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Este estudo se trata de um relato de experiências relativas às atividades e procedimentos metodológicos desenvolvidos por dez alunos do curso de Medicina da Universidade Federal do Vale do São Francisco/Univasf junto ao programa interdisciplinar de extensão Vida Ativa. Este programa é oferecido a 150 cidadãos idosos (60-86 anos), residentes nas cidades de Petrolina-PE e Juazeiro-BA. A participação dos acadêmicos também integrou ações da Universidade Aberta à Terceira Idade/UNATI/Univasf. Como resultado se obteve o desenvolvimento de palestras educativas na área da saúde, a criação do serviço de acolhimento, ficha de cadastro dos novos alunos, acompanhamento da pressão arterial e participação em três grupos de estudo. Assim sendo, conclui-se que a participação dos alunos de Medicina em atividades extensionistas, durante a formação acadêmica, permitiu-lhes o desenvolvimento de capacidades técnicas e humanas essências ao exercício da profissão futura, contribuindo, também à materialização do “eu-médico”.
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EDUCAÇÃO MÉDICA E INTERDISCIPLINARIDADE: UM RELATO DE
EXPERIÊNCIA COM IDOSOS RESIDENTES NA COMUNIDADE
Marcelo de Maio Nascimento1
Lucas da Silva Ramos2
NASCIMENTO, M. de M.; RAMOS, L. da S. Educação medica e interdisciplinaridade: um relato de experiência com idosos residentes na
comunidade. Arq. Cienc. Saúde UNIPAR, Umuarama, v. 20, n. 3, p, 205-209, set./dez. 2016.
RESUMO: Este estudo se trata de um relato de experiências relativas às atividades e procedimentos metodológicos desenvolvidos por
dez alunos do curso de Medicina da Universidade Federal do Vale do São Francisco/Univasf junto ao programa interdisciplinar de exten-
são Vida Ativa. Este programa é oferecido a 150 cidadãos idosos (60-86 anos), residentes nas cidades de Petrolina-PE e Juazeiro-BA. A
participação dos acadêmicos também integrou ações da Universidade Aberta à Terceira Idade/UNATI/Univasf. Como resultado se obteve
o desenvolvimento de palestras educativas na área da saúde, a criação do serviço de acolhimento, cha de cadastro dos novos alunos,
acompanhamento da pressão arterial e participação em três grupos de estudo. Assim sendo, conclui-se que a participação dos alunos de
Medicina em atividades extensionistas, durante a formação acadêmica, permitiu-lhes o desenvolvimento de capacidades técnicas e huma-
nas essenciais ao exercício da prossão futura, contribuindo, também para a materialização do “eu-médico”.
PALAVRAS-CHAVE: Educação Médica; Interdisciplinaridade; Envelhecimento Ativo.
MEDICAL EDUCATION AND INTERDISCIPLINARITY: AN EXPERIENCE REPORT WITH OLDER ADULTS LIVING IN
A COMMUNITY
ABSTRACT: This study was an experience report on the activities and methodological procedures developed by ten students from the me-
dical school of the Federal University of Vale do São Francisco/UNIVASF by the interdisciplinary extension Active Living program. This
program is oered to 150 senior citizens (60 to 86-years old), living in the cities of Petrolina - PE and Juazeiro – BA, in Brazil. The parti-
cipation of the students also integrated actions from the Universidade Aberta à Terceira Idade (Open University of the Third Age) (UNATI/
UNIVASF). Educational lectures on health, the creation of a hosting service, registration of new students, blood pressure monitoring and
participation in three study groups were the results of this initiative. Therefore, it can be concluded that the participation of medical students
in extension activities during their academic training has enabled them to develop essential technical and human skills to the exercise of
their future professions, also contributing to the materialization of the “I-medical” concept.
KEYWORDS: Active Ageing. Interdisciplinarity. Medical Education.
DOI: https://doi.org/10.25110/arqsaude.v20i3.2016.5342
1Professor do Colegiado de Educação Física da Universidade Federal do Vale do São Francisco-UNIVASF, Av. José de Sá Maniçoba S/N 56304-917 Centro,
Petrolina, PE-Brasil, Tel.: 87-21016856, E-mail: marcelo.nascimento@univasf.edu.br.
