Aldeia das Amoreiras Sustentável, Projeto de Permacultura,
Plano Geral 2012
ISBN 978-989-96027-4-8
1ª Edição | 2014
Editado por GAIA - Grupo de Acção e Intervenção Ambiental
Autores: André Vizinho, Maurício Umann, João Gonçalves,
Filipa Santos, Jorge Crespo, Centro de Convergência
Este livro foi editado como forma de divulgação do Design de
Permacultura para a Aldeia das Amoreiras, realizado no âmbito do
projecto Aldeia das Amoreiras Sustentável. O projecto Aldeia das
Amoreiras Sustentável foi concebido e implementado pelo Centro
de Convergência e GAIA em conjunto com a população da Aldeia
das Amoreiras e organizações parceiras. A Perma-D foi convidada
pelo Centro de Convergência para realizar o Design de Permac-
ultura para a Aldeia das Amoreiras. Este design foi elaborado ao
mesmo tempo que o projecto Aldeia das Amoreiras Sustentável
foi sendo desenvolvido, razão pela qual as fronteiras entre os dois
trabalhos são difíceis de distinguir. Importa ainda realçar que o
projecto Aldeia das Amoreiras Sustentável bem como o Design
de Permacultura foram coordenados por André Vizinho e que as
sessões de participação que resultaram na Aldeia de Sonho foram
coordenadas por Sara Serrão.
The research leading to these results has received funding from
the European Comission’s Seventh Framework under Grant Agree-
ment No. 308337 (Project BASE).
Direitos de Autor: este trabalho tem alguns direitos de autor
reservados sob a licença de uso Creative Commons. Os direitos
pertencem aos autores do trabalho em conjunto com o Centro de
Convergência – GAIA Alentejo. Excepto para ns comerciais, todos
os usos são permitidos sempre que sejam citados os autores.
Infograa: Filipa Santos e Maurício Umann
Lay Out e paginação: Filipa Santos
Revisão: Gil Penha Lopes, Maurício Umann, Lucie Rousset,
David Avelar, entre outros.
Este documento encontra-se disponível em versão pdf online em
http://centrodeconvergencia.wordpress.com/permacultura/ e
pode ser feito o download sendo pedido um donativo para a conta
do GAIA.
Contactos dos Parceiros:
Centro de Convergência
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G.A.I.A.
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Perma-D
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BASE
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Programa Juventude em Acção
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Município de Odemira
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Contactos dos autores:
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joaovox@gmail.com
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jorge.crespo.carvalho@gmail.com
ÍNDICE
PREFÁCIO
INTRODUÇÃO
A ALDEIA DAS AMOREIRAS
ALDEIA DAS AMOREIRAS SUSTENTÁVEL
CENTRO DE CONVERGÊNCIA
PERMA-D
UM MODELO PARA UMA ALDEIA SUSTENTÁVEL
PERMACULTURA
CONTEXTO GLOBAL
REFLEXÃO SOBRE A ELABORAÇÃO DE UM PROJECTO DE
PERMACULTURA PARA UMA ALDEIA
UM DESIGN DE PERMACULTURA
PROCESSO DE DESIGN
DIAGNÓSTICO
OBSERVAÇÃO
A ALDEIA DAS AMOREIRAS NO MAPA
AS PAISAGENS EM VOLTA DA ALDEIA DAS AMOREIRAS
VIVER NA ALDEIA DAS AMOREIRAS DE 2006 A 2011
(integração e descoberta)
ALDEIA DE SONHO: VISÃO DA ALDEIA DAS AMOREIRAS
SESSÕES DE PARTICIPAÇÃO: A ALDEIA DE SONHO
INQUÉRITOS AOS HABITANTES DA ALDEIA
OBJECTIVOS DOS INQUÉRITOS
METODOLOGIA
RESULTADOS
ANÁLISE
RECOMENDAÇÕES A PARTIR DO ESTUDO DA PAISAGEM
A VISÃO DAS ASSOCIAÇÕES DE DESENVOLVIMENTO
LOCAL
ANÁLISE FOFA
ANÁLISE DE INPUTS E OUTPUTS
ANÁLISE DOS FLUXOS
ANÁLISE DAS FUNÇÕES
FUNÇÕES E SOLUÇÕES PRIORITÁRIAS
CONSIDERAÇÕES FINAIS
PROPOSTA
VISÃO PERMA-D PARA A ALDEIA DAS AMOREIRAS
PERMADNA ESPECTRO DE TRABALHO
AS ZONAS DA ALDEIA DAS AMOREIRAS
ZONAS E ELEMENTOS
A PRIORIZAÇÃO DE FUNÇÕES
FUNÇÕES E SOLUÇÕES PRIORITÁRIAS
ESTRATÉGIAS PARA A IMPLEMENTAÇÃO
PLANEAR, FAZER E CELEBRAR EM GRUPOS DE SONHO
EVENTOS MULTIFUNCIONAIS
DESIGN DE PERMACULTURA PARTICIPATIVO
COM A COMUNIDADE
CONCLUSÃO DA PROPOSTA
CONSIDERAÇÕES FINAIS
ANEXO
10 PRINCÍPIOS DE PLANEAMENTO DE PERMACULTURA
REFERÊNCIAS
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PROJECTO DE PERMACULTURA
“Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e denida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.
Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marm,
orete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.
…”
António Gedeão
Aldeia das Amoreiras Sustentável
PREFÁCIO 8
PREFÁCIO
David Marques
“Pelo menos já temos os sonhos!”
Poderão os caminhos para a sustentabilidade
nascer numa pequena aldeia, desenhados em
papel de cenário pelas mãos de novos e velhos,
numa improvável e renovada comunidade?
Talvez não seja consensual a resposta que se
obtém após ler este livro, mas estamos peran-
te, seguramente, um generoso e esperançoso
contributo para acreditar.
Quando o André Vizinho me desaou para
prefaciar este livro deparei-me com uma
primeira diculdade. Apesar de ter contactado,
durante os últimos 15 anos, com diferentes abor-
dagens e intervenções de Desenvolvimento Local
e em particular no meio rural, confesso que não
tenho, no que concerne à Permacultura, profun-
do conhecimento.
Em diferentes seminários e encontros pude
assistir a algumas, poucas, apresentações sobre
Transição e Permacultura. Lidando com o André
de forma mais regular, quando ele e eu integrá-
mos o Órgão de Gestão do Grupo de Acção
Local Esdime foi possível, em algumas conver-
sas, descobrir e conhecer alguns dos princípios
e da losoa da Permacultura, bem como
partilhar a visão de sustentabilidade do projecto
que o Centro de Convergência criou na Aldeia das
Amoreiras. Contudo, foi o desao deste prefá-
cio que me proporcionou a oportunidade de, ao
folhear e ler este trabalho, melhor compreender
a permacultura, quer pelo que pesquisei noutras
fontes, como na informação de enquadramen-
to sobre o modelo que consta no livro. Esse é
desde logo um importante contributo que este
livro assume, ao reforçar uma bibliograa de
origem portuguesa sobre o tema praticamente
inexistente.
Em 40 anos de democracia tivemos alguns
insucessos colectivos, sendo que o aumento das
assimetrias regionais, associado ao despovoa-
mento e ao envelhecimento dos territórios do
interior, são indicadores bem evidentes de que
a coesão territorial é um dos principais destes
insucessos. A Aldeia das Amoreiras é apenas um de
muitos postais ilustrados desta realidade. De norte
PREFÁCIO 9
a sul é contínua uma paisagem de abandono, dum
interior que parece surgir aos olhos da maioria
como inviável como território de vida. Este é o
resultado dum paradigma dominante, que não é
um exclusivo nem uma originalidade portuguesa,
que determinou uma urbanização económica e
cultural do território durante o último meio século.
É contra este paradigma que lutam movimentos
de cidadania e organizações da sociedade civil
com uma história de mais de duas décadas em
Portugal. Com origens e dinâmicas particula-
res, estes movimentos, em que se integram, o
GAIA, o Centro de Convergência e a Perma-D,
partilham valores e modelos comuns, nome-
adamente, dum Modelo de Desenvolvimento
Sustentável, em todas as dimensões – humana e
natural. E quando falamos de valores, falamos de
participação, de abertura e de solidariedade,
de comunhão com a história e com os recursos
naturais.
O livro “Amoreiras – Permacultura para uma
aldeia” leva-nos numa viagem pelo interior
do concelho de Odemira, a visitar o quotidi-
ano duma comunidade de 160 pessoas - 12 das
quais como menos de 12 anos - a partilhar um
caminho, calcorreado por aquelas ruas, por
aquelas casas, lado a lado com um conjunto de
pessoas que aceitou o desao de sonhar um futu-
ro diferente, daquele que o passado e o presente
lhe reservou. O registo desta experiência, a par-
tilha desse caminho, resultam como contributos
inspiradores mas também como exemplos
ilustrativos do potencial desta metodologia. Este
livro assume como ambição produzir um plano
de dimensão estratégica, à escala da freguesia,
sem pretensões de apresentar ou conter todas as
respostas. É possível seguir pistas concretas e
práticas, propostas de acção, construídas a par-
tir de um novo olhar e duma abordagem inova-
dora aos problemas do Desenvolvimento. A
Permacultura aplicada à Aldeia permite-
-nos conceber um sistema que assume uma
renovada ambição, que procura nas suas
forças gerar contínuas dinâmicas, susten-
táveis, geradoras de emprego e de rendimento,
que respeitem o tempo e o espaço, fazendo
dos uxos internos fonte geradora de futuro.
Conjugando uma permanente e “amorosa com-
preensão da terra e da gente”*, ainda que “sob
a severa disciplina da ciência”, os autores
conduziram um processo de trabalho, que é
também, um projecto de vida, porque da sua
vida foram fazendo a Aldeia das Amoreiras.
Se mais razões não houvessem, este encontro
entre a aldeia e a vida, será motivo de sobra para
percorrer os dedos e os olhos por estas páginas.
David Marques
Presidente da Direcção da ESDIME,
Agência para o Desenvolvimento Local
no Alentejo Sudoeste
*Orlando Ribeiro
INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO 12
INTRODUÇÃO A ALDEIA
DAS AMOREIRAS
Esta publicação é o resultado do trabalho
conjunto de cinco Permacultores da PERMA-D,
com o Centro de Convergência, e contou com
a colaboração de dezenas de voluntários e um
forte sentido de comunidade gerado entre todos
os que zeram este projecto possível.
Pretende-se com este documento formalizar um
processo que está a decorrer, o planeamento
e aplicação dos princípios da Permacultura à
Aldeia das Amoreiras.
O objectivo principal é pensar uma Aldeia das
Amoreiras sustentável e feliz para os que nela
vivem e para os que nela virão a habitar no
futuro…
É o nosso contributo para as aldeias deste país…
e para que a Aldeia das Amoreiras continue a
criar o sonho que resta concretizar…
A Aldeia das Amoreiras é uma aldeia situada
em Portugal, região do Alentejo, no distrito de
Beja e concelho de Odemira. Esta aldeia tem
mais de 5 séculos de existência e nela habitam,
actualmente, cerca de 160 pessoas mais cerca de
20 nos montes e quintas em volta. A Aldeia das
Amoreiras está situada na fronteira entre três
paisagens, no início da enconsta norte da serra
do Caldeirão, no início das colinas de Odemira e
no início dos campos de Ourique.
Por esta razão a população desta aldeia tradi-
cionalmente conhece muitas práticas agrícolas
e silvícolas como a apanha da cortiça, do me-
dronho, a cultura de cereais, do linho, da caça,
da lenha, do vinho, do mel, do gado caprino,
ovino e suíno. A cultura do cante ao Baldão e da
viola Campaniça ligada à aldeia de Corte Malhão
e à Freguesia de São Martinho das Amoreiras, a
que pertence, marcam a criatividade e identi-
dade desta povoação.
Historicamente alguns momentos marcam o
seu passado e as suas memórias como a passa-
gem periódica da Rainha D. Maria pela Aldeia a
caminho de Monchique no século XVIII; como os
meados do século XX com o abundante trabalho
no trigo com baixos salários e muita população;
como o 25 de Abril e a subida generalizada da
qualidade de vida e do preço da mão-de-obra
rural. A emigração e a migração interna à procura
de trabalho nas cidades deixou a Aldeia com
cerca de um terço da população que tinha nos
anos 60. Antigamente é que era, havia trabalho
à farta, dizem os mais velhos. Há uns anos é que
era, ganhava-se bem, diz quem trabalha. Agora é
que vai ser, dizem os novos moradores.
INTRODUÇÃO 13
ALDEIA
DAS AMOREIRAS
SUSTENTÁVEL
O projecto Aldeia das Amoreiras Sustentável é
uma iniciativa do Centro de Convergência inicia-
da em Maio de 2010 com a missão de criar uma
aldeia sustentável pensada com a população e
entidades parceiras e gerida pela população em
parceria a administração local e outras entidades
consideradas pertinentes pela população, grupos
e associações locais.
O pressuposto deste projecto é que a sus-
ten- tabilidade depende em primeiro lugar da
participação e responsabilização da população
sobre a gestão do seu próprio território e dos seus
recursos. Sob uma gestão local responsável,
surgirá naturalmente integração da coesão
social, da economia e a defesa do ambiente.
Os objectivos gerais do projecto são:
PARTICIPAR: Envolver a população da Aldeia das
Amoreiras e entidades parceiras na idealização e
construção da Aldeia das Amoreiras Sustentável.
PENSAR: Recolher e analisar informa-
ção para construir cenários alternativos de
desenvolvimento com apoio de estudos técnicos
de Engenharia Ambiental, Economia Ecológica
e Permacultura.
CAPACITAR: Promover a formação, a troca de
conhecimento, a valorização do conhecimento e
recursos locais, a autoconança e autodetermi-
nação da população.
CONCRETIZAR: Resolver, em grupos de
interesse da população, os problemas
considerados prioritários.
DOCUMENTAR & DIVULGAR: Documentar o pro-
cesso em vídeo e dar visibilidade ao projecto e
aos seus apoiantes em momentos estratégicos
denidos.
Um dos objectivos especícos deste projecto é
criar um cenário de sustentabilidade forte com
soluções integradas que possa ser apresentado à
população como um dos cenários para o futuro
da Aldeia.
Uma das melhores maneiras de construir um
cenário concreto com soluções práticas e integra-
das para a sustentabilidade forte de uma Aldeia
é elaborar um Design de Permacultura. Neste
sentido, o Centro de Convergência convidou a
Perma-D – Permaculture Designers para elaborar
“um Design de Permacultura para a Aldeia das
Amoreiras Sustentável”, baseado no sistema de
planeamento de Permacultura, um projecto nun-
ca antes realizado em Portugal ou no mundo para
uma aldeia com centenas de anos de história.
INTRODUÇÃO 14
CENTRO
DE CONVERGÊNCIA
O Centro de Convergência é um projecto inova-
dor que surgiu na Aldeia das Amoreiras no ano de
2006 / 2007 por iniciativa de um grupo de jovens
urbanos, com o objectivo de criar uma ponte
entre a cidade e o campo e incentivar a con-
vergência de todos aqueles que desejam aplicar
os seus conhecimentos e experiências em meio
rural para descobrir como é possível hoje viver
de forma sustentável integrando as componentes
ecológicas, económicas, sociais e pessoais.
De 2006 a 2010 o Centro de Convergência
trabalhou na Aldeia das Amoreiras realizando
actividades e eventos multidisciplinares nas
áreas da arte comunitária, ecologia, Permacul-
tura, acção social, cultura, investigação, entre
muitos outros. Este trabalho muito intenso criou
um programa de actividades culturais muito rico
ao longo destes anos direccionado para a Aldeia
das Amoreiras mas também para os neo-rurais e
para a população em geral.
Este trabalho ensinou que para ir mais longe na
construção da sustentabilidade não basta realizar
actividades sustentáveis mesmo que pedagógicas
e demonstrar a sustentabilidade dos espaços e
A Perma-D é um colectivo de Designers de Per-
macultura que reúne pessoas com experiências
pessoais e prossionais diversas, todas com for-
mação e experiência em Design de Permacultura
e visa oferecer serviços de Design de Permacul-
tura para situações complexas, tanto para o meio
urbano como para o meio rural, em Portugal e
noutros países onde se fala a língua portuguesa.
Realizar projectos de qualidade, criando uma
cultura de competência no trabalho de Design de
Permacultura é o objectivo central da Perma-D.
Apresentamo-nos como consultores e executores,
dominando um vasto leque de soluções técnicas
que propomos com detalhe.
pessoas do Centro de Convergência.
É necessário envolver e trabalhar com os
habitantes da Aldeia procurando assim atingir a
sustentabilidade da Aldeia no seu todo.
Adicionalmente, o Centro de Convergência sen-
tiu a necessidade de empoderar a população
da Aldeia para o debate e planeamento do seu
próprio futuro e assim ajudar a criar uma nova
cultura de participação activa das populações na
gestão das suas comunidades e na realização dos
seus sonhos.
PERMA-D
INTRODUÇÃO 15
UM MODELO
PARA UMA ALDEIA
SUSTENTÁVEL
Um modelo de Permacultura para uma aldeia
sustentável consiste numa visão e planeamen-
to integrado para o sistema de uma aldeia que
inclui sicamente o seu aglomerado urbano e
a sua paisagem envolvente até ao limites das
povoações vizinhas.
O planeamento sistémico ou planeamento de um
sistema consiste em olhar para todas as partes do
sistema e entender as suas relações para o fun-
cionamento do todo. Desta forma, para desenhar
um modelo para uma aldeia numa perspectiva
sistémica, identicamos todos os elementos e
funções/necessidades do sistema e procuramos
encontrar as soluções dentro do sistema da Al-
deia. A partir de uma análise input-output con-
seguimos saber o que cada elemento necessita e
produz, como valor ou desperdício.
Se os elementos estiverem bem posicionados
relativamente aos outros elementos então todas
as necessidades serão satisfeitas e os subprodu-
tos serão valorizados. Adicionalmente, pode ser
necessário criar ou adicionar novos elementos
sociais, económicos ou ecológicos que desem-
penhem funções alavanca e que permitam trazer
um uxo saudável entre os diversos elementos.
Adicionalmente, em Permacultura, procuramos
desenhar sistemas que sejam permanentes, ou
seja, que necessitem do mínimo de manutenção
no futuro e assentem a sua base económica na
utilização dos recursos naturais dentro da capa-
cidade de carga dos ecossistemas.
Um modelo de Permacultura para uma Aldeia
Sustentável é então uma proposta que desenha e
posiciona os elementos que permitem o uxo de
energia, alimento, recursos, incluindo recursos
nanceiros, pessoas e comunicação entre todos
os elementos de uma aldeia e da sua paisagem
envolvente, satisfazendo todas as necessidades
sociais, económicas e ecológicas de quem habita
o território em causa.
