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POLONÊS E ALEMÃO EM CONTATO. UMA ABORDAGEM DA APLICAÇÃO DO CONCEITO DE LIMITE NA ANÁLISE LINGUÍSTICA

Authors:

Abstract

The aim of this paper is to deliver an insight into German-Polish language mixing in the German-Polish border region, and to propose an innovative framework that incorporates the theory of the border into linguistic analysis and illustrates and explains the language contact-induced processes of language border opening, crossing and blurring. Applying this approach on the German-Polish language data I aim to show how interdisciplinary theory on the characteristics of borders can be successfully combined with language analysis. --- DOI: http://dx.doi.org/10.22409/gragoata.2017n42a876
Gragoatá, Niterói, v.22, n. 42, p. 107-130, jan.-abr. 2017 107
Resumo
O objetivo deste artigo é fornecer uma visão sobre o
contato linguístico alemão-polonês na região frontei-
riça da Polônia e da Alemanha e propor uma abor-
dagem para a ilustração e a explicação dos processos
da abertura, da transgressão e dissolução dos limites
linguísticos. Em seguida será elaborada e aplicada
uma abordagem que integra a teoria da fronteira com
a análise linguística e apresenta uma perspectiva
interdisciplinar da análise dos aspectos gramaticais
do contato entre os idiomas.
Palavras-chave: Contato linguístico. Limite lin-
guístico. Região fronteiriça Polônia/Alemanha.
Polonês e alemão em contato. Uma
abordagem da aplicação do conceito de
limite na análise linguística
Recebido em 03 de janeiro de 2017
Aceito em 02 de maio de 2017
Dagna Zinkhahn Rhobodesa
aProfessora de Linguística da Europa University Viadrina. E-mail: dagna_wilniewczyc@wp.pl
http://dx.doi.org/10.22409/gragoata.2017n42a876
Dagna Zinkhahn Rhobodes
Gragoatá, Niterói, v.22, n. 42, p. 107-130, jan.-abr. 2017 108
1. Introdução
No presente artigo, eu gostaria de convidar o leitor para
uma viagem à região fronteiriça da Polônia e da Alemanha,
e mais especicamente às cidades fronteiriças Frankfurt/
Oder e Słubice, que são caracterizadas pelo contato entre
idiomas além da fronteira política e que são consideradas
como sendo os lugares mais importantes dos contatos
polonês-alemães (KIMURA, 2013, p. 111). Por causa da
cooperação transfronteiriça na área da educação, da cultura
e da economia, as nguas polonesa e alemã entram aqui
em contato nas mais variadas instituições – por exemplo na
Universidade Europeia Viadriana com aproximadamente 10%
de estudantes poloneses e com 75% de estudantes alemães
mas também em interações diárias entre a população.
A língua polonesa e a alemã são assim usadas nos vários
contextos sociais e institucionais, mostrando que o aumento da
permeabilidade da fronteira política afeta também a fronteira
linguística entre este par de línguas eslavo-germânicas.
O contato intenso entre línguas frequentemente leva à
produção criativa e espontânea das formas mistas alemão-
polonesas usadas na comunicação cotidiana. Do resultado
da coexistência das línguas num repertório linguístico das
pessoas bilíngues e da inuência recíproca dessas línguas
podem emergir novas formas linguísticas.
Esses fenômenos mostram que o uso da língua em
contextos multilíngues oferece um espaço para a permeabilidade
entre os sistemas linguísticos (CUNHA et al., 2012, p. 13). A
partir dessa perspectiva, eu considero as formas da mescla das
línguas, que se distinguem pela transmissão das características
gramaticais e fonéticas de uma língua à outra, como o resultado
da abertura e da transgressão dos limites linguísticos. Por
limites linguísticos entendo a interface entre duas línguas,
ou seja, o limite estrutural entre dois sistemas linguísticos,
o qual frequentemente está foneticamente marcado como
sendo um lugar da alternância de códigos. Se o contato entre
as línguas for tão intenso, que leva à fusão das estruturas da
morfossintaxe e das estruturas fonéticas e consequentemente à
emergência das formas linguísticas com um caráter sincrético,
ele até pode dar origem à dissolução dos limites linguísticos.
Polonês e alemão em contato
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O assunto deste artigo é uma análise da fala misturada
polonês-alemã estabelecida por estudantes poloneses na
região fronteiriça entre Frankfurt/Oder e Słubice. Esta fala é
designada por seus locutores Viadrinisch (baseado no nome da
Universidade Viadrina) ou Poltsch (baseado no nome dasnguas
de contato: Polski (polonês) e Deutsch (alemão)).
O termo fundamental para a análise é limite. Por um lado,
os dados do uso da língua polonesa e da alemã foram coletados
na fronteira política entre a Polônia e a Alemanha. Por outro
lado, também o caráter dos limites linguísticos analisados nos
dados representa o objeto central da investigação.
Embora o termo do limite linguístico já seja considerado
na pesquisa das línguas em contato (cf. “Sprachgrenzen
überspringen”, HINNENKAMP e MENG, 2005; crossing”,
RAMPTON, 1995; “transgression”, AUDEHM e VELTEN, 2007;
sprachliches Grenzgängertum”, GOGOLIN, 1998), o conceito
do limite linguístico e os processos da transgressão e dissolução
foram usados até a presente data, na maior parte das vezes, de
maneira metafórica. O caráter dos limites linguísticos e a sua
transformação dinâmica durante os processos da transgressão
e dissolução não foram objeto da análise sistemática.
Resumindo, o objetivo da pesquisa é a investigação da fala
mista polonês-alemã, estabelecida e usada pelos estudantes da
Universidade Europeia Viadrina em Frankfurt/Oder, a partir
de uma perspectiva gramatical, acrescida da implementação
do conceito da fronteira. Em seguida será elaborada e aplicada
uma abordagem que integra a teoria da fronteira com a
análise linguística e apresenta uma perspectiva interdisciplinar
da análise dos aspectos gramaticais do contato entre os idiomas.
O objetivo é mostrar os reconhecimentos surgidos desta
abordagem interdisciplinar e fazer uma contribuição para a
teoria da fronteira a partir da perspectiva linguística.
2. Três dimensões do limite
Em seguida serão apresentados três conceitos essenciais
para a análise dos limites linguísticos a durabilidade, a
permeabilidade e a liminalidade.
Esses três conceitos estão baseados nas três dimensões
elementares do limite, discutidas na literatura das ciências
culturais, ou seja, a diferenciação, a transgressão e a
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formação de zonas fronteiriças, fornecendo um fundamento
terminológico para a análise dos dados apresentada no item 4.
2.1. Diferenciação
A primeira dimensão reete a fronteira como sendo um
instrumento de diferença e de separação. A fronteira é aqui
principalmente entendida como sendo um meio da marcação
e da diferença entre o “próprio” e o “alheio” ou entre os dois
sistemas e ordens. Tal fronteira intransponível é então uma
linha claramente marcada, que separa dois sistemas e que
diculta a passagem. Este tipo de fronteira, que pode ser
visualmente descrito como sendo uma represa, é designado
na literatura das ciências culturais “border/frontière”
(JUNGBLUTH, 2012, p. 45). Girtler (2006) designa este tipo de
fronteiras comofronteiras do primeiro grau” e as dene como
sendo “as separações exatas entre a realidade e as pessoas”
1
(
GIRTLER, 2006, p. 17). Segundo o autor, elas representam
fronteirasgidas e bem controladas, que agem como “barreiras
reais” e fazem uma superação quase impossível. Como
exemplos deste tipo de limite Girtler (2006) designa a antiga
Cortina de Ferro ou os muros da prisão (GIRTLER, 2006, p. 17).
