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Leitura: da tabuleta de argila a tela dos computadores

Authors:

Abstract

http://dx.doi.org/10.5007/1807-9288.2012v8n2p53 Esta reflexão teórica é fruto da pesquisa “Leitura na Tela” que teve como objetivo investigar o modo de leitura nas telas dos computadores que têm acontecido em escolas da rede estadual pública. A leitura na tela tem instigado diversos pesquisadores a refletir sobre suas especificidades, como Chartier que observa que “a cultura do texto eletrônico seja (é) forçosamente um mundo de telas”. Weissberg, por sua vez, acredita que a tela não é mais superfície de projeção ou de recepção, mas é órgão de visão, tornando as imagens sintéticas, com que convivemos, em uma nova escrita e uma nova leitura. Nesta leitura privada, autônoma e protagonista do texto na tela, o leitor pode ser o autor, o editor, o distribuidor de textos escritos por ele e por outro. A linguagem hipermídia, segundo Santaella, se caracteriza por: hibridização de linguagens (sons, imagens fixas/movimento, textos, códigos, signos); organização dos fluxos informacionais em arquiteturas hipertextuais; possui um cartograma navegacional e uma linguagem interativa, o que garante a imersão dos leitores. Santaella identifica três tipos de leitores: o contemplativo, o movente e o imersivo e três tipos de usuários da Internet: o novato, o leigo e o experto. Além de conhecer, descrever, analisar e interpretar o modo como professores e estudantes da Educação Básica lêem na tela, brevemente apresentados aqui, a equipe do estudo também investe na formação dos professores para o uso pedagógico das novas mídias.
Esta obra foi licenciada com uma Licença
Texto Digital
, Florianópolis, v.
LEITURA:
DA TABULETA DE ARGILA
RESUMO: Esta reflexão
teórica
investigar o modo de
leitura nas telas dos computadores que t
pública estadual
. A leitura na tela tem instigado diversos pesquisadores a refletir sobre suas
especificidades, como Chartier que observa que “a cultura do texto eletrônico
um mundo de telas”. Weissberg, por sua vez, acredita que a tela não é mais superfície de
projeção ou de recepção, mas é órgão de visão, tornando as imagens sintéticas, com que
convivemos, em uma nova escrita e uma nova leitura. Nesta leitura priva
protagonista do texto na tela, o leitor pode ser o autor, o editor, o distribuidor de textos escritos
por ele e por outro
. A linguagem hipermídia
de linguagens (sons, imagens fixas/movimento, textos, códigos, signos); organização dos fluxos
informacionais em arquiteturas hipertextuais;
linguagem interativa, o que garante
leitores: o contemplativo, o movente e o imersivo
leigo e o experto. Além de conhecer, descrever, analisar e interpretar o modo como professores
estudantes da Educação Básica l
também investe na formação dos professores para o uso pedagógico das novas mídias.
PALAVRAS-CHAVE
A recente história social da leitura no
neste campo, envolvendo tanto os leitores quanto os seus gestos de leitura.
Trata-
se de transformações ainda pouco perceptíveis, mas de radical impacto
sobre a subjetividade humana.
Busca-
se aqui chamar a atenção para
debate, com vistas a compreender, à luz destes, as transformações em curso e
suas implicações nos processos de constituição do leitor e da leitura e, como isto
influenciará
na prática pedagógica dos professores.
*
Universidade Estadual de Goiás. Imeio:
*
Universidade Estadual de Goiás
DOI:
10.5007/1807
Esta obra foi licenciada com uma Licença
Creative Commons
, Florianópolis, v.
