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Atuação do profissional Farmacêutico frente ao uso de paracetamol como medicamento de venda livre

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Os medicamentos de venda livre podem ser propagandeados para a população leiga por vários meios de comunicação, o que produz um aumento no consumo desses medicamentos e consequentemente o aumento do número de intoxicações por fármacos. Com o passar dos anos as populações têm estado cada vez mais informadas, contudo, às vezes, não o suficiente para realizar a automedicação sem nenhuma orientação, é neste contexto que entra o conceito de automedicação responsável. Com uma lacuna na relação entre farmacêutico e paciente. Por várias vezes o farmacêutico não está disponível para cumprir o papel de orientar e a população, sequer requisita sua presença para sanar suas dúvidas e, além disso, existe um inimigo silencioso que compete contra a automedicação responsável: as propagandas de medicamentos. O medicamento paracetamol, quando tomado de forma racional e com sua indicação correta é um medicamento eficaz e seguro, mas que necessita de maiores cuidados quanto à dose a ser administrado, como qualquer medicamento, a fim de evitar o risco de intoxicação. O objetivo primordial dessa pesquisa foi de analisar a atuação do profissional farmacêutico frente ao uso de paracetamol como medicamento de venda livre, bem como conhecer a legislação que ampara a venda livre de medicamentos, verificar através de uma pesquisa de campo um levantamento do uso indiscriminado de medicamentos antigripais contendo o paracetamol e suas reações adversas além de identificar a importância da assistência farmacêutica ao dispensar esse medicamento. Foram entrevistados 30 clientes, dos quais14 fizeram o uso do antigripal Benegrip (38%), e 2 do paracetamol (5%), assim percebe-se que há uma grande diferença entre ambos, porém mesmo não tendo o nome comercial alguns possui o paracetamol em sua constituição. O uso inadequado do paracetamol pode gerar efeitos hepáticos, onde muitos não percebem a agressão que esse medicamento pode ocasionar. Desta forma, a atuação do farmacêutico é de grande importância seja no ambiente público ou privado, pois é através dele que o paciente necessita receber orientações sobre o uso racional e correto do medicamento, como também conscientizar o cliente que não adianta se automedicar pois a situação não será resolvida, apenas iniciara um novo processo de patologia dificultando o tratamento proposto.
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ISSN 2316-5081
Pinto, N. Q. O.; Silva, G.A.; Santos, E.C.G.; Brito, N.J.N.
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RESUMO:
Os medicamentos de venda livre podem ser propagandeados para a população leiga
por vários meios de comunicação, o que produz um aumento no consumo desses medicamentos e
consequentemente o aumento do número de intoxicações por fármacos. Com o passar dos anos as
populações têm estado cada vez mais informadas, contudo, às vezes, não o suficiente para realizar a
automedicação sem nenhuma orientação, é neste contexto que entra o conceito de automedicação
responsável. Com uma lacuna na relação entre farmacêutico e paciente. Por várias vezes o
farmacêutico não está disponível para cumprir o papel de orientar e a população, sequer requisita sua
presença para sanar suas dúvidas e, além disso, existe um inimigo silencioso que compete contra a
automedicação responsável: as propagandas de medicamentos. O medicamento paracetamol,
quando tomado de forma racional e com sua indicação correta é um medicamento eficaz e seguro,
mas que necessita de maiores cuidados quanto à dose a ser administrado, como qualquer
medicamento, a fim de evitar o risco de intoxicação. O objetivo primordial dessa pesquisa foi de
analisar a atuação do profissional farmacêutico frente ao uso de paracetamol como medicamento de
venda livre, bem como conhecer a legislação que ampara a venda livre de medicamentos, verificar
através de uma pesquisa de campo um levantamento do uso indiscriminado de medicamentos
antigripais contendo o paracetamol e suas reações adversas além de identificar a importância da
assistência farmacêutica ao dispensar esse medicamento. Foram entrevistados 30 clientes, dos
quais14 fizeram o uso do antigripal Benegrip (38%), e 2 do paracetamol (5%), assim percebe-se que
uma grande diferença entre ambos, porém mesmo não tendo o nome comercial alguns possui o
paracetamol em sua constituição. O uso inadequado do paracetamol pode gerar efeitos hepáticos,
onde muitos não percebem a agressão que esse medicamento pode ocasionar. Desta forma, a
atuação do farmacêutico é de grande importância seja no ambiente público ou privado, pois é através
dele que o paciente necessita receber orientações sobre o uso racional e correto do medicamento,
como também conscientizar o cliente que não adianta se automedicar pois a situação não será
resolvida, apenas iniciara um novo processo de patologia dificultando o tratamento proposto.
PALAVRAS-CHAVE: Paracetamol, Automedicação, Atuação do Farmacêutico.
ABSTRACT:
The prescription medicines may be advertised to the lay population by various means
of communication, which produces an increase in the consumption of these products and
consequently the increase in the number of poisonings by drugs. Over the years the populations have
been increasingly informed, but sometimes not enough to make self-medication without guidance; it is
in this context that enters the concept of responsible self-medication. The relationship between
pharmacist and patient has a gap. Several times the pharmacist isn’t available to fulfill the role of
directing and the population even requests your presence to their questions answered and, moreover,
there is a silent enemy that competes against the responsible self-medication: the drug
advertisements. The drug acetaminophen, when taken in a rational and correct your statement is an
ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL FARMACÊUTICO FRENTE AO USO DE
PARACETAMOL COMO MEDICAMENTO DE VENDA LIVRE
Nelson Quirino de Oliveira Pinto
1
Gabriel Araújo da Silva
2
Elizabeth Cristina Gomes dos Santos
3
Naira J. Neves de Brito
4*
1 Graduado em Farmácia, Faculdade de Colíder, FACIDER – MT.
2 Professor Assistente, Universidade Estadual do Amapá – UEAP.
3 Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde
4 Professora Doutora, FASIPE-MT.
Endereço para correspondência: Rua Carine, 11 Residencial Florença CEP 78.550 392 – Sinop – Mato Grosso Cx.
