ArticlePDF Available

Cobertura Jornalísticas (De)Marcadas − A greve dos professores na mídia paranaense em 2015 (S.L. Gadini)

Authors:

Abstract

Cobertura Jornalisticas (De)Marcadas − A greve dos professores na midia paranaense em 2015Sergio Luiz GADINI (Org.)—Editorial: Estudio Texto. Ponta Grossa, Brasil.Ano: 2015Paginas: 217ISBN: 978-85-67798-52-3 [livro eletronico]
RESEÑAS
CHASQUI 133 · DICIEMBRE 2016-MARZO 2017 / RESEÑAS
417416
Cobertura Jornalísticas
(De)Marcadas − A greve dos
professores na mídia paranaense
em 2015
Sérgio Luiz GADINI (Org.)
Editorial: Estúdio Texto. Ponta Grossa, Brasil.
Año: 2015
Páginas: 217
ISBN: 978-85-67798-52-3 [livro eletrônico]
1. Um manifesto encoberto pela mídia
Em uma era de multitelas, overdose informacional, redes e perfis sociais ativas
e atuantes, nota-se uma ação avessa à mídia tradicional e suas coberturas pouco
plurais e associadas indiretamente a quem financia o modelo de negócio destas
mesmas empresas jornalísticas. O tom de diversidade de fontes, apresentação
dos fatos e dos contradizeres dos fatos passam a não ser evidenciados nas cober-
turas jornalísticas hegemônicas do  de abril de , grande ato de professores
do Paraná em favor da educação. A desmistificação de acontecimentos, caracte-
rísticas da produção midiática e perspectiva crítica da participação da mídia e
da população no ato são pautadas no livro Cobertura Jornalísticas (De)marcadas
- A greve dos professores na mídia paranaense em .
Pesquisadores reúnem na obra uma vasta apuração do que se publicou,
pautou ou produziu sobre o 29 de abril, bem como relaciona com conceitos da
comunicação importantíssimos para entender debate e esfera pública, demo-
cracia, rotinas produtivas, visibilidade midiática, valor notícia, ambiências digi-
tais e seus formatos, além dos discursos e narrativas dos meios de comunicação.
De tal forma, a publicação se coloca como única referência acadêmica organi-
zada especialmente para a temática da greve dos professores do Paraná com
discussão epistemológica atual e oportuna para estudantes de comunicação em
suas diversas habilitações, bem como ciências políticas e sociais.
A organização do livro permite ao leitor entender a lógica da imprensa no
estado do Paraná, Brasil durante um dos eventos mais impactantes daquele ano.
Para entender o 29 de abril, recorremos a um dos artigos de apresentação feita
RESEÑAS
CHASQUI 133 · DICIEMBRE 2016-MARZO 2017 / RESEÑAS
417416
pela professora paulista Denise Cogo, que destaca o massacre contra os profes-
sores que protestaram contra a aprovação de um projeto de lei (PL) que previa a
modificação da Previdência Social da categoria e colocava em risco a aposenta-
doria dos educadores.
Os professores foram violentados durante o dia da votação do projeto
na Assembleia Legislativa do Paraná, no dia 29 de abril. Também por isso a
data ficou marcada como uma ação truculenta da Polícia Militar a mando do
governo do estado sob comando do governador Beto Richa do Partido da Social
Democracia Brasileira (PSDB).
Policiais foram deslocados de todas as regiões para a capital Curitiba com o
objetivo de garantir a votação na Assembleia Legislativa do Paraná, que aprovou
o Projeto de Lei, enquanto estudantes, servidores e professores eram violenta-
dos no Centro Cívico curitibano, onde se localizam as casas públicas e, portanto,
o governo. Balas de borracha, bombas de gás e jatos de água foram os elementos
que marcaram a violência contra os manifestantes e que não foi mostrado pela
mídia local. Pessoas ficaram gravemente feridas à época e algumas denuncia-
ram o ato da polícia e do governo.
Não demorou para o fato se espalhar mundialmente, devido uma violência
jamais vista contra educadores públicos. Frente a isso, a cobertura da mídia
ficou mais visada e o livro Coberturas Jornalísticas Demarcadas além de ser
um registro pontual e necessário para a história da mídia e história social do
Paraná, coloca-se como uma das poucas publicações online e gratuitas sobre o
tema, tornando acessível a discussão do massacre pelos meioa de comunicação
com uma análise crítica e epistemológica dos assuntos que a norteiam.