Assim a primeira dimensão das fronteiras ilustra a função
da diferenciação. As fronteiras que atuam como as “linhas
de demarcação” (“Demarkationslinien”, KLEINSCHMIDT,
2011, p. 9) separam e distinguem dois sistemas ou ordens
governamentais, sociais, institucionais ou linguísticos. A
função de separação das fronteiras é explicada por Weyand,
Sebald e Popp (2006) como segue:
Fronteiras distinguem um interior de fora, um própio
de um alheio, algo possível do impossível. Neste sentido
amplo, o termo da fronteira refere-se a uma separação, onde
ambos os lados apenas têm a sua razão de ser através da
sua relação recíproca. Não existe o próprio, sem o alheio,
não há dentro sem fora. Fronteiras, no entanto, não
distinguem; elas marcam ou delimitam pelo menos um
dos lados, separando-os, portanto. (WEYAND; SEBALD;
POPP, 2006, p. 9, tradução nossa)2
Um exemplo paradigmático para um papel essencial do
processo da diferenciação é a língua. No âmbito da linguística
estrutural, Saussure (1967) enfatiza que a linguagem é um
1 „exakte Trennungen
von Wirklichkeit und
Menschen“
2 „Grenzen
unterscheiden ein
Innen von einem
Außen, ein Eigenes
von einem Fremden,
ein Mögliches von
einem Unmöglichen.
In dieser weiten
Bedeutung bezeichnet
der Begriff Grenze
eine Unterscheidung,
deren beide Seiten nur
durch Beziehung auf
die je andere sinnhaft
sind. Kein Eigenes
ohne ein Fremdes, kein
Innen ohne ein Außen.
Grenzen unterscheiden
indes nicht nur,
sie markieren oder
begrenzen wenigstens
eine der beiden Seiten
und trennen sie
dadurch.“
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sistema complexo de diferenciações. Cada elemento linguístico
é relacionado com outros elementos linguísticos. Não há
nenhum signicado sem diferença (SAUSSURE, 1967, p. 140).
A partir de uma perspectiva sociológica, Durkheim
(1981) também mostrou que as diferenciações e classicações
sociais constituem um aspecto essencial da cultura. Segundo
Durkheim (1981), Douglas (1985) enfatizou em seu trabalho
etnológico o papel fundamental dos processos da diferenciação
nas ordens sociais. Usando o exemplo do conceito depureza
e contaminação”, a antropóloga descreve a importância dos
sistemas de classicação em apresentações sobre as ordens
sociais, que são vinculadas a uma determinada cultura. O
termo da diferença também forma a base da abordagem
de Bourdieu (1988) sobre a estrutura social da sociedade.
O conceito do limite desempenha um papel importante no
termo central de seu trabalho o hábito (“habitus”) que,
de acordo com o autor, especica um limite de percepção
individual e o saber individual das pessoas de diferentes
classes (BOURDIEU, 1992. p. 33).
2.2. Transgressão
No entanto, as fronteiras não são somente linhas
rígidas que separam os sistemas ou as ordens. Elas também
podem ser excedidas e cruzadas. As fronteiras podem ser
consideradas, por conseguinte, não só como lugar de separação
e distinção, mas também como um lugar de passagem. Tais
limites permeáveis agem como um ltro, uma membrana ou
uma soleira e permitem uma interação entre dois sistemas
ou ordens vizinhas. Esse tipo da fronteira, que atua como
um limiar e que permite a inuência entre dois sistemas, é
designado na literatura dos estudos culturais como “limite/
boundary” (JUNGBLUTH, 2012, p. 45) ou como “fronteira de
segundo grau” (GIRTLER, 2006, p. 22). Como exemplos para
este tipo da fronteira, Girtler chama a porta da casa, entradas
em eventos, tais como campos de futebol ou espaços de teatro
(GIRTLER, 2006, p. 23).
Um limite permeável pode ser visualmente
ilustrado como uma soleira. Então não é uma barreira
intransponível, mas um lugar de abertura e de passagem. Aqui se
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realizam o intercâmbio e a formação das relações entre os
sistemas e ordens vizinhos:
Os limites culturais são, portanto, não só estruturas xas que
separam o dentro do fora ou o familiar do alheio, eles são
permeáveis e passáveis e ainda mais, eles já incubam em si
sua transgressão (Foucault). Limites separam, enquanto eles
também simultaneamente podem conectar. Eles insistem
nos critérios da pureza, da identicação, da diferença, mas
eles também permitem mistura, contaminação e criolização.
(AUDEHM/VELTEN, 2007, p. 10, tradução nossa)3
A constatação de que o limite já incuba em si a
transgressão foi sublinhada em particular por Foucault ([1963]
2001) no seu “Prefácio à transgressão”. Foucault não considerou
limites como linhas xas de demarcação, mas apontou seu
caráter dinâmico e uido. De acordo com Foucault o limite e
a transgressão são mutuamente dependentes:
A transgressão é um gesto relativo ao limite; é aí, na tênue
espessura da linha, que se manifesta o fulgor de sua
passagem, mas talvez também sua trajetória na totalidade,
sua própria origem. A linha que ela cruza poderia também
ser todo o seu espaço […] O limite e a transgressão devem
um ao outro a densidade de seu ser: um limite que
absolutamente não poderia ser transposto, seria inexistente;
em contrapartida uma transgressão seria inexistente, se
rompesse apenas um limite ilusório, obscuro. (FOUCAULT,
[1963] 2001, p. 324f, tradução nossa)
Como sublinhado por Audehm e Velten (2007), as
transgressões dos limites permanecem raramente sem
consequências. Os autores mostram que resultados as
transgressões de limite podem ter deste ponto de vista
linguístico, usando o exemplo da transgressão dos limites
linguísticos no uso do idioma. Audehm e Velten consideram
transgressão dos limites linguísticos como transgressão das
normas e regras de uma língua. De acordo com Audehm e
Velten (2007) as normas linguísticas podem ser excedidas no
uso da língua. Se uma superação de normas linguísticas é
repetida e habitual em vários falantes, isto pode ter um efeito
sobre o sistema de normas:
Cada repetição pode violar e transformar as regras do
programa ou sistema. Estes processos repetitivos da
transgressão e da diferenciação têm como atos criativos
do uso da ngua um efeito retroativo sobre o programa
3 „Kulturelle Grenzen
sind demnach nicht
nur feste Strukturen
und scheiden Innen
von Außen, das Eigene
und das Fremde, sie
sind durchlässig und
überschreitbar, mehr
noch, sie tragen ihre
Überschreitung
bereits in sich
(Foucault). Grenzen
separieren, während
sie gleichzeitig auch
verbinden können. Sie
beharren auf Reinheit,
Identifizierbarkeit,
D i f f e r e n z , d o c h
sie ermöglichen
Vermischung,
Kontamination,
Kreolisierung.“
Polonês e alemão em contato
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que em consequência irá ser gradualmente mudado e
diacronicamente reorganizado. (AUDEHM; VELTEN, 2007,
p. 13, tradução nossa)4
Em consequência, a transgressão dos limites linguísticos
– as normas, princípios e regras de uma língua – pode
desencadear uma mudança de linguagem (GEHWEILER, 2007;
NIG, 2007). Como resultado da transgressão das normas
linguísticas podem surgir as novas formas linguísticas, que
têm a princípio um estado instável, que, no entanto, pode ser
xado por um uso cada vez mais frequente dos vários falantes
(AUDEHM/VELTEN, 2007, p. 28).
