A Paleontologia no Currículo do Estado de São Paulo e nos livros didáticos de Biologia do ensino médio Paleontology in the Curriculum of the São Paulo State and in the biology textbooks of biology in high school

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Resumo: Considerando o papel do Currículo Escolar do Estado de São Paulo na formação de cidadãos críticos e a interdisciplinaridade da Paleontologia, a presente pesquisa objetivou avaliar se a organização dos conteúdos de Paleontologia em duas coleções de livros didáticos do PNLD para o Ensino Médio corresponde à proposta do currículo e, também, se os conteúdos facilitam o desenvolvimento das competências e habilidades propostas no currículo. Assim, a análise das duas coleções indicou que a organização dos mesmos é bastante diferente nas duas coleções e daquela proposta pelo Currículo, de modo que os livros apresentam conteúdos incompletos ou não os aborda. Além disso, uma das coleções avaliadas favorece mais o desenvolvimento de competências críticas e habilidades interpretativas do que a outra. Essas diferenças dificultam o desenvolvimento das diversas atividades necessárias para a aquisição das habilidades propostas no currículo para uma aprendizagem mais significativa. Considering the Scholar Curriculum of the São Paulo State's role on the citizen education and the interdisciplinarity of the Paleontology, the present research aimed to survey whether the organization of the paleontological contents in two PNLD's textbook collections for high school fits the curriculum proposal, and also whether the contents related to paleontology facilitate the development of the skill proposed by the curriculum. In this way, the analysis of two collections indicated that the content organization is quite different into the two textbook collections and that proposed by the curriculum, in order that the textbooks present incomplete contents or they do not approach them. Moreover, one of the two surveyed collections favors more the development of the critical interpretive skills. These differences difficult the development of the several activities necessary for the development of the skills proposed by the curriculum for a more significant learning.
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Águas de Lindóia, SP – 24 a 27 de Novembro de 2015
Processos e materiais educativos na Educação em Ciências
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A Paleontologia no Currículo do Estado de São Paulo e
nos livros didáticos de Biologia do ensino médio
Paleontology in the Curriculum of the São Paulo State and
in the biology textbooks of biology in high school.
Cristiane Prado Scott dos Santos
Instituto de Geociências – Unicamp
cristiane.scott@gmail.com
Eduardo Fernando dos Santos
Instituto de Biociências e Ciências Exatas – Unesp
efs.wasp@gmail.com
Joseli Maria Piranha
Instituto de Biociências e Ciências Exatas - Unesp
joseli@ibilce.unesp.br
Resumo
Considerando o papel do Currículo Escolar do Estado de São Paulo na formação de cidadãos
críticos e a interdisciplinaridade da Paleontologia, a presente pesquisa objetivou avaliar se a
organização dos conteúdos de Paleontologia em duas coleções de livros didáticos do PNLD
para o Ensino Médio corresponde à proposta do currículo e, também, se os conteúdos
facilitam o desenvolvimento das competências e habilidades propostas no currículo. Assim, a
análise das duas coleções indicou que a organização dos mesmos é bastante diferente nas duas
coleções e daquela proposta pelo Currículo, de modo que os livros apresentam conteúdos
incompletos ou não os aborda. Além disso, uma das coleções avaliadas favorece mais o
desenvolvimento de competências críticas e habilidades interpretativas do que a outra. Essas
diferenças dificultam o desenvolvimento das diversas atividades necessárias para a aquisição
das habilidades propostas no currículo para uma aprendizagem mais significativa.
Palavras chave:
fóssil, tempo geológico, era geológica, Currículo, Biologia
Abstract
Considering the Scholar Curriculum of the São Paulo State’s role on the citizen education and the
interdisciplinarity of the Paleontology, the present research aimed to survey whether the organization
of the paleontological contents in two PNLD’s textbook collections for high school fits the curriculum
proposal, and also whether the contents related to paleontology facilitate the development of the skill
proposed by the curriculum. In this way, the analysis of two collections indicated that the content
organization is quite different into the two textbook collections and that proposed by the curriculum,
in order that the textbooks present incomplete contents or they do not approach them. Moreover, one
of the two surveyed collections favors more the development of the critical interpretive skills. These
differences difficult the development of the several activities necessary for the development of the
skills proposed by the curriculum for a more significant learning.
