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SWAP – PLANEAMENTO PARTICIPATIVO DA ADAPTAÇÃO COSTEIRA ÀS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

Authors:

Abstract and Figures

No âmbito do projeto de investigação Europeu BASE – Bottom Up Adaptation Strategies towards a sustainable Europe, foi aplicada ao troço costeiro Barra-Areão, nos municípios de Ílhavo e Vagos, uma nova metodologia de planeamento dinâmico e participado da adaptação costeira às alterações climáticas. O método consiste em juntar as partes interessadas, num total de cerca de 30 a 40 pessoas, em dois workshops, nos quais se constrói e acorda numa visão e se define a estratégia para a implementação dessa visão através dos Caminhos de Adaptação. Os Caminhos de Adaptação permitem acionar diferentes estratégias ou medidas de adaptação dependendo da evolução ao longo do tempo da subida do nível do mar, erosão costeira e outros fatores de pressão sobre as zonas costeiras. O método permite ter uma visão de longo prazo com um planeamento dinâmico no tempo e ainda um plano de curto prazo. Os resultados obtidos foram acordados por todos os participantes e consistem numa visão conjunta de proteção deste troço de costa até ao ano de 2100 e num Caminho de Adaptação que inclui, em diferentes momentos do tempo, a alimentação artificial de areia, reforço das dunas com areia, passadiços e paliçadas em combinação com uma obra lateral aderente e um quebra-mar destacado submerso. Estas medidas de adaptação com variantes e detalhes foram localizadas no mapa de forma participada tendo-se obtido uma proposta consensual que posteriormente foi sujeita a uma Análise Custo Benefício, com diferentes variantes técnicas, e que mostrou ser positiva esta solução. Este trabalho foi desenvolvido por uma parceria de investigação alargada, em conjunto com as entidades competentes ao nível local, regional e nacional bem como várias partes interessadas. A metodologia e os resultados foram avaliados pelos participantes como tendo sido um amplo sucesso, o que sugere a sua aplicação adaptada a uma maior escala e outros troços de costa em Portugal, bem como noutras regiões do mundo.
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VIII Congresso sobre Planeamento e Gestão das Zonas Costeiras dos Países de Expressão Portuguesa
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SWAP PLANEAMENTO PARTICIPATIVO DA ADAPTAÇÃO
COSTEIRA ÀS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS
André VIZINHO
1
; Inês CAMPOS1,
2
; Carlos COELHO
3
; Carla PEREIRA3,
4
; Peter
ROEBELING
5
; Filipe ALVES1,
6
; João ROCHA5,
7
; Maria Fátima ALVES5,
8
, Filipe
Duarte SANTOS1,
9
; Gil PENHA-LOPES1,
10
RESUMO
No âmbito do projeto de investigação Europeu BASE Bottom Up Adaptation Strategies
towards a sustainable Europe, foi aplicada ao troço costeiro Barra-Areão, nos municípios de
Ílhavo e Vagos, uma nova metodologia de planeamento dinâmico e participado da
adaptação costeira às alterações climáticas. O método consiste em juntar as partes
interessadas, num total de cerca de 30 a 40 pessoas, em dois workshops, nos quais se
constrói e acorda numa visão e se define a estratégia para a implementação dessa visão
através dos Caminhos de Adaptação. Os Caminhos de Adaptação permitem acionar
diferentes estratégias ou medidas de adaptação dependendo da evolução ao longo do
tempo da subida do nível do mar, erosão costeira e outros fatores de pressão sobre as
zonas costeiras. O método permite ter uma visão de longo prazo com um planeamento
dinâmico no tempo e ainda um plano de curto prazo. Os resultados obtidos foram acordados
1
Mestre e investigador; CCIAM Climate Change Impacts Adaptation and Modelling, CE3C Centre
for Ecology Evolution and Environmental Change, FFCUL Fundação Faculdade Ciências
Universidade Lisboa; Gab 1.4.39 Faculdade de Ciências Universidade Lisboa Campo Grande, 1749-
016 Lisboa, Portugal; andrevizinho@fc.ul.pt, Telefone: 217 500 583
2
Mestre e investigadora; ines.campos@ics.ulisboa.pt,
3
Doutor e Professor auxiliar; Departamento de Engenharia Civil - Universidade de Aveiro; Campus
Universitário de Santiago 3810-193 Aveiro, Portugal; ccoelho@ua.pt; Telefone 234370098 ext24608
4
Doutora e investigadora; alexandrapereira@ua.pt
5
Doutor e Professor; CESAM Departamento de Ambiente e Ordenamento - Universidade de Aveiro;
Campus Universitário de Santiago 3810-193 Aveiro; peter.roebeling@ua.pt: Telefone 234 370 349
6
Mestre e investigador; fmalves@fc.ul.pt
7
Doutor e Investigador; joaocrocha@ua.pt
8
Doutora e Professora; malves@ua.pt
9
Doutor e Professor Catedrático; fdsantos@fc.ul.pt
10
Doutor e Professor Auxiliar convidado; gppenha-lopes@fc.ul.pt
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por todos os participantes e consistem numa visão conjunta de proteção deste troço de
costa até ao ano de 2100 e num Caminho de Adaptação que inclui, em diferentes momentos
do tempo, a alimentação artificial de areia, reforço das dunas com areia, passadiços e
paliçadas em combinação com uma obra lateral aderente e um quebra-mar destacado
submerso. Estas medidas de adaptação com variantes e detalhes foram localizadas no
mapa de forma participada tendo-se obtido uma proposta consensual que posteriormente foi
sujeita a uma Análise Custo Benefício, com diferentes variantes técnicas, e que mostrou ser
positiva esta solução. Este trabalho foi desenvolvido por uma parceria de investigação
alargada, em conjunto com as entidades competentes ao nível local, regional e nacional
bem como várias partes interessadas. A metodologia e os resultados foram avaliados pelos
participantes como tendo sido um amplo sucesso, o que sugere a sua aplicação adaptada a
uma maior escala e outros troços de costa em Portugal, bem como noutras regiões do
mundo.
Palavras-Chave: Adaptação Costeira; Alterações climáticas; Análise Custo-Benefício;
Planeamento; Participação.
1. INTRODUÇÃO
A zona costeira da região de Aveiro, na costa ocidental de Portugal Continental tem uma
elevada vulnerabilidade às alterações climáticas devido ao seu perfil de costa com um
relevo pouco acentuado ligado à Ria de Aveiro, associado a um forte regime de agitação
marítima e a um intenso processo de erosão costeira, causado por uma deficiência de
sedimentos na deriva costeira (Pereira e Coelho, 2013). Esta elevada vulnerabilidade
pressiona as autoridades para remediar os problemas causados sempre que existe um
galgamento ou cheia que tipicamente causa danos em infraestruturas blicas e privadas
(Schmidt et al., 2014). Perante os vários cenários de alterações climáticas (IPCC, 2014), o
aumento do nível médio do mar irá acentuar-se bem como a ocorrência de tempestades e o
aumento da erosão costeira (Vargas e Santos, 2013).
