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Abstract and Figures

This article uses a database with a high level of disaggregation in order to measure the impact of Mercosur on the improvement of the new business relationships. So that, it will consider the extensive margin definition of trade developed by Baldwin & Di Nino (2008), namely: the number of products that did not belong to export products before signing the bilateral agreement. The results indicate that Mercosur has a positive impact on the probability of a new class of product to be traded (around 1.87%). It was also noted that Paraguay and Uruguay were the most benefit countries with the agreement.
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ISSN 0034-7140
DOI 10.5935/0034-7140.20160015
Revista Brasileira de Economia,70(3), 305–314
O Efeito do Mercosul Sobre a
Comercialização de Novos Produtos*
Erik Figueiredo
Alexandre Loures
Sumário: 1. Introdução; 2. O que os dados têm a dizer?; 3. Especificação econométrica; 4. Resultados;
5. Conclusão.
Palavras-chave: Equação Gravitacional, Margem Extensiva de Comércio, Mercosul.
Códigos JEL: C33, C55, F14, F15.
Este artigo utiliza um banco de dados com elevado nível de desagregação com
intuito de mensurar o impacto do Mercosul sobre a criação de novas relações
comerciais. Para tanto, será utilizada a definição de margem extensiva de co-
mércio contida em Baldwin & Di Nino (2008), qual seja: o número de produtos
que não pertenciam a pauta de exportação antes da assinatura do acordo bilate-
ral. Os resultados indicam que o Mercosul possui um impacto positivo sobre a
probabilidade de uma nova categoria de produtos ser comercializada(em torno
de 1,87%). Observou-se também que Paraguai e Uruguai foram os países mais
beneficidados com o acordo.
This article uses a database with a high level of disaggregation in order to measure
the impact of Mercosur on the improvement of the new business relationships. So
that, it will consider the extensive margin definition of trade developed by Baldwin
& Di Nino (2008), namely: the number of products that did not belong to export prod-
ucts before signing the bilateral agreement. The results indicate that Mercosur has
a positive impact on the probability of a new class of product to be traded (around
1.87%). It was also noted that Paraguay and Uruguay were the most benefit coun-
tries with the agreement.
*Agradecemos a um parecerista anônimo isentando-o de eventuais erros e/ou omissões cometidos ao longo do texto. Também
somos gratos ao suporte financeiro do CNPq por meio do projeto 441473/2014-8.
Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA), Programa de Pós-Graduação em Economia
(PPGE). Cidade Universitária, Campus I, João Pessoa, PB, Brasil. CEP 58051-900. Email: eafigueiredo@gmail.com
Universidade Federal da Paraíba, Centro de Ciências Sociais Aplicadas (UFPB/CCSA), Departamento de Economia. Cidade Univer-
sitária, Campus I, João Pessoa, PB, Brasil. CEP 58051-900. Email: alexandre.loures@ymail.com
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Erik Alencar de Figueiredo e Alexandre Rodrigues Loures
1. INTRODUÇÃO
Os Regional Trade Agreements (RTAs) têm se constituído como uma das principais ferramentas de
facilitação do comércio bilateral. Para se ter uma ideia, em 1992 haviam apenas 28 RTAs em vigência. Esse
número passou para 273 em 2015, um crescimento de 875% (ver Figura 1). Uma das razões para esse
comportamento reside na constatação de que RTAs impulsionam em quase cinco vezes o comércio entre
os seus membros (Baier & Bergstrand,2007). Ademais, seus efeitos positivos também são registrados
sobre outros fluxos econômicos, tais como, FDI e migração (Baltagi, Egger & Pfaffermayr,2008;Orefice,
2015).
Recentemente, Baier, Bergstrand & Feng (2013) chamaram a atenção para duas importantes fon-
tes de heterogeneidade dos efeitos dos RTAs. Primeiro, registram-se diferenças de acordo com o nível de
profundidade. Regra geral, acordos mais profundos, como a união aduaneira, possuem um efeito mais ex-
pressivo sobre o fluxo comercial quando comparadas, por exemplo, aos acordos de comércio preferencial
uni- e multi-laterais (PTAs). Segundo, os RTAs tendem a apresentar um efeito contemporâneo mais forte
sobre a margem intensiva de comércio — média do valor dos produtos já comercializados no mercado
internacional — do que sobre a margem extensiva — número de produtos comercializados.
A constatação empírica dos efeitos heterogêneos dos RTAs nas margens comercializáveis estão em
consonância com as predições das teorias modernas de comércio. Os modelos de Melitz (2003) e Chaney
(2008), por exemplo, consideram que apenas as firmas mais produtivas são capazes de suplantar um de-
terminado nível de custo fixo de entrada no mercado internacional. Nesse sentido, caso o RTA reduza esse
custo, haverá um maior número de empresas aptas a direcionar seus produtos para o mercado externo,
aumentando a margem extensiva de comércio. De outro lado, uma queda no custo variável estimularia
o comércio de bens já comercializados, ou seja, impactaria na margem intensiva de comércio.1
Figura 1. Acordos em vigor por ano (acumulado).
