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Relação entre o peso ao nascer e o tempo de aleitamento materno com o estado nutricional atual de crianças

Authors:

Abstract

Objetivo: Analisar a relação entre o peso ao nascer (PN) e o tempo de aleitamento materno (AM) com o atual estado nutricional de crianças de dois a seis anos de idade. Métodos: Estudo observacional, quantitativo e do tipo transversal, realizado com crianças, independentemente do sexo, com idades entre dois a seis anos, matriculadas em sete escolas de educação infantil da rede municipal de um município do interior do Rio Grande do Sul (RS), no período de junho a agosto de 2014. Participaram 353 crianças, aferindo-se peso e altura, após os pais terem respondido a um questionário de Peso ao Nascer (PN) e tempo de aleitamento materno. Resultados: A média de aleitamento materno exclusivo foi de 3,47 ± 2,81 meses. A maioria das crianças (50,7%, n=179) encontrou-se em risco de sobrepeso ou sobrepeso para a idade, conforme o Índice de Massa Corporal (IMC). O PN apresentou correlação positiva com a altura atual (r=0,164, p=0,002) e com o peso atual (r=0,180, p=0,001). O PN foi significativamente maior entre os meninos (p=0,003), e o tempo de AM associado à alimentação complementar foi significativamente maior entre as meninas (p=0,024). Conclusão: Os resultados sugerem que o peso ao nascer influencia o ganho de peso nos seis primeiros anos de vida, com maior destaque para os meninos; e o tempo de amamentação associado à alimentação complementar foi maior entre as meninas.
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Rev Bras Promoç Saúde, Fortaleza, 28(3): 344-350, jul./set., 2015
Goergen IB, Dal Bosco SM, Adami FS
Artigo Original
Isolete Bugs Goergen
(1)
Simone Morello Dal Bosco
(2)
Fernanda Scherer Adami
(1)
1) Centro Universitário Univates -
UNIVATES - Lajeado (RS) - Brasil
2) Universidade Federal de Ciências da
Saúde de Porto Alegre - UFCSPA - Porto
Alegre (RS) - Brasil
Recebido em: 15/12/2014
Revisado em: 27/04/2015
Aceito em: 30/06/2015
RELAÇÃO ENTRE O PESO AO NASCER E O TEMPO
DE ALEITAMENTO MATERNO COM O ESTADO
NUTRICIONAL ATUAL DE CRIANÇAS
Association of birth weight and time of breastfeeding with
current nutritional status of children
Relación del peso al nacer y el tiempo de lactancia materna
con el estado nutricional actual de niños
RESUMO
Objetivo: Analisar a relação entre o peso ao nascer (PN) e o tempo de aleitamento materno
(AM) com o atual estado nutricional de crianças de dois a seis anos de idade. Métodos: Estudo
observacional, quantitativo e do tipo transversal, realizado com crianças, independentemente
do sexo, com idades entre dois a seis anos, matriculadas em sete escolas de educação infantil
da rede municipal de um município do interior do Rio Grande do Sul (RS), no período
de junho a agosto de 2014. Participaram 353 crianças, aferindo-se peso e altura, após os
pais terem respondido a um questionário de Peso ao Nascer (PN) e tempo de aleitamento
materno. Resultados: A média de aleitamento materno exclusivo foi de 3,47 ± 2,81 meses.
A maioria das crianças (50,7%, n=179) encontrou-se em risco de sobrepeso ou sobrepeso
para a idade, conforme o Índice de Massa Corporal (IMC). O PN apresentou correlação
positiva com a altura atual (r=0,164, p=0,002) e com o peso atual (r=0,180, p=0,001). O
PN foi signicativamente maior entre os meninos (p=0,003), e o tempo de AM associado
à alimentação complementar foi signicativamente maior entre as meninas (p=0,024).
Conclusão: Os resultados sugerem que o peso ao nascer inuencia o ganho de peso nos seis
primeiros anos de vida, com maior destaque para os meninos; e o tempo de amamentação
associado à alimentação complementar foi maior entre as meninas.
Descritores: Aleitamento Materno; Estado Nutricional; Peso ao Nascer.
ABSTRACT
Objective: To analyze the association of birth weight (BW) and the time of breastfeeding
(BF) with the current nutritional status of children aged two to six years old. Methods:
Quantitative observational cross-sectional study conducted with children of both genders
aged two to six years enrolled in seven public early childhood schools of a municipality in
the countryside of Rio Grande do Sul (RS) in the period from June to August 2014. A total
of 353 children participated and had their weight and height measured after parents had
answered a questionnaire on Birth Weight (BW) and time of Breastfeeding. Results: The
average duration of exclusive breastfeeding was 3.47 ± 2.81 months. Most children (50.7%,
n=179) were at risk for overweight or overweight for the age according to the Body Mass
Index (BMI). The BW was positively correlated to current height (r=0.164, p=0.002) and
current weight (r=0.180, p=0.001). The BW was signicantly higher among boys (p= 0.003)
and the time of BF associated with complementary feeding was signicantly higher among
girls (p=0.024). Conclusion: The results suggest that birth weight inuences weight gain in
the rst six months of life, particularly among boys; and the time of breastfeeding associated
with complementary feeding was signicantly higher among girls.
Descriptors: Breastfeeding; Nutritional status; Birth Weight.
