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Do abandono à permanência num curso de ensino superior

Authors:

R:
A nalidade desta investigação foi compreender como se adaptam à faculdade os alunos
que entram num curso, de Ensino Superior, que não é o de ª opção e porque optam por
não o abandonar.
Os dados foram obtidos através de questionários e entrevistas semi -directivas realiza-
das com estudantes que ingressaram pela primeira vez no Ensino Superior em /.
Os resultados indicaram que, através das actividades académicas práticas, realizadas
durante o curso, os estudantes começaram a entender a prossão, o tipo de população
com que irão trabalhar e o tipo de trabalho que podem vir a desenvolver. Vericou -se que
o envolvimento dos estudantes no curso e a relação pedagógica são os factores mais rele-
vantes nas decisões de permanência dos estudantes.
P -:
Ensino superior, Abandono, Permanência.
   /                 ·  .º  · /         -  
Do abandono à permanência num curso
de ensino superior
T A
teresa.albuquerque@fmd.ul.pt
Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa (FMD -UL)
Albuquerque, Teresa (). Do abandono à permanência num curso de ensino superior.
Sísifo. Revista de Ciências da Educação, 07, pp.-.
Consultado em [mês, ano] em http://sisifo.fpce.ul.pt
INTRODUÇÃO
O primeiro ano do Ensino Superior é problemático
para muitos alunos e professores da Universidade.
O insucesso académico, as desistências e a aparen-
te desmotivação de muitos alunos é preocupante
para o País, para as Instituições e não só inquietante
como frustrante para os professores e alunos. A par
da elevadíssima taxa de insucesso, as universida-
des confrontam -se com a progressiva diminuição
de estudantes devido a factores de natureza sócio-
-demográca.
Na tentativa de se encontrar fundamentação
para alguns destes problemas considera -se,
muitas vezes, o facto de os alunos entrarem maiori-
tariamente em cursos de baixa prioridade
utilizando o seu º ano na Universidade como
“mar car passo” para conseguirem transferência de
curso justicando -se com isto algum aumento
nas desistências e abandono. O insucesso é muitas
vezes explicado por desinteresse, desmotivação,
diculdade de enquadramento dos alunos na fa-
culdade ou ainda por diculdade em gerirem a sua
aprendizagem e os seus métodos de estudo (Tava-
res et al., ).
Medidas do Ministério da Ciência, Tecnologia e
Ensino vêm comprovar a relevância da questão do
abandono ao solicitar às Universidades, através do
despacho nº / — ª série, a realização de es-
tudos que permitam tipicar causas de insucesso/
abandono no Ensino Superior de modo a possibi-
litar a implementação de medidas promotoras do
sucesso académico e preventivas para o insucesso e
abandono escolar.
O presente trabalho insere -se numa linha de in-
vestigação que se preocupa com os factores de (in)
sucesso dos estudantes no º ano do Ensino Su-
perior, centrando -se na problemática do abando-
no académico. Deniu -se o abandono académico
como a desistência de frequentar o curso em que se
ingressa sem o ter concluído, obtendo transferência
para outro curso ou abandonando a faculdade e/ou
universidade.
Esta situação é um dos problemas do curso de
Higiene Oral da FMD -UL, visto que desde  a
média anual de abandonos no º ano do curso é de
,%. Seleccionou -se este curso como campo de es-
tudo, optando por um estudo em profundidade que
viesse a contribuir para a identicação de estraté-
gias, quer de prevenção, quer de intervenção, para
minimizar o número de alunos que deixam preco-
cemente o curso.
Vários autores defendem que as vivências dos
estudantes, durante o seu º semestre académico,
podem alterar as expectativas e intenções iniciais
dos mesmos (Pinheiro, ; Santos, ; Schlos-
sberg et al., ; Tavares et al., ). Verica -se
tam bém, que a complexidade das situações e am-
bientes que envolvem os estudantes na sua fase de
tran sição e adaptação ao Ensino Superior podem
ter implicações nas decisões de permanência ou
de abandono dos cursos por parte dos mesmos
(Fer reira et al., ; Nico, ; Pinheiro, ;
Schloss berg et al., ; Soares, ).
     |       |                 
Analisando -se o abandono dos cursos de ensino
superior e a permanência nos mesmos, constatou-
-se que o abandono ou a desistência é mais frequen-
te, e provavelmente mais voluntário, nos primeiros
meses posteriores ao ingresso. Tinto (, b)
vericou que mais de metade dos abandonos ocorre
em alunos inscritos no º ano.
O fenómeno do abandono pode ser compreen-
dido quer do ponto vista individual, quer do insti-
tucional. Abandonar um curso pode representar, a
nível individual, o fracasso para atingir uma meta, a
ausência de interesse ou a incapacidade para satisfa-
zer o trabalho académico. O mesmo fenómeno, a ní-
vel institucional, pode afectar a organização, a pro-
gramação académica e, em muitos casos, o prestígio
institucional (Tinto, a,). Conjugando estas
perspectivas, alguns estudos apontam para a neces-
sidade de uma intervenção precoce, que pressupõe
a identicação dos problemas que estão associados
a este fenómeno (Duran & Diaz, ; Mendes et
al., ). Estes autores identicam alguns desses
problemas: inadequada escolha do curso — por de-
cisões inuenciadas por amigos, familiares, modas e
não por vocação; notas de admissão muito baixas;
insuciente integração dos estudantes nos ambien-
tes intelectuais e sociais das faculdades; fraca rela-
ção entre docentes e discentes. Outros (Pascarella,
; Pascarella & Terenzini, ; Pascarella et al.,
; Tinto, , , s/d), ao invés, salientam que
a permanência dos estudantes nos cursos aumenta
quando existe: boa adaptação do estudante à nova
realidade; quando as relações professor -estudante
são positivas; quando existe suporte académico e
social dos colegas e docentes; quando os estudantes
acreditam no seu próprio sucesso e quando se sen-
tem envolvidos e valorizados pelas instituições onde
frequentam os seus cursos.
