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Desenhos de resistência na cidade videovigiada: considerações sobre a recusa criativa no contexto biopolítico contemporâneo

Authors:

Abstract and Figures

This paper composes considerations about the design of resistance in the contemporary bio-political society. At first, it rescues the discussion of "disciplinary societies" and "controlling societies", in order to raise the creative resistance question as the insurgents flows of Brazilian cities. Moreover, it is possible to define some current political movements that point out to the ambivalent nature of the contemporary bio-politics society.
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http://dx.doi.org/10.5007/1807-1384.2015v12n2p34
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Adaptada.
DESENHOS DE RESISTÊNCIA NA CIDADE VIDEOVIGIADA: CONSIDERAÇÕES
SOBRE A RECUSA CRIATIVA NO CONTEXTO BIOPOLÍTICO
CONTEMPORÂNEO
Eledison de Souza Sampaio
1
Resumo:
O texto tece considerações sobre o desenho de resistência na sociedade biopolítica
contemporânea. Em um primeiro momento, retoma uma discussão sobre as
“sociedades disciplinares” e “sociedades de controle”, para, posteriormente, colocar
a questão da resistência criativa como fluxos insurgentes nas cidades brasileiras.
Com isso, será possível demarcar alguns movimentos políticos atuais que apontam
para o caráter ambivalente da sociedade biopolítica contemporânea.
Palavras-chave: Disciplina. Controle. Videovigilância. Desenhos de Resistência.
Cidade contemporânea.
1 INTRODUÇÃO
Seguindo uma perspectiva interdisciplinar, este artigo elabora o tema da
resistência no contexto biopolítico contemporâneo. Para tanto, retoma uma leitura
minuciosa das obras de Michel Foucault (1988; 2008; 2013), sobretudo aquelas
onde o filósofo anuncia, com seus movimentos conceituais, aquilo que Gilles
Deleuze (1992) veio a denominar como sociedades de controle.
Para dar conta deste paradigma complexo e escorregadio, convém
incrementar uma investigação interdisciplinar da problemática que envolve os
processos de comunicação e a produção de subjetividades na sociedade
contemporânea. Como se sabe, quando os autores citados Michel Foucault e
Gilles Deleuze elaboram suas metodologias para o estudo do poder, expressam
um ponto de confluência, uma zona de intersecção, que é a que nos interessa neste
momento. Trata-se, em ambos, de uma avaliação ambivalente da sociedade, ou
melhor, de uma postura que emparelha as tentativas de homogeneização e os
esforços de diferenciação como condições intrínsecas ao sistema político
1
Mestre em Desenho, Cultura e Interatividade pela Universidade Estadual de Feira de Santana.
Bacharel em Humanidades pela Universidade Federal da Bahia, Salvador, BA. E-mail:
eledisonsampaio@hotmail.com
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contemporâneo. Neste caso, vale destacar que a perspectiva ultrapassa a
importante contribuição marxiana crítica ao modus operandi da sociedade
capitalista, sobretudo à violência de classe , mas não a descarta, que, por detrás
das novas formas de poder, encontram-se velhas condições de dominação e
violência, principalmente em países pós-coloniais, a exemplo do Brasil.
Convém ressaltar que a abordagem possui um caráter dual, pois concebe
alguns efeitos antidemocráticos da videovigilância na cidade contemporânea, mas,
por outro lado, registra importantes movimentos de resistência. Grosso modo, o
poder assimila em suas dinâmicas relacionais as questões do controle e da
resistência criativa (DELEUZE, 1992). Tais procedimentos de recusa, aqui
denominados como desenhos de resistência, indicam uma potência que é da ordem
da criação e do movimento, operando enquanto política desregrada e transgressora
que articula o visível e o invisível em cada contexto de multiplicidades.
O texto que segue procura ressaltar um tipo de olhar criativo sobre a cidade
que sobrevive e que se desenvolve à revelia das ameaças constantes de
homogeneização e da globalização processos que possuem relação íntima com o
modo de funcionamento dos regimes tecnológicos de vigilância e controle das
sociedades atuais.
2 DA DISCIPLINA AO CONTROLE
No conhecido texto Vigiar e Punir, Michel Foucault (2013) apresenta um
itinerário analítico sobre duas formas diferentes de operação do poder e dos
mecanismos de dominação. Se nas sociedades de soberania o poder postula sobre
a vida e a morte dos súditos, impondo o terror como estratégia de obediência, nas
sociedades disciplinares ocorre uma espécie de “suavização” das práticas de poder
e dos efeitos de dominação: trata-se de docilizar através de procedimentos que
investem o corpo mais que objetivam a alma e o autocontrole, a interiorização da
norma.
Pode-se dizer que a emergência das cnicas disciplinares materializa uma
nova estratégia de exercício do poder de castigar; a questão, aqui, não é punir
menos, mas punir melhor, com mais universalidade extensão e profundidade.