2Discente do curso de Medicina da Universidade Federal do Vale do São Francisco-UNIVASF, Av. José de Sá Maniçoba S/N 56304-917 Centro, Petrolina,
PE- Brasil, Tel.: 87-21016856, E-mail: lucas_ramos12@hotmail.com.
Introdução
Temas sobre o ensino médico embolsam, cada vez
mais, a atenção da comunidade cientíca (AZEVEDO et al.,
2015; DEUS et al., 2014). Entre as reexões sobre a forma-
ção do futuro médico há a questão da priorização do apren-
der a lidar com a doença, esquecendo a pessoa portadora da
própria doença. O caso incide em desao para os responsá-
veis pelas formações em Medicina no país: Pois como criar
currículos sustentáveis que comportem situações de ensino e
aprendizagem, que treinem o estudante a classicar sintomas
e doenças por meio da tecnologia médica, mas compatibi-
lizando isso com a capacitação do discente para perceber e
compreender as peculiaridades do paciente? Também, como
implantar um currículo técnico-metodológico, todavia aberto
às sensibilidades do paciente? Logo, mais humano. Sendo
assim, o debate é amplo de considerações, interessante e, aci-
ma de tudo: imprescindível.
Nessa perspectiva, pode-se dizer que as universida-
des brasileiras dispõem de um mecanismo simples, de baixo
custo e acessível ao aluno de Medicina, capaz de reduzir as
distâncias entre o ensino técnico e a qualicação acadêmica
humanizada. Essa possibilidade consiste no estímulo do aca-
dêmico para que integre e participe de equipes e atividades na
área da extensão, visto que projetos e programas de extensão
dialogam com as áreas do ensino e da pesquisa na busca de
recursos que viabilizem a redução de diferenças: sociais, po-
líticas, econômicas e culturais. Isso signica dizer que ações
extensionista permitem a realização de transformações tanto
junto à comunidade externa à universidade, como na quali-
cação acadêmica. Essas ações são regulamentadas pelo Plano
Nacional de Extensão Universitária-PENExt, discutido em
Manaus-AM, durante o Fórum de Pró-Reitores de Extensão
das Universidades Públicas Brasileiras (FORPROEX, 2010).
Suas resoluções são pautadas, segundo as áreas do conheci-
mento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientíco
e Tecnológico-CNPq. Outro ponto basilar, é que, de acordo
com a Lei 5.540 de 1968, as atividades de extensão são obri-
gatórias no ensino superior (ROSAS; NUNES, 2010).
Na região do Serão nordestino, mais especicamen-
te nos Municípios de Petrolina-PE (331.951 habitantes) e Ju-
azeiro-BA (218.324 habitantes) (IBGE, 2010), locais da rea-
lização deste relato de experiências, existe, desde janeiro de
2015, um programa interdisciplinar de extensão direcionado
à comunidade idosa. A ação é intitulada como Programa Vida
Ativa (PVA): Saúde e Qualidade de Vida do idoso nas cida-
des de Petrolina-PE e Juazeiro-BA, desenvolvido pelo curso
de Educação Física da Universidade Federal do Vale do São
Francisco (Univasf), com insumos do Edital MEC/PROEXT
2015-2016. A equipe PVA é formada por professores e es-
tudantes de oito cursos de graduação, que prestam serviços
a 150 idosos, integrantes das atividades de esporte e lazer.
NASCIMENTO, M. de M.; RAMOS, L. da S.
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Além do PVA, a Univasf oportuniza por meio da Universida-
de Aberta à Terceira Idade (UNATI/Univasf)3 outros serviços
à comunidade idosa local.