8, n. 2, p. 53-67, jul./dez. 2012
. ISSNe: 1807
DA TABULETA DE ARGILA
À
TELA DOS COMPUTADORES
Eliane Gonçalves Costa Anderi
Mirza Seabra Toschi
teórica
é fruto da pesquisa “Leitura na Tela”
que
leitura nas telas dos computadores que t
e
m acontecido em e
. A leitura na tela tem instigado diversos pesquisadores a refletir sobre suas
especificidades, como Chartier que observa que “a cultura do texto eletrônico
um mundo de telas”. Weissberg, por sua vez, acredita que a tela não é mais superfície de
projeção ou de recepção, mas é órgão de visão, tornando as imagens sintéticas, com que
convivemos, em uma nova escrita e uma nova leitura. Nesta leitura priva
protagonista do texto na tela, o leitor pode ser o autor, o editor, o distribuidor de textos escritos
. A linguagem hipermídia
, segundo Santaella,
se caracteriza por: hibridização
de linguagens (sons, imagens fixas/movimento, textos, códigos, signos); organização dos fluxos
informacionais em arquiteturas hipertextuais;
e por possuir
um cartograma navegacional e uma
linguagem interativa, o que garante
a imersão dos leitores. Santaella identifica três tipos de
leitores: o contemplativo, o movente e o imersivo
,
e três tipos de usuários da Internet: o novato, o
leigo e o experto. Além de conhecer, descrever, analisar e interpretar o modo como professores
estudantes da Educação Básica l
eem na tela, brevemente apresentados aqui
,
também investe na formação dos professores para o uso pedagógico das novas mídias.
: Leitura na tela. Usuários da Internet. Leitura no computador.
A recente história social da leitura no
mundo tem apontado mudanças operadas
neste campo, envolvendo tanto os leitores quanto os seus gestos de leitura.
se de transformações ainda pouco perceptíveis, mas de radical impacto
sobre a subjetividade humana.
se aqui chamar a atenção para
alguns elementos presentes no atual
debate, com vistas a compreender, à luz destes, as transformações em curso e
suas implicações nos processos de constituição do leitor e da leitura e, como isto
na prática pedagógica dos professores.
Universidade Estadual de Goiás. Imeio:
egcanderi@gmail.com.
Universidade Estadual de Goiás
. Imeio: mirzas@brturbo.com.
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-9288.2012v8n2p53
Creative Commons
. ISSNe: 1807
-9288
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TELA DOS COMPUTADORES
Eliane Gonçalves Costa Anderi
*
Mirza Seabra Toschi
*
que
teve como objetivo
m acontecido em e
scolas da rede
. A leitura na tela tem instigado diversos pesquisadores a refletir sobre suas
especificidades, como Chartier que observa que “a cultura do texto eletrônico
[é] forçosamente
um mundo de telas”. Weissberg, por sua vez, acredita que a tela não é mais superfície de
projeção ou de recepção, mas é órgão de visão, tornando as imagens sintéticas, com que
convivemos, em uma nova escrita e uma nova leitura. Nesta leitura priva
da, autônoma e
protagonista do texto na tela, o leitor pode ser o autor, o editor, o distribuidor de textos escritos
se caracteriza por: hibridização
de linguagens (sons, imagens fixas/movimento, textos, códigos, signos); organização dos fluxos
um cartograma navegacional e uma
a imersão dos leitores. Santaella identifica três tipos de
e três tipos de usuários da Internet: o novato, o
leigo e o experto. Além de conhecer, descrever, analisar e interpretar o modo como professores
e
,
a equipe do estudo
também investe na formação dos professores para o uso pedagógico das novas mídias.
: Leitura na tela. Usuários da Internet. Leitura no computador.
mundo tem apontado mudanças operadas
neste campo, envolvendo tanto os leitores quanto os seus gestos de leitura.
se de transformações ainda pouco perceptíveis, mas de radical impacto
alguns elementos presentes no atual
debate, com vistas a compreender, à luz destes, as transformações em curso e
suas implicações nos processos de constituição do leitor e da leitura e, como isto
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1. Vínculo entre os modos de leitura e os suportes da escrita
Ao inventar a escrita, o ser humano deixou de contar apenas com a tradição oral,
passando a armazenar suas histórias, leis e o conhecimento por meio da escrita.
Os registros escritos passam a exigir a capacidade de identificar e interpretar os
códigos, e com ela, a leitura.
A história da leitura está intimamente ligada às possibilidades que o ser humano
criou para ler. Os processos de fixação da escrita vão se transformando ao longo
do tempo e caminharam na direção da facilitação, pois saíram de uma tabuleta
de argila, para o papiro, para os rolos de pergaminho, para o livro, o disquete, os
CD-Roms, telefone celular e os tablets.
A escrita, na Antiguidade, foi colocada a serviço da cultura oral e da conservação
do texto. Continha textos escolares, relatos de viagens ou registros contábeis e a
sua leitura era feita por um número pequeno de pessoas, as alfabetizadas. Já no
período helenístico, a literatura passa a depender da escrita e do livro e Roma
herda do mundo grego as práticas de leitura e o suporte do texto era o volumen.