Tendo -se vericado ao longo dos anos um aumen-
to do número de estudantes que deixam o curso de
Higiene Oral sem o terem concluído (da totalidade de
alunos que ingressaram no curso, desde , ,%
pediram transferência de curso no nal do º ano e
,% reprovaram no º ano e desistiram), tornou -se
relevante tentar compreender o porquê da existência
de uma signicativa taxa de abandono escolar.
Em , o curso de formação prossional de
Higiene Oral (HO) passa a bacharelato, tendo
duplicado o número de alunos. O absentismo, as
reprovações e o abandono aumentaram. Surgiram
pela primeira vez os trabalhadores -estudantes, as
precedências, o ingresso de estudantes, agora no
contexto do concurso ao Ensino Superior, que es-
colhem o curso em ª ou ª opção. Também pela
primeira vez deixaram de ser feitas provas vocacio-
nais especícas para o acesso ao curso e grande per-
centagem dos novos estudantes não têm noção do
curso nem das suas saídas prossionais.
Considerando os concursos dos anos lectivos de
/, / e /, apenas % dos
estudantes que ingressaram no curso de HO o es-
colheram como ª opção, % escolheram -no em ª
opção; % em ª opção; % em ª opção; % em
ª opção e % em ª opção. Ou seja, a maioria das
vagas tem vindo a ser ocupada por estudantes que
não escolhem o curso em primeiro lugar. Este desa-
juste entre o curso que desejam frequentar e o curso
onde conseguem entrar talvez seja um dos factores
de abandono, neste curso como noutros.
A investigação que, em parte aqui se apresenta,
teve como foi foco principal o estudo dos factores de
“Não Abandono Escolar” dos estudantes colocados
em baixa prioridade de escolha no curso. Estudos já
realizados (Tavares et al., ; Tinto, ) apontam
para a multifactorialidade das razões da adaptação e
do sucesso académico. Na perspectiva de justicar
um possível programa de prevenção/intervenção para
esta nova população tornou -se também necessário
caracterizá -la, reconhecer as suas necessidades, di-
culdades, expectativas e motivações. Pretendeu -se,
então, identicar dados da realidade dos estudantes
do º ano do curso de HO que possam ser conside-
rados na reexão e debate sobre como pode a FMD-
-UL favorecer a permanência e o sucesso dos seus
estudantes, equacionando -se duas grandes questões:
. O que favorece a permanência dos estudantes
num curso que não o de ª opção?
. Quais os efeitos do primeiro semestre curricular
sobre a mudança de atitudes do aluno em rela-
ção ao curso e Faculdade que frequenta?
TODO
O estudo foi realizado com os estudantes que se ins-
creveram pela primeira vez no º ano do curso de HO
    |       |                  
da FMD -UL, num total de  alunos, utilizando -se
os seguintes instrumentos de recolha de dados:
Questionário para caracterização dos estudantes
na sua totalidade.
Entrevistas semi -directivas elaboradas a dez alu-
nos que se ofereceram como voluntários.
Questionário adaptado e abilizado para iden-
ticar factores que contribuem para uma adap-
tação bem sucedida dos alunos do º ano da Fa-
culdade (Questionário de Adaptação ao Ensino
Superior — QAES, Lemos et al., ).
A triangulação da informação obtida permitiu uma
maior conança nos resultados, acreditando que as
limitações de um instrumento possam ter sido col-
matadas pela utilização de outro.
O questionário de caracterização da população
foi preenchido na primeira aula do primeiro dia de
aulas do º semestre do curso de HO, tendo abran-
gido o total da população,  alunos. O questioná-
rio, com perguntas de resposta fechada (escala de
Likert) e de resposta aberta, é constituído por 
perguntas agrupadas em quatro dimensões:
. Caracterização demográca e escolar, que englo-
ba itens referentes ao género, idade, residência,
meio de subsistência e via de ingresso no Ensino
Superior;
. Decisões e intenções dos estudantes no ingresso
ao Ensino Superior, com perguntas referentes a
factores que inuenciaram a escolha do curso de
ª opção e do curso que frequentam, satisfação
com o ingresso no Ensino Superior e intenção
de mudança de curso;
. Expectativas e diculdades perspectivadas pelos
estudantes;
. Perspectivas de desempenho académico como
estudantes universitários.
No nal do º semestre curricular, foram realizadas
entrevistas semi -directivas a dez alunos voluntários,
para aprofundamento da informação recolhida nos
questionários de caracterização, identicação de ex-
pectativas e de factores que os levam a desistir, ou
não, de frequentar o curso.
O QAES foi aplicado na primeira semana de au-
las do º semestre do curso de HO, tendo abrangido
os estudantes do º ano que ainda não tinham desis-
tido de frequentar o curso, num total de  alunos.
Os itens do questionário são relativos a: caracterís-
ticas sócio -demográcas; desempenho no ensino
secundário e no acesso ao Ensino Superior; compe-
tências de estudo; apreciação dos conteúdos de mé-
todos das disciplinas do º semestre; oportunidades
de inserção no contexto universitário; satisfação
com o ambiente relacional e social; problemas senti-
dos e grau de preocupação com eles; satisfação geral
com a vida; percepção do desempenho no ensino
secundário e superior; auto -avaliação de competên-
cias no estudo; satisfação com o desempenho no º
semestre; percepção da adaptação à Universidade e
motivação para o curso.