2.3. Formação das zonas fronteiriças
Processos de transgressão podem levar ao deslocamento
e mesmo à dissolução dos limites. Se as normas existentes
serão revogadas pela transgressão e pela violação do limite,
ao longo dos limites, novos espaços intermediários podem
ser estabelecidos. Tais espaços de limite representam a
terceira manifestação de limites e podem ser ilustrados como
uma bainha. Estas zonas de transição com limites abertos e
desfocados são chamadas na literatura das ciências culturais
marge/margin” (JUNGBLITH, 2012, p. 45) ou fronteira de
terceiro grau” (GIRTLER 2006, p. 26). Tais zonas intermediárias
são caracterizadas pela mistura e fusão.
Audehm e Velten notam que hibridações são
primordialmente produzidas através de transgressões de
limites: As hibridações e misturas são produzidas pelas
passagens dos limites.” (AUDEHM/VELTEN, 2007, p. 17,
tradução nossa).
5
As transgressões dos limites podem, assim,
levar à dissolução dos limites e ao surgimento de espaços
intermediários ambivalentes. Nestas zonas fronteiriças, novas
formas e estruturas podem surgir como resultado da suspensão
e da mistura das regras.
Além disso, Audehm e Velten (2007) enfatizam que,
em zonas de limite estabelecidas por transgressões podem
manifestar-se processos de hibridação: “transgressões fazem
demarcações visíveis; mas eles também podem mover esses
limites; elas levam ao desenvolvimento de espaços fronteiriços
ambivalentes, onde hibridações são possíveis(AUDEHM;
4 „Jede Wiederholung
kann die Regeln des
Programms oder
Systems überschreiten
und transformieren.
Diese wiederholten
Prozesse der
Transgression und
Differenzierung
haben als kreative
Akte des Gebrauchs
Rückwirkungen auf
das Programm, das
allmählich verändert
u n d d i a c h r o n
reorganisiert wird”
5 „Hybridisierungen
und Vermischungen
werden durch
Grenzüberschreitungen
allererst hervorgebracht.
Dagna Zinkhahn Rhobodes
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VELTEN, 2007, p. 11, tradução nosa).
6
Por hibridação, os autores
entendem a combinação dos elementos de dois sistemas/
ordens, que levam ao surgimento de algo novo, que ainda
não é estável, distinguido por heterogeneidade e um estado
de transição e emergência. Assim, trata-se da oposição de algo
homogêneo, de uma “estratégia de fazer ambíguo“ (“Strategie
des Mehrdeutig-Machens“, AUDEHM e VELTEN, 2007, p. 33).
Audehm e Velten (2007) denem hibridações da seguinte
forma: “hibridações são os processos inovadores e criativos
surgidos em espaços intermediários, nos quais as partes
heterogêneas são conectadas e misturadas, para estabelecer
algo indenido e ambivalente” (AUDEHM; VELTEN, 2007 p.
33, tradução nossa).
7
A partir dos anos 80/90 do século XX pode ser observada
uma mudança de paradigma nos estudos culturais: a natureza
divisiva e excludente dos limites e os processos de demarcação,
exclusão e delimitação já não são o foco, mas a “esfera produtiva
dos contatos entre as culturas” (BACHMANN-MEDICK,
1998, p. 20) e os processos de transgressão, deslocamento e
dissolução dos limites ganham cada vez mais importância.
Zonas de contato cultural e processos de mistura representam
conceitos centrais, dentro da discussão, no âmbito das ciências
sociais sobre a transculturalidade (ERFURT, 2005, p. 26). Esta
mudança de paradigma – o Postcolonial Turn e Spat ial Turn
– desempenha um papel crucial no tratamento do conceito
de limite de uma nova perspectiva. Weyand, Sabald e Popp
(2006) descrevem essa nova abordagem do conceito do limite
dentro dos estudos culturais em sua introdução à antologia
GrenzGänge – BorderCrossings. Kulturtheoretische Perspektiven
da seguinte forma:
Num tempo de mudança constante e deslocamento das
fronteiras econômicas, culturais e simbólicas, o caráter
separativo dos limites aparentemente se dissolveu; eles
parecem tornar-se latentes. Em vez de tar essa latência
do limite e registrar deslocamentos, distorções, expansões
ou fusões, parece que nas ciências culturais aconteceu
um novo trato com limites. Com isso os fenômenos de
transgressão e as passagens dos limites entram em foco.
A ênfase cai sobre a gura do terceiro (Bauman 1992) ou
sobre o espaço intermediário (Bhabha, 1995a, 1995b). Termos,
como transdiferença e transdisciplinaridade, referem-se à
intenção de exceder os limites desenhados e estabelecidos.
(WEYAND; SABALD; POPP, 2006, p. 11, tradução nossa).8
6 „Transgressionen
machen Grenzziehungen
sichtbar und erfahrbar;
sie können jene Grenzen
aber auch verschieben
und ‘umfrisieren’; sie
erzeugen ambivalente
Schwellenräume, in
denen Hybridisierungen
möglich werden.”
7 „Hybridisierungen
sind, bezogen auf
kulturelle Praktiken
und Repräsentationen,
in Zwischenräumen
hergestellte innovative
und kreative Prozesse,
in denen Heterogenes
verbunden und
vermischt und damit
unbestimmt und
ambivalent gemacht
wi rd.“
8 „In einer Zeit
der permanenten
Veränderung und
V e r s c h i e b u n g
ö k o n o m i s c h e r ,
kultureller und
symbolischer Grenzen
hat sich das Trennende
bzw. Eingrenzende
von Grenzen scheinbar
aufgelöst; sie scheinen
latent zu werden.
Anstat t auf diese Latenz
der Grenze zu starren
und Verschiebungen,
Verwerfungen,
Erweiterungen oder
Verschmelzungen
zu registrieren,
scheint in den
Kulturwissenschaften
ein neuer Umgang
mit Grenzen Einzug
gehalten zu ha be n: […] In
den Blickpunkt geraten
damit Phänomene der
Grenzüberschreitung,
der Grenzgänge (sowohl
kreuzend, als auch im
Sinne eines Bewegens
auf der Grenze). Sichtbar
werden di e alltäg lic hen,
die theoretischen
und literarischen
Transgressionen.
Betont werden etwa
die Figur des Drittten
(Bauman 1992) oder
der Zwischenraum
(Bhabha 1995a, 1995b).
