, entidades ou instâncias superiores),
provavelmente, como fruto de uma mesma raiz iniciática
de conhecimentos universais, em vista da ausência de
miscigenação cultural à época.
Na China Antiga, ensinava-se que o corpo humano
possui um complexo sistema de canais ou meridianos de
energia, no qual circula a força vital ou chi, responsável pela
manutenção da vida e da saúde. A Medicina Tradicional
Chinesa utiliza esse sistema para tratar as enfermidades e os
desequilíbrios orgânicos. Além dessa força vital, acredita-
se na existência de uma energia ancestral (tinh) associada
à energia mental ou psíquica (than), correspondendo ao
conjunto dos sentimentos e pensamentos humanos. Como
outras instâncias da individualidade humana, citam-se
ainda a alma inferior, a alma superior e o espírito divino.
Na Índia dos brâmanes e budistas, entendia-se
que o corpo físico (sthula sharira) é envolto por um
corpo etérico denominado linga sharira. Vitalizando
o corpo físico, esse corpo sutil é constituído pelo éter,
força vital, quintessência ou prâna, uma corrente do
oceano de vitalidade (jiva) ou uido cósmico universal.
Como princípios intermediários, teríamos o corpo das
paixões, das emoções e dos sentimentos (kama rupa) e a
mente ou alma humana (manas), que se divide em manas
inferior (intelecto) e manas superior (consciência). Num
nível acima, estaria a alma espiritual ou buddhi, que é a
manifestação da Sabedoria Celestial, intuindo o homem ao
auto-aperfeiçoamento moral e espiritual. Como entidade
máxima e superior, estaria situado o atma (espírito), fonte
primordial de onde emanam todas as demais manifestações.
No Egito dos faraós, a constituição humana era
compreendida, além do corpo material (kha; chat), pela
aura ou invólucro etéreo (ba; anch), pelo veículo das
paixões e emoções ou corpo astral (khaba; ka), pela alma
animal (seb; ab-hati), pela alma intelectual ou inteligência
(akhu; bai), pela alma espiritual (putah; cheybi) e pelo
espírito ou alma divina (atmu; shu).
Na Grécia antiga, Platão, elaborando as concepções
de Sócrates, transfundiu a ideia de que o homem era
composto pela dualidade corpo e alma (eu superior),
intercalados pelos prazeres e pelas emoções (thumos
ou coração). Aristóteles, seu grande seguidor, alterou a
concepção do mestre, denindo a alma como o princípio
vital e racional, material e espiritual que habita o homem,
misturando conceitos distintos (aether/quintessência
e alma). Por sua vez, Hipócrates deniu a força vital
(vis medicatrix naturae) como uma força instintiva e
irracional, que se esforça para manter o equilíbrio das
funções orgânicas, sem qualquer relação com o conceito
aristotélico. Em linhas gerais, a antropologia vitalista grega
reconhecia no homem o corpo material (soma), a força
vital (vis medicatrix naturae), a alma animal ou veículo
das paixões e emoções (psykhê) e a alma humana, mente
ou intelecto (nous).
De Hipócrates até o século XIX, a medicina
ocidental foi influenciada pelo pensamento vitalista,
que aceitava a existência de um princípio energético,
vital ou etérico ligado substancialmente à materialidade
orgânica, responsável pela manutenção da saúde no corpo
físico8. Personalidades médicas como Erasistrato, Rhazes,
Paracelso, Sydenham, van Helmont, Stahl e von Haller,
dentre outras, defendiam esse princípio vitalista, mas sem
utilizarem um método terapêutico especíco para atuar
no desequilíbrio dessa força vital orgânica, causadora das
enfermidades e doenças. No nal do século XVIII, Samuel
Hahnemann cria a Homeopatia, inaugurando uma etapa
da terapêutica humana em que a unidade entre a doença
e o doente é valorizada, atuando com seus medicamentos
ultradiluídos ou dinamizados nas distonias da força ou
corpo vital, que propaga sua inuência ao restante da
individualidade (corpo-mente-espírito).
Na concepção cristã do Novo Testamento,
encontramos conceitos como alma e espírito utilizados
indistintamente, representando a entidade espiritual e divina
que habita o corpo humano. Apesar da concepção tríplice
do homem (corpo-alma/mente-espírito) ter sido admitida
e ensinada pelos precursores da Igreja Católica (Irineu,
Justino Mártir, Clemente, Origines, Gregório e Santo
Agostinho), atualmente, não é propagada pela mesma.
Segundo a Cabala Hebraica, que corresponde
ao conhecimento esotérico do povo judeu, o homem
apresenta um guph (corpo físico) unido substancialmente
ao nepesh (alma vivente), servindo de morada às demais
estruturas sutis em processo de evolução. Como entidades
intermediárias, cita a alma animal ou tzelem (ou nephesh)
e o ruach (alma intelectual). Constituindo uma tríade
superior, relaciona o neshamah (alma humana) com o
chiah (alma espiritual) e o yechidah (espírito divino).