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Key words:
fossil, geologic time, geologic era, Curriculum, Biology
Introdução
A Paleontologia, através do conceito de tempo geológico, tem papel central no
desenvolvimento de uma compreensão estruturada da biologia evolutiva e da história da vida
na Terra (DODICK, 2007). Além disso, permite que se trabalhe com experiências cotidianas
do aluno, resultando numa aprendizagem significativa dos conceitos envolvidos
(SCHWANKE; SILVA, 2004). Bizzo e El-Hani (2009) destacam a existência de uma atenção
maior à Genética e à Biologia Molecular em comparação com outras áreas, como a
Paleontologia, de modo que o currículo de biologia acaba apresentando um viés para a
microevolução. Esses autores realçam, ainda, que a ênfase sobre a microevolução torna as
abordagens incompletas e tendenciosas, o que não permite a desejada compreensão estrutura
da história da vida na Terra e dos processos evolutivos envolvidos. Dessa maneira, programas
que incluem Paleontologia permitem abordar questões mais específicas, como a origem e a
idade relativa dos grupos taxonômicos, as tendências evolutivas e os processos de radiação
adaptativa e de extinção. Dodick e Orion (2003) propõem o uso de fósseis e o emprego de
conceitos da macroevolução como facilitadores do entendimento do processo evolutivo.
De acordo com Schwanke e Silva (2004) o Currículo faz uma menção rápida aos
conceitos de Paleontologia e, por isso, o conhecimento dos alunos sobre o conteúdo é
construído muito mais pela mídia e pelo cinema do que pela escola. O Currículo do Estado de
São Paulo é estabelecido com base nas competências e habilidades que permitirão aos alunos
“fazer a leitura crítica do mundo, questionando-o para melhor compreendê-lo, inferindo
questões e compartilhando ideias, sem, pois, ignorar a complexidade do nosso tempo” (SÃO
PAULO, 2012). Para isso o Currículo destaca o compromisso de articular as disciplinas e as
atividades escolares, reconhecendo como indissociáveis a atuação do professor, os conteúdos
e as metodologias para, então, formar sujeitos com identidades e subjetividades sociais
(GOODSON, 2012). Nessa perspectiva o livro didático é utilizado pelos professores como um
forte referencial para a organização dos conteúdos curriculares (FRACALANZA; MEGID
NETO, 2003). Segundo Frison et al. (2009) e Vieira et al. (2010), os livros didáticos orientam
o conteúdo a ser abordado pelos professores, assim como a sequência deles, as atividades
extracurriculares e as avaliações de conhecimento.
Analisando o conteúdo de Paleontologia dos livros didáticos aprovados pelo Programa
Nacional do Livro Didático - PNLD (2012 -2014) e distribuídos gratuitamente para os
professores e estudantes do ensino fundamental e médio da rede pública do Brasil, Araújo-
Júnior e Porpino (2010), Moraes et al. (2007) e Vieira et al. (2010) chamam a atenção para
erros conceituais, abordagens desatualizadas, incompletas e contextualmente desarticuladas
referentes a Paleontologia. Esses problemas nos leva a questionar se os conteúdos de
Paleontologia, nas coleções de livros didáticos do PNLD para o Ensino Médio, contemplam o
desenvolvimento das competências e habilidades propostas no Currículo do Estado de São
Paulo?
Em atenção à importância atribuída ao livro didático na Educação Básica a presente
pesquisa teve por objetivo avaliar como o conteúdo de Paleontologia está presente e
organizado em duas coleções de Biologia do Ensino Médio, aprovadas pelo Programa
Nacional dos Livros Didático - PNLD (2012-2014). Também buscou analisar se o conteúdo
dessas coleções favoreceu o desenvolvimento das habilidades mencionadas pelo Currículo do
Estado de São Paulo.
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Materiais e métodos
O estudo consistiu da análise de duas coleções didáticas do Ensino Médio (EM) que são
adotadas sistematicamente na rede de ensino estadual do município de São José do Rio Preto,
São Paulo, sendo estas: a coleção de “Biologia das células – Vol. 1, Biologia das populações –
Vol. 2 e Biologia dos organismos - Vol. 3, de autoria de José Mariano Amabilis e Gilberto
Rodrigues Martho (AMABIS; MARTHO, 2010a,b,c) e “Bio”, Vol. 1, 2 e 3, de autoria de
Sônia Lopes e Sergio Rosso (LOPES; ROSSO, 2010).