Em Portugal, como em outros países, a gestão das zonas costeiras enfrenta um desafio
adicional que é o da difícil articulação interinstitucional que resulta do facto de existirem
várias entidades e instrumentos de gestão de território com jurisdição sobre o mesmo
espaço costeiro, o que coloca em conflito diferentes interesses, valores, perspetivas e
estratégias para o território (Schmidt et al., 2013).
Este artigo apresenta os resultados de um caso de estudo desenvolvido no âmbito do
projeto Europeu BASE (Bottom-up climate Adaptation Strategies towards a sustainable
Europe). O caso de estudo baseou-se no conhecimento gerado por projetos anteriores na
região que visaram identificar os principais desafios e obstáculos para a adaptação costeira,
mencionados acima. O troço costeiro dos municípios de Ílhavo e Vagos que integram a
região de Aveiro foi o território escolhido para desenvolver este estudo precisamente devido
aos trabalhos anteriores. A Figura 1 ilustra dois dos mapas adaptados a partir dos
resultados dos projetos ADAPTARia e CHANGE para ilustrar os possíveis impactes da
erosão e alterações climáticas na região.
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Figura 1 - (esquerda) Mapa da probabilidade de inundação no troço costeiro Barra-Areão no ano de
2100 em cenário de alterações climáticas com 0,62m de subida do nível médio do mar e
sobrelevação meteorológica e cheia com período de retorno de 100 anos. Fonte: (Dias e Alves,
2013). (Direita) Mapa do risco de galgamento no troço Barra-Vagueira em 2100 em cenário de
alterações climáticas B1 com 0,62 m de subida de nível médio do mar em 2100 e agitação
meteorológica com sobrelevação meteorológica com período de retorno de 100 anos (forçamento
intermédio). Fonte: (Vargas e Santos, 2013).
O projeto ADAPTARia (Dias e Alves, 2013) modelou a evolução da linha de costa em
cenários de alterações climáticas bem como a probabilidade de cheia para a zona costeira
da região de Aveiro. Estas modelações evidenciam o risco muito elevado de cheia e
galgamento de várias zonas do território entre a Praia da Barra e a Praia do Areão como se
pode observar pela Figura 1.
O projeto CHANGE teve uma componente de participação identificou como principais
obstáculos à adaptação costeira a difícil articulação entre instituições a par da necessidade
de incluir as populações e diversas partes interessadas na construção das soluções e
estratégias de adaptação para esta gestão costeira complexa. Adicionalmente este projeto
modelou o risco de Galgamento para a zona da Praia da Vagueira (Vargas e Santos, 2013).
O objetivo deste caso de estudo foi o de testar uma forma de articular todas as instituições
responsáveis e partes interessadas na gestão deste troço costeiro construindo uma visão de
conjunto para a adaptação às alterações climáticas e identificando as opções e medidas de
adaptação adequadas ao território.
Neste contexto, as perguntas de investigação são duas:
Quais são as opções e medidas de adaptação costeiras adequadas para o território costeiro
dos municípios de Ílhavo e Vagos, especificamente o troço Praia da Barra Praia do Areão?
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O método SWAP Scenario Workshop e Adaptation Pathways é adequado para facilitar
articulação interinstitucional e promover a criação de uma visão conjunta para a adaptação
costeira de territórios costeiros?
2. METODOLOGIA
A abordagem utilizada foi a da Investigação-Acão Participativa em que se procura
desenvolver em conjunto com as partes interessadas o conhecimento, o plano e até o
próprio processo de investigação que apoiará a ação. Neste caso a investigação apoiou o
processo de construção de uma visão de futuro para o troço costeiro através do método
SWAP, criado pelos autores a partir da utilização combinada dos métodos Scenario
Workshop (Andersen e Jæger, 1999) e Adaptation Pathways (Haasnoot et al., 2013). Como
se verá adiante o ponto central deste método assenta no trabalho participativo desenvolvido
em dois dias de trabalho nos apelidados Workshops de Alternativas ABC+D.
A abordagem da investigação-Acão é utilizada quando os investigadores e observadores
interagem com o sujeito de investigação assumindo de forma clara e transparente que têm
também um objetivo no seu projeto de investigação e que não são imparciais em relação a
todas as componentes da investigação, mas apenas a algumas que são definidas desde o
início (McNiff, 2013). Em Medicina, por exemplo, a investigação-Acão é bastante usada e as
equipas médicas têm um objetivo claro e parcial de preservar a vida e saúde dos seus
pacientes (Froggatt e Hockley, 2011). No caso de estudo desenvolvido, os investigadores o
projeto de investigação BASE assumiram o seu interesse em promover a adaptação às
alterações climáticas, apesar de o fazer sem defender uma estratégia ou caminho
específico.
A investigação-Acão participativa é utilizada em contextos de elevada complexidade social
em que, ao contrário da cura de um doente por um médico, os interesses sobre o território a
gerir são vários e conflituantes, resultando em objetivos e estratégias de gestão diversas
(Chambers, 1994; Chevalier e Buckles, 2013). Neste tipo de contextos as metodologias de
participação são de determinante importância para possibilitar uma discussão clara que
abranja tanto quanto possível os diversos interesses e opiniões (Tompkins et al., 2008). No
caso dos municípios de Ílhavo e Vagos, estes interesses haviam sido tornados
transparentes através de projetos de investigação participativos como o CHANGE. O foco
da equipa de investigação residiu em procurar utilizar metodologias de participação para
construir visões e estratégias conjuntas de adaptação às alterações climáticas, ao invés de
utilizar a participação apenas para debater e conhecer opiniões. Esta é uma das claras
lacunas na área do conhecimento de metodologias de participação e da sua utilização na
adaptação às alterações climáticas (Few et al., 2007; Leeuwis et al., 2000; Measham et al.,
2011). Adicionalmente o processo participativo foi acompanhado e seguido de um trabalho
de análise técnico que permite desenvolver, discutir e avaliar os resultados no detalhe
adequado para planear a implementação.
