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O objetivo deste trabalho foi levantar dados sobre como a cobertura vegetal auxilia e interfere nos processos erosivos, procurando compreender, por meio de análises quantitativas, a relação entre estes dois parâmetros. Para isso utilizou-se dados de densidade de cobertura vegetal, escoamento superficial e perda de solo que foram obtidos através de análise foto-comparativa através do programa ENVI, coletas semanais do volume total do escoamento superficial e filtragens seguidas de pesagem para a perda de solo, respectivamente. Tais dados foram registrados em cinco parcelas com características de cobertura vegetal diferentes no período de Fevereiro de2014 aAbril de 2015, localizadas no setor sudeste do município de Uberlândia – MG, inseridas no bioma Cerrado. A diferenciação nos resultados das parcelas indicam que a característica da cobertura vegetal interfere na perda de solo, pois a parcela com densa cobertura de espécies arbustivas mostrou valores significativos no escoamento superficial, porém, com baixa perda de solo, a espécie arbórea com pouca densidade de cobertura do solo apresentou também grandes índices de escoamento superficial e obteve muita perda de solo. Já as parcelas com espécies herbáceas se mostraram sensíveis aos índices de precipitação.
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RELAÇÃO ENTRE COBERTURA VEGETAL E EROSÃO EM PARCELAS
REPRESENTATIVAS DE CERRADO
RELATION BETWEEN VEGETATION COVER AND EROSION IN
REPRESENTATIVE PLOTS OF CERRADO
RELACIÓN ENTRE COBERTURA VEGETAL Y LA EROSIÓN EM LAS
PARCELAS REPRESENTANTES DE CERRADO
Yasmmin Tadeu Costa
Graduada em Geografia pela Universidade Federal de Uberlândia
Rua João Naves de Ávila, 2121 - Santa Mônica, Uberlândia - MG, CEP 38408-100
yasmmin_t@hotmail.com
Sílvio Carlos Rodrigues
Professor Doutor do curso de Geografia na Universidade Federal de Uberlândia
Rua João Naves de Avila, 2121 - Santa Mônica, Uberlândia - MG, CEP 38408-100
silgel@ufu.br
RESUMO
O objetivo deste trabalho foi levantar dados sobre como a cobertura vegetal auxilia e interfere nos processos
erosivos, procurando compreender, por meio de análises quantitativas, a relação entre estes dois parâmetros.
Para isso utilizou-se dados de densidade de cobertura vegetal, escoamento superficial e perda de solo que
foram obtidos através de análise foto-comparativa através do programa ENVI, coletas semanais do volume
total do escoamento superficial e filtragens seguidas de pesagem para a perda de solo, respectivamente. Tais
dados foram registrados em cinco parcelas com características de cobertura vegetal diferentes no período de
Fevereiro de 2014 a Abril de 2015, localizadas no setor sudeste do município de Uberlândia MG, inseridas
no bioma Cerrado. A diferenciação nos resultados das parcelas indicam que a característica da cobertura
vegetal interfere na perda de solo, pois a parcela com densa cobertura de espécies arbustivas mostrou valores
significativos no escoamento superficial, porém, com baixa perda de solo, a espécie arbórea com pouca
densidade de cobertura do solo apresentou também grandes índices de escoamento superficial e obteve muita
perda de solo. Já as parcelas com espécies herbáceas se mostraram sensíveis aos índices de precipitação.
Palavras-chave: Erosão; Cobertura vegetal; parcelas experimentais; Cerrado; Minas Gerais.
ABSTRACT
The objective of this study was to collect data concerning how the vegetation helps and interfere on erosion,
trying to understand, through quantitative analyzes, the relation between these two parameters. Was used data
of vegetation density, runoff and soil loss that were obtained through photo-comparative analysis using ENVI
software, weekly collections of total volume of runoff and followed by weighing filtering for loss of soil,
respectively. These data were recorded in five plots with different vegetation characteristics from February
2014 to April 2015, located in the southeast sector of the city of Uberlândia MG, inserted in the Cerrado
biome. The distinction in the results of the plots indicate that the characteristics of vegetation interferes on soil
loss, because the dense shrubby specie showed significant values in the runoff, but with low loss of soil. The
tree specie with little ground cover density has also shown big levels of runoff and got big soil loss. On the
plots with herbaceous species were sensitive to rainfall rates.
Keywords: Erosion; Vegetal Cover; Plots; Cerrado; Minas Gerais.
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RESUMEN
El objetivo del siguiente trabajo es recoger datos referentes a como la cobertura vegetal ayuda y intervini en el
processos erosivos, buscando entender, través de análisis cuantitativas, la relación entre estes dos parámetros.
Con base en los datos de densidad de la cobertura vegetal, lo desagüe superficial y la perca del suelo que
fueron alcanzados través de las análisis foto-comparativa través del software ENVI, colecta semanal del
volumen total del desagüe superficial y filtración seguido de medida a perca de suelo, respectivamente. Los
datos fueron registrados en cinco pórciones con diferentes características de la vegetación en el periodo del
mes de febrero del año de 2014 hasta el mes de abril del año de 2015, ubicadas en el sector sudeste del
municipio de Uberlândia – MG, insertado en el bioma Cerrado. La diferenciación en los resultados de las
pórciones indican que la característica de la cobertura vegetal intervini en la perca del suelo, pues la densa
especie arbustiva indi valores significativos en lo desagüe superficial, pero con poca perca de suelo, la
especie arbórea con poca densidade de cobertura del suelo, a la vez, también presentó gran índice de desagüe
superficial y obtuvo mucha perca de suelo. Las pórciones con especie herbácea se muestran sensibles a las
evidencias de precipitación.
Palabras Clave: Erosión, Cobertural Vegetal, Pórciones Experimentales, Cerrado, Minas Gerais.
1. INTRODUÇÃO
O conhecimento sobre a dinâmica erosiva partindo do momento que as gotas de chuva iniciam o
impacto sobre as partículas do solo se torna fundamental para que se estabeleçam metodologias que possam
reverter à situação de degradação dos solos e do ambiente (GUERRA, 2012), já que o conhecimento
aprofundado dos fatos e dos processos que ocorrem permitem ações que atuem sobre o manejo do solo de
forma eficaz e objetiva. Por este fato, a degradação dos solos tem sido assunto explorado dentro das linhas de
pesquisas geográficas, ocasionadas pela intensa ação antrópica que, não dando atenção ao manejo correto do
solo, aplicam diferentes usos do solo que visam apenas fins lucrativos, aos quais, na maioria das vezes,
promovem desequilíbrio ambiental que podem levar a intensificação de processos erosivos, por meio da maior
intensidade dada ao escoamento superficial que, por consequência, pode gerar maior perda de solo.