Os dados do questionário de caracterização re-
colhidos através de questões com escala de Likert
foram sujeitos a tratamento estatístico de carácter
descritivo, dado o pequeno número de sujeitos em
estudo. Quanto às respostas abertas deste questio-
nário e ao conteúdo das entrevistas, toda esta infor-
mação foi sujeita à técnica de análise de conteúdo
(Bardin,). Também os dados recolhidos através
do QAES foram analisados através de processos de
estatística descritiva sendo ainda realizadas algumas
análises comparativas, relacionais e de frequências.
RESULTADOS
Do total de  estudantes que pela ª vez entraram
no º ano do curso de HO, abrangidos por este es-
tudo, ,% eram do género feminino e ,% do
masculino. A idade média era de  anos, sendo a
mínima de  anos e a máxima de . Apenas ,%
destes estudantes concorreram pela ª vez ao Ensino
Superior, os outros ,% concorreram mais vezes
sendo que ,% destes já haviam frequentado ou-
tros cursos de Ensino Superior, sem os concluírem.
É de referir que % da totalidade dos inquiridos já
tinham desistido ou abandonado outros cursos de
Ensino Superior.
A decisão de frequentarem o Ensino Universitá-
rio foi fortemente inuenciada pelos pais e amigos
(%) e pelos pares — amigos e colegas (%), en-
quanto que % consideram não ter sido inuencia-
dos por ninguém; os restantes (%) foram aconse-
lhados por prossionais de saúde.
     |       |                 
Os factores que inuenciaram a escolha do curso
de ª opção foram essencialmente a vocação (,%),
o valor do curso no mercado de trabalho (,%)
e o potencial interesse do currículo (%). As res-
tantes respostas distribuem -se por factores como:
família ou amigos com o mesmo curso (,%), famí-
lia ou amigos a frequentar o mesmo curso (,%), o
prestígio do curso (,%) e a facilidade de ingresso
(,%). Porém, verica -se que o curso de HO só
foi ª opção para ,% dos estudantes. Ou seja, a
maior parte (,%) dispõe -se a frequentar o curso
que não constituiu a sua principal motivação. As ou-
tras primeiras opções revertem a favor de diversos
cursos na área das Ciências da Saúde, sendo que os
mais pretendidos foram Enfermagem (,%) e Me-
dicina Dentária (,%).
As maiores preocupações perspectivadas pelos
estudantes estavam relacionadas com o Ambiente
Social, visto que o medo de “não se relacionar bem
com os colegas” foi a maior inquietação manifes-
tada, seguida do receio das relações a estabelecer
com os professores. Diculdades referidas pelos
estudantes com o Ambiente Académico revelaram
o “medo de não de adaptarem ao ambiente”; o de
“não se conseguirem inserir na vida académica”;
“a pouca disponibilidade para as actividades extra-
-curriculares” e “a falta de espírito de união entre os
cursos da mesma faculdade”.
Relativamente ao Curso de Higiene Oral pro-
priamente dito, as diculdades que os estudantes
pensavam que iriam encontrar eram “na altura de
pedir transferência de curso”; o facto de “não gos-
tarem do curso”; a “desmotivação por estar neste
curso” e o “desejo de mudar”. Talvez este desejo
de mudar tenha levado a que, da totalidade de alu-
nos que responderam ao º questionário (no início
do º semestre), ,% manifestasse a intenção de
mudar de curso.
Porém, as vivências do º semestre curricular e
envolvimento nas actividades do curso parecem ter
provocado alterações nas atitudes, intenções e ex-
pectativas dos estudantes em relação aos colegas, aos
professores, ao curso e à faculdade. Tal foi possível
inferir a partir da diferença de percentagens apre-
sentadas relativamente às intenções de mudança de
curso registadas entre o início do º semestre e o iní-
cio do º. Nesta altura apenas ,% dos estudantes
mantinham a intenção de mudar para outro curso.
Os estudantes mostraram -se surpreendidos com
alguns factos encontrados no decorrer do º semestre:
i) Relativamente à faculdade, os estudantes ca-
ram surpreendidos positivamente com o facto
de ser de pequenas dimensões, de ter poucos
cursos e poucos alunos por turma, tornando as-
sim o espaço académico mais familiar; as ideias
de que as aulas eram realizadas em grandes an-
teatros com muitos alunos, que as pessoas exis-
tentes nas instituições eram mais velhas e de que
as praxes podiam não ser agradáveis surgiram,
positivamente, como expectativas frustradas no
nal deste primeiro semestre;
ii) O curso surpreendeu positivamente alunos cujas
expectativas iniciais eram nulas, em especial as
componentes clínica e comunitária, o facto do
curso ser muito trabalhoso e com várias avalia-
ções intercalares agradou a alguns alunos, pois se
por um lado lhes fez parecer um prolongamento
da escola secundária, por outro obrigou -os “po-
sitivamente” a ter de estudar e acompanhar as
disciplinas não estudando só para os exames;
iii) Contrariamente às expectativas que tinham dos
professores, de serem velhos, distantes e “des-
pejarem” matéria — os alunos revelaram apreço
pelas boas relações de trabalho que estabelece-
ram com eles, pela acessibilidade, informalidade
e forma de leccionar;
iv) O apoio constante e inesperado dos alunos dos
anos superiores e a boa relação entre os colegas
da turma foram, de igual modo, factores muito
positivos.
v) Dos factores referidos para abandono do curso
destaca -se essencialmente a pouca autoconan-
ça, a inuência familiar, a sensação da pouca des-
treza manual e o medo das aulas práticas.