As atividades do PVA e da UNATI buscam ampliar
os níveis de saúde e qualidade de vida dos cidadãos idosos,
bem como promover a educação continuada. Assim, conside-
rando o processo do envelhecimento humano como um even-
to multifatorial, o qual é assinalado por transformações de
caráter biopsicossociais, a diretriz metodológica eleita para
o desenvolvimento dessas duas ações de extensão foi a inter-
disciplinar (GATTÁS; FUREGATO, 2006). Mediante o tra-
balho interdisciplinar, vem se possibilitando que acadêmicos
da Univasf, provindos de diferentes áreas do conhecimento
humano, participem de atividades de extensão direcionadas
à população idosa. Com isso, tem-se obtido resultados con-
sideráveis para a formação prossional dos alunos, pois as
experiências adquiridas são processadas de forma integrada
e integradora. Isso signica dizer que a partir da conuên-
cia de diferentes pontos de vistas, os discentes foram sendo
capacitados pela tríade planejamento, execução e avaliação
(MINAYO, 2010). Dentre esses acadêmicos, pode-se res-
saltar um grupo de alunos do curso de Medicina, os quais
encontraram no PVA e na UNATI uma estratégia para o for-
talecimento do ensino médico transversal, com fortes bases
na humanização.
O presente relato tem por m apresentar o conjunto
de atividades desenvolvidas, semanalmente, por dez alunos
do curso de Medicina da Universidade Federal do Vale do
São Francisco/Univasf com grupos de idosos integrantes do
PVA e da UNATI/Univasf, descrevendo os serviços presta-
dos à comunidade, procedimentos adotados, bem como re-
sultados e diculdades vivenciadas, ao longo do ano de 2015.
Metodologia
Trata-se de um estudo descritivo do tipo relato de
experiências (TRIVIÑOS, 1987) que tem por escopo descre-
ver e analisar a participação/experiências de dez alunos de
Medicina da Universidade Federal do Vale do São Francisco,
localizada na cidade de Petrolina-PE. As vivências dos aca-
dêmicos ocorreram junto ao PVA e UNATI/Univasf.
As atividades do PVA são oferecidas pelo Colegia-
do de Educação Física da Universidade Federal do Vale do
São Francisco-Univasf, para 150 cidadãos, em idade entre
60-86 anos. As ações do PVA se dividem em duas grandes
áreas: i) Atividade Física, e ii) Atividades Interdisciplina-
res. Assim sendo, os idosos frequentavam, duas vezes por
semana, durante 60 minutos, até duas diferentes modalidades
esportivas, entre o Pilates, a musculação, a hidroginástica, a
natação, a ginástica geral e o tênis. Os serviços do PVA inci-
diram na oferta, semanal, de 24 horas de prática do exercício
físico, ministrada por 9 bolsistas do curso de Bacharelado em
Educação Física, coordenados por 6 professores desta forma-
ção. Já a área interdisciplinar incidiu na oferta, semanal, de
24 horas de atividades, com duração de 60 minutos, desen-
volvida por meio de: i) ciclos de palestras na área da saúde
e qualidade de vida do idoso; ii) dinâmicas psicossociais e
de arte-expressão; e, iii) palestras na área do envelhecimento
planejado e bem sucedido. A área interdisciplinar do PVA foi
3http://unati.univasf.edu.br/
composta por 6 bolsistas e 30 voluntários. Assim sendo, além
da equipe de Medicina o programa integrou alunos e profes-
sores de sete outros cursos de formação da Univasf.
Mais especicamente, as ações dos acadêmicos de
Medicina junto ao PVA consistiram em: i) atividades peda-
gógicas: ciclos de palestras na área de saúde e qualidade de
vida do idoso; ii) acolhimento: cadastro dos novos alunos do
PVA; iii) acompanhamento da pressão arterial e do estado
geral de saúde; e, iv) participação em três grupos de estudo.
Junto à Universidade Aberta à Terceira Idade-UNATI/Uni-
vasf, os acadêmicos de Medicina auxiliaram no planejamen-
to, execução e avaliação de suas atividades.
Este relato de experiências é parte de um estudo
aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Hu-
manos da Universidade Federal do Vale do São Francisco/
UNIVASF (CAAE: 44113715.3.0000.5196).
