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Abstract

Este artigo avalia a disponibilidade de recursos necessários para criação de capacidade adaptativa em comunidades rurais do semiárido brasileiro. A pesquisa utiliza dados primários obtidos por meio de aplicação de questionários. Dada a grande extensão geográfica da região, adota-se como recorte uma amostra de comunidades rurais inseridas em áreas susceptíveis à desertificação no Estado do Ceará. A discussão é feita a partir de um sistema de indicadores definido por meio de consultas a especialistas (método Delphi) e subdividido em quatro dimensões da capacidade adaptativa: capital social, capital econômico, capital humano e capital natural, pressupondo que a capacidade adaptativa é definida pela disponibilidade de um conjunto de recursos capazes de promover o bem-estar local. A análise da distribuição dos indicadores selecionados mostra que as comunidades possuem baixos níveis de recursos necessários para adaptação, sendo que os pontos mais críticos são destacados na dimensão de capital humano. No contexto observado acredita-se que as ações governamentais que poderiam melhorar a capacidade adaptativa das comunidades rurais do semiárido em relação às secas não encontram ambiente social propício para expressarem seu potencial, sendo o maior desafio a adoção de estratégias integradas de educação e capacitação da população que atuem de forma transversal em todas as políticas voltadas para o desenvolvimento local.
R. bras. Est. Pop., Rio de Janeiro, 2016
DOI http://dx.doi.org/10.20947/S0102-30982016a0012
À espera da seca que vem:
capacidade adaptativa
em comunidades rurais do semiárido
Ansu Mancal*
Patrícia Verônica Pinheiro Sales Lima**
Ahmad Saeed Khan***
Maria Irles de Oliveira Mayorga****
Este artigo avalia a disponibilidade de recursos necessários para criação de capacidade
adaptativa em comunidades rurais do semiárido brasileiro. A pesquisa utiliza dados primários
obtidos por meio de aplicação de questionários. Dada a grande extensão geográca da região,
adota-se como recorte uma amostra de comunidades rurais inseridas em áreas susceptíveis à
deserticação no Estado do Ceará. A discussão é feita a partir de um sistema de indicadores
denido por meio de consultas a especialistas (método Delphi) e subdividido em quatro
dimensões da capacidade adaptativa: capital social, capital econômico, capital humano e
capital natural, pressupondo que a capacidade adaptativa é denida pela disponibilidade de
um conjunto de recursos capazes de promover o bem-estar local. A análise da distribuição
dos indicadores selecionados mostra que as comunidades possuem baixos níveis de recursos
necessários para adaptação, sendo que os pontos mais críticos são destacados na dimensão de
capital humano. No contexto observado acredita-se que as ações governamentais que poderiam
melhorar a capacidade adaptativa das comunidades rurais do semiárido em relação às secas não
encontram ambiente social propício para expressarem seu potencial, sendo o maior desao a
adoção de estratégias integradas de educação e capacitação da população que atuem de forma
transversal em todas as políticas voltadas para o desenvolvimento local.
Palavras-chave: Capacidade adaptativa. Vulnerabilidade climática. Políticas públicas.
* Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Universidade de São Paulo (Esalq-USP), Piracicaba-SP, Brasil
(mancalansu@yahoo.com.br).
** Universidade Federal do Ceará (UFC), Fortaleza-CE, Brasil (pvpslima@gmail.com).
*** Universidade Federal do Ceará (UFC), Fortaleza-CE, Brasil (saeed@ufc.br).
**** Universidade Federal do Ceará (UFC), Fortaleza-CE, Brasil (irlesmayorga@gmail.com).
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À espera da seca que vem: capacidade adaptativa em comunidades rurais do semiáridoMancal, A. et al.
Introdução
A seca é um dos mais complexos e menos compreendidos fenômenos climáticos,
afetando mais pessoas que qualquer outro perigo natural. Uma boa parte do planeta vai
experimentar longa e extrema situação de seca nos próximos anos. É provavelmente verda-
deira a máxima de que não exista um ano sem que esteja havendo um grave problema de
seca em algum lugar da terra (ROSENBERG, ). No atual mundo interconectado, as secas
regionais podem ter impactos globais sobre a oferta de alimentos e, consequentemente,
prejudicar a estabilidade econômica e governamental em nível mundial (STERNBERG, ).
Assim, toda a população mundial encontra-se vulnerável ao evento.
No Brasil, a seca atua regularmente no semiárido, com impactos variantes no tempo e
no espaço, em função de fatores físicos e sociais, bem como de tendências demográcas
e características geográcas (MONACELLI; GALLUCCIO; ABBAFATI, ). As consequên-
cias das secas na região são de naturezas ambiental (perda da flora e da fauna, erosão do
solo, escassez de recursos hídricos), social (desemprego, fome, processos migratórios)
e econômica (queda da produção agrícola e de setores a ela relacionados). Como se trata
de um perigo natural, a população pode reduzir seus impactos por meio de mitigação e
preparação para enfrentá-los.
As ações governamentais para mitigação dos impactos da seca no semiárido brasileiro
privilegiaram, por muitos anos, aspectos emergenciais e assistencialistas, sem um plane-
jamento estratégico. No entanto, é inconteste a existência de um cenário de mudanças na
governança da seca. Mais recentemente, a postura de combate à seca vem sendo substituída
por estratégias de convivência. A população está sendo inserida, lentamente, em processos
decisórios e adquirindo um papel de protagonismo, o qual é determinante para transfor-
mações efetivas, especialmente aquelas relacionadas à criação de capacidade adaptativa.
A preocupação com a criação de capacidade adaptativa em populações vulneráveis
não é recente, mas ganhou maior notoriedade com os debates mundiais sobre mudanças
climáticas ocorridos durante encontros internacionais, como a Conferência das Nações
Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento – Rio , Convenção Quadro sobre
Mudança Climática, Convenção sobre Diversidade Biológica, Convenção das Nações Unidas
de Combate à Deserticação e tantos outros. As projeções do Intergovernmental Panel on
Climate Change (IPCC, ) apontam para a intensicação das secas em escala global,
tanto na intensidade quanto na frequência, e também ressaltam a necessidade de dotar
a população de meios para se adaptar e conviver da melhor forma possível com a seca,
dentro de suas limitações em termos de recursos disponíveis. Cenários para o Brasil iden-
ticam a região semiárida como a mais vulnerável às mudanças esperadas, especialmente
suas áreas rurais, onde são previstas secas mais intensas e frequentes (MARENGO et al.,
). Caso as previsões se concretizem, ocorrerão empobrecimento dos solos, perda de
biodiversidade, redução na recarga de aquíferos, além da queda na produção das culturas
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À espera da seca que vem: capacidade adaptativa em comunidades rurais do semiáridoMancal, A. et al.
R. bras. Est. Pop., Rio de Janeiro, 2016
agrícolas (BARBIERI et al., ). Segundo Cedeplar e Fiocruz (), muitas áreas se
tornarão inabitáveis.
Considerando-se o quadro descrito, embora não existam estudos conclusivos sobre
relações entre dinâmica demográca e mudanças climáticas (BARBIERI, ), é aceitá-
vel pressupor que, se a população rural não estiver dotada de recursos para se adaptar
e conviver da melhor forma possível com a seca, haverá um aumento dos deslocamentos
populacionais em direção às áreas urbanas, mesmo que em uma perspectiva de longo
prazo, uma vez que os impactos das mudanças climáticas sobre as migrações tenderão a
ser pouco pronunciados até  (QUEIROZ; BARBIERI, ).
Estudos sobre a capacidade adaptativa da população rural do semiárido são perti-
nentes, considerando-se que a mesma se mostra pouco apta a enfrentar as diculdades
inerentes a cada nova seca, fato que cou evidente no biênio -, quando ocorreu
uma das maiores secas dos últimos  anos (LINDOSO, ). Admite-se que a recorrência
da seca e a certeza de que ocorrerá não têm sido sucientes para criar capacidade adapta-
tiva, tampouco intervenções pontuais de governos ou organizações não governamentais.
Tal contexto instiga uma série de questionamentos. Esse estudo centra-se em dois deles:
quais os principais recursos necessários para que a população rural adquira capacidade
adaptativa às secas? As comunidades rurais possuem os recursos demandados para cria-
ção de capacidade adaptativa? Os questionamentos colocados são complexos e requerem
estudos empíricos para sua compreensão. Nessa perspectiva, o presente artigo tem como
objetivo analisar a capacidade adaptativa de comunidades rurais do semiárido do Ceará, a
partir da disponibilidade de recursos sociais, econômicos, humanos e naturais.