No início do º semestre, no que se refere à percepção
do seu grau de adaptação à Universidade, os alunos,
em geral, consideram -se bem adaptados. Constatou-
-se que existem mais alunos que se consideram “mui-
to bem adaptados ou bem adaptados à instituição”
ao nível dos que não tinham escolhido o curso como
ª opção (,% versus ,%). Quando se dividiu os
alunos relativamente às intenções de permanência ou
não no curso apurou -se que os que tencionam sair
parecem estar menos satisfeitos com o º semestre
    |       |                  
(,% declaram -se satisfeitos ou muito satisfeitos
versus ,% dos que não tencionam sair) e menos
satisfeitos com a vida (,% declaram -se satisfeitos
ou muito satisfeitos versus ,% dos que não tencio-
nam sair); apesar disto é de realçar que mais de %
destes alunos se sente “muito satisfeito” ou “satisfei-
to” com a vida e se considera “muito bem adaptado
ou bem adaptado à instituição”.
Quanto aos problemas vividos pelos estudantes,
destaca -se que a atenção e concentração foram os
mais referidos, seguindo -se a ansiedade, as dicul-
dades com os estudos e o mal -estar físico. Curiosa-
mente são mais os alunos de ª opção que apresen-
tam problemas bio -psicológicos, com excepção para
o mal -estar físico com uma percentagem ligeiramen-
te superior nos alunos que entraram no curso com
outras opções. Por outro lado, existem mais alunos
deprimidos, ansiosos e com problemas de atenção e
concentração entre os que tencionam abandonar o
curso, comparativamente com os que querem car.
Os alunos que tencionam sair do curso apontam
com maior frequência a vivência de problemas de
relacionamento com os namorados, de problemas
económicos, bem como diculdades nos estudos,
diculdades de adaptação à instituição e diculda-
des por se encontrarem fora do agregado familiar.
A análise dos dados recolhidos através das entre-
vistas permite compreender como o envolvimento
dos estudantes no curso se revelou fulcral nas suas
decisões de permanência. Através das actividades
realizadas começaram a entender mais claramente
o curso e a prossão, o tipo de população com que
irão trabalhar e o tipo de trabalhos que irão reali-
zar prossionalmente, tal como Mercuri, Silveira e
Polydoro também observaram (, citados por
Mercuri & Polydoro, ).
Os factores apontados pelos entrevistados para
permanecerem no curso focaram essencialmente o
curso em si, a relação com os professores e com os
colegas, como também foi referenciado por Pas-
carella e Terenzini (). Os estudantes falaram
positivamente das aulas práticas, da diversidade de
população com que trabalham no decorrer do cur-
so e da perspectiva de durante o curso realizarem
consultas em clínica. A importância do apoio e das
boas relações informais estabelecidas com os cole-
gas de turma e com os colegas mais velhos foi forte-
mente apontada. Dentro dos factores positivos que
atribuíram ao curso pode -se destacar o apreço pelas
aulas práticas de Clínica e Comunidade e o seu início
no º semestre. A indispensabilidade de terem de fre-
quentar as aulas teóricas e de estudar, imposta pelas
consecutivas avaliações contínuas, obriga -os a per-
manecerem mais tempo na instituição e a manterem-
-se actualizados, o que agradavelmente lhes parece
um prolongamento do Ensino Secundário.
DISCUSSÃO
Os resultados obtidos neste estudo dos estudantes
que pela primeira vez ingressaram no primeiro ano
do curso de Higiene Oral da FMD -UL, no que res-
peita à prioridade de escolha do curso, reforçam o
que se tem vindo a vericar relativamente ao facto
de que as diculdades no acesso ao Ensino Supe-
rior começam, por vezes, pela própria escolha do
curso, muitas vezes feita não de escolhas mas de
eliminatórias e pela ocupação de vagas por estu-
dantes com melhores classicações de acesso ao
Ensino Superior. Estes factos levam muitos estu-
dantes a frequentarem cursos para os quais não se
sentem particularmente vocacionados e que, muitas
vezes, desconhecem. Ponderou -se então a análise
de Tinto () quando arma que existem jovens
que ingressam em cursos com uma baixa prioridade
de escolha, pois têm notas de ingresso superiores
às dos que optariam por eles em º lugar, sendo, os
que ingressam, potenciais desistentes que deixarão
as vagas desocupadas — diminuindo assim o núme-
ro de alunos frequentadores desses mesmos cursos.
Em relação ao “Curso de Higiene Oral”, as di-
culdades esperadas por estes estudantes revelam
a intenção do carácter provisório de permanência
no curso, revelando à priori receio das diculdades
associadas à desmotivação e desejo de mudança re-
lativamente ao curso e até ao momento de pedir a
transferência para outro. Aparentemente estes da-
dos vão de acordo com o que Silveira e Polydoro
(, citados por Mercuri & Polydoro, ) suge-
rem quando indicam que o que leva os estudantes a
inscreverem -se em cursos não preferenciais é prin-
cipalmente a crença de que se trata de uma condição
temporária, a ser superada através de reorganização
interna na instituição (transferência ou mudança de
curso) ou de aproveitamento de créditos aquando
     |       |                 
    |       |                  
do ingresso num novo curso (fora da instituição).