Esses princípios eram associados às dez sephiroth (árvore
da vida) ou potencialidades humanas.
Como fruto deste conhecimento iniciático oriental,
trazido ao Ocidente por Christian Rosenkreuz e Helena
P. Blavatsky, surgiu a Rosacruz e a Teosoa, losoas
que trazem um estudo pormenorizado desta natureza
não material humana. Dentro das concepções rosacruz e
teosóca, teríamos, respectivamente, o corpo vital e o duplo
etérico (linga sharira); o corpo de desejos e o corpo astral
(kama rupa); a mente e o corpo mental (manas inferior);
o espírito humano e o corpo causal (manas superior);
o espírito de vida e o corpo de beatitude (buddhi); e,
nalmente, o espírito divino e o espírito (atma).
Associando sua percepção às concepções rosacruz
153
Teixeira MZ. Antropologia Médica Vitalista: uma ampliação ao entendimento do processo de adoecimento.
e teosóca, Rudolf Steiner cria a Antroposoa, trazendo
contribuições às várias áreas do conhecimento humano.
Divide a natureza humana sutil em corpo etéreo ou vital,
corpo anímico-sensitivo ou corpo astral, alma do intelecto
ou organização do eu, alma da consciência, personalidade
espiritual e homem-espírito, em analogia às demais
denições citadas anteriormente.
Finalizando essa sinopse (Tabela 1), citemos a
concepção vitalista difundida pela Doutrina Espírita,
bastante divulgada em nosso meio. Simplicando conceitos,
apresenta uma visão ternária do homem constituída pelo
princípio vital (união entre corpo físico e força vital),
perispírito e espírito. Com o termo perispírito, une o corpo
astral e o corpo mental das demais concepções, em vista da
diculdade de separarmos, na prática, os sentimentos dos
pensamentos humanos. Segundo suas denições, o espírito
(alma) também englobaria o corpo causal e o corpo de
beatitude anteriormente citados.
Tabela 1. Sinopse das concepções vitalistas
Concepções
Vitalistas Corpos, entidades ou instâncias humanas
São Paulo
(Novo
Testamento)
corpo alma espírito
Hindu-Tibetana
(Ayurveda)
sthula
sharira linga sharira kama rupa
manas
buddhi atma
manas
inferior
manas
superior
Egípcia kha ba khaba/ seb akhu putah atmu
Chinesa
(Medicina
Tradicional
Chinesa)
corpo/
sangue
meridianos de
energia
(chi, tsri, qi)
alma inferior
(tinh)
tesouro das idéias e do
saber (inteligência)
(than)
alma
espiritual espírito divino
Latina corpus anima spiritus mens intellectus ratio
Grega
(Hipócrates) soma physis/ vis
medicatrix naturae
psykhê (alma animal)/ nous (alma humana)
alma afetiva alma intelectiva alma estimativa
Grega
(Aristóteles) soma
pnêuma/ aethér/
quinta essentia/
alma vegetativa
alma (sensitiva, concupisciva, motiva e intelectiva)
Árabe jism ruh nafs aql sirr qalb
Cabala Hebraica guph tzelem nephesh ruach/ neshamah chiah yechidah
Paracelso corpus/
limbus múmia/ archeus corpo sidéreo/
entidade astral adesh aluech
spiritus/
entidade
espiritual
Rosacruz corpo corpo vital corpo de
desejos mente espírito
humano
espírito de
vida
Teosoa corpo duplo etérico corpo astral corpo mental corpo causal corpo de
beatitude
Homeopatia corpo força vital/
princípio vital mente (órgãos mentais) espírito/ alma
Antroposoa corpo corpo etéreo corpo astral organização do eu alma da
consciência
personalidade
espiritual
Doutrina
Espírita corpo princípio vital/
uido universal perispírito (corpo astral + corpo mental) espírito/ alma
Esses e outros contributos do estudo das diversas
concepções vitalistas estão detalhadamente descritos na
obra A natureza imaterial do homem: estudo comparativo
do vitalismo homeopático com as principais concepções
médicas e filosóficas, disponibilizada livremente em
formato digital11.
VITALISMO, COSMOLOGIA E FÍSICA
O fato de a força vital possuir natureza ‘não
material’ ou ‘energética’ diculta o entendimento e a
aceitação dessa instância por colegas afeitos ao modelo
biomédico, fundamentado em conceitos bioquímicos
154
Teixeira MZ. Antropologia Médica Vitalista: uma ampliação ao entendimento do processo de adoecimento.
mensurados por métodos diretos de análise e diagnóstico.
No entanto, vale ressaltar que o vasto campo de pesquisas
da Física e da Cosmologia32 tem descortinado a existência
de uma innidade de partículas, ondas, forças e campos
não materiais que também só podiam ser demonstrados
e mensurados no passado através de modelos teóricos e
métodos indiretos de análise, respectivamente.