Segundo Nisbet (), comunidade é uma forma de organização na qual as relações
entre os indivíduos caracterizam-se por elevado grau de intimidade, compromisso moral
e comprometimento com o bem de todos. Peixoto () complementa que a comunidade
realiza-se em grupos pequenos e com objetivos comuns, o que favorece sentimento de
solidariedade e estimula a participação nos processos decisórios. Sob essas condições, as
comunidades rurais aqui referidas podem ser entendidas como pequenas “aldeias”, em uma
área delimitada, povoadas principalmente por famílias de agricultores, onde as atividades
são realizadas em espaços individuais e comuns, geralmente gerenciados pelos chefes de
família (SABOURIN, ). A escolha de comunidades rurais como objeto de estudo tem a
pretensão de chamar atenção para a necessidade de pensar a construção de capacidade
adaptativa a partir de uma visão multidimensional e tendo como foco as condições locais
Procedimentos metodológicos
A análise da capacidade adaptativa nas comunidades rurais do semiárido foi realiza-
da em duas fases. Inicialmente, deniu-se um conjunto de recursos necessários para se
alcançar capacidade adaptativa. Em seguida, foi efetuada uma pesquisa de campo, de
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À espera da seca que vem: capacidade adaptativa em comunidades rurais do semiáridoMancal, A. et al.
modo a coletar os dados demandados para avaliação da disponibilidade de tais recursos
nas comunidades rurais. A seguir, apresenta-se a descrição dessas duas fases.
Procedimento adotado na denição dos recursos necessários para capacidade
adaptativa
No âmbito da denição, entende-se que capacidade adaptativa é a habilidade de um
dado sistema de: modicar suas características ou comportamento de forma a lidar melhor
com estresses externos previstos ou já existentes (BROOKS, ); formular e implementar
estratégias efetivas de adaptação ou reagir a perigos em evolução de forma a reduzir os
danos resultantes (BROOKS; ADGER, ); e ajustar-se às mudanças, tirar vantagens
das oportunidades e conviver com as consequências (HARLEY et al., ). Dessa forma,
a capacidade adaptativa de um sistema depende de suas condições sociais, econômicas,
humanas e naturais (GBETIBOUO; RINGLER; HASSAN, ; ANTWI-AGYEI et al., ) e
envolve, portanto, a disponibilidade de todos os tipos de recursos que podem ser mobili-
zados para se adaptar às mudanças (PROVIA, ).
Considerando-se os conceitos citados, especialmente que a capacidade adaptativa
está diretamente ligada à disponibilidade de recursos e à habilidade de alocação desses
em benecio comum dentro de um sistema, entendido aqui como comunidade rural, ado-
tou-se neste estudo que a capacidade adaptativa das comunidades rurais do semiárido é
a sua habilidade potencial de se reorganizar diante das variações e mudanças e situar-se
na melhor condição possível dentro das limitações dos recursos disponíveis, de modo a
garantir a qualidade de vida da população em períodos de seca.
A análise da capacidade adaptativa pode ser realizada de maneiras diversas, já que dife-
rentes fatores podem determiná-la, em contextos especícos (PROVIA, ). Assim, tendo
em vista que em uma comunidade rural existem recursos sociais, econômicos, humanos e
naturais e que a soma dos diferentes recursos disponíveis ou acumulados corresponde ao
capital (GROOTAERT; VAN BASTELAER, ), optou-se por analisar a capacidade adaptativa
em quatro dimensões: capital social, capital econômico, capital humano e capital natural.
A existência de capital social em uma comunidade se traduz em capacidade adaptativa,
pois proporciona condições para enfrentar mudanças. As populações dos sistemas com
alto nível de conança e extensa relação organizacional possuem maior sensibilidade em
perceber as oportunidades (KWON; ARENIUS, ). Pessoas que se envolvem em círculos
sociais e investem tempo e esforços para manter suas relações recebem mais informações
relevantes provenientes de diferentes camadas da sociedade, cando mais atentas e pre-
paradas para se ajustarem às mudanças (BHAGAVATULA et al., ).
De acordo com Sterling (), capital econômico é constituído por recursos físicos
(envolvem a capacidade produtiva das comunidades e seus meios de produção) e recur-
sos monetários (disponibilidade de dinheiro para investimentos, por exemplo). Segundo
Ungar (), o capital econômico favorece o potencial de recuperação após um período
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À espera da seca que vem: capacidade adaptativa em comunidades rurais do semiáridoMancal, A. et al.
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de seca e reduz seus impactos, uma vez que contribui para a implementação de medidas
de adaptação e sustenta o novo crescimento econômico.
O capital humano, por sua vez, permite alcançar as projeções econômicas e o bem-estar
da população pobre de forma signicativa (SCHULTZ, ). Nas comunidades rurais ex-
postas a secas, o capital humano reduz vulnerabilidades, pois oferece conhecimento para
a percepção do estresse e, em seguida, para a concepção e implementação das medidas
necessárias para o seu enfrentamento (PELLING; HIGH, ).
O conceito de capital natural compreende o estoque do ecossistema capaz de prover
bens e serviços para a humanidade e outras espécies que dele dependam (DONG et al.,
), sendo formado por quantidades acumuladas e fluxos da natureza dos quais a hu-
manidade retira materiais e energia (MEADOWS, ). A biodiversidade, a terra e a água
podem ser consideradas estoques de capital natural (EHRLICH; KAREIVA; DAILY, ). A
falta desses elementos implica ausência de bem-estar (COSTANZA et al., ) e redução
dos meios para obtenção de capacidade adaptativa.
Com base nessa associação entre capitais e capacidade adaptativa, buscou-se denir
um conjunto de recursos, tangíveis e intangíveis, necessários para a existência de capa-
cidade adaptativa em comunidades rurais expostas às secas. Inicialmente foram pré-se-
lecionados  recursos, os quais foram avaliados quanto à sua relevância por meio do
método Delphi, que consiste em uma técnica de interação estruturada, em que especialistas
são solicitados a atribuir um valor numérico (nota) a variáveis previamente selecionadas,
conforme sua relevância dentro de um dado contexto.
Não existe um número especíco de especialistas a serem consultados na metodologia
Delphi, podendo situar-se entre  e  estudiosos (NATHENS et al., ) ou variar de 
a  (GOLUCHOWICZ; BLIND, ; MANIZADE; MASON, ). Na presente pesquisa foram
contatados  especialistas, do Brasil e de outros países, cujo critério para a seleção foi
a experiência sobre capacidade adaptativa, demonstrada por meio da linha de pesquisa
informada em seus currículos e da produção bibliográca sobre o tema. Considerando-se
que os recursos pré-selecionados foram organizados em capital econômico, capital humano,
capital natural e capital social, buscou-se abranger especialistas nessas quatro dimensões.
O contato com os especialistas ocorreu por e-mail, sendo assegurado a estes o anoni-
mato. Cada especialista recebeu um formulário, com o conjunto de  recursos propostos
na sua respectiva dimensão, e foi orientado a atribuir uma nota de  a  a cada recurso,
segundo sua importância como componente da capacidade adaptativa, sendo  = sem
importância,  = pouco importante,  = importante,  = muito importante e  = extrema-
mente importante.
Após a primeira consulta, ou simplesmente “rodada”, todos os formulários respondidos
foram avaliados e, por meio de um procedimento estatístico (no caso, a denição da nota
modal), obteve-se a nota ou peso para cada um dos recursos, em sua respectiva dimensão.
Mais detalhes sobre o método encontram-se em Rand Corporation (), Palter, Macrae e Grantcharov () e Goluchowicz
e Blind ().
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À espera da seca que vem: capacidade adaptativa em comunidades rurais do semiáridoMancal, A. et al.
Em uma segunda etapa, os resultados da primeira rodada foram reportados ao painel dos
especialistas, para que examinassem as notas modais denidas e se posicionassem de
modo a concordar ou propor novo valor. Esse processo ocorreu durante cinco meses, no
primeiro semestre de , e foram necessárias quatro rodadas até obter um consenso
entre os especialistas (convergência de notas) quanto aos recursos relevantes na avaliação
da capacidade adaptativa em comunidades rurais expostas à seca.
O método Delphi agrega as vantagens de envolver um grande número de estudiosos
de diversas áreas geogracamente distintas a custos relativamente baixos, garantir a
prevalência das opiniões conjuntas, reduzindo o viés ideológico, além de permitir que os
estudiosos envolvidos na ponderação das variáveis conheçam a opinião uns dos outros,
podendo modicar ou redenir suas avaliações baseados na reação sobre o ponto de vista
do grupo (FINK et al., ; GOLUCHOWICZ; BLIND, ; PALTER; MACRAE; GRANTCHAROV,
; FREWER et al., ; MANIZADE; MASON, ). No entanto, há grande diculdade
de coordenar grandes grupos e obter resposta dos participantes por várias rodadas (FINK
et al., ). Essa diculdade foi sentida durante a pesquisa, de modo que, do total de
 especialistas, apenas  permaneceram durante as quatro rodadas. Dessa forma, seis
contribuíram para a atribuição de importância aos recursos propostos na dimensão capi-
tal econômico, quatro auxiliaram na dimensão capital humano, seis na dimensão capital
natural e dez na dimensão capital social.
No Quadro  são apresentados o conjunto de recursos necessários para a existência
de capacidade adaptativa submetido ao método Delphi, os autores que deram suporte
teórico para a seleção de tais recursos e o resultado da avaliação dos especialistas. Apenas
três dos recursos propostos não foram classicados como importante, muito importante
ou extremamente importante.
