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Ocupações (im)prováveis: que cidade devém?

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Fios-palavras-gestos em uma intimidade quase exposta. Momentos de produção de imagens que (se) pretendem deslugar: grafites em um muro de escola pública em Feira de Santana e oficinas de fotografias realizadas com alunos do ensino médio também de uma escola pública em Ichu (ambas no sertão baiano). Ações decorrentes do projeto de pesquisa “Cidades (des)enquadradas em imagens: experimentações (atra)versando o conceito de signo” que questiona: o que podem as imagens quando não pretendem explicar, ilustrar, registrar as cidades? Pretender, então, proliferar conexões, provocar a invenção de novas formas de olhar e vivenciar o mundo, a cidade, a produção de conhecimento, a expressão cultural dos artistas e estudantes no lugar das explicações e coerências. Propor, então, que a cidade não seja entendida, sentida, explorada apenas como cenário, mas sim máquina produtora de signos, expressão, conhecimentos. O conceito deleuziano de diagrama busca explorar e potencializar tais produções, pretendendo a desestabilização de uma política da representação para olhar, conhecer e inventar cidades. Provocar (na arte, na vida, na escrita, na educação, em lugar nenhum) rompantes de caos, desconsiderações às classificações e aos julgamentos morais.
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OCUPAÇÕES (IM)PROVÁVEIS:
QUE CIDADE DEVÉM?
(IM)PROBABLE OCCUPANCIES:
WHAT IS THE CITY BECOMMING?
OCUPACIONES (IM) PROBABLE:
¿QUÉ DEBE LA CIUDAD?
Elenise Cristina Pires Andrade
RESUMO
Fios-palavras-gestos em uma intimidade quase exposta. Momentos de produção de imagens que (se) pretendem
deslugar: grafites em um muro de escola pública em Feira de Santana e oficinas de fotografias realizadas com
alunos do ensino médio também de uma escola pública em Ichu (ambas no sertão baiano). Ações decorrentes do
projeto de pesquisa “Cidades (des)enquadradas em imagens: experimentações (atra)versando o conceito de
signo” que questiona: o que podem as imagens quando não pretendem explicar, ilustrar, registrar as cidades?
Pretender, então, proliferar conexões, provocar a invenção de novas formas de olhar e vivenciar o mundo, a
cidade, a produção de conhecimento, a expressão cultural dos artistas e estudantes no lugar das explicações e
coerências. Propor, então, que a cidade não seja entendida, sentida, explorada apenas como cenário, mas sim
máquina produtora de signos, expressão, conhecimentos. O conceito deleuziano de diagrama busca explorar e
potencializar tais produções, pretendendo a desestabilização de uma política da representação para olhar,
conhecer e inventar cidades. Provocar (na arte, na vida, na escrita, na educação, em lugar nenhum) rompantes de
caos, desconsiderações às classificações e aos julgamentos morais.
PALAVRAS-CHAVE: Fotografias. Filosofia da diferença. Cidade.
ABSTRACT
Wire-words-gestures in an almost exposed intimacy. Moments of images production that intend to desplace:
graffiti in a public school wall in Feira de Santana and photographs of workshops with high school students
from a public school in Ichu (both cities in the Bahian backcountry). Actions resulting from the research project
"Cities (un)framed within images: experimentations crossing the conception of signs" that asks: What can the
images do when they don’t want to explain, to illustrate, to remember the cities? Instead of explanations and
coherence, we aim to proliferate connections and provoke the invention of new ways of looking and experiment
the world, the city, the production of knowledge, the cultural expression of artists and students. We propose that
the city is not to be understood and exploited only as a backdrop, but it can be a producer machine of signs,
expression, knowledge. The Deleuzian concept of diagram explore and enhance these productions, aiming at
destabilization of political representation to look, learn and invent cities. To provoke (in art, life, writing,
education, anywhere) chaos outbursts, slights to the ratings and moral judgments.
KEYWORDS: Photographs. Philosophy of difference. City.
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RESUMEN
Alambre-palabras-gestos en una intimidad casi al descubierto. Producir imágenes de los momentos que (si)
tienen previsto deslugar: pintada en una pared de la escuela pública en Feira de Santana y fotografías de los
talleres con los estudiantes de secundaria también de una escuela pública en Ichu (tanto en las tierras del interior
de Bahía). Las acciones resultantes del proyecto de investigación "Ciudades cruzadas de fotografías: ensayos
que tratan el concepto de signo" que se pregunta: ¿qué pueden las imágenes cuando quieren explicar, ilustrar,
grabar las ciudades? Pretender entonces proliferar las conexiones, hacer que la invención de nuevas formas de
ver y experimentar el mundo, la ciudad, la producción de conocimiento, expresión cultural de artistas y
estudiantes en lugar de explicaciones y consistencias. Propone, pues, que la ciudad no se entiende, nos sentimos
explotados sólo como telón de fondo, pero la producción de la máquina de signos, la expresión, el conocimiento.
El concepto de diagrama de búsqueda Deleuziano explorar y mejorar estas producciones, con miras a la
desestabilización de la representación política de mirar, aprender e inventar ciudades. Causa (arte, la vida, la
escritura, la educación, la nada) estallidos de caos, desaires a las calificaciones y juicios morales.
PALABRAS CLAVE: Fotografía. Filosofía de la diferencia. Ciudad.
Ocupação (im)provável primeira:
Momento de repensar rumos e funções, a 28ª Bienal entraria para a história como a
“Bienal do Vazio”. Concebida por Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen, a mostra deixou um
andar inteiro sem obras, numa metáfora clara da crise conceitual atravessada pelos sistemas
expositivos tradicionais. [...] “É ali, no território do suposto vazio, que a intuição e a razão
encontram solo propício para fazer emergir as potências da invenção, abrindo múltiplas
possibilidades para ser cruzado. Faz um corte, suspendendo o processo voraz de produção e
consumo de representações, para problematizar o possível esgotamento dos diversos
discursos no território da instituição. O corte aqui quer aguçar a crise da organização, do
modelo, do sistema, e não recalcá-los com mais uma exposição” – “É positiva a proposta para
a 28ª Bienal de São Paulo, que prevê, entre outras coisas, um andar vazio?”, “Sim. Temos
que enfrentar o horror ao vazio”, de Ivo Mesquita, publicado na Folha de S. Paulo em 01 dez.
