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Anais do II Congresso Brasileiro de Rochagem (coletânea de vários autores)

Authors:
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II CONGRESSO BRASILEIRO DE ROCHAGEM
12 A 17 DE MAIO DE 2013 – POÇOS DE CALDAS/MINAS GERAIS
Anais do
II Congresso
Brasileiro de
Rochagem
Poços de Caldas - MG
2013
Editores
Suzi Huff Theodoro
Eder de Souza Martins
Marcus Manoel Fernandes
André Mundstock Xavier de Carvalho
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II CONGRESSO BRASILEIRO DE ROCHAGEM
12 A 17 DE MAIO DE 2013 – POÇOS DE CALDAS/MINAS GERAIS
Ficha catalográca preparada pela Seção de Catalogação e
Classicação da Biblioteca UFV - Campus de Rio Paranaíba
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II CONGRESSO BRASILEIRO DE ROCHAGEM
12 A 17 DE MAIO DE 2013 – POÇOS DE CALDAS/MINAS GERAIS
Nota do Comitê organizador
É crescente o reconhecimento e o interesse despertado pela prática
da rochagem em função de resultados obtidos por várias instituições de
pesquisa e fomento que conrmam os resultados alcançados em diversos
testes em laboratório, a campo e em áreas demonstrativas, em substituição ou
complementação aos fertilizantes convencionais. A tecnologia da rochagem
já é uma realidade em muitos sistemas de produção agrícola sustentável
em diversos estados brasileiros, especialmente em meio aos agricultores
familiares, uma vez que atende a três pressupostos importantes, quais sejam:
(i) conformidade com os princípios agroecológicos; (ii) produtividades
compatíveis e equiparáveis aos fertilizantes convencionais e (iii) facilitação
na recuperação dos solos tropicais degradados.
Neste sentido, tornou-se imperativo voltar a discutir o tema da
rochagem no Brasil. Transcorridos três anos desde a primeira edição do
Congresso Brasileiro de Rochagem, a realização de uma segunda edição
teve, portanto, o intuito de consolidá-lo como um evento periódico, que tem
a função de fomentar o debate e a difusão da tecnologia da rochagem como
uma opção para apoiar o desenvolvimento agrícola sustentável do Brasil.
O II Congresso Brasileiro de Rochagem – II CBR voltou-se para o
aprofundamento do debate cientíco e tecnológico do uso de rochas, minérios
e minerais pulverizados para a remineralização dos solos, mas, também,
para o estabelecimento de um marco normativo que possibilite a obtenção
de registro e comercialização de produtos derivados de rochas moídas.
Neste contexto, o evento teve a função de incentivar o aprofundamento das
pesquisas e contextualizar o estado da arte em que está sendo discutido e
construído o marco cientíco e legal da tecnologia de rochagem no país, bem
como a sua contribuição à produção sustentável de alimentos. Buscou-se
igualmente abordar quais são as rotas tecnológicas possíveis para viabilizar
a necessária interligação entre o setor mineral e agrícola, já que o primeiro
pode se converter em uma excelente fonte de materiais passíveis de uso no
segundo, em função do extenso potencial de recursos minerais, distribuídos
em todo o território nacional. Assim, nessa segunda edição, introduziu-se
a discussão sobre a estruturação de arranjos produtivos locais, de base
agrícola-mineral, como instrumento de organização coletiva da produção e
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II CONGRESSO BRASILEIRO DE ROCHAGEM
12 A 17 DE MAIO DE 2013 – POÇOS DE CALDAS/MINAS GERAIS
disseminação da tecnologia da rochagem na agricultura e pecuária nacional,
em associação com áreas de extração de recursos minerais.
Dessa forma, os principais objetivos do Congresso estiveram
relacionados às seguintes questões: (i) subsidiar a formulação de políticas
públicas relacionadas à tecnologia da rochagem, como forma de estabelecer
estratégias de ação para a regulamentação do registro e comercialização de
pós de rocha (remineralizadores) como fonte de nutrientes; (ii) consolidar
o potencial do uso de pós de rocha como mecanismo de remineralização/
rejuvenescimento de solos degradados; (iii) incentivar a formação de
uma rede (ou associação) de pesquisadores e empresas envolvidas com a
comercialização de rochas moídas.
O II Congresso Brasileiro de Rochagem ocorreu na cidade de
Poços de Caldas, em Minas Gerais, no período de 12 a 17 de maio de
2013. Despertou interesse de inúmeras categorias de prossionais e de
instituições públicas e privadas. Tal representatividade ca explícita com
a amplitude de pesquisadores das universidades presentes. Foram cerca
de vinte Universidades e Institutos Federais Brasileiros, entre as quais se
citam: Universidade de Brasília – UnB; Universidade Federal de Viçosa/
Campus de Rio Paranaíba – UFV; Universidade de São Paulo – USP/Escola
Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” – ESALQ/USP; Universidade
Federal de Minas Gerais – UFMG; Universidade Federal do Rio Grande
do Sul – UFRGS; Universidade Federal de Pelotas – UFPEL; Universidade
Federal do Espírito Santo - UFES; Universidade Federal do Rio de Janeiro
– UFRJ; Universidade Federal Fluminense - UFF; Universidade Federal de
Uberlândia – UFU; Universidade do Tocantins - UNITINS; Universidade
Estadual de Goiás - UEG, Universidade Vale do Rio Doce – UNIVALE,
Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC; Universidade de
Passo Fundo - UPF; Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS;
Universidade Estadual Paulista/Campus de Botucatu - UNESP; Centro
Universitário La Salle – UNILASALLE; Instituto Federal de Educação,
Ciência e Tecnologia de Brasília/Campus Planaltina - IFB, Instituto Federal
de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro/Campus Nilópolis –
IFRJ e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano/Campus
Rio Verde – IFGOIANO.
Além dessas Instituições, pesquisadores de três Unidades da Embrapa,
de quatro Superintendências do Serviço Geológico do Brasil – CPRM
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12 A 17 DE MAIO DE 2013 – POÇOS DE CALDAS/MINAS GERAIS
e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - SENAI - enviaram
técnicos para apresentar os resultados de suas pesquisas. A Petrobras, o
Departamento Nacional de Produção Mineral - DNPM e o SESI SENAI
também participaram das atividades cientícas do II CBR.
Atentos às novas demandas do País na questão dos fertilizantes,
representantes de várias áreas do Governo Federal também participaram
do Congresso, em especial os Ministérios de Minas e Energia - MME, da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA e da Ciência, Tecnologia
e Inovação – MCTI.
Apesar de o evento ter um caráter nacional, houve a participação e
apresentação de trabalhos de pesquisadores internacionais das Universidades
de Yaoundé (Camarões), Guelph (Canadá), New Castel (Reino Unido)
e representantes (pesquisadores, ativistas ambientais ou empresários) de
Uganda, dos Estados Unidos e do Paraguai.
