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Produção e qualidade fisiológica de sementes de alface cultivada com adubação orgânica e mineral

Authors:

Abstract

O cultivo de alface no sistema orgânico é crescente no Brasil. No entanto, para ser cultivada no sistema orgânico, faz-se necessário utilizar sementes provenientes de sistema orgânico conforme exigências da legislação brasileira. Atualmente, são escassas pesquisas referentes ao desempenho agronômico e à qualidade fisiológica de sementes de alface no sistema orgânico. Diante do exposto, o objetivo deste trabalho foi avaliar a produção e a qualidade fisiológica de sementes de alface no sistema orgânico e mineral. Foram realizados dois experimentos distintos no campo [experimento I, cujos tratamentos foram plantas de cobertura na ausência de cama de frango e experimento II, cujos tratamentos foram plantas de cobertura na presença de cama de frango], utilizando o delineamento em blocos casualizados (DBC) e quatro repetições em ambos os experimentos. Para avaliar o efeito do mineral em ambos os experimentos, foram previamente reservadas quatro parcelas em cada experimento, também casualizadas em DBC, para que posteriormente fosse realizado o transplantio da alface na condição convencional (mineral) sem a presença de plantas de cobertura e cama de frango. Pode-se verificar que a adubação orgânica com cama de frango associada a diferentes adubos verdes como planta de cobertura é uma alternativa viável tanto para a produção de alface quanto para a produção e a qualidade fisiológica de sementes. A substituição da adubação mineral pela orgânica é benéfica ao desenvolvimento da alface e de suas sementes.
70 Rev. Cienc. Agrar., v. 60, n. 1, p. 70-76, jan./mar. 2017
http://dx.doi.org/10.4322/rca.2424
ARTIGO ORIGINAL
Recebido: 02 ago. 2016
Aceito: 17 abr. 2017
1 Universidade Federal de Uberlândia – UFU,
Campus Monte Carmelo, Rodovia LMG-746,
km 01, 38500-000, Monte Carmelo, MG, Brasil
2 Programa de Pós-graduação em Agronomia,
Universidade Federal de Uberlândia – UFU,
Campus Monte Carmelo, Rodovia LMG-746,
km 01, 38500-000, Monte Carmelo, MG, Brasil
*Autor Correspondente:
E-mail: cleytonalvarenga@ufu.br
PALAVRAS-CHAVE
Lactuca sativa L.
Cultivo orgânico
Plantas de cobertura
KEYWORDS
Lactuca sativa L.
Organic cultivation
Cover crops
RESUMO: O cultivo de alface no sistema orgânico é crescente no Brasil. No entanto, para
ser cultivada no sistema orgânico, faz-se necessário utilizar sementes provenientes de sistema
orgânico conforme exigências da legislação brasileira. Atualmente, são escassas pesquisas
referentes ao desempenho agronômico e à qualidade siológica de sementes de alface no
sistema orgânico. Diante do exposto, o objetivo deste trabalho foi avaliar a produção e a
qualidade siológica de sementes de alface no sistema orgânico e mineral. Foram realizados
dois experimentos distintos no campo [experimento I, cujos tratamentos foram plantas
de cobertura na ausência de cama de frango e experimento II, cujos tratamentos foram
plantas de cobertura na presença de cama de frango], utilizando o delineamento em blocos
casualizados (DBC) e quatro repetições em ambos os experimentos. Para avaliar o efeito
do mineral em ambos os experimentos, foram previamente reservadas quatro parcelas em
cada experimento, também casualizadas em DBC, para que posteriormente fosse realizado
o transplantio da alface na condição convencional (mineral) sem a presença de plantas
de cobertura e cama de frango. Pode-se vericar que a adubação orgânica com cama de
frango associada a diferentes adubos verdes como planta de cobertura é uma alternativa
viável tanto para a produção de alface quanto para a produção e a qualidade siológica de
sementes. A substituição da adubação mineral pela orgânica é benéca ao desenvolvimento
da alface e de suas sementes.
ABSTRACT: Lettuce cultivation in the organic system is increasing in Brazil. However,
the cultivation in the organic system requires the use of seeds from the organic system as
per the Brazilian legislation. There is little research on the agronomic performance and
the physiological quality of lettuce seeds in the organic system. Thus, this work aimed to
evaluate the production and physiological quality of lettuce seeds in the organic and mineral
system. Two experiments were carried out in the Experiment I [Experiment I (Cover Plants
in Absence of poultry litter) and Experiment II (Cover Plants in the Presence of poultry
litter) using the randomized block design (DBC) and four replications in both experiments.
To evaluate the effect of the mineral, in the two experiments, four plots were reserved in
each experiment, also randomized in DBC, so that the transplanting of the lettuce was
carried out in the conventional (mineral) condition without the presence of cover plants
and poultry litter. It was veried that the organic fertilization with poultry litter associated
with different green fertilization as cover plant is a viable alternative to the production of
lettuce and seeds in organic system. The replacement of mineral fertilization by organic is
benecial to the development of lettuce and its seeds.
Produção e qualidade fisiológica de sementes
de alface cultivada com adubação orgânica e
mineral
Production and physiological quality of lettuce seeds
grown with organic and mineral fertilization
Jéssica Beatriz de Carvalho1
Júlia Mundim Nascimento Mota1
Cleyton Batista de Alvarenga1*
Gabriel Mascarenhas Maciel1
Adriane de Andrade Silva1
Monique Ellis Aguilar Borba2
Produção e qualidade siológica de sementes de alface cultivada com adubação orgânica e mineral
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2 Material e Métodos
Os experimentos foram conduzidos no campo, na Estação
Experimental de Hortaliças (altitude 873 m, 18º 42’ 43,19” S
e 47º 29’ 55,8”) e no Laboratório de Análise de Sementes
e Recursos Genéticos (Lagen), da Universidade Federal de
Uberlândia (UFU), em Monte Carmelo (MG), entre fevereiro
de 2015 e janeiro de 2016.
Foram realizados dois experimentos distintos em condições
de campo [experimento I (plantas de cobertura na ausência
de cama de frango) e experimento II (plantas de cobertura na
presença de cama de frango] utilizando o delineamento em
blocos casualizados (DBC) com quatro repetições. Para avaliar
o efeito da adubação mineral, em ambos os experimentos, foram
previamente reservadas quatro parcelas em cada experimento
(experimento I e experimento II), para que posteriormente fosse
realizado o transplantio da alface na condição convencional
(mineral) sem a presença de plantas de cobertura e cama de
frango. As parcelas foram representadas por canteiros de
0,25 metro de altura, 1,2 metro de largura por 3 metros de
comprimento, totalizando 3,6 m2 por parcela constituída por
cinco linhas de plantio, sendo as três centrais consideradas úteis.