2007
1
.
Ocupação (im)provável segunda:
Vídeo disponível em <https://goo.gl/ctl6gF>. Acesso em: 20 fev. 2016. Pixadores
atacam a 28º Bienal de São Paulo, 40 jovens invadiram e pixaram o “andar vazio” da Bienal
de São Paulo 2008 (enviado em 27 de out de 2008).
Ocupação (im)provável terceira:
A lei da hospitalidade, a lei formal que governa o conceito geral de hospitalidade, aparece como uma lei
paradoxal, perversível ou pervertedora. Ela parece ditar que a hospitalidade absoluta rompe com a lei da
hospitalidade como direito ou dever, com o “pacto” da hospitalidade. Em outros termos, a hospitalidade
1
Fonte: <http://goo.gl/W5JUUA>. Acesso em: 20 fev. 2016.
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absoluta exige que eu abra minha casa e não apenas ofereça ao estrangeiro (provido de um nome de família, de
um estatuto social do estrangeiro, etc.), mas ao outro absoluto, desconhecido, anônimo, que eu lhe ceda lugar,
que eu o deixe vir, que o deixe chegar, e ter um lugar no lugar que ofereço a ele, sem exigir dele nem
reciprocidade (a entrada num pacto), nem mesmo seu nome (DERRIDA, p. 23 e p. 25).
(des) ocupar tantas quantas forem ocupáveis...
Cidades, pixações, vazios, invasões, deslocamentos. Ocupação (im)provável como
fenda. Talvez gestos, assim como essa escritapesquisa em experimentação que, pretendemos,
nos permita algumas rupturas, em especial, com pensamentos que levem a concretizações,
centralidades e determinações seja da ciência, da arte, do tempo, da produção de
conhecimento ou do próprio pensamento. Rupturas que Deleuze (2003) e Deleuze & Guattari
(1977) levam ao esgarçamento na intensidade da expressão maquínica, descontinuada,
inorgânica na proliferação das séries de coisas, fatos, tempos, palavras. “Rasurar os lugares.
Tornar esses lugares estrangeiros de si mesmos: aquilo que é forçado a ser também o
deslugar, o intervalo entre aquele lugar e ele mesmo [...]” (OLIVEIRA JÚNIOR, 2013 p.
207). Fissura, riscos, fios que escorrem onde antes eram (seriam?) letras, como na obra
Diario intimo, de Maria Lai
2
. Experimentações versadas em risco.
O esforço violento do corpo em direção à experiência é a ampliação e mudança de
seus limites. Um certo tipo de intencionalidade do que Anne Hickey-Moody (2013)
denominou de pedagogia da afecção, trata-se da experiência sensível que,
primeiramente, é reconfiguração corporal e, depois, uma nova geografia emergente
da experiência. Como isso pode acontecer? (AMORIM, 2013, p. 417).
Antonio Carlos Amorim, ao continuar sua reflexão, nos apresenta algumas
possibilidades de responder a sua pergunta ao explorar “[...] correlações entre os perceptos e
precisamente os devires não humanos do humano” (Amorim, 2013, p. 417) criados nas mais
diferentes relações envolvendo os objetos, as ideias e os pensamentos da/na pintura, cinema e
literatura. Inspirada no autor que também se deleita com os conceitos e as ideias da filosofia
da diferença , proponho o questionamento que atraversará esse texto: quais gestos
invadiriam as cidades em um devir intensivo provocado por signos a nos provocar e forçar a
sentir a diferença; a provocar fendas no movimento maquínico da enunciação nos muros, nas
ruas, nas fotografias, nas palavras, disparando forças criativas; a ressoar por uma pedagogia
da afecção?
Ressonâncias que continuam com Amorim (2013) quando nos diz que o papel dos
signos tensiona as relações entre o visível e o dizível, sendo assim chamado a invadir e
perfurar a ideia de enunciação no plano dos estudos de currículo. Roubar esse tensionamento
e desejar a potência dessa invasão. Inter-valar. Cavar valas, assim como o vídeo de David
Lynch (1968) The Alphabet
3
me provoca. Afecções em fios-palavras em uma intimidade
quase exposta. Imagens que escorrem: a 28ª Bienal, o pixo no espaço vazio, a lei da
hospitalidade, dois momentos de produção de imagens decorrentes do Projeto de pesquisa
2
Obra de 1977. Maiores informações em <http://goo.gl/I6Stn>. Acesso em: 10 fev. 2015.
3
Disponível em <https://goo.gl/SdzUGn>. Acesso em: 02 jun. 2015.
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“Cidades (des)enquadradas em imagens: experimentações (atra)versando o conceito de
signo”
4
: um encontro para a produção de grafite nos muros de uma escola pública em Feira
de Santana e oficinas de fotografias com alunos do ensino médio em uma escola pública em
Ichu, cidades no interior da Bahia. Momentos de experiência sensível com vontade de
tensionar: o que podem as imagens quando não pretendem explicar, ilustrar, registrar as
cidades?
Propor que a cidade não seja entendida, sentida, explorada apenas como cenário, mas
sim máquina produtora de signos, expressão, conhecimentos. “Des-conhecer. Convidar a
fechar os olhos e recusar a poderosa investida na produção de sistemas homogêneos de
pensamento que atravessam imagens, textos e sons na contemporaneidade” (Dias, Andrade,
Oliveira, p. 2011, p. 116) e, para isso, assumir o conceito de diagrama como proposta de
exploração das potencialidades intensivas dos/nos signos a nos impelir a explorar uma zona
de deslugar. Além de convite ao fechamento dos olhos, também de um encurvar os pilares e
os ditames da educação nesse (AR)riscar, esvaziá-la dessa substância educação que quer a
tudo entender, explicar, organizar, decifrar, nomear.
