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Uma Nota Sobre o Impacto do Comércio Internacional no Crescimento de Economias em Desenvolvimento

Authors:

Abstract

This paper investigates the impact of international trade on the economic growth of a group of developing countries. For this, the structural model proposed by Anderson et al. (2014) is used. The results indicate that growth is stimulated by bilateral trade. Counterfactual exercises suggest that trade liberalization, whether it results from reduced NAFTA costs or a hyperglobalization process, has a significant and positive impact on social welfare for some of the countries analyzed. In the case of Brazil, the improvement in welfare is 0.25% and 9.13%, respectively. Overall, the results demonstrate that international trade can be used as a tool to leverage GDP growth and the welfare of countries.
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ISSN 0034-7140 (print) | ISSN 1806-9134 (online)
DOI 10.5935/0034-7140.20170022
Revista Brasileira de Economia, 71(4), 453–461
Uma Nota Sobre o Impacto do Comércio
Internacional no Crescimento de
Economias em Desenvolvimento
ALEXANDRE LOURES
ERIK FIGUEIREDO
Sumário: 1. Introdução; 2. Especificação empírica; 3. Resultados; 4. Conclusão.
Palavras-chave: Modelo estrutural; Crescimento econômico; Bem-estar.
Códigos JEL: C33, C55, F14, F15.
Esta nota investiga o impacto do comércio internacional sobre o crescimento econômico
de um grupo de países em desenvolvimento. Para tanto, emprega-se o modelo estrutural
proposto por Anderson et al. (2014). Os resultados indicam que o crescimento é estimu-
lado pelo comércio bilateral. Os exercícios contrafactuais sugerem que a liberalização
comercial, seja ela fruto de uma redução dos custos do North American Free Trade Agre-
ement (NAFTA), ou de um processo de hiperglobalização, possui um impacto expressivo
e positivo sobre o bem-estar social para alguns dos países analisados. No caso do Brasil,
a melhora no bem-estar é de 0,25% e 9,13%, respectivamente. Em geral, os resultados
demonstram que o comércio internacional pode ser utilizado como instrumento para
alavancar o crescimento do PIB e o bem-estar dos países.
This paper investigates the impact of international trade on the economic growth of
a group of developing countries. For this, the structural model proposed by Anderson
et al. (2014) is used. The results indicate that growth is stimulated by bilateral trade.
Counterfactual exercises suggest that trade liberalization, whether it results from re-
duced NAFTA costs or a hyperglobalization process, has a significant and positive im-
pact on social welfare for some of the countries analyzed. In the case of Brazil, the
improvement in welfare is 0.25% and 9.13%, respectively. Overall, the results demon-
strate that international trade can be used as a tool to leverage GDP growth and the
welfare of countries.
1. INTRODUÇÃO
Os novos modelos de economia internacional têm abordado a relação comércio/crescimento econômico
a partir de duas vias. As abordagens desagregadas, com firmas heterogêneas e diferenciação de produ-
tos, demonstram que a abertura comercial induz uma realocação de recursos intra-indústria, onde as
firmas mais produtivas direcionam seus produtos para o setor exportador, enquanto as menos produ-
tivas ofertam seus produtos no mercado interno. Seguindo a tradição de Melitz (2003), postula-se que
esse processo constitui um novo canal não só para o crescimento do PIB, como também para a distri-
buição da renda (ver Helpman et al., 2017). Contudo, como discutido em Melitz e Redding (2015), as
implicações em termos de bem-estar social têm permanecido sem respostas.
O do-file desta nota está disponível on-line neste link: . Os autores são
gratos ao suporte financeiro do CNPq por meio do projeto 441473/2014-8.
Universidade Federal de Viçosa, Brasil. Bolsista CAPES/PNPD. E-mail:
Universidade Federal da Paraíba, Brasil. Pesquisador do CNPq. E-mail:
Recebido em 02 de julho de 2014
Aceitação Final em 18 de julho de 2017 RBE Rio de Janeiro v. 71 n. 4 / p. 453–461 Out-Dez 2017
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Alexandre Loures e Erik Figueiredo
Sob o ponto de vista agregado, a introdução do comércio como fator explicativo para o crescimento
é iniciada por Thirlwall (1979) e, mais recentemente, pelo artigo de Frankel e Romer (1999). Nesse
último o canal de causalidade se dá no sentido do comércio para o crescimento, sem uma justificativa
teórica sólida. Na literatura gravitacional, em especial em Baldwin (2004), não há um consenso sobre o
sentido da relação causal entre essas duas variáveis e; assim como na abordagem empírica de Frankel
e Romer (1999), a principal limitação reside em uma possível causalidade reversa entre comércio e
crescimento. Essa limitação perdurou até a publicação do estudo de Anderson et al. (2014) que propõe
uma abordagem teórica estrutural, combinando o modelo gravitacional de Anderson e van Wincoop
(2003) com os modelos de crescimento desenvolvidos por Lucas e Prescott (1971) e Hercowitz e Sampson
(1991).