Com o auxílio de uma enxada rotativa, para ambos os
experimentos, foram construídos os canteiros para a semeadura
das plantas de cobertura, individualmente em cada canteiro.
As plantas utilizadas para adubação de cobertura foram as
leguminosas crotalária (Crotalaria juncea L.) e girassol
(Helianthus annuus), semeadas no espaçamento de 0,5 metro
entre linhas, e as gramíneas braquiária (Brachiaria ruziziensis)
e milheto (Pennisetum americanum), semeadas a lanço na
quantidade de 15 kg ha-1. A semeadura das quatro espécies
de plantas de cobertura ocorreu em 13 de fevereiro de 2015.
Após 40 dias da semeadura, as plantas de cobertura
(crotalária, girassol, braquiária e milheto) atingiram a fase de
orescimento. Em seguida, foram trituradas com o auxílio de
um triturador do tipo trincha fabricado pela Vicon, modelo 1.60,
e decorridos quinze dias, foi utilizada enxada rotativa para
incorporação dos restos vegetais e reestruturação dos canteiros
com o intuito de realizar o transplantio das mudas de alface
sobre os canteiros com as plantas de cobertura e nas parcelas
do tratamento convencional (Mineral), utilizando a cultivar
UFU MC BIOFORT que pertence ao banco de germoplasma
de Alfaces Bioforticadas da UFU. A cultivar UFU MC
BIOFORT1 é do tipo crespa, rica em carotenoides, com boa
aceitação pelos produtores familiares da região e está presente
em parte da merenda escolar do Triângulo Mineiro e Alto
Paranaíba em Minas Gerais.
As mudas de alface do sistema orgânico foram obtidas
em bandejas de poliestireno de 200 células, preenchidas com
substrato comercial à base de bra de coco e cama de frango na
proporção de 1:1. Às mudas do sistema convencional, a cama
de frango foi substituída por adubação mineral. O transplantio
foi realizado no espaçamento de 0,25 × 0,25, cerca de 35 dias
após a semeadura.
O experimento I não recebeu adição de cama de frango nos
canteiros, sendo constituído apenas pelas plantas de cobertura
e pelo tratamento com adubação convencional mineral.
Ao experimento II, além dos efeitos das plantas de
cobertura, foram adicionados 3,13 kg de cama de frango por
1 Introdução
A alface (Lactuca sativa L.) é cultivada em todas as regiões
brasileiras, sendo consumida principalmente na forma de salada.
É apreciada pelo sabor, qualidade nutricional e preço atrativo
para o consumidor (Resende et al., 2007). No Brasil, existe
uma grande diversidade de cultivares de alface disponíveis
(Suinaga et al., 2013) e os principais tipos de alface cultivados
em ordem de importância econômica são a crespa, a americana,
a lisa e a romana (Sala & Costa, 2012).
A produção de hortaliças em sistema orgânico é uma
atividade em crescimento no mundo. Diante dos relatos sobre
a contaminação de hortaliças com produtos tossanitários, os
produtos orgânicos têm sido considerados mais conáveis para o
consumo (Sediyama et al., 2014). Em 2015, a área de produção
orgânica no Brasil abrangeu aproximadamente 950 mil hectares,
com 11.084 produtores registrados no cadastro nacional de
produtores orgânicos. Ademais, vale ressaltar que são produtos
que possuem maior valor agregado e, em média, superam em
30% os valores das hortaliças convencionais (Brasil, 2015).
Com base na Lei no 10.831⁄2011, considera-se produto
orgânico aquele obtido em sistema orgânico de produção
agropecuário ou oriundo de processo extrativista sustentável
e não prejudicial ao ecossistema local (Brasil, 2003). A IN 46,
de 6 de outubro de 2011, concretiza a proibição da utilização
de sementes e mudas não obtidas em sistemas orgânicos de
produção a partir de 19 de dezembro de 2013, exceto nos
casos em que ocorra indisponibilidade ou inadequação dessas
sementes e mudas. Em tais situações, será permitida a utilização
de sementes produzidas no sistema convencional ausente de
tratamento de sementes (Brasil, 2011).
A utilização de sementes de alta qualidade é a base para
o aumento da produtividade agrícola (Freitas & Nascimento,
2006). Com a nova lei de sementes orgânicas, tal atributo
passou a apresentar mais relevância, com uma nova vertente
– sementes orgânicas de alta qualidade. Diante desse contexto,
faz-se necessário validar a combinação de sistemas orgânicos
já existentes e os seus efeitos na produção e qualidade
siológica das sementes de alface. Há relatos de que o uso de
adubação orgânica em diversas espécies tem proporcionado
resultados benécos na produção (Fontanétti et al., 2006;
Santi et al., 2010; Cavalcante et al., 2015; Oliveira et al., 2010;
Silva et al., 2010; Cavallaro Júnior et al., 2009) e na qualidade
siológica das sementes (Diniz et al., 2009; Villela et al.,
2010; Nascimento et al., 2012). A adubação orgânica da alface
com cama de frango tem como principal função o suprimento
de nutrientes às plantas, além da ação benéca da matéria
orgânica no solo. Outra alternativa viável para se adicionar
matéria orgânica ao solo é a adubação verde. São escassas
as pesquisas que relacionam os efeitos da adubação orgânica
com cama de frango, associadas ou não ao uso de plantas de
cobertura na produção e qualidade siológica de sementes
orgânicas de alface.
Diante do exposto, este trabalho foi conduzido com o objetivo
de avaliar a produção e a qualidade siológica de sementes
de alface na presença ou ausência da adubação orgânica com
cama de frango associadas a diferentes plantas de cobertura
em comparação à adubação mineral.
Carvalhoetal.
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A primeira contagem da germinação (PC) foi realizada
em conjunto com o teste de germinação, mediante o registro
das porcentagens de plântulas normais no quarto dia após a
semeadura (Brasil, 2009).
O índice de velocidade de germinação (IVG) foi realizado
em conjunto com o teste de geminação, computando-se o
número de sementes germinadas a cada dia:
O teste de condutividade elétrica (CE) foi realizado
utilizando-se quatro subamostras de 25 sementes previamente
pesadas em balança de precisão (0,0001 g). Em seguida, as
sementes foram colocadas em copos plásticos descartáveis
contendo 50 mL de água destilada, com condutividade elétrica
entre 1 e 3 µS cm-1, e permaneceram em incubadora BOD a
25 °C. A leitura da condutividade elétrica ocorreu após 24 horas
de embebição das sementes. Os resultados foram expressos
em µS cm-1 g-1 de sementes.