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Peso ao nascer, aleitamento e estado nutricional
RESUMEN
Objetivo: Analizar la relación del peso al nacer (PN) y el tiempo de
lactancia materna (LM) con el actual estado nutricional de niños
entre dos y seis años de edad. Métodos: Estudio observacional,
cuantitativo y transversal realizado con niños independiente del
sexo y con edades entre dos y seis años, matriculados en siete
escuelas de educación infantil de la red municipal de un municipio
del interior de Río Grande del Sur (RS) en el período entre junio
y agosto de 2014. Participaron 353 niños vericándose el peso
y la altura tras la contestación de los padres a un cuestionario
sobre el Peso al Nacer (PN) y el tiempo de lactancia materna.
Resultados: La media de lactancia materna exclusiva fue de 3,47
±2,81 meses. La mayoría de los niños (50,7%, n=179) tenía el
riesgo de sobrepeso o sobrepeso para la edad según el Índice de
Masa Corporal (IMC). El PN presentó correlación positiva con la
altura (r=0,164, p=0,002) y el peso actual (r=0,180, p=0,001).
El PN fue signicativamente mayor para los niños (p=0,003) y
el tiempo de LM asociado a la alimentación complementaria fue
signicativamente mayor para las niñas (p=0,024). Conclusión:
Los resultados sugieren que el peso al nacer inuye en la ganancia
de peso en los seis primeros años de vida de los niños y el tiempo
de lactancia asociado a la alimentación complementaria fue
mayor para las niñas.
Descriptores: Lactancia Materna; Estado Nutricional; Peso al
Nacer.
INTRODUÇÃO
O Ministério da Saúde recomenda aleitamento materno
exclusivo (AME) até os seis meses de vida, continuando até
os dois anos de idade ou mais. Apesar de ter aumentado a
prevalência nos últimos anos, o aleitamento materno (AM)
ainda está longe de alcançar o tempo recomendado
(1)
. Nesse
sentido, garantir o AME desde a primeira hora de vida
extrauterina é a forma mais segura, ecaz e completa de
alcançar crescimento e desenvolvimento adequados para a
criança
(2)
.
Anualmente, a prática de amamentação exclusiva
contribui para a prevenção de mais de seis milhões de
mortes de crianças com menos de um ano de idade,
garantindo a saúde da criança em curto e longo prazo
(3)
.
O AM, principalmente o exclusivo, tem efeito protetor
contra doenças ocasionadas em crianças que nasceram
com baixo peso (<2.500g)
(4)
, além de estabelecer o vínculo
afetivo entre mãe e lho, ajudando no desenvolvimento da
criança
(5)
. O AM ainda atua na proteção contra o sobrepeso
e a obesidade durante toda a infância, independentemente
da idade da criança, da renda familiar, do estado nutricional
e da escolaridade dos pais
(6)
.No entanto, a alimentação
complementar iniciada fora de época pode acarretar no
abandono do aleitamento materno, observando que a
alimentação nos primeiros anos de vida é fundamental para
o crescimento e ganho de peso na infância
(7)
.
O ganho de peso durante os primeiros anos de vida é
um fator determinante para o estado nutricional na infância
e adolescência. A prevalência de sobrepeso e obesidade
nas crianças e adultos vem sendo observada em todo o
mundo, e o ganho de peso excessivo na infância pode
representar risco para doenças crônicas, como diabetes tipo
II, hipertensão arterial e dislipidemias
(8)
. O elevado peso
ao nascer (>3500g)
(9-11)
, histórico familiar de sobrepeso
e obesidade, padrão alimentar, nível de atividade física e
nível de escolaridade também podem ser fatores de risco
para a obesidade infantil
(12)
.
Outro fator que tem recebido atenção especial é o
peso ao nascimento, devido à sua correlação positiva,
com interferência na saúde do indivíduo no futuro. Esse
cenário indica a hipótese da origem fetal das doenças no
adulto, em que o indivíduo desenvolve uma “programação”
precoce para a predisposição de doenças crônicas, e essas
ocorrências podem ser percebidas na infância, adolescência
ou fase adulta
(13)
. Estudos epidemiológicos e experimentais
oferecem fortes evidências de que os efeitos da programação
interferem na gênese de doenças na idade adulta. Por esse
motivo, as políticas de saúde devem intensicar seus
esforços em medidas que promovam adequado ganho de
peso intrauterino e nutrição pós-natal, estimulando a prática
de aleitamento materno
(14)
.
Nesse sentido, o objetivo do presente estudo foi analisar
a relação entre o peso ao nascer e o tempo de aleitamento
materno (AM) com o atual estado nutricional de crianças de
dois a seis anos de idade.
MÉTODOS
Estudo observacional, quantitativo e do tipo transversal,
realizado com crianças, independentemente do sexo, com
idades entre dois e seis anos, matriculadas em sete escolas
de educação infantil da rede municipal de um município do
interior do Rio Grande do Sul (RS), no período de junho a
agosto de 2014.
Para determinação da amostra, foram utilizados dados
secundários fornecidos pela Secretaria de Educação do
município, os quais indicaram a existência de 23 escolas de
educação infantil, com 2.000 crianças matriculadas na faixa
etária entre 2 e 6 anos. A partir dessa informação, calculou-
se o tamanho da amostra de 334 crianças, considerando
o número total de crianças na faixa etária de interesse e
regularmente matriculadas na rede municipal, adotando-se
nível de signicância de 5%.
Sorteou-se uma escola de cada vez, mas todas as
crianças da faixa etária citada foram convidadas a participar,
e esses sorteios ocorreram até que a amostra calculada fosse
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atingida. Assim, foram sorteadas sete escolas e avaliadas
353 crianças.