O escoamento superficial, sua função e atuação, faz parte e é resultado da dinâmica da bacia
hidrográfica a qual atua, entendendo que bacias hidrográficas correspondem a um conjunto de terras que são
drenadas por rios e seus afluentes, limitadas por divisores de água que irão determinar o fluxo da água da
chuva que infiltram no solo, formando nascentes e abastecendo o lençol freático, ou escoam pela superfície da
encosta para as áreas mais baixas do terreno (BARRELLA, 2001). Neste sentido, o escoamento superficial
poderá sofrer variações de intensidade em relação a diferentes características do relevo, das condições
climáticas e da capacidade protetora da vegetação.
As condições climáticas interferem no processo erosivo, além de ser um dos principais componentes
do ciclo ambiental, pois é responsável pelo fornecimento de água que abastece os lençóis freáticos, cursos
d’água, rios, seus afluentes e, por fim, o oceano. Durante e após a precipitação, a água não infiltrada escoa
pela vertente, sendo que o seu volume dependerá do total de precipitação, da intensidade da chuva e de sua
energia cinética associada a características físicas do solo, como saturação do solo, porosidade, textura e
profundidade (BELTRAME, 1994). Tais características do solo também influenciam sobre a permeabilidade
da água no solo e a sua resistência à erosão, que se definem pela característica das partículas do solo de acordo
com o tamanho e a agregação das mesmas (SILVA, 2007).
A cobertura vegetal, atua como proteção do solo frente a ação das gotas da chuva por meio da
interceptação da água pela estrutura da vegetação localizada acima da superfície do solo (GALETI, 1987), que
reduzem a velocidade da gota da chuva e retiram parcialmente a intensidade do efeito splash, responsável por
causar ruptura dos agregados e selar a superfície do solo (GUERRA, 2012), além de estruturar o solo por meio
da dispersão de suas raízes, que podem aumentar a capacidade de infiltração e reduzir a intensidade do
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escoamento superficial e dos processos erosivos decorrentes do mesmo. Em florestas tropicais, 4,5 a 24% da
chuva é interceptada pela vegetação, sendo que 1 a 2% do restante escoam por seus troncos, indicando que 75
a 96% da precipitação externa alcança a superfície do solo da floresta. (BRUIJINZEEL, 1990, apud
ARCOVA et al., 2003). Já em área de Cerrado, pesquisas indicam que os valores de água precipitada que
alcançaram a superfície do solo variam entre 72 a 95 %, enquanto as porcentagens da chuva interceptada pela
vegetação variam entre 0,7 a 2,4% em fitofisionomias como Cerradão, Cerrado Sentido Restrito e Denso
(OLIVEIRA, 2015). A presença de vegetação ainda mantém a fertilidade e umidade do solo por meio da
matéria orgânica.
O relevo do terreno influencia a intensidade e principalmente, a velocidade do escoamento superficial
por meio da ação da gravidade, pois a maior declividade e comprimento da rampa tornam mais volumosas à
água gerada pelo escoamento e com maiores velocidades (BIAS, 2012), ou seja, o solo localizado em maiores
declives serão mais favoráveis a sofrer erosão pela água da chuva do que solos em áreas planas.
Este estudo tem o objetivo de estabelecer relação entre a ação protetora da cobertura vegetal sobre o
solo e os processos erosivos ocorrentes no mesmo, comparando, para isso, cinco situações de cobertura
vegetal diferentes, sendo cada uma representativa de uma fitofisionomia de Cerrado e utilizando parcelas de 1
m², localizadas no sudeste do município de Uberlândia MG. A pesquisa se deu entre fevereiro de 2014 a
abril de 2015. Os parâmetros analisados semanalmente foram: escoamento superficial e perda de solo para os
processos erosivos, análise da evolução de densidade da cobertura vegetal para a proteção da vegetação e
precipitação associada a ambos parâmetros.
2. MATERIAIS E MÉTODOS
A metodologia adotada na realização deste trabalho contou com pesquisas bibliográficas para a
definição de quais parâmetros seriam analisados, além de encontrar subsídios teóricos para construção do
mesmo. Em relação à metodologia utilizada na pesquisa, contou-se com dados coletados semanalmente em
campo, bem como análises realizadas em laboratório a respeito dos parâmetros de perda de solo, escoamento
superficial, densidade de cobertura vegetal e precipitação. Entretanto, o tratamento final foi realizado por meio
de valores de acumulação mensais.
O escoamento superficial total foi quantificado a partir da instalação de 5 parcelas de 1m², localizadas
em diferentes condições de cobertura vegetal, que por meio de uma calha coletora e um recipiente com
capacidade para 30 litros, armazenavam a água derivada do escoamento superficial, a qual era contabilizada
semanalmente. Desta água armazenada, coletava-se 1 litro de água, após a homogeneização da amostra, para
que em laboratório fosse filtrada com o objetivo de se quantificar a presença de sedimentos em cada parcela,
carregados pelo escoamento superficial. Para a filtragem, os papéis filtros eram pesados em balança de
precisão em temperatura ambiente de 25ºC. A pesagem do papel filtro, tanto antes como após a filtragem, foi
realizada em horários próximos devido a necessidade de evitar à alteração da pressão atmosférica nos
diferentes horários do dia, o que poderia alterar os resultados, já que são resultados próximos e de alta
precisão. O mesmo era feito após a filtragem, comparando os resultados que eram obtidos a partir da
subtração do peso final do papel filtro pelo peso inicial do mesmo, obteve-se o peso de sedimento retido em
cada amostra.
Para determinar a densidade de cobertura vegetal e solo exposto de cada parcela, foi adotada a
metodologia proposta por Pinese Júnior, Cruz e Rodrigues (2008), que utiliza o software ENVI 4.3 para
quantificar e qualificar a cobertura vegetal e solo exposto a partir de imagens fotográficas obtidas por meio de
uma câmera comum e capturadas de um mesmo ponto marcado e próximo à parcela, tendo como resultado
final a porcentagem de cobertura vegetal e solo exposto por divisão de cores (Figura 1), que neste trabalho
foram obtidas semanalmente para validar a comparação dos dados da mesma parcela, bem como dos
resultados de densidade vegetativa comparado aos dados de escoamento superficial total e produção de
sedimento.