Esvaziar para continuar nas possibilidades das dobras, fora/dentro, gesto-corpo-cor
em funcionamento para que provoquem tensionamentos de sentidos de
escolas/muros/cidades/mundos. Experimentarmos um atraversamento nos pensamentos em
educação em um produzir riscos em devir, sempre esboçados, letra-fio. Basbaum (2006) nos
apresenta uma interessante reflexão em que o conceito de diagrama emerge como
funcionamento na relação de sua obra artística com o público, indicando um “[...] duplo
movimento das forças do pensamento e da matéria, como um dispositivo para a produção de
transformações” (BASBAUM, 2006, p. 73). Com este artista, trabalhar o diagrama como
instrumento:
Ultimamente tenho trabalhado o diagrama como instrumento empregando-o para
abrir e ocupar um tipo de espaço intermediário entre discursos e obra de arte. Há um
processo de construção para obtenção deste espaço, aglutinando as palavras e
tecendo um espaço dinâmico com linhas e diversos elementos visuais. Sobretudo há
o desejo de instaurar, no desenho, índices de ritmo e de pulsação: sem um modelo
rítmico adequado, o diagrama não funciona. Sim, pulsação, produção de
ressonância, vibração rítmica é o que garante que o diagrama movimente-se e
produza as inscrições necessárias, sem as quais se tornaria uma abstração que não
intervém, que não move nenhum espaço e que não ocupa nenhuma região.
(BASBAUM, 2010, p. 2, tradução nossa).
Pulsação gesto-corpo a-riscado. Signos a emanarem dos gestos e(m) grafites e
fotografias. Conexões, contatos, contaminações em movimentos intensivos, como nos propõe
Ricardo Basbaum (2006, p. 67) ao pontuar que “Podemos considerar que um diagrama será
sempre gerado como dispositivo relacionado ao local de proximidade máxima da experiência
[...]”. Deixar-se enlouquecer pela potência criativa do impensável no pensamento, como
tantas vezes as crianças, os loucos, os bêbados (se) deixam!
4
Edital CNPq, 043/2013 Ciências Humanas, Sociais e Sociais Aplicadas, processo nº. 409115/2013-4,
coordenado por mim.
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O silêncio...
Ela: Nossa! Quantas ruas tem essa cidade?
Ele: Ah! Umas 50 mil. Na verdade, nascem 3 ruas novas por dia. É o que os vereadores ficam
fazendo lá na câmara: inventando nome de rua.
O que precede...
Cidades, ruas, contornos, fotografias, imagens, palavras, fios, conceitos filosóficos,
escritas experimentais. Fragmentos potentes. Diálogo a partir de frames e das frases ditas por
Ele e Ela em Otávio e as letras
5
a partir de 8:08 minutos. Grafitar, fotografar e pós produzir
as imagens. Gestos potentes que nos ajudam a pensar nos conceitos de signo e diagrama
(acompanhando as movimentações de Deleuze) e a desestabilização de uma política da
representação para olhar, sentir, explorar, inventar cidades, ruas, escolas, vidas. Afectar. Não
perguntar o que esses gestos mostram da/na/com a cidade, mas o que as intensidades e forças
que a atravessam e povoam querem nos mostrar... Nossas vontades ressoam pela tentativa da
desconstrução, do desvio, da subversão, chamando as sensações não somente as
explicações junto às discussões realizadas através dessas duas atividades de pesquisa.
Desdobrar, explicar, des-lembrar em uma escritapesquisa, buscando um pensamento
com imagens imerso nos movimentos atuais das artes visuais e, numa ação coletiva e plural,
desequilibrar fronteiras fixas entre imagem, ficção e realidade; conhecimento, memória e
explicação; educação, arte e criação. Não aceitar que as imagens e as palavras/ideias nas/das
vozes que habitam esse texto apenas nos mostrem, nos expliquem sensações, conhecimentos,
pensamentos sobre algo ou alguém, mas ir em busca de um modo, um funcionamento do
gesto entre elas e o aquilo em nós que com elas encontra. Intensidade do instante. Pulsações e
intensidades de perturbar o pensamento, continuar o enlouquecimento através do fictício (?)
diálogo travado a seguir, quase uma continuação da conversa entre Ele e Ela do filme de
Masagão:
Elenise Andrade: Entre ruas nasce-se. Nascem ruas. Nascemos nus e as ruas?
Nascem como? Que tempo seria esse do nascimento das ruas? E do nascimento nas ruas?
Entre tempos...
5
Produção cinematográfica dirigida por Marcelo Masagão, 2007.
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Tiago Moralles
6
: Conheço muita rua com nome de gente e pouca gente com nome de
rua. Isso quer dizer que se não tivesse tanta gente não teria tanta rua?
FIGURA 1 Fotografias do muro externo do Colégio Estadual José Ferreira Pinto durante o 2º Encontro de
Grafitti. Feira de Santana, BA
Fonte: [fotografia de Marcos Barata, 27 e 28/09/2014, arquivo pessoal]
FIGURA 2 Fotografias produzidas durante Oficina com estudantes do ensino médio do Colégio Estadual Aristides Cedraz
(CEACO). Ichu, BA.
Fonte: [26/05/2015, arquivo pessoal]
Isso quer dizer que se não tivesse tanta gente não teria tanta rua?
Não teria?
6
Tiago Moralles, artista que “trabalha como redator pra ganhar dinheiro e como escritor pra perder”, paulistano
desde 1985. Formado em Comunicação Social. Tem um livro de contos publicado, algumas participações em
antologias e um livro de micronarrativas pra sair do forno. Publica regularmente pensamentos no Instagram
(@tfmoralles) e textos no blogue <http://goo.gl/5qh5KA>.
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Arriscarmo-nos com Deleuze e o funcionamento do diagrama quando o filósofo, ao
atraversar a obra de Francis Bacon, propõe que o pintor, em seus quadros, desafia a figuração
e a narração. Aspectos que, para Deleuze (2007), são efeitos que teimam em invadir os
quadros (não somente os de Bacon). Esse desafio desata fios e linhas e forças o diagrama.