A Permacultura – (Agri) Cultura Permanente - é
um método de design criado na Austrália por
Bill Mollison e David Holmgren com o objectivo
de criar habitats humanos permanentes ou sus-
tentáveis. Reconhece os padrões naturais como
modelos inspiradores da integração funcional de
elementos vivos e não vivos na paisagem urbana
e rural.5
Adopta orientações éticas resumidas em “cuidar
da terra”, no sentido de respeitar e cooperar
com Natureza que é fonte de toda a riqueza e
que, como uma Mãe, nos dá tudo o que precisa-
mos, “cuidar das pessoas”, para a auto-realiza-
ção humana integral, olhando os seres humanos
como seres sociais que se realizam através da
consciência e da responsabilidade social. E o
terceiro princípio é “retribuir o excedente”, ou
seja, investir tudo aquilo que temos como exce-
dente nos dois primeiros: cuidar da terra e das
pessoas.
A Permacultura utiliza princípios práticos para
apoiar o trabalho da pessoa designer/planea-
dora na concepção de um sistema permanente
em qualquer contexto. Os princípios mais uti-
lizados são os 12 princípios formulados por David
Holmgren, co-fundador da Permacultura.6
PERMACULTURA
INTRODUÇÃO 16
Em 1974, quando surgiu o conceito de Perma-
cultura, o mundo estava, como ainda em grande
medida está nos dias de hoje, focado num
modelo de desenvolvimento que privilegia a
acumulação do lucro nanceiro pelas empre-
sas pensando que este lucro irá gerar mais
riqueza que se distribuirá progressivamente,
aumentando o bem-estar dos povos.
Esta lógica e este modelo de desenvolvimento
tem criado zonas de grande pobreza no mundo
devido à desapropriação das terras e meios de
produção das populações locais, originado simul-
taneamente elevadíssimos impactos ambientais
devido aos desperdícios e subprodutos das indús-
trias, das cidades, dos transportes e da agricul-
tura. O incentivo e a possibilidade de acumular
lucros innitamente tem originado conitos e
guerras pelos recursos, que por sua vez originam
um ciclo ainda maior de pobreza e devastação.
Consequentemente, observa-se uma migração
para as cidades em todo o mundo que é in-
centi-vada também pelo vigente modelo de
concentração, especialização e mecanização da
produção.
A Permacultura surge então como uma abor-
dagem e um conjunto de soluções que permite
viabilizar a sustentabilidade ecológica, social e
económica, da localização da vida à gestão de
forma bio-regional e sistémica dos territórios.
Neste sentido, o que nos move é passar para a
prática, planeando e implementando a transição
das nossas comunidades do hoje para o aman-
hã; do nosso modo de (dis)funcionamento actual
para o nosso futuro sustentável e feliz.
A nossa responsabilidade é aplicar os princípios
e a ética da Permacultura para desenhar siste-
mas de sucesso, que funcionem com o mínimo de
manutenção e gasto de energia no futuro e com
o máximo de estabilidade e resiliência.
Para melhor esclarecer a população e os visitan-
tes da Aldeia das Amoreiras sobre os princípios da
Permacultura adaptámos os princípios práticos
com exemplos da Aldeia das Amoreiras.
Para melhor esclarecer a população e os visitan-
tes da Aldeia das Amoreiras sobre os princípios da
Permacultura adaptámos os princípios práticos
com exemplos da Aldeia das Amoreiras.
(Consultar Anexo).
CONTEXTO GLOBAL
INTRODUÇÃO 17
REFLEXÃO SOBRE
A ELABORAÇÃO
DE UM PROJECTO
DE PERMACULTURA
PARA UMA ALDEIA
Concebemos a aldeia sustentável como um
sistema ecológico e sociocultural, com uma
história e cultura, amadurecida ao longo de cen-
tenas de anos, em que foi aprofundada uma re-
lação entre a cultura e o potencial do ambiente
natural especíco. E incluimos na aldeia a sua
paisagem envolvente que a sustenta.
Neste contexto os desaos surgem associados a
duas abordagens estratégicas:
• Valorizar e melhorar o que “já existe”;
• Criar novos elementos multi-funcionais que
desempenhem as funções necessárias no cenário
ideal.
As perguntas são:
Como criar mais sinergia, cooperação e apren-
dizagem entre as pessoas, usando os processos e
elementos que já existem no sistema para servir
as necessidades psicológicas, culturais, sociais e
ecológicas da aldeia e do meio envolvente?
Como tornar os elementos e processos existentes
mais multi-funcionais, ou seja, capazes de cum-
prir mais funções, de atingir mais objectivos
ou satisfazer mais necessidades psicológicas,
culturais, sociais e ecológicas?
Como criar novas ligações funcionais entre
elementos do sistema e elementos do exte-
rior (pessoas, mercados, escolas, empresas,
instituições), para valorizar os recursos e minimi-
zar a importação e aumentar a circulação interna
e regional de uxos?
Ambas as abordagens convergem num plano
geral que pode implicar integração de novas
pessoas, saberes, experiências, valores, proces-
sos e recursos.
Mas quem irá impulsionar esta dinâmica
de valorização, criação, partilha, renova-
ção, troca, formação, participação, organiza-
ção, integração, planeamento, implementação,
monitorização, avaliação?
Se num projecto de Permacultura para uma quin-
ta ou herdade, quem implementa são os seus
donos e os seus trabalhadores, numa aldeia,
quem implementa o plano é a sua população, a
administração pública, as associações locais, as
empresas, as famílias.
Assim, o principal desao de um projecto de
Permacultura para uma aldeia é pensar como
envolver estes agentes, para que o plano seja
considerado nos momentos de planeamento e
discussão de soluções para os desaos de cada
um dos sectores ou subsistemas da aldeia.
Idealmente e como ponto de partida, todas as
pessoas com inuência na aldeia e sua paisa-
gem envolvente deveriam ler as propostas do
plano geral de Permacultura. Exemplo: junta de
freguesia, assembleia de freguesia, vereadores
do município, empresas locais, proprietários
orestais, associações locais e habitantes da
aldeia.
Convencionalmente, quem apresenta as
propostas e visão para a gestão do bem comum
e espaços públicos, são as listas e partidos can-
didatos ao poder, leia-se administração pública.
INTRODUÇÃO 18
Por outro lado, a administração pública não apre-
senta convencionalmente propostas ou visões
para a gestão dos espaços privados, cabendo
esse papel aos proprietários ou às associações de
trabalhadores.
Um projecto de Permacultura para uma
aldeia entra em todos estes espaços pelo que é
fundamental que os agentes responsáveis pelos
espaços públicos e privados não vejam um pro-
jecto de Permacultura como uma violação do seu
espaço de intervenção e da sua responsabilidade
de gestão mas antes como um contributo para
ajudar a realizar os objectivos de todos.
UM DESIGN
DE PERMACULTURA
Um design de Permacultura é um plano inte-
grado que se aplica a um território gerido por
seres humanos respeitando os princípios éticos e
práticos da Permacultura e indo ao encontro dos
objectivos e necessidades de quem gere, habita
e depende do território em causa.
Em poucas palavras, um plano de Permacul-
tura começa com uma entrevista ao cliente, o
proprietário /gestor do espaço em causa para
identicar os objectivos e iniciar o processo de
recolha de informação necessária ao desenho e
localização dos elementos que vão desempenhar
as funções necessárias para atingir os objectivos
de vivência do espaço em análise.
Um plano geral de Permacultura para uma quinta
é um processo complexo pois implica a análise da
situação actual e potencial de todos os recursos
naturais mas também de todas as pessoas que
agem no espaço que se pretende intervir.
Este tipo de análise aos aspectos ecológicos,
sociais e económicos de um espaço pode ser
apelidada de uma análise sistémica uma vez que
se considera a quinta, ou aldeia ou região em
causa como um sistema, por se pretender
entender o comportamento do sistema como um
todo e não meramente das suas partes.
O plano ou design de Permacultura é assim um
conjunto de propostas práticas imbuídas de
uma estratégia para atingir os objectivos gerais
das pessoas que habitam o sistema e em si-
multâneo Cuidar da Terra, Cuidar das Pessoas e
Partilhar Justamente o que se produz no sistema
em questão.
Um plano de Permacultura pode ser um Plano
Geral ou um Projecto de Implementação conso-
ante o detalhe e adaptação local das soluções
propostas.
Este projecto de Permacultura é um Plano
Geral pois propomos uma estratégia para atingir
a sustentabilidade da Aldeia das Amoreiras mas
não apresentamos as soluções minuciosamente
com o detalhe necessário a serem implementa-
das de imediato a cada subsistema da Aldeia das
Amoreiras.
INTRODUÇÃO 19
PROCESSO
DE DESIGN
O processo de design de Permacultura
separa-se em diferentes fases: observação,
análise, design, implementação, monitorização
e manutenção. Apesar destas fases e processos
serem independentes eles podem acontecer si-
multaneamente em alguns momentos por forma
a poder validar hipóteses e prosseguir com mais
detalhes e certeza sobre as propostas a apresen-
tar até sobre a informação a adquirir.
Desta forma pode-se dizer ao invés de uma
linha recta temporal, no processo de design de
Permacultura segue-se uma espiral ascendente,
em que se inicia um processo com pressupostos
bastante gerais, uma análise geral e propostas
gerais que se implementam de forma experi-
mental e se passa para uma segunda ronda de
planeamento em que se vai observar com mais
detalhe, analisar com mais detalhe, propor com
mais detalhe e implementar com mais cuidado
para obter feedback detalhado. Chegado a um
momento satisfatório de informação desenha-se
um plano geral, que dene as linhas gerais da
implementação.
O processo de implementação das soluções ne-
cessita de um novo processo de planeamento
em detalhe, do qual resulta um projecto de
investimento.
Assim, para o Plano Geral de Permacultura para
a Aldeia das Amoreiras seguimos os seguintes
passos:
Observação activa: O método de observação
foi viver e estar na Aldeia; organizar reuniões
de participação em que se pergunta às pessoas
da Aldeia a informação necessária; realizar in-
quéritos à população para recolher informação;
recolher informação bibliográca disponível.
Fronteiras: O método para identicar as fron-
teiras legais, naturais, políticas, económicas,
sociais resultou da observação e consistiu em
denir as fronteiras em mapa, em esquema na
apresentação dos inquéritos e e texto, nome-
adamente através do recurso à categorização
em áreas PESTE (Políticos, Económicos, Sociais,
Tecnológicos, Ecológicos) dentro da análise FOFA.
Recursos: Os recursos naturais, humanos, soci-
ais, tecnológicos, imateriais (conhecimento, pro-
cessos, cultura) e materiais foram identicados
ao longo da Análise Funcional e sistematizados
na análise FOFA, no capítulo Forças da Aldeia.
Análise Funcional: Partimos do Índice de Recur-
sos para a Bio-Região sugerido por Bill Mollison no
Permaculture: A Designer Manual9 para identi-
car as funções que são necessárias satisfazer
para a Aldeia das Amoreiras.
Denição de funções prioritárias: Partindo da
análise das funções necessárias para a Aldeia,
identicámos quais são as necessidades que
estão satisfeitas e quais são as que não estão
satisfeitas. Considerámos as que não estão satis-
feitas como prioritárias.
Análise FOFA: A Análise FOFA (Forças, Oportuni-
dades, Fraquezas, Ameaças) ou SWOT (Strenghts,
Weaknesses, Oppotunities, Threats) serve como
base para denir uma estratégia tentando
maximizar as forças (internas) e oportunidades
(externas à Aldeia) e minimizar as fraquezas
(internas) e as ameaças (externas).
A análise FOFA foi realizada tendo em conta as
áreas temáticas PESTE.
Priorização: A priorização é o resultado da
combinação da estratégia com as funções consi-
deradas prioritárias. O resultado é precisamente
uma priorização ainda mais renada das funções
e elementos a implementar na Aldeia.
Construir o cenário ideal - uxos e zonas: Iden-
ticar os uxos actuais é aplicar uma análise
input-output onde se identica o que entra e sai
no sistema e em cada sector. Identicar e ma-
pear os uxos futuros num cenário ideal é pensar
INTRODUÇÃO 20
os elementos e a sua posição relativa por forma
a fechar os ciclos dos uxos de energia, recursos,
pessoas, etc., dentro do sistema, sempre que
possível. O mapeamento recorreu ao sistema de
zonas em que a zona 0 está mais perto porque
precisa de mais manutenção e a zona cinco está
mais longe porque não precisa de manutenção.
Cronograma: Partir do cenário Ideal num
momento futuro e fazer o planeamento inverso
do que é necessário fazer em cada momento
para lá chegar.
Implementação parcial, monitorização, aval-
iação e celebração constante: O processo de
design necessita de implementação para obter
feedback em detalhe suciente para conseguir
identicar que tipo de soluções pode funcio-
nar. Monitorizar e avaliar o feedback suporta a
realização do processo de design. A celebração é
a prova de que o processo é importante e dá fru-
tos que nos ajudam a construir um mundo feliz.
DIAGNÓSTICO
DIAGNÓSTICO 24
OBSERVAÇÃO
Observar signica olhar atentamente procurando
entender o que se observa. Quem observa deve
ter atenção quem é, porque observa e qual é a
sua perspectiva, o seu olhar. Olhando para a vista
abaixo da aldeia, o que vemos?
Um fotógrafo repara no enquadramento, na luz;
um agricultor vê a terra trabalhada ao fundo,
na proximidade da Aldeia; um silvicultor pode
ver o ordenamento das árvores e um apicultor
encontra um sítio onde colocar colmeias... Um
promotor turístico pensa na vista e um economis-
ta pensa na escala da produção. Um arquitecto
olha para as casas e um permacultor pensa em
como ligar todos os elementos, todas as funções,
todos os olhares indo ao encontro da identidade,
dos desejos e das motivações de quem lá mora.
Foi, assim, na tentativa de maximizar o
número de perspectivas e olhares sobre a Aldeia
das Amoreiras que conduzimos o processo de ob-
servação, participando, mas também realizando
inquéritos e pesquisas bibliográcas intensas
para conseguir obter o máximo de informação
possível sobre a Aldeia das Amoreiras e a sua
paisagem envolvente.
Abaixo apresentamos a nossa observação nos
seguintes pontos:
• A Aldeia das Amoreiras no Mapa;
• Três Paisagens e uma Freguesia;
• A Aldeia das Amoreiras e os montes em volta;
• A visão das Associações de Desenvolvimento
Local;
• Contexto bioregional (ecológico, social e
económico);
• Viver na Aldeia de 2006 a 2011 (integração e
descoberta);
• Aldeia de Sonho – Visão da Aldeia das
Amoreiras;
• Sessões de Participação – A Aldeia de Sonho;
• Inquéritos aos habitantes da Aldeia;
• Objectivos dos inquéritos;
• Metodologia,
• Resultados.
DIAGNÓSTICO 25
A ALDEIA
DAS AMOREIRAS NO MAPA
A Aldeia das Amoreiras situa-se no continente
Europeu, Portugal, região do Alentejo, distrito
de Beja, concelho de Odemira, freguesia de São
Martinho das Amoreiras, a cerca de 50km do
oceano atlântico, no início da enconsta norte da
Serra do Caldeirão, tocando no início da paisa-
gem da planície alentejana, por vezes apelidada
de Campos de Ourique.
Quando nos aproximamos da Aldeia das Amoreiras
de carro, a pé ou numa fotograa aérea,
percebemos que a Aldeia das Amoreiras é um
povoamento no meio de um vasto espaço
natural.
A Aldeia na Península Ibérica.
DIAGNÓSTICO 26
Vista aérea da Aldeia das Amoreiras.
À volta deste belo povoamento há paisagens e
montes e casas e é deste envolvimento que re-
sulta a vida e toda a sustentabilidade da Aldeia.
Por isso, neste projecto consideramos a Aldeia
das Amoreiras, o aglomerado rural em conjunto
com os montes em volta.
Os montes em volta são as quintas ou
casas isoladas, tipicamente apelidadas de
montes na região alentejana, que estão entre a
Aldeia das Amoreiras e outras povoações em
volta como Conqueiros, São Martinho das
Amoreiras, Amoreiras-Gare, Garvão e o limite do
concelho com o município de Ourique no lugar de
Garcia Galego.
Os montes são habitações históricamente
habitadas por famílias que praticavam
agricultura familiar, produzindo nos vales e
corgos produtos hortícolas , frutícolas e
milho. Nos solos menos produtivos, mesmo que
inclinados usava-se produzir cereais extensiva-
mente em ciclos de rotação de 4 anos alternando
entre trigo, aveia, pasto e alqueive/pousio.
Grande parte destes montes estão hoje
desabitados com os edifícios em ruína ou
tendo sido vendidos a estrangeiros reformados ou
habitantes da cidade que os utilizam para pas-
sar férias. Alguns montes estão habitados por
pessoas que praticam agricultura para consumo
próprio ou para vender alguns excedentes.
DIAGNÓSTICO 27
A Aldeia das Amoreiras e os montes em volta.
Outros montes estão habitados por novos
habitantes rurais provenientes da cidade,
pessoas tipicamente qualicadas e/ou licen-
ciadas que alugam ou compram um monte para
experimentar viver em espaço rural.
Os montes estão associados à propriedade
orestal na paisagem a sul do aglomerado ru-
ral da Aldeia das Amoreiras, em que domina o
montado de sobro denso misturado com
medronheiros ou alternativamente os “projec-
tos” de plantações de monocultura de sobreiros
ou eucalipto.
Por outro lado, a oeste e a norte do aglomerado
rural da Aldeia das Amoreiras, os montes estão
associados a uma propriedade de montado muito
espaçado onde ainda se produzem trigos e aveias
para forragem, pastos e projectos de monocul-
tura de pinheiro manso.
A compreensão da paisagem, dos habitats,
da natureza e da forma como funciona todo o
ecossistema é absolutamente determinante
para se poder fazer um plano ecaz para a
sustentabilidade de uma região ou de qual-
quer sistema humano-natural. Assim iremos de
seguida compreender as paisagens e os habitats
que envolvem a Aldeia das Amoreiras.
DIAGNÓSTICO 28
AS PAISAGENS
EM VOLTA
DA ALDEIA DAS AMOREIRAS
A Freguesia é hoje, em Portugal, a entidade
administrativa do território mais pequena e
como tal é utilizada para a gestão operacional
dos problemas locais em variadas vertentes.
Quando tentamos, porém, analisar e estudar o
território com base na delimitação geográca
da freguesia podemos encontrar aspectos muito
diferenciados quanto à sua identidade cultural
ou natural.
O conceito de paisagem existe desde antes da
idade média, tendo evoluído o seu signicado
de uma divisão administrativa ou religiosa do
território até aos dias de hoje em que se incluem
nela os aspectos ecológicos, culturais, sócio-
-económicos e até sensoriais, incluindo assim a
perspectiva subjectiva e temporal do observador.
