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Ciberinfraestrutura de informação para a pesquisa: uma proposta de arquitetura para integração de repositórios e sistemas CRIS

Authors:

Abstract and Figures

Despite the importance of institutional repositories (IR) and data repositories (e-repositories) as an essential part of today’s global information infrastructure for research, the data models of these systems can’t support the complexity and diversity of information needed to comprehensive management of research environments. Furthermore, governments, research institutions and funding agencies are deploying more sophisticated systems known collectively by CRIS (Current Research Information System), aimed to manage the large amount of metadata about entities involved in research activities - such as projects, researchers, funding, publications, patents, laboratories, equipment, curricula etc. -, as well as the relationships and information flows that are established between them. In this scenario, a major challenge that arises is the integration and the synchronization of CRIS, RIs and e-repositories in order to increase the range of applications and services that such systems can perform in administrative and academic scope. In this sense, this paper aims to propose an integrated architecture that synchronize the information flow of CRIS systems based on the european standard CERIF (Common European Research Information Format), IR´s based on the OAI-PMH (Open Archives Initiative-Protocol for Metadata Harvesting), e-Repositories and others academic and administrative systems, internal and external to a research institution. As methodology have been examined standards and technologies that make possible the interoperability of these systems in the context of a dedicated cyberinfrastructure focused on research.
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1 1 INTRODUÇÃO
A ideia predominante do que é repositório
institucional (RI) está circunscrita por conjunto de
ações que coletivamente visam coletar, organizar,
arquivar e disseminar, na forma de base de
dados, publicações acadêmicas, metadados e,
em alguns casos, dados e conjunto de dados de
pesquisa. Esta dinâmica tem como perspectiva a
CIBERINFRAESTRUTURA DE
INFORMAÇÃO PARA A PESQUISA:
uma proposta de arquitetura para integração
de repositórios e sistemas CRIS
Luana Farias Sales*
Luís Fernando Sayão**
RESUMO Apesar da importância dos repositórios institucionais (RI) e dos
repositórios de dados (e-repositórios) como parte essencial da
atual infraestrutura mundial de informações para a pesquisa, os
modelos de dados desses sistemas não comportam a complexi-
dade e a diversidade das informações necessárias para a gestão
integral de ambientes de pesquisa. Por outro lado, governos,
instituições de pesquisa e órgãos de fomento estão implantando
sistemas mais sosticados conhecidos pela sigla em inglês CRIS
(Current Research Information System) voltados para gerenciar
a grande quantidade de metadados sobre entidades envolvidas
nas atividades de pesquisa - como projetos, pesquisadores, nan-
ciamentos, publicações, patentes, laboratórios, equipamentos,
currículos etc. -, bem como os relacionamentos e os uxos de
informações que se estabelecem entre elas. Nesse cenário, um
desao importante se coloca que é a integração e a sincronização
dos sistemas CRIS com os RI´s e os e-repositórios, de forma que
se possa aumentar a amplitude de aplicações e de serviços de am-
bos os sistemas, tanto em âmbito administrativo como no âmbito
acadêmico. Nessa direção, este trabalho propõe uma arquitetura
integrada que sincronize os uxos informação de sistemas CRIS
baseados na norma europeia CERIF (Common European Resear-
ch Information Format), de RI´s baseado no protocolo OAI-PMH
(Open Archives Initiative - Protocol for Metadata Harvesting), de
e-Repositórios e de outros sistemas acadêmicos e administrativos
internos e externos a uma instituição de pesquisa. Como meto-
dologia foram examinados as normas, padrões e as tecnologias
que tornam possível a interoperabilidade desses sistemas no con-
texto de uma ciberinfraestrutura voltada para pesquisa.
Palavras-chave: CRIS. CERIF. Repositório institucional. Repositório de dados.
Ciberinfraestrutura de pesquisa.
* Doutora em Ciência da Informação
pela Universidade Federal do Rio de
Janeiro, Brasil. Analista em Ciência e
Tecnolo gia na Comissão Nacional de
Energia Nuclear, Brasil.
E-mail: lsales@ien.gov.br.
** Doutor em Ciência da Informação
pela Universidade Federal do Rio de
Janeiro, Brasil. Analista em Ciência e
Tecnologia na Comissão Nacional de
Energia Nuclear, Brasil.
E-mail: lsayao@cnen.gov.br.
formação e preservação da memória digital das
organizações de pesquisa, o acesso livre aos seus
ativos informacionais e o aumento do impacto
desses ativos, traduzido em citações.
Entretanto é necessário considerar que
a complexidade do ambiente da pesquisa
contemporânea envolve inúmeros elementos
que se relacionam entre si - como pesquisadores,
projetos, infraestruturas, aportes nanceiros,
relato de pesquisa
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Luana Farias Sales e Luís Fernando Sayão
instalações, para citar alguns – que para serem
descritos e controlados precisam de sistemas
que estendam seus modelos de dados além
dos necessários para descrição de publicações
acadêmicas, e demandam, por conseguinte,
sistemas estruturalmente mais sosticados do
que os repositórios institucionais.
Nessa direção, indo além das funções
tradicionais dos RI´s, os sistemas de gestão
de informações sobre pesquisa conhecidos
pela sigla em inglês CRIS (Current Research
Information System) coletam um espectro amplo
de metadados que descrevem, idealmente, todas
as entidades e relações envolvidas nos uxos de
trabalho que caracterizam as atividades de uma
instituição cientíca, incluindo as interações
com os seus stakeholds mais próximos, como,
por exemplo, os órgãos de fomento à pesquisa.
Dessa forma, o CRIS gerencia informações que
permitem aos seus usuários registrar, reportar
e tomar decisões em relação aos processos
envolvidos no ciclo de gestão de pesquisa
e da inovação, como estudos comparativos,
produtividade, métricas e avaliações,
acompanhamento de projetos, resultados de
pesquisa, oportunidade de empregos, patentes
e muitos outros. Um resultado importante da
plataforma CRIS está expresso por maiores níveis
de visibilidade sobre as atividades institucionais
de pesquisa para os vários segmentos
interessados, incluindo o cidadão comum.
Para cumprir seus objetivos, um
sistema CRIS integra dados de uma grande
variedade de sistemas, internos e externos
à instituição. A partir desse ponto surgem
indagações importantes sobre como os RI’s
podem sincronizar suas funções com as desses
sistemas de gestão de informação sobre pesquisa
de forma que as sobreposições e diferenças
possam ser exploradas para a formação de
infraestruturas informacionais de maior alcance.
Para intercãmbio de informações os sitemas CRIS
adotam preferrncialmente a norma elaborada
pela EuroCRIS1 e recomendada pela União
Europeia conhecida pela sigla CERIF (Common
European Research Information System)2. Esta
norma estabelece um modelo de dados que
1 EuroCRIS <http://www.eurocris.org> é uma organização sem ns
lucrativos que atua no desenvolvimento de sistemas de informação
sobre pesquisa e na interoperabilidade entre esses sistemas no âmbito
da Comunidade Europeia.
2 CERIF: < http://www.eurocris.org/cerif/main-features-cerif>
descreve, no nível conceitual e lógico, o domínio
da pesquisa, relação entre as entidades desse
domínio e como essas relações variam no tempo;
e no nível físico, uma formalização do donínio na
forma de scripts para sistemas de banco de dados
(RUSSELL, 2010).
Mesmo considerando que os RI´s e os
sistemas CRIS têm objetivos que os diferenciam
conceitualmente e funcionalmente, e que,
além do mais, possuem trajetórias evolutivas
que são independentes (CASTRO, 2014), a
possibilidade de integração dos sistemas
RI e dos sistemas CRIS, na direção de uma
única infraestrutura institucional de gestão
de informações sobre pesquisa, congura um
cenário rico de novas demandas e uso para os
repositórios institucionais, redimensionando o
papel desses sistemas. Essas novas possibilidades
de exploração dos RI’s – que vão além do seu
papel de base de dados de memória institucional
- reforçam o seu potencial como ferramenta
de apoio à governança das atividades de
gestão de pesquisa e de inovação e os colocam
como parte dos ambientes tecnologicamente
avançados e altamente integrados voltados para
e-pesquisa, conhecidos como ciberinfraestrutura.
Nessa direção, o presente estudo examina as
possibilidades de integração de RI ’s aderentes
ao protocolo de interoperabilidade OAI-PMH3
, de repositórios de dados e de sistemas CRIS
que atendam a camada semântica estabelecida
pela norma CERIF, oferecendo como resultado
uma arquitetura que sincronize os uxos
de informação desses sistemas opernado no
contexto de uma ciberinfraestrutura voltada para
a pesquisa.
A discussão sobre a integração e
interoperabilidade CRIS/RI tem sido colocada
em pauta nos principais fóruns sobre gestão
de pesquisa, constituindo um polo de intensos
debates que envolvem fortemente a área de
Ciência da Informação.
À guisa de metodologia, o estudo
examinou algumas experiências descritas pela
literatura e analisou os principais conceitos
necessários à contextualização do problema
de integração CRIS/RI, como: sistemas de
gestão da informação sobre pesquisa, o modelo
de dados do CERIF, ciberinfraestrutura de
3 OAI-PMH – sigla em inglês para Open Archives Initiative Protocol for
Metadata Harvesting; protocolo voltado para interoperabilidade entre
repositórios digitais. < http://www.openarchives.org/pmh/>
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Ciberinfraestrutura de informação para a pesquisa
pesquisa e, de forma privilegiada, diferenças e
semelhanças entre os dois sistemas. Como parte
dos resultados - e também como ponto de partida
para novas discussões -, é proposto uma possível
arquitetura de integração CRIS/RI que explora
complementaridade entre os dois conceitos de
sistema de informação para a pesquisa.
2 A RELEVÂNCIA DO PROBLEMA:
uMA PONtE ENtRE DOCuMENtOs E DADOs
EM PROL DA gEstãO DA INfORMAçãO
sOBRE PEsquIsA
O efeito direto que as atividades cientícas
têm sobre o progresso econômico, tecnológico e
social e, como resultado mais perceptível, sobre
a qualidade de vida do cidadão comum, implica
na necessidade de intervenção e de suporte
governamental para que estas atividades sejam
sustentáveis (PINTO; SIMÕES; AMARAL,
2014). Uma parcela das ações do governo está
centrada na criação de serviços de informação
como suporte tecnológico e gerencial para a
ciência, tecnologia e inovação (SAYÃO; SALES,
2013). No Brasil, o Portal de Periódicos CAPES4
e a Plataforma Lattes5 são exemplos claros dessas
ações.
Em comum com outros empreendimentos
estrategicamente importantes para a sociedade,
a pesquisa cientíca está se tornando altamente
dependente de sistemas de informação que
apoiem a gestão do complexo uxo de informação
que ela própria gera nos seus processos de
negócio e também dos uxos externos que ela
tem que consolidar e agregar. Sistemas que
respondam com conabilidade e qualidade o
gerenciamento de informações sobre a pesquisa
se tornam cada dia mais imprescindíveis para as
instituições envolvidas com atividades cientícas,
seja na qualidade de geradores de conhecimento
– como as universidades e institutos de pesquisa
ou na qualidade de gestores, nanciadores
ou formuladores de políticas para as áreas
cientícas.
