ArticlePDF Available

ESTRUTURAS E NOMENCLATURAS DOS HIDROCARBONETOS: É POSSÍVEL APRENDER JOGANDO?

Authors:

Abstract

Muitos estudantes do Ensino Médio apresentam dificuldades no entendimento de alguns assuntos relacionados à Química, como por exemplo, o estudo de nomenclatura dos compostos orgânicos. Estas dificuldades podem estar atreladas a falta de interesse e de motivação dos alunos, que unidas à métodos de ensino, pouco atrativos, não permitem que estes consigam concretizar o conhecimento. Este trabalho enfoca a aplicação de um jogo como proposta pedagógica facilitadora para o ensino de nomenclatura dos hidrocarbonetos. O objetivo deste jogo é proporcionar, ao aluno, uma aula motivadora, que desperte o seu interesse neste conteúdo e que, por consequência, permita o seu aprendizado. Serão discutidas as etapas de aplicação e avaliação da proposta do “Jogo do Sim ou Não” como um instrumento pedagógico facilitador que pode ser útil nas aulas de Química Orgânica.
SILVA JÚNIOR & BIZERRA (2015)
HOLOS, Ano 31, Vol. 6
146
ESTRUTURAS E NOMENCLATURAS DOS HIDROCARBONETOS: É POSSÍVEL
APRENDER JOGANDO?
C. A. B. SILVA JÚNIOR
*
e A. M. C. BIZERRA
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte
carlosjuniorquimico@hotmail.com
*
Artigo submetido em outubro/2015 e aceito em novembro/2015
DOI: 10.15628/holos.2015.3616
RESUMO
Muitos estudantes do Ensino Médio apresentam
dificuldades no entendimento de alguns assuntos
relacionados à Química, como por exemplo, o estudo de
nomenclatura dos compostos orgânicos. Estas
dificuldades podem estar atreladas a falta de interesse e
de motivação dos alunos, que unidas aos métodos de
ensino, pouco atrativos, não permitem que estes
consigam concretizar o conhecimento. Este trabalho
enfoca a aplicação de um jogo como proposta pedagógica
facilitadora para o ensino de nomenclatura dos
hidrocarbonetos. O objetivo deste jogo é proporcionar,
ao aluno, uma aula motivadora, que desperte o seu
interesse neste conteúdo e que, por consequência,
permita o seu aprendizado. Serão discutidas as etapas de
aplicação e avaliação da proposta do Jogo do Sim ou
Não” como um instrumento pedagógico facilitador que
pode ser útil nas aulas de Química Orgânica.
PALAVRAS-CHAVE: Jogo; Motivação; Aprendizagem.
STRUCTURES AND NOMENCLATURE OF HYDROCARBONS: YOU CAN LEARN
PLAYING?
ABSTRACT
Many high school students have difficulties in
understanding some issues related to chemicals, such as
the study of nomenclature of organic compounds. These
difficulties can be linked to lack of interest and motivation
of students who joined the teaching methods,
unattractive, do not allow these able to realize the
knowledge. This work focuses on the application of a
game as a facilitator for the pedagogical proposal of
hydrocarbons naming education. The objective of this
game is to provide to the student, a motivating class, to
arouse their interest in content and therefore allow your
learning. The application steps and evaluation of the
proposal will be discussed the "Game Yes or No" as a
facilitator teaching tool that can be useful in organic
chemistry classes.
KEYWORDS: Game; Motivation; Learning.
SILVA JÚNIOR & BIZERRA (2015)
HOLOS, Ano 31, Vol. 6
147
1 INTRODUÇÃO
A Química, enquanto disciplina curricular, apresenta fundamental importância, visto que
ela é essencial para o desenvolvimento da sociedade. Através dela podem-se buscar inovações em
várias áreas do conhecimento científico, tais como: a medicina, com os fármacos, a geologia, com
o estudo das composições dos solos, as engenharias tecnológicas e alimentícias e etc. É possível,
ainda, obter explicações sobre vários questionamentos e fenômenos que ocorrem em nosso
cotidiano. Por esse motivo se torna imprescindível ao currículo do Ensino Básico e deve ser
discutida em sala de aula levando-se em consideração não as dimensões científicas, como
também as sociais e culturais.
No entanto, essa relevância não é reconhecida e nem aproveitada pela maioria dos alunos.