Posta l 820 – Mato Grosso, Brasil.
*E-mail: nairanbrito@yahoo.com.br
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effective and safe drug, but it needs more care as the dose to be administered, like any medicine, in
order to avoid the risk of poisoning. The primary objective of this research was to analyze the role of
the pharmacist regarding the use of acetaminophen as the counter medicine, as well as knowing the
law that supports the counter medication, check through a field research survey the indiscriminate use
of anti-flu medicines containing acetaminophen and its adverse reactions and identify the importance
of pharmaceutical care by dispensing the drug. Were interviewed 30 clients and 14 made using
Benegrip (38%), and 2 acetaminophen (5%), it is clear that there is a big difference between them,
even though not having the trade name has some acetaminophen in its constitution. Improper use of
acetaminophen can cause liver effects, where many do not realize that this aggression can cause.
Thus, the role of the pharmacist is of great importance whether in public or private, because it is
through him that the patient needs to receive guidance on the rational and correct medication, but also
educate the clients no use to self-medicate because the situation does not will be solved, just started a
new process of pathology hindering the proposed treatment.
KEYWORDS: Acetaminophen, Self-medication, Pharmaceutical performance.
_____________________________________________________________________________________________________
1 INTRODUÇÃO
Nos serviços de saúde oferecidos tanto em ambientes públicos quanto em
privados, deve-se visar uma melhoria na qualidade de vida com objetivo de
promover a saúde física e mental (ROCHA, 2008).
A procura pelos medicamentos de vendas livre, MIPs (Medicamentos Isentos
de Prescrição), também chamados de “over the counter” (sobre o balcão) é a
primeira opção da população para os problemas de saúde. Estes podem ser
comercializados sem prescrição médica, entretanto é relevante que haja a
orientação do profissional farmacêutico sobre o uso adequado desses
medicamentos (DANTAS, 2004), uma vez que usado de forma irracional pode
acarretar sérios agravos à saúde, resultando em possíveis intoxicações,
hospitalizações e óbitos (BRASIL, 1973).
O uso indiscriminado dos MIPs pode levar ao desenvolvimento de reações
alérgicas, bem como o aparecimento de sintomatologias inesperadas que
prejudicarão a saúde do paciente. Desta forma, mesmo considerados medicamentos
de venda livres, devem ser dispensados com a orientação do farmacêutico, que irá
auxiliar na escolha da melhor terapêutica (DANTAS, 2004,).
Estudos reportam que os analgésicos e antitérmicos estão entre os
medicamentos mais empregados, com ênfase para a dipirona e o paracetamol
(ABRAAO; SIMAS; MIGUEL, 2009; MAYOLO; FERNADES, 2012; OBU et al., 2012).
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O paracetamol, nome químico N- acetil p-aminofenol, conhecido como
acetaminofeno, tem como vantagens a sua variedade de vias de administração,
podendo ser administrado via oral, endovenosa e retal (KOROLKOVAS;
BURCKHALTER, 2008). Entretanto, a indução de lesão hepática no homem e em
animais experimentais apresenta-se como desvantagem para esse medicamento,
devido à ligação do seu metabólito tóxico, imina N-acetil-p-benzoquinona, a partir da
qual consegue-se calcular o risco de toxicidade baseado-se na concentração sérica
de paracetamol num determinado número de horas após a ingestão para determinar
o potencial risco de hepatotoxicidade. O nível de paracetamol é rastreado ao longo
do nomograma padrão, o qual sendo estabelecido nas primeiras quatro horas após a
ingestão pode subestimar o valor no organismo porque o paracetamol pode ainda
estar em vias de ser absorvido a partir do tracto gastrointestinal. Uma demora da
determinação do nível de paracetamol no organismo não é recomendável, uma vez
que nestes casos as estimativas poderiam não ser adequadas e um nível tóxico, em
qualquer momento, é suficiente para administrar o antídoto. Esse evento este
associado à depleção da glutationa reduzida (GSH), um importante composto
endógeno do sistema de defesa antioxidante (VASCONCELOS et al., 2007; PATEL
et al., 2011).
Assim, considerando a hepatotoxicidade do paracetamol, muitas vezes
desconhecida pela população, o presente trabalho objetiva promover um
levantamento do uso indiscriminado de medicamentos antigripais que contenham em
sua formulação este princípio ativo, bem como analisar a atuação do profissional
farmacêutico frente a essa situação.
2 DESENVOLVIMENTO
2.1 Considerações Gerais
Segundo Dantas et al, 2006, a produtividade humana teve um grande
aumento devido as exigências do mercado de trabalho, por ser tornar cada vez mais
competitivo e com isso as pessoas estão sempre a procura de soluções mais
rápidas para os problemas de saúde. Os medicamentos de venda livre são os
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primeiros escolhidos da população onde os mesmos podem ser vendidos sem
prescrição médica, não excluindo a orientação do farmacêutico sobre o uso correto
desses medicamentos.
Em tempos passados, grande parte dos medicamentos podiam ser adquiridos
nas farmácias sem receita médica, antes da criação da Food and Drug
Administration (FDA), instituição norte-americana de âmbito federal. Em linhas
gerais, qualquer produto podia ser engarrafado e vendido como se fosse capaz de
curar tudo, álcool, cocaína, maconha e ópio faziam parte desses produtos de venda
livre (VL), sem notificação aos consumidores conforme relatado por Dantas (2004).
Esse conceito foi modificado, visto que a Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (ANVISA,1973, p.5) define medicamento como sendo: “produto
farmacêutico, tecnicamente obtido ou elaborado, com finalidade profilática, curativa,
paliativa ou para fins de diagnóstico”.
