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Revista AMAzônica, LAPESAM/GMPEPPE/UFAM/CNPq/EDUA
ISSN 1983-3415 (impressa) - ISSN 2318-8774 (digital)-eISSN 2558 1441 – (On line)
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Ano 9, Vol XVII, Número 1, Jan-Jun, 2016, Pág. 129-142.
FAMÍLIA E QUALIDADE DE VIDA EM ADOLESCENTES DO
ENSINO MÉDIO PÚBLICO
Hilda Bayma-Freire & Antonio Roazzi
Resumo: Na perspectiva de melhorar a qualidade de vida (QV) de crianças e jovens
brasileiros, os órgãos responsáveis pela saúde pública brasileira inserem-se no Sistema
Educacional (saúde/escola), com ações preventivas em relação à consciencialização de
fatores de risco, a médio e longo prazo. Tendo em vista a escola ser um dos contextos
adequados para a promoção do bem-estar (físico, afetivo, psicológico, moral e social)
do aluno, da família e da comunidade, o nosso estudo de carácter exploratório insere-se
numa escola de referência, para analisar o fator família em relação à qualidade de vida
(itens selecionados do teste AUQEI) de pré-adolescentes e adolescentes do ensino
médio público (Secundário em Portugal). Os resultados apontam que os itens
selecionados do teste AUQEI para avaliar a qualidade de vida quanto ao fator família
apresentam características psicométricas satisfatórias quando aplicadas em uma faixa
etária maior (14-18 anos; N=225). Observe-se também que nesta faixa maior não houve
diferença significativa em relação à idade para a QV, mas em função do sexo.
Palavras-chave: Saúde; Escola; Qualidade de vida.
Abstract: In order to improve the life quality (LQ) of children and young Brazilians,
the official agencies responsible for state health care in Brazil fit into the Educational
System (health / school), providing preventive actions in relation to raise awareness of
risk factors in medium and long terms, taken the school as one of the most adequate
context for the promotion of welfare (physical, emotional, psychological, moral, and
social one) of students, families and community, our exploratory study takes place in a
school of reference, regarding to analyze the family factor concerning life quality (items
selected from the AUQEI test) of pre-adolescents and adolescents into state middle-
schools (secondary schools in Portugal). The results pointed out that the selected items
from the AUQEI test, used to evaluate life quality based on family factors, have
demonstrated satisfactory psychometric patterns when applied to a higher age range
(14-18 years old, N = 225). It has also demonstrated that within this higher age range,
there was no significant difference on age basis in relation to LQ, but mainly on genre
basis.
Keywords: Health; School; Life Quality.
Introdução
A qualidade de vida de adolescentes brasileiros carenciados mediante as inúmeras
desigualdades socioeconómicas ostenta-se com perspectivas baixas e estilos de vida
vulneráveis, face aos fatores de risco (Ávila, 2001, Bayma-Freire, 2009).
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Concernentemente, o bem-estar físico, mental e social está associado à qualidade de
vida do ser humano.
No Brasil, a pobreza interfere nos domínios básicos da estrutura familiar carenciada,
causando impacto na saúde, na educação e no estilo de vida, a qual desencadeia uma
situação vulnerável em relação aos valores e aos hábitos favoráveis a uma qualidade de
vida. No âmbito da saúde pública, existe uma preocupação com a qualidade de vida de
crianças e jovens brasileiros, face à vulnerabilidade dos contextos de inserção, em
relação aos fatores de risco. Para tal, cria-se uma ponte constituída por meio do “Projeto
Saúde e Prevenção nas Escolas (2003)”, uma ação interfaceada entre os Ministérios da
Educação e da Saúde, com o apoio da UNESCO e da UNICEF, em função de promover
saúde e qualidade de vida em ampla abrangência (saúde sexual, reprodutiva, Doenças
Sexualmente Transmissíveis - DST, Infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana –
HIV, Síndrome da Imunodeficiência Adquirida – SIDA e outros). Diante disso, as ações
preventivas foram inseridas no currículo escolar, em busca do bem-estar físico, afetivo,
psicológico, moral, social e outros (Alvinir, Ferreira, Teixeira & Veloso, 2007). Por seu
lado, a escola é um contexto de formação plural, no qual os fatores de risco podem ser
minimizados através do processo de consciencialização (aluno, família e comunidade) e
contribuir para um estilo de vida saudável.