O que se observa na rotina de grande parte das aulas de Química é a falta de interesse por parte
de muitos alunos. Pode-se atribuir a esse fato, as dificuldades encontradas pelos estudantes na
assimilação dos conteúdos dessa disciplina. Cardoso (2000) afirma que estudantes do ensino
médio geralmente demonstram dificuldades para assimilar alguns conceitos científicos nas
disciplinas que compõem as ciências exatas como a Química. Gibin (2009) afirma que os alunos do
Ensino Médio têm dificuldades para aprender Química e geralmente não conseguem estabelecer
relações apropriadas entre os níveis macroscópico, simbólico e o submicroscópico.
Sobre isso, Nunes e Adorni (2010) afirmam que no ensino da Química, observam-se alunos
que muitas vezes não conseguem aprender e não são capazes de associar o conteúdo estudado
com seu cotidiano, por isso perdem o interesse. Desta forma percebe-se que muitas vezes o ensino
desta disciplina está sendo feito de forma descontextualizada e não interdisciplinar.
Com relação a esse assunto, Trevisan e Martins (2006) afirmam que é necessário falar em
educação química, levando-se em consideração a sua contextualização com os fenômenos e
acontecimentos do cotidiano do aluno, para que estes percebam sua importância socioeconômica,
numa sociedade avançada, tanto no sentido tecnológico quanto no sentido social.
Diante das dificuldades encontradas no ensino de Química percebe-se que é necessário se
trabalhar com novas possibilidades, estratégias ou propostas pedagógicas facilitadoras que
possam proporcionar o estreitamento da relação ensino-aprendizagem nesta disciplina. Segundo
Moreira (2012), a elaboração de um material didático que seja potencialmente significativo, pode
proporcionar, no aluno, uma motivação para estudar e aprender Química, porém esse material
deve ser elaborado de uma forma que permita a integração entre o conhecimento prévio do aluno
e a nova informação apresentada pelo professor.
Uma alternativa pedagógica para sanar essas dificuldades no ensino desta disciplina é a
aplicação de jogos químicos como instrumentos lúdicos. Segundo Benedetti et al (2009, p. 89) “o
uso do lúdico para ensinar conceitos em sala de aula pode ser uma ferramenta que desperte o
interesse da maioria dos alunos, motivando-os a buscar soluções e alternativas que resolvam e
expliquem as atividades dicas propostas”. Essa falta de interesse por parte do estudante deve
ser vista com outros olhos pelo professor que preza pelo aprendizado de seus alunos. Segundo
Cavalcanti, Deus e Soares (2007, p. 1), “o jogo é um instrumento que desperta o interesse, devido
ao desafio que ele impõe ao aluno. O aluno desafiado busca, com satisfação, a superação de seu
obstáculo, pois o interesse precede a assimilação”.
SILVA JÚNIOR & BIZERRA (2015)
HOLOS, Ano 31, Vol. 6
148
Robaina (2008, p. 12) defende a utilização dos jogos pedagógicos, afirmando ser uma
alternativa viável e promissora, já que podem ser confeccionados com materiais que fazem parte
do ambiente de sala de aula ou que são descartados nas residências. É justamente essa a ideia da
aplicação do lúdico em sala de aula, a de levar em consideração tanto a facilidade de assimilação
do conteúdo, quanto à confecção dos jogos, pois isso contribui para que os alunos se utilizem da
sua criatividade e se tornem construtores do próprio conhecimento, desenvolvendo, inclusive,
seus próprios jogos. Para ratificar essa ideia, Nardin (2008, p.4) afirma que “a construção de um
espaço de jogo, de interação e de criatividade proporcionaria o aprender com seu objetivo
máximo, com sentido e significado, no qual o gostar e o querer estariam presentes”.
A respeito dos jogos químicos, Soares (2004, p. 180) diz que é possível despertar o interesse
do aprendiz para o ensino de química, fazendo-se jogos que busquem representar os eventos
microscópicos e abstratos de forma macroscópica e palpável. Os jogos Químicos em sala de aula,
segundo Cunha (2012, p. 96) podem e devem ser utilizados como recursos didáticos na
aprendizagem de conceitos. Estes podem auxiliar na aprendizagem dos estudantes, sendo
utilizados como recurso mediador/facilitador para a obtenção da informação por estes.
Essa dificuldade que os alunos encontram para aprender alguns assuntos de Química é
preocupante, por isso é necessário que os professores se utilizem de algum recuso inovador que
possa suprir essa dificuldade. Um dos assuntos que os estudantes encontram mais dificuldades é
o que está relacionado a nomenclatura dos compostos orgânicos, pois este assunto envolve um
número consideravelmente elevado de informações.