A aprovação da Lei de Alimentos, Medicamentos e Cosméticos (AM&C) em
1938 deu à FDA alguma autoridade para emitir regulamentos, mas não
foram fornecidas diretrizes claras com relação aos medicamentos que
deveriam ser vendidos apenas com receita e os que teriam a venda liberada
sem receita. A Lei AM&C foi reformulada em 1951, em um esforço de
resolver os problemas de segurança e esclarecer a diferença entre
medicamentos VL e medicamentos de receita obrigatória. Foram
classificados como medicamentos de receita obrigatória os compostos
potencialmente capazes de formar hábito, os tóxicos ou inseguros para uso,
exceto sob supervisão médica (DANTAS, 2004, p. 72).
Os medicamentos isentos de prescrição médica, segundo a Resolução da
Anvisa RDC Nº.41 podem estar disponíveis ao alcance dos clientes nas drogarias e
farmácia do país nas gôndolas.
De acordo com a nova norma, os medicamentos de venda livre devem
permanecer em local separado àquele destinado aos produtos correlatos, como
cosméticos e produtos dietéticos, e devem ser organizados por princípio ativo com
intuito de facilitar a identificação pelos usuários. A resolução estabelece também
que, na área reservada aos medicamentos, devem ser afixados cartazes com a
seguinte orientação: “Medicamentos podem causar efeitos indesejados,evite a
automedicação: informe-se com o farmacêutico” (MOTA et al.,2012).
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2.2 Uso indiscriminado de antigripais contendo paracetamol
Os medicamentos antigripais são combinações de múltiplos fármacos com
ação analgésica, antipirética, descongestionante nasal, anti-histamínica e
antitussígeno, que acalmam provisoriamente os sintomas das constipações e gripes,
enquanto o organismo combate a infecção. Por norma o seu uso é feito por
automedicação (RIBEIRO et al, 2012).
Segundo a OMS a Reação Adversa a Medicamento (RAM), é definida como
"qualquer efeito prejudicial ou indesejado que se manifeste após a administração do
medicamento, em doses normalmente utilizadas no homem para profilaxia,
diagnóstico ou tratamento de uma enfermidade". A mortalidade e à morbidade
ocorridas nos sistemas de saúde podem estar relacionadas os uso irracional de
medicamentos, ressaltando a possibilidade de experimentar e observar os
problemas com medicamentos mesmos sendo utilizados corretamente (VEBER,
2006 p.35).
De acordo com dados da Organização Mundial de saúde (OMS), os hospitais
gastam de 15% a 20% de seus orçamentos para lidar com os problemas
relacionados ao mau uso de medicamentos, que podem levar a importantes agravos
à saúde dos pacientes, com relevantes repercussões econômicas e sociais e sendo
considerado atualmente um importante problema de saúde pública (BORTOLETTO
e BOCHNER, 1999).
O paracetamol é um medicamento, derivado do aminofenol apresenta boa
absorção pelo trato gastrointestinal, sendo a maior concentração plasmática entre 40
a 60 minutos após a administração. Tem metabolismo hepático, e os seus
catabólitos podem provocar quadros reativos lesivos às células hepáticas, podendo
também agravar condições pré-existentes, como hepatite viral crônica e ou cirrose
(KOROLKOVAS;BURCKHALTER,2008; SEBBEN et al., 2010)
Amplamente empregado no Brasil, é um fármaco que pertence à classe dos
antiinflamatórios não-esteroidais (AINEs), usado principalmente como analgésico e
antipirético, apresenta uma baixa atividade antiinflamatória, mas tem comprovado
eficácia clínica no alívio provisório de dores leves a moderadas associadas a
resfriado comum, dor de cabeça, dor de dente, dores musculares, dor nas costas,
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dores leves de artrite, cólicas menstruais e redução da febre, sendo eficaz em
bebês, crianças e adultos (ROCHA, 2008).
O medicamento paracetamol, quando tomado de forma racional e com sua
indicação correta é um medicamento eficaz e seguro, mas que necessita de maiores
cuidados quanto à dose a ser administrado, como qualquer medicamento, a fim de
evitar o risco de intoxicação. É contra indicado, mesmo nas doses habituais, para
pacientes portadores de quaisquer disfunções hepáticas (hepatites causadas por
vírus, alcoólicas ou cirrose), AIDS e doenças imunossupressoras. Em relação à
dengue, especialmente quanto a forma hemorrágica, ocorre necrose do tecido
hepático que pode evoluir em casos extremos, para a falência do órgão. Este fato
pode se agravar quando o paciente estar a fazer uso do paracetamol, pois, mesmo
em pequenas doses, esta droga agride a célula hepática e pode causar danos,
principalmente se se trata de um órgão comprometido. Por outro lado, a
superdosagem de paracetamol, por si só, implica em sofrimento agudo do fígado e
pode causar a falência do órgão em poucas horas (BRASIL, 2001).
2.3 Hepatotoxicidade do paracetamol
A hepatotoxicidade do paracetamol dentro do âmbito laboratorial pode ser
detectada nas alterações do aspartato amino transferase (AST) e na alanina amino
transferase (ALT), com alterações variáveis, com alguns sintomas inespecíficos
nestas manifestações clínicas variáveis (e.g., náuseas, palidez, epigastralgia e
vômitos), como também graves (e.g., encefalopatia, distúrbio da coagulação e dor no
hipocôndrio direito) (SEBBEN et al., 2010).