Como exemplo, em 2012, dois experimentos com
o Grande Colisor de Hádrons (Large Hadron Collider do
European Organization for Nuclear Research ou LHC-
CERN)33,34 conrmaram a existência e as propriedades
do Bóson de Higgs, partícula elementar prevista pelo
Modelo Padrão, teoricamente formada após o Big Bang e
da qual se origina a massa de todas as demais partículas
(definição que se assemelha à concepção milenar de
uido cósmico universal). Em 2015, dois interferômetros
distintos do Observatório de Ondas Gravitacionais por
Interferômetro Laser (Laser Interferometer Gravitational-
Wave Observatory - LIGO, National Science Foundation)
observaram, simultaneamente, um sinal transitório de onda
gravitacional após a colisão de dois buracos negros (poços
gravitacionais sem fundo, dos quais nem mesmo a luz pode
escapar) a um bilhão de anos-luz de distância, evidenciando
ondulações no tecido espaço-tempo previstas na Teoria da
Relatividade Geral de Einstein35.
Assim como ocorria no passado com as ondas
gravitacionais e o Bóson de Higgs, o uido universal,
quintessência, éter, tsri ou força vital não pode ser
identicado, atualmente, por um método direto de análise,
sendo mensurado apenas através de observações indiretas.
Apesar da polêmica existente na interpretação dos
resultados, diversos experimentos buscaram evidenciar a
existência do éter, aceitando-se, atualmente, que a Teoria do
Éter de Lorentz-Poincaré (pela qual, objetos e observadores
estariam imersos em um uido universal, o chamado éter,
sofrendo um encurtamento do espaço e uma dilatação do
tempo) estaria condizente com as evidências atuais da
Teoria da Relatividade Geral, desde que alguns critérios
sejam respeitados36-38. Para a teoria lorentziana, o éter é
um conceito central e as novas variáveis para o tempo e o
espaço apenas grandezas auxiliares. Ao contrário, na teoria
da relatividade, o éter não desempenha qualquer papel, ao
passo que as variáveis auxiliares de Lorentz tornam-se os
novos e fundamentais conceitos de tempo e espaço36.
Trazendo subsídios cientícos à teoria vitalista da
MTC, estudo experimental identicou a existência dos
meridianos ou canais de energia tsri (chi) através da infusão
de tecnécio radioativo em pontos de acupuntura. Quando
injetado em pontos falsos (sham) a difusão do radioisótopo
foi randômica, sem padrão denido, enquanto que a injeção
em pontos de acupuntura verdadeiros seguiu um traçado
compatível com os meridianos de energia e incompatível
com o sistema vascular e linfático39. Analogamente,
diversos estudos conseguiram evidenciar a força vital
contida nos medicamentos homeopáticos ultradiluídos (que
corresponde, em natureza, à força vital orgânica) através
de métodos indiretos de análise, ou seja, conrmando que
a informação contida nessas doses innitesimais (em níveis
de diluição além do Número ou Constante de Avogadro:
6,02 x 10-23) provoca, em modelos experimentais físico-
químicos e biológicos, os mesmos efeitos que a substância
material de origem21,40-43.
Assim como o éter e a força gravitacional, a
concepção de força vital também pode ser compreendida
através da Teoria das Cordas32,44, que busca conciliar a
relatividade geral com a mecânica quântica, o macrocosmo
com o microcosmo, pela qual se acredita que todas as
partículas elementares são lamentos unidimensionais
vibrantes denominados cordas: a corda fundamental, da
qual todas as partículas aparecem como modos vibrantes,
seria da ordem de 10-33 cm (comprimento de Planck),
magnitude que justica a inobservância direta de sua
existência. Ao vibrarem em determinada frequência, essas
cordas originam as distintas partículas subatômicas e suas
propriedades.
Toda a complexidade da Teoria das Cordas deriva
de um conceito simples44: “as entidades fundamentais
da natureza, partículas constituintes da matéria e das
interações, não são objetos pontuais, mas fazem parte
de pequenas cordas vibrando no espaço-tempo” (p.150).
Assim sendo, “diferentes partículas aparecem como
diferentes formas de vibração, mas todas estão incluídas na
mesma descrição” e, por isso, “só podemos perceber suas
existências com experimentos que testem distâncias muito
pequenas ou, equivalentemente, que usem energias muito
grandes” (p.150), como o LHC-CERN vem propondo45.