A aplicação no caso de estudo da abordagem da investigação-Acão participativa e do
método do SWAP consistiu nas seguintes etapas:
1) Reunião com parceiros locais para desenvolver em conjunto o processo (2013)
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a. Na investigação Acão participativa a criação de um grupo local de investigação é
importante para que o processo seja apropriado pelas partes interessadas e não
considerado como algo externo ao contexto real. Um grupo representativo da
diversidade das partes interessadas deve poder contribuir ao máximo para co
desenhar a metodologia a implementar, e não apenas ser informado de como o
processo participativo vai decorrer. Desta forma, a metodologia implementada, bem
como os seus resultados, passa a ser fruto do trabalho de todos os participantes, o
que potencialmente garante um maior envolvimento de todos na proposta de
soluções, bem como na apropriação final das soluções encontradas.
b. Alguns stakeholders chave foram integrados desde o início, nomeadamente a
Universidade de Aveiro, os Municípios de Ílhavo e Vagos, a Comunidade
Intermunicipal da Região de Aveiro, a Administração do Porto de Aveiro, a CCDR-
Centro, a Agência Portuguesa do Ambiente, a associação de residentes da Barra e
a associação dos concessionários de praia. A identificação destes stakeholders foi
feita com base no projeto de participação anterior (CHANGE) mas também
recorrendo à técnica de bola-de-neve em que cada stakeholder contactado sugere
outro que considera relevante. Esta técnica permitiu identificar os restantes
stakeholders convidados para os momentos de disseminação e workshops de
Alternativas ABC+D.
2) Estado da arte da adaptação costeira às alterações climáticas (2012-2014)
a. O trabalho de investigação começa pela análise e compilação do conhecimento
existente. Este passo é essencial para garantir que as discussões e decisões são
informadas pelo conhecimento disponível a nível local e internacional, informando
os participantes e os decisores relevantes no processo de planeamento que se
propõe. Este passo é ainda importante para garantir a qualidade de todo o
processo, assegurando que todo o conhecimento proveniente quer do foro técnico,
quer da experiência de vivência no local é integrado no processo e no debate de
construção informada de planos e decisões.
b. O estado da arte beneficiou, além de toda a informação científica já publicada, dos
resultados dos projetos de investigação ADAPTARia e CHANGE, que decorreram
na mesma área de estudo e forneceram mapas dos riscos de cheia e galgamento e
previsão da linha de costa até ao ano 2100. A experiência local da Universidade de
Aveiro foi incluída no projeto, bem como a do Instituto Deltares, internacionalmente
reconhecido na área adaptação costeira na Holanda. A coordenação deste
processo foi desenvolvida pelo grupo de investigação CCIAM da Universidade de
Lisboa.
3) Disseminação e debates públicos dos cenários climáticos, impactos e medidas de
adaptação. (8 Fevereiro e 8 Março 2014)
a. A disseminação junto dos participantes e partes interessadas é considerada muito
importante para conseguir que os participantes conheçam os conceitos da
adaptação às alterações climáticas, bem como as causas e as soluções para os
problemas da erosão costeira. Este conhecimento permitirá que a participação nos
Workshops de Alternativas ABC+D seja mais eficiente e eficaz diminuindo a
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necessidade de explicar novamente conceitos, problemáticas e soluções
disponíveis conhecidas.
b. No caso de estudo a disseminação decorreu ao longo de meses e foi realizada por
várias entidades, devido entre outras razões às tempestades marítimas que
ocorreram no inverno de 2013-2014. Adicionalmente o projeto associou-se à
Delegação de Aveiro da Ordem dos Engenheiros para apresentar e discutir em dois
seminários os resultados dos projetos ADAPTARia e CHANGE e apresentar o
projeto BASE, bem como as estratégias de adaptação na Holanda e todo o
conhecimento disponível existente.
4) Workshop de Alternativas ABC+D: Crítica e Visão (10 Abril 2014)
a. O primeiro Workshop de Alternativas ABC+D é igual ao primeiro dia de um
Scenario Workshop (Andersen e Jæger, 1999) e tem como objetivo juntar todas as
partes interessadas e com poder sobre um dado território para criar uma visão
conjunta para o futuro. Mais concretamente este workshop junta entre 30 a 40
participantes durante um dia inteiro de trabalho, tendo como um dos momentos
chave a apresentação de três alternativas - A, B ou C -, para o futuro do território
em causa. Estas alternativas são desenvolvidas numa narrativa que ficciona como
será o futuro do território até ao ano de 2100 caso se escolha no presente a
alternativa A, B ou C. Perante as três alternativas, os participantes são convidados
a criticar e procurar chegar à sua própria visão. Estas discussões são realizadas em
grupos de cerca de 6 pessoas, que durante uma manhã encontram uma visão
conjunta e a apresentam aos restantes grupos. Durante a parte da tarde os
participantes desenvolvem essa visão no mapa procurando ser o mais concretos
possível, nomeadamente nas opções de adaptação a implementar no futuro e a sua
localização. No final do dia procura-se chegar a uma solução de consenso entre os
vários grupos e participantes através do mínimo denominador comum. As propostas
que não forem consensuais (estarem no mínimo denominador comum) desde o
início são clarificadas e debatidas para procurar um eventual consenso ou
consentimento.
b. No troço Barra-Areão o método foi aplicado da forma descrita acima com algumas
especificidades. No início do workshop foi efetuada uma apresentação síntese,
referindo-se as várias causas e soluções para os desafios da erosão costeira e
alterações climáticas no troço, bem como os pressupostos necessários para que o
trabalho do grupo fosse eficaz e construtivo. Desses pressupostos destacam-se o
apelo para não focar a discussão no passado e em qual das causas da erosão
costeira teve ou tem um maior papel na vulnerabilidade da região. Essa discussão
poderia impedir a construção criativa de visões conjuntas e a procura conjunta de
soluções consensuais. As três alternativas apresentadas para o troço em causa
foram: A Remediar, B Proteger, C Relocalizar. A alternativa A significa não
planear a adaptação às alterações climáticas e remediar sempre que existir um
desastre natural como por exemplo uma cheia ou galgamento com destruição de
infraestruturas. A alternativa B consiste em proteger todo o território da erosão
costeira e fenómenos climáticos, assumindo que existem recursos financeiros para
tal e assumindo os impactos secundários dessas obras de proteção. A alternativa C
significa acomodar as alterações climáticas deixando o mar entrar, o que neste
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caso específico significa deixar o mar ligar-se à Ria de Aveiro ao mesmo tempo que
se relocalizam as infraestruturas que ficam em zonas atingidas pela erosão costeira
e subida do nível do mar. No decorrer do workshop, tal como planeado, os
participantes criticaram em grupos estas alternativas e definiram os objetivos e
visão para o futuro do território face às alterações climáticas e erosão costeira
previstas. Durante as apresentações dos grupos foram anotados os aspetos que
eram comuns a todos os grupos e aqueles que eram diferentes. Aqueles que eram
comuns foram clarificados e escritos e celebrados como constituindo a visão
conjunta. Aqueles que foram diferentes foram na medida do tempo disponível
debatidos para procurar passar a consenso. Este consenso adicional aconteceu em
torno de uma medida de adaptação que necessitava de expropriação de terras
agrícolas que após clarificação e debate com o proprietário presente, passou para
visão de consenso.