Segundo Melo, et al., 2007, relata que o Brasil apesar de ter uma legislação
que especifica bem a venda e a regularidade sobre a venda de medicamento em
locais adequados, e fácil encontrar a venda irregular como por exemplo em
supermercados, bares e armazéns. Segundo o estudo realizado na cidade de
Ribeirão Preto no Estado de São Paulo mostrou que 65,5% dos supermercados
comercializam medicamentos não regulamentados na legislação. Com a
implantação do Plano Real no ano de 1994 liberou por um ano a venda de
medicamentos em supermercados e locais similares, onde essas tentativas ocorrem
em caráter político e de grupos ligados ao varejo com intuito da criação de
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dispositivos que regulamentasse de forma permanente a venda livre dos
medicamentos nestes estabelecimentos. A população ainda acredita que os
medicamentos anódinos, denominados também de medicamentos isentos de
prescrição (MIP), conhecidos também internacionalmente como produtos “OTC”
(Over-the-Counter: sobre o balcão), podem apresentar um alto risco para a saúde
quando não utilizados corretamente daí a necessidade de uma orientação
farmacêutica adequada.
Um levantamento realizado sobre o uso incorreto do paracetamol mostrou
que de 22.165 mil casos de intoxicações medicamentosas registradas por seis
Centros de Controle de Intoxicações, 2.263 (10,21%) eram por medicamentos
anódinos sendo eles (paracetamol, dipirona e salicilatos) onde podem causar
gravíssimas lesões hepáticas, percebe-se que esses fatos acontecem devido a
ausência do profissional farmacêutico como também a falta de conscientização da
população sobre a automedicação, pois com as orientações sobre o uso racional de
qualquer medicamento pode-se evitar complicações mais graves. Com boa absorção
por via oral o paracetamol e apenas cerca de um terço ligasse as proteínas, onde
sua distribuição pelo corpo acontece uniformemente conjugando ao sulfato e o ácido
glicurônico, sua excreção e realizada rapidamente pela urina, o efeito após a dose
oral tem em média uma duração de três a cinco horas e a plasmática é de duas a
três horas nos efeitos adversos. O parecetamol em doses antipiréticas isoladas em
certas ocasiões pode ocorrer exantemas ou náuseas, e a leucopenia é rara, mas é
seguro e bem tolerado (ALONSO, et al., 2001).
2.4 Atuação do farmacêutico quanto ao uso indiscriminado destes medicamentos
Segundo Melo; Teixeira; Mânica (2007) o farmacêutico é o responsável
técnico legal de farmácias e drogarias. É o profissional habilitado a prover as
orientações indispensáveis sobre os medicamentos e sua correta utilização.
Apresenta como atribuições: elucidar a população quanto à forma de utilização dos
medicamentos; manter os medicamentos e substâncias medicamentosas
conservadas de acordo com o exigido pela legislação, de modo a serem fornecidos
nas devidas condições de pureza e eficiência.
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A assistência farmacêutica deve ser considerada como a integralidade das
diversas ações que devem ser realizadas dentro dos serviços de saúde, afim de
minimizar os erros ocorridos com o uso do medicamento que é um fator que vem
aumentando a cada dia e com isso pode haver um maior ou menor resultado
esperado dentro desse processo.Não se pode permitir que a assistência
farmacêutica seja reduzida somente aos processos logísticos realizados dentro do
âmbito farmacêutico como adquirir, armazenar e distribuir os medicamentos ou seja
deve ser discutida e realizada de forma integral e eficaz, agregando valores as
ações realizadas e melhorando assim os serviços de saúde evitando agravamento
das doenças ou o desenvolvimento de outras (BRASIL, 2006).
Para o desenvolvimento de uma boa integração e eficaz da Assistência
Farmacêutica no sistema de saúde, se faz necessário ser ter profissionais bem
qualificados, programar adequadamente as aquisições dos medicamentos e
correlatos a fim de atender a demanda existente, observar a seleção dos
medicamentos mais seguros, como também observar todo o processo de
armazenamento, distribuição e transporte adequados dos medicamentos garantindo
assim a qualidade do mesmo, como também disponibilizar as diretrizes de
tratamento e formulario terapêutico ao paciente e equipe multiprofissional, e assim
realizar a prescrição racional como também a orientação do uso correto do
medicamento aos usuários conforme sua especificidade, finalizando com o
monitoramento e avaliação de possíveis reações adversas, poderá se dizer que está
se desenvolvimento a assistência adequada (BRASIL, 2006).
A presença do profissional farmacêutico faz-se necessária em todos os locais
onde haja presença de medicamentos, de modo que o uso dos mesmos seja
realizado de maneira adequada e segura, atendendo ao que se propõe por meio
deles. (OLIVEIRA, 2010).
A assistência farmacêutica pode ser entendida como uma atividade
essencial para o adequado atendimento das necessidades dos indivíduos
que fazem uso dos diversos serviços de saúde disponíveis. De modo de
produzir, programar, adquirir, armazenar, distribuir e dispensar. (SILVA e
NASCIMENTO, 2009).
A assistência Farmacêutica em seu componente sico destina-se a
aquisição de medicamento e insumos de assistência farmacêutica no âmbito da
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atenção básica em saúde, e aquelas relacionadas a agravos e programas de saúde
específicos, já no componente estratégico destina ao financiamento para custeio de
ações de assistência farmacêutica nos seguintes programas de saúde estratégicos:
como tuberculose (TB), controle de endemias, malárias, doenças de chagas entre
outras doenças endêmicas e anti-retrovirais do Programa DST/AIDS. (ABRANTES,
2006).
Para Severino 2008, o farmacêutico desenvolve várias ações positivas para o
beneficio e melhoria do tratamento e qualidade de vida dos pacientes, para isso o
mesmo necessita estar bem articulado com uma equipe que esteja capacitada e
possa perceber o momento de intervir no tratamento do paciente caso perceba que
algo está sendo irregular do que foi repassado, e o profissional farmacêutico tem o
conhecimento teórico e cientifico para realizar a prática da orientação e assistência
farmacêutica sobre o uso correto de medicamentos, principalmente do paracetamol,
seja através de palestras, reuniões e demais ações que podem ser desenvolvidas
tanto no ambiente público ou privado, dando ao paciente a orientação adequada ao
uso de medicamento com ou sem prescrição da receita conforme legislação
(SEVERINO, 2008).