O seu diferencial consiste no conceito de “causalidade circular e cumulativa”, isto é, o comércio afeta
o crescimento a partir do seguinte mecanismo: i) um aumento no fluxo comercial – via acordos de co-
mércio bilaterais, por exemplo –, promoverá mudanças (e.g. reduções) nos custos de comércio; ii) essas
alterações impactarão nos preços ao consumidor e ao produtor, produzindo efeitos ambíguos sobre a
acumulação de capital (maiores detalhes na seção 2). Contudo, mesmo sob um cenário caracterizado
pela redução da acumulacão de capital, os custos comerciais mais baixos permitirão que mais firmas
ingressem no mercado internacional, dando início ao processo de realocacão de recursos preconizado
por Melitz (2003); iii) por fim, uma economia com firmas mais produtivas apresentará maiores taxas de
crescimento com rebatimentos diretos sobre as importações e exportações.
Resumidamente, este canal de causalidade presume uma relação simultânea entre comércio e cresci-
mento – causalidade circular e cumulativa –, e, de certa forma–, promove o “encontro” entre as aborda-
gens desagregada e agregada descritas nos parágrafos anteriores. Sua principal vantagem, no entanto,
reside na conexão clara entre os impactos do comércio sobre o bem-estar social. Os resultados empíricos
obtidos por Anderson et al. (2014) indicam que se houver uma redução de 4% em todos os custos comer-
ciais, as transações bilaterais aumentarão em aproximadamente 16,3%. Para o bem-estar os resultados
reportados demonstram que as grandes economias tiveram os menores aumentos, Estados Unidos da
América apenas 0,15%, enquanto que as pequenas economias registraram os maiores aumentos, desta-
cando Bélgica com 4%. Grosso modo, os ganhos de bem-estar situaram-se em um intervalo de variação
de 0,15% a 4%.
Diante disso, esta nota propõe analisar o impacto do comércio sobre o crescimento econômico de
um grupo de países emergentes. São eles: Argentina, Brasil, China, Colômbia, Índia, Indonésia, Malásia,
México, Peru, Filipinas, África do Sul, Tailândia e Turquia. A escolha desse grupo de países se justifica
por duas razões. Primeiro, pela importância do crescimento econômico como promotor do bem-estar
de nações em desenvolvimento Chatterjee e Turnovsky (2005). Segundo, por eles representarem, em
2010, 21% das importações mundiais de mercadorias e 22% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial
Bown e Crowley (2014). De uma forma mais específica, o primeiro objetivo é analisar qual o impacto
do comércio bilateral no crescimento do produto a partir da abordagem estrutural de Anderson et al.
(2014). Em seguida serão realizadas simulações de impactos do comércio bilateral sobre o bem-estar
econômico.
Isso posto, a nota está organizada da seguinte forma. Na Seção 2 apresentam-se o modelo teórico e
as especificações econométricas utilizadas nas análises. A Seção 3 traz os resultados, as discussões e as
simulações contrafactuais. Por fim, na Seção 4 são feitas considerações finais.
2. ESPECIFICAÇÃO EMPÍRICA
Utilizam-se como regressores, para o modelo gravitacional, variáveis padrão tais como: uma dummy,
que assume um caso o par de países possua algum acordo e zero caso contrário, para captar o efeito
dos acordos comerciais sobre o comércio (rtaij,t), o logaritmo da distância caracterizando os impactos
dessa variável sobre o comércio (ldistij), uma dummy, que assume um caso o par de países apresente
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histórico de metrópole e colônia e zero em caso contrário, capturando o efeito dos laços coloniais sobre
o comércio (clnyij), uma dummy, que assume um caso o par de países seja fronteiriço e zero em caso
contrário, para captar o efeito da contiguidade sobre o comércio (cntgij )e uma dummy, que assume
um para o caso em que o par de países possua o mesmo idioma e zero caso contrário, capturando
o efeito do idioma sobre o comércio (idiomaij). Ainda conforme a literatura, são utilizados como
variáveis independentes efeitos fixos de origem variando no tempo i,t)bem como efeitos fixos de
destino variando no tempo j,t). Por fim, emprega-se um termo de erro (ij,t). Logo, a especificação
econométrica para o comércio internacional é dada por:
xij,t = exp(β0rtaij,t +β1ldistij +β2clnyij +β3cntgij +β4idiomaij + Γi,t + Λj,t ) + ij,t,(1)
em que xij,t representa o fluxo comercial entre o par de países iejno período t. Além disso, segundo
Anderson et al. (2015) os termos de resistências multilaterais externos e internos podem ser recuperados
através dos efeitos fixos da seguinte forma:
[
Π1σ
i,t =E0,tYi,t exp(d
Γi,t),(2)
e
\
P1σ
j,t =Ej,t
E0,t
exp(d
Λj,t),(3)
em que d
Γi,t ed
Λj,t são os efeitos fixos da Equação 1, Yi,t representa as vendas, aos preços do destino, de
ipara todos os destinos, Ej,t caracteriza-se como sendo a despesa no destino jde todas as origens e
E0,t é idêntico ao anterior porém exclusivamente para o país representativo. Note que por construção
tem-se que: Yi,t =Pj,t Xij,t eEj,t =Pi,t Xij,t .