QUADRO 1
Recursos propostos para a análise da capacidade adaptativa, autores que forneceram a fundamentação
teórica para sua seleção e importância atribuída ao nal do método Delphi
Dimensões e recursos ou meios necessários para
existência de capacidade adaptativa Fundamentação
teórica
Importância do recurso
conforme consenso entre
especialistas participantes
do método Delphi
Capital social
Quantidade de organizações sociais Baum e Ziersch
(2003), Pawar
(2006),
Leonard, Croson e
Oliveira (2010)
Extremamente importante
Frequência dos moradores às reuniões da associação Muito importante
Proporção da população que participa nas associações Extremamente importante
Proporção da população que é beneciada pelas ações
conjuntas Extremamente importante
Conança entre os membros da comunidade Baum e Ziersch
(2003), Leonard,
Croson e Oliveira
(2010), Kwon,
Heflin e Ruef
(2013)
Extremamente importante
Acesso à informação Extremamente importante
Tempo reservado pelas famílias para atividades
comunitárias Importante
(continua)
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Dimensões e recursos ou meios necessários para
existência de capacidade adaptativa Fundamentação
teórica
Importância do recurso
conforme consenso entre
especialistas participantes
do método Delphi
Extensão territorial das organizações
Leonard, Croson e
Oliveira (2010)
Pouco importante
Acesso a bens públicos Muito importante
Existência de contribuição nanceira para ajuda em
trabalhos voluntários Pouco importante
Incetivo à formação das redes organizacionais Importante
Ocorrência de festivais comunitários ou eventos culturais Importante
Bom relacionamento entre os membros da comunidade Extremamente importante
Existência de manifestação religiosa Muito importante
Existência de atividades entre comunidades Extremamente importante
Ausência de conflitos entre as famílias da comunidade Grootaert e Van
Bastelaer (2001)
Muito Importante
Experiência em lidar com problemas comunitários Muito importante
Distribuição equitativa dos recursos disponíveis entre os
moradores da comunidade Blanco e Grier
(2012) Extremamente importante
Capital econômico
Renda média familiar suciente para o sustento da família Kwon, Heflin e
Ruef (2013), Kwon
e Arenius (2010),
Robb e Fairlie
(2007)
Extremamente importante
Criação de novas empresas Pouco importante
Existência de atividades não agrícolas Alves e Paulo
(2012) Importante
Acesso a crédito
Grootaert e Van
Bastelaer (2001),
Li e Ferreira (2011),
Akudugu (2011)
Importante
Investimento em atividades produtivas
Grootaert e Van
Bastelaer (2001),
Blanco e Grier
(2012)
Muito importante
Adoção de tecnologias nos processos produtivos Unger et al. (2011),
Blanco e Grier
(2012) Muito importante
Acesso a bens duráveis na comunidade (TV, carro,
utensílios domésticos, etc.) Gong, Li e Wang
(2012) Importante
Infraestrutura de transporte Ungar (2011) Muito importante
Assimetria de informações sobre crédito e mercado
(acesso a informações) Swinnen e Gow
(1999)
Importante
Lucratividade das atividades econômicas da comunidade Muito importante
Capital humano
Nível de escolaridade da maioria dos moradores da
comunidade condizente com sua faixa etária
Becker (1993),
Davidsson e Honig
(2003), Kwon e
Arenius (2010),
Akudugu (2011),
Bastié, Cieplay
e Cussy (2013),
Hanushek (2013),
Kwon, Heflin e
Ruef (2013), Olson
(2013)
Muito importante
(continuação)
(continua)
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À espera da seca que vem: capacidade adaptativa em comunidades rurais do semiáridoMancal, A. et al.
Dimensões e recursos ou meios necessários para
existência de capacidade adaptativa Fundamentação
teórica
Importância do recurso
conforme consenso entre
especialistas participantes
do método Delphi
Qualicação dos moradores da comunidade para atender
às exigências do mercado de trabalho Becker (1993),
Nichols (1999),
Davidsson e
Honig (2003),
Bhagavatula et al.
(2010), Akudugu
(2011), Bastié,
Cieplay e Cussy
2013), Olson
(2013)
Extremamente importante
Participação dos moradores em eventos informativos Importante
Experiência em administração dos trabalhos
(comunitários) Importante
Existência de infraestruturas de capacitação (local para
atividades de formação, equipamentos de informática) Grootaert e Van
Bastelaer (2001),
Wolf-Powers
(2008), Hanushek
(2013)
Muito importante
Existência de programas de capacitação de professores,
formadores e líderes da comunidade Muito importante
Investimento em capacitação Becker (1993),
Unger et al. (2011)
Muito importante
Planejamento para a implementação de medidas de
convivência com as secas e combate à deserticação Extremamente importante
Demanda por trabalho qualicado Wolf-Powers (2008) Extremamente importante
Conhecimento de fontes de informações especícas sobre
a sua principal atividade econômica Nichols (1999) Extremamente importante
Conhecimento sobre a qualidade do solo na comunidade
(profundidade, fertilidade, etc.)
Haygarth e Ritz
(2009), Powlson et
al. (2011) Muito importante
Capital natural
Área destinada às famílias Akudugu (2011) Muito importante
Fonte de água para consumo humano direto e para
produção
Meadows (1998),
Deponti, Eckert e
Azambuja (2002),
OECD (2003)
Extremamente importante
Área com cobertura natural conservada ou existência de
área florestal na comunidade
Meadows (1998),
Bossel (1999),
OECD (2003),
PNUMA (2004),
Heink e Kowarik
(2010), Moldan,
Janousková e Hák
(2012)
Extremamente importante
Existência de área degradada Proposta deste
estudo Extremamente importante
Existência de qualidade da água disponível para consumo
e produção
Meadows (1998),
PNUMA (2004),
Golusin e Ivanovic
(2009)
Extremamente importante
Existência de área em condições de uso para atividades
agropecuárias UN (2001) Muito importante
Existência de vegetação nativa Lima et al. (2009) Extremamente importante
Existência de animais e aves nativos Proposta deste
estudo Extremamente importante
Investimento em atividades de conservação dos recursos
naturais Bakker (2012)
Extremamente importante
Monitoramento de fontes de água (reservatórios) Muito importante
Conservação da água Extremamente importante
(continuação)
9
À espera da seca que vem: capacidade adaptativa em comunidades rurais do semiáridoMancal, A. et al.
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Após a denição dos recursos relevantes para a criação de capacidade adaptativa,
partiu-se para a segunda e principal fase da pesquisa: a análise da capacidade adaptativa
das comunidades rurais, com base na disponibilidade de recursos.
Procedimento adotado na avaliação da disponibilidade de recursos necessários para
capacidade adaptativa nas comunidades rurais do semiárido
A avaliação das comunidades rurais do semiárido quanto à disponibilidade de recursos
necessários para capacidade adaptativa foi feita a partir de caminhadas transversais e da
coleta de dados em pesquisa de campo. Segundo o Instituto Nacional do Semiárido (INSA,
), a extensão territorial da região semiárida é de ., km, com população
de .. habitantes, em . Dada tal abrangência, foi adotado um recorte cor-
respondente às comunidades rurais inseridas nas três Áreas Susceptíveis à Deserticação
(ASDs) do Ceará – Irauçuba/Centro Norte, Inhamuns e Jaguaribe –, distribuídas em 
municípios do estado. Esse recorte é aceitável, pois as comunidades rurais do semiárido
guardam semelhanças entre si, especialmente quanto às condições socioeconômicas
locais e vulnerabilidade às secas.
O número total de comunidades inseridas nas três ASDs foi estimado em ., a partir
da contagem das localidades constantes nos mapas municipais (CEARÁ, ) e consultas
à Secretaria de Agricultura de cada município. Foram excluídos os sítios, as fazendas e as
áreas urbanas. No entanto, a pesquisa de campo foi realizada em uma amostra de 
comunidades, sendo este número denido por meio de procedimento estatístico sugerido
por Fávero et al. (). A técnica de amostragem aleatória estraticada proporcional foi
adotada para denir o número de comunidades pesquisadas em cada ASD e município.
Os estratos encontram-se representados na Tabela .
A coleta dos dados foi feita pessoalmente, nas  comunidades rurais durante agosto
e setembro de . Em cada uma delas buscou-se entrevistar um representante, morador.
A escolha do representante foi feita a partir da indicação dos moradores da comunidade e
dos técnicos da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce). Na
maioria das vezes a pessoa indicada foi o líder comunitário e a aplicação do formulário foi
feita na residência do mesmo.
Cada representante da comunidade foi convidado a responder a um formulário elabo-
rado com base no conjunto de recursos apresentado no Quadro , considerando apenas
aqueles classicados como importantes, muito importantes e extremamente importantes.
Antes da entrega do formulário, cada entrevistado foi informado de que as respostas deve-
riam ser dadas em relação à condição do recurso dentro da comunidade, daí a importância
de o mesmo conhecer bem a realidade local. Além disso, foi realizada uma descrição prévia
As caminhadas transversais são uma técnica de coleta de dados. Elas possibilitam uma caracterização rápida do sistema em
estudo (GUZMAN, ). Na presente pesquisa as caminhadas transversais foram realizadas em cada uma das comunidades
visitadas, na presença de um morador que auxiliou no esclarecimento das dúvidas do pesquisador quanto a peculiaridades
locais. Durante o percurso foram anotadas informações sobre características socioeconômicas e ambientais.
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À espera da seca que vem: capacidade adaptativa em comunidades rurais do semiáridoMancal, A. et al.
dos recursos abordados no formulário, com o propósito de eliminar quaisquer dúvidas
durante o preenchimento do mesmo.