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Contudo, alerta Passetti (2004, p. 154) que a sociedade disciplinar
[...] criou positividades de poder, caracterizando-se como uma sociedade
diferente da sociedade de soberania que a antecedeu e não suprimiu,
acrescentando-lhe novos trajetos. Da mesma maneira, a sociedade de
controle não destrói a que a antecedeu: redimensiona o domínio de forma
mais sutil.
As disciplinas espelham um conjunto de “métodos que permitem o controle
minucioso das operações do corpo, que realizam a sujeição constante de suas
forças e lhes impõe uma relação de docilidade-utilidade” (FOUCAULT, 2013, p. 133).
Em outras palavras, a disciplina inaugura um conjunto de invenções técnicas
voltadas para a extensão útil das multiplicidades, de modo que o poder seja regido
de forma mais racional e econômico.
As disciplinas se impõem por meio de uma distribuição corporal nos espaços
(p. 137) e devem sua eficácia aos instrumentos denominados como recursos para o
bom adestramento”, quais sejam: 1) vigilância hierárquica; 2) sanção normalizadora;
3) exame (FOUCAULT, 2013). Nos três casos, a dinâmica de funcionamento da
disciplina supõe uma distribuição racionalizada dos indivíduos no espaço e, ao
mesmo tempo, um gerenciamento de suas ações no tempo.
O poder que opera o detalhe via encarceramento disciplinar, aparentando o
funcionamento de um laboratório, coloca saber e poder em interação simbiótica,
dinâmica, na medida em que o poder investido sobre o interno cresce de forma
diretamente proporcional ao saber obtido pela instituição. Em outros termos, “não
relação de poder sem constituição correlata de um campo de saber, nem saber que
não suponha e não constitua ao mesmo tempo relações de poder” (FOUCAULT,
2013, p. 30). Ou ainda, “todo ponto de exercício de poder é, ao mesmo tempo, um
lugar de formação de saber” (MACHADO, 1979, XXI).
No contexto dos dispositivos disciplinares, talvez seja a estratégia panóptica
ver sem ser visto o modelo que expressa o mais alto grau de eficácia da vigilância
na sociedade moderna. O panóptico impõe-se ao indivíduo visando produzir “um
estado consciente e permanente de visibilidade que assegure o funcionamento
automático do poder. Fazer com que a vigilância seja permanente em seus efeitos,
mesmo se é descontínua em sua ação” (FOUCAULT, 2013, p. 191).
Com este tipo de dispositivo, temos uma inversão do princípio da masmorra e
de suas funções: “trancar, privar de luz e esconder”. Na passagem das práticas de
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soberania (espetaculares) para as práticas disciplinares só a primeira função se
conserva, a de trancar, sendo o panóptico, nesse contexto, um dispositivo que
autonomiza e desinvidualiza o poder. Aqui, pouco importa quem exerce o poder,
posto que qualquer individuo, em princípio, pode ser o observador oculto e, assim,
fazer aquina de poder funcionar. A importância deste modelo de vigilância
assume relevância não só na modernidade, mas também nos estudos atuais sobre o
tema:
A relação do panóptico com a vigilância tem sido minuciosamente ensaiada.
De fato, esse deve ser o conceito teórico mais discutido e debatido. O
ímpeto panóptico é tornar tudo visível; é o desejo e a condução a um olhar
generalizado, para ajustar o corpo pela técnica e para gerar regimes de
autodisciplina pela incerteza (LYON, 2010, p. 127).
O olhar onipotente e onipresente do inspetor permite que tal arquitetura de
vigilância, com formato de pirâmide, torne-se análoga a uma prisão, cujos detentos
são conduzidos e mantidos em regime de sujeição e obediência por meio de uma
visibilidade meticulosa. É por isto que o panóptico desdobra-se como “uma máquina
maravilhosa que, a partir dos desejos mais diversos, fabrica efeitos homogêneos de
poder” (FOUCAULT, 2013, p. 192).
Em sentido confluente, Deleuze (2011, p. 42) infere que o panoptismo
caracteriza-se por ser “um agenciamento visual e um meio luminoso do qual o vigia
pode ver tudo sem ser visto, no qual os detidos podem ser vistos, a cada instante,
sem verem a si próprios (torre central e células periféricas)”. Ao funcionar como uma
espécie de microscópio do comportamento (FOUCAULT, 2013, p. 167) ou como um
laboratório do poder (p. 194), o maquinário de controle do panóptico se insere
socialmente mediante duas dimensões inevitavelmente articuladas, uma mais
concreta e outra mais abstrata. A dupla faceta do panoptismo disciplinar é bem
expressa nos seguintes termos deleuzianos:
[...] quando Foucault define o Panoptismo, ora ele o determina
concretamente, como um agenciamento óptico ou luminoso que caracteriza
a prisão, ora abstratamente, como uma máquina que não apenas se aplica
a uma matéria visível em geral (oficina, quartel, escola, hospital, tanto
quanto a prisão), mas atravessa geralmente todas as funções enunciáveis.