O delineamento estatístico utilizado foi em blocos casualizados
com cinco tratamentos (crotalária, girassol, milheto, braquiária
e mineral) e quatro repetições.
Os resultados foram submetidos aos testes de Levene
e Shapiro-Wilk, com o objetivo de avaliar a variância e a
normalidade dos erros. Na análise dos dados, empregou-se
análise de variância e as médias foram comparadas pelo
teste de Tukey a 5% de probabilidade por meio do programa
computacional GENES (Cruz, 2013).
3 Resultados e Discussão
A palhada de braquiária na presença de cama de frango
proporcionou incremento signicativo no diâmetro da haste em
relação aos demais tratamentos e aumento de 26,8% em relação
à adubação mineral. Na qualidade siológica de sementes, a
germinação (91,25%) e o índice de velocidade de germinação
(90,83%) na palhada com braquiária apresentaram resultados
acima de 90%, semelhantes aos da adubação mineral (Tabela 1).
A palhada de crotalária na presença de cama de frango
incrementou o teor de clorola A no dossel inferior (12,1%)
em relação ao milheto e não se diferenciou estatisticamente
do mineral. Para a variável peso de mil sementes, não houve
diferença estatística na adubação com crotalária (0,98g) em
relação à adubação com milheto, a qual se destacou nesse
parâmetro. A crotalária obteve valores signicativos para
germinação (93%) e índice de velocidade de germinação
(91,54%), apresentando-se estatisticamente diferente de girassol
e milheto. Para a variável produtividade de semente, esse
tratamento cou entre os mais produtivos (10,10 g planta-1) e
foi diferente de girassol e mineral.
Os resultados nos parâmetros da qualidade das sementes
mostram que a adubação com crotalária sobressai na avaliação
das sementes em relação às demais adubações verdes e pode
proporcionar resultados melhores do que a adubação mineral.
Na literatura, poucos trabalhos relacionam as adubações verdes
com a qualidade siológica das sementes de alface. Bruno et al.
(2007), ao avaliarem a germinação de sementes de cenoura
cultivadas com adubação orgânica e convencional, vericaram
que o desenvolvimento vegetativo das cenouras adubadas com
composto orgânico mais biofertilizante via planta resultou em
sementes com maior potencial germinativo e vigor. Isso mostra
parcela, fornecida no momento do transplantio das mudas de
alface, exceto nas parcelas que foram adubadas pelo sistema
convencional (Mineral).
A quantidade de cama de frango foi recomendada com
base na análise de solo e da cama de frango conforme descrito
a seguir: o solo apresentou as seguintes características:
pH (H
2
O) = 5,9; P disponível = 30,1 mg dm
-3
; K = 0,22 cmolc dm
-3
;
Ca+2 = 2,8 cmolc dm-3; Mg = 1,0 cmolc dm-3; H + Al trocável = 3,40 cmolc dm-3;
matéria orgânica (MO) = 4,2 dag kg-1; índice SMP = 3,40;
Alumínio = 0,0 cmolc dm-3; CTC pH 7,0 = 7,42 cmolc dm-3;
Sat CTC pH 7,0 por bases = 54%; Sat CTC efetiva por alumínio = 0;
cobre; 2,3 mg dm
-3
; zinco = 6,6 mg dm
-3
e manganês = 6,6 mg dm
-3
.
A cama de frango apresentou as seguintes características:
umidade = 8,75%; pH CaCl
2
0,01M (ref. 1:5) = 9,20. Teores calculados
na base seca: N = 2,28%; MO = 82,29%; carbono = 45,72%;
resíduo mineral = 18,31%; relação C/N total (C total e N total) = 20/1;
relação C/N total (C orgânico e N total) = 18/1; P
2
O
5
= 0,60%;
K
2
O = 6,26%; Ca = 0,73%; Mg = 0,30%; S = 0,25%; B = 51 mg kg
-1
;
Cu = 47 mg kg-1; Fe = 668 mg kg-1; Mn = 83 mg kg-1;
Zn = 64 mg kg-1; Na = 517 mg kg-1.
Foram avaliados os teores de clorola a e b no dossel inferior,
mediano e superior: medido com o auxílio de um clorolômetro
do tipo Clorolog – CFL 1030 Falker onde foram avaliadas seis
folhas em cada terço a 0,02 m de sua borda na posição central
da folha e a 0,05 m em ambos os lados da nervura central; o
diâmetro da haste (cm): medido com paquímetro digital em
centímetros; o diâmetro de copa (cm): obtido com o auxílio
de uma régua graduada em centímetros; o número de folhas:
determinado considerando folhas até o tamanho mínimo de
0,07 m e desprezando-se as folhas amarelas ou secas que
apresentavam avançado estado de senescência.
A massa fresca e seca da raiz e da parte aérea: as folhas
e raízes foram acondicionadas separadamente, em sacos de
papel, levadas para a estufa (SOLAB SL-102), na temperatura
de 70 °C, até se obter massa constante e, posteriormente,
foram pesadas em balança de precisão (Shimadzu UX6 200H).
Essas avaliações foram realizadas em 16 de maio de 2015,
medindo-se essas variáveis em seis plantas por parcela.
A colheita das sementes e a produtividade de sementes
por planta foram obtidas apenas das plantas da parcela útil.
A colheita foi realizada entre 119 e 130 dias após a semeadura
(DAS). As sementes foram colhidas separadamente e colocadas
em sacos de papel devidamente identicados e armazenados
em câmara fria.
O grau de umidade foi determinado pelo método em estufa
aos 105 ± 3 °C, por 24 horas, utilizando-se duas subamostras por
lote, pesando aproximadamente 5,0 g de sementes por amostra.
O peso de 1.000 sementes (PMS) foi efetuado de acordo
com as regras para análise de sementes (RAS) (Brasil, 2009).
O teste de germinação (%G) foi conduzido em quatro
repetições de 100 sementes obtidas de amostras coletadas de
cada lote de sementes referente a cada tratamento, distribuídas
uniformemente sobre papel-toalha umedecido com quantidade
de água destilada equivalente a 2,5 vezes o peso do substrato,
em caixas plásticas transparentes (gerbox) mantidas em
incubadora BOD a 25 °C. Foram realizadas contagens diárias
para determinação do índice de velocidade de germinação (IVG),
sendo no 28o dia após a semeadura computada a porcentagem
de plântulas normais (Brasil, 2009).