A complexidade das relações entre
os diversos atores e produtos de pesquisa
que compõem os cenários de geração de
conhecimento cientíco, aliada à necessidade
4 Portal de Periódicos CAPES: <http://www.periodicos.capes.gov.br/>
5 Plataforma Lattes: <http://lattes.cnpq.br/>
de respostas mais adequadas às indagações de
pesquisadores, administradores de organizações
de pesquisa, das empresas de tecnologia e de
agências de nanciamento, só para citar alguns
atores, demandam sistemas de informação
que sejam projetados para se adequarem aos
novos modos de fazer ciência. Espera-se que
essas plataformas se integrem aos ambientes
de e-pesquisa, que são baseados fortemente
em “sistemas computacionais, sistemas de
armazenamento, instrumentos avançados e
repositórios de dados, ambientes de visualização
e pessoas, todos “linkados” por redes de alto
desempenho que tornam possível inovação e
descobertas, que de outra forma não seriam
possível” (INDIANA UNIVERSITY, 2014).
Apesar do avanço dos repositórios
institucionais como parte integrante da
infraestrutura mundial de informação cientíca
e de seu papel como memória digital das
instituições de pesquisa, a orientação dessas
bases de dados ainda se volta para a ideia de
documento. Os repositórios digitais, em geral,
entregam como resultado de uma consulta, ainda
sob uma ótica tradicional, itens de informação
individuais, que desconsideram a riqueza das
relações entre os diversos produtos de pesquisa e
a multiplicidade de atores envolvidos nos uxos
de geração de conhecimento cientíco. De uma
forma geral os repositórios estão isolados e não
sucientemente conectados aos outros sistemas
da instituição (SHEPPARD, 2010), como por
exemplo, os sistemas de gestão de informações
sobre pesquisa, recursos humanos, currículos
e outros sistemas corporativos, ou, ainda
desconsideram sistemas externos que controlam
ativos importantes, como a Biblioteca Digital de
Teses e Dissertações (IBICT/BDTD)6, no caso do
Brasil.
Entretanto, os RI´s arquivam metadados
e publicações que são fontes relevantes para os
uxos de trabalho de pesquisa. Esses estoques
informacionais, se organicamente articulados
e contextualizados, podem intensicar a sua
utilidade nas esferas gerenciais e administrativas
das instituições envolvidas no trabalho de
pesquisa cientíca. O que se espera é que os
repositórios possam trocar informações com
outras plataformas ampliando o seu alcance
como fonte de informação e como provedor
6 Disponível em: <http://bdtd.ibict.br/> Acesso em 20 mar. 2015.
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Luana Farias Sales e Luís Fernando Sayão
de novos serviços. Nessa direção, os sistemas
de gestão de informação sobre pesquisa, pela
sua proximidade e complementariedade em
relação aos RI’s, se mostram adequados para a
formulação de infraestruturas informacionais
mais completas e contextualizadas.
Os sistemas voltados para gestão de
pesquisa, em particular os que se dedicam à
gestão de informação sobre pesquisa, vêm,
historicamente, se ajustando às novas demandas
impostas pela ciência contemporânea, na
medida em que registram, processam e
apresentam, na forma de dados abertos,
métricas e cifras relacionadas ao ciclo de
vida das atividades da pesquisa cientíca. Os
indicadores e métricas que são registrados pelos
sistemas oferecem informações de qualidade e
contextualizadas sobre os produtos de pesquisa
– por exemplo, publicações, patentes, dados
de pesquisa e serviços – e sobre suas fontes –
pesquisadores, instituições, projetos nanciados,
e-infraestrutura, entre outras. O uso dos sistemas
de informação com essas características tem se
expandido, adotando vários nomes, com sucesso
em âmbito institucional, nacional e, em escala
regional, principalmente na Europa, liderado
pela Comunidade Europeia, constituindo-se uma
ferramenta importante para a gestão, distribuição
e exploração e contextualização de resultados de
pesquisa
Atestada a importância dessas plataformas
informacionais como ferramentas importantes
para o mundo da pesquisa, ca o desao para
várias áreas, incluindo a Ciência da Informação,
de como explorar as diferenças e sobreposições
desses sistemas sincronizando os seus processos
em congurações e arquiteturas que resultem
em serviços mais avançados e mais próximos
aos pressupostos de uma ciência mais aberta e
colaborativa.
Apesar da alegada dicotomia entre os
repositórios institucionais e os sistemas de
gestão de informação sobre pesquisa, há um
reconhecimento de que o parceiro ideal para os
repositórios é, de fato, o CRIS. “Aparentemente
ambos os sistemas gerenciam os mesmos dados,
para propósitos análogos e para os mesmos
usuários-nais” (SHEPPARD, 2010). Para tal,
ambos devem se integrar apropriadamente aos
uxos das atividades de pesquisa entregando
serviços especícos, como, por exemplo,
arquivando versões em texto completo de
artigos cientícos, para o caso dos repositórios, e
documentando informações sobre nanciamento
da pesquisa que gerou o artigo, para o caso do
CRIS. Poucas coisas impedem que esses serviços
sejam enriquecidos mutuamente via troca de
informações.
Como atestam Castro e seus colaboradores
(2014, p.39), o panorama geral tende para
um estado em que os sistemas de gestão de
pesquisa integrem ambos os sistemas. “A
interoperabilidade CRIS/RI é uma característica
que está se generalizando e que vai permitir
que ambas as plataformas intercambiem
informações de forma mais eciente reforçando
as características do que cada um é e faz [...]”,
mesmo considerando que as fronteiras que os
delimitam se tornam cada vez mais tênues.
São varias as possibilidades de integração
CRIS/RI, mas para entender melhor as
possibilidades de interoperabilidade entre esses
sistemas é desejável analisar com um grau a mais
de profundidade as características dos sistemas
CRIS, seu escopo de atuação e seus benefícios,
e, ainda, o ambiente tecnológico onde eles se
situam.
3 CRIs: sIstEMA DE gEstãO DE INfORMAçãO
sOBRE PEsquIsA
Qualquer tentativa de gerenciar o ciclo
completo do processo de pesquisa – conforme
nos alerta Joint (2008) é por denição uma
experiência bastante ambiciosa, posto que
uma parte essencial da complexidade desse
empreendimento é vislumbrar o uxo global
de informações que permeia a totalidade das
atividades do mundo cientíco de uma forma
simples e coerente. Isto implica projetar sistemas
de informação que sejam capazes de apoiar todos
os aspectos informacionais importantes para os
processos de gestão da pesquisa.
A amplitude das demandas impostas
sobre os sistemas de gestão de informações
sobre pesquisa pode ser qualitativamente
dimensionada pelo levantamento realizado
pelo Imperial College London7 e Elsevier
(2010). Segundo essa fonte, as instituições
e seus pesquisadores e gestores necessitam
de informações que: apoiem a descoberta de
7 Disponível em: <http://www.imperial.ac.uk> Acesso em 20 mar. 2015
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Ciberinfraestrutura de informação para a pesquisa
oportunidades de nanciamento; facilitem
o calculo de custo de desenvolvimento de
uma pesquisa; monitorem a aplicação dos
investimentos e a taxa de sucesso de uma
pesquisa; facilitem a agregação e a avaliação
padronizada dos resultados e benefícios da
pesquisa, incluindo publicações, patentes e
licenças; a gestão de fundos já concedidos;
promovam o aumento da visibilidade
das atividades de pesquisa individuais e
institucionais; assistam os pesquisadores na
descoberta de oportunidades de colaboração,
especialmente em áreas interdisciplinares,
transversalmente a departamentos da
instituição e com pesquisadores de outras
instituições; ajudem as instituições a rastrearem
e identicarem oportunidades de colaboração
com empresas, órgãos governamentais e
outras instituições de pesquisa; facilitem o
desenvolvimento de atividades empresarias;
identiquem talentos fora da instituição para
potencial recrutamento para o mundo acadêmico;
facilitem o planejamento de cenários futuros e
identicação de mudanças signicativas. Outros
itens podem ser alinhados a essa lista.
Os sistemas de informação que têm como
princípio de funcionamento a visão totalizante,
que podem ser caracterizadas pelas demandas
acima, são geralmente conhecidos por CRIS
ou Research Information System8 (RIM). De
uma forma abrangente um sistema CRIS é um
banco de dados que armazena metadados sobre
atividades de pesquisas de interesse corrente,
como interpreta Lambert (2010), e gerenciam
de maneira integrada as informações sobre o
ciclo de vida das atividades de pesquisa, sobre
as entidades que estão envolvidas e as relações
que se estabelecem entre elas, por exemplo:
pessoas (pesquisadores, administradores,
etc.); organizações (universidades, centros de
pesquisa, órgãos de fomento, etc.); instalações
(laboratórios, equipamentos, etc.); produtos de
pesquisa (dados, publicações, patentes, etc.);
projetos e outras entidades que são protagonistas
da dinâmica do universo da pesquisa cientíca
(SALES, 2014).
O resultado mais evidente da implantação
de sistemas CRIS é o grande aumento da
visibilidade das atividades de pesquisa da
instituição para os diversos segmentos de
8 Sistema de Gestão de Informação sobre Pesquisa (tradução nossa)
interessados: de pesquisadores a gestores,
passando por formadores de opinião e as mídias
de divulgação cientíca voltadas para o cidadão
comum e para estudantes e professores. Pode-se
incluir também como motivação uma carteira de
serviços que apoia a conformidade e proporciona
o aumento da capacidade interna de reportar,
analisar, avaliar e entregar informações de forma
mais precisa, integrada e organizada.
Não obstante as atuais e intensas
discussões em torno dos sistemas de gestão
de informações sobre pesquisa, colocadas
principalmente pelas condicionantes da ciência
contemporânea e suas inúmeras articulações,
o conceito subjacente à sigla CRIS, não é, como
se poderia esperar, algo exatamente novo no
mundo da gestão da Ciência, Tecnologia e
Inovação (CT&I). A importância cada vez mais
imperativa para as infraestruturas de gestão de
pesquisa de gerir todo o processo de pesquisa
como uma sequencia de eventos de informação
é uma ideia que tem uma história de 40 anos
de desenvolvimento, como relembraram Jeffery
e Asserson (2009, p.74). Ainda que os sistemas
CRIS tenham sido identicados no passado
– e mesmo no presente - por outros nomes,
essencialmente, eles estão baseados nos mesmos
princípios funcionais dos atuais sistemas.
Isto reforça o fato de que conceitos tais como
“ambientes virtuais de pesquisa” e “sistemas de
gestão de pesquisa” também evocam a ideia de
que gestão de informação sobre pesquisa, são, em
alguma medida, sinônimos de CRIS ou incluem o
conceito de CRIS (JOINT, 2008, p.571).
3.1 Usuários e benefícios
Um dos pressupostos importantes dos
sistemas CRIS, conforme já visto, é a abrangência
e capacidade de ltrar e agregar informações,
traduzidos em serviços, que podem atingir
um amplo espectro de usuários que não estão
restritos somente ao universo cientíco, como
visto a seguir:
• Pesquisadores – acesso a informações
relevantes, autênticas e conáveis sobre
vários aspectos do mundo da pesquisa
cientíca; acesso aos resultados de
pesquisa (publicações e dados de pesquisa)
e informações sobre oportunidades de
parceria, currículos, empregos, prêmios,
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Luana Farias Sales e Luís Fernando Sayão
bolsas de estudo e nanciamento de
pesquisa, instalações, equipamentos,
laboratórios, projetos, eventos e pacotes de
software.