Nesta segunda edição, a organização do Congresso buscou atender
um público mais diversicado, incluindo prossionais de Geociências,
Ciências Agrárias, Biotecnologia, Economia, Direito e Segurança Alimentar,
bem como de pessoas ou grupos interessados em métodos alternativos e
sustentáveis de produção agrícola (produção orgânica ou agroecológica).
Além disto, incentivou a participação de estudantes, educadores, agricultores
familiares e agroecológicos.
Para tanto, realizou um concurso de redação sobre o tema, sendo que o
público alvo - estudantes de graduação - deveria discorrer sobre a importância
da rochagem no contexto das novas tecnologias e de oportunidades de
pesquisa. Os estudantes, Fernanda de Paula Medeiros e Caio César Vieira
Sampaio, foram os vencedores do concurso e receberam, como prêmio,
certicados e a cobertura de todos os gastos para participar do evento. As
duas redações também estão publicadas nos Anais.
Obviamente a realização de um evento com essas pretensões
precisou de apoio, nanciamento e patrocínio de diversas instituições. O
amplo espectro de patrocinadores mostra que o tema já desperta interesse
de pequenas e grandes companhias brasileiras, entre as quais destacamos
a Mineração Curimbaba, a Petrobras, a Vale Fertilizantes e a Galvani
Mineração. Além dessas Companhias, o II CBR teve o apoio e patrocínio das
Superintendências do Serviço Geológico do Brasil - CPRM, da Secretaria
de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas
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II CONGRESSO BRASILEIRO DE ROCHAGEM
12 A 17 DE MAIO DE 2013 – POÇOS DE CALDAS/MINAS GERAIS
e Energia - SGM/MME, do Departamento Nacional de Produção Mineral
- DNPM, da Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do
Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação - SETEC/MCTI e da Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa. Além destas Instituições, o
apoio e a organização do Evento, mediante o envolvimento de pesquisadores
e professores das Universidades de Brasília e de Viçosa/Campus de Rio
Paranaíba e do Centro de Tecnologia SENAI CETEC, credenciou ainda
mais o Congresso. A GSC Eventos Especiais foi a responsável pela gestão
e organização do Congresso em Poços de Caldas.
Ao nal do II Congresso de Rochagem avaliou-se que os resultados
foram positivos e profícuos, já que os participantes mencionaram que o
evento foi um fórum privilegiado, onde se contou com a apresentação de
trabalhos de investigação técnico-cientícos inéditos, bem como de troca
de informações e intercâmbio de conhecimentos na área da rochagem.
Importante destacar que foram aceitos para publicação cerca de 70 trabalhos
cientícos, dos quais 34 foram selecionadas para apresentação oral, 23 na
forma de pôster e quatro para apresentação na Mesa Redonda, que tratou
a normatização do tema no arcabouço jurídico brasileiro. Desse total, o
Comitê Cientíco selecionou 40, que estão publicados na forma expandida
na presente edição dos Anais do Congresso.
Para a execução do Congresso foram criados os seguintes Comitês,
os quais foram constituídos por professores, pesquisadores e técnicos de
diversas Instituições e por gestores públicos:
Comitê Gestor
Suzi Huff Theodoro - Petrobras/ Universidade de Brasília/UnB -
Coordenadora
Elzivir Azevêdo Guerra - Secretaria de Geologia, Mineração e
Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia - SGM/MME
– Vice-Coordenador
Tássia de Melo Arraes - Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico do
Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação - SETEC/MCTI
Cristina Ferreira Correia Silva Secretaria de Desenvolvimento
Tecnológico do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação - SETEC/
MCTI
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12 A 17 DE MAIO DE 2013 – POÇOS DE CALDAS/MINAS GERAIS
David Fonseca Departamento Nacional de Produção Mineral - DNPM
Éder de Souza Martins - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
- Embrapa Cerrados
Enir Sebastião Mendes - Secretaria de Geologia, Mineração e
Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia - SGM/MME
Marisa Bezerra de Mello Monte Centro de Tecnologia Mineral -
CETEM
Hideraldo Coelho - Departamento de Fiscalização de Insumos Agrícolas,
do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA
Ruben Sardou Filho – Serviço Geológico do Brasil – CPRM
Oliveira A. Cavalcante – Serviço Geológico do Brasil – CPRM
Magda Bergmann – Serviço Geológico do Brasil – CPRM
Comitê Executivo
Marcus Manoel Fernandes - Serviço Nacional de Aprendizagem
Industrial/Centro de Tecnologia SENAI CETEC – SENAI DR-MG -
Coordenador
André Mundstock X. de Carvalho - Universidade Federal de Viçosa/
Campus de Rio Paranaíba - UFV – Vice-Coordenador
Rafael Curimbaba – Mineração Curimbaba
Comitê Técnico-Cientíco
Éder de Souza Martins – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária/
Embrapa Cerrados - Coordenador
Adão Benvindo da Luz - Centro de Tecnologia Mineral CETEM/MCTI
Álvaro Vilela de Resende – Embrapa Milho e Sorgo
Andrea Rizzo - Centro de Tecnologia Mineral – CETEM/MCTI
Carlos Augusto Posser Silveira Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária/ Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária/Embrapa
Clima Temperado
Irene Maria Cardoso – Universidade Federal de Viçosa -UFV
Léo Afraneo Hartmann Universidade Federal do Rio Grande do Sul
-UFRGS
Magda Bergmann – Serviço Geológico do Brasil - CPRM
Marisa Monte - Centro de Tecnologia Mineral – CETEM/MCTI
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12 A 17 DE MAIO DE 2013 – POÇOS DE CALDAS/MINAS GERAIS
Othon Leonardos – Universidade Ed Brasília - UnB
Peter van Straaten – Universidade de Guelph
Rosemary Hoff – Embrapa Uva e Vinho
Suzi Huff Theodoro – Petrobras/Universidade de Brasília -UnB
Realização
Gisele Correa Ferreira - Diretora
Fabio Costa - Coordenador de Eventos
O III Congresso Brasileiro de Rochagem – III CBR ocorrerá no ano
de 2016, no estado do Rio Grande do Sul.
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12 A 17 DE MAIO DE 2013 – POÇOS DE CALDAS/MINAS GERAIS
SUMARIO
Plantas, micorrizas e microbiota do solo na disponibilização de
nutrientes de pós de rocha. André Mundstock Xavier de Carvalho,
Daniely de Cássia Deliberali, Maurício Dutra Costa & Irene Maria
Cardoso.
13
Desempenho agronômico de fontes minerais e orgânicas de nutrientes
para as culturas de milho e trigo Adilson Luís Bamberg, Carlos Augusto
Posser Silveira, Rosane Martinazzo, Magda Bergmann, João Angelo
Toniolo, Matheus Farias Grecco & Mariana da Luz Potes
24
Efeito do uso da técnica de rochagem e adubação orgânica em solos
tropicais Suzi Huff Theodoro, Othon Henry Leonardos, kleysson Garrido
Rego, Fernanda de Paula Medeiros; Neodir Luiz Talini, Francisca dos
Santos & Maria Neuza da Silva Oliveira.