A equação da função de produção será:
ln yi,t =γ0+γ1ln Li,t +γ2ln Ki,t +γ3ln "1
Π(1σ)
i,t #+ρt+%i+i,t,(4)
em que ln Li,t representa a participação do trabalho, ln Ki,t caracteriza-se como sendo a participação
do capital, Π(1σ)
i,t o termo de resistência multilateral externo, ρtcaracteriza-se como sendo um efeito
fixo ano para controlar quaisquer outras variáveis variando no tempo que possam afetar o produto
bem como as covariáveis variando no tempo que entram explicitamente na Equação 4, %icaracteriza-
se como sendo um efeito fixo país que em conjunto ao efeito fixo ano controla para a variabilidade
na tecnologia não observável e i,t representa o termo de erro. Ademais, o modelo impõe a seguinte
restrição estrutural na relação entre os parâmetros dos três regressores, γ1+γ2= 1 + γ3.
Conforme Anderson et al. (2014) a introdução na Equação 4 do termo de resistência multilateral
externo, ln[1/Π(1σ)
i,t ], tem implicações para o cálculo e análise da produtividade total dos fatores (PTF)
haja vista que o termo de resistência multilateral externo mede a incidência dos custos de comércio
sobre os produtos e, dessa forma, esse pode ser interpretado como um choque de produtividade. Assim,
estimativas da PTF em trabalhos empíricos que não controlam para a influência dos custos de comércio
internacional podem estar viesadas.
Por sua vez, a especificação para a acumulação do capital é dada por:
ln Kj,t =ϕ0+ϕ1ln yj,t1+ϕ2ln Kj,t1+ϕ3ln Pj,t1+ρt+%j+υj,t,(5)
em que o subscrito t1representa o valor da variável um período anterior, ln yj,t1determina o
produto da economia, ln Kj,t1caracteriza o estoque de capital, enquanto que ln Pj,t1representa o
termo de resistência multilateral interno, ρte%jsão, respectivamente, efeito fixo ano e país objetivando
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controlar para quaisquer outras variáveis variantes tanto no tempo quanto nos países que possam
afetar a acumulação de capital e υi,t caracteriza-se como sendo o termo estocástico.
Importante salientar que o modelo empregado nesta nota impõe uma restrição estrutural para a
relação entre os parâmetros das três covariáveis da seguinte forma: ϕ1=ϕ3eϕ1= 1 ϕ2. Além
disso, ϕ1=δcaracterizando a relação positiva entre o produto marginal do capital e o investimento,1
ϕ2= 1 δrepresentando a dependência do estoque de capital corrente em relação ao estoque de
capital passado e ϕ3=δcapturando a relação inversa e intuitiva entre acumulação de capital e os
preços dos bens de consumo e, também, os preços dos bens de investimentos. Finalmente, δrepresenta
a taxa de depreciação do capital.
3. RESULTADOS
A estimação do modelo gravitacional, Equação 1, foi realizada eliminando um efeito fixo destino2e a
constante. Todas as estimações eliminam o efeito fixo para Tailândia (THA), escolhido aleatoriamente,3
devido a ausência de um critério. Por fim, ressalta-se que os coeficientes de efeito fixo não serão repor-
tados em nenhuma das Tabelas apresentadas nesta seção.
Nota-se pela Tabela 1 que todos os coeficientes das variáveis gravitacionais padrão apresentaram
os sinais esperados pela literatura bem como são estatisticamente significantes a qualquer nível de
significância padrão.4O sinal negativo para o logaritmo da distância indica haver uma relação inversa
entre essa covariável e a variável dependente, o que é usual na literatura gravitacional, uma vez que a
distância entre dois países representa um custo para o fluxo bilateral de mercadorias. Por outro lado,
o sinal positivo para acordos comerciais, laços coloniais, contiguidade e idioma indica uma relação
positiva e, dessa forma, essas são variáveis que impulsionam o comércio bilateral entre dois países.
Tabela 1: Coeficientes do modelo gravitacional.
Variável Coeficiente
rta 0,5030a(0,0442)
Log (Distância) -0,6471a(0,0290)
Laços coloniais 0,1704a(0,0420)
Contiguidade 0,7633a(0,0619)
Idioma 0,2130a(0,0375)
Amostra 7.410
Notas: Erro padrão entre parênteses. Signifi-
cância estatística: a1%, b5% e c10%.
Uma vez estimada a Equação 1 torna-se possível obterem os termos de resistências multilaterais,
Equações 2 e 3. Tendo em mãos os termos de resistências volta-se agora para as especificações do
produto, Equação 4, e da acumulação de capital, Equação 5. As três primeiras colunas de resultados
1Dado a natureza de equilíbrio geral do modelo essa relação é impulsionada pelo impacto das mudanças nos custos de
comércio sobre os preços de portão de fábrica Anderson et al. (2014).
2Note que, como se trata de um painel, elimina-se um efeito fixo para cada ano, ou seja, exclui-se um efeito fixo para um
dado país.
3As rotinas computacionais estão disponíveis no link: .
4Foram realizadas estimações eliminando os efeitos fixos para o Brasil e para a África do Sul. Os resultados não foram
alterados.