3 METODOLOGIA
3.1 Descrição da Pesquisa
O presente estudo objetivou avaliar os principais problemas de saúde
relacionados à venda indiscriminada de antigripais que contenham paracetamol,
como medicamento de venda livre.
Utilizou-se como instrumento para coleta de dados um questionário,
adaptado de Servidoni (2006), com 13 questões objetivas e subjetivas que foram
respondidas de forma aleatória pelos clientes da Drogaria Droga norte no Município
de Matupá - MT, considerando-se a amostragem por conveniência.
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3.2 Local de Estudo
O estudo foi realizado com clientes atendidos pela Drogaria Droganorte da
Cidade de Matupá – MT. No período de 01/04/2013 a 16/04/2013 no ano de 2013.
Localizada a 700 km de distância da capital do estado, no entroncamento das
BR-163 e MT-322 (Antiga BR-080). Considera-se como data de fundação de Matupá
o dia 19 de setembro de 1.984. A fundação é creditada à família Ometto, através da
Agropecuária do Cachimbo S/A.
O município de Matupá tem 5.152 Km² de área geográfica, a sede está
300 metros acima do nível do mar, tem uma população segundo dados do
IBGE/2007 de 14.243 habitantes, no pleito 2008 o município contou com 8.894
eleitores. Faz limite ao norte com o município de Guarantã do Norte e parte do Sul
do Pará, ao sul com o município de Peixoto de Azevedo, a leste com Peixoto de
Azevedo e a oeste com os municípios de Novo Mundo e Nova Guarita.
3.3 Coleta de Dados
Participaram da pesquisa clientes que aceitarem responder o questionário,
totalizando 30 pessoas. Essa etapa da pesquisa teve duração de 1 semana, na qual
os clientes retiravam suas fichas no balcão da drogaria, alguns respondiam no
momento que retiravam e outros entregaram em outro momento, a fim de se obter
uma média percentual em relação à venda indiscriminada de antigripais que
contenham paracetamol.
Os clientes que participaram da pesquisa receberam orientação para o devido
preenchimento do questionário, uma vez que as informações por eles fornecidas
apontam direções no sentido de implementações necessárias intervenções de saúde
na área especifica. A pesquisa foi realizada aleatoriamente afim de obter um
resultado diversificado e prezando pela autonomia e clareza nas respostas dadas
pelos clientes sem nenhuma ajuda ou indução de respostas dadas pelos mesmos,
portanto, a qualidade da informação é atributo básico para a confiabilidade dos
resultados. Todos os participantes assinaram um Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido.
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3.4 Critério de Inclusão
O critério de inclusão foi a concordância do cliente em responder o
questionário, assinando Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
3.5 Análise Estatística
Os dados obtidos no mês de maio do ano de 2013, conforme descrição no
tópico 4.3, foram incluídos em um banco de dado eletrônico para a análise
descritiva, sendo realizadas tabelas e figuras, utilizando-se do Sofware Microsoft-
Excel-Windows – 2007.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A pesquisa realizada com os clientes da Drogaria Droga norte sendo um
público de estimativa de 30 clientes que fazem o uso constantemente de
medicamentos seja eles através de prescrição médica ou mesmo de venda livre,
onde se buscou identificar por meio de questionamentos se os mesmos fazem a
leitura da bula ou mesmo se questionam o profissional farmacêutico sobre o uso
correto do medicamento.
A tabela 1 mostra a distribuição dos clientes por sexo, faixa etária e grau de
escolaridade dos mesmos. Considerando os 30 entrevistados 17 eram do sexo
feminino (57%) e 13 do sexo masculino (43%). Com relação à faixa etária adotou-se
a seguinte distribuição 04 com idade até 20 anos (13%), 12 entrevistados com idade
entre 31 a 40 anos de idade (40%), 12 entre 21 a 30 anos (40%) e 02 acima de 51
anos de idade (7%). Sobre o grau de escolaridade dos 30 clientes entrevistados, 11
possuem o ensino médio completo (37%), 10 cursaram o ensino superior completo
(33%), 07 entrevistados possuem o ensino fundamental incompleto (23%) e 02
possuem o ensino superior incompleto (7%).
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Tabela 1: Perfil epidemiológico da amostra
Características dos
entrevistados Descrição Respostas N Percentual (%)
Sexo Feminino 17 57%
Masculino 13 43
Idade
Até 20 anos
04
13%
Entre 31 a 40 12 40%
Entre 21 a 30 12 40%
Acima de 51anos. 02 7%
Grau de escolaridade
Ensino Médio Completo
11
37 %
Ensino Superior Completo 10 33 %
Ensino Fundamental Incompleto 07 23 %
Ensino Superior Incompleto 02 7 %
N (30) = total de entrevistados
O uso do medicamento incorreto pode gerar várias complições e serios
dandos ao paciente, porém muitos ainda não perceberam o grande problema
existentes ao fazerem o uso irracional do mesmo, sem a orientação ou prescrição
médica, e um dos casos e o paracetamol onde o paciente já faz o uso constante em
qualquer situação de dor ou mau estar, sem se preocupar em diagnosticar o que
desencadeou essa situação-doença e se faz o uso. O profissional farmacêutico
precisa estar atento a essas situações diante do medicamento de venda livre, pois o
mesmo e habilitado para estas orientações e muitas vezes se omite diante da
compra do cliente por acreditar que o mesmo já sabe a forma de uso e em algumas
vezes o medicamento e para outra pessoa e acredita-se que pode gerar o mesmo
resultado.