Com o surgimento do códex, um livro com páginas, que veio para substituir o livro
de rolo a partir do século II DC, surgiram, então, novas práticas de leitura.
Segundo Chartier (1999), o surgimento do códex inaugura uma forma nova de
leitura que rompe drasticamente com as práticas de leitura praticadas com o livro
de rolo.
No início da era cristã, os leitores dos códex tiveram que se
desligar da tradição do livro em rolo. Isso não fora fácil, sem
dúvida. A transição foi igualmente difícil, em toda uma parte da
Europa do século XVIII, quando foi necessário adaptar-se a uma
circulação muito mais efervescente e efêmera do impresso.
Esses leitores defrontavam-se com um objeto novo, que lhes
permitia novos pensamentos, mas que ao mesmo tempo,
supunha o domínio de uma forma imprevista, implicando técnicas
de escrita ou de leitura inéditas. (CHARTIER, 1999, p. 93)
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Entre os séculos XI e XIV, quando renascem as cidades e com elas as escolas,
desenvolvendo a alfabetização, surge também uma nova era da história da
leitura, pois o livro passa a representar instrumento de trabalho intelectual, de
onde se chega ao saber.
Antes da invenção da imprensa, os leitores podiam comprar livros diretamente
nos stationarii
1
ou encomendava ao scriptor ou copista. Os cadernos
2
(quaderni)
eram alugados aos livreiros e o valor a ser cobrado era definido pela
universidade. O sistema de cadernos permitia que vários copistas trabalhassem
em uma mesma obra simultaneamente. A criação da imprensa suscita grandes
mudanças nos modos de ler, com o favorecimento da circulação dos textos que
permitiu que cada leitor tivesse acesso a um número maior de livros.
Atualmente, a leitura está presente em praticamente todas as relações sociais
dos seres humanos: no mundo do trabalho, nas relações comerciais, nas
relações interpessoais. Verifica-se a necessidade de se comunicar com as
pessoas que se encontram ausentes, necessitando então que se deixe um
bilhete, que se envie um convite, um memorando, um aviso, uma carta, etc. Tudo
isto são textos escritos que pressupõem um leitor.
Nas atividades de entretenimento como o cinema, o teatro, o jogo de futebol, uma
festa, o vídeo game, tem a presença da leitura e da escrita. Essas práticas fazem
com que a leitura e a escrita assumam grande importância nessa sociedade.
A leitura então, se apresenta simultaneamente como uma técnica e como uma
prática que não pode se restringir à decodificação dos signos escritos ou aos
limites impostos por uma frase, sendo que isto pode contribuir para a ampliação
das diferenças sociais existentes entre os que dominam a leitura em todas as
suas modalidades e os que não leem com proficiência, pois a falta de domínio da
1
Comerciantes de livro.
2
Códice adquire forma de livro e é constituído de quaderni (cadernos) os quais possuíam uma
quantidade variável de páginas (fólios). Uma mesma obra era formada de vários cadernos.
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leitura impede as pessoas de ter uma compreensão crítica da realidade e de ter
acesso a níveis mais elaborados de conhecimento.
Ler passou a ser condição básica de existência no mundo contemporâneo e com
o advento das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) torna-se
indispensável ler bem, rápido e de forma crítica, ou seja, saber se se pode confiar
ou não na informação lida.
Cultura digital é uma expressão que vem sendo empregada para caracterizar o
momento correspondente aos processos de digitalização das informações. Ele
designa e aponta as várias transformações de caráter cultural, social, político e
técnico que envolve a mudança de uma matriz tecnológica para outra.
Moura e Mantovani (2003) afirmam que as alterações ocorridas no suporte
material da informação iniciaram o apagamento de um dos critérios que
possibilitava distinguir, hierarquizar e classificar os discursos disseminados: o
suporte físico. O formato eletrônico relativizou o papel enquanto suporte textual
rompendo, assim, com as possibilidades de identificação da informação a partir
da forma, passando a exigir novas habilidades tanto para construir os discursos
quanto para assimilá-los.
