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A simulação realística como ferramenta educacional para estudantes de medicina

Authors:

Abstract

AIMS: Realistic simulation is part of a new possibility of teaching that encompasses not only the technical skills, but crisis management, leadership, team work, and clinical reasoning that do not reflect actual losses to the real patient. To conduct a review of literature on the use of realistic simulation emphasizing the undergraduate medical education and its most relevant and current aspects. SOURCE OF DATA: PubMed and LILACS databases were consulted, applying the medical subject headings patient simulation, students, medical and teaching/methods, considering articles published in the past three years. Using fluctuating reading of the abstracts with content analysis and recorded data and examination, 101 studies were found in accordance with the purpose of this review. SUMMARY OF FINDINGS: Articles report the importance and support of technology in aggregating improvements to medical education. Patient safety was described as a decisive factor in the implementation of realistic simulation in institutions worldwide. Various specialties were mentioned among the articles in addition to several specific procedures and aspects of standardized physical examination. There is an interest in studying the possible ways to assess students through realistic simulation. Skills in communication, leadership, decision making, team work and relationship doctor/patient appear in this review as the greatest benefit of information to students. CONCLUSIONS: Although realistic simulation is valued and have a rapid growth as an important resource in education, further studies need to be conducted and disseminated to provide concrete and effective evidences and measurements of this educational tool.
http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/
A simulação realística como ferramenta educacional para
estudantes de medicina
Realistic simulation as an educacional tool for medical students
Carolina Felipe Soares Brandão1, Carlos Fernando Collares2, Heimar de Fatima Marin3
1 Especialista em Administração Hospitalar pela Universidade de São Paulo (USP) e Mestre em Análises Clínicas pela Universidade de Santo Amaro (UNISA). Doutoranda
do Departamento de Gestão e Informática em Saúde da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Coordenadora do Laboratório de Simulação Realística do Curso
de Medicina da Universidade Cidade de São Paulo (UNICID), São Paulo, SP; 2 Especialista em Medicina do Trabalho pela USP. Mestre em Psicologia pela Universidade
Federal de Santa Catarina (UFSC). Doutor em Psicologia pela Universidade São Francisco (USF), Professor Assistente de Educação Médica da Universidade de Maastricht,
Maastrich, Países Baixos; 3 Professora Titular e Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Gestão e Informática em Saúde da UNIFESP, Mestre em Enfermagem
e Doutora em Ciências Biológicas pela UNIFESP, Pós-doutora pela Havard Medical School, Livre Docente da USP, São Paulo, SP.
Apoio financeiro: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) 301735/2009-3; Fogarty International Center and the National Library of Medicine,
National Institutes of Health, Estados Unidos, Grant 5D43TW007015-08.
RESUMO
Objetivos: A simulação realística faz parte de uma nova possibilidade de ensino que engloba não somente as habilidades técnicas, mas o
gerenciamento de crises, liderança, trabalho em equipe e raciocínio clínico que não reitam prejuízos ao paciente real. O objetivo deste
trabalho foi realizar revisão de literatura sobre a utilização da simulação realística, enfatizando a graduação médica e seus aspectos mais
relevantes e atuais.
Fonte de dados: Foram consultadas as bases de dados PubMed e LILACS, aplicando-se os descritores patient simulation, students, medical
e teaching/methods, considerando artigos de revisão publicados nos últimos três anos. Utilizando leitura utuante dos resumos com a análise
de conteúdo e dados registrados, foram encontrados 101 trabalhos de acordo com o propósito desta revisão.
Síntese dos dados: Os artigos relatam a importância e auxílio da tecnologia em agregar melhorias ao ensino médico. A segurança do paciente
foi descrita como fator decisivo na implementação da simulação realística nas instituições de ensino mundiais. Diversas especialidades foram
citadas nos artigos, além de diversos procedimentos especícos e aspectos de exame físico padronizado. Percebe-se interesse em estudar as
possíveis formas de avaliar estudantes através dessa ferramenta. As habilidades em comunicação, liderança, tomada de decisão, trabalho em
equipe e relacionamento médico/paciente aparecem nesta revisão como o maior benefício de informação aos estudantes.
Conclusões: Embora a simulação realística esteja em franco crescimento e valorizada como importante recurso na formação, novos estudos
precisam ser realizados e divulgados para fornecer evidências e mensurações concretas e efetivas dessa ferramenta educacional.
DESCRITORES: SIMULAÇÃO DE PACIENTE; ESTUDANTES DE MEDICINA; ENSINO/métodos; SIMULAÇÃO REALÍSTICA.
ABSTRACT
Aims: Realistic simulation is part of a new possibility of teaching that encompasses not only the technical skills, but crisis management,
leadership, team work, and clinical reasoning that do not reect actual losses to the real patient. To conduct a review of literature on the use
of realistic simulation emphasizing the undergraduate medical education and its most relevant and current aspects.
Source of data: PubMed and LILACS databases were consulted, applying the medical subject headings patient simulation, students, medical
and teaching/methods, considering articles published in the past three years. Using uctuating reading of the abstracts with content analysis
and recorded data and examination, 101 studies were found in accordance with the purpose of this review.
Summary of ndings: Articles report the importance and support of technology in aggregating improvements to medical education. Patient
safety was described as a decisive factor in the implementation of realistic simulation in institutions worldwide. Various specialties were
mentioned among the articles in addition to several specic procedures and aspects of standardized physical examination. There is an interest
in studying the possible ways to assess students through realistic simulation. Skills in communication, leadership, decision making, team work
and relationship doctor/patient appear in this review as the greatest benet of information to students.
Conclusions: Although realistic simulation is valued and have a rapid growth as an important resource in education, further studies need to
be conducted and disseminated to provide concrete and effective evidences and measurements of this educational tool.
KEY WORDS: PATIENT SIMULATION; STUDENTS, MEDICAL; TEACHING/methods; REALISTIC SIMULATION.
Recebido em dezembro de 2013; aceito em abril de 2014.
Endereço para correspondência / Corresponding Author:
Carolina Felipe SoareS Brandão
Av. Copacabana, 291, Apartamento 152
CEP 06472-001 Barueri, SP, Brasil
Telefone: (11) 9815-52483
E-mail: carolinafs11@gmail.com
Scientia Medica
ISSN 1806-5562
e-ISSN 1980-6108
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Educação Em ciências da saúdE / Education in HEaltH sciEncEs
Open Access
2014;24(2):187-192
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INTRODUÇÃO
A educação médica vêm sofrendo uma série
de alterações, inclusões e novas perspectivas em
relação ao ensino-aprendizagem. Tradicionalmente,
a educação médica baseava-se em conhecimentos
individuais, atitudes centradas em ensinamentos
de professores, leituras de evidências cientícas e
práticas de procedimentos em pacientes reais.
1
A
fragmentação do conhecimento em especialidades
e o aprendizado médico baseado em técnicas
passivas, como por exemplo aulas teóricas e testes
escritos, comprovadamente diminuem a retenção do
conhecimento e aplicabilidade na prática.