1992199219921992199219921992199219921992199219921992199219921992199219921992199219921992199219921992199219921992199219921992199219921992199219921992199219921992199219921992199219921992199219921992199219921992199219921992199219921992
0
100
200
1960 1980 2000
Ano
Fonte: Organização Mundial do Comércio (OMC)
Número de acordos em vigor
1A discussão sobre os efeitos dos custos sobre a margem intensiva de comércio é controversa. Para maiores detalhes, ver Dutt,
Mihov & Van Zandt (2013).
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O efeito do Mercosul sobre a comercialização de novos produtos
Recentemente, Baldwin & Di Nino (2008) contestaram a definição tradicional de margem extensiva
de comércio. Para esses autores, a margem extensiva deve ser entendida como o número produtos que
não faziam parte da pauta de exportação antes da assinatura do RTA. Esse resultado ficou conhecido
como a “hipótese dos novos produtos”. Sob ela, a adoção de uma moeda comum operaria da mesma
forma que uma união aduaneira, reduzindo os custos comerciais e estimulando o comércio de novos
produtos entre seus membros. De fato, Baldwin & Di Nino (2008) demonstram que o uso comum do Euro
estimula a exportação de novos produtos ao invés de simplesmente aumentar o volume de comercializa-
ção dos bens que já eram comercializados antes da integração econômica, ou seja, os acordos bilaterais
de comércio possuem um efeito mais expressivo sobre o novo conceito de margem extensiva.
Diante do exposto, este estudo pretende investigar qual o impacto do Mercosul sobre a entrada
de novos produtos na pauta de exportação dos países membros. Tal análise torna-se possível uma vez
que o Mercosul encontra-se na segunda fase de uma integração econômica, união aduaneira, em que
se eliminam ou se reduzem substancialmente todos os direitos aduaneiros e restrições comerciais, no
intercâmbio de produtos originários da região, bem como estabelece uma Tarifa Externa Comum (TEC)2
e uma mesma política comercial, em relação a produtos originários de terceiros países.
Para alcançar esse objetivo, o paper adotará os seguintes procedimentos metodológicos:
(i) Utilização de uma base de dados com um alto nível de desagregação permitindo captar a comer-
cialização de novos produtos;
(ii) Assume-se como regressando uma variável binária em que um representa fluxo de comércio posi-
tivo enquanto zero caracteriza a ausência de comércio ou censura aos dados;
(iii) Um grupo de tratamento composto pelos membros plenos do Mercosul (Brasil, Argentina, Para-
guai, Uruguai e Venezuela) e dois grupos de controle: um formado por Bolívia, Chile e Peru e o
outro por Alemanha, Estados Unidos e Holanda; e
(iv) o uso do estimador Logit com erros robustos à heterocedasticidade.
Além desta Introdução este artigo está organizado da seguinte forma: Na seção 2 objetiva-se
identificar, isso é, ratificar a hipótese dos bens recém comercializados através de uma análise dos da-
dos. Detalhes sobre a especificação econométrica e a estimação são mostrados na seção 3. Na seção 4
apresentam-se e se discutem os resultados. Na seção 5 são feitas as considerações finais.
2. O QUE OS DADOS TÊM A DIZER?
Os dados utilizados neste artigo foram extraídos da Base pour l’Analyse du Commerce International
(BACI)3, do Centre D’Estudes Prospectives Et D’Informations Internationales (CEPII). Esse conjunto de dados é
a base sobre o comércio internacional que abrange o maior número possível de países e cuja classificação
de agregação é denominada de Sistema Harmonizado de quatro dígitos (HS4),4em substituição à Clas-
sificação Padrão do Comércio Internacional (SITC)5de quatro dígitos. O Sistema Harmonizado, criado em
1988, caracteriza-se como uma classificação internacional de mercadorias baseada em códigos e suas res-
pectivas descrições cujo objetivo é promover o aprimoramento do comércio internacional permitindo
2Caracteriza-se como uma tarifa aduaneira comum a todos os membros da Área Livre de Comércio (ALC) e válida para importações
provenientes de fora do bloco e cujo objetivo é aumentar a eficiência intrabloco.
3Anualmente os países reportam à Divisão de Estatística das Nações Unidas os respectivos fluxos comericiais bilaterais e, assim,
essa divisão monta a base de dados denominada de Commodities Trade Statistic database (COMTRADE), representando mais de 95%
do comércio mundial e sendo a única fonte de informação para a elaboração da BACI. Para mais detalhes veja Gaulier & Zignago
(2010).
4Harmonized System 4.
5Abreviação em inglês para Standard International Trade Classification (SITC).
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comparações e análises estatísticas entre os países bem como facilitar as negociações internacionais
(através da padronização das informações).