A leitura na tela
A geração net, ou nativos digitais, na versão de Prenski (2001), não teme o
computador e, ao contrário, não sabe conviver sem ele. Os estudantes de hoje,
no dizer do autor:
representam a geração que está crescendo com a tecnologia
digital. Eles gastam suas vidas jogando jogos de computador,
videogames, assistindo TV, celulares etc. Os jovens de hoje
gastam, no total, cerca de 5.000 horas de suas vidas lendo e
estudando... Porém, passam 10.000 horas de suas vidas jogando
videogames. (Nem vou comentar as 20.000 horas que passam
assistindo TV). Computadores, celulares, televisores, mensagens
instantâneas (MSN) já fazem parte de suas vidas (p. 1).
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Assim, tantos anos convivendo com telas de televisão, de videogames, de
computadores, de celulares, de MP4, MP5, MP6... provocaram alterações
significativas na forma como estes jovens se relacionam, convivem, estudam e
trabalham.
Prensky (2004) observa que:
agora nós temos uma geração que absorve informação melhor e
que toma decisões mais rapidamente, são multitarefa e
processam informações em paralelo; uma geração que pensa
graficamente ao invés de textualmente, assume a conectividade e
está acostumada a ver o mundo através das lentes dos jogos e
da diversão (p. 3).
Inúmeros teóricos têm refletido sobre a relação humana com as máquinas
digitais, com o computador. Com base em Chartier (1999), Weissberg (2001),
Quéau (2001), Castells (2003), Silva (2004), Pais, (2002), Ribeiro, (2006) vamos
sintetizar suas ideias em torno do que interessa ao estudo em desenvolvimento,
que é a leitura nas telas dos computadores.
Chartier (1999) observa que “a cultura do texto eletrônico [é] forçosamente um
mundo de telas” (p.139). Nessa leitura privada, autônoma e protagonista do texto
na tela, o leitor pode ser o autor, o editor, o distribuidor de textos escritos por ele
e por outrem.
Conforme Weissberg (2001), “a tela não é mais superfície de projeção (cinema),
nem de recepção (televisão), tornou-se órgão de visão” (p. 122), mas é o ser
humano real que dá existência a esse mundo virtual. O diálogo tem sido a vida do
ciberespaço.
Vemos imagens nas telas, sejam elas letras, fotos, filmes. Assim, de acordo com
Quéau (2001), está em curso uma revolução escrita profunda que incorpora uma
relação entre imagem e linguagem, na qual “o legível pode engendrar o visível”
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(p. 91). Ler na tela, então, é “ver imagens”. A letra digitada e que aparece na tela
não é mais letra, mas sim imagem de síntese.
Ainda segundo o mesmo autor, enquanto as imagens fotográficas,
cinematográficas ou televisuais são linguagens visuais, as imagens infográficas
(dos computadores) são imagens de síntese encarnadas abstratamente em
modelos matemáticos e em programas de informática. Essa imagem é, sempre,
simultaneamente, linguagem e imagem de síntese, que é essencialmente
abstrata. Essa é a verdadeira revolução para o autor, que é a capacidade da
infografia de dar ao espectador o sentimento de “imersão” interativa na imagem
(p. 93). As imagens de síntese têm grande propensão a circular em redes
interativas, pois esse tipo de imagem “modifica nossa relação com o real,
estruturando-o de outra forma, como instrumento de escrita” (p. 94).
A expansão da Internet inaugurou uma nova era, um momento de transição na
comunicação, fez surgir um novo estilo textual o hipertexto digital
3
um outro
texto que permeia as comunicações, numa interface com a dinâmica com que flui
o processo de comunicabilidade.
O hipertexto digital sinaliza um novo estilo linguístico, um texto aberto, livre, solto,
sem fronteiras definidas. Nesta ruptura, com normas fundamentadas na história e
na cultura de um povo e implícitas em seus linguajares formal ou coloquial, ele
caracteriza-se por uma produção independente e extremamente liberal, mas que
não exclui, nem pode excluir outros textos.
Ler um texto em papel é bem diferente de ler um texto na tela, pois embora os
dois se apresentem sob a forma escrita, cada tipo de leitura requer um
comportamento diferente de cada leitor. O texto impresso em papel é lido palavra
por palavra, página por página, enquanto a leitura do texto digital, segundo
3 Hipertexto digital neste trabalho está sendo entendido quando o texto em sua materialidade
simula a não linearidade e ocorre no computador. Hipertexto impresso quando sua
materialidade simula a não-linearidade da leitura como processo mental e sua materialidade
ocorre no papel.