Este trabalho objetiva mostrar a aplicação, bem como os resultados desta aplicação, de um
jogo que foi executado em quatro turmas de duas escolas diferentes. Este foi utilizado como
ferramenta pedagógica facilitadora no ensino de nomenclatura dos hidrocarbonetos. É também
objetivo deste trabalho, analisar a influência do jogo, não só nas notas dos alunos, como também
no interesse/motivação destes mediante a aula com esta ferramenta didática.
2 O JOGO DO SIM OU NÃO
Este jogo pode ser utilizado em sala de aula como uma ferramenta pedagógica alternativa
que pode contribuir para o entendimento dos assuntos relacionados à nomenclatura dos
compostos orgânicos, principalmente os hidrocarbonetos e os compostos oxigenados e
nitrogenados. A finalidade do Jogo do Sim ou Não neste trabalho é fazer com que os alunos
consigam identificar, com precisão, todas as classes dos hidrocarbonetos tais como: alcanos,
alcenos, alcinos e outras. Este também pode ser utilizado para auxiliar na compreensão dos
compostos oxigenados (álcoois, aldeídos, cetonas e outros) e nitrogenados como as aminas,
aminas, nitrilas e etc.
O Jogo do “Sim ou Não” proporciona uma aula dinâmica e motivadora, pois permite que
todos participem de uma competição instigante. Essa “atmosfera” de competição desperta nos
alunos uma vontade de aprender mais sobre os assuntos relacionados às nomenclaturas dos
compostos orgânicos, visto que o desejo de grande parte deles é de ser vencedor da competição.
Além de tudo é de fácil aplicabilidade, pois, para a sua realização, basta dispor apenas de caneta,
papel e livro de Química.
SILVA JÚNIOR & BIZERRA (2015)
HOLOS, Ano 31, Vol. 6
149
O jogo é uma competição entre os grupos da sala de aula que são previamente divididos. O
objetivo do jogo está em descobrir o nome de uma estrutura orgânica que o professor escolhe e
guarda para que ninguém possa ver. Essa estrutura pode ser um hidrocarboneto, um composto
oxigenado ou um nitrogenado, isso vai depender do assunto que o professor ministrou.
O professor além de intermediador também é participante do jogo. Os grupos deverão
elaborar perguntas que serão feitas a ele, de modo que este poderá responder “sim ou não”
(por isso que o jogo recebe este nome). Então as perguntas precisam ser bem elaboradas, pois do
contrário, o professor não pode respondê-las. Se, por exemplo, o grupo fizer a seguinte
pergunta: “Qual o número de carbonos que este composto (escondido) apresenta na cadeia
principal?”, com certeza este grupo não obterá resposta, pois não tem como o professor responder
sim ou não. Por outro lado, se esta equipe perguntar o seguinte: “Neste composto, o número de
carbonos na cadeia principal é igual a seis?”, desta forma a resposta poderá ser sim ou não.
Qualquer material didático, como livro, apostila, caderno ou até mesmo a internet, pode
ser utilizado pela equipe para elaborar as perguntas e tentar descobrir as respostas. Estas
perguntas objetivam obter informações a respeito da estrutura escolhida pelo professor. Em cada
rodada de perguntas as equipes descartam as possibilidades e se aproximam mais da
nomenclatura correta.
2.1 Regras do jogo
1. No início do jogo, o professor escolhe os grupos que podem ser divididos de qualquer
forma. Estes devem conter o mesmo número de componentes, ou seja, divide-se o número
total de alunos pela quantidade de equipes participantes. Também será sorteada uma
numeração para cada equipe;
2. Cada equipe poderá fazer apenas uma pergunta por rodada. No entanto, se esta equipe,
depois da resposta do professor, montar uma possível resposta para a nomenclatura da
substância que se deseja descobrir, poderá arriscar a resposta, sem necessidade de esperar
a rodada se completar até novamente chegar a sua vez;
3. Não haverá perda de pontos se a equipe errar qualquer resposta, apenas passará a vez
para o próximo grupo e esperará sua chance novamente, isso se antes nenhum outro
descobrir a nomenclatura correta;
4. Se alguma equipe conseguir a resposta, não poderá responder antes que chegue sua
oportunidade de responder;
5. A equipe que acertar a resposta ganhará um ponto e quando isso ocorre, o professor
elabora outra estrutura e o jogo recomeça com o grupo com numeração seguinte ao que
iniciou anteriormente, por exemplo, se o grupo 2 começou antes, agora o 3 começará e
assim sucessivamente;
6. Vence o jogo a equipe que acumular o maior número de pontos, ou seja, a que acertar o
maior número de nomenclaturas.