A fórmula abstrata do Panoptismo não é mais, então, ver sem ser visto, mas
impor uma conduta qualquer a uma multiplicidade humana qualquer
(DELEUZE, 2011, p. 43).
Trata-se de pensar o diagrama, essa “máquina abstrata” (DELEUZE, 2011, p.
44), como mecanismo que existiu mesmo nas sociedades antigas (de soberania),
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ainda que com outras matérias e funções. O diagrama, enquanto construção
histórica e com capacidade eminente de atualização, “é altamente instável ou fluido,
não pára de misturar matérias e funções de modo a constituir mutações” (DELEUZE,
2011, p. 44-45). O diagrama disciplinar, em sua fórmula abstrata, volta-se para uma
ordenação das multiplicidades humanas, utilizando-as, tornando-as úteis,
manobrando as potencialidades de suas interconexões, dos conflitos subjetivos e
das produções coletivas.
Foucault (2008), em seus movimentos reflexivos, foi além da abordagem
descrita no Vigiar e Punir, passando a se concentrar numa outra mutação ocorrida
no seio do capitalismo. Se nas sociedades disciplinares o foco do poder estava no
individuo, exercendo-se um controle mais micrológico e individualizante, nas
sociedades biopolíticas o controle se estende para a população, ampliando as
estratégias de vigilância e os efeitos de dominação para além dos limites territoriais
do Estado-nação.
Nesse contexto de vigilância global, a noção de controle em Deleuze (1992)
está diretamente ligada à questão biopolítica em Foucault (1988). Isto pode ser dito
na medida em que “só a sociedade de controle está apta a adotar o contexto
biopolitico como terreno exclusivo de referência” (HARDT & NEGRI, 2006, p. 43). A
transição das sociedades disciplinares para as atuais, de controle, cria uma situação
de domínio que pretende ser completo, demarcando a eclosão de um novo regime
de poder o biopoder:
O poder só pode obter um domínio efetivo sobre a vida inteira da população
tornando-se uma função integrante e vital que todo individuo adota e reativa
por espontânea vontade. A mais alta função desse poder é de investir a vida
por inteiro, e sua primeira tarefa é administrá-la (HARDT; NEGRI, 2004, p.
162).
Operando sobre a vida, rastreando as condutas e registrando o ethos do
sujeito contemporâneo, o controle contemporâneo conforma a multidão de
singularidades, buscando torná-las úteis e produtivas em termos econômicos, ao
passo que dóceis e monolíticas em termos políticos. Pensando assim, as relações
de poder biopolíticas forjaram uma realidade na qual o propósito único será a
manutenção e reprodução da vida. As operações do biopoder redimensionam o
projeto homogeneizante para além das fronteiras da nação, apoiando-se na retórica
positiva e despolitizante da modernidade tecnológica e da globalização.
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Para Lazzarato (2006, p. 73):
O biopoder é uma modalidade de ação que, como as disciplinas, é
endereçada a uma multiplicidade qualquer. As técnicas disciplinares
transformam os corpos, ao passo que as tecnologias biopolíticas se dirigem
a uma multiplicidade enquanto massa global, investida de processos
coletivos específicos da vida, como o nascimento, a morte, a produção, a
doença. As técnicas disciplinares conhecem apenas o corpo e o individuo,
enquanto o biopoder visa à população, ao homem enquanto espécie e, no
limite, como Foucault vai dizer em um de seus cursos, o homem enquanto
mente.
Nas sociedades de controle, a expansão do capitalismo cognitivo fez nascer
uma onda de controle que atravessa toda a malha social. Da casa, da sala, do
recinto mais privado à praça pública, o “dever de vigilância” passa a ser estendido
numa dinâmica extensiva horizontal para captar não os criminosos, mas a todos
os indivíduos indiscriminadamente, visando neutralizar todo o “perigo” possível.
Do global para o local, torna-se oportuno contar com a avaliação de
pesquisadores brasileiros que perceberam a necessidade de operacionalizar
contribuições empíricas no âmbito das nossas cidades. Lucas Melgaço (2010), tendo
por base as reflexões de Milton Santos, argumenta que a racionalização do espaço
via câmeras de vigilância segue o objetivo de tornar a cidade controlada e previsível,
negando-se, neste mesmo processo, o potencial criativo que decorre das relações
conflituosas entre os sujeitos sociais. Porém, o mesmo autor pondera que o
posicionamento fatalista de que “tudo está controlado e que não saída” deve ser
visto com mais cuidado, pois a resistência criativa da qual nos falou Deleuze (1992)
também emerge dentre os novos arranjos do capitalismo pós-fordista.
Contudo, o processo de subversão da lógica racionalista encontra nas
narrativas sociais a titulação de um mal eminente, talvez porque a resistência
mantém relação significativa com alguns conceitos que questionam o projeto
humanista, tais como: devir, transformação, trevas, profundidade, horizontalidade.