1,2
A simulação realística (SR) faz parte de uma nova
possibilidade de ensino que engloba não somente as
habilidades técnicas, mas o gerenciamento de crises,
liderança, trabalho em equipe, raciocínio clínico em
situações críticas ou que possam provocar prejuízos
ao paciente real. Atualmente o termo simulação está
empregado em diversas possibilidades de ensino-
aprendizagem aos prossionais de saúde, o que promove
muitas vezes certa confusão na aplicação destas distintas
estratégias. As terminologias entre habilidades técnicas
especícas ou part task trainer, uso de pacientes
estandarizados e/ou padronizados, realidade virtual e
simulação de alta delidade se misturam, porém todos
eles contemplam diversas áreas de estudos na medicina,
como emergências cardiológicas, trauma, pediatria,
ginecologia e obstetrícia, cuidados intensivos, anestesia,
habilidades atitudinais para a relação médico-paciente,
entre várias outras (Tabela 1).
Há ainda outras estratégias, como a utilização de
simuladores de baixa e média delidade, programas
especícos de computadores e jogos virtuais, onde
também a possibilidade de simular uma situação
especíca. A escolha da estratégia deve estar ligada
ao objetivo de aprendizagem, conteúdo prévio dos
participantes, custos e capacitação docente ade-
quada.
Dessa forma, a simulação hoje é vista como
mais uma forma de aprendizagem, onde a retenção
do conhecimento permanece por um tempo mais
prolongado, além de ser uma estratégia mais agradável
e prazerosa do que o ensino tradicional.
1,3
Segundo Gaba,
4
a simulação pode ser entendida
como o processo educacional que replica cenários de
cuidados ao paciente em um ambiente próximo a reali-
dade, com o objetivo de analisar e reetir as ações reali-
zadas de forma segura. Outra denição descrita por
Gaba
5
refere que simulação é uma técnica, e não exclu-
sivamente uma tecnologia que tem por objetivo substituir
ou amplicar uma experiência real com supervisão, mas
que evoca substancialmente aspectos do mundo real em
um ambiente interativo. Assim, a SR é uma ferramenta
poderosa de aprendizado que pode ser aplicado em
todos os níveis da educação médica, enfatizando a
multidisciplinaridade em diversas situações clínicas.
6
A ideia básica por trás da SR é promover a
integração dos conhecimentos teóricos, habilidades
técnicas e atitudinais, estimulando os estudantes a
coordenarem todas as competências simultaneamente,
facilitando assim a transferência do que foi aprendido
para a solução de novos problemas.
7
Especialmente
em simulações de alta delidade e alta complexidade,
faz-se necessária a reexão do atendimento realizado
pelos estudantes através de uma técnica chamada
debrieng, onde o professor que acompanhou o
atendimento terá uma postura de “facilitador” da
discussão em grupo sobre os acertos e oportunidades
de melhorias do cenário. A realização do debrieng
pode ser auxiliada ou não com as imagens gravadas
do atendimento, esclarecendo e revivendo de forma
pontual momentos cruciais do atendimento oferecido
ao paciente robô. Para as outras formas de simulação, a
técnica de feedback é amplamente utilizada. Além disso,
Tabela 1. Definição das distintas e principais estratégias educacionais em simulação realística
Estratégia Definição Geral
Habilidades específicas – Part Task Trainer Manequins que permitem o treino de procedimentos específicos como otoscopia,
intubação orotraqueal, toque retal entre outros. Não necessariamente utilizam um
cenário contextualizando a situação.
Paciente Estandarizado e/ou Padronizado – Standardized Patient Utilizam-se atores especializados em simulação, alunos treinados ou os próprios
pacientes. Muito utilizado para capacitação em habilidades comportamentais e
avaliação de estudantes.
Simulação de alta fidelidade – High Fidelity Simulation Robôs que possuem respiração espontânea e são operados de forma a apresentar
hemodinâmica e procedimentos muito próximos ao real. Normalmente são utilizados
cenários trabalhados por uma equipe e que são discutidos em fase posterior
denominada debriefing.
Realidade Virtual Bastante utilizado em simulações cirúrgicas onde há a necessidade de computação
gráfica para replicar um procedimento.
Simulação Híbrida Associação entre um manequim de habilidades técnicas e um paciente padronizado.
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o emprego das técnicas de simulação permitem que se
ofereçam as mesmas oportunidades de aprendizado,
prática e treinamento para todos os estudantes de forma
mais homogênea, sem depender de circunstâncias e
do acaso, envolvidos no aprendizado baseado em
situações reais.
8
Deve-se ter em consideração que
os estudantes de medicina não têm sempre acesso a
uma ampla gama de experiências educacionais, o que
acarreta uma menor oportunidade de observar e avaliar
os pacientes com uma grande variedade de doenças,
sinais físicos e sintomas.
6,9,10
Neste caso a SR pode
auxiliar efetivamente nas necessidades práticas dos
estudantes em adquirir habilidades essenciais de forma
que se consiga a prociência do mesmo, promovendo
a segurança e o bem-estar dos pacientes.
6,11,12
A utilização da SR em universidades e escolas
de medicina e outras áreas da saúde é extremamente
recente no Brasil, especialmente na simulação de alta
delidade, onde se exige um investimento nanceiro
alto em robôs e infraestrutura e é difícil a capacitação
metodológica dos docentes. Nos Estados Unidos e
Europa a SR se encontra bem estabelecida e difundida
como ferramenta indispensável ao ensino e educação
continuada de prossionais de saúde, com o respaldo
de efetivamente promover a segurança dos pacientes
e participação prática dos alunos, gerando maior
retenção do conhecimento discutido. Atualmente,
destaca-se que a utilização de simuladores vem a ser
considerada como um poderoso fator de redução de
erros e de melhora do desempenho prossional.
8,13
A SR proporciona melhor acesso à informação, ao
conhecimento geral e às habilidades especícas, além
de gerar altos índices de satisfação, não somente nos
estudantes como nos docentes envolvidos no processo.
6
Apesar dessa estratégia estar se difundindo rapi-
damente pelo mundo, enfatiza-se que não há o objetivo
de substituir o processo de ensino-aprendizagem com
o paciente real; a SR tem a intenção de proporcionar
maior conança e melhor preparo aos estudantes, não
apenas tecnicamente mas no âmbito geral, garantindo
a segurança aos pacientes e melhoria da qualidade no
atendimento prestado.
O objetivo deste estudo foi realizar uma revisão
de literatura integrativa e recente sobre o uso da SR
na educação médica, priorizando o ensino de graduação
e contemplando aspectos mais relevantes e atuais.
MÉTODOS
Para a busca de referências, foram consultadas as
bases de dados PubMed e LILACS, aplicando-se à
pesquisa os descritores (MeSH) patient simulation,
students, medical e teaching/methods. Foram consi-
derados artigos de revisão publicados de março de
2010 a março de 2013 e descritos na língua inglesa
e portuguesa, sendo a pesquisa realizada no mês de
julho de 2013. Para a organização das informações foi
utilizada a leitura utuante dos resumos dos trabalhos
com a análise de conteúdo como vericação e com os
dados devidamente registrados.