No caso dos estudantes abrangidos pelo es-
tudo, a alteração de expectativas ao longo do º
semestre académico relativamente ao curso e à fa-
culdade revelou -se bastante positiva. O curso sur-
preendeu positivamente alunos cujas expectativas
iniciais eram nulas, em especial a componente prá-
tica do curso. Os dados recolhidos neste trabalho
assemelham -se aos do estudo realizado por Soares e
Almeida () onde os alunos surpreendidos posi-
tivamente e realistas nas suas expectativas, relativas
ao relacionamento com colegas e ao investimento
nas actividades ligadas ao curso, se diferenciaram
daqueles cujas expectativas foram moderadas ou
totalmente goradas pela experiência universitária.
Os primeiros apresentaram melhores indicadores
ao nível dos métodos de estudo e da gestão do tem-
po, assim como no desenvolvimento vocacional, na
adaptação à instituição e no envolvimento em activi-
dades extra -curriculares.
Relativamente aos estudantes do curso de HO,
foram positivamente surpreendidos com o facto da
faculdade ser de pequena dimensão, ter poucos cur-
sos e poucos estudantes por turma, tornando assim
o espaço académico mais familiar. A antevisão de
que as aulas eram realizadas em grandes anteatros
com muitos alunos, que as pessoas existentes nas
instituições eram mais velhas e que as praxes po-
diam não ser agradáveis surgiram como expectativas
não conrmadas, no nal deste primeiro semestre.
Os resultados obtidos sugerem que a qualida-
de do contexto universitário promoveu de alguma
forma estas opiniões dos estudantes e que para
isso contribuiu, como diz Chickering (), o pa-
pel desempenhado pela dimensão da organização,
pelos objectivos institucionais, pelas interacções
estabelecidas entre os estudantes e os membros da
comunidade universitária, pelas práticas docentes,
pelos serviços e programas disponibilizados aos
estudantes. Os resultados no caso do curso de HO
sugerem, ainda, que as experiências académicas por
vezes excederam expectativas iniciais e considera -se
o aparecimento de “estudantes surpreendidos” tal
como denidos por Baker e Schultz (, citados
por Soares & Almeida, ).
Com estes resultados pode -se comprovar a im-
portância que as aulas práticas, os aspectos pros-
sionalizantes do curso, o ratio professor/aluno, a
dimensão das turmas e da faculdade são factores
positivos que têm a capacidade de alterar expectati-
vas iniciais mais negativas. Os estudantes revelaram
o seu apreço pelas boas relações de trabalho que es-
tabelecem com os professores, pela acessibilidade,
informalidade e forma de leccionar dos mesmos.
A informação levantada sobre os possíveis facto-
res que levam os alunos a permanecerem no curso
que não escolheram em ª opção apoia os referidos
anteriormente, salientando -se mais ainda a impor-
tância das boas relações estabelecidas com os pro-
fessores e os colegas, o bom ambiente da faculdade
e as actividades prossionais a desenvolver quando
nalizado o curso. Estes dados estão de acordo com
a componente do modelo de Astin (, citado por
Santos, ) que sugere que a persistência escolar
está fortemente associada às relações entre os estu-
dantes e os pares, e às interacções entre os estudan-
tes e a instituição.
As principais causas mencionadas como promo-
toras do abandono do curso foram essencialmente
factores pessoais reveladores de baixa autoconan-
ça dos estudantes, como, o medo das práticas, o
medo de magoar colegas, o medo de magoar pesso-
as, o medo de não conseguir. Diversos investigações
corroboram estes dados, no sentido em que estas
percepções pessoais de falta de capacidade e di-
culdades de desempenho se mostram importantes
no ajustamento e realização académica dos alunos
(Barros & Almeida, ), e que a vivência destes
problemas tem implicações negativas no rendimen-
to académico podendo levar ao aumento dos índi-
ces de abandono escolar (Rickinson & Rutherford,
citados por Santos, ). Estas evidências apon-
tam para necessidade de se criarem apoios especiais
para os estudantes que ciclicamente apresentam
apreensão, insegurança e timidez nas aulas práticas,
observando -se que estas diculdades podem ser
potenciais promotores de abandono e do insucesso.
A inuência familiar também se revelou impor-
tante na decisão de mudança de curso, tal como o
receio de não se conseguir trabalhar na área pros-
sional quando terminado o curso.
É de referir que algumas das razões que motivam
as situações de abandono apontadas na literatura
(Mendes et al., ) não se comprovaram relativa-
mente aos alunos desta investigação, visto que a au-
sência de saídas prossionais e os custos nanceiros
inerentes à frequência no ensino superior não foram
apontados como factores que levam os estudantes a
desistirem de frequentar este curso.
Embora a população desta investigação apre-
sente dados apenas representativos dela própria, ela
apresenta idêntica proporção e sequência na distri-
buição dos seus problemas comparativamente ao es-
tudo elaborado nas  licenciaturas da Faculdade de
Ciências da Universidade do Porto por Lemos et al.
() a uma amostra de  alunos do º ano.
Com os dados recolhidos consegue -se observar
que existem mais estudantes com problemas do foro
psicológico ao nível dos que pretendem sair e que os
estudantes que entraram no curso em “outras” op-
ções, que não a primeira, não coincidem com os que
pretendem sair, o que novamente apoia a necessida-
de de se identicarem as intenções iniciais dos estu-
dantes aquando do seu ingresso no curso para que
preventivamente se possa dar suporte social e acadé-
mico aos que potencialmente apresentarão mais pro-
blemas. Vericou -se ao longo deste trabalho que não
existem grandes diferenças nos graus de satisfação ou
insatisfação, nas várias dimensões avaliadas na adap-
tação ao Ensino Superior, entre os estudantes de ª
e outras opções. As diferenças encontram -se entre os
que pretendem sair e os que desejam car.