32
Ação de microorganismos em de basalto Lucas Dressano Pereira
da Silva, Antonio Carlos de Azevedo
& Raul A. Filho.
43
Associação da compostagem ao processo de rochagem visando à
liberação de potássio Roberto Carlos da Conceição Ribeiro, Ramires
Ventura Machado, Felipe Vaz Andrade
& Maria Maiara Cazotti
51
Uso de de rocha como condicionador de solos e fertilizante em
cultura de cana de açúcar Nayra Thaís Ferreira Batista, Vilmar Antonio
Ragagnin, Claudia Adriana Görgen, Éder de Souza Martins, Antonio
Alexandre Bizão, Lucas Ferreira de Morais, Eduardo Hack, Andrea Luiza
Görgen Marques, Raquel dos Santos Carvalho, Luana Bispo de Assis,
Evanielle Clerici Arruda
58
Which rocks for which crops? Ecophysiological and geological factors
Peter van Straaten
65
Why do crushed silicate rock fertilisers sometimes not work? David
Manning
74
Fertilizing ferralitic soils in Cameroon using basalt powder from
the Cameroon Volcanic Line: an application with maize farming
in south Cameroon Arliane Nicole Tetchou Tchekambou, Jean Pierre
Tchouankoue, Monique Abossolo Angue, Christophe Ngansop & Suzi
Huff Theodoro
82
The Potential Of Remineralization As A Global Movement
Joanna Campe
91
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12 A 17 DE MAIO DE 2013 – POÇOS DE CALDAS/MINAS GERAIS
Efeito de rochas moídas e torta de tungue sobre a concentração e
acumulação de nutrientes na parte aérea de plantas de milho (zea
mays) Matheus Farias Grecco, Adilson Luís Bamberg, Mariana da
Luz Potes, Raquel Louzada, Carlos Augusto Posser Silveira, Rosane
Martinazzo
& Magda Bergmann
101
Avaliação do uso de pó de rocha no desempenho de duas variedades
de mandioca de mesa Fernanda Pereira de Souza, Eder de Souza Martins,
Luise Lottici Krahl, Eduardo Alano Vieira, Joseno de Freitas Fialho
&
Gabriel Soares Ribeiro
109
Correção de acidez de solo utilizando resíduos da indústria de rochas
ornamentais Valério Raymundo, Mirna A. Neves Marcos S. N. Cardoso,
Izaias S. Bregonci, Julião S. S. Lima & Arthur B. Fonseca
115
Desaos em Soberania e Segurança Alimentar: A Utilização da
Rochagem como Fonte Alternativa e Sustentável Luana Bispo de Assis,
Nayra Thaís Ferreira Batista, Vilmar Antonio Ragagnin, Claudia Adriana
Görgen, Éder de Souza Martins, Antonio Alexandre Bizão, Lucas Ferreira
de Morais, Eduardo Hack, Andrea Luiza Görgen Marques, Raquel dos
Santos Carvalho & Evanielle Clerici Arruda
125
Produção de fertilizante organomineral a partir de resíduos
agroindustriais e rejeitos minerais Juliana Mariano Alves, Fred Newton
da Silva Souza, Candice Colombo dos Santos, Marcus Henrique M. Silva
& Aliandeson P. Santana
133
Potencial de Agrominerais no Escudo do Rio Grande do Sul João
Angelo Toniolo, Giovani Parisi, Magda Bergmann, Carlos Augusto Posser
Silveira, Adilson Luís Bamberg, Rosane Martinazzo & Matheus Grecco.
141
Rochagem no sul do dos estados do Maranhão e Piauí Valter José
Marques & Suely Serfaty Marques
149
Potencial para rochagem de rochas sedimentares da bacia do
amazonas no Pará Firmino C. Correia Jr., Marcelo Lacerda Vasquez
160
Basaltos amigdalóides à Zeólitas da Formação Serra Geral da Bacia
do Paraná: potencial para uso agronômico Magda Bergmann , Carlos
Augusto Posser Silveira, Rodrigo Bandeira, Adilson Bamberg, Rosane
Martinazzo &
Matheus Grecco
168
Viabilidade do uso de de rocha como fonte alternativa de nutrientes
no estado do Tocantins Fred Newton da Silva Souza, Juliana Mariano
Alves, Leonel Moreira Nascente & Marcondes Martins.
181
Representação de dados litoquímicos em rochas vulcânicas da
formação Serra Geral da Bacia do Paraná Magda Bergmann, Carlos
Augusto Posser Silveira, Rodrigo Bandeira, Adilson Luís Bamberg,
Rosane Martinazzo
&
Matheus Farias Grecco
190
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12 A 17 DE MAIO DE 2013 – POÇOS DE CALDAS/MINAS GERAIS
Estudo da cinética de liberação de potássio contido no ogopitito da
Bahia Silvia França, Célia Maria machado Ronconi e Adriana de Aquino
Soeiro da Silva
200
Avaliação Econômica do Uso da Rochagem em Lavoura Comercial
no Sudoeste Goiano Antonio Alexandre Bizão, Eduardo Hack, Nayra
Thaís Ferreira Batista, Claudia Adriana Görgen, Vilmar Antonio Ragagnin,
Éder de Souza Martins,Lucas Ferreira de Morais, Andréa Luiza Görgen
Marques, Raquel dos Santos Carvalho &, Luana Bispo de Assis
212
Caracterização de um resíduo da mineração de rocha vulcânica ácida
e avaliação do seu potencial de liberação de nutrientes para rochagem
Claudete Gindri Ramos, Marcos L. S. Oliveira, Andréia Gislaine de Mello,
Jéssica Maria Gregory Nunes, Cristiane Oliveira Rodrigues
& Rubens
Müller Kautzmann
220
Rochagem de solos agrícolas empregando se resíduos da indústria
extratora de geodos de ametistas e ágatas, Rio Grande do Sul Clarissa
Trois Abreu, Edson Campanhola Bortoluzzi, Léo Afraneo Hartmann &
Juliano Tonezer da Silva
230
Avaliação de diferentes doses de granodiorito como fonte de
potássio na cultura da amora preta Ricardo Milech, Felipe Cassalha
Schneider, Carlos Augusto Posser Silveira,
Adilson Luís Bamberg, Rosane
Martinazzo, Magda Bergmann, Mariana da Luz Potes
237
Seletividade teórica dos basaltos amigdaloides à zeolitas do RS
para os cátions NH
4
+
, K
+
, Ca
+2
e Mg
+2
Rodrigo José Bandeira, Rosane
Martinazzo, Magda Bergmann, Carlos Augusto Posser Silveira, Adilson
Luís Bamberg
& Matheus Farias Grecco
246
Uso do rejeito da mineração de esmeraldas da província esmeraldífera
entre Itabira Nova Era MG, como fornecedor de nutrientes a solos
agrícolas Amando P.Aguiar, Adolf Henrich Horn, Alexandre Sylvio
Vieira da Costa & José Maria Leal
255
Identicação de minerais do grupo das zeólitas por espectroscopia
de reectância Ana Paula Justo, Magda Bergmann, Rosemary Hoff &
Mônica Mazzini Perrotta
265
Efeito da Aplicação do de Rocha Na Recuperação de Uma
Pastagem Cultivada Fernanda Pereira de Souza, Robélio Leandro
Marchão, Eder de Souza Martins, Luise Lottici Krahl, Gabriel Soares
Ribeiro, Luiz Fernando dos Santos & Sandro M. Carmelino Hurtado
275
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12 A 17 DE MAIO DE 2013 – POÇOS DE CALDAS/MINAS GERAIS
Sistema de Informações Geográcas como Contribuição à Utilização
de de Rocha Oriundo da Formação Serra Geral em Áreas de
Indicações Geográcas Vitivinícolas no Brasil Rosemary Hoff, Magda
Bergmann, André Rodrigo Farias &
Rudi César Comiotto Modena.
