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Traços de personalidade, ansiedade e depressão em jogadores de futebol

Authors:

Abstract

The aim of this study was to ascertain associations among the personality traits, anxiety and depression in soccer players. 29 players attending at a soccer team of a city of the interior of the state of São Paulo, aged from 17 to 21 years old, with mean age of 19 years (Dp=1,07) were studied. The BAI, composed by 21 items with descriptive information of the anxiety symptoms; and the BDI, composed by 21 items presenting descriptions of depression symptoms were collectively applied. In both instruments items must be assessed by the citizen referencing itself in terms of each frequency of occurrence in a 3 point scale. The personality measure was taken by the Big Five that presents 64 adjectives, which the participants must assess, the agreement intensity that the items characterizes them in a five points scale. Amongst the results, negative correlation between the Neuroticism and the anxiety was ascertain, indicating that the higher the Neuroticism, the lower the anxiety. These data opposes the definition of the trait. Specific anxiety symptoms correlated with the studied traits but the depression symptoms did not. The anxiety and depression measures comparison in the personality traits contrasting groups confirmed these data.
Revista Brasileira de Psicologia do Esporte, São Paulo, v.3, nº
- 4, janeiro/junho 2010
Traços de personalidade,
ansiedade e depressão
em jogadores de futebol
Daniel Bartholomeu;
Afonso Antonio Machado;
Flavio Spigato;
Luana Luz Bartholomeu;
Heitor F. P. Cozza;
José M. Montiel
Resumo O objetivo desse trabalho foi verificar a associação
entre os traços de personalidade e ansiedade e depressão
em jogadores de futebol. Participaram da pesquisa 29
jogadores de um time de uma cidade do interior do estado
de São Paulo, com idades entre 17 e 21 anos, com média
de 19 anos (DP=1,07). Aplicou-se coletivamente o BAI
que é composto por 21 itens com informações descritivas
dos sintomas de ansiedade; e o BDI, composto por 21 itens
que apresentam descrições de sintomas de depressão. Em
ambos os instrumentos os itens devem ser avaliados pelo
sujeito em referência a si mesmo em razão da freqüência de
ocorrência de cada um numa escala de 0 a 3 pontos. A medida
de personalidade foi tomada pelo Big Five que apresenta
64 adjetivos, os quais os participantes devem assinalar em
termos da intensidade de concordância com que aquele item
os caracterizam numa escala de cinco pontos. Dentre os
resultados evidenciou-se uma correlação negativa entre o
Neuroticismo e a ansiedade, que indica que o aumento desse
traço denota uma diminuição correspondente na ansiedade
o que se contrapõe a denição do mesmo. A comparação
das medidas de ansiedade e depressão nos grupos extremos
formados com base nos traços de personalidade corroborou
esses dados.
Palavras Chave: Ansiedade, depressão, big ve,
futebol.
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Revista Brasileira de Psicologia do Esporte, São Paulo, v.3, nº
- 4, janeiro/junho 2010
Personality traits, anxiety
and depression in soccer players
Daniel Bartholomeu; Afonso Antonio Machado; Flavio Spigato;
Luana Luz Bartholomeu; Heitor F. P. Cozza; José M. Montiel
Abstract The aim of this study was to ascertain associations among the
personality traits, anxiety and depression in soccer players. 29 players attending
at a soccer team of a city of the interior of the state of São Paulo, aged from 17
to 21 years old, with mean age of 19 years (DP=1,07) were studied. The BAI,
composed by 21 items with descriptive information of the anxiety symptoms; and
the BDI, composed by 21 items presenting descriptions of depression symptoms
were collectively applied. In both instruments items must be assessed by the
citizen referencing itself in terms of each frequency of occurrence in a 3 point
scale. The personality measure was taken by the Big Five that presents 64
adjectives, which the participants must assess, the agreement intensity that the
items characterizes them in a ve points scale. Amongst the results, negative
correlation between the Neuroticism and the anxiety was ascertain, indicating
that the higher the Neuroticism, the lower the anxiety. These data opposes the
denition of the trait. Specic anxiety symptoms correlated with the studied traits
but the depression symptoms did not. The anxiety and depression measures
comparison in the personality traits contrasting groups conrmed these data.
Keywords: Anxiety, Depression, Big Five, Soccer.
Rasgos de Personalidad, ansiedad
e depresión en jugadores de futbol
Daniel Bartholomeu; Afonso Antonio Machado; Flavio Spigato;
Luana Luz Bartholomeu; Heitor F. P. Cozza; José M. Montiel
Resumen El objetivo de este estudio ha sido verificar la asociación entre
los rasgos de personalidad, ansiedad e depresión en jugadores de futbol.
Participaron de la pesquisa 29 jugadores de un time de una ciudad del interior
del estado de São Paulo con edades entre 17 e 21 años, con media de 19
años (DP=1,07). Aplicó-se colectivamente el BAI que é compuesto de 21
ítems con informaciones descriptivas de los síntomas de ansiedad; e el BDI
que é compuesto por 21 ítems que presentan descripciones de los síntomas
de depresión. En ambos los instrumentos los ítems deben ser evaluados por
el sujeto en referencia a si mismo cuanto a frecuencia de ocurrencia de cada
un en una escala de 0 a 3 puntos. La mensuración de la personalidad fue
tomada por el Big Five que presenta 64 adjetivos que los participantes deben
señalar la intensidad de concordancia con que el ítem indica en una escala
de cinco puntos. Entre los resultados evidencio-se una correlación negativa
entre el Neuroticismo e la ansiedad que indica que el aumento de este rasgo é
acompañado de un aumento correspondiente en la ansiedad. La comparación
de las medidas de ansiedad e depresión en los grupos extremos basados en los
rasgos de personalidad ha corroborado los datos.
Palabras-llave: Ansiedad, Depresión, Big Five, Futbol.
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Introdução O efeito do esporte na vida das pessoas ou como essas se ajustam
a ele são tópicos a ele são tópicos que não foram muito versados na
comunidade psicológica por um longo período de tempo. A psicologia
do esporte emergiu numa tentativa de compreender e otimizar o
desempenho de atletas. Nesse contexto, o termo “psicologia do esporte”
adquiriu dois signicados um tanto diferentes, sendo que, um deles se
refere à prática da psicologia por prossionais que se especializaram no
trabalho com atletas em uma variedade de contextos desportivos; e o
outro se refere à análise do desenvolvimento da psicologia do esporte
como disciplina acadêmica, comumente encontrada em universidades.
Nessa última perspectiva, enfatizam-se tanto os fatores que inuenciam
a participação no esporte e exercícios de forma geral como os efeitos
psicológicos derivados dessa participação (Williams & Straub, 1986).
Dentre os aspectos psicológicos que podem exercer alguma
inuência sobre o desempenho de atletas em competição, um dos mais
estudados desde o surgimento da Psicologia do Esporte após a Segunda
Guerra Mundial tem sido a personalidade. Entre as décadas de 1950 a
1970 houve uma tendência a aplicação de instrumentos que mensurassem
essa variável em atletas, objetivando, principalmente comparar seus
resultados com grupos de não atletas, ou entre as distintas modalidades
esportivas (Cratty, 1984).