RESULTADOS DA SELEÇÃO DOS ARTIGOS
Foram encontrados 101 trabalhos, sendo que dois
artigos foram excluídos por não contemplarem exclu-
sivamente o período de graduação como fonte prioritária
do estudo. Com os trabalhos divididos por tópicos,
vericou-se que os temas mais comumente discutidos
foram os relativos às habilidades em comunicação e
sobre avaliação através da SR; 82 manuscritos foram
omitidos e 19 incluídos. Os 19 trabalhos foram agru-
pados em duas tabelas: artigos com foco na estratégia
de simulação realística (Tabela 2) e artigos sobre
comparação de estratégias em simulação (Tabela 3).
Tabela 2. Artigos publicados entre janeiro de 2013 e março de 2013 com foco na estratégia de simulação realística nos cursos
de graduação em medicina e ciências da saúde.
Ano País Autores Tema
2013 Alemanha Schaufelberger M14 O aumento da atratividade do primeiro atendimento na graduação médica.
2013 Inglaterra Peters S et al.15 Mudança de comportamento entre estudantes de medicina em relação ao gerenciamento da obesidade.
2013 Alemanha Abendroth M et al.16 Tomada de decisão: um piloto sobre e-learning.
2013 Paquistão Jabeen D17 Uso de pacientes simulados para a avaliação de habilidades em comunicação em ginecologia e obstetrícia.
2013 Holanda de la Croix A et al.18 O jogo simulado: uma análise de interação entre os estudantes e os pacientes simulados.
2013 Austrália Bearman M19 Evitando o uso do tokenismo na educação de profissionais de saúde.
2013 Holanda Bouter S et al.20 Interpretação e validação do Nijmegen Evaluation of the Simulated Patient (NESP): avaliando a capacidade
dos pacientes simulados e feedback aos estudantes.
2013 Estados Unidos Colbert-Getz JM et al.21 Como o gênero e ansiedade podem afetar a autoanálise dos estudantes em habilidades clínicas.
2013 Estados Unidos Hernandez C et al.22 Avaliando a capacidade dos estudantes em detectar melanomas utilizando pacientes padronizados e
caracterizados (moulage).
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CONTEÚDO DA REVISÃO
Implementação da simulação realística como
estratégia educacional
De modo geral, todos os artigos relatam a im-
portância e auxílio dos recursos tecnológicos em
agregar melhorias à SR como estratégia educacional
no ensino médico e das demais disciplinas da saúde. A
segurança do paciente também foi descrita como fator
decisivo na implementação dessa metodologia nas
diferentes instituições de ensino mundiais. Diversas
especialidades foram citadas nos artigos, tais como
cardiologia, ginecologia e obstetrícia, dermatologia
e psiquiatria (habilidades em comunicação em
geral), além de diversos procedimentos especícos,
como toque retal e exame das mamas, entre outros
aspectos de exame físico padronizado. Percebe-se
um crescimento no interesse de estudar as possíveis
formas de avaliar estudantes através dessa ferramenta,
de forma objetiva e que demonstre credibilidade
e reprodutibilidade, entre as diversas escolas que
integraram a SR nos seus currículos, assim como
estudos que realizaram comparações entre as possíveis
estratégias de simulação (Tabela 3). As habilidades em
Tabela 3. Artigos publicados sobre a comparação de estratégias em simulação
Ano Autores Temas Resultado
2010 Bokken L, et al23.Instrução de pacientes reais e pacientes
simulados na graduação médica: um
experimento randomizado.
Os alunos consideram autenticidade uma vantagem importante de pacientes
reais, porém o recrutamento difícil é uma desvantagem importante. Porém,
pacientes padronizados tem vantagens importantes comparadas com os
pacientes reais. Por exemplo, seus feedbacks. A escolha de contato com
pacientes reais para educação médica depende de fatores como a fase do
currículo e o propósito do conteúdo.
2010 Bonnetain E, et al.24 Benefícios de sistemas de video no
aprendizado de procedimentos em
parada cardíaca.
Simulações baseadas em telas de computador parecem ser efetivas em preparar
os alunos para o uso de simulação de alta fidelidade, as quais apresentam
simulações que são mais próximas a situações reais.
2010 Wånggren K, et al.25 Ensino do exame pélvico utilizando
pacientes padronizados: avaliação
de habilidades técnicas em estudo
controlado.
Treinamento com pacientes padronizados são mais efetivos no ensino da técnica
de exame pélvico. Recomendamos que o uso de pacientes padronizados seja
considerado no treinamento dos estudantes.
2011 Siebeck M, et al.26 Ensino do exame retal com simuladores:
efeito na retenção de conhecimento e
inibição.
Ensino do exame retal com a ajuda de simuladores, que representam alta
fidelidade, podem ajudar alunos de graduação médica a superar a inibição
desse exame.
Simulação de pacientes padronizados é muito mais efetiva do que as que
utilizam manequins, que representam baixa fidelidade. Ambos os tipos de
simulação ajudam na aquisição de conhecimento.
2011 Clever SL, et al.27 Percepção dos estudantes sobre o ensino
no ambulatório e pacientes simulados nas
habilidades em comunicação.
O uso de pacientes/voluntários reais foi bem recebido por estudantes para o
ensino de técnicas de comunicação.
Expansão e estudos posteriores de participação desses voluntários irão
possibilitar melhor entendimento do seu papel principal em habilidades de
comunicação em relação aos pacientes padronizados.
2012 Seago BL, et al.28 Treino de habilidades em exame pélvico
e genitais em manequins: a sequência
importa?
Quando a simulação for usada para ensinar o exame pélvico para iniciantes,
pacientes padronizados parecem ser melhores, reduzindo a ansiedade e
melhorando o comprometimento com a simulação subsequente de habilidades
psicomotoras.
2012 Schubart JR, et al.29 Uso de manequins de mama comparado
com pacientes padronizados no ensino
do exame clínico de mamas.
Estudantes médicos que aprenderam a palpação da mama em manequim
tiveram uma performance tão boa ou melhor do que os que aprenderam
em pacientes padronizados, porém, uma análise de subgrupo revelou que o
benefício se limitou a alunos com menos experiência clínica.
2012 Norman G, et al.30 O relacionamento entre a fidelidade
da simulação e a transmissão do apren-
dizado.
Ambos aprendizados em alta ou baixa fidelidade resultaram em melhoras
consistentes em performance em comparação com grupos de controle sem
intervenção. Porém, quase todos os estudos não demonstram nenhuma
vantagem significativa da alta fidelidade em relação à baixa fidelidade, com
médias de diferenças variando entre 1% e 2%.
2012 Parekh A, et al.31 Como devemos ensinar os graduandos
em cenários simulados?
Os dois estilos diferentes de simulação complementam um ao outro e
juntos oferecem uma experiência de aprendizado mais rica para os alunos.
Nós sugerimos que os estudantes considerem estilos diferentes de ensino de
simulação para maximizar a retenção de conhecimento.
