BookPDF Available

A natureza imaterial do homem: estudo comparativo do vitalismo homeopático com as principais concepções médicas e filosóficas [The immaterial nature of man: comparative study of homeopathic vitalism with mainly medical and philosophical conceptions]

Authors:
  • School of Medicine University of Sao Paulo

Abstract

Além da materialidade grosseira do corpo físico, sempre se acreditou na existência de uma natureza imaterial do homem, assumindo várias conotações ao longo das diversas civilizações humanas. Em todas as filosofias e religiões, termos como alma, espírito, mente, força vital, etc. são citados, representando uma entidade energética-espiritual com ascendência sobre a entidade orgânica-material. Além disso, atribui-se ao espírito (alma) uma natureza eterna, imortal, ao contrário da existência limitada e passageira do corpo material. Até o século XIX, existia na medicina a noção de uma força vital responsável pela manutenção do equilíbrio das funções orgânicas e da saúde, sendo substituída, no século XX, pelos princípios cartesianos que localizaram a causa das doenças nos órgãos, nos tecidos e nas células. Dentre as especialidades médicas atuais, a homeopatia apresenta em seu corpo doutrinário a noção de que o binômio saúde-doença se fundamenta num substrato material-energético (força vital, princípio vital). Apesar de utilizar esse conceito filosófico para explicar a gênese profunda das enfermidades, apresenta um modelo terapêutico fundamentado pelos conhecimentos experimentais e científicos da medicina moderna. Nessa obra, buscamos estudar comparativamente as diversas escolas médicas e filosóficas que valorizam os veículos sutis de manifestação da individualidade humana, evidenciando, através das semelhanças conceituais encontradas, que este conhecimento espiritualista provém de uma fonte primordial comum, que remonta ao início da humanidade terrena. Através das inúmeras citações e referências bibliográficas, o leitor poderá se aprofundar no estudo desta natureza imaterial humana, não alimentando esse trabalho qualquer pretensão de esgotar um assunto de tamanha complexidade e importância para o entendimento do homem e de seu papel no atual ciclo de evolução terrena. Principais tópicos: A natureza imaterial do homem ao longo da história da medicina. A natureza imaterial do homem segundo a homeopatia: concepção vitalista de Samuel Hahnemann. O princípio vital homeopático perante a fisiologia humana. A natureza imaterial do homem segundo a medicina tradicional chinesa (acupuntura). A natureza imaterial do homem segundo a medicina âyurveda e a filosofia hindu-tibetana. A natureza imaterial do homem segundo a concepção rosacruz. A natureza imaterial do homem segundo a medicina antroposófica. A natureza imaterial do homem segundo a cabala hebraica. A natureza imaterial do homem segundo a doutrina espírita. Available at: http://www.homeozulian.med.br/homeozulian_visualizarlivroautor.asp?id=4
A preview of the PDF is not available
... The homeopathic vitalism presents a set of aspects that is similar to that of other medical and philosophical concepts. [1][2][3][4][5] In homeopathic miasmatic theory, which addresses the nature of chronic diseases, Hahnemann adds the existence of three chronic miasms (psora, sycosis, and syphillis) of dynamic nature to their etio-pathogenesis (causam morborum chronicum), by attributing them the prerogative of being the main obstacle to the action of correctly prescribed homeopathic medicines, thus preventing the curative vital reaction from occurring. 6 Studies conducted on complex and dynamic self-organisation systems, which were employed in biomedicine to broaden the understanding of homeostatic physiological mechanisms, can be used in homeopathy to justify the modus operandi of the vital principle, since both phenomena present similar properties (non-linearity, self-organisation and dynamism, among others). ...
... In addition to the spirit, Hahnemann adds to the human non-material nature the mind or psyche, 'invisible subtle organ of the mind' or 'almost non-material, mental, and emotional organs', entities that are responsible for mental and psychic manifestations (thoughts, emotions, and feelings), which influence the vital force, physical body, and health (Organon, paragraphs 215, 216): 1 hence the relevance that is attributed to mental and psychic aspects in the etiopathogenesis of diseases (Organon, paragraph 213). 1 In short, we observe in the homeopathic vitalist concept a hierarchy of mutual influences among the several instances, in which the spirit manifests its potential by means of thoughts, emotions, and feelings that emanate from the mind (psyche), acting on the organic vital force and, consequently, on the health-disease process. [2][3][4][5] However, since Hahnemann did not probe the essence of this organic vital force or how it causes diseases, he prepared an experimental treatment model based on the symptomatic externalisation of the vital disturbance. ...