Queremos experimentar como esse conceito nos impele a explorar uma movimentação gesto-
corpo-signos nesses dois momentos de produção de imagens.
Em setembro de 2014 ocorreram três eventos concomitantes: O Encontro de
Grafitti, iniciativa do Coletivo Juvenil H2F
7
, concentrando as atividades pelos muros do
Colégio Estadual José Ferreira Pinto. O Museu de Arte Contemporânea Raimundo de
Oliveira (MAC) realizou o FeirARTE: expressões urbanas promovendo exposições de
artistas feirenses, oficinas de arte e a abertura do TRACEjando por Feira de Santana: pulsões
expressivas, evento de cunho acadêmico, promovido pelo grupo de pesquisa Trace, do
Departamento de Educação da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), focando a
ação em uma mesa redonda que contou com estudiosos da arte de rua, predominantemente o
grafite, e alguns artistas.
Focaremos, aqui, no Encontro de Grafitti. Andréa Pinheiro, diretora do colégio,
juntamente com sua equipe de gestores e professores, não só possibilitou a enorme tela
(paredes do Colégio Estadual Ferreira Pinto) para os artistas como os abrigou durante o final
de semana de setembro de 2014 para a realização do Encontro, exprimindo uma outra política
que não reconhece fronteiras. Rua-muro-escola. Aluno-muro-gestores. Cores-muro-riscos-
grafites. Escutemos as palavras de Andréa:
“Quando nós falávamos do encontro de grafite, muitas pessoas tinham a ideia de
que, quem estaria aqui, seriam pessoas pra pichar tudo de preto. Essa é a primeira
ideia que alguém que não tem conhecimento pensa do grafite. E quando eles [os
artistas] fizeram as oficinas, que depois começaram a produzir a arte, colorir o
muro, eles viram que o grafite é uma arte. Só que uma arte urbana, né? Ela não tá
numa galeria, não tem preço. Então o preço é a beleza que tem aqui a nossa escola
hoje”.
Essa fala nos ajuda a pensar na pergunta de Tiago Moralles. Ruas, existências, gentes,
riscos que provocam a beleza dos muros. Des-fiar- Desafiar. Diagramar. Ritmos deslocados
de uma organi-cidade a pulsarem em outros pensamentos em relação ao movimento de
produção e divulgação de conhecimentos. “O que me interessa é o modo como, traçando
linhas, dispondo palavras ou repartindo superfícies, desenham-se também partilhas do espaço
comum” (RANCIÈRE, 2012, p. 101). Formas de partilha que envolvem uma amplitude
7
O evento contou com artistas de várias partes do Brasil e alguns do exterior (mais imagens e informações
encontram-se disponíveis em: <https://goo.gl/ER6Cjn>, objetivando fortalecer a arte do grafite na cidade e
colocar o evento na agenda cultural/cena de Feira de Santana e região. O coletivo H2F, composto de jovens,
busca uma intervenção mais ampla a partir de ações culturais que transformem a cidade e atinjam outros jovens
por meio da cultura hip hop, do grafite, da poesia, da literatura, e das linguagens diversas. Esse grupo tem a
percepção inicial de que a cultura não acontece apenas em torno da música do hip hop, mas principalmente em
sua contribuição social nas comunidades em que se encontram presentes, trazendo à tona discussões sobre a
realidade social da população.
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“sensível do comum da comunidade, das formas de sua visibilidade e de sua disposição”
onde “se coloca a questão da relação estética/política” (Rancière, 2009, p. 26) – entendendo o
estético como um modo de articulação entre maneiras de fazer, formas de visibilidade e
pensabilidade dessas maneiras e suas relações, implicando uma ideia de efetividade do
pensamento, conclui o filósofo francês.
Inspirada por tais modalidades de (des)acertos expressivos realizamos, entre 2014 e
2015, três oficinas no Colégio Estadual Aristides Cedraz (CEACO), com aproximadamente
vinte estudantes do segundo ano do ensino médio, nas quais os provocamos, com o auxílio de
várias obras artísticas a eles apresentadas, a in-ventarem imagens da cidade que
transgredissem a política da representação, para, então, possibilitarem a imersão em uma
lógica das sensações, pulsações de lugares recortados pelo instante de um clique sob o olhar
deslocado do fotógrafo (ALMEIDA, 2015).
Um questionamento atravessou os encontros/oficinas: Que Ichu (des)enquadra em
mim? Como fotografar tal pergunta, nos inquietava os estudantes? Fotografem a cidade de
um outro modo, intensifiquem uma Ichu que, comumente, não podemos (conseguimos?) ver.
Conjuntamente a essa perturbação, criamos um grupo no whatsapp para continuarmos as
conversas sobre/com as imagens, do qual trazemos algumas falas que acompanharam a
apresentação das fotografias no grupo. Após muitas fotos reveladas e conversadas fizemos
um último encontro em 2015 com a participação de Alik Wunder no qual propusemos
experimentações de processos de pós-produção através de montagens, sobreposições,
raspagens, recortes, colagens e produção de novas fotografias-fragmentos (WUNDER;
ROMAGUERA (2013, 2014). Imagens que não mais remetem a lugar algum, a uma
representação de um real, mas a lugares e existências nas próprias imagens...
12 de mai 21:05 - Edivan: Achei essa foto fantástica,
Eduarda
12 de mai 21:05 - Edivan: desenquadrou o CEACO...
12 de mai 21:09 - Edivan: a beleza da arte está na
invenção...
19 de mai 16:10 - Elenise: vcs desistiram de
desenquadrar fotos com pessoas? kkk
19 de mai 18:59 - Ceaco Wesley: Eu tenho fotos
desenquadrada com pessoas
FIGURA 3 Fotografias produzidas pelos estudantes do ensino médio do Colégio Estadual Aristides Cedraz
(CEACO). Ichu, BA.
Fonte: [maio de 2015, arquivo pessoal]
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FIGURA 4 Fotografias produzidas durante Oficina com estudantes do ensino médio do Colégio Estadual
Aristides Cedraz (CEACO). Ichu, BA.