TABELA 1
Total de comunidades e tamanho da amostra nos estratos pesquisados, conforme amostragem aleatória
estraticada proporcional das comunidades rurais inseridas em municípios das Áreas Susceptíveis à
Deserticação – ASD do Estado do Ceará
ASD Municípios
(estratos) Total de
comunidades Comunidades
amostradas
Inhamuns
Tauá 196 21
Arneiroz 132 18
Independência 387 51
Irauçuba/Centro Norte
Canindé 391 7
Sobral 184 23
Santa Quitéria 313 40
Miraíma 49 6
Irauçuba 77 10
Itapajé 48 4
Jaguaribe
Alto Santo 55 7
Morada Nova 132 17
Jaguaribe 159 22
Jaguaretama 139 12
Jaguaribara 23 3
Total 14 2.285 241
Fonte: Elaborada a partir de dados extraídos de Ceará () e coletados nas Secretarias Municipais de Agricultura.
O formulário foi dividido em cinco seções: na primeira, foram formuladas perguntas so-
bre as características socioeconômicas da comunidade e, nas quatro seguintes, buscou-se
captar a situação das comunidades quanto à disponibilidade de recursos nas dimensões
capital social, capital econômico, capital humano e capital natural, respectivamente. Para
cada uma das perguntas sobre disponibilidade de recursos, solicitou-se ao entrevistado
que atribuísse uma nota entre  e , sendo:  = ausência do recurso na comunidade;
 = recurso encontra-se em situação muito ruim;  = recurso encontra-se em situação ruim;
 = recurso encontra-se em situação regular;  = recurso encontra-se em situação boa; e
 = recurso encontra-se em situação muito boa. No contexto da pesquisa de campo admi-
tiu-se que, quanto maior a quantidade de recursos avaliados nas situações boa e muito
boa, notas  e , respectivamente, melhor é a capacidade adaptativa da comunidade rural.
Resultados e discussão
Caracterização socioeconômica das comunidades rurais visitadas
A capacidade adaptativa das comunidades rurais é mais bem entendida quando são
conhecidas as características sociais e econômicas locais que determinam como ocorrem
a sobrevivência neste meio e as diferentes formas de adaptação, as quais podem ser ape-
nas de ajustamento das atividades produtivas, até mudanças completas nas atividades
11
À espera da seca que vem: capacidade adaptativa em comunidades rurais do semiáridoMancal, A. et al.
R. bras. Est. Pop., Rio de Janeiro, 2016
econômicas. Assim, antes de apresentar os resultados referentes aos indicadores de
capacidade adaptativa, será feita uma sucinta caracterização das comunidades visitadas.
Como mencionado anteriormente, as informações sobre essa caracterização foram cole-
tadas durante as caminhadas transversais e por meio da análise dos dados obtidos via
formulário respondido pelos representantes das comunidades.
As comunidades rurais selecionadas na amostra apresentam tamanhos variados,
sendo compostas, em média, por  famílias. A maioria delas tem mais de  anos de
existência. No âmbito da capacidade adaptativa, comunidades mais antigas tendem a ser
mais experientes em função do maior período de exposição ao fenômeno das secas. De
acordo com Brooks (), um dos fatores cruciais para uma adaptação bem-sucedida é
o tempo de convivência com o problema. A realidade observada in loco fundamenta dire-
trizes no sentido de formação de parcerias, de modo que as mais novas aprendam com
as mais velhas formas de adaptação que levem a uma melhor qualidade de vida e, em
conjunto, busquem encontrar os erros nas medidas já adotadas e soluções mais ecientes
e ecazes. Segundo Nohrstedt e Nyberg (), o desenvolvimento contínuo de políticas
de planejamento e ações locais de mitigação aumenta as chances de respostas efetivas
em relação aos impactos dos fenômenos naturais, sendo a colaboração, a aprendizagem
e o efeito difusão inerentes aos eventos passados e às políticas adotadas nas vizinhanças
importantes precursores do desenvolvimento.
As comunidades visitadas têm, em média, duas organizações sociais, o que é um ponto
positivo dado que a ausência das organizações sociais constitui uma limitação quando a
adaptação exige ação conjunta, de forma a possibilitar a maximização da captação dos
benefícios resultantes de diferentes camadas organizacionais (por exemplo, grupo de mu-
lheres e grupo de jovens). Isso é observado, principalmente, no que se refere à capacidade
de criação conjunta de alternativas no enfrentamento do fenômeno das secas. Por outro
lado, a ausência de associações não impede a adoção de medidas adaptativas individuais,
como, por exemplo, a decisão de plantio de espécies mais resistentes, a construção de
cisternas e a implementação de quintais produtivos.
De modo geral, as ASDs no Estado do Ceará apresentam condições adversas, como
solos pouco férteis e irregularidades de chuvas (CEARÁ, ). Essas características também
foram observadas nas comunidades visitadas, durante as caminhadas transversais. Apesar
disso, verica-se uma concentração de atividades econômicas na agropecuária – com
,% das comunidades tendo neste setor sua principal fonte de renda – exercidas com
baixo nível de adoção tecnológica e práticas produtivas pouco sustentáveis (queimadas e
sobrepastoreio, por exemplo). A falta de capacitação e a baixa escolaridade, além da baixa
renda, parecem contribuir para o baixo nível tecnológico nas comunidades rurais visitadas.
As tecnologias modernas são vericadas nos casos em que as autoridades governamentais
as distribuem. Observou-se que a maioria das comunidades utiliza sementes geneticamente
melhoradas provenientes de um programa governamental de distribuição de sementes,
mas essa porcentagem diminui bastante quando se considera o uso de outras tecnologias
12 R. bras. Est. Pop., Rio de Janeiro, 2016
À espera da seca que vem: capacidade adaptativa em comunidades rurais do semiáridoMancal, A. et al.
agrícolas de nível intermediário, as quais não possuem um amplo apoio governamental,
tais como tratores, implementos agrícolas ou sistemas de irrigação.
Apenas ,% dos representantes das comunidades armaram que são realizadas
análises de solo pelas famílias antes da aplicação de fertilizantes. Complementando,
somente % conrmaram a prática de análise do solo para determinação de que tipo de
defensivo agrícola deve ser adicionado nos plantios. Observou-se que existem dicul-
dades de inserção no mercado e baixos níveis de competitividade entre os produtores
das comunidades visitadas. As atividades não agrícolas, caso do artesanato, podem ser
interpretadas como medidas de adaptação, mas não apresentam grande signicância na
geração de renda nas comunidades visitadas. Um ponto a ser destacado é que, em ,%
das comunidades visitadas, o Programa Bolsa Família é a principal fonte de renda das
famílias, o que demonstra, por um lado, o baixo potencial produtivo local e, por outro, a
presença de políticas sociais, as quais parecem provocar efeitos mais concretos do que as
tradicionais políticas de combate às secas (OJIMA, ).
Sobre a existência de recursos naturais, apesar das secas recorrentes e dos proces-
sos de deserticação, ,% das comunidades armaram não ter problemas de acesso à
água, o qual se resume à disponibilidade de água para consumo humano e manutenção
de um pequeno rebanho destinado à subsistência das famílias. Aquelas que apresentam o
problema buscam solucioná-lo de diferentes formas. O carro pipa é a principal opção, mas
vale salientar que existe uma solução combinada entre cisternas, para garantir o espaço
de armazenamento, e carros pipa, que proporcionam o abastecimento. Porém, mesmo com
um largo fornecimento público de água por meio de carros pipa, algumas comunidades se
abastecem com recursos próprios. A ação antrópica, observada nas comunidades especial-
mente por meio de práticas de desmatamento, queimadas e criação extensiva de animais,
tem reduzido a oferta dos recursos naturais locais e comprometido a fertilidade do solo.
Disponibilidade de recursos necessários para capacidade adaptativa nas comunidades
rurais do semiárido
Uma visão geral das comunidades mostrou baixos níveis de recursos sociais, econô-
micos, humanos e naturais. Essa impressão inicial foi corroborada na análise dos dados
coletados durante a pesquisa de campo. A referida análise, além de descrever a situação
do recurso quanto à sua disponibilidade na comunidade, permitiu apontar as prioridades
a serem consideradas em processos de tomada de decisão voltados para a construção da
capacidade adaptativa nas ASDs. Foram considerados prioridades aqueles recursos ava-
liados como em situação no máximo regular por mais de % das comunidades visitadas.
McLeman () argumenta que a construção de capacidade adaptativa tende a
mudar com o tempo em função da criação de redes e de capital social, de um modo geral.
No entanto, é elevado o percentual de comunidades cuja disponibilidade de recursos de
capital social encontra-se em uma situação no máximo regular. Esse padrão foi percebido
em  dos  recursos avaliados. Apenas dois recursos mostraram-se em condição boa
13
À espera da seca que vem: capacidade adaptativa em comunidades rurais do semiáridoMancal, A. et al.
R. bras. Est. Pop., Rio de Janeiro, 2016
ou muito boa em mais de % das comunidades visitadas: “número de organizações” e
“relacionamento entre os membros da comunidade” (Tabela ).