Relato de experiência
De forma geral, pode-se dizer que as atividades da
equipe de Medicina no PVA e na UNATI se desenvolviam
à medida que os próprios estudantes se envolviam com os
idosos, ou seja, a partir do estabelecimento de vínculos. Ini-
cialmente, a coordenação do PVA havia estipulado que os
acadêmicos de Medicina cariam responsáveis apenas pela
realização dos ciclos de palestras. Contudo, já durante dois
meses de trabalho, a equipe superou as expectativas da co-
ordenação, visto que devido ao aumento da procura dos
serviços pela comunidade, observou-se a necessidade de ex-
pansão das atividades e qualicação do atendimento. Sendo
assim, a coordenação percebeu que os dez médicos em for-
mação apresentavam condições, ou seja, inclinação para co-
ordenar e elaborar dois importantes instrumentos: a cha de
inscrição dos novos alunos e o questionário que possibilitaria
conhecer o perl epidemiológico dos idosos. Diante disso,
foi proposto à equipe de Medicina assumir essas funções, o
que foi prontamente aceito. Por meio da gura 1 é possível
visualizar o conjunto de ações criadas e desenvolvidas junto
com a equipe PVA-Medicina, ao longo do ano de 2015.
Figura 1: Atividades desenvolvidas pelos alunos de Medici-
na, em Petrolina-PE/Juazeiro-BA, 2015.
Fonte: Arquivo PVA
Nessa perspectiva, os médicos em formação desen-
volveram um questionário contendo 59 perguntas, abrangen-
do aspectos como: dados sociodemográcos, hábitos de vida,
consumo de medicamentos e indicações sobre as motivações
para ingressar nas atividades dos dois programas. Salienta-se
que alunos e professores das áreas de Farmácia, Enferma-
gem, Psicologia e Educação Física também colaboraram na
construção deste instrumento. A medida permitiu a troca de
Educação e interdisciplinaridade medica com idosos
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conhecimentos entre as equipes do PVA, o que diversicou e
qualicou o serviço de atenção e cuidado à saúde dos idosos.
Ainda mediante a construção do questionário, a equipe de
Medicina percebeu a necessidade da busca de mecanismos
que aprimorassem os conhecimentos próprios na área da Ge-
riatria e Gerontologia. Já que os alunos cursavam entre o 3° e
o 10° semestre, logo ainda não dispunham de conhecimentos
requeridos para a realização completa das tarefas. Em um
segundo momento, já na aplicação do questionário, os alunos
médicos perceberam que entre os idosos existiam indivíduos
que necessitavam de um atendimento mais aprofundado; as-
sim, criou-se o “acolhimento”.
Uma dinâmica comum, realizada antes da prática da
atividade física, era a vericação da pressão arterial (PA).
Nesse contexto, a equipe de Medicina também notou a neces-
sidade da criação de um terceiro serviço: o acompanhamento
da pressão arterial. De tal modo, o resultado semanal das PA
de cada idoso passou a ser computado em chas individuais,
aprimorando o cuidado/atenção com os hipertensos, até en-
tão, não controlados. A medida foi muito bem vinda, pois, a
partir de então os idosos passaram a praticar os exercícios fí-
sicos de forma mais segura. Com isso, a equipe de Educação
Física encontrou um forte aliado e respaldo técnico.
A quarta ação com a equipe de Medicina consistiu
na criação de três grupos de estudos: i) G1: especíco para
o planejamento e avaliação das atividades semanais com os
idosos; ii) G2: direcionado ao aperfeiçoamento técnico dos
acadêmicos, aglutinando também as equipes de Enferma-
gem, Psicologia, Educação Física, Farmácia, Artes Visuais
e Administração; e, iii) G3: com foco na aprendizagem de
tópicos epistemológicos, visto que a equipe decidiu disse-
minar suas vivências e conhecimentos por meio da produção
acadêmica. A quinta atividade extensionista exercida pelos
dez alunos versou na participação das atividades da Univer-
sidade Aberta à Terceira Idade, auxiliando no planejamento e
execução de atividades.
Desenvolvimento das ações de extensão
Programa Vida Ativa
As atividades dos idosos no PVA iniciavam com a
ênfase na educação, por meio de ciclos de palestras ou di-
nâmicas, seguindo um cronograma pré-estabelecido (Quadro
1). Logo, a seguir a PA de cada aluno era aferida e registrada.