... This emerging phenomenon (vortex) corresponds to the concept of force centres or chakras ('wheels' in Sanskrit) from Traditional Hindu Medicine, according to which energy vortices that are spread across the body's surface vibrate continuously and distribute vital energy or prana to the physiological systems and body components. [3][4][5]17 According to Traditional Chinese Medicine, similar definitions and properties are attributed to the energy meridians and their respective acupoints. [3][4][5]18 It is worth pointing out that both medical practices also present the properties of complex systems, by grounding their vitalist therapeutic approaches on the intricate network of connections comprising the force centres and energy meridians respectively. ...
Article
Full-text available
Introduction: In homeopathic philosophy, vital force is a non-material substrate that is responsible for maintaining the body’s sensations and functions and where homeopathic medicines act. In genetics, the body’s vital functions are controlled by biochemical information, which is contained in the cell genome and consists of a protein encoding portion (exome) and another that regulates this encoding scheme (epigenome). Both the philosophical vital force and the genome present properties of complex and dynamic self-organisation systems. Aims: This study aimed to explore and develop a philosophical-scientific correlation between vitalism and genetics according to the complexity paradigm. Results: Vital principle and genome present inseparable composition among distinct existing components that influence one another and form a network of connections that create complex and dynamic self-organisation behaviour. Described in both models, ‘vortex’ indicates the existence of a force coming from within the system that is externalised as an emergent, information-transmitting phenomenon. Supporting this correlation, some experimental studies show that homeopathic medicines act on the genome by modulating gene expression. Conclusions: In line with the similarity of existing characteristics and properties, the genome may be considered as hypothetical biological substrate of organic vital force.
... Nessa mente teríamos a base da vida psíquica, possibilitando que o espírito racional interaja com a força vital e o corpo físico através do psiquismo (pensamentos e sentimentos). Daí a grande relevância dada por Hahnemann aos aspectos psicoemocionais na gênese do adoecimento humano e ao caminho da moral como o mais elevado objeto da vida, pois aproxima o homem ao Criador através de "sensações que asseguram tua felicidade, de ações que exaltam tua dignidade e de conhecimentos que abraçam o universo" [9][10][11][12][13] . ...
... Representada em seu modus operandi pelas respostas de manutenção da homeostase orgânica frente aos diversos estímulos, a reação vital homeopática é descrita na resposta integrativa dos sistemas fisiológicos estudada pela Fisiologia moderna 11 . ...
... Principal difusora da meta-antropologia ou antropologia espiritual hindu-tibetana-egípcia, Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891) viajou pela Índia, pelo Tibete e pelo Egito estudando as concepções filosóficas matrizes desses povos, sintetizando esse conteúdo doutrinário em sua obra A Doutrina Secreta 29 , compêndio de conhecimentos iniciáticos dessas culturas orientais que fundamenta ou permeia outras concepções filosóficas ocidentais (Teosofia, Rosacruz, Antroposofia e Maçonaria, dentre outras) 11 . ...
Article
Full-text available
Antropologia é a ciência que tem como objetivo estudar o homem em sua pluralidade de modos de vida e de pensamento, incorporando os diversos aspectos da individualidade às suas modalidades de estudo (biológica, social, cultural e filosófica). Por sua vez, a Antropologia Médica estuda os fatores que influenciam o processo saúde-doença, incluindo os aspectos biossocioculturais e os variados sistemas de saúde. Seguindo o objetivo intrínseco de estudar o homem em sua pluralidade, a Antropologia Médica Vitalista fornece subsídios filosóficos para uma ampliação do entendimento do processo de adoecimento, analisando o mecanismo saúde-doença em conformidade com a estrutura ontológica humana. Fundamentando o diagnóstico e o tratamento das doenças em diversas racionalidades médicas não convencionais (Medicina Tradicional Chinesa, Medicina Tradicional Indiana, Medicina Homeopática e Medicina Antroposófica), a concepção vitalista é uma doutrina filosófica que considera a existência de uma força (princípio) vital responsável pela manutenção da saúde e da vida, unida substancialmente ao corpo físico. Além disso, valorizando a interação de outras instâncias superiores da individualidade humana (mente, alma e espírito) no equilíbrio fisiológico-vital, a concepção vitalista inclui a influência dos pensamentos, sentimentos e emoções na etiopatogenia e na evolução das doenças, aspectos difundidos pela dinâmica psicossomática moderna e pelo recente campo de pesquisas que relaciona a saúde à espiritualidade.