Contudo, essa base possui uma desvantagem em relação ao nível de agregação causando assim
dois importantes problemas. Primeiramente, uma vez que cada uma dessas categorias abrange uma am-
pla gama de produtos ocorrerá que uma mesma categoria abrigará tanto bens que já eram comercializa-
dos antes da implementação de um RTA bem como bens que não eram comercializados, inviabilizando
mensurar o impacto total de um acordo comercial regional sobre a margem extensiva. Segundo, como
as grandes economias, na maioria das vezes, comercializa uma ampla gama de produtos, então, após
a assinatura de um RTA o impacto sobre a margem extensiva será menor comparativamente a uma pe-
quena economia. Por exemplo, ao analisarem o efeito do uso do Euro sobre a margem extensiva Baldwin
& Di Nino (2008) verificaram que o impacto foi maior para as menores economias, denominando esse
problema de viés de agregação. Diante do exposto, a base ideal seria em nível de firma, o que permitiria
capturar o impacto total sobre a margem extensiva, porém essa não está disponível para o Mercosul.
Dessa forma, considerando os dados do Mercosul em que, em 1991, o número de categorias co-
mercializadas por cada um dos membros plenos foi de: i) Brasil, 1.043; ii) Argentina, 934; iii) Paraguai,
249; iv) Uruguai, 505; e v) Venezuela, 584. Com isso, é de se esperar que após a implementação do
Mercosul a margem extensiva brasileira tenha sofrido o menor impacto, comparativamente aos demais
países. Assim, objetivando verificar essa hipótese analisaram-se os resultados para 2010 e, conforme
aFigura 2, nota-se que os valores para Brasil e Paraguai foram respectivamente, 1.150 (10,3%) e 535
(114,9%), corroborando com a percepção inicial. Contudo, a maior variação foi para a Bolívia (Estado
associado) com 348,7% de aumento, pois antes do Mercosul haviam 119 categorias comercializadas e
depois essas totalizaram 534. Esses resultados demonstram que para o comércio internacional em 2010
a margem extensiva do Mercosul variou entre 10,3% à 348,7%, considerando 1991 como o ano base, isso
é, evidenciaram o tamanho significativo da margem extensiva (Figura 2).
Todavia, como a informação central6para a hipótese dos bens recém comercializados é a queda no
número de “zeros” na matriz de comércio dos membros do Mercosul verificar-se-á através de uma abor-
Figura 2. Evolução no número de bens comercializados.
19.3
348.7
10.3
20
19.7
108.4
35.4
122.6
139.5
114.9
34.1
10.8
Argentina
Bolí-via
Brasil
Chile
Colômbia
Equador
México
Nova Zelândia
Peru
Paraguai
Uruguai
Venezuela
0 100 200 300
Percentual
Fonte: Base pour l'Analyse du Commerce International (BACI).
Paí-ses
6Segundo Baldwin, Di Nino, Fontagné, De Santis & Taglioni (2008, p.86) “a hipótese dos bens recém comercializados está totalmente
alicerçada sobre a redução no número de ‘zeros’ no fluxo de comércio.”
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O efeito do Mercosul sobre a comercialização de novos produtos
dagem de diferenças-em-diferenças7a queda do fluxo de comércio contabilizado como “zero” entre os
membros plenos do Mercosul em relação ao comércio entre membros e não-membros. Segundo Baldwin
& Di Nino (2006) a primeira diferença caracteriza-se como sendo uma análise de estática comparativa
na mudança dos “zeros” entre os períodos anteriores e posteriores a implementação do RTA enquanto a
segunda diferença representa uma comparação entre o fluxo de comércio bilateral dos membros do Mer-
cosul e dos não-membros. Se a hipótese dos bens recém-comercializados estiver certa o que se verificará
é uma queda maior nos “zeros” entre os membros do Mercosul do que entre esses e os não-membros.
Contudo, como destacado por Baldwin & Di Nino (2008) embora essa informação seja um bom
indicativo para a evolução dos “zeros” na matriz de comércio ela pode ser espúria, uma vez que a queda
no número de “zeros” pode ter como consequência outros motivos do que única e exclusivamente a
implementação de um RTA. Por exemplo, mudanças nos hábitos de consumo dos agentes econômicos
nos países membros de um RTA podem induzir essas nações a importarem mais de todos os demais
países. Então, é de suma importância analisar também a evolução dos “zeros” no fluxo comercial entre
os não-membros e os membros bem como o comércio exclusivamente entre os não-membros.
Por simplicidade e padronização de agora em diante os fluxos de comércio entre membros e não-
membros8serão representados da seguinte forma: SUR11,SUR10,SUR00 eSUR01 em que o primeiro nu-
meral representa o país de origem enquanto o segundo o de destino. Assim, SUR11 quer dizer que o
exportador é um membro do Mercosul assim como o importador, SUR10 o exportador é um membro do
Mercosul e por sua vez o importador é um não-membro, SUR00 tanto o exportador quanto o importador
são não-membros do Mercosul e SUR01 o exportador é um não-membro e o importador é membro do
Mercosul.