Bezeich nu nge n w ie
‘Transdifferenz’ oder
‘Transdisziplinarität’
verweisen auf die
Absicht, gezogene und
etablierte Grenzen zu
überschreiten.“
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3. O limite e a linguística: uma proposta de uma
abordagem interdisciplinar
A partir das três dimensões do limite discutidas acima
– a diferenciação, a transgressão e o estabelecimento de zonas
fronteiriças serão apresentadas em seguida três qualidades de
limite – a durabilidade, permeabilidade e liminalidade. Essas
três qualidades de limite fornecem a base terminológica para
a análise dos dados alemão-poloneses no capítulo 4.
Os conceitos de durabilidade, permeabilidade e
liminalidade serão ilustrados por grácos esquemáticos. Os
três círculos nos grácos seguintes representam três níveis de
análise dos dados de corpus: o nível fonético (P), morfológico
(M) e sintático (S).
A durabilidade refere-se à dureza e à densidade
dos limites. Limites linguísticos duráveis são claramente
identificáveis: o ponto de alternância da língua pode ser
inequivocadamente determinado, separando evidentemente
dois sistemas linguísticos (LA e LB) entre si. Limites
linguísticos duráveis formam assim uma barreira impermeável
entre os idiomas, que pode ser gurativamente descrita como
uma represa. Em casos de alternância da língua, com um
caráter durável do limite linguístico, não ocorre nenhuma
interferência fonética, morfológica ou sintática entre as línguas
envolvidas. Além disso, a transição para a outra língua é muitas
vezes antecipada por um “agging” (como por exemplo, uma
pausa, interjeições, comentários metalinguísticos, riso, etc., cf.
SANKOFF e POPLACK, 1988).
Gráco 1. Durabilidade dos limites linguísticos
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A permeabilidade refere-se à transpassabilidade do
limite e à sua qualidade de conectar os sistemas adjacentes
e de transmitir entre eles. Um limite permeável representa,
assim, um lugar da abertura, transição, interação e da
reciprocidade. Limites linguísticos permeáveis ainda podem
ser inequivocadamente determinados – o lugar da alternância
da língua pode ser claramente distinguido –, mas eles não são
densos e impenetráveis. Em vez disso, eles formam uma soleira
permeável ou uma membrana, que permite a inuência entre
dois sistemas linguísticos e a produção de relações gramaticais
– como, por exemplo, a congruência ou coesão – entre as
línguas envolvidas. As características gramaticais, assim, são
transmitidas através do limite lingstico.
Gráco 2. Permeabilidade dos limites linguísticos
O conceito da liminalidade provém de Turner (1969) e
reete a ideia de que os limites não são simplesmente linhas,
mas constituem zonas de limiar. Estas zonas de limiar
podem ser consideradas como espaços de transição e/ou de
sobreposição, com limites abertos e indenidos. Essas áreas
são consideradas zonas cinzentas (“grey areas”, CLYNE 2000,
p. 273; McCORMICK, 2002) e podem ser entendidas de acordo
com Bhabha (2000) como “terceiros espaços” (“third spaces”)
e espaços intermediários” (“in-between spaces“). Em tais
zonas se realizam as transições de um sistema para outro. Elas,
portanto, se caracterizam por uma mudança, transformação
e inovão.
Os espaços intermediários podem surgir também no
limiar entre duas línguas em contato e formar “novos espaços
Polonês e alemão em contato
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de multilinguismo” (ERFURT, 2003, p. 6) ou “terceiros espaços
da linguagem” (GUGENBERGER, 2005, p. 358).
Nestes espaços liminales – como eu vou chamá-los
com base no conceito da liminalidade, podem surgir formas
linguísticas híbridas, como um resultado da combinação,
sobreposição e fusão das estruturas gramaticais das línguas
envolvidas no contato.
Tais formas liminales resultam algumas vezes também
da convergência das estruturas linguísticas das línguas
envolvidas:
In particular, prolonged interaction between languages,
given the right social conditions, may lead to a greater or
lesser degree of language convergence. Furthermore, if
circumstances are conductive to it, the grammatical norms
of the ‘switched’ code may converge on a new, mixed or
‘hybrid’ set of norms. (SEBBA, 2009, p. 52).
Devido às formas liminales muitas vezes apresentarem
simultaneamente relações com ambas as línguas envolvidas,
nem sempre está claro onde exatamente está o limite linguístico.
Assim, ao contrário do que acontece com limites duráveis e
permeáveis, o lugar da alternância da língua muitas vezes não
pode ser claramente identicado. Por causa da copresença das
características de ambas as línguas envolvidas, a classicação e
designação dos elementos linguísticos a uma ou a outra língua
é, portanto, problemática.
Devido à sobreposição e à fusão das estruturas
linguísticas, as fronteiras linguísticas cam anuviadas. Elas
se convertem em espaços prolongados de transição e de
sobreposição, em que podem surgir inovações linguísticas e
formas sincréticas.
Gráco 3. Liminalidade dos limites linguísticos
In particular, prolonged interaction between languages, given the right social
conditions, may lead to a greater or lesser degree of language convergence.
Furthermore, if circumstances are conductive to it, the grammatical norms of
the ‘switched’ code may converge on a new, mixed or ‘hybrid’ set of norms.
(SEBBA, 2009, p. 52).
Devido às formas liminales muitas vezes apresentarem simultaneamente relações
com ambas as línguas envolvidas, nem sempre está claro onde exatamente está o limite
linguístico. Assim, ao contrário do que acontece com limites duráveis e permeáveis, o
lugar da alternância da língua muitas vezes não pode ser claramente identificado. Por
causa da copresença das características de ambas as línguas envolvidas, a classificação e
designação dos elementos linguísticos a uma ou a outra língua é, portanto, problemática.
Devido à sobreposição e à fusão das estruturas linguísticas, as fronteiras
linguísticas ficam anuviadas. Elas se convertem em espaços prolongados de transição e
de sobreposição, em que podem surgir inovações linguísticas e formas sincréticas.
Gráfico 3: Liminalidade dos limites linguísticos
Finalmente, é necessário notar que as três dimensões da fronteira a durabilidade, a
permeabilidade e a liminalidade, devem ser consideradas como partes de um contínuo
com fuzzy boundaries” (LAKOFF, 1987). Como será mostrado na análise dos dados
alemão-poloneses, alguns exemplos serão classificados em veis intermediários,
porque uma clara atribuição a uma das três dimensões nem sempre é possível.
L
B (P)
L
B (M)
L
B (S)
L
A (P)
L
A (M)
L
A (S)
Dagna Zinkhahn Rhobodes
Gragoatá, Niterói, v.22, n. 42, p. 107-130, jan.-abr. 2017 118
Finalmente, é necessário notar que as três dimensões da
fronteira – a durabilidade, a permeabilidade e a liminalidade,
devem ser consideradas como partes de um contínuo com
fuzzy boundaries” (LAKOFF, 1987)
. Como será mostrado na
análise dos dados alemão-poloneses, alguns exemplos serão
classicados em níveis intermediários, porque uma clara
atribuição a uma das três dimensões nem sempre é possível.