Além de justicar a possível existência de formas
de energia não detectáveis pelos atuais métodos de
mensuração, a Teoria das Cordas também auxilia na
compreensão do entrelaçamento ou emaranhamento
quântico, fenômeno da mecânica quântica em que duas
partículas entrelaçadas influenciam-se mutuamente de
forma instantânea, mesmo que estejam separadas por
distâncias astronômicas. Além dos experimentos com
fótons que evidenciam esse fenômeno46-48, estudos
em seres humanos demonstram que pensamentos,
sentimentos e emoções são partilhados por indivíduos
isolados física e sensorialmente, sendo detectados por
métodos diagnósticos neurológicos49-52. Denominados
como eventos telesomáticos ou de comunicação não
local, tem sido observados em diversos níveis da
complexidade humana (neurônio para neurônio, cérebro
para cérebro, indivíduo para indivíduo), demonstrando
a ponderabilidade sutil da dinâmica psicoemocional
humana.
Associando essas evidências aos inúmeros estudos
que atestam a inuência dos aspectos psicoemocionais
na homeostase dos diversos sistemas fisiológicos e,
consequentemente, na etiopatogenia e na evolução
de distintas classes de enfermidades53,54, torna-se
imprescindível a inclusão dos pensamentos, sentimentos
e emoções no raciocínio siopatológico convencional, a
m de que possamos ampliar o entendimento do adoecer
humano.
155
Teixeira MZ. Antropologia Médica Vitalista: uma ampliação ao entendimento do processo de adoecimento.
VITALISMO E EPIGENÉTICA
Em outra proposta de atualização dos
conceitos vitalistas perante conhecimentos científicos
contemporâneos, antropólogos correlacionam
fundamentos vitalistas com processos biológicos,
identificando nos fenômenos epigenéticos55 o modus
operandi do princípio vital, ou seja, um dinamismo
vital que preside o fenômeno da vida.
Contrariando o postulado da genética clássica
de que “cada gene é o responsável pela codificação
e pela síntese de uma proteína especíca”, a epigenética
moderna tem evidenciado que “a grande maioria dos genes
(epigenoma) não tem por função a síntese proteica, atuando
especicamente na coordenação dos genes codicantes”,
silenciando genes ativos e ativando genes inativos, agindo
em contraposição ao determinismo biológico (p.427)55.
Outro aspecto desse dinamismo vital é constatado
nas mutações epigenéticas, que são sempre dirigidas,
respondem às inuências externas, promovem o ligamento
ou o desligamento dos genes codicantes e podem ser
reversíveis, diferentemente das mutações genéticas
aleatórias clássicas, fruto da alteração na ordem das bases
nitrogenadas e irreversíveis, acumuladas pelos organismos
em virtude da seleção natural. Segundo os autores55, a
constatação dessas mutações epigenéticas põe em xeque
a teoria evolucionista ortodoxa, sugerindo que aspectos
socioculturais e psicodinâmicos (vitalistas) podem interferir
na natureza biológica futura, transmissível pelos genes:
“o desenvolvimento de uma epigenética, entendida como
parte de um processo evolutivo que admite a transmissão
transgeracional de caracteres adquiridos na experiência
ontogenética dos indivíduos em relação com o seu meio
ambiente” possibilita “uma releitura vitalista de alguns
aspectos da obra do próprio Darwin” (neodarwinismo)
(p.429).
Essas mutações epigenéticas representam “um
conjunto de fenômenos que poderia estar na origem de
muitas doenças e perturbações das espécies naturais”, dando
margem a “novas interpretações sobre o funcionamento
da célula e dos organismos” e que “poderiam desvendar
os mecanismos psicossomáticos indutores de doenças
metabólicas e degenerativas” (p.439)55. Analogamente, “as
mutações epigenéticas também constituem um caminho
para se compreender o processo de epigênese, ou seja, de
diferenciação celular”, explicando como “de uma única
célula-ovo, surge um novo ser”, auxiliando também a
entender “como os bilhões de células de um ser vivo, de
conteúdo genético idêntico, adquirem formatos e funções
tão distintas” (p.441), fenômeno atribuível ao princípio vital
plasmador, segundo os autores55: “os genes cumprem dessa
forma uma função imaginária semelhante à do princípio
vital ou da enteléquia dos vitalistas” (p.444).
CONCLUSÕES
Embora a biomedicina, ao equacionar as causas do
adoecimento humano, minimize a inuência dos aspectos
subjetivos da individualidade, atendo-se, principalmente,
aos aspectos biológicos, o ser humano é muito mais
que um conjunto de células, tecidos e órgãos regido
por leis mecanicistas, demonstrando-se a falácia dessa
visão reducionista na constatação do aumento crescente
de distúrbios e doenças com causas psicossomáticas e
idiopáticas na nosologia moderna. De forma análoga,
a terapêutica biomédica farmacológica dissociada do
constrito psicoemocional e direcionada a tratar doenças
e não doentes apresenta resultados desanimadores na
resolução ou reversão do curso natural de inúmeras
enfermidades crônicas.
Como sugere o médico e pesquisador Bernard
Lown, Professor Emérito de Cardiologia da Escola de
Saúde Pública da Universidade de Harvard (Prêmio Nobel
da Paz em 1985), em seu livro A arte perdida de curar56,
“a melhor cura será aquela que casar a arte com a ciência,
quando corpo e espírito forem examinados juntos” (p.13).