Percebe-se pela Figura 3 que os “zeros” das matrizes comerciais de todos os fluxos comerciais
(SUR11,SUR10,SUR01 eSUR00) apresentaram uma tendência de queda desde o fim da década de 80, o
que pode estar relacionado ao processo de globalização, porém o comportamento da variável SUR11
destoa das demais. Após a constituição do Mercosul o que se nota é uma forte redução no número de
“zeros”, principalmente a partir de 1992, resultando numa queda de 30% em 1995. O comportamento dos
períodos seguintes é marcado por alguns “picos” e “vales” atingindo em 2005 o maior nível de redução
(33%). O grupo de controle para essa variável, SUR00, também apresentou um comportamento de queda
no período, entretanto, mais suavizado (embora em anos recentes tem sido maior do que o do Mercosul).
Como um teste de robustez analisou-se o comportamento da variável SUR01 verificando, Figura 3,
que assim como as demais, essa curva apresentou uma tendência de queda, porém foi o movimento mais
suavizado de todas as curvas, demonstrando que foi o Mercosul e não motivos outros que provocaram
a redução no número de “zeros”. Já com relação a variável SUR10 nota-se que o Mercosul impulsionou
também as exportações dos membros para os não-membros.
Importante destacar que uma parcela dos “zeros” na BACI são dados censurados, pois as transa-
ções inferiores a US$1.000 não são contabilizadas no comércio internacional e, dessa forma, os “zeros”
podem representar tanto a ausência de comércio bem como censura aos dados.
3. ESPECIFICAÇÃO ECONOMÉTRICA
Essa seção irá apresentar o modelo empírico para testar a hipótese dos bens recém comercializados
proposta por Baldwin & Di Nino (2008). Conforme essa hipótese com a constituição de um acordo de
integração econômica a tendência é que haja reduções nos custos fixos de entrada em um novo mercado
exportador e/ou quedas nos custos variáveis do comércio e, dessa forma, algumas firmas que antes não
participavam do mercado externo passarão a exportar. Intuitivamente parece lógico que uma forma de
7Em experimentos naturais sempre haverá um grupo de tratamento, que foi afetado pelo evento, quanto um grupo de controle,
não afetado pela mudança. Sendo que ambos apresentam características semelhantes.
8Os não-membros são representados pelo grupo de controle, ou seja, Bolívia, Chile e Peru.
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Figura 3. Evolução dos zeros (base 1991).
1991199119911991199119911991199119911991199119911991199119911991199119911991199119911991199119911991199119911991199119911991199119911991199119911991199119911991199119911991199119911991199119911991199119911991199119911991199119911991199119911991199119911991199119911991199119911991199119911991199119911991199119911991199119911991199119911991199119911991
0.8
1.0
1.2
1990 1995 2000 2005 2010
Ano
Fonte: Base pour l'Analyse du Commerce International (BACI).
Percentual (base 1991)
SUR11
SUR10
SUR01
SUR00
testar essa hipótese é estimar o impacto da adoção do Mercosul sobre a probabilidade de que uma nova
categoria de bens seja exportada. Para calcular essa probabilidade optou-se pelo modelo de resposta
qualitativa Logit. Como variável dependente, xi j , considerou-se um para o comércio bilateral positivo e
zero caso contrário.
Seguindo uma estratégia similar a de Santos Silva & Tenreyro (2010), serão considerados dois gru-
pos de países em cada estimação. Um grupo de tratamento, composto pelos membros plenos do Mer-
cosul: Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela e; um grupo de controle, composto por: Bolívia,
Chile e Peru.9Como medida de robustez, foram adicionadas estimativas considerando um segundo grupo
de controle composto exclusivamente por países desenvolvidos (Alemanha, Estados Unidos e Holanda).
O modelo inclui uma variável dummy denominada Laço Comercial. Ela identifica o grupo de trata-
mento, Mercosul, durante todo o período de análise. Como explicado em Santos Silva & Tenreyro (2010),
essa variável serve para controlar uma possível endogeneidade oriunda de características não observá-
veis entre os pares de países pertencentes ao Mercosul e os demais países pertencentes ao grupo de
controle. A variável de interesse será a dummy de Mercosul com valor um para os membros plenos do
bloco e zero caso contrário, a partir do ano da entrada em vigor do bloco (1991–2010). Também serão con-
sideradas variáveis tradicionais dos modelos gravitacionais: o logaritmo da distância, Log Distânciai j ,
entre os parceiros comerciais para avaliar o impacto do custo de transporte sobre o comércio internaci-
onal, uma dummy Fronteirai j com um para países que são fronteiriços e zero se não compartilham de
uma mesma fronteira e uma dummy Idiomai j que assume um se o parceiro comercial possui o mesmo
idioma e zero caso contrário.