Nessa perspectiva, variáveis comportamentais e sociodemográficas (pobreza,
alcoolismo, drogas, obesidade, baixa estima e outros) caracterizam fatores de risco que
interferem na qualidade de vida de jovens brasileiros (Aquiro, Araújo, Filho, James,
Kanachi, Lessa & Magalhães, 2004; Bayma-Freire, 2009; Barbosa-Filho, Lemos, Souza
& Tromperi-Filho, 2009; Gordia, 2010). Estes fatores inserem-se precocemente na vida
de adolescentes brasileiros e interferem diretamente no comportamento e na qualidade
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de vida. Os adolescentes mais vulneráveis (Doenças sexualmente transmissíveis – DST;
Síndrome da Imunodeficiência Adquirida - SIDA, Infecção pelo Vírus da
Imunodeficiência Humana – HIV), sofrem sérias alterações da qualidade de vida
(Lemos & Zalesky, 2006; Lepre, 2007). Estes são fatores de risco de alto impacto social
e de grande preocupação para a saúde pública, além de terem procedência negativa,
elevam a baixa estima, o stress e a desmotivação pela vida. É importante destacar neste
contexto que as ações de saúde na escola, além de pertinentes, devem ser mais
abrangentes, uma vez que os fatores de risco são alargados na sociedade brasileira e
altamente prejudiciais à saúde. Existe de facto, uma necessidade de revisar as leis
brasileiras vigentes em relação aos limites do fornecimento de bebidas alcoólicas aos
adolescentes (Areco, Silveira-Filho & Souza, 2005). São medidas emergenciais e
preventivas que podem prorrogar a precocidade de inserção de pré-adolescentes e
adolescentes nos contextos de risco que causam impacto na qualidade de vida. Neste
impasse destacam-se o uso de droga, a prostituição e o alcoolismo como fatores de risco
que interferem diretamente na autoestima do jovem vulnerável e prejudicam a
estruturação de uma vida mais saudável (Ministério de Saúde, 2007; Bayma-Freire,
2009; Barbosa-Filho, Lemos, Souza & Tromperi-Filho, 2009). Tendo em conta que as
drogas agem de modo negativo no cérebro humano e seus efeitos são esmagadores da
autoestima e da qualidade de vida.
Nota-se que a abordagem desenvolvimental considera que o impacto da pobreza
em relação às perspectivas de vida pode fazer a diferença num desenvolvimento
saudável (Feldman, et al., 2007; Colombo & Lipina & 2009). Há de se convir que a
desigualdade socioeconómica no Brasil possa ser considerada com um fator de
desajuste e de inserção de muitos jovens nos contextos de risco, além de contribuir
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para baixas perspectivas de ascensão e de qualidade de vida vulnerável. Neste
estudo, pode-se verificar que autoestima de muitos jovens ainda é baixa. Na visão de
alguns autores, os adolescentes têm mais saúde e bem-estar quando existe um
equilíbrio no estilo de vida (atividade física, nutrição adequada, stress controlado,
estrutura familiar favorável e comportamentos preventivos (Nahas, 2003; Chen, et
al., 2008). Realmente, tudo isso é significativo para a saúde e elevação de
perspectivas de bem-estar do ser humano, uma situação que contempla um
quantitativo “x” de jovens brasileiros carenciados. Mas, a realidade de muitos destes
provindos de estruturas familiares carenciadas é tentar superar os (des)equilíbrios
proporcionados pela desigualdade socioeconómica inserindo-se em contextos de
risco, com uma pseudo expectativa de manter uma “QV” desejada, muitas vezes
proporcionada por fontes ilícitas. A partir das considerações acima, foi planejado
verificar através de seis questões relativas ao fator familiar do Questionário AUQEI
(Avaliação de Qualidade de Vida em Crianças e Adolescentes), a qualidade de vida
de pré-adolescentes e adolescentes brasileiros do ensino médio público (Secundário
em Portugal).