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Figura 1: Exemplificação da metodologia de Pinese Júnior, Cruz e Rodrigues (2008) aplicada na determinação de cobertura
vegetal.
Os dados relacionados à precipitação foram obtidos a partir da instalação de uma estação
pluviométrica localizada próxima as parcelas experimentais e tratados em laboratório, sendo que foram
considerados como precipitação semanal. Buscando uma melhor compreensão sobre o comportamento
climático da área, foram feitos dois tratamentos com os dados pluviométricos. Um deles relaciona os dados de
precipitação média mensal dos últimos 30 anos na região com os dados no ano de 2014, identificando
diferenças na distribuição pluviométrica, utilizando também, neste caso, a temperatura média mensal dos
últimos 30 anos. Os dados de precipitação foram obtidos através da estação pluviométrica localizada no
Campus Santa Mônica da Universidade Federal de Uberlândia.
Por fim, compondo os resultados, foram realizadas análises estatísticas calculando a Correlação de
Pearson entre a cobertura vegetal e os parâmetros de precipitação e perda de solo, procurando identificar a
existência de dependência e/ou relação entre o comportamento de tais parâmetros.
Figura 2: Fluxograma metodológico das análises realizadas.
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2.1 Área de estudo
A determinação da área de estudo levou em consideração a facilidade e disposição da área para o
desenvolvimento de pesquisas realizadas pela Universidade Federal de Uberlândia. Além disso, a realização
de campos semanais à área de estudo pelo Laboratório de Geomorfologia e erosão dos solos da Universidade
Federal de Uberlândia, laboratório esse em que tal estudo foi realizado, levou certo interesse a efetivação de
uma pesquisa mais prática com experimentos em campo, levantamento de dados temporais e
acompanhamento contínuo.
O estudo foi realizado na Fazenda Experimental do Glória, localizada no sudeste do município de
Uberlândia MG nas respectivas coordenadas geográficas 18º56'56”S e 48º12'21"W a uma altitude de 919
metros acima do nível do mar (Figura 3). Esta compõe a bacia hidrográfica do Córrego do Glória, afluente da
margem direita do rio Uberabinha e sub-afluente do rio Araguari. Está situada no Domínio dos Planaltos e na
Chapada da Bacia Sedimentar do Paraná, com tabular e levemente ondulado. A formação geológica se insere
na Formação Marília, em área de contato entre o Grupo São Bento e o Grupo Bauru, ocorrendo afloramento
de basaltos e arenitos. Os solos que se encontram na região são Latossolo Vermelho-Amarelo, estes ocorrem
em ambientes secos (bem drenados), são profundos e com uniformidade na cor, estrutura e textura;
Organossolos, relacionados a ambientes úmidos (mal drenados); Aluvissolos e Neossolo Litólico, ocorrem em
relevos de maior declividade, sendo solos rasos. De forma geral, os solos da área são ácidos e pouco férteis.
Figura 3: Localização das parcelas experimentais na área da Fazenda Experimental do Glória – Uberlândia (MG).
Como afirma Silva (2010), a região apresenta clima tropical, Aw segundo a classificação de Köppen.
Apresenta verão chuvoso e inverno seco, com temperatura variando entre médias de 24°C nos meses de
Outubro e Março, que são meses mais quentes e 18°C nos meses de Junho e Julho, que são meses mais frios,
apresentando no geral temperatura média anual de 22°C. A precipitação varia entre 1300 mm a 1700 mm, nas
estações chuvosas. Assim, o bioma Cerrado possui duas estações marcantes, influenciadas pelo deslocamento
das massas de ar que atuam na região, sendo a Massa Tropical Atlântica, Polar e Equatorial Continental.
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2.2 Parcela Experimentais
O estudo se baseou na coleta de dados advindos de 5 parcelas experimentais, sendo todas localizadas
na Fazenda Experimental do Glória (Uberlândia – MG) (Figura 3) e dispersas aleatoriamente, porém com
características de cobertura vegetal e solo diferentes (Tabela 1). Essas parcelas seguiram o padrão de estrutura
(Figura 4), sendo 1m² de extensão, cercada por chapa galvanizada com 50cm de altura, possuindo uma calha
coletora conectada a um galão com capacidade de 30 litros.
As condições de vegetação encontradas nas parcelas experimentais foram definidas como
fitofisionomias a partir da similaridade de seus extratos vegetativos. A parcela A é composta por gramíneas,
essencialmente. A parcela B apresenta uma espécie arbustiva associada a espécies herbáceas. A parcela C
possui espécies herbáceas adaptadas a condições úmidas, por estar em área de inundação. A parcela D, como a
A, possui gramíneas e algumas espécies herbáceas. Por fim, a parcela E apresenta uma espécie arbórea de,
aproximadamente, 5 metros associada a grande variedade de espécies herbáceas pela extensão da área.
Tabela 1: Atributos das Parcelas Experimentais.
A área geral de estudo se encontra em processo de recuperação após exploração e manejo inadequado
visando à extração de cascalho. Deste modo, a definição de fitofisionomias das parcelas experimentais refere-
se a características da área entorno, bem como das próprias parcelas, entendendo que estão em processo de
alteração e regeneração para ambiente natural.
Além disso, durante o período de análise as parcelas sofreram por duas vezes um fator de degradação
do ambiente, o fogo, que ocorreu com intensidade baixa, sendo suficiente somente para provocar alterações
nos valores de densidade de cobertura vegetal, ou seja, por dois momentos na pesquisa a cobertura sofreu
interferência em seu crescimento. Essas queimadas foram realizadas de forma artificial e controlada destinada
a pesquisas em relação a evolução de processos erosivos. Tal fato não alterou o seguimento da pesquisa, mas
auxiliou no acompanhamento entre dependência do crescimento da vegetação pelos índices de precipitação.
Figura 4: Parcelas Experimentais.