Em “Contributos para a identicação e
caracterização da Paisagem em Portugal
Continental”, D’abreu et al1 dene
unidades de paisagem como áreas com um
padrão especíco de diversos factores como
a litologia, o relevo, a hidrograa, o clima, os
As subunidades de paisagem presentes na
freguesia de São Martinho das Amoreiras são
as: 115 – Campo de Ourique, 121 – Colinas de
Odemira e 122 – Serra do Caldeirão. O mapa
abaixo mostra a vermelho a delimitação da
freguesia de São Martinho das Amoreiras e a
tracejado os limites das unidades de paisagem
referidas.
solos, a ora, a fauna, a estrutura ecológica, as
expressões da actividade humana e as relações
entre todos estes factores, que se repete no seu
interior e que as diferencia das paisagens envol-
ventes. Esta unidade de paisagem inclui-se no agrupa-
mento de paisagem apelidado de Baixo Alentejo.
O Baixo Alentejo prolonga-se desde a freguesia
de São Martinho das Amoreiras até às margens
do rio Guadiana evidenciando algumas fortes
características comuns em toda esta região.
São elas a relativa homogeneidade física, que
consiste sobretudo no relevo pouco acidentado
em que dominam amplas zonas aplanadas, bem
como o clima que é de extremos, com grande
amplitudes térmicas entre o dia e a noite e
entre o rigor dos invernos e os verões escaldantes.
Finalmente, a malha da paisagem em toda esta
região é no geral muito larga, historicamente
assente na organização agrária romana, onde
a grande propriedade suportou a cultura dos
cereais.
A dinâmica social é marcada fortemente
pela relação difícil entre proprietários e
assalariados rurais e pela distribuição dos
rendimentos, muito relacionada com a
capacidade produtiva da terra e com o processo
de ocupação do território ao longo do tempo.
O que exprime o caractér do Alentejo em
geral e do Baixo Alentejo em particular, «(...)
é a sua incapacidade para sustentar outra coisa
que não culturas extensivas e com rendimentos
reduzidos, a predominância do povoamento
Freguesia de São Martinho das Amoreiras com
unidades de paisagem.
Unidade de paisagem 115 - Campos de Ourique,
Almodôvar e Mértola:
DIAGNÓSTICO 29
concentrado, a constituição de poderes terra-
tenentes de tal modo distantes da população
dependente, que nenhuma comunicação existe
entre esta e aqueles, o que obriga a desenvolver
uma maneira de ser muito própria, em que aliam
formas de enorme resistência e de grande pas-
sividade.7
As paisagens desta unidade são caracterizadas
por um relevo ligeiramente ondulado cortado por
vales encaixados e por um coberto arbóreo em
que domina a azinheira com densidades variáveis
e usos do subcoberto muito extensivos. No sector
oeste nota-se uma ligeira amenidade no clima
devido à inuência oceânica, testemunhada pela
presença de montados mistos de sobro e azinho o
que justica a delimitação da unidade 115a.
Durante o século XX estas paisagens “sofreram
intensas degradações em consequência de usos
demasiado intensivos relativos à condições edá-
cas - a expansão desordenada dos sistemas cere-
alíferos e, por vezes, o sobre-pastoreio, levaram
à destruição de matas, de montados e de matos,
à degradação do solo e do sistema hídrico, a uma
forte redução da biodiversidade”.
Esta unidade de paisagem está agrupada
nas Serras do Algarve e Litoral Alentejano
formando um conjunto de paisagens com
relevos muito movimentados, com solos
xistosos e uma densa rede hidrográca.
Nas colinas de Odemira a presença humana
sempre escassa tem vindo a diminuir , fenó-
meno associado à pobreza do solo, aos declives
elevados e às plantações de povoamentos orestais
de eucaliptos. Os aglomerados populacionais são
poucos e de reduzida dimensão, encontrando-se
construções isoladas, abandonadas e em ruínas.
A vila de Odemira constitui um elemento socio-
económico unicador no limite desta paisagem.
Nas zonas onde o declive é menos acentuado
encontram-se manchas de culturas cerealíferas ou
pastagens. Encontram-se clareiras muito despro-
tegidas da erosão e propriedades agrícolas aban-
donadas. Por outro lado, surgem em vertentes mais
húmidas e amenas populações de Quercus faginea
(carvalho cerquinho) com fetos cobrindo o solo.
É patente um marcado desiquilíbrio funcional
e ecológico que resultou da orestação maciça
com o eucalipto, nas últimas décadas. Os erros
cometidos pela instalação destes povoamen-
tos e sua posterior gestão contribuiram para
agravar os processos de degradação do solo
(litossolos já antes afectados por uma forte erosão
decorrente da cultura de cereais), degradação
do ciclo hidrológico e perda de biodiversidade.
Unidade de paisagem 121 – Colinas de Odemira:
DIAGNÓSTICO 30
Esta vasta unidade corresponde a paisagens
agrestes de movimentado relevo e com reduzida
densidade populacional. Encontram-se vastas
matas, montados e matos. Esta serra diferencia-
-se da Serra de Monchique por ser mais seca,
mais isolada e mais depovoada. Já no início dos
anos 50 do seculo XX Gomes Ferreira (1953)2 a
rmava que esta região era um peso morto ex-
ceptuando a extracção da cortiça e a produção
do medronho.
Localmente é apelidada de Serra de Odemira e
animada na primavera pela oração do tojo e da
esteva. As linhas de água auentes do rio Mira
apresentam galerias ripículas bem constituídas
com freixos, salgueiros e silvas.
Nas zonas que não foram degradadas pela
plantação de eucaliptos ou pinhais podem-se
encontrar montados densos, sendo que nas
vertentes mais húmidas e amenas ou em vales
mais declivosos e esquecidos se podem en-
contrar orestas de sobreiro quase reliquiais.
Mosaico de pastagens naturais perenes sob co-
berto variável, pouco denso, de sobreiros
(Quercus suber) ou/ e azinheiras (Quercus
rotundifolia), associado a um sistema de
pastorícia extensiva por ovinos e por vezes
incluindo parcialmente sistemas de agricul-
tura arvense extensiva em rotações longas. São
dominadas por herbáceas bianuais ou anuais.
Num montado típico, a regeneração das
árvores encontra-se muito deprimida ou
mesmo inexistente por efeito do uso pastoril
(agrícola) do sob-coberto, que impede o sucesso
das plântulas de sobreiro ou azinheira. Outros
usos do solo no sistema de montado tenderam
a aumentar após a década de 50 do século XX,
com a mecanização da agricultura. Nomeada-
mente, o sistema de rotação em folhas, de
culturas arvenses ou forrageiras tornou-se mais
importante em área e em ciclos mais curtos.
Os sistemas de agricultura, incluindo as
culturas (cereais, forragens, girassol, etc.) e
ainda “pastagens” anuais sub-nitrólas sub-
sequentes ao ano da cultura, persistiram no
sob-coberto associadas ás árvores. Estes
últimos sistemas não são, por denição,
verdadeiros “montados” no sentido dado ao
habitat neste texto, mas sim pomares de
sobreiro ou azinheira com culturas agrícolas.
No entanto, como apresentam a potenciali-
dade de reconversão, num sentido lato podem
ser considerados “montados potenciais”, que
podem ser recuperados, quer no sentido da
pastagem, quer no sentido orestal por aden-
samento, ou da evolução natural da vegetação.
Muitos montados não são sistemas ecologica-
mente sustentáveis, na ausência de gestão.
A persistência da pastagem depende do
sistema agropastoril respectivo e a componente
arbórea de acções de silvicultura que garantam a
regeneração da componente arbórea do
sistema, que geralmente não é suciente para
garantir a perpetuidade da componente arbórea.
O Instituto de Conservação da Nature-
za (ICNF)8 refere ainda alguns dos serviços
prestados por estes habitats: retenção do
solo; regulação do ciclo da água; refúgio de
biodiversidade; produção de alimento (consumo
animal e humano); informação estética; informação
espiritual e histórica; educação e ciência (ani-
mal e humano); informação estética; informação
espiritual e histórica; educação e ciência.
Bosques de copado cerrado, dominados por
Quercus suber, por vezes co-dominados por
outras árvores; com estratos lianóide, arbus-
tivo latifoliado/espinhoso e herbáceo vivaz
ombrólo bem desenvolvidos e com interven-
ção humana reduzida ou nula sob coberto.
Os bosques de sobreiro podem ser estremes
ou mistos, podendo estar presentes no estrato
arbóreo, numa proporção de coberto menor
que 50%, outras árvores, denindo diversas
Unidade de paisagem 122 – Serra do Caldeirão:
Montados de Quercus spp. de folha perene
– habitat 6310:
Florestas de Quercus suber – habitat 9330:
DIAGNÓSTICO 31
variantes do habitat. As principais árvores,
com signicado biogeográco e de conservação
relevantes são: Quercus faginea subsp. broteroi,
Q. faginea subsp. faginea, Q. canariensis, Q. ro-
bur, Q. pyrenaica, Q. rotundifolia, Q.coccifera
susbp. rivasmartinezii, e ainda nototaxa como:
Q. x marianica (Q. faginea subsp. broteroi x
Q.canariensis), Q. x coutinhoi (Q. faginea sub-
sp. broteroi x Q. robur), Q. x neomarei (=Q. x
andegavensis = Q. x pyrenaica x Q. robur), Q x
mixta (Q. suber x Q. rotundifolia). Podem es-
tar presentes outras árvores como, por exem-
plo: Juniperus oxycedrus subsp. lagunae, Olea
europaea subsp. Sylvestris, Ceratonia siliqua,
Fraxinus angustifolia, Pyrus cordata, Pyrus
bourgaeana, Celtis australis, Pinus pinaster
subsp. atlantica, Arbutus unedo, Erica arborea.
Estes bosques conformam um micro-clima
orestal sombrio e produzem folhagem que
origina um solo enrriquecido por matéria orgâni-
ca orestal. As orlas arbustivas naturais destes
bosques (matagais) são extremamente diver-
sicadas e são normalmente matagais/medro-
nhais/carrascais, etc. (i.e. habitates 5230 e 5330).
São particularmente frequentes, no entanto, os
medronhais (combinações de Arbutus unedo, Eri-
ca arborea e Laurus nobilis – habitat 5310). Estas
orlas garantem a protecção/integridade do bosque.
Devem ser considerados bem conservados os
bosquetes associados à orla de matagal
respectiva.
Os bosques de Quercus suber estão
representados, grosso modo, em todo
o território de Portugal continental.
Desde o Neolítico que estes bosques são
objecto de arroteamento para ns agrícolas,
pastoris, caça, fonte de cortiça e combustível.
Na maior parte da área potencial, os sobreirais
pristinos foram sendo transformados numa
estrutura agro-silvo-pastoril, dominada por
árvores pouco densas e com o subbosque
subordinado ao uso agrícola ou pastagem ex-
tensiva, i.e. em montados (habitat 6310).
Apesar de existirem maciços arbóreos mais
densos, os bosquetes climácicos bem conser-
vados de sobreiro são extremamente raros.
Como tal têm um enorme valor de conservação.
O ICN lembra ainda alguns dos serviços presta-
dos por estes habitats: sequestração de CO2;
regulação do ciclo da água; fornecimento de
água; retenção do solo; formação do solo;
regulação do ciclo de nutrientes; refúgio de
biodiversidade; informação estética; informa-
ção espiritual e histórica; educação e ciência.
DIAGNÓSTICO 32
Viver na Aldeia permitiu a alguns dos membros
desta equipa criar laços fortes de amizade com
os habitantes da Aldeia e conhecer de perto as
dinâmicas de encontro, socialização, decisão de
negócios, protecção da comunidade, ritmos de
vida e de trabalho, vocabulário local, códigos
de representação, respeito e honra, valores as-
sociados ao modo de vida e a noção da boa-vida,
aquilo que une as pessoas que vivem numa
aldeia, o estar com amigos, com família, a comer,
berber, cantar, pescar, caçar, cozinhar, conversar,
combinar, trabalhar, organizar, comunicar.
No âmbito do Centro de Convergência um dos
membros da equipe reside na Aldeia desde 2006,
outro membro da equipe vive na Aldeia desde
nal 2010 e os restantes membros tiveram
oportunidade de estar na Aldeia e muitos
momentos chave, conhecer e conversar mas tam-
bém com profundidade discutir com os membros do
Centro de Convergência os códigos e fenómenos
da Aldeia traduzidos para a linguagem da análise
e observação cuidada.
Acima de tudo, o viver na Aldeia permitiu
estabelecer uma relação de conança com
toda a comunidade que permitiu convidar e
envolver toda a população nas actividades de par-
ticipação, documentários vídeo, etc, com uma
facilidade que seria impossível a quem entrasse
numa aldeia pela primeira vez sem ser conhe-
cido e ter um forte relacionamento e ponto de
contacto disponível para integrar todo o trabalho
do projecto Aldeia das Amoreiras Sustentável
entre 2010 e 2011.
VIVER NA ALDEIA
DAS AMOREIRAS
DE 2006 A 2011
(integração e descoberta)
DIAGNÓSTICO 33
Quais são os problemas da aldeia? Como resolve-
-los? Tentar criar uma aldeia sustentável a partir
dos problemas pode originar a sensação de que
os problemas são muitos, profundos e que não
temos os meios para os resolver. Adicionalmente
não gera um caminho e um objectivo sistémico
a atingir para o todo. Apenas a resolução das
partes e eventualmente remédios para os
sintomas, sem integrar as causas.
Por outro lado, se começarmos por criar
uma visão daquilo que queremos e sonhamos
temos uma grande vantagem que é começar
inspirados e motivados para seguir o caminho.
Adicionalmente, juntamos todos os sonhos na
criação de uma visão colectiva para aquilo
que deve ser a nossa aldeia e continuamente
podemos voltar ao sonho para nos inspirarmos
para construir um presente com futuro.
Neste sentido perguntámos à população da
Aldeia: Qual é o seu sonho para a Aldeia das
Amoreiras? Como é a sua Aldeia de Sonho?
Em Maio e Junho de 2010 o Centro de
Convergência realizou sessões de participação
nas 7 zonas da Aldeia da Amoreiras (6 zonas do
aglomerado rural mais os montes) para conhecer
os sonhos da Aldeia.
Os mais referidos Sonhos da Aldeia foram: “Al-
deia Bonita Limpa e Arranjada; Alegria, Paz Amor
e Tudo de Bom!; Melhor Tratamento do Lixo;
Darmo-nos todos bem e organizarmo-nos; Mais
população; Emprego; Espaços e Actividades para
Crianças; Melhoramento das Estradas; Mercearia;
Mais cuidado da Aldeia pelo Governo; Médico e
Enfermeiro; Centro de Dia para os Idosos; Casa
Mortuária; Estação de Tratamento de Esgotos”.
O processo de recolher os sonhos em reuniões
com lanche e processo de participação pela
arte com desenhos, fotograas, objectos, ex-
posição e apresentação dos sonhos em documen-
tário de vídeo15, permitiu enquadrar os sonhos
emocionalmente na vida das pessoas da Aldeia
e entender qual a importância que cada um dos
sonhos e a sua realização tem para a população.
Esta actividade foi coordenada por Sara Serrão
e André Vizinho e documentada em vídeo por
Sebastian Rost.
ALDEIA DE SONHO:
VISÃO DA Aldeia
das Amoreiras
SESSÕES DE PARTICIPAÇÃO:
A ALDEIA DE SONHO
DIAGNÓSTICO 34
Em Agosto de 2010 organizaram-se inquéritos
à população da Aldeia das Amoreiras e montes
em volta para caracterizar a Aldeia com a in-
formação necessária para poder desenvolver a
Aldeia numa perspectiva de sustentabilidade
forte (permanente) e estudar e desenvolver
opções e soluções para os sonhos da Aldeia das
Amoreiras.
Adicionalmente, a informação disponível nestes
inquéritos consistiu num grande atractivo para
vários estudantes de Mestrado e Licenciatura se
debruçarem sobre a Aldeia das Amoreiras como
caso de estudo uma vez que dispõem de dados
para análise e tratamento.14
Os objectivos gerais dos inquéritos foram:
1. Conhecer as motivações das pessoas para
criar grupos de interesse;
2. Conhecer a estrutura socio-demográca da
população;
3. Conhecer a estrutura e dinâmica económica
da população;
4. Conhecer os comportamentos ambientais da
população,
5. Conhecer as necessidades de formação e
disponibilidade de formadores.
Estes objectivos gerais concretizam-se nos se-
guintes objectivos especícos de informação:
• Conhecer os sonhos que motivam e interessam
mais as pessoas para criar grupos de trabalho
para os tornar realidade.
• Caracterização sócio-demográca da popula-
• Conhecer a situação face ao trabalho, a
satisfação face ao emprego e a satisfação face à
remuneração recebida;
• Conhecer qual é o uso do tempo semanal da
população para identicar a importância aos
trabalhos não remunerados e integração verti-
cal (dos factores) da produção local e ainda a
disponibilidade para a mudança;
• Obter um mapa com a informação das
casas desabitadas com informação sobre a sua
disponibilidade e proprietários para possibilitar
uma análise das oportunidades e o contacto entre
interessados em compra/aluguer e proprietários;
• Conhecer as necessidades de casas da parte da
população residente,
• Conhecer a procura e oferta de Produtos,
Produtos transformados e Serviços (para en-
contrar oportunidades e sugerir estratégias de
negócio formal ou informal).
ção,
• Conhecer as principais necessidades de saúde
da população para procurar quais as soluções e
apoios prioritários: formação para a prevenção,
enfermagem, sioterapia, médico clínica geral,
médicos especialistas, farmácia, massagem,
terapêuticas naturais, medicinas alternativas,
apoio às deslocações, apoio à compra dos medi-
camentos, outras.
INQUÉRITOS
AOS HABITANTES
DA ALDEIA
OBJECTIVOS
DOS INQUÉRITOS
1. Conhecer as motivações das pessoas para criar
grupos de interesse:
2. Conhecer a estrutura socio-demográca da
população:
3. Conhecer a estrutura e dinâmica económica da
população:
DIAGNÓSTICO 35
• Gestão doméstica e agrícola da água;
• Produção e destino dado ao lixo (pegada
ecológica);
• Utilização de químicos e pesticidas na
agricultura;
• Mobilidade (pegada ecológica);
• Gestão da energia em casa (pegada ecológica);
• Utilização consumo de OGMs (Organismos
Geneticamente Modicados),
• Alimentação (pegada ecológica).
• Saber quais as necessidade de formação da
população da Aldeia para promover o emprego e
a boa gestão dos recursos disponíveis,
• Conhecer os potenciais formadores de conhe-
cimentos especícos e/ou tradicionais existentes
na Aldeia para organizar trocas de conhecimento
e formações.