Article
Full-text available
Background: Philosophical–scientific correlations described in previous studies suggest that the genome can be the biological representation of the vital force, whilst the disease-promoting epigenetic alterations would be the biological representation of the chronic miasmas. In this study, we expand the functional correlation between vital force and chromosomes, describing the mechanism of action of the telomere–telomerase complex in the context of physiological balance. Aims: The aim of the work is to study the role of the telomere–telomerase complex in cell vitality, biological aging, and the health-disease process, with the goal of proposing the use of telomere length as a biomarker of the vital force state and the effectiveness of homeopathic treatment. Results: Similar to the vital force, telomere length and telomerase enzyme activity play an important role in maintaining cellular vitality, biological longevity, and physiological homeostasis. Telomere shortening functions as a biomarker of vital imbalance and is associated with numerous diseases and health disorders. On the other hand, health-promotion practices neutralize the pathological shortening of the telomeres, acting therapeutically in diseases or age-dependent health disorders. Conclusions: As a hypothetical biomarker of the vital force state, an intra-individual analysis of the mean leukocyte telomere length before, during, and after homeopathic treatment can be used as a biomarker of therapeutic effectiveness.
Article
Full-text available
Introduction: Since the beginnings of mankind, all populations have valued the correlation between health and the binomial spirituality-religiosity (S/R), although they have been separated in modern medical practice. In recent decades, there has been an increase in studies and researches that endorse the need to reconsider this integrative approach, with evident increase in health care. Objective: The article emphasizes the importance and necessity of teaching, research and assistance in medical education. Method: Narrative review of the literature conducted in 2018 from the publications in MEDLINE (via PubMed) and LILACS (via VHL) databases. Results: Describing the panorama of the studies that demonstrate the positive effects of the spiritual and religious practices on the physical and mental health of the individuals, this review evidences that its incorporation to the other therapies can increase the coping and the clinical evolution in numerous diseases. Conclusion: However, appropriately designed research should be conducted to differentiate the specific therapeutic effect of spiritual and religious interventions from the non-specific therapeutic effect or placebo effect that spiritual and religious symbolism arouses in the patients’ psyche.
Article
Full-text available
Introdução: Desde os primórdios da humanidade, todas as populações valorizam a correlação entre a saúde e o binômio espiritualidade-religiosidade (E/R), embora tenham sido separados na prática médica moderna. Nas últimas décadas, têm-se observado um incremento de estudos e pesquisas que endossam a necessidade de se reconsiderar essa abordagem integrativa, com evidente incremento na atenção à saúde. Objetivo: O artigo ressalta a importância e a necessidade do ensino, da pesquisa e da assistência da interconexão entre saúde, espiritualidade e religiosidade na educação médica. Método: Revisão narrativa da literatura realizada em 2018 a partir das publicações existentes nas bases de dados MEDLINE (via PubMed) e LILACS (via BVS). Resultados: Descrevendo o panorama dos estudos que demonstram os efeitos positivos das práticas espirituais e religiosas na saúde física e mental dos indivíduos, o artigo evidencia que sua incorporação às demais terapias poderia incrementar o enfrentamento e a evolução clínica em inúmeras doenças. Conclusão: No entanto, pesquisas com desenhos apropriados devem ser realizadas para diferenciar o efeito terapêutico específico das intervenções espirituais e religiosas do efeito terapêutico não específico ou efeito placebo que o simbolismo espiritual e religioso desperta no psiquismo dos pacientes.
ResearchGate has not been able to resolve any references for this publication.