O fato de a maioria dos recursos não apresentar boa ou muito boa disponibilidade
mostra a necessidade de ações voltadas para a geração de capital social. Nesse sentido,
os resultados indicam como prioridades a criação de incentivos para formação de redes
organizacionais (uma vez que em ,% das comunidades visitadas a situação deste re-
curso é, no máximo, regular) e o aumento no “tempo reservado a atividades comunitárias
(avaliado como no máximo regular em ,% das comunidades).
TABELA 2
Distribuição de comunidades rurais, por situação da disponibilidade de recursos necessários para
capacidade adaptativa na dimensão capital social
Áreas Susceptíveis à Deserticação – ASD do Ceará – 2014
Em porcentagem
Recursos Ausência Muito
ruim Ruim Regular Boa Muito
boa Total
Quantidade de organizações
sociais 11,6 7,1 6,6 17,8 39,0 17,8 100,0
Frequência dos moradores às
reuniões da associação 6,2 9,5 13,7 36,5 26,6 7,5 100,0
Proporção da população que
participa nas associações 5,8 11,2 10,0 31,1 34,9 7,1 100,0
Proporção da população que é
beneciada das ações conjuntas 7, 9 7, 9 12,4 24,1 38,2 9,5 100,0
Conança entre os membros da
comunidade 0,8 3,7 12,0 36,1 39,0 8,3 100,0
Acesso à informação 4,6 9,1 18,7 30,3 26,6 10,8 100,0
Tempo reservado pelas famílias
para atividades comunitárias 15,8 7,9 24,1 31,1 17,8 3,3 100,0
Acesso a bens públicos 22,4 7,1 10,8 21,2 29,0 9,5 100,0
Incentivo à formação das redes
organizacionais 15,8 12,4 20,3 34,0 15,4 2,1 100,0
Ocorrência de festivais
comunitários ou eventos culturais 18,7 10,0 15,4 21,2 24,9 10,0 100,0
Bom relacionamento entre os
membros da comunidade 0,8 5,0 10,8 32,4 41,5 9,5 100,0
Existência de manifestação
religiosa 7,5 5,0 12,4 27,0 32,8 15,4 100,0
Existência de atividades entre
comunidades 10,0 10,0 14,9 27,0 33,2 5,0 100,0
Ausência de conflitos entre as
famílias da comunidade 13,3 6,3 17,9 27,5 2 7,1 7, 9 100,0
Experiência em lidar com
problemas comunitários 5,4 6,2 15,8 31,1 35,3 6,2 100,0
Distribuição equitativa dos
recursos disponíveis entre os
moradores da comunidade 3,7 5,8 16,2 29,0 33,6 11,6 100,0
Total de recursos avaliados
com disponibilidade “boa” ou
“muito boa”, em mais de 50%
das comunidades visitadas
12,5
Fonte: Elaboração a partir dos dados da pesquisa de campo.
14 R. bras. Est. Pop., Rio de Janeiro, 2016
À espera da seca que vem: capacidade adaptativa em comunidades rurais do semiáridoMancal, A. et al.
A partir da Tabela , nota-se que a dotação de recursos econômicos é, no máximo,
regular na maioria das comunidades visitadas. Os dados refletem as condições observadas
in loco, quais sejam: baixa renda; baixos níveis de investimentos; falta de infraestrutura de
transporte para escoamento da produção; baixos níveis tecnológicos; e reduzida adoção
de atividades não agrícolas. Essas últimas deveriam receber maiores estímulos haja vista
as limitações climatológicas locais. De acordo com Nfgeld (), a maioria dos esforços
de adaptação em relação aos fenômenos climáticos deve ser desenvolvida em nível local,
no entanto, não existe uma reflexão para construir soluções próprias, como o desenvol-
vimento de outras atividades não agrícolas que possam amenizar os impactos negativos
das secas. As intervenções relativas ao apoio a atividades econômicas nas comunidades
se direcionam quase que exclusivamente à implementação de práticas agrícolas baseadas
na irrigação, distribuição de sementes melhoradas e seguro safra. Nota-se que o governo é
o principal protagonista, favorecendo que as mesmas soluções emergenciais se apresen-
tem como medidas que devem permanecer por tempo indeterminado enquanto houver as
secas. Em condições de vulnerabilidade às secas, as atividades não agrícolas devem ser
vistas como fontes alternativas de renda familiar, sendo esperadas ações que promovam
a expansão dos mercados para absorção dos produtos resultantes dessas atividades a
preços estimulantes.
TABELA 3
Distribuição de comunidades rurais, por situação da disponibilidade de recursos necessários para
capacidade adaptativa na dimensão capital econômico
Áreas Susceptíveis à Deserticação – ASD do Ceará – 2014
Em porcentagem
Recursos Ausência Muito
ruim Ruim Regular Boa Muito
boa Total
Renda média familiar suciente
para o sustento da família 3,3 12,9 30,3 42,7 9,5 1,2 100,0
Existência de atividades não
agrícolas 27,8 17,4 21,6 24,9 6,6 1,7 100,0
Acesso a crédito 8,3 7,5 17,0 28,6 32,0 6,6 100,0
Investimento em atividades
produtivas 11,2 14,1 22,0 33,2 17,4 2,1 100,0
Adoção de tecnologias nos
processos produtivos 30,3 16,6 25,3 21,2 6,2 0,4 100,0
Acesso a bens duráveis na
comunidade (TV, carro, utensílios
domésticos, etc.) 2,9 7,1 9,5 33,2 39,8 7, 5 100,0
Infraestrutura de transporte 22,8 13,3 22,8 22,0 17,0 2,1 100,0
Acesso a informações sobre
crédito e mercado 20,3 13,7 19,9 28,6 14,1 3,3 100,0
Lucratividade das atividades
econômicas da comunidade 6,2 13,3 27,4 39,0 11,6 2,5 100,0
Total de recursos avaliados
com disponibilidade “boa” ou
“muito boa”, em mais de 50%
das comunidades visitadas
0,0
Fonte: Elaboração a partir dos dados da pesquisa de campo.
15
À espera da seca que vem: capacidade adaptativa em comunidades rurais do semiáridoMancal, A. et al.
R. bras. Est. Pop., Rio de Janeiro, 2016
Outro fator prioritário é a difusão de tecnologias, dado que em ,% das comunida-
des não são adotadas tecnologias nos processos produtivos. Nesse sentido, ressalta-se
a importância de ações integradas com promoção de capital humano e fortalecimento de
serviços de assistência técnica.
Na dimensão capital humano (Tabela ), os pontos mais frágeis são o baixo nível de
investimento em capacitação e, como consequência, o nível de capacitação da população
e sua capacidade de planejamento.
TABELA 4
Distribuição de comunidades rurais, por situação da disponibilidade de recursos necessários para
capacidade adaptativa na dimensão capital humano
Áreas Susceptíveis à Deserticação – ASD do Ceará – 2014
Em porcentagem
Recursos Ausência Muito
ruim Ruim Regular Boa Muito
boa Total
Nível de escolaridade da maioria dos
moradores da comunidade condizente com
sua faixa etária 1,2 7,5 17,0 40,2 30,7 3,3 100,0
Qualicação dos moradores da comunidade
para atender às exigências do mercado de
trabalho 18,7 11,2 17,4 25,3 23,7 3,7 100,0
Participação dos moradores em eventos
informativos 14,1 12,4 23,2 28,6 19,1 2,5 100,0
Experiência em administração dos trabalhos
(comunitários) 7,9 12,9 16,2 31,5 28,2 3,3 100,0
Existência de infraestruturas de capacitação
(local para atividades de formação,
equipamentos de informática) 32,8 12,4 14,5 21,2 15,4 3,7 100,0
Existência de programas de capacitação
de professores, formadores e líderes da
comunidade 31,1 8,7 20,3 18,7 18,7 2,5 100,0
Investimento em capacitação 30,3 16,6 19,1 21,6 10,0 2,5 100,0
Planejamento para a implementação de
medidas de convivência com as secas e
combate à deserticação 21,6 13,3 24,9 21,2 16,2 2,9 100,0
Demanda por trabalho qualicado 14,9 14,9 26,1 27,8 13,7 2,5 100,0
Conhecimento de fontes de informações
especícas sobre a sua principal atividade
econômica 17,0 14,1 24,9 27,4 14,1 2,5 100,0
Conhecimento sobre a qualidade do solo na
comunidade (profundidade, fertilidade, etc.) 14,1 14,5 16,2 29,0 21,2 5,0 100,0
Total de recursos avaliados com
disponibilidade “boa” ou “muito boa”, em
mais de 50% das comunidades visitadas 0,0
Fonte: Elaboração a partir dos dados da pesquisa de campo.
A simples existência de capital social não resolve os problemas locais, mas a sua
combinação com outros capitais, em especial humano e econômico, pode contribuir para
a melhoria das condições socioeconômicas (MOREIRA, ). A combinação vericada nas
comunidades visitadas pode, por exemplo, limitar o poder de transformação do capital
social. Acrescente-se, ainda, que é uma constatação explícita a importância do capital
humano na eciência da técnica e na produtividade dos fatores. Os impactos negativos
16 R. bras. Est. Pop., Rio de Janeiro, 2016
À espera da seca que vem: capacidade adaptativa em comunidades rurais do semiáridoMancal, A. et al.
de baixos níveis de capital humano podem se estender à deterioração do capital natural
devido ao manejo inadequado dos recursos naturais.