No caso da videovigilância, é possível pensá-la como um dispositivo que assume
uma faceta moral que produz, incansavelmente, novas formas de manifestação do
poder: “nessa mesma linha de oposições produzidas, como essa entre o Certo e o
Errado, os dispositivos tecnológicos de vigilância vão agregando outras, tais como: o
Bem e o Mal, a Ordem e a Desordem, a Vítima e o Criminoso” (CASTRO & PEDRO,
2010, p. 57). Estas polarizações discursivas, de cunho moral e criminal, parecem
justificar os fenômenos de exclusão e segregação social em muitos processos
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urbanos contemporâneos, os quais costumam aparecer cotidianamente nas cidades
brasileiras como um movimento insidioso de promoção e equilíbrio democrático.
Em sentido convergente a Melgaço (2010), com outro tipo de abordagem,
Marta Kanashiro (2006) estudou a forma como os processos de Revitalização
Urbana emergem em conexão com práticas de videovigilância, fazendo emergir um
efeito político-estético de desaparecimento do errante aquele se destaca do fluxo
na multidão (KANASHIRO, 2006). Grosso modo, esta autora percebeu que a
vigilância visual foi implantada com o duplo objetivo de eliminar os “indesejáveis” e
disciplinar os “desejáveis” de determinados espaços públicos da cidade de São
Paulo.
Corroborando com a crítica das sociedades de controle, Kanashiro (2006, p.
79) acrescenta que os dispositivos de videovigilância carregam como bojo não um
incentivo aos conflitos, mas a neutralização destes, participando ativamente de um
conjunto de programas, urbanísticos e midiáticos, em que a cidade é projetada como
um sistema total de iguais. Daí que a função dos dispositivos produtores de imagens
visa estabelecer uma imposição da exposição que funcione produzindo efeitos
inibidores de resistências.
3 DESENHOS DE RESISTÊNCIA NAS CIDADES BRASILEIRAS
Muito se tem discutido sobre os impactos e efeitos das sociedades de
controle e as tecnologias de comunicação e informação. toda uma gradação de
pesquisas, quantitativas e qualitativas, que indicam as particularidades de cada
contexto urbano pesquisado, destacando as fragilidades dos sistemas de controle na
produção da segurança, assim como as percepções daqueles que vigiam, dos que
são vigiados e das características técnicas que subsidiam o exercício do controle
2
.
Conforme propomos neste texto, os desenhos de resistência conformam um
conjunto de procedimentos (ZORZO, 2007), ainda que pontuais, em que se observa
uma estratégia de recusa criativa ao ambiente de controle que sufoca a cidade
contemporânea (VIRILIO, 1993). Se concordarmos que os dispositivos de controle
constituem um conjunto de práticas que visam potencializar a vida de alguns e
2
BRUNO (2013), SAMPAIO (2014), TREVISAN, FIRMINO E MOURA JUNIOR (2009), ZIMMER
(2009), entre outros.
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eliminar ou conter a experimentação da vida pelos indesejáveis, podemos dizer que
os movimentos de resistência elaboram um efeito de contra-violência. Com esta
primeira premissa, passemos a trazer o registro dos desenhos de resistência.
Figura 1 Avenida Mário Covas Júnior, perto do Mauá Plaza Shopping, Mauá - SP.
Fonte: http://olheosmuros.tumblr.com/
Figura 2 Avenida Borges de Medeiros, Porto Alegre - RS
Fonte: http://olheosmuros.tumblr.com/
Como se vê, os desenhos 1 e 2 elaboram uma apropriação subversiva da
expressão “sorria, você está sendo filmado”. Por trás dessa simples expressão
cristaliza-se uma situação que caracteriza as relações sociais e a democracia no
início do século XXI. Por todo o ambiente construído, as câmeras de deo gravam
as atividades realizadas em espaços públicos e privados, visando manter a suposta
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segurança. A gravação dos vídeos de segurança segue uma lógica social. Para
quem filma, os objetivos são, geralmente, de policiamento e controle social. Para os
que estão sendo filmados, no entanto, os efeitos são imprevisíveis e ambivalentes.
Nas cenas sob videovigilância, diferente da interação presencial que se
consome em cada atividade realizada, fica um resíduo na forma de imagem, que se
deposita em um arquivo. Dependendo do resíduo da imagem social registrada, a
videosegurança tanto pode se instituir como um serviço público, quanto um abuso
das instituições e sujeitos que a empregam. Evidentemente, com a introdução
cotidiana das gravações, desencadeia-se um efeito de rede, pois as câmeras se
acumulam e dão base para a criação de um banco de dados que se prolonga e se
atualiza com o transcorrer do tempo (ZORZO; SAMPAIO, 2012).