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estudos de Nielsen (1997), é escaneado, como se fosse uma leitura dinâmica, na
qual se pinçam palavras-chave do texto, como se se estivesse imerso nas
imagens que representam.
Essa perspectiva imersiva explica um pouco a forma de escrita na tela, com o
uso de emotions, diferentes tamanhos, cores e movimentos das letras. Esta tem
sido a linguagem mais usada e requerida pelos jovens em sua relação com
amigos, como se a escrita na tela assumisse a comunicação oral.
Ferramentas para a produção escrita (editores de texto, de
páginas web, de histórias em quadrinhos) e para a comunicação
à distância (bate-papo, icq e correio eletrônico) inauguram novas
condições de produção de discurso integrando elementos
originais ao que hoje denominamos leitura escrita. O hipertexto
como gênero de discurso e os emotions como recurso expressivo
são bons exemplos de mudanças linguístico-discursivas
decorrentes das condições virtuais de produção de enunciados
(SILVA, 2003, p. 22).
É inegável que a gama de possibilidades de informações instantâneas acelera a
motivação da multilinearidade nos nexos e redes em contraposição à linearidade
do texto tradicional bem como a facilidade de manipulação e a eficiência
possibilitada pela técnica da digitalização que trouxe transformações
significativas em diversos setores da vida social, incluindo a cultura, a ciência e a
educação.
Para a educação, o desafio é que além da preocupação com o desenvolvimento
de sujeitos leitores, faz-se necessário se ater também para os novos processos
de leitura requeridos pelo uso das tecnologias da comunicação e informação.
Novo leitor desafia práticas de leitura da escola
Mas o que é ler? Para Silva (2000, apud PAN; VILARINHO, 2005), “o ato de ler
envolve apreensão, apropriação e transformação de significados, a partir de um
documento escrito” (p. 1).
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Sendo assim, ler não se reduz à decifração de códigos, é muito mais do que isso,
é, principalmente, saber estabelecer conexões e também é:
uma atividade interativa altamente complexa de produção de
sentidos, que se realiza evidentemente com base nos elementos
linguísticos presentes na superfície textual e na sua forma de
organização, mas requer a mobilização de um vasto conjunto de
saberes no interior do evento comunicativo (KOCH; ELIAS, 2006,
p. 11).
A leitura de um texto exige que o leitor saiba muito mais que somente o
conhecimento linguístico compartilhado pelos interlocutores. Ao ler ele mobiliza
uma série de estratégias de ordem linguística e de ordem cognitivo-discursiva
que o possibilita levantar hipóteses, validar ou não as hipóteses formuladas,
preencher as lacunas que o texto apresenta, participando ativamente da
construção do sentido. Nesse processo, autor e leitor devem ser vistos como
estrategistas na interação pela linguagem.
Os leitores reconhecem que o significado do texto a ser construído depende tanto
dos objetivos e das perguntas do leitor como da natureza do texto e de sua
macro superestrutura. Além disso, é importante e necessário que as pessoas
aprendam a usar as estratégias de leitura como faz um leitor maduro, a fim de
que se torne também um leitor eficiente e autônomo.
Deste modo, torna-se premente a necessidade de a escola assumir a leitura
como um processo de interação entre autor-texto-leitor no qual interferem, entre
outros aspectos, a situação cultural, política e social de cada leitor e as suas
relações intertextuais. Assim, o papel do leitor torna-se cada vez mais decisivo,
tanto na leitura analógica quanto na digital.
Para Silva (2003, p. 13), a leitura concretiza um papel socializante na medida em
que permite ao sujeito o domínio de competências “capazes de possibilitar
práticas de leitura e de letramento contínuo, aqui entendidas como atividades
estruturantes do pensamento-linguagem, do conhecimento e da cultura”.