O estudo do referencial teórico presente nos livros didáticos foi feito através de uma pesquisa
documental (CARMO; FERREIRA, 1998). Para isso, foram feitas leituras das coleções e
anotações do capítulo e a página que e o conteúdo relacionado à Paleontologia era
apresentado (CARVALHO, 2004) Após várias leituras das coleções, foram selecionadas três
unidades de registros para o presente estudo: “fóssil”, “tempo geológico” e “eras geológicas”.
Os registros dessas unidades foram feitos em relação às páginas, à caracterização do assunto
relacionado e, ainda, às figuras presentes na coleção. Posteriormente a essa etapa e com base
na caracterização do assunto relacionado aos registros foram definidas as seguintes categorias:
“História biológica da Terra”, “Evidências da história evolutiva” e “Diversidade biológica”.
Em seguida foi analisado se o conteúdo dos livros didáticos de cada categoria fornece
subsídios que permitem o desenvolvimento das competências e habilidades dos alunos, assim
como proposta no Currículo do Estado de São.
Resultados e discussão
Observou-se que a abordagem dos conteúdos das categorias: “História biológica da Terra”,
“Evidências da história evolutiva” e “Diversidade biológica” estão diferentemente
estruturadas nas duas coleções. A Tabela 1 relaciona o volume das coleções em que as
categorias são tratadas.
Coleções Volume 1 (1
a
série EM) Volume 2 (2
a
série EM) Volume 3 (3
a
série EM)
C1 - História biológica da Terra - Diversidade biológica - Evidências da história
evolutiva
- História biológica da Terra
C2 -
- História biológica da Terra - Evidências da história
evolutiva - Diversidade biológica
Tabela 1. Apresentação comparativa dos conteúdos abordados nos livros didáticos em cada volume.
C1: coleção 1-AMABIS e MARTHO (2010); C2: coleção 2 - LOPES e ROSSO (2010).
O currículo do Estado de São Paulo propõe que os conteúdos das categorias adotadas sejam
abordados na 3
o
série do EM. Entretanto, as duas coleções analisadas tratam tais categorias
nos três volumes, ou seja, nas três séries do EM.
A relação comparativa entre o conteúdo de cada coleção, e o volume em que essa se encontra
é tratado a seguir para cada categoria adotada e ainda, analisado se o conteúdo dessas
coleções institui o desenvolvimento das habilidades mencionadas pelo Currículo do Estado de
São Paulo.
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História biológica da Terra
A história biológica da terra consiste de uma sequência cronológica de eventos ao longo da
Escala de Tempo Geológico, subdividida em eras, períodos e épocas. A cronologia dos
eventos, por sua vez, é estabelecida com base numa sequência estratigráfica de rochas que
alojam um conjunto característico de fósseis, elemento este confiável para datar as rochas
(SALGADO-LABOURIAU, 2004).
Essa categoria é evidenciada no Currículo, com relação a três habilidades: “Interpretar a
história da vida na Terra com base em escala temporal, indicando os principais eventos
(surgimento da vida, das plantas, do homem, etc.)”, “Estabelecer a relação entre as condições
da Terra primitiva e a origem dos primeiros seres vivos” e “Interpretar concepções religiosas
e científicas para a origem da vida e dos seres vivos”.
Tanto a coleção 1 como a coleção 2 fazem referência à história biológica da Terra no V1 ao
descrever a origem da célula eucariótica, datando o evento na escala temporal geológica. A
coleção 2 continua abordando o assunto, apresentando o gráfico conhecido como “Relógio do
Tempo Biológico” e uma tabela que relaciona o tempo geológico, as eras geológicas e os
principais eventos e modificações ocorridas na Terra, enquanto a coleção 1 continua tal
abordagem no V3 ao apresentar gráfico e tabela semelhantes. Entretanto, o gráfico e a tabela
da coleção 2 referidos acima são melhor ilustrados em relação ao gráfico e a tabela da coleção
1, por trazer imagens da fauna e da flora e das posições dos continentes. Em contrapartida, a
coleção 1 trata de forma mais aprofundada aspectos da história biológica da Terra,
descrevendo a vida nas cinco eras geológicas (Pré-cambriana, Paleozoica, Mesozoica e
Cenozoica), de forma bastante abrangente no Volume 3, tal como proposto pelo Currículo
para o terceiro ano do Ensino Médio.