Método
Participantes
Este estudo exploratório insere-se no ensino médio público brasileiro (Secundário
em Portugal), com o objetivo de verificar pontos inerentes à qualidade de vida de
pré-adolescentes e adolescentes, no que diz respeito à família. Os dados foram
recolhidos diretamente com os participantes de uma escola pública de referência
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incluída na parceria da Secretaria de Saúde, em prol de melhorar a qualidade de vida de
jovens de classe menos favorecida. A amostra compreendeu 225 participantes (com
idades entre os 14 e os 18 anos) de ambos os sexos (58.2% do sexo feminino e 41.8%
do sexo masculino). O número de participantes para cada uma das cinco faixas etária foi
de 34, 40, 47, 69, e 35, respectivamente por cada idade (14 a 18 anos).
Instrumento
O instrumento utilizado na recolha dos dados foi o Questionário da Avaliação de
Qualidade de Vida em Crianças e Adolescentes (AUQEI – Manificat & Dazord, 1997),
em sua versão validada no Brasil por Assumpção, Kuczynski, Sprovieri e Aranha
(2000). As questões contempladas deste questionário nesta pesquisa foram: 01, 10, 11,
13, 21, 25.
Procedimentos
Após a autorização da Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco e da escola
pública do ensino médio (Secundário em Portugal) da Gerência Educacional do Recife-
Norte (uma escola de referência que atende um número alargado de alunos pré-
adolescentes e adolescentes), os participantes foram convidados a responder o
questionário de modo espontâneo, demonstraram interesse e curiosidade pelos
resultados finais. Os dados foram tratados com versão 17.0 do SPSS, porém as análises
das variáveis foram submetidas ao teste Qui-Quadrado de Kruskal-Wallis (p<. 05).
Além disso, foi utilizada também a análise SSA (Similarity Structure Analysis).
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Resultados
Nas Tabelas 1 e 2, é apresentado a Análise Fatorial dos seis itens relativos à família.
A análise demonstrou haver um só fator. O Alfa de Cronbach foi bastante alto, 76. As
correlações entre os itens apresentadas no quadro 3 foram todas positivas e bastante
altas (mínima .23 e máxima .48). Este resultado confirma a confiabilidade dos itens em
relação ao fator família detectada no AUQEI.
Tabela 1. Total da Variância Explicada da Análise Fatorial (Análises das
Componentes Principais)
Total
% da
Variância
%
Cumulativa
Total
% da
Variância
%
Cumulativa
1
2.732
45.527
45.527
2.732
45.527
45.527
2
.826
13.772
59.299
3
.738
12.295
71.595
4
.696
11.593
83.187
5
.510
8.499
91.686
6
.499
8.314
100.000
Tabela 2. Saturações fatoriais, Comunalidade e Correlação de cada item com o total dos
itens.
Itens
Diga como você se sente ...
Fator 1
Comunalidade
Correlação com o
Total dos Itens
01. à mesa junto com sua família
.690
.47
.52
10. qd vc pensa em seu pai
.583
.34
.41
11. no dia do seu aniversário
.717
.48
.52
13. qd vc pensa em sua mãe
.697
.51
.53
21. durante as férias
.742
.55
.56
25. qd vc está com os seus avós
.605
.36
.43
Nota: qd = quando; vc = você
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Tabela 3. Correlação entre os itens
Itens
Diga como você se sente ...
Q01
Q10
Q13
Q11
Q21
Q25
01. à mesa junto com sua família
1.00
10. qd vc pensa em seu pai
.343
1.000
13. qd vc pensa em sua mãe
.304
.365
1.000
11. no dia do seu aniversário
.412
.233
.405
1.000
21. durante as férias
.406
.260
.422
.485
1.000
25. qd vc está com os seus avós
.309
.262
.302
.296
.348
1.000
As Tabelas 4 e 5 abaixo apresentam as médias, desvio padrão e Qui-Quadrado
(Kruskal-Wallis) das repostas em cada questão (01,10, 11, 13, 21, 25, e Total),
referentes aos resultados, considerando as variáveis idade e sexo, respectivamente.
Enquanto não foi observada nenhuma diferença em função das várias faixas etárias,
foram encontradas diferenças significativas para as questões 11, 13, 21 e total. A média
dos participantes do sexo feminino é sempre mais alta do que os de sexo masculino, em
relação ao sentir-se bem. Mas, especificamente note-se que os escores mais altos
referem-se às raparigas no dia do seu aniversário (2.70 vs. 2.45), quando pensam na mãe
(2.67 vs. 2.46), superiorizando-se no período de férias (2.79 vs. 2.53). Ressalte-se ainda
que o escore mais alto para a QV foi o 21 (média 2.70) e o escore mais baixo foi o 10
(média 2.16) que representa menos QV.