Uma das principais discussões no que concerne a aplicação de
testes de personalidade em atletas tem sido a questão da validade das
medidas obtidas no contexto esportivo. Rushall (1975) e Martens (1975)
ressaltam que uma das objeções feitas consiste na seleção indiscriminada
da população de atletas que não permite estabelecer evidências para
um grupo especíco, dada as diferenças entre os tipos de modalidades
esportivas Além disso, destacam que a maior parte das pesquisas nessa
área apresentam problemas quanto ao tratamento estatístico dos dados,
bem como em suas interpretações (Cratty, 1984).
Uma das soluções para esse problema é sugerida por Morgan
(1978) ao mencionar a necessidade de que outras provas sejam
aplicadas juntamente com as de personalidade, com vistas a fornecer
uma maior compreensão dos atletas em questão. Ao lado disso, devem
ser examinadas também variáveis relativas aos aspectos emocionais e
sociais envolvidos em cada modalidade esportiva, possibilitando, assim,
combinar dados de personalidade com as diversas “tensões esportivas
especícas”.
Dentre os inúmeros instrumentos disponíveis para a avaliação da
personalidade estão o MMPI (Inventário Multifásico de Personalidade) e
o 16 PF de Cattell, que têm sido muito utilizados no contexto esportivo,
entre outros. Na atualidade, uma nova proposta para a mensuração da
personalidade tem emergido que é a dos Cinco Grandes Fatores (CGF).
Esse modelo descreve dimensões básicas da personalidade que foram
constituídas com base na aplicação de inúmeros instrumentos como o 16
PF, MMPI, escala de necessidades de Murray, entre outros. Esses testes,
ao serem submetidos a análises fatoriais fornecem soluções similares com
os CGF, independentemente da teoria que os embasa. (McCrae & Costa,
1989; Digman, 1990; McAdams, 1992; Briggs, 1992, Hutz et al,1998).
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Esse modelo não apresenta uma explicação teórica a priori
dos motivos de serem cinco os fatores e, embora existam algumas
divergências quanto à denominação dos mesmos, ou das características
em cada dimensão, não representam problemas metodológicos ou
epistemológicos. Inúmeros autores como Goldberg (1981), Hogan
(1983) estudaram as soluções fatoriais encontradas entre os testes de
personalidade e contribuíram para o entendimento atual dos fatores
para explicar a personalidade. Nesse contexto, o Fator I corresponde
a Extroversão/Introversão e pessoas com altas pontuações nesse fator
seriam caracterizadas como sociáveis, ativas, falantes, otimistas e
afetuosas. Esse fator é correspondente ao fator I da escala de Eysenck
bem como ao fator “Atividade Social” do sistema de Guilford (Hutz et al,
1998; Nunes & Hutz, 2002).
Por sua vez, o segundo fator é o Nível de Socialização, e suas
tendências são agradabilidade social, calor humano, doçura, altruismo,
cuidado, amor e apoio emocional, sendo que seu oposto é caracterizado
por hostilidade, indiferença aos demais, egoísmo e inveja. Esse fator
abrange alguns itens da escala de Psicoticismo de Eysenck (1970). A esse
respeito, Digman (1990) destaca que a quase totalidade da variância
dessa escala estaria explicada nos fatores II e III dos CGF (Hutz et
al1998; Nunes & Hutz, 2002).
O terceiro fator é a Escrupulosidade e pessoas com predominância
nesse traço caracterizam-se como honestas, sensíveis afetivamente,
preocupadas com os outros, responsáveis, e pessoas em seu oposto
apresentariam irresponsabilidade, negligência, dureza e insensibilidade
(Hutz et al, 1998). O Fator IV é correspondente ao Neuroticismo ou
Estabilidade Emocional e abrange aspectos como afeto positivo e negativo,
instabilidade emocional, ansiedade, depressão, melancolia, tristeza,
nervosismo, hostilidade, vulnerabilidade, auto-crítica, impulsividade e
temor. Pessoas em seu oposto seriam pouco impulsivas e recuperariam
o autocontrole com facilidade (Hutz et al, 1998; Nunes & Hutz, 2002).
Finalmente, o Fator V é a Abertura a Experiência e envolve
fantasia, imaginação, abertura para novas experiências e exibilidade
de pensamento. Esse fator pode ainda ser denominado Intelecto,
que também é caracterizado pela percepção que a pessoa tem de sua
capacidade (Hutz et al, 1998).
Pesquisas nos últimos 10 anos têm demonstrado a solidez
desses fatores. Assim, esse modelo tem sido considerado por inúmeros
autores como o melhor na atualidade para a descrição da personalidade.
Ainda, sugere-se que se trate de dimensões básicas da personalidade,
desejáveis de se obter em quaisquer pessoas com que se interagir
(McCrae & John, 1992; McCrae, Costa & Piedmont, 1993; Hutz et al,
1998; McAdams, 1992).
Considerando que os CGF têm sua origem na análise da
linguagem utilizada para descrever pessoas, o uso de descritores de
traços (adjetivos) podem identicar esses fatores de personalidade.
Na opinião de Goldberg (1982), se uma característica é evidente, uma
palavra poderia ser suciente para descrevê-la.
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Hutz e colaboradores (1998) executaram uma pesquisa com 976
estudantes de universidades do Sul do Brasil de ambos os sexos para
averiguar a adequação de uma lista de adjetivos usados na descrição da
personalidade. A análise fatorial demonstrou a existência de cinco fatores
conforme o esperado. O primeiro fator foi “Socialização” (“agreableness”),
seguido por “Extroversão”, “Escrupulosidade”, “Neuroticismo” e “Abertura
para Experiência”, possibilitando constituir escalas que apresentaram
coecientes alfa de Cronbach entre 0,78 e 0,88. O total de variância
explicada pelos fatores foi de aproximadamente 44 % e análises
multivariadas de variância (MANOVA) indicaram diferenças signicativas
de sexo em todos os fatores, exceto o neuroticismo. Os autores
destacam que somente a abertura apresentou médias signicativamente
maiores para as mulheres, nos demais fatores os homens evidenciaram
maior incidência dos traços. Entretanto, as diferenças são pequenas, e
considerando o tamanho grande da amostra não se pode armar com
segurança a necessidade de normas diferenciadas.
Com base no exposto até o momento, o problema da validade
das medidas de personalidade em psicologia do esporte, bem como a
necessidade de se examinar suas relações com as emoções envolvidas
em cada modalidade esportiva; e, considerando ainda que algumas
dessas constam das denições dos traços no modelo dos CGF, achou-
se interessante planejar uma pesquisa para relacionar esses aspectos
no contexto especíco do futebol. Dentre as diversas características
emocionais atreladas aos traços de personalidade, este trabalho teve
como foco a ansiedade e a depressão, que são mais evidentes em
indivíduos que apresentam uma alta incidência de neuroticismo.
Na opinião de Machado (2001), o esporte, de maneira geral,
apresenta uma elevada emocionalidade. Nesse contexto, o aumento da
ansiedade no momento esportivo decorre do aumento da pressão que é
exercida sobre os jogadores com o objetivo de alcançar a vitória. Para
o autor, a preocupação com a ansiedade quer seja dentro de campo ou
fora dele, nunca foram tão grandes como nos dias de hoje.