A responsabilidade da ação era dividida entre os alunos dos
cursos de Educação Física, Enfermagem, Farmácia e Medi-
cina, segundo uma escala de trabalho. Em seguida, os ido-
sos eram conduzidos ao local da prática da atividade física.
Mensalmente, os valores da PA eram computados: idosos que
apresentassem valores de hipertensão não controlada, repe-
tidos, recebiam uma carta e se recomendava a consulta com
um prossional da área da Medicina; em geral, locado no
Posto de Saúde, do bairro de sua residência. Esses idosos
não eram desligados do programa, permanecendo em obser-
vação, até que a PA fosse regulada.
A equipe de Medicina privilegiou a abordagem de
seus temas (Quadro 1) por meio de ciclos de palestras, me-
diados por aulas expositivas, enriquecidas por vídeos, slides
e roda de conversas. Ao longo do tempo, os acadêmicos ob-
servaram a necessidade do uso da linguagem simples, logo
acessível aos idosos, evitando termos técnicos. Assim, du-
rante os encontros, os discentes de Medicina passaram a uti-
lizar expressões comuns da comunidade local, estimulando
os idosos ao estabelecimento de analogias entre os conteúdos
apresentados e as situações de vida cotidiana. Quanto ao pla-
nejamento e aprimoramento dos procedimentos metodológi-
cos das palestras, esses foram desenvolvidos nos encontros
do grupo de estudos G1. O quadro 1 apresenta os contentos
das palestras da equipe de Medicina, divididas em seis mó-
dulos. Os módulos seguiram um planejamento prévio, agru-
pando temas distintos, contudo direcionados a ns comuns:
Quadro 1: Conteúdo dos Ciclos de Palestras da equipe de
Medicina do programa Vida Ativa. Petrolina-PE/Juazeiro-
-BA, 2015.
Módulos Temas das palestras
I- Envelhecimento
ativo
Envelhecimento natural
Alimentação
Prática de esportes
Hipertensão Arterial Sistêmica
Diabetes Melitus
II-Percepção
Visão
Audição
Alterações do sono
Demências
Labirintite
Depressão
III-Locomoção
Artrose
Osteoporose
Reumatismo
Quedas
IV-Sexualidade
DSTs
Menopausa
Incontinências
Cânceres
V-Acometimentos
PreValentes
Doenças Vasculares
Doenças respiratórias
Constipação
Reuxo
VI-Social
Imunização
Álcool e outras drogas
Direito do idoso
SUS
Fonte: Arquivo PVA
Legenda: DSTs: Doenças Sexualmente Transmissíveis; SUS: Siste-
ma Único de Saúde.
A intenção basilar dos ciclos de palestras versou
em dar suporte teórico à prática do exercício físico, possi-
bilitando aos envolvidos entender e estender os benefícios
da atividade física. A ação foi importante para o rmamento
pelos idosos de hábitos de vida equilibrados, essenciais à boa
saúde e relação corpo-mente-espírito. Assim, a primeira eta-
pa de palestras buscou debater o processo do envelhecimento
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humano, informando e conscientizando sobre a necessidade
da participação ativa da pessoa no processo do envelheci-
mento (OMS, 2002), para que este se tornasse real; ou seja:
bem-sucedido (BALTES; BALTES,1990).
A partir disso, outros tópicos foram sendo trabalha-
dos, como a estabilização da PA e a diminuição dos riscos da
diabetes mellitus. Esses temas estavam relacionados às temá-
ticas do módulo V, todavia foram deslocados para o primeiro
módulo, já que durante o serviço de acolhimento se identi-
cou a urgência da abordagem de tais tópicos à transformação
de determinados hábitos de vida. O módulo II abordou os
órgãos da percepção humana, relacionando-os com proble-
mas sobrevindos de acometimentos do sistema nervoso. O
conjunto de informações aqui trabalhadas foi importante à
fundamentação do tema equilíbrio corporal: um dos pontos
chaves no trabalho de prevenção de quedas, em idade avan-
çada.