282
Rochagem com o fonolito para cana planta Ivaniele Nahas Duarte,
Gaspar Henrique Korndörfer, Hamilton Seron Pereira & Douglas da
Silva Santos
292
Avaliação do desempenho do fonolito via mineral e no enriquecimento
da torta de ltro em soqueira de cana-de-açúcar Pedro Henrique de
Cerqueira Luz, Celso Eduardo Bonafé Peres, Minoru Yasuda, Marcos
Roberto Ferraz, Reginaldo Aparecido Casadei
& Leonardo Lunardi
301
Eciência residual de rocha fonolito moída nas sucessões de culturas
soja-trigo-milho e milho-milheto-soja Rogério Peres Soratto & Carlos
Alexandre Costa Crusciol
312
Avaliação do desempenho do fonolito via mineral em laranjeiras
adultas Danilo Franco, Minoru Yasuda, Rafael Curimbaba Ferreira,
Leandro Aparecido Fukuda & Rafael Trombin Ferracini
321
Eciência de rocha fonolito moída como fonte de potássio para as
culturas do arroz, feijão, milho e soja Carlos Alexandre Costa Crusciol
&Rogério Peres Soratto
327
Rocha fonolito moída como fonte de potássio para cultura do café
arábica Mauricio Antonio Cuzato Mancuso, Rogério Peres Soratto,
Matheus Gabriel Palhano &, Carlos Alexandre Costa Crusciol
338
Pós de rochas como fonte de potássio para uso agrícola em argissolos
vermelhos Augusto Friederichs, Álvaro Luiz Mafra; Jaime Antonio de
Almeida; Luiz Paulo Rauber & Andréia Patricia Andrade
351
Uso de de rocha para tratamento físico químico de euentes
Auxipó Rodrigo Augusto Franco de Oliveira Zawadzki, Alessandra Rosa
Vieira, Francisco Soveral Zanella & Patricia Barbosa dos Santos
359
Proposta de classificação de rochas silicáticas como fontes de
nutrientes e condicionadores de solo Eder de Souza Martins
368
Normatização do uso dos remineralizadores: limitações e perspectivas
Suzi Huff Theodoro
379
Regulamentação de fertilizantes no MAPA Hideraldo Coelho, Rubim
Almeida Gonczarowska & Mariana Coelho de Sena
388
Normas de autorização do DNPM David Siqueira Fonseca
392
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12 A 17 DE MAIO DE 2013 – POÇOS DE CALDAS/MINAS GERAIS
PLANTAS, MICORRIZAS E MICROBIOTA DO
SOLO NA DISPONIBILIZAÇÃO DE NUTRIENTES
DE PÓS DE ROCHA
André Mundstock Xavier de Carvalho
1
Daniely de Cássia Deliberali
2
Maurício Dutra Costa
3
Irene Maria Cardoso
4
Resumo
A busca por uma alternativa social, ambiental e economicamente
mais vantajosa às fontes convencionais de nutrientes faz do estudo do
potencial de rochas silicatadas para emprego na agricultura especialmente
importante. Além disso, no Brasil tem havido uma revalorização da rochagem
impulsionada pela situação de dependência estrangeira por fontes solúveis
de nutrientes, o que gera demandas crescentes por pesquisas. No entanto,
alguns trabalhos têm sido realizados em ambientes controlados simplicados,
negligenciando a ação de organismos do solo, de fungos micorrízicos ou
mesmo da planta sobre a magnitude da disponibilização de nutrientes pelas
rochas. Neste sentido, conhecer o papel da planta, da microbiota do solo e
dos fungos micorrízicos arbusculares na disponibilização de nutrientes de
pós de rocha pode ser importante na seleção de práticas ou manejos de solo
e cultura visando melhorar a utilização dessas fontes. O objetivo principal
do trabalho foi, portanto, avaliar o papel da planta, da microbiota do solo
e em particular dos fungos micorrízicos arbusculares na disponibilização
de elementos pelos pós de charnockito, esteatito e gnaisse após cultivos
sucessivos. O trabalho foi estruturado em um esquema fatorial 4x4, em
blocos casualizados, em condições de casa de vegetação, sendo quatro
“agentes de solubilização” (apenas a planta (A
Zm
); planta em associação
micorrízica (A
FM
); planta em associação micorrízica e na presença de outros
1
Professor do Instituto de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Viçosa, Campus de Rio
Paranaíba, Rio Paranaíba, MG, andre.carvalho@ufv.br;
2
Mestranda em Solos e Nutrição de Plantas da
Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, MG, ddeliberali@yahoo.com.br;
3
Professor do Departamento
de Microbiologia da Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, MG, mdcosta@ufv.br;
4
Professora do
Departamento de Solos da Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, MG, irene@ufv.br.
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12 A 17 DE MAIO DE 2013 – POÇOS DE CALDAS/MINAS GERAIS
microrganismos do solo (A
Mb
) e apenas solo estéril (A
So
)) combinados
com a adição das três rochas moídas na dose correspondente a 10 t ha
-1
e
um controle sem pó de rocha. Os pós de rocha aplicados demonstraram-
se como fontes efetivas de nutrientes para as plantas e não restringiram
a atividade biológica do solo nem a atuação dos fungos micorrízicos
arbusculares. O esteatito mostrou-se como fonte expressiva de Mg e Si, o
charnockito de Cu e o gnaisse e charnockito de K para as plantas. Embora
a atividade biológica seja importante para a disponibilização de nutrientes
de rochas, neste estudo a planta demonstrou ser igualmente capaz de atuar
sobre a disponibilização de elementos das rochas quando comparada com
a presença conjunta da planta com a microbiota do solo ou em associação
micorrízica. O solo, isoladamente, demonstrou ter uma capacidade muito
inferior de disponibilizar os nutrientes das rochas, indicando a necessidade
de mais estudos na presença de plantas em detrimento àqueles com apenas
incubação em solo.