As comunidades rurais no semiárido brasileiro foram criadas sem que houvesse preocu-
pação com a existência de condições naturais que permitissem sua sustentabilidade social,
econômica e ambiental (PEREIRA, ). Assim, os resultados observados nas comunidades
visitadas não são surpreendentes. Como exposto na Tabela , entre os recursos analisados,
há maior fragilidade nas atividades ligadas à conservação de recursos naturais e manejo
do solo. Dessa forma, as ações prioritárias devem ser voltadas para o manejo e monitora-
mento dos recursos naturais e investimento em atividades de conservação destes recursos.
De modo geral, as comunidades rurais apresentam baixa dotação de recursos. Essa
condição pode levar à redução do potencial de capacidade adaptativa, pois constitui-se
uma falha nos mecanismos de adaptação, o que, segundo Barbieri (), representa um
fator de vulnerabilidade e um risco à reprodução da população
TABELA 5
Distribuição de comunidades rurais, por situação da disponibilidade de recursos necessários para
capacidade adaptativa na dimensão capital natural
Áreas Susceptíveis à Deserticação – ASDs do Ceará – 2014
Em porcentagem
Recursos Ausência Muito
ruim Ruim Regular Boa Muito
boa Total
Área destinada às famílias 2,5 8,3 13,7 33,6 33,2 8,7 100,0
Fonte de água para consumo humano
direto e para produção 11,6 11,6 14,9 27,8 22,8 11,2 100,0
Área com cobertura natural conservada
ou existência de área florestal na
comunidade 30,3 11,2 15,4 19,5 19,9 3,7 100,0
Existência de área degradada 11,2 14,9 19,1 29,9 22,4 2,5 100,0
Existência de qualidade da água
disponível para consumo e produção 4,6 9,1 16,6 29,5 28,2 12,0 100,0
Existência de área em condições de
uso para atividades agropecuárias 0,8 7, 5 12,0 34,0 36,5 9,1 100,0
Existência de vegetação nativa 3,7 5,8 17,0 32,8 32,8 7,9 100,0
Existência de animais e aves nativos 4,6 8,3 15,8 41,1 25,7 4,6 100,0
Investimento em atividades de
conservação dos recursos naturais 24,9 14,1 18,3 26,1 14,5 2,1 100,0
Monitoramento das fontes de água
(reservatórios) 18,7 11,6 16,2 24,1 20,3 9,1 100,0
Conservação da água 18,7 19,1 20,7 18,3 18,3 5,0 100,0
Total de recursos avaliados com
disponibilidade boa ou muito boa,
em mais de 50% das comunidades
visitadas
0,0
Fonte: Elaboração a partir dos dados da pesquisa de campo.
A escassez de recursos nas comunidades, no entanto, não é determinada pela ocor-
rência de secas, embora seja alimentada por uma condição cíclica que ganha força a cada
novo período de seca, reduzindo os meios para obtenção de renda e agravando a pobreza.
17
À espera da seca que vem: capacidade adaptativa em comunidades rurais do semiáridoMancal, A. et al.
R. bras. Est. Pop., Rio de Janeiro, 2016
A escassez de recursos econômicos, aliada a baixos níveis de capital humano, diculta o
acesso a tecnologias adaptadas. As atividades produtivas perdem produtividade. Para
compensar tal perda, a exploração dos recursos naturais torna-se cada vez mais intensiva,
comprometendo a qualidade da água e facilitando processos erosivos, desmatamentos,
perda da vegetação nativa e da fauna, redução de rebanho por falta de alimentação animal
e aumento de pragas. As perdas dos recursos naturais provocam deterioração da qualidade
de vida dos moradores causada pela redução de possibilidade de obtenção de renda e
alimentos e estimulam os processos migratórios. Como agravante, a falta de envolvimento
da sociedade na ruptura desse processo enfraquece os esforços de adaptação e contribui
para a manutenção do quadro de vulnerabilidade às secas.
Considerando-se os cenários para os impactos das secas apresentados nos estudos de
Marengo et al. (), Cedeplar e Fiocruz () e Barbieri et al. (), torna-se premente
a implementação de políticas de geração de recursos que proporcionem as condições ne-
cessárias para aumentar a capacidade adaptativa às secas e para a xação da população
rural do semiárido em seu ambiente. No que diz respeito a esse último aspecto, ressalta-se
que as estratégias de proteção social explicam melhor os movimentos migratórios do que
a própria ocorrência de secas (OJIMA; COSTA; CALIXTA, ).
Considerações nais
Este artigo ressalta a importância da disponibilidade de recursos para a criação de
capacidade adaptativa. A partir da ideia de que é possível conviver com a seca, desde que
existam recursos, o estudo contribui para o debate sobre capacidade adaptativa sob duas
perspectivas: a acadêmica e a governamental.
Na perspectiva acadêmica, o artigo se enquadra em um contexto no qual pesquisadores
de diferentes partes do mundo estão empenhados em analisar a capacidade adaptativa
às mudanças climáticas. Apesar da crescente produção cientíca sobre a temática, ainda
são raros os estudos que abordam a questão na perspectiva dos capitais. Quando o fazem,
não costumam analisar simultaneamente os quatro capitais: social, econômico, humano e
natural. A abordagem aqui apresentada permite uma percepção abrangente do conceito de
capacidade adaptativa e instiga um tratamento multidimensional para o termo. A importância
de um olhar multidimensional na avaliação de capacidade adaptativa foi respaldada pelos
especialistas. No entendimento deles, interpretado pelas notas atribuídas no método Delphi,
embora os impactos primários das secas recaiam sobre os capitais natural e econômico, os
recursos das dimensões capital social e capital humano também são relevantes.
Outra demanda existente quanto a estudos sobre capacidade adaptativa de populações
é a produção de conhecimento em escala local. Assim, o artigo contribui com a proposição
de um conjunto de recursos (que podem ser perfeitamente compreendidos como indicado-
res), com fundamentação teórica e o respaldo de especialistas, que podem ser facilmente
adaptados para outros estudos.
18 R. bras. Est. Pop., Rio de Janeiro, 2016
À espera da seca que vem: capacidade adaptativa em comunidades rurais do semiáridoMancal, A. et al.
Na perspectiva governamental, trata-se de mais uma argumentação no sentido de
desconstruir uma postura de enfrentamento das secas cujo alicerce é o pensamento
determinista que associa os problemas da população rural às condições climáticas. Esse
pensamento faz com que, ainda hoje, o discurso das secas seja elemento direcionador de
políticas públicas para o semiárido brasileiro (OJIMA, ).
Hoje as secas não conseguem mais provocar fome e processos migratórios nas comu-
nidades rurais do semiárido brasileiro, com a intensidade vericada até meados do século
XX. Porém, isso não signica que a população encontra-se adaptada. Os impactos das
secas foram atenuados, o que pode ter ocorrido mais por programas assistenciais e menos
pela implementação de estratégias de convivência com o fenômeno. No caso especíco
das comunidades rurais visitadas, foi possível perceber que a população não possui os
recursos importantes para sua adaptação ou para “esperar a seca que vem”.
Ao destacar a escassez de recursos nas comunidades, o artigo chama a atenção para
o fato de que, sem a implementação de ações prioritárias para a geração de recursos, não
se conseguirá o intento de reduzir os impactos causados a cada ano de seca. Nesse sen-
tido, apontam-se como diretrizes mais urgentes nas comunidades pesquisadas aquelas
voltadas para o fortalecimento dos capitais econômico e humano. Acredita-se que as ações
governamentais que poderiam melhorar a capacidade adaptativa dessas comunidades
não encontram ambiente social propício para expressarem seu potencial. Notaram-se, nas
respostas coletadas, um conformismo com a situação e um baixo esforço local na busca
de melhorias. Prevalece para os representantes locais o entendimento de que o principal
solucionador de problemas é o governo. Dada essa realidade, coloca-se como um desao
para os agentes que atuam na região: a intensicação de estratégias de conscientização
da população e a inserção de uma educação contextualizada que atue de forma transversal
em todas as ações voltadas para o desenvolvimento local.
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Sobre os autores
Ansu Mancal é engenheiro agrônomo, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Economia
Aplicada da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” – Esalq-USP e mestre em
Economia Rural.
Patrícia Verônica Pinheiro Sales Lima é doutora em Economia Aplicada pela Escola Superior de
Agricultura “Luiz de Queiroz”– Esalq-USP. Professora associada da Universidade Federal do
Ceará. Bolsista de produtividade CNPq.
Ahmad Saeed Khan é PhD em Economia Agrícola e Recursos Naturais pela Oregon State University.
Professor titular da Universidade Federal do Ceará. Bolsista de produtividade CNPq.
Maria Irles de Oliveira Mayorga é PhD em Manejo de Bacias Hidrográcas pela University of
Arizona.
24 R. bras. Est. Pop., Rio de Janeiro, 2016
À espera da seca que vem: capacidade adaptativa em comunidades rurais do semiáridoMancal, A. et al.