Martens e colaboradores (1990), considerando a ansiedade como
um constructo multidimensional, hipotetizaram que os antecedentes
situacionais da ansiedade cognitiva e auto- conança seriam os fatores no
ambiente que se relacionariam à expectativa de sucesso dos jogadores,
incluindo a forma como o indivíduo iria perceber sua própria habilidade e
a de seu oponente, possivelmente baseada em experiência competitiva
prévia. Gould e colaboradores (1984) e Martens e colaboradores (1990)
ressaltaram que esses antecedentes abrangeriam ainda a importância
do jogo, os efeitos de facilitação social, preparação no vestiário (locker
room preparation) e rotinas de treinamento pre-competição.
Os estudos sobre ansiedade demonstram que seus níveis variam
sempre antes, durante e após uma situação de tensão A iminência de
um evento dessa natureza parece aumentar os níveis de ansiedade, ao
passo que o contato com a situação faz com que esses níveis diminuam.
Entretanto, o grau em que uma competição aumenta ou diminui a
ansiedade varia de acordo com a tarefa em questão. Assim, modalidades
esportivas que implicam num maior uso de resistência e força tem maior
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probabilidade de dissipar a ansiedade em detrimento de outros como
tiro ao alvo ou arco e echa nos quais a tendência é de aumento das
tensões com o prosseguir da competição (Cratty, 1984).
No que concerne a ansiedade em relação ao jogadores de futebol
especicamente, a revisão da literatura revelou que apenas o trabalho
de Hanin e Spielberger (1983) ocupou-se com a construção de um
instrumento de mensuração da ansiedade em uma amostra de jogadores
de futebol russos. Noutro estudo, Scalan e Passer (1979) identicaram
fatores que afetaram as expectativas de desempenho competitivo em
192 jogadoras de futebol. A habilidade de jogo e auto-estima relacionou-
se a expectativa de desempenho, mas a ansiedade não.
Diferenças signicativas em medidas de ansiedade de jogadores
de futebol menos e mais habilidosos, conforme avaliados pelos
treinadores, foram detectadas no estudo de Graf (1975). Os autores
sugeriram ainda que a tendência dos jogadores menos habilidosos de
apresentarem maiores níveis de ansiedade seria parcialmente causada
ou relacionada à preocupação excessiva dos pais.
Por sua vez, Dowthwaite & Armstrong (1984) investigaram níveis
de ansiedade em jogadores de futebol, tomando medidas dessa variável,
10 min antes e imediatamente após três jogos, um fácil, outro crucial e
outro em uma competição fácil. O grupo venceu todos os três jogos. Os
resultados demonstraram mudanças nos estados de ansiedade nos dois
momentos. Os sujeitos estiveram mais ansiosos antes do jogo crucial
que dos fáceis.
Ainda Pozzi (1986) estudou a inuência do ambiente de treino
sobre as reações ansiosas de jogadores de futebol, avaliando os níveis de
ansiedade e depressão de treinadores de times. É interessante destacar
que, revisando a literatura psicológica aplicada ao futebol, foram
encontrados poucos estudos preocupados na avaliação da depressão
nessa população, sendo que, mesmo esses, incluem ainda avaliações da
ansiedade ou traços de personalidade entre outras variáveis.
Alguns trabalhos, entretanto, merecem ser destacados. Assim,
Hassmen e Blomstrand (1996) investigaram relações entre o estado de
humor e desempenho em jogadores de futebol por meio do Prole of
Mood States (POMS) com avaliações antes, imediatamente após e 2
horas após os jogos. Os resultados indicaram alterações no estado de
humor, especialmente em situações como empate ou derrotas, sendo
que os indivíduos demonstraram menos tensão, depressão, raiva e
confusão quando venciam os jogos.
Marini e colaboradores (1988) estudaram diferenças nas
características de personalidade de jogadores de futebol e um grupo
controle para determinar métodos individuais de reação ao estresse
atlético. Os autores investigaram ainda diferenças em seis áreas de
sintomas incluindo ansiedade, fobia, depressão, somatização e histeria.
Este foi o único trabalho na literatura que investigou a ansiedade,
depressão e traços de personalidade, entretanto, mesmo nesse, os
objetivos estavam voltados a reação ao estresse.
De forma geral, em relação à ansiedade e depressão, Barlow
(1991) ressaltou que, embora se busque evidências de validade
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discriminante para a ansiedade, os estudos tendem a demonstrar
uma relação, ainda que variável, com os sintomas de depressão. Em
consonância, Beck e Steer (1993a) assinalaram que no BAI (Beck Anxiety
Inventory), instrumento utilizado neste trabalho, certos sintomas são
compartilhados de forma mínima com os de depressão embora tenha
sido construído para mensurar a ansiedade.
Tendo em vistas a carência de estudos averiguada na literatura
no que tange aos traços de personalidade, depressão e ansiedade em
jogadores de futebol e levando-se em conta que as próprias denições
de alguns dos traços apresentam essas características, esse trabalho
procurou relacionar essas variáveis dentro desse contexto especíco.
Método PARTICIPANTES
Participaram desta pesquisa 29 jogadores juniores de um time de
futebol de uma cidade do interior do estado de São Paulo, que iniciaram
a participação num projeto de intervenção em Psicologia para aumentar
a motivação da equipe. Todas as pessoas eram do sexo masculino e com
idades entre 17 e 21 anos, com média de idade de 19 anos (DP=1,07).
Vale ressaltar ainda que houveram jogadores em todas as posições
possíveis para um time de futebol.
INSTRUMENTOS
1 - Inventário Beck de Ansiedade BAI - (Beck Anxiety
Inventory) (Cunha, 2001).
Esse inventário foi originalmente desenvolvido por Beck, Epstein,
Brown e Steer, em 1988 e adaptado por Cunha (2001), apresentando bons
coecientes de dedignidade e validade. A primeira foi tomada pelo alfa de
Cronbach em amostras de pacientes psiquiátricos, não clínica e médico-
clínica. Como de particular interesse nesse trabalho, os coecientes
para a amostra não clínica variaram de 0,71 a 0,72. Vale ressaltar que
nessa amostra estavam inclusos, idosos, universitários, reclusos de uma
penitenciária, bombeiros, funcionários de hospitais e empresa de trens,
adolescentes e estudantes de primeiro grau. Além disso, foi tomada a
estabilidade temporal do teste com um intervalo de uma semana e a
correlação dessas aplicações em uma amostra da população geral foi de
0,99 (p<0,001). Seu Manual apresenta ainda evidências de validade de
conteúdo, convergente, discriminante e fatorial.
Este teste é composto por 21 itens que apresentam informações
descritivas dos sintomas de ansiedade. Esses devem ser avaliados pelo
sujeito em referência a si mesmo em razão da gravidade e freqüência de
cada item numa escala de 0 a 3 pontos.
A aplicação seguiu a proposta do manual e suas instruções
foram lidas aos participantes. Após isso, foi entregue um protocolo do
teste ao examinando. Na correção, a soma das avaliações nos itens
possibilita o escore geral que tem seu máximo em 63 pontos. Além disso,
o Manual apresenta uma Tabela com pontos de corte para a classicação
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dos sujeitos em cada um dos níveis de ansiedade possíveis. Estes são
apresentados na Tabela 1.