No módulo III, foi explorado o comprometimento
do aparelho locomotor e reexos disso à adaptação da pessoa
idosa ao meio ambiente; além de implicações disso à resolu-
ção de atividades de vida diária (AVD). Nessa perspectiva,
foram trabalhados aspectos do sistema musculoesquelético,
considerando problemas da idade avançada, como a osteopo-
rose, a artrite, a artrose, o reumatismo e as quedas. Conside-
rando que 94% dos idosos do PVA eram do sexo feminino,
o Módulo IV tratou de temas prevalentes do sistema geni-
turinário próprios da mulher, como: Doenças sexualmente
transmissíveis (DSTs), incontinência e menopausa. Aliado ao
fato, também foram desenvolvidas atividades sobre os tipos
de câncer mais comuns, segundo as faixas etárias.
O Módulo V discutiu funções sistêmicas, que não
haviam sido agrupadas em outros momentos, como as doen-
ças vasculares, respiratórias, constipação, imunização e re-
uxo gástrico; além dos tabus criados a nível regional sobre
o tratamento desses acometimentos. Com o Módulo VI se en-
cerrou o ciclo de palestras, em 2015. Nele foram abordadas
temáticas sobre a importância da imunização do idoso contra
a gripe; além de questões sobre o uso/abuso de bebidas al-
cóolicas. Outro tema interessante e bem aceito pelos idosos
versou na apresentação e esclarecimento do Sistema Único
de Saúde (SUS), visto que seus reais objetivos e papel social
eram desconhecidos pelos idosos. Paralelo a isso, a unidade
abordou tópicos do Direito constitucional do cidadão idoso,
um ponto, ainda, incógnito à comunidade idosa local.
Universidade Aberta à Terceira Idade-UNATI/Univasf
Em outubro de 2014, a Pró-Reitoria de Extensão
da Universidade Federal do Vale do São Francisco institu-
cionalizou a Universidade Aberta à Terceira Idade-UNATI/
Univasf. A UNATI tem por m incentivar a comunidade uni-
versitária ao desenvolvimento de ações na área do envelheci-
mento humano, na região do Sertão nordestino. Suas ativida-
des se encontram associadas ao programa PVA. Em 2015, ela
ocorreram sob a denominação de “UNATIvivência”: ciclo
de encontros interdisciplinares, realizados às sextas-feiras
(14:00-17:00 horas) no Campus universitário, em Petrolina-
-PE. As vivências da UNATI foram gratuitas e abertas aos
cidadãos em idade igual/superior a 60 anos. Em média, cada
evento contou com a participação de 15-20 pessoas. Após
a primeira ação, decidiu-se que sua divulgação caria sob
a responsabilidade dos próprios idosos. Deste modo, a cada
sexta-feira, um participante trouxe, entre um a dois amigos
e/ou vizinhos.
As contribuições da equipe de Medicina na “UNA-
TIvivência” foram inspiradas na matriz de atividades do pro-
grama PVA (Quadro 1). No entanto, observou-se a necessi-
dade atentar a determinados pontos, como: i) adequar o tema
do dia às equipes que iriam trabalhar; e ii) também adaptar
os procedimentos didáticos desenvolvidos ao público, uma
vez que os participantes da “UNATIvivência”, ao contrário
dos alunos do PVA, participavam apenas de um encontro
semanal. Isso implicou no desenvolvimento de conteúdos
simples, contudo abrangentes para cada sexta-feira. Com
isso, a equipe pode transmitir os contentos de forma lúdica e
descontraída, priorizando o envolvimento e participação dos
interessados. Os procedimentos adotados foram o debate, o
canto, jogos e dinâmicas de memorização. O quadro 2 apre-
senta o conjunto de atividades realizadas pela UNATI no mês
de abril de 2015, salientando a participação dos acadêmicos
de Medicina:
Quadro 2: Cronograma de atividades da “UNATIvivência”, Petrolina-PE/Juazeiro-BA, abril de 2015.