Para o início de estudo, enviou-se pela agenda da
criança o termo de consentimento livre e esclarecido
(TCLE) a ser assinado pelos pais/responsáveis, bem
como um questionário, previamente identicado com
as informações pessoais de cada aluno, para coleta das
informações referentes ao peso da criança ao nascer, ao
tempo de AME e ao tempo de AM mais alimentação
complementar. Não foram incluídas no estudo as crianças
cujos pais/responsáveis não assinaram o TCLE ou não
preencheram completamente o questionário enviado, bem
como aquelas que não estavam à vontade para a realização
das medidas antropométricas.
Para a avaliação nutricional, utilizou-se balança digital
Plenna
®
com capacidade para 150 kg a m de vericar o
peso, e um estadiômetro portátil Avanutri
®
com 210 cm
para aferição da estatura. No momento das aferições,
as crianças permaneceram acompanhadas pelos seus
professores, usavam calça e camiseta para averiguar peso
e se mantiveram de pé junto ao estadiômetro, descalças,
com os braços estendidos ao longo do corpo para aferir a
altura
(15)
.
Como parâmetros para denir o estado nutricional,
foram utilizados os índices: I. Peso para Idade (P/I), em
que abaixo do percentil 0,1 indica muito baixo peso para
idade; acima ou igual ao percentil 0,1 e abaixo do percentil
3 indica baixo peso para idade; acima ou igual ao percentil
3 e menor ou igual ao percentil 97 indica peso adequado
para idade; acima do percentil 97 indica peso elevado para
idade; II. Estatura para Idade (E/I), em que o percentil 0,1
indica muito baixa estatura para idade; acima ou igual ao
percentil 0,1 e abaixo do percentil 3 indica baixa estatura
para idade; e acima ou igual ao percentil 3 indica estatura
adequada para idade; e III. Peso para Estatura (P/E), em que
o percentil 0,1 indica magreza acentuada; acima ou igual ao
percentil 0,1 e abaixo do percentil 3 indica magreza; acima
ou igual ao percentil 3 e menor ou igual ao percentil 85
indicou eutroa; acima do percentil 85 e menor ou igual ao
percentil 97 indica risco de sobrepeso; acima do percentil
97 e menor ou igual ao percentil 99,9 indica sobrepeso;
e percentil maior que 99,9 indica obesidade (o indicador
de P/E não foi utilizado para crianças maiores de cinco
anos
(15)
.
Utilizaram-se os seguintes pontos de corte para Índice
de Massa Corporal para Idade (IMC/I): percentil menor
que 0,1: magreza acentuada; percentil maior ou igual a
0,1 e menor que 3: magreza; percentil maior ou igual a 3
e menor ou igual a 85: eutroa (para as crianças de 0 a 10
anos); percentil maior que 85 e menor ou igual a 97: risco
de sobrepeso (para crianças de 0 a 5 anos) e sobrepeso
(para crianças de 5 a 10 anos); percentil maior que 97 e
menor ou igual a 99,9: sobrepeso (para crianças de 0 a 5
anos) e obesidade (para crianças de 5 a 10 anos); e percentil
maior que 99,9: obesidade (para crianças de 0 a 5 anos) e
obesidade grave (para crianças de 5 a 10 anos)
(15)
.
Para as crianças menores de 5 anos, preconizou-se o
uso da tabela da Organização Mundial da Saúde
(16)
, e para
as crianças entre 5 e 10, utilizou-se a tabela da Organização
Mundial da Saúde (OMS)
(17)
. Para classicação entre
os gêneros, foram agrupados “magreza” com “magreza
acentuada”, e “risco de sobrepeso” com “sobrepeso”.
O PN foi classicado como macrossomia quando peso
maior que 4.000g; peso normal: 2.500g a 3.999g; baixo
peso: ao nascer menor que 2.500g; muito baixo peso: ao
nascer menor que 1.500g; muitíssimo baixo peso: ao nascer
menor que 1.000g; e microprematuro: ao nascer menor que
800g
(18)
.
Os dados foram analisados no programa SPSS,
versão 20.0. O nível de signicância adotado foi de 5%
(p<0,05). Realizaram-se estatísticas univariadas descritivas
(médias, desvio padrão e frequências) e bivariadas (teste
Qui-Quadrado de associação, Correlações de Pearson e
Spearman, Teste t e Mann-Whitney). Utilizou-se o teste de
Kolmogorov-Smirnov para avaliar se as variáveis contínuas
seguiam a distribuição normal. O teste de Qui-Quadrado foi
aplicado para avaliar a associação entre o estado nutricional
(IMC/Idade, Peso/Idade, Peso/Estatura e Altura/Idade)
com o gênero e o peso ao nascer. Aplicaram-se os testes
de Correlação de Pearson e Spearman para analisar a
associação entre as variáveis contínuas: peso ao nascer, peso
atual, Índice de Massa Corporal (IMC), tempo de AME,
tempo de aleitamento materno associado à alimentação
complementar e os testes t e Mann-Whitney, para comparar
as variáveis contínuas supracitadas entre os gêneros.
O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em
Pesquisa do Centro de Ciências e da Saúde do Centro
Universitário Univates de Lajeado-RS, sob o parecer de nº
510.378.
RESULTADOS
Foram avaliadas 353 crianças, com idade média
de 45,70 ± 13,49 meses, sendo 50,1% (n=177) do sexo
masculino. Observou-se uma média de AME de 3,47 ±2,81
meses, 10,42 ±9,63 de AM e alimentação complementar, e
PN de 3,26 ±0,54 Kg.
A maioria das crianças encontrava-se em risco de
sobrepeso ou sobrepeso conforme o IMC para a Idade
(50,7%, n=179). Já segundo o Peso para a Estatura, a maior
parcela da amostra apresentou-se em eutroa (52,7%,
n=158) (Tabela I).