Palavras-chave: gnaisse, charnockito, esteatito, biodisponibilização
Introdução
Os fertilizantes solúveis possuem custos elevados associados ao
beneciamento e ao transporte a longas distâncias, podem criar problemas
ambientais como eutrozação de águas superciais e subsuperciais ou
liberação de gases poluentes na atmosfera (Tilman et al., 2001; Martins et al.,
2010), necessitam de fontes não renováveis de energia no seu processamento
e dependem da utilização de recursos minerais não renováveis, escassos e
mal distribuídos entre os países (Foley et al., 2005; Fixen & Johnston, 2012).
Estes problemas tem exigido a busca de alternativas e uma delas tem sido
a utilização de pós de rocha.
No Brasil, rochas silicatadas comuns como gnaisses, granitos,
charnockitos e basaltos, são amplamente utilizadas para diversos ns não
agrícolas e os resíduos da moagem (materiais nos) podem ser aproveitados
a baixos custos por agricultores como fonte de nutrientes. Contudo, a maioria
das pesquisas utilizaram apenas rochas silicatadas mácas ou materiais
com especial riqueza em algum macronutriente, de menor abundância e
distribuição mais restrita pelo mundo (Leonardos et al., 2000; van Straaten,
2006). O estudo de outros materiais, incluindo as rochas silicatadas mais
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12 A 17 DE MAIO DE 2013 – POÇOS DE CALDAS/MINAS GERAIS
comuns, pode incentivar a utilização de recursos locais abundantes e, assim,
contribuir para o desenvolvimento de tecnologias mais sustentáveis.
As rochas silicatadas possuem maior diversidade de elementos
em relação aos fertilizantes químicos solúveis, mas com uma lenta
disponibilização. Esta característica é vista como a principal limitação da
utilização destes materiais (Bolland & Baker, 2000). No entanto, este fato,
juntamente com a composição heterogênea de nutrientes, torna-se uma
opção interessante nos agroecossistemas tropicais visto que possuem solos
altamente dessilicados, oxídicos e naturalmente bem drenados, o que
favorece sobremaneira processos de lixiviação e de adsorção especíca de
elementos (Leonardos et al., 2000; Martins et al., 2010). Entretanto, para
uma utilização mais generalizada de pós de rocha silicatadas na agricultura
há a necessidade de pesquisas visando melhorar o aproveitamento dos
nutrientes dessas fontes (Leonardos et al., 2000; Hinsinger et al., 2001;
Martins et al., 2010).
Neste aproveitamento, é preciso atentar-se para práticas de manejos de
solo que criem condições para a potencialização da capacidade solubilizadora
dos organismos do solo em geral, e dos fungos micorrízicos arbusculares
(FMAs) em particular, pois os mesmos podem exercer papéis importantes na
disponibilização de nutrientes de rochas. No entanto, alguns trabalhos têm
sido realizados em ambientes controlados simplicados, negligenciando a
ação desses organismos, dos fungos micorrízicos ou até mesmo da planta
sobre a magnitude da disponibilização de nutrientes pelas rochas.
A ação dos organismos pode ir da simples fragmentação de partículas
a alterações complexas na superfície dos minerais, modicando suas
características químicas. Algumas plantas podem ser muito efetivas na
indução do intemperismo de silicatos (Hinsinger et al., 2001). As raízes das
plantas podem aumentar a dissolução de minerais por meio de mudanças
de pH na rizosfera devido à liberação de H
+
, OH
-
e HCO
3
-
resultantes da
respiração e da absorção de íons (Neumann & Romheld, 2012). A diferença
de pH na rizosfera pode chegar a duas unidades de pH em relação ao solo
não rizosférico (Neumann & Romheld, 2012).
Entretanto, Wang et al. (2011) observaram que o mecanismo mais
importante para aumentar a eciência de utilização de formas não-trocáveis
de K por plantas foi a capacidade de absorver K à baixas concentrações
(menor Cmin para absorção de K). Esse resultado vai de encontro ao
princípio exposto por Harley & Gilkes (2000), de que a efetividade dos pós
16
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12 A 17 DE MAIO DE 2013 – POÇOS DE CALDAS/MINAS GERAIS
de rocha silicatadas tende a aumentar quando os níveis iniciais de nutrientes
no solo são baixos.
Os fungos micorrízicos arbusculares (FMAs) também podem ser
agentes importantes no intemperismo das rochas, sendo o uso de culturas
altamente micorrízicas interessantes para o melhor aproveitamento de rochas
silicatadas na agricultura. Além dos mecanismos baseados na liberação de
ácidos orgânicos e na extrusão de H
+
, é provável que o CO
2
liberado durante
a respiração fúngica possa aumentar a degradação de silicatos através do
ataque do ácido carbônico. Vale lembrar que os FMAs são os componentes
frequentemente majoritários da biomassa microbiana em ecossistemas
agrícolas e contribuem signicativamente para o aumento na liberação de
CO
2
no solo (Johnson et al., 2002).
Objetivos
Diante da escassez de informações sobre o tema em solos tropicais,
os objetivos deste trabalho foram avaliar o papel da planta, da microbiota
do solo e, em particular, dos fungos micorrízicos arbusculares na
disponibilização de elementos pelos pós de charnockito, esteatito e gnaisse
após cultivos sucessivos.
Metodologia
O experimento foi montado em casa de vegetação, em delineamento
inteiramente casualizado e em arranjo fatorial 4 (presença ou ausência de
“agentes” de solubilização - A) x 4 (presença ou ausência dos pós de rocha),
com três repetições. Os tratamentos foram então denominados A
So
(apenas solo
sem cultivo de milho), solo cultivado com milho (A
Zm
), solo cultivado com
milho e inoculado com FMAs (A
FM
) e solo cultivado com milho, inoculado
com FMAs e com reintrodução da microbiota do solo (A
Mb
). Os solos foram
fertilizados ou não (apenas solo sem rocha, controle) com três rochas moídas
distintas (gnaisse, charnockito e esteatito) na dose correspondente a 10 t ha
-1
.
As unidades experimentais foram constituídas por vasos plásticos
contendo o correspondente a 4 kg de solo seco, onde foram cultivadas duas
plantas de milho por vaso até o início do orescimento, quando então as
plantas foram cortadas e um novo cultivo realizado, totalizando três cultivos
de milho.