Fonte: [26/05/2015, arquivo pessoal]
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Ocupações (im)prováveis: que cidade devém?
o esporro
8
Escrever com imagens é tirar as letras do mundo pra deixar as
pessoas olhando, tentando entender, tentando achar palavras.
(Tiago Moralles)
Sylvano Bussotti, La Passion Selon Sade, 19669
Comentário do blogueiro10 para essas imagens:
“Supposedly all you need to play these is to slip on a
pair of boxing gloves and hammer the piano keys,
VERY COOL.”
8
O silêncio que precede o esporro é o título do CD de O Rappa!, de 2003.
9
Fonte das imagens citada no blog: <http://goo.gl/hDofUT>. Acesso em: 18 fev. 2016.
10
Fonte: <http://goo.gl/49Cxqi>. Post publicado em 04 de agosto de 2014. Acesso em: 18 fev. 2016.
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Tentar achar palavras. Tentar achar as notas (ou não querem ser achadas, porque não
pretendem ser passíveis de representação e uma compreensão?) Tentar “tocar piano com
luvas de boxe”? Tentar tirar as letras do mundo? Tensionar, talvez, assim como nos invade
Bussoti, com suas linhas que se prolongam das notas e da pauta, cruzamentos (im)pensáveis,
espaços que extravasam os espaços da pauta; (im)possibilidades de notação musical. Very
cool! (so cool quanto o desenho de Clarinha!)
FIGURA 5 Fotografia de Kaluana do desenho de Clarinha postado no facebook.
Fonte: [postagem no facebook realizada em 13/01/15].
Extravasar as cores, arriscar no risco, ritmos impensáveis nos propõe Clarinha
“Mamãe, acabei de fazer a água do Brasil!”. “É mesmo?”, perguntou a mãe, continuando a
indagar: “e como se faz água do Brasil?”. Clarinha, obviamente, responde: “É misturar
todas as cores!”. Água cotidiana que se desprende de significados e representações. Escapa
de uma figuração no pensamento. Very cool. Ex capas a enveloparem as linearidades
necessárias para uma recognição. Talvez aceitar a ideia e colocar as luvas de boxe para tocar
a peça ao piano. Águas e paixões em versos e cores que abalam e desenquadram os
cotidianos, investindo-os de uma vontade de abrirem-se à força e afetação dos signos.
Rabiscos em muros fabricam e inventam cidades. Fricção com palha de aço e
umedecer a fotografia também as fabricam/inventam. Destituir a obviedade das explicações
(sejam conceituais, sensoriais, comunicacionais, colocando em funcionamento o diagrama,
diferenciando-o do esquema, a modo de re-velar
Para que o diagrama funcione, para que ele seja diferente de um simples esquema, é
preciso que ele revele o sentido das suas singularidades. E é porque o diagrama está
sempre na interface do actual e do virtual que ele pode assegurar a passagem de um
a outro por uma maquinaria que é a alma do diagrama. Essa maquinaria não está
para representar objetos, mas para produzir, no real, uma actualização das suas
componentes virtuais, revelar ao mundo sensível uma face inédita do objeto.
(GODINHO, 2013, p. 141)
Riscos iniciais no muro que, não necessariamente, se transformarão em algo na
imagem grafitada. Quantas vezes, acompanhando os artistas, queríamos adivinhar, pelos
traços iniciais, sem cores, o que apareceria na tela-muro? Depois de tantas ‘decepções’,
desistimos, e investimos na invenção do olho-mão. Encontros (im)pensáveis brotando dos
movimentos do artista. Don Guto, artista feirense, riscou, arriscou e vermelhou a cena com
olhos abertos-fechados a nos espiar. Ex pios silenciosos. É precisamente essa nossa vontade
em ter o controle do que veremos, sentiremos, saberemos, pensaremos que se pretende
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subverter em minúsculas partículas de spray para invadir, com esse funcionamento, nossas
vontades em relação à pesquisa e(m) educação.
FIGURA 6 Fotografias do muro externo do Colégio Estadual José Ferreira Pinto durante o 2º Encontro de
Grafitti. Don Guto no momento de sua arte. Feira de Santana, BA
Fonte: [fotografia de Milena Rodrigues, 27/09/2014, arquivo pessoal]
O olho que (não) fala. A boca que (não) vê. Vermelhos... Pois como coloca Ana
Godinho (2013, p. 136), “Veremos, na Lógica da Sensação, que o problema é ter um olho
impossível. Pensar sentindo, sim, mas com olhos e ouvidos impossíveis”. Assim, cabe-nos
investigar quais seriam as potências e as forças dessa impossibilidade ao afectar a educação,
de que maneira um cotidiano que (se) experimenta no AR-riscar afecta o pensamento na/com
a educação. Cabe-nos perturbar...
Cotidiano perturbador... Mas não seriam as perturbações gestos de um cotidiano vivo
e(m) experiência? Ruas, muros, cores, cidades in-ventadas, out-ventadas, arriscadas na
expulsão de uma necessidade de explicação e (re)cognição dos limites olhos-tato-ouvidos-
muros-pensamentos. Estar aberto aos pequenos e delicados gestos, quase (in)visíveis. Nem
mundo táctil-ótico, nem mundo ótico puro
11
, diz Deleuze (2007) sobre Bacon “Ao contrário,
11
Deleuze (2007), quando tece relações e (des)conexões entre as geometrias, as sensações, as cores e as
luminosidades das escolas de pintura, nos joga (e a Bacon) em direção aos egípcios e às suas superfícies planas,
à forma e ao conteúdo como dimensões igualmente próximas de um mesmo plano. Extraindo de cada época sua
singularidade, Deleuze dirá então que os gregos, ao distinguirem os planos, inventando uma perspectiva,
contribuíram para o que ele designa como representação clássica, que tem “como objeto o acidente, mas [...] o
apreende em uma organização ótica que faz dele algo bem fundado (fenômeno) ou uma ‘manifestação da
essência” (DELEUZE, 2007, p. 126, grifos do autor). Nesses atravessamentos de contornos e cores e narrativas
e figurações, Deleuze versa sobre dois planos que se cruzam: o ótico e o tátil. O movimento que quer se opor à
representação clássica se daria então em duas direções opostas: “Ou a exposição de um espaço ótico puro, que
se liberta de suas referências rumo a uma tatilidade mesmo que subordinada [...] ou, ao contrário, a imposição
de um espaço manual violento que se revolta e abala a subordinação” (DELEUZE, 2007, p. 127-128, grifos do
autor), e ambas parecem se encarnar na arte bizantina e na arte bárbara ou gótica, onde essa aparente oposição
pode entrar em outras combinações ou correlações novas.