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Peso ao nascer, aleitamento e estado nutricional
Peso ao nascer apresentou correlação positiva com
altura atual (r=0,164, p=0,002) e com o peso atual (r=0,180,
p=0,001). Entretanto, não foi observada correlação com
AME e AM + alimentação complementar com o Peso atual,
IMC e Altura (Tabela II).
O PN foi signicativamente maior entre os meninos
(p=0,003), e o tempo de AM associado à alimentação
complementar foi signicativamente maior entre as meninas
(p=0,024) (Tabela III).
Observou-se associação signicativa entre sexo e
estado nutricional, classicado através do IMC/I, de forma
que houve correlação direta entre ser do sexo masculino e
apresentar risco de sobrepeso ou sobrepeso, e entre ser do
sexo feminino e eutroa (p=0,042). Não houve associações
signicativas entre outras variáveis (Tabela IV).
Tabela I - Características nutricionais e peso ao nascer de crianças de escolas de educação infantil. Lajeado-RS, 2014.
(n=353)
Variáveis Categóricas n %
IMC/Idade
Magreza 1 0,3
Eutroa 166 47,0
Risco de sobrepeso 112 31,7
Sobrepeso 67 19,0
Obesidade 7 2,0
Peso/Idade
Peso adequado 309 87,5
Peso elevado 44 12,5
Peso/Estrutura
Magreza 1 0,3
Eutroa 158 52,7
Risco de sobrepeso 90 30,0
Sobrepeso 49 16,3
Obesidade 2 0,7
Altura/Idade
Baixa estatura 5 1,4
Estatura adequada 348 98,6
Peso ao Nascer
Macrossomia (≥4.000g) 23 6,5
Normal (2.500g a 3.999g) 308 87,3
Baixo (<2.500g) 19 5,4
Muito baixo (<1.500g) 1 0,3
Muitíssimo baixo (<1.000g) 1 0,3
PN micro prematuro (<800g) 1 0,3
Tabela II - Correlação entre o estado nutricional com o peso ao nascer, tempo de aleitamento materno exclusivo e tempo de
aleitamento materno associado à alimentação complementar de crianças de escolas de educação infantil. Lajeado-RS, 2014.
Variáveis Antropométricas
Peso ao nascer AME
AM + Alimentação
Complementar
r P r p R p
Peso Atual (kg) 0,180 0,001 -0,079 0,137 -0,078 0,146
IMC (Kg/m2) 0,063 0,236 -0,044 0,409 -0,069 0,194
Altura atual (cm) 0,164 0,002 -0,076 0,152 -0,078 0,146
r=Coeciente de correlação; AME=Aleitamento Materno Exclusivo; AM=Aleitamento Materno; Índice de Massa Corporal (IMC)=peso
em Kg dividido pela altura em metros ao quadrado; Teste de Correlação de Pearson (variáveis paramétricas) ou Correlação de Spearman
(variáveis não paramétricas) para a correlação entre as variáveis, considerando signicativo p<0,05 (5%).
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DISCUSSÃO
Mais da metade das crianças estudadas foram
classicadas em risco de sobrepeso e sobrepeso, e a média
de AME foi menor que 6 meses; portanto, percebe-se a
necessidade da implantação de ações de promoção da saúde
para conscientização da população em relação à importância
do AME e da alimentação saudável na prevenção do
sobrepeso e obesidade.
No presente estudo, a média de AME foi de 3,47
meses, sendo um tempo inferior a outros estudos, os
quais apresentaram um tempo médio de 4,2 meses
(19)
e 4,0
meses
(20)
; no entanto, todos os resultados são diferentes dos
preconizados pela OMS, que é de seis meses
(21)
. Sabendo
que o aleitamento é um processo natural e sofre inuência
de fatores como os biológicos, demográcos, culturais e
socioeconômicos, os quais podem interferir no êxito da
amamentação
(22)
, é importante lembrar que a introdução
dos alimentos complementares antes dos 6 meses pode
induzir o desmame precoce
(23).
Neste estudo, observou-se
que as meninas foram signicativamente associadas com
um maior tempo de aleitamento materno e alimentação
complementar, demonstrando uma maior proteção deste
gênero em relação ao desmame precoce.
Quando comparado o estado nutricional atual com
o tempo de AM, não se observou diferença signicativa,
porém, outro estudo
(24)
demonstrou evidências de que o
prolongamento da amamentação exclusiva está associado
à menor prevalência de obesidade e a um IMC mais baixo,
assim como estudos apontam para a hipótese do efeito
protetor do leite materno contra a obesidade
(9-11,25,26)
.
O ganho de peso na infância é um fator determinante
para o estado nutricional quando adulto
(7)
. A prevalência de
pré-obesidade e obesidade infantil continuam a aumentar
de forma signicativa no mundo, tornando-se causas de
grande apreensão em termos de saúde pública
(27)
. No atual
estudo, observou-se que 52,69% (n=186) das crianças
estudadas apresentaram risco de sobrepeso, sobrepeso ou
obesidade, resultado que preocupa quando se sabe que o
risco de permanecerem nessa condição na vida adulta é de
25%
(28)
. Outros estudos demonstraram resultados inferiores
ao presente estudo: 30,7% (n=92) com excesso de peso
(27)
e
38,38% de sobrepeso e obesos
(29)
.
Além dos altos percentuais de crianças com excesso
de peso neste estudo, também observou-se que os meninos
apresentaram níveis signicativamente superiores de risco
de sobrepeso e sobrepeso, e as meninas apresentaram maior
prevalência de eutroa, assim como em dois estudos
(30,31)
,
Tabela III - Comparação dos parâmetros antropométricos e do tempo de aleitamento materno conforme o sexo da criança,
de escolas de educação infantil. Lajeado-RS, 2014.
