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A floresta como espaço de aprendizagem: Um complemento à oferta educativa para a infância

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Abstract

Muito embora, ao nível nacional, haja uma escassez de estudos que nos permitam compreender quanto tempo as crianças passam em contacto com o exterior, analisando a atual oferta educativa e os hábitos familiares, percebemos que as crianças portuguesas passam a maior parte do seu dia em locais fechados. As pesquisas demonstram que o contacto com a natureza pode contrariar os efeitos negativos dos atuais estilos de vida. Usufruindo desse contacto, através de experiências positivas, as crianças têm acesso a uma vida saudável. As investigações apresentam evidências de que a exposição a ambientes naturais pode atenuar o défice de atenção das crianças, promover o desenvolvimento de habilidades motoras, da concentração, da criatividade e da capacidade para resolver problemas e promover melhores tomadas de decisão ambientais (Erickson & Ernst, 2011; Faber & Kuo, 2009; Fjørtoft, 2001; White & Stoecklin, 2008). Para além dos benefícios na saúde, no desenvolvimento social, emocional e na consciência ambiental, há benefícios cognitivos associados a uma oferta educativa de cariz ambiental que promova o contacto direto e regular das crianças com a natureza (Godbay, 2009; Wells, 2000). Pretendemos com esta comunicação apresentar um programa que visa complementar a atual oferta educativa para crianças entre os 3 e os 5 anos. Trata-se de um projeto piloto cujo público-alvo são crianças que frequentam a Educação Pré-Escolar e que pretende implementar, desenvolver e avaliar um programa educativo, que articula a educação pré-escolar, a educação ambiental e a educação para a saúde, em regime outdoor.
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... Com elevado enfoque na livre exploração da natureza pela criança, o ambiente educativo que se desenvolve em contexto skovbørnehave encara a natureza como parceiro educativo da criança, esta como principal agente do seu desenvolvimento e o adulto como mediador, que encara o brincar como indissociável do processo de aprendizagem. Trata-se de uma abordagem que contraria as abordagens estruturadas e de cariz académico, que prevalecem especialmente em contexto pré-escolar, e que compromete o desenvolvimento de competências essenciais à criança (Duque, Pinho, Bigotte de Almeida, Figueiredo, Migueis, Vale & Coelho, 2015). ...
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Com Salto à Mata: Educação na natureza no 1.º Ciclo do Ensino Básico, no capítulo 11, Isabel Duque, Marlene Migueis, Emília Bigotte de Almeida, Ana Sarmento Coelho, Vera do Vale e Aida Figueiredo apresentam a componente de educação na natureza do Pro(g)Natura (PgN) – Salto à Mata (SM), que está a ser implementado em três turmas do 1.º CEB, bem como os resultados preliminares do impacto da sua implementação no desenvolvimento do respeito pela natureza. O programa Salto à Mata, inspirado na abordagem dinamarquesa udeskol, desenvolve-se no âmbito do Projeto Limites Invisíveis, promovido pelo consórcio ESEC/DEBUA/ CASPAE.
... Com elevado enfoque na livre exploração da natureza pela criança, o ambiente educativo que se desenvolve em contexto skovbørnehave encara a natureza como parceiro educativo da criança, esta como principal agente do seu desenvolvimento e o adulto como mediador, que encara o brincar como indissociável do processo de aprendizagem. Trata-se de uma abordagem que contraria as abordagens estruturadas e de cariz académico, que prevalecem especialmente em contexto pré-escolar, e que compromete o desenvolvimento de competências essenciais à criança (Duque, Pinho, Bigotte de Almeida, Figueiredo, Migueis, Vale & Coelho, 2015). ...