Como proxy para os índices de preços, os termos de resistências multilaterais (TRMs) que não são
observáveis, também foram incluídos como regressores dummies de efeito fixo:10 um vetor ϱi,trepre-
sentando dummies variantes no tempo para países de origem e um vetor ςj,tcaracterizando dummies
variantes no tempo para países de destino, ou seja, controlando respectivamente para as resistências
multilaterais externas e internas. Por fim, foi introduzido um termo de erro εij . Logo a equação repre-
9Esses três países são Estados parte da Comunidade Andina.
10Segundo Behar & Nelson (2014) o uso de efeitos fixos exportador e importador nas estimativas é reconhecido na literatura
empírica gravitacional como o melhor método no contexto das equações gravitacionais.
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O efeito do Mercosul sobre a comercialização de novos produtos
sentativa da regressão do modelo Logit é dada por
xi j =β0+ln ti j +ϱi,t+ςj,t+εi j ,(1)
em que
ti j dβ1
i j ·exp β2Mercosulij +β3Laço Comerciali j +β4Fronteirai j +β5Idiomai j .(2)
Assim, ti j representa as barreiras comerciais entre iejsendo que todas essas variáveis têm se
mostrado significativas na determinação do comércio bilateral.
Por fim, como já destacado, assim como a COMTRADE, a BACI não registra as categorias cujo fluxo
de comércio foi igual a “zero”, sendo esses obtidos através da expansão dos dados iniciais. Sendo assim,
para os oito países da amostra haviam inicialmente 453.464 observações sobre comércio bilateral e após
a expansão o número de observações totalizou 1.527.680, ou seja, 70,3% das observações são “zeros”.
Com a substituição dos TRMs pelas dummies variantes e invariantes no tempo, o modelo totalizará
355 variáveis explicativas.11
4. RESULTADOS
Nota-se pela Tabela 1 que todos os coeficientes angulares estimados apresentaram os sinais espe-
rados,12 conforme a teoria dos modelos gravitacionais, bem como foram estatisticamente significantes.
O sinal negativo do logaritmo da distância implica que quanto maior a distância entre iejmenor será
o comércio entre esses países. Fronteira e Idioma apresentaram sinais positivos implicando que com-
partilhar uma mesma fronteira e possuir o mesmo idioma, respectivamente, impulsionam o comércio
bilateral. Para a variável Mercosul os resultados encontrados sugerem que a união aduaneira possui
um efeito pró-comércio uma vez que o parâmetro para essa variável foi positivo e estatisticamente di-
ferente de zero, a um nível de significância de 5%, sendo esse efeito “puro” pois o fluxo de comércio
independente do RTA foi captado por laço comercial. Todavia, observa-se que esse valor pode ter sido
subestimado devido ao viés de agregação, ou seja, alguns bens recém comercializados foram em catego-
rias para as quais já havia algumas firmas exportando e que uma base de dados em nível de firma, que
é a base ideal para essa análise, poderia apresentar um valor superior.
Entretanto, como neste artigo se está interessado na probabilidade de que uma nova categoria de
bens seja comercializada calcularam-se os efeitos marginais das variáveis de interesse e, assim, percebe-
se que essa estatística após a instituição do Mercosul foi igual a 1,87%. Esse resultado corrobora as
recentes criticas ao trabalho de Rose (2000). De acordo com esse autor, uma união monetária levaria a
um aumento de 235% do fluxo bilateral de comércio. Por outro lado, estudos recentes mostram que esse
tipo de integração econômica tem um pequeno efeito, de 5% a 20% (Baldwin & Di Nino,2006), ou podem
ser estatisticamente insignificante (Berger & Nitsch,2008;Figueiredo, Lima & Schaur,2015;Santos Silva
& Tenreyro,2010). Destaca-se que Figueiredo et al. (2015) empregam uma abordagem quantílica servindo
como um teste de robustez para trabalhos que inferiram o efeito do Euro na média condicional.
Por fim, Fernández-Val (2009) destaca que os modelos de resposta binária podem ser viesados de-
vido ao problema dos parâmetros incidental (Wooldridge,2005), principalmente se a heterogeneidade
individual não-observável invariante no tempo não for controlada. Contudo, nos modelos estáticos os
efeitos marginais possuem um viés negligenciado, ou seja, os parâmetros estimados são próximos dos
seus verdadeiros valores e, portanto, o valor para Mercosul encontrado neste trabalho representa, apro-
ximadamente, o valor assintótico uma vez que adotou-se um modelo com covariáveis exclusivamente
exógenas.
11As cinco variáveis elencadas na equação (2), efeitos fixos invariantes no tempo, mais as dummies de efeito fixo variantes no
tempo.
12Por brevidade apresentam-se apenas os resultados para as variáveis da equação (2).
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Erik Alencar de Figueiredo e Alexandre Rodrigues Loures
Tabela 1. Hipótese dos bens recém comercializados.