3 METODOLOGIA
Para a realização desta pesquisa foram escolhidas quatro turmas, três da Escola Estadual
Gabriel Epifânio dos Reis, da cidade de Icapuí, no Ceará e uma do Instituto Federal do Rio Grande
SILVA JÚNIOR & BIZERRA (2015)
HOLOS, Ano 31, Vol. 6
150
do Norte (IFRN) campus Ipanguaçu. As turmas escolhidas da escola Gabriel foram as de terceiros
anos (3ºA, 3ºB e 3ºC) do Ensino Médio, já a do IFRN, correspondia a de Técnico de Nível Médio em
Meio Ambiente, na forma Subsequente (será chamada de SUBMAMB). Todas as quatro turmas
apresentavam números de alunos entre 33 e 36. Nelas, o mesmo procedimento metodológico, de
igual forma, foi empregado.
Inicialmente, houve a ministração dos conteúdos teóricos relacionados ao estudo das
estruturas e nomenclaturas de todas as subclasses de hidrocarbonetos. Para esta etapa foram
utilizadas seis aulas, divididas em dias diferentes, mas, consecutivos. Depois disso, em duas aulas
de outro dia, ocorreu a aplicação da avaliação “pré-jogo”, que recebe este nome por ter sido
aplicada antes da execução do “Jogo do Sim ou Não”. Nela, continham duas questões, uma com
vários itens com estruturas de hidrocarbonetos que deveriam ser nomeadas e outra com rios
nomes de compostos que precisavam ser postos em suas formas estruturais.
Depois, ocorreu a aplicação do “Jogo do Sim ou Não”. Para isso, foram utilizadas quatro
aulas que ficaram divididas em dois dias. Na a realização deste jogo, a sala de aula, de cada turma
estudada, foi dividida em seis grupos de cinco ou seis alunos. O jogo começou com o professor
desenhando uma estrutura de um hidrocarboneto, com sua respectiva nomenclatura, em um
pedaço de papel que foi depois guardado em uma caixa de papelão, isto para que nenhum aluno
tivesse contato com a resposta. As equipes precisavam se organizar de forma que não pudessem
entrar em contato umas com as outras. Os grupos foram numerados de um a seis.
Nas duas escolas, o jogo foi iniciado nas aulas de um dia e terminado nas aulas seguintes,
em outro dia. Foi levada em consideração a pontuação das equipes nos dois dias de aplicação do
jogo. Venceu a equipe que conseguiu acumular o maior número de pontos, ou seja, o grupo
vencedor foi aquele que conseguiu elaborar corretamente o maior número de estruturas e as
respectivas nomenclaturas dos hidrocarbonetos que o professor escolheu nos dois dias.
No encontro posterior, foi aplicada, em duas aulas, a avaliação intitulada por pós-jogo”.
Esta continha o mesmo formato estrutural da “pré-jogo”, também possuía o mesmo nível de
dificuldade da primeira. Os resultados das duas avaliações foram utilizados para que se pudesse
analisar a contribuição do jogo proposto na aprendizagem dos alunos no conteúdo trabalhado.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
No período de ministração das aulas teóricas observou-se que os alunos, em ambas as
escolas, apresentavam muitas dificuldades de compreensão do assunto, principalmente no que se
diz respeito ao entendimento das nomenclaturas das subclasses dos hidrocarbonetos, bem como
suas respectivas estruturas. Foram perceptíveis as deficiências apresentadas na resolução dos
exercícios tanto de sala de aula quanto, principalmente, os elaborados para casa. Esse fato pode
ser comprovado através da análise dos gráficos apresentados na Figura 1. Esta mostra o
desempenho dos alunos das quatro turmas na avaliação realizada após o período de ministração
dessas aulas.
SILVA JÚNIOR & BIZERRA (2015)
HOLOS, Ano 31, Vol. 6
151
Figura 1: Desempenho dos alunos dos na avaliação “pré-jogo”.
