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AVALIAÇÃO DE SIMETRIA POR COMPARAÇÃO DE TREINOS DE EMPARELHAMENTO AO MODELO SUCESSIVO (GO/NO-GO)

Authors:

Abstract

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Teoria e Pesquisa do Comportamento como um dos requisitos para obtenção do título de mestre em teoria e pesquisa do comportamento, sob orientação do prof. Dr. Romariz da Silva Barros. Trabalho parcialmente financiado pela CAPES (Bolsa de Mestrado ao primeiro autor), pelo CNPq (Bolsa de Iniciação Científica a colaboradores e Bolsa de Produtividade nível 2 para o orientador) e INCT-ECCE.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ
NÚCLEO DE TEORIA E PESQUISA DO COMPORTAMENTO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM TEORIA E PESQUISA DO
COMPORTAMENTO
AVALIAÇÃO DE SIMETRIA POR COMPARAÇÃO DE TREINOS DE
EMPARELHAMENTO AO MODELO SUCESSIVO (GO/NO-GO)
CARLOS RAFAEL FERNANDES PICANÇO
Belém
Setembro/2013
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ
NÚCLEO DE TEORIA E PESQUISA DO COMPORTAMENTO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM TEORIA E PESQUISA DO
COMPORTAMENTO
AVALIAÇÃO DE SIMETRIA POR COMPARAÇÃO DE TREINOS DE
EMPARELHAMENTO AO MODELO SUCESSIVO (GO/NO-GO)
CARLOS RAFAEL FERNANDES PICANÇO
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-
Graduação em Teoria e Pesquisa do
Comportamento como requisito parcial para
obtenção do título de mestre em teoria e
pesquisa do comportamento, sob orientação
do prof. Dr. Romariz da Silva Barros.
Trabalho parcialmente financiado pela CAPES (Bolsa de Mestrado ao primeiro autor), pelo
CNPq (Bolsa de Iniciação Científica a colaboradores e Bolsa de Produtividade nível 2 para o
orientador) e INCT-ECCE.
Belém
Setembro/2013
v
SUMÁRIO
LISTA DE FIGURAS ................................................................................................................ v
LISTA DE ANEXOS ............................................................................................................... vii
RESUMO ............................................................................................................................... viii
ABSTRACT .............................................................................................................................. ix
INTRODUÇÃO ....................................................................................................................... 10
MÉTODO ................................................................................................................................ 18
Sujeitos ................................................................................................................................. 18
Equipamento ......................................................................................................................... 19
Estímulos .............................................................................................................................. 19
Procedimento ........................................................................................................................ 19
Análise de Dados .................................................................................................................. 23
RESULTADOS........................................................................................................................ 24
Negão .................................................................................................................................... 27
Bongo.................................................................................................................................... 29
ET ......................................................................................................................................... 30
Adam .................................................................................................................................... 31
Tempo de exposição ao modelo ........................................................................................... 31
A resposta no-go ................................................................................................................... 35
DISCUSSÃO ........................................................................................................................... 36
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 40
ANEXOS ................................................................................................................................. 44
vi
LISTA DE FIGURAS
Figura 1. Pares de estímulo (modelo-comparação) positivos (+) e negativos (-) nas
condições simétrica (A’, A’’) e não simétrica (B’, B’’). ........................................... 20
Figura 2. Fluxograma das contingências programadas para cada tentativa. ............................ 21
Figura 3. Média dos índices discriminativos para os sujeitos Negão e Bongo em
cada condição de treino (A’, B’, A’’ e B’’, para Negão e A’, B’ para
Bongo). Pontos preenchidos de preto demarcam índices maiores ou iguais
a .85, de cinza, índices maiores ou iguais a .75 e de branco, índices
menores do que .75. A exigência para a produção de pelotas foi aumentada
de FR 3 para FR 5 na sessão 71, quando a sessão ocorria. ........................................ 25
Figura 4. Média das porcentagens de acerto de Negão ao longo das sessões de todo
o estudo. Pontos preenchidos de preto demarcam porcentagens maiores ou
iguais a 85%, de cinza, maiores ou iguais a 75% e de branco, menores do
que 75%. As porcentagens de acerto foram analisadas post facto. ........................... 27
Figura 5. Média das porcentagens de acerto de Bongo ao longo das sessões de todo
o estudo. A exigência de respostas para a produção de pelotas foi
aumentada de FR 3 para FR 6 a partir da trigésima sessão na condição A’’
(indicada pela linha pontilhada vertical) e de FR 3 para FR 5 na sessão 71,
quando a sessão ocorria. ............................................................................................ 28
Figura 6. Média dos índices discriminativos e porcentagens de acerto para ET ao
longo das sessões do estudo. Pontos preenchidos de branco demarcam
porcentagens menores do que 75%. As porcentagens de acerto foram
analisadas post facto. ................................................................................................. 29
Figura 7. Média dos índices discriminativos e porcentagens de acerto para Adam ao
longo das sessões do estudo. Pontos preenchidos de branco demarcam
porcentagens do que 75%. As porcentagens de acerto foram analisadas
post facto. ................................................................................................................... 30
Figura 8. Tempo de exposição ao modelo (segundos) mostrado na porção inferior
da figura. Porcentagem de outliers a partir de 60 segundos de exposição
mostrada na porção superior. Legenda: AD= Adam; BG=Bongo;
NG=Negão. ................................................................................................................ 32
Figura 9. Tempo entre a primeira e última resposta ao modelo (segundos) e taxa
resultante (respostas/segundo) mostrado na porção inferior da figura.
Porcentagem de outliers a partir de 6 segundos de exposição mostrada na
porção superior. Legenda: AD= Adam; BG=Bongo; NG=Negão. ........................... 33
Figura 10. Bongo, toques à tela do monitor (resolução 1024px 764px) durante a
apresentação de tentativas positivas (go) e negativas (no-go), ao longo de
todo o estudo. Pontos pretos ilustram toques que ocorreram durante o
tempo de exposição de uma comparação ou modelo, pontos vermelhos,
durante o atraso (0,5 s) do modelo. ............................................................................ 34
vii
Figura 11. Relações condicionais planejadas, simétricas (esquerda) e não simétricas
(direita), em função das consequências planejadas para o go e no-go
(centro). ...................................................................................................................... 36
viii
LISTA DE ANEXOS
Anexo 1. Consumo aproximado de pelotas (em gramas) pelos sujeitos. 43
Anexo 2. Taxa de respostas (respostas/segundo) de Negão ao modelo e comparação
positivos e negativos ao longo de todo o estudo.. 44
Anexo 3. Relação entre taxa de respostas às comparações (Respostas/segundo e
Respostas/Tentativa) com o índice discriminativo e a porcentagem de
acertos resultante. 45
ix
Picanço, C. R. F. (2013). Avaliação de simetria por comparação de treinos de
emparelhamento ao modelo sucessivo (go/no-go). Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-
Graduação em Teoria e Pesquisa do Comportamento, Universidade Federal do Pará. Belém,
PA.
RESUMO
O emparelhamento ao modelo sucessivo (go/no-go) tem sido apontado recentemente como
um procedimento eficaz para reduzir digressões de controle de estímulos no treino de
relações condicionais com não humanos. Outros estudos sugerem a comparação entre curvas
de aprendizagem de discriminações condicionais (simétricas e não simétricas) como um
delineamento para avaliar propriedades de relações de equivalência. O objetivo deste estudo
foi avaliar o potencial do uso desses procedimentos combinados na avaliação da propriedade
de simetria com quatro macacos-prego (Sapajus spp.). A apresentação dos estímulos, a
ativação de dispositivos e o registro das respostas foram automaticamente controlados por um
software. Os animais foram mantidos em condições aprovadas pelo IBAMA. Por meio de um
delineamento ‘ABAB’, com cada sujeito como seu próprio controle, foi comparado o treino
de tarefas de emparelhamento ao modelo com relações simétricas (A) com o treino de tarefas
não simétricas (B). Tanto na condição A quanto na condição B, relações condicionais A-B e
B-A foram treinadas simultaneamente de tal forma que, a cada condição, quatro novas tarefas
de emparelhamento ao modelo (com novos estímulos arbitrariamente relacionados) eram
apresentadas. Quando simétricas, se as relações positivas fossem A1-B1, A2-B2, B1-A1 e
B2-A2, as negativas eram A1-B2, A2-B1, B1-A2 e B2-A1. Quando não simétricas, se as
relações positivas fossem A1-B1, A2-B2, B1-A2 e B2-A1, as negativas eram A1-B2, A2-B1,
B1-A1 e B2-A2. Dois dos quatro sujeitos (Negão e Bongo) completaram a aquisição de um
(Bongo) ou dois (Negão) conjuntos de relações (Condições A-simétrica e B-não simétrica)
que permite avaliar a viabilidade do procedimento para verificar a propriedade de simetria.
Os dados demonstram que a metodologia aqui empregada detectou a existência da
propriedade de simetria nas relações condicionais aprendidas por Negão e sua ausência nas
relações aprendidas por Bongo. Os dados são inconclusivos para ou outros dois sujeitos. Uma
análise detalhada do desempenho de casa sujeito e suas medidas é apresentada.