17
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12 A 17 DE MAIO DE 2013 – POÇOS DE CALDAS/MINAS GERAIS
O pó de gnaisse foi adquirido junto ao comércio local, sendo obtido
pela separação das frações nas resultantes da moagem da rocha para
obtenção de brita para a construção civil. O charnockito (uma variedade de
hiperstênio-granito) foi adquirido a partir do resíduo de corte e acabamento
em empresas locais de beneciamento de rochas ornamentais. O esteatito
(pedra-sabão), uma rocha metamórca maciça muito comum na região
do Quadrilátero Ferrífero (MG), foi adquirido de resíduos da produção de
artesanatos da região de Mariana, MG.
Os pós de rocha foram secos ao ar e peneirados, sendo utilizadas
apenas as porções que passaram na peneira de malha de 0,105 mm e que
foram retidas na de malha de 0,053 mm de abertura. Para a caracterização
química e mineralógica, subamostras foram secas, moídas em almofariz e
passadas totalmente pela peneira de malha de 0,053 mm de abertura. Os
elementos principais foram analisados por espectrometria de uorescência
de raios-X e os demais por espectrofotometria de emissão de plasma
após digestão triácida (Silva, 2009) (Tabela 1). A análise mineralógica foi
realizada por difração de raios-X.
Tabela 1. Caracterização química e mineralógica dos pós de rocha
Elementos SiO
2
Al
2
O
3
Fe
2
O
3
CaO MgO K
2
O Na
2
O TiO
2
P
2
O
5
MnO
principais ..................................................................... % ..............................................................
Gnaisse 54,7 14,8 12,3 6,1 2,4 2,5 3,7 2,2 1,1 0,2
Charnockito 60,4 13,6 8,0 5,1 3,0 2,7 2,2 2,3 1,4 0,1
Esteatito 47,2 4,2 8,6 2,3 24,3
<
0,01
<
0,01 0,1 0,02 0,1
Outros Cd Co Cr Cu La Li Ni Pb V Zn
elementos .............................................................. mg kg
-1
.......................................................
Gnaisse < 3 16 13 11 138 15 < 3 < 8 179 148
Charnockito < 3 68 24 323 74 15 74 11 167 134
Esteatito < 3 87 869 39 < 20 < 3 1513 < 8 68 84
Composição mineralógica
Gnaisse Quartzo, ortoclásio, andesina (plagioclásio), anbólios, micas, rutilo e apatita.
Charnockito
Quartzo, ortoclásio, andesina, ortopiroxênios (hiperstênio), diopsídio, micas e
anbólios.
Esteatito Talco, cloritas, dolomita e anbólios.
18
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12 A 17 DE MAIO DE 2013 – POÇOS DE CALDAS/MINAS GERAIS
O solo utilizado no experimento foi uma amostra de um Latossolo
Vermelho-Amarelo Distróco. O solo foi previamente tamisado, separado
em porções de 4 kg em sacos plásticos e recebeu uma adubação básica
com vermicomposto. Logo após a adubação com vermicomposto, os solos
(dentro dos sacos) foram esterilizados duas vezes em autoclave por 2 horas
a 121 °C. Uma parte do solo foi mantida umedecida e não esterilizada para
servir de inóculo para a reintrodução da microbiota. O inóculo micorrízico
(isolado de solos sob uso agrícola) foi desinfestado para garantir que a
inoculação com FMAs não estivesse associada a adição de outros organismos
ou contaminantes químicos no solo. A inoculação com FMAs deu-se pela
adição de um volume do extrato desinfestado, lavado e homogeneizado,
correspondente a 300 esporos por vaso. O inóculo microbiano para
reintrodução da microbiota do solo foi obtido a partir da agitação em água
de uma massa de solo não estéril com posterior tamisação do sobrenadante
com peneira de malha 0,053 mm, visando excluir propágulos de FMAs. A
reintrodução da microbiota consistiu da aplicação de 200 mL de sobrenadante
(obtido de o equivalente a 150 g de solo seco) em cada vaso.
O crescimento das plantas foi avaliado pela matéria seca da parte aérea
ao longo dos três cultivos. Para isto, a parte aérea das plantas no estágio
de início do orescimento foi coletada, lavada, secada e pesada (matéria
seca). Em seguida, o material seco foi submetido às análises químicas. Os
teores de P, K, Ca, Mg, Mn, Zn, Fe, Cu, Cr, Cd, Pb e Ni foram determinados
após digestão nitroperclórica, sendo os teores de P e Si determinados
colorimetricamente, os de K por fotometria de emissão de chama e os demais
por espectrofotometria de emissão de plasma (Silva, 2009). A biomassa
microbiana foi avaliada pelo método de irradiação-extração, conforme
Mendonça & Matos (2005), a partir de amostras de solo coletadas ao nal
do experimento e mantidas sob refrigeração a 4
o
C até o momento da análise.
Para a avaliação da colonização micorrízica por FMAs, foram coletadas
amostras do sistema radicular fresco. A colonização radicular por FMAs
foi avaliada pelo método da contagem em placa reticulada.
Ao nal do experimento (nal do terceiro cultivo) foram avaliadas
também as disponibilizações de elementos no solo conforme Silva (2009).
A disponibilização total dos elementos foi estimada pelo somatório dos
conteúdos nas plantas ao nal de cada cultivo mais os teores disponíveis
no solo ao nal do experimento. Os dados foram submetidos à análise de
19
II CONGRESSO BRASILEIRO DE ROCHAGEM
12 A 17 DE MAIO DE 2013 – POÇOS DE CALDAS/MINAS GERAIS
variância (ANOVA), sendo as médias comparadas pelo teste de Student-
Newman-Keuls (SNK) a 5 %. A interação na ANOVA foi considerada
signicativa quando p ≤ 0,10.
Resultados e Reflexão
A matéria seca da parte aérea acumulada nos três cultivos não diferiu
entre os tratamentos (dados não mostrados). A semelhança observada entre
os dados de matéria seca da parte aérea do milho acumulada nos três cultivos
sucessivos sugere que algum nutriente tenha limitado o crescimento das
plantas. Esta situação é similar à observada por Resende et al. (2006), em
experimentos em casa de vegetação, com pós de rocha utilizados como única
fonte de nutrientes às plantas. Os pós de rocha, possivelmente, não liberaram
os nutrientes com a velocidade requerida pela planta ou não continham em
quantidade suciente e balanceada todos os nutrientes requeridos pelo milho.
A biomassa microbiana do solo foi, como esperado, signicativamente
afetada pelos agentes de solubilização, mas não foi afetada pela presença ou
não dos diferentes pós de rocha. De modo semelhante, a colonização pelos
fungos micorrízicos também não foi afetada pela presença dos pós de rocha,
mantendo-se acima de 50% nos tratamentos inoculados.
Os conteúdos de nutrientes nas plantas acumulados ao longo dos três
cultivos foram pouco alterados pela aplicação ou não das rochas, exceto
quanto aos conteúdos de K. Os agentes de solubilização promoveram
alterações nos conteúdos de P, K, Mg e Cu nas plantas (dados não
mostrados). Os incrementos nos conteúdos de K, promovidos pelos pós de
gnaisse e charnockito em relação ao controle, apenas nos tratamentos A
Zm
e A
FM
sugerem que os microrganismos do solo (mas não os FMAs) tenham
inuenciado positivamente a aquisição de K presente em formas menos
disponíveis do elemento no solo (como por exemplo, formas de K não-
trocáveis retidas em poros entre lâminas adjacentes de minerais de argila),
mascarando o efeito destas rochas em A
Mb
.