Endereço para correspondência
Ansu Mancal
Rua Souza Girão, 
- – Fortaleza-CE, Brasil
Patrícia Verônica Pinheiro Sales Lima
Universidade Federal do Ceará, Departamento de Economia Agrícola, campus do Pici, bloco 
- – Fortaleza-CE, Brasil
Ahmad Saeed Khan
Universidade Federal do Ceará, Departamento de Economia Agrícola, campus do Pici, bloco 
- – Fortaleza-CE, Brasil
Maria Irles de Oliveira Mayorga
Universidade Federal do Ceará, Departamento de Economia Agrícola, campus do Pici, bloco 
- – Fortaleza-CE, Brasil
Abstract
Waiting for the coming drought: adaptive capacity in rural communities of the Brazilian
semiarid
This article evaluates the availability of resources needed to create adaptive capacity in rural
communities of the Brazilian semiarid. The research uses primary data obtained with the
application of questionnaires. Given the large geographic extent of the region, rural communities
inserted in areas susceptible to desertication of Ceará were selected to the sample. The
discussion is made based on a system of indicators dened by consulting with experts (DELPHI
- Methodology ), and divided into four dimensions of adaptive capacity: social capital, economic
capital, human capital and natural capital, assuming that adaptive capacity is the availability of
a set of resources to promote local welfare. The analysis of the distribution of selected indicators
shows that communities have lower levels of resources needed for adaptation, and the critical
points are highlighted in the human capital dimension. It is believed that government actions
that could improve adaptive capacity of rural communities in the semiarid does not nd user-
friendly environment for expressing their potential. The biggest challenge is the adoption of
integrated strategies for education, and training of the population, which act crosswise in all
public policies aimed to local development.
Keywords: Adaptive capacity. Climate vulnerability. Public policy.
Resumen
Esperando de la sequía que viene: la capacidad de adaptación de las comunidades rurales en
el Semiárido brasileño
Este artículo evalúa la disponibilidad de los recursos necesarios para crear la capacidad de
adaptación de las comunidades rurales de la región semiárida de Brasil. La investigación utiliza
datos primarios obtenidos mediante la aplicación de cuestionarios. Dada la gran extensión
geográca de la región, se adopta una muestra de comunidades rurales situadas en áreas
propensas a la deserticación en el estado de Ceará. La discusión se produce a partir de
25
À espera da seca que vem: capacidade adaptativa em comunidades rurais do semiáridoMancal, A. et al.
R. bras. Est. Pop., Rio de Janeiro, 2016
indicadores denidos con consultas a expertos (Delphi) y divididos en cuatro dimensiones de
la capacidad de adaptación: capital social, capital económico, capital humano y capital natural,
suponiendo que la capacidad de adaptación se dene como la disponibilidad de un conjunto
de recursos que puede promover el bienestar de la población. El análisis de la distribución
de los indicadores seleccionados muestra que las comunidades tienen niveles bajos de los
recursos necesarios para la adaptación, y los puntos más críticos están en la dimensión del
capital humano. Se cree que las acciones del gobierno que podrían mejorar la capacidad de
adaptación de las comunidades rurales no encuentran un ambiente social propicio para expresar
su potencial, siendo el mayor reto la adopción de estrategias integradas de educación y formación
de la población actuando de de forma transversal en todas las políticas de desarrollo local.
Palabras claves: Capacidad de adaptación. Vulnerabilidad climática. Política pública.
Recebido para publicação em //
Recomendado para publicação em //
Aceito para publicação em //
... As publicações encontradas na CINAHL e na Web Of Science, demonstram a importância de ofertar educação para os habitantes do ponto de vista da prevenção, entretanto, com o intuito de uma resposta com qualidade após o desastre. O artigo "Early alert and community involvement: approach for disaster risk reduction in Rwanda", por exemplo, abordou a avaliaçãodo impacto do alerta precoce e envolvimento da comunidade na redução do risco de desastres em Nyabihu Distrito, Ruanda Ocidental (20). ...
Article
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RESUMO O presente estudo tem como objeto de pesquisa a capacitação de moradores que habitam em áreas de riscos, com propósito de melhorar a ação de resposta às vítimas de desastres. Para tanto, o objetivo proposto foi investigar a produção de estudos sobre capacitação de população vulnerável em desastres naturais. O estudo é uma revisão inte-grativa e foi dividido em duas etapas, na primeira as buscas foram realizadas nas bases contidas na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e na segunda parte, as bases utilizadas foram a CINAHL (Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature) e a Web Of Science. Os resultados obtidos na pesquisa foram que não há publicações na BVS que abordem a temática do estudo e os artigos encontrados na CINAHL e Web Of Science, não possuem o Brasil como país foco da pesquisa. O resultado deste estudo, mostrou a necessidade de maiores estudos canalizados para a ação de respos-ta, atentando o conteúdo para assistência à saúde dessas vítimas.Sendo assim, o estudo demonstra a necessidade da disseminação da educação em saúde voltada para a temática do desastre, em comunidades vulneráveis, objetivando a redução do risco em desastre e a recuperação da saúde da comunidade no pós desastre. ABSTRACT The present study is an integrative review which the object of research is the training of residents living in areas of risk, located in Rio de Janeiro, with the purpose of improving the response to disaster victims. The current approach is pertinent to the discussion of care in disaster situations, considering the number of people who are now in territories where adequate public services do not exist. From the PICo strategywas elaborated the central question of the study, throughDeCS (Descriptors in Health Science) was formulated the descriptors and by subsequent, the study began. It was divided in two stages, in the first, searches were based out in the Virtual Health Library (VHL) and in the second part, the base used was CINAHL (Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature) and Web Of Science. Nowadays, there are innumerable ways of calculating the size of a natural event, however, through this study it has shown the need for greater academic publications channeled into response action, considering the content for health care of these victims.
... Nos últimos anos os períodos de estiagem estão se tornando cada vez mais freqüentes e intensos (MANCAL et al., 2016), o que corrobora as projeções do Intergovernmental Panel on Climate Change que apontam para a intensificação das secas em escala global, especialmente nas áreas áridas e semiáridas (IPCC, 2014). O cenário observado tem atraído a atenção de governos, agências de desenvolvimento e de pesquisadores das mais diferentes áreas no sentido de elaborar estratégias capazes de mitigar os impactos das secas. ...
... Ainda assim, têm-se registrado mudanças na governança da seca, sobretudo quanto as estratégias de convivência com o semiárido, com maior envolvimento da população em processos decisórios, adquirindo um papel de protagonismo e ganhando maior capacidade adaptativa (MANCAL, 2016). Todavia, a insistência em grandes infraestruturas sem ser garantido o seu funcionamento futuro, pelo provável acentuar da mudança climática (GUIMARÃES, 2008;MARENGO, 2010;MARENGO et al, 2016), paralelamente a medidas emergenciais, com destaque para o abastecimento através de carros-pipa, mantêm e alargam antigos vínculos e redes de dependência, que por sua vez se subjugam ao interesse político e pessoal. ...
Conference Paper
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Resumo: A mudança climática, o aumento de população e o adiar das políticas de saneamento colocam a cada dia mais pressão sobre os recursos hídricos, expondo suas desigualdades geográficas e sociais. Nesse contexto, o debate sobre a governança da água vem assumindo cada vez mais centralidade e atualidade, considerando diversos autores que o problema não é tanto de escassez, mas de uma crise de governança. No Brasil ganha maior destaque em momentos de dificuldades em abastecer as populações. O país tem seu diagnóstico feito quanto às dificuldades em implementar um modelo de governança que garanta maior eficácia às políticas, maior participação social e a escala de participação que estimule proximidade do cidadão com os problemas. O Nordeste tem um histórico de flagelo das secas, constituindo-se como elemento simbólico presente na identidade desta região. A resposta ao problema tem sido essencialmente encarada na perspectiva da convivência como semiárido, deixando de lado uma multiplicidade de questionamentos que envolvem todo o ciclo da água. Se, de um lado, é importante e fundamental uma abordagem transdisciplinar que faça o diagnóstico dos problemas, aponte soluções e proceda ao planejamento, de outro lado, é fundamental uma abordagem a partir das políticas públicas apontadas à gestão de mananciais, serviços e usos de água, saneamento básico, mas também de governança. GT 9: Água, território, redes geográficas e governança
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RESUMO A natureza multifatorial da mobilidade implica na geração de vulnerabilidades tanto no local de origem, quanto no de chegada. Este estudo analisou as vulnerabilidades, motivações e as violações dos direitos humanos relacionados os migrantes internos no Brasil, através de uma revisão integrativa nos conteúdos científicos e populares veiculados nas mídias digitais. Os dados indicaram que a compreensão da terminologia refugiados ambientais no Brasil se refere a deslocados internos do semiárido nordestino do país, e que estes, saem de seu local de origem devido às questões relacionadas a seca, calor, falta de recursos, trabalho, trabalho digno, falta de oportunidades, preconceito e fome. Dificilmente o refugiado ambiental encontra acolhimento na chegada, e sofre com preconceito e condições de sobrevivência instáveis. Assim, buscou-se caracterizar a representação científica e popular sobre a vulnerabilidade dos migrantes da seca nordestina brasileira. Palavras-chave: Refugiado. Refugiado ambiental. Migrante. Deslocamento. Migrante econômico. ABSTRACT The multifactorial nature of mobility means in generating vulnerabilities in both the place of origin, as the arrival. This study analyzed the vulnerabilities, motivations and human rights violations related internal migrants in Brazil, through an integrative review of scientific and popular content conveyed in digital media. The data indicated that the understanding of the
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A natureza multifatorial da mobilidade implica na geração de vulnerabilidades tanto no local de origem, quanto no de chegada. Este estudo analisou as vulnerabilidades, motivações e as violações dos direitos humanos relacionados os migrantes internos no Brasil, através de uma revisão integrativa nos conteúdos científicos e populares veiculados nas mídias digitais. Os dados indicaram que a compreensão da terminologia refugiados ambientais no Brasil se refere a deslocados internos do semiárido nordestino do país, e que estes, saem de seu local de origem devido às questões relacionadas a seca, calor, falta de recursos, trabalho, trabalho digno, falta de oportunidades, preconceito e fome. Dificilmente o refugiado ambiental encontra acolhimento na chegada, e sofre com preconceito e condições de sobrevivência instáveis. Assim, buscou-se caracterizar a representação científica e popular sobre a vulnerabilidade dos migrantes da seca nordestina brasileira. Palavras-chave: Refugiado. Refugiado ambiental. Migrante. Deslocamento. Migrante econômico.