Palavras-chave: classes de equivalência, go/no-go, Sapajus spp.
x
Picanço, C. R. F. (2013). Symmetry evaluation by comparing successive (go/no-go) matching
to sample training. Master Thesis. Programa de Pós-graduação em Teoria e Pesquisa do
Comportamento, Universidade Federal do Pará. Belém, PA.
ABSTRACT
Successive matching-to-sample (go/no-go) has been pointed out as an effective procedure to
reduce stimulus control digressions in conditional relation training with non-humans. Other
studies suggest the comparison between (symmetrical and non symetrical) conditional
discrimination acquisition curves as a way to evaluate properties of equivalence relations.
This study aimed to evaluate the potential of using both procedures above mentioned in
evaluating the property of symmetry in four capuchin monkeys (Sapajus spp). Stimulus
presentation, activation of devices, and response recording were automatically controlled by
software. Subjects were maintained under conditions approved by IBAMA. By mean of an
“ABAB” single subject design, the acquisition of symmetrical (A) and non-symmetrical (B)
conditional discriminations were compared. In both Condition A and B, conditional relations
A-B and B-A were simultaneously trained so that in every condition, four new arbitrary
conditional discriminations (with new stimuli arbitrarily related) were presented. When
symmetrical, positive combinations were A1-B1, A2-B2, B1-A1, and B2-A2, and negative
combinations were A1-B2, A2-B1, B1-A2 and B2-A1. When non-symmetrical, positive
combinations were A1-B1, A2-B2, B1-A2, and B2-A1, and negative combinations were
A1-B2, A2-B1, B1-A1 e B2-A2. Two of the four subjects (Negão e Bongo) completed que
acquisition of one (Bongo) or two (Negão) sets of conditional relations (Conditions A-
symmetrical and B-non-symmetrical) for the evaluation of the viability of the procedure to
verify the property of symmetry. Data demonstrate that the method here reported detected the
presence of the property of symmetry in the conditional relations leraned by Negão and its
absence in the conditional relations learned by Bongo. Data are inconclusive for the other two
subjects. One detailed analysis of the performance of each subject and its measures is also
presented.
Key-words: equivalence classes, go/no-go, Sapajus spp.
11
INTRODUÇÃO
A análise experimental do comportamento apresenta uma extensa literatura
(Jutsumori, 2004; Tonneau, 2001) sobre a formação de classes de equivalência inspirada pelo
modelo metodológico proposto por Sidman e Tailby (1982). Embora esse modelo não esteja
restrito ao emparelhamento ao modelo (como enfatizado por Sidman, 2000), esse tem sido
um procedimento frequentemente utilizado para o estabelecimento de discriminações
condicionais (Jutsumori, 2004; Tonneau, 2001). O rótulo “emparelhamento ao modelo”
(matching-to-sample) designa, entretanto, diferentes procedimentos arranjados para
o estabelecimento de discriminações condicionais entre modelos e comparações.
A seguir, propõe-se um sistema de categorias para esses procedimentos que diferencia
a forma de apresentação do par modelo-comparação (simultâneo, com atraso t) e o número de
estímulos de comparação utilizado (sucessivo, múltiplo n escolhas).
Emparelhamento ao modelo refere-se à apresentação de um estímulo modelo
deixando o sujeito em uma situação na qual uma resposta de observação ao operando
associado ao modelo produz um intervalo t (igual ou maior do que zero) e a apresentação de
um número n (igual ou maior do que 1) de estímulos de comparação. Consequências podem
ser programadas para um tempo decorrido sem respostas ao operando associado ao modelo.
Consequências podem ser programadas para respostas (ou tempo decorrido sem respostas) ao
operando associado a cada comparação.
O termo simultâneo refere-se ao procedimento no qual o modelo permanece sendo
apresentado após a resposta de observação ao operando. um intervalo (frequentemente 0)
entre a apresentação de um certo número de comparações e a resposta de observação.
A especificação ‘com atraso t’ refere-se ao procedimento no qual o modelo é retirado e não é
reapresentado após a resposta de observação ao operando associado. um atraso entre a
12
resposta de observação ao modelo e a apresentação das comparações e, neste caso, o valor do
atraso t compõe o nome do procedimento (ex. atraso 0).
O procedimento sucessivo restringe o número de comparações para n = 1. Quando um
único operando é associado à comparação, programa-se uma consequência para respostas
(go) e outra para o tempo decorrido sem respostas (no-go) ao operando. Quando dois
operandos são associados à comparação, programam-se consequências diferenciais para as
respostas a cada um deles (ex. go-left, go-right). O procedimento múltiplo n escolhas
restringe o número de comparações para maior do que 1. O número de comparações compõe
o nome do procedimento (ex. múltiplo 3 escolhas). Tradicionalmente, o conjunto de
operandos das comparações é programado de maneira concorrente, de tal forma que o
cumprimento do esquema de respostas de um operando impede o cumprimento do esquema
de respostas de outros.
Note que as categorias ‘simultâneo’ e ‘com atraso t’ são excludentes entre si, assim
como as categorias ‘sucessivo’ e ‘múltiplo’. É possível, entretanto, ter um procedimento
simultâneo e sucessivo, ou então, com atraso e múltiplo.
É importante notar que a modalidade dos estímulos utilizados (se visuais, auditivos,
etc.) limita sua forma de apresentação. No estudo de Sidman e Tailby (1982), por exemplo, o
emparelhamento ao modelo era simultâneo e múltiplo 3 escolhas quando modelo e
comparações eram visuais e quando modelo era auditivo e comparações eram visuais. Mas
quando um teste exigia a apresentação de um modelo visual e comparações auditivas (que
não podem ser apresentadas simultaneamente) os testes não eram realizados por meio de
emparelhamento ao modelo, mas por meio de nomeação oral (Oral naming, Sidman &
Tailby, 1982, pág. 14).
O modelo originalmente proposto por Sidman e Tailby (1982) sofreu mudanças
parcialmente sistematizadas por Sidman (1994). Parte dessas mudanças foi orientada por
13
questões teóricas, com o objetivo de testar a validade de um modelo conceitual estabelecido
a priori, por exemplo, ao diferenciar os testes de simetria e transitividade, apresentando
treinos lineares ao invés de one-to-many ou many-to-one e ao propor a verificação da
reflexividade por meio de testes de identidade generalizada.
Outras mudanças pareceram ser orientadas sob controle dos desempenhos
efetivamente produzidos, como a) o uso de três ou mais comparações, orientado pela
constatação de que apenas duas comparações não eram suficientes para a seleção dos
desempenhos programados, pois múltiplas relações de controle de estímulo poderiam
coexistir (Johnson & Sidman, 1993; Sidman, 1980, 1987; mas ver Boelens, 2002, para uma
análise alternativa); b) o uso de testes com reforçamento, orientado pela constatação de que a
suspensão do reforçamento acarretava problemas para a manutenção dos desempenhos a
serem testados (Sidman, Rauzin, Lazar, Cunninghan, Tailby, & Carrigan, 1982;. ver também
Brino, Galvão & Barros, 2009);.c) a variação da posição dos estímulos de comparação
(Iversen, 1997; Iversen, Sidman, & Carrigan, 1986; Lionello & Urcuioli, 1998; 2002) e do
estímulo modelo (Galvão, Barros, Lima, Lavratti, Santos, Brino, Dube, McIlvane, 2005) com
o objetivo de evitar o controle não planejado por posição. Esse tipo de mudança pode
aumentar as chances de ocorrência de aprendizagem de forma econômica e coerente com o
planejamento.
Estudos sobre a formação de classes de equivalência com humanos sob a perspectiva
acima descrita apresentam frequentemente resultados positivos (ex. Barros, Lionello-DeNolf,
Dube, & McIlvane, 2006; Garotti & de Rose, 2007 Schenk, 1994; Sidman, 1990; Tomanari,
Sidman, Rubio, & Dube, 2006). Entretanto, com não humanos, não qualquer estudo com
evidências inequívocas de formação emergente de classes envolvendo todas as propriedades
definidoras do modelo formal.
14
Evidências menos expressivas (se comparadas aos estudos com humanos, entretanto
mais expressivas entre não humanos) foram obtidas ao longo de aproximadamente 10 anos de
pesquisa com Rio e Rocky (leões marinho, Kastak, Schusterman, & Kastak, 2001;
Schusterman e Kastak, 1993), com procedimentos manuais, apresentando tentativas de
emparelhamento ao modelo simultâneo múltiplo 2 escolhas. Houve evidências de simetria
emergente, mas com extenso treino de exemplares.
Estudos como Sweeney & Urcuioli (2010), Urcuioli (2011) seguem uma direção
alternativa ao modelo formal (no estudo da propriedade de reflexividade), assim como
estudos recentes, citados a seguir, que têm dado atenção particular às condições necessárias
para se documentar a propriedade de simetria em relações condicionais. Esses estudos podem
ser considerados como uma continuidade das mudanças orientadas sob controle dos
desempenhos, no sentido de aperfeiçoarem os procedimentos necessários ou suficientes para
a ocorrência dos desempenhos planejados para não humanos.