Fitofisionomia Areia Silte Argila
(RIBEIRO; WALTER, 1998) (g Kg-¹)
A
Campo Limpo 896 3 101
B Campo Sujo 891 13 96
C
Campo úmido 817 39 144
D
Campo Sujo 836 3 161
E Parque de Cerrado 535 77 388
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3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.1 Precipitação anual
Entendendo que o comportamento climático é diretamente influente e impulsionador dos processos
erosivos, da mesma forma que é um dos fatores responsáveis pela manutenção do equilíbrio ambiental,
atingindo assim o crescimento e desenvolvimento das espécies, é válido identificar como foi o comportamento
da precipitação no ano de análise em relação aos últimos 30 anos na mesma localidade. De maneira geral,
observa-se que a variação climática anual apresenta duas estações bem definidas (Figura 5), sendo uma seca
que se inicia em Maio e tem seu fim em Setembro, e outra chuvosa abrangendo o intervalo de outubro a abril,
sendo estas estações características do bioma Cerrado (MMA, 2009). Em alguns casos, ocorre um período de
recesso de chuva durante a estação chuvosa (ASSAD, 1994), entretanto esta situação não ocorre neste caso.
Em relação à precipitação nos últimos 30 anos e no ano de 2014 na área de estudo (Figura 5), percebe-
se que em 2014 apresentou índices de precipitação menores às médias ocorrentes na região, sendo que somou-
se 1093 mm durante o ano com médias de 91 mm mensais e a média dos últimos 30 anos calcularam-se 1551
mm anuais e médias de 129 mm mensais.
o estudo específico sobre a evolução da cobertura vegetal compreendeu o período de Fevereiro de
2014 e Abril de 2015. os valores de precipitação dos meses que sofreram interferência da queimada foram
divididos para que os dados referentes a cobertura vegetal e aos processos erosivos pudessem serem vistos
antes e após este fator (Figura 6). Esses quatro meses no ano de 2015 apresentaram maiores índices de
precipitação (519 mm de chuva somada, com média de 129 mm mensais) se comparados com os primeiros
quatro meses do ano de 2014 (252 mm de chuva somada, com média de 63 mm mensais). Mas os meses que
incluem no estudo de 2015 ainda não se igualam as médias vistas nos últimos 30 anos (795 mm de chuva
somada, com média de 198 mm mensais), sendo são menores também.
Figura 5: Precipitação (mm) e temperatura média (°C) nos últimos 30 anos em relação a precipitação (mm) do ano de análise
(2014). *Abril e *Novembro - momento pós interferência do fator queima.
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Figura 6: Precipitação (mm) mensal durante o período de análise.
Dentro dos padrões encontrados na região, característica de Cerrado, os índices de precipitação no ano
de 2014 foram menores que a média dos últimos anos. Isto pode indicar que não se obteve o máximo de
capacidade erosiva identificado no Cerrado ao longo do ano de 2014, entendendo que a chuva é a maior
geradora de erosão no ambiente.
3.2 Cobertura Vegetal
A cobertura vegetal de forma geral se apresentou relativamente estável em todas as parcelas
experimentais estudadas, mostrando altos índices no início da análise. Existem dois picos de forte redução da
densidade de cobertura vegetal, estes ocorreram devido a queimada, como já citado, presenciados em todas as
parcelas. Entretanto, é válido relembrar que estas queimadas foram de baixa intensidade e por este motivo não
foram capazes de anular a presença de vegetação. Mesmo com este fator de interferência é possível perceber
que os altos índices de cobertura vegetal e os baixos acompanharam as estações chuvosas e secas,
respectivamente. Mas, cada parcela, a qual representa uma fitofisionomia de Cerrado, apresentou um
comportamento distinto em relação a variação da cobertura vegetal frente a variação da precipitação (Figura
7).
A parcela B (representativa de Campo Sujo), a qual é caracterizada por uma espécie arbustiva com
aproximadamente 2 m de altura associado a espécies herbáceas, alcançou 52% de cobertura vegetal na estação
seca (seu menor índice) e durante a estação chuvosa recuperou a cobertura vegetal em 98%. A parcela E
(Parque de Cerrado) com espécie arbórea e aproximadamente 5 m e poucas espécies herbáceas, por sua vez,
sofreu reduções em quase todo o processo, sendo que na estação seca alcançou 11% de cobertura vegetal e na
estação chuvosa conseguiu recuperar apenas 20%. Estas parcelas representam os dois extremos dos valores
obtidos, a parcela B mostrando os maiores índices de cobertura vegetal durante toda a análise e a parcela E
com os menores índices deste mesmo parâmetro.
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*Abril e *Novembro - momento pós interferência do fator queima .
Figura 7: Variação mensal da cobertura vegetal (%) nas parcelas de análise em relação a precipitação (mm).
A parcela A (Campo Limpo em estado de recuperação), a parcela C (Campo úmido) e a parcela D
(Campo Sujo), todas caracterizadas principalmente por espécies herbáceas e diferenciadas, principalmente,
pela disponibilidade hídrica do local em que se encontram, apresentaram comportamento próximo. Todas
reduziram em níveis próximos na estrada da estação seca, marcada também pela ocorrência de uma queimada,
alcançando seus níveis mais baixos no final desta mesma estação. Entretanto, iniciaram o processo de
reestabelecimento de uma cobertura vegetal mais densa com o início da estação chuvosa, neste momento suas
valores foram intermediários em relação as duas parcelas citadas anteriormente.
No tratamento estatístico, é interessante observar que não existe uma forte correlação entre os dados de
precipitação e cobertura vegetal (Figura 8), apesar de que nitidamente os valores deste último aumentam de
acordo com maiores valores de chuva. A maior correlação ocorre na parcela B (R² = 0,3127), a qual já é por si
uma correlação muito fraca, a linha de tendência neste caso, como gera a relação de que quanto menor
foram os índices de precipitação, maior foi o valor de densidade de cobertura vegetal encontrado, tal
comportamento também foi identificado nas parcelas A e C. Entretanto, as parcelas C e E mostraram a
tendência inversa, pois a relação apresentada afirma que quanto menor os índices de precipitação, maiores
foram os valores de cobertura vegetal, mas pela correlação ter se apresentado muito baixa, não é possível
defender tal afirmação.
A segunda queima, que ocorreu no início da estação chuvosa, mesmo atingindo um ambiente seco,
com maior disponibilidade de cobertura vegetal seca e de fácil combustão, apresentou uma redução na
cobertura vegetal instantânea, mas com a entrada dos altos índices de precipitação a cobertura vegetal
aumentou seus níveis, voltando à valores próximos daqueles encontrados no início da pesquisa.
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Figura 8: Correlação entre Cobertura Vegetal (%) e Precipitação (mm) nas parcelas experimentais.