Analisando-se os resultados apresentados, observa-se, em todas as turmas, um percentual
muito grande de notas abaixo da média seis. Em nenhuma delas houve aprovação acima de 25%,
comprovando o que já se havia observado no decorrer das aulas teóricas, isto é, a grande maioria
não conseguia compreender efetivamente o conteúdo trabalhado.
Observa-se também que a a turma de SUBMAMB, que é de uma instituição federal, que
supostamente é detentora de mais recursos e melhores estruturas, se comparada com as três
turmas da escola estadual, também obteve desempenho insatisfatório. Isso comprova que as
dificuldades apresentadas pelos alunos vão além da disposição estrutural da escola. Neste caso os
métodos de ensino apresentam um peso mais significativo.
Ao ser iniciado o jogo, percebeu-se que nem todos os alunos dos grupos se envolviam,
porém, com o passar do tempo e com o aumento da disputa entre as equipes, observou-se que
quase todos os alunos encontravam-se participantes. O envolvimento era tão grande por parte dos
alunos, que estes não queriam parar de jogar. Em SUBMAMB e na turma do 3ºB, os estudantes
pediram ao professor para que não houvesse intervalo e assim o jogo pudesse continuar.
Os estudantes estavam muito motivados em descobrir as nomenclaturas das substâncias
que o professor escondia na caixa. No decorrer do jogo, já se percebia a evolução de alguns alunos
que conseguiam diferenciar facilmente as famílias dos hidrocarbonetos. Depois da realização do
“Jogo do Sim ou Não”, muitos apresentavam uma grande evolução no entendimento da aplicação
dos prefixos e radicais utilizados na montagem das nomenclaturas dos hidrocarbonetos.
Na aplicação da avaliação “pós-jogo”, percebeu-se que os alunos demonstravam uma
facilidade maior no entendimento das questões, sendo que alguns argumentavam que esta
avaliação estava mais fácil que a avaliação pré-jogo”. Os gráficos dos resultados dessa avaliação
se encontram na Figura 2.
6,06%
93,94%
Avaliação pré-jogo 3ºA
Acima da média Abaixo da média
18,19%
81,81%
Avaliação pré-jogo 3ºB
Acima da média Abaixo da média
15,16%
84,84%
Avaliação pré-jogo 3ºC
Acima da média Abaixo da média
22,23%
77,77%
Avaliação pré-jogo SUBMAMB
Acima da média Abaixo da média
SILVA JÚNIOR & BIZERRA (2015)
HOLOS, Ano 31, Vol. 6
152
Figura 2: Desempenho dos alunos dos na avaliação “pós-jogo”.
Analisando-se esses resultados, pode-se perceber que os alunos, nas quatro turmas,
apresentaram evolução significativa em suas notas depois do período de aplicação do “Jogo do Sim
ou Não”. Aqui se percebe que houve um percentual maior de alunos que conseguiram atingir ou
ultrapassar a nota seis, se for comparado com os resultados obtidos na avaliação anterior.
No entanto, é possível perceber que apesar da evolução depois do jogo, muitos alunos
ainda apresentaram desempenho insatisfatório, isto é, vários ficaram, ainda, abaixo do esperado,
sendo alguns destes com desempenho pior que da avaliação anterior. Para compreender melhor
a análise desses resultados, basta observar os gráficos (1, 2, 3 e 4) a seguir.
Gráfico 1: notas dos alunos do 3ºA nas duas avaliações.
50,00%50,00%
Avaliação pós-jogo 3ºA
Acima da média Abaixo da média
63,63%
36,37%
Avaliação pós-jogo 3ºB
Acima da média Abaixo da média
57,58%
42,42%
Avaliação pós-jogo 3ºC
Acima da média Abaixo da média
63,88%
36,11%
Avaliação pós-jogo SUBMAMB
Acima da média Abaixo da média
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
Notas dos alunos do 3ºA antes e depois do jogo
Avaliação "pré-jogo" Avaliação "pós-jogo"
SILVA JÚNIOR & BIZERRA (2015)
HOLOS, Ano 31, Vol. 6
153
Gráfico 2: notas dos alunos do 3ºB nas duas avaliações.
Gráfico 3: notas dos alunos do 3ºC nas duas avaliações.
Gráfico 4: notas dos alunos de SUBMAMB nas duas avaliações.