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A presente coletânea centra-se na formação de educadores e de professores, congregando um conjunto de textos que enquadram propostas, muito diversas, centradas em práticas contextualizadas de formação inicial de docentes articuladas com investigação. Um conjunto destes textos transporta-nos para o tempo de estágio refletindo sobre o desenvolvimento profissional de educadores e professores a partir da apresentação e discussão de projetos de investigação-ação ou equacionando o papel da supervisão e da reflexão partilhada em contexto, no sentido da construção de um conhecimento prático refletido. Neste bloco ganha destaque o espaço dedicado ao 1º ciclo do ensino básico ainda que a abertura da coletânea se realize com um projeto de investigação-ação na educação pré-escolar. Um outro núcleo de textos integra estudos sobre as diferentes disciplinas escolares, mobilizando métodos e estratégias apropriadas ao ensino e à aprendizagem, nomeadamente, as relações e os processos didáticos, convocando o seu caráter educativo e crítico, bem como a reflexão sobre o lugar e o papel da didática específica na formação de educadores e professores. Claramente, a preponderância nestoutro grupo vai para a Matemática, seja no âmbito do ensino pré-escolar, mas muito especialmente no 1º ciclo do ensino básico, sem prejuízo de trabalhos que objetivam outros níveis de ensino – e.g., o ensino superior –, por um lado, e em termos disciplinares, a geografia, a expressão plástica ou o português, em contextos dos mestrados de educação e ensino.
... O trabalho de campo desenvolvido na natureza constitui-se como uma componente de exploração que, posteriormente, com recurso à linguagem de programação Scratch e na restante componente letiva assegurada pelo PTT, serve como ponto de partida para a execução de atividades com plena integração de todas as áreas disciplinares. Este programa adota uma abordagem pedagógica centrada no aluno, que incentiva a livre iniciativa e exploração autónoma, possibilitando não só a construção e consolidação de competências de índole cognitiva, como também físico-motora e socio-emocional, tal como preconizado no PA ( O desenvolvimento curricular em ambiente natureza apresenta-se hoje como prioritário em vários países, em especial nos países escandinavos, dadas as evidências que comprovam a potencialidade da natureza, enquanto espaço educativo de recurso regular, quer ao nível da promoção das aprendizagens curriculares, como dos benefícios ao nível da atividade física e do bem-estar dos alunos (Duque, et al., 2015;Bentsen, Jensen, Mygind & Randrup, 2010). ...
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O Projeto de Autonomia e Flexibilidade Curricular (PAFC), consagrado pelo Decreto-Lei n.º 55/2018, de 6 de julho, coloca nas escolas e nos professores a responsabilidade pelas decisões curriculares que requerem novas formas de organização do espaço e do tempo e que possibilitem a atribuição de autonomia e participação do aluno na gestão do ambiente de aprendizagem. De forma a dar resposta a essas novas exigências, surgiu em 2018, no âmbito do desenvolvimento do plano de flexibilidade curricular, o programa educativo Pro(g)Natura (PgN). Este programa alia a aprendizagem de uma linguagem de programação, com evidências da sua potencialidade no desenvolvimento de aprendizagens curriculares de forma transversal; o ambiente de educação na natureza, com benefícios comprovados, nomeadamente ao nível do desenvolvimento de aprendizagens curriculares e da consciência ambiental dos alunos, e a sala de aula. O presente artigo tem por objetivo apresentar o impacto do PgN, ao nível do desenvolvimento de competências gerais, específicas e transversais, tendo por base o Perfil dos Alunos à saída da escolaridade obrigatória, em três turmas do 1.º Ciclo do Ensino Básico ao final do o ano letivo 2019/2020, de um agrupamento de escolas de Coimbra.
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Este artigo tem como objetivo descrever[A1] duas experiências de vivências com a natureza: um no município do Crato, estado do Ceará, Região Nordeste do Brasil, outro em Coimbra, na província da Beira Litoral, Região do Centro, Portugal. Os projetos têm suas singularidades, mas também convergências, o que possibilita a realização do estudo. Observaram-se as crianças participantes, registrando-se as ocorrências e analisando-se o que sucede em decorrência das atividades. As análises são compostas por três dimensões: ambientes, mediadores e métodos. Os dados empíricos apontam que, mesmo que de forma diferenciada, ambas as experiências favorecem o desenvolvimento infantil em seus diversos aspectos, conforme o foco dos métodos. Enquanto nas vivências com a natureza a interação com o contexto natural esteve focada em gerar experiências que exploravam os sentidos, no Limites Invisíveis buscava-se provocar experiências de aprendizagem. Em ambas as propostas o ambiente natural parece despertar nas crianças o que está latente, que não emerge, muitas vezes, por falta deste contato primordial com ambientes naturais.
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