• Gestores de pesquisa – acesso a
indicadores e análise detalhada de
atividades de pesquisa, a informações
bibliométricas e comparativas sobre
desempenho de instituições cientícas
e de área de pesquisa; input para
desenvolvimento de estratégias e para
o planejamento; acesso ao currículo dos
pesquisadores e para avaliação do nível
individual de produtividade.
• Agências de naciamento á pesquisa
– constitui uma ferramenta importante
para melhoria e otimização do processo
de avaliação de projetos e de instituições
de pesquisa candidatos a nanciamento;
permite acesso a estudos comparativos
em relação a outras agências e o
acompanhamento dos projetos em
desenvolvimento.
• Formuladores de política de CT&I
constitui instrumento para confrontar
os produtos produzidos por diferentes
continentes, países, instituições e grupos
de pesquisa, para subsidiar a formulação
de marcos políticos e legais que dão
sustentação às atividades de pesquisa de
um país ou região.
• Empreendedores e inovadores – acesso a
informações que levem a novas ideias que
podem ser exploradas para a criação de
riqueza ou melhoria da qualidade de vida;
identicação de competidores e parceiros
que trabalham em projetos correlatos;
informações sobre contratos e patentes.
• Professores e estudantes – acesso a
materiais que possam apoiar o ensino
de ciências, como imagens e materiais
multimídias e simulações.
• Órgãos de divulgação – acesso a
informações que podem ser reformatadas
em matérias que popularizem a pesquisa
cientíca ou que suscitem questões de
caráter social, ético, político ou econômico
concernentes a segmentos da atividade de
pesquisa que são de mais óbvio interesse
público.
• Cidadão comum – acesso a interfaces
de sistemas voltados para registro,
processamento e exploração de resultados
atualizados de atividades de pesquisa
que têm efeitos sobre a prosperidade
social e sobre a qualidade de vida em
contextos mais sensíveis à sociedade como,
por exemplo, saúde, meio-ambiente e
educação.
Para atender a essas demandas e usos,
os sistemas de gestão de informação sobre
pesquisa precisam integrar dados provenientes
de diversas fontes e sistemas, internos e externos
à instituição. Tipicamente, as instituições de
pesquisa gerenciam as informações sobre o
ciclo de vida da pesquisa em seus domínios
extraindo-os, de forma transversal, de seus
próprios departamentos acadêmicos e
administrativos. Entretanto, dados externos
precisam ser integrados, notadamente os dados
sobre oportunidades de nanciamento e sobre
publicações acadêmicas (DEMPSEI, 2014).
Essas exigências de integração das
informações sobre publicações implicam
necessidade de sincronização dos sistemas CRIS
com os repositórios institucionais e repositórios
de dados, tudo isso em conformidade com as
políticas internas de acesso aberto. A visão
integrada que esta sincronização oferece é
precisamente o objeto do presente estudo.
3.2 Uma tentativa de classicação
Considerando a abrangência geográca
dos sistemas CRIS, Pinto e seus colaboradores
(2014) estabelecem uma categorização que ajuda
a compreender o escopo de ação desses sistemas
no contexto dos diversos níveis de infraestruturas
de pesquisa e a sua pluralidade de concepções.
Nessa direção temos: CRIS institucional que
inclui informações sobre pesquisas circunscritas
a uma única instituição; CRIS nacional que
gerencia informações cientícas, tecnológicas, de
inovação ou curriculares de várias instituições
pertencentes a um país; CRIS regional e
internacional que lida com informações sobre
pesquisa de países, de uma região ou de um
grupo de países reunidos por algum princípio
econômico, cultural ou proximidade geográca.
Num outro eixo pode-se considerar o
escopo temático dos sistemas CRIS: há os sistemas
que atuam sobre diversas áreas temáticas; em
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Ciberinfraestrutura de informação para a pesquisa
contraste, há os que se dedicam a uma área de
pesquisa especíca, como agricultura ou saúde.
Além do mais, há sistemas que focalizam sua
atenção em segmentos especícos, como projetos
ou currículos.
3.3 Ferramentas de software para
implementação de sistemas CRIS
De acordo com DEMPSEY (2014), várias
ferramentas de software surgiram no mercado
para assistir a implantação de ambientes CRIS
nos últimos anos. Isto deixa patente a demanda
crescente, em escala mundial, por produtos
comerciais voltadas para a gestão de informações
sobre pesquisa. Esta demanda é inada por uma
política agressiva de expansão do mercado por
parte dos tradicionais fornecedores de software
para a área de informação, que reposicionam seus
investimentos para um orescente segmento de
mercado. O Pure da Atira-Elsevier9 e o Converis10
da Avedas-Thomson Reuters são os principais
pacotes de software comerciais para CRIS que se
enquadram nessa situação.
Porém, em paralelo, muitas instituições
acadêmicas e de pesquisa estão optando por
desenvolver soluções baseadas em pacotes
de software originalmente destinados a gestão
de repositórios digitais, como o Dspace11 ou o
EPrints12. Esses programas têm os seus modelos
de dados estendidos para oferecer algumas
funcionalidades mais próximas aos dos sistemas
CRIS. Um exemplo marcante dessa situação
é a experiência realizada na Universidade de
Honk Kong que, em parceria com o consórcio
italiano CINECA13, adicionou entidades CERIF
no modelo de dados do DSpace, permitindo uma
maior amplitude de representação. Esse trabalho
colaborativo “[...] resultou na liberação da nova
plataforma DSpace-CRIS14, um CRIS de fonte
aberta que está sendo gradualmente adotado por
instituições de [pesquisa] em escala mundial”
(CASTRO, 2014, p. 42).
Indo além, algumas instituições preferiram
desenvolverem in-house seus próprios sistemas.
9 Pure: <http://www.elsevier.com/online-tools/research-intelligence/
products-and-services/pure>
10 Converis:< http://converis.thomsonreuters.com/>
11 DSpace: <http://www.dspace.org/>
12 EPrints: <http://www.eprints.org/uk/>
13 CINECA: <http://www.cineca.it/>
14 DSpace-CRIS: <http://cineca.github.io/dspace-cris/>
Esses desenvolvimentos domésticos têm como
principal motivação a necessidade que essas
instituições têm de ter o controle completo sobre
requisitos especícos de gestão de seu ciclo de
vida de pesquisa (CASTRO, 2014).
A natureza diversicada e a abrangência
dos sistemas CRIS implicam uma inevitável
heterogeneidade que vai demandar algum
grau de padronização, que além de orientar
o desenvolvimento e os processos desses
sistemas, possam também contribuir para a
troca de informações entre eles. A norma CERIF,
que essencialmente, oferece um formato de
intercâmbio de dados entre sistemas CRIS e um
modelo de dados, tem um papel importante na
consolidação das redes de sistemas de gestão de
pesquisa. Pela sua importância para o presente
estudo, ela será rapidamente analisada a seguir.
4 INtERCAMBIANDO INfORMAçÕEs
sOBRE PEsquIsA
A pesquisa cientíca é hoje um
empreendimento necessariamente de amplitude
internacional, isto acontece por vários motivos,
mas especialmente porque uma pesquisa
realizada dentro das fronteiras de um país,
provavelmente, está baseada em pesquisas
anteriores realizadas em diversos outros países
e pela intensa interação, via as novas formas de
interlocução entre os pesquisadores, além dos
limites nacionais. A ciência contemporânea tem
muitos exemplos bem conhecidos de pesquisas
transnacionais, como os projetos de mapeamento
do genoma humano e os estudos sobre as
mudanças climáticas; existem muitos outros
exemplos, especialmente quando infraestruturas
caras e tecnologicamente sosticadas são
necessárias, como em física das partículas
e em ciências espaciais. Por isso existe uma
necessidade absoluta de compartilhamento de
informações sobre pesquisa entre países, ou
mesmo entre instituições de pesquisa e órgãos
de fomento dentro do mesmo país (EUROCRIS,
2010)
Uma sinalização importante de que uma
categoria de serviço está se tornado relevante
para as áreas de CT&I é o movimento em torno
da elaboração de normas e padrões que oriente
o seu desenvolvimento e a sua capacidade de
interoperar em escala nacional e internacional.
170 Inf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.25, n.3, p. 163-184, set./dez. 2015
Luana Farias Sales e Luís Fernando Sayão
Foi assim com as bibliotecas e repositórios
digitais e esta sendo assim com os sistemas de
gestão de informações sobre pesquisa.
A multiplicidade de tipos e de
concepções de plataformas CRIS, conforme visto
anteriormente, tem como consequência direta a
diculdade de implementação de mecanismos
de interoperabilidade e de intercâmbio de dados
e informações entre elas; somado a isso está
a diversidade e a complexidade inerente aos
uxos informacionais que permeiam a gestão da
pesquisa cientíca. Estes fatos impõem o desao
de se criar instrumentos de padronização de
sistemas CRIS, principalmente para os sistemas
que compõem as redes de maior envergadura,
que permitam níveis de interoperabilidade e que
regule o desenvolvimento desses sistemas na
direção de concepções mais integradas entre si e
entre outras infraestruturas de informação, como
os RI’s. Para tal, é necessário considerar que as
normas criadas por entidades de padronização
de um determinado país não cobrem as
necessidades de outros países, dado o seu escopo
limitado às especicidades locais; por outro lado,
“as iniciativas internacionais e regionais (que
incluem vários países) são mais complexas e a
sua adoção é mais difícil, posto que nesse caso,
as normas são transversais a governos, políticas
e países” (PINTO; SIMÕES; AMARAL, 2014, p.3).
Neste cenário de modelos e de visões
díspares, o CERIF desponta como a norma
mais importante e conceitualmente mais bem
elaborada, tendo como objeto principal o
intercâmbio de informações entre as plataformas
CRIS no âmbito da Comunidade Européia. Pela
amplitude do domínio que trata – a pesquisa
cientíca -, o CERIF é frequentemente descrita
como uma norma de grande complexidade.
O CERIF apresenta um modelo
conceitual que descreve o domínio da Pesquisa
Cientíca, esta é sua essência. Formalmente
ele é mantido como um Modelo Entidade
Relacionamento (MER) a partir do qual scripts
SQL15 para múltiplos sistemas de banco de
dados (Oracle, mySQL, etc.) podem ser gerados.
Funcionalmente, o CERIF é denido como
uma norma voltada para o gerencialmente e
intercâmbio de informações sobre o ciclo de
vida da pesquisa cientíca, ou seja, informação
15 Sigla em inglês para Structured Query Language ( Linguagem de Consulta
Estruturada) que é a linguagem de consulta padrão para sistemas de
banco de dados relacional
sobre pesquisadores, projetos, resultados
de pesquisa, nanciamentos, instalações,
equipamentos e demais informações que têm
origem nos processos subjacentes às atividades
de pesquisa (RUSSEL, 2011). A norma CERIF
foi desenvolvida como um projeto multi-
institucional e multinacional gerenciado e
mantido pelo EuroCRIS e, ocialmente, ela é
uma recomendação da União Europeia para os
seus países membros, tendo como perspectiva
se consolidar como um quadro referencial
para o desenvolvimento e interoperabilidade
de sistemas CRIS no âmbito da região. Nessa
direção, a norma tem sido “[...] aplicada em
vários projetos como uma base referencial não
somente para o desenvolvimento de sistemas de
informação em ciência e tecnologia, mas também
para torná-los interoperáveis” (PACHECO, et al,
2006, p.180).