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
Notas dos alunos do 3ºB antes e depois do jogo
Avaliação "pré-jogo" Avaliação "pós-jogo"
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
Notas dos alunos do 3ºC antes e depois do jogo
Avaliação "pré-jogo" Avaliação "pós-jogo"
0
2
4
6
8
10
Notas dos alunos de SUBMAMB antes e depois do
jogo
Avaliação "pré-jogo" Avaliação "pós-jogo"
SILVA JÚNIOR & BIZERRA (2015)
HOLOS, Ano 31, Vol. 6
154
Através da análise desses gráficos, percebe-se a influência positiva do “Jogo do Sim ou Não”
nas notas dos alunos. Por mais que alguns estudantes não tenham melhorado seu desempenho,
ficando, alguns, com notas mais baixas depois da aplicação do jogo, nota-se que a aplicação deste
foi determinante para que houvesse essa importante elevação.
Se for feita uma análise mais otimista, é possível notar, também, que mesmo alguns alunos
que ficaram abaixo de seis apresentaram melhora depois da aplicação do jogo. Na figura 3 estão
os percentuais de alunos, independente do valor das notas, que conseguiram melhorá-las.
Figura 3: Percentual de alunos que aumentaram na avaliação “pós-jogo” em relação a avaliação “p-jogo”.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados obtidos mediante a aplicação do Jogo do Sim ou Não”, nas quatro turmas
pesquisadas, levam a crer que o emprego de jogos como recurso pedagógico nas aulas de Química,
se constitui como uma alternativa para que estas se tornem mais prazerosas e efetivas, visto que,
neste caso, foi observada uma grande motivação e envolvimento dos alunos nas aulas que
envolveram a aplicação do jogo.
No que concerne ao entendimento dos conteúdos, pode-se afirmar, com base nos
resultados obtidos, que o jogo foi fundamental para que boa parte dos alunos conseguisse
entender, diferenciar e tratar da nomenclatura dos hidrocarbonetos. Antes do jogo os alunos não
conseguiam saber diferenciar nem mesmo um hidrocarboneto do outro e nem fazer a
nomenclatura de uma determinada estrutura. Por outro lado, depois que o jogo foi trabalhado em
sala, os alunos conseguiam facilmente identificar os hidrocarbonetos e suas respectivas
nomenclaturas.
É bem verdade que o jogo não pôde sanar todas as dificuldades, pois alguns alunos o
conseguiram avançar na compreensão do assunto trabalhado. Por isso não se pode utilizar esse ou
qualquer outro jogo didático com o intuito de resolver todos os problemas de aprendizado
apresentadas pelos alunos.
89%
11%
3ºA
Alunos que melhoraram
Alunos que não melhoraram
82%
18%
3ºB
Alunos que melhoraram
Alunos que não melhoraram
89%
11%
SUBMAMB
Alunos que melhoraram
Alunos que não melhoraram
91%
9%
3ºC
Alunos que melhoraram
Alunos que não melhoraram
SILVA JÚNIOR & BIZERRA (2015)
HOLOS, Ano 31, Vol. 6
155
Vale ressaltar que o jogo por si não sanará as dificuldades dos alunos em qualquer
conteúdo. É necessário que haja um planejamento efetivo que leve em consideração os
verdadeiros objetivos que devem ser alcançados, sem esquecer-se das possíveis dificuldades que
poderão ser encontradas, do contrário a aula perderá seu sentido didático-pedagógico.
Contudo, ficou comprovado que o “Jogo do Sim ou Não”, pode ser visto como uma
ferramenta pedagógica auxiliadora muito útil e capaz de proporcionar um estreitamento entre a
relação ensino-aprendizagem. Fazendo com que muitos alunos conseguissem aprender boa parte
do conteúdo ministrado. Pode-se destacar, ainda, sua relevância para aplicações futuras, também
por outros professores, visto que foi alcançado êxito em sua execução.
6 REFERÊNCIAS
1. BENEDETTI, E.F; FIORUCCI, A.R; PIRES, L.S.B; ALVES, J.C. Palavras cruzadas como recurso
didático no ensino de teoria atômica. Química nova na escola, vol.31, n°2, p.88-95, 2009.
2. CAVALCANTI, E.L.D.; DEUS, T.C. e SOARES, M.H.F.B. Perfil químico: um jogo didático para
promover a interação e o conhecimento. In: Anais. 30ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira
de Química, 2007. Disponível em: < http://sec.sbq.org. br/cdrom/30ra/resumos/T0565-
1.pdf>.Acesso em: 18 Dez. 2013.