Podemos, ainda, observar que a formação discursiva do SVSF
3
”,
especialmente o uso do verbo sorrir, “pode estar antecipando e tentando suspender
uma reação adversa por parte de quem está sendo filmado”. Em verdade, o que
realmente espera-se provocar não é um sorriso, mas sim um bom comportamento”
(RODRIGUES, 2005, p. 6).
De forma comum, os desenhos desvelam uma recusa “suave” ao dispositivo
de vigilância. Esta recusa parece se dar na forma de ironia, onde possivelmente o
agente, ao deparar-se com o imperativo do SVSF, atribui-lhe um sentido adverso,
valendo-se de uma civilidade dissimulada (BHABHA, 1997). Com isso, parece-me
que o efeito desse desenho de resistência não é simplesmente sugerir que todos
devem sorrir, mas que o “dever sorrir” na sociedade videovigiada traz consigo um
interessante movimento irônico, exigindo um comportamento duplo do vigiado ou
seja, apesar do mal que sente, o sujeito deve sorrir, pois está sendo vigiado e
poderá ser observado nos atos mais comezinhos de sua vida íntima.
Por sua vez, o sugestivo “não sorria por isso” faz pensar que a vigilância das
câmeras possui efeitos contrários em relação àqueles que são alegados. Se
pensarmos que o sorriso é um privilégio dos humanos, então, o não sorrir pode
inserir o sujeito numa zona nada confortável de criminoso antes do suposto crime,
culpado antes da suposta culpa. Estaríamos, por assim dizer, diante de uma corrida
securitária que fabrica suspeitos de maneira contínua, ostensiva e indiscriminada.
3
Utiliza-se essa sigla como referência ao “Sorria, você está sendo filmado”.
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Por outro lado, veja-se o desenho da figura 3, que chama atenção para uma
mudança nas práticas de vigilância na sociedade contemporânea:
Figura 3 Em Santa Teresa, Rio de Janeiro
Fonte: http://olheosmuros.tumblr.com/
O alerta do “tem sempre alguém de olho no vigia” remete diretamente ao
caráter tecnológico e descentralizado da vigilância atual. Conforme indicou Bogard
(2006), a vigilância e o controle contemporâneos são menos sujeitos a restrições
espaciais, portanto, não se reduzem a uma lógica geométrica fechada de
enclausuramento e disciplina. Isto ocorre porque o poder se tornou inteiramente
biopolítico e, com efeito, ele é “expresso como um controle que se estende pelas
profundezas da consciência e dos corpos da população e ao mesmo tempo
através da totalidade das relações sociais” (HARDT; NEGRI, 2006, p. 43-44).
“Na cidade que controla e que é controlada” (MOURA, 2006), uma imagem
como essa amplia a discussão sobre a suspeição generalizada que marca a cidade
contemporânea. O fato de quem vigia ser também vigiado reflete de certa maneira a
própria analítica do poder como relação da qual nos falou Foucault (2000). Na
esteira do filósofo Nietzsche, Foucault apostou em uma compreensão mais ampla do
poder, que não se reduz ao poder central do Estado e do aparelho judiciário; um
poder que, dada a complexidade das relações sociais, tem sentido de repressão,
mas, sobretudo, produção de saberes, práticas e técnicas. Ao desaguar por meios e
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vias diversas, o poder permite um devir incessante dos sujeitos e das características
das cidades.
Com essa compreensão multifacetada do poder, Foucault (1993) abre
margem para a possibilidade de os esquemas de vigilância se tornarem mais
distribuídos e difusos (BRUNO, 2013), o que explicaria a extensão da vigilância para
além dos espaços fechados e, portanto, chegando as tecnologias de vigilância e
controle ao ar livre, mas também nas tecnologias de informação e de vigilância para
consumo. Essa lógica se espalha, pois na cidade contemporânea um complexo
ambiente midiático, mediado por câmeras e outros inúmeros dispositivos
tecnológicos.
Figura 4 Aniquilando o sistema
Fonte: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=516995741671032&set=pb.249780145059261.-
2207520000.1368115444.&type=3&theater
Soa irônico e curioso que o desenho da figura acima ganhe expressão no
Facebook, uma rede de relacionamento e vigilância digital bastante popularizada e
desejada na atualidade. Não obstante, isso é possível de compreender na medida
em que a resistência o tende a se dar fora do controle, mas dentro dele (HARDT;
NEGRI, 2006). O desenho da figura 4 é bem interessante porque, neste caso,
demonstra-se a relação dinâmica entre os dispositivos de poder na sociedade. Dois
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dispositivos, o Facebook e a videovigilância, operando de forma articulada e
complementar: o desenho evidencia que o primeiro dispositivo serviu de espaço
potencial para uma negação do segundo. Se os desenhos anteriores expõem uma
resistência mais “suave”, este desenho propõe uma subversão mais radical das
forças de controle.