2012 Elley CR, et al.32 Efetividade da simulação clínica no
ensino da prática clínica: um controle
randomizado.
Simulações clínicas podem auxiliar no desenvolvimento de habilidades de
comunicação dentro de práticas gerais de consulta e podem também ser
utilizado para complementar a comunicação baseada na comunidade com
pacientes reais.
Mesmo assim, confiança no gerenciamento de condições comuns e proce-
dimentos melhoram mais com pacientes reais
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comunicação, liderança, tomada de decisão e trabalho
em equipe, assim como relacionamento entre médico/
prossional de saúde e paciente, aparecem nesta
revisão como o maior benefício de informação aos
estudantes inserido na metodologia de SR.
Simulação realística no ensino de graduação
Embora seja relativamente nova a utilização da
SR em especial na graduação, em especial no Brasil,
percebe-se que esta estratégia vêm crescendo de forma
rápida com a adoção de novas tecnologias, entretanto
a maioria dos estudos em simulação estão voltados
para o treinamento de habilidades técnicas especícas
ou comportamentais com residentes ou prossionais
graduados, o que diculta a inserção curricular
plena dessa metodologia. Outro quesito relevante é
a escassez de estudos voltados para a simulação de
alta delidade durante a graduação, proporcionando
maior segurança as instituições de ensino em investir
nestes equipamentos, que são onerosos e se tornam
obsoletos com certa rapidez. No Brasil há diculdade
não somente pelo quesito nanceiro, uma vez que esta
estratégia é onerosa às instituições, mas também a
diculdade de capacitação docente, que é fundamental
para a condução de qualquer metodologia ativa.
Muitos dos artigos de revisão relatam a percepção
dos participantes/estudantes desta estratégia
educacional, porém esta análise do estudante ou até
mesmo do prossional formado não deve ser utilizada
como uma ferramenta para mensurar com precisão as
competências adquiridas ou até mesmo sua retenção
de conhecimento isoladamente, portanto fazem-se
necessários mais trabalhos sobre esse recurso educa-
cional, especialmente na graduação, onde há uma abor-
dagem menor de estudos em comparação à educação
continuada e ao treinamento de residentes. Mesmo
neste contexto, segundo artigo de Bokken et al.,
33
os estudantes, ao compararem o paciente real com o
simulado, acreditam que as duas metodologias são
indispensáveis à construção do conhecimento.
A educação baseada em simulação aos graduandos
de medicina contempla sem dúvida inúmeros quesitos
fundamentais na construção do conhecimento, que
muitas vezes não são abordados ou vivenciados durante
o curso, proporcionando uma experiência ímpar e ativa
de reexão sobre os conteúdos abordados.
A associação de metodologias ativas com a
evolução acelerada da tecnologia e da informática
em saúde busca a cada dia melhorar o conteúdo de
habilidades técnicas e não técnicas, além do raciocínio
clínico de alunos de medicina, replicando de forma
segura e muito próxima da real situações críticas
que poderão ser enfrentadas na vida real destes
prossionais. Entretanto a sua evidência de efetividade
especialmente durante a graduação ainda é fraca na
literatura e maiores estudos são necessários para se
determinar sua real efetividade.
34
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O desenvolvimento de estratégias ativas de ensino
aprendizagem que utilizam a SR proporcionam
condições de integração dos conhecimentos aos
estudantes e se propõem a formar prossionais mais
críticos, reexivos e preparados para a atuação real.
Esta revisão de literatura integrativa e recente sobre o
uso da SR na educação médica de graduação permitiu
vericar que embora valorizada e entendida como
importante recurso na formação prossional, novos
estudos precisam ser realizados e divulgados para
fornecer evidências concretas e efetivas sobre sua
real retenção de conhecimento e desta forma facilitar
e justicar a implementação dessas estratégias em
cursos de graduação em medicina e outras ciências da
saúde.
AGRADECIMENTOS
A autora Heimar de Fatima Marin expressa agradecimentos ao apoio fornecido pelo CNPq (301735/2009-3) e pelo
Grant 5D43TW007015-08, Fogarty International Center and National Library of Medicine, National Institutes of Health,
Estados Unidos.
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Educação Em ciências da saúdE / Education in HEaltH sciEncEs
Brandão CFS, Collares CF, Marin HF – A simulação realística como ferramenta ...
... 14,15 Apesar de ser uma metodologia recente no ensino médico, o uso da simulação no ensino da enfermagem não é recente e aumentou significativamente nos últimos 10 anos. 10 A EBS tem ganhado notoriedade, tanto na formação de profissionais, quanto no aprimoramento daqueles já inseridos no mercado de trabalho. 10 A simulação, quando de alta fidelidade, proporciona realismo, satisfação, autoconfiança, motivação, desenvolvimento de habilidades técnicas, estimulo a reflexão sobre a ação e transferência de competências aos participantes. ...
... 14,15 Apesar de ser uma metodologia recente no ensino médico, o uso da simulação no ensino da enfermagem não é recente e aumentou significativamente nos últimos 10 anos. 10 A EBS tem ganhado notoriedade, tanto na formação de profissionais, quanto no aprimoramento daqueles já inseridos no mercado de trabalho. 10 A simulação, quando de alta fidelidade, proporciona realismo, satisfação, autoconfiança, motivação, desenvolvimento de habilidades técnicas, estimulo a reflexão sobre a ação e transferência de competências aos participantes. 13 A Medicina Baseada em Simulação vem sendo aperfeiçoada com os avanços tecnológicos relacionados ao desenvolvimento de manequins 12,16 e programas de computadores 17 para mimetizar situações reais como, por exemplo, realidade virtual 18 e/ou manequins de alta tecnologia. ...
... 13 Um dos desafios da simulação é a possível dificuldade dos alunos em vivenciarem a simulação como um ambiente real, o que pode levá-los a não se envolverem no contexto apresentado, por não enxergarem um paciente doente e sim um "boneco" ou um ator. 10 Por isso, é necessário construir um ambiente o mais realístico possível. 13 Um dos maiores benefícios da simulação consiste na mudança significativa sobre o conceito do erro. ...
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INTRODUÇÃO: A simulação realística é um método ativo de ensino-aprendizagem incorporado na graudação médica. Após esta, a experiência pode ser discutida na forma de Debriefing, avaliada pela Escala de Experiência com o Debriefing (EED), dividida em quatro subescalas que no total somam vinte comandos, respondidos sob duas dimensões: análise da experiência e importância. OBJETIVO: Comparar percepções dos estudantes acerca da experiência e da importância do Debriefing. MÉTODOS E MATERIAIS: Estudo observacional, transversal, analítico e quantitativo. População-alvo: estudantes de Medicina presentes na simulação “Tosse com área de interesse em Asma”. O teste T Pareado foi utilizado para analisar a associação entre as variáveis. O coeficiente Alpha de Cronbach foi utilizado para determinar a confiabilidade interna das escalas. RESULTADOS: Oitenta e quatro questionários preencheram os critérios de inclusão. Houve diferença estatisticamente significante nas subescalas “analisando os pensamentos e sentimentos” e “aprendendo e fazendo conexões” e nos itens “o professor reforçou aspectos do comportamento da equipe de saúde”, “sentimentos incorretos foram resolvidos por meio do Debriefing”, “as minhas dúvidas da simulação foram respondidas pelo Debriefing”, “tornei-me mais consciente de mim mesmo durante a sessão de Debriefing”, “o Debriefing ajudou-me a fazer conexões entre teoria e situações da vida real” e “o professor ensinou a quantidade certa durante a sessão de Debriefing”. A confiabilidade interna da escala em geral foi 0,89. CONCLUSÃO: Através da comparação entre as percepções acerca da experiência e da importância, evidenciam-se aspectos da simulação que podem ser aprimorados no componente curricular, permitindo a otimização da atividade e sua implementação em outros eixos.