A coleção 2 aborda a tectônica de placas (deriva continental) que é bastante importante no
desenvolvimento da habilidade de interpretar a história da vida na Terra (CELINO et al.,
2003). Já, a coleção 1 não faz tal abordagem e, por isso, pode comprometer o
desenvolvimento da habilidade de interpretar a história da vida na Terra. Além disso, a
coleção 1 não apresenta a hipótese criacionista, o que não facilita o desenvolvimento da
habilidade: “Interpretar concepções religiosas e científicas para a origem da vida e dos seres
vivos”. Segundo Razera e Nardi (2006), a discussão de criacionismo e evolucionismo no
ensino básico favorece o desenvolvimento moral no aluno, evitando um perfil de aceitação
inconsciente do discurso do professor, onde se espera que a capacidade de o aluno em optar
entre diferentes concepções faça parte do seu aprendizado. Para que isto ocorra, o professor
deve apresentar sempre um posicionamento ético, com perspectiva dialógica e dialética para
quaisquer abordagens de conflitos religiosas que possam surgir no ambiente escolar,
conforme defendido por Paulo Freire (AMORIM; LEYSER, 2009).
Evidências da história evolutiva
A categoria “Evidências da história evolutiva” trata sobre o registro fóssil, que representa os
vestígios e restos de organismos que antecederam os atuais (FUTUYMA, 1997). Essa
categoria está relacionada à habilidade de “Identificar e caracterizar as evidências da evolução
biológica”. A coleção 1 trata registro fóssil no capítulo sobre “Breve histórias das idéias
evolucionistas” do V3, enquanto que a coleção 2 trata essa questão no capítulo “Processos
evolutivos” do V2. Ambas as coleções conceituam fóssil, descrevem os processos de
fossilização e a datação dos fósseis. A coleção 2 aborda no tópico “A vida em constante
evolução”, o surgimento e a extinção de seres vivos. Esses aspectos são tratados de forma
bastante resumida e pontual na coleção 1.
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Araújo-Júnior e Porpino (2010) destaca algumas definições deficientes em versão anterior das
coleções 1 e 2, quanto à diferença entre vestígios fósseis “apenas evidências da atividade de
um organismo” e restos fósseis “preservação de qualquer parte do organismo”. Ambas as
coleções continuam apresentando tal deficiência na versão de 2010 (adotada pelo presente
estudo) quanto a essas definições. Dessa maneira, a coleção 1 define fóssil, como: “vestígios
deixados por seres que viveram no passado. Esses vestígios podem ser ossos, dentes, pegadas
impressas nas rochas, fezes petrificadas, animais conservados no gelo, restos de organismos
petrificados etc” e a coleção 2 como “qualquer indício da presença de organismos que
viveram em tempos remotos”. Araújo-Júnior e Porpino (2010) apontaram, ainda, que a versão
de 2005 da coleção 2 não tratava os processos de fossilização, enquanto que a versão de 2004
da coleção 1 definiu de maneira errônea o processo de fossilização, conhecido como
permineralização. Nas versões adotadas pelo presente estudo, a coleção 2 passa a tratar o
assunto, enquanto a coleção 1 continua com a mesma definição de permineralização. Quanto
à determinação da idade dos fósseis, a coleção 1 traz um texto relativamente sintético sobre as
duas formas de datação (absoluta e relativa), enquanto a coleção 2 aborda somente o método
radiativo (datação absoluta), mas de forma mais detalhada.
Diversidade biológica
A diversidade biológica da Terra sofreu mudanças muito grandes ao longo de milhões de
anos. A Terra apresenta um cenário bastante dinâmico de significativas mudanças climáticas e
das condições físico-químicas, influenciando a evolução biológica e sendo, ao mesmo tempo,
influenciado pela biota e por processos e eventos astronômicos (FUTUYMA, 1992;
RICKLEFS, 1996).