Yamamoto e Asano (1995) obtiveram evidências de simetria com um chimpanzé após
treino de exemplares com um procedimento manual no qual as comparações eram
apresentadas simultaneamente antes de um modelo. Em seguida, o modelo era utilizado como
operando para a escolha de uma comparação, em uma espécie de emparelhamento simultâneo
invertido, múltiplo 3 escolhas.
Manabe, Kawashima e Staddon (1995), com periquitos e um procedimento
automatizado (múltiplo 2 escolhas com atraso 0), também obtiveram evidências de simetria
(forma-vocalização após um treino vocalização-forma, Experimento 3). Após uma resposta
diferencial (vocalização, oral naming) exigida ao modelo, bicadas em uma de duas
comparações ocorriam, como um pareamento arbitrário cor-forma, no qual o operando para
as respostas ao modelo era o sistema vocal do sujeito. Em seguida, pareamentos por
identidade forma-forma eram apresentados e permitiram que as vocalizações ocorressem,
15
mesmo sem uma limitação explícita, após a apresentação das formas. Havia o encerramento
do modelo assim como a inibição da vocalização antes da apresentação de duas comparações
ao longo do treino cor-forma. Frisa-se que nesse estudo não houve a realização de testes para
a demonstração de simetria, inferida a partir da “transferência” da vocalição das cores para as
formas ao longo dos treinos de identidade.
García e Benjumea (2006) utilizaram um procedimento múltiplo 2 escolhas com
atraso 2 s (Experimento 1, delineamento de sujeito único) e, adicionalmente, um
procedimento sucessivo com atraso 2 s (Experimentos 2 e 3, com delineamento de grupo).
Utilizando testes na forma de sondas sem reforçamento, concluíram ser possível obter
simetria emergente quando o modelo era “o próprio comportamento do sujeito”, isto é, um
estímulo interoceptivo de orientação espacial (esquerda-direita).
Frank (2007) e Urcuioli (2008), tendo como referência o estudo de Frank
e Wasserman (2005), conduziram testes na forma de sondas sem reforço e concluíram que
um treino de identidade (envolvendo especificamente os estímulos de teste), concorrente ao
treino arbitrário, no contexto do procedimento de emparelhamento sucessivo, são condições
favoráveis para a ocorrência de simetria emergente. Os três estudos utilizaram pombos,
emparelhamento ao modelo sucessivo com atraso e procedimentos automatizados.
Velasco, Huziwara, Machado e Tomanari (2010), com pombos submetidos a
procedimentos automatizados, também obtiveram evidências de simetria emergente, mas
apresentando emparelhamento ao modelo múltiplo 2 escolhas com atraso 0 e treino de
exemplares. Foram conduzidos testes, na forma de sondas com reforço, que permitiram
comparar o desempenho dos sujeitos na aquisição de relações simétricas e não simétricas
concomitantes.
Foram comentados oito estudos que demonstraram evidências de simetria com não
humanos. Seis deles utilizaram procedimentos automatizados. Quatro utilizaram go/no-go
16
com atraso e procedimentos automatizados (Frank, 2007; Frank & Wasserman, 2005; García
& Benjumea, 2006; Urcuioli, 2008).
Ainda assim, evidências negativas são mais frequentes em estudos de simetria com
não humanos (Barros, Galvão, & Fontes, 1996; D’Amato, Salmon, Loukas, & Tomie, 1985;
Dugdale & Lowe, 2000; Gray, 1966; Dymond, Gomez-Martin, & Barnes, 1996; Hogan &
Zentall, 1977; Holmes, 1979; Lionello-DeNolf, 2009; Lionello-DeNolf & Urcuioli, 2002;
Lipkens, Kop, & Matthijs, 1988; Richards, 1988; Rodewald, 1974; Sidman, Rauzin, Lazar,
Cunninghan, Tailby, & Carrigan, 1982; Tomonoga, 2008).
O presente estudo acompanha a mudança no formato de apresentação dos estímulos
tentativa a tentativa (de simultâneo com múltiplas escolhas para o formato com atraso e
sucessivo) e também uma mudança sobre o delineamento de pesquisa, orientada para a
avaliação da presença da propriedade de simetria em condições de ensino direto. A
formulação proposta por Sidman & Tailby (1982), ao contrário, está orientada para
considerar a obtenção da simetria emergente (e as demais propriedades) como teste da
formação de classes de equivalência.
Recentemente, com participantes humanos (Velasco & Tomanari, 2009; 2011),
comparou-se o número total de acertos entre condições de simetria e de não simetria por meio
de tarefas de emparelhamento ao modelo simultâneo múltiplo 3 escolhas. A comparação de
desempenho entre grupos de sujeitos com este formato de tarefa não é uma alternativa nova
(Hogan & Zentall, 1977). O aspecto novo do trabalho de Velasco e Tomanari (2009) foi de
refinar o procedimento como um delineamento de sujeito único.
Este delineamento dispensou a realização de testes em extinção, e seu potencial é
inexplorado com macacos-prego. A redução da probabilidade de reforçamento durante os
treinos para a realização de testes (sondas) em extinção com não humanos pode deteriorar o
desempenho estabelecido (Schusterman & Kastak, 1993). Além disso, com macacos-prego, a
17
exposição continuada a sondas sem reforço pode levar à deterioração do desempenho
especificamente em tentativas de sondagem, como uma ‘extinção discriminada’ (Brino, 2007;
Brino, Galvão, & Barros, 2009, em experimento sobre identidade generalizada).
Velasco e Tomanari (2011) controlaram o efeito do número de exposições dos
estímulos aos participantes em cada condição, apresentando um número fixo de tentativas de
maneira desbalanceada, ora com mais tentativas simétricas, ora com mais tentativas não
simétricas, e concluíram que o número de exposição dos estímulos não é determinante para
que relações simétricas favoreçam o desempenho.
Aspectos positivos do procedimento go/no-go têm sido destacados: a) ao apresentar os
estímulos positivos e negativos um de cada vez, anula-se a possibilidade de as respostas de
escolha dos estímulos positivos estar sendo controlada de forma não planejada por rejeição
dos estímulos negativos (Johnson & Sidman, 1993); b) como apenas um estímulo é
apresentado por vez, uma mesma posição pode ser utilizada, e anula-se a possibilidade de
controle não planejado pela posição dos estímulos (Iversen, 1997; Iversen, Sidman, &
Carrigan, 1986; Lionello & Urcuioli, 1998; 2002).
Um aspecto negativo é o reforçamento positivo de resposta não especificada na
condição no-go (DRO), que conflita com a coerência das relações de equivalência
planejadas de acordo com o reforçamento positivo. Como alternativa, a utilização de
consequências aversivas (time-out) podem ser utilizadas para essas respostas (García &
Benjumea, 2006) e podem favorecer o estabelecimento dos desempenhos pretendidos.
O procedimento go/no-go tem recebido nomes como “Stop-Signal(Verbruggen &
Logan, 2008), response-inhibition(Verbruggen & Logan, 2009), e tem sido identificado
como um paradigma por outras tradições de pesquisa para o estudo de erros de
processamento cerebral, inibição, competição de respostas (Gomez, Ratcliff, & Perea, 2007),
para o estudo do tempo de reação, para o estudo do Efeito Konorski de Qualidade-
18
Localização (Konorski Quality-Location Effect) e para o estudo do Efeito de Aspecto Positivo
(Feature Positive Effect).
O procedimento permite o estudo de controle de estímulos nas modalidades auditiva
(D'Amato, 1988; D'Amato, & Salmon, 1982; D'Amato & Salmon, 1984; Wright, Rivera,
Hulse, Stewart, Shyan, & Neiworth, 2000); tátil (Schilder, Pasik, & Pasik, 1968) e olfativa
(Frederick, Rojas-Líbano, Scott, & Kay, 2011; Sokolic & McGregor, 2007). Ao contrário dos
procedimentos com múltiplas escolhas, o procedimento sucessivo permite aplicação a um
espectro maior de modalidades sensoriais e, consequentemente, permite comparação direta
dos resultados entre diferentes modalidades.
O presente estudo continuidade aos trabalhos que exploraram a comparação de
aquisição de discriminações condicionais como forma de avaliar prossíveis propriedades de
relações de equivalência, nesta ocasião utilizando o procedimento go/no-go para treino das
relações condicionais (cf. Frank & Wasserman, 2005). O objetivo do presente estudo foi fazer
uma comparação intrasujeito da aquisição de relações condicionais simétricas com a
aquisição de relações não simétricas como forma de avaliar a viabilidade desse procedimento
para verificar a propriedade de simetria com macacos-prego, replicando sistematicamente o
estudo de Velasco e Tomanari (2009).
MÉTODO
Sujeitos. Quatro macacos-prego (Sapajus sppp.), ET, Bongo, Negão e Adam, machos,
adultos, com extensa história pré-experimental envolvendo tarefas de discriminações simples
e condicionais com atraso e múltiplas escolhas, foram alojados em gaiolas-viveiro (2,50 m x
2,50 m x 2,50 m) conjuntamente com outros macacos da mesma espécie no pátio externo ao
laboratório de coleta. Todos os animais tiveram livre acesso à água e eram alimentados todos
os dias, uma vez ao dia, com porções de frutas, raízes, proteínas, vegetais e ração balanceada
para primatas (Megazoo P18), de segunda à sexta aproximadamento às 15:30, e também
19
sábado, domingo e feriados aproximadamente às 10:00. Nenhum esquema adicional de
privação era utilizado. As condições de vida em cativeiro, dieta, cuidados veterinários, e os
procedimentos gerais de manejo e coleta de dados eram aprovados pelo Comitê de Ética em
Pesquisa Animal da Universidade Federal do Pará (licença # CEPAE PS001/2005-UFPA),
em acordo com as normas locais e internacionais sobre o tratamento e manipulação de
animais para fins de pesquisa. O biotério é um criadouro de animais para fins científicos
autorizado pelo IBAMA.