O modelo formal de dados estabelecido
pelo CERIF oferece uma ferramenta de
representação voltada para descrever as
entidades envolvidas no universo da pesquisa,
os relacionamentos entre elas e como estes
relacionamentos mudam com o tempo, ou seja,
o modelo tem embutido um conceito relacional
que é um constructo imprescindível para a
representação do universo da pesquisa. O CERIF
cria, dessa forma, uma abstração dos possíveis
contextos do ambiente de pesquisa articulando
resultados, produtos, atores, infraestruturas,
entre outros. O modelo contempla também a
multiplicidade de idiomas que caracteriza o
multiculturalismo dos países europeus.
O conceito relacional do CERIF dene
quatro tipos ou níveis de entidades: entidades
básicas; entidades resultados; entidades de 2º
nível; e entidades links. As três primeiras classes
de entidades formam um modelo de camadas
concêntricas tendo como núcleo as entidades
básicas e como foco principal a entidade Projeto.
As entidades básicas – que incluem
as entidades Projeto, Organização e Pessoa -
indicam e corporicam o propósito central do
CERIF. Porém, a entidade Projeto é o ponto
central da norma, cujo desenvolvimento tem
como ponto de partida a troca de informações
padronizadas sobre projetos entre os Estados
membros da União Europeia. Nessa direção, ao
registrar dados alinhados à norma CERIF sobre
projetos, pessoas e organizações associadas
ao ciclo de vidada pesquisa, as instituições
171
Inf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.25, n.3, p. 163-184, set./dez. 2015
Ciberinfraestrutura de informação para a pesquisa
cientícas ampliam o seu potencial de
intercâmbio e a oferta de serviços baseados em
dados padronizados e conáveis.
Proximamente associados às entidades
básicas estão as entidades que expressam os
desdobramentos da atividade de pesquisa,
ou seja, as entidades resultado: Publicação,
Patente e Produto. Publicação é o resultado mais
comum nos processos de pesquisa e, portanto,
é considerada uma entidade “núcleo”; Patente
corresponde às patentes geradas; e Produto
corresponde tipicamente ao conjunto de dados de
pesquisa, software e protótipos e outros produtos
ou outputs de atividades de pesquisa (RUSSEL,
2011).
Um segundo nível de entidades é
representado no modelo circundando as
entidades básicas e as entidades resultados;
elas correspondem às entidades que capacitam
o modelo relacional a representar o contexto
da pesquisa por meio de links originados nas
entidades básicas e entidades produtos, por
exemplo: pais, idioma, nanciamento, evento,
equipamento, instalação, serviço. A gura 1
representa algumas das entidades do CERIF e
seus relacionamentos.
Figura1-Algumas entidades CERIF e seus relacionamentos
Fonte:EuroCRIS (2012, tradução nossa)
A representação das relações entre as
entidades tem um papel-chave no modelo
proposto pela norma CERIF na construção da
representação do domínio da pesquisa. A partir
daí, uma particularidade importante é enfatizada:
no CERIF as relações também são entidades e
assim mantém seus próprios atributos, como,
por exemplo, o “carimbo de tempo” que indica
a temporalidade das relações. Baseados nesse
conceito, as diversas entidades podem ser
vinculadas em pares por meio de links, como,
por exemplo, um autor à sua publicação. Para
dar maior concretude a esta representação, o
modelo estabelece a ideia de “entidade link”,
que são relações ou links entre entidades CERIF.
Dessa forma, uma entidade link conecta duas
entidades, sejam elas básicas, resultados ou de
segundo nível. Por exemplo: Pessoa “é autor
de” ResultadoPublicação; ResultadoPublicação
“é nanciado por” ProgramaFinanciamento.
O conceito de entidade link é considerado
pelo EuroCRIS como sendo o ponto mais forte
172 Inf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.25, n.3, p. 163-184, set./dez. 2015
Luana Farias Sales e Luís Fernando Sayão
necessita também de uma data inicial e uma
data nal, caracterizando esta vinculação como
uma variável temporal. Nessa direção, todas
as entidades link seguem o mesmo padrão,
que é de fato uma tripla: dois identicadores
correspondentes às entidades que estão sendo
“linkadas”; um carimbo de tempo que informa
as datas de início e de m; e uma referência
à camada semântica – ou seja, a um termo de
um vocabulário pertencente a um esquema e o
namespace do esquema (EUROCRIS, 2012).
Resumidamente, a camada semântica
armazena os valores semânticos denidos
para os atributos das entidades e das entidades
links. No sentido de capturar os signicados
desses elementos, os atributos para as
entidades assinalam tipos de entidades (por
exemplo: projetos, patentes), enquanto para
relações assinalam papeis (por exemplo: autor,
coordenador). Para tal, qualquer esquema ou
estrutura, como dicionários, léxicos, tesauros,
ontologias, podem ser incorporados, conforme
assinala Russel (2011). A gura 2 ilustra uma
situação simples de entidades links com possíveis
papeis.
do modelo proposto pelo CERIF, posto que
possibilita uma grande expressividade da
dinâmica do mundo real da pesquisa.
4.1 Camada semântica do CERIF
Neste momento, ca clara a necessidade
de algum dispositivo semântico que atribua
signicado aos relacionamentos estabelecidos
pelas entidades links. Isto é denido pelo “CERIF
Semantic Layer”. Esta camada semântica é de
fato um construto conceitual para descrever
um submodelo do CERIF que permite a
gestão eciente e signicativa de vocabulários
controlados. Ela é, dessa forma, uma semântica
declarada que segue a sintaxe formal estabelecida
pelo modelo CERIF. Isto signica dizer que
sistemas CRIS compatíveis com o CERIF são
construídos sobre uma sintaxe formal e uma
semântica declarada (EUROCRIS, 2012).
Assim, cada entidade link porta um
signicado que é estabelecido pela referência a
esta camada semântica do CERIF. Cada registro
de vinculação por links (linking) entre entidades
Figura2-CERIF: algumas entidades, entidades links e possíveis papéis
Fonte: Propría
173
Inf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.25, n.3, p. 163-184, set./dez. 2015
Ciberinfraestrutura de informação para a pesquisa
.Por m, é necessário analisar rapidamente
os possíveis usos do CERIF sem perder de vista
as possibilidades de interoperabilidade CRIS/RI,
objeto do presente estudo. Para Russel (2011), o
CERIF pode ser usado de três formas:
Como um modelo para a implementação
de um sistema CRIS isolado (porém pronto
para a interoperabilidade);
Como um modelo para denir um
invólucro que envolve um sistema legado
CRIS, não aderente ao CERIF, que atue
como uma interface entre a estrutura
interna de dados e o ambiente externo.
Como uma denição de um formato de
troca de dados para criar um armazém
de dados proveniente de vários sistemas
CRIS.
O histórico do desenvolvimento do
CERIF registra um esforço para estendê-
lo “para acomodar o Dublin Core (DC), por
reconhecer as exigências da comunidade
envolvida com a literatura cinzenta e o
crescente número de repositórios institucionais
baseados em OAI-PMH/DC” (RUSSEL, 2011,
p.1). A versão CERIF 2008 – 1.2 (novembro
de 2010) - estende a entidade publicação em
resposta à interoperabilidade com repositórios
institucionais.
A gestão e o compartilhamento de
dados sobre pesquisa e de coleções de dados,
publicações e outros artefatos que surgem como
resultados da atividade pesquisa ocorrem em
ambientes, que de forma ideal, estão permeados
por recursos tecnológicos avançados. Este
arcabouço tecnológico cria um novo patamar
que se sobrepõe aos recursos infraestruturais
convencionais e recongura o modo de fazer
ciência delineando as bases da e-Science. É
esse ambiente tecnológico que será discutido
rapidamente a seguir.
5 CIBERINfRAEstRutuRA DE DADOs
O Relatório da National Science
Foundation16 (NSF), conhecido como “Relatório
16 Disponível em: <http://www.nsf.gov/> Acesso em 01 abr. 2015
Atkins” (ATKINS, 2003), esclarece que o termo
infraestrutura vem sendo usado desde 1920 para
se referir coletivamente aos serviços públicos
necessários ao funcionamento de uma economia
industrial, tais como rede elétrica, sistema
telefônico, malhas rodoviárias e ferroviárias,
assim como tantos outros.
No contexto atual, um novo termo
desponta para denotar o arcabouço tecnológico
subjacente a uma sociedade transformada
pela informação e pelo conhecimento:
“ciberinfraestrutura”. O termo se refere a
um agregado coordenado de tecnologias da
informação, redes de computadores e sistemas
– incluindo especialistas e organizações –
que possibilitam novas formas de trabalho,
entretenimento, pesquisa, educação e estilos
próprios de vida (BERMAN 2008). “Se
infraestrutura é determinante para uma
economia industrial, então nós podemos dizer
que ciberinfraestrutura é essencial para uma
economia do conhecimento” (ATKINS, 2003,
p.5).
No campo da pesquisa cientíca,
ciberinfraestrutura é uma solução tecnológica e
sociológica para o problema de conectar de forma
eciente laboratórios, dados, computadores e
pessoas, com o propósito de permitir a dedução
de novas teorias e conhecimentos cientícos.
Nessa direção, ciberinfraestrutura descreve
ambientes de pesquisa que dão suporte a métodos
avançadas de aquisição, armazenamento,
curadoria, mineração, visualização de dados,
além de outros serviços de computação e
processamento de informação distribuídos
em rede. Estes ambientes tecnologicamente
avançados criam pontos de inexão na trajetória
histórica da ciência, redesenhando seus métodos,
suas formas de socialização e seus resultados,
tornando os dados elementos determinantes.
Um breve olhar sobre a evolução do uso
de computadores para a manipulação de grandes
conjuntos de dados mostra que, nos ns da
década de 1990, os procedimentos para este tipo
de processamento já estavam bem consolidados
nos países mais avançados. As infraestruturas
nacionais de computação para a pesquisa se
dividiam primariamente em três vias: centros
174 Inf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.25, n.3, p. 163-184, set./dez. 2015
Luana Farias Sales e Luís Fernando Sayão
locais de computação de alto desempenho,
localizados em universidades e institutos de
pesquisa; recursos de supercomputação sediados
em laboratórios nacionais; e um pequeno
número de nós de supercomputação distribuídos
geogracamente, disponíveis para o pesquisador
sob demanda. No nal do século passado, essas
congurações começaram a evoluir na direção
do que começou a se chamar de “computação
em grade” (grid computing) (GOLD, 2007). Essa
nova arquitetura computacional possibilitou o
compartilhamento de recursos entre plataformas
e redes institucionais distribuídas e heterogêneas,
abrindo perspectivas que estão mudando – em
conjunto com outros avanços -profundamente
o fazer cientíco. Um exemplo recorrente foi o
surgimento da Genômica que ofereceu um novo
enfoque para os problemas de pesquisa na área
de Biociências, baseado no esforço colaborativo
de juntar peças de dados de pesquisa de uma
forma padronizada e bem entendida. Essa
forma de compartilhar dados culminou com
sequenciamento do genoma humano em abril de
2003 (GOLD, 2007)
Os sistemas de informação, incluindo
as bibliotecas de pesquisa, têm um papel
importante na composição desses novos
ambientes de pesquisa, posto que o aparato
tecnológico que possibilita curadoria de dados
de pesquisa e a gestão de dados e informações
sobre pesquisa se caracteriza como uma
ciberinfraestrutura. Berman (2008), a respeito
disso, nos explica que: no âmbito da pesquisa
e da educação os seus protagonistas desejam
ambientes coordenados que gerenciem
dados digitais - da criação a preservação -,
que possibilitem o arquivamento de dados
provenientes de instrumentos, sensores,
computadores, laboratórios, pessoas e outras
fontes; que incluam ferramentas e recursos
de gestão de dados, armazenamento seguro
e dispositivos voltados para o uso dos dados,
como computadores para analises, simulação,
modelagem e visualização; além do mais, os
pesquisadores desejam que seus dados possam
estar disponíveis para seus pares, de forma
inteligível, por meio de portais e banco de
dados, fomentando o trabalho colaborativo.