Na mesma obra56, relaciona a “séria crise da medicina”
ao fato dela “ter perdido o rumo, senão a alma”: “A cura
está sendo trocada pelo tratamento, os cuidados médicos
suplantados pelo gerenciamento, ao mesmo tempo em que
a arte de ouvir foi superada pelos processos tecnológicos.
Os médicos já não se dedicam aos indivíduos de per
si: ocupam-se de suas partes orgânicas, fragmentadas e
disfuncionais. Frequentemente, o sofrido ser humano ca
alheio ao trabalho” (p.11,12).
Em seus mais de 40 anos de experiência como clínico
e cardiologista, Bernard Lown enfatiza a importância do
médico em “entender a pessoa que apresenta os sintomas”,
em “conhecer o indivíduo como ser humano”, o que
signica compreender “o caráter do que faz o sujeito
funcionar”, além dos aspectos socioculturais. Segundo
ele, esse foco deve incidir nos aspectos emocionais e
nos consequentes comportamentos psicológicos, pois
“as emoções tanto predispõem a pessoa à doença como
influenciam seus efeitos” e, por isto, “esses estados
emocionais são fatores de risco para as doenças, moldam a
aparência dos males, determinando o andamento e a marcha
da recuperação” (p.47,48)56.
Assim sendo, apesar de a Antropológica Médica
Interpretativa acrescentar os aspectos culturais (costumes,
mitos, valores, crenças, rituais, religiões e linguagem) ao
entendimento do processo saúde-doença, ampliando a
concepção fragmentada da abordagem biológica parcial
e dissociada, a incorporação do conhecimento losóco
sobre a estrutura ontológica e espiritual da natureza humana
(meta-antropologia) aos demais campos da antropologia
médica fornece subsídios para uma compreensão mais
global e integralizada do adoecer.
Descrevendo como as distintas racionalidades
médicas vitalistas relacionam a natureza não material
do homem e suas manifestações às alterações biológicas
do organismo físico, tanto na saúde como na doença, a
Antropologia Médica Vitalista sugere uma abordagem
semiológica e terapêutica que valorize os aspectos
156
Teixeira MZ. Antropologia Médica Vitalista: uma ampliação ao entendimento do processo de adoecimento.
subjetivos (pensamentos, sentimentos, emoções e
sensações, dentre outros) da individualidade enferma como
sinais e sintomas diretores na arte de compreender e tratar
as doenças, em consonância com a interação mente-corpo
da concepção psicossomática moderna.
Incorporando as correlações existenciais, religiosas
e espirituais da Antropologia Filosóca (evolução das
espécies e antropogênese; homem e Divindade; conduta
ética-moral e essência espiritual; evolução espiritual e
experiências de vida, dentre outras)5-7, a Antropologia
Médica Vitalista também traz subsídios ao entendimento
da inuência das dimensões não materiais, espirituais
e religiosas na etiopatogenia das doenças e nas práticas
de promoção à saúde57, abordagem que vem assumindo
importância crescente em relação ao enfrentamento,
prognóstico, prevenção e tratamento de inúmeros distúrbios
orgânicos58-71.
Por valorizar esses aspectos espirituais e religiosos
da individualidade no direcionamento da atenção clínica,
a Associação Psiquiátrica Americana incluiu no Manual
Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-
IV. 4ª ed. 1994) os Problemas Espirituais e Religiosos
como uma nova categoria diagnóstica72,73, justicando a
avaliação de experiências religiosas e espirituais como
parte constituinte da investigação psiquiátrica, sem
necessariamente julgá-las como psicopatológicas.
Respondendo a essa demanda, pesquisas e publicações
relacionadas à interconexão entre Saúde, Espiritualidade e
Religiosidade aumentaram consideravelmente nas últimas
décadas, evidência observada no Brasil pela edição, em
2007, de um suplemento exclusivo sobre o assunto no
Archives of Clinical Psychiatry (São Paulo)74, dando
continuidade às publicações até os dias atuais75-79.
Analogamente, instituições acadêmicas passaram
a desenvolver atividades de ensino e treinamento que
valorizam as dinâmicas espirituais e religiosas na saúde
integral dos pacientes, incorporando conceitos da meta-
antropologia ou antropologia espiritual à formação dos
profissionais da saúde, ampliando a compreensão da
natureza biopsicossocioespiritual humana e seu processo
de adoecimento80-85.
Seguindo essa tendência mundial e dando
continuidade às atividades desenvolvidas pelo Núcleo de
Estudos de Problemas Espirituais e Religiosos (NEPER)
desde 2000, o Programa de Saúde, Espiritualidade e
Religiosidade (ProSER) do Instituto de Psiquiatria do
Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo, desde 2008, vem fomentando
iniciativas nas áreas do estudo, da pesquisa e da assistência
em saúde relacionadas às questões religiosas e espirituais,
segundo o enfoque cientíco da psiquiatria moderna86.