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ele os atravessa, ele os subverte ou os confunde. O diagrama manual irrompe como uma zona
de confusão, de limpeza, que deve desfazer ao mesmo tempo as coordenadas óticas e as
conexões tácteis” (DELEUZE, 2007, p. 136). Confusão e limpeza que Clarinha nos brinda
com as cores desenhadas e sentidas da água. Perfuração. “Estudando as audiovisualidades,
tendo Gilles Deleuze como intercessor, as intensidades são o mote das linhas de aprendizado
com os signos sensíveis, redescobrindo o tempo, restituindo-o no meio do tempo perdido
(AMORIM, 2013, p. 414). Instantes mínimos no spray, na fricção dos fios da palha de aço
que possibilitam irromper outras luminosidades!
FIGURA 7 Fotografias produzidas durante Oficina com estudantes do ensino médio do Colégio Estadual
Aristides Cedraz (CEACO). Ichu, BA.
Fonte: [26/05/2015, arquivo pessoal]
Cotidianos e lugares são ficcionados-criados em fotografias [de Ichu] que provocam
múltiplos sentidos na busca do irrepresentável, do irrepreensível, imagens que não
pretendem capturar/significar o real, mas provocar/expressar outras sensações,
desencadeando-revelando pontos de vista inesperados, (des)enquadramentos que
criam efeitos-sensações-sentidos diversos, produzindo visibilidades que resistem e
escapam às convenções e aos clichês que marcam-delimitam nosso olhar nos/sobre
os cotidianos vividos, transgredindo o mero registro (ALMEIDA, 2015)
Artistas grafiteiros desobstruindo fluxos de cores que se alongam até os muros da
escola pública em um bairro longe/perto, que abriga a universidade e localiza-se distante
do centro da cidade, o conjunto Feira VI. Nas palavras de Kbça Grafitti, um dos artistas
organizadores: “O Feira VI é como se fosse uma passarela entre dois mundos: a universidade
e vários bairros periféricos que estão ali ao redor.” Essa interessante localização do colégio,
continua o artista, foi uma das principais causas para sua escolha como palco para o evento:
“Uma abertura a mais no lance
12
da Uefs, a gente nunca conseguiu fazer algumas coisas
dentro da Uefs, então a gente achou que seria viável fazer esse lance no feira VI, no Ferreira
Pinto, porque aí então poderia, tipo, abrir os olhos da reitoria e de toda galera acadêmica que
por ali passava.”
Desavisar o que se pretende como coerente para os campos da (re)cognição roubando
o funcionamento do artista, “uma abertura a mais no lance da Uefs”, ao nos colocarmos por
12
Queremos aqui esclarecer que mantivemos algumas expressões na fala dos artistas grafiteiros, já que são
expressões presentes em seus modos de existência e de resistência às agressões e preconceitos que sofrem.
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entre muros, ruas, riscos e cores da educação. Gesto-rabisco a se intensificar na expressão dos
signos que irrompem dos gestos; que se coagula na potência do intensivo; que delira ao
experimentar novas texturas sensíveis olhos e ouvidos impossíveis. “Resiste-se e, nesse
instante, conserva-se; fazem-se as marcas como uma espécie de diagrama, vê-se com um
certo olho aparecer possibilidades de factos de todos os tipos” (Godinho, 2013, p. 139), tais
como: olhar para um muro de escola e não entender o que encontra, passear pelas ruas de um
bairro e não distinguir as utilidades dos rabiscos, raspar fotografias e não ter ideia do que vai
acontecer, nem para quê tal gesto serve, tentar tocar piano com luvas de boxe. “O diagrama
faz germinar. Desterritorializa e desterritorializa-se na sua potência absoluta. É um devir”
(GODINHO, 2013, p. 141).
Propor, com esse funcionamento deslizante/desterritorializante, um esvaziamento dos
corredores, salas de aula, giz, quadro, pincel, sinal sonoro entre as aulas, cadernos,
memorizações, ruas, muros, fotografias, gentes. Chamar o susto, o imponderável, os
professores, os alunos, a gestão escolar a inventar outros tempos e espaços de criação, linhas
rasuradas e descentradas. Diagramar o pensarescreverpesquisar educação. Propor esse pintar
sem pincel, mas com sprays das minúsculas partículas coloridas que aderem aos sulcos dos
muros; esse desphotografar, já que ao riscar as fotos a luz irrompe, luz outra. Espaço hifeno e
intenso de encontro entre olhos e mãos, retina e pele, tato e visão; propor, como diz Basbaum
(2006, p. 88), “[...] passagens entre eles, criando territórios atravessados pelo ritmo fluido de
relações, inter-relações e relacionamentos incluindo forças de tração, repulsão,
vizinhança, fragmentação, encadeamento, agrupamento, deslocamento, localização, etc.”.
Durante um final de semana os artistas inundaram, com suas linhas e contornos, as
paredes da escola. Partilhas outras. Sensibilidades afloradas pelas rugosidades dos muros, no
tato dos olhares, na visão da pele. Durante três encontros, alunos do ensino médio fizeram
vislumbrar outras flores, outros sertões, nem sempre tão certos assim da seca, da devastação.
Mãos que enxergam. Olhos que tateiam. Suspender uma vontade de explicar as fronteiras, os
limites dentro-fora, mãos-olhos. Com-vidar Sébastien Del Grosso e sua obra The sketches
inside me II
13
. Inside me, outside me. Esboços (s)em arte final. É preciso possibilitar um gesto
entre os planos políticos e estéticos quando nos colocamos a pesquisar escrever educação.