Equipamento. Um computador Pentium Core 2 Duo (2,53-GHz), 2Gb (DDR2),
executou um software (EAM 4.1.5.1 e 4.1.5.b, Brasil, sem registro de patente, desenvolvido
por Drausio Capobianco e modificado pelo primeiro autor) que controlava a apresentação de
estímulos bidimensionais em um monitor 17" LCD (ELO TouchScreen, ET1725L-7CWF-1-
G - E103047), o registro dos dados e uma interface eletrônica (KALLEB, Brasil, sem registro
de patente, desenvolvido por Kalleb Lima Câmara) que permitia o acionamento de um
dispensador de pelotas de 190 mg (MED Associates, Inc.
)
. As pelotas percorriam um tubo
(30 cm) acoplado a um comedouro localizado acima da abertura (27 cm x 33 cm) de acesso à
tela do monitor pelo interior de uma câmara (60 cm x 60 cm x 60 cm) de acrílico e metal. Um
sistema de monitoramento CFTV era utilizado para gravação diária das sessões em vídeo.
Estímulos. Formas pretas bidimensionais e não representacionais sobre retângulos
brancos criadas por meio do aplicativo Paint 6.1 (Microsoft Windows ©). Cada retângulo
ocupava 5,8 cm x 6,0 cm da tela do monitor.
Procedimento. Delineamento ABAB. Para cada sujeito, relações condicionais AB e
BA eram treinadas simultaneamente, sendo que ora os estímulos estavam relacionados de
forma simétrica (delineamento A), e ora de forma não simétrica (delineamento B). As
relações nas condições simétricas (A1-B1, B1-A1, A2-B2 e B2-A2) eram treinadas
simultaneamente entre si nas Condições A, assim como as relações não simétricas (A1-B1,
20
B1-A2, A2-B2 e B2-A1), nas Condições B. A Figura 1 apresenta os pares modelo-
comparação de todas as relações condicionais planejadas. A alternância de uma condição
para outra ocorria sempre que um de dois critérios (ver Análise de Dados) era atingido.
Novos estímulos eram utilizados a cada condição para cada sujeito.
A coleta de dados ocorria de segunda a sexta, aproximadamente entre 7:30 e 10:30.
Até duas sessões (80 tentativas no total) eram apresentadas a cada dia de coleta para cada
sujeito. Todo o delineamento envolvia a apresentação de tentativas de emparelhamento ao
modelo arbitrário (arbitrary matching-to-sample), sucessivo (go/no-go), com atraso 0,5 s.
Cada sessão era composta por oito relações condicionais arbitrárias, quatro positivas e quatro
negativas, cinco de cada, totalizando 40 tentativas. Para evitar um controle por posição
temporal, a ordem de aparecimento das tentativas ao longo de cada sessão era aleatória,
determinada por um algoritmo do software e por inspeção visual por meio de ferramenta
disponibilizada pelo software, com o objetivo de garantir que: a) no máximo duas tentativas
de um mesmo tipo ocorriam sucessivamente; b) no máximo quatro combinações positivas ou
negativas ocorriam sucessivamente; c) no máximo duas blocos de quatro combinações
positivas ou negativas ocorriam a cada sessão.
21
Figura 1. Pares de estímulo (modelo-comparação) positivos (+) e negativos (-) nas condições simétrica (A’, A’’) e não simétrica (B’, B’’).
Cada tentativa
da tela do monitor
(ver Figura
toques (FR 6) ao estímulo
modelo
um atraso de 0,5
s e a apresentação de um estímulo de comparação
mesma posição. Se
ocorressem
por 5 s na tela (FT 5 s), mas
se
4 s na tela (FT 4 s).
Para os estímulos de comparação
pelota de comida era
dispensada
p
elota. Após transcorrido o FT
tela de cor branca (IET)
após o qual a
apresentados um time-out
de 35
Para os estímulos de co
mparação
o início da
tentativa seguinte. Após o FT
seguinte.
Figura 2. Flu
xograma das contingências programadas para cada tentativa.
iniciava
com a apresentação de um estímulo modelo na posição central
(ver Figura
2 para um fluxograma das contingências programadas)
modelo
produziam
, nesta ordem, a remoção desse estímulo da tela,
s e a apresentação de um estímulo de comparação
(positiva ou negativas) na
ocorressem
3 ou mais toques
ao estímulo de comparação
se
ocorressem menos de 3 toques ao estímulo
Para os estímulos de comparação
positivos (go), durante o FT
5, a cada 3 toques
dispensada
, sendo possível (e esperado) a apres
entação
elota. Após transcorrido o FT
5 s, era apresentado um i
ntervalo entre tentativas de 10
após o qual a
tentativa seguinte era iniciada
. Após o FT
de 35
s em tela de cor
preta (TO) e o início da tentativa seguinte.
mparação
negativos (no-go), após o FT 5-s eram
apresentados o TO e
tentativa seguinte. Após o FT
4 s, eram
apresentados o IET e o início da tentativa
xograma das contingências programadas para cada tentativa.
22
com a apresentação de um estímulo modelo na posição central
2 para um fluxograma das contingências programadas)
. Seis
, nesta ordem, a remoção desse estímulo da tela,
(positiva ou negativas) na
ao estímulo de comparação
ele permanecia
ele permanecia por
5, a cada 3 toques
uma
entação
de mais de uma
ntervalo entre tentativas de 10
s em
. Após o FT
4 s, eram
preta (TO) e o início da tentativa seguinte.
apresentados o TO e
apresentados o IET e o início da tentativa
23
Uma combinação não convencional de exigência de respostas às comparações foi
utilizada; condição “no-go” (FR < 3) e condição “go” (FR 3). Essa exigência mantinha o
aspecto comum aos procedimentos no-go”, que planejam a redução da taxa do responder
alvo (os toques ao estímulo) ou supressão como efeito de interesse. Ela não fornece dicas ao
sujeito, pois exige uma escolha sobre um número limite fixo de respostas, e permite a
mensuração da latência, da taxa e do número de acertos.
A diferença de 1 s nas condições go e no-go, determinada após o comportamento do
sujeito (FR < 3 e FR 3), foi planejada com objetivo de favorecer a ocorrência de respostas no-
go em ambas as condições positivas e negativas, com o objetivo de adequar a exigência de
respostas a sujeitos muito responsivos (com extensa história experimental de tocar e pouca ou
nenhuma história de não tocar a tela do computador sob controle discriminativo).
Análise de Dados. A taxa de respostas às comparações era calculada dividindo o
somatório de respostas pelo somatório do tempo de exposição a uma comparação. Assim,
quatro índices discriminativos eram calculados. Cada índice discriminativo possuia como
divisor a taxa de respostas nas comparações positivas e negativas que compartilhassem o
mesmo modelo e, como dividendo, a taxa de respostas nas comparações positivas desse
modelo.
O critério de precisão era um desempenho igual ou maior que 85% nos quatro índices
em duas de três sessões consecutivas. O critério de encerramento do treino em uma condição
e início do treino na condição seguinte era de três sessões (overtraining) após o critério de
desempenho definido. Também era utilizado um critério de encerramento de máximo de 70
sessões corridas, o que ocorresse primeiro.
Foi conduzida uma análise post fact tendo como unidade de análise os acertos. Um
acerto era contabilizado quando um número de respostas igual ou maior do que a exigência
de respostas ocorria em comparações positivas e também quando um número de respostas
24
menor do que essa exigência ocorria em comparações negativas. Quatros porcentagens foram
calculadas pelo somatório dos acertos nas 10 tentativas que compartilhavam um mesmo
modelo. Esta última análise sugeriu que a aferição dos desempenhos por meio dos acertos era
mais precisa do que a aferição por meio de taxas. Ambas foram apresentadas nos resultados.
Outras análises post facto foram conduzidas e envolveram: a) a diferença entre o
número de sessões até o critério de precisão de desempenho entre as condições; b) inspeção
visual de histogramas da taxa de respostas às comparações positivas e negativas; c) a taxa e
posição de respostas ao fundo da tela entre combinações positivas e negativas; d) a latência
de respostas ao modelo (como uma medida de supressão do responder tendo como foco de
análise o engajamento na tarefa planejada).
RESULTADOS
Dois dos quatro sujeitos (Negão e Bongo) completaram a aquisição de um conjunto de
relações que permite avaliar a viabilidade do procedimento para verificar a propriedade de
simetria. Ambos os sujeitos completaram as Condições A’ (simétrica) e B’ (não simétrica).
Adicionalmente, Negão completou mais um ciclo de relações simétricas e não simétricas
(Condições A’’ , simétrica, e B’’, não simétrica).
