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Abstract

Ambientes de sedimentação situados sob e na frente de geleiras (subglaciais e glácio-marginais) estão entre os sítios deposicionais mais complexos conhecidos devido aos impactos das flutuações da margem da geleira no acúmulo, erosão e deformação da pilha sedimentar. Embora depósitos formados nesses ambientes sejam escassos e pouco preservados no registro geológico pré-pleistocênico, associações de fácies e formas de leito geradas em contexto subglacial e glácio-marginal têm sido identificadas em trabalhos anteriores na porção basal do Grupo Itararé (Carbonífero da Bacia do Paraná) na região sudeste do Estado do Paraná. Entretanto, tais depósitos carecem de um detalhamento dos processos deposicionais, erosivos e deformacionais envolvidos na sua gênese, assim como do seu significado paleogeográfico no contexto de uma paleomargem glacial. Tendo em vista esse quadro, o presente trabalho consiste em uma análise de detalhe da porção basal do Grupo Itararé, onde registros de influência glacial direta são relatados. Para isso, foram visitadas cavas de extração de areia e cortes de estrada na região de Balsa Nova (PR). Perfilagem sedimentológica, análise de fácies, análise de paleocorrentes (a partir de formas de leito deposicionais e estruturas erosivas subglaciais) e análise estrutural (dobras e falhas de empurrão glaciotectônicas) compõem os métodos empregados para a realização do trabalho. O intervalo estratigráfico em questão é constituído por depósitos glácio-continentais sotopostos às fácies glácio-marinhas pensilvanianas e sobrepostos discordantemente a arenitos e folhelhos devonianos das formações Furnas e Ponta Grossa. O registro subglacial é composto por diamictitos não-estratificados, por vezes foliados, sobrepostos a pavimentos estriados e sotopostos a uma superfície estriada intraformacional de grande extensão lateral, o que permite a interpretação de verdadeiros tilitos subglaciais gerados durante um evento de avanço glacial. O registro glácio-marginal é composto por um intervalo arenoso na base caracterizado por arenitos com estratificação cruzada, diamictitos lamítico-arenosos estratificados e lentes de conglomerado maciço clasto-suportado, interpretados como fluxos de densidade concentrados a hiperconcentrados provindos de fluxos de água de degelo em um lago glacial em contato com a margem da geleira. As camadas estão deformadas por planos de cisalhamento associados à dobras de empurrão glaciotectônicas. Sobreposto a este intervalo arenoso situa-se um corpo de diamictito lamítico-arenoso foliado, interpretado como tilito de deformação, resultante de outro evento de avanço glacial. Acima deste intervalo ocorrem arenitos com estratificação cruzada e conglomerados depositados em sistemas pró-glaciais de leques subaquáticos e subordinadamente subaéreos, evidenciando assim uma fase de retração da margem da geleira. Com base na distribuição espaço-temporal do registro glaciogênico é possível assumir duas fases de avanço e recuo de geleiras para norte-noroeste e restritas à área de estudo. O presente estudo ainda está em andamento, de modo que interpretações mais robustas serão alcançadas mediante comparação com ambientes análogos da Era Glacial Cenozoica na América do Norte.

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