Tabela 1 – Critérios de classicação em cada um dos Níveis de Ansiedade do BAI
Níveis Escores
Nível Mínimo de Ansiedade De 0 a 10 pontos
Nível Leve de Ansiedade De 11 a 19 pontos
Nível Moderado de Ansiedade De 20 a 30 pontos
Nível Grave de Ansiedade De 31 a 63 pontos
2 - Inventario Beck de depressão - BDI (Beck Depression
Inventory) (Cunha, 2001).
Foi originalmente criado por Beck, Ward, Mendelson, Mock
e Erbaugh em 1961, evidenciando coecientes de dedignidade e
evidências de validade satisfatórias conforme o estudo de Cunha
(2001). O Manual relata estudos de consistência interna com amostras
psiquiátrica, médico-clínica e não clínica. Nesta última, os coecientes
alfa de Cronbach variaram de 0,70 a 0,86. Essa amostra incluía, idosos,
universitários, reclusos de uma penitenciária, bombeiros, funcionários
de hospitais e empresa de trens, adolescentes e estudantes de primeiro
grau. Ainda, em não pacientes, o coeciente de teste-reteste foi maior
que 0,90 com um intervalo de 15 dias, conforme o trabalho de Lightfoot
e Oliver (1985). São apresentadas em seu Manual também evidências
de validade de conteúdo, convergente, discriminante e fatorial.
Este teste consiste de 21 descrições de sintomas de depressão
com alternativas de 0 a 3 pontos, que devem ser assinaladas em razão
da freqüência de ocorrência dos mesmos. Na aplicação seguiu-se a
proposta do Manual sendo lidas as instruções e, em seguida, entregue
um protocolo do BDI ao examinando.
Para a correção do instrumento, são somados os pontos em cada
item, compondo um escore total cuja pontuação máxima possível não
excede 63 pontos. Como no BAI, o Manual apresenta pontos de corte
para a classicação dos sujeitos em cada um dos níveis de depressão.
Essa informação consta da Tabela 2.
Tabela 2 – Critérios de classicação em cada um dos Níveis de Depressão do BDI
Níveis Escores
Nível Mínimo de Depressão De 0 a 11 pontos
Nível Leve de Depressão De 12 a 19 pontos
Nível Moderado de Depressão De 20 a 35 pontos
Nível Grave de Depressão De 36 a 63 pontos
3 - Big ve (Hutz et al, 1998).
Este teste apresenta uma lista com 64 adjetivos, que os
participantes devem assinalar em termos da intensidade de concordância
com que aquele item os caracterizam numa escala de cinco pontos. As
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respostas são dispostas desde 1, Discordo totalmente até 5, Concordo
totalmente.
O Fator I informa sobre o traço Socialização e os indicadores
que os caracterizam são Afável, Dócil Sociável, Agradável, Generosa,
Romântica, Gentil, Amável, Compreensível, Amigável, Fria, Bondosa,
Apaixonada, Simpática, Sentimental e Delicada, compondo um total
de 16 itens nessa subescala. O Fator II diz respeito à Extroversão e
os seus indicadores são Acanhada, Extrovertida, Comunicativa,
Desembaraçada, Introvertida, Envergonhada, Tímida, Quieta, Inibida e
Calada, totalizando 10 itens. Por sua vez, o Fator III tem informações
sobre Realização (Escrupulosidade) e os adjetivos que o caracterizam
são Honrada, Responsável, Dedicada, Esforçada, Estudiosa, Honesta,
Desorganizada, Eciente, Cuidadosa, Metódica, Organizada, Meticulosa,
Assídua e Compenetrada, formando um total de 14 itens para essa
subescala. o Fator IV Concerne ao Neuroticismo e seus itens são
Pessimista, Feliz, Aborrecida, Armativa, Egoista, Infeliz, Deprimida,
Insegura, Antipática, Solitária, Ansiosa e Triste, totalizando 12 itens
nessa escala. Finalmente o Fator V informa sobre Abertura e os adjetivos
característicos são Curiosa, Engraçada, Criativa, Filosóca, Corajosa,
Enérgica, Aventureira, Audaciosa, Imaginativa, Intelectual, Artística e
Impulsiva compondo o total de 12 itens. O resultado para cada escala
foi obtido pela soma das pontuações dada a cada item dividida pelo total
de itens em cada subescala correspondente.
Algumas propriedades psicométricas desse instrumento foram
tomadas por Hutz et al (1998). A análise fatorial forneceu um total de
variância explicada para esses cinco fatores de 43,91%. Ao lado disso,
os valores Alfa de Cronbach para as dimensões são de 0,88, 0,88, 0,84,
0,89, 0,78 respectivamente e podem ser considerados satisfatórios.
PROCEDIMENTO
A aplicação dos instrumentos foi coletiva, realizada na sede do
Clube, em uma sala de reuniões com cadeiras. Foi distribuída uma folha
de respostas de cada teste aos participantes. A aplicação dos testes foi
parte de um projeto de intervenção que visava à coleta de informações a
serem depois utilizadas para determinar as técnicas a serem empregadas
e foi comunicado aos participantes que os dados seriam mantidos em
sigilo e seriam também, posteriormente, utilizados em uma pesquisa.
Todos os participantes responderam inicialmente o BAI, logo após o BDI
e em seguida o Big Five.
Resultados Os resultados serão apresentados em três partes. Primeiramente,
e com vistas a caracterizar os jogadores em termos dos traços de personalidade
Discussões estudados bem como de ansiedade e depressão, serão apresentadas
algumas estatísticas descritivas dessas variáveis. Na seqüência,
procurou-se correlacionar as medidas de ansiedade e depressão com os
traços de personalidade estudados, procurando associações entre essas
Traços de personalidade, ansiedade e depressão em jogadores de futebol – 098/114
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variáveis. Finalmente, serão apresentadas as análises de diferenças das
pontuações de ansiedade e depressão nos grupos extremos separados
em razão de cada um dos traços de personalidade.
As estatísticas descritivas da medida do BAI, do BDI e do Big Five
estão apresentadas na Tabela 3. Quanto aos traços de personalidade,
observa-se que os jogadores em questão, apresentaram uma maior
incidência do traço Escrupulosidade, fator que apresentou a maior
média em detrimento das demais, embora, algumas pessoas tenham
alcançado altas pontuações em cada um dos traços. Um dado para
se destacar é que nos traços Socialização e Extroversão, 10,3% dos
indivíduos apresentaram pontuações próximas à máxima obtida nesses
traços. No Fator Escrupulosidade, 6,8% das pessoas também obtiveram
altas pontuações. quanto ao traço Neuroticismo, 17,2% dos
indivíduos obteve escores próximos ao máximo obtido nessa amostra,
sendo esse o traço com maior concentração de sujeitos nas pontuações
mais altas. Finalmente, o Fator Abertura congregou 13,8% das pessoas
com pontuações mais altas. Vericou-se uma prevalência na amostra
em questão do traço Escrupulosidade. Essas pessoas apresentam
como características ambição, perseveração, pontulidade, decisão,
conabilidade, organização e escrupulosidade (Nunes & Hutz, 2002).