O desempenho de Negão (Figura 3) atingiu o critério de precisão na sessão 52 na
condição A’ (simétrica). Na condição B’ (não simétrica), o critério de precisão não foi
atingido dentro do quadro de 70 sessões. Na condição A’’ (simétrica), o critério de precisão
foi atingido na sessão 23. Na condição B’’ (não simétrica), novamente o critério de precisão
não foi atingido em 70 sessões.
O desempenho de Negão demonstrou aprendizagem mais rápida de relações
condicionais simétricas em comparação com relações condicionais não simétricas. Houve,
portanto, um melhor desempenho nas relações condicionais treinadas nas Condições A’ e A’’
em comparação ao desempenho nas Condições B’ e B’’. Isso constitui evidência de
25
suscetibilidade à propriedade de simetria, evidente nas relações condicionais treinadas nas
condições A’ a A’’ (ver discussão para maiores detalhes sobre a racional deste tipo de
estudo). Os dados também mostram que a aprendizagem do segundo conjunto de relações
condicionais simétricas (Condição A’’) foi ainda mais rápida do que no primeiro conjunto
(learning-set).
O desempenho de Bongo não atingiu o critério de precisão tanto na condição A’
(simétrica) quanto na condição B’ (não simétrica) dentro do quadro de 70 sessões de treino.
Esses dados constituem evidência de ausência de suscetibilidade à propriedade de simetria
nas relações condicionais ensinadas na Condição A’. Algum efeito de learning-set pode ser
sugerido ao observar a proximidade do desempenho a 0.85, inicialmente por volta da sessão
60 na condição A’ e em seguida por volta da sessão 30 na condição B’ (Figura 3). A seguir,
será realizada uma análise detalhada do desempenho de cada sujeito.
26
Figura 3. Média dos índices discriminativos para os sujeitos Negão e Bongo em cada condição de treino (A’, B’, A’’ e B’’, para Negão e A’, B’
para Bongo). Pontos preenchidos de preto demarcam índices maiores ou iguais a .85, de cinza, índices maiores ou iguais a .75 e de branco,
índices menores do que .75. A exigência para a produção de pelotas foi aumentada de FR 3 para FR 5 na sessão 71, quando a sessão ocorria.
27
Negão. Ao longo do treino na Condição A’ (simétrica), os índices discriminativos
iniciaram abaixo do nível do acaso (Figura 3, A’, Sessões 1 a 20). Em seguida, mantiveram-
se em torno do nível do acaso (Figura 3, A’, Sessões 21 a 29). A partir de então (Figura 3, A’,
Sessões 30 a 35), houve uma redução gradual da taxa de respostas às comparações negativas
(ou sob outro modo de análise, uma ocorrência maior de respostas no-go’). A partir da
sessão 36 (Figura 3, A’) houve maior variação entre os índices discriminativos, com sessões
onde alguns índices ficavam acima ou próximos da precisão de desempenho definida (85%) e
outros abaixo do nível do acaso (50%). Trata-se de um momento intermediário acima do
nível do acaso, mas abaixo do critério definido. O critério de precisão foi atingido 16 sessões
após o início desse momento intermediário (Figura 3, A’, Sessões 36 a 52).
Na condição seguinte, B(não simétrica), o desempenho iniciou abaixo do nível do
acaso por menos sessões (Figura 3, B’, Sessões 1
a 3) e mais tempo no nível intermediário
acima do nível do acaso (Figura 3, B’, Sessões 4 a 23). Demorou mais para atingir o nível do
critério (Figura 3, B’, Sessões 24 a 37) e ali permaneceu, oscilando em torno do critério. Na
condição seguinte, A’’ (simétrica), o desempenho do sujeito já iniciou no “momento
intermediário acima do nível do acaso”, atingindo o critério na 23ª sessão. O desempenho na
condição seguinte B’’ (não simétrica) iniciou acima do nível do acaso (Figura 3, B’’, Sessões
1 a 49), mas manteve-se próximo desse nível ao longo de toda a condição.
A comparação das curvas A’’ e A’ sugere forte evidência de learning set
considerando a diferença de 29 sessões em relação ao critério de precisão, a diferença de 20
sessões em relação ao início do desempenho abaixo do nível do acaso e o maior
distanciamento em relação ao nível do acaso. Houve um gradativo aumento do consumo de
pelotas (Anexo 1, Negão) decorrente do incremento da taxa de respostas às comparações
positivas (Anexo 2), do início até o critério de precisão na condição A’’, permanecendo
estável ao longo da Condição B’’.
Ao longo das comparações positivas havia, regularmente, a redução da taxa de
respostas durante o consu
mo das pelotas
negativas (ver Anexo 1),
na presença das quais não eram apresentadas pelotas de comida,
que implicou
em índices iniciando
(não simétrica).
A Figura 4 apresenta os dados das porcentagens
aparentemente mais precisa
com
Figura 4. Média das porcentagens de acerto de Negão ao longo das sessões de todo o estudo.
Pontos preenchidos de preto demarcam porcentagens maiores ou iguais a 85%, de cinza,
maiores ou iguais a 75% e de branco, menores do que 75%. As porcentagens de acer
analisadas post facto.
As
duas unidades de análise (taxa, Figura 3,
documentam learning set
mais acentuado entre condições simétricas do que entre condições
não simétricas
(ver Anexo 3 para uma comparação entre a
possível considerar que a aprendizagem das relações condicionais ocorria gradualmente, mas
Ao longo das comparações positivas havia, regularmente, a redução da taxa de
mo das pelotas
.
Esse consumo não podia ocorrer nas
na presença das quais não eram apresentadas pelotas de comida,
em índices iniciando
abaixo do nível do acaso na condição
A Figura 4 apresenta os dados das porcentagens
de acerto, unidade
com
o medida de discriminação nesse cenário.
Figura 4. Média das porcentagens de acerto de Negão ao longo das sessões de todo o estudo.
Pontos preenchidos de preto demarcam porcentagens maiores ou iguais a 85%, de cinza,
maiores ou iguais a 75% e de branco, menores do que 75%. As porcentagens de acer
duas unidades de análise (taxa, Figura 3,
e porcentagem
de acerto,
mais acentuado entre condições simétricas do que entre condições
(ver Anexo 3 para uma comparação entre a
s duas medidas)
.
possível considerar que a aprendizagem das relações condicionais ocorria gradualmente, mas
28
Ao longo das comparações positivas havia, regularmente, a redução da taxa de
Esse consumo não podia ocorrer nas
comparações
na presença das quais não eram apresentadas pelotas de comida,
o
A’ (simétrica) e B’
de acerto, unidade
de análise
Figura 4. Média das porcentagens de acerto de Negão ao longo das sessões de todo o estudo.
Pontos preenchidos de preto demarcam porcentagens maiores ou iguais a 85%, de cinza,
maiores ou iguais a 75% e de branco, menores do que 75%. As porcentagens de acer
to foram
de acerto,
Figura 4)
mais acentuado entre condições simétricas do que entre condições
.
Adicionalmente, é
possível considerar que a aprendizagem das relações condicionais ocorria gradualmente, mas
to
das ao mesmo tempo, com taxa e acertos
aparente.
Os dados referentes a essa últim
Bongo.
A análise do índice discriminativo sugere fraca evidência de
condições simétricas,
documentada pela redução do número de sessões abaixo do nível do
acaso (Figura
5, A’, sessões 1 a 16 e A’’,
e relação ao nível do acaso. A
(simétrica), sugere fraca evidência de
relação ao início ab
aixo do nível do critério e
do acaso.
Figura 5. Média das porcentagens de acerto de Bongo ao longo das sessões de todo o estudo.
A exigência de respostas para a produção de pelotas foi aumentada de FR 3 para
da trigésima sessão na condição A’’
FR 5 na ses
são 71, quando a sessão ocorria
das ao mesmo tempo, com taxa e acertos
/erros variando
entre relações sem regularidade
Os dados referentes a essa últim
a constatação não foram apresentados.
A análise do índice discriminativo sugere fraca evidência de
documentada pela redução do número de sessões abaixo do nível do
5, A’, sessões 1 a 16 e A’’,
sessões 1 a 2), assim como
pelo distanciamento em
e relação ao nível do acaso. A
Condição
B’ (não simétrica), se comparada com a
(simétrica), sugere fraca evidência de
learning set, considerando
a diferença de 15 sessões em
aixo do nível do critério e
o distanciamento da curva em relação ao nível
Figura 5. Média das porcentagens de acerto de Bongo ao longo das sessões de todo o estudo.
A exigência de respostas para a produção de pelotas foi aumentada de FR 3 para
da trigésima sessão na condição A’’
(indicada pela linha pontilhada vertical)
são 71, quando a sessão ocorria
.
29
entre relações sem regularidade
a constatação não foram apresentados.
A análise do índice discriminativo sugere fraca evidência de
learning set entre
documentada pela redução do número de sessões abaixo do nível do
pelo distanciamento em
B’ (não simétrica), se comparada com a
Condição A’
a diferença de 15 sessões em
o distanciamento da curva em relação ao nível
Figura 5. Média das porcentagens de acerto de Bongo ao longo das sessões de todo o estudo.