Variáveis
Sexo
Valor de p
Meninos
Média ± DP
Meninas
Média ± DP
Peso Atual (kg) 18,22 ± 4,42 17,67 ± 4,52 0,184
IMC (Kg/m2) 17,43 ± 1,72 17,41 ± 2,21 0,300
Altura (cm) 101,81 ± 10,49 100,27 ± 9,14 0,282
Peso ao Nascer 3,33 ± 0,59 3,19 ± 0,48 0,003*
AME 3,18 ± 2,20 3,76 ± 3,30 0,097
AM + Alimentação Complementar 9,55 ± 9,75 11,31 ± 9,46 0,024*
DP=Desvio Padrão; AME=Aleitamento Materno Exclusivo; AM=Aleitamento Materno; Índice de Massa Corporal (IMC)=peso em
Kg dividido pela altura em metros ao quadrado; Testes t e Mann-Whitney para a comparação entre as categorias, *considerando
signicativo p<0,05 (5%).
Tabela IV - Comparação do estado nutricional entre os sexo de crianças de escolas de educação infantil. Lajeado-RS, 2014.
Estado Nutricional
Sexo
Valor de p
Feminino Masculino
n (%) n (%)
IMC/Idade
0,042*
Magreza acentuada ou Magreza 1 (0,28) 0 (0,00)
Eutroa 93 (26,34) 73 (20,68)
Risco de Sobrepeso ou Sobrepeso 77 (21,81) 102 (28,89)
Obesidade 5 (1,42) 2 (0,57)
IMC=Índice de Massa Corporal. Frequências descritas em percentuais (%). Teste de Qui-Quadrado para comparação entre as categorias,
*considerando signicativo p<0,05 (5%).
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Peso ao nascer, aleitamento e estado nutricional
nos quais a prevalência de excesso de peso foi maior entre
os meninos em relação às meninas.
O PN é um forte marcador das condições intrauterinas
do bebê. Sendo assim, o baixo PN é um importante preditor
de décit de crescimento na infância
(32)
, porém, tanto o baixo
PN quanto o peso elevado ao nascer podem ser fatores de
risco para a obesidade na infância
(9)
. No presente estudo,
a maioria das crianças nasceram com peso considerado
adequado, resultado semelhante a outro estudo
(33)
,
corroborando com a correlação positiva encontrada no atual
estudo entre o PN, a altura e o peso atual da criança.
Observou-se associação direta e signicativa entre o
PN e o peso atual neste estudo, ou seja, quanto maior o PN,
maior é o peso atual, corroborando com dois estudos
(34,35)
segundo os quais nas crianças que nasceram com peso
superior a 4.000 g, a probabilidade de apresentar excesso
de peso foi maior do que nas crianças que nasceram com
peso abaixo de 3.000 g. Em estudo publicado
(36)
, observou-
se associação positiva entre PN e obesidade em indivíduos
aos 18 anos de idade, e a literatura também demonstra que
a razão de prevalência para sobrepeso foi proporcional ao
aumento do PN, porém, a associação não foi estatisticamente
signicativa
(37)
. Esses resultados sugerem uma relação
com o desenvolvimento em médio e longo prazos, como
obesidade, coronariopatias, hipertensão, diabetes tipo
2 e dislipidemia, os quais, em conjunto, caracterizam a
síndrome metabólica
(13)
.
As limitações do presente estudo podem estar
relacionadas às informações coletadas, em função de
serem provenientes de um questionário aplicado aos pais,
podendo estar suscetível a enganos nas respostas, não
tendo informações como: histórico familiar de obesidade
e doenças associadas, rotina alimentar das crianças e
exercícios físicos.
CONCLUSÃO
Os resultados sugerem que o peso ao nascer inuencia
o ganho de peso nos seis primeiros anos de vida, com maior
destaque para os meninos. E o tempo de amamentação
associado à alimentação complementar foi maior entre as
meninas.
REFERÊNCIAS
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Endereço para correspondência:
Isolete Bugs Goergen
Centro Universitário Univates
Rua Leopoldo Scherer, 172
Bairro: Universitário
CEP: 95.900-000 - Lajeado - RS - Brasil
Email: iso@universo.univates.br
... Na sequência surge o DSC 4, que revela que as profissionais conhecem e vivenciam a importância do aleitamento materno, pois a prática evita o aparecimento de várias doenças e, principalmente, pode evitar cerca de 820.000 mortes todo o ano (14) , além de atuar como agente tranquilizador da criança no aspecto psicológico, auxiliando na promoção do desenvolvimento intelectual (16) . Quanto aos prejuízos em curto prazo causados pelo desmame precoce, destaca-se a baixa imunidade da criança, que poderá favorecer as morbidades, tais como: infecções comuns, alergias, diarréia, doenças respiratórias, desnutrição, entre outras, e predispõem a morbidades em longo prazo, tais como: hipertensão, colesterol alto, obesidade e diabetes do tipo 2 (13,14,(17)(18)(19) . ...