A disponibilização total de elementos, obtida pelo somatório dos
conteúdos nas plantas com o disponibilizado no solo ao nal do experimento,
foi altamente inuenciada pela presença das plantas de milho (A
Zm
, A
FM
e
A
Mb
), que promoveram incrementos gerais em relação aos tratamentos com
apenas solo (A
So
). A disponibilização total de Si foi incrementada em média
20
II CONGRESSO BRASILEIRO DE ROCHAGEM
12 A 17 DE MAIO DE 2013 – POÇOS DE CALDAS/MINAS GERAIS
em 401 %, a de P em 98 %, a de Mg em 17 % e a de K em 16 % pela presença
da planta (A
Zm
, A
FM
e A
Mb
) em relação à sua ausência (A
So
).
Apesar da grande diversidade dos minerais quanto à susceptibilidade
ao intemperismo, os incrementos mais expressivos na disponibilização de
elementos decorrentes da aplicação de determinado pó de rocha mostraram-
se fortemente ligados ao teor total destes elementos na rocha, como
evidenciado pelos teores de Mg e Ni no esteatito e de Cu no charnockito
(Tabela 2 e dados não mostrados). Nesta mesma direção, mas em menor
magnitude, os maiores teores totais de Fe e K no gnaisse em relação ao
esteatito também reetiram em maior disponibilização destes elementos,
ainda que tal resposta tenha sido dependente do agente de solubilização.
O não incremento na matéria seca das plantas pelos pós de rocha, embora
condizente com os poucos incrementos nos conteúdos de nutrientes nas
plantas, não reetiu bem a disponibilização total de nutrientes, uma vez
que os elementos disponibilizados pelos tratamentos são diferentemente
requeridos pelas plantas. Mesmo sob condições de pH de solo mais elevadas,
os incrementos nas disponibilizações de P, K, Mg e Si nos tratamentos sob
a presença da planta foram muito superiores aos tratamentos com apenas
solo (A
So
).
Dessa forma, embora para a maioria dos nutrientes a disponibilização
pelo solo (A
So
) tenha sido eciente indicadora da disponibilização de
elementos pelos tratamentos, a magnitude da liberação de nutrientes pelas
rochas foi consideravelmente maior na presença das plantas. Isso deve estar
ligado à capacidade ativa da planta em disponibilizar nutrientes no solo
(Hinsinger et al., 2001; Akter & Akagi, 2005), seja através da liberação de
ácidos orgânicos, sideróforos, quelantes orgânicos, entre outros, ou por meio
do deslocamento dos equilíbrios de dissolução dos minerais pela absorção
de elementos (Harley & Gilkes, 2000; Wang et al., 2011). Tal fato sugere
também que, em trabalhos envolvendo seleção de rochas para utilização como
fontes alternativas de nutrientes devem-se evitar experimentos apenas com
incubação em solo tal como os de Escosteguy & Klamt (1998), Gillman et
al. (2001) ou Silva et al. (2005) e priorizar aqueles em que diferentes plantas
são também comparadas quanto à suas capacidades de biodisponibilização
(Wang et al., 2000), de modo a não subestimar o potencial das rochas.
21
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12 A 17 DE MAIO DE 2013 – POÇOS DE CALDAS/MINAS GERAIS
Tabela 2. Disponibilização total de nutrientes (matéria seca das partes
aéreas + disponível no solo ao nal dos três cultivos sucessivos
de milho em casa de vegetação). Médias seguidas por uma
mesma letra minúscula na linha ou maiúscula na coluna não
diferem entre si pelo teste de SNK à 5 %.
Gnaisse Charnockito
Esteatito Controle
médias
P A
So
270,4 303,3 305,7 326,7 301,5 C
(mg vaso
-1
) A
Zm
564,7 514,7 511,0 494,7 521,2 B
A
FM
556,0 694,0 620,7 715,3 646,5 A
A
Mb
605,6 692,0 617,4 592,0 626,7 A
médias 499,2 a 551,0 a 513,7 a 532,1
a
K
A
So
676,0 Ba 650,7 Bab 581,3 Bb 580,0 Bb 622,0
(mg vaso
-1
) A
Zm
800,7 Aa 767,8 Aa 641,2 ABb 713,8 Aab 730,9
A
FM
763,2 Aa 762,3 Aa 682,7 Aab 645,9 ABb 713,5
A
Mb
677,9 Ba 764,4 Aa 681,1 Aa 731,9 Aa 713,8
médias 729,4 736,3 646,6 667,9
Ca
A
So
4400,8 4809,6 4905,8 4307,3 4605,9 A
(mg vaso
-1
) A
Zm
4541,4 4419,0 4504,2 4335,7 4450,1 AB
A
FM
4377,0 4467,8 4177,8 4285,5 4327,0 B
A
Mb
4261,4 4282,7 4415,3 4120,6 4270,0 B
médias 4395,2 a 4494,8 a 4500,8 a 4262,3 a
Mg
A
So
1212,0 1150,4 1349,7 1043,5 1188,9 B
(mg vaso
-1
) A
Zm
1386,5 1370,7 1511,4 1310,1 1394,7 A
A
FM
1381,3 1414,7 1465,2 1290,8 1388,0 A
A
Mb
1360,7 1386,1 1496,8 1339,8 1395,9 A
médias 1335,1 b 1330,5 b 1455,8 a 1246,1 c
Si
A
So
161,2 154,5 162,1 158,3 159,0 C
(mg vaso
-1
) A
Zm
842,3 795,3 822,7 840,2 825,1 A
A
FM
793,9 813,3 831,2 745,8 796,1 AB
A
Mb
776,6 764,3 768,1 775,0 771,0 B
médias 643,5 a 631,8 a 646,0 a 629,8 a
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12 A 17 DE MAIO DE 2013 – POÇOS DE CALDAS/MINAS GERAIS
Conclusões
Quando aplicado diretamente no solo, o esteatito mostrou-se como
fonte efetiva de Mg e Si, o charnockito de Cu e o gnaisse e charnockito
de K para as plantas. Embora a atividade biológica seja importante para a
disponibilização de nutrientes de rochas, neste estudo a planta demonstrou-se
igualmente capaz de atuar sobre a disponibilização de elementos das rochas
quando comparada com a presença conjunta da planta com a microbiota
do solo ou em associação micorrízica. O solo isoladamente demonstrou-
se com uma capacidade muito inferior de disponibilizar os nutrientes das
rochas, indicando a necessidade de mais estudos na presença de plantas em
detrimento àqueles com apenas incubação em solo.