No entanto, o “poder do não” que este desenho quer indicar pode ser
reduzido, apressadamente, a mero ato de vandalismo, supostamente simplista e
injustificado. Quando isto ocorre, “o marginal é, assim, socialmente produzido”
(MELGAÇO, 2010, p. 131), assumindo a imagem de algo que é ruim e corrupto por
natureza. Quando se investe na aniquilação do sistema, assume-se o risco de ser
avaliado segundo os piores parâmetros: aniquilar a câmera, fazer cessar seus
objetivos, faz do suspeito criminoso, capaz de qualquer prática criminosa inimigo,
portanto, da suposta segurança.
Quando o “outro” é eliminado, a sociedade experimenta uma espécie de gozo
perverso (ZIZEK & DALY, 2006) que enxerga nessa eliminação o caminho mais fácil
para o exercício de uma política democrática emancipadora. Ou seja, a morte,
manifesta-se nessas sociedades biopolíticas através dos processos de exclusão e
segregação do “outro”. A morte do outro é o caminho perverso de tornar a vida
sadia, plena, estável e harmônica (FOUCAULT, 1988; 2008). Tendo isso em vista, a
resistência com certas doses de força tem o sentido de radicalizar aquilo que tende
a manter o status quo e a reprodução da desigualdade, logo, da violência.
4 CONSIDERAÇÕES SOBRE A RECUSA CRIATIVA
O desenho pensado neste trabalho inscreve-se na cidade como potência
política de resistência. Trabalhar esta outra perspectiva é importante na medida em
que as sociedades atuais nos colocam diante “de uma profusão de fluxos
anuladores de resistências, às vezes invisíveis, e em velocidades estonteantes”
(PASSETTI, 2011, p. 54). A noção de resistência, tomada no sentido deleuziano de
criação (DELEUZE, 1992), me parece extremamente oportuna para o pensamento
político contemporâneo, inclusive como forma de reafirmar que a pulsação e trânsito
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do sujeito contemporâneo não cabem em categorias fixas e estáveis, pré-
determinadas e supostamente iluminadas por forças metafísicas (WILLIAMS, 2012).
Através dos desenhos apresentados pode-se gerar uma noção sobre a
emergência das práticas de resistência que se dão pela via do registro e da
visualidade. Nos procedimentos de recusa, ficou colocado o modo como os sujeitos
elaboram formas políticas de recusa à vigilância do ambiente urbano. Neste mote
reflexivo, o desenho é concebido como ação política que envolve uma
experimentação marginal da cidade, comparecendo como recurso de afirmação da
cultura enquanto campo plural, performático e contraditório, ainda que subsistam as
tentativas de homogeneização e domestificação das identidades.
Por sua abertura e certa acessibilidade pela população, os desenhos nos
muros passaram, nas últimas cadas, a ser espaço de vigilância pelos poderes
instituídos (CAMPOS, 2007). Por conta do seu poderoso efeito comunicativo, o
desenho foi reduzido à condição de mero ato de vandalismo, supostamente
injustificado do ponto de vista político e carecedor de qualidade pelo viés estético.
Os desenhos, muitas vezes nômades e avessos ao capitalismo, foram negados
enquanto expressões que envolvem subjetividades libertárias, descontinuidades
eloquentes e desassossegos no âmbito da cultura urbana.
O desenho constitui uma linguagem que incorpora os vários espaços da
cidade, portanto, “nasce nas paredes, nos tectos, nas janelas, nas portas, nos
caixotes de lixo, nas carruagens de metro ou de comboio, nos vidros e estofos de
autocarros entre outros suportes inanimados, que povoam a geografia urbana”
(CAMPOS, 2007, p. 253). Qualquer suporte físico condições para que o desenho
se enraíze e desdobre seus efeitos variados: “qualquer suporte é, à partida legítimo,
desde que cumpra o requisito fundamental: esteja no espaço público, independente
do estatuto de propriedade, ao dispor de todos” (Ibidem, p. 253). Temos aqui um
outro atributo dos desenhos de resistência. Eles não circulam pelos espaços
fechados de galerias e elites, mas habitam a efervescência conflitiva do ambiente
urbano.
Em seu sentido mais amplo, o desenho “é desregrado e transgressor, como
tal, não comporta regras de composição às quais deva cega obediência” (CAMPOS,
2007, p. 257). O desenho é, por definição, uma produção imprevisível que não opõe
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palavra e imagem: ambas não se excluem, o complementares e estão
interpenetradas na produção cultural.
É justamente por seguir uma lógica de indeterminação e por não se limitar ao
que é possível, que o desenho ainda é muito desprezado por certa parcela da
comunidade cientifica; essa que, ao preconizar um cientificismo totalizante, legitima
processos de caráter passivo e mistificador do devir criativo. Campos (2007),
teorizando sobre as potencialidades do desenho, argumenta que ele pode ser
concebido como uma possibilidade do vir a ser, ou, em outras palavras, como o
imprevisível que se move na e pela pluralidade cultural. O desenho comparece como
potência que transcende o visível, não se limita ao consciente nem tampouco ao
racional. O grande problema que perpassa o desenho nos muros é que ele vem
sendo minado e desqualificado, fraturado pela predominância de uma racionalidade
instrumental.