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Parece pertinente afirmar que ler é mergulhar nas malhas da
rede, é perder-se, é libertar-se; a linearidade lugar ao
hipertextual, ao móvel e flexível, à interatividade que permite
conectar temas e ideias em duplo sentido: escolher links e
produzir inferências (CORREIA; ANTONY, 2003 apud PAN;
VILARINHO, 2005, p. 2)
Moura e Montovani (2003) defendem que navegar por um texto não se restringe
tão somente ao suporte digital, mas trata-se do percurso que o leitor pode fazer
em determinado objeto de leitura seja ele um texto, um gráfico, um sumário, um
índice ou uma legenda. O que conta são suas escolhas, o caminho que irá
percorrer. Trata-se de uma reconfiguração das práticas de leitura e das formas de
produção e publicação de textos. A novidade está no próprio suporte e na
velocidade com que os nós são acessados nos hipertextos digitais.
Na compreensão de Santaella (2004), a linguagem hipermídia tem quatro traços
caracterizadores que garante a imersão dos leitores que são:
a) a hibridização de linguagens (sons, imagens fixas e em movimento,
textos, digos, signos) é o acionamento integrado de textos aos
processos sígnicos, códigos e mídias sem qualquer sutura em um único
ambiente;
b) a organização dos fluxos informacionais em arquiteturas hipertextuais é
a capacidade de armazenamento de informações que, por meio da
interação, o sujeito consegue alterar, transformar, converter ou disfarçar
incontáveis versões de um texto virtual, online, que brota na medida em
que o sujeito se coloca na posição de co-autor. Isto só é possível de
acontecer em função das características de não linearidade do hiper;
c) um cartograma navegacional para transitar pelas infovias o internauta
necessita se orientar na rede sob pena de se frustrar ao não conseguir
ajustar os alvos pretendidos, por isso fez-se necessário a criação de
mapas para a navegação que são os portais que permitem a seleção de
conteúdos; os programas de busca na www; os programas de filtro que
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permite aos pais programar seus computadores de acordo com aquilo que
julgam ser ou não conveniente ser acessado pelos filhos e os CD-Roms
que trazem os mapas de navegação;
d) e uma linguagem interativa – que é a combinação da inseparabilidade do
caráter hipertextual, hipermidiático de sua linguagem com a interatividade
e a autonomia do internauta em determinar qual é a informação que
deseja ou não acessar e em qual sequência.
Nas escolas, cuja base é a escrita em papel, esse debate é urgente e os
professores merecem participar dessa reflexão. Os jovens que estão atualmente
na Educação Básica demonstram possuir grande potencial de compreensão da
nova linguagem que se apresenta na rede, que é a hipermídia.
Não se conseguirá a atenção de um jovem ou criança, em uma escola que só faz
uso tão somente da oratória, leitura e escrita. Eles conhecem outros meios
mais atrativos de aprender. “Assistir” a um programa de TV é, muitas vezes, bem
melhor do que “assistir” a um professor. Não se está afirmando que as mídias
podem substituir o papel exercido pelo professor, mas podem modificar a forma
pela qual se o mundo. Como a cultura da imagem é uma característica forte
das novas gerações, ela pode ser explorada pedagogicamente na escola, pois as
notícias, as novidades do planeta estão expostas a todo o momento pela
televisão e na Internet. Todavia, a forma de organização da escola e dos
processos de ensino/aprendizagem se coloca como barreira para um uso mais
adequado dessas ferramentas com potencialidades educativas.
A escola pouco explora, por exemplo, o valor informativo, implícito e/ou explícito,
e a qualidade atrativa da TV como veículo da cultura imagística. Com a
introdução da informática, do computador e da Internet na sala de aula, é preciso
um policiamento para que o se caia no mesmo erro, achando que o simples
uso do equipamento, independentemente dos objetivos traçados, faz a
diferença pedagógica.
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Com a Internet, as pessoas são desafiadas a executar um novo tipo de leitura, na
qual as informações se apresentam como uma rede de nós, “interconectados por
links, que podem ser acessados livremente” (RAMAL, 2002 apud PAN;
VILARINHO, 2005, p. 1).
Observa Santaella (2004) que a formação de redes é prática humana antiga e
avalia que atualmente as redes ganharam vida nova - energizadas pela Internet -
e isso interfere no significado da mensagem.
Castells (2003) diz também que, apesar das vantagens da sua flexibilidade, as
redes entram em conflito com as hierarquias centralizadas por permitirem decisão
coordenada e execução descentralizada. A liberdade individual e a comunicação
aberta tornaram-se valores supremos, o que entra em choque com as
orientações coletivas e hierárquicas como as existentes nas escolas.