Tabela 3 – Estatísticas descritivas para as medidas do Big-ve, BAI e BDI (N=29)
No que concerne à ansiedade a média das pontuações no
BAI indica que, no geral, os jogadores apresentam níveis mínimos
de ansiedade, classicando esse escore na Tabela do Manual desse
teste (Tabela 1). Vale destacar, entretanto, que 37,7% dos jogadores
apresentaram níveis leves de ansiedade, sendo esse o ponto mais alto
alcançado nessa variável. Além disso, houve bastante variabilidade das
pontuações nessa medida, o que poderia ser esperado dado o número
reduzido de atletas que compuseram a amostra. Por sua vez, os dados
do BDI são muito similares aos do BAI, que somente 27,4% dos
jogadores evidenciaram níveis leves de depressão, segundo os dados
do Manual (Tabela 2). O restante dos participantes apresentou níveis
mínimos de depressão. Observou-se ainda, muita dispersão dos dados
ao redor da média. Sumariamente, quanto a ansiedade e depressão, a
maioria dos participantes apresentou níveis mínimos nessas variáveis e
somente poucos deles, níveis leves.
Para se investigar as relações entre as medidas dos testes em
questão, utilizou-se a prova de correlação de Spearman, estabelecendo
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o nível de signicância de 0,05. Os resultados dessa análise estão
na Tabela 4. Por essa análise, vericou-se que somente a ansiedade
manteve correlações que alcançaram signicância estatística com o
fator Neuroticismo. O coeciente encontrado foi moderado e negativo,
facilitando a interpretação de que o aumento desse traço nos jogadores
apresenta uma diminuição correspondente dos níveis de ansiedade. A
correlação encontrada entre o BAI e o BDI foi de 0,44 (p=0,018) e
sugere que ao aumento dos sintomas de ansiedade, um aumento
correspondente nos de depressão.
Pelas correlações encontradas, pode-se sugerir que ao aumento
do Neuroticismo, lhe corresponde uma diminuição da ansiedade nesses
jogadores, sendo essa a única correlação signicativa encontrada,
considerando as pontuações totais nas emoções estudadas. Assim, quanto
mais os jogadores apresentam afeto positivo e negativo, instabilidade
emocional, melancolia, tristeza, nervosismo, hostilidade, vulnerabilidade,
auto-crítica, impulsividade e temor, entre outras características do
Neuroticismo, menos tendem a apresentar ansiedade. Esse resultado
é controverso, já que uma das características desse traço é justamente
a ansiedade. Contudo, o trabalho de Sisto, Pacheco Guerrero e Urquijo
(2001) com crianças, evidenciou resultados semelhantes e corroboram
os dados encontrados.
Deve-se ponderar ainda que as mesmas restrições encontradas
por esses autores devem também ser levadas em conta nessa pesquisa,
já que os coecientes encontrados foram, embora signicativos, baixos,
explicando pouca variância e indicando que outras características estariam
sendo avaliadas também e não somente a ansiedade. Pese a isso também
que embora a depressão não tenha se correlacionado à personalidade,
a correlação entre os totais do BAI e o BDI que foram signicativas e,
embora explique pouca variância (cerca de 19%), indicam aspectos em
comum mensurados por esses testes. Esse resultado é consonante com
os achados de Barlow (1991) e Beck e Steer (1993a). Ainda, a análise
de grupos extremos formados pelos traços de personalidade conrmou
os dados ora encontrados, que a única diferença signicativa foi na
pontuação total de ansiedade entre pessoas com notas mais altas e
mais baixas em Neuroticismo.
Tabela 4 Coecientes de correlação de Spearman e níveis de significância para os
Traços de Personalidade e as medidas de Ansiedade e Depressão nos jogadores (N=29)
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Procurou-se ainda aprofundar as análises correlacionando,
cada sintoma de ansiedade e depressão em particular com cada um
dos traços de personalidade estudados. Essa análise revelou que
nenhum dos sintomas de depressão manteve correlações signicativas
com quaisquer dos traços. Em contrapartida, no caso da ansiedade,
o fator socialização associou-se negativa e signicativamente a rosto
afogueado, indicando que quanto mais sociável o indivíduo, menos
tende a apresentar incidência desse sintoma (r=-0,42, p=0,022). Esse
resultado é interessante e consonante com a denição do traço, uma
vez que quanto mais sociável uma pessoa, menos tende a car com o
rosto ruborizado em situações sociais (Nunes & Hutz, 2002).
No caso da Extroversão, foram observadas correlações positivas e
signicativas com os sintomas de indigestão ou desconforto no abdômen,
e tremores nas mãos, sugerindo uma alta incidência desses sintomas
em sujeitos bastante caracterizados nesse traço (r=-0,40, p=0,030;
r=0,43, p=0,021 ). Além disso, correlacionou-se negativamente com
sensação de sufocação e diculdade de respirar (r= -0,42, p=0,022;
r=-0,37, p=0,047). Assim, ao aumento da extroversão, lhe corresponde
uma diminuição desses problemas. Assim, quanto mais os jogadores
eram sociáveis, ativos, falantes, otimistas e afetuosos, mais tenderam
a apresentar indigestão ou desconforto no abdômen, e tremores nas
mãos, e menos evidenciaram os sintomas de sensação de sufocação e
diculdade de respirar (Nunes & Hutz, 2002).
Por sua vez, o traço Escrupulosidade manteve coecientes
negativos e signicativos com tremores nas pernas, incapacidade de
relaxar, aterrorizado, e rosto afogueado indicando uma diminuição
desses sintomas quanto maior a incidência desse traço (r=-0,38,
p=0,041; r=-46, p=0,012; r=-0,40, p=0,034; r=-0,42, p=0,023).
Entretanto, também tendem a aumentar problemas de sensação de
desmaio (r=0,43, p=0,021). Escrupulosidade caracteriza pessoas com
ambição, perseveração, pontulidade, decisão, conabilidade, organização
e escrupulosidade e esses jogadores tenderam a apresentar menos
tremores nas pernas, incapacidade de relaxar, terror e rosto afogueado
e mais sensação de desmaio (Nunes & Hutz, 2002). Esses sintomas
parecem estar em consonância com a denição desse traço.
Ao lado disso, o traço de Neuroticismo associou-se negativa
e signicativamente aos sintomas de tremores nas pernas e medo
que aconteça o pior (r=-0,40, p=0,030; r=-0,46, p=0,011). Assim, o
aumento desses aspectos é correspondido pela diminuição nesse traço.
O Neuroticismo indica uma tendência a instabilidade e ajustamento
emocional, propensão a sofrimento psicológico, ansiedade, depressão,
vulnerabilidade e impulsividade entre outros, e evidenciou diminuição de
sintomas como tremores nas pernas e medo que aconteça o pior. Essas
reações são, aparentemente, contrárias às características mencionadas
e esses dados convidam a novos estudos (Nunes & Hutz, 2002).
Finalmente, Abertura a experiência manteve correlações positivas
e signicativas com tremores nas pernas e trêmulo, indicando aumento
conjunto dessas características (r=0,41, p=0,029; r=0,45, p=0,014).