5) Desenvolvimento de análise multicritério e caminhos de adaptação (Abril-Maio 2014)
a. A aplicação da metodologia dos Adaptation Pathways e definição dos Caminhos de
Adaptação implica uma análise das opções e medidas de adaptação e a
identificação dos tipping points ou pontos de viragem de cada medida (Haasnoot et
al., 2013). Quando uma medida de adaptação já não é suficiente para responder a
um determinado nível de alteração climática então essa medida atingiu o seu
tipping point ou ponto de viragem sendo necessário acionar outra medida de
adaptação para conseguir obter o mesmo objetivo de adaptação ou proteção. Desta
forma a adaptação de uma zona costeira segue um caminho que vai mudando nos
pontos de viragem que ocorrem cada vez que, por exemplo, o nível médio do mar
sobe acima de um determinado valor. Os tipping point ou pontos de viragem são
assim um instrumento que permite criar planos dinâmicos em função das alterações
climáticas que forem ocorrendo e do seu impacte no local e da respetiva eficácia
das medidas de adaptação. A Análise Multicritério é um dos métodos mais robustos
para apoiar a decisão em situações complexas que implicam a integração de vários
critérios. A análise pode gerar uma pontuação das melhores medidas com base na
ponderação dos vários critérios entre si ou pode ser usada apenas com a
pontuação dos vários critérios para cada medida sem ponderar os critérios entre si
(Dodgson et al., 2009). A análise multicritério apoia a definição dos caminhos de
adaptação por ilustrar quais as medidas e consequente quais os caminhos mais
baratos, mais eficazes, com menores impactos secundários ou outros critérios
incluídos na análise.
b. A análise das medidas de adaptação foi neste caso realizada com recurso a uma
análise multicritério desenvolvida por peritos investigadores Figura 2. A análise
incidiu sobre as grandes opções que foram acordadas no primeiro workshop de
alternativas. Os critérios foram propostos pelos investigadores e validados em
entrevistas e reuniões com as partes interessadas.
A identificação dos tipping points ou pontos de viragem de cada medida foi também
efetuada com recurso a peritos investigadores e autores deste estudo com base
nos resultados das previsões de evolução da linha de costa modelados no projeto
ADAPTARia e com base no conhecimento do local. A Figura 2 mostra os tipping
points identificados para um dos cinco sub-troços definidos para o troço Barra-
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Areão. Para utilizar adequadamente os tipping points é necessário analisar zonas
que tenham um conjunto de condições homogéneas, que sofram de forma idêntica
os impactes das alterações climáticas e que reajam de forma idêntica às medidas
de adaptação. Como tal foram identificadas cinco áreas homogéneas (ver Figura 3)
e para cada uma delas foram criados diferentes caminhos de adaptação.
Figura 2 - (Esquerda) Esquema dos Caminhos de Adaptação para o sub-troço 3 dentro do troço
Barra-Areão. Fonte: criado pelos autores a partir dos objectivos definidos pelos participantes no
workshop de alternativas ABC+D: crítica e visão. (Direita) Análise Multicritério das medidas de
adaptação selecionadas a partir das opções de adaptação escolhidas pelos participantes no
workshop de alternativas ABC+D: crítica e visão.
6) Workshop de Alternativas ABC+D: Caminhos de Adaptação (15 Maio 2014)
a. O segundo dia de workshop de alternativas ABC+D consiste em escolher a
estratégia para implementar a visão de futuro acordada no workshop anterior e
planear ao máximo a implementação gerando um grupo que prossiga com o
processo de adaptação. Neste workshop também de um dia os cerca de 30 a 40
participantes máximos são apresentados com os caminhos de adaptação e a
análise multicritério e selecionam as opções e medidas de adaptação através dos
caminhos de adaptação, criando assim uma estratégia de curto, médio e longo
prazo, em função daquilo que ocorrer nas alterações climáticas. Posteriormente
podem desenvolver um plano de adaptação mais concreto.
b. No troço Barra-Areão, foram apresentados aos participantes vários caminhos de
adaptação para cinco troços distintos. Os participantes puderam escolher qual o
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troço pelo qual tinham mais atividade e nessa mesa de trabalho escolher ou
desenhar um novo caminho de adaptação, definindo assim uma estratégia de
adaptação para o sub-troço. Os participantes puderam conversar entre mesas para
articular as estratégias entre os vários sub-troços. Por fim foi feita uma
apresentação sobre possíveis fontes de financiamento para a adaptação e foi
pedido aos grupos que realizassem um plano de adaptação até ao ano de 2025
com base no mapa de 2025 que resultou do seu trabalho conjunto.
Figura 3 (Mapa de fundo) Mapa do troço Barra-Areão com projeção da evolução da linha de costa
para os anos 2040, 2070 e 2100 em cenário de alterações climáticas com subida no nível do mar de
0,62m em 2100 e erosão costeira. Fonte: (Dias e Alves, 2013). (A vermelho) Identificação dos
sub-troços homogéneos definidos para criação dos caminhos de adaptação.
7) Desenvolvimento Análise Custo-Benefício dos Caminhos de Adaptação escolhidos (Maio
2014 Fev. 2015)
a. A Análise Custo-Benefício (CBA = Cost Benefit Analysis) consiste na análise dos
custos de adaptação e dos benefícios que resultam da adaptação ao longo de um
período de tempo, calculando o Valor Atualizado Líquido (NPV = Net Present
Value) e um rácio entre os benefícios e os custos atualizados (BCR = Benefit Cost
Ratio) (Pearce et al., 2006). A equação base da análise custo benefício é a
seguinte:
   

 (1)
Em que t é o tempo, i é a taxa de desconto e o fator de desconto é 1/ (1+i). Se a
taxa de desconto for 5% então o valor de desconto é 1/1.05, ou seja, um valor
inferior a 1 o que significa que ao longo do tempo t, o valor do saldo dos benefícios-
custos vai ser cada vez menos relevante para o Valor Atual Líquido. O rácio BCR
entre benefícios e custos quando é superior a 1 indica que os benefícios são
superiores aos custos e quando inferior a 1 indica que os custos são superiores aos
benefícios. Existem vários fatores técnicos que tornam a CBA uma análise muito
variável e subjetiva, como sejam a definição da taxa de desconto ou a dificuldade
em valorar os valores de não uso ou uso futuro de determinados bens ou serviços
para os quais não existem valores de mercado. Apesar destes fatores e dificuldade,
a CBA constitui uma ferramenta de apoio à decisão muito valorizada pelos
decisores políticos que pode ser usada de forma complementar com outras
ferramentas (Sáez e Requena, 2007).
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b. Neste caso a CBA foi utilizada para avaliar os Custos e Benefícios até ao ano de
2050 do Caminho de Adaptação escolhido nos workshops de alternativas. Para tal
foi necessário considerar algumas combinações de medidas e variantes técnicas
por forma a obter um resultado detalhado e com níveis semelhantes de eficácia na
adaptação e proteção. Esta análise foi desenvolvida pelos investigadores após os
workshops. A partir desta análise das variantes técnicas foi feita a estimativa dos
custos da implementação das medidas com base em orçamentos disponíveis, na
bibliografia e na experiência dos investigadores peritos envolvidos. A análise dos
benefícios baseou-se essencialmente nos Custos Evitados, ou seja, os custos que
deixarão de existir por se proteger a costa e se evitarem os danos que resultariam
caso não existisse proteção.