Todos os estudantes podem então ser considera-
dos como potenciais “desertores” visto que alguns
dos que escolheram em primeira opção pensam na
possibilidade de sair e estudantes que ingressaram
com opções mais baixas consideram permanecer,
o que não se observou na investigação de Mendes,
Lourenço e Pile () onde o abandono revelou ser
característica típica dos alunos cujo curso frequen-
tado não foi o de primeira opção.
A capacidade e esforços dos cursos e instituições
para conseguirem envolver os seus estudantes, de mo-
do a lhes reforçar o desejo de permanecerem nos mes-
mos, tem de ser direccionada a todos os estudantes.
Contudo, para uma melhor compreensão da
problemática analisada poderiam ser realizados es-
tudos longitudinais que investigassem as alterações
de atitudes e razões para a sua existência no decor-
rer dos diversos anos dos cursos e no pós -curso, aos
estudantes universitários, de forma a denir focos de
interesse e pontos fulcrais requerentes de potenciais
necessidades de apoio por parte das instituições, co-
legas e docentes.
     |       |                 
N
. Este artigo baseia -se na investigação desenvol-
vida pela autora no âmbito da dissertação de Mes-
trado em Pedagogia do Ensino Superior da Facul-
dade de Psicologia e de Ciências da Educação da
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... The developmental age of university students ranging from 18 to 21/23 years should be considered, including cognitive and physical maturity. Although undergraduate students can fully understand abstract concepts and are aware of consequences and personal limitations, one has to consider the different rhythms of human development and that some students reach maturity earlier than others (Almeida et al. 2000(Almeida et al. , 2003Albuquerque 2008). ...
... The student usually arrives at this educational level with strong expectations about the nature and characteristics of the academic context (Coelho et al. 2014). According to the literature (Albuquerque 2008;Almeida et al. 2003), it is during the first year of undergraduate courses when expectations about the university seem to dawn upon students, and significant adaptation difficulties appear, possibly resulting in academic failure. According to Almeida et al. (2000), the transition requires overcoming academic, personal, social, and vocational challenges. ...
Chapter
The Chapter offers a quick but detailed introduction to the relationship between research, students and teaching in modern German Higher Education since the 19th Century. While "undergraduate research" is still a novel concept in Germany, there is a rich tradition in "Forschendes Lernen" (research-based learning) from the 1970s onwards. The chapter focuses in particular on the many RBL projects and activities that developed in the context of the Quality Pact for Teaching between 2011-2020.
... The developmental age of university students ranging from 18 to 21/23 years should be considered, including cognitive and physical maturity. Although undergraduate students can fully understand abstract concepts and are aware of consequences and personal limitations, one has to consider the different rhythms of human development and that some students reach maturity earlier than others (Almeida et al. 2000(Almeida et al. , 2003Albuquerque 2008). ...
... The student usually arrives at this educational level with strong expectations about the nature and characteristics of the academic context (Coelho et al. 2014). According to the literature (Albuquerque 2008;Almeida et al. 2003), it is during the first year of undergraduate courses when expectations about the university seem to dawn upon students, and significant adaptation difficulties appear, possibly resulting in academic failure. According to Almeida et al. (2000), the transition requires overcoming academic, personal, social, and vocational challenges. ...
Chapter
Full-text available
This chapter aims to present a point of view about undergraduate research based on some of experience of Portugal, in south of Europe. The main goal is to contribute to reflect on this theme in a more global discussion. It presents a very specific argument which is to question if undergraduate students are cognitively and emotionally mature enough to conduct research, with scientific integrity, when compared to masters and PhD students. We argue that yes, it is possible, but it should be provided a good solid formation on ethical principles in science, before demanding them research responsibilities. This argument is developed more deeply through this chapter.
... Among other aspects, social changes and the democratization of education are some of the main causes for the explosion of enrolment and the emergence of mass higher education verified in recent decades [1]. The high number of enrolments is also often associated with a significant number of students who, particularly during the first year, end up dropping out of university [2]. These dropouts could derive from factors such as academic failure, entry regime and access to scholarships among others. ...
... The increase in the number of students in higher education and the appearance and rapid expansion of MOOCs (Massive Open Online Courses) [11], have originated several studies and works that have as main focus the analysis and interpretation of the large amount of academic data generated. Most of these investigations are carried out in fields such as psychology or educational sciences [2], however, other information visualization projects in the context of finances [12] or medicine [13] can also be considered analogous to the academic context being also good references for the development of the proposed solution. Fig. 2 shows some of the academic data exploration applications analysed before starting the development of FICAvis. ...
Conference Paper
Full-text available
The FICA project-Tools for Identifying and Combating Dropout-started at the University of Aveiro in 2015 with the aim to help reduce and prevent dropouts and increase academic success among university students. Within the project a signicant amount of data is provided to different University stakeholders to monitor academic issues; however, these data are currently provided in tables, a format difficult to analyze. In this paper, we present the main aspects of the data, the users and contexts of use. We also propose an approach to allow the visual and interactive exploration of the FICA project data to help monitor the path of the students and identify risk indicators and failure factors that can lead to critical situations such as dropout. A solution developed using the participatory design methodology is presented, detailing all stages of its creation process, from the requirements elicitation based on focus groups and interviews, design and prototype development in Power BI to its evaluation. Some suggestions for future work are also presented.