Grupo de Controle 1 Grupo de Controle 2
Variáveis Coeficiente Efeito Marginal Coeficiente Efeito Marginal
Mercosul 0,1105b0,0187b0,2508a0,0611a
(0,0510) (0,0088) (0,0349) (0,0086)
Laço Comercial 1,2782a0,2528a1,1518a0,2800a
(0,0504) (0,0112) (0,0376) (0,0088)
Log(Distância)−0,2870a−0,0477a−0,5274a−0,1270a
(0,0059) (0,0010) (0,0037) (0,0009)
Fronteira 0,1803a0,0307a−0,5649a−0,1297a
(0,0093) (0,0016) (0,0157) (0,0034)
Idioma 0,8624a0,1410a0,1267a0,0308a
(0,0143) (0,0023) (0,0124) (0,0030)
Constante −3,6037a– 0,3072a
(0,1029)(0,0674)
Count R278,43% 77,85%
Amostra 1.527.680 1.528.912
Notas: Erros padrões entre parênteses. Significância estatística: a1%, b5% e c10%.
4.1. Resultados por países
Quem mais se beneficiou com o Mercosul? Como observamos na seção 2 o Brasil já apresentava
uma maior diversidade de bens exportados antes mesmo da criação do bloco e, sendo assim, espera-se
que apresente a menor probabilidade quanto a uma nova categoria de produtos em ser comercializada.
Todavia, nota-se pela Tabela 2 que a Venezuela apresentou a menor probabilidade entre todos os países.
Mas importante salientar que esse país tornou-se membro pleno do Mercosul apenas em 2012 além de
estar atravessando uma situação política e econômica conturbada, situações que podem ter inviabilizado
obter ganhos advindos da adesão ao bloco econômico. Quanto aos resultados para Brasil e Argentina
destaca-se a pequena diferença na quantidade de categorias comercializadas por esses países refletindo
numa homogeneidade em seus efeitos marginais.
Já com relação ao Paraguai e Uruguai esses dois membros apresentavam os menores números de
categorias comercializadas em 1991, respectivamente, 249 e 505. Portanto espera-se que ambos possuam
a maior probabilidade de novas categorias de serem comercializadas. O que pode ser comprovada através
da Tabela 2 em que os valores reportados para esses dois países foram, respectivamente, 8,90% e 11,58%.
Portanto, pelos resultados individualizados nota-se que o país mais beneficiado com a constituição do
Mercosul foi o Uruguai enquanto a Argentina obteve o menor ganho. Sendo assim, esses resultados
ratificam a hipótese da seção 2 de que países com uma pauta de exportação mais diversificada terão um
impacto menor sobre a margem extensiva de comércio como consequência da constituição de um RTA.
5. CONCLUSÃO
Este artigo testou a hipótese dos bens recém comercializados proposta por Baldwin & Di Nino
(2008), no período 1989–2010, para os Estados membros plenos do Mercosul. Para tanto, considerou-se
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O efeito do Mercosul sobre a comercialização de novos produtos
Tabela 2. Impactos individualizados por país.
País Coeficiente Efeito Marginal
Brasil 0,3211a0,0578a
(0,0197) (0,0038)
Argentina 0,2645a0,0470a
(0,0181) (0,0034)
Paraguai 0,4781a0,0890a
(0,0228) (0,0047)
Uruguai 0,6060a0,1158a
(0,0201) (0,0043)
Venezuela 0,2518a0,0446a
(0,0179) (0,0033)
Notas: Erros padrões entre parênteses. Significância estatística:
a1%, b5% e c10%.
um banco de dados com elevado nível de desagregação. Uma vez que o banco de dados só reporta as
informações positivas (existência) de comércio, foi necessário fazer uma expansão da base de modo a
refletir os fluxos bilaterais de comércio iguais a “zero”. A abordagem econométrica empregada foi um
estimador Logit cuja variável de resposta, xij , assume um para o comércio bilateral positivo e zero caso
contrário. Como regressores utilizaram-se as variáveis comum na literatura gravitacional: i) logaritmo da
distância, ii) fronteira, iii) idioma, iv) Mercosul (caracterizando o RTA) e v) laço comercial (representando
a aproximação comercial entre os países), além das dummies de efeito fixo variantes e invariantes no
tempo.
A especificação principal indicou que o Mercosul aumentou a probabilidade de entrada de no-
vos produtos na pauta de exportação. Porém, os resultados apresentam algumas heterogeneidades: o
Uruguai foi o mais beneficiado pelo acordo enquanto a Argentina foi o que obteve o menor ganho pro-
veniente da integração econômica.
Por fim, recomenda-se a aplicação de modelos estruturais, tais como o de Anderson, Larch & Yotov
(2014), em trabalhos futuros. Tal metodologia tornaria possível a criação de cenários contrafactuais o
que permitiria responder quais os custos de oportunidades associados à estratégia comercial brasileira
voltada quase que exclusivamente ao Mercosul.