Santaella (2004), na obra “Navegar no ciberespaço o perfil cognitivo do leitor
imersivo”, enumera três tipos de leitores: o contemplativo, o movente e o
imersivo. Enquanto o primeiro refere-se ao leitor meditativo, silencioso, de obras
escritas em livros, o leitor movente é aquele fragmentado, que habita o cenário
volátil da cidade, cheia de imagens, fotos, outdoors. Já o leitor imersivo, é aquele
“implodido cuja subjetividade se mescla na hipersubjetividade de infinitos textos
num grande caleidoscópio tridimensional” (p. 33). Continua a autora dizendo que
a navegação interativa entre nós e nexos pelos roteiros alineares
do ciberespaço envolve transformações sensórias, perceptivas e
cognitivas que trazem consequências também para a formação
de um novo tipo de sensibilidade corporal, física e mental
(SANTAELLA, 2004, p. 34).
As mídias móveis, como os celulares e os tablets, sugerem o aparecimento do
leitor ubíquo, que lê a qualquer hora e em qualquer lugar.
A autora faz referência também a três tipos de usuários: o novato, o leigo e o
experto. O experto é aquele que encontra o que deseja com grande facilidade.
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Conhece a estrutura da rede, não se perde, não hesita, conhece o uso do clique
direito do mouse e articula, com presteza, o controle sobre o mouse e o teclado,
do olhar sobre a tela e o conhecimento do mapa da rede. O leigo não tem muita
familiaridade com o ambiente da Internet, fica perdido, mas tem algum
conhecimento de como se faz buscas nela. O novato, por sua vez, não
compreende a estrutura da rede e, por isso, faz uso limitado dela. Identificamos
no estudo que há alunos no nível de experto e os professores estão entre o
novato e o leigo.
A preocupação básica do professor, atualmente, é com as formas de explorar as
potencialidades desses meios de comunicação informatizados no ambiente
educacional, especificamente o computador. Preocupação legítima, uma vez que
a grande maioria não tem apropriação tecnológica. Isso ficou evidente no estudo.
Descobrir como incorporar as possibilidades que a Internet e o computador
oferecem à sala de aula é um desafio. Renovando a forma como a pesquisa tem
sido praticada na escola; o caráter comunicativo da Internet altera totalmente
esse processo de descoberta.
Com seu emprego, o estudante se mantém em contato direto com os meios de
comunicação da sociedade. Ao estar conectado ao mundo, ele tem acesso a
quase tudo o que se produz, seja de cunho científico ou não, no planeta e a tudo
que está disponibilizado na rede mundial de computadores.
A possibilidade que a internet nos abre para subverter os
aparatos do poder, pois ali não existe controle da comunicação,
nem de governos, nem de empresas, nem de instituições
educacionais. No mundo virtual, a comunicação falada, escrita
e/ou lida é horizontal, livre e democrática: talvez resida nisso a
possibilidade maior de instauração de um certo tipo de cultura
entre os homens que, pelas práticas de leitura aqui tomadas
como atividade estruturante do pensamento poderão, de agora
em diante, viver mais intensamente a criatividade e a liberdade
(SILVA, 2003, p. 16).
A Internet é um campo vasto e riquíssimo, pode-se utilizá-la como instrumento de
comunicação, de pesquisa, de produção de conhecimento, utilizando sua
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interface ideográfica, característica das linguagens simbólicas. No computador
apresentam-se por meio de ícones, signos que simbolizam, de forma gráfica,
objetos ou conceitos representados por uma determinada imagem. Voltar-se-ia,
assim, a ter, na escola, um ambiente rico de informações, de assuntos históricos,
atuais, atrativos, com capacidade de atender ao anseio natural que todo ser
humano possui de buscar o novo.
O trabalho da escola pode viabilizar a entrada de mais
interlocutores na Rede, tanto na função de escritores quanto na
de leitores, coautores e aprendizes das maneiras dinâmicas de
lidar com textos, calibrando cada vez melhor as atualizações de
sentido e a leitura crítica, a triagem de informações e a
seletividade, na era do zaper, ainda que ela nos pareça apenas
mais uma boa oportunidade de fazer o que o leitor e o escritor
sempre fizeram nos modos unplugeed de ler e escrever
(RIBEIRO, 2006, p. 30 e 31).