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da Tabela 2 servem como um teste de robustez para os dados uma vez que se consideram diferentes
especificações para a função de produção.
Tabela 2: Renda e custos do comércio.
Variável Coeficiente
Cobb-Douglas Irrestrita Cobb-Douglas Restrita Modelo Irrestrito Modelo Restrito
ln Li,t -0,0216 (0,0161) 0,2925a(0,0029) 0,0751a(0,0147) 0,1682a(0,0037)
ln Ki,t 0,6168a(0,0057) 0,7075a(0,0029) 0,6868a(0,0056) 0,7182a(0,0024)
ln[1/Π(1σ)
i,t ] -0,1026a(0,0028) -0,1136a(0,0024)
Constante 4,5455a(0,1389) 2,0247a(0,0329) 1,9448a(0,1528) 1,0023a(0,0351)
R20,9981 0,9979 0,9984 0,9983
Amostra 7.410
Notas: Erro padrão (Jackknife) entre parênteses. Significância estatística: a1%, b5% e c10%.
Os resultados da Tabela 2 indicam que a participação do trabalho, na Cobb-Douglas irrestrita, repor-
tou um valor negativo, entretanto, estatisticamente insignificante. Por sua vez, conforme a teoria, a
estimativa para a participação do capital encontra-se dentro do limite teórico [0,1] e é estatisticamente
significante. Na terceira coluna, Tabela 2, são reportados os resultados para uma Cobb-Douglas res-
trita e nota-se que todos os coeficientes apresentaram os sinais esperados pela literatura. Já na quarta
coluna da Tabela 2 o destaque é para o modelo irrestrito que, com a introdução do termo de resistên-
cia multilateral externo, apresentou o sinal esperado pelo modelo proposto por Anderson et al. (2014).
Adicionalmente, não alterou os sinais dos demais coeficientes.
Contudo, a informação mais importante a ser extraída da Tabela 2 é a relação inversa entre o comér-
cio e o crescimento (coeficiente do termo de resistência multilateral externo). Ou seja, esse resultado
sinaliza que uma possível superação do atraso e do desequilíbrio externo de economias em desenvol-
vimento possa se dar via adoção de políticas de incentivo ao comércio externo. Como argumentado
por Melitz (2003) a exposição ao comércio internacional leva ao crescimento da produtividade e, por
conseguinte, a um maior crescimento do produto.
Tabela 3: Acumulação de capital e custos do comércio.
Variável Coeficiente
Modelo Irrestrito Modelo Restrito
ln yj,t10,1497a(0,0032) 0,0483a(0,0019)
ln Kj,t10,8987a(0,0037) 0,9517a(0,0019)
ln Pj,t1-0,0163a(0,0020) -0,0483a(0,0019)
Constante -0,5067a(0,0221) 0,0634a(0,0016)
R20,9999 0,9999
Amostra 7.020
Notas: Erro padrão (Jackknife) entre parênteses. Significância esta-
tística: a1%, b5% e c10%.
Por fim, a Tabela 3 apresenta as estatísticas dos coeficientes para a especificação da acumulação
de capital, as quais possibilitarão recuperar a taxa de depreciação do capital (δ). Assim como para a
função de produção a segunda coluna da Tabela 3 serve como um teste de robustez para os dados, ou
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seja, será que antes de impor a restrição do modelo os coeficientes reportarão os sinais esperados bem
como serão estatisticamente significantes? Nota-se da Tabela 3 que todos os coeficientes de interesse
são estatisticamente significantes bem como apresentaram os sinais esperados pela literatura possibi-
litando, dessa forma, recuperar uma taxa de depreciação do capital igual à δ= 0,0483. Além disso,
uma vez que tanto o coeficiente do termo de resistência multilateral interno quanto o do produto são
estatisticamente significantes essas variáveis coadunam-se à teoria proposta pelo modelo de Anderson
et al. (2014). Ou seja, aquele sinaliza uma relação causal entre comércio internacional e a acumula-
ção de capital, isto é, ϕ3captura a relação inversa entre o investimento e os custos dos investimentos
enquanto que ϕ1caracteriza a relação positiva entre o produto marginal do capital e o investimento.
3.1. Impactos do comércio sobre o bem-estar social: procedimentos contrafactuais
Como exercício contrafactual Anderson et al. (2015) propuseram o que denominam de cenário condici-
onal. Isso significa que os coeficientes dos custos do contrafactual devam ser idênticos aos coeficientes
dos custos da estimação “baseline”, Equação 1. Todavia, note que os demais dados: Xij ,YieEjper-
manecem os mesmos para a estimação da Equação 1. Esse cenário permite que mudanças nos custos
de comércio afetem os termos de resistências multilaterais externos e internos. Logo, a especificação
econométrica do contrafactual é dada por:
Xij,t = exp(β0\
rtac
ij,t +β1\
ldistc
ij +β2\
clnyc
ij +β3\
cntgc
ij +β4\
idiomac
ij + Γc
i,t + Λc
j,t) + c
ij,t,(6)
em que o símbolo de “acento circunflexo” sobre os custos reflete a restrição do modelo, ou seja, os
valores dos coeficientes do contrafactual são restritos aos valores da estimação “baseline” e o sobrescrito
c” representa variáveis contrafactuais.