Durante a estação chuvosa do final do ano de 2014 ao inicio do ano de 2015, vê-se um progressivo
aumento na cobertura vegetal, momento em que é possível afirmar a relação entre densidade de cobertura
vegetal e precipitação. Neste sentido, a parcela D (Campo Sujo caracterizado somente por espécies herbáceas)
não segue esta relação em todos os momentos da pesquisa, pois no inicio da estação seca (Maio de 2014)
apresenta uma elevação na densidade de cobertura vegetal, enquanto todas as outras parcelas estão em
processo de redução pela ausência da chuva, de forma inversa ocorre no meio da estação chuvosa (fevereiro
de 2015), pois enquanto as parcelas estão em fase de crescimento vegetativo, a parcela D reduz seu valor,
porém isto ocorre em um momento que apresenta os menores valores de precipitação durante a estação
chuvosa, mostrando a sensibilidade de tal parcela às variações climáticas.
3.3 Processos Erosivos
Os processos erosivos neste estudo compreendem na relação existente entre escoamento superficial e
perda de solo nas parcelas experimentais. De forma geral, observa-se que o escoamento superficial é
fundamental para a ocorrência de perda de solo (Figura 9), mas existiram alguns casos isolados em que o
escoamento apresentou valores baixos e a perda de solo apresentou valores maiores. Os dados acumulados do
mês de Abril de 2014 após a interferência da queima, na maioria das parcelas apresentou grande índice de
perda de solo em relação ao escoamento superficial, o que também ocorreu em Novembro antes da
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interferência da queima, que em parcelas como A e D também obteve perda de solo em altos valores quando
relacionado ao escoamento superficial. Como tais eventos foram marcados por baixos índices de precipitação
e, consequentemente, pouco escoamento superficial, a razão de obter uma alta produção de sedimento pode
ser explicado pela erosividade da chuva, por sua intensidade, não levantadas neste trabalho.
O escoamento superficial apresentou maiores valores na parcela E (261 Litros totais), também
caracterizada por menores valores de cobertura vegetal ao longo do estudo. Já a parcela D obteve os menores
valores de escoamento superficial (73 Litros totais).
Em relação à perda de solo, a parcela D obteve os maiores valores (1752 gramas por metro² totais),
mesmo apresentando os menores valores de escoamento superficial. Mas, as parcelas A e E também
apresentaram níveis altos próximos ao da D, entretanto, a parcela A (1511,75 gramas por metro² totais) sofreu
a perda de solo em alguns eventos específicos acompanhando picos de altos índices de precipitação e a parcela
E (1353 gramas por metro² totais) sofreu a perda de solo de forma mais distribuída independente do índice de
chuva ocorrente.
Mas, as parcelas A e E também apresentaram níveis altos próximos ao da D, entretanto, a parcela A
(1511,75 gramas por metro² totais) sofreu a perda de solo em alguns eventos específicos acompanhando picos
de altos índices de precipitação e a parcela E (1353 gramas por metro² totais) sofreu a perda de solo de forma
mais distribuída independente do índice de chuva ocorrente.
Compreendendo a relação entre os parâmetros abordados neste tópico, a parcela B gerou menores
processos erosivos, estando diretamente relacionada com a densa cobertura vegetal que protege o solo e
mesmo apresentando valores relevantes de escoamento superficial não houve grande perda de solo (380
gramas por metro²). Já as parcelas A, D e principalmente, a E sofreram maiores processos erosivos, com
grandes índices de escoamento associados à perda de solo.
3.4 Relação entre vegetação e processos erosivos
O seguinte trabalho surgiu do pressuposto de que a perda de solo, de alguma forma, é influenciada pela
capacidade de proteção do solo gerado pela vegetação. De maneira ampla e partindo de observações, este fato
realmente ocorre, não proporcionalmente, mas qualitativamente passível de compreensão. Porém, as análises
estatísticas não apresentaram correlação forte em nenhuma das parcelas (Figura 10), entendendo que uma
correlação forte seria obter o valor próximo a 1 como resultado da equação. A parcela B obteve o valor de
correlação mais forte (R² = 0,5308) em relação as demais parcelas. E a linha de tendência nesta parcela mostra
que a perda de solo foi maior quando a cobertura vegetal marcava suas maiores densidades. Neste caso, o
escoamento superficial obteve valores relativamente alto frente a baixíssima perda de solo, sendo que a
cobertura vegetal apresentava seus maiores índices nesta parcela. A justificativa para grande quantidade de
escoamento e baixa perda de solo pode se relaciona com a espécie arbustiva presente em tal parcela que
interceptava as gotas de chuva, reduzindo seu impacto e atribuindo-a menor capacidade erosiva.
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*Abril e * Novembro – momento pós interferência do fator queima.
Figura 9: Relação entre escoamento superficial (L/m²) e Perda de solo (g/L) nas parcelas experimentais.
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.
Figura 10: Correlação entre Perda de solo (g/m²) e Densidade de Cobertura Vegetal (%) nas parcelas experimentais.
A correlação estabelecida entre Cobertura Vegetal e Perda de solo mostra que, na maioria das
situações, tomando como base a linha de tendência gerada, a perda de solo reduz ao passo que se aumenta a
densidade de cobertura vegetal. Dando a entender que, a cobertura vegetal, por meio da estruturação que gera
no solo e pela proteção que estabelece na superfície, garante menor suscetibilidade à erosão pelas partículas de
solo, independente dos valores de escoamento superficial.
A parcela E (representativa de Parque de Cerrado), a qual não possuía cobertura vegetal de real
proteção da superfície apresentou os maiores índices de escoamento superficial e perda de solo, mas estes
dados foram contidos devido a característica argilosa e pedregosa do solo, que gerava uma superfície
relativamente selada, impedindo tanto uma erosão mais intensa como também o crescimento de espécies
herbáceas.
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4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A diferenciação nos resultados das parcelas, representadas por diferentes fitofisionomias do Cerrado,
indicam que a característica da cobertura vegetal interfere na perda de solo, pois a densa espécie arbustiva
mostrou valores significativos no escoamento superficial, porém com baixa perda de solo, a espécie arbórea
com pouca densidade de cobertura do solo por sua vez apresentou também grandes índices de escoamento
superficial e obteve muita perda de solo. as parcelas com espécies herbáceas se mostraram sensíveis aos
índices de precipitação, fazendo com que a densidade de cobertura variasse ao longo da pesquisa, e a perda de
solo acompanhou tanto os níveis de precipitação como a variação da densidade de cobertura vegetal.