A tabela 2 mostra a distribuição dos clientes diante do uso de medicamento
sem receita médica, a compra para uso próprio ou outra pessoa, identifica o tempo
de uso desse medicamento, se seguiu as instruções da bula ou orientação do
farmacêutico, diante do tempo da sua consulta médica. Dos 30 clientes
entrevistados 29 fazem o uso de medicamento sem receita médica (97%), e 01 não
utilizada o medicamento sem receita médica (3%). Com relação se o medicamento
era para uso próprio 24 cliente disseram que sim (97%) e 06 clientes disseram que
não (3%). Sobre o tempo de uso da medicação, 04 clientes disseram que utilizam 01
dia (13%), 08 disseram que usam 02 dias (27%), e 18 relataram que fazem o uso de
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03 a 05 dias (60%). Com relação se segue as instruções da bula 13 clientes
informaram que sim (43%) e 17 não (57%). Se recebem orientação do profissional
farmacêutico 21 responderam que sim (70%), e 9 não (30%). E sobre a informação
da sua última consulta 02 responderam que faz menos de 01 semana (7%), 05 entre
01 semana e 01 mês atrás (17%), 10 entre 01 e 03 meses atrás (33%), 04 mais de 3
meses atrás (13%) e 09 não lembram (30%).
Tabela 2: Perfil epidemiológico da amostra
Características dos
entrevistados
Descrição Respostas N Percentual (%)
Uso de medicamento sem
receita médica
Sim 29 97%
Não 01 3%
Medicamento era para uso Próprio 24 97%
Outra Pessoa 06 3%
Tempo de uso da
medicação 01 dia 04 13%
02 dias 08 27%
03 a 05 dias 18 60%
Seguiu instruções da bula
Sim
13
43%
Não 17 57%
Orientação do Farmacêutico
Sim 21 70%
Não 9 30%
Última consulta médica Há menos de 01 semana 02 7%
Entre 01 semana e 01 mês atrás 05 17%
Entre 01 e 03 meses atrás 10 33%
Mais de 3 meses atrás 04 13%
Não lembro 09 30%
N (30) = total de entrevistados
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Deve-se haver uma melhor articulação para promover a fiscalização e a
realização de uma educação em saúde poderia sanar os riscos da automedicação
minimizando os índices existentes de reações adversas e seqüelas que às vezes
não são conhecidas por todos, e salientar que a presença do profissional
farmacêutico na farmácia ou drogaria é de fundamental importância afim de orientar
a população na correta utilização de qualquer medicamento.
A figura 1 mostra o uso de antigral nas diversas situações, onde alguns não
recebem nenhum tipo de orientação dos profissionais da saúde. Onde 01 faz uso de
um tipo de antigripal (3%), 8 fazem o uso do multigrip (21%), 14 usam o benegrip
(38%), 02 clientes fazem o uso do coristina D (5%), 04 utilizam o resfenol (11%), 02
fazem o uso de apracur (5%), 01 pessoa utiliza Vick (3%), 02 pessoas fazem o uso
do paracetamol (5%), 01 utiliza vitamina C (3%), 01 cliente utilizam o energil C (3%),
e 01 faz o uso de xarope (3%).
Figura 1 - Medicamento antigripal de maior utilização informados pelos
entrevistados durante a pesquisa, tendo em vista que a maioria fazem a
automedicação nesta situação de suspeita ou confirmação da gripe.
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A figura 2 mostra a quantidade de princípios ativos existentes em cada
medicamento, que os clientes fazem o uso. Com relação a quantidade 10 clientes
informaram que o medicamento que fizeram uso possui 1 tipo de principio ativo
(33%), 11 responderam que o medicamento possuem 02 princípios ativos (37%) e
09 informaram que possuem de 03 ou mais princípios ativos (30%).
Figura 2: Quantidade de princípios ativos do medicamento, informados pelos
entrevistados, onde muitos informaram conhecer a quantidade de princípios ativos
nos medicamentos, porém não conseguem perceber á sua função dentro do
metabolismo.
A
figura 3 mostra as sugestões dadas pelos clientes para melhoria do
atendimento e a utilização correta dos medicamentos. Onde 01 cliente relata da
revisão de saúde (15%), 01 a importância de palestras (14%), 02 sobre o uso de
chás (29%), 01 a importância da conscientização (14%), 01 a prevenção (14%), e 01
sobre a consulta médica (14%).
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Figura 3: Sugestões realizadas pelos entrevistados.
Em uma pesquisa realizada recentemente no município de Sinop,
observou-se, dentre 100 participantes, um alto índice de pessoas que praticavam a
automedicação, na qual o paracetamol foi o analgésico de segunda escolha para
sintomas comuns, medicamento este que pode desenvolver hepatotoxicidade,
quando utilizado incorretamente. Portanto, o seu uso não deve ocorrer de forma
aleatória (Zanato, 2014).
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente trabalho pretendeu estimular as discussões sobre a importância
do profissional farmacêutico frente ao uso de paracetamol como medicamento de
venda livre, garantido assim a qualidade e a promoção de saúde do usuário.
O sexo mais participativo na pesquisa foi o feminino, em um total de 17
(57%), mulheres entrevistadas, com faixa etária de 21 a 40 anos de idade e a
maioria possui o ensino médio. A maioria dos entrevistados 11 pessoas (37%) fazem
o uso de medicamentos que possuem mais de 2 princípios ativos.
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Os clientes fazem o uso de chás durante o uso de medicamentos sendo uma
porcentagem de 29% dos entrevistados, o que muitas vezes podem gerar alguma
reação adversa ou mesmo neutralizar o efeito do medicamento por não conhecer as
interações que podem ocorrer. Dos 30 clientes entrevistados 14 fazem o uso do
antigrapal Benegrip (38%), e 2 fazem o uso do paracetamol (5%), percebe-se que há
uma grande diferença entre ambos, porém mesmo não tendo o nome comercial
alguns possui o paracetamol em sua constituição.
O uso inadequado do paracetamol pode gerar efeitos hepáticos, os quais
muitos não percebem essa agressão que pode ocasionar.