Jogadores com traço de Abertura tendem a ser curiosos, imaginativos,
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criativos e com valores não convencionas, e denotaram mais incidência
de tremores nas pernas. Outros trabalhos poderiam investigar as
possíveis razões desse tipo de sintoma.
Procurou-se ainda averiguar, em que medida os grupos extremos
formados em razão dos traços de personalidade eram diferenciados pelas
medidas totais de ansiedade e depressão. Para isso, valeu-se da prova
de Mann Whitney, estabelecendo nível de signicância de 0,05. Foram
separados, em cada traço, 25 % dos indivíduos com maior incidência
(grupo 1) e 25 % com menor (grupo 2). Os resultados encontram-se na
Tabela 5.
Tabela 5 Estatísticas para a ansiedade e depressão nos grupos extremos dos traços
de personalidade
Por esses dados, observou-se que somente a medida de
ansiedade foi diferenciada nos grupos extremos de Neuroticismo. Assim,
o grupo com menor incidência desse traço, apresentou maior ansiedade
em detrimento do grupo com mais Neuroticismo.
Considerações Este trabalho foi proposto com base no fato de que a validade
Finais das medidas de personalidade em psicologia do esporte tem sido, por
vezes, questionada. Uma das causas disso compreende a variedade de
modalidades esportivas que esses trabalhos abrangem, não se podendo
armar com segurança a quais dessas modalidades as evidências são
atribuídas tornando necessária a realização de pesquisas em modalidades
especícos. Assim, nesse trabalho, circunscreveu-se somente ao futebol
(Morgan, 1978; Cratty, 1984; Rushall, 1975; Martens, 1975).
Considerou-se ainda a relevância de estudos com o Big-Five,
que se trata de um modelo de mensuração da personalidade mais
atual e que descreve suas dimensões básicas; bem como as sugestões
de Morgan (1978) ao ressaltar que outras provas que mensurem os
aspectos emocionais no esporte sejam aplicadas juntamente aos testes
de personalidade e relacionadas no âmbito esportivo (McCrae & John,
1992; McCrae, Costa & Piedmont, 1993; Hutz et al, 1998). A revisão da
literatura revelou uma ausência de trabalhos que relacionassem esses
aspectos em jogadores de futebol. Nessa população foram mais comuns
estudos relativos à ansiedade, situações desencadeantes e níveis
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dessa, assim como desenvolvimento de testes, entre outros. Quanto
à depressão e personalidade, uma quantidade pequena de pesquisas
foram observadas, reforçando ainda mais a necessidade de trabalhos.
Esse fato também limitou, de certa forma, a discussão dos dados ora
encontrados (Costa, 1987).
Restaria trazer a baila algumas limitações deste trabalho. Uma
dessas é referente ao número reduzido de sujeitos que não permitiu
uma representatividade boa das questões de ansiedade e depressão, na
medida em que poucas pessoas somente apresentaram níveis mínimos
nestas variáveis. Todavia, pode-se aventar que talvez com amostras
mais representativas essas relações encontradas sejam mais evidentes
ou se estabeleçam outras associações que ainda não ocorreram em
decorrência desse pequeno número de participantes. Esse é um dado
que merece mais investigação. Além disso, as relações com os sintomas
devem ser mais bem exploradas.
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Sobre os Daniel Bartholomeu
Autores Psicólogo e doutorando em avaliação psicológica pela Universidade
São Francisco com bolsa da CAPES. É colaborador do Núcleo de Estudos
e Pesquisa em Psicologia do Esporte (NEPESPE) e do Laboratório de
Avaliação Psicológica e Educacional (LabAPE). Atua como docente na
Faculdade Anhanguera de Jundiaí e no Centro Universitário Salesiano de
Americana.
Afonso Antonio Machado
Formado pela PUC em Educação Física, tendo realizado seu
doutorado e mestrado em Educação, pela Universidade Estadual de
Campinas. É livre docente pela Universidade Estadual Paulista Júlio
de Mesquita Filho. É colaborador do Núcleo de Estudos e Pesquisa em
Psicologia do Esporte (NEPESPE). Atualmente é docente da Graduação
em Educação Física na Escola Superior de Educação Física de Jundiaí, no
Instituto Superior de Educação Uirapuru (Sorocaba) e professor adjunto
da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, onde ministra
aulas na graduação e pós-graduação.
Flavio Spigato
Psicólogo do esporte atua em diversos clubes do interior paulista,
trabalhando com tênis e futebol principalmente. É aluno do curso de pós
graduação Latu Sensu do UNIANCHIETA. É colaborador do Núcleo de
Estudos e Pesquisa em Psicologia do Esporte (NEPESPE).
Luana Luz Bartholomeu
Discente da Faculdade Anhanguera de Jundiaí e colaboradora do
Núcleo de Estudos e Pesquisa em Psicologia do Esporte (NEPESPE).
Heitor F. P. Cozza
Psicólogo, Pedagogo, Mestre e Doutor em Avaliação Psicológica
pela Universidade São Francisco. Atua como docente da graduação na
Unianhanguera Unia Santo André, Psicólogo do esporte no departamento
de esporte da prefeitura de Santo André.
José M. Montiel
Psicólogo, Mestre e Doutor em Avaliação Psicológica pela
Universidade São Francisco. Consultor no âmbito de avaliação e
intervenção neuropsicológica.
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Contato ENDEREÇO PARA CORRESPONDÊNCIA
R. João Carbonari Júnior, 214 Bl 28 Ap. 41. Vl. Nova Jundiainópolis.
Jundiaí, SP. CEP 13210-705.
E-MAIL
d_bartholomeu@yahoo.com.br
daniel.bartholomeu@am.unisal.br
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... Nessa perspectiva, é sabido que a incapacidade do atleta de lidar com o estresse é uma das principais barreiras para se atingir o melhor desempenho (Gomes, 2013). Ademais, a ansiedade pode dificultar ações básicas do futebol como passes, finalizações, compreensão das jogadas, entendimento técnico e tático (Román & Savoia, 2003), bem como, varia seus níveis em decorrência da importância dada a acontecimentos (Bartholomeu et al., 2010). ...
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This study investigated the relationship between coping strategies on stress and anxiety symptoms in under-20 soccer players. Twenty-three athletes from four teams from the 2019 Bahia Under-20 Championship participated. The Athletic Coping Strategy Inventory, the Daily Analysis of Life Demands in Athletes and the Competitive State Anxiety Inventory-2R were used. Data analysis was conducted using Pearson’s correlation analysis and Multiple Linear Regression (p< 0.05). The results indicated that coping was related to anxiety at the beginning of the season (Cognitive, R2= 0.43; Self-confidence, R2= 0.30; p< 0.05). While, at the end of the season, with stress (R2= 0.18; p< 0.05), Anxiety (AC, R2= 0.66; p< 0.05). It is concluded that, at the end of the epoch, the magnitude of coping relationships on stress and anxiety were enhanced in young football players in the Under-20 category
... Esta psicopatologia está associada negativamente ao desenvolvimento escolar e pessoal, suas manifestações podem passar pela infância, adolescência e atingir a fase adulta. Se não forem diagnosticadas e tratadas, podem tornar-se fatores de risco para o surgimento de patologias como depressão, transtornos do humor, transtornos de conduta e sentimentos que podem levar a tentativas ao suicídio (Bartholomeu et al., 2018). ...