... O ensino médico, que anteriormente era centrado na figura do professor, estudo em livros, conhecimentos individuais e procedimentos em pacientes reais, está cada vez mais voltado para inclusões de práticas realísticas, como as simulações. 1 Segundo Gaba 2 , a simulação é uma ferramenta que nos aproxima de situações do mundo real ao rememorá-las ou reproduzi-las. Pode empregar simuladores (de baixa, média e alta complexidade), pessoas (atores e pacientes), simuladores para treino de habilidades, realidade virtual, em ambiente controlado, estruturado e o mais próximo da realidade possível. ...
... Nesse contexto, a técnica do debriefing possibilita que os estudantes realizem reflexões sobre o atendimento, tendo o professor como um facilitador do conhecimento. 1 O debriefing encoraja o aluno a criticar objetivamente o seu desempenho e a criar novos "quadros cognitivos" para aplicação futura. 6 Ademais, ajuda acadêmicos e professores aplicadores desta técnica a desenvolver habilidades de gerenciamento de recursos durante uma situação inesperada, e habilidades clínicas e reflexivas. ...
... Minoria, os três estudantes provavelmente consideraram que o professor possuiu habilidade em conduzir a atividade, assumindo a postura de "facilitador" da discussão em grupo, como expõe Brandão et. al. 1 , uma vez que os outros quatro itens não apresentaram significativa variação, mas não acreditam na necessidade do conhecimento técnico especializado em demência. O que se coaduna com os objetivos do cenário, preparado para estudantes do 5º semestre, em uma proposta de formação de futuros generalistas. ...
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INTRODUÇÃO: Simulação é uma técnica utilizada para reproduzir situações do mundo real. Quando atrelada ao debriefing, este último possibilita que os estudantes realizem reflexões sobre o atendimento, tendo o professor como um facilitador do conhecimento. Neste sentido, a avaliação da técnica por parte dos alunos se faz de grande valia, possibilitando o aprimoramento do ensino e, consequentemente, das práticas na área de saúde. OBJETIVO: Avaliar o debriefing da simulação pelos alunos do curso de medicina. METODOLOGIA: Trata-se de uma análise observacional analítica/descritiva, de corte transversal, realizada nos anos de 2019 e 2020, a partir da Escala de Experiência com o debriefing aplicada a estudantes do curso de medicina de uma faculdade privada em Salvador - BA. Foram incluídos neste estudo todos os estudantes do 5º semestre de medicina do período 2019.1, que estiveram presentes no cenário “demência” da atividade de simulação do componente curricular “Semiologia Médica”. Foram excluídos, para a composição da amostra final, os questionários com preenchimento insuficiente com possível comprometimento da análise, na qual foram realizadas frequência e proporção de cada uma das quarenta variáveis. RESULTADOS: 109/110 alunos responderam de forma válida os questionários, sendo que na análise das práticas educativas através da Escala de Experiência com o Debriefing, entre 54,1 - 91,7% concordam totalmente com os vinte itens da escala e, entre 78,9 – 97,2%, afirmam a grande importância das respectivas etapas durante o debriefing. CONCLUSÃO: Os achados deste estudo demonstraram que o debriefing apresentou alta qualidade após as práticas educativas de simulação, na concepção dos acadêmicos de medicina.
... A SR faz parte de uma nova perspectiva de ensino que inclui não somente as habilidades técnicas, mas também o gerenciamento de crises, liderança, trabalho em equipe, raciocínio clínico em situações críticas ou que possam provocar prejuízos ao paciente real. A ideia central é promover a integração das habilidades técnicas e conhecimentos teóricos, incentivando os alunos a coordenarem diversas competências simultaneamente, assim facilitando a transferência do que foi aprendido para a solução de novos problemas (Brandão CFS, Colares CF, Marin HF, 2014 Nas metodologias ativas o grande desafi o no processo ensino-aprendizagem é desenvolver e qualifi car a autonomia do indivíduo e o progresso de seu atendimento integral. Busca-se permitir assim, a compreensão dos aspectos cognitivos, políticos, culturais, afetivos e socioeconômicos, gerando desse modo, a prática pedagógica contextualizada e social (Barbosa APO, 2015). ...
... Em diversos países, assim como Estados Unidos da América e Canadá e também no continente Europeu, o uso da metodologia de simulação realística está presente em várias Instituições de Ensino Superior, onde atualmente vem sendo muito estudada e difundida (Costa RRO, Medeiros SM, Martins JCA, Menezes RMP, Araújo MS, 2015). A SR é utilizada como meio imprescindível na educação continuada e treinamento de profi ssionais de saúde, sendo efetiva para proporcionar a segurança do paciente, a participação dos estudantes nas atividades práticas e causando maior retenção de conhecimento debatido (Brandão CFS, Colares CF, Marin HF, 2014). ...
... Ainda que seja recente o uso da simulação realística na graduação em saúde, nota-se que a mesma vem aumentando de forma ágil com a inserção de novas tecnologias. Contudo, grande parte desses estudos em simulação estão reproduzidos no treinamento de habilidades técnicas específi cas ou de comportamentos com profi ssionais graduados ou residentes, e desta maneira obstaculiza a introdução curricular plena desse método (Brandão CFS, Colares CF, Marin HF, 2014). ...
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A Simulação Realística é um método utilizado para ampliar ou substituir experiências reais, que promove a integração das habilidades técnicas e conhecimentos teóricos, estimulando os discentes a coordenarem diversas competências simultaneamente. Este tem o objetivo de apresentar os aspectos teóricos e práticos da simulação realística na educação farmacêutica. Uma pesquisa bibliográfica na base de dados Google acadêmico foi realizada selecionando efetivamente 22 artigos, mediante limite de busca no período de 2007 a maio de 2017, publicados em português e inglês. Os artigos selecionados demonstraram que a simulação realística na educação farmacêutica cresce rapidamente, principalmente relacionada ao cuidado e a segurança do paciente. Como benefícios no processo de ensino-aprendizagem destacam-se a interatividade e participação ativa dos alunos em ambiente seguro e realista, sem riscos ao paciente, com aumento da segurança e capacidade de decisão clínica e também o desenvolvimento de competências psicomotoras e cognitivas para o cuidado em saúde. A simulação realística não substitui o ensino em serviço, mas complementa a prática de uma reflexão estruturada e orientada que contribui para o crescimento pessoal e profissional.