A exigência de respostas para a produção de pelotas foi aumentada de FR 3 para
FR 6 a partir
(indicada pela linha pontilhada vertical)
e de FR 3 para
A análise da
porcentagem de acerto (Figura 5
da curva B’ (não
simétrica) em relação a curva A’ (simétrica), documentado pel
41 sessões
ao critério de precisão
ET. P
ara este sujeito o delineamento previa a apresentação das condições B’, A’, B’’ e
A’’ nesta ordem.
O desempenho
A Condição
A’ (simétrica), não pode ser concluída e as condições seguintes não puderam ser
iniciadas devido falha no planejamento experimental.
Considerando o índice discriminativo, o
demonstra fraca evidência de
e
considerando a diferença no número de sessões abaixo do nível do acaso.
acertos sugere um desempenho estável ao longo de t
Figura 6.
Média dos índices discriminativos
sessões do estudo.
Pontos preenchidos de
que 75%. As porcentagens de acerto foram analisadas
porcentagem de acerto (Figura 5
),
sugere forte evidência de
simétrica) em relação a curva A’ (simétrica), documentado pel
ao critério de precisão
.
ara este sujeito o delineamento previa a apresentação das condições B’, A’, B’’ e
O desempenho
na Condição B’ (não simétrica), atingiu
70 sessões corridas
A’ (simétrica), não pode ser concluída e as condições seguintes não puderam ser
iniciadas devido falha no planejamento experimental.
Considerando o índice discriminativo, o
desempenho na C
ondição
demonstra fraca evidência de
learning set em relação à Condição
anterior B’ (não simétrica),
considerando a diferença no número de sessões abaixo do nível do acaso.
acertos sugere um desempenho estável ao longo de t
odas as condiçõ
es. (ver Figura
Média dos índices discriminativos
e porcentagens de acerto
para ET ao longo
Pontos preenchidos de
branco
demarcam porcentagens todas menores do
que 75%. As porcentagens de acerto foram analisadas
post facto.
30
sugere forte evidência de
learning set
simétrica) em relação a curva A’ (simétrica), documentado pel
a diferença de
ara este sujeito o delineamento previa a apresentação das condições B’, A’, B’’ e
70 sessões corridas
.
A’ (simétrica), não pode ser concluída e as condições seguintes não puderam ser
ondição
A’ (simétrica)
anterior B’ (não simétrica),
considerando a diferença no número de sessões abaixo do nível do acaso.
A porcentagem de
es. (ver Figura
6).
para ET ao longo
das
demarcam porcentagens todas menores do
Adam
. O delineamento previa a apresentação das
ordem. A Condição
B’ (não simétrica), não pode ser concluída e as condições seguintes não
puderam ser iniciadas devido falha no planejamento experimental. A Figura
desempenho do sujeito e sugere um desempenho estável
Figura 7.
Média dos índices discriminativos e porcentagens de acerto para Adam ao longo
das sessões do estudo. Pontos preenchidos de branco demarcam porcentagens m
que 75%. As porcentagens de acerto foram analisadas
Tempo de exposição ao modelo
desempenho de todos os
sujeitos
sujeitos não
emitiam todas as re
durante algum tempo (minutos).
Adam e outra para ET) permeneceram sem
minutos.
. O delineamento previa a apresentação das
Condições B
’, A’, B’’ e A’’ nesta
B’ (não simétrica), não pode ser concluída e as condições seguintes não
puderam ser iniciadas devido falha no planejamento experimental. A Figura
desempenho do sujeito e sugere um desempenho estável
em torno do nível do acaso.
Média dos índices discriminativos e porcentagens de acerto para Adam ao longo
das sessões do estudo. Pontos preenchidos de branco demarcam porcentagens m
que 75%. As porcentagens de acerto foram analisadas
post facto.
Tempo de exposição ao modelo
. S
ucessivas supressões no responder ocorreram no
sujeitos
,
observadas assistematicamente ao longo da coleta
emitiam todas as re
spostas ao modelo ou
permaneciam sem emitir respostas
durante algum tempo (minutos).
Duas
sessões foram canceladas, pois os sujeitos (uma para
Adam e outra para ET) permeneceram sem
completar a exigência
ao modelo por mais de 15
31
’, A’, B’’ e A’’ nesta
B’ (não simétrica), não pode ser concluída e as condições seguintes não
puderam ser iniciadas devido falha no planejamento experimental. A Figura
7 apresenta o
em torno do nível do acaso.
Média dos índices discriminativos e porcentagens de acerto para Adam ao longo
das sessões do estudo. Pontos preenchidos de branco demarcam porcentagens m
enores do
ucessivas supressões no responder ocorreram no
observadas assistematicamente ao longo da coleta
. Os
permaneciam sem emitir respostas
sessões foram canceladas, pois os sujeitos (uma para
ao modelo por mais de 15
32
A interrupção do controle pelo modelo pode ser inferida a partir de altas latências ou
de taxas próximas a zero (tendo como referência o tempo entre a primeira e a última resposta
ao modelo). O valor total (latência + tempo entre primeira e última resposta), portanto, pode
ser analisado como uma medida de supressão do responder. O foco neste momento é a)
descrever o comportamento frente ao modelo; b) avaliar o efeito supressor geral da tarefa
planejada e; c) inferir efeitos específicos sobre o ensino das discriminações condicionais.
A porção inferior da Figura 8 apresenta o tempo de exposição por meio de uma
distruibuição do tipo box and whisker, contendo o nimo acima de outliers inferiores,
quartil (25%, base de cada caixa), mediana (50%, traço no meio de cada caixa), quartil
(75%, topo de cada caixa caixa) e máximo abaixo de outliers superiores, sobre todas as
condições do estudo, para todos os sujeitos.
33
Figura 8. Tempo de exposição ao modelo (segundos) mostrado na porção inferior da figura.
Porcentagem de outliers a partir de 60 segundos de exposição mostrada na porção superior.
Legenda: AD= Adam; BG=Bongo; NG=Negão.
A primeira caixa com traço (box and whisker), na base da Figura 8 (AD-B’), ilustra
que o tempo de exposição do modelo era menor ou aproximadamente igual a 10 s em 92,2%
das tentativas. Os valores restantes (7,8%) são considerados outliers superiores. A barra mais
à esquerda no topo da Figura 8 (AD-B’) ilustra que o responder era suprimido por um tempo
igual ou maior do que 60 seg em 1,1% (26) do total de tentativas (2360), considerando a
diferença entre um tempo arbitrariamente definido (60 s) e o limite abaixo dos outliers
superiores (aproximadamente 10 s). Em comparação com todas as outras, a condição AD-B’
foi a pior considerando os extremos (supressão do responder por mais de 50-60 s).
34
O efeito supressor geral do procedimento, portanto, foi baixo, mas não deve ser
desprezado. Considerando o pior dos casos, se todas a 26 tentativas acima de 60 s tivessem
conduzido à interrupção de uma sessão (distribuindo essas tentativas ao longo das 59 sessões
conduzidas para Adam), 1 de cada 2,25 sessões seriam interrompidas.
Figura 9. Tempo entre a primeira e última resposta ao modelo (segundos) e taxa resultante
(respostas/segundo) mostrado na porção inferior da figura. Porcentagem de outliers a partir
de 6 segundos de exposição mostrada na porção superior. Legenda: AD= Adam; BG=Bongo;
NG=Negão.
A Figura 9 ilustra o tempo de exposição entre a primeira e última resposta ao modelo,
e permite alguma inferência sobre a atenção dos sujeitos ao modelo. Quanto maior o tempo
de exposição, menor a taxa de respostas resultante (na base da figura, no eixo à direita).
T
axas próximas de zero (alto tempo entre primeira e última resposta) sugerem interrupção do
controle do modelo sobre as
respostas. O topo da Figura 9,
superiores
, com tempo acima de 6
atenção ao modelo
em aproxim
único sujeito com aproximadamente 25% das tentativas com taxa menor do que 2 respostas
por segundo. O procedimento, para todos os sujeitos (ver Anexo 2
de Negão)
gerou taxa de respostas ao modelo maiores do que taxas de respostas em ambas as
comparações.
A resposta no-go
. Bongo e Negão apresentaram desempenhos que tendiam a se ajustar
de maneira coerente com as contingências de refor
go
produzia gradativamente mais respostas, mais pelotas e menos
produzia cada vez menos respostas e menos
Figura 10. Bongo, t
oques à tela do monitor (resolução 1024px 764px)
de tentativas positivas (go) e negativas (no
ilustram toques que ocorreram durante o tempo de exposição de uma comparação ou modelo,
pontos
vermelhos, durante o atraso (0,
axas próximas de zero (alto tempo entre primeira e última resposta) sugerem interrupção do
respostas. O topo da Figura 9,
ilustra a porcentagem de
, com tempo acima de 6
s. No pior dos casos (AD’-
B’), houve
em aproxim
adamente 55 tentativas (2.3%).