8) Apresentação pública dos resultados (25 Junho 2015)
a. A apresentação dos resultados aos parceiros locais de investigação é considerada
no âmbito da abordagem de investigação (ação participativa) uma parte da
metodologia determinante para que os resultados que foram desenvolvidos em
parceria com todos os participantes, instituições e partes interessadas possam ser
entregues num formato acessível, compreensível e utilizável por todos.
3. RESULTADOS
O resultado obtido pelo primeiro workshop de alternativas foi um conjunto de objetivos e
estratégias de adaptação acordados entre todos os participantes para o futuro do troço
Barra-Areão. Estes pontos além de serem acordados por todos foram ordenados por ordem
de prioridade de investimento:
1. Salvaguardar os aglomerados populacionais e o cordão dunar (manter a restinga)
2. Manutenção Obras de defesa costeira
3. Alimentação artificial da praia (solução técnica para análise)
4. Reforço do cordão dunar
5. Dragagens na ria
6. Reforço do caminho do praião e do canal
7. Quebra-mar destacado (necessita de teste. Experiência piloto)
Outras propostas e ideias surgiram do debate e discussão em grupos, porém não foram
consensuais tendo-se considerado que necessitam de mais estudo ou debate. Algumas
destas propostas são: Relocalização progressiva das edificações da primeira linha;
Comportas na ria; Retirada do esporão 5 da Costa Nova do Prado; Reorientação do
molho sul da Barra para confinar a corrente circular; Praias fluviais; Parque dunar; Economia
azul; Transferência das areias da zona florestal e aproveitamento para zonas agrícolas;
Requalificação do canal de Mira.
Adicionalmente os participantes colocaram as medidas de adaptação no mapa e as medidas
consensuais resultam no mapa que foi consensualizado e se apresenta na Figura 4.
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Figura 4 - Mapa do troço Barra-Areão com visão de consenso da adaptação projectada na sua
implementação faseada no 2025. Verde: dique de protecção contra cheia do lado da Ria. Azul:
reforço do cordão dunar. Amarelo: alimentação artificial de praias. Vermelho esbatido: pontões e
obras longitudinais existentes a manter. Vermelho vivo: Obra longitudinal a realizar obras. Cor de
rosa: Quebramar destacado submerso. Cião: obra a estudar no quebra mar sul da Barra.
Os caminhos de adaptação escolhidos pelos participantes para cada um dos cinco
sub-troços foram agregados no esquema da Figura 5 que apresenta de forma agregada o
caminho de adaptação do troço Barra-Areão. A estratégia definida para a adaptação do
troço Barra-Areão consiste assim essencialmente em: alimentar as praias com areia;
reforçar as dunas; reforço do enraizamento do pontão da Praia do Labrego; o estudo de um
quebra-mar destacado submerso na Vagueira e o estudo da reconfiguração do pontão sul
da Barra. Durante todo o tempo pretende-se efetuar uma manutenção adequada às obras
de proteção existentes nomeadamente os pontões e obras longitudinais aderentes.
Com vista à realização da Análise Custo-Benefício do Caminho de Adaptação escolhido
para o troço Barra-Areão foram definidos três cenários de implementação. Cada um destes
cenários inclui diferentes combinações das medidas escolhidas bem como diferentes
intensidades e periodicidades na alimentação artificial de areia.(Pereira, 2014).
Os três cenários são os seguintes:
Cenário 1: Alimentação artificial de praia com uma média 1x106 m3/ ano + reduzido reforço
do cordão dunar + passadiços e paliçadas + obra longitudinal da praia do labrego (100m).
Cenário 2: Alimentação artificial de praia com uma média 0,5x106 m3/ ano + médio reforço
do cordão dunar + passadiços e paliçadas + obra longitudinal da praia do labrego (200m).
Cenário 3: Alimentação artificial de praia com uma média 0,1x106 m3/ ano + forte reforço do
cordão dunar + passadiços e paliçadas + obra longitudinal da praia do labrego (300m) +
quebra-mar destacado submerso na Vagueira.
Além disto, cada cenário tem três variantes A, B ou C - consoante a forma como a
alimentação artificial é realizada. Em A o volume de areia é colocado anualmente, em B a
areia é colocada de dois em dois anos e em C é colocada de cinco em cinco anos.
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Figura 5 - Caminho de Adaptação escolhido para o troço Barra-Areão criado a partir da compilação
dos 5 caminhos de adaptação escolhidos pelos participantes para os cinco sub- troços.
A Figura 6 apresenta os custos das medidas de adaptação relativas a estes três cenários de
combinações de medidas de adaptação (Pereira, 2014; Roebeling et al., 2015).
Adicionalmente, a Figura 6 apresenta os custos associados aos galgamentos na Praia da
Vagueira (overtopping Vagueira). Estes custos são posteriormente incluídos na análise dos
benefícios que inclui além dos custos evitados também as alterações no uso do solo
(Roebeling et al., 2015).
Figura 6 - Custos das medidas de adaptação e custo do galgamento na Vagueira (overtopping) nos
três cenários de combinação de medidas. Fonte: Roebeling et al. (2015).
A Figura 7 apresenta as somas dos custos e dos benefícios bem como o Valor Atual Líquido
(NPV) que soma os custos e benefícios atualizados com uma taxa de desconto decrescente
que começa no presente com 3,0% e termina em 2050 em 1,9% e de acordo com a fórmula
(1). Adicionalmente é apresentado o BCR, rácio benefício custo.
Estes dois valores indicam-nos que, das nove variantes técnicas analisadas, a mais
benéfica em termos de benefício-custo é o cenário 3 com a variante B, que consiste na
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alimentação artificial de areia a cada 2 anos em conjunto com o reforço das dunas, reforço
do enraizamento do pontão da Praia do Labrego e quebramar destacado na Vagueira.
Figura 7 - Resultados da Análise Custo Benefício para os três cenários de variantes técnicas com
taxas de desconto decrescentes (3.0% - 1.9%) Fonte: Roebeling et al. (2015)
Por fim, foi realizada uma Análise de Sensibilidade aos custos, benefícios e taxas de
desconto. A Figura 8 apresenta a análise de sensibilidade aos benefícios e a Figura 9
apresenta a análise de sensibilidade aos custos. Ambas foram testadas com uma variação
de 10% do seu valor. Análise de sensibilidade dos custos incluiu ainda uma variação
positiva de 50%, devido à elevada incerteza que existe neste tipo de obras na região em
causa.