... Los escenarios utilizados pueden ser de baja, media y alta complejidad, variando desde un simple procedimiento que debe ser realizado en situaciones que requieren razonamiento y aplicación de conducta, hasta otros más complejos que involucran pacientes con actores estandarizados, simuladores con alta tecnología y complejidad. 7 Después de aplicar el escenario, siempre se lleva a cabo el debriefing, que es una discusión estructurada con pasos bien definidos a seguir. 8 Históricamente tiene su origen en el ejército, en el que el término se utilizaba para discutir con la tropa los acontecimientos de la misión y aprender de la experiencia adquirida. ...
... Los datos obtenidos en la segunda fase mostraron que la aplicabilidad y el marco teórico del OSAD traducido eran adecuados para su aplicación en simulación clínica, metodología que brinda un ambiente reflexivo y transformacional para el desarrollo de habilidades esenciales para el cuidado centrado en el paciente, con amplia evidencia justificada sobre su uso y aplicación en el aprendizaje en salud. 7 En este contexto, se debe considerar que una herramienta de evaluación que tenga buena aplicabilidad en el debriefing de una simulación clínica y prepare a profesionales y estudiantes para la atención integral del paciente es sin duda fundamental. 12 Además, en términos de evaluación de los participantes, OSAD puede considerarse como una herramienta para mejorar las habilidades y aplicar conocimientos en el entorno simulado. ...
... The Simulation Center of the university assessed in this study has environments that provide a real-life setting of the practice, such as instruments, materials and robots divided into levels of fidelity. The chosen topic was CPR, an unusual situation in the daily lives of most health workers, but when it occurs, it needs to be managed immediately and with quality, as the victim's life depends on this management, with higher levels of professional self-confidence being decisive for a satisfactory intervention 10 . ...
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Introduction: The structure of educational methods is frequently renewed, using different available tools, according to the National Curriculum Guidelines. One of these, the realistic simulation (RS) methodology, is used to create proximity between the student and the real everyday life in a monitored environment, which provides room for error, but not with an actual patient. However, measuring meaningful learning is a complex task and support scales can be used. Based on this challenge, can the perpetuation of knowledge among students from different semesters using the RS tool add knowledge? Objectives: To explain the use of RS among medical students; to compare satisfaction and self-confidence indices in relation to RS using a scale, specifically in CPR (Cardiopulmonary Resuscitation), before and after the learning intervention among students from different semesters; to know the students’ learning process through the in-person teaching post-performance questionnaire. Method: This was a quasi-experimental study with 86 medical students from a private institution, with data collection was carried out in three stages, namely: study guidelines, scenario practice and perpetuation of knowledge to other students. Two questionnaires and an evaluation scale were used as tools and, for comparison, the relative and absolute frequencies, Cronbach’s alpha and the non-parametric Mann-Whitney test were used. Results: Cronbach’s alpha was considered high and the nonparametric test resulted in values between 3.81 and 4.91, indicating agreement in satisfaction and self-confidence in learning, with a significant difference in the answers: I liked the way my teacher taught using the simulation; I am confident that I have mastered the content of the simulation activity to which my teacher introduced me and I know how to use simulation activities to learn skills. Regarding the perpetuation of learning, its fixation and its relevance in training, all students also agreed that 6% still did not consider themselves ready to perform CPR. Conclusion: The study proposal proved to be effective in improving learning and perpetuating knowledge among students.
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Resumo: Introdução: O formato dos métodos educacionais renova-se frequentemente, lançando mão de diferentes ferramentas disponíveis, conforme as Diretrizes Curriculares Nacionais. Uma dessas ferramentas, a simulação realística (SR), é utilizada para criar proximidade entre o estudante e o dia a dia real em um ambiente monitorado, que propicia margem para erros, mas não com um paciente legítimo. Como mensurar o aprendizado significativo é um processo complexo, podem-se utilizar escalas de apoio. A partir desse desafio, perpetuar o saber entre estudantes de diferentes semestres utilizando a ferramenta da SR pode agregar conhecimento? Objetivo: Este estudo teve como objetivos explanar o uso da SR entre estudantes de Medicina; comparar os índices de satisfação e autoconfiança em relação à SR por meio de escala, especificamente em ressuscitação cardiopulmonar (RCP), antes e depois da intervenção de aprendizagem entre estudantes de diferentes semestres; e conhecer o processo da aprendizagem dos estudantes por meio do questionário pós-execução do ensino presencial. Método: Trata-se de estudo do tipo quase experimental com 86 estudantes de Medicina de instituição particular. A coleta de dados foi feita em três etapas, a saber: orientações do estudo, prática de cenário e perpetuação do saber a outros estudantes. Utilizaram-se como instrumentos dois questionários e uma escala de avaliação, e, para comparação, as frequências relativas e absolutas, o alfa de Cronbach e o teste não paramétrico de Mann-Whitney. Resultado: O alfa de Cronbach foi considerado alto, e o teste não paramétrico resultou em valores entre 3,81 e 4,91, indicando concordância na satisfação e autoconfiança na aprendizagem, com diferença significativa nas respostas: “Eu gostei do modo como meu professor ensinou através da simulação”, “Estou confiante de que domino o conteúdo da atividade de simulação que meu professor me apresentou” e “Eu sei como usar atividades de simulação para aprender habilidades”. Referente à perpetuação e fixação do aprendizado e à relevância disso na formação, todos os estudantes concordaram ainda que 6% ainda não se consideraram aptos para um atendimento de RCP. Conclusão: A proposta do estudo demonstrou-se eficaz no aprimoramento do aprendizado e perpetuação de saberes entre estudantes.
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A simulação realística tem se difundido nas escolas médicas nas últimas décadas, conferindo a esta o status de metodologia ativa denominada de Ensino Baseado em Simulação. Este tem se mostrado eficaz na promoção da autoconfiança de estudantes de medicina e relevante por estimular a segurança de agir, baseado nas habilidades, valores, metas e experiências vivenciadas na formação. Este estudo teve como objetivo avaliar o impacto do uso da simulação realística no ensino de emergências pediátricas para a promoção de autoconfiança de graduandos em medicina. Realizou-se um estudo prospectivo de intervenção educacional, em um curso de Graduação em Medicina no Brasil. A amostra por conveniência foi composta por 40 graduandos entre o segundo e o quarto ano do curso. Os estudantes participaram de um workshop sobre emergência pediátrica com tema “reanimação cardiopulmonar em pediatria”, sendo ao final submetidos à simulação realística. Foi aplicada a Escala de Satisfação dos Estudantes e Autoconfiança com a Aprendizagem, traduzida e validada para o português em 2015. A idade dos estudantes variou entre 21,8 e 22,2 anos. Quanto ao sexo, 60% eram do masculino e 40% do feminino. Estavam matriculados no segundo ano do curso, 67,5% dos estudantes e 32,5% no terceiro e quarto. Para 80% dos estudantes, esta foi a primeira experiência com simulação e 90% deles não estavam participando de outra atividade extracurricular. Acerca da autoconfiança, 95% dos estudantes afirmaram que a simulação abordou o conteúdo necessário para a formação, 97,5% referiram estar confiantes sobre o domínio do conteúdo da atividade apresentada e 100% dos estudantes afirmou autoconfiança para realizar um atendimento em ambiente real, reportando os conhecimentos adquiridos na simulação. A autoconfiança promovida pela simulação é um pré-requisito necessário para mudanças positivas no comportamento e nas ações dos estudantes. Profissionais e estudantes de medicina, com maiores níveis de autoconfiança, têm melhores perspectivas de serem bem-sucedidos nas suas intervenções, pois conseguem prontamente testar e aplicar as suas competências. Assim, sinaliza-se para uma maior necessidade de incluir a simulação nos currículos dos cursos médicos como metodologia ativa.