Em meio aos problemas do pensar instrumental, o desenho, enquanto
procedimento que articula o visível e o invisível, estabelece um modo de proceder
contra as forças hegemônicas, formulando e refletindo formas inéditas de interação
com o espaço e com o outro, contrapondo a força esterilizante do capitalismo. A
cidade, se pensada através dos desenhos nos muros, revela-se uma saída ética
para contornar, ainda que de forma micro, as forças mecânicas e ideológicas que
estão atreladas ao regime de videovigilância das cidades. A grande potência do
desenho no contexto aqui tratado é o fato de constituir uma práxis política visual
enquanto transgressão, no sentido de que se desdobra comunicando desobediência
e recusa da norma (CAMPOS, 2007).
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta breve reflexão não possui pretensão nenhuma de esgotar as discussões
sobre os desenhos de resistência nas cidades brasileiras. Tratou-se de colocar
pequenas questões sobre um tema que ainda não está plenamente posto nas
discussões sobre os efeitos antidemocráticos das sociedades de controle. Mesmo
com o risco de negligenciar outros elementos, gostaria de registrar algumas ideias
que me tocam por ocasião dessa finalização.
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Como viemos tratando, as sociedades atuais nos colocam diante de um
quadro de vigilância e visibilidade que atende a efeitos diferenciados, a depender de
quem filma, de quem é filmado e de quais intencionalidades estão ligadas ao
exercício do controle. De certo modo, esse cenário de visibilidade espetacular vem
impulsionar uma alienação da imagem em troca do consumo, o que, por sua vez,
reflete uma hipertrofia do aparecer sobre o ser. Nessas cidades superexpostas
4
,
aquilo que não se exibe, o próprio cuidado com o “ethos” quando procura se
invisibilizar, é visto com desconfiança, pois pressupõe um desvio, algo que induz a
pensar que um suspeito, estranho ou desconhecido, está a se manifestar.
Arriscaríamos a dizer que os desenhos que selecionamos têm um sentido de
busca por certa invisibilidade nas cidades. Aqui, tornar-se invisível pressupõe um
recurso para potencializar atividades criativas que, em muito, dependem de
liberdade e espontaneidade. Se é assim, cabe entender o desenho de resistência
como aquilo que escapa aos poderes e saberes constituídos, fazendo as estruturas
dançarem ao som de pontos de interrogação. Enfim, o desenho constitui um modo
de produção de subjetividades que movimenta a cultura como fonte política e
estética de uma crítica do mesmo, do idêntico. Os desenhos de resistência não
indicam para perguntas limitadas pelas respostas, mas apontam para uma rede de
novas problematizações possíveis e contingentes.
Neste sentido, a relevância do estudo vem no sentido de mostrar que, na
contramão da cidade videovigiada, existe um processo ascendente de resistência
que sobrevive pela via da negação criativa nas sociedades de controle. Os
procedimentos de recusa alimentam o processo criativo que desemboca no novo, no
inédito, na inventividade de novas “possibilidades de vida”. Criar, nesse contexto,
volta-se para o sentido de estabelecer “uma relação consigo que nos permita resistir,
furtar-nos, fazer a vida ou a morte voltarem-se contra o poder.” (DELEUZE, 1992,
p.123).
A recusa à cidade videovigiada é algo que eleva-se como movimento que
contrapõe o sonho humanista que projeta a cidade como arena homogênea e
equilibrada. Convém frisar que a resistência não está no campo das utilidades, das
funcionalidades, mas está, por outro lado, no campo da ação política plena e
4
Conforme Virilio (1993).
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experimentativa, em função de ultrapassar aquilo que os dispositivos nos pedem
sutilmente ao mesmo tempo que violentamente.
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DRAWINGS OF RESISTANCE IN THE VIDEO-SURVEILLED CITY:
CONSIDERATIONS ABOUT CREATIVE REFUSAL IN THE CONTEMPORARY
BIO-POLITICAL CONTEXT
Abstract
This paper composes considerations about the design of resistance in the
contemporary bio-political society. At first, it rescues the discussion of "disciplinary
societies" and "controlling societies", in order to raise the creative resistance question
as the insurgents flows of Brazilian cities. Moreover, it is possible to define some
current political movements that point out to the ambivalent nature of the
contemporary bio-politics society.
Keywords: Discipline. Control. Video surveillance. Resistance design. Contemporary
city.
DIBUJOS DE RESISTENCIA DE EN LA CIUDAD VIDEOVIGILADA:
CONSIDERACIONES ACERCA DEL RECHAZO CREATIVO EN EL CONTEXTO
BIOPOLITICO CONTEMPORÁNEO
Resumen
El texto teje algunas consideraciones sobre el dibujo de resistencia en la sociedad
biopolítica contemporánea. Inicialmente, retoma la discusión sobre las "sociedades
disciplinarias" y "sociedades de control", para posteriormente referirse a la cuestión
de la resistencia creativa como flujos insurgentes en las ciudades brasileñas. Con
ésto, podemos indicar algunos movimientos políticos actuales que apuntan hacia el
carácter ambivalente de la sociedad biopolítica contemporánea.