... Pela análise individual de cada uma das dimensões tratada nas tabelas (52,53,54,55,56,57) e quadros (56,57,58,59, 60 e 61), temos: 81% dos estudantes demonstraram um posicionamento negativo de "discordância" em relação a permanecem no curso por causa da "diversidade das actividades extra-curriculares oferecidas pela instituição", contra 32,5% dos estudantes que concordam; 48,7% dos estudantes demonstraram um posicionamento negativo de "discordância" em relação a permanecem no curso por causa do "currículo do curso", contra 33,8% dos estudantes com um posicionamento positivo de "concordância"; 40% dos estudantes demonstraram um posicionamento negativo de "discordância" em relação a permanecem no curso por causa de "eventos sociais oferecidos pela instituição" contra 37% dos estudantes que concordam; ...
... Pela análise individual de cada uma das dimensões tratada nas tabelas (52,53,54,55,56,57) e quadros (56,57,58,59, 60 e 61), temos: 81% dos estudantes demonstraram um posicionamento negativo de "discordância" em relação a permanecem no curso por causa da "diversidade das actividades extra-curriculares oferecidas pela instituição", contra 32,5% dos estudantes que concordam; 48,7% dos estudantes demonstraram um posicionamento negativo de "discordância" em relação a permanecem no curso por causa do "currículo do curso", contra 33,8% dos estudantes com um posicionamento positivo de "concordância"; 40% dos estudantes demonstraram um posicionamento negativo de "discordância" em relação a permanecem no curso por causa de "eventos sociais oferecidos pela instituição" contra 37% dos estudantes que concordam; ...
... STUDENTS' LACK OF MOTIVATION and engagement is one of the major issues in education worldwide (2). Araújo et al. (4) observed a significant reduction in learning motivation levels between students of the second and eighth semesters of an undergraduate course in Psychology. ...
... Although it has been reported that educational games had a positive impact on the teaching-learning process (27,32,37), Abdulmajed et al. (1) showed that the methodologies used were not totally reliable for measuring the level of learning. Flaws in the study design, game descriptions, sample sizes, variability of students and teachers, and in the assessment tool are examples of fails indicated by different authors (1)(2)(3). Therefore, it is important to improve the studies to investigate the effect of educational games on student learning. ...
Article
Full-text available
The aim of this study was to evaluate the effect of an educational game that is used for teaching the mechanisms of the action potentials in cell membranes. The game was composed of pieces representing the intracellular and extracellular environments, ions, ion channels, and the Na(+)-K(+)-ATPase pump. During the game activity, the students arranged the pieces to demonstrate how the ions move through the membrane in a resting state and during an action potential, linking the ion movement with a graph of the action potential. To test the effect of the game activity on student understanding, first-year dental students were given the game to play at different times in a series of classes teaching resting membrane potential and action potentials. In all experiments, students who played the game performed better in assessments. According to 98% of the students, the game supported the learning process. The data confirm the students' perception, indicating that the educational game improved their understanding about action potentials.
... The student who chooses a nursing graduation for personal reason establishes an objective to be reached, knows the importance and the value of the training, also needs support from the environment and context, contributing to a higher level of wellness and satisfaction, in a positive motivation atmosphere. Regarding higher education, research suggests students in a course that was not their first option remained because they were satisfied with the quality of the institution's organization, with the involvement of professors and with the practical components of the course (Albuquerque, 2008). The impairment of the student's reflection considering the process of choosing nursing as a professional option can collaborate in generating a posture of disinterest and demotivation, since the student would be studying a subject that does not contribute to the promotion of their expectations that could be enhanced with a greater integration of the individual, due to the possibility of choosing his path for development. ...
... They emphasized that the permanence is linked to the service received and the relationships experienced by the student, that is, building strong relationships leads to loyalty (Schlesinger et al., 2017). In addition to individual aspects, evasion can be related to academic management, curricular issues, and the prestige of the organization (Albuquerque, 2008;Aypay & Boyaci, 2012). For first-year students, the route to improving retention rates lies in increasing student learning skills and academic efficacy (Ryan & Glenn, 2002 in public, and 26% in private schools. ...
Article
Students’ desertions can be a threat to the proper functioning and management of a Higher Educational Institution. Based on the theoretical model named the Relationship Quality-based Student Loyalty that combines relationship marketing to educational studies retention constructs, the main objective of this study is the evaluation of the Relationship Quality-based Student Loyalty constructs in a Brazilian Higher Educational Institution reality and the identification of significant differences when evaded and nonevaded students groups are compared. A survey was carried out with 314 undergraduate students along with their secondary data. Data analysis was performed using Partial Least Square technique to test the model validity, Partial Least Square–Multiple Group Analysis to compare groups, and Mann–Whitney U test to identify significant differences in the parameters. Six of the eight hypotheses were entirely or partially confirmed. Those results can help educational managers to adopt a different positioning about student retention factors, in attempt to improve commitment and perceived quality.
... Ademais, foi analisada a evasão no primeiro ano dos cursos a fim de caracterizar a questão da ocupação das vagas. Optou-se em estudar o primeiro ano dos cursos, pois segundo Albuquerque (2008), o insucesso acadêmico, as desistências e a aparente desmotivação de muitos estudantes são resultados do primeiro ano de ensino superior e, em decorrência disso, caracteriza-se o mesmo como sendo o mais problemático para a maioria dos discentes e docentes. ...