A realocação dos sistemas CRIS e
Repositórios Institucionais como componentes
dos ambientes tecnológicos voltadas para a
pesquisa redimensiona o valor desses sistemas
na medida em que seus ativos informacionais
se tornam matéria prima para serviços inéditos,
de maior alcance em termos de usuários (por
exemplo: gestores e administradores) e mais
avançados. Para tal, é importante entender
com um grau a mais de detalhes as diferenças
e semelhanças entre CRIS e RI e os papéis que
podem desempenhar nestes novos e promissores
cenários.
6 O quE DIfERENCIA Os sIstEMAs
CRIs E RI
Os sistemas CRIS e os RI’s atuam
em domínios informacionais convergentes,
significando que ambos os sistemas estão
interessados na coleta de informações sobre
resultados dos fluxos de pesquisa em âmbito
institucional, regional, nacional ou em torno
de uma área de conhecimento. Eles têm,
porém, objetivos distintos que, entretanto,
muito frequentemente, se sobrepõem, da
mesma forma como compartilham inúmeras
funções.
O que se observa na literatura é que há um
consenso absoluto entre os especialistas da área
de que os sistemas de gestão de informação para
a pesquisa e os repositórios institucionais não são
sistemas incompatíveis. Verdadeiramente, eles
oferecem soluções informacionais para diferentes
necessidades das organizações voltadas para
a pesquisa cientíca, como universidades e
institutos de pesquisa. Ambos estão preocupados
com a captura de informações sobre a atividade
de pesquisa. Enquanto o CRIS cobre os processos
de investigação cientíca numa perspectiva
mais gerencial e abrangente, voltando-se para
a instituição ou o conjunto de instituições que
formam o seu domínio, a ótica dos repositórios
175
Inf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.25, n.3, p. 163-184, set./dez. 2015
Ciberinfraestrutura de informação para a pesquisa
é mais acadêmica cobrindo publicações e artigos
cientícos em texto completo, voltando-se para
o mundo exterior à instituição, disseminado a
sua memória cientíca por meio de protocolos
abertos.
Ambos os sistemas devem estar
apropriadamente integrados aos ciclos de vida
da pesquisa, registrando dados bibliográcos e
documentando as informações relacionadas ao
fomento, para o caso do CRIS, e arquivando de
forma adequada as versões em texto completo
das publicações acadêmicas, para o caso de um
repositório. Os sistemas CRIS estão mais focados
em monitorar a atividade de pesquisa do que
maximizar o impacto, que é uma função do
repositório; este, por sua vez, está mais centrado
na preservação do material em texto completo
do que somente em dados bibliográcos. É
preciso considerar também, nessa comparação,
as diferenças signicantes entre os uxos de
trabalho administrativos e os de pesquisa,
que podem ser gerenciados por sistemas mais
adequadamente talhados para necessidades
especícas de cada atividade (SHEPPARD,
2010).
Reforçando essa argumentação, Elbæk
(2012) esclarece que em muitas organizações
acadêmicas e de pesquisa esses dois sistemas
estão vinculados a diferentes unidades
organizacionais, que torna mais evidente suas
respectivas missões: os repositórios estão
geralmente ligados às bibliotecas cientícas e
a outras unidades de informação; enquanto
os sistemas CRIS, na qualidade de sistemas
de gestão, estão subordinados às instâncias
administrativas das instituições de pesquisa.
Porém “ambos os sistemas conam [...] nos
dados fornecidos pelos pesquisadores e
administradores de pesquisa, diretamente ou via
serviços mediadores como bibliotecas, escritórios
de pesquisa, editores e bases de dados”
(CASTRO, 2014, p.1)
Entretanto, a trajetória evolutiva desses
sistemas mostra uma tendência para uma
convergência funcional, signicando que os
sistemas de um tipo começam a incorporar
funções do outro. Castro (2014) ressalta que,
não obstante serem sistemas distintos, na
medida em que as plataformas CRIS avançam
na remodelação de suas funcionalidades, elas
começam a cobrir um número crescente de
particularidades que antes eram tradicionalmente
disponibilizadas somente pelos repositórios.
Nessa direção, os pacotes de programa CRIS
se tornam compatíveis com o protocolo de
interoperabilidade OAI-PMH, começam
a armazenar arquivos em texto completo
acessíveis publicamente, gerenciam tempos de
embargo de publicações acadêmicas entre outras
funcionalidades típicas dos repositórios.
Por outro lado, os repositórios começam
também a ampliar seus modelos de dados de
forma que possam abrigar metadados que
descrevem atividades gerenciais de pesquisa,
como descrição de projetos de pesquisa e
identicação de órgãos nanciadores de
projetos.
Essa crescente sobreposição de funções
entre sistemas CRIS e RI, aliada a restrições
econômicas, tem privilegiado congurações onde
os RI são substituídos por CRIS. Castro (2004)
enfatiza ainda que embora os sistemas CRIS não
ofereçam atualmente todas as funcionalidades
dos repositórios, esses sistemas são percebidos
por um número considerado de instituições
como avançados o suciente para justicar a sua
adoção para apoiar a totalidade das atividades
relacionadas à gestão de informações para a
pesquisa, incluindo as atividades desempenhadas
pelos RI´s.
Com o objetivo de tornar as diferenças
entre os dois sistemas mais perceptíveis e
caracterizar com maior rigor a natureza de
cada um deles, foi proposta o Quadro 1, que
tenta estruturar as diferenças que coletivamente
identicam conceitualmente cada sistema,
mesmo reconhecendo que essa diferenciação
se esvanece à medida que os sistemas evoluem
e se integram. Uma fonte importante para a
formulação dessa síntese foram os trabalhos
de Castro (2014) e Castro; Shearer; Summann
(2014).
176 Inf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.25, n.3, p. 163-184, set./dez. 2015
Luana Farias Sales e Luís Fernando Sayão
Quadro1–Principais diferenças entre o sistema CRIS e RI
SISTEMAS
CRIS RI
FUNÇÃO
PRINCIPAL
Gestão das informações sobre o ciclo total das
atividades de pesquisa cientíca
Formação da memória acadêmica digital
das instituições de pesquisa
ESCOPO
Lida com as informações de todo o ciclo de
atividade de pesquisa, incluindo informações
sobre projetos, nanciamentos, pessoas,
organizações, produtos de pesquisa, instalações
e equipamentos.
Ênfase no arquivamento de produtos de
pesquisa, principalmente publicações
acadêmicas. Entretanto, o escopo tem se
estendido para incluir outros produtos,
tais como dados de pesquisa.
OBJETIVO
Coleta informações com o objetivo de reportar
as atividades institucionais de pesquisa,
considerando também informações sobre
ambientes externos como governo e agências de
fomento à pesquisa.
Arquivar, tratar, preservar e disseminar
produtos de pesquisa, com forte ênfase
em publicações acadêmicas, tendo
como orientação os pressupostos do
movimento de Livre Acesso.
ABRANGÊNCIA
Na qualidade de ferramenta voltada para coletar
informações sobre todas as áreas da instituição
envolvidas em atividades de pesquisa, incluindo
informações econômicas, os sistemas CRIS
são basicamente projetados para uso interno.
Esses sistemas não estão, tradicionalmente,
preocupados em disseminar externamente as
informações que eles armazenam.
Os repositórios por sua vez, são
orientados para o mundo exterior,
ou seja, disseminar, dar visibilidade,
permitir o acesso livre e aumentar o
impacto dos produtos de pesquisa da
instituição.
GESTÃO
Os sistemas CRIS são tipicamente comandados
pelos mesmos setores que fazem a gestão dos
projetos de pesquisa na instituição e que cuidam
da avaliação, planejamento, nanças etc.
Os repositórios são geralmente
gerenciados pelas unidades de
informação das instituições,
representados, na maioria dos casos,
pelas bibliotecas de pesquisa.
CONTEÚDO
Como ferramenta acurada para reportar
atividades de pesquisa, os sistemas CRIS
lidam exclusivamente com metadados que
contextualizam os uxos de pesquisa da
instituição.
Os repositórios também fazem uso de
metadados, porém sua atenção está
centrada na disponibilidade de texto
completo e na criação, arquivamento,
curadoria e reuso dos objetos digitais.
METADADOS
Os sistemas CRIS operam com padrões de
metadados complexos e não sucientemente
harmonizados, mas que são necessários para a
descrição das inúmeras atividades de pesquisa.
O CERIF é o padrão mais usado. Embora a
sua implementação varie consideravelmente
entre países, ele está se tornando rapidamente
o padrão default que poderá contribuir para a
interoperabilidade de alto nível.
Os repositórios operam com modelos
bem mais simples de metadados, que
são, por sua vez, transversalmente
bastante consistentes entre instituições
e países, isto permite um alto grau de
interoperabilidade. O padrão mais
usado é o Dublin Core qualicado.
PLATAFORMAS
DESOFTWARE
Embora muitas instituições tenham optado por
desenvolver suas próprias soluções de CRIS no
sentido de atender aos seus requisitos especícos,
as soluções comerciais tendem a prevalecer,
principalmente devido à complexidade
intrínseca dos modelos e à possibilidade de
congurar as comunidades de usuários.
As plataformas de software para
Repositórios têm uma arquitetura mais
simples e são, tradicionalmente, pacotes
do tipo open source que envolve no seu
desenvolvimento uma ampla comunidade
internacional. Os pacotes mais usados
mundialmente são o Dspace e o EPrints.
COMPARTILHA-
MENTODE
INFORMAÇÕES
As comunidades CRIS só recentemente iniciaram
o compartilhamento sistemático de informações.
As comunidades responsáveis pelos
repositórios, orientadas pelo padrão
de intercâmbio bibliotecas de pesquisa,
praticam uma troca intensiva de
informações.
INTEROPERABI-
LIDADE
Ainda insipiente, devido à questão de
metadados, modelos adotados e padronização.
Via protocolo OAI-PMH e o uso de
metadados DC.
Fonte: autores, adaptado de Castro (2014)
177
Inf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.25, n.3, p. 163-184, set./dez. 2015
Ciberinfraestrutura de informação para a pesquisa
7 CONfIguRAçÕEs DE sIstEMAs
DE gEstãO DE INfORMAçÕEs
PARA A PEsquIsA
Castro e seus colaboradores (2014),
como resultado de um levantamento realizado
em instituições de pesquisa do Reino Unido,
sintetizam as possibilidades de congurações de
sistemas CRIS nos seguintes casos:
• Repositórios Institucionais somente
- Muitas instituições cientícas,
principalmente as menores, não operam
sistemas CRIS e utilizam os RI`s como
sua principal ferramenta de gestão de
informação sobre pesquisa, adotando
o padrão conhecido como “RI como
CRIS” ou “RI ampliado” em que algumas
funcionalidades características de sistemas
CRIS são obtidas por meio da extensão do
modelo de dados do RI. Esse mecanismo
permite que os repositórios coletem
informações adicionais sobre a atividade
de pesquisa além das circunscritas pelas
publicações acadêmicas. “Não há nada
que impeça um modelo de metadados
baseado no Dublin Core de ser estendido
para cobrir áreas adicionais de pesquisa,
como projetos de pesquisa” (CASTRO,
2014, p.6). A ampliação dos repositórios
por meio de ferramentas tais como add-
on para repositórios E-Prints ou a solução
de software livre Dspace-CRIS “capacitam
as instituições a gerenciarem suas
informações de pesquisa tradicionalmente
associadas com sistemas CRIS, como dados
de pessoas e projetos”. (CASTRO, 2014,
p.6).