Analogamente, o Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade
e Saúde (NUPES) da Universidade Federal de Juiz de Fora
realiza pesquisas interdisciplinares sobre as relações entre
espiritualidade e saúde87.
Engana-se quem despreza a incorporação desses
contributos losócos, vitalistas e espirituais à prática
médica moderna, pois, além de incrementar a resolutividade
das doenças e tornar a relação médico-paciente mais
humanizada, amplia o entendimento do processo
integralizante do adoecimento humano (corpo-mente-
espírito), aspectos bastante valorizados em pesquisas que
levantaram os motivos da procura pela população e pela
classe médica por terapêuticas não convencionais88-93.
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Artigo recebido em: 03.02.2016
Artigo aceito em: 08.05.2017
... The homeopathic vitalism presents a set of aspects that is similar to that of other medical and philosophical concepts. [1][2][3][4][5] In homeopathic miasmatic theory, which addresses the nature of chronic diseases, Hahnemann adds the existence of three chronic miasms (psora, sycosis, and syphillis) of dynamic nature to their etio-pathogenesis (causam morborum chronicum), by attributing them the prerogative of being the main obstacle to the action of correctly prescribed homeopathic medicines, thus preventing the curative vital reaction from occurring. 6 Studies conducted on complex and dynamic self-organisation systems, which were employed in biomedicine to broaden the understanding of homeostatic physiological mechanisms, can be used in homeopathy to justify the modus operandi of the vital principle, since both phenomena present similar properties (non-linearity, self-organisation and dynamism, among others). ...
... In addition to the spirit, Hahnemann adds to the human non-material nature the mind or psyche, 'invisible subtle organ of the mind' or 'almost non-material, mental, and emotional organs', entities that are responsible for mental and psychic manifestations (thoughts, emotions, and feelings), which influence the vital force, physical body, and health (Organon, paragraphs 215, 216): 1 hence the relevance that is attributed to mental and psychic aspects in the etiopathogenesis of diseases (Organon, paragraph 213). 1 In short, we observe in the homeopathic vitalist concept a hierarchy of mutual influences among the several instances, in which the spirit manifests its potential by means of thoughts, emotions, and feelings that emanate from the mind (psyche), acting on the organic vital force and, consequently, on the health-disease process. [2][3][4][5] However, since Hahnemann did not probe the essence of this organic vital force or how it causes diseases, he prepared an experimental treatment model based on the symptomatic externalisation of the vital disturbance. ...
... This emerging phenomenon (vortex) corresponds to the concept of force centres or chakras ('wheels' in Sanskrit) from Traditional Hindu Medicine, according to which energy vortices that are spread across the body's surface vibrate continuously and distribute vital energy or prana to the physiological systems and body components. [3][4][5]17 According to Traditional Chinese Medicine, similar definitions and properties are attributed to the energy meridians and their respective acupoints. [3][4][5]18 It is worth pointing out that both medical practices also present the properties of complex systems, by grounding their vitalist therapeutic approaches on the intricate network of connections comprising the force centres and energy meridians respectively. ...
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Introduction: In homeopathic philosophy, vital force is a non-material substrate that is responsible for maintaining the body’s sensations and functions and where homeopathic medicines act. In genetics, the body’s vital functions are controlled by biochemical information, which is contained in the cell genome and consists of a protein encoding portion (exome) and another that regulates this encoding scheme (epigenome). Both the philosophical vital force and the genome present properties of complex and dynamic self-organisation systems. Aims: This study aimed to explore and develop a philosophical-scientific correlation between vitalism and genetics according to the complexity paradigm. Results: Vital principle and genome present inseparable composition among distinct existing components that influence one another and form a network of connections that create complex and dynamic self-organisation behaviour. Described in both models, ‘vortex’ indicates the existence of a force coming from within the system that is externalised as an emergent, information-transmitting phenomenon. Supporting this correlation, some experimental studies show that homeopathic medicines act on the genome by modulating gene expression. Conclusions: In line with the similarity of existing characteristics and properties, the genome may be considered as hypothetical biological substrate of organic vital force.
... By producing an artificial disease that is very similar to the natural one, it has been proposed that the homeopathic medicine acts by triggering a reaction from the vital principle against the pre-existing organic disturbance, removing the signs and symptoms manifested by means of the principle of symptomatic therapeutic similitude. [3][4][5] In the miasmatic theory, which seeks to broaden the understanding about the nature of chronic diseases, 6 Hahnemann adds to their etio-pathogenesis the existence of three chronic miasms of dynamic nature (psora, sycosis, and syphilis), and attributes to them the potential for being the main obstacle to the action of correctly prescribed homeopathic medicines, thus preventing the healing vital reaction from occurring. He also attributes to psora the fundamental cause of all forms of chronic diseases. ...