3. CARDOSO, S. P.; COLINVAUX, D. Explorando a Motivação para Estudar Química. Revista
Química Nova, São Paulo, SP, v. 2, n. 23, p. 401-404, set.1998/dez. 1999, 2000.
4. CUNHA, M. B. Jogos no Ensino de Química: Considerações Teóricas para sua Utilização em Sala
de Aula. Química Nova na Escola, vol.34, n° 2, p.92-98, maio 2012.
5. GIBIN, G. B. Investigação sobre a Construção de Modelos Mentais para o Conceito de
Soluções por meio de Animações. 2009. 124p. Dissertação de mestrado (Programa de s-
Graduação em Química)-UFScar, São Carlos, SP.
6. MOREIRA, M. A. Aprendizagem significativa: da visão clássica à visão crítica. Disponível em:
<< http://www.if.ufrgs.br/~moreira/visaoclasicavisaocritica.pdf >> Acessado em 14/12/12.
7. NARDIN, I. C. B. “Brincando aprende-se química”. Disponível em: www.diaadiaeducacao.
pr.gov.br/portals/pde/arquivos/688-4.pdf. Acesso em 16 de junho de 2011.
8. NUNES, A. S. ; ADORNI, D.S . O ensino de química nas escolas da rede pública de ensino
fundamental e médio do município de Itapetinga-BA: O olhar dos alunos.. In: ENCONTRO
DIALÓGICO TRANSDISCIPLINAR - Enditrans, 2010, Vitória da Conquista, BA.
9. ROBAINA, J. V. L. Química através do lúdico: brincando e aprendendo, Canoas: Ed. Ulbra, 2008,
480p.
10. SOARES, M.H.F.B. O lúdico em química: jogos e atividades aplicados ao ensino de química.
2004. 203f. Tese (Doutorado em Ciências) Centro de Ciências Exatas e de Tecnologia,
Universidade Federal de São Carlos, São Carlos-SP, 2004.
11. TREVISAN, T. S.; MARTINS, P. L. O. A prática pedagógica do professor de química:
possibilidades e limites. UNIrevista, São Leopoudo, RS, v. 1, n° 2 abril, 2006.
Article
Full-text available
Para a maioria dos alunos a disciplina de química é muito teórica, monótona, com muitos cálculos e, na maioria das vezes, não possui interação com seu cotidiano. Existem muitas ferramentas que podem vir a auxiliar para que o processo de ensino e aprendizagem se torne mais significativo e mais atraente para os alunos. Uma delas é a utilização de jogos e atividades lúdicas, opção escolhida, para desenvolver um projeto de PIBIC-Jr no IFPR Campus Telêmaco Borba durante o ano de 2016. O presente estudo aborda o desenvolvimento, a aplicação e a avaliação de um jogo didático e de duas atividades lúdicas para o ensino de química orgânica para uma turma de 3° ano do Técnico em Informática para Internet Integrado ao Ensino Médio. Os dados foram analisados por meio de respostas a questionários e posteriormente foram categorizados para a análise dos resultados, que apontaram como o jogo e as atividades lúdicas puderam auxiliar no processo de ensino e aprendizagem, e mostraram também que essas ferramentas auxiliaram para que houvesse um maior diálogo e interação entre os alunos.
Article
Full-text available
O conteúdo de isomeria na Química orgânica ainda é pouco discutido em pesquisas na área de ensino, entretanto os alunos apresentam dificuldades na aprendizagem e visualização espacial dos compostos. O presente trabalho trata-se de uma proposta de ensino utilizando as ferramentas colaborativas MarvinSketch e Kahoot buscando minimizar as dificuldades de aprendizagem e motivar os estudantes no aprendizado dos conceitos de isomeria. Foi aplicada uma proposta didática para o estudo dos isômeros, complementada por uma atividade gamificada, no total de 4 h/aula onde o público alvo foi composto por 27 alunos do 2º ano do ensino médio do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) campus Caicó. A coleta de dados foi realizada através de um questionário aplicado aos alunos para avaliação da proposta didática. Os resultados obtidos foram positivos em relação a motivação dos alunos para o uso das ferramentas e a contribuição no processo de ensino. Após a análise dos dados obtidos, concluímos que o estudo apontou para a potencialidade destas ferramentas para promover uma melhoria na aprendizagem mediada pela construção e visualização de estruturas e o envolvimento dos estudantes ao participarem de uma atividade gamificada.