• CRIS somente - Este é o caso em que
uma instituição concentra todas as
informações para pesquisa no ambiente
CRIS, que incorpora também as funções
especícas de repositório institucional.
Em relação à sustentação tecnológica
para essa conguração, Castro e seus
colaboradores (2014) observam que
algumas plataformas comerciais CRIS
vêm desenvolvendo atributos de RI para
os seus produtos, incluindo aderência
ao protocolo OAI-PMH. Isto signica,
ainda de acordo com estes autores, que
há uma clara tendência, principalmente
nos países que possuem infraestruturas
avançadas de gestão de informação para
a pesquisa, na direção de tornar sistemas
RI e CRIS numa plataforma única. Nesse
desenho, os produtos de pesquisa são
geridos no ambiente CRIS, onde também
são disponíveis via acesso aberto e
para coleta automática (harvesting) de
agregadores OAI-PMH. Entretanto é
necessário considerar que os sistemas
CRIS não foram originalmente projetados
para disseminar externamente produtos
de pesquisa, e que não obstante a gradual
aderência ao protocolo OAI-PMH, ainda
estão longe de possuírem especicidades
oferecidas, por exemplo, pelo protocolo
SWORD17, como lembram Castro, Shearer
e Summann (2014, p.45)
• Operação conjunta CRIS e repositório
institucional – nessa categoria os
pesquisadores reuniram as congurações
adotadas pelas instituições que operam
concomitantemente um sistema CRIS,
desenvolvido por elas mesmas, ou
sistemas comerciais que sejam baseados
no padrão CERIF – como, por exemplo,
o Pure ou Converis –, e também um
repositório institucional. Os dois sistemas
podem rodar de forma independente,
dando suporte aos relatos de atividades
de pesquisa e de disseminação de
produtos de pesquisa como processos
apartados. Entretanto, como destacam
Castro, Shearer e Summann (2014,
p.43), “devido considerações sobre a
eciência e a gradual disponibilidade
de tecnologias [...], ambos os sistemas
estão geralmente interligados de forma
que ocorre um processo sistemático de
troca de dados entre eles”. Tipicamente,
o CRIS submete automaticamente os
metadados de publicações ao RI por meio
de mapeamento CERIF/Dublin Core ou
CERIF/MODS18. Nessa direção, o CRIS/
CERIF atua como um sistema de gestão
17 SWORD (Simple Web-service Offering Repository Deposit) é um
padrão de interoperabilidade que permite que os repositórios digitais
aceitem depósitos de conteúdos de fontes múltiplas em diferentes
formatos. Para saber mais: <http://swordapp.org/ >
18 MODS (Metadata Object Description Schema) é um esquema de
metadados bibliográcos que pode ser usado para vários propósitos.
Para saber mais: <http://www.loc.gov/standards/mods/>
178 Inf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.25, n.3, p. 163-184, set./dez. 2015
Luana Farias Sales e Luís Fernando Sayão
interno para os produtos de pesquisa,
enquanto o RI/OAI-PMH dissemina
esses produtos para o mundo externo,
oferecendo acesso aberto aos textos
completos e a esses produtos sempre
que possível. Completando, Castro,
Shearer e Summann (2014) assinalam
que a disponibilidade de gateway CERIF/
DC ou CERIF/MODS nos sistemas CRIS
oferecem uma grande oportunidade de
interoperabilidade CRIS/IR, entretanto
existem numerosos exemplos de
interoperabilidade entre plataformas
CRIS e RI, onde o CRIS não é aderente ao
padrão CERIF.
As congurações de CRIS e RI
apresentadas se tornam mais complexas
na medida em que entram em cena os
repositórios de dados de pesquisa – também
chamados por alguns autores de repositório
de e-Sscience, repositório de e-pesquisa ou
ainda e-Repositório. Embora haja algumas
experiências interessantes na aplicação de
repositórios de e-prints para a arquivamento
de dados e conjunto de dados de pesquisa –
como é o caso do CarpeDien19 do Instituto de
Engenharia Nuclear (SALES, 2014) -, via de
regra, as instituições adotam soluções distintas
para dados e publicações. As razões para tal,
conforme explicitado por Jeffery e Asserson
(2009), recaem principalmente nos padrões de
acesso e nos requisitos de representação via
metadados, que são claramente diferentes.
Os repositórios de e-pesquisa requerem um
conjunto de metadados muito mais detalhado e
mais preciso para o controle e a gestão de seus
ativos informacionais. Estes requisitos superam
os limites mais simples necessários à descoberta
e ao acesso aos recursos dos repositórios de
e-prints. Por exemplo, as anotações sobre
a prática laboratorial de análise de uma
determinada substância química vão requerer
um conjunto especíco de metadados, enquanto
outra coleção de dados, para ser interpretada,
gerida e recuperada, vai exigir outro e diferente
grupo de metadados (SALES, 2014, p. 63).
Uma das maiores diculdades na
criação de repositórios de dados recai sobre a
19 Disponível em: < http://carpedien.ien.gov.br/ > Acesso em: 01 abr.
2015
natureza heterogênea e diversicada do que é
chamado dados de pesquisa. Cada disciplina,
cada instituição tem visões distintas sobre o
que é dado de pesquisa, como deve ser feita
a curadoria, a recuperação e a apresentação
de suas coleções de dados. Além do mais, há
muito mais restrições sociais, éticas e legais
que devem ser levadas em contas do que
quando consideremos os repositórios abertos
de publicações acadêmicas; e, por m, questões
de autenticidade, integridade, proveniência e
validade no tempo exigem diferentes formas de
registro. Tudo isso somado implica uma gestão
mais apurada e tecnologias mais sosticadas
para dar conta do ciclo de vida dos dados
de pesquisa arquivados em repositórios de
e-pesquisa.
Enquanto artefato tecnológico, os
repositórios de dados estão estruturados, na
maioria dos casos, na forma de base de dados
factuais. Entretanto, devido às condicionantes
de cada disciplina, o panorama geral desses
repositórios é extremamente diversicado em
termos de conteúdo, concepção e tratamento
dos dados. Sendo assim, na prática, a escolha
do conjunto de tecnologias a ser aplicado
no desenvolvimento e na operação dos
repositórios de e-pesquisa está relacionada à
forma como se processa o uxo das pesquisas
e como se congura o ciclo de curadoria
dos dados, ou seja, que tipos de dados serão
arquivados, como eles serão recuperados,
visualizados e reusados.
8 INtEROPERABILIDADE CRIs/RI
A convergência de interesse e a
complementaridade de objetivos e funções dos
sistemas CRIS e dos Repositórios Institucionais
apontam para a necessidade de se construir
pontes tecnológicas, sintáticas e semânticas que
reforcem as características de cada um deles em
prol das instituições de pesquisa a que servem.
Numa primeira abordagem, isso se dá através da
transferência de informação entre essas diferentes
plataformas informacionais.
As ações técnicas e tecnológicas que
permitem a troca inteligível de informações
entre os sistemas CRIS e RI´s localizados no
mesmo domínio informacional – seja uma
179
Inf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.25, n.3, p. 163-184, set./dez. 2015
Ciberinfraestrutura de informação para a pesquisa
instituição ou uma rede de instituições –
determinam o nível de interoperabilidade
entre esses sistemas. De acordo com Castro
(2014), o uxo de troca de informações entre
os sistemas irá envolver graus de transferência
de metadados entre eles, o que por sua vez,
implica, via de regra, na necessidade do
estabelecimento de regras de mapeamento entre
os diferentes padrões de metadados operados
pelas plataformas CRIS e pelos RI’s.
A integração dos ativos informacionais -
antes autocontidos em seus sistemas especícos -
proporcionada pela interoperabilidade, aumenta
o espectro de possibilidades que se pode
vislumbrar, em termos de redução de esforços,
oferecimento de novos serviços e troca de
informações com sistemas externos ao domínio a
que pertencem.
Uma vantagem direta da possibilidade
de interoperabilidade é a redução de esforços
na entrada de informações nas áreas onde os
sistemas apresentam sobreposições importantes,
como por exemplo, na descrição de um projeto
de pesquisa; e também no enriquecimento,
proporcionada pela integração, das informações
recuperadas em ambos os sistemas através do
linkage dos itens de informação. Por exemplo,
recuperados os metadados sobre um projeto na
plataforma CRIS, a integração permite o acesso
imediato ao texto completo das publicações
relacionadas, como artigos e relatórios, via URI,
na base de dados do repositório.
Uma sinalização eloquente sobre a
importância da interoperabilidade CRIS/IR em
patamares interinstitucionais e regionais está
explicitada na publicação, bastante recente,
“OpenAIRE Guidelines for CRIS Managers
based on CERIF XML”(OpenAIRE, 2014).
Tomando como princípio que o modelo de
dados adotado pelo OpenAIRE20 está em
conformidade com o padrão CERIF, e que,
além do mais, o CERIF XML foi adotado pelo
OpenAIRE como base para coleta automática
(haversting) e importação de metadados dos
sistemas CRIS, os Guidelines oferecem aos
20 O OpenAIRE é um esforço colaborativo no âmbito da Comunidade
Europeia que tem como objetivo geral apoiar a implementação do
acesso livre na Europa. Para saber mais: <https://www.openaire.eu/>.
gestores de sistemas CRIS orientação para expor
os seus metadados para harvesting de forma que
eles sejam compatíveis com a infraestrutura
OpenAIRE. “Implementando os Guidelines, os
gestores CRIS apoiam a inclusão e, portanto, o
reuso de metadados dos seus sistemas no âmbito
da infraestrutura OpenAIRE” (Open AIRE, 2014,
P.1).
Atualmente o OpenAIRE atua sobre
uma rede interoperável e validada de mais
de 520 repositórios e de periódicos Open
Archives (AO), integrando mais de 9 milhões
de publicações livres e cerca de 1000 conjuntos
de dados. “A extensão do provedor de dados
OpenAIRE para incluir os sistemas CRIS
resultará numa quantidade significante
de conteúdos coletados automaticamente
[...]” CASTRO (2014, p.6). Isto torna
evidente as vantagens da implementação da
interoperabilidade CRIS/IR também no plano
interinstitucional, reforçando, ainda mais, os
pressupostos de uma ciência aberta.
Indo mais adiante, o gateway CERIF-XML
para intercâmbio de metadados entre sistemas
CRIS e RI pode ser também adaptado para
ser aplicado a sistemas CRIS não compatíveis
com o CERIF. Isto é viabilizado por meio do
mapeamento dos modelos de dados especícos
com o padrão CERIF, e abre a possibilidade do
surgimento de redes que vão além dos propósitos
do OpenAIRE (DE CASTRO; SHEARER;
SUMMANN 2014).
9 PROPOstA DE uMA ARquItEtuRA
A partir dos elementos discutidos
anteriormente, é delineado um modelo de
integração sintetizado na gura 3 e no quadro 2.