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Introduction: In addition to the four pillars of homeopathy, vitalism and the miasmatic theory are often used to explain the health–disease process. According to Hahnemann's concepts, homeopathic miasms are the main obstacle to the cure of chronic diseases, with psora being the fundamental cause of all forms of diseases. According to modern genetics, the disease-promoting epigenetic alterations are the fundamental cause of the manifestation of chronic diseases. Objective: This article develops a philosophical–scientific correlation between chronic miasms and disease-promoting epigenetic modifications, aiming to justify the isopathic use of auto-sarcode of an individual's DNA as homeopathic medicine. Results: Based on the study of homeopathic doctrine and epigenetics, a conceptual and functional correlation is observed between homeopathic chronic miasms and disease-promoting epigenetic modifications. Additionally, several experimental studies suggest that homeopathy's mechanism of action may be by modulating gene expression. Conclusions: By the philosophical–scientific correlations described, it is inferred that disease-promoting epigenetic alterations are the biological representation of the chronic miasms, suggesting the isopathic use of auto-sarcode of DNA as homeopathic therapeutic modulator of gene expression for the management of chronic diseases.
Thesis
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O Brasil é reconhecido internacionalmente como uma grande potência do agronegócio, tendo milhões de cabeças de gado, onde se produz carne e leite, alimentando a população nacional e internacional, e felizmente a sociedade está mudando, onde os consumidores estão buscando uma maior qualidade em seus produtos e também que sejam feitos de forma ética, em que se assegura o bem-estar animal e preservação ambiental e nisso pode entrar a homeopatia, que em teoria pode ser um modo de produzir animais saudáveis e sem agressão ao meio ambiente, mas muitos a consideram uma pseudociência e creem na sua real eficácia. Por conta disto, este trabalho se propôs de fazer uma revisão de literatura para averiguar se há estudos que indicam que este tratamento pode ser válido e benéfico para com estes animais. Para isto, foram selecionados 20 estudos científicos, empíricos ou de revisão de literatura, para trazer mais luz ao tema. Enfim, neles foi percebido que grande parte há resultados positivos, mas nem sempre há uma boa metodologia que contribui para algo mais robusto, testado mais homeopatias comerciais e complexistas, o que difere dos ensinamentos de Samuel Hahnemann. Conclui-se que ela pode servir para dar mais saúde integral aos bovinos, mas deve haver mais pesquisas em que pensem em uma metodologia e a escolha do tratamento indicado. Palavras-chave: Agronegócio. Medicina Veterinária. One Welfare.
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Resumo: Na última década, a demanda da população mundial por práticas não-convencionais em saúde aumentou substancialmente, exigindo cada vez mais do médico noções básicas das diversas terapêuticas vigentes, a fim de que possa orientar os pacientes que, sob seus cuidados, desejem utilizar tratamentos distintos dos que está habituado a empregar. Desta forma, compete às escolas de medicina propiciarem aos graduandos e pós-graduandos o conhecimento das evidências científicas, dos pressupostos teóricos e das abordagens clínicas e terapêuticas empregadas por estas distintas formas de tratamento. Com o intuito de fomentar a discussão sobre o ensino de práticas médicas não-convencionais (homeopatia e acupuntura) nas faculdades de medicina brasileira, apresentamos esta revisão sobre o assunto, enfocando o interesse da população e da classe médica (estudantes, residentes e especialistas) nestas terapêuticas, a importância e as iniciativas brasileiras e de outros países no ensino na graduação, na pós-graduação e na residência, e as perspectivas para o futuro da educação médica em práticas não-convencionais em saúde.
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This study was conducted to investigate body mass index (BMI), levels of cholesterol and triglycerides in prison inmates at the Institution for Reform and Rehabilitation in Southern Libya to be considered as an indication about their health and the provided foods. The results of this study showed that 26.5% of BMI of the prison inmates were found to be higher than the normal levels. Generally, the average level of cholesterol and triglycerides concentrations were found to be within normal range 142.6 mg/dl and 135.4 mg/dl, respectively. The findings also established that there were a significant relationship and direct correlation between BMI levels and age and concentration of cholesterol and triglycerides levels. The results of this showed that the served foods for these prison inmates are well balanced as indicated by their cholesterol and triglycerides levels.
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The homeopathic treatment is based on the principle of therapeutic similitude, employing medicines that cause certain disorders to treat similar manifestations, stimulating a reaction of the organism against its own ailments. The occurrence of this secondary reaction of the organism, opposite in nature to the primary action of the medicines, is evidenced in the study of the rebound (paradoxical) effect of several classes of modern drugs. In this work, in addition to substantiate the principle of similitude before the experimental and clinical pharmacology, we suggest a proposal to employ hundreds of conventional drugs according to homeopathic method, applying the therapeutic similitude between the adverse events of medicines and the clinical manifestations of patients. Describing existing lines of research and a specific method for the therapeutic use of the rebound effect of modern drugs (http://www.newhomeopathicmedicines.com), we hope to minimize prejudices related to the homeopathy and contribute to a broadening of the healing art.