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... Using a highly disaggregated database (BACI-HS4) and an estimation strategy based on probabilistic models, it is found that previous export experiences are associated with a 1.9% market-creation probability for new products. This effect, coupled with the results of Figueiredo & Loures (2016), indicates that Mercosur not only contributes to the expansion of the extensive trade margin within the bloc, but also constitutes a first step for a product to consolidate itself in the exploration of new international markets. ...
... Usando uma abordagem estrutural, Loures & Figueiredo (2017) sugerem que o acordo gera um impacto positivo sobre o bem-estar econômico dos países membros. Os mesmos autores, Figueiredo & Loures (2016), também demonstram que o bloco promove a entrada de novos produtos no mercado, comprovando seu efeito sobre a margem extensiva de comércio. 2 Diante disso, este artigo pretende testar uma hipótese ainda pouco explorada pela literatura relacionada aos efeitos dos "Regional Trade Agreements" (RTAs), qual seja: que esses acordos são capazes de gerar externalidades positivas na pauta de exportação (efeitos de spillover). ...
... A variável mercosur ij,t , por exemplo, mensura o efeito do bloco sobre a margem extensiva (novos produtos) -em média 10%. Esse resultado é similar ao reportado por Figueiredo & Loures (2016). Contudo, também devese considerar os efeitos sobre o grupo de países não-tratados. ...
Article
Full-text available
Este artigo analisa se a experiência de exportação dentro do Mercosul afeta a probabilidade de criação de mercado para novos produtos fora da área de comércio, i.e., um efeito spillover para terceiros países. Usando um banco de dados com elevada desagregação (BACI–HS4) e uma estratégia de estimação baseada em modelos probabilísticos, constata-se que as experiências anteriores de exportação estão associadas a uma probabilidade de 1,9% de criação de mercado para novos produtos. Esse efeito, aliado aos resultados de Figueiredo & Loures (2016), indicam que o Mercosul não só contribui para a ampliação da margem extensiva de comércio dentro do bloco, como também constitui um primeiro passo para que um produto se consolide na exploração de novos mercados internacionais.
... Em um estudo recente, Figueiredo & Loures (2016) demonstram que o Mercosul estimula a entrada de novos produtos na pauta de exportação de seus países membros. Diante disso, este artigo analisa se a experiência de exportação dentro do Mercosul afeta a probabilidade de criação de mercado para novos produtos fora da área de comércio, i.e., um efeito Spillover para terceiros países. ...
... In a recent study, Figueiredo & Loures (2016) demonstrate that Mercosur encourages the entry of new products into the export agenda of its member countries. Thus, this paper analyzes whether export experience within Mercosur affects the likelihood of market creation for new non-marketed products, i.e. an effect Spillover for third countries. ...
... Usando uma abordagem estrutural, Loures & Figueiredo (2017) sugerem que o acordo gera um impacto positivo sobre o bem-estar econômico dos países membros. Os mesmos autores, Figueiredo & Loures (2016), também demonstram que o bloco promove a entrada de novos produtos no mercado, comprovando seu efeito sobre a margem extensiva de comércio. 1 Diante disso, este artigo pretende testar uma hipótese ainda pouco explorada pela literatura relacionada aos efeitos dos "Regional Trade Agreements" (RTAs), qual seja: que esses acordos são capazes de gerar externalidades positivas na pauta de exportação (efeitos de Spillover). ...
Preprint
Full-text available
In a recent study, Figueiredo & Loures (2016) demonstrate that Mercosur encourages the entry of new products into the export agenda of its member countries. Thus, this paper analyzes whether export experience within Mercosur affects the likelihood of market creation for new non-marketed products, i.e. an effect Spillover for third countries. Using a highly disaggregated database, Base for Analytics du Commerce International (BACI) - HS4 and; an estimation strategy based on probabilistic models, it is found that previous export experiences are associated with a 1.9% market-creation probability for new products. This effect, coupled with the results of Figueiredo & Loures (2016) indicate that Mercosur not only contributes to the expansion of the extensive trade margin within the bloc, but also constitutes a first step for a product to consolidate itself in the exploration of new international markets.
Article
Esta nota avalia os impactos dos cortes nas tarifas de importação sobre o bem-estar econômico. Serão simulados cortes na Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul e computados os efeitos sobre o bem-estar agregado, o volume de comércio e o salário real do Brasil e da Argentina.