Agradecimentos
Os autores agradecem o apoio nanceiro do Conselho Nacional de
Pesquisa (CNPq).
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12 A 17 DE MAIO DE 2013 – POÇOS DE CALDAS/MINAS GERAIS
DESEMPENHO AGRONÔMICO DE FONTES
MINERAIS E ORGÂNICAS DE NUTRIENTES
PARA AS CULTURAS DE MILHO E TRIGO
Adilson Luís Bamberg
1
Carlos Augusto Posser Silveira
1
Rosane Martinazzo
1
Magda Bergmann
2
João Angelo Toniolo
2
Matheus Farias Grecco
3
Mariana da Luz Potes
4
Resumo
Uma combinação de fontes minerais e orgânicas de nutrientes foi
utilizada em experimento de campo, tendo como objetivo avaliar seu efeito
sobre atributos químicos do solo e a produtividade de milho e trigo. Os
dados demonstraram, claramente, o potencial de uso do Calcário de Xisto
como fonte de Ca, Mg e S, do Granodiorito como fonte de K e da torta de
tungue como fonte de N.
Palavras-chave: granodiorito, calcário de xisto, torta de tungue.
Introdução
O uso de rochas moídas, tidas como de liberação mais lenta de
nutrientes em relação aos fertilizantes de alta solubilidade, ainda é motivo de
resistência por parte de pesquisadores e agricultores, tendo como argumento
principal sua baixa eciência agronômica. Entretanto, é de conhecimento
geral que, com exceção do Nitrogênio, os demais nutrientes requeridos
pelas plantas são ou foram de alguma forma derivados do intemperismo de
1
Embrapa Clima Temperado, BR 392 km 78, 96010-971, C.P. 403, Pelotas, RS, Brasil. adilson.
bamberg@embrapa.br; augusto.posser@embrapa.br e rosane.martinazzo@embrapa.br;
2
Companhia
de Pesquisa em Recursos Minerais - CPRM - Serviço Geológico do Brasil. magda.bergmann@cprm.
gov.br; joao.toniolo@cprm.gov.br,
3
Projeto Xisto Agrícola, convênio Embrapa-FAPEG-Petrobras, BR
392 km 78, 96010-971, C.P. 403, Pelotas, RS, Brasil. grecco.eg@hotmail.com;
4
Projeto Agroenergia,
convênio Embrapa-FAPEG, BR 392 km 78, 96010-971, C.P. 403, Pelotas, RS, Brasil. marianapotes@
yahoo.com.br.
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12 A 17 DE MAIO DE 2013 – POÇOS DE CALDAS/MINAS GERAIS
minerais primários (Landeweert et al., 2001). Muitos tipos de rochas podem
ser considerados fontes multielementares de nutrientes, principalmente
quando aplicadas na forma de matrizes de rochas de composição distinta.
A eciência agronômica de cada tipo de rocha depende, dentre outros
fatores, da adequação de sua granulometria, a qual está, na maioria dos
casos, diretamente relacionada à liberação dos nutrientes. Em alguns casos
a disponibilização dos nutrientes pode ser muito rápida quando o material é
namente moído. É o caso dos calcários agrícolas, de modo que esse tempo
pode ser inferior a um mês (Pandolfo & Tedesco, 1996).
Diversos fatores têm contribuído para estimular a caracterização e
validação de fontes não convencionais de nutrientes à agricultura brasileira.
A dependência do país por insumos importados, o aumento do custo
dos fertilizantes, a busca pela diversicação da oferta de insumos para a
agricultura e por fontes com menores riscos de contaminação do ambiente
têm estimulado a parceria entre a Embrapa Clima Temperado e a Companhia
de Pesquisa em Recursos Minerais – CPRM, que vêm realizando estudos
de prospecção e avaliação do desempenho agronômico de agrominerais
e co-produtos de atividades agroindustriais no sul do Brasil. Os estudos
levam ainda em consideração o impacto da aplicação dessas fontes sobre a
segurança do ambiente e a qualidade dos alimentos produzidos. Dentre os
materiais disponíveis na região com potencial para uso agrícola podem ser
destacados os rejeitos de mineração e os co-produtos de agroindústrias, tais
como rejeitos de granodiorito explorado para atender a construção civil e
as tortas de oleaginosas como mamona e tungue.
O estudo de novas fontes de nutrientes oportuniza a formulação e
aplicação de matrizes organominerais multielementares, com vantagens
como a liberação gradual de nutrientes e o estímulo a microbiota do solo.
Para isso, torna-se fundamental compreender o potencial de liberação
de elementos oriundos de tais matrizes para a solução do solo. O uso de
colunas de lixiviação fornece subsídios para se determinar o potencial de
liberação e a fração da constituição total das rochas disponível para as
plantas (Bamberg et al., 2011). Para compreender e avaliar a eciência
agronômica de agrominerais é também comum o uso de experimentos em
condições controladas e em casas de vegetação e os testes de incubação,
além do uso em laboratório de soluções extratoras que se correlacionam com
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12 A 17 DE MAIO DE 2013 – POÇOS DE CALDAS/MINAS GERAIS
a fração disponível e a produtividade de culturas agrícolas (Pereira et al.,
2003). Todavia, a forma mais contundente de análise de fontes de nutrientes
ainda parece ser a sua avaliação através de experimentos em campo. Sendo
assim, este trabalho teve como objetivo avaliar o desempenho agronômico
de fontes minerais e orgânicas de nutrientes para as culturas de milho e
trigo em experimento de campo em um Planossolo Háplico distróco típico.
Metodologia
A combinação de fontes minerais e orgânicas de nutrientes foi
utilizada em um experimento de campo instalado na Estação Experimental
Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado, Capão do Leão, RS. O solo
do local é classicado como um Planossolo Háplico distróco típico. A
caracterização química do solo da área experimental é apresentada na
Tabela 1.
Tabela 1. Caracterização química das camadas 0-20 e 20-40 cm do
Planossolo Háplico distróco típico solo da área experimental
utilizada no presente estudo. Embrapa Clima Temperado,
Pelotas-RS, 2013
O delineamento experimental utilizado foi em blocos casualizados
com nove tratamentos e quatro repetições. Os tratamentos consistiram
em: T1 - Controle (Sem Calagem e sem adubação); T2 - Calagem (1 SMP
via Calcário Dolomítico - CD); T3 - Calagem (1 SMP via Calcário de
Xisto - CX); T4 - Calagem (1 SMP via CX) + 1/2 dose P
2
O
5
via Fosfato
Natural Arad – FNA + 1/2 dose P
2
O
5
via Superfosfato Triplo - SFT; T5
- Calagem (1 SMP via CX) + 1 FNA; T6 - Calagem (1 SMP via CX) +
1 FNA + Granodiorito - Grd; T7 - Calagem (1 SMP via CX) + 1 FNA +
torta de