4. Conhecer os comportamentos ambientais da
população (casa):
5. Conhecer as necessidades de formação e dis-
ponibilidade de formadores:
METODOLOGIA
Os objectivos descritos foram denidos de for-
ma participada envolvendo para tal a equipa
qualicada do Centro de Convergência e da
Perma-D, tendo sido também consultados os
membros activos do GAIA noutros núcleos e
as organizações parceiras TAIPA, Comissão de
Melhoramentos da Aldeia das Amoreiras, Junta
de Freguesia de São Martinho das Amoreiras e um
perito na realização da análise social-multicrité-
rio (Gualter Barbas Baptista).
Foram elaborados dois formulários de inquéritos:
um para aplicar a todas as pessoas com mais de
12 anos e um para aplicar a cada casa. O inquéri-
to da casa foi agregado ao inquérito de pessoa
e foi aplicado a um representante de cada casa
da Aldeia, para um bom encadeamento das per-
guntas e respostas. O desenho do inquérito foi
coordenado por Beatriz Martinez (socióloga) e
André Vizinho.
A aplicação dos inquéritos foi realizada com o
apoio de 24 voluntários qualicados, entre os
quais três membros da Perma-D, durante duas
semanas, em Agosto de 2010, em regime de
residência na Aldeia das Amoreiras. Cada in-
quérito teve o tempo médio de duas horas e meia
de aplicação.
O tratamento estatístico e apresentação grá-
ca dos resultados dos inquéritos foi elaborada
em excel e powerpoint, (respectivamente) por
Beatriz Martinez e apresentada à população da
Aldeia das Amoreiras.
DIAGNÓSTICO 36
RESULTADOS
A informação resultante dos inquéritos produziu
vários resultados entre os quais destacamos:
• A informação das pessoas da Aldeia interes-
sadas em ajudar a tornar realidade cada Sonho
da Aldeia, formando assim potenciais grupos de
trabalho;
• A apresentação gráca dos resultados principais
em público para a Aldeia, em documento consul-
tável no Centro Social da Aldeia das Amoreiras e
online em www.aldeiasustentavel.net,
• Uma folha de cálculo com toda a informação
ltrada pronta a ser consultada para análise
detalhada sobre questões especícas, sempre
que necessário para o desenvolvimento deste
plano ou para projectos de investigação de estu-
dantes, investigadores ou entidades interessadas
em apoiar o desenvolvimento sustentável na Al-
deia das Amoreiras. Disponível a pedido.
A aplicação dos inquéritos em si teve também um
resultado palpável de animação na Aldeia, pela
presença dos voluntários na Aldeia durante duas
semanas, que gerou consumo na economia local
mas acima de tudo gerou amizades, aumentou a
proximidade de várias pessoas com a Aldeia que
entretanto têm apoiado e participado em mais
actividades e teve ainda como resultado uma
nova família ter vindo morar para a Aldeia das
Amoreiras (uma das voluntárias depois de visitar
apresentada, onde se podem encontrar alguns
resultados em síntese, nomeadamente na análise
FOFA.
Inquéritos: Qual é o seu sonho para a Aldeia?... ou Qual é a sua Aldeia de Sonho?
a Aldeia decidiu mudar-se com a sua família).
A apresentação gráca dos resultados dos in-
quéritos anexa-se a este documento. Esta infor-
mação foi utilizada para as análises e de seguida
DIAGNÓSTICO 37
ANÁLISE
Em Permacultura utilizam-se todas as ferra-
mentas de análise necessárias à compreensão
do comportamento do sistema em causa. Para
tal analisámos os elementos e sectores que
compõem o sistema, as relações entre eles e o
comportamento enquanto sistema.
Identicamos os limites do sistema e analisámos
a relação deste com o meio envolvente. O objec-
tivo é o de encontrar os elementos que saem do
sistema como desperdício ou sem serem valori-
zados e aí encontrar recursos e oportunidades.
Partir dos recursos naturais como estratégia para
satisfazer as necessidades da população antes de
procurar soluções tecnológicas que impliquem
um maior gasto de energia. A análise detalha-
da é essencial para conhecer a fundo o sistema
mas sabemos também que com o conhecimento
existente conseguem-se produzir muitos
resultados numa fase de brainstorm inicial.
DIAGNÓSTICO 38
RECOMENDAÇÕES
A PARTIR DO ESTUDO
DA PAISAGEM
Em “Três paisagens e uma freguesia – O caso de
estudo de São Martinho das Amoreiras”, o autor
disserta sobre como deverá ser feita a gestão
territorial da freguesia de São Martinho das
Amoreiras, uma vez que na área da freguesia
existe uma variedade de usos do solo diferen-
tes, de recursos diferentes e de necessidades
diferentes associada à habitação e trabalho
em paisagens diferentes dentro de uma mesma
unidade de gestão1, a freguesia:
“Assumindo as limitações e competências que
são atribuídas às freguesias sobre este domínio,
caberá à freguesia de São Martinho das
Amoreiras constituir-se como um es-
paço aberto de comunicação
com a comunidade local sobre gestão das
suas paisagens, permitindo a acomodação das
diferentes formas de estar que se encontram
no seio desta divisão administrativa devido à
presença de três tipos de paisagens diferentes,
paisagens naturais e culturais com motivações
diferentes.”
As recomendações para a gestão do território e o
Plano Sectorial da Rede Natural 20008 enquadrado
nos habitats de Floresta de Sobreiros e Montados
de Quercus spp., presentes na área em estudo,
apontam no mesmo sentido. Ambos recomendam
a preservação e valorização dos habitats
naturais sempre que eles se revistam de um valor
especíco resultante de um equilíbrio ecológico
com diversidade vegetal e animal, prestando
importantes serviços ecológicos ao território.
Outras acções recomendadas por estes planos
são a gestão cuidada das zonas ripícolas, das
cumeadas dos montes e das zonas com declives
acentuados. Nestas áreas em particular, bem
como em todo o território em geral, deve ser
dada atenção aos importantes serviços de pro-
tecção e produção prestados pelas orestas.
Deve ser valorizada a protecção oferecida pela
oresta pelo combate à erosão do solos através
da regeneração da oresta com espécies autóc-
tones reduzindo até um máximo de 15% a quan-
tidade de espécies exógenas como o eucalipto.
Deve ser valorizado e promovido o crescimento
do sub-bosque associado às orestas de sobreiros
e aos montados como forma de melhoramento
e protecção dos solos e simultaneamente como
forma de maximizar a função produtiva da oresta.
O desao é o de conseguir priorizar soluções in-
tegradas que sejam aplicáveis ao contexto do
local, do tempo actual e das pessoas em causa,
para atingir um futuro permanente, resiliente e
com o mínimo de manutenção.
De facto , é através do aproveitamento
multifuncional da oresta que se tornará pos-
sível sobreviver nesta região de solos erodidos e
esquelécticos, conseguindo assim valores
acrescentados através da sua exploração para
madeira, biomassa, aguardente de medronho,
pastagens, turismo, educação e ciência, recrea-
ção, produção de água, agricultura, protecção
ao fogo, entre outros. A Aldeia das Amoreiras, os
montes e o seu território envolta situa-se nesta
freguesia nesta fronteira entre estas três paisa-
gens, encontrando-se estes tipos e usos solo,
relevo, etc. descritos acima e como tal as reco-
mendações feitas por D’Abreu (et al) devem ser
tomadas em atenção com a mesma relevância.
DIAGNÓSTICO 39
Incluiu-se na observação, a informação
recolhida no âmbito de um estudo de mestrado em
Economia Regional e Desenvolvimento Local para
a Universidade do Algarve, sobre a visão das 4
associações de desenvolvimento local com in-
tervenção na freguesia de São Martinho das
Amoreiras4, nomeadamente:
Associação de Desenvolvimento de Amoreiras-
Gare, Associação de Caçadores da Freguesia
de São Martinho das Amoreiras, ADL – Associa-
ção de Desenvolvimento do Litoral Alentejano,
ESDIME - Agência para o desenvolvimento
local do Alentejo Sudoeste, GAIA-Alentejo,
INDA-Intercooperação e desenvolvimento, Ma-
triz adl, TAIPA - Organização Cooperativa para o
Desenvolvimento Integrado do Concelho de
Odemira.
Este estudo, disponível online em ww
w.centrodeconvergencia.org, discute os resultados
de um inquérito aplicado às associações acima com o
objectivo de analisar o entendimento dos
técnicos relativamente ao desenvolvimento
rural e local para a freguesia de São Martinho
das Amoreiras e especicamente às seguintes
questões:
• Objectivo 1: Quais os sectores mais importantes
para o desenvolvimento do concelho e freguesia?
• Objectivo 2: Qual a importância da agricultura
para o desenvolvimento do concelho e freguesia?
• Objectivo 3: Qual a importância dos centros
urbanos para o desenvolvimento do concelho e
freguesia?
• Objectivo 4: Qual o papel dos diferentes
stakeholders no desenvolvimento do concelho e
freguesia?
• Objectivo 5: Que estratégia de participa-
ção pública utilizar para o desenvolvimento do
concelho e freguesia?
• Objectivo 6: Como deve ser gerido o território
tendo em vista o desenvolvimento do concelho e
freguesia?
• Objectivo 7: Quais são os recursos endógenos
mais importantes para o desenvolvimento do
concelho e freguesia?
• Objectivo 8: Qual a importância relativa das
políticas europeias para o desenvolvimento do
concelho e freguesia?
• Objectivo 9: Que nível de sustentabilidade se
deve procurar atingir no concelho e freguesia?
• Objectivo 10: Como lidar com a Baixa Densi-
dade populacional?
• Objectivo 11: Qual a posição das ADL perante o
trabalho da Administração Local?
A VISÃO DAS ASSOCIAÇÕES
DE DESENVOLVIMENTO
LOCAL
Esta informação é relevante para a análise do
potencial de cooperação e integração destas en-
tidades nas soluções para os sonhos necessidades
da Aldeia das Amoreiras.
Como síntese apresentamos algumas das
conclusões nais dos resultados deste estudo.
Com base na análise dos questionários efectua-
dos aos técnicos das associações de desenvolvi-
mento local (ADLs) com intervenção na fregue-
sia de São Martinho das Amoreiras, concelho de
Odemira, conclui-se que os técnicos em média
consideram que:
• A Baixa densidade populacional é compatível
com desenvolvimento local;
• Os Agentes Locais e o Estado e destes a
Administração Local e as ADLs são os agentes
com maior inuência no desenvolvimento (não
foram estudadas as empresas);
• As prioridades da Administração Local são
erradas e/ou pouco conhecidas e a relação entre
a Administração Local e as ADLs é pouco saudável
e transparente;
• A estratégia de desenvolvimento deve ser sec-
torial embora direccionada para o desenvolvi-
mento endógeno e só depois para a eciência
económica;
• Os níveis de sustentabilidade ambiental as
eguir não são consensuais;
• A Agricultura e Floresta têm uma função mui-
to importante para o desenvolvimento e são
DIAGNÓSTICO 40
fortemente condicionadas pelos apoios comuni-
tários (Política Agrícola Comum – PAC);
• O Turismo e Lazer é o sector com maior
importância para o desenvolvimento;
• O recurso endógeno mais importante é o Capi-
tal Humano seguido pelos Patrimónios Natural e
Cultural.
A análise e interpretação dos questionários
sugere que o Turismo e Lazer deve explorar o
Património Natural e Cultural, fazendo uso do
Capital Humano que o permite explorar com
valor acrescentado, identidade e responsabi-
lidade. Esta abordagem vai ao encontro da am-
bição de uma estratégia de desenvolvimento
sectorial que permita aumentar a eciência
económica mas tendo em atenção em primeiro
lugar o desenvolvimento endógeno.
Os níveis de sustentabilidade ambiental ambicio-
nados pelos técnicos não são consensuais o que
sugere potenciais conitos sociais sempre que
haja necessidade de escolher entre várias opções
e estratégias de desenvolvimento. Os técnicos
das ADLs desejam por outro lado que a aborda-
gem para a denição das estratégias e objectivos
de desenvolvimento se faça de baixo para cima
o que é positivo na medida em que reecte uma
motivação para a participação que é essencial
para a resolução de potenciais conitos locais.
Em resumo, o Turismo e Lazer bem como a
Agricultura são considerados os sectores mais
importantes para o desenvolvimento pelo
que importa estudar e investigar as melhores
estratégias para os maximizar e valorizar. Cada
um destes sectores está condicionado por fac-
tores distintos. Os técnicos, neste questionário,
realçaram o factor Capital Humano e as condi-
cionantes Políticas externas (PAC), respec-
tivamente. Todo o trabalho feito em torno do
desenvolvimento deve ser feito o mais
possível em conjunto com os diversos agen-
tes do território por forma a envolvê-los na
implementação das estratégias denidas para o
desenvolvimento.4
DIAGNÓSTICO 41
ANÁLISE FOFA
A Análise FOFA (Forças, Oportunidades, Fraque-
zas, Ameaças), consiste em identicar as For-
ças e as Fraquezas internas da Aldeia e as
Oportunidades e Ameaças exteriores à Aldeia,
que é o sistema em causa. Identicar estas ca-
racterísticas e factores separadamente permite
usar um processo rápido em que não se misturam
os pontos positivos com os negativos e se permite
ter um pensamento paralelo.
Posteriormente à identicação destes factores
a estratégia consiste em encontrar soluções que
maximizem as forças e as oportunidades e mini-
mizem as fraquezas e o risco das ameaças.
Optámos por fazer uma análise FOFA apenas com
tópicos para leitura rápida, mas detalhada nos
factores PESTE (Políticos, Económicos, Sociais,
Tecnológicos, Ecológicos).
DIAGNÓSTICO 42
FORÇAS
Políticas e legais CMAA, GAIA, Junta e CMO.
A maior parte da população tem Soberania (propriedade) sobre as terras e casas.
Existe 1 membro da aldeia com cargo na junta e 2 na assembleia de freguesia.
Membros da aldeia, não residentes, trabalham na cidade com prossões ligadas a instituições públicas.
A administração local municipal tem cada vez mais responsabilidades que lhe são delegadas pela administração central, o que permite uma
maior proximidade na gestão e entendimento das prioridades das populações.
Económicas Existem produtos na Aldeia de grande qualidade e também de grande inovação:
PRODUTOS DA ALDEIA
Mel , Aguardente de Medronho, Queijo de Cabra fresco e curado, Vinho, Azeitona, Gado ovino, caprino e suíno, Hortícolas e frutas, Lenha
de azinho e sobro, Árvores de fruto para venda, Produção de cortiça, Produção de carvão, Artesanato (artigos de cortiça, panos, borda-
dos, moinhos de vento), Construção de moinhos de vento (com diferentes tamanhos) decorativos e para produção de farinha, Farinha de
trigo e milho (moída em moinho de vento), Marionetas, Fornos Solares, Casas de Banho Ecológicas (WCECO), Livro “os Frescos da Aldeia das
Amoreiras”, DVD com 6 lmes sobre a Aldeia das Amoreiras (“Aldeia de Sonho” parte 1 e 2, “Mestre da Cortiça”, “Dia da Caiação”, “Como
fazer CAL”, “Alface”), publicação a “Fauna e a Aldeia das Amoreiras”, publicação a “Flora dos vales do início da Serra do Caldeirão”.
SERVIÇOS DA ALDEIA
Existência de prossionais especialistas na tiragem de cortiça, (oportunidade de criar formação e empregos…), Construção civil, serviços
agrícolas e orestais (podas, colheitas, limpezas orestais, plantações), Aluguer de máquinas agrícolas, Café, Restaurante e bar, Carpintaria,
Venda de rações animais, Produtos agrícolas, Gás.
Construção de barragens e valas de inltração (swales).
Serviços do Centro de Convergência (consultoria permacultura, Envio de voluntários SVE, Aluguer de casas de banho ecológicas, Construção
de casas ecológicas e/ou com métodos tradicionais, Design de Permacultura para quintas, Aulas de Português para Estrangeiros, Aluguer de
BTT, Internet wi- Grátis, Biblioteca grátis, Fotocópias, Fax e serviços vários de escritório, Apoio escolar e actividades extracurriculares,
Consultas de enfermagem gratuitas no primeiro sábado de cada mês, Creche / babysitting.
Aulas de ioga, aulas de piano, visitas guiadas e passeios pedestres, dias de convergência.
Serviços ao domicilio do LAR de São Martinho à Aldeia das Amoreiras: refeições, limpeza. Vendedores ambulantes rua-a-rua de mercearias,
pão, peixe e roupas.
DIAGNÓSTICO 43
Sociais Existência de 12 crianças até aos 12 anos.
Existe uma identidade forte, com espírito de local e de pertença.
Existem tradições e modos de estar vivos. Memória colectiva.
Experiência dos mais idosos.
Espaços físicos de encontro.
Experiência do centro de convergência.
Experiência do projecto Aldeia das Amoreiras Sustentável.
Vivência genuína de aldeia.
92% da população estão satisfeitos com o seu trabalho.
Só 4% da população da Aldeia pretende mudar-se para uma localidade maior e está à espera de uma oportunidade!
Tecnológicas Existe internet sem os na aldeia e boa cobertura da rede de telemóveis TMN.
Existe internet sem os gratuita no centro de convergência.
Existem computadores portáteis na população devido aos programas de apoio para estudantes e Novas Oportunidades.
Existe na aldeia um conhecimento guardado nos velhos das tecnologias antigas de trabalho da terra, de construção de ferramentas, carroças,
ofícios, etc.
Ecológicas A Aldeia das Amoreiras, enquanto aglomerado rural está integrada num meio ambiente natural que permite à sua população produzir os bens
necessários à sua sobrevivência.
Vales férteis com água subterrânea todo o ano, oresta densa de sobreiro e medronheiro e elevada biodiversidade faunistica, orística e de
fungos.
Existência de espécies de elevado potencial cinegético como javali, coelho, perdiz.
Localização na fronteira entre paisagem de serra e planície.
Proximidade com o litoral e os seus recursos ecológicos e paisagísticos.
FORÇAS
DIAGNÓSTICO 44
Políticas e Legais Algumas terras não têm soberania (propriedade) da população local (são de pessoas de fora).
As leis são elaboradas fora da Aldeia e os impostos são geridos a nível nacional muito longe da aldeia e da região, gerando uma aplicação dos
dinheiros publicos pouco participada e por vezes enviezada face às necessidades da população.
A Junta de freguesia tem cada vez menos recursos.
A tendência política para centralizar os serviços públicos nas zonas urbanas com maior densidade populacional tem diminuido o acesso aos
serviços públicos na aldeia e região, nomeadamente a escola primária da aldeia ou o serviço de médico em São Martinho das Amoreiras.
Económicas Existe 45% da população reformada, 8% desempregada, 3% estudante, 3% doméstica o que resulta em que cerca de 60% da população é depen-
dente do trabalho de 40%, que constitui a população activa. Isto signica que deve aumentar o numero pessoas activas a residir na Aldeia.