A arquitetura proposta estabelece um ambiente
completo de informações para a pesquisa,
identicada como parte da ciberinfraestrutura
de uma organização focada em atividades
acadêmicas. Esta arquitetura está composta
pelos seguintes sistemas: Repositório
institucional (RI); Repositório de dados de
pesquisa (e-Repositório) e Sistema CRIS que
opera com um modelo de dados aderente à
norma CERIF.
180 Inf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.25, n.3, p. 163-184, set./dez. 2015
Luana Farias Sales e Luís Fernando Sayão
Figura3 - Modelo de interoperabilidade RI X RD X CRIS
Fonte: Propría.
O quadro 2 sintetiza os principais
componentes da arquitetura, usuários e
os fluxos de troca de informações entre
os sistemas e entre os demais sistemas
administrativos e acadêmicos internos e
externos à instituição.
181
Inf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.25, n.3, p. 163-184, set./dez. 2015
Ciberinfraestrutura de informação para a pesquisa
Quadro2–Sistemas, usuários e troca de informações entre os sistemas internos e externos à instituição
SISTEMASQUEINTEGRAMAARQUITETURA
Embora estes sistemas estejam integrados, eles podem funcionar de maneira independente uns dos outros, dando apoio, de forma separada, aos processos institucionais
de reportar as atividades de pesquisa – geralmente de responsabilidade do escritório de pesquisa – e de disseminação dos produtos e resultados de pesquisa, que é
responsabilidade característica da biblioteca cientíca.
SISTEMAS
REPOSITÓRIOINSTITUCIONAL
Repositório digital compatível com o protocolo OAI-PMH/ Dublin Core; base de dados que arquiva, preserva e dissemina publicações
acadêmicas em texto completo e seus metadados e permite o acesso livre e autossubmissão.
ACESSO LIVRE; PRESERVAÇÃO; MEMÓRIA TÉCNICO-CIENTÍFICA; IMPACTO E DISSEMINAÇÃO
REPOSITÓRIODEDADOSDEPESQUISA(e-REPOSITÓRIO)
Base de dados de coleções de dados de pesquisa que tem políticas especícas de acesso e interoperabilidade. Utiliza metadados
compatíveis com o DC/DataCite1 e metadados especícos da área.
CURADORIA DIGITAL; REUSO DE DADOS; MEMÓRIA TÉCNICO-CIENTÍFICA, ACESSO E CITAÇÃO
SISTEMACRIS
Ambiente que opera com um modelo de dados aderente à norma CERIF; caracterizado como uma ferramenta de apoio a gestão de pesquisa
por meio do fornecimento de informações contextuais sobre atividades de pesquisa da instituição.
INDICADORES; AVALIAÇÕES; PLANEJAMENTO; EMPREGOS; FINACIAMENTO; REGISTROS ACADÊMICOS
USUÁRIOS:CONSULTAESUBMISSÃO
O ambiente tem como perspectiva oferecer recursos informacionais para uma ampla gama de usuários internos e externos à instituição que podem ser categorizados
em três tipos:
USUÁRIOS
PESQUISADORES
Consultam o ambiente integrado via interface CRIS para obterem informações contextualizadas; utlizam as interfaces das plataformas RI e
e-Repositório para alguns tipos de busca e para submissão manual de publicações acadêmicas e coleções de dados de pesquisa.
GESTORES,ADMINISTRADORESEFINANCIADORESDEPESQUISA
Utlizam o CRIS como ferramenta de apoio aos processos de gestão de pesquisa (indicadores, métricas etc.).
USUÁRIOSFORADOMUNDODAPESQUISA(PROFESSORES,ESTUDANTES,JORNALISTAS,GOVERNANTES,CIDADÃO
COMUMETC.)
Consultam o ambiente via interface CRIS para obterem informações sobre pesquisa para suas atividades prossionais ou de estudos
INTEROPERABILIDADEENTREOSSISTEMAS
Os processos sistemáticos de troca de informação que se estabelecem entre os sistemas podem ser descritos da seguinte forma:
TROCA DE
INFORMAÇÕES
ENTRE CRIS, RI E
e-Repositório
CRISàRI
A plataforma CRIS submete automaticamente todos os metadados de publicações coletados de fontes externas ao RI por meio de um
mapeamento CERIF/Dublin Core; o CRIS armazena links para as publicações em texto completo no RI e um amplo conjunto de informações
contextuais;
RIàCRIS
O RI transfere metadados capturados através de harvesting ou entrados manualmente por autossubmissão via mapeamento DC/CERIF
para o CRIS; metadados correspondem a publicações (ResultadoPublicação)
e-RepositórioàCRIS
O repositório de dados transfere metadados sobre coleções de dados (ResultadoProduto) para o CRIS via mapeamentos especícos.
e-RepositórioàRI
O repositório de dados faz o link dos conjuntos de dados com os textos completos pertinentes ao RI, compondo publicações ampliadas
INTEROPOPERABILIDADECOMOUTROSSISTEMAS
Além da troca de informações entre si, os três sistemas também podem, para cumprir os seis objetivos, apresentar graus de Interoperabilidade com outros sistemas
administrativos e acadêmicos internos e externos à instituição, ampliando as bases informacionais do ambiente.
TROCA DE
INFORMAÇÕES COM
OUTROS SISTEMAS
ACADÊMICOS E
ADMINISTRA-TIVOS
RICOMOPROVEDORDEDADOSEAGREGADOROAI
O RI expõe seus metadados para o havesting via protocolo OAI-PMH, ao mesmo tempo em que pode, na qualidade de provedor de dados,
coletar metadados de outros repositórios para a constituição de novos serviços.
CRISXSISTEMASCORPORATIVOS
Internamente o CRIS acessa dados relativos às atividades de pesquisa armazenadas nos sistemas corporativos tais como recursos humanos,
currículos, registros de estudantes, controle de bolsas de pesquisa e nanças
CRISXCRIS/CERIFEXTERNOS
o CRIS troca dados com outros sistemas CRIS compatíveis com a norma CERIF.
CRISXSERVIÇOSDEINFORMAÇÃOEXTERNOS
Além da entrada de dados manual, o CRIS pode capturar dados através de coleta automática (harvesting) ou uploading de fontes externas
como, por exemplo, o PubMed, arXIv, Web of Science e a Plataforma Lattes.
e-REPOSITÓRIOXREDEEXTERNADEe-REPOSITÓRIOS
O Repositório de dados troca dados com a rede de e-repositórios segundo protocolos e esquemas de metadados especícos ou padronizados,
como o OAI-PMH e o datacite; além disso, os dados e conjunto de dados podem ser ‘linkados” com as publicações armazenadas em RI
distribuídos, compondo publicações ampliadas.
Fonte: Propría.21
21 DataCite: Padrão para citação de dados de pesquisa. Para saber mais: <https://www.datacite.org/>
182 Inf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.25, n.3, p. 163-184, set./dez. 2015
Luana Farias Sales e Luís Fernando Sayão
10 À guIsA DE CONCLusãO
Ainda em 2010, mais de 60 especialistas
se reuniram em Leeds, no norte da Inglaterra, em
torno do evento de nome sugestivo “Learning
how to play nicely: repositories and CRIS”. A
ideia do evento era explorar os relacionamentos
e as sobreposições entre os repositórios de acesso
aberto e os sistemas CRIS que estavam cada vez
mais sendo implantados nas universidades.
O fato relevante desse evento é que ele
inaugurava, em torno da possibilidade de
interoperabilidade técnica entre CRIS e RI,
um novo patamar de diálogo entre gerentes
de pesquisa, nanciadores de pesquisa,
administradores e bibliotecários cientícos.
O que parece claro, a partir da análise
da literatura e das implementações que
estão documentadas, é que as necessidades
informacionais dos escritórios de pesquisa e
das bibliotecas cientícas começam a convergir,
tornando mais tênue a propalada dicotomia
entre sistemas CRIS e RI. Esta realidade começa
a moldar os novos sistemas de informação
para o ambiente de pesquisa que exploram a
complementaridade dessas duas plataformas
informacionais. Esses sistemas, considerados
isoladamente, não são necessariamente
incomuns, mas reconguram os seus papéis
e a sua importância estratégica quando se
integram orientados para novos propósitos e
necessidades do universo da pesquisa cientíca
contemporânea. Contribui para esse cenário, em
que os sistemas crescentemente se fundem para
melhor servir a instituição e seus pesquisadores,
a visão e os interesses dos usuários que não está
focada em sistemas, mais sim nos serviços que
eles podem proporcionar.
Essa interlocução pode ser ampliada para o
domínio dos estudos em sistemas de informação
e abre horizontes importantes e renovados
para a Ciência da Informação e para a chamada
Biblioteconomia Cientíca. Isto porque as novas
congurações reveladas pelas possibilidades de
interoperabilidade técnica, sintática e semântica
entre repositórios institucionais e sistemas de
gestão de informações para a pesquisa precisam
ser estudados transversalmente, em termos
práticos e teóricos, por várias disciplinas, mas
especialmente pela Ciência da Informação,
em cujo domínio se concentram os principais
conceitos envolvidos.
Deve-se considerar, nalmente, que a
implantação de ambientes voltados para a
gestão das atividades de pesquisa depende
fortemente da percepção do seu valor por parte
das instâncias governamentais apropriadas
e também dos órgãos de fomento à pesquisa.
No caso especíco do Brasil, que se
considerar também que os sistemas do tipo
CRIS ainda não se tornaram uma realidade
visível e plenamente estudada; de uma forma
geral, as instituições de pesquisa não estão
capacitadas tecnicamente, não dispõem de
aportes nanceiros contínuos e expertise para
implantar e manter ambientes integrados de
gestão de informações para a pesquisa. Por
outro lado, o país possui uma ampla base
implantada de repositórios institucionais
desenvolvidos sobre a plataforma Dspace e
operados pelas principais universidades e
institutos de pesquisa. Este fato pode indicar
que solução “RI como CRIS” ou “RI ampliado”,
centrada na ampliação dos modelos de dados
dos repositórios para hospedar algumas
entidades CRIS-CERIF, seja a mais apropriada
como primeira etapa para o desenvolvimento
de sistemas mais completos que contemplem o
registro e a troca de dados sobre pesquisa entre
instituições do país.
Artigo recebido em 24/04/2015 e aceito para publicação em 19/08/2015
183
Inf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.25, n.3, p. 163-184, set./dez. 2015
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CYBERINFRASTRUCTURE INFORMATION FOR RESEARCH:
a proposal for architecture for integrating repositories and CRIS systems
ABSTRACT Despite the importance of institutional repositories (IR) and data repositories (e-repositories) as an
essential part of today’s global information infrastructure for research, the data models of these systems
can’t support the complexity and diversity of information needed to comprehensive management of
research environments. Furthermore, governments, research institutions and funding agencies are
deploying more sophisticated systems known collectively by CRIS (Current Research Information
System), aimed to manage the large amount of metadata about entities involved in research activities
- such as projects, researchers, funding, publications, patents, laboratories, equipment, curricula
etc. -, as well as the relationships and information ows that are established between them. In
this scenario, a major challenge that arises is the integration and the synchronization of CRIS, RIs
and e-repositories in order to increase the range of applications and services that such systems
can perform in administrative and academic scope. In this sense, this paper aims to propose an
integrated architecture that synchronize the information ow of CRIS systems based on the european
standard CERIF (Common European Research Information Format), IR´s based on the OAI-PMH
(Open Archives Initiative-Protocol for Metadata Harvesting), e-Repositories and others academic and
administrative systems, internal and external to a research institution. As methodology have been
examined standards and technologies that make possible the interoperability of these systems in the
context of a dedicated cyberinfrastructure focused on research.