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Em virtude da valorização dos aspectos técnico-científicos no modelo biomédico, aspectos subjetivos da individualidade foram desprezados, tornando a medicina moderna desumanizada e reducionista na abordagem do processo de adoecimento humano. Com o intuito de resgatar a relação médico-paciente e a atenção integral ao indivíduo enfermo, com nítidos reflexos na qualidade e eficácia dos serviços prestados, a preocupação com a humanização da saúde passou a ser uma prioridade dos sistemas públicos, com a implantação de iniciativas nos diversos níveis de atenção. Desta forma, propostas humanísticas estão sendo incorporadas à formação médica nos cursos de graduação em Medicina e na rede de Atenção Básica em Saúde, visando contemplar, entre outros aspectos, "a compreensão dos determinantes sociais, culturais, comportamentais, psicológicos, ecológicos, éticos e legais, nos níveis individual e coletivo do processo saúde-doença". Neste contexto, o modelo homeopático, por aplicar em sua prática clínica diária uma abordagem semiológico-terapêutica individualizante e humanística na compreensão do processo saúde-doença e no tratamento das enfermidades, valorizando os determinantes éticos, filosóficos, antropológicos, psicológicos e socioambientais, poderia contribuir de forma adjuvante e complementar a humanização da formação médica, desde que seus preceitos sejam incorporados de forma regular e gradativa ao processo ensino-aprendizagem das instituições públicas e acadêmicas.
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On September 14, 2015 at 09:50:45 UTC the two detectors of the Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory simultaneously observed a transient gravitational-wave signal. The signal sweeps upwards in frequency from 35 to 250 Hz with a peak gravitational-wave strain of 1.0 × 10−21. It matches the waveform predicted by general relativity for the inspiral and merger of a pair of black holes and the ringdown of the resulting single black hole. The signal was observed with a matched-filter signal-to-noise ratio of 24 and a false alarm rate estimated to be less than 1 event per 203 000 years, equivalent to a significance greater than 5.1σ. The source lies at a luminosity distance of 410þ160 −180 Mpc corresponding to a redshift z ¼ 0.09þ0.03 −0.04 . In the source frame, the initial black hole masses are 36þ5 −4M⊙ and 29þ4 −4M⊙, and the final black hole mass is 62þ4 −4M⊙, with 3.0þ0.5 −0.5M⊙c2 radiated in gravitational waves. All uncertainties define 90% credible intervals. These observations demonstrate the existence of binary stellar-mass black hole systems. This is the first direct detection of gravitational waves and the first observation of a binary black hole merger.
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Background Studies on “Spirituality, religion and health” (R/S) have been increasing worldwide, including in Brazil. Mapping this production can help researchers to understand this field and also to identify gaps in the Brazilian R/S studies. Objective To analyze the Brazilian scientific articles on “Religion, Spirituality and Health” available on the main electronic databases using a bibliometric approach. Methods A comprehensive review of four major databases (PubMed, Scopus, BVS and Web of Science) was conducted. Three reviewers performed the data analysis. Off-topic articles, articles from Portugal, books and thesis were excluded. Articles were then classified by: Publication year, journal, Central focus in R/S, Academic Area, Main topic and Study Type. Results From 3,963 articles found, 686 studies were included in the final analysis (320 had central focus on R/S). There was an increase of articles in the last decade (most observational), with predominance of mental health issues, and from journals in the field of psychiatry, public health and nursing. Discussion This study enabled us to widen our understanding about how the field of “spirituality, religion and health” has been established and how this field is increasing in Brazil. These findings can help in the development of future Brazilian studies.
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A review of the history and contemporary use of the terms "epigenesis", coined by Aristotle, and "epigenetics", proposed by the biologist C. H. Waddington in the 20th century, brings to light the tensions between the vitalist and mechanist - or epigenist and preformationist - competing tendencies in life sciences in Western culture since the 17th century. Epigenetics involves intense discussions about the limits of neo-darwinism, opening space for the infl uence of the "environment" in transgenerational transmission. These tensions and polemics are of great interest for the humanities, since they imply different roles for "natural" heritage in mental, social and cultural life through the development and actualization of humanity.
Article
The Large Hadron Collider (LHC) at CERN and its experiments were conceived to tackle open questions in particle physics. The mechanism of the generation of mass of fundamental particles has been elucidated with the discovery of the Higgs boson. It is clear that the standard model is not the final theory. The open questions still awaiting clues or answers, from the LHC and other experiments, include: What is the composition of dark matter and of dark energy? Why is there more matter than anti-matter? Are there more space dimensions than the familiar three? What is the path to the unification of all the fundamental forces? This talk will discuss the status of, and prospects for, the search for new particles, symmetries and forces in order to address the open questions. This article is part of the themed issue ‘Unifying physics and technology in light of Maxwell's equations’.