A situação indica que a quantidade de escoamento superficial gera maior perda de solo quando
ocorre com precipitações intensas e de grande erosividade. Entretanto, apesar de tal relação ser o
comportamento esperado no seguinte estudo, a correlação fraca indicada em todas as parcelas faz com que a
linha de tendência não apresente um padrão confiável. A relação estabelecida entre erosão e cobertura vegetal,
no seguinte estudo, vai além destes próprios parâmetros, necessitando levar em consideração fatores como
erosividade da chuva, características do solo de cada ambiente, grau de inclinação do relevo dentre outros
fatores, para que assim seja possível determinar um padrão para diferentes tipos de vegetação/fitofisionomias.
Agradecimentos
Os autores agradecem ao apoio financeiro recebido através dos projetos FAPEMIG CRA-PPM-00201-14 e
CNPQ - PQ CNPQ 305548/2011-5.
REFERÊNCIAS
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SILVA, A.M.; SCHULTZ, H.E.; CAMARGO, P.B. Erosão e Hidrossedimentologia em Bacias Hidrográficas. São Carlos: RIMa,
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... Runoff has been studied for several purposes, mainly to quantify erosion processes and soil and nutrient losses (Panachuki et al., 2011;Oliveira et al., 2013;Costa and Rodrigues, 2015). Surface runoff models and soil water infiltration models (Spohr et al., 2009;Abrantes et al., 2015) have been developed and evaluated. ...
... In scenarios of either natural or simulated rainfall, flow rate from a single channel or a collection of channels needs to be measured to quantify runoff. The total runoff volume (Costa et al., 2013;Costa and Rodrigues, 2015) and the surface runoff rate (Spohr et al., 2009;Oliveira et al., 2013;Lima et al., 2015) are the main variables used to express runoff. ...
Article
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Quantification of runoff rate is an onerous task with non-automated devices; it requires a lot of manual labor to perform measurements. In this study, an automatic device to quantify the surface runoff rate from plots with a small area was developed and tested. The prototype was based on the tipping bucket technique and built with reused materials. Its performance was tested in the laboratory and a calibration curve was developed to improve measurement accuracy. The device can be used for automatic quantification of surface runoff in small plots, with a flow rate of less than 750 × 103 mm3 min-1. The device can be built with different dimensions to measure different flow rates. In that case, the error measurements and calibration curve must be recalculated.
... Os autores (SOUSA et al., 2016) ressaltam a importância da vegetação, como elemento dissipador da energia cinética da chuva. Costa & Rodrigues (2015) monitoraram cinco parcelas no bioma Cerrado (Uberlândia, MG), com as seguintes coberturas: parcela A, gramíneas; parcela B, arbustiva; parcela C, herbáceas para condições úmidas; parcela D, gramíneas e algumas herbáceas; e parcela E, arbórea, de cerca de 5 metros, associada a diversas espécies herbáceas, devido à extensão da área. Destaca-se que a parcela D alcançou as maiores taxas de erosão (1.752 g/m²), ainda que tenha apresentado o escoamento superficial com os menores valores. ...
Chapter
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Resumo: Experimentos têm papel fundamental na Geomorfologia, que utiliza desde técnicas de mensuração, monitoramentos, observações de campo, de laboratório e uso de recursos cartográficos, como cartas topográficas e fotografias aéreas, até novas tecnologias, cada vez mais precisas, fáceis e rápidas na aquisição e processamento de dados. Assim, monitorar a erosão hídrica dos solos é, continuamente, tema relevante. Pensar que o tema se esgotou é equivocado, pois muitas lacunas demandam respostas, como: melhorar a compreensão das interações entre fenômenos naturais e antrópicos, do espaço-tempo de processos e taxas erosivas, e o desenvolvimento de técnicas e estratégias inovadoras, que visem sua redução, prevenção e mitigação. Diversos autores têm exposto formas de comparar e avaliar técnicas antigas e atuais. Nesse sentido, o capítulo revisa a literatura brasileira sobre métodos de monitoramento, dos convencionais aos digitais. Aborda o estado da arte no âmbito de parcelas, estacas e pinos de erosão; sensoriamento remoto, através de imagens aéreas, de satélites e suas resoluções espaciais, e modelos digitais diversos, como obtidos por LiDAR. Entende-se, pois, cada técnica como relevante e complementares entre si. Palavras-Chave: Erosão Laminar; Erosão Linear; Parcelas de Erosão; Pinos de Erosão; LiDAR; Geotêxteis. Abstract: Experiments play a fundamental role in Geomorphology. Multiple field and laboratory techniques are used. These include measurement techniques, monitoring, field and laboratory observations, and cartographic resources (e.g. topographic maps and aerial photographs). 531 Together with new technologies, the techniques enable the rapid acquisition and processing of expanding amounts of increasingly accurate data. As a geomorphological process, monitoring hydric erosion is crucial and many important questions remain. These include improving our understanding of interactions between natural and anthropogenic phenomena, space-time relationships, erosion processes and rates, scale issues and the development of innovative techniques. The technologies have applied dimensions, including strategies to prevent, decrease and mitigate the effects of hydric erosion. Many authors have discussed different ways to compare and assess both old and modern techniques. Therefore, this chapter reviews the Brazilian literature on monitoring methods, ranging from conventional techniques to modern advances in digital technology. The chapter addresses the current state-of-the-art, including the use of erosion pins and plots, remote sensing, satellite imagery, aerial images, digital models, and LiDAR techniques. The chapter discusses the potential of each individual technique and the synergistic potential of using multiple complementary techniques. Key words: Sheet Erosion; Linear Erosion; Erosion Plots; Erosion Pins; LiDAR; Geotextiles.
... A susceptibilidade de um solo à erosão está ainda associada a outros fatores, como: condições climáticas, características do relevo, práticas históricas de diferentes agentes sociais alterando as paisagens, e capacidade protetora da vegetação (COSTA; RODRIGUES, 2015;FUSHIMI;NUNES, 2018). Considerando esse último aspecto destaca-se ainda mais a relevância ambiental dos remanescentes florestais para a conservação do solo nessa bacia. ...