Palabras clave: Disciplina. Control. Videovigilancia. Dibujos de Resistencia. Ciudad
contemporánea.
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Artigo
Recebido em 01 de junho de 2015
Aceito em 20 de novembro de 2015
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As câmeras de segurança têm sido vistas no Brasil como verdadeiras panaceias para os problemas de segurança urbana. Acredita-se que elas seriam capazes de afas-tar os medos ao transformarem o espaço em algo racional e previsível. Porém, a racionalidade em excesso pode se transformar em irracionalidade, fazendo com que a busca por segurança resulte em um cotidiano excessivamente controlado e, no limite, opressivo. Além disso, o método dialético sugere que toda racionalidade vem acompanhada de sua contrarracionalidade: as câmeras podem ter usos efetivos diferentes dos inicialmente propostos. Com exemplos principalmente da cidade de Campinas, e com destaque ao uso de câmeras em escolas, este artigo propõe uma reflexão sobre algumas das consequências da racionalização do espaço feita através da vigilância eletrônica.
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Resumo O trabalho aborda o desenho como procedimento de composição empregado por alguns artistas plásticos que influenciaram fortemente a produção visual do século XX. A pesquisa se apóia na obra de três grandes artistas europeus – Degas, Picasso e Duchamp. Cada artista enfrentou uma série de questões muito particular e encontrou procedimentos para alavancar o seu pensamento. São avaliadas suas técnicas e suas propostas e observadas algumas de suas contribuições mais significativas dentro da história da arte. Palavras-chaves: Desenho, procedimento, história da arte. Abstract The work deals with the drawing as procedure of composition used by artists that influenced the visual production in the 20th century. The research bases upon the drawing of three grand european artists – Degas, Picasso and Duchamp. Each artist made face to a set of specific problems and met proceedings that move his thinking. The technics and proposals are avaliated and anything advances more significant in the history of art are registered.
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BIBLIOTECA COMUNITÁRIA ESSA DISSERTAÇÃO APRESENTA UM PANORAMA DO UNIVERSO DO GRAFFITI EM SÃO PAULO, ANALISANDO A SOCIABILIDADE ENTRE OS GRAFITEIROS, ASSIM COMO ENTRE ESTES E DIVERSOS OUTROS AGENTES QUE ESTÃO, DE ALGUMA MANEIRA, LIGADOS ÀS REDES DO GRAFFITI. A PARTIR DA TRANSGRESSÃO NAS RUAS, REALIZADA DO MESMO MODO QUE OS PIXADORES, CAMINHOS SÃO TRAÇADOS, TRAZENDO PERSPECTIVAS PROFISSIONAIS, A ENTRADA NAS GALERIAS DE ARTE E NO MUNDO PUBLICITÁRIO, PARCERIAS COM O PODER PÚBLICO E O RECONHECIMENTO DO GRAFFITI COMO PARTE DO IMAGINÁRIO URBANO CONTEMPORÂNEO. A PARTIR DE ELEMENTOS HISTÓRICOS, TRAJETÓRIAS DE VIDA, DAS DIFERENTES TÉCNICAS E ESTILOS, TENSÕES E NEGOCIAÇÕES, ESTA ETNOGRAFIA APRESENTA A DINÂMICA DO GRAFFITI, INTERAGINDO, ATRAVÉS DE SUAS REDES, COM OS ESPAÇOS E COM O DINAMISMO DA METRÓPOLE.
Interdisc. INTERthesis, Florianópolis
  • R Inter
R. Inter. Interdisc. INTERthesis, Florianópolis, v.12, n.2, p.34-54, Jul-Dez. 2015
Redes de vigilância: experiência da segurança e da visibilidade articuladas às câmeras de monitoramento urbano
  • Rosa Maria Pedro
  • Leite
PEDRO, Rosa Maria Leite. Redes de vigilância: experiência da segurança e da visibilidade articuladas às câmeras de monitoramento urbano. Porto Alegre: Sulina, 2010, p. 36-60.
Editora brasiliense: São Paulo
  • Gilles Foucault
DELEUZE, Gilles. Foucault. Editora brasiliense: São Paulo, 2011.
In: Ditos e escritos IV: estratégia, poder-saber
  • Michel A Disciplinar Em Crise
FOUCAULT, Michel. A sociedade disciplinar em crise (1978). In: Ditos e escritos IV: estratégia, poder-saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2003.
Como podemos definir vigilância? Matrizes
  • Christian Fuchs
FUCHS, Christian. Como podemos definir vigilância? Matrizes, São Paulo. Juldez, 2011, p. 109-136.