Assim, uma vez estimada a Equação 6 seguem-se os mesmos passos, após a estimação da Equação
1, para obterem os índices de equilíbrio geral condicional, os termos de resistências multilaterais ex-
ternos e internos. Ou seja, multiplica-se cada vetor de efeito fixo pelo exponencial de seu respectivo
coeficiente e depois colocam-se todos os efeitos fixos origem-ano em um único vetor bem como todos os
efeitos fixos destino-ano em um único vetor. Por fim, calculam-se os termos de resistências multilaterais
externos e internos contrafactuais através das Equações 2 e 3.
Calculados os índices de equilíbrio geral torna-se possível obter a variação percentual do bem-estar
cuja equação é dada por:
c
Wi=Yc
i/ˆ
Pc
i
Yi/ˆ
Pi
=ˆ
Pi
ˆ
Pc
i
i,(7)
em que no cenário condicional Yc
i=Yi. Por fim, note que, na realidade, a variação percentual do
bem-estar nada mais é do que variação do PIB real uma vez que ˆ
Yc
i/ˆ
Pc
icaracteriza-se como sendo o PIB
real do contrafactual enquanto que Yi/ˆ
Pirepresenta o PIB real “baseline”.
Para simular a liberalização comercial, NAFTA, esta nota gerou um novo vetor para os acordos co-
merciais, denominado de rtac
ij,t, em que o NAFTA entre México e Canadá e México e EUA assume valor
igual a zero. Por sua vez, para a hiperglobalização os vetores para: rtaij,t,ldistij,clnyij ,cntgij e
idiomaij , no contrafactual denominados de: rtac
ij,t,ldistc
ij ,clnyc
ij ,cntgc
ij eidiomac
ij , assumem va-
lores iguais a zero. Destaca-se que Anderson et al. (2014) na realização do contrafactual utilizaram um
valor padrão para a elasticidade de substituição de Armington igual a σ= 7. Todavia, dada a especi-
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ficidade da pauta exportadora dos países de origem desta nota, na sua maioria commodities, esta nota
optou por empregar uma elasticidade igual a σ= 12,1.5
Tabela 4: Variação percentual do bem-estar.
País Bem-estar (NAFTA) Bem-estar (Globalização)
Argentina 0,18% 5,97%
Brasil 0,25% 9,13%
China 0,11% 5,68%
Colômbia 0,45% 6,91%
Indonésia 0,01% 1,41%
Índia -0,03% -1,94%
México -0,10% 9,58%
Malásia -0,01% -1,49%
Peru 0,30% 5,80%
Filipinas 0,01% 1,47%
Tailândia - -
Turquia 0,17% 9,77%
África do Sul 0,10% 12,79%
Notas: Resultados da pesquisa.
Observa-se na Tabela 4, assim como observado em Anderson et al. (2014), que tanto após a libera-
lização comercial (NAFTA) bem como após a eliminação de todos os custos, isto é, simulando a hiper-
globalização, três dos treze países teriam desvio de comércio (Índia, México e Malásia). Contudo, esses
resultados eram esperados. Pois, segundo a fundamentação teórica proposta por Anderson (1979) o
fluxo comercial entre as regiões iej, depois de controlar para o tamanho das economias, é decrescente
em relação as barreiras bilaterais existentes entre essas regiões comparativamente a barreira média do
comércio enfrentado por iejcom todos os demais parceiros, ou seja, o que importa são as barreiras
bilaterais em relação à média multilateral Novy (2013).
Para o NAFTA o maior aumento percentual foi percebido na Colômbia, 0,45%. Já para a hipergloba-
lização o país mais beneficiado foi a África do Sul que teria seu bem-estar aumentado em 12,79%. Por
sua vez, as maiores perdas foram para México (0,10%) e Índia (1,94%), respectivamente.6Em com-
paração aos resultados de Anderson et al. (2014) o contrafactual do NAFTA não se diferenciou muito em
magnitude, pois para aqueles autores os efeitos sobre os países não membro do NAFTA foram inferiores
a dois, sendo na sua maioria inferior a um. Porém foram todos negativos. Já com relação à hiperglo-
balização Anderson et al. (2014) reportaram efeitos positivos para todos os países sendo a magnitude
aproximadamente igual a 4%.
Todavia, tais diferenças de efeitos não parecem ser um problema. Primeiramente, o México é o
único membro do NAFTA como país de origem nesta nota e, dessa forma, o efeito da liberalização co-
mercial pode estar subestimado. Ademais, Anderson et al. (2014) trabalharam tanto com o comércio
intra quanto com internacional e, sendo assim, uma vez que nesta nota utilizou-se apenas o comér-
cio internacional desvios do comércio inter para o intranacional não foram capturados pelas análises
5Segundo Broda et al. (2006) demonstraram a elasticidade de substituição média para as commodities é igual à 12,1 enquanto
que para os demais produtos essa é igual à 7,2.
6Em termos médios tanto o NAFTA quanto a hiperglobalização apresentaram ganhos de bem-estar para os países, sendo
0,11% para aquele e 5,01% para esse.