A categoria diversidade biológica se relaciona à habilidade de “Reconhecer as principais
etapas da evolução dos grandes grupos de organismos” e “Interpretar árvores filogenéticas e
determinar, nesse tipo de representação, as relações de parentesco entre os seres vivos”, do
Currículo.
Assim, durante a análise das coleções as menções sobre as unidades de registro, nessa
categoria, estão presentes no volume 2, da coleção 1. Os autores da coleção 1 apresentam de
forma bastante resumida aspectos sobre fósseis e a diversidade de pteridófitas e,
posteriormente, posicionam na mesma filogenia a evolução dos grupos já extintos e atuais de
cordados amniota, como répteis, aves e mamíferos. Essa perspectiva filogenética demonstra
que os fósseis estão sujeitos aos mesmos limites de interpretação dos organismos vivos, de
modo que os fósseis não devem ser tratados como ancestrais diretos das espécies atuais, mas
sim como formas que apresentaram um ancestral comum com as espécies viventes
(SANTOS; CALOR, 2007).
Os autores ilustram tais posicionamentos com árvores filogenéticas, o que permite uma
compreensão mais integrada da história evolutiva do grupo. As unidades de registros foram
mencionadas novamente no volume 3 da coleção 1, quando a origem dos grandes grupos é
tratada cronologicamente, junto com a descrição dos principais eventos de cada era geológica.
Neste contexto, são tratados os seguintes conteúdos: a conquista do ambiente terrestre, a
origem dos tetrápodes, história dos anfíbios, os primeiros répteis, a origem das aves, a
expansão da vegetação, diversificação das angiospermas e a linhagem dos primatas, fósseis de
ancestrais humanos.
Por outro lado, a coleção 2 aborda o assunto de diversidade biológica exclusivamente no
volume 3. O conteúdo desse volume da coleção 2 é bastante similar ao do terceiro volume da
coleção 1, salvo algumas diferenças gráficas, como acontece com a árvore de parentesco dos
primatas, que na coleção 2 é apresentada associada a uma escala temporal em milhões de
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anos, enquanto na coleção 1 a associação temporal é feita somente para os grandes grupos de
primatas. Na coleção 2, as unidades de registros também foram observadas nos tópicos que
descrevem aspectos gerais da biologia, ecologia e morfologia dos anfíbios, répteis, aves e,
especificamente, dos hominídeos, no caso dos mamíferos. Uma forte ênfase é dada à evolução
humana no volume 3 das duas coleções. Discussões sobre a evolução humana, em sala de
aula, são cabíveis e permitem reflexões sobre questões religiosas, permitindo assim o
desenvolvimento da habilidade “Interpretar concepções religiosas e científicas para a origem
da vida e dos seres vivos”.
Conclusões
As organizações dos conteúdos abordados pelas duas coleções são diferentes entre elas e,
diferem também, da organização do Currículo do Estado de São Paulo. As duas coleções
distribuem tais conteúdos ao longo de três volumes, os quais equivalem aos 3 anos de Ensino
Médio. Dentre as duas coleções, o conteúdo da coleção 1 estaria mais em acordo com o
currículo, uma vez que trata a história biológica da Terra e evidências da história evolutiva no
volume 3, integrando conceitos apresentados nos volumes anteriores a conceitos de Ciência
do Sistema Terra, o que pode contribuir para a contextualização do conhecimento aprendido.
Enquanto que a coleção 2 aborda esses conteúdos no volume 1 e 2, respectivamente. A
ausência de uma organização seqüencial unificada nos livros didáticos e no currículo,
encontradas na presente análise, nos recorre as mesmas conseqüência citadas por Joannaert et
al. (2010) para a ausência de currículos unificados os quais os identificam como “um fator de
alto risco de incoerência para todo um sistema educativo ou, ao menos, para uma de suas
partes (formação dos jovens, formação dos adultos, formação profissional, etc.)”. Por outro
lado, a coleção 1 apresenta-se deficiente quanto à apresentação de conteúdos que permitem o
desenvolvimento de habilidades.