Produção e qualidade siológica de sementes de alface cultivada com adubação orgânica e mineral
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Rev. Cienc. Agrar., v. 60, n. 1, p. 70-76, jan./mar. 2017
de mil sementes, valor inferior ao observado nesse trabalho
quando a adubação verde foi realizada com milheto na presença
de cama de frango.
Para a condutividade elétrica de sementes, a adubação com
milheto proporcionou maior valor, sendo aproximadamente
o triplo em relação a outros tratamentos (25,10 µS.cm-1.g-1).
Sugere-se que o uso de palhada de milheto potencializou o
processo de deterioração das sementes de alface, pois alta
condutividade é indicativo de baixo vigor (Gonzales et al.,
2009). Para os demais tratamentos (braquiária, crotalária,
girassol e mineral), não houve diferença estatística ao avaliar
esse parâmetro, que se apresentou com menor valor, reetindo
em maior vigor em relação ao milheto. Marini et al. (2009)
ressaltam que no teste de condutividade elétrica a avaliação
da qualidade da semente é feita mediante quanticação de
lixiviados na solução de embebição. Os baixos valores de
condutividade elétrica correspondem à menor liberação de
exsudatos lixiviados e indicam maior vigor. Isso demonstra
uma maior organização dos sistemas de membranas das células.
Para produtividade de semente, a palhada de milheto cou
entre os tratamentos que proporcionaram maior rendimento
(9,95 g planta-1).
As diferentes adubações não proporcionaram diferenças
estatísticas para as variáveis clorola B, na posição mediana
do dossel e diâmetro de planta.
A alface é uma folhosa muito presente na mesa dos brasileiros,
sendo as folhas a parte da planta a ser consumida. Assim, o
que a substituição da adubação mineral pela adubação orgânica
pode ser ecaz na produção de sementes.
A palhada de girassol proporcionou, na avaliação do
dossel inferior, incremento no teor de clorola A em relação
ao milheto (13,9%) e B em relação ao milheto (27,7%) e à
braquiária (17,7%). A massa fresca de raiz foi 5,7 vezes maior
em relação à adubação mineral. O incremento de massa fresca
e massa seca de parte aérea (29,0 e 41,4%, respectivamente)
proporcionado pela palhada do girassol mais cama de frango
também foi evidenciado em relação ao uso do adubo mineral.
Na avaliação de semente, essa planta de cobertura adubo não
proporcionou os melhores resultados para nenhuma variável
analisada.
A palhada de milheto proporcionou incremento no número
de folhas de alface (21,54) em relação à adubação mineral.
Ao avaliar massa fresca de raiz, a adubação com milheto e cama
de frango proporcionou peso (6,2 vezes) maior em relação à
adubação mineral e para massa seca de raiz apresentou o dobro
de peso em relação ao mineral. Na variável massa fresca de
parte aérea, obteve-se 29,0% de incremento, e para massa seca
de parte aérea, 33,7% em relação ao mineral. O peso de mil
sementes se destacou quando a alface foi adubada com milheto
(1,09 g), e não diferiu do mineral. Cardoso et al. (2011), ao
avaliarem a inuência das propriedades do solo adubado com
composto orgânico sobre a qualidade siológica de sementes
de alface crespa, obtiveram uma média de 0,93 g para peso
Tabela 1. Teores de clorola (a e b), avaliações agronômicas de interesse comercial e qualidade siológica das sementes de alface cultivadas com
diferentes adubos verdes na presença de cama de frango (experimento I).
Table 1. Chlorophyll content (a and b), agronomic evaluations of commercial interest and physiological quality of lettuce seeds cultivated with
different cover plants in the presence of poultry litter (experiment I).
Tratamentos Braquiária Crotalária Girassol Milheto Mineral CV (%)
Clorofila
CAS 20,60b 20,30b 20,80b 22,00b 25,60a 7,15
CAM 21,30b 22,50ab 22,60ab 22,70ab 24,50a 4,45
CAI 22,70ab 23,90a 24,40a 21,00b 24,70a 4,15
CBS 2,67b 3,31b 3,09b 3,34b 4,71a 9,50
CBM 3,90a 4,00a 4,12a 3,80a 4,10a 4,27
CBI 3,71bc 3,84abc 4,51a 3,26c 4,23ab 8,37
Avaliações agronômicas de interesse
DH (cm) 1,90a 1,51b 1,48b 1,55b 1,39b 5,79
NF 17,62bc 17,66bc 19,83ab 21,54a 16,25c 5,97
DP (cm) 32,62a 33,37a 33,29a 31,75a 32,16a 3,30
MFR (g) 67,00b 42,00bc 131,00a 143,00a 23,00c 13,72
MSR (g) 1,50ab 1,20ab 1,50ab 2,00a 1,00b 29,53
MFPA (g) 280,00ab 250,00bc 310,00a 310,00a 220,00c 5,95
MSPA (g) 8,63b 9,31b 13,18a 11,64a 7,72b 8,49
Qualidade das sementes
PMS (g) 0,88bc 0,98ab 0,68c 1,09a 0,89ab 9,91
G (%) 91,25a 93,00a 71,50b 76,00b 95,00a 5,80
IVG 90,83a 91,54a 58,98b 58,25b 90,58a 6,60
CE 7,17a 6,95a 7,26a 25,10b 8,16a 13,44
PS 8,37ab 10,10a 6,52bc 9,95a 4,99c 12,78
CAS: clorola A no dossel superior; CAM: clorola A no dossel mediano; CAI: clorola A no dossel inferior; CBS: clorola B no dossel superior; CBM: clorola
B no dossel mediano; CBI: clorola B no dossel inferior; DH: diâmetro da haste; NF: número de folhas; DP: diâmetro da planta; MFR: massa fresca da
raiz; MSR: massa seca da raiz; MFPA: Massa Fresca de Parte Aérea; MSPA: Massa Seca de Parte Aérea; PMS: peso de mil sementes; G: porcentagem de
germinação; IVG: índice de velocidade de germinação; CE: condutividade elétrica; PS: produtividade de sementes. Letras iguais não diferem entre si na
mesma linha a 5% de probabilidade pelo teste de Tukey.
Carvalhoetal.