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Objetivo: Conhecer as práticas e percepções de profissionais da educação sobre o aleitamento materno. Métodos: Estudo exploratório e descritivo, de abordagem qualitativa. A coleta de dados ocorreu em 2015, com 19 profissionais da educação atuantes em berçários das creches de um município de fronteira do Sul do Brasil. Utilizou-se a técnica do Discurso do Sujeito Coletivo para organizar e tabular os dados qualitativos. Resultados: A construção dos discursos do sujeito coletivo permitiu visualizar que, na percepção das professoras, o aleitamento materno é considerado negativo e não há benefícios nessa prática para crianças matriculadas no berçário I, principalmente pela indisponibilidade da mãe em ir à creche. Deste modo, considerou-se o local como não sendo um bom lugar para mãe amamentar. A percepção da profissional sobre o aleitamento materno o coloca como uma barreira à sua prática profissional e, por isso, o ensino, a manutenção e a promoção à amamentação não ocorrem. Além disso, foram mencionadas dificuldades quanto à infraestrutura escolar para a implementação do aleitamento. Conclusão: As profissionais consideram que o aleitamento materno pode ser uma barreira à sua prática profissional, relatam as dificuldades existentes para essa prática e, efetivamente, não o incentivam.
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Objective To review the relationship between overweight at 6 years of age and socioeconomic conditions at birth, breastfeeding, early feeding practices and birth weight. Methods A cross-sectional study was carried out involving 473 six-year-old schoolchildren from public and private schools living in a municipality in Southern Brazil. Sociodemographic and breastfeeding data and other initial feeding practices were obtained through interviews with the mothers at home. Birth weight and gestational age were obtained from the child’s health card. Anthropometric data of the schoolchildren were collected during school visits. Bivariate and multivariate analyzes were performed using the Poisson Regression between the independent variables and overweight. Results The prevalence of overweight was 33.2%; 83.2% of the children were breastfed and out of these, 48.4% were breastfed only in the first six months. Non-breastfed children exhibited a 20% higher overweight prevalence (PR=1.20; 95%CI 1.13; 1.28). Children with exclusive breastfeeding for six months exhibited a lower overweight prevalence (PR=0.94; 95%CI 0.89; 0.99). Conclusion In this study, breastfeeding showed to be a protective factor for overweight.
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RESUMOObjetivo: identificar o tipo de aleitamento materno e o período de desmame em crianças menores de 24 meses. Método: trata-se de estudo quantitativo, do tipo transversal, com 137 crianças de 0 a 24 meses assistidas em creches públicas municipais. Para a coleta de dados, utilizou-se a técnica de recordatório de 24 horas cujos dados apresentados em tabelas se analisaram por estatística inferencial e empregaram-se os testes qui-quadrado de Pearson e o exato de Fisher. Resultados: a maioria (80; 58,4%) das crianças estava desmamada. Das que amamentavam, três (5,3%) estavam em aleitamento materno exclusivo; duas (3,5%), em aleitamento predominante; 17 (29,9%) e 35 (61,3%), em aleitamento complementar e misto, respectivamente. Das crianças desmamadas, 35 (43,7%) tiveram essa prática interrompida no primeiro semestre de vida. Conclusão: os resultados explicitam prevalência de desmame elevada a partir dos seis meses. Além disso, observaram-se tipos de amamentação inadequados evidenciando a necessidade de estratégias que minimizem o desmame precoce e a mortalidade em menores de dois anos. Descritores: Vigilância; Saúde da Criança; Aleitamento Materno; Desmame; Fatores de risco; Creches.ABSTRACT Objective: to identify the type of breastfeeding and the weaning period in children younger than 24 months old. Method: This is a quantitative cross-sectional study with 137 children aged 0 to 24 months old assisted in public day-care centers. For the data collection, the 24-hour reminding technique was used, whose data presented in tables were analyzed by inferential statistics and Pearson's chi-square test and the Fisher's exact test were used. Results: most of the children (80; 58.4%) were weaned. Three of the breastfeeding mothers (5.3%) were exclusively breastfed; two (3.5%) were predominant breastfeeding; 17 (29.9%) and 35 (61.3%) were respectively in supplementary and mixed breastfeeding. Of the children weaned, 35 (43.7%) had this practice interrupted in the first semester of life. Conclusion: the results explain the prevalence of high weaning from six months. In addition, inadequate types of breastfeeding were observed, evidencing the need for strategies that minimize early weaning and mortality in children under two years old. Descriptors: Surveillance; Child Health; Breast Feeding; Weaning; Risk Factors; Child Day Care Centers.RESUMEN Objetivo: identificar el tipo de lactancia materna y el período de desmame en niños menores de 24 meses. Método: se trata de un estudio cuantitativo, del tipo transversal, con 137 niños de 0 a 24 meses asistidas en guarderías públicas municipales. Para la recolección de datos, se utilizó la técnica de recordatorio de 24 horas cuyos datos presentados en tablas se analizaron por estadística inferencial y se emplearon los tests chi-cuadrado de Pearson y el Exacto de Fisher. Resultados: la mayoría (80; 58,4%) de los niños estaban desmamados. De los que amamantaban, tres (5,3%) estaban en lactancia materna exclusiva; dos (3,5%), em lactancia predominante; 17 (29,9%) y 35 (61,3%), en lactancia complementar y mixta, respectivamente. De los niños desmamados, 35 (43,7%) tuvieron esa práctica interrumpida en el primer semestre de vida. Conclusión: los resultados muestran prevalencia de desmame elevada a partir de los seis meses. Además, se observaron tipos de lactancia inadecuados evidenciando la necesidad de estrategias que minimicen el desmame precoz y la mortalidad en menores de dos años. Descriptores: Vigilancia; Salud del niño; Lactancia Materna; Destete; Factores de Riesgo; Jardines de infantes.