Figura 8 - Análise de Sensibilidade realizada aos benefícios e com taxas de desconto decrescentes
(3.0-1.9%). Fonte: Roebeling et al. (2015)
Figura 9 - Análise de sensibilidade aos custos e com taxas de desconto decrescentes. Fonte
Roebeling et al. (2015)
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4. DISCUSSÕES
Relembrando as perguntas de investigação deste trabalho podemos estruturar a discussão
dos resultados nestas duas questões.
I. O método SWAP Scenario Workshop e Adaptation Pathways é adequado para facilitar
articulação interinstitucional e promover a criação de uma visão conjunta para a adaptação às
alterações climáticas de territórios costeiros?
A avaliação dos resultados dos workshops foi efetuada através de entrevistas aos
participantes dos workshops em Junho 2014. Os participantes avaliaram todo o processo
como tendo elevado sucesso e consideraram que os resultados obtidos pelo processo foram
positivos na medida em que foram obtidos consensos e uma visão conjunta. Estes
resultados foram considerados inesperados e surpreendentes pois existe uma perceção de
que em situações de conflito de interesses os espaços de debate geram mais discordância e
debate do que decisões e planos conjuntos. Da avaliação realizada com base análise dos
resultados e da transcrição dos workshops considerou-se também que os resultados obtidos
pelo método foram de elevado sucesso nos seguintes aspetos: i) a qualidade do debate, o
envolvimento e capacidade dos participantes para construírem visões conjuntas e
identificarem soluções construtivas; ii) a agregação das várias visões numa visão conjunta
sem bloquear o processo de planeamento nos aspetos não consensuais.
Para a obtenção destes sucessos destacamos alguns dos fatores de ordem subjetiva que
foram importantes: i) o envolvimento de todos os participantes e instituições foi conseguido
por um conjunto de fatores que beneficiaram o processo e que foram desde logo as
tempestades que assolaram o território e que mobilizaram todos os media e população para
o debate e procura de soluções. Adicionalmente, a parceria com a Ordem dos Engenheiros
Delegação de Aveiro, facilitou a aproximação ao território através dos eventos de
lançamento do projeto no local bem como possibilitou após os workshops de alternativas um
workshop de seguimento para o brainstorm (tempestade de ideias) participado sobre formas
de financiamento das medidas de adaptação costeira. Importa também referir a parceria
com a Universidade de Aveiro cuja capacidade técnica de dar apoio na análise antes,
durante e após os workshops, potenciou a qualidade do debate bem como o envolvimento
dos stakeholders por ser uma entidade de referência na região sobre o estudo da erosão
costeira. Por fim, realçamos o facto de no início dos workshops terem sido apresentados um
conjunto de pressupostos sobre como as discussões deveriam ser orientadas
nomeadamente o não discutir quem foi mais responsável pelos problemas do passado mas
sim focar no futuro; ii) a criação de uma visão conjunta foi possibilitada por existir de facto
uma visão partilhada entre todos os participantes no que respeita a um conjunto de pontos.
Existiam porém um conjunto de pontos que não eram consensuais e que eram bastante
interessantes e merecem estudo e discussão pública, como é o caso da relocalização
progressiva das frentes urbanas. Consideramos que em todos os casos existirão pontos
consensuais e pontos divergentes e o método usado permitirá sempre criar visões conjuntas
com grupos grandes através do mínimo denominador comum. Adicionalmente, um ponto
que não era consensual passou a sê-lo após clarificação. Este tipo de resultado bem como a
amplitude de consensos obtidos pode ser melhor ou pior conseguido dependendo da
qualidade e experiencia na facilitação. A facilitação ou moderação condiciona a confiança e
predisposição do grupo para o trabalho e tomada de decisões. O rigor na imparcialidade da
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facilitação, a boa gestão do tempo, a capacidade do/a facilitador/a de integrar conhecimento,
criar empatia e dar o protagonismo aos participantes são alguns dos aspetos que melhoram
a qualidade da facilitação e que se procuraram satisfazer neste caso.
Para concluir, na apresentação pública dos resultados em Junho de 2015 o projeto recebeu,
de um modo informal, uma avaliação bastante positiva pelos parceiros presentes e
observou-se uma apropriação política regional dos resultados obtidos, bem como uma
vontade de prosseguir com o processo de implementação e estudo das medidas que ainda
necessitam estudo. De realçar o facto de os investigadores terem prosseguido o trabalho de
investigação e análise com base nas opções de adaptação escolhidas pelos participantes
representantes de todas os stakeholders e não com base nos seus interesses de
investigação pessoais.
II. Quais são as opções e medidas de adaptação costeiras adequadas para o território costeiro
dos municípios de Ílhavo e Vagos, especificamente o troço Praia da Barra Praia do Areão?
As conclusões dos participantes focam-se na alimentação artificial de areia em conjunto com
o reforço das dunas e algumas obras de engenharia pesada para reforçar situações
pontuais. Esta combinação de medidas de adaptação foi considerada eficaz para a proteção
dos aglomerados populacionais e das dunas, prevenindo assim a ligação do mar à Ria e a
destruição de infraestruturas e usos do solo atuais. Da análise custo benefício realça-se o
impacte que o galgamento tem na componente dos benefícios através dos custos evitados,
por prevenir de forma muito eficaz a destruição de infraestruturas. Devido aos pressupostos
associados a esta análise, a alimentação artificial de areia, com os volumes indicados, é
menos eficaz na proteção contra o galgamento o que diminui o seu benefício chegando
mesmo a dar um rácio inferior a um. Do ponto de vista da análise custo benefício seria
interessante considerar maiores volumes de alimentação artificial de areia até um ponto em
que se considere uma eficácia na proteção dos galgamentos semelhante à do quebra-mar
destacado. Por outro lado, existe uma incerteza significativa quanto à durabilidade no tempo
e aos custos de manutenção de um quebra-mar destacado submerso por não existir
experiência de aplicação desta medida nesta região atlântica. A análise custo benefício
permite concluir que sem a realização do quebramar destacado podem ser preferíveis
outras opções de adaptação não contempladas na análise uma vez que estas apresentam
um valor menor que 1. Por outro lado, apesar de grande parte dos benefícios terem sido
quantificados alguns poderão ser sempre melhor quantificados, potencialmente acrescendo
valor como por exemplo no que se refere ao benefício associado à deriva das areias para
reforçar praias a sul do troço analisado ou aos efeitos secundários benéficos para o turismo,
pesca ou surf do quebra-mar destacado submerso. Independentemente destas questões o
quebra-mar destacado submerso destaca-se como uma medida que, em combinação com
outras, apresenta um bom rácio benefício custo por prevenir na sua totalidade os
galgamentos. Tal facto reforça a necessidade do seu estudo em pormenor para potenciar
um projeto-piloto de implementação desta medida. Por analisar ficam também outras
combinações de medidas não consensuais entre os participantes como seja a relocalização
das primeiras linhas da frente ao mar que é interessante comparar do ponto de vista a
análise custo-benefício.