74 Rev. Cienc. Agrar., v. 60, n. 1, p. 70-76, jan./mar. 2017
concentração de carotenoides. Assim, a adubação com mineral
seguida de girassol e de crotalária proporcionou maior teor de
carotenoides às alfaces. Essa informação é fundamental, pois
fornece subsídios importantes referentes à melhor forma de
produzir esta cultivar, permitindo, assim, a produção de um
alimento rico em carotenoides na merenda escolar.
Tais autores corroboram Oliveira et al. (2010), ao armarem
que as hortaliças folhosas apresentam bom desenvolvimento
com o uso de adubação orgânica. Além disso, a adubação
orgânica não só incrementa a produtividade, mas também
pode produzir plantas com qualidades superiores em relação
às que são cultivadas com adubos minerais, inuenciando as
características nutritivas dessa hortaliça (Silva et al., 2011).
Oliveira et al. (2006) observaram que a adubação orgânica
com cama de aviário aplicada parceladamente sobre cobertura
viva de grama batatais e amendoim forrageiro proporciona
incremento no diâmetro de cabeça, massa fresca, massa seca
da alface e produtividade semelhante à obtida em sistema
convencional. Peixoto Filho et al. (2013) observaram que a
alface apresentou melhores resultados em termos de produção
de matéria fresca e seca de plantas, produtividade e número
de folhas, quando adubada com a cama de frango.
Com base nos resultados, é possível observar que a
substituição da adubação mineral pela orgânica é benéca ao
desenvolvimento da alface e de suas sementes e a associação de
diferentes adubos verdes à cama de frango é uma boa alternativa
à produção de alface e sementes em sistema orgânico.
maior número de folhas proporcionado pelas plantas de cobertura
com milheto na presença de cama de frango é importante ao se
analisar a comercialização dessa folhosa. Os dados de DH, NF,
MFR, MSR, MFPA e MSPA, relacionados ao desenvolvimento
morfológico da planta, foram menores na utilização de adubação
mineral. Dessa forma, pode-se sugerir adubação orgânica como
uma alternativa válida à adubação mineral.
Ao comparar o teor de clorola e o desenvolvimento
morfológico da alface, esperava-se que um maior teor de clorola
inuenciasse positivamente no desenvolvimento da planta.
No entanto, observou-se que na presença do milheto como
planta de cobertura a alface apresentou baixa concentração de
clorola e um melhor desenvolvimento da planta, exceto para
diâmetro de haste. Na adubação mineral, obteve-se resultado
inverso, com alto teor de clorola e menor desenvolvimento
da planta.
Analisando os dados de clorola da Tabela 1, pode-se
observar que os valores de clorola A (média de 22,64) em
ambos os dosséis foram superiores em relação aos da clorola B
(média de 3,77). Isso pode ser explicado pelo fato de a clorola
A ser o principal pigmento associado à fotossíntese, enquanto
a clorola B é apenas um pigmento acessório que auxilia
na absorção de luz e transferência de energia aos centros
de reação (Taiz & Zeiger, 2006). A cultivar utilizada para a
avaliação foi a UFU MC BIOFORT1, que possui alto teor de
carotenoides. Cassetari et al. (2015) relataram que em alface
existe correlação de até 80% entre a medida de clorola e a
Tabela 2. Teores de clorola (a e b), avaliações agronômicas de interesse comercial e qualidade siológica de sementes de alface cultivadas com
diferentes adubos verdes na ausência de cama de frango (experimento II).
Table 2. Chlorophyll content (a and b), agronomic evaluations of commercial interest and physiological quality of lettuce seeds cultivated with
different cover plants in the absence of poultry litter (experiment II).
Tratamentos Braquiária Crotalária Girassol Milheto Mineral CV (%)
Clorofila
CAS 23,23b 21,06b 22,22b 23,04b 26,43a 4,39
CAM 22,17c 23,26b 20,45d 22,77bc 24,50a 1,89
CAI 24,67ab 23,77b 26,72a 24,03b 24,76ab 3,89
CBS 3,63ab 3,48ab 3,63ab 3,44b 4,44a 11,72
CBM 3,78a 3,71a 3,55a 3,76a 4,30a 14,51
CBI 4,15a 3,90a 4,19a 3,81a 4,22a 7,64
Avaliações agronômicas de interesse
DH (cm) 1,48a 1,51a 1,41a 1,44a 1,43a 4,14
NF 15,95a 16,37a 17,12a 16,12a 16,75a 6,43
DP (cm) 28,12bc 29,50abc 26,87c 30,29ab 31,33a 4,67
MFR (g) 33,00a 36,00a 149,00a 410,00a 31,00a 140,70
MSR (g) 1,00a 1,00a 1,00a 1,00a 1,00a 29,92
MFPA (g) 180,00b 160,00b 180,00b 270,00a 200,00ab 18,33
MSPA (g) 7,99a 7,74a 7,17a 7,91a 8,32a 20,43
Qualidade das sementes
PMS (g) 0,96a 0,78a 1,01a 0,95a 0,89a 13,28
G (%) 86,75ab 71,50c 76,00bc 79,25bc 95,00a 7,55
IVG 71,48bc 55,53c 76,80ab 73,89b 90,58a 9,64
CE 8,48bc 6,94c 10,05ab 12,05a 8,91bc 13,36
PS 6,35ab 7,64a 6,84ab 5,30b 4,99b 16,20
CAS: clorola A no dossel superior; CAM: clorola A no dossel mediano; CAI: clorola A no dossel inferior; CBS: clorola B no dossel superior; CBM: clorola B
no dossel mediano; CBI: clorola B no dossel inferior; DH: diâmetro da haste; NF: número de folhas; DP: diâmetro da planta; MFR: massa fresca de raiz;
MSR: massa seca de raiz; MFPA: Massa Fresca de Parte Aérea; MSPA: Massa Seca de Parte Aérea; PMS: peso de mil sementes; G: percentagem de
germinação; IVG: índice de velocidade de germinação; CE: condutividade elétrica; PS: produtividade de sementes. Letras iguais não diferem entre si nos
diferentes tratamentos a 5% de probabilidade pelo teste de Tukey.
Produção e qualidade siológica de sementes de alface cultivada com adubação orgânica e mineral
75
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Para a comercialização da alface, a adubação de cama de frango
associada ao milheto proporcionou melhores características,
apresentando maior valor para DP, NF, MFR, MSR, MFPA e
MSPA. Todos os tipos de adubação verde, exceto o girassol,
proporcionaram maior produtividade de sementes em relação
à adubação mineral.