Adicionalmente, Adam foi o
único sujeito com aproximadamente 25% das tentativas com taxa menor do que 2 respostas
por segundo. O procedimento, para todos os sujeitos (ver Anexo 2
, par
a o exemplo
gerou taxa de respostas ao modelo maiores do que taxas de respostas em ambas as
. Bongo e Negão apresentaram desempenhos que tendiam a se ajustar
de maneira coerente com as contingências de refor
çamento e punição planejadas. A
produzia gradativamente mais respostas, mais pelotas e menos
time-
out
produzia cada vez menos respostas e menos
time-out.
oques à tela do monitor (resolução 1024px 764px)
durante a apresentação
de tentativas positivas (go) e negativas (no
-go)
, ao longo de todo o estudo
ilustram toques que ocorreram durante o tempo de exposição de uma comparação ou modelo,
vermelhos, durante o atraso (0,
5 s) do modelo.
35
axas próximas de zero (alto tempo entre primeira e última resposta) sugerem interrupção do
ilustra a porcentagem de
outliers
B’), houve
interrupção de
Adicionalmente, Adam foi o
único sujeito com aproximadamente 25% das tentativas com taxa menor do que 2 respostas
a o exemplo
detalhado
gerou taxa de respostas ao modelo maiores do que taxas de respostas em ambas as
. Bongo e Negão apresentaram desempenhos que tendiam a se ajustar
çamento e punição planejadas. A
condição
out
, a condição no-go
durante a apresentação
, ao longo de todo o estudo
. Pontos pretos
ilustram toques que ocorreram durante o tempo de exposição de uma comparação ou modelo,
36
Para ambos os sujeitos, evidências de um aumento da probabilidade de
comportamentos incompatíveis com toques ao estímulo na condição no-go. Negão tendia a
movimentar a pata na direção da cabeça, distanciando o corpo da tela do monitor. Bongo
tendia a tocar no fundo da tela do monitor (Figura 10). Isto sugere que a utilização de dois
operandos associados às comparações (ex., go left, go right) pode ser mais adequada ao
comportamento dos sujeitos, no sentido de estabelecimento de um responder discriminado.
A Figura 10 também sugere que, ao menos para Bongo, as respostas ao fundo da tela
podem ter sido a) reforçadas negativamente, como uma esquiva da condição time-out, ou b)
reforçadas positivamente por um reforçador condicionado (a tela branca do IET, pareada com
a apresentação de pelotas na condição go).
DISCUSSÃO
O presente estudo mediu a aquisição de discriminações condicionais por sujeitos não
humanos nas condições de simetria e de não simetria. Para Negão, o comportamento se
ajustou melhor ao treino de emparelhamento arbitrário simétrico do que ao não simétrico,
mas por quê?
É possível supor que o sujeito era suscetível à propriedade de simetria, uma
regularidade no mundo que originava substitutabilidade entre duas classes de estímulos
(relações de equivalência). Também é possível supor que nenhuma classe de estímulos
substituíveis era originada na condição não simétrica; e que o sujeito não era suscetível a
propriedade dos estímulos nesta condição. Isso considera a ‘não simetria’, como uma outra
propriedade dos estímulos, uma regularidade que não interferia no desempenho do sujeito.
Neste cenário, relações condicionais foram afetadas (beneficiadas) por relações de
equivalência nas condicões simétricas, e não foram afetadas por relações de equivalência nas
condições não simétricas.
Figura 11
. Relações condicionais planejadas, simétricas (esquerda) e não simétricas (direita)
em função das consequênc
ias planejadas para o
Um
a outra alternativa
suscetível à propriedade de
simetria, mas
condicionais
planejadas na condição de ‘não simetria’
estímulos entre si,
induzindo a uma
por meio da punição (
time
(prejudicadas)
por relações de equivalência nas condicões
afetadas por relações d
e equivalência nas condições
É possível
, e esta é a racional do presente estudo,
propriedade simétrica quan
to
concomitantemente. Suponha
-
à não simetria, com relações condicionais sendo
beneficiadas (simétrico).
Esta parece
evidências de learning set
expressivo e desempenho atingindo o critério
condição simétrica) e
learning set
critério de precisão (na
condição
evidências de favorecimento da simetria no estud
corrobora a teoria sobre a origem
dependentes de contingências de
. Relações condicionais planejadas, simétricas (esquerda) e não simétricas (direita)
ias planejadas para o
go e no-go (centro).
a outra alternativa
seria considerar o inverso
. Suponha que o
simetria, mas
era à propriedade de ‘
não simetria
planejadas na condição de ‘não simetria’
(Figura 11)
associavam todos
induzindo a uma
mesma classe por meio do reforçamento,
time
-out). Neste cenário,
relações condicionais
por relações de equivalência nas condicões
de não sim
e equivalência nas condições
simétricas.
, e esta é a racional do presente estudo,
que tanto a
to
a dificuldade da propriedade
não simétrica
-
se, portanto, que o sujeito
era suscetível tanto à simetria quanto
à não simetria, com relações condicionais sendo
tanto prejudicada
s (não simétrico)
Esta parece
ser a alternativa mais provável
expressivo e desempenho atingindo o critério
learning set
pouco expressivo ou nulo e desempenho
condição
não simétrica).
Se esta alternativa for correta, corrobora as
evidências de favorecimento da simetria no estud
o de Velasco e Tomanari, (2009) e
corrobora a teoria sobre a origem
das classes de equivalência, que as consider
dependentes de contingências de
reforçamento
entre os estímulos (Sidman, 2000).
37
. Relações condicionais planejadas, simétricas (esquerda) e não simétricas (direita)
,
. Suponha que o
sujeito não era
não simetria
’. As relações
associavam todos
os
mesma classe por meio do reforçamento,
mas separadas
relações condicionais
foram afetadas
étria, e não foram
que tanto a
facilidade da
não simétrica
tenham ocorrido
era suscetível tanto à simetria quanto
s (não simétrico)
quanto
ser a alternativa mais provável
considerando as
expressivo e desempenho atingindo o critério
de precisão (na
pouco expressivo ou nulo e desempenho
não atingindo o
Se esta alternativa for correta, corrobora as
o de Velasco e Tomanari, (2009) e
das classes de equivalência, que as consider
a como
entre os estímulos (Sidman, 2000).
38
Outra alternativa seria considerar que não houve nenhum dos dois efeitos. Ou seja, o
sujeito não era suscetível nem à simetria nem a ‘não simetria’, mas era suscetível tão somente
às relações condicionais planejadas. Neste cenário, as diferenças observadas decorreram
exclusivamente de semelhanças não controladas entre os estímulos, de diferenças de
discriminabilidade entre os estímulos, diferenças decorrentes da história pré-experimental
com outras tarefas, ou ainda de diferenças de motivação (efeito diferencial dos reforçadores
ao longo do treino). Essa última alternativa é a menos provável, pois todos os estímulos eram
novos, Negão era ingênuo neste tipo de tarefa e seu desempenho pode ser categorizado como
cada vez mais responsivo (como ilustrado pela taxa de respostas, Anexo 2, e consumo de
reforçadores, Anexo 1).
Uma forma de separar os efeitos de facilidade e dificuldade, seria ensinar uma relação
nova a cada condição sem o seu correspondente simétrico (nas condições simétricas) e sem o
seu correpondente não simétrico (nas condições não simétricas). Isto é, criar uma medida de
referência “neutra”, com a característica de permitir o estabelecimento de discriminações
condicionais ‘neutras’ em cada condição. Por exemplo, um treino com as combinações
positivas A1-B1, B1-A1, A2-B2, B2-A2, C1-D1 e C2-D2 e combinações negativas A1-B2,
B1-A2, A2-B1, B2-A1, C1-D2 e C2-D1.
Uma maneira de contornar o problema da discriminabilidade entre os estímulos seria,
por exemplo, exigir sucessivas reversões de discriminação simples como pré-requisito ao
início de cada condição de discriminação condicional. Uma outra alternativa seria um
delineamento simétrico e não simétrico para cada conjunto de quatro estímulos novos, mais
uma medida de referência neutra. Estudos futuros podem verificar essas possibilidades.
Embora o desempenho de Bongo não permita análises conclusivas, é possível sugerir
que o comportamento se ajustava melhor ao treino de emparelhamento arbitrário não
simétrico do que ao treino simétrico. Neste caso, é possível supor que as relações
39
condicionais tenham sido prejudicadas pela propriedade de simetria e beneficiadas pela .
proprieadade de não simetria. Esta não parece ser a alternativa mais provável. Uma análise
minunciosa do desempenho de Bongo (latência, histograma de taxas e posição dos toques na
tela do monitor) sugeriu que respostas acidentais estavam interferindo na aferição do
desempenho por meio das taxas e da porcentagem de acertos. É possível que o efeito não
controlado das respostas acidentais tenha produzido as diferenças de desempenho
documentadas para este sujeito.
40
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Anexo 1.
Consumo aproximado de pelotas (em gramas) pelos sujeitos.
ANEXOS
Consumo aproximado de pelotas (em gramas) pelos sujeitos.
44
45
Anexo 2. Taxa de respostas (respostas/segundo) de Negão ao modelo e comparação positivos e negativos ao longo de todo o estudo.
Anexo 3. Relação entre
Respostas/Tentativa) com o índice discriminativo e a porcentagem de acertos resultante.
taxa de respostas às comparações (Respostas/segundo e
Respostas/Tentativa) com o índice discriminativo e a porcentagem de acertos resultante.
46
taxa de respostas às comparações (Respostas/segundo e
Respostas/Tentativa) com o índice discriminativo e a porcentagem de acertos resultante.