Importante salientar que a legislação autoriza a venda de medicamentos
livres, porém o cliente deve sempre estar orientado pelo profissional habilitado para
repassar as demais informações de uso do medicamento como também orientar a
procurar novamente o médico caso haja alguma alteração, o que muitas vezes não
acontece seja por falha do profissional como também do paciente. O levantamento
realizado juntos à alguns clientes pode comprovar que muitos fazem o uso de
medicamento sem receita médica, consequentemente poucos leem a bula o que
poderá gerar futuramente problemas sérios e que nem todos se dão conta, pois
acreditam-se que por ser liberado sua venda os efeitos causados não são graves,
como e o caso do uso incorreto do paracetamol que muito tem causado efeitos
colaterais gravíssimos como a hepatotoxicidade que gera um grande dando a saúde
do paciente e em alguns casos gerando o processo terminal levando o paciente ao
óbito.
A importância de uma boa assistência farmacêutica no uso dos
medicamentos de venda livre e de grande importância, pois irá minimizar os efeitos
colaterais e demais situações que podem agravar o quadro clinico do nosso cliente.
A Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Isentos de Prescrição
reforça ainda mais esta importância que em algumas situações não são seguidas,
pois para a qual "mesmo (os medicamentos anódinos) sendo isentos da prescrição
médica, a busca de informações com um profissional farmacêutico para a compra de
medicamentos não-tarjados é muito importante" e "o farmacêutico transforma-se,
assim, numa figura fundamental para o exercício do direito dos usuários com a
própria saúde"
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Deve-se unir as forças os profissionais farmacêuticos realizando uma
assistência farmacêutica adequada a todos que procuram o seu estabelecimento
afim de adquirir a medicação principalmente o paracetamol, e os clientes que
necessitam ter a consciência que o uso incorreto de medicamento pode gerar um
sério dando a sua saúde.
ABRANTES, Abdias. A inserção do farmacêutico no PSF. Correio da Tarde,
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Pinto, N. Q. O.; Silva, G.A.; Santos, E.C.G.; Brito, N.J.N.
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Monografia de Conclusão de Curso – FASIP – Faculdade de Sinop.
... Por se tratar de um medicamento de venda livre, o paracetamol é muito utilizado nos casos de dores leves a moderadas e, também, como antipirético -principalmente em crianças e em gestantes 10 . O uso contínuo e exagerado se torna algo comum, por ser um medicamento de fácil acesso e de baixa percepção sobre sua toxicidade -que pode ser acentuada quando associada a outras substâncias 11,12 . Embora o paracetamol seja usado com segurança por milhões de pessoas a cada ano, doses elevadas resultam em efeitos adversos importantes 13 . ...
Article
Full-text available
Interações medicamentosas graves relacionadas às intoxicações por paracetamol.
... O paracetamol, de nome químico N-acetilp-aminofenol, também conhecido como acetaminofeno, é uma droga analgésica e antitérmica, pertencente à classe dos antiinflamatórios não-esteroidais (AINEs) (PINTO et al., 2015). São agentes de primeira linha para tratamento de crises leves a moderadas de enxaqueca ou crises graves (BRASIL, 2012), resfriados, gripe, dores musculares, entorses, dores nas costas (incluindo dor lombar), dismenorreia, dores de artrite menor e dores de dente. ...
... O paracetamol, de nome químico N-acetilp-aminofenol, também conhecido como acetaminofeno, é uma droga analgésica e antitérmica, pertencente à classe dos antiinflamatórios não-esteroidais (AINEs) (PINTO et al., 2015). São agentes de primeira linha para tratamento de crises leves a moderadas de enxaqueca ou crises graves (BRASIL, 2012), resfriados, gripe, dores musculares, entorses, dores nas costas (incluindo dor lombar), dismenorreia, dores de artrite menor e dores de dente. ...
... O paracetamol, de nome químico N-acetilp-aminofenol, também conhecido como acetaminofeno, é uma droga analgésica e antitérmica, pertencente à classe dos antiinflamatórios não-esteroidais (AINEs) (PINTO et al., 2015). São agentes de primeira linha para tratamento de crises leves a moderadas de enxaqueca ou crises graves (BRASIL, 2012), resfriados, gripe, dores musculares, entorses, dores nas costas (incluindo dor lombar), dismenorreia, dores de artrite menor e dores de dente. ...
... O paracetamol, de nome químico N-acetilp-aminofenol, também conhecido como acetaminofeno, é uma droga analgésica e antitérmica, pertencente à classe dos antiinflamatórios não-esteroidais (AINEs) (PINTO et al., 2015). São agentes de primeira linha para tratamento de crises leves a moderadas de enxaqueca ou crises graves (BRASIL, 2012), resfriados, gripe, dores musculares, entorses, dores nas costas (incluindo dor lombar), dismenorreia, dores de artrite menor e dores de dente. ...
Article
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Apesar de ilegal, a prática da venda de medicamentos em locais inadequados e não permitidos por lei, como armazéns e supermercados, sempre foi bastante comum no Brasil. A Medida Provisória (MP) 592/94, que implantou o Plano Real, liberou a venda de medicamentos anódinos nestes estabelecimentos; porém, este artigo foi suprimido quando a mesma foi convertida na Lei 9.069/95. A partir daí, iniciou-se uma série de tentativas de legalização deste comércio, que só se encerraram em 2004, com a proibição pelo STJ de tal comercialização. Mesmo assim, o comércio continua a ocorrer de forma ilegal. Este trabalho apresenta um histórico dos acontecimentos compreendidos entre 1994 e 2006, visando fornecer um material de atualização ao farmacêutico, acadêmicos e pesquisadores da área, devido à escassez de material bibliográfico sobre este tema específico.Although not legal, the practice of selling medications through unlicensed outlets such as stores and supermarkets has long been common in Brazil. Introducing the Real Economic Stabilization Plan, Provisional Measure 592/94 allowed the sale of non-prescription medications (anodynes) in such establishments. However, this item was suppressed when this Provisional Measure was enacted as Law Nº 9,069/95. Since then, other attempts have been made to establish this type of trade in medications, forbidden in 2004 through a decision handed down by the Superior Court of Justice. Nevertheless, this unlawful trade in medications still continues. Due to the scarcity of publications on this specific issue, this paper offers an updated overview for druggists, pharmacists, academics and researchers, describing the events that took place between 1994 and 2006.