Existem apenas duas ou três pessoas, residentes na Aldeia das Amoreiras, que trabalham a tempo inteiro na Aldeia.
Não existe na Aldeia oferta de produtos e serviços sucientes para suprir as necessidades e interesses da população pelo que 90% do dinheiro
que entra na Aldeia sai sem circular.
A produção local quando existe tem uma escala de produção muito reduzida e pouco investimento associado o que torna os custos de
produção elevados e a exportação para outras regiões ou nações difícil devido ao factor preço e à baixa quantidade de produção.
8% da população está descontente com o seu trabalho e 43% da população está descontente com o seu salário.
Sociais Existe 4% da população que gostaria de mudar-se para uma localidade maior.
Existem 53% da população com 4 ou menos anos de escolaridade, dos quais 23% são iletrados.
Apenas 6% da população é licenciada.
Ecológicas Existência de largas áreas de plantações de monocultura de eucalipto em zonas declivosas (REN) com solos pobres.
Existência de solos xistosos, esqueléticos e erodidos em largas áreas com declive signicativo e utilizadas tradicionalmente para produção de
cereal de inverno de sequeiro.
FRAQUEZAS
DIAGNÓSTICO 45
Políticas e Legais A situação de crise económica despoletou historicamente movimentos nacionalistas que geram conitos internos e externos, terminando por
vezes em conitos armados e guerras. Este risco existe se a situação de crise e desemprego aumentar drasticamente.
A União Europeia vive um momento de transformação devido à crise das dívidas soberanas e do Euro, o que pode gerar grande instabilidade
nos mercados de importação e exportação.
Económicas A crise económica, estimulada pelos limites impostos aos déces nacionais e causada pela subida das matérias-primas, nomeadamente o
petróleo. Em conjunto com a desmaterialização nanceira que surgiu aquando da crise imobiliária nos Estados Unidos da América, tem impli-
cações profundas e imprevisíveis na economia mundial, que será sentida fortemente em todos os mercados de importação-exportação e logo
em todos os países, regiões e comunidades inseridas em zonas de mercado livre, como é o caso de Portugal e consequentemente da Aldeia das
Amoreiras.
A dependência, hoje existente, das trocas com o exterior representam uma fragilidade da soberania e sobrevivência de todas as regiões que
não produzem os bens básicos à sua sobrevivência.
Colapso do sistema de segurança social / nanceiro.
Menos cuidado da Aldeia pelo governo.
Escassez do petróleo e aumento dos custos das matérias-primas e combustíveis.
Aumento dos gastos da alimentação e fármacos.
Aumentos dos gastos de fertilizantes e pesticidas.
Aumento do desemprego.
Sociais O pico do petróleo irá aumentar progressivamente os preços do petróleo e consequentemente o preços dos produtos alimentares. Tal facto
pode gerar uma crise alimentar nas cidades que que pode originar pessoas a procurar/comprar/roubar alimento na aldeia.
Este fenómeno pode originar um êxodo descontrolado do urbano para o rural.
O colapso do sistema de segurança social pode por outro lado originar um êxodo das populações rurais para as cidades em busca dos cuidados
básicos de saúde, educação, etc. Pode assim surgir um efeito de despovoamento ainda maior.
Face ao grande impacto destas variáveis incertas é impossível prever se o movimento de população vai ser mais no sentido da cidade ou no
sentido rural. Pode até ser que se complementem, gerando um movimento das pessoas mais pobres para as zonas rurais e das pessoas mais
qualicadas para trabalhar na cidade, um movimento inverso.
AMEAÇAS
DIAGNÓSTICO 46
Tecnológicas A utilização das tecnologias actuais dependentes de energia produzida centralmente pode estar em risco face ao aumento da procura de
energia nas regiões mais povoadas e face ao decrescimento da extracção do petróleo, previsto para os tempos que correm. Tal signica que os
custos de energia irão aumentar e consequentemente a utilização de maquinaria a combustíveis fósseis tornar-se-á menos viável economica-
mente, em particular na agricultura familiar, em que os custos marginais de produção são sempre maiores.
Ecológicas Alterações climáticas previstas: aumento dos períodos de secas e das inundações e tempestades; diminuição da previsibilidade dos fenómenos
climáticos associados às 4 estações do ano.
Aumento da escassez de água na região.
Aumento da erosão dos solos devido aos períodos de pluviosidade intensa.
Perda da produtividade dos solos nas zonas declivosas sem coberto e sub-coberto vegetal.
O aumento da imprevisibilidade dos fenómenos climáticos irá causar maiores perdas agrícolas.
As chuvas ácidas causadas pelas indústrias da zona industrial de Sines ameaçam os sobreiros, as superfícies de água, a acidicação dos solos,
geram perda de produtividade agrícola e ameaçam a sobrevivência da milenar utilização sustentável e multifuncional do montado de sobro e
azinho.
AMEAÇAS
Políticas e Legais A crise das dívidas soberanas e o neoliberalismo crescente nas políticas nacionais e comunitárias pode gerar um processo de descentralização
da administração pública para o nível local e regional, permitindo aproximar o poder dos cidadãos, desde que o poder e a administração local
não que serva do poder económico.
A perda de capacidade de administração local em responder às necessidades da população pode também gerar uma maior necessidade de
cooperação na comunidade, que pode ser uma oportunidade para gerar um processo participativo de base, que origine um crescimento da
cultura política da população e constitua a base para uma organização mais participada da sociedade e da administração da rés-pública.
Económicas O aumento do preço dos alimentos produzidos com muita energia fóssil, associada à produção e transporte gera uma oportunidade de voltar a
tornar-se viável a produção local, quer agrícola, quer de outros produtos e serviços locais e/ou regionais.
OPORTUNIDADES
DIAGNÓSTICO 47
Económicas O possível movimento de pessoas das zonas urbanas para as zonas rurais, devido à crise
económica pode gerar uma oportunidade para aumentar a oferta de alojamento na Aldeia.
Sociais O movimento de pessoas para a Aldeia pode gerar aumento de população esperado pela
população actual e aumentar toda a dinâmica social.
Tecnológicas O pico do petróleo e as alterações climáticas geram incentivos nanceiros e conjunturais
para o investimento nas tecnologias de produção de energias renováveis, para construir es-
truturas para reter e armazenar água da chuva, para solucionar o bombeamento de águas
de poços sem combustível, para produzir estrume e fertilizantes de menor custo, tratar
as águas residuais com plantas, em suma, utilizar os recursos naturais para satisfazer as
necessidades humanas e reintroduzir e valorizar os desperdícios no ciclo natural em vez de
utilizar tecnologia que funciona apenas com base em energias fósseis que estavam fora dos
ciclos de nutrientes e energia que geraram o equilíbrio existente actualmente no Planeta
Terra.
Ecológicas A oportunidade associada aos ecossistemas é o facto de muitas das paisagens não estarem
completamente destruídas e existir uma fraca biodiversidade, apesar dos fortes impactes
que têm sido causados. A biodiversidade, o clima solarengo, os recursos naturais, o céu es-
trelado, todos podem ser valorizados para um desenvolvimento assente no relacionamento
em proximidade com a natureza.
OPORTUNIDADES
DIAGNÓSTICO 48
A análise input-output permite identicar quali-
tativamente quais são os elementos, materiais,
energia, bens que entram na Aldeia das Amoreiras
e quais são os que a Aldeia produz, exporta ou
expele como desperdício.
Nota explicativa: inputs são as matérias-primas,
bens ou serviços necessários importar de fora da
Aldeia e outputs são as matérias-primas, des-
perdícios, poluição, bens ou serviços produzidos
pela Aldeia, ou seja tudo o que sai da Aldeia.
Prioritariamente o que importa sublinhar como
resultado desta análise são os inputs que se
poderiam produzir na Aldeia e os outputs que
são expelidos sem serem valorizados. Eliminar
tanto uns como os outros permite aumentar a
sustentabilidade, produtividade, eciência e
estabilidade do sistema Aldeia das Amoreiras.
ANÁLISE
DE INPUTS E OUTPUTS
Análise de Inputs e Outputs na Aldeia das Amoreiras.
DIAGNÓSTICO 49
Colocamos primeiro os que têm investimentos
menores e em último os que têm maiores inves-
timentos.
1. Detergentes (podem ser produzidos artesanal-
mente);
2. Pesticidas e Fertilizantes (podem ser produzi-
dos com extractos de plantas);
3. Comida (pode produzir-se mais comida e
alimentos);
4. Formação (podem organizar-se formações de
vários temas na aldeia);
5. Cimento (pode utilizar-se, em alternativa, a
terra / barro / taipa / tabique / madeira);
6. Madeira (pode utilizar-se madeira produzida
localmente e criar uma serração);
7. Energia (pode produzir-se biogás ou aquecer
água com energia solar ou de compostagem);
8. Electricidade (pode ser produzida com sol,
vento, água, biogás e biomassa).
Se todos ou grande parte destes INPUTS forem
produzidos na Aldeia das Amoreiras, o que é pos-
sível, o dinheiro gasto para os comprar irá circu-
lar dentro da Aldeia, remunerando o trabalho de
potencialmente várias pessoas na Aldeia.
Para tal ser possível é necessário investimento
nomeadamente para produzir electricidade,
madeira e biogás. As restantes entradas podem ser
feitas com menores investimentos, ou pelo
menos de retorno mais curto.
Colocamos primeiro os mais fácil de resolver.
1. Desempregados e Reformados / mão de obra
(podem ser valorizados trabalhando na fabrica-
ção dos inputs necessários);
2. Dinheiro utilizado para consumir produ-
tos no exterior (pode ser usado para consumir
localmente e circular dando trabalho aos desem-
pregados);
3. Óleos Usados (podem ser transformados em
biodiesel para máquinas e automóveis);
4. Energia do sol, vento e água (pode produzir
energia);
5. Água poluída que sai da fossa (pode ser tratada
com e ser utilizada para fazer crescer salgueiros
e outras árvores);
6. Água da chuva não colectada (pode servir para
hortas);
7. Informação /conhecimento da população
do património local natural, histórico, cul-
tural (pode ser valorizado através de cursos ou
turismo);
8. Informação / conhecimento antigo da popu-
lação sobre as práticas agrícolas e de explora-
ção dos recursos naturais (pode ser valorizado
através de cursos ou turismo);
9. Biodiversidade (pode dar mais produtos
naturais para uso humano, ajudar a regular as
pragas, ser valorizada pelo turismo e melhorar
qualidade de vida);
10. Dinheiro colocado em poupança (pode ser
investido localmente em vez de na bolsa pelos
bancos).
Esta lista de inputs e outputs não é exaustiva
mas mostra como tanto uns como outros podem
ser transformados em produtos ou serviços que
alimentem a economia da aldeia ao mesmo que
tempo que diminuem a poluição e diminuem a
necessidade de importação de materiais com os
transportes e impacto ambiental e económico
associado.
INPUTS adquiridos com dinheiro que poderiam ser
produzidos na aldeia:
OUTPUTS não valorizados ou subvalorizados:
DIAGNÓSTICO 50
ANÁLISE DOS FLUXOS
A análise do uxo económico actual na Aldeia
das Amoreiras foi efectuada com base numa esti-
mativa grosseira dos rendimentos da população,
face ao rendimento que as poucas pessoas da
Aldeia de dentro da aldeia através da venda de
produtos ou serviços para consumo na Aldeia.
Actualmente existem menos de meia dúzia de
pessoas (3 a 4% da população) que obtém a maior
parte do ser rendimento apenas da Aldeia o que
ilustra que o dinheiro que circula dentro da
Aldeia é muito pouco.
Se a população da Aldeia no futuro consumir
cerca de 30% dentro da Aldeia em vez dos actuais
10% então esse aumento signicará criar rendi-
mento suciente para 9 a 16 pessoas mais (cerca
de 20% da população).
Como exemplo, imagine-se os gastos em ali-
mentação de uma pessoa no valor de 100€ men-
sais. Se 10 pessoas juntarem o seu gasto mensal
em alimentação elas conseguem dar um rendi-
mento mensal a um agricultor que sem grande
diculdade consegue produzir alimento para 10
pessoas.
Análise do uxo nanceiro na Aldeia das Amoreiras.
DIAGNÓSTICO 51
ANÁLISE DAS FUNÇÕES
Analisaram-se as funções necessárias à susten-
tabilidade da Aldeia das Amoreiras a partir da
sistematização das 9 funções bio-regionais (e
dezenas de sub-funções) apresentadas por Bill
Mollison no seu livro Permaculture: A Designers
Manual.9
Identicaram-se mais de uma centena de fun-
ções a desempenhar na Aldeia da Amoreiras para
satisfazer as necessidades e qualidade de vida
dos seus habitantes.
Posteriormente identicamos aquelas que estão
menos asseguradas na Aldeia das Amoreiras. É
importante referir que para esta análise incluí-
mos as funções e serviços prestados pelo Centro
de Convergência como sendo parte da Aldeia, ou
seja uma função bem desempenhada pelo Centro
de Convergência deixa de ser uma função priori-
tária.
Assim, de acordo com a análise FOFA, com a
caracterização dos recursos da Aldeia e de
acordo com a ética da Permacultura, considerá-
mos como prioritárias as funções assinaladas a
amarelo, com uma seta verde no esquema.
Consulte os esquemas com maior resolução on-
line no site do Centro de Convergência.10 Funções e Soluções.
DIAGNÓSTICO 52
FUNÇÕES E SOLUÇÕES
PRIORITÁRIAS
DIAGNÓSTICO 53
Funções e soluções prioritárias.
DIAGNÓSTICO 54
Funções e soluções prioritárias.
DIAGNÓSTICO 55
Funções e soluções prioritárias.
DIAGNÓSTICO 56
Funções e soluções prioritárias.
DIAGNÓSTICO 57
Funções e soluções prioritárias.
DIAGNÓSTICO 58
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em suma, a Aldeia das Amoreiras tem em comum
com as restantes aldeias do interior de Portugal,
o facto de sofrer de um abandono da população
que migra para as cidades em busca de trabalho.
Portugal é um território com muita diversidade
de paisagens (128 unidades de paisagem), o que
potencia também uma agricultura diver-
sicada para mercados de qualidade e/ou
locais que não se enquadram facilmente no
modelo económico vigente das vantagens
competitivas. Onde cada país ou região se
dedica a produzir a baixo custo determinado,
produz com maisfacilidade, ganhando dinheiro
para consumir os restantes produtos. Essa es-
tratégia transformou o Alentejo numa região
com elevada susceptibilidade à deserticação,
onde impera agora regenerar através de um
esforço humano adicional, por ter um passado
de desenvolvimento insustentável (os recursos
deixados para as gerações presentes, por exem-
plo o solo, são inferiores aos que essas gerações
de 1930 herdaram).
A população Aldeia das Amoreiras tem como
recursos um imenso conhecimento sobre os
recursos naturais locais e tem como lacunas o
baixo nível de escolaridade médio que diculta a
relação com um sistema altamente burocrático e
complexo em que cada agricultor para conseguir
vender um produto de qualidade a um preço
justo é quase obrigado a ser gestor, comer-
cial, estratega, designer e ter uma boa rede de
contactos com as cidades para a comercializa-
ção.
A cultura que sobressai da presença na Aldeia das
Amoreiras é uma cultura de trabalho, de respei-
to pelos valores tradicionais e pelo património
cultural e uma cultura de proximidade à na-
tureza. Em paralelo sente-se a ponte com a
cultura televisiva, escolar e do entretenimento
que aporta novos valores e comportamentos à
juventude, nomeadamente o desejo de se
afastar dos trabalhos rurais.
A análise desta observação sugere diferentes
estratégias para lidar com a realidade de um
povoamento rural situado entre o montado e a
serra, mas com ligação à internet e à cultura
urbana que sugere novas vontades e ideias (por
vezes desadequadas) de que é uma boa vida.
DIAGNÓSTICO 59
A estratégia de sucesso (maximizar as forças e
oportunidades e diminuir as fraquezas e amea-
ças) para o desenvolvimento sustentável da
Aldeia das Amoreiras aponta para uma visão de
cooperação comunitária e inter-familiar neste
povoamento rural com vista à:
• Valorização de alguns dos produtos existentes
de elevada qualidade (leite e queijo de cabra,
borregos, cabritos, porco-preto, mel, medronho)
para o mercado regional;
• Preservação da extracção da cortiça, com
formação para conseguir mais mão de obra
jovem e preservação das boas práticas de gestão
para o mercado nacional e internacional;
• Aumento da apanha dos cogumelos para o mer-
cado nacional e internacional;
• Aproveitamento do potencial de inovação de
produtos e serviços decorrente da existência de
um elevado número de novos rurais portugueses
e estrangeiros na região;
• Aproveitamento do mercado local através das
redes de parceiros locais e também do aumento
da motivação dos consumidores para comprar lo-
cal e de qualidade,
• Aumento dos serviços locais e nas aldeias mais
próximas para possibilitar que os habitantes da
Aldeia possam fazer circular e acumular o seu
dinheiro na região, criando para tal uma cultura
de comunidade unida através de sensibilização
e incentivos à circulação do dinheiro na região
(promovida por exemplo pelo uso de uma moeda
local).
A sustentabilidade da Aldeia das Amoreiras só
pode ser vista quando enquadrando o território
em volta, o que signica os montes e as proprie-
dades em volta mas também as aldeias e vilas
vizinhas, uma vez que os ideiais de boa vida da
nossa época não são compatíveis com o viver
apenas daquilo que se produz na Aldeia. Os re-
cursos da Aldeia das Amoreiras e dos montes em
volta devem assegurar a sobrevivência da sua
população e a cooperação com as aldeias, vilas
e municípios e regiões vizinhas devem assegurar
um aumento da qualidade de vida através da tro-
ca comercial (ou outra) de produtos e serviços de
segunda, terceira ou quarta necessidade.
PROPOSTA
PROPOSTA 62
VISÃO PERMA-D
PARA A ALDEIA
DAS AMOREIRAS
“NÓS, NA ALDEIA DAS AMOREIRAS, ASSUMIMOS A RESPONSABILIDADE PELA
PERMANÊNCIA DA NOSSA TERRA, PELA REGENERAÇÃO DA NOSSA PAISAGEM,
PELA CONCRETIZAÇÃO DOS NOSSOS SONHOS E POR CUIDAR DAS NOSSAS GEN-
TES, COOPERANDO COM A NATUREZA E COM QUEM ESTÁ À NOSSA VOLTA.
CONSTRUÍMOS, HOJE, A FELICIDADE E O SUSTENTO DA NOSSA COMUNIDADE.
VALORIZAMOS E PARTILHAMOS A NOSSA EXPERIÊNCIA, CELEBRANDO A VIDA,
A AMIZADE E O AMOR.”