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The aim of this study was to describe time trends in stunting and obesity in children under five years of age in Alagoas State, Brazil. Two surveys were conducted with representative samples, the first in 1992 (n = 1,228) and the second in 2005 (n = 1,384). Stunting was defined as height-for-age
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Objetivou-se investigar as repercussões do Aleitamento Materno (AM) exclusivo até o sexto mês de vida de crianças com baixo peso ao nascer. Trata-se de um estudo exploratório, com abordagem qualitativa, realizado em USF de João Pessoa. A partir dos discursos, foram construídas duas categorias, intituladas: A importância do AM no crescimento e desenvolvimento das crianças com baixo peso ao nascer; O papel da Atenção Básica na promoção do AM e no apoio às mães. Evidenciou-se a importância do aleitamento materno no tocante ao crescimento e desenvolvimento das crianças que nasceram com baixo peso, como também o papel dos trabalhadores da atenção básica no incentivo e na promoção do aleitamento materno.
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Low birth weight is associated with increased risk of dying in the first year of life. This study was motivated by recent changes in the determination of birth weight patterns with the advent of the perinatal epidemiological transition. We analyzed data from the Brazilian National Survey of Demographic and Health of Children and Women including only children < 24 months. Prevalence of low birth weight in Brazil was 6.1%. Risk factors included female gender, residence in the South and Southeast geographic regions, low maternal education, and maternal smoking. The low birth weight profile changed, with higher prevalence in more economically developed regions, reflecting the neonatal epidemiological transition determined by changes in patterns of childbirth care and incorporation of perinatal life support technologies, in addition to the previously known biological risks associated with poverty and misinformation.
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OBJETIVO: Descrever os erros alimentares presentes na introdução da alimentação complementar e na oferta de leite não materno em crianças frequentadoras de creches públicas do município de São Paulo (SP). MÉTODOS: Estudo descritivo transversal, composto por 255 crianças, com faixa etária entre cinco e 29 meses. Os questionários estruturados e pré-codificados, com perguntas abertas e fechadas, foram elaborados para a coleta de dados, que ocorreu entre abril e novembro de 2007. Estes foram transcritos e analisados no programa estatístico Epi-Info 2000. As variáveis avaliadas foram a introdução de leite não materno, a introdução de alimentos e a consistência inicial da alimentação complementar. RESULTADOS: A introdução do leite não materno ocorreu em 40% das crianças até três meses e em 78% até seis meses. Aos três meses, aproximadamente 50% recebiam líquidos não lácteos e 15%, papas de frutas, legumes, verduras e carnes. Na introdução do leite não materno, 68% dos bebês receberam leite de vaca e 31%, fórmulas infantis. Fígado e peixe foram os alimentos mais tardiamente oferecidos. Quanto à consistência das refeições oferecidas, 49% foram inadequadas. CONCLUSÕES: O fato de as crianças serem frequentadoras de creches públicas aponta para a importância da capacitação dos profissionais que nelas atuam e que, eventualmente, são os responsáveis pela introdução da alimentação complementar.
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Objetivou-se descrever e analisar a prática do aleitamento materno em crianças menores de cinco anos no estado de Pernambuco, em 2006, segundo o peso ao nascer. Estudo transversal, com amostra de 1.595 crianças. Utilizou-se o teste chi-quadrado de Pearson para analisar associações bivariadas e a regressão de Poisson para o ajustamento de modelo multivariado dos fatores condicionantes ao aleitamento exclusivo > 4 meses, segundo o peso ao nascer. Verificou-se que a realização do pré-natal e o número de consultas beneficiaram as crianças que nasceram com peso > 2.500g, quando comparadas aos casos com peso < 2.500g (baixo peso ao nascer - BPN). Não houve diferença estatística nas classificações do aleitamento materno, segundo o peso ao nascer. As variáveis anos de estudo formal e tipo de parto apresentaram-se associadas ao grupo de BPN, enquanto que para as crianças com peso > 2.500g foram detectadas associações com as variáveis renda per capita, espaço geográfico, orientação sobre aleitamento materno no pré-natal e sexo das crianças. O grupo de crianças BPN não foi favorecido quanto às recomendações referentes ao aleitamento materno, bem como foram diferentes os resultados das relações das variáveis que permaneceram nos dois grupos representando os modelos finais de análises multivariadas.
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OBJETIVO: Evaluar si el cambio en el escore Z del Índice de Masa Corporal (IMC) por edad >0,67 en el primer año de vida se asoció al exceso de peso en la edad pre-escolar. MÉTODOS: Estudio de cohorte aunado a ensayo de campo aleatorio realizado en la ciudad de São Leopoldo (Rio Grande do Sul). Se recogieron datos de peso y estatura de los niños al nacer, 6 a 8 y 12 a 16 meses. A los 3 a 4 años de edad, se verificó también la circunferencia de la cintura. Se calculó la ganancia de peso por la diferencia en el escore Z de IMC/Edad a los 12 a 16 meses respecto al IMC/Edad al nacer, adoptando punto de corte >0,67 para ganancia de peso excesiva. Relación cintura/estatura fue realizada, considerando exceso de adiposidad central valores >0,5. Se utilizó el análisis multivariado para probar la asociación entre los desenlaces y las variables independientes.RESULTADOS: La prevalencia de ganancia de peso excesiva en el primer año de vida fue de 29,5% de un total de 338 niños. Después del ajuste para las variables sexo, grupo, peso al nacer, tiempo de lactancia materna exclusiva e IMC de la madre, el cambio en el escore z >0,67 del nacimiento hasta los 12 a 16 meses se presentó como factor de riesgo para excesos de peso (RR 2,81; IC95% 1,53–5,16) y elevada relación cintura/altura en la edad pre-escolar (RR 2,10; IC95% 1,19–3,72). CONCLUSIÓN: Ganancia de peso excesivo en el primer año de vida está asociada a exceso de peso y elevada adiposidad abdominal en la edad pre-escolar.