5. CONCLUSÕES
Do trabalho desenvolvido em parceria com todos os autores envolvidos, bem como com
todas as instituições e participantes dos workshops, conclui-se que é possível agilizar a
articulação das várias instituições que gerem as zonas costeiras com os diversos interesses
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da sociedade civil e dos atores económicos do território, com vista à adaptação às
alterações climáticas.
A abordagem da investigação-ação participativa com recurso ao método do SWAP permitiu
apoiar esta articulação criando uma visão coletiva para o futuro de curto médio e longo
prazo de uma zona costeira com cerca 20km de extensão com a participação de uma
comunidade intermunicipal, dois municípios, quatro freguesias, uma administração portuária,
uma agência governamental nacional de ambiente, uma coordenação regional, proprietários
agrícolas, associações de moradores, de bares de praia, de conservação da natureza, de
pescadores, instituições universitárias e proteção civil.
O sucesso deste processo deve-se ao trabalho conjunto de todos os participantes,
proporcionado pelo método do Scenario Workshop testado com sucesso em vários países.
Este método combinado com o Adaptation Pathways, para potenciar o planeamento
dinâmico da adaptação às alterações climáticas, permitiu ir mais longe, criando uma
estratégia coerente com a visão de conjunto, e que pode ser acionada de forma progressiva
no tempo, à medida e à velocidade com que as alterações climáticas vão ocorrendo. A
análise técnica das medidas de adaptação e do custo-benefício permitiu apoiar e aprofundar
os resultados obtidos de forma participativa para apresentar a todos, nomeadamente aos
decisores políticos, as conclusões tecnicamente validadas, desenvolvidas e quantificadas
em nove variantes.
Como resultado deste processo parece observar-se uma apropriação política dos resultados
que apoiada pelo trabalho participativo e científico realizado poderá facilitar o planeamento
detalhado e a implementação da estratégia e medidas de adaptação para este território.
Como trabalhos futuros importa salientar a necessidade de estudar as medidas identificadas
durante o processo como o quebra-mar destacado submerso e possíveis reconfigurações ou
complementos do molhe sul da Barra, bem como incluir na análise custo benefício os efeitos
na dinâmica de sedimentos a sul até ao porto da Figueira da Foz, momento onde a dinâmica
de sedimentos é novamente interrompida. A aplicação deste método a territórios mais
alargados é também uma das áreas que merece investigação e experimentação para
continuar a desenvolver metodologias eficazes e a várias escalas de planeamento
participativo para a adaptação às alterações climáticas em zonas costeiras.
AGRADECIMENTOS
Pelo apoio dado à investigação contida neste artigo os autores gostariam de agradecer: à
União Europeia, pelo financiamento do projeto FP7 BASE - Bottom-up Climate Adaptation
Strategies towards a Sustainable Europe(Grant Agreement 308337); à Fundação para a
Ciência e Tecnologia (scholarship SFRH/BPD/65977/2009) pelo apoio financeiro do Dr. Gil
Penha- Lopes; à Camara Municipal de Ílhavo pela cedência do Centro Cultural da Gafanha
da Nazaré para a realização dos workshops; à Ordem dos Engenheiros Delegação de
Aveiro pela organização dos momentos de disseminação local do projeto e pelo inestimável
acolhimento; à professora Luísa Schmidt e aos investigadores Ana Lúcia Fonseca, Hugo
Costa, Rui Pedro Barreiro e Ângela Antunes por todo o apoio dado ao caso de estudo e à
realização dos workshops. Por fim e especialmente, queremos agradecer a todas as
instituições e participantes dos workshops, pela sua dedicação, motivação, capacidade de
diálogo e trabalho em equipa. Este trabalho é de todos vós. Obrigado.
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Supplementary resource (1)

Article
Future investments required for the construction and maintenance of coastal defense interventions are expected to increase, due to increasing coastal erosion issues along social, environmental and economically valuable coastal areas. The high costs related with coastal defense interventions require improved knowledge on their performance, considering impacts, costs and benefits. Despite the existence of several cost-benefit approaches applied to coastal zones, in this study a well-defined, sequential and integrated methodology supported by already existent numerical models is developed and applied to assess the effectiveness (shoreline evolution impacts), costs and benefits of different coastal defense interventions. This methodology encompasses three integrated modules, including a shoreline evolution module (to estimate areas of territory maintained, gained or lost over time), a coastal structure pre-design module (to estimate material volumes of coastal works) and a cost-benefit evaluation module (to assess cost-benefit evaluation criteria). The approach allows for the physical and economic comparison of different coastal defense intervention scenarios, helping coastal management and planning entities to define strategies. In this study, the proposed methodology was applied to evaluate the performance of different groin scenarios, based on a hypothetical case study. The case study allowed highlighting the importance of the physical and economic analysis of different scenarios. Results show that the definition of coastal defense interventions is complex where, on the one hand, best physical solutions are sometimes related to very high costs and, on the other hand, best economic scenarios lead to high territory losses. Thus, the innovative approach presented in this study shows that an integrated analysis of shoreline evolution, coastal intervention design and subsequent costs and benefits allows to improve the physical and economic performances of coastal defense interventions.
Article
Full-text available
Several coastal zones are facing shoreline retreat problems, losing territory due to energetic sea actions, negative sediment transport balances and climate change phenomena. To deal with this problem, efficient tools are necessary to help decision-makers choose the right procedures to follow. These tools should assess, estimate and project scenarios of coastal evolution in a medium-to-long-term perspective. To perform reliable projections, as many variables as possible should be analysed, and the impact of each of these variables on the shoreline evolution should be understood. This study aimed to analyse three climate change phenomena that are considered the most important in a Portuguese west coast stretch (at Aveiro region). The considered phenomena are the wave height increasing due to storms, the wave direction changes and the sea level rise. A shoreline evolution numerical model, long-term configuration, developed to support coastal zone planning and management in relation to erosion problems was applied. This work defined a methodology for classification of risk areas, considering the uncertainty associated with different wave climate sequences on simulations. As a result, different risk maps according to considered climate change effects were obtained, defining areas of high, medium and low risk of territory loss due to erosion. A generalized erosion tendency and shoreline retreat were observed, particularly in the downdrift side of groins. The sea water level rise showed lower impacts in the shoreline evolution than wave direction changes, or wave height increasing, which presents the highest impact.
Article
Full-text available
Consensus conferences and scenario work- shops have been developed in Denmark within a democratic perspective that assumes it is both possible and necessary to establish a dialogue with citizens about technology politics. In con- sensus conferences, the citizens have the role of a citizen panel, which will set the agenda for the conference. In scenario workshops, a group of citizens interacts with other actors to exchange knowledge and experience, develop common vi- sions and produce a plan of action. The focus of both methods is to create a framework for dia- logue among policy-makers, experts and ordi- nary citizens. Both methods are also characterised by their ability to create new knowledge.