Article
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O artigo busca investigar os efeitos do Mercado Comum do Sul (Mercosul) sobre os fluxos comerciais, classificados por intensidade tecnológica, com dados de 73 países no período de 1988-2017. A análise foi operacionalizada pela mensuração, com o modelo gravitacional, dos fatores que dificultaram ou facilitaram esses fluxos. As estimações resultaram em evidências estatisticamente significativas de que o Mercosul criou comércio entre os membros do bloco para os fluxos de bens de alta, média-alta, média-baixa, baixa tecnologia e produtos agrícolas. A análise também indicou que o Mercosul não teve impactos para bens minerais. A decomposição dos efeitos do Mercosul ao longo do tempo mostrou que, na média, o bloco teve efeitos de criação de comércio no período, mas que os impactos em cada grupo de intensidade tecnológica apresentaram dinâmicas diferentes e que esses impactos foram maiores até meados da década de 2000, perdendo força desde então. Palavras-chave Mercosul; Modelo Gravitacional; Análise por intensidade tecnológica. ABSTRACT The paper aims to investigate the effects of the Southern Common Market (Mercosur) on the trade flows, classified by technological intensity , with data from 73 countries in the period 1988-2017. The analysis was made operational by measuring, with the gravitational model , the factors that hindered or facilitated these flows. The results of the estimates are statistically significant evidence that Mercosur created trade between bloc members for high, medium-high, medium-low, low goods flows and agricultural products. On the other hand, the analysis indicated that Mercosur had no impact on the mineral goods. The decomposition of the effects of Mercosur over time showed that, on average, the bloc had effects of creating trade in the period, but that the impacts in each group of technological intensity showed different dynamics and that these impacts were greater until the middle of the decade 2000 and has lost strength since then. Keywords Mercosur; Gravity model; Technological intensity analysis. JEL: F14, F15, F60
Article
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This paper investigates whether the introduction of the Euro has affected trade. Contrary to the existing literature and motivated by recent development in trade theory, we apply quantile regressions for panel data to examine the effect of the Euro at moments other than the conditional mean of the trade flow distribution. Our results show that even with this more general approach the Euro’s effect on trade remains bleak.
Article
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The introduction of the euro opens the door to a major advance in our understanding of how a common currency affects economic activity ranging from trade and foreign direct investment to wage-setting behaviour and corporate business strategies. Regarding the euro's trade effects we confirm the received wisdom that the euro has promoted trade significantly, with the aggregate impact being in the range of 5% or so. Then, we refine our understanding of exact how the euro was boosting trade by considering two main channels: the relative price channel (the euro boosted trade inside the Eurozone since it lowered the relative price of traded goods coming from the Eurozone), and the newly-trade goods channel (the euro induced firms to export a wider range of their products to the Eurozone) - an hypothesis confirmed by the use of four firm-level data sets. Lastly, using the best available data, theory and econometric techniques, we conclude that both Single Market integration and euro area membership have pro-FDI effects.
Article
One of the main policy sources of trade-cost changes is the formation of an economic integration agreement (EIA), which potentially affects an importing country’s welfare. This paper: (i) provides the first evidence using gravity equations of both intensive and extensive (goods) margins being affected by EIAs employing a panel data set with a large number of country pairs, product categories, and EIAs from 1962–2000; (ii) provides the first evidence of the differential (partial) effects of various “types” of EIAs on these intensive and extensive margins of trade; and (iii) finds a novel differential “timing” of the two margins’ (partial) effects with intensive-margin effects occurring sooner than extensive-margin effects, consistent with recent theoretical predictions. The results are robust to correcting for potential sample-selection, firm-heterogeneity, and reverse causality biases.
Article
Anderson and van Wincoop (2003) showed the importance of multilateral resistance general equilibrium effects in estimating the response of trade flows to trade costs. We integrate this into Helpman, Melitz, and Rubinstein's (2008) extension of Anderson and van Wincoop's framework, which allows for firm heterogeneity, in order to quantify the different margins of adjustment. For bilateral trade cost changes, the general equilibrium effects are small. Surprisingly, most country pairs reduce their trade after a multilateral fall in trade costs. The global trade response to lower costs is positive, amplified by firm entry, but significantly dampened by multilateral resistance.
Article
This paper investigates empirically the role of Preferential Trade Agreements (PTAs) as determinants of migration inflows for 29 OECD countries in the period 1998-2008. By increasing information about signatory countries, PTAs are expected to drive migration flows towards member countries. Building on the empirical literature on the determinants of migration, I estimate a modified gravity model on migration flows providing evidence of a strong positive effect of PTAs on bilateral migration flows. I also consider the content of PTAs as a further determinant of migration, finding that visa-and-asylum and labour market related provisions, when included in PTAs, stimulate bilateral migration flows. Finally, by comparing the average effects of PTAs on migration flows and on trade, I show that PTAs stimulate bilateral migration flows more than trade in final goods. PTAs might be used by government to increase inflows of immigrant workers in the case of labour shortages or population ageing.
Article
We use 6-digit bilateral trade data to document the effect of WTO/GATT membership on the extensive and intensive product margins of trade.We construct gravity equations for the two product margins motivated by Chaney (2008). The empirical results show that standard gravity variables provide good explanatory power for bilateral trade on both margins. Importantly, we show that the impact of the WTO is concentrated almost exclusively on the extensive product margin of trade, i.e. trade in goods that were not previously traded. In our preferred specification, WTO membership increases the extensive margin of exports by 25%. At the same time, WTO membership has a negative impact on the intensive margin. Based on novel comparative statics results about how fixed and variable trade costs impact the product margins of trade, our results suggest that WTO membership works by reducing primarily the fixed rather than the variable costs of trade.