Com relação à produção de sementes, a adubação com crotalária
e braquiária associada à cama de frango apresentou resultados
qualitativos e quantitativos relevantes. Esses resultados servem
de base para a produção de sementes destinadas ao sistema
de produção orgânico, visto que a regulamentação estabelece
que as sementes e mudas utilizadas nesse sistema deverão ser
oriundas de cultivos orgânicos (IN46/2011).
Observaram-se resultados da qualidade da semente e
agronômicos melhores na adubação mineral em comparação aos
demais tratamentos (adubos verdes) para diversos parâmetros
(CAS, CAM, CBS, DP, G, IVG). Além disso, os parâmetros
CBM, CBI, DH, NF, MFR, MSR, MSPA e PMS foram similares
aos das demais adubações. Portanto, verica-se que sem a
adição da cama de frango a adubação mineral mostrou-se
mais eciente e os adubos verdes não se destacaram no geral
(Tabela 2).
A adubação com crotalária proporcionou maior produtividade
de sementes (7,64 g planta
-1
) em relação à adubação com
milheto e mineral.
A palhada de girassol proporcionou maior incremento
no teor de clorola A no dossel inferior (11% em relação
à crotalária), contrapondo-se ao resultado obtido no dossel
superior e mediano em que o valor de clorola A cou entre
os mais baixos para esse adubo verde.
A adubação com milheto incrementou, em média, 97 g no
peso da massa fresca da parte aérea da alface em relação aos
tratamentos braquiária, crotalária e girassol. No entanto, essa
palhada proporcionou às sementes de alface maior condutividade
elétrica (12,05 µS.cm-1.g-1), sendo aproximadamente o dobro
em relação à adubação com crotalária. O teor de condutividade
está ligado ao vigor de sementes e essa relação se apresenta de
forma inversa: quanto maior a taxa de condutividade elétrica
da semente, menor a taxa de vigor. Assim, a alface adubada
com milheto apresentou sementes com menor vigor.
Não houve diferença estatística entre os tratamentos para as
variáveis clorola B no dossel mediano e no dossel inferior,
diâmetro de haste, massa seca de parte aérea, massa fresca de
raiz, massa seca de raiz e peso de mil sementes.
4 Conclusões
A adubação orgânica com cama de frango associada a
diferentes adubos verdes como planta de cobertura é uma
alternativa viável tanto para a produção de alface quanto para
a produção e a qualidade siológica de sementes.
A substituição da adubação mineral pela orgânica é benéca
ao desenvolvimento da alface e de suas sementes.
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Pesquisa e Desenvolvimento, 56).
Contribuição dos autores: Jéssica Beatriz de Carvalho e Júlia Mundim Nascimento Mota são alunas do curso de Agronomia e
este artigo é parte de seu trabalho de conclusão de curso; Cleyton Batista de Alvarenga é o orientador do trabalho de conclusão
de curso das discentes já citadas; Gabriel Mascarenhas Maciel é pesquisador em melhoramento de hortalíças e atua em
olericultura, e foi coorientador no trabalho; Adriane de Andrade Silva atua na área de produto orgânicos e agroecologia, também
foi coorientadora do trabalho e; Monique Ellis Aguilar Borba é mestranda do programa de pós - graduação em Agronomia da
UFU e acompanhou orientando as discentes na instalação do experimento, marcação da área e também na orientação das alunas,
pois muitas vezes já tinha conhecimento prévia para resolver questões diárias da condução do trabalho.
Fonte de nanciamento: Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de Minas Gerais e CNPq.
Conito de interesse: Os autores declaram não haver conito de interesse.
... Dessa forma, no que tange a produção e qualidade de sementes, o uso de adubo orgânico já é uma realidade no campo, no qual estudos vem demonstrando efeitos positivos, tanto no desenvolvimento da cultura quanto na melhora do rendimento de sementes (Carvalho, et al., 2017, Rech, Franke & Barros, 2006, Santos et. al. 2017). ...
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O efeito de adubos orgânicos no que tange a qualidade de sementes ainda não é claro na literatura, sendo que os insumos orgânicos já fazem parte da realidade do campo e são usados por muitos agricultores. Neste sentido, objetivou-se com este estudo avaliar a qualidade física e fisiológica de sementes da pimenta dedo de moça sob diferentes doses de adubo orgânico e mineral em Ceres-GO. O experimento foi em blocos casualizados com a linhagem de pimenta IFET 1572 e seis tratamentos com doses de adubo: T0 – sem adubação; T1 – 15 t ha-1; T2 – 30 t ha-1; T3 – 45 t ha-1 e T4 – 60 t ha-1 de esterco bovino e T5 - adubo mineral, sendo 334 kg ha-1 de Ureia; 277 kg ha-1 de Termofosfato magnesiano e 144 kg ha-1 de Cloreto de Potássio. As variáveis analisadas foram: grau de umidade; teste padrão de germinação; emergência; condutividade elétrica; peso de 1000 sementes e Índice de velocidade de emergência. Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste Tukey a 5% de probabilidade (p ≤ 0,05). Para comparar os adubos orgânicos foi aplicado a análise de regressão. Houve diferenças significativas na qualidade física e fisiológica das sementes na emergência, índice de velocidade de emergência, teste padrão de germinação e peso de mil sementes sob diferentes doses de esterco bovino e mineral. Doses crescentes de esterco bovino interferiram negativamente na qualidade física e fisiológica das sementes a partir da aplicação de 15 t ha-1. O uso de adubo bovino pode ser utilizado para produção de sementes de pimenta dedo de moça.
... A adubação orgânica não só incrementa a produtividade, mas também produz plantas com características qualitativas melhores que as cultivadas exclusivamente com adubos minerais podendo, portanto, exercer influência sobre a qualidade nutricional (CARVALHO et al., 2017). A queda da produtividade é consideravelmente acentuada em virtude de baixos índices de germinação, acarretando perdas capazes de desmotivar os produtores regionais. ...