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Article
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O desempenho de participantes humanos freqüentemente mostra aprendizagem de relações não diretamente ensinadas após o treino de discriminações condicionais entre estímulos fisicamente diferentes. Essas relações emergentes documentam a formação de classes de equivalência. O presente estudo investigou se conseqüências específicas paras as classes (i.e., reforçadores específicos usados para cada classe potencial durante o treino) também integram as classes de equivalência. Vários estudos anteriores sugeriram que as conseqüências específicas podem integrar as classes, entretanto, o treino nesses estudos inclui pareamento arbitrário e pareamento por identidade. No presente estudo, duas crianças autistas foram submetidas apenas a treino de reversões de discriminações simples e pareamento por identidade com conseqüências específicas paras as classes potenciais. Então, testes de pareamento arbitrário foram conduzidos. O desempenho das crianças evidenciou a formação de classes nestes testes, a despeito de elas não terem experiência de treino de pareamento arbitrário. Adicionalmente, um dos participantes mostrou evidência de formação de classes após treino de reversões de discriminação simples somente. Esses resultados tanto demonstram que as conseqüências reforçadoras de fato se tornam parte das classes de equivalência, quanto dão suporte à idéia de que equivalência surge das contingências de reforçamento e não é baseada em habilidades lingüísticas. Palavras-chave: equivalência de estímulos, pareamento ao modelo, discriminação simples, reforçamento específico, efeito de conseqüência específica, retardo mental
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ABSTRACT: The present experiment analyzed the effects of conditional discrimination training (e.g., AB and BC) on the acquisition of symmetry (BA and CB) and transitivity relations (AC and CA). An arbitrary matching-to-sample task involving 9 four-stimulus sets was employed. Four normal adults were exposed to the training of 48 conditional discriminations distributed in three different groups. Group I included all possible 24 conditional relations established among the stimuli in A-B-C sets, that is, the AB and BC relations and their symmetric BA and BC and transitive AC and CA counterparts. Group II included only the relations A’B’ and B’C’. Group III included only B”A”, C”B”, A”C” and C”A” relations. Under continuous reinforcement conditions, the procedure compared the acquisition of conditional discriminations with (Group I) and without (Groups II and III) symmetric counterparts. Main results showed that the conditional relations were acquired earlier in training and accumulated fewer errors when accompanied by their symmetric counterparts (Group I versus Groups II and III). Similar effects were not observed on the training of transitivity relations, possibly indicating that different variables controlled symmetry and transitivity. These results suggest methodological alternatives to the procedures that typically evaluate conditional discriminations in the absence of reinforcement. Key words: Conditional Stimulus Control, Arbitrary Matching-to-Sample Procedure, Symmetry, Transitivity, Humans ................................................................................................................................................................................................................................................................ RESUMO: O presente estudo analisou experimentalmente os efeitos do treino de relações condicionais (e.g., AB e BC) sobre a aquisição de suas relações simétricas (BA e CB) e transitivas (AC e CA). Foi empregado um procedimento de pareamento arbitrário ao modelo envolvendo nove conjuntos (A-B-C, A’-B’-C’ e A”-B”- C”), cada qual com quatro estímulos. Quatro participantes adultos foram submetidos a um treino de 48 relações condicionais que compuseram três grandes grupos. Do Grupo I, foram treinadas todas as 24 possíveis relações condicionais estabelecidas entre os estímulos dos conjuntos A-B-C, ou seja, as relações AB e BC e suas correspondentes relações simétricas (BA e CB) e transitivas (AC e CA). Do Grupo II, foram treinadas somente as oito relações A’B’ e B’C’. Do Grupo III, foram treinadas somente as 16 relações B”A”, C”B”, A”C” e C”A”. Dessa forma, em condições permanentes de reforçamento, avaliou-se comparativamente a aquisição de relações condicionais na presença (Grupo I) e na ausência (Grupos II e III) do treino de relações simétricas. Os resultados mostraram que as relações condicionais treinadas juntamente com suas contrapartes simétricas (Grupo I) foram aprendidas mais rapidamente e com menor acúmulo de erros do que as relações condicionais treinadas na ausência de tais contrapartes (Grupos II e III). Efeitos semelhantes não foram sistematicamente verificados sobre o treino de relações transitivas, sugerindo, assim, a existência de variáveis distintas no controle do responder simétrico e transitivo. Esses resultados sugerem alternativas metodológicas a serem aplicadas em condições nas quais discriminações condicionais sejam avaliadas na ausência de reforçamento. Palavras-chave: Controle condicional de estímulos, Pareamento arbitrário ao modelo, simetria, transitividade, humanos
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The learning of backward associations by pigeons during training of forward associations was studied in three experiments using a symbolic matching task. When the sample stimulus remained present with the comparison stimuli, no evidence of learning of backward associations was found with colors as comparison stimuli and either colors (Experiment I) or shapes (Experiment II) as sample stimuli. When the sample stimulus was removed on presentation of the comparison stimuli (Experiment III), evidence of backward associations was found, but only over the first few transfer trials. The data are contrasted with the strong evidence of learning of backward associations by humans.
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In this paper, I briefly summarize the research history on the (non-) emergence of symmetry in the chimpanzees of the Primate Research Institute, Kyoto University. The chimpanzee Ai, who had learned the visual artificial symbols (lexigrams), did not exhibited the spontaneous emergence of symmetry between name and objects, but showed gradual improvement during the repeated exposure of training-testing cycles. This repeated exposure effect on the emergence of symmetry was also observed in the other individual who were not “language-trained”. This chimpanzee also exhibited the control by exclusion, which is considered as another type of illogical biases in humans. Chimpanzees also showed significant effect of differential outcome and differential responding on symmetry. Conclusion so far is that chimpanzees show no emergence of symmetry immediately after the training of conditional discriminations. Repeated exposure of training-testing contexts, however, has critical effect on the emergence of symmetry. For the future direction, it is suggested to promote studying the symmetry bias during the causal reasoning not using traditional conditional discrimination paradigm from the comparative-cognitive perspective.
Article
This study examined the effects of outcome-specific consequences on the formation of stimulus equivalence classes. Five-year-old children learned conditional discriminations with four sets of visual stimuli (Sets A-D) using matching to sample. In Experiment 1, eight children received AA, BB, CC, and DD identity-matching and AB and BC arbitrary-matching training. Throughout the training, correct selections of A1, B1, C1, and D1, for example, produced a red bead (R1), and correct selections of A2, B2, C2, and D2 produced a blue bead (R2). Results on class-formation probes demonstrated the formation of two ABC stimulus equivalence classes for seven subjects. Subsequent test probes involving D stimuli demonstrated that for six subjects the ABC stimulus classes were expanded with D1 and D2 based on relations with R1 and R2, respectively. In Experiment 2, eight other subjects received the same identity-matching training as in Experiment 1 but were refrained from arbitrary-matching training. Test probes documented the formation of two ABCD stimulus classes for six subjects. Subsequent tests involving visual representations of R1 and R2 demonstrated that these six subjects related R1 and R2 to the corresponding A, B, C, and D stimuli. It was concluded that stimulus equivalence classes may be not only expanded but also established via outcome-specific consequences and that R1 and R2 stimuli may acquire the same status as their respective class members.
Article
If a nonhuman animal matches the silhouette “crab” (A) to that of a “tulip” (B) and is further taught to match “tulip” (B) to the silhouette “radio” (C), will it immediately match “radio” (C) to “crab” (A)? To date formation of an equivalence relation of this type has not been demonstrated in animals. In our study, designed to give a sea lion match-to-sample experience with examples of sample and comparison stimuli switching roles, a 7-year-old female (Rio) was trained and tested with 30 potential classes, each consisting of 3 different shapes. Twelve of the 30 classes were used for training relational properties of symmetry and transitivity, and 18 classes were reserved for a final equivalence test. Following an initial failure to do symmetry on the first trial of novel relations (B→A: 8/12), Rio did symmetry (C→B: 11/12) and transitivity. (A→C: 11/12) before mastering equivalence on the first trial of 18 novel relations (C→A: 16/18). Results suggest that equivalence concepts are not mediated by language, but may be a prerequisite for linguistic competence.
Article
After three pigeons learned two paired-associate color sequences, they were tested with the colors in each sequence reversed. These tests showed that the pigeons had formed a backward association, and that the forward association was stronger than the backward association, but not significantly so.
Article
This article reviews a series of experiments aimed at assessing the capacity of cebus monkeys and rats for tonal pattern perception (sensitivity to frequency contour). The animals' ability to differentiate between two tunes (structured sequences of tones) that shared several component notes and were similar in their average frequency suggested tonal pattern perception in both species. Detailed analysis of the basis of their discriminative behavior revealed, however, that the latter was completely controlled by local cues. Additional studies confirmed this finding and showed that the cognitive limitation was not, in the case of the monkeys, due to a generally impoverished capacity for processing acoustic stimuli or to an unduly truncated auditory short- term store. Many species of songbirds also seem remarkably deficient in their ability to perceive the tonal patterns of non-species-specific acoustic stimuli, which may be widespread among animals. Some implications of this striking difference in the auditory processing capacities of animals and humans are briefly discussed.