SEMANA HORÁRIO TEMAS EQUIPES
I
14:00 - 15:00 Envelhecimento e Qualidade de Vida Medicina
15:00 - 16:00 Família e comunidade Psicologia
16:00 - 17:00 Arte e Expressão Artes Visuais
II 14:00 - 15:30 Medidas antropométricas Enfermagem
15:30 - 17:00 Pilates & Ginástica Geral (prática) Educação Física
III
14:00 - 15:00 Alimentação saudável e Hidratação SIASS
15:00 - 16:00 HAS e DM: como reconhecer, prevenir e tratar Medicina
16:00 - 17:00 Remédios toterápicos Farmácia
IV 14:00 - 15:30 Aposentadoria: Envelhecimento Planejado e Bem-Sucedido Administração/SIASS
15:30 - 17:00 Prazer, lazer, espiritualidade: o que me faz feliz? Psicologia
Fonte: Arquivo PVA
Legenda: HAS: Hipertensão Arterial Sistêmica; DM: Diabetes Melitus; SIASS: Equipe do Serviço Integrado de Assistência à Saúde do
Servidor da Univasf.
Educação e interdisciplinaridade medica com idosos
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Conclusão
A participação dos estudantes de Medicina nas
ações de extensão incidiu na materialização do movimen-
to de empoderamento. Isso signica dizer que, a partir das
trocas estabelecidas entre o ir e vir de informações estabe-
lecidas pelos estudantes com a comunidade idosa existiu o
desenvolvimento de habilidades clínicas e de competências
sociais dos jovens estudantes. Tudo em tempo real, contri-
buindo, diretamente, para a efetivação de transformações
em caráter biopsicossociais de um grupo signicativo de
idosos das cidades de Petrolina-PE e Juazeiro-BA. Conclui-
-se também que a participação dos acadêmicos de Medicina
nas atividades de extensão possibilitou o rmamento de sua
envergadura prossional, potencializada pela intersetoriali-
zação, evidenciada a partir de situações integradoras e in-
tegradas. Prontamente este tipo de experiência conduziu os
futuros médicos a uma melhor reexão de sua futura inserção
no tratamento do processo saúde-doença. Entre os principais
desaos encontrados pela equipe de PVA-Medicina se desta-
ca a diculdade dos alunos para compatibilizar as exigências
da formação em Medicina, principalmente, a carga horária,
com as atividades de extensão. Ademais, logo no início das
atividades, os acadêmicos tiveram que treinar a capacidade
de escuta; além de se habituar à posição de disseminadores
de conhecimentos na área da saúde.
Agradecimentos
Ao Programa de Extensão Universitária (MEC-
-PROEXT) por nanciar as atividades do Programa Vida
Ativa.
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Práticas IntegrAtivas em Saúde: Proposições Teóricas e
Experiências na Saúde e Educação. Recife: Editora UFPE
2014.
ROSAS, J.; NUNES, C. Política de extensão: a educação
ambiental na perspectiva dos projetos de extensão da ufpeno
período 2006 – 2008. Revista Extensão em Foco, Curitiba,
v. 6, p.27-35, jan. 2010. Disponível em: <http://www.proec.
ufpr.br/extensaoemfoco/download/2012/Extensao_em_
foco_N6_jul_dez_2010.pdf>. Acesso em: 22 jul. 2015.
TRIVIÑOS, A. N. S. Introdução à pesquisa em ciências
sociais: a pesquisa qualitAtiva em educação. São Paulo:
Atlas, 1987.
Recebido em: 31/10/2015
Aceito em: 25/07/2016
Article
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Objective: To identify the key issues and health education strategies for the health promotion for the elderly. Method: An integrative literature review was conducted during the months of March and April 2018, by means of the Virtual Health Library, in the Medical Literature Analysis and Retrieval System Online, Latin American Literature in Health Sciences and the Scientific Electronic Library Online databases. After the search process and the selection of publications, the final sample consisted of 24 articles. Results: A total of 16 Brazilian articles, the majority of which were carried out in the southeast and south of the country, were identified, in which the most frequently expressed themes for the health education of the elderly were healthy eating and physical exercise practices. Conclusion: The actions of education in health were focused on healthy eating and physical activity, carried out by means of group workshops, seminars and/or lectures, performed, in the majority, by nurses and community health agents who were part of family health teams.