Article
Este estudo objetivou de analisar os fatores que influenciam a evasão em uma instituição de ensino superior (IES) privada do município de Blumenau. Caracteriza-se como uma pesquisa quantitativa descritiva com perspectiva longitudinal, por meio de levantamento de dados primários, com questionário de perguntas fechadas a alunos já evadidos. Os dados foram coletados de 137 alunos evadidos, em dois períodos, entre os anos de 2014 e 2015, os quais foram mensurados por meio da escala Likert de 1 a 5 e analisados por meio da correlação parcial. Destacam-se como principais resultados, em ordem decrescente conforme força de influência a evasão, os fatores internos à IES, após os fatores individuais do estudante e posteriormente os fatores externos à IES. Notou-se ainda que, a IES necessita criar estratégias para melhorar o condicionamento dos profissionais que estão diretamente ligados a “qualidade dos cursos em geral”, e mais especificamente “qualidade dos professores”, a fim de buscar maior índice de “lealdade” dos alunos.
Article
Full-text available
Background: School dropout is a problem education systems struggle with, which disputes the quality of the educational institution and the education system itself. Objectives: To adapt and validate the psychometric qualities of the Reasons for Higher Education Dropout Scale for Portuguese higher education students. Methodology: Quantitative, transversal, descriptive, and correlational study. A sociodemographic characterization questionnaire and the Reasons for Higher Education Dropout Scale were applied to a sample of 891 students, mostly female (68.2%), with a mean age of 19.68 years. Exploratory and confirmatory factor analysis was used. Results: The scale, consisted of 30 items, is organized into 4 dimensions: Organizational; Life management; Professional; and Relational. It presents an explained variance of 46.5% and a Cronbach's alpha of 0.959. Conclusion: The results support the psychometric adequacy of the scale for the Portuguese population and indicate that it can be used in future studies in this area and allow the implementation of measures to prevent dropout.
Article
Full-text available
Num compromisso entre as abordagens desenvolvimentistas e contextuais (teorias de impacto) na adaptação, desenvolvimento psicossocial e rendimento académico dos estudantes universitários, os autores analisam as vivências de uma amostra de estudantes da Universidade do Minho (N=1273), a partir do Questionário de Vivências Académicas (QVA; Almeida & Ferreira, 1997), organizado em 17 subescalas que procuram avaliar dimensões pessoais, interpessoais e contextuais da adaptação e do sucesso académico. Os resultados sugerem algumas oscilações nas médias obtidas quando tomamos os estudantes da amostra em função do género, da situação de estudante e do curso frequentado, o que poderá vir a ser enquadrado nas políticas e práticas universitárias, tendo em vista a promoção do sucesso académico não circunscrito ao rendimento escolar obtido.
Article
Partindo de uma amostra de 456 alunos do primeiro ano da Universidade do Minho, analisam-se as dimensões da adaptação académica e o seu possível impacto no rendimento escolar dos estudantes. Os dados referentes à adaptação foram obtidos através da administração do Questionário de Vivências Académicas - QVA (Almeida & Ferreira, 1997), agrupando-se neste estudo as 17 subescalas do QVA nas dimensões pessoal, de realização académica e institucional. Para efeitos de avaliação do rendimento escolar foram recolhidos alguns indicadores referentes às avaliações destes alunos ao longo do ano lectivo de 1998/1999. Os resultados apontam para uma correlação com significado estatístico entre a dimensão de realização da adaptação académica e os indicadores de rendimento tomados. O rendimento académico foi explicado entre 16% a 30% pelas subescalas do QVA. Tendencialmente as variáveis mais decisivas para o rendimento académico foram as respeitantes aos métodos de estudo, às bases de conhecimentos, à percepção de competências cognitivas e à adaptação ao curso.
Article
A five-scale instrument developed from a theoretical model of college attrition correctly identified the persistence/voluntary withdrawal decisions of 78.5 percent of a sample of freshmen in a large, residential university. Particularly important discriminators of freshman year persisters and voluntary dropouts were scales assessing the quality of relationships with faculty.
Article
The dimensions and consequences of college student attrition and features of institutional action to deal with attrition are discussed. Patterns of student departure from individual colleges as opposed to permanent college withdrawal are addressed. After synthesizing the research on multiple causes of student leaving, a theory of student departure from college is presented based on the work of Emile Durkheim and Arnold Van Gennep. The theory proposes that student departure may serve as a barometer of the social and intellectual health of college life as much as of the students' experiences at the college. The quality of faculty-student interaction and the student's integration into the school are central factors in student attrition. Attention is directed to features of retention programs, including the time of college actions and variations in policy necessary for different types of students and colleges. It is suggested that effective retention lies in the college's commitment to students. The content, structure, and evaluation methods for assessment of student retention and departure are considered, along with the use of assessment information for developing effective retention programs. (SW)
Article
Presents responses of Arthur W. Chickering to a series of questions about his publication "Education and Identity." Chickering reflects on his original and current thoughts and feelings about the book and the role of student affairs and higher education in student development. (JAC)
Article
The programs and services colleges and universities must implement to effectively meet the needs of adult students are described in the following chapters: (1) "Applying New Perspectives to Educating Adults"; (2) "Understanding Adults' Life and Learning Transitions"; (3) "Moving In: Adults' Needs on Entering Higher Education"; (4) "Designing Entering Programs for Adults"; (5) "Moving Through: Learners' Concerns in Managing Personal and Academic Lives"; (6) "Creating Programs to Foster Educational Progress"; (7) "Moving On: Challenges Adults Face in Developing New Life and Work Roles"; (8) "Providing Culminating Programs for Adults"; (9) "Payoffs to Learners from Improved Educational Support"; (10) "How Institutions Benefit from Supporting Adult Learners"; and (11) "Changing the Educational Environment for Adults: Advice to Academic Leaders." An epilogue provides a summary and description of a model for supporting adult learners. An index is provided. Contains 174 references. (KM)