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e, portanto, tanto o contrafactual do NAFTA quanto da hiperglobalização podem estar subestimados.
Como última observação destaca-se que essas duas limitações bem como a não utilização do comércio
mundial podem ter influenciado na ocorrência de variações negativas para o bem-estar.
De modo geral os resultados de Anderson et al. (2014) demonstram que os ganhos de bem-estar
variam bastante. Por exemplo, as economias mais desenvolvidas foram aquelas em que se notou os
menores ganhos de bem-estar, com uma variação de 0,15% os EUA foram a menor variação. Por outro
lado, as economias com menor participação no comércio internacional foram as que apresentaram os
maiores ganhos, por exemplo, 4% na Bélgica. Sendo assim, esses resultados ratificam os números
reportados nesta nota uma vez que os países em análise caracterizam-se como sendo economias em
desenvolvimento e com pequena participação no comércio internacional e, portanto, os efeitos de uma
liberalização comercial bem como de uma eliminação de todos os custos comerciais são maiores.
4. CONCLUSÃO
Esta nota analisou o impacto do comércio bilateral internacional sobre o crescimento econômico de
um grupo de países em desenvolvimento. Os principais resultados indicaram que o comércio possui
impactos positivos sobre o crescimento e a acumulação de capital. Foram realizados dois exercícios
contrafactuais, como forma de analisar o impacto do comércio sobre o bem-estar. No primeiro simula-
se uma liberalização comercial a partir de uma redução dos custos do NAFTA. No segundo eliminam-se
todos os custos comerciais, simulando um processo de hiperglobalização. Os resultados demonstraram
que em termos médios há ganhos de bem-estar. No caso brasileiro, o contrafactual da liberalização
comercial, NAFTA, aumentaria o bem-estar social em cerca de 0,25%. Os ganhos para esse país seria
de 9,13% no caso de um processo amplo de globalização. A Colômbia destaca-se como o país mais
beneficiado, aumento de 0,45%, no caso de uma liberalização comercial e a África do Sul no caso de
uma hiperglobalização, 12,79%.
De uma forma geral, esses resultados contradizem a visão estruturalista e sua premissa de “cres-
cimento para dentro”, em que se associa, de forma direta, o fechamento das fronteiras comerciais ao
crescimento econômico. De uma forma mais específica, esse tipo de política levaria a reduções do pro-
duto e da acumulação do capital, privando as nações de usufruir um maior nível de bem-estar social.
Por fim, percebe-se que a articulação de acordos multi- ou bilaterais de comércio, como os “Regional
Trade Agreements”, seriam o melhor caminho para alavancar o crescimento econômico da maioria dos
países investigados nesta nota.
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Uma Nota Sobre o Impacto do Comércio Internacional no
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... Observa-se que os valores dos coeficientes das três variáveis não são estáveis comparativamente com os valores dos coeficientes nas estimações (21) e (22), nas quais foram introduzidos os termos de resistência multilateral externo, 1 j P  − , recuperado a partir da estimação (4) (Tabela 1), com a introdução de efeitos fixos para pares de países. Nas estimações (23) e (24), observa-se que os coeficientes que captam os efeitos dos termos de resistência multilateral interno é relativamente menor e próximo aos valores estimados por Anderson, Larch e Yotov (2014) e por Loures e Figueiredo (2017). ...
Conference Paper
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RESUMO: Os bens de capital são reconhecidamente estratégicos para a qualquer economia, no entanto, os países em desenvolvimento, em geral, não conseguem produzi-los em quantidade e qualidade suficientes para atender a sua demanda. As importações podem complementar a oferta da indústria nacional, mas também podem estimular a difusão e internalização de tecnologias mais avançadas entre os setores domésticos. Dessa maneira, este trabalho avalia os efeitos das importações de bens de capital sobre o crescimento econômico do Brasil e de um conjunto de países entre 2008 e 2016. O foco da análise reside na resistência ao comércio e na acumulação de capital, uma vez que, por hipótese, as resistências ou custos de transação reduzem os fluxos comerciais com efeitos negativos sobre a acumulação de capital e o crescimento econômico. O modelo teórico e empírico utilizado foi o Modelo Gravitacional Estrutural Dinâmico. Os resultados indicam que as resistências bilaterais ao comércio foram estatisticamente significativas e apresentaram os sinais esperados, conforme registrado também em outros trabalhos da literatura aplicada. Mensurou-se que o Brasil possui o sexto maior custo bilateral médio para as importações e o décimo terceiro maior para as suas exportações de bens de capital. As estimações da função de produção permitem inferir que os custos de transação afetaram os preços aos produtores negativamente. Já a função de acumulação de capital apreendeu a relação positiva entre o valor do produto marginal do capital e o investimento e a relação causal inversa entre a resistência ao comércio e a acumulação de capital. Na medida em que o aumento do estoque de bens de capital é determinante para o aumento da produtividade do trabalho e do produto, essa relação seria um indício da dificuldade que a resistência ao comércio traz para o crescimento de uma nação. Esse resultado sinaliza que políticas de abertura comercial, ao reduzirem o custo relativo do investimento, aumentam o estoque de bens de capital. Portanto, os países, principalmente os não desenvolvidos, têm muito a ganhar ao promoverem reformas que reduzam essas resistências e incentivem as importações desses bens. Palavras-chave: Bens de capital. Importação. Barreiras ao comércio. Crescimento. Brasil. ABSTRACT: Capital goods are recognized as strategic for any economy, however, developing countries, in general, are unable to produce them in sufficient quantity and quality to meet their demand. Imports can complement the supply of domestic industry, but they can also stimulate the diffusion and internalization of more advanced technologies among domestic sectors. In this