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O Mutismo Seletivo é um transtorno de ansiedade que se caracteriza pela recusa da criança em falar em determinados locais, principalmente na escola. O objetivo deste estudo é identificar os fatores associados ao Mutismo Seletivo, suas alterações comportamentais e as dificuldades no desenvolvimento escolar. Para tal, foi realizada uma revisão de literatura do tipo integrativa, qualitativa de caráter exploratório, em bases de dados eletrônicas como PUBMED, SCIELO, LILACS e ISI WEB OF SCIENCE. A coleta de dados ocorreu nos meses de setembro a outubro de 2020, seguida de uma avaliação minuciosa dos estudos encontrados, que abrangeu uma leitura exploratória, seletiva, analítica e interpretativa. A amostra final desta revisão foi composta por 15 estudos científicos, elegidos pelos critérios de inclusão antecipadamente determinados. Por meio deste estudo, foi possível observar como as perturbações relacionadas ao mutismo seletivo interferem na realização educacional, profissional ou na comunicação social, fracassando falar na presença de estranhos. Verificou-se que dentre os prejuízos que este transtorno causa na criança, interfere principalmente na realização educacional, na comunicação social e no futuro em sua vida profissional. A análise desenvolvida permitiu concluir que o final do silêncio na criança com MS desejado por pais, família, profissionais do ensino e da saúde, não acabará de um dia para o outro, será uma longa caminhada, lenta e sinuosa com progressos e recuos, porém com a participação, esforço, colaboração e diálogo de todos os intervenientes haverá uma maior e mais rápida possibilidade de sucesso no enfrentamento ao MS.
... Asimismo, respecto a los rasgos de la personalidad del modelo del Big Five -apertura a la experiencia, amabilidad, extraversión y responsabilidad-, los resultados demostraron relaciones inversas con la sintomatología depresiva, lo que ha sido discutido en diversos estudios (Bartholomeu et al., 2010;McCrae & Costa, 2008;Soto & John, 2017). En particular, el rasgo de neuroticismo presentó una relación directa con los síntomas depresivos, resultado también encontrado en el metaanálisis de Smith et al. (2016), donde se reporta la existencia de evidencias que apuntan a que las personas con altos niveles de neuroticismo resultan más vulnerables a sufrir síntomas depresivos. ...
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El objetivo de este estudio fue analizar la estructura factorial de la adaptación al español rioplatense de la Escala Baptista de Depresión para Adultos (ebadep-a) en población argentina, y aportar evidencias de validez sobre la misma. Para evaluar la estructura interna de la escala se realizaron cálculos por medio de análisis factoriales exploratorios y confirmatorios, así como de la teoría de respuesta al ítem; mientras que, para brindar evidencias de validez convergente y concurrente, se aplicaron correlaciones, regresiones y análisis de modelos de ecuaciones estructurales (SEM) con medidas relacionadas. Los resultados sugieren que la versión final del instrumento podría reducirse de 45 a 23 ítems con adecuados índices de ajuste, con un modelo unidimensional, y con cargas factoriales satisfactorias tanto en el análisis exploratorio como en el confirmatorio. Los ítems no revelaron discrepancias en las habilidades estimadas de los participantes, y presentaron ajustes estructurales adecuados y opciones de respuestas claras. Respecto a la validez, la escala presentó asociaciones con variables externas -personalidad y bienestar psicológico-; y el análisis SEM demostró una fuerte relación entre el ebadep-a y el Beck Depression Inventory-II, así como una predicción fuerte del primero sobre el segundo (r2 = .65). Se concluye que el factor general del ebadep-a representa adecuadamente los fenómenos psicológicos subyacentes a la depresión, y que la versión final de la escala presenta propiedades psicométricas adecuadas para la población argentina.
... Nessa análise encontrou-se um valor distante do valor de critério, o que conduziu a análise dos contrastes encontrados. Essas análises demonstraram que os itens são unidimensionais, pois apresentaram infit e outfit abaixo ou próximos de 1, corroborando os valores recomendados pela literatura (BARTHOLOMEU et al., 2009(BARTHOLOMEU et al., , 2014LINACRE, 2002;SISTO et al., 2006). ...
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O presente estudo objetivou apresentar as etapas iniciais da elaboração de um instrumento para avaliar o processo de expatriação de voleibolistas, com viés emocional e social. Participaram do estudo 3 juízes (expertises na área) e 68 pessoas (48 atletas e 20 ex-atletas) de ambos os sexos, com idade média de 27 anos. O instrumento foi construído com itens que versam sobre o processo de expatriação e adaptação à expatriação. As análises objetivaram a concordância dos juízes nas questões, apresentando um conjunto de itens capazes de avaliar o processo de expatriação. Após, avaliou-se a unidimensionalidade dos itens que fizeram parte da versão preliminar do instrumento e o ajuste dos mesmos ao modelo de Rasch. Os resultados demonstraram que alguns itens sofreram alteração de semântica pelos juízes e outros tiveram que ser descartados da versão preliminar, pois apresentaram baixa concordância entre os juízes, quando avaliados pela razão de validade de conteúdo (RVC ≤ 0,99). Além disso, alguns itens que fizeram parte da versão preliminar não se ajustaram ao modelo de Rasch, sendo retirados da versão final do instrumento. Pode-se concluir que o instrumento, versão final, apresentou qualidade para investigar o processo de expatriação de voleibolistas, sendo capaz de avaliar o traço latente esperado.
... Tais abordagens fundamentam-se na ideia de que a maioria das características da personalidade socialmente relevantes e salientes estão codificadas na linguagem natural das diferentes culturas ao longo de sua história, em termos descritores de traços da personalidade podem ser retirados dos léxicos dos idiomas. No mesmo sentido de pesquisas de personalidade à partir de modelos teóricos, pesquisas analisando a personalidade de indivíduos são encontradas na literatura, em diversos domínios, sobretudo no contexto da Avaliação Psicológica, tais como as pesquisas apresentadas em13,21,22,23,24,25,26,27,28 , entre outros, muitas destas analisando traços de personalidade de amostras do contexto esportivo. Ao mesmo tempo, os poucos estudos de análise da personalidade com atletas estão mais fortemente vinculadas ao uso de medidas padronizadas em formato de lápis-papel, ou testagem com uso de testes psicológicos informatizados, biofeedback, porém, ausência de estudos específicos de análise de aspectos emocionais e de personalidade, à partir de entrevistas com atletas.Além disso, mesmo que pareça ser muito forte a presença da tecnologia, de inovação nas mais distintas ciências, especificamente no contexto esportivo, verificamse estudos que analisam dados de maneira automática, porém, muito focadas nos aspectos biológicos, fisiológicos, de desempenho, mas ainda raros do ponto de vista de aspectos emocionais, que tenham extraído as variáveis de maneira automática, em atletas e equipes. ...