4. Análise
O fragmento abaixo provém de uma gravação com uma
estudante da Viadrin a, n a qual a fa lante descreve o procedimento
de registro da tese. A falante alterna várias vezes entre o polonês
e o alemão em diferentes lugares estruturais. Como vamos
ver durante a análise, as formas de alternância de códigos
linguísticos formam um contínuo desde uma alternância entre
asnguas, sem nenhuma inuência recíproca (caráter durável
dos limites linguísticos), passando por formas caracterizadas
por transgressão dos aspectos gramaticais (caráter permeável
dos limites linguísticos) até a sobreposição das estruturas
linguísticas e a emergência das novas formas sincréticas (caráter
liminal dos limites linguísticos).
Exemplo 1: Registro da tese
[1]
K.EUV.10
Idzie-sz do
Prüfungsamt-u
musi-sz się
zameld-ować
[tradução
morfema por
morfema]
ir-PRS.2SG a
instituto da
examinação-
GEN.SG.M
ter-PRS.2SG se
registrar-INF
[tradução livre]
Você vai para o instituto da examinação, você tem que registrar-se
[fonética]
[ˈprfɨŋsamtu]
[ˈzamɛldɔvatɕ]
[fonética
(segundo a
norma alemã)]
[ˈpryːfʊŋsamt]
[ˈanmɛld]
[prosódia]
-
-
[morfologia ]
Prüfungsamt-
GEN.SG.M
anmelden-INF
[sintaxe]
[PP[APPR: do][NP[NN:
Prüfungsamtu]]]
[S [NP[APPR: (ty)]][VP[VMFIN:
musisz][VP [PRF: sie] [VVINF:
zameldowac]]]]
[carácter do
limite
linguístico]
P/L
L
[2]
K.EUV.10
ze swoi-mi
Schein-ami
• yyy w
Immatrikulationsamci-e
[tradução
morfema por
morfema]
com seu-
INSTR.PL
certificado-
INSTR.PL
• hem em
instituto da matrícula-
LOC.SG.M
[tradução livre]
com seus certificados no instituto da matrícula
[fonética]
[ʃaɪ
̯nami]
[ɪmatrɨkulaˈʦiɔnsamtɕɛ]
[fonética
(segundo a
norma alemã)]
[ʃaɪ
̯n]
[ɪmatrikulaˈʦi
̯oːnsamt]
[prosódia]
-
-
[morfologia ]
Schein-
INSTR.PL
Immatrikulationsam(t)-
LOC.SG.M
[sintaxe]
[PP[APPR: ze][NP[PPOSAT:
swoimi][NN: Scheinami]]]
[PP[APPR: w][NP[NN:
Immatrikulationsamcie]]]
[carácter do
limite
linguístico]
P
L
[3]
K.EUV.10
((1s)) yyy nie wie-m • musi-sz iść do bibliotek-i • żeby • sprawdzi-ć, czy •
nie
[tradução
morfema por
morfema]
Hem… não saber-PRS.1SG dever-PRS.2SG ir.INF a biblioteca-GEN.SG.F para
verificar-INF se não
[tradução livre]
hem… eu não sei, você tem que ir à biblioteca, para verificar, se você
Exemplo 1. Registro da tese
Polonês e alemão em contato
Gragoatá, Niterói, v.22, n. 42, p. 107-130, jan.-abr. 2017 119
Exemplo 1: Registro da tese
[1]
K.EUV.10
Idzie-sz do
Prüfungsamt-u
musi-sz się
zameld-ować
[tradução
morfema por
morfema]
ir-PRS.2SG a
instituto da
examinação-
GEN.SG.M
ter-PRS.2SG se
registrar-INF
[tradução livre]
Você vai para o instituto da examinação, você tem que registrar-se
[fonética]
[ˈprfɨŋsamtu]
[ˈzamɛldɔvatɕ]
[fonética
(segundo a
norma alemã)]
[ˈpryːfʊŋsamt]
[ˈanmɛld]
[prosódia]
-
-
[morfologia ]
Prüfungsamt-
GEN.SG.M
anmelden-INF
[sintaxe]
[PP[APPR: do][NP[NN:
Prüfungsamtu]]]
[S [NP[APPR: (ty)]][VP[VMFIN:
musisz][VP [PRF: sie] [VVINF:
zameldowac]]]]
[carácter do
limite
linguístico]
P/L
L
[2]
K.EUV.10
ze swoi-mi
Schein-ami
• yyy w
Immatrikulationsamci-e
[tradução
morfema por
morfema]
com seu-
INSTR.PL
certificado-
INSTR.PL
• hem em
instituto da matrícula-
LOC.SG.M
[tradução livre]
com seus certificados no instituto da matrícula
[fonética]
[ʃaɪ
̯nami]
[ɪmatrɨkulaˈʦiɔnsamtɕɛ]
[fonética
(segundo a
norma alemã)]
[ʃaɪ
̯n]
[ɪmatrikulaˈʦi
̯oːnsamt]
[prosódia]
-
-
[morfologia ]
Schein-
INSTR.PL
Immatrikulationsam(t)-
LOC.SG.M
[sintaxe]
[PP[APPR: ze][NP[PPOSAT:
swoimi][NN: Scheinami]]]
[PP[APPR: w][NP[NN:
Immatrikulationsamcie]]]
[carácter do
limite
linguístico]
P
L
[3]
K.EUV.10
((1s)) yyy nie wie-m • musi-sz iść do bibliotek-i • żeby • sprawdzi-ć, czy •
nie
[tradução
morfema por
morfema]
Hem… não saber-PRS.1SG dever-PRS.2SG ir.INF a biblioteca-GEN.SG.F para
verificar-INF se não
[tradução livre]
hem… eu não sei, você tem que ir à biblioteca, para verificar, se você
[4]
K.EUV.10
ma-sz jak-ieś yyy
ausstehende Gebühren
[tradução
morfema por
morfema]
ter-PRS.2SG algun-AKK.PL
devido a taxas.
[tradução livre]
tem algumas hem… taxas necesariás
[fonética]
[ˈaʊ
̯sˌʃteːəndə ɡəˈbyːrən]
[fonética
(segundo a
norma alemã)]
[ˈaʊ
̯sˌʃteːəndə ɡəˈbyːrən]
[prosódia]
interjeição, pausa
[morfologia ]
embedded language island
[sintaxe]
[VP[PTKNEG: nie][VAFIN: masz][NP[PIAT: jakies][ADJA: ausstehende][NN:
Gebühren]]]
[carácter do
limite
linguístico]
P
[5]
K.EUV.10
Musi-sz jecha-ć na przykład
na/do
Sprachenz/centrum
żeby też
[tradução
morfema por
morfema]
dever-PRS.2SG ir-INF por
exemplo[NOM.SG] a/para
central das línguas
estrangeiras
para também
[tradução livre]
Você tem que ir por exemplo à central das línguas estrangeiras, para também
[fonética]
[ˈʃpraːχənˈʦɛntrʊ/um]
[fonética
(segundo a
norma alemã)]
[ˈʃpraːχənˈʦɛntrʊm]
[prosódia]
-
[morfologia ]
morfema zero
[sintaxe]
[PP[APPR: do][NP[NN: Sprachenzentrum]]]
[carácter do
limite
linguístico]
L
L
[6]
K.EUV.10
odebra-ć wszystk-ie •
Schein-y
język-owe yyy
[tradução
morfema por
morfema]
ir buscar-INF todo-AKK.PL
certificado-
AKK.PL
ngua-ADJVR.AKK.PL
[tradução livre]
ir buscar todos os certificados das aulas da língua estrangeira
[fonética]
[ʃaɪ
̯nɨ]
[fonética
(segundo a
norma alemã)]
[ʃaɪ
̯n]
[prosódia]
pausa
[morfologia ]
Schein-
AKK.PL
[sintaxe]
[NP[ADJA: zalegle][NN: Scheiny]]
[carácter do
limite
linguístico]
P
[…]
Dagna Zinkhahn Rhobodes
Gragoatá, Niterói, v.22, n. 42, p. 107-130, jan.-abr. 2017 120
[4]
K.EUV.10
ma-sz jak-ieś yyy
ausstehende Gebühren
[tradução
morfema por
morfema]
ter-PRS.2SG algun-AKK.PL
devido a taxas.