Keywords: CRIS. CERIF. Institutional repositor. Data repositor. Research ciberinfrastructure.
184 Inf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.25, n.3, p. 163-184, set./dez. 2015
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... Na área de gestão da informação os paradigmas estão, sobretudo, associados a modelos de dados, em que se destacam o Modelo Entidade-Relacionamento (CHEN, 1976), que concebe a organização de dados de um determinado contexto, a partir dos seguintes elementos: o conceito de entidade, em que se identificam os entes do contexto (pessoa; produto; etc.); os atributos, que caracterizam uma dada entidade; as relações entre as entidades. Por exemplo, Sales;Sayão (2015) apontam o uso deste modelo em SIs destinados à organização de informações de pesquisas científicas. ...
... Na área de gestão da informação os paradigmas estão, sobretudo, associados a modelos de dados, em que se destacam o Modelo Entidade-Relacionamento (CHEN, 1976), que concebe a organização de dados de um determinado contexto, a partir dos seguintes elementos: o conceito de entidade, em que se identificam os entes do contexto (pessoa; produto; etc.); os atributos, que caracterizam uma dada entidade; as relações entre as entidades. Por exemplo, Sales;Sayão (2015) apontam o uso deste modelo em SIs destinados à organização de informações de pesquisas científicas. ...
... Quanto ao conceito de AGI apresentado na introdução deste artigo, ainda são recentes e escassos os esforços cujo foco central é associar sempre ao AGI às informações que ele gerou (ex. BRENMAN;CASPER, 2015;DOBBINS et al., 2014;GULDENPFENNING;FITZPATRICK, 2015;SALES;SAYÃO, 2015). No Brasil vale destacar o trabalho de Sales; Sayão (2015) na área de documentação e informação científica, em que eles apontam para o desenvolvimento de aplicações integradas em diversos níveis de escopo, que permitam gerenciar a informação, nas palavras destes autores a partir do "ciclo de vida das atividades de pesquisa". ...
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Atualmente as infromações geradas por um agente (ex. uma pessoa; um automóvel; uma obra pública, etc.) ao longo do seu ciclo de vida encontram-se espalhadas por diferentes sistemas de informação (SIs) de diferentes organizações. Por exemplo, um cidadão ao longo de sua vida gera informações nos mais variados tipos de organização (ex. hospitais, escolas, empresas, repartições públicas, etc.). Todavia, estas informações contidas nos SIs destas organizações não podem ser livremente acessadas por este cidadão. Contudo, frente ao atual desenvolvimento tecnológico é possível desenvolver SIs capazes de centralizar em um único respositório as informações geradas por um agente ao longo do seu ciclo de vida, construção essa ainda pouco observada em nossa sociedade. Em face desta oportunidade de pesquisa neste artigo é proposto um construto para gestão da
... No processo de expansão internacional, alguns autores chamaram a atenção das bibliotecas para as oportunidades criadas pelos CRIS. Pela confluência do movimento do Acesso aberto (particularmente a gestão dos repositórios institucionais) com o desenvolvimento dos mecanismos de avaliação e financiamento da ciência, as bibliotecas deveriam estar atentas ao papel dos repositórios dentro do ambiente CRIS, promovendo a interoperabilidade entre sistemas e facilitando as tarefas dos produtores de informação (Joint, 2008;Houssos et al., 2014;Sales & Sayão, 2015). Não existindo qualquer dicotomia sistémica entre repositórios e CRIS, estes devem ser encarados como dois lados da mesma moeda: a gestão da informação científica (De Castro, 2013). ...
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Objective - The CRIS (Current Research Information System) systems implemented in Portugal are discussed and the role that libraries have played in the development of these information systems is sought. Methodology - A qualitative methodology was adopted through the study of two cases, providing a point of view on the relationship between libraries and researchers in science and technology. Results - The increasingly significant presence of CRIS systems in Portugal stands out but with a timid participation of libraries in their implementation and development process. Discussion - The relevance of libraries in new information contexts, the definition of science management policies that consider the context and the various actors involved in the development of information systems and the effectiveness of national coordination structures that organize information of researchers in science and technology are discussed. Limitations - The data obtained are partial and of a secondary nature. Originality - An unprecedented point of view is provided on the relationship in Portugal between the scientific community and libraries as information and support services for the organization of science. Objetivo – Abordam-se os sistemas CRIS (Current Research Information System) implementados em Portugal e procura-se conhecer o papel que as bibliotecas têm desempenhado no desenvolvimento destes sistemas de informação. Metodologia – Foi adotada uma metodologia qualitativa, através do estudo de dois casos, fornecendo um ponto de vista sobre a relação entre as bibliotecas e os investigadores em ciência e tecnologia. Resultados – Destaca-se a presença cada vez mais significativa dos sistemas CRIS em Portugal mas uma participação tímida das bibliotecas no seu processo de implementação e desenvolvimento. Discussão – Problematiza-se a relevância das bibliotecas nos novos contextos informacionais, a definição de políticas de gestão da ciência que considerem o contexto e os diversos atores envolvidos no desenvolvimento de sistemas de informação e a eficácia das estruturas de coordenação nacional que organizam a informação relativa aos investigadores em ciência e tecnologia. Limitações – Os dados obtidos são parcelares e de natureza secundária. Originalidade – É fornecido um ponto de vista inédito sobre a relação existente em Portugal entre a comunidade científica e as bibliotecas enquanto serviços de informação e de suporte à organização da ciência.
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Introdução: O Current Research Information System (CRIS) desponta como resposta à necessidade de otimização no processo de gestão do grande volume de dados e informações que permeiam o ciclo de vida da pesquisa. Tais informações estão dispersas em múltiplos ambientes informacionais, de características complementares, hoje isolados que podem ser integrados, e fornecer um panorama mais amplo da pesquisa. Objetivo: Nesse contexto, o presente estudo discute as possibilidades de integração de dados de diferentes sistemas que armazenam dados relacionados à ecologia de pesquisa, utilizando estruturas de representação e infraestrutura semântica para compor uma ecologia de pesquisa constituída como um CRIS institucional. Metodologia: Como procedimento metodológico, utiliza a revisão bibliográfica para o embasamento teórico-conceitual do estudo, visando contextualizar a infraestrutura da ecologia de pesquisa, em especial as estruturas de representação, as ontologias e os princípios FAIR. Resultados: Como resultado é apresentado um modelo conceitual de integração dos dados de uma ecologia de pesquisa, capaz de subsidiar a composição de um CRIS institucional. Conclusões: A compatibilização de estruturas de representação disponíveis em múltiplos sistemas de informação e a utilização de tecnologias já existentes visando constituir um CRIS institucional exigem que a atuação do profissional de informação esteja embasada em conhecimentos de arquitetura da informação, metadados, padrões e protocolos de comunicação, interoperabilidade e tecnologias da web semântica, conforme modelo proposto no presente estudo.
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ABSTRACT This article discusses the concepts and characteristics of science produced in the 21st century. It presents considerations about the necessary cyberinfrastructure for research data collaboration and sharing. It contextualizes data management and the reasons that may impact data sharing, such as research on national sovereignty issues or research that culminated as technological development. Examples are given about the process of data sharing in some countries abroad. In the Brazilian context, it presents and discusses the legal framework on open governmental and scientific data. In addition, it presents some Brazilian institutional policies on data management. At the end presents a set of guidelines that can subsidy the creation of a national policy for research data management. Keywords: Brazil; National information policy; Research data management; Data scholarship, Scientific information.
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Much has been said in recent times about the alleged dichotomy between Institutional Repositories (IRs) and Current Research Information Systems (CRISs). According to this highly ideological argument, IRs would be the platforms to support the non- commercial initiative jointly carried out by HEIs – and specifically their Libraries – in order to freely disseminate their research outputs, whereas CRISs would support the whole institutional research information management (RIM) with special emphasis on projects and funding. RIM being an activity oriented towards reporting for research assessment exercises and thus tightly connected to the institutional funding, the support from the Management at HEIs for CRIS implementation and operation and for the Research Office traditionally in charge of such tasks would be much higher than for the much less relevant IR. Moreover, the awareness of researchers and scholars towards such platforms will usually be much higher for the CRIS – from whose accurate and complete depiction of their research activity their salaries will ultimately depend – and it won’t be unusual to collect complaints on the need to ensure that both systems are simultaneously fed with the appropriate, often duplicated information. According to this conception, it is often hard to get the institutional Research Office and Library to work together for improving the end-user experience by enhancing their system interoperability.
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A atividade de pesquisa científica, no contexto da eScience, produz e utiliza uma quantidade extraordinária de dados de pesquisa. Com a proliferação dos dados, se destaca a preocupação de como essas coleções de dados podem ser preservados para uso e reuso no futuro. O desafio da curadoria digital de dados científicos está na necessidade de preservar não somente a coleção de dados, mas também a sua capacidade de transmitir conhecimento para usuários futuros, permitindo-os reanalisar os dados em novos contextos. A gestão de dados de pesquisa é considerada essencial para condução da pesquisa científica no século XXI, mas os dados só podem ser gerenciados e preservados ao longo do tempo e do espaço por meio de compromissos institucionais sustentáveis. Com o objetivo de oferecer uma contribuição, o presente estudo apresenta uma análise multifacetada dos elementos necessários para a definição de um modelo de curadoria digital para o país. Foi tomado como principal recurso metodológico o exame de três relatórios considerados fundamentais no endereçamento de questões de curadoria de dados de pesquisa: os relatórios da National Science Foundation (NSF), do Digital Data Curation (DCC) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Como resultado, o estudo apresenta uma apreciação dos seguintes pontos: aspectos políticos, infraestrutura organizacional e tecnológica, pesquisa em curadoria digital, desenvolvimento de coleções, formação de especialistas, sustentabilidade econômica, implicações sociais, éticas e legais e oferecimento de serviços
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The article discusses data preservation, exploring the issues and trends associated with preserving digital data. The author also examines the manner in which such data can be kept manageable, available, accessible, and secure. Examples of vital information stored digitally include medical records, financial data, and photos. Other topics include cyberinfrastructure (CI) defined as the distributed computer, information, and communication technology in a system and the fact that there is more data being created than there is storage to host it.
Research information management systems -a new service category
  • Lorcan Dempsey
DEMPSEY, Lorcan. Research information management systems -a new service category,
KE CRIS-OAR metadata interoperability Project: Final report. Knowledge Exchange
  • Mikael Elbaek
  • Karstensen
ELBAEK, Mikael Karstensen. KE CRIS-OAR metadata interoperability Project: Final report. Knowledge Exchange, 27 Mar. 2012. Disponível em: <https://infoshare.dtv.dk/twiki/pub/ KeCrisOar/ProjectDocuments/Knowledge_ Exchange_CRIS-OAR_final_report_26032012. pdf>. Acesso em: 14 abr. 2015.
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CERIF – Is the standard helping to improve CRIS? Procedia Computer Science, v. 33, 2014. Disponível em: <http:// www.sciencedirect.com/science
  • Claudia Amaral
AMARAL, Claudia. CERIF – Is the standard helping to improve CRIS? Procedia Computer Science, v. 33, 2014. Disponível em: <http:// www.sciencedirect.com/science/article/pii/ S1877050914008035>. Acesso em: 15 abr. 2015.
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