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A fragmentação florestal é um dos fatores que interferem na sustentabilidade dos recursos naturais, biodiversidade e qualidade de vida. Diante disso, são essenciais estudos que avaliem quanti e qualitativamente as propriedades ambientais de determinado ecossistema e/ou paisagem. Para tanto, a análise da ecologia da paisagem atua de forma eficaz. Diante disso o presente estudo buscou avaliar, a partir de métricas de paisagem, a qualidade dos remanescentes florestais presentes na parte da sub-bacia hidrográfica do rio Atibaia que cobre o município de Campinas/SP. Para tanto, utilizaram-se as métricas: Tamanho; Índice de Área Central; Índice de Circularidade; Distância do Vizinho mais Próximo; Proximidade à Curso d’Água; Produção de Água; Grau de Uso e Ocupação do Solo no Entorno e Grau de Erodibilidade do Solo. Estas foram analisadas individualmente e através do Índice de Qualidade Ambiental (IQrem). Verificou-se o alto grau de fragmentação florestal, dado o elevado número de remanescentes, especialmente pequenos e com baixa representativa de área central, porém localizados próximos uns aos outros. Além disso, por tratar-se de sub-bacia produtora de água para abastecimento, ressalta-se a necessidade de estratégias específicas de conservação desses remanescentes a fim de garantir a produção de água em termos quantitativos e qualitativos.
... O desenvolvimento e a qualidade das plantas são de suma importância, visto que ao passo que se aumenta a densidade de cobertura vegetal, se reduz a perda de solo, o que permite presumir que a cobertura vegetal, por meio da estruturação que gera no solo e pela proteção que estabelece na superfície, garante menor suscetibilidade à erosão pelas partículas de solo (Costa & Rodrigues, 2015). ...
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O município de Canaã dos Carajás se insere no universo de conflitos gerados pela disputa de território, principalmente, pela grande atividade exploratório de recursos minerais e ao avanço da agropecuária. Desse modo, o presente trabalho teve como objetivo analisar a Fragilidade Potencial e Emergente do município de Canaã dos Carajás, com uso de técnicas de geoprocessamento visando dar subsídios para a realização do Planejamento Territorial Ambiental do município. Para os procedimentos específicos da análise da Fragilidade Potencial e Emergente, foram selecionados os atributos ambientais: declividade, tipos de solo, geologia e o uso e cobertura do solo, baseados no estudo da Análise Empírica da Fragilidade dos Ambientes Naturais e Antropizados proposta por Ross em 1994, aplicado a técnica de análise espacial de álgebra de mapa, pelo procedimento de sobreposição ponderada “Weighted Overlay”. O município de Canaã dos Carajás apresenta baixa susceptibilidade natural aos processos erosivos, porém, percebe-se que as intervenções antrópicas relacionadas principalmente atividade da pecuária influenciam na sua instabilidade, potencializando a perda da qualidade ambiental no município.
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Cosmogenic ⁷Be was used to evaluate soil loss in a mountainous micro-watershed near Belo Horizonte, Southwest Brazil. Two nearby sites were selected, a reference site in a flat area and an eroded site in a hill slope. At the reference site, soil samples were collected monthly throughout the year in order to evaluate seasonal variations of ⁷Be inventory in soil and its relation with the precipitation regime. Additionally, rainwater was collected and the expected ⁷Be soil content was predicted. At the reference site, the ⁷Be inventory shows seasonal variations, in accordance with the rainy season, and its distribution in the soil profile shows an exponential decrease in depth (h0 = 6.9 ± 0.6 kg m–2; r² = 0.97). At the eroded site, two soil sampling campaigns were performed in order to measure soil erosion in the watershed. The estimated net erosion was 42.2 ± 3.7 t ha–1, indicating the loss of upper 5mm of soil per year. This corresponds to soil losses in the area in the range from moderate to severe erosion.
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A infraestrutura verde apresenta um caráter multifuncional que envolve fatores geológicos, hidrológicos, bióticos, sociais, metabólicos e econômicos; por este motivo, quando bem monitorada, ela atua como um instrumento de suporte à resiliência das cidades. Neste contexto, os geoindicadores são bastante úteis, pois permitem a identificação da estrutura e dos processos ambientais que ocorrem na superfície terrestre. Diante disso o presente estudo buscou verificar a aplicação de geoindicadores para diagnóstico ambiental de remanescentes florestais nas bacias hidrográficas no município de Campinas/SP, a fim de subsidiar a gestão ambiental destas áreas, bem como futuros projetos de recuperação. Nos 2.319 remanescentes florestais distribuídos nas seis bacias hidrográficas de Campinas foram analisados os geoindicadores: bioma, geomorfologia, erodibilidade do solo conforme a pedologia e declividade; a partir de imagens de satélites e mapeamentos dos órgãos ambientais. Verificou-se que o município está em uma região de transição, onde a maioria dos remanescentes estão em área de Mata Atlântica e apenas um pequeno percentual em área de Cerrado. É também uma região de transição geomorfológica entre a Depressão Periférica e o Cinturão Orogênico do Atlântico, predominante apenas nos remanescentes das bacias do Atibaia e Jaguari. Nestas, os remanescentes estão associados ao maior grau de erodibilidade do solo e índice de declividade, o que aumenta a vulnerabilidade da área; uma área com grande potencial hídrico e responsável por 93,5% da demanda de água municipal. Desta forma, verificou-se através dos geoindicadores que estas duas bacias são altamente susceptíveis à erosão e demandam atenção no processo de manejo e gestão
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Aqui se faz uma apresentação do livro. Para aquisição e leitura por favor se reportar à editora. Detalhes adicionais e o link para editora estão contidos no anexo. A obra apresenta de forma condensada e integrada alguns dos mais importantes tópicos dos assuntos 'Erosão e Hidrossedimentologia', abrangendo os aspectos de causa-efeito da erosão em termos qualitativos e apresentando a integração dos diversos fatores de ciclo erosivo-hidrossedimentológico com o uso de geotecnologias. O livro, cujo objetivo é dar suporte aos profissionais de diferentes áreas que hoje lidam com as questões ambientais, discorre de forma didática sobre os principais fundamentos dos assuntos abordados, ora sob um ponto de vista teórico-científico, ora sob um ponto de vista aplicado. Os capítulos são tratados de modo que a informação básica seja transmitida facilmente aos leitores. Conclui comprovando que é possível haver relação sadia entre homem, solo e água, desde que sejam respeitados os limites naturais de cada região.