Tabela 4. Médias, DP e Qui-quadrado (Kruskal-Wallis) das respostas em cada
questão de acordo com sexo.
Questões
Feminino
Masculino
2
Diga como você se sente
Média
DP
Média
DP
01. à mesa junto com sua família
2.47
.560
2.27
.764
2.92
10. qd vc pensa em seu pai
2.27
.868
2.24
.852
.16
11. no dia do seu aniversário
2.70
.618
2.45
.856
6.16*
13. qd vc pensa em sua mãe
2.67
.768
2.46
.873
6.56**
21. durante as férias
2.79
.597
2.53
.928
6.14*
25. qd vc está com os seus avós
2.48
.649
2.28
.816
2.95
Total
2.56
.439
2.36
.558
7.99**
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Tabela 5. Médias, DP e Qui-quadrado (Kruskal-Wallis) das respostas em cada
questão de acordo com a idade
Questões: Diga como
14
a.
15
a.
16
a.
17
a.
18
a.
14 -
18
2
vc se sente...
ME
DP
ME
DP
ME
DP
ME
DP
ME
DP
ME
DP
01. à mesa junto com sua
família
2.13
.66
2.35
.75
2.42
.59
2.34
.73
2.40
.56
2.37
.66
.61
10. qd vc pensa em seu
pai
2.36
.72
2.14
.94
2.21
.92
2.16
.99
1.98
1.0
2.16
.94
3.28
11. no dia do seu
aniversário
2.71
.57
2.52
.82
2.58
.69
2.57
.78
2.32
.9
2.54
.79
4.38
13. qd vc pensa em sua
mãe
2.52
.79
2.53
.76
2.63
.71
2.67
.76
2.53
.88
2.60
.77
4.11
21. durante as férias
2.72
.74
2.67
.80
2.71
.65
2.77
.65
2.55
.87
2.70
.72
3.84
25. qd vc está com os
seus avós
2.34
.53
2.49
.63
2.34
.81
2.35
.90
2.31
.78
2.36
.78
2.63
Total
2.47
.42
2.44
.55
2.48
.43
2.47
.56
2.34
.56
2.45
.51
3.68
Nota: 1 Muito Infeliz; 2 Infeliz; 3 Feliz; 4 Muito Feliz. Vc = Você. Qd = Quando. a. = anos. ME =
Média
É pertinente ressaltar ainda que, para verificar a relação estrutural entre os vários
itens que avaliam o bem-estar em relação a itens que dizem respeito à família e a
relação desta estrutura com as variáveis externas sexo e idade, foi computada uma
análise SSA (Similarity Structure Analysis) (ver Figura 1). Observe-se do lado direito da
projeção os três itens com médias mais altas e que apresentaram escores superiores para
os participantes do sexo feminino em relação aos participantes do sexo masculino (itens
21, 11 e 13). Nota-se também a alta proximidade dos participantes do sexo feminino
com os itens 21 e 11 (durante as férias e no dia do seu aniversário, respectivamente),
apontando como férias e aniversários são eventos particularmente importantes para se
sentir-se bem. As cinco variáveis externas idade (14, 15, 16, 17, e 18) se encontram bem
próximas entre si e próximas do item 13, “qd vc pensa em sua mãe”. Esta grande
proximidade entre os itens mostra claramente a não diferenciação da variável idade em
relação aos seis itens relativos à família.
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Figura 1. SSA dos 6 itens que avaliam o bem-estar considerando os itens
relacionados à família e relação estrutural desta com as variáveis externas sexo e
idade (e) (2-D, coeficiente de alienação .03).
Nota: depois de cada item - 1ª média sexo feminino; 2ª média sexo masculino.
Conclusão
As análises dos resultados apontam que os pré-adolescentes e adolescentes
brasileiros sentem-se melhor quando estão de férias e no dia do aniversário, uma
perspectiva de qualidade de vida mais forte no sexo feminino, da valorização da figura
materna e dos avôs. As perspectivas em relação ao pai foram inferiores. Consoante aos
resultados, a qualidade de vida é mais significativa quando os jovens sentem-se bem e,
menos significativa em relação à figura paterna.