[tradução livre]
tem algumas hem… taxas necesariás
[fonética]
[ˈaʊ
̯sˌʃteːəndə ɡəˈbyːrən]
[fonética
(segundo a
norma alemã)]
[ˈaʊ
̯sˌʃteːəndə ɡəˈbyːrən]
[prosódia]
interjeição, pausa
[morfologia ]
embedded language island
[sintaxe]
[VP[PTKNEG: nie][VAFIN: masz][NP[PIAT: jakies][ADJA: ausstehende][NN:
Gebühren]]]
[carácter do
limite
linguístico]
P
[5]
K.EUV.10
Musi-sz jecha-ć na przykład
na/do
Sprachenz/centrum
żeby też
[tradução
morfema por
morfema]
dever-PRS.2SG ir-INF por
exemplo[NOM.SG] a/para
central das línguas
estrangeiras
para também
[tradução livre]
Você tem que ir por exemplo à central das línguas estrangeiras, para também
[fonética]
[ˈʃpraːχənˈʦɛntrʊ/um]
[fonética
(segundo a
norma alemã)]
[ˈʃpraːχənˈʦɛntrʊm]
[prosódia]
-
[morfologia ]
morfema zero
[sintaxe]
[PP[APPR: do][NP[NN: Sprachenzentrum]]]
[carácter do
limite
linguístico]
L
L
[6]
K.EUV.10
odebra-ć wszystk-ie •
Schein-y
język-owe yyy
[tradução
morfema por
morfema]
ir buscar-INF todo-AKK.PL
certificado-
AKK.PL
ngua-ADJVR.AKK.PL
[tradução livre]
ir buscar todos os certificados das aulas da língua estrangeira
[fonética]
[ʃaɪ
̯nɨ]
[fonética
(segundo a
norma alemã)]
[ʃaɪ
̯n]
[prosódia]
pausa
[morfologia ]
Schein-
AKK.PL
[sintaxe]
[NP[ADJA: zalegle][NN: Scheiny]]
[carácter do
limite
linguístico]
P
[…]
Polonês e alemão em contato
Gragoatá, Niterói, v.22, n. 42, p. 107-130, jan.-abr. 2017 121
4.1. Durabilidade
Um caráter durável dos limites linguísticos pode ser
identicado no fragmento acima num ponto sintático, ou seja,
num ponto de alteração do idioma entre o verbo opisała e o
substantivo Schritt (linha 9).
O limite linguístico é aqui claramente identicável: a
língua polonesa e a língua alemã são claramente separadas
e o ponto de alternância do idioma é fácil de identicar. A
alternância da língua é acompanhada por uma breve pausa,
que anuncia e marca a alternância da língua.
Além disso, entre o substantivo Schritt e os elementos
lexicais poloneses antecedidos não podemos observar nenhuma
relação gramatical, que poderia ser estabelecida, por exemplo,
através de concordância. Portanto, além do limite linguístico
não são transferidas quaisquer características gramaticais.
Como pode ser visto a partir das linhas de anotação fonética do
transcrito, também não ocorre nenhuma interferência fonética.
Assim, observamos apenas uma justaposição de componentes
linguísticos, que podem ser facilmente atribuídos a um ou a
outro idioma.
[9]
K.EUV.10
Bym to w ten sposób opisa-ła •
Schritt
po
Schrici-e
[tradução
morfema por
morfema]
PTK isto em este.AKK.SG.M maneira
descrever-PST.1SG.F
passo
a
passo-
LOC.SG.M
[tradução livre]
Eu descreveria isso passo a passo desta maneira
[fonética]
[ʃrɪt]
[ʃrɪtɕɛ]
[fonética
(segundo a
norma alemã)]
[ʃrɪt]
[ʃrɪt]
[prosódia]
pausa
-
[morfologia ]
morfema
zero
[NOM.SG]
Schri(tt)-
LOC.SG.M
[sintaxe]
[NP[NN: Schritt]][PP[APPR: po][NP[NN: Schricie]]]
[carácter do
limite
linguístico]
D
L
Dagna Zinkhahn Rhobodes
Gragoatá, Niterói, v.22, n. 42, p. 107-130, jan.-abr. 2017 122
Como mostrado no quadro abaixo, no lugar da alternância
da língua acontece uma coincidência da fronteira fonética e
sintática. O ponto da alternância da língua é assim duplamente
marcado:
fonética. Assim, observamos apenas uma justaposição de componentes linguísticos, que
podem ser facilmente atribuídos a um ou a outro idioma.
Como mostrado no quadro abaixo, no lugar da alternância da língua acontece uma
coincidência da fronteira fonética e sintática. O ponto da alternância da ngua é assim
duplamente marcado:
w ten sposób opisała [S(NP)[P Schritt]]
A clara identificação do ponto da alternância da língua, a marca da transição para a
língua alemã por uma pausa, bem como a ausência de uma transferência de
características gramaticais além do limite linguístico indicam o caráter durável do
analisado ponto de alternância das línguas.
4.2 Permeabilidade:
Um caráter permeável dos limites linguísticos pode ser identificado nos seguintes
pontos sintáticos:
o entre o substantivo Schein e a terminação morfológica ami (linha 2)
o entre o substantivo Schein e a terminação morfológica y (linha 6)
o entre o pronome indefinido jakieś e a frase ausstehende Gebühren (linha
4)
Em todas as alternâncias supracitadas elementos lexicais alemães são incorporados na
morfossintaxe da língua polonesa. A integração é realizada no caso do substantivo
Schein por uma adaptação morfológica e, no caso da frase ausstehende Gebühren pela
produção de concordância entre a frase alemã e o determinante polonês jakieś. O limite
linguístico abre-se, assim, para a integração do material lexical alemão. Na terminologia
de Myers-Scotton (1993) a ngua polonesa atua como a “Matrix Language” que fornece
a estrutura morfosintática, na qual os elementos da “Embedded Language” neste caso
alemão o incorporados e integrados.
A clara identicação do ponto da alternância da língua,
a marca da transição para a língua alemã por uma pausa,
bem como a ausência de uma transferência de características
gramaticais além do limite linguístico indicam o caráter
durável do analisado ponto de alternância das línguas.
4.2. Permeabilidade
Um caráter permeável dos limites linguísticos pode ser
identicado nos seguintes pontos sintáticos:
entre o substantivo Schein e a terminação morfológica
ami (linha 2)
entre o substantivo Schein e a terminação morfológica
y (linha 6)
entre o pronome indenido jakieś e a frase ausstehende
Gebühren (linha 4)
Em todas as alternâncias supracitadas elementos lexicais
alemães são incorporados na morfossintaxe da língua polonesa.