Em uma análise geral das duas coleção, a coleção 1 apresenta textos mais completos quanto
aos conteúdos de: “História Biológica da Terra”e “Diversidade Biológica”. No entanto, a
coleção 2 trás ilustrações mais completas sobre a História biológica da Terra”, relacionando o
tempo geológico, as eras geológicas e os principais eventos e modificações ocorridas na
Terra. Além disso, a coleção 1, quando não trata a concepção religiosa sobre a origem da vida
e a deriva continental, deixar de proporcionar ao aluno o desenvolvimento de reflexões sobre
a vida na Terra, incluindo aspectos de sua própria origem e existência. Considera-se ainda que
essa ausência pode significar aos alunos, cuja formação religiosa é criacionista, uma falta de
reflexão com significado para a sua formação crítica e intelectual Assim, as coleções
analisadas ainda apresentam o conteúdo de Paleontologia desatualizado e com definições
incompletas ou errôneas.
A abordagem diferenciada dos livros didáticos em relação ao Currículo do Estado de São
Paulo torna o trabalho do professor e do aluno extensivo, gerando maiores dificuldades para o
desenvolvimento das diversas atividades necessárias para a aquisição das habilidades
propostas no currículo. Assim, em nossas opiniões, tais diferenças, entre as obras e o
currículo, não estariam contribuindo para o desenvolvimento das habilidades na disciplina de
Paleontologia e com isto, sugerem uma investigação de forma mais detalhada de como
organização dos conteúdos dos livros didáticos e do Currículo, no contexto escolar, pode
levar a uma aprendizagem por habilidades que serão construídas nas situações e ações que os
aluno vivenciam.
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  • Metodologia da investigação -Guia para Autoaprendizagem. 2
    • H Carmo
    • M M Ferreira
    CARMO, H; FERREIRA, M. M. Metodologia da investigação -Guia para Autoaprendizagem. 2. ed. Lisboa: Universidade Aberta, 1998.
  • Ensino de evolução biológica: implicações éticas da abordagem de conflitos de natureza religioso em sala de aula
    • M C Leyser
    AMORIM, M. C.; LEYSER, V. Ensino de evolução biológica: implicações éticas da abordagem de conflitos de natureza religioso em sala de aula. In: Atas do VII Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências, VII, 2009, Florianópolis. Atas do VII Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências. Florianópolis: ABRAPEC, 2009.
  • Programa Nacional do livro para o Ensino Médio (PNLEM): Livros recomendados
    • Brasil
    • Ministério Da Educação
    BRASIL. Ministério da Educação. Programa Nacional do livro para o Ensino Médio (PNLEM): Livros recomendados, 2006. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/port501_pnlem.pdf>. Acesso em: 02 maio 2015.
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    RESUMO Analisou-se a importância dada à Paleontologia nos PCN e nos livros didáticos do ensino fundamental e médio utilizados por professores de colégios públicos de Salvador. Foram quantifi cados oito temas da Paleontologia apresentados em 34 livros didáticos, sendo a sua abordagem comparada àquela sugerida pelos PCN. A maioria dos livros apresenta os temas da Paleontologia conforme recomendam os PCN, mas falta clareza nesta abordagem já que os próprios PCN estabelecem a inclusão destes em outros assuntos. Este procedimento difi culta a percepção da importância da Paleontologia, cabendo ao professor a responsabilidade de ser mais criterioso na seleção do livro didático a ser utilizado e de promover, por meio de outros recursos, a discussão contextualizada deste tema com os seus alunos. Palavras-chave: ensino de Paleontologia, PCN, livros didáticos ABSTRACT Was analysed the importance that is given to Paleontology in PCN (the brazilian educational parameters) and didactic books used by teachers of Salvador's publics schools. Eight Paleontology subjects present in 34 didactic books were quantifi ed and their mention were compared with that suggested by PCN. The majority of books presents the Paleontology subjects as PCN recommend, however there are miss meaning because of PCN's suggestions make to include these subjects in others. This diffi cults the percepcion of Paleontology importance, given to teachers the resposability of to chose more critically the didactics books that will be used and to promote, by another resourses, a contextualized discussion of Paleontology subjects with their students.
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    Evolution of scientific knowledge in the Geoscience can best be understood taking the rationalist epistemologies as a frame reference. We present here a contribution to the strategy for the didactic work concerning the controversy between "Continental Drift" versus "Plate Tectonics". The theme offers the oportunity for the re-creation of so important controversy in the history of Geology in the beginning of the twenty century. Educational implications namely those concerned with in service training are stressed.