Na adolescência, a satisfação com a qualidade de vida está relacionada com a
família, escola e grupo de pares (Barros, Colares, Gropo & Petribú, 2008). Até porque
as adversidades entre estes contextos promovem fatores de risco desmotivantes da
QV. É pertinente destacar que, em relação à família, as raparigas sentem-se melhor e
Masc
.
e
+ 25 Qd vc está com
seus avós 2.48/2.28
*
16a.
e
Fem. e
01 à mesa, junto
com sua família
2.47 / 2.27 +
+ 10 qd vc pensa em seu pai 2.27 / 2.24
+ 21 durante as férias 2.79 / 2.53*
17a.
e
14a.
e
15a.
e
+ 11 no dia do aniver. 2.70/2.45*
+ 13 qd vc pensa em sua mãe 2.67 / 2.46**
*
18a.
e
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estão mais próximas da mãe. Mas convém destacar que ambos os sexos sentem-se
mais motivados no período de férias, no dia do aniversário do que quando estão com
os familiares. Sendo mais significativo neste contexto o bem-estar junto à figura
materna e aos avôs, do que junto ao pai, isto é, as perspectivas da QV em relação ao
pai são baixas. No Brasil, a mãe assume uma representação significativa de gestora
familiar. A vulnerabilidade do contexto familiar, na égide da separação, reforça a
valorização da figura materna e do grupo de pares (Ribeiro & Souza, 2001; Bulgacov,
Cobalchini, Diório, Heilborn, 2006; Bayma-Freire, 2009). Ora, esta é uma realidade
presente nas estruturas familiares vulneráveis que interfere na qualidade de vida dos
jovens brasileiros. Na óptica de alguns autores, uma diferença marcante entre os sexos
refere-se a papéis sociais, projetos de vida e fatores relacionados com o bem-estar
(Besier, Goldbeck, Herschbach, Henrich, & Schmitz, 2007; Aznar-Farias, Schoer-
Ferreira & Silvares, 2009; Garaigordobil, 2009). Neste foco, no Brasil, as raparigas
tendem a se motivar mais para uma vida de qualidade do que os rapazes, tendo em
conta que muitos deles se envolvem precocemente com grupos de risco e passam a
sentir-se bem, valorizando perspectivas de vida inadequadas ao bem-estar. Outros
estudiosos apontam como interferentes deste processo de desenvolvimento saudável as
transformações nos contextos sociais, históricos, políticos e económicos, envolvendo
processos de identificação e de diferenciação, em relação ao grupo de pares
(Bulgacov, Cabalchini, Diório, Ribeiro & Souza, 2001). São variáveis de grande
impasse no contexto brasileiro, com influências significativas dentro da
vulnerabilidade dos jovens brasileiros mais carenciados, os quais se voltam para os
contextos de inserção de risco, sujeitos à desmotivação, baixa perspectiva de vida,
insegurança e falta de interesse por um estilo de vida de qualidade.
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Em síntese, os itens selecionados do teste AUQEI para avaliar a qualidade de vida
quanto ao fator família apresentam características psicométricas satisfatórias quando
aplicadas em uma faixa etária maior (14-18 anos). Observe-se também que nesta faixa
etária não houve diferença significativa em relação à idade para a QV, e sim, em função
do sexo. Tendo em vista, uma diferença significativa do sexo feminino em relação ao
sexo masculino. Como também, a prevalência do sentir-se bem junto à figura materna,
deixando explícito que nesta realidade o sentir-se bem junto ao pai não é significativo.
Os resultados obtidos apontam a importância de intervenção educativa, face à promoção
de fatores voltados para melhorar a QV na prevenção dos domínios afetados,
ressaltando os pontos positivos em relação à saúde e à autoestima, em prol de melhores
condições de vida.
Referências
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Recebido em 10/3/2016. Aceito 20/6/2016.
Sobre os autores e contato:
Hilda Bayma-Freire -Professora Pós-Doutora da Faculdade de Formação de Professores
da Mata Sul. Pesquisadora Científica. Coordenadora de Pesquisa Científica da
Faculdade Anchieta E-mail: hilda_freire@hotmail.com
Antonio Roazzi -Professor Titular, Depto de Psicologia. Coordenador do Núcleo de
Pesquisa em Epistemologia Experimental e Cultural (NEC). Universidade Federal de
Pernambuco. E-mail: roazzi@gmail.com