Article
Full-text available
A new paradigm for planning under conditions of deep uncertainty has emerged in the literature. According to this paradigm, a planner should create a strategic vision of the future, commit to short-term actions, and establish a framework to guide future actions. A plan that embodies these ideas allows for its dynamic adaptation over time to meet changing circumstances. We propose a method for decisionmaking under uncertain global and regional changes called ‘Dynamic Adaptive Policy Pathways’. We base our approach on two complementary approaches for designing adaptive plans: ‘Adaptive Policymaking’ and ‘Adaptation Pathways’. Adaptive Policymaking is a theoretical approach describing a planning process with different types of actions (e.g. ‘mitigating actions’ and ‘hedging actions’) and signposts to monitor to see if adaptation is needed. In contrast, Adaptation Pathways provides an analytical approach for exploring and sequencing a set of possible actions based on alternative external developments over time. We illustrate the Dynamic Adaptive Policy Pathways approach by producing an adaptive plan for long-term water management of the Rhine Delta in the Netherlands that takes into account the deep uncertainties about the future arising from social, political, technological, economic, and climate changes. The results suggest that it is worthwhile to further test and use the approach.
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Municipal planning represents a key avenue for local adaptation, but is subject to recognised constraints. To date, these constraints have focused on simplistic factors such as limited resources and lack of information. In this paper we argue that this focus has obscured a wider set of constraints which need to be acknowledged and addressed if adaptation is likely to advance through municipal planning. Although these recognised constraints are relevant, we argue that what underpins these issues are more fundamental challenges affecting local, placed-based planning by drawing on the related field of community-based environmental planning (CBEP). In considering a wider set of constraints to practical attempts towards adaptation, the paper considers planning based on a case study of three municipalities in Sydney, Australia in 2008. The results demonstrate that climate adaptation was widely accepted as an important issue for planning conducted by local governments. However, it was yet to be embedded in planning practice which retained a strong mitigation bias in relation to climate change. In considering the case study, we draw attention to factors thus far under-acknowledged in the climate adaptation literature. These include leadership, institutional context and competing planning agendas. These factors can serve as constraints or enabling mechanisms for achieving climate adaptation depending upon how they are exploited in any given situation. The paper concludes that, through Mitig Adapt Strateg Glob Change addressing these issues, local, place-based planning can play a greater role in achieving climate adaptation.
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This latest Fifth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) will again form the standard reference for all those concerned with climate change and its consequences, including students, researchers and policy makers in environmental science, meteorology, climatology, biology, ecology, atmospheric chemistry and environmental policy.
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Since its first publication, Action Research: Principles and Practice has become a key text in its field. This new updated edition clearly describes and explains the practices of action research and its underlying values, and introduces important new ideas, including: • all professionals should be reflective practitioners; • they should produce their personal theories of practice to show how they are holding themselves accountable for their educational influences in learning; •the stories they produce become a new people's history of action research, with potential for influencing new futures. This new edition has expanded in scope, to contribute to diverse fields including professional development across the sectors and the disciplines. It considers the current field, including its problems as well as its considerable hopes and prospects for new thinking and practices. Now fully updated, this book contains: • A wealth of case-study material • New chapters on the educational significance of action research • An overview of methodological and ethical discussion The book is a valuable addition to the literature on research methods in education and nursing and healthcare, and professional education, and contributes to contemporary debates about the generation and dissemination of knowledge and its potential influence for wider social and environmental contexts. Practitioners across the professions who are planning action research in their own work settings will find this book a helpful introduction to the subject while those studying on higher degree courses will find it an indispensable resource.
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In this book, the authors propose innovative strategies for engaged inquiry building on insights from many disciplines and lessons from the history of Participatory Action Research (PAR), including French psychosociology. The ongoing evolution of PAR has had a lasting legacy in fields ranging from community development to education, public engagement, natural resource management and problem solving in the workplace. All formulations have in common the idea that research must be done ‘with’ people and not ‘on’ or ‘for’ people. Inquiry of this kind makes sense of the world through efforts to transform it, as opposed to simply observing and studying human behaviour and people's views about reality, in the hope that meaningful change will happen somewhere down the road.
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Public participation is commonly advocated in policy responses to climate change. Here we discuss prospects for inclusive approaches to adaptation, drawing particularly on studies of long-term coastal management in the UK and elsewhere. We affirm that public participation is an important normative goal in formulating response to climate change risks, but argue that its practice must learn from existing critiques of participatory processes in other contexts. Involving a wide range of stakeholders in decision-making presents fundamental challenges for climate policy, many of which are embedded in relations of power. In the case of anticipatory responses to climate change, these challenges are magnified because of the long-term and uncertain nature of the problem. Without due consideration of these issues, a tension between principles of public participation and anticipatory adaptation is likely to emerge and may result in an overly managed form of inclusion that is unlikely to satisfy either participatory or instrumental goals. Alternative, more narrowly instrumental, approaches to participation are more likely to succeed in this context, as long as the scope and limitations of public involvement are made explicit from the outset.
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The incorporation of the intergenerational equity objective has rendered the traditional Cost–Benefit Analysis (CBA) approach obsolete for the evaluation of projects presenting an important number of environmental externalities and for those whose impacts extend throughout a long period of time. Based on the assumption that applying a discount rate rewards current consumption and, therefore, that it is only possible to introduce a certain intergenerational equity in a Cost–Benefit Analysis, in this work we propose an approach to discounting based on a different rationale for tangible and intangible effects. We designed two indicators of environmental profitability: a) the Intergenerational Transfer Amount (ITA), which quantifies in monetary units what the current generation is willing to pass on future generations when an environmental restoration project is carried out, and b) the Critical Environmental Rate (CER), measures the implicit environmental profitability. These concepts were tested through an empirical case study pertaining to the assessment of an Erosion Control Project in the southeast of Spain. The results yield traditional profitability indicators that are higher — and probably closer — to the real values set by the contemporary society. The information provided by the environmental profitability indicators proposed renders more transparency to the quantification of the levels of intergenerational equity applied, thereby facilitating the difficult reconciliation of the CBA technique with the objective of sustainability.
Article
In many popular intervention methodologies aimed at stimulating sustainable rural development (in the widest possible sense) the idea of ‘participation’ is a leading principle. This article will demonstrate that the process in which actors are supposed to participate is often thought of as being a process of planning, decision-making and/or social learning. It will be argued that such an operationalization of development processes is based on inconsistent theoretical assumptions, and can easily lead to unproductive development interventions due to an inability to handle conflicts. As an alternative it is proposed to use negotiation theory as a basis for organizing participatory development efforts. The implications of such a shift in thinking about participation are far-reaching: it requires new modes of analysis, and different roles, tasks and skills for facilitators of participatory processes.