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A semente de gergelim é matéria prima para obtenção de óleo de qualidade, sendo utilizada no Nordeste brasileiro em virtude da boa adaptabilidade às características edafoclimática, constituindo, além disso, como alternativa de renda. A semente é um dos insumos mais importantes e tem um papel fundamental na produção agrícola, sendo que seu desempenho é um fator essencial para a obtenção de um estande desejável de plantas, contribuindo significativamente no rendimento da cultura. Contudo, o conhecimento da fisiologia das sementes é limitado. Dentre os testes de avaliação da qualidade fisiológica de sementes, a germinação é o método tradicionalmente empregado para determinar o potencial máximo de germinação de um lote de sementes. Nesse sentido, o presente trabalho teve como objetivo selecionar cultivares com maiores índices de emergência e vigor, quando submetidas a diferentes percentagens de substrato bovino, comparando o potencial de duas cultivares melhoradas e duas crioulas. Foi utilizado o delineamento experimental inteiramente casualizado - DIC, em esquema fatorial 4x5, com quatro repetições. As variáveis analisadas foram o Índice de emergência inicial (In.EI), Índice de emergência final (In.EF), porcentagem de emergência inicial (%EI), porcentagem de emergência final (%EF), número de dias para estabilizar a emergência (NDE) e Índice de velocidade de emergência (IVE). Os dados foram submetidos à análise de variância para avaliar o efeito significativo, por meio do teste de comparação de médias Tukey a F (p ≤ 0,01) e F (p ≤ 0,05) de probabilidade para o fator qualitativo. Os dados quantitativos foram testados por regressão, escolhendo-se o modelo com maior coeficiente de determinação (R²), empregando o programa SISVAR. De acordo com os resultados, a cultivar crioula Barros apresentou maior eficiência nos seguintes quesitos analisados: IVE, NDE, %EF, %EI, In.EF e In. EI. As cultivares BRS Seda e Crioula Barros foram equivalentes na precocidade.
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As hortaliças são os alimentos que mais se destacam, em artigos científicos e em jornais, quando se trata de contaminação com agrotóxicos. Isso tem levado ao aumento na demanda por produtos orgânicos por parte dos consumidores. Há, então, a necessidade de se desenvolverem tecnologias que viabilizem esses sistemas, atendendo ao consumidor e melhorando a renda dos agricultores, geralmente de base familiar. A produção de hortaliças em sistema orgânico requer tecnologias que respeitem os processos ecológicos, que promovam o aumento da matéria orgânica do solo e que sejam poupadoras de energia. Neste artigo, são discutidas algumas dessas tecnologias e resultados de pesquisas, com foco em produção de mudas, manejo e adubação do solo, adubação verde, rotação de culturas, consórcio de hortaliças, manejo de plantas espontâneas e manejo de pragas e doenças, que são práticas aprovadas pelas normas para produção orgânica e seguem os princípios agroecológicos, que contribuem para a maior eficiência energética dos sistemas produtivos e, em conjunto, para o necessário desenvolvimento do setor de produção de hortaliças orgânicas com base científica.
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The objective of this research was to study the electrical conductivity test to evaluate the physiological quality of Albizia hassleri (Chod) Burkart. seeds. Sixteen mother tree plants were used and the conductivity test was performed at 25 ºC with the use of 75 mL of distilled water in periods of 2, 4, 6, 12, 24, 48, 72, 96 and 120 hours, with five replications of 20 seeds. The germination test was carried out at 25 ºC, and the final count was made on the 19th day. A completely randomized experimental design was used and the data were submitted to the variance analysis and the Scott-Knott test at 5% of probability to compare the mother tree means. Besides, correlations were performed between the electrical conductivity results and the germination percentage and normal seedlings and also the regression between both variables. A high variability was verified among the mother trees, both in the germination and in the electrical conductivity test. The results showed low correlation between the germination percentage and electrical conductivity. The regression between the electrical conductivity and germination presented a low determination coefficient. These data demonstrated that the electrical conductivity test was not adequate to discriminate the physiological seed quality of A. hasslerii obtained from different mother trees.
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GENES is a software package used for data analysis and processing with different biometric models and is essential in genetic studies applied to plant and animal breeding. It allows parameter estimation to analyze biological phenomena and is fundamental for the decision-making process and predictions of success and viability of selection strategies. The program can be downloaded from the Internet (http://www.ufv.br/dbg/genes/genes.htm or http://www.ufv.br/dbg/biodata.htm) and is available in Portuguese, English and Spanish. Specific literature (http://www.livraria.ufv.br/) and a set of sample files are also provided, making GENES easy to use. The software is integrated into the programs MS Word, MS Excel and Paint, ensuring simplicity and effectiveness in data import and export of results, figures and data. It is also compatible with the free software R and Matlab, through the supply of useful scripts available for complementary analyses in different areas, including genome wide selection, prediction of breeding values and use of neural networks in genetic improvement.
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This work had the objective to evaluate the effect of organic compost levels in chemical properties of soil, nutrient contents of seeds and quality of lettuce seeds. The experimental design was randomized blocks, with five treatments (T0: without organic compost; T30: 30 t ha-1; T60: 60 t ha-1; T90: 90 t ha-1 and T120: 120 t ha-1 of organic compost) and five replications. There were not differences in seed nutrient contents and physiological quality (germination and vigor). However, linear increases were observed in organic matter levels, calcium, magnesium, basis sum, CEC and base saturation of soil at final culture cycle.
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The objectives of this work were to evaluate the production of lettuce in a protected environment, using different organic composts as nitrogen source and its residual effect in two successive cycles. The experiment was conducted between February and May of 2005, at a greenhouse with controlled ventilation and temperature, using 3.5 L vases and ground classified as Dark Red Latossol. Organic composts produced from the mixture of residues of the processing of four medicinal plants and cattle manure were used. The composts C1, C2, C3 and C4 in doses 30, 60, 90 and 120 t ha-1 composed the treatments, set in an entirely randomized design, with four repetitions and one control (additional treatment). The following were determined: fresh matter of aerial part; dry weight of aerial part and number of leaves. The applied composts satisfactorily supplied the nitrogen needs of the culture, in the first cycle, making the use of mineral fertilizer unnecessary. The composition of the applied materials significantly influenced the production of lettuce in the first cycle, promoting residual effect in the second cycle, although in lesser ratios.