Imagens de um suposto mundo áspero a nos convidar ao olhar com as mãos, ao tatear com os
olhos (im)possibilidades em decifrar o significado, (des)conexões entre os desenhos. Devir
em desvario. Acontecimento vital no ar-riscar.
13
Disponível em: <https://goo.gl/A540XF>. Acesso em: 17 mar. 2015.
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FIGURA 8 Fotografias produzidas durante Oficina com estudantes do ensino médio do Colégio Estadual
Aristides Cedraz (CEACO). Ichu, BA.
Fonte: [26/05/2015, arquivo pessoal]
FIGURA 9 Fotografias do muro externo do Colégio Estadual José Ferreira Pinto durante o 2º Encontro de
Grafitti. Feira de Santana, BA
Fonte: [27/09/2014, arquivo pessoal]
Gestos, cores, riscos, letras. Que cidade é essa, por vir? Que afectos os signos
liberam? Que educações essas maquinações (im)possibilitam? Muros, ruas, sentidos em
transe, em movimento, fragmentos em devir. Cidade do gesto mínimo, indizível mas não
invisível. Des-narrar uma cidade através desses gestos, expulsando uma tentativa de narração,
explicação, ilustração. Perfurar, percorrer espaços não limitados em tempos (s)em
contagem. A lentidão dos fios, das linhas, dos traçados, uma permanência efêmera no/do
contato com uma vontade de esvaziamento da representação.
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Arriscar arrastar o ‘pensar a arte’ com Deleuze e movimentar os devires das/nas
articulações com a experiência estética, um experimento no funcionamento maquínico de um
des-narrar, a função K que Deleuze e Guattari (1977) dizem sobre a literatura de Kafka. A
potência do diagrama no emergir dessas forças construindo uma pesquisa-em-experimentação
que se contamina pela virulência do impensado no pensamento. O’Sullivan (2009) nos
apresenta uma interessante proposta de que a arte não seria entendida como um
conhecimento, ela não seria “útil” (aspas do autor) nesse sentido. “Arte, me parece, deve ser
melhor entendida como um evento que interrompe o pensamento que quebra a informação
(O’SULLIVAN, 2009, p. 250, tradução nossa).
Junto a essas vontades foi que pretendemos esvaziar um sentido e um conhecimento
pronto da cidade (Ichu? Feira de Santana?) com os grafites e as pós-produções das
fotografias. Desdobramentos, invaginações. Cenários oníricos? Christopher Nolan, na
produção cinematográfica A Origem (2010), além de nos presentear com um fabuloso roteiro
e direção, nos dobra através de movimentos que, provavelmente, não tínhamos imaginado
querer dobrar-se e, que, no entanto, insistem num rodopio vertiginoso. Dobras em des-
lembranças, como nos nossos sonhos. Deslugares... Seria um movimento des-narrativo? Uma
fenda na linearidade do conhecimento acerca do espaço e do tempo? Acordamos tendo a
certeza da sensação do giro e não em girar ‘verdadeiramente’. Mas, onde estaria (se é que ela
existe) a verdade da sensação do giro? No movimento? No deslocamento? No intervalo
suspenso dormir-acordar? No gesto ínfimo das linhas?
[...] meu foco será tanto nos meios do cinema para promover encontros com o
espaço-lugar quanto nas potências de um filme tomado como obra de arte para
abrir a experiência da paisagem cinematográfica para o sobre que nela desaba
quando a paisagem é atravessada por certos tipos de imagens que arrastam os
sentidos do que ali é “fotografado” – o pensamento? as sensações? para as
margens dos sentidos de sobra, criação e testemunho, ao mesmo tempo que
continuam a ser mobilizados os sentidos de representação e intervalo. Não
superação ou negação de um sentido por outro, mas rasuras, estranhamentos,
oscilações, misturas (OLIVEIRA JR, 2015, p. 320)
Roubar de Wenceslao Oliveira Jr a potência criativa desse deslugar, fenda, oscilação (que o
autor explora pra falar do filme Acidente, de Cao Guimarães e Pablo Lobato) que nos afecta
e, por que não, nos interrompe desse tal conhecimento e nos provoca à dobra do fora pelas
sensações inesperadas, impensadas? Ao comentar mais detalhadamente sobre Acidente, uma
obra belíssima, Oliveira Jr. conecta-se ao conceito de “pequenas percepções” (Gil, 2005), que
atuariam “[...] nos/através dos corpos-imagens e sons esvaziados da lógica informativa,
inseridos nos paradoxos das precariedades dos sentidos e sem sentidos que dali vazam,
escorrem e esburacam a paisagem (e a significação estável) que buscava se estabelecer”
(2015, p. 327).
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O silêncio que precede o esporro...
Kbça Grafitti, Tiago Moralles, Banksy. Feira de Santana, São Paulo e Dismaland
Park/Londres. Linhas, cores, escorregões, fendas, invasões, interrupções, coagulações.
Impensado, improvável, uma tradução da chuva?
Não somente escorrer e esburacar uma paisagem de significação estável que (se)
buscava estabelecer, mas também compor deslugares (s)em fios, rabiscos, luzes, ruas,
cidades, educações. Uma pedagogia da afecção?
“Os alunos querem, agora, eles mesmos realizar isso daqui, porque eles acham que
é possível fazer, né? […] E eles querem que isso aqui perpetue. Alguns dias atrás,
eles estavam perguntando: professora, isso aqui vai deixar de existir, alguém vem
aqui e tirar isso? Eu disse 'Não, isso aqui não vai deixar de existir. Isso aqui vai
durar o tempo que ela aguentar nas paredes, né! Nós não vamos tirar.'” (Professora
de história do Colégio José Ferreira Pinto, Maria Manoela.)