way, this work assesses the effects of capital goods imports on the economic growth of Brazil and of a group of countries between 2008 and 2016. The focus of the analysis resides on resistance to trade and capital accumulation, since, hypothetically, resistance or transaction costs reduce trade flows with negative effects on capital accumulation and economic growth. The theoretical and empirical model used was the Dynamic Structural Gravitational Model. The results indicate that the bilateral resistance to trade was statistically significant and presented the expected signs, as also recorded in other works in the applied literature. It was measured that Brazil has the sixth highest bilateral average cost for imports and the thirteenth highest for its exports of capital goods. Estimates of the production function allow us to infer that transaction costs have affected prices to producers negatively. The capital accumulation function, on the other hand, apprehended the positive relationship between the value of the marginal product of capital and investment and the inverse causal relationship between resistance to trade and capital accumulation. To the extent that the increase in the stock of capital goods is decisive for the increase in the productivity of labor and product, this relationship would be an indication of the difficulty that resistance to trade brings to the growth of a nation. This result indicates that trade opening policies, by reducing the relative cost of investment, increase the stock of capital goods. Therefore, countries, especially the non-developed ones, have much to gain by promoting reforms that reduce this resistance and encourage imports of these goods.
... Cordeiro & Rodrigues Jr (2016) chegam a conclusões similares, porém, apontando indícios de desvio de exportações industriais em direção do bloco ("trade diversion"). Usando uma abordagem estrutural, Loures & Figueiredo (2017) sugerem que o acordo gera um impacto positivo sobre o bem-estar econômico dos países membros. Os mesmos autores, Figueiredo & Loures (2016), também demonstram que o bloco promove a entrada de novos produtos no mercado, comprovando seu efeito sobre a margem extensiva de comércio. ...
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Este artigo analisa se a experiência de exportação dentro do Mercosul afeta a probabilidade de criação de mercado para novos produtos fora da área de comércio, i.e., um efeito spillover para terceiros países. Usando um banco de dados com elevada desagregação (BACI–HS4) e uma estratégia de estimação baseada em modelos probabilísticos, constata-se que as experiências anteriores de exportação estão associadas a uma probabilidade de 1,9% de criação de mercado para novos produtos. Esse efeito, aliado aos resultados de Figueiredo & Loures (2016), indicam que o Mercosul não só contribui para a ampliação da margem extensiva de comércio dentro do bloco, como também constitui um primeiro passo para que um produto se consolide na exploração de novos mercados internacionais.
... Cordeiro & Rodrigues Jr (2016) chegam a conclusões similares, porém, apontando indícios de desvio de exportações industriais em direção do bloco ("trade diversion"). Usando uma abordagem estrutural, Loures & Figueiredo (2017) sugerem que o acordo gera um impacto positivo sobre o bem-estar econômico dos países membros. Os mesmos autores, Figueiredo & Loures (2016), também demonstram que o bloco promove a entrada de novos produtos no mercado, comprovando seu efeito sobre a margem extensiva de comércio. ...
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In a recent study, Figueiredo & Loures (2016) demonstrate that Mercosur encourages the entry of new products into the export agenda of its member countries. Thus, this paper analyzes whether export experience within Mercosur affects the likelihood of market creation for new non-marketed products, i.e. an effect Spillover for third countries. Using a highly disaggregated database, Base for Analytics du Commerce International (BACI) - HS4 and; an estimation strategy based on probabilistic models, it is found that previous export experiences are associated with a 1.9% market-creation probability for new products. This effect, coupled with the results of Figueiredo & Loures (2016) indicate that Mercosur not only contributes to the expansion of the extensive trade margin within the bloc, but also constitutes a first step for a product to consolidate itself in the exploration of new international markets.
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We show that endogenous firm selection provides a new welfare margin for heterogeneous firm models of trade (relative to homogeneous firm models). Under some parameter restrictions, the trade elasticity is constant and is a sufficient statistic for welfare, along with the domestic trade share. However, even small deviations from these restrictions imply that trade elasticities are variable and differ across markets and levels of trade costs. In this more general setting, the domestic trade share and endogenous trade elasticity are no longer sufficient statistics for welfare. Additional empirically observable moments of the micro structure also matter for welfare.
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While neoclassical theory emphasizes the impact of trade on wage inequality between occupations and sectors, more recent theories of firm heterogeneity point to the impact of trade on wage dispersion within occupations and sectors. Using linked employer-employee data for Brazil, we show that much of overall wage inequality arises within sector-occupations and for workers with similar observable characteristics; this within component is driven by wage dispersion between firms; and wage dispersion between firms is related to firm employment size and trade participation. We then extend the heterogenous-firm model of trade and inequality from Helpman et al. (2010) and estimate it with Brazilian data. We show that the estimated model provides a close approximation to the observed distribution of wages and employment. We use the estimated model to undertake counterfactuals, in which we find sizable effects of trade on wage inequality.