Article
Full-text available
Atenção Farmacêutica, prática recente da atividade farmacêutica, prioriza a orientação e o acompanhamento farmacoterapêutico e a relação direta entre o farmacêutico e o usuário de medicamentos. Na maioria dos países desenvolvidos a Atenção Farmacêutica já é realidade e tem demonstrado ser eficaz na redução de agravamentos dos portadores de patologias crônicas e de custos para o sistema de saúde. No Brasil, esta atividade ainda é incipiente e alguns fatores dificultam sua implantação, entre outros, a dificuldade de acesso ao medicamento por parte dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), Unidades Básicas de Saúde sem farmacêutico e a ausência de documentação científica que possibilite demonstrar aos gestores do sistema público e privado que a implementação da Atenção Farmacêutica representa investimento e não custo. Por outro lado, sendo nova atividade do profissional farmacêutico, torna-se primordial que as instituições de ensino farmacêutico promovam adaptações curriculares, de modo a fornecer o conhecimento formal necessário ao desempenho desta atividade. Esta revisão discute a Atenção Farmacêutica nos países em que esta se encontra mais evoluída e teve como base a busca de artigos publicados nos periódicos indexados no MedLine/Pubmed (www.ncbi.nlm.nih.gov/PubMed) até 31/12/2007. Com a revisão bibliográfica foi possível comparar com outros países as dificuldades encontradas no Brasil, para a implantação e implementação da Atenção Farmacêutica e as perspectivas para a sedimentação dessa prática no futuro.
Article
Automedicacao e a administracao de medicamentos sem orientacao ou prescricao medica. O habito de automedicar-se pode provocar danos a saude ou mesmo mascarar sintomas de doencas mais graves. O farmaceutico e o profissional que conhece os aspectos do medicamento e, portanto, ele pode dar uma informacao privilegiada as pessoas que o procuram, na farmacia. O Brasil assume a quinta posicao na listagem mundial de consumo de medicamentos, estando em primeiro lugar em consumo na America Latina e ocupando o nono lugar no mercado mundial em volume financeiro. Tal fato pode esta relacionado as 24 mil mortes anuais no Brasil por intoxicacao medicamentosa. Diante deste contexto, tornam-se necessarias medidas preventivas de modo a contribuir para a diminuicao diaria de riscos causados pela automedicacao e consequentemente tornar visivel a conscientizacao da populacao quanto ao perigo dos efeitos adversos que certos medicamentos podem causar. 10.5216/ref.v5i1.4616
O profissional farmacêutico na assistência ao PSF: atuação do farmacêutico no núcleo de assistência à saúde da família -NASF. Primeira Versão
  • Franciéle Oliveira
  • Mayra
OLIVEIRA, Franciéle Mayra. et al. O profissional farmacêutico na assistência ao PSF: atuação do farmacêutico no núcleo de assistência à saúde da família -NASF. Primeira Versão, edição nº. 265, Porto Velho, 2010.
Validação de metodologia analítica e estudo de estabilidade para quantificação sérica de paracetamol
  • Sebben
  • Lugoch Vc
  • Schlinker Rw
  • Arbo Cs
  • Md
  • Vianna Rl
SEBBEN VC, LUGOCH RW, SCHLINKER CS, ARBO MD, VIANNA RL. Validação de metodologia analítica e estudo de estabilidade para quantificação sérica de paracetamol. J BrasPatolMed Lab. v.46, n.2, 2010.
Perfil da mortalidade por intoxicação com medicamentos no Brasil
  • D M Melo
  • J R F Freitas
  • D R C Machado
MOTA, D. M.; MELO, J. R.F.; FREITAS, D. R. C.; MACHADO, M. Perfil da mortalidade por intoxicação com medicamentos no Brasil, 1996-2005: retrato de uma década. Ciência & Saúde Coletiva. v.17, n.1, pg. 61-70, 2012.
Saúde Pública Bases Conceituais
  • Aristides Almeida
  • Chester Luiz Galvão
ROCHA, Aristides Almeida, CESAR, Chester Luiz Galvão. Saúde Pública Bases Conceituais. 1 ed. São Paulo: Atheneu, 2008.
  • Univali Editora Da
Editora da UNIVALI, 2008, p. 75-83.Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas vol.42 nº.1 São Paulo 2008.
Perfil da mortalidade por intoxicação com medicamentos no Brasil, 1996-2005: retrato de uma década
  • D M Mota
  • J R F Melo
  • D R C Freitas
  • M Machado
MOTA, D. M.; MELO, J. R.F.; FREITAS, D. R. C.; MACHADO, M. Perfil da mortalidade por intoxicação com medicamentos no Brasil, 1996-2005: retrato de uma década. Ciência & Saúde Coletiva. v.17, n.1, pg. 61-70, 2012.
O farmacêutico na Atenção à Saúde. Itajaí: Editora da UNIVALI
  • A P Veber
  • Atuação Do Farmacêutico Na Saúde Da Família
  • Cordeiro In
  • Benedito Carlos
  • Silvana Nair
VEBER, A. P. A Atuação do Farmacêutico na Saúde da Família. In CORDEIRO, Benedito Carlos, LEITE, Silvana Nair. O farmacêutico na Atenção à Saúde. Itajaí: Editora da UNIVALI, 2008, p. 75-83.Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas vol.42 nº.1 São Paulo 2008.