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O Preceptoria Médica: guia básico de ensino-aprendizagem busca proporcionar um arcabouço introdutório aos profissionais que desempenham atividades de ensino médico acerca dos principais conceitos, teorias, estratégias e recursos na Educação Médica. Focando-se na Preceptoria Médica, o guia aborda importantes definições e conteúdos para a formação médica, que incluem: modelos curriculares, papéis e atribuições dos diferentes membros do corpo docente-assistencial, cenários de prática, estratégias de ensino e avaliação, e ética médica. Dessa maneira, esperamos contribuir para a qualificação dos processos de ensino-aprendizagem nos âmbitos da graduação e residência médicas.
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Objetivo: avaliar a eficácia da simulação realística (SR) na graduação em medicina com base no conhecimento adquirido e na melhoria do desempenho clínico e analisar a percepção dos estudantes quanto à aplicabilidade do método como ferramenta de ensino. Métodos: foi realizada uma revisão sistemática de artigos científicos nas bases de dados PubMed, Lilacs e SciELO, em inglês e português, publicados no período de 2015 a 2020, utilizando a seguinte estratégia de busca: (simulation training OR simulation patient) AND (students medical AND education, medical, undergraduate). Resultados: dos 261 artigos identificados, apenas sete atenderam aos critérios de inclusão e exclusão estabelecidos, 57,2% deles com baixo ou moderado nível de evidência. Todos demonstraram que a SR promove modificações positivas no processo de construção acadêmica dos estudantes, contribuindo para o desenvolvimento de habilidades e competências essenciais para a formação médica. Além disso, houve majoritária percepção positiva dos estudantes quanto à utilização da SR como método de ensino durante a formação médica. Conclusão: houve evidências de eficácia da SR na aprendizagem e favorável percepção dos estudantes de medicina quanto à sua utilização. Todavia, os desafios relativos à sua implantação e execução, bem como o restrito número de artigos de alto rigor metodológico, limitam a inferência inequívoca de sua eficácia na educação médica.
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Background Obesity, an increasing problem worldwide, is a leading cause of morbidity and mortality. Management principally requires lifestyle (i.e. behavioural) changes. An evidence-base exists of behaviour change techniques for weight loss; however, in routine practice doctors are often unsure about effective treatments and commonly use theoretically-unfounded communication strategies (e.g. information-giving). It is not known if communication skills teaching during undergraduate training adequately prepares future doctors to engage in effective behaviour change talk with patients. The aim of the study was to examine which behaviour change techniques medical undergraduates use to facilitate lifestyle adjustments in obese patients. Methods Forty-eight medical trainees in their clinical years of a UK medical school conducted two simulated consultations each. Both consultations involved an obese patient scenario where weight loss was indicated. Use of simulated patients (SPs) ensured standardisation of key variables (e.g. barriers to behaviour change). Presentation of scenario order was counterbalanced. Following each consultation, students assessed the techniques they perceived themselves to have used. SPs rated the extent to which they intended to make behavioural changes and why. Anonymised transcripts of the audiotaped consultations were coded by independent assessors, blind to student and SP ratings, using a validated behaviour change taxonomy. Results Students reported using a wide range of evidence-based techniques. In contrast, codings of observed communication behaviours were limited. SPs behavioural intention varied and a range of helpful elements of student’s communication were revealed. Conclusions Current skills-based communication programmes do not adequately prepare future doctors for the growing task of facilitating weight management. Students are able to generalise some communication skills to these encounters, but are over confident and have limited ability to use evidence-based theoretically informed techniques. They recognise this as a learning need. Educators will need to tackle the challenges of integrating theoretically informed and evidence based behaviour change talk within medical training.
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There are shortages in community-based general practice placements for medical students. Innovative ways to teach the skills required in general practice are needed. To assess the effectiveness of 'simulated' general practice clinics using actors, compared with standard community-based general practice attachments in medical undergraduate education. Randomised controlled trial involving medical students. Outcome measures included self-reported knowledge, clinical confidence, communication skills, and attitudes within general practice assessed at baseline and after one week. Intervention students participated in 24 simulated consultations with actor-patients over four days. Control students spent four days working with community-based general practitioners and real patients. Of 138 eligible medical students in the first clinical year, 128 (93%) participated and 106/128 (82%) completed the study. Those participating in simulated clinics improved in confidence in history-taking (p=0.03), communication skills (p=0.04), and ability to detect depression (p<0.001) compared with those undertaking community attachments. Those in community-based attachments felt more confident in managing upper respiratory tract infections (p<0.001), giving injections (p<0.001), screening in general practice (p=0.03) and managing illness in the patient's home (p=0.04). There was no difference between the groups in other measures. Simulated clinics may assist with development of communication skills within the general practice consultation and may also be used to supplement community-based attachment with real patients. Even so, confidence in the management of common conditions and procedures improves more with real patients.
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Objective To evaluate the use of simulation-based teaching in the medical undergraduate curriculum in the context of management of medical emergencies, using a medium fidelity simulator. Design Small groups of medical students attended a simulation workshop on management of medical emergencies. The workshop was evaluated in a postcourse questionnaire. Subjects All Year 4 medical students allocated to the resuscitation rotation during the first half of 2002. Main Outcome Measures Student perceptions of learning outcomes, the value of the simulation in the undergraduate curriculum and their self-assessed improved mastery of workshop material. Results A total of 33 students attended the workshop and all completed questionnaires. Students rated the workshop highly and found it a valuable learning experience. In all, 21 (64%) students identified teamwork skills as key learning points; 11 (33%) felt they had learnt how to approach a problem better, particularly in terms of using a systematic approach, and 12 (36%) felt they had learnt how to apply their theoretical knowledge in a clinical setting better. All 33 students were positive about the use of simulation in their training; 14 students wrote that simulation should be used more or should be mandatory in training; 5 students commented positively on the realism of the learning experience and a further 5 said they valued the opportunity to learn new skills in a safe environment. Conclusion This study demonstrates that medical students value simulation-based learning highly. In particular, they value the opportunity to apply their theoretical knowledge in a safe and realistic setting, to develop teamwork skills and to develop a systematic approach to a problem. A medium fidelity simulator is a valuable educational tool in medical undergraduate education.