A integração é realizada no caso do substantivo Schein por
uma adaptação morfológica e, no caso da frase ausstehende
Gebühren pela produção de concordância entre a frase alemã e o
determinante polonês jaki. O limite linguístico abre-se, assim,
para a integração do material lexical alemão. Na terminologia
de Myers-Scotton (1993) a língua polonesa atua como a “Matrix
Language” que fornece a estrutura morfossintática, na qual os
elementos da “Embedded Language” – neste caso alemão – são
incorporados e integrados.
Ao contrário do exemplo com o caráter durável, as
alterações de idioma não ocorrem entre dois constituintes
sintáticos, mas dentro de uma unidade sintática. Nos pontos
Polonês e alemão em contato
Gragoatá, Niterói, v.22, n. 42, p. 107-130, jan.-abr. 2017 123
da alternância da língua não há nenhuma coincidência da
fronteira fonética e sintática:
Ao contrário do exemplo com o caráter durável, as alterações de idioma não
ocorrem entre dois constituintes sintáticos, mas dentro de uma unidade sintática. Nos
pontos da alternância da língua não nenhuma coincidência da fronteira fonética e
sintática:
[S(NN) Schein [M[P ami]]]
[S(NP) jakieś [P ausstehende Gebühren]]
[S(NN) Schein [M[P y]]]
A incorporação dos elementos lexicais alemães na morfossintaxe da língua polonesa,
bem como a transmissão das características gramaticais necessárias para a integração
morfológica e a formação de congruência além da fronteira fonética indicam a abertura
e a transgressão dos limites linguísticos. Os limites linguísticos, assim, têm um caráter
permeável: eles agem como membranas permeáveis que possibilitam o encadeamento
dos elementos lexicais alemães com a morfologia polonesa.
4.3 Permeabilidade/Liminalidade
O substantivo Prüfungsamt (linha 1) pode ser considerado como um caso
limítrofe entre a permeabilidade e a liminalidade. Aqui ocorre não só a integração
morfológica, mas também a alteração de uma vogal na raiz do substantivo. O som ü
[ʏ] que não aparece no inventário de vogais da língua polonesa é submetido às
regras fonéticas do idioma polonês: Ele é substituído pelo equivalente fonético mais
próximo na língua polonesa e é realizado como [ɨ]. Assim, a influência da língua
polonesa não termina na fronteira do morfema, e sim a excede: dentro da raiz do
substantivo alemão acontece uma interferência fonética. Consequentemente, a fronteira
fonética não pode ser determinada com clareza. Essa ambiguidade na demarcação da
A incorporação dos elementos lexicais alemães na
morfossintaxe da língua polonesa, bem como a transmissão
das características gramaticais necessárias para a integração
morfológica e a formação de congruência além da fronteira
fonética indicam a abertura e a transgressão dos limites
linguísticos. Os limites linguísticos, assim, têm um caráter
permeável: eles agem como membranas permeáveis que
possibilitam o encadeamento dos elementos lexicais alemães
com a morfologia polonesa.
4.3. Permeabilidade/Liminalidade
O substantivo Prüfungsamt (linha 1) pode ser considerado
como um caso limítrofe entre a permeabil idade e a liminalidade.
Aqui ocorre não só a integração morfológica, mas também a
alteração de uma vogal na raiz do substantivo. O som ü”
[ʏ] que não aparece no inventário de vogais da língua
polonesa – é submetido às regras fonéticas do idioma polonês:
Ele é substituído pelo equivalente fonético mais próximo na
língua polonesa e é realizado como [ɨ]. Assim, a inuência da
língua polonesa não termina na fronteira do morfema, e sim
a excede: dentro da raiz do substantivo alemão acontece uma
interferência fonética. Consequentemente, a fronteira fonética
não pode ser determinada com clareza. Essa ambiguidade
na demarcação da fronteira fonética é uma indicação para
a consideração desse exemplo como caso limítrofe entre a
permeabilidade e liminalidade.
fronteira fonética é uma indicação para a consideração desse exemplo como caso
limítrofe entre a permeabilidade e liminalidade.
[S(NP) Prüfungsamt [P?[M u]]]
4.4 Liminalidade
Um caráter liminal de limites linguísticos pode ser observado nos seguintes
pontos sintáticos:
o entre o nome Sprachenz/centrum e a frase żeby odebrać (…) (linha 5)
o entre musisz się e zameldować (linha 1)
o entre o nome Immatrikulationsam(t) e a terminação morfológica e
(linha 2)
o entre o nome Sprachen e o nome Z/cetrum (linha 5)
o entre o nome Schri(tt) e a terminação morfológica e (linha 9)
Os exemplos acima mencionados têm em comum que o limite linguístico se manifesta
como uma bainha de limite mais ou menos extensa como uma zona de sobreposição e
de transição, que simultaneamente mostra as características de ambos os idiomas:
Musisz [S(VP) się zameldować]
[S(PP) w [S(NP)[P? Immatrikulationsam [P? ci[M e]]]]]
[S(NP) Sprachen[P? z/centrum]] [P?[S żeby odebrać wszystkie zaległe]]
[S(NP)[P Schri [P ci[M e]]]]
No primeiro exemplo, o verbo polonês zameldować que é usado principalmente no
contexto de um pedido de estadia na uma autoridade administrativa recebe um
significado semântico adicional da língua alemã, ou seja anunciar no sentido, por
exemplo, de registrar/anunciar sua visita (Duden online). Assim, aqui realiza-se uma
extensão sentica do verbo polonês zameldować. Portanto, as características de ambas
Dagna Zinkhahn Rhobodes
Gragoatá, Niterói, v.22, n. 42, p. 107-130, jan.-abr. 2017 124
4.4. Liminalidade
Um caráter liminal de limites linguísticos pode ser
observado nos seguintes pontos sintáticos:
entre o nome Sprachenz/centrum e a frase żeby odebrać
(…) (linha 5)
entre musisz się e zameldować (linha 1)
entre o nome Immatrikulationsam(t) e a terminação
morfológicae (linha 2)
entre o nome Sprachen e o nome Z/cetrum (linha 5)
entre o nome Schri(tt) e a terminação morfológica –e
(linha 9)
Os exemplos acima mencionados têm em comum que
o limite linguístico se manifesta como uma bainha de limite
mais ou menos extensa – como uma zona de sobreposição e
de transição, que simultaneamente mostra as características
de ambos os idiomas:
fronteira fonética é uma indicação para a consideração desse exemplo como caso
limítrofe entre a permeabilidade e liminalidade.