PERMA-D, 2010
PROPOSTA 63
PERMADNA
ESPECTRO
DE TRABALHO
Os genes ou DNA do projecto de Permacul-
tura para a Aldeia das Amoreiras Sustentável
assenta numa fusão entre os sectores ambiental,
económico e social, sabendo que é do bom fun-
cionamento e união da comunidade humana que
depende toda esta integração.
Por sua vez, para que a comunidade humana
esteja unida e integrada em torno de valores
comuns é necessária uma visão colectiva e uma
ética colectiva.
À escala de uma aldeia, ter uma visão comum
é algo bastante realizável pois é possível juntar
toda a gente para sonhar o seu futuro, como foi
demonstrado na Aldeia das Amoreiras através
do conhecimento dos sonhos individuais para o
colectivo. Esta visão tem de se desenvolver ainda
mais para que uma união mais forte permita um
maior comprometimento em torno de objectivos
comuns.
O modelo proposto para a sustentabilidade
da Aldeia das Amoreiras consiste numa plena
PROPOSTA 64
integração dos domínios ecológico, económico e
social, tendo como base uma gestão comunitária
participada e envolvida que permite responsabi-
lizar e comprometer a população nas soluções
adoptadas para cumprir os objectivos e visão
comuns, os sonhos da Aldeia das Amoreiras, que
podem ser revistos ao longo dos anos. Esta gestão
da visão da comunidade depende completamente
da capacidade da população de se unir e de
continuar a debater no presente e no futuro os
seus desejos, os seus valores e as suas soluções.
A visão de sustentabilidade forte para a Aldeia
das Amoreiras em termos económicos consiste
numa comunidade unida que gasta pelo menos
30% do seu orçamento dentro da comunidade.
Isto permite fazer circular o dinheiro dentro da
comunidade. Para tal é necessário que a comu-
nidade produza os bens e serviços necessários à
comunidade.
Em termos ecológicos, a visão para uma sus-
tentabilidade forte para a Aldeia das Amoreiras
é a gestão dos seus recursos naturais dentro dos
limites da capacidade de carga do seu próprio
território. Isto signica que se podem pro-
duzir alguns impactes ambientais desde que o
ecossistema consiga aceitar e incluir esses
desperdícios nos seus ciclos, não gerando
nenhuma perda de produtividade no presente ou
no futuro.
Em termos sociais, a visão para a aplicação de
soluções sustentáveis e permanentes passa pela
inclusão de todos os agentes no planeamento das
estratégias de desenvolvimento do território da
Aldeia. Se todos forem incluídos então todas as
necessidades serão respeitadas e os princípios de
inclusão, equidade, justiça e coesão social serão
respeitados.
PROPOSTA 65
AS ZONAS
DA ALDEIA
DAS AMOREIRAS
Em Permacultura utilizamos o sistema de
zonas para planear um espaço em que colocamos
mais perto de nós os elementos que visita-
mos mais vezes e colocamos mais longe o que
visitamos com menos frequência. Desta forma,
colocamos no espaço os elementos tendo em
vista o mínimo esforço nas deslocações e no
transporte de pessoas e bens entre elementos.
Todas estas zonas estão localizadas em
pequenas sub-bacias hidrográcas e estão
intimamente relacionadas através dos uxos de
água superciais e subterrâneas imprescindíveis
para activar o crescimento da vegetação que está
na base da subsistência humana nesta região.
Por outro lado, o intercâmbio entre as
zonas é possível através de redes rodoviárias e
redes de telecomunicações que facilitam as tro-
cas de materiais e informações.
A localização de cada elemento no siste-
ma permite melhorar as relações entre cada
elemento como um rebanho e uma oresta. Para
tal é necessário que sejam respeitadas algumas
regras de gestão que integram posição rela-
tiva de cada elemento no tempo. No caso dos
rebanhos, por exemplo, sugerimos que o gado
caprino ou ovino ou suíno circule de forma
rotativa nas zonas 3 e 4, ou seja, que os ani-
mais sejam muitos num determinado local mas
apenas durante um período de tempo muito curto.
Desta forma, os animais pisam as ervas e ferti-
lizam o solo ajudando à decomposição destas ervas
criando e regenerando solo. Os mesmos animais,
nas mesmas zona 3 e 4, podem ter um efeito
bastante negativo para a paisagem se forem
colocados em cercas durante todo o ano, pois
alimentam-se de qualquer planta comestível que
nasça, deixando o solo nu, provocando erosão e uma
progressiva perda de produtividade da paisagem.
PROPOSTA 66
O resultado da localização adequada dos
elementos no espaço e no tempo permite
assim diminuir drasticamente a erosão, os
desperdícios e valorizar muito os recursos
naturais indo ao encontro de muitas das
necessidades económicas e sociais da população.
Os novos elementos multifuncionais que se
criam intencionalmente incentivam o consumo
e a valorização dentro do sistema dos vários
produtos naturais que são explorados dentro da
capacidade de regeneração e carga da paisagem
envolvente à Aldeia das Amoreiras.
As funções consideradas prioritárias são as que
merecem mais atenção numa fase de transição
e como tal os elementos que as suportam devem
estar mais perto, principalmente se necessita-
rem de maior manutenção diária ou semanal.
Ilustração 1: Sistema de zonas e elementos sugeridos para a Aldeia das Amoreiras Sustentável.
PROPOSTA 67
Zonas são, assim, domínios de actividade
agrícola, silvícola, educativa, social e cultural na
Aldeia das Amoreiras em que a intervenção huma-
na decorre com diferentes ritmos e frequência.
O primeiro passo para utilizar o sistema de
zonas é denir as grandes zonas de 1 a 5 mais
uma zona exterior 6 com base neste princípio
de frequência. Estas zonas são denidas em
termos gerais pela metodologia do Design de
Permacultura. Basta-nos assim adaptar esta
abordagem ao contexto da Aldeia das Amoreiras.
O segundo passo é inserir nas zonas os
elementos que consideramos essenciais para
atingir os nossos objectivos denidos pela visão.
Estes elementos foram identicados a partir da
análise das funções necessárias para a Aldeia (ver
Análise das Funções no capítulo Diagnóstico).
Por último, identicamos estes elementos e zonas
no mapa de acordo com os usos do solo presentes,
passados e sectores existentes nomeadamente,
relevo, tipos de solo, exposição solar, ventos
dominantes, vias e construções existentes, etc.
Ilustração 2: Sistemas de Zonas na Aldeia das Amoreiras e envolvente.
PROPOSTA 68
Zona e descrição Alguns Elementos que existem ou sugerimos existir nesta zona
ZONA 0: Como “Zonas 0” distinguimos os espaços ou domínios de actividade em
que a intervenção humana é a mais intensa, signicando que os intervenientes
usam ou dedicam a esse espaço ou actividade muitas horas diariamente, durante
quase todos os dias da semana.
Alojamentos das famílias da Aldeia; Cisternas para armazenamento da água
da chuva; Centro Social Multifuncional; Mercearia ; Café “grátis”; Banco de
Tempo/Horas/Produtos; Albergaria; WCEco – Sanitário Ecológico; Unidades
de actividade empresarial, turística; Produção caseira de “carvão vegetal”;
Produção doméstica de água quente e energia eléctrica com painéis solares;
Rede de consumidores da agricultura apoiada pela comunidade.
ZONA 1: Como “Zonas 1” consideramos os espaços ou domínios de actividade em
que a intervenção humana é bastante intensa, tendo em conta que os interveni-
entes usam ou dedicam a esse espaço ou actividade algumas horas durante quase
todos os dias da semana. Estes são espaços de actividade intensiva em estreita
ligação com a “Zona 0”. Existem portanto diferentes tipos de trocas entre a Zona 0
e a Zona 1 em termos de uxo de materiais, energia e informação.
Produção de caseira de alimentos; pequenas hortas com produtos de consumo
imediato; Produção alimentar familiar (Horta à Porta); Uso de carvão vegetal
nas hortas; Produção de biogás e bio-fertilizantes; Tracção ou transporte animal;
Produção de composto de minhocas; Uso do Parque infantil.
ZONA 2: Na “Zonas 2” existem espaços ou domínios de actividade em que a
intervenção humana é frequente, tendo em conta que os intervenientes usam ou
dedicam a esse espaço ou actividade pelo menos algumas horas durante alguns dias
da semana.
Hortas familiares com integração de animais domésticos e uso do impacto
animal para aumentar a fertilidade; Charcos e zonas húmidas para ltração de
águas cinzentas e para produção de matéria orgânica; Matadouro comunitário;
Hortas Comerciais com integração de animais, com produção comercial de
estrume e composto; Eco-pensa – local para depósito de materiais, ferramen-
tas e outros produtos não perecíveis disponíveis para quem necessitar; Viveiro
Florestal comercial; Quinta Pedagógica e Banco de Sementes; Actividades de
turismo ecológico com BTT e Passeios Pedestres.
ZONA 3: Nas “Zonas 3” conguram-se espaços e actividades que necessitam de
menos manutenção e de produção extensiva. Estes requerem intervenção algumas
horas por semana.
Culturas comerciais entre corredores de árvores forrajeiras, para madeira, ou
lenha ; Culturas agrícolas extensivas familiares ou comerciais; Pomares; Mini-
hídrica comunitária; Pastos e searas – rotação com leguminosas em sementeira
directa, “pasture crop” e no “kill crop”; Pastoreio e rotação de gado em cercas
ZONAS E ELEMENTOS
PROPOSTA 69
Zona e descrição Alguns Elementos que existem ou sugerimos existir nesta zona
ZONA 3 (continuação) móveis / não permanentes; Charcos e zonas húmidas para ltração e inltração
de águas e para produção de matéria orgânica.
ZONA 4: Como “Zonas 4” identicamos os processos ecológicos e espaços que
necessitam de intervenção durante alguns dias ou apenas algumas horas durante o
ano.
Piscicultura ecológica; Ecossistemas de Montado; Caça sustentável; Colheita de
cogumelos; Colheita de cortiça; Florestas de árvores forrageiras; Espaços de
colheita de cogumelos; Pastoreio, xação de carbono e fertilização com gestão
do impacto animal em pasto natural; Colheitas de plantas medicinais e aromáti-
cas selvagens; Gestão do Espaço com subdivisões de acordo com o modelo
“Key-line”; Actividade Agroorestal; Produção de energia eólica; Extracção de
materiais em bruto para construção civil: terra, pedra, madeira, canas; Gestão
das áreas ripícolas / linhas de água; Charcas para armazenar água em altura e
sua utilização por gravidade; Estação de depuração de águas negras / FitoEtar –
Produção de salgueiros para lenha; Planeamento e intervenção para prevenção
de fogos; Zonas de intervenção orestal - ZIF’s.
ZONA 5: Como “Zonas 5” distinguimos os processos ecológicos ou espaços “não
cultivados”, onde não existe intervenção humana, à excepção das seguintes activi-
dades que contribuem para a regeneração e manutenção da biodiversidade.
Actividades de turismo ecológico; Observação e aprendizagem com a Natureza;
Investigação cientíca; Contemplação e meditação, inspiração; zona de passeio.
ZONA 6: Como “Zonas 6” distinguimos os processos e espaços exteriores ao ter-
ritório da Aldeia (Zonas 0 a 5) que têm inuência na dinâmica da Aldeia das
Amoreiras, mas que são menos participados e não estão sob gestão directa pelos
seus habitantes. As actividades da Aldeia dependem destes processos e existem
trocas de materiais, serviços e informações.
Rede de transportes; Telecomunicações; Sistema nanceiro bancário; Gestão
autárquica; Farmácias; Cadeias de distribuição de Produtos alimentares (vend-
edores ambulantes); EDP - Energia de Portugal, Rede eléctrica nacional; Leg-
islação; Combustíveis derivados do petróleo e gás natural; AMBILITAL – Recolha
de resíduos sólidos urbanos; Produção e distribuição de tecnologia, maquinaria,
electrodomésticos.
ZONAS E ELEMENTOS
PROPOSTA 70
Ilustração 3: Descrição do uso do solo actual na Aldeia das Amoreiras.
Nas imagens que apresentamos podemos
observar, sobre fotograa de satélite, os usos
do solo actuais na envolvente à Aldeia das
Amoreiras. Noutra imagem podemos com
maior e menor zoom a nossa denição das
zonas para a Aldeia das Amoreiras e envolvente.
As zonas são denidas tendo em conta a
frequência de visita a cada zona mas
também o tipo de solos, a interacção com
todos os sectores e características físicas do
espaço e também as dimensões invisíveis do
espaço como a forma como são utilizados ou
seu valor simbólico, por exemplo. A proposta de
zonas apresentada nestas imagens é feita tendo
em conta alguns destes factores mas não todos.
Consideramos que para esta análise ser feita de
forma profunda e completa, ela deveria ser feita
de forma participada envolvendo a população da
aldeia em sessões de trabalho para a observação
e planeamento do seu território. Estas podem ser
ideias para um trabalho futuro que extravasam o
âmbito de um plano geral, ou como se diz no inglês,
um outline design para a Aldeia das Amoreiras.
Olhando os usos do solo actual podemos
identicar que a maior concentração de casas se
situa numa zona de solos rochosos encostada à
varzea da aldeia,a zona fértil de solos profundos
e planos onde se faz agricultura de regadio. Para
a denição das zonas podemos então dizer que
o povoamento rural ou aglomerado urbano
PROPOSTA 71
Ilustração 4: Sistemas de zonas no mapa aproximado da Aldeia das Amoreiras e envolvente com descrição
dos usos do solo.
contém lá dentro as zonas 0 e 1 pois as
casas são a zona 0 e as zonas 1 são os
quintais perto das casas onde estão os
elementos que necessitam de atenção diária.
A zona 2 é neste caso a zona da várzea ou vale
onde se localizam os solos (de aluvião) mais
profundos e férteis da Aldeia que aí se
depositam devido à erosão do solo das
zonas declivosas e também às cheias que
deixam solo nas suas margens. Esta várzea
é a zona por excelência para produzir
hortícolas ou cereais em grandes quanti-
dades pois é a zona que permite regadio e que
tem o terreno plano com solos profundos, não
sofrendo de grande erosão com os processos
de lavra.
Observando a imagem dos usos do solo actual
é possível identicar a sul da aldeia uma zona
verdade constituída por zonas com
declives acentuados com sobreiral denso ou
plantações de eucaliptal. A oeste da ribeira da
aldeia e a norte da estrada municipal para
Ourique podemos observar uma
densidade de árvores bem mais reduzida e uma
utilização do solo principalmente para
culturas cerealíferas, pastos, vinhas ou olival.
Esta utilização deve-se essencialmente a
um declive menos acentuado que facilita o
trabalho de lavra com máquinas e animais
mas também por estas vertentes serem mais
PROPOSTA 72
Ilustração 3: Pormenor de funcionamento das zonas 2 e 3.
viradas a sul e terem maior exposição ao sol.
Denimos então como zona 3 a zona de montado
mais espaçado e com declives médios e a zona 4
a zona de montado mais denso e mais declivoso.
A zona 5 é a zona que pode ser guardada como
protegida e selvagem para aprender com a
natureza os processos de sucessão natural e
preservar a biodiversidade que deve ser uma
fonte de inspiração e aprendizagem e reencon-
tro do ser-humano com todos os seres vivos.
Como proposta desenhamos como zona 5 uma
zona bastante inclinada perto da aldeia ligada
à ribeira da Aldeia. Apesar de a ribeira dever
estar limpa para prevenir o risco de cheias,
deve existir uma zona em que ribeira não deve
ser limpa para promover a biodiversidade e
também paera promover que quando haja
cheias a água suba os limites da ribeira
e deposite sedimentos nas suas margens.
Para acentuar esta função de regeneração dos
solos e diminuição da velocidade da água, neste
troço não limpo a ribeira poderia adoptar um
percurso mais sinuoso. Esta zona húmida
sinuosa e rica em biodiversidade poderia
estar ligada com uma zona de oresta de so-
breiro promovendo assim um ecótono e um
habitat para inúmeras espécies, constituindo
um belo lugar de passeio e inspiração com a
natureza. Um pouco a jusante e perto da
aldeia a ribeira deveria ser novamente limpa
PROPOSTA 73
para diminuir o risco de cheia, podendo também
o montado ser limpo e funcionar como zona 4.
Na imagem das zonas com maior
detalhe podemos ver o mapa com as
zonas 2 e 3 em que observamos o sistema de
rotação do pastoreio de acordo com o método
da gestão holística (holistic management11) que
sugerimos para promover uma criação de gado
sem inputs externos e com o benefício de
regenerar o solo, regular o ciclo da água e
melhorar as pastagens.
Este método sugere, por exemplo para uma
propriedade de olival de 7 hectares, a
criação de 50 ovelhas em rotação intensiva em
cerca de 14 parcelas em que duas ou três são
no verão nas zonas mais frescas da paisagem.
Estas parcelas são marcadas com rede eléctrica
deixando ao agricultor pastor tempo para outras
actividades. Para um rebanho maior
podemos pensar a rotação entre parcelas de vários
proprietários que em cooperação
beneciam do impacte regenerativo
positivo do gado se pastoreado com este método
gerando ainda uma fonte de alimento,
receita e limpeza de matos sem custos
adicionais.
Esta proposta de zonas para a Aldeia das
Amoreiras pode ser usada como guia para as
zonas em questão como pode ser usada como
forma de manter a atenção para a gestão
do tempo e do esforço de acordo com a posição
dos elementos no espaço por parte do leitor.
Posicione sempre aquilo que necessita de mais
atenção mais perto…
PROPOSTA 74
Denir prioridades é tipicamente a função dos
políticos, uma vez que os recursos são sempre
limitados e existem várias acções importantes a
tomar que não podem todas ser implementadas
em simultâneo por falta de recursos humanos ou
materiais.
Neste projecto de Permacultura identicámos
as funções prioritárias de acordo com a visão da
Perma-D e os Sonhos da população para a Aldeia
das Amoreiras, em conjunto com a identicação
das áreas importantes para a sustentabilidade de
qualquer comunidade por Bill Mollison no Perma-
culture: A Designers Manual9.
Estas funções prioritárias surgem também a par-
tir das que consideramos estarem mais em falta,
ou que, pelo contrário, são mais fáceis de con-
seguir alcançar. Deste equilíbrio ponderado pela
nossa equipa e das soluções que conseguimos
identicar resultam os mapas mentais apresen-
tados no capítulo da análise e na tabela seguinte
que é uma síntese destas funções e soluções,
que consideramos serem úteis como proposta
para o cenário ideal da Aldeia das Amoreiras
Sustentável.