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A Faculdade de Medicina de Ribeirao Preto (FMRP), desde o inicio do seu funcionamento em 1952, caracteriza-se pela inovacao e pela busca da excelencia no desempenho das suas atividades de ensino, pesquisa cientifica e de assistencia a saude da populacao. No curso de graduacao em Medicina, esta busca tem se refletido em sucessivas mudancas da estrutura curricular e em esforcos repetidos para a modernizacao dos metodos de ensino. Neste sentido, ha varias decadas vem sendo introduzidas tecnicas de simulacao, envolvendo modelos, manequins e simuladores e, em menor escala, o uso de pacientes padronizados. No momento atual, aprovou-se revisao do projeto pedagogico do curso, com redefinicao das competencias gerais e especificas a serem adquiridas pelos formandos e o estabelecimento de metas a serem atingidas para a renovacao dos metodos de ensino, de modo a que sejam oferecidas ao estudante oportunidades de aprendizado mais ativo. Dentre estas metas, preve-se o investimento em laboratorio de habilidades e na difusao das praticas de simulacao aplicadas ao ensino e treinamento do estudante.
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Background: As many medical schools focus on student-centred learning strategies, e-learning provides a useful approach to foster clinical decision-making skills in a case-based way. We developed an e-learning module based on real patient cases for final-year students as a self-directed studying tool. Methods: Ten patient cases were developed from patients treated in the emergency room. Original documents were integrated into the virtual patient system CASUS®. In total, 522 students from three different terms of their final year were invited to use the e-learning module. Students filled out a self-assessment questionnaire regarding clinical decision-making skills before and after the module, and were also asked to fill out an evaluation form. Results: Only 30 per cent of the students invited participated in the e-learning module, and even fewer filled out the questionnaires. Nevertheless, the students participating liked the online cases and valued the relevance of the diseases. An increase in the self-assessment rating of clinical decision-making skills after the e-learning module was only seen for students in the first term of their final year. Additionally, those students showed significantly lower scores in their pre-module clinical decision-making skills compared with students in terms two and three of their final year. Discussion: Even though the overall participation was small, participating students were satisfied with the e-learning module and were motivated to work with the cases. A better integration into the clinical curriculum and a stronger association with an exam might provide an even better learning opportunity for medical students with respect to the acquisition of clinical decision-making skills.
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Objective: To compare the effectiveness of simulated patients with real patients through undergraduate students' results of Mini-Cex encounters and their opinions. Study design: Mixed method (combined qualitative and quantitative). Place and duration of study: Shifa College of Medicine / Shifa International Hospital, Islamabad, during the year 2010. Methodology: The study included all 94 students of 4th year MBBS at Shifa College of Medicine. Their communication skills in history taking and counselling were assessed using first real patients and then simulated patients. The quantitative data was gathered from results (scores obtained) of the two encounters and was analyzed using SPSS version 10. It was interpreted as mean and standard deviation, and independent sample T-test was used to statistically determine the difference between the two results. The qualitative data was obtained from student interviews. The two forms of data was collected and analyzed for triangulation contributing towards validation of the results and to have deeper insight into the relevant phenomena. Results: The results of history taking with real patients and simulated patients showed no significant difference (p = 0.158). Likewise, results of counselling with real and simulated patients did not show a significant difference (p = 0.306). The results of student interviews showed that 92/94 students (97.9%) were in favour of using simulated patients for the assessment of communication skills. Sixty-one (64.9%) were of the view that there was no difference between real patients and simulated patients. Ninety-one students (96.8%) agreed that simulated patients provided motivation and 62 (66%) indicated that simulated patient encounter was not difficult. Conclusion: Undergraduate students were more in favour of using simulated patients encounters for evaluation of communication skills. There were no significant difference between students performance on real and simulated patients.
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Context Institutional interactions are often asymmetrical in that the professional has more control over the conversation. It is difficult to say who the professional is in simulated consultations between simulated patients (SPs) and medical students because these feature a real (educational) institutional context and a simulated (medical) institutional context. This study describes this asymmetry and makes educational recommendations based on the description. Methods One hundred assessed conversations between SPs and Year 3 students were transcribed and analysed using discourse analysis (DA). We aimed to find linguistic patterns in predefined parts of the conversations (questions, topic initiations, openings, closings) that might suggest conversational dominance. Results The SP is conversationally more dominant, despite performing the role of the patient, in that he or she asks more direct questions, is more likely to initiate topics, is more likely not to follow topic changes by students, and closes the consultation. The student is likely to follow topics initiated by the SP and to seek permission to pre-close the consultation. Conclusions The apparently greater dominance of the SP indicates that the simulated consultation differs from the doctor–patient consultation in certain key aspects. It is in that sense unrealistic. We argue, however, that ‘realism’ ought not to be a goal of simulated consultation and that what matters is that such consultations are sufficiently realistic for their educational purpose. We discuss the educational implications that follow from this.
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Purpose: To develop an instrument that could be used at different medical schools to assess the performance of individual simulated patients (SPs) on their ability to role-play and provide feedback, including feedback on medical students' communication skills and medical knowledge. Method: In 2011, the authors sought to develop and validate a new instrument to achieve these goals. During Phase 1, one of the authors conducted semistructured interviews with medical students, medical psychologists, physicians, and experts to explore what was required of SPs. During Phase 2, the authors assessed the reliability and feasibility of the instrument that they had developed during Phase 1, using a principal components analysis with varimax rotation. During Phase 3, they performed a confirmatory factor analysis on the items in the final instrument. Results: During Phase 1, the authors constructed the Nijmegen Evaluation of the Simulated Patient (NESP), which included three components-role-play, process of feedback, and application of feedback rules. They then determined that approximately 8 to 20 completed instruments per SP led to satisfactory to excellent reliability estimates. In Phase 3, their confirmatory analysis confirmed the three components that they had determined in Phase 2. Reliability estimates for each component (role-play, process of feedback, application of feedback rules) and the final NESP as a whole were 0.86, 0.83, 0.79, and 0.92, respectively. Conclusions: The authors concluded that the NESP is a feasible, valid, and reliable instrument that could be used at different medical schools to assess the performance of individual SPs.
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Studies in cognitive psychology inform us that the recall of information and its application are best when it is taught and rehearsed in environments similar to workplace. The healthcare professions are heavily task- and performance-based where non-technical skills, decision making and clinical reasoning are important alongside integrity, empathy and compassion. Most of these attributes are difficult to teach and assess in the traditional classrooms. Enhanced patient safety on one hand has to be the ultimate outcome of any medical curriculum while on the other hand, it itself can be potentially compromised in an apprenticeship-based model of medical education. A range of simulation techniques are very well placed to be used alongside clinical placements. These can be employed to enhance learning of healthcare professionals in safe environments, without compromising the patient safety, while maintaining a high degree of realism. This article builds an argument for the use of simulation techniques to enhance patient safety and points the readers to the AMEE Guide No. 50 on simulation, which is written as a practical manual on building a simulation programme in healthcare education.