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Examining the correlation between trade and income cannot identify the direction of causation between the two. Countries' geographic characteristics, however, have important effects on trade and are plausibly uncorrelated with other determinants of income. This paper, therefore, constructs measures of the geographic component of countries' trade and uses those measures to obtain instrumental variables estimates of the effect of trade on income. The results provide no evidence that ordinary least-squares estimates overstate the effects of trade. Further, they suggest that trade has a quantitatively large and robust, though only moderately statistically significant, positive effect on income.
Article
This paper estimates the impact of aggregate fluctuations on the time-varying trade policies of 13 major emerging economies over 1989-2010. By 2010, these World Trade Organization member countries collectively accounted for 21 percent of world merchandise imports and 22 percent of world gross domestic product. The paper examines determinants of carefully constructed, bilateral measures of new import restrictions on products arising through the temporary trade barrier (TTB) policies of antidumping, safeguards, and countervailing duties. The approach explicitly addresses changes to the institutional environment facing these emerging economies as they joined the WTO and adopted disciplines to restrain their application of other trade policies, such as applied import tariffs. The paper presents evidence of a counter-cyclical relationship between macroeconomic shocks and new TTB import restrictions in addition to an important role for fluctuations in bilateral real exchange rates. Furthermore, for the subset of major Group of 20 emerging economies, the trade policy responsiveness coinciding with WTO establishment in 1995 suggests a significant change relative to the pre-WTO period; i.e., new import restrictions became more counter-cyclical over time. Finally, the paper documents evidence on changes to some of these empirical relationships coinciding with the Great Recession.
Article
The paper shows that if long-run balance of payments equilibrium on current account is a requirement then a country's long run growth rate can be approximated by the ratio of the growth of exports to the income elasticity of demand for imports. The model fits well the experience of eighteen OECD countries. It is output, not relative prices, that adjusts the balance of payments, contrary to the neoclassical orthodoxy. Growth can be demand constained by the balance of payments.
Article
This paper develops a dynamic industry model with heterogeneous firms to analyze the intra‐industry effects of international trade. The model shows how the exposure to trade will induce only the more productive firms to enter the export market (while some less productive firms continue to produce only for the domestic market) and will simultaneously force the least productive firms to exit. It then shows how further increases in the industry's exposure to trade lead to additional inter‐firm reallocations towards more productive firms. The paper also shows how the aggregate industry productivity growth generated by the reallocations contributes to a welfare gain, thus highlighting a benefit from trade that has not been examined theoretically before. The paper adapts Hopenhayn's (1992a) dynamic industry model to monopolistic competition in a general equilibrium setting. In so doing, the paper provides an extension of Krugman's (1980) trade model that incorporates firm level productivity differences. Firms with different productivity levels coexist in an industry because each firm faces initial uncertainty concerning its productivity before making an irreversible investment to enter the industry. Entry into the export market is also costly, but the firm's decision to export occurs after it gains knowledge of its productivity.
Article
Barriers to international trade are known to be large. But have they become smaller over time? Building on the gravity framework by Anderson and van Wincoop (2003), I derive an analytical solution for time-varying multilateral resistance variables that can be related to observable trade data. This solution makes it possible to infer time-varying bilateral trade costs directly from the model's gravity equation without imposing arbitrary trade cost functions. As an illustration, I show that U.S. trade costs with major trading partners declined on average by about 40 percent between 1970 and 2000, with Mexico and Canada experiencing the biggest reductions.
Article
Starting with Romer [1987] and Rivera-Batiz-Romer [1991] economists have been able to model how trade enhances growth through the creation and import of new varieties. In this framework, international trade increases economic output through two channels. First, trade raises productivity levels because producers gain access to new imported varieties. Second, increases in the number of varieties drives down the cost of innovation and results in ever more variety creation. Using highly disaggregate trade data, e.g. Gabon's imports of Gambian groundnuts, we structurally estimate the impact that new imports have had in approximately 4000 markets per country. We then move from groundnuts to globalization by building an exact TFP index that aggregates these micro gains to obtain an estimate of trade on productivity growth for each country. We find that in the typical country in the world, new imported varieties account for 15 percent of its productivity growth. These effects are larger in developing countries where the median impact of new imported varieties equals a quarter of national productivity growth.
Article
The paper develops a theoretical framework for understanding the mechanism through which foreign aid affects macroeconomic performance. The authors find that the long-run impact of an aid program and the nature of the transitional dynamics it generates depend crucially on (i) the elasticity of substitution in production, (ii) whether the aid flow is tied to investment activity or not, (iii) how the recipient government chooses to react to the flow of external assistance, and (iv) whether the aid program is permanent or temporary. Structural characteristics of the recipient are important in determining the extent to which external assistance can aid growth and welfare. Copyright Blackwell Publishing Ltd 2005..