Para explicitar a interconexão entre a descrição e debate conceitual do 29
de abril na mídia é ressaltada na apresentação do livro escrita pelo argentino
César Arrueta o tom geral da publicação: rigorosidade científica e compromisso
social com o empenho de pesquisadores regionais de entenderem e replicarem
cientificamente os acontecimentos que os cercam e impactam diretamente o
desenvolvimento regional:
Se aborda esta cuestión desde una mirada participativa, crítica y convergente que
busca, en esa integración, sumar perspectivas complementarias a una problemática
compleja e injusta. Así el conflicto puede entenderse, con horizonte teórico y base
empírica, desde diferentes planos: publicitario, opinión pública, entornos digitales,
movimientos sociales, prácticas periodísticas y discursos. En todos los casos, subya-
ce un interés historiográfico desde el cual se intenta asignar sentido a las prácticas
identificadas. (Arrueta, 2015, p. 7)
Arrueta quase resenha o livro e ressalta que a publicação concatena três
polos importantes para a pesquisa em comunicação: construção do campo
comunicacional, conhecimento social e integração dos pesquisadores/autores
dos artigos com a temática.
RESEÑAS
CHASQUI 133 · DICIEMBRE 2016-MARZO 2017 / RESEÑAS
419418
São 217 páginas de debate com 16 artigos, cada um deles tratando de um seg-
mento teórico ao qual o fato ocorrido em 29 de abril pode ser associado e ana-
lisado. Por falar em análises, o livro traz quanti e qualitativamente formas de
pensar, entender e debater o acontecimento noticioso e social dentro da acade-
mia. A ciência, aqui, dá suporte à construção social, elucidando algumas carac-
terísticas, bem como contrapondo outros.
Oportuno ressaltar que este deve ser o papel do pesquisador, associando à
teoria a práxis, bem como a atuação orgânica. Fica evidente durante a leitura
de ‘Coberturas jornalísticas (De)marcadas’ o engajamento com a pesquisa e com
a sociedade que a cerca. Outro importante manifesto do livro é o desafio que a
produção jornalística tem ao propor um debate social em mídias extremamente
tradicionais como jornais impressos locais, televisão e sites que se diferenciam
das críticas superficiais em rede trazidas pelos “memes” e gifs, ambos virais e
que, nesse caso representaram a perspectiva crítica do tema em contraponto ao
tempo dedicado pelas empresas jornalísticas no tratamento do mesmo assunto.
2. O off x o online
De um lado, as páginas do jornal Gazeta do Povo ou as imagens da RPC TV, que
representam um monopólio de mídia no Paraná. Do outro, o Twier e seus 
caracteres de mais manifestos do que descrição dos acontecimentos (em tempo
real), memes em redes sociais e charges como metáforas críticas do  de abril.
Outro bloco de textos presentes no livro trata do direito à comunicação e
propaganda política, o jornalismo como legitimador da memória coletiva pau-
tando uma discussão científica mais sociológica, a qual se precisa recorrer ao
refletir sobre o 29 de abril.
Também se pode aproveitar a leitura para conferir como a linguagem e o
humor digital, encontrado no formato dos memes, sugeriram crítica e olhares
mais rigorosos às ações do governo parananense, o que ao ‘viralizar’, por meio
das redes sociais proporcionou tanto abrangência nacional ao tema como uma
divulgação dinâmica e rápida. A comunicação em rede pauta, então, um dis-
curso diferenciado da mídia hegemônica e isso fica evidenciado nas análises e
delimitações feitas no livro.
A obra organizada no mesmo ano do ato de violência contra os professores
também traz uma convergência temática ao associar análise de conteúdo de
mídia, cobertura de manifestações, práticas de produção e formatação de conte-
údo. Tudo isso pode ser comparado com outras iniciativas latinas se pensarmos
que as manifestações populares ainda sofrem com a cobertura midiática tradi-
cionalizada e, muitas vezes, financiada pelo poder público.
Isadora ORTIZ DE CAMARGO
Universidade de São Paulo, Brasil / camargoisadora@yahoo.com.br
ResearchGate has not been able to resolve any citations for this publication.
ResearchGate has not been able to resolve any references for this publication.