... Essa escassez de instrumentos específicos para o contexto esportivo traz como consequência uma série de problemas relacionados a utilização de instrumentos de avaliação direcionados ao contexto clínico ou educacional, importação de instrumentos desenvolvidos em outros países, os quais são usualmente aplicados sem adaptação à população brasileira, e também o uso indiscriminado de atletas, sem considerar diferenças especificas, como, por exemplo, entre diferentes modalidades esportivas gerando dados enviesados e inapropriados em relação ao que se busca avaliar. Além disso, dificulta a realização de estudos com maior envergadura quanto ao tamanho de amostras (Peixoto & Nakano 2014;Bartholomeu et al., 2010). ...
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Esta pesquisa teve como objetivo avaliar as propriedadespsicométricas do Teste Balbinotti-Barbosa de RaciocínioIndutivo (TBBRI-20) aplicado a uma amostra de jovensesportistas. Para tanto, estimou-se a estrutura interna doinstrumento, os parâmetros dos itens e dos participantes.Contou-se com a colaboração de 353 praticantes regulares deatividades esportivas, de ambos os sexos (56,6% masculino),e com idades entre 13 a 19 anos (16,38±1,78). A AnáliseParalela e Análise Fatorial Exploratória indicaram a pertinênciada estrutura unifatorial para o TBBRI-20. Com excelentesindicadores de precisão, alfa de Cronbach e ômega de Mcdonaldsuperiores a 0,90. A teoria de resposta ao item, modelo Rasch,demostrou índices dificuldade dos itens que variaram entre-2,07 e 1,38, e índices de ajustes adequados (Infitentre 0,71 e1,13) e (Outfit entre 0,39 e 1,4). Em relação aos participantesobservou-se níveis theta que variavam entre -3,49 e 3,34. Osresultados indicaram que o TBBRI-20 apresentou propriedadespsicométricas adequadas para a avaliação do construtoalvo, cobrindo uma ampla extensão do nível de theta dosparticipantes. Contudo a relação theta/dificuldade, avaliadasatravés do procedimento mapa de itens-pessoas, evidencioupontos a serem desenvolvidos no instrumento.
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Este estudo teve como objetivo realizar uma revisão integrativa da produção científica nacional acerca do uso de instrumentos de avaliação psicológica no contexto de orientação profissional e de carreira no período de 2000 a 2017. A busca ocorreu no mês de junho de 2018, utilizando descritores correspondentes a “avaliação psicológica” e “orientação profissional” nas bases PePSIC, INDEXPSI, BVS-Psi, BVS-Saúde e no Google Acadêmico. Após a triagem de 1.376 artigos, elegeram-se 79 que atendiam aos critérios de inclusão, como ser estudo empírico com amostra brasileira e ter sido publicado em revistas nacionais. Os resultados indicaram crescimento do número de publicações a partir de 2003, com surgimento de pesquisadores além do eixo Sul-Sudeste. Foram contabilizados 69 instrumentos nas pesquisas e percebeu-se o início de investigações pautando temas e públicos não ligados apenas à escolha profissional, mostrando uma tendência de expansão da área para além do contexto escolar. Os instrumentos mais utilizados nas pesquisas foram a Escala de Aconselhamento Profissional, o Questionário de Busca Autodirigida e o Teste de Foto de Profissões, reforçando a forte tendência da avaliação de interesses profissionais na área.
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O presente estudo teve como objetivo quantificar os escores dos traços de personalidade Extroversão, Neuroticismo e Psicoticismo de nadadores federados e comparar os valores desses escores em diferentes provas autodeclaradas como principais ou preferidas (velocidade, meio-fundo e fundo). Sessenta e sete nadadores de ambos os sexos, com níveis distintos de rendimento, com e sem deficiência, responderam a versão brasileira do “Eysenck Personality Questionnaire”. A análise de variância indicou diferenças significativas nas variáveis “prova” (os nadadores de fundo pontuaram mais alto em Psicoticismo que os nadadores de velocidade) e “sexo” (as nadadoras pontuaram mais alto em Neuroticismo que os nadadores). Não foram detectadas diferenças significativas nas variáveis “nível competitivo” e “deficiência”.
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El objetivo de este trabajo ha sido explorar las relaciones que pueden existir entre los rasgos de personalidad y la ansiedad y la tensión, a los efectos de incrementar el soporte teórico de los instrumentos diseñados para evaluar rasgos de personalidad. Participaron de este estudio 343 estudiantes, con edades entre 5 y 11 años que frecuentaban tres escuelas públicas de la ciudad de Campinas, Brasil. Para evaluar los rasgos de personalidad se aplicó el Questionário Reduzido de Personalidade para Crianças –una versión reducida y adaptada del EPQ-J para niños brasileños- (Sisto, 1998) y para evaluar ansiedad y tensión se utilizó el Test de los Colores de Lüscher (1970). Los resultados mostraron una asociación de la ansiedad y la tensión con la neuroticidad y la psicoticidad. Así, en los niños que presentan rasgos marcados de neuroticidad (emotividad) se observa la tendencia a encontrar menos tensiones y ansiedades, al revés que los niños con rasgos marcados de psicoticidad (dureza) que tienden a presentar niveles altos de tensión y ansiedad. Palabras clave: Rasgos de personalidad – Ansiedad – Tensión – Instrumentos de evaluación psicológica - Niños Abstract The aim of this research was to explore the relations among personality traits, anxiety and tense, in order to increment theory support of instruments designed for personality traits assessment. From three public schools of Campinas, Brazil, it was made a selection of 343 children between 5 and 11 years old. The personality traits were assessed with the Children’s Personality Questionnaire –reduced and adapted version of EPQ-J for Brazilian children (Sisto, 1998)- The anxiety and tense were evaluated with the Lüscher Color Test (Lüscher, 1970). Analysis showed association among anxiety and tense with neuroticism and psicoticism. Children with strong traits of neuroticism tend to present low levels of anxiety and tense, and children with strong traits of psicoticism tend to present high levels of anxiety and tense. Key words: Personality traits – Anxiety – Tense – Psychological assessment instruments - Children
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The authors (see record 1987-01218-001) respond to comments by M. M. Dachowski (see record 1988-04372-001) and N. G. Waller and Y. S. Ben-Porath (see record 1988-04405-001) on their 5-factor (Neuroticism, Extraversion, Openness, Agreeableness, and Conscientiousness) model of personality. (PsycINFO Database Record (c) 2012 APA, all rights reserved)
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Identification of factors influencing expectancies of successful performance in competitive youth sports is important to understanding the way in which children perceive and respond to this evaluative achievement situation. Therefore, in this field study involving 10- to 12-year-old female soccer players, intrapersonal factors affecting players' pregame personal performance expectancies were first identified. Soccer ability and self-esteem were found to be related to personal performance expectancies, but competitive trait anxiety was not Second, the impact of game outcome, the previously mentioned intrapersonal variables, and the interaction of game outcome and intrapersonal variables was examined by determining players' postgame team expectancies in a hypothetical rematch with the same opponent. The postgame findings showed that winning players evidenced higher team expectancies than tying and losing players. Moreover, the expectancies of tying players were low and, in fact, similar to those of losers. ...
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L'auteur discute un modele a cinq facteurs de la personnalite qu'il confronte a d'autres systemes de la personnalite et dont les correlats des dimensions sont analyses ainsi que les problemes methodologiques