Tiago Moralles: “Quando a vida
passa mais devagar, estamos
aproveitando os intervalos entre
uma importância e outra.” nos diz
@tfmoralles com essa imagem no
instagram14
As ruas
No tempo
em que havia ruas,
ao fim da tarde
minha mãe nos convocava:
era a hora do regresso.
E a rua entrava
connosco em casa.
Tanto o Tempo
morava em nós
que dispensávamos futuro.
Recolhida em meu quarto,
a cidade adormecia
no mesmo embalo da nossa mãe.
À entrada da cama,
eu sacudia a areia dos sonhos
e despertava vidas além.
Entre casa e mundo
nenhuma porta cabia:
que fechadura encerra
os dois lados do infinito?
Mia Couto, em Tradutor de chuvas
(des) ocupar tantas cidades? Muros? Kbças? Paredes? Mundos?
Quantas forem ocupáveis...
14
Imagem postada em 17/01/2016.
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ELENISE CRISTINA PIRES ANDRADE
Doutora em Educação - UNICAMP, Campinas, SP Brasil
Professora do Departamento de Educação da Universidade Estadual de Feira de Santana -
UEFS, Feira de Santana, BA Brasil - E-mail: nisebara@gmail.com
Recebido em: 31/03/2016
Aprovado em: 11/05/2016.
Como citar este documento:
ANDRADE, Elenise Cristina Pires. Ocupações (im)prováveis: que cidade devém?. ETD - Educação Temática
Digital, Campinas, SP, v. 18, n. 3, p. 651-669, jul. 2016. ISSN 1676-2592. Disponível em:
<http://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/etd/article/view/8644678>. Acesso em: 30 ago. 2016.
doi:http://dx.doi.org/10.20396/etd.v18i3.8644678.
... Gestos mínimos em meio a lugares 'máximos' que cotidianamente expulsam as sensações e exigem um conhecimento, uma informação. Um arrastar a arte para fraturar essas enunciações e emergir os lugares-sensações através dos gestos mínimos, que proporemos serem entendidos como um funcionamento diagramático (ANDRADE, 2016;ANDRADE;BASTOS, 2017). Arriscar, junto a essa perturbação, uma outra proposta de dizer (sobre) algo ao ressoar por riscos que atravessam as fotos, as esvaziam de alguns supostos sentidos. ...
... Gestos mínimos em meio a lugares 'máximos' que cotidianamente expulsam as sensações e exigem um conhecimento, uma informação. Um arrastar a arte para fraturar essas enunciações e emergir os lugares-sensações através dos gestos mínimos, que proporemos serem entendidos como um funcionamento diagramático (ANDRADE, 2016;ANDRADE;BASTOS, 2017). Arriscar, junto a essa perturbação, uma outra proposta de dizer (sobre) algo ao ressoar por riscos que atravessam as fotos, as esvaziam de alguns supostos sentidos. ...
... Propomos uma postura no desmanchar-se em possibilidades e ampliações de provoc-ações, multiplicação de sentidos atraversando imagens, borrando a fixidez do traço-palavra, do pixel-luz, perderse em qualquer século, (s)em busca. (Des)aproximações das imagens do plano estrito do registro e da veracidade através de vivências de um cotidiano (Andrade 2012(Andrade , 2015(Andrade , 2016 Tramar pelas cores, pela calça jeans, pelas escadas, pelas (des)atenções. Des-narrar (Andrade & Romaguera 2011;. ...
Article
Esse artigo quer discutir as potencialidades políticas e poéticas da fotografia e da escrita para a educação, a partir das oficinas de experimentações coletivas do Projeto Fabulografias em áfricas-cartões-postais. Busca por uma política visual, que conceba a imagem não como representação intacta de uma certa visibilidade, mas como possibilidades de criação de novas visualidades, na aproximação com a arte. Aposta na composição entre a criação do pensamento e da arte, como forma de potencializar conversas na área da educação e estudos da escrita e imagem, tendo os pensamentos de Gilles Deleuze como principais movimentadores teóricos. Assume as linguagens visuais e verbais como experimentação coletiva na educação, propondo a mixagem entre palavras, imagens e culturas.
Article
This article attends to Deleuze and Guattari's idea of a 'minor literature' as well as to Deleuze's concepts of the figural, probe-heads and the diagram in relation to Bacon's paintings. The paper asks specifically what might be usefully taken from this Deleuze-Bacon encounter for the expanded field of contemporary art practice.
Tradutor de chuvas Lisboa: Editorial Caminho Disponível em: <http://goo.gl/q7DNSE>
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COUTO, Mia. Tradutor de chuvas. Lisboa: Editorial Caminho, 2011. Disponível em: <http://goo.gl/q7DNSE>. Acesso em: 20 fev. 2016.
Que Ichu (des)enquadra em mim? Alegrar, Curitiba, PR, n. 16
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ALMEIDA, Edivan Carneiro de. Que Ichu (des)enquadra em mim? Alegrar, Curitiba, PR, n. 16. 2015. Disponível em: <http://goo.gl/qkmI1Z>. Acesso em: 18 fev. 2016. ISSN 1808-5148.
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  • Wenceslao Machado
  • Ana Francisca
  • Rosa Ramírez
  • Cerarols
  • Wenceslao Oliveira Júnior
  • Machado
OLIVEIRA JÚNIOR, Wenceslao Machado. Imagens desabam sobre paisagens -acidente e espaço acidental no cinema de Cao Guimarães. In: AZEVEDO, Ana Francisca ; RAMÍREZ, Rosa Cerarols; OLIVEIRA JÚNIOR, Wenceslao Machado (Orgs.). Intervalo II: entre geografias e cinemas. Braga: Universidade do Minho, 2015, p. 317-345. Disponível em: <http://goo.gl/iESbdc>. Acesso em: 20 fev. 2016.
(Orgs.) Linguagens e imagens: educação e políticas de subjetivação
  • Antonio Carlos Rodrigues De
AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de. n-imagens. In: CAMARGO, Maria Rosa; LEITE, César Donizetti; CHALUH, Laura (Orgs.) Linguagens e imagens: educação e políticas de subjetivação. Petrópolis: De Petrus et Alii, 2014.