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Deforestation of the Brazilian cerrado region has caused major changes in hydrological processes. These changes in water balance components are still poorly understood but are important for making land management decisions in this region. To better understand pre-deforestation conditions, we determined the main components of the water balance for an undisturbed tropical woodland classified as "cerrado sensu stricto denso". We developed an empirical model to estimate actual evapotranspiration (ET) by using flux tower measurements and vegetation conditions inferred from the enhanced vegetation index and reference evapotranspiration. Canopy interception, throughfall, stemflow, surface runoff, and water table level were assessed from ground measurements. We used data from two cerrado sites, Pé de Gigante (PDG) and Instituto Arruda Botelho (IAB). Flux tower data from the PDG site collected from 2001 to 2003 were used to develop the empirical model to estimate ET. The other hydrological processes were measured at the field scale between 2011 and 2014 at the IAB site. The empirical model showed significant agreement (R2 = 0.73) with observed ET at the daily timescale. The average values of estimated ET at the IAB site ranged from 1.91 to 2.60 mm day−1 for the dry and wet seasons, respectively. Canopy interception ranged from 4 to 20 % and stemflow values were approximately 1 % of the gross precipitation. The average runoff coefficient was less than 1 %, while cerrado deforestation has the potential to increase that amount up to 20-fold. As relatively little excess water runs off (either by surface water or groundwater), the water storage may be estimated by the difference between precipitation and evapotranspiration. Our results provide benchmark values of water balance dynamics in the undisturbed cerrado that will be useful to evaluate past and future land-cover and land-use changes for this region.
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Deforestation of the Brazilian Cerrado region has caused major changes in hydrological processes. These changes in water balance components are still poorly understood, but are important for making land management decisions in this region. To understand pre-deforestation conditions, we determined the main components of the water balance for an undisturbed tropical woodland classified as "cerrado sensu stricto denso". We developed an empirical model to estimate actual evapotranspiration (ET) by using flux tower measurements and, vegetation conditions inferred from the enhanced vegetation index and reference evapotranspiration. Canopy interception, throughfall, stemflow, surface runoff, and water table level were assessed from ground measurements. We used data from two Cerrado sites, "Pé de Gigante" – PDG and "Instituto Arruda Botelho" – IAB. Flux tower data from the PDG site collected from 2001 to 2003 was used to develop the empirical model to estimate ET. The other hydrological processes were measured at the field scale between 2011 and 2014 in the IAB site. The empirical model showed significant agreement (R2= 0.73) with observed ET at the daily scale. The average values of estimated ET at the IAB site ranged from 1.91 to 2.60 mm d−1 for the dry and wet season, respectively. Canopy interception ranged from 4 to 20% and stemflow values were approximately 1% of gross precipitation. The average runoff coefficient was less than 1%, while Cerrado deforestation has the potential to increase that amount up to 20 fold. As relatively little excess water runs off (either by surface water or groundwater) the water storage may be estimated by the difference between precipitation and evapotranspiration. Our results provide benchmark values of water balance dynamics in the undisturbed Cerrado that will be useful to evaluate past and future land cover and land use changes for this region.
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When the soil erosion is accelerated by Humankind action, occur a lot of environmental and economicproblems, just because the soil erosion has influence in environment stability. This research was developedat Glória Experimental Farm/UFU, and its objective was to make analyses and comparisons betweenpluvial soil erosion in seven different land uses. It was collected data about soil moisture, runoff, sedimentstransport and images from each land use in different times for making the photo-comparison to study thedevelopment of the vegetations. In this research were used erosion plots with slope of 5° and a trough inits end part for collecting the water and sediments transported. As a first result, it was observed that anykind of vegetal cover helps in erosion decrease because of the interception of rain drops and the soilradiation by the vegetation leaves. It is possible to affirm that the runoff transports the sediments and the nutrients of soil, and so, the soil cover becomes inappropriate to the agriculture and for another uses.
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São apresentados os resultados de pesquisa que quantificaram a precipitação efetiva e a interceptação das chuvas pelo dossel da floresta secundária de Mata Atlântica na "microbacia experimental B", do Laboratório de Hidrologia Florestal Walter Emmerich, em Cunha-SP. No período de um ano foram medidos a precipitação no aberto, a precipitação interna e o escoamento pelo tronco das árvores, totalizando 54 coletas. Um pluviômetro em área aberta e 16 no interior da floresta foram utilizados para quantificação dos dois primeiros processos, respectivamente. Para determinação do escoamento pelo tronco foram instalados dispositivos de espuma de poliuretano em 38 árvores. A água interceptada foi estimada pela diferença entre a precipitação no aberto e a precipitação efetiva. Concluiu-se que, em média, 18,6% da precipitação foi interceptada pela floresta, retornando à atmosfera na forma de vapor. Um montante de 81,2% alcançou o piso como precipitação interna e apenas 0,2% como escoamento pelo tronco. Os fluxos de precipitação interna e escoamento pelo tronco foram maiores no período caracterizado como chuvoso. Os porcentuais de interceptação foram superiores no período pouco chuvoso.
Precipitação efetiva e interceptação das chuvas por floresta de Mata Atlântica em uma bacia experimental em Cunha – São Paulo. Revista Árvore
  • F C S Cicco
  • V Rocha
ARCOVA, F. C. S.; CICCO, V.; ROCHA, P. A. B. Precipitação efetiva e interceptação das chuvas por floresta de Mata Atlântica em uma bacia experimental em Cunha – São Paulo. Revista Árvore. Viçosa, v. 27, n. 2, p. 257-262. mar/abr, 2003. Disponível em: <www.revistaarvore.ufv.br>. Acesso em: 08 set. 2015.
Diagnóstico do meio físico de Bacias Hidrográficas: modelo e aplicação
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BELTRAME, A. da V. Diagnóstico do meio físico de Bacias Hidrográficas: modelo e aplicação. Florianópolis: Ed. da UFSC, 1994.
Análise da eficiência da vegetação no controle do escoamento superficial: Uma aplicação na Bacia Hidrográfica do rio São Bartolomeu, DF. Geociências: UNESP, São Paulo
  • Edilson Bias
  • De Souza
BIAS, Edilson de Souza et al. Análise da eficiência da vegetação no controle do escoamento superficial: Uma aplicação na Bacia Hidrográfica do rio São Bartolomeu, DF. Geociências: UNESP, São Paulo, v. 31, n. 3, p.411-429, jan. 2012.
Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Cerrado. Brasília: Ministério do Meio Ambiente
  • Brasil
  • Ministério
  • Meio Ambiente
BRASIL. MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE.. Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Cerrado. Brasília: Ministério do Meio Ambiente, 2009. 152 p. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/estruturas/182/_arquivos/ppcerrado_consultapublica_182.pdf>. Acesso em: 08 jul. 2015.