A PRIORIZAÇÃO
DE FUNÇÕES
PROPOSTA 75
Produzir alimentos
localmente
Quinta partilhada, quinta experimental e pedagógica
Escoar produtos locais “Mercearia Social” multi-funcional inserida na cooperativa / associação da aldeia, empregando uma pessoa da aldeia e gerando meios
nanceiros para nanciamentos de projectos da aldeia e da cooperativa/associação (IVA para a aldeia)
Fidelizar consumidores e ou instituições de consumidores. Esquema de “Agricultura apoiada pela comunidade”
Fazer as contas sobre a contabilidade, produção agrícola local e escala de produção agrícola
“Mercado da Aldeia” mensal, multi-funcional
Conhecer a legislação sobre a produção alimentar, transformação e venda de produtos alimentares
Criar uma instituição para a produção, transformação e venda dos produtos e serviços locais/regionais
Aceder e manter a água
na aldeia
Capturar a água da chuva
Sensibilizar para a importância da qualidade e da poupança de água
Controlo de qualidade de água potável e prevenção de contaminações
Plano de emergência / contingência para a agua potável
Recuperar as con-
struções danicadas e
manter e requalicar as
existentes
Fogões rocket stove ligados a assentos com massa térmica, isolamento térmico dos telhados
Mini estufas
Gerir esgotos A CMO construir to-etar para a Aldeia (vantagens: utilização de água limpa e fertilizada para a agricultura + sequestro de CO2)
Serviço de construção de to-etars domésticas = estações de tratamento de esgotos com plantas dimensionadas para cada casa
Ocina/curso de construção de to-etars domésticas
Construção de Sanitários Secos
Construir unidades familiares de reutilização de águas cinzentas
FUNÇÕES E SOLUÇÕES PRIORITÁRIAS
PROPOSTA 76
Energia Carneiro hidráulico. (de um ribeiro para uma cota superior sem utilização de energia)
Moinho hidráulico americano (de um poço ou furo para cota superior)
Bomba manual (de um poço ou furo)
Bomba ligada a painel solar (de um furo, poço ou barragem para cota superior)
Transportes da Junta de Freguesia
Sistema de boleias
Transporte com burro/cavalo e carruagem
Diminuir a necessidade de transporte aumentando a quantidade de serviços existentes na Aldeia das Amoreiras
Produção pontual de micro-hídrica nas casas perto da ribeira
Iluminação publica solar com serralharia
Introduzir pequenas centrais de produção paralelas ao consumo EDP
Introduzir pequenas centrais de produção em micro-produção para a EDP
Introduzir ilhas de energia nos montes com energias mistas fotovoltaico/eólico/gerador a biogás
Introduzir micro-geração nos edifícios públicos
Mini produção (big) da Aldeia a vender para a rede e a ser gerida por instituição comunitária: investimento / donativos
Colectores solares de termossifão (inclui depósito) ligados em série com esquentador / ou caldeira eléctrica
Experimentação do método do jean pain para produzir biogás a partir da compostagem anaeróbia de biomassa orestal num monte
(Jorge Crespo)
Instalar uma estação de estudo (anemómetro e um data-logger) dos padrões de vento, no melhor local possível nos montes ou na aldeia,
para ponderar a viabilidade da instalação de aerogeradores eólicos com menos de 12metros de altura
Utilizar a bicicleta para produzir energia de rotação para centrifugar o mel, destroçar biomassa, lavar roupa, carregar baterias, aar
lâminas, etc.
Complementar o aquecimento da casa com lareira/salamandra usando uma serpentina/caixa de água que liga a radiadores de aqueci-
mento de água
FUNÇÕES E SOLUÇÕES PRIORITÁRIAS
PROPOSTA 77
Energia Nos montes, efectuar grupos de pressão junto da CMO e EDP para a ligação à rede
Criar ilhas de energia de produção e consumo no local, eliminando a necessidade de distribuição da energia
Implantar / reintroduzir
ofícios
Identicar as prossões mais necessárias para a população
Identicar as prossões mais fáceis de desenvolver no mercado actual de acordo com as oportunidades e recursos existentes
Conhecer as condições necessárias (conhecimento, investimento, mercado) para os ofícios prioritários
Encontrar e organizar formação para os ofícios necessários e novos ofícios (ofício em si e em Gestão). Criar acções de formação e ex-
ploração em cada ofício (apicultura: formação, mel, própolis, velas, etc…etc…) e estabelecer as ligações com os outros ofícios (carpin-
teiro/apicultor, serralheiro, agricultor, professor/agricultor)
Organizar o
escoamento de produ-
tos e serviços locais
Mercado multi-funcional para distribuir produtos e serviços e exportar produtos
Criar uma moeda local para promover a economia local de pequena escala
Criar sistema de troca local para promover a valorização de produtos e serviços com pouco mercado
Divulgar no site da Aldeia das Amoreiras Sustentável e no site do Centro de Convergência
Tornar site da Aldeia mais aberto à participação da população e membros do projecto
Criar um sistema de agricultura suportada pela comunidade (com compromisso protocolado pelos consumidores), em que o lar de São
Martinho/consumidores locais/outras instituições compram a produção agrícola produzida na freguesia/aldeia pelos produtores locais,
por uma cooperativa/associação/empresa/sociedade de produtores (responsabilidade e compromisso)
Formação sobre contabilidade e scalidade na agricultura, venda dos produtos alimentares e associativismo
Cooperativa Sustentável da Aldeia das Amoreiras multi-sectorial de produtores, serviços, consumo, etc.
Consumir os produtos locais em almoços, convivios, texas
Novos serviços e
produtos sustentáveis
Construir bicicletas para gerar energia de rotação, para centrifugação, tornos, destroçadores, moinhos de carne e outros alimentos,
geração de electricidade, etc.
Fabrico de óleo aromático a partir da esteva
FUNÇÕES E SOLUÇÕES PRIORITÁRIAS
PROPOSTA 78
Novos serviços e
produtos sustentáveis
Fabrico de chorume de urtiga para venda
Passeios turísticos na Aldeia das Amoreiras Sustentável
Reciclar plástico para óleo
Fabricar e utilizar destroçador de acoplamento eólico (destroçador que se liga ao tractor ou ao moinho de vento), para destroçar bio-
massa
Fazer uma experiência piloto (com ocina) da utilização da biomassa para produção de água quente sanitária, gás metano e composto
orgânico / fertilizante (método jean pain)
Fabrico e utilização de arcos, echas e bestas para a caça
Aluguer do transporte em animal de carga com e sem carroça / charrete / carruagem
Documentar a Aldeia: o
seu passado, presente e
futuro
Base de dados de informação: mapas/infograa/bases de dados local e bioregional - pessoas, recursos, “páginas verdes”, “Green map”
Organizar, comunicar e
decidir colectivamente
Mailing list de novos residentes e pessoas com interesses locais e semelhantes na região
Paralelamente à CMAA e ao Centro de Convergência, juntar as pessoas com interesses semelhantes em grupos, com facilitadores exteri-
ores à reunião, para moderar e chegar a resultados em todas as reuniões
Acolher novos
residentes na Aldeia
Encontrar prossões e formas de atrair as camadas populacionais que mais falta fazem na aldeia
Assistência médica e
de enfermagem
Transporte para o médico em São Martinho pela Junta de Freguesia
Contratação de um médico pela aldeia
Organização de consultas de especialidades
Consultas de enfermagem na aldeia gratuitas com enfermeiros voluntários
Criação de um grupo de apoio à saúde na aldeia
FUNÇÕES E SOLUÇÕES PRIORITÁRIAS
PROPOSTA 79
ESTRATÉGIAS PARA
A IMPLEMENTAÇÃO
Pensamos que é necessário efectuar um plano
de implementação de um cenário ideal, com a
população, que se pode chamar Plano de Acção
para a Aldeia das Amoreiras de Sonho, ou Estra-
tégia Local de Desenvolvimento Sustentável ou
Plano de Decrescimento de Energia ou Plano de
Implementação da Aldeia das Amoreiras Susten-
tável ou outro nome qualquer desde que consista
num plano participado para chegar aos sonhos
da comunidade e fazer orescer esta comuni-
dade dentro dos limites da sustentabilidade dos
ecossistemas e das pessoas.
Esse plano de acção para a aldeia de sonho pode
ir buscar inspiração nas ideias, visões, soluções
e prioridades identicados e apresentados neste
Plano Geral de Permacultura para a Aldeia das
Amoreiras Sustentável mas deve ser mais con-
creto, chegando ao nível da alocação de recursos
por parte da população ou seja: quem faz que
parte do plano e com que recursos.
Passando às estratégias de implementação é im-
portante ter em mente que os maiores desaos
para esta aldeia e para toda a humanidade são
essencialmente os mesmos:
1. Aprender a ganhar riqueza com a natureza,
regenerando-a em vez de a estragar,
2. Aprender a lidarmos uns com os outros, com
cooperação em vez de conito.
Acreditamos que já apresentámos neste projecto
algumas ideias para o primeiro ponto que podem
ser consultadas em detalhe na internet e em
vários livros de especialidade. Apontamos, por
isso, alguns exemplos de actividades ou aborda-
gens de acção que podem servir várias funções
importantes como ajudar a unir a população ao
mesmo tempo que permitem a aprendizagem, a
experimentação e o erro, a partilha de experiên-
cias e a demonstração e valorização património
cultural e natural da Aldeia.
Algumas destas ideias exemplos são:
I. Planear, Fazer e Celebrar em Grupos de Sonhos
II. Eventos multi-funcionais (como a Festa da
Aldeia)
III. Centro Social multi-funcional
IV. Cooperativa de Consumidores
Um grupo de sonho é ou pode ser um grupo em
que as pessoas se juntam para partilhar o seu
sonho comum e a partir daí planeiam o trabalho,
fazem em conjunto e celebram em conjunto. Ao
contrário dos grupos tradicionais em que as pes-
soas se juntam para ajudar um líder carismático,
num grupo de sonho as pessoas juntam-se por
convite de uma ou mais pessoas carismáticas e
em grupo a pessoa que teve a ideia deixa morrer
o seu sonho para que ele renasça como um sonho
do grupo.
O grupo de sonho vai juntar o sonho de quem
teve a ideia inicial mais o sonho das outras pes-
soas que aceitaram juntar-se nesse grupo para o
fazer acontecer e nele pôr um bocadinho da sua
ideia. Depois de um momento inicial de partilha
dos sonhos, cria-se um sonho que é do grupo e
que já não é de uma pessoa apenas. Estaremos
a planear, fazer e celebrar o nosso sonho em vez
do sonho dele ou dela.
Como exemplo podemos imaginar uma pessoa
que tem o sonho de organizar uma festa e con-
vida para um grupo de sonho um grupo de amigos
PLANEAR, FAZER
E CELEBRAR
EM GRUPOS DE SONHO
PROPOSTA 80
com quem gostaria de trabalhar. Num primeiro
momento essa pessoa partilha o seu sonho ao
grupo e arma que deixará morrer o seu sonho
de uma festa para nascer como um sonho do
grupo. Então perguntará a cada uma das pessoas
para partilhar o seu sonho, a sua ideia, para essa
festa. O grupo tentará não escolher uma ideia
ou outra mas sim realizar um sonho e outro. Os
sonhos de cada um passam a ser os sonhos do
grupo e em grupo ajudar-nos-emos para os re-
alizar todos. Depois deste momento de partilha
de sonho resta planear e orçamentar. Esse será
o momento em que o grupo decide se tem as
condições necessárias para realizar o sonho ou
não. Se não as tiver tem de reunir mais recursos
ou mais pessoas. Se sim, pode partir para a acção
e no nal de cada tarefa celebrar em grande!
No nal de o trabalho realizado e celebrado o
grupo pode pensar para onde vai de seguida. Se
termina ou se continua para fazer outras coisas.
À escala da Aldeia e com vista a ter grupos para
realizar todos os sonhos da Aldeia das Amoreiras,
podem surgir conitos entre sonhos e a
necessidade de partilhar recursos, ou a potencia-
lidade de ganharem dois grupos em cooperação,
caso se partilhe o trabalho uns dos outros.
A existência de grupos de trabalho sectoriais
pressupõe, assim, a integração dos assuntos e
soluções acordadas nos vários grupos de trabalho
por forma a que não existam grupos de pressão
muito fortes que desrespeitem as necessidades
dos outros e do bem comum.
PROPOSTA 81
O modo de funcionamento modular dos gru-
pos de trabalho, como proposto pela rede de
iniciativas de Cidades em Transição (Tran-
sition Towns12) parece ser uma solução
interessante para juntar vários grupos de
trabalho ou grupos de sonho para integrar
as várias visões e criar uma visão geral para a
comunidade.
Pode existir então um grupo guardião dos sonhos
da Aldeia das Amoreiras que é pode ser composto
por um representante de cada um dos grupos de
sonho. Estes representantes devem ser rotati-
vos e todos eles devem pertencer a um grupo de
sonho.
A ligação à rede das Cidades, Vilas e Aldeias em
Transição em Portugal13, parece ser também
uma estratégia que permite aprender e partilhar
sucessos e insucessos com as restantes iniciati-
vas de cidadãos em Portugal que se juntam para
fazer a transição entre as nossas comunidades do
presente e as comunidades de sonho do futuro.
Modelo da organização em grupos proposto pela Rede da Transição (Transition Network).
PROPOSTA 82
EVENTOS
MULTIFUNCIONAIS
Uma maneira de conseguirmos visualizar melhor
uma actividade ou um projecto é imaginarmo-
-nos no futuro e olhar para trás e ver como foi e
portanto como pode vir a ser…
Foi um evento que celebrou a abundância gerada
pela cooperação entre pessoas e entre pessoas
e o seu ambiente natural. As pessoas da aldeia
participaram activamente de acordo com os seus
conhecimentos e habilidades. Muitos forasteiros
estiveram presentes para desfrutar de um dia
de Festa marcado pela envolvência única da
Aldeia das Amoreiras, os contornos das suas ca-
sas, ruas e paisagens. O ambiente natural esteve
em evidência nos bens materiais e espirituais que
gerou para a comunidade e para os visitantes. O
programa do Evento esteve centrado nos valores
locais, da Natureza e da Experiência Humana.
Boa música, boa comida, conversas animadas,
reencontro de antigas amizades... A partilha de
experiências e aprendizagens desenvolveu os
relacionamentos e a conança. O consumo, as
trocas e o comércio ético de bens materiais pro-
duzidos de acordo com padrões ecológicos gerou
satisfação. No dia a seguir ao evento, o local do
evento estava limpo e a saudade visitava aqueles
que por ali passavam. Diziam que, “temos de
voltar a organizar outra Festa assim ...” Teve a
duração de um, dois ou 3 dias.
Programa:
Música; Dança; Baile; Teatro; Mercado D’aldeia ;
Ocinas; Cursos; Desporto; Concursos; Celebra-
ção; Refeições; Meditação; Passeio Pedestre.
Organização:
Coordenação Central por um grupo de sonho;
Facilitadores; Grupos temáticos – Secções do
Centro Social ; Funcionários do Centro Social;
Funcionários da Junta de Freguesia; Voluntários;
Formadores; Logística; Energia; Alimentos; Siste-
ma de Som; Equipamento diverso.
Um Centro Social multifuncional pode ser um
espaço onde as pessoas da Aldeia se unam para
cuidar das pessoas e cuidar do seu ambiente
natural.
Facilita o relacionamento e aprendizagem
inter-geracional e oferece uma variada gama de
serviços, produtos e actividades para todas as
idades.
A saúde do corpo e da mente são uma priori-
dade e por isso as refeições são confeccionadas
com produtos frescos de origem vegetal e ani-
mal, produzidos pelos agricultores localmente de
acordo com padrões ecológicos que regeneram a
fertilidade do ecossistema cultivado.
A partilha de experiências e habilidade entre to-
das os habitantes da Aldeia e em especial dos
mais velhos é valorizada através de ocinas e
cursos temáticos.
O potencial criativo é estimulado tendo em vista
gerar abundância de bens materiais e inovação.
O Plano de Actividades está centrado no desen-
volvimento humano integral e favorece o acesso
ao conhecimento e à aprendizagem em todos os
domínios.
Festa da Aldeia
Centro Social Multifuncional
PROPOSTA 83
Organização:
Entidade como pessoa colectiva; Assembleia
Geral; Plano de actividades e orçamento anual;
Direcção executiva; Programação Mensal, Tri-
mestral;
Secções (desporto, “universidade rural”, teatro,
música); Grupos de trabalho por objectivos;
Voluntariado; Propriedade; Edifício.
Serviços:
Centro de Dia; Refeições; Assistência aos mais
velhos; Enfermaria; Espaço de convívio; Jornal
de Parede da Aldeia; Jornais Regionais; Espaço
“Em segunda-mão”; Espaço Internet; Biblio-
teca; Café Grátis – Mercearia por encomenda
Televisão; Rádio; Festas; Universidade Rural
“UR”; Ocinas – Cursos (saúde natural, culinária,
costura, licores, cogumelos).
Produtos:
Venda dos produtos da aldeia. Compotas; Licores;
Roupas artesanais; hortícolas; etc.
Fluxos:
Os mais velhos (e outras pessoas da Aldeia),
podem ensinar em ocinas, cursos e Universidade
Rural e beneciam de créditos para benefícios no
Centro Social.
Banco de tempo – sistema de crédito.
Inputs:
Água; Alimentos; Lenha; Investimento nanceiro.
Juntar um grupo de consumidores na aldeia,
que pode crescer para alargar um grupo maior
de pessoas de outras aldeias, que se une para
comprar produtos locais de qualidade e que
respeitem a natureza. Ao juntar um grupo de
consumidores numa cooperativa que pode
ser formal ou informal, pode-se comprar
directamente aos agricultores locais e pode-
-se dar emprego a uma pessoa para produzir
para os consumidores. Como exemplo imagine-
-se um grupo de 20 consumidores em que cada
um dá 30€ por mês e que assim contratam um
agricultor para produzir inteiramente para os
consumidores.
Uma cooperativa de consumidores pode incen-
tivar a produção local e ética de produtos e
serviços, pois os consumidores têm o poder de
criar o mercado que normalmente é o obstá-
culo maior à produção. No caso da Aldeia das
Amoreiras cabe aos consumidores organiza-
rem-se e encontrarem um número mínimo de
consumidores que lhes permita ganhar o poder
necessário para incentivar ou mesmo nanciar a
produção dos bens ou serviços que lhes interessa.
Um dos principais obstáculos ao desenvolvimento
da ética na economia é a lógica de mercado em
que os consumidores e os produtores são ensina-
dos a procurar sempre o menor custo ou preço.
Uma cooperativa de consumidores pode mudar
esta cultura, gerando uma economia ética que
promova uma comunidade unida, sustentável e
que gere trabalho entre os próprios residentes
da área da intervenção da cooperativa, podendo
mesmo acontecer que alguns membros serão tan-
to consumidores como produtores.
Cooperativa de Consumidores
PROPOSTA 84
Para um plano ser bem implementado ele deve
incluir no processo de planeamento as pessoas
que o vão implementar.