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OBJETIVOS: Descrever a prevalência e os fatores determinantes do sobrepeso de crianças menores de 4 anos de idade de Feira de Santana (BA). MÉTODOS: Estudo transversal aninhado em uma coorte de nascidos (n = 793) em Feira de Santana. As variáveis independentes foram relacionadas às características das crianças, aos fatores sociodemográficos e reprodutivos maternos e à alimentação da criança aos 4 meses. A variável dependente foi o sobrepeso avaliado pelo índice peso/estatura, comparado ao padrão do Multicentre Growth Reference Study de 2006. Adotaram-se os pontos de corte de normalidade -2 e +2 escore z em relação à mediana da população de referência. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual de Feira de Santana, sob registro nº 096/2006. RESULTADOS: A prevalência de sobrepeso observada foi de 12,5%. Características associadas positivamente ao sobrepeso: peso adequado ao nascer (razão de prevalência 2,75; IC95% 1,50-5,05), primiparidade (razão de prevalência 1,61; IC95% 1,09-2,35) e trabalho materno fora de casa aos 4 meses de idade da criança (razão de prevalência 1,73; IC95% 1,16-2,59). CONCLUSÕES: No presente estudo, peso adequado ao nascer, primiparidade e trabalho materno aos 4 meses de vida da criança se associaram com o sobrepeso infantil. A taxa de sobrepeso superou os resultados de outros estudos no país, inclusive em outros municípios baianos, sinalizando para o risco de obesidade e seus comprometimentos a que as crianças em Feira de Santana podem estar submetidas.
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Informações recentes sugerem que o baixo peso ao nascer é uma variável importante para a ocorrência de obesidade e de componentes relacionados à síndrome metabólica, e que essas alterações podem ser detectadas, precocemente, na infância e adolescência. Alguns fatores relacionados ao feto e à mãe são mencionados na literatura como desencadeadores da prematuridade e subsequente baixo peso ao nascer. Os indivíduos com pequena idade gestacional têm alto risco de ganho de peso rápido no pós-natal, obesidade tardia e de apresentar alguns processos ligados a síndrome metabólica, como diabetes tipo 2, dislipidemia, hipertensão e doenças cardiovasculares. Conhecer o panorama dessas condições poderia contribuir para uma atenção precoce à saúde da criança com histórico de baixo peso ao nascimento com riscos à programação para essas doenças em longo prazo. O presente artigo teve como objetivo revisar as considerações atuais sobre a associação entre baixo peso ao nascer e a obesidade e síndrome metabólica na infância e adolescência.
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OBJETIVOS: Determinar a duração do aleitamento materno e verificar os fatores associados ao aleitamento exclusivo/predominante (AMEP), em crianças menores de dois anos de idade. MÉTODOS: Estudo transversal realizado nos municípios de Gameleira, situado na Zona da Mata Sul do Estado de Pernambuco e em São João do Tigre, pertencente à Zona Semi-Árida do Estado da Paraíba, no período de março a junho de 2005. A amostra foi composta por 504 crianças menores de dois anos (280 residentes em Gameleira e 224 em São João do Tigre). Utilizou-se a análise de sobrevida para estimar a mediana do aleitamento materno e das associações com a condição socioeconômica, com fatores relacionados às mães e crianças e assistência à saúde. RESULTADOS: As durações medianas do tempo de sobrevida do aleitamento materno exclusivo, exclusivo/predominante e aleitamento materno foram de 19, 79 e 179 dias em Gameleira e de 23, 91, e 169 dias em São João do Tigre, respectivamente. Mães com melhores condições socioeconômicas, representadas pela escolaridade, saneamento básico e posse de bens de consumo apresentaram maior duração do aleitamento exclusivo/predominante em ambos os municípios. Assistência pré-natal representada pelo maior número de consultas, início mais precoce e com orientação referente à alimentação e ao aleitamento materno influenciaram positivamente na duração do aleitamento exclusivo/predominante. CONCLUSÕES: A duração do aleitamento esteve aquém da recomendada. Apesar das precárias condições de vida das famílias, uma melhor condição socioeconômica e assistência ao pré-natal foram fatores protetores na duração do aleitamento exclusivo/predominante nessas áreas.
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Aim: To describe the methods used to construct the WHO Child Growth Standards based on length/height, weight and age, and to present resulting growth charts. Methods: The WHO Child Growth Standards were derived from an international sample of healthy breastfed infants and young children raised in environments that do not constrain growth. Rigorous methods of data collection and standardized procedures across study sites yielded very high-quality data. The generation of the standards followed methodical, state-of-the-art statistical methodologies. The Box-Cox power exponential (BCPE) method, with curve smoothing by cubic splines, was used to construct the curves. The BCPE accommodates various kinds of distributions, from normal to skewed or kurtotic, as necessary. A set of diagnostic tools was used to detect possible biases in estimated percentiles or z-score curves. Results: There was wide variability in the degrees of freedom required for the cubic splines to achieve the best model. Except for length/height-for-age, which followed a normal distribution, all other standards needed to model skewness but not kurtosis. Length-for-age and height-for-age standards were constructed by fitting a unique model that reflected the 0.7-cm average difference between these two measurements. The concordance between smoothed percentile curves and empirical percentiles was excellent and free of bias. Percentiles and z-score curves for boys and girls aged 0-60 mo were generated for weight-for-age, length/height-for-age, weight-for-length/h eight (45 to 110 cm and 65 to 120 cm, respectively) and body mass index-for-age. Conclusion: The WHO Child Growth Standards depict normal growth under optimal environmental conditions and can be used to assess children everywhere, regardless of ethnicity, socio-economic status and type of feeding.