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INTRODUÇÃO: As diretrizes curriculares nacionais recomendam estratégias de ensino centradas nos estudantes. Este estudo avaliou a aceitação, o comportamento e a aprendizagem dos alunos do quarto ano de Ginecologia em relação a aulas centradas no professor (ACP) e aulas centradas nos alunos (ACA). MÉTODOS: Estudo prospectivo para 110 alunos ao longo do ano. Três professores participaram do estudo, cada um com dois temas (um em cada formato de aula). O interesse e o comportamento dos alunos foram registrados. Os alunos responderam a questionário semiestruturado, a duas perguntas abertas e foram avaliados ao final. RESULTADOS: A frequência dos alunos (76,4 x 53,9% p = 0,002), o número de cochilos (40 x 10 p < 0,001) e a percentagem de acertos na avaliação foram maiores nas ACP (69,9 x 59,3% p = 0,016). A duração da atividade foi maior na ACA (89,5 versus 68,4 minutos (p = 0,014), e o número de interações aluno-professor foi maior nas ACA (500 x 310). Os alunos sugeriram manter ACP (79,7 x 31,4% p < 0,001). CONCLUSÕES: Os estudantes preferiram ACP. Este artigo discute possíveis razões destes achados e estratégias de mudança nas práticas de ensino.
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Este texto apresenta as bases teóricas para abordagem empírica sobre a interdisciplinaridade. Diversos aspectos foram considerados nesta reflexão, apontando as dificuldades de compreensão do tema tanto do ponto de vista teórico e, de sua aplicação como das divergências sobre o tema.Este texto presenta las bases teóricas para el abordaje empírico sobre la interdisciplinaridad. En esta reflexión fueron considerados diversos aspectos, apuntando las dificultades para la comprensión del tema, tanto desde el punto de vista teórico y de su aplicación , como de las divergencias existentes sobre el tema.This paper discusses the theoretical bases for an empirical approach to interdisciplinary work. Various aspects have been considered in this reflection, such as, difficulties to understand the theme in terms of theoretical underpinning, practice application of the theme, and scholars' disagreements about the theme.
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RESUMO Neste ensaio busca-se aprofundar a reflexão sobre o processo de análise na pesquisa qualitativa a partir de autores referenciais e da experiência da própria autora. O texto está organizado em forma de decálogo por meio do qual é tratado o tema processualmente. A hipótese é de que uma análise para ser fidedigna precisa conter os termos estruturantes da investigação qualitativa que são os verbos: compreender e interpretar; e os substantivos: experiência, vivência, senso comum e ação social. A seguir a proposta avança por 10 passos que se iniciam na construção científica do objeto pela sua colocação no âmbito do conhecimento nacional e internacional, na elaboração de instrumentos que tornem concretos os conceitos teóricos, na execução de um trabalho de campo que envolva empaticamente o investigador no uso de vários tipos de técnicas e abordagens, tornando-o um construtor de relações, de observações e de uma narrativa em perspectiva. Por fim, a autora trata da análise propriamente dita, mostrando como o objeto, que já vem pensado em todas as etapas anteriores, deve se tornar um construto de segunda ordem, em que predomine a lógica dos atores em sua diversidade e não apenas as suas falas, dentro de uma narrativa teorizada, contextualizada, concisa e clara.
Envelhecimento ativo: uma política de saúde / World Health Organization
  • Gontijo Trad
Organização Mundial da Saúde-OMS (). Envelhecimento ativo: uma política de saúde / World Health Organization. (S, Gontijo Trad.), Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde 2002; 60. Disponível em: <http://dtr2001.saude.gov. br/svs/pub/pdfs/envelhecimento_ativo.pdf> Acesso em: 20 jun. 2015.
Histórica e Sistêmica: Bases para o paradigma integrativo em saúde
  • M L Pelizzoli
  • Visão
PELIZZOLI, M. L. Visão Histórica e Sistêmica: Bases para o paradigma integrativo em saúde. In: BARRETO, A. F. Práticas IntegrAtivas em Saúde: Proposições Teóricas e Experiências na Saúde e Educação. Recife: Editora UFPE 2014.
Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitAtiva em educação
  • A N S Triviños
TRIVIÑOS, A. N. S. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitAtiva em educação. São Paulo: Atlas, 1987.