Article
Full-text available
This work intends to identify the reasons why people either like or dislike chemistry classes, based on a written questionnaire answered by 157 students of private and public schools. It has a main question - "Do you like to study chemistry? Why?" - and along with others that complement it, we attempt to explore both pupils' school and personal experiences which help them to increase their learning capacities. The answers have given us a very rich piece of discussing material about the like-and-dislike on the study of chemistry mainly about the social interactions in teaching not only this but all other subjects.
Article
Resumo Com o objetivo de caracterizar a(s) Metodologia(s) de Ensino adotada(s) pelos professores de Química de Ensino Médio, explicitando sua orientação teórico metodológica e suas implicações práticas, a presente pesquisa toma como objeto de estudo a prática pedagógica desses professores. A pesquisa buscou respostas para os seguintes questionamentos: a) Estariam os professores de Química do Ensino Médio desenvolvendo uma prática, na perspectiva de articulação do conteúdo do conhecimento prévio do aluno com o conteúdo do conhecimento de Química? b) em caso afirmativo, de que maneira é feita essa articulação. Para tanto, a orientação da pesquisa seguiu uma abordagem qualitativa, modalidade estudo comparativo de caso entre duas escolas de Curitiba, sendo uma da rede estadual de ensino e outra da rede particular. Os sujeitos da pesquisa foram dois professores de Química do Ensino Médio de cada escola. O estudo incluiu observação direta dos professores em sala de aula e entrevistas semi-estruturadas. A base teórica desse estudo encontra-se em Chassot e Maldaner. As análises preliminares indicam que há uma preocupação por parte dos professores em articular o que o aluno traz vivido no cotidiano com os conteúdos da área de química. Palavras-chave: ensino de química // metodologia // prática pedagógica Nos últimos anos, sobretudo a partir de 1980, um desafio comum se colocou para os educadores de todos os graus de ensino: como tornar o ensino mais articulado com os interesses e necessidades práticas da maioria dos alunos presentes nas escolas do ensino fundamental e médio. Essa problemática passou a ocupar as discussões e estudos dos professores mais conscientes em todas as áreas do conhecimento.
Article
Professora do Colégio Estadual "Marquês de Caravelas da cidade de Arapongas-Pr., Graduada em Química pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Arapongas e Pós-graduada em Didática e Metodologia do Ensino pela UNOPAR Arapongas.
Article
The objective of this presentation is to emphasize, in a short and schematic way, different views of meaningful learning and, by doing this, to approach the subject from an historical and prospective fashion. It starts with Ausubel's classical view and subsequently goes through views taken from different authors - Novak, Gowin, Johnson-Laird, Vergnaud, Maturana, Araujo and Veit - and ends with the critical perspective of the author himself.
Palavras cruzadas como recurso didático no ensino de teoria atômica
  • E F Fiorucci
  • A R Pires
  • L S Alves
BENEDETTI, E.F; FIORUCCI, A.R; PIRES, L.S.B; ALVES, J.C. Palavras cruzadas como recurso didático no ensino de teoria atômica. Química nova na escola, vol.31, n°2, p.88-95, 2009.
Perfil químico: um jogo didático para promover a interação e o conhecimento
  • E L D Deus
  • T C Soares
CAVALCANTI, E.L.D.; DEUS, T.C. e SOARES, M.H.F.B. Perfil químico: um jogo didático para promover a interação e o conhecimento. In: Anais. 30ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Química, 2007. Disponível em: < http://sec.sbq.org. br/cdrom/30ra/resumos/T0565- 1.pdf>.Acesso em: 18 Dez. 2013.
O ensino de química nas escolas da rede pública de ensino fundamental e médio do município de Itapetinga-BA: O olhar dos alunos
  • A S Nunes
  • D S Adorni
NUNES, A. S. ; ADORNI, D.S. O ensino de química nas escolas da rede pública de ensino fundamental e médio do município de Itapetinga-BA: O olhar dos alunos.. In: ENCONTRO DIALÓGICO TRANSDISCIPLINAR -Enditrans, 2010, Vitória da Conquista, BA.
Química através do lúdico: brincando e aprendendo
ROBAINA, J. V. L. Química através do lúdico: brincando e aprendendo, Canoas: Ed. Ulbra, 2008, 480p.
Palavras cruzadas como recurso didático no ensino de teoria atômica
  • J C Alves
ALVES, J.C. Palavras cruzadas como recurso didático no ensino de teoria atômica. Química nova na escola, vol.31, n°2, p.88-95, 2009.