[S(NP) Prüfungsamt [P?[M u]]]
4.4 Liminalidade
Um caráter liminal de limites linguísticos pode ser observado nos seguintes
pontos sintáticos:
o entre o nome Sprachenz/centrum e a frase żeby odebrać (…) (linha 5)
o entre musisz się e zameldować (linha 1)
o entre o nome Immatrikulationsam(t) e a terminação morfológica e
(linha 2)
o entre o nome Sprachen e o nome Z/cetrum (linha 5)
o entre o nome Schri(tt) e a terminação morfológica e (linha 9)
Os exemplos acima mencionados têm em comum que o limite linguístico se manifesta
como uma bainha de limite mais ou menos extensa como uma zona de sobreposição e
de transição, que simultaneamente mostra as características de ambos os idiomas:
Musisz [S(VP) się zameldować]
[S(PP) w [S(NP)[P? Immatrikulationsam [P? ci[M e]]]]]
[S(NP) Sprachen[P? z/centrum]] [P?[S żeby odebrać wszystkie zaległe]]
[S(NP)[P Schri [P ci[M e]]]]
No primeiro exemplo, o verbo polonês zameldować que é usado principalmente no
contexto de um pedido de estadia na uma autoridade administrativa recebe um
significado semântico adicional da língua alemã, ou seja anunciar no sentido, por
exemplo, de registrar/anunciar sua visita (Duden online). Assim, aqui realiza-se uma
extensão sentica do verbo polonês zameldować. Portanto, as características de ambas
No primeiro exemplo, o verbo polonês zameldować – que
é usado principalmente no contexto de um pedido de estadia
na uma autoridade administrativa recebe um signicado
semântico adicional da língua alemã, ou seja anunciar” no
sentido, por exemplo, de registrar/anunciar sua visita (Duden
online). Assim, aqui realiza-se uma extensão semântica do
verbo polonês zameldować. Portanto, as características de ambas
as línguas envolvidas podem ser observadas sob a superfície
polonesa. O signicado semântico vem da língua alemã, mas
é expressado por material morfológico e fonético da língua
polonesa. O limite linguístico se transforma, portanto, numa
zona de sobreposição, que é caracterizada pela copresença de
características linguísticas de ambos os idiomas.
A liminalidade mostra-se ainda mais pela alteração
da forma primitiva dos nomes alemães: o som nal -t dos
substantivos alemães Immatrikulationsamt e Schritt é suavizado
Polonês e alemão em contato
Gragoatá, Niterói, v.22, n. 42, p. 107-130, jan.-abr. 2017 125
para -ci. Além disso, o morfema de caso -e da língua polonesa
é adicionado ao nome alemão. Portanto, a inuência da língua
polonesa não termina no limite do morfema, mas a excede
e causa uma mudança na forma do lema dos substantivos
alemães. Ao contrário dos exemplos com um caráter permeável,
nesse caso não ocorre apenas uma adição da terminação
morfológica polonesa à raiz da palavra alemã, mas há também
uma intervenção na estrutura morfológica dos substantivos
alemães: o som nal dos substantivos alemães é suavizado e
forma, em conjunto com o morfema exivo, a sílaba –cie.
Analisando o nome Immatrikulationsamcie podemos
observar uma interferência fonética: a vogal longa [
oː]
é
realizada pela locutora como [ɔ] e a segunda vogal i [i]
é substituída por [ɨ]. Devido à interferência fonética, a
determinação do limite fonético não é clara. A ambiguidade
do limite fonético é adicionalmente reforçada pelo fato de o
equivalente do substantivo Immatrikulation ter em polonês uma
estrutura fonética semelhante: immatrykulacja [immatrɨkulatsja].
Finalmente, o caráter liminal dos limites linguísticos é
indicado pela ocorrência de diamorfo homofônico (CLYNE,
1967): Z/centrum no substantivo Sprachenz/centrum. Neste
exemplo o lugar de alternância da língua é ambíguo, porque
esse substantivo é composto pelo substantivo alemão Sprachen
e pelo diamorfo homofônico Z/centrum que pertence tanto ao
vocabulário da língua alemã (Zentrum) como ao da língua
polonesa (centrum). Portanto, não é claro se o substantivo
Sprachenz/centrum é completamente um substantivo alemão
(Sprachenzentrum) ou é composto de um substantivo alemão e
de um substantivo polonês (Sprachencentrum). O substantivo Z/
centrum indica, assim, simultaneamente as relações com ambas
as línguas e poderia ser caracterizado sendo tanto alemão
como polonês. Através da ambiguidade e homofonia da última
parte da palavra composta Sprachenz/centrum o limite de frase
é também afetado. Se a última parte derivasse do alemão, a
alternância da língua ocorreria entre o nome Sprachenzentrum e
a sentença polonesa żeby odebrać (...). Como o último membro do
substantivo Sprachenzenrum é um diamorfo homófono, o lugar
da alternância da língua não pode ser claramente denido no
limite da frase. O lugar da alternância da língua assim forma
um amplo espaço homófono de sobreposição, que pode ser
caracterizado como sendo liminal.
Dagna Zinkhahn Rhobodes
Gragoatá, Niterói, v.22, n. 42, p. 107-130, jan.-abr. 2017 126
5. Conclusão
O objetivo deste trabalho foi fornecer uma visão sobre o
contato linguístico alemão-polonês e propor uma abordagem
para a ilustração e a explicação dos processos da abertura, da
transgressão e dissolução dos limites linguísticos.
A análise dos dados revela que um limite linguístico com
caráter durável se caracteriza pela ausência de transferência
das características fonéticas e morfológicas entre duas
línguas em contato. Os processos da transgressão do limite
estão ligados à permeabilidade do limite linguístico que
permite inuência recíproca entre duas línguas em contato.
Na análise, observamos a abertura do limite da palavra para
a integração do morfema. O limite linguístico constitui um
limiar penetrável que permite a integração morfológica ou
concordância nominal. Por último, a resolução do limite
linguístico podia ser observada no surgimento de espaços da
transição e da sobreposição, permitindo a formação de formas
mistas liminales, caracterizadas pela ambiguidade e fusão. A
dissolução dos limites linguísticos se manifestou na homofonia
e interferência grave nas estruturas linguísticas, como, por
exemplo, a alternância de lemas ou alternância fonética.
A análise dos dados germano-poloneses provou-se
de grande interesse para o estudo dos limites linguísticos.
Como vimos durante a análise dos dados, o limite linguístico
desse par de línguas germano-eslavas que parece ser
relativamente durável por causa das diferenças fonéticas,
morfológicas e sintáticas provou ser bastante permeável
ou até mesmo foi dissolvido nos exemplos de um grau mais
alto da mistura das línguas.
A análise dos dados apresentados mostra que a teoria
da fronteira pode ser especialmente proveitosa e enriquecedora
para discusão dos fenômenos de mistura de idiomas. Esta
abordagem uma oportunidade inovadora para reunir os
aspectos fonéticos, morfológicos e sintáticos, que até agora
raramente têm sido integrados numa abordagem da análise.
Além disso, a abordagem fornece um quadro para análise das
formas de alternância de códigos linguísticos num contínuo
desde uma alternância entre as línguas, sem nenhuma inuência
recíproca, passando por formas caracterizadas por transgressão
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Abstract
German-Polish language contact. An approach
of application of the concept of border into
linguistic analysis.
The aim of this paper is to deliver an insight into
German-Polish language mixing in the German-
Polish border region, and to propose an innovative
framework that incorporates the theory of the border
into linguistic analysis and illustrates and explains
the language contact-induced processes of language
border opening, crossing and blurring. Applying
this approach on the German-Polish language
data I aim to show how interdisciplinary theory on
the characteristics of borders can be successfully
combined with language analysis.
Keywords: Language contact. Language border.
German-Polish border region.
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