Pais (2002) afirma que a prática docente que está essencialmente associada à
natureza das ações realizadas pelos estudantes, sofre uma ampliação
impulsionada pelo computador e pela Internet. Tem-se assim que as ações
didáticas estão sendo condicionadas pelo uso desse novo suporte e necessitam
ser redimensionadas, pois as respostas tradicionais não são suficientes para
responder aos novos desafios que estão sendo colocados à ação didática.
A construção das competências objetivadas para a formação do
aluno depende também da disponibilidade do professor de se
engajar na redefinição de sua própria prática, incorporando a ela
a componente tecnológica no processo de sua própria formação.
Para isso, é preciso que a iniciativa individual de cada um seja
exercida em sintonia com a capacidade de participar ativamente
em propostas de trabalho coletivo (PAIS, 2002, p. 14).
É inegável que os recursos tecnológicos digitais redimensionaram as condições
de acesso às fontes de informação e ampliaram as situações de aprendizagem,
mas também redimensionam os problemas da escola, pois elas, por si só, não
resolvem os antigos problemas de acesso à escola, ao conhecimento e ao
exercício da cidadania. Para que se possa beneficiar de todo este aparato, mais
do que nunca, é necessário repensar as formas de ensinar e de aprender,
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portanto, é necessário redimensionar a formação e condições de trabalho dos
professores, a organização escolar, o currículo, a sala de aula.
READING: OF THE CLAY TABLET TO THE SCREEN OF COMPUTERS
ABSTRACT: This is the result of theorical research “Reading on Screen” wich the aimed to
investigate how read on the screens computers that happened in public schools of the state. The
screen reader has instigated several researchers to reflect on their specificities, as Chartier notes
that “the culture of the electronic text is necessarily a world of screens. Weissberg, instead,
believes that the screen is no longer projection surface or reception, but is an organ of vision,
making synthetic images with that we live in a new script and a new reading. In this reading,
autonomous and protagonist of the screen text, the reader can be author publisher, distributor of
texts written by him and others. The hypermedia language, according Santaella, characterized by:
hybridization language (sounds, texts, codes); organization of information flows in hypertext
architectures; has an interactive navigational, which ensures the immersing for the readers.
Santaella identifies three types of readers: the contemplative, the moving and the immersive. And
three types of users of internet: the novice, the expert and the layman. Besides describe, analyze
and interpret how teachers and students of basic education read on screen, the study team also
invests in the training of teachers for the pedagogical use of the new media.
KEYWORDS: Reading on screen. Users of the internet. Reading on the computer.
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Texto recebido em 31/10/2012.
Article
Full-text available
O presente estudo visa apontar e discutir possíveis impactos das tecnologias digitais na leitura e produção textual contemporâneas e nos relacionamentos entre leitores, autores e textos nesses contextos. Para esse fim, analisei as interações em dez diferentes grupos virtuais cujo principal objetivo comum de seus participantes era dialogar sobre leitura e produção textual. Os resultados identificaram a autopublicação, a intertextualidade, a leitura social e a leitura em dispositivos eletrônicos como as principais questões relacionadas à leitura e à escrita em cenários digitais dentre os tópicos abordados pelos membros dos grupos investigados.
Article
If we are smart, the mobile phones and games that our students are so comfortable with will soon become their learning tools. I don't know the exact numbers, but if Scottish students are anything like the rest of the world, a great many of them are walking around with powerful computers in their hands and pockets. Yes, I'm talking about their mobile phones. And I strongly believe, if we integrate these devices deeply into our educational processes and use them creatively and wisely, these "mobile communications devices" have the power to radically change and improve the educational process. Of course between here and there, there's a lot of thinking that needs to change, at least on the part of adults and educators. But less so for the students. Every day they find new ways to use these devices. Why not for learning? The reason mobile phones hold such promise for education is that education is primarily about communication. Mobile phones are primarily communications devices, with calculation added in. The more expensive devices we generally call "computers" are, of course, the opposite.
Article
Part one of this paper highlights how students today think and process information fundamentally differently from their predecessors, as a result of being surrounded by new technology. The author compares these “digital natives” with the older generation who are learning and adopting new technology naming them “digital immigrants”.
Ler e Compreender os sentidos do texto
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Ler e navegar: reflexões sobre o leitor e a leitura no contexto digital
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