O projecto de permacultura apresentado nes-
ta publicação é o resultado de um processo
participado que incluiu a população da Aldeia
das Amoreiras na denição da visão para a al-
deia através dos sonhos. No entanto a construção
de um plano vai mais longe do que a denição
de uma visão. Para pôr em prática essa visão é
necessário transforma-la em objectivos
concretos e encontrar estratégias e desenhar as
funções e elementos para a pôr em prática. Para
implementar um plano são necessários recursos
que é preciso mobilizar para que tudo aconteça
e se possa celebrar.
O Centro de Convergência, através do pro-
jecto Aldeia das Amoreiras Sustentável, tentou
facilitar e promover a realização de todos estes
passos através das reuniões da aldeia de sonho,
depois das reuniões dos grupos de trabalho e con-
tinha uma proposta que não se chegou a realizar
em 2011/2012 que consistia na apresentação à
população da aldeia em assembleia, de um
conjunto diferente de cenários para o de-
senvolvimento da aldeia. Este projecto de
Permacultura foi desenhado para ser apresenta-
do nesse contexto. A observação da realidade da
motivação e formas de reunir da população da
Aldeia das Amoreiras indicou ao Centro de
Convergência que seria necessário reformular a
abordagem.
Uma abordagem para o design participativo de
permacultura para comunidades foi desenvolvido
por uma das mais proeminentes organizações de
promoção da permacultura em comunidades, o
Occidental Arts & Ecology Centre e tem como
objectivo incluir a população em todo o processo
de planeamento de permacultura. Pensamos que
o método pode ser facilmente adaptado para
comunidades rurais portuguesas com bons
resultados pelo que apresentamos sucintamente
os seus passos como possibilidade para o desen-
volvimento e implementação de um design de
permacultura para esta ou outra aldeia do país:
1. Bingo de Permacultura
2. Mapeamento dos sectores do local
3. Visão – brainstorm de elementos
4. Zoneamento – localização dos elementos
5. Apresentações de designs-rascunho
6. Discussão de design-composto
7. Design-nal, orçamentação, angariação de
fundos
Todo o processo utiliza mapas e elementos físi-
cos para suportar o trabalho em várias sessões
de trabalho divertido em grupo. Este tipo de
processo baseia-se em abordagens semelhantes
usadas e publicadas no contexto académico e
da cooperação e desenvolvimento local como o
Diagnóstico Rural Participativo, o Participatory
rural Appraisal, o Community-Based Planning,
entre outros.
Para este processo funcionar plenamente é
necessário previamente existir motivação,
necessidade, legitimidade, comprometimen-
to e pro-acção da comunidade para fazer e
implementar o design de permacultura para o
território. Os facilitadores de permacul-
tura tratam do resto: criar e manter um
processo inspirador, fácil, seguro, rápido e
gerador de resultados realistas e concretizáveis
que produzirão sustento económico, a
mbiental e social para todos os envolvidos.
A Perma-D, como grupo prossional de
designers de Permacultura, está disponível para
facilitar o processo de design de Permacultura
participativo com aldeias, vilas, freguesias, bair-
ros e grupos de trabalho.
DESIGN DE PERMACULTURA
PARTICIPATIVO
COM A COMUNIDADE
PROPOSTA 85
CONCLUSÃO
DA PROPOSTA
A aplicação das ideias propostas por um projecto
de Permacultura deve ser entendida num con-
texto de transição entre o agora e o ideal. Se as
soluções forem bem pensadas então elas, quan-
do experimentadas, irão germinar e orescer no
terreno da Aldeia das Amoreiras.
Se uma experiência não funcionar então ela será
útil para podermos aprender com o erro. A nossa
abundância é apenas limitada pela nossa criativi-
dade e criar soluções novas implica sempre lidar
com os erros. Observar bem e pensar bem antes
de fazer fazem parte do processo de planeamen-
to em Permacultura e é por acreditarmos nele
que zemos este esforço para facilitar o trabalho
de acção a quem pretende agir pelo futuro da
Aldeia das Amoreiras.
Esperamos que quem leia este projecto encontre
o tempo, a motivação e os recursos necessários
para experimentar algumas das soluções aqui
propostas e que sinta a conança e para as con-
siderar como um ponto de partida para melhorar,
adaptar, aprendendo com os erros e procurando
vericar se a aplicação dos princípios da Perma-
cultura ajuda de facto na procura de soluções
de sucesso. Uma coisa é certa: os exemplos de
sucesso reproduzem-se. E essa poderá ser uma
forma de avaliação das soluções aqui apresen-
tadas. Algumas têm-se reproduzido por todo o
mundo. Outras, quando adaptadas serão experi-
mentadas pela primeira vez numa aldeia.
Sugerimos assim manter o espírito aberto na pro-
cura de soluções de sucesso, não personalizando
o erro mas sim identicando na solução aplicada
qual é processo que precisa de ser melhorado.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
CONSIDERAÇÕES FINAIS 89
Este projecto de Permacultura é um plano
geral para o desenvolvimento sustentável de uma
aldeia com mais de quatro séculos de história,
plena de tradições, cultura, património, recursos
naturais e percursos construídos e desenvolvidos
ao longo do tempo. A densa rede de relações
sociais e história constituem o seu capital huma-
no e social, a razão de permanência no tempo
desta aldeia, em paralelo com a existência de
uma natureza que a suporta e nutre.
O futuro das aldeias em Portugal tem sido
ameaçado pelo abandono populacional e
pela desvalorização da agricultura. Cabe aos
governos centrais e regionais mas também às
populações locais e às freguesias e municípios
e universidades e associações, encontrar a
forma de inverter o processo de abandono das
aldeias. As aldeias são de uma extrema
importância para Portugal porque a boa gestão dos
recursos naturais depende de uma
gestão de proximidade em que as pes-
soas cuidam das suas terras. E porque as
aldeias são os museus vivos onde se guar-
da o conhecimento e o património históri-
co e cultural do país. E porque as aldeias
são comunidades pequenas onde podemos
ensaiar como é possível vivermos de forma
sustentável neste planeta.
Se não conseguirmos encontrar as soluções para
viver de forma sustentável numa aldeia como
podemos encontrar para uma cidade?
Foi um projecto feito com muito carinho e como
uma dádiva à população da Aldeia das Amoreiras
mas também como uma dádiva a todos e todas
aqueles e aquelas que se preocupam o futuro das
aldeias de Portugal e com o futuro da nossa na-
tureza que pode ser produtiva se bem cuidada
por nós de perto. O Alentejo e Portugal precisam
de pessoas como as da Aldeia das Amoreiras, que
não desistem e cam no seu território por amor
e por responsabilidade, cuidando da terra e das
suas gentes, muitas vezes sem saber bem porquê
mas sabendo que sim. Que este é o seu lugar,
para viver um presente e um futuro bonito com
os seus e com quem vier por bem.
A todos vós oferecemos este trabalho, que espe-
ramos que sirva de inspiração e de fonte de mais
ideias e muitas acções por um mundo melhor à
nossa volta.
ANEXO
ANEXO 92
10 PRINCÍPIOS
DE PLANEAMENTO
DE PERMACULTURA
Através de dez Princípios de Planeamento de Per-
macultura pretendemos dar exemplos práticos,
actuais e possíveis. Explicamos estas soluções
segundo as funções previamente identicadas
e necessárias à sustentabilidade da Aldeia das
Amoreiras.
1. POSIÇÃO RELATIVA
EXEMPLO A
O Texas e o Rossio Bar que servem a população
estão posicionados no centro da Aldeia, na estra-
da para Ourique, perto do cruzamento de várias
ruas. O acesso é bastante equidistante para to-
dos os habitantes. O local é fácil de encontrar
para os fornecedores. Ambos cumprem muitas
funções.
EXEMPLO B
As capoeiras com galinhas e pombos junto das
habitações, são alimentadas com os restos
vegetais da horta, da cozinha, de comida, etc.
Os ovos são fáceis de colectar várias vezes por
dia. O estrume está acessível e a adição de
matéria seca pode ser frequente a partir das
folhas das árvores, parreiras. As galinhas estão
mais seguras contra predadores como as raposas,
ginetas, e ladrões.
EXEMPLO C
Os limoeiros estão posicionados muito junto de
paredes da casa expostas a sul. Durante a noite
as paredes libertam calor acumulado durante o
dia e assim estão mais protegidos contra os efei-
tos das geadas. Estão perto quando são precisos
e podem ser regados com água de lavar a louça,
dos banhos.
Limoeiro e Laranjeira enxertados na mesma árvore,
na Aldeia das Amoreiras.
ANEXO 93
Um elemento pode ser uma planta, um animal,
uma estrutura física, social ou natural, um even-
to ou actividade, ou uma pessoa. Isto quer dizer
que devemos escolher ou criar elementos que são
multifuncionais.
EXEMPLO A
O Texas Bar tem várias funções: ser espaço para
socialização das pessoas, vender bebida e comi-
da, refeições e banquetes por encomenda, enco-
mendar e depósito do pão, informar: cartazes,
televisão, comunicações pessoais, exibição de
lmes, pagar a conta da água.
EXEMPLO B
As parreiras posicionadas diante/sobre o pátio da
casa servem para produzir uvas/passas de uva/
vinho/aguardente/composto do bagaço e sombra
acolhedora durante o Verão, deixando passar a
luz no Inverno. Também produz folhas para os
animais comerem ou misturar com o estrume.
EXEMPLO C
Cada actividade da agricultura (sementeira,
colheitas, vindimas, apanha da azeitona) tem
várias funções:
– São parte da maneira de produzir alimentos,
estrume, alimento para os animais;
- Servem para ensinar e aprender as técnicas
usadas;
– Servem para estar com a família, com os ami-
gos, contacto entre gerações,
– São espaço para aprendermos sobre a história e
as tradições locais de hoje e antigamente.
2. CADA ELEMENTO
DESEMPENHA VÁRIAS
FUNÇÕES
O Texas Bar.
ANEXO 94
As funções estão relacionadas necessidades es-
senciais das pessoas, dos animais, das plantas ou
dos processos de produção.
EXEMPLO A
Elementos que servem para obter alimentos:
– Canteiros com plantas comestíveis, aromáticas
e medicinais junto de casa; Plantas selvagens
comestíveis; Hortas; Pomares com a maior varie-
dade de árvores possível, para ter fruta durante
todo o ano; Bosques para produção de cogume-
los.; Criar aves, animais e peixes; Caçar de forma
equilibrada com a reprodução das espécies; Uma
mercearia; Uma cantina ou um restaurante; Um
café ou bar.
EXEMPLO B
Estarem acessíveis diferentes meios de trans-
porte na aldeia: automóvel, carrinhas, tracto-
res e reboques, bicicletas, machos e carroças,
cavalos, autocarro público, táxi, ambulância.
EXEMPLO C
Elementos que servem para socializar e apren-
der:
– Espaços nas ruas com sombras no Verão e Sol no
Inverno, com cadeiras ou assentos;
– Escolas domésticas, comunitárias e públicas ou
privadas com diferentes níveis de ensino;
– Ter espaços de convívio privados como cafés ou
bares;
– Festas e celebrações; Eventos de formação;
– Actividades de trabalho voluntário, da agricul-
tura familiar,
– Estágios prossionais.
3. CADA FUNÇÃO
É DESEMPENHADA
POR VÁRIOS ELEMENTOS
Voluntário e pessoas da Aldeia pintando paredes das
habitações.
ANEXO 95
4. PLANEAR
A EFICIÊNCIA ENERGÉTICA
EXEMPLO A
Ter a horta, as árvores de fruto e as pequenas
capoeiras junto de casa e plantar o que é colhido
todos os dias o mais perto possível (ervas condi-
mentares, limoeiros, plantas para saladas, etc).
EXEMPLO B
Ir a Ourique e a Odemira e aproveitar também
para fazer recados para os vizinhos.
EXEMPLO C
Construir casas, com paredes largas, em taipa no
Alentejo, é mais fresco no Verão e menos frio no
Inverno.
Ruína de casa com paredes de taipa em cima e
pedra em baixo.
ANEXO 96
5. USAR RECURSOS
BIOLÓGICOS
EXEMPLO A
Usar lenha e ramos das podas para aquecimento.
EXEMPLO B
Usar burros para mobilizar os solos e semear, pro-
duzir estrume e para transportar.
EXEMPLO C
Em vez de tractores e moto-roçadoras, usar as
cabras e as galinhas para limpar ervas e semen-
tes daninhas e porcos para mobilizar o solo.
Porcas e leitões pastando na várzea da Aldeia.
ANEXO 97
6. MÁXIMA DURAÇÃO
E USO
EXEMPLO A
Usar um automóvel de forma cuidadosa no sen-
tido de evitar os acidentes, poupar combustível,
minimizar as idas ao mecânico, mudança de
pneus, de travões, etc.
EXEMPLO B
Caiar as paredes das casas de dois em dois anos
para minimizar a degradação e não sejam ne-
cessários investimentos maiores de manutenção
ou reparação.
EXEMPLO C
Plantar e enxertar as espécies de árvores mais
resistentes às doenças e que produzem durante
mais anos. Partilhar as sementes tradicionais,
replicar árvores por estaca ou semente e dar ou
vender para outras regiões.
Casa da Sociedade Recreativa caiada por
voluntários em 2010.
ANEXO 98
7. INTENSIVO
EM PEQUENA ESCALA
EXEMPLO A
Uma horta e pequeno pomar perto da casa, que
inclui também:
– Espaço de socialização e recreio das crian-
ças; máximo variedade de plantas comestíveis,
aromáticas e medicinais; uma pequena capoeira;
produção de estrume e composto;
– Guardar sementes das colheitas para plantar no
próximo ano; local com sobra e corrente de ar
para guardar as cebolas e os alhos; tanque para
lavar a roupa, usar a água de lavar a louça, rou-
pa, cozinha, banhos para regar horta e pomar;
Tanque para guardar água da chuva dos telhados.
EXEMPLO B
O Mercado da Aldeia, para todos terem a opor-
tunidade de comprar e vender produtos caseiros,
plantas germinadas, árvores, artesanato, coisas
em segunda mão, para divulgar informação, para
socializar, diversão, etc.
EXEMPLO C
Máxima utilização do espaço horizontal e vertical
nos pátios das casas com árvores, ores e plantas
comestíveis. Plantar em conjunto girasol, milho,
feijão e abóbora. O Mercado da Aldeia no Largo da Amoreira.
ANEXO 99
8. ACELERAR A EVOLUÇÃO
E O DESENVOLVIMENTO
EXEMPLO A
Melhorar o solo colocando estrume e composto
no solo para cultivar plantas e árvores mais exi-
gentes em termos de fertilidade do solo.
EXEMPLO B
Plantar sobreiros, medronheiros e pinheiro man-
so. Pastorear cabras e porcos no montado.
EXEMPLO C
Reuniões de moradores na Aldeia das Amoreiras
para convívio e criar soluções para os sonhos.
Reunião e convívio de moradores na rua e debaixo
da gueira.
ANEXO 100
9. DIVERSIDADE
EXEMPLO A
O Centro Social na Aldeia das Amoreira actua de
diversas formas:
– Dinamizador socioeducativo, cultural e
económico na aldeia e montes ao redor;
– Ponto de venda de artesanato; Local para troca
de produtos em segunda mão (roupas, etc.);
– Pequena biblioteca pública;
– Cantina para os sócios;
– Espaço de celebrações, eventos e actividades
formativas;
– Máquina de lavar roupa para uso comunitário;
– Pólo de recepção e envio de Voluntários pelo
Serviço Voluntário Europeu;
– Centro de Internet Grátis; Serviço de fotocópias,
fax e impressão; Carregamento de telemóveis;
– Consultas de Enfermagem,
– Aulas de Português; Aluguer de bicicletas;
Acompanhamento extracurricular; Produção de
lmes sobre a Aldeia.
EXEMPLO B
Diversidade de pessoas que vivem e visitam a
Aldeia das Amoreiras e o Centro Social. Diversi-
dade no tipo de actividades, ocinas e eventos
do Centro De Convergência.
EXEMPLO C
Cultivo da maior variedade de plantas e árvores
úteis para a alimentação das pessoas e dos ani-
mais.
Capa do lme “O Mestre da Cortiça”.
ANEXO 101
10. MELHOR EFEITO
DAS MARGENS
EXEMPLO A
As colmeias estão colocadas na margem entre o
campo aberto e a oresta. Beneciam da cor-
rente de ar ameno que vem do bosque e estão
perto do campo aberto onde há mais ores.
EXEMPLO B
Semear e plantar na Primavera e no Outono.
Semear e plantar na margem entre muito seco
e muito molhado: antes do tempo frio e muito
molhado e depois do tempo quente e seco.
EXEMPLO C
Apoiar e cooperar com as instituições que
trabalham com reclusos, doentes, situações de
delinquência e situações sociais não valorizadas
pela cultura e modelo económico dominante.
Colmeias à sombra dos sobreiros. Fonte: http://
montedomel.blogspot.com/2010/08/transuman-
cia-2010.html
REFERÊNCIAS
DIAGNÓSTICO 105
REFERÊNCIAS
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Universidade de Évora, Direcção Geraldo
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Ref. 4: Vizinho, A. (2007b). O Desenvolvimento
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press.com/designpermacultura/
Ref. 11: http://holisticmanagement.org/
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Ref. 13: Website http://transicaoportugal.net/
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Ref. 15: Filme documentário “Aldeia de Sonho -
parte 1” http://vimeo.com/18727305/
Filme documentário “Aldeia de Sonho - parte 2”
http://vimeo.com/22614626/
“NÓS, NA ALDEIA DAS AMOREIRAS, ASSUMIMOS
A RESPONSABILIDADE PELA PERMANÊNCIA DA
NOSSA TERRA, PELA REGENERAÇÃO DA NOSSA
PAISAGEM, PELA CONCRETIZAÇÃO DOS NOSSOS
SONHOS E POR CUIDAR DAS NOSSAS GENTES,
COOPERANDO COM A NATUREZA E COM QUEM
ESTÁ À NOSSA VOLTA.
CONSTRUÍMOS, HOJE, A FELICIDADE E O
SUSTENTO DA NOSSA COMUNIDADE.
VALORIZAMOS E PARTILHAMOS A NOSSA
EXPERIÊNCIA, CELEBRANDO A VIDA, A AMIZADE
E O AMOR.”
Visão PERMA-D para a
Aldeia das Amoreiras,
2010
A Permacultura surge como uma abordagem ética,
uma ferramenta de design e um conjunto de soluções
práticas, que permitem viabilizar a sustentabilidade
ecológica, social e económica, para pessoas,
comunidades e territórios.
Este plano geral de Permacultura para a Aldeia das
Amoreiras consiste numa visão e planeamento
integrado para o sistema de uma aldeia, que inclui
sicamente o seu aglomerado urbano e a sua
paisagem envolvente, até ao limites das
povoações vizinhas.