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Para se obter sementes de alta qualidade é indispensável a realização de adubação mineral adequada, devido ao fato desta ser importante para a planta se desenvolver e reproduzir, pois sua disponibilidade influencia o vigor e a qualidade fisiológica das sementes e, conseqüentemente, o crescimento de plântulas. O objetivo nessa pesquisa foi avaliar a qualidade fisiológica das sementes e o crescimento de plântulas de alface na presença e ausência da solução nutritiva completa, com ênfase ao macro-nutriente nitrogênio. O experimento foi realizado no Laboratório de Sementes e na casa-de-vegetação do Departamento de Botânica da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). O ensaio foi constituído de três tratamentos: solução nutritiva de Hoagland com ½ força; solução nutritiva de Hoagland com ½ força menos o macro-elemento nitrogênio e água (controle). Foram efetuados os seguintes testes: germinação (TG), primeira contagem de germinação (PCG), índice de velocidade de germinação (IVG) condutividade elétrica (CE), emergência de plântulas (E), índice de velocidade de emergência (IVE), comprimento da parte aérea (PA) e do sistema radicular (SR), massas fresca (MF) e seca (MS) da PA e do SR de plântulas, área foliar, número de folhas, e determinação do teor de pigmentos (clorofilas). O delineamento experimental utilizado foi completamente casualizado, com três repetições. As médias foram comparadas pelo teste de Tukey (p< 5%). As utilizações de solução nutritiva completa e sem nitrogênio não interfere na viabilidade e no vigor das sementes de alface cv. Regina, nos testes realizados em condições laboratoriais. No entanto, em condições de casa-de-vegetação, a solução nutritiva completa incrementou significativamente o comprimento da parte aérea, a massa fresca e seca da parte aérea e raízes, aumentando também a área foliar e o número de folhas por plântula, aos 21 dias após a emergência. Os demais testes analisados, não foram influenciados pelos tratamentos.
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Sabe-se que os micronutrientes e os reguladores de crescimento são importantes ativadores metabólicos, o que pode trazer benefícios à germinação e ao vigor das sementes quando incorporados ao tratamento e, com isso, aumentar o potencial de desenvolvimento das plantas no campo. O estudo foi desenvolvido com objetivo de avaliar o efeito da aplicação de micronutrientes e reguladores de crescimento na germinação, no vigor, na atividade de algumas enzimas e no teor de proteínas totais em sementes de alface durante o armazenamento. As sementes foram tratadas com os produtos Starter®, Cellerate® e Stimulate® nas dosagens correspondentes a 0, 50, 100, 150 e 200% da dose recomendada pelo fabricante, utilizando a técnica de peliculização. As avaliações foram realizadas aos 0, 6 e 12 meses de armazenamento pelas seguintes características: porcentagem de germinação, porcentagem e índice de velocidade de emergência, atividade das enzimas endo-β-mananase e esterase, teor de proteínas totais e sanidade. Concluiu-se que o produto à base de reguladores de crescimento promove aumento na velocidade de emergência das plântulas de alface quando aplicado na dose recomendada e na pré-semeadura. O revestimento das sementes de alface com o dobro da dose recomendada dos produtos à base de micronutrientes e reguladores de crescimento provoca redução na sua qualidade. A atividade da enzima esterase aumenta com o armazenamento das sementes de alface, indicando aumento no processo de deterioração. O revestimento com micronutrientes e reguladores de crescimento e o armazenamento interferem na atividade da enzima endo-β-mananase em sementes de alface.
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Estudos sobre a produção de sementes de alface em diferentes épocas de plantio podem fornecer subsídios para que o produtor utilize práticas adequadas de manejo, aumentando a possibilidade de sucesso no empreendimento, maximizando a produção e favorecendo o retorno econômico. As condições climáticas durante diferentes etapas de desenvolvimento das plantas podem exercer influência direta sobre o vigor das sementes produzidas. Sendo assim, objetivou-se, neste trabalho, avaliar oito cultivares de alface quanto à qualidade fisiológica e à produção de sementes em ambiente protegido, nas condições de primavera/verão e outono/inverno, na região de Lavras - MG. As plantas foram avaliadas com relação às épocas de pendoamento e antese e produção de sementes. Após a colheita e beneficiamento, as sementes foram pesadas e submetidas aos testes de germinação, primeira contagem de germinação, velocidade de germinação a 20, 25, 30 e 35 ºC, emergência de plântulas e envelhecimento acelerado (41 ºC/48 e 72 horas). A produção de sementes de alface, na região de Lavras, em cultivo protegido deve ser realizada no outono/inverno para obtenção de maior produtividade e melhor qualidade das sementes, com utilização da cultivar Vera. A produção de sementes da cultivar Luisa no período do verão favorece sua capacidade de germinação sob condições de temperaturas elevadas. O plantio para produção de sementes das cultivares Lívia e Simpson na época primavera/verão e da cultivar Elisa na época outono/inverno não é recomendado para a região de Lavras - MG, por produzirem sementes de baixo vigor.
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N o final da última década, a qua-lidade do alimento passou a ser considerada fator de segurança alimentar e nutricional, sendo relacionada não só à produção do alimento em quantidade suficiente e acesso garantido, mas tam-bém à promoção do estado de saúde daqueles que o consomem. Surge, portanto, a compreensão de que não há segurança alimentar se o consumidor não dispuser de produtos sem agentes que possam oferecer risco à sua saúde, sob a forma de contaminação química ou biológica (Nardin et al., 1997). Na produção orgânica de hortaliças, o agricultor é obrigado a não utilizar agrotóxico e fertilizante químico de alta concentração e solubilidade, e utilizar tecnologias (princípios e processos) SILVA EMNCP; FERREIRA RLF; ARAÚJO NETO SE; TAVELLA LB; SOLINO AJS. 2011. Qualidade de alface crespa cultivada em sistema orgânico, convencional e hidropônico. Horticultura Brasileira 29: 242-245. RESUMO O objetivo deste trabalho foi avaliar a qualidade da alface do grupo crespa, cv. Vera, em sistemas de cultivo orgânico, convencional e hidropônico em Rio Branco-AC. O experimento foi conduzido em julho de 2009. As amostras dos sistemas, convencional e hidropônico (3 marcas comerciais), foram escolhidas aleatoriamente nos super-mercados do município de Rio Branco, no mesmo dia de coleta da alface produzida em sistema orgânico. A alface orgânica, produzida na área experimental do Setor de Agricultura Ecológica da Universidade Federal do Acre (UFAC), em Rio Branco, foi cultivada em estufa, sob plantio direto utilizando folhas de bambu como cobertura do solo, e adubada com composto orgânico (17 t ha -1 em base seca). O delineamento utilizado foi o inteiramente casualizado, com cinco tra-tamentos e quatro repetições compostas por três plantas. As amostras foram lavadas, cortadas e processadas com folha e caule, para obter o suco. Logo após foram determinados os teores de sólidos solúveis e a concentração de nitrato e ácido ascórbico. As três marcas de alface hidropônica apresentaram maior teor de nitrato e menor concentração de sólidos solúveis e ácidos ascórbico, enquanto a alface orgânica apresentou qualidade superior, com baixa concentração de nitrato e maior teor de ácido ascórbico. Palavras-chave: Lactuca sativa L., nitrato, alimento orgânico.