Thesis
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Conservation units are areas legally instituted by the government in order to allow sustainable use and conserve biodiversity. In this sense, this thesis aims to analyze the conservation units located in the semi-arid region of Brazil, selecting a system of legal indicators that may be able to assess the effectiveness of their management, listing the conservation units located in the semi-arid region of Brazil, emphasizing its importance as natural capital, elaborating a system of legal indicators capable of evaluating the effectiveness of the management of protected areas, presenting the system of indicators capable of evaluating the effectiveness of the management of protected areas, developing a procedure that allows to evaluate the effectiveness of the management of conservation units to be applied by the managers, to reinforce the importance of the conservation units for the management of the natural capital contained in the Semi-arid Region of Brazil, and to characterize the existing natural capital in the Semi-Arid Region of Brazil and ecosystem services provided by conservation units, through bibliographic research and current legislation. At the end, it was observed that 252 conservation units were created in all states covering the Semi-Arid Region of Brazil, of which 72 are fully protected and 180 for sustainable use, with the private natural heritage reserve (PNHR) category being the more created (119), however they protect only 0.06% of the semiarid area. The system of legal indicators to evaluate the effectiveness of the management of protected areas, proved to be adequate to evaluate the selected integral protection and sustainable use units. After applying the index developed in this thesis, it was found that the nine conservation units studied, located in the Semi-Arid Region of the State of Paraíba, present poor performances, where the best was in the Vale dos Dinossauros Natural Monument, which reached only 56% efficiency. The results obtained from the application of the indicator system used in this thesis corroborate the hypotheses raised at the beginning of the research that the efficient management of conservation units contributes positively to the protection and conservation of the natural capital contained in the Semi-Arid Region of Brazil, as well as that the use of a system of indicators that makes it possible to assess the effectiveness of the management of protected areas to be applied by managers allows a better assessment of the management of these protected areas. In view of the fragility of the Caatinga Biome, there is an urgent need to increase the reach of public policies to protect their ecosystems.
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The Brazilian semiarid region, the inhabitants they live together with water limitations, a situation that becomes more serious when the context of the rural area is analyzed. This article aims to analyze the situation of the rural population of the municipality of Pombal-PB with respect to water sustainability. The spatial cut of the research covered 14 rural communities located in the mentioned municipality. We used indicators that are applied in regional and local studies associating the thematic management of water resources with socioeconomic aspects in municipalities and rural communities. The input data for the calculation of the Rural Water Sustainability Index (RWSI) were obtained through interviews following a script of themes defined in a structured questionnaire closed to 88 individuals residing in the selected communities. For calculation of the RWSI was involved ponderations, in which the notes of the weights of dimensions and subdimensions were defined and analyzed by the application of the Delphi method. The results indicated that the mean RWSI for 14 communities was 5,6, with a standard deviation of 0,25 and a coefficient of variation of 4,47%. The RWSI results showed that all the communities are classified within a regular range with respect to water sustainability. The RWSI can be used as a tool to help decision-makers in the water sector in choosing priorities and creating policies, strategies, and actions for rural communities.
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This paper proposes a Rural Water Sustainability Index (RWSI). Using this tool, decision-makers can identify and prioritize locations that require state intervention to develop strategies and guarantee water to rural communities. Multi-criteria analysis (MCA) and Geographical Information System (GIS) were combined to integrate different indicators into the assessment and generate maps showing spatial levels of water sustainability in rural communities. RWSI was applied on a case study in 26 rural communities in the municipality of Pombal, Paraíba, Brazil. We realized 165 interviews with those living in rural communities. Consultation with experts was conducted using the Delphi method to assign weights and scores to the components, subcomponents, and indicators. The results illustrated a heterogeneous spatial behavior between rural communities of the municipality of Pombal, even though the index values for the majority (57.7%) of communities ranged from 5.8 to 6.0. For application in other countries and regions, researchers need to conduct public and expert consultation to adjust the weight of components and subcomponents, and then the RWSI method can estimate water sustainability and produce maps anywhere in the world.
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A mudança climática, o aumento de população e o adiar das políticas de saneamento básico colocam cada vez mais pressão sobre os recursos hídricos, expondo suas desigualdades geográficas e sociais. Tal debate sobre a governança da água vem assumindo centralidade, e diversos autores consideram que o problema não é tanto de escassez, mas de uma crise de governança. O tema assume particular relevância no Brasil, sobretudo em momentos de dificuldade em abastecer as populações. O país tem seu diagnóstico feito quanto às dificuldades em implementar um modelo de governança que garanta maior eficácia às políticas, abrindo caminho a maior participação social e a um modelo de participação do cidadão nas decisões do Estado. O Nordeste brasileiro e seuhistórico de flagelo das secas, constituiu-se como elemento simbólico presente na identidade desta região. A resposta ao problema tem sido essencialmente encarada na perspectiva da convivência com o semiárido, deixando de lado uma multiplicidade de questionamentos que envolvem todo o ciclo da água. Se, de um lado, é importante uma abordagem transdisciplinar que faça o diagnóstico dos problemas, aponte soluções e proceda ao planejamento, de outro lado, é fundamental uma abordagem a partir das políticas públicas apontadas à gestão de mananciais, serviços e usos de água, saneamento básico, mas também de governança.
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This study examined nascent entrepreneurship by comparing individuals engaged in nascent activities (n = 452), after screening a sample from the general population (n=30,427). Due to the large sample size and the utilization of a control group of non-entrepreneurs (n=608), the findings of this study present a new approach to the relationship between human capital, social capital and entrepreneurship. Our primary objective was to help close the significant research gap regarding the sociological characteristics of nascent entrepreneurs, as well as to examine the comparative importance of various contributions and factors, such as personal networks and business classes. Having friends in business and being encouraged by them was a strong predictor regarding who among the general population eventually engaged in nascent activity. The study fails to support the role of formal education in predicting either nascent entrepreneurship or comparative success, when success is measured in terms of the three defined activities — creating a business plan, registering the business, or obtaining the first sale. Of particular note was that attending business classes specifically designed to promote entrepreneurship failed to be associated with successful business paths. This research suggests that national governments considering intervention activities might be wiser to focus on structural relationships than on programs specifically targeted to promote certain entrepreneurial activities. The facilitation of entrepreneurial social capital should be more successful if agencies filter their assistance through previous existing social networks. In addition, our findings suggest that countries that lack a very highly educated population may not be at a particular disadvantage regarding entrepreneurial activities.
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The literature on social capital and entrepreneurship often explores individual benefits of social capital, such as the role of personal networks in promoting self-employment. In this article, we instead examine social capital's public good aspects, arguing that the benefits of social trust and organization memberships accrue not just to the individual but to the community at large. We test these arguments using individual data from the 2000 Census that have been merged with two community surveys, the Social Capital Benchmark Survey and the General Social Survey. We find that individuals in communities with high levels of social trust are more likely to be self-employed compared to individuals in communities with lower levels of social trust. Additionally, membership in organizations connected to the larger community is associated with higher levels of self-employment, but membership in isolated organizations that lack connections to the larger community is associated with lower levels of self-employment. Further analysis suggests that the entrepreneurship-enhancing effects of community social capital are stronger for whites, native-born residents, and long-term community members than for minorities, immigrants, and recent entrants.
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The environmental refugee category has been used to describe the displacement caused by extreme weather conditions. Estimates are that there will be a significant increase in this type of movement in the coming years, mainly by worsening environmental conditions resulting from climate change. However, there is considerable controversy regarding the importance of environmental factors on migratory decision. In this sense, the article seeks to bring a reflection on the relevance of environmental refugee category in the context of out-migration from northern semiarid region, the more burdened by drought. For this we use the official data of decree Emergency Situation (SE) and the State of Public Calamity (ECP) and 2010 Census data to analyze the profile and the role that environmental and social factors can have on migrants. The results indicate that the absence of income transfer programs have a more important role than the official droughts among out-migration from this region. Although the results need further investigation, the evidence points to strategies that contribute to greater resilience of the people are effective for coping with drought.