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Indicadores da atividade goiana em pesquisa e inovação: potencialidades e deficiências em áreas estratégicas no desenvolvimento científico e tecnológico

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Esta pesquisa teve como objetivo mapear a atividade goiana de pesquisa e inovação no Estado de Goiás identificando potencialidades e deficiências nas áreas estratégicas de desenvolvimento em ciência e tecnologia. O método utilizado foi a Estatística Descritiva por meio da apresentação de indicadores de ciência e tecnologia obtidos em dados secundários como a CAPES, CNPq, FINEP, FAPEG e MCTI. Como resultado da pesquisa, identificou-se que o Estado de Goiás, juntamente com a região Centro-Oeste e Norte, possui um dos piores percentuais em relação à oferta de pós-graduação do país. Dentre as potenciais áreas de ciência no Estado de Goiás estão: Ciências Agrárias, Ciências Humanas e Multidisciplinar. As áreas deficientes são: Linguística, Letras e Artes e Engenharia. Na área de tecnologia, identificou-se o crescimento no número de patentes produzidas pelo estado, bem como a
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Indicadores da atividade goiana em pesquisa e
inovação: potencialidades e deficiências em
áreas estratégicas no desenvolvimento científico
e tecnológico
Ricardo Limongi França Coelho
Altair Camargo Filho
Marcos Inácio Severo de Almeida
Denise Santos de Oliveira
RESUMO Esta pesquisa teve como objetivo mapear a atividade goiana de
pesquisa e inovação no Estado de Goiás identificando potencialidades e
deficiências nas áreas estratégicas de desenvolvimento em ciência e tecnologia.
O método utilizado foi a Estatística Descritiva por meio da apresentação de
indicadores de ciência e tecnologia obtidos em dados secundários como a
CAPES, CNPq, FINEP, FAPEG e MCTI. Como resultado da pesquisa,
identificou-se que o Estado de Goiás, juntamente com a região Centro-Oeste e
Norte, possui um dos piores percentuais em relação à oferta de pós-graduação
do país. Dentre as potenciais áreas de ciência no Estado de Goiás estão:
Ciências Agrárias, Ciências Humanas e Multidisciplinar. As áreas deficientes
são: Linguística, Letras e Artes e Engenharia. Na área de tecnologia,
identificou-se o crescimento no número de patentes produzidas pelo estado,
bem como a relevante contribuição da FAPEG no processo de geração de
tecnologia.
Palavras-chave: Indicadores. Estado de Goiás. Pesquisa. Inovação.
ABSTRACT This research aimed to describe the research activity and
innovation in the State of Goiás, as well as to find strengths and weaknesses in
the field of development strategies in Science Technology. The method used
was descriptive statistics through indicators of science and technology obtained
in research on secondary data bases as: CAPES, CNPq, FINEP, FAPEG and
MCTI. As a result of the research it was found that the State of Goiás, with the
Midwest and North, has the worst percentage to postgraduate country
provision. Among the potential areas of science in the State of Goiás are:
Agricultural Sciences, Human Sciences and Multidisciplinary. The deficiencies
are: Linguistics, Letters and Arts and Engineering. In the technology area
identified was the growth in the number of patents produced by the state, as
well as the relevant contribution of FAPEG in the technology generation
process.
Keywords: Indicators. State of Goiás. Research. Innovation.
Recebido em: 13/11/2014
Aprovado em: 13/07/2015
Sistema de Avaliação: Double Blind Review
Editores Científicos: Maria Aparecida de Souza Melo e Simone Pereira Silva Bastos
COELHO, Ricardo Limongi França; CAMARGO FILHO, Altair ; ALMEIDA, Marcos Inácio Severo de;
OLIVEIRA, Denise Santos de.
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1 INTRODUÇÃO
Entre os anos de 2002 e 2012, o
investimento do governo federal nas áreas de
ciência e tecnologia (C&T) aumentou em
relação ao produto interno bruto (PIB). No
ano de 2002, o Brasil investiu 1,34%, e em
2012 esse percentual aumentou para 1,74%
(MCTI, 2014). A ampliação desse
investimento é fundamental para que o país
possa gerar novas tecnologias e formar
pesquisadores nas diversas áreas do
conhecimento.
Os recursos para o desenvolvimento
das áreas de C&T do país são distribuídos
principalmente por meio de convênios,
editais e financiamentos em órgãos como
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal
de Nível Superior (CAPES), Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico (CNPq), Financiadora de
Estudos e Projetos (FINEP), Ministério da
Ciência e Tecnologia (MCTI) e em parceria
com as Fundações de Amparo à Pesquisa
(FAP), com exceção do Estado de Roraima.
Em conjunto com os investimentos
federais e estaduais, as empresas também
têm relevante papel. Apenas no ano de 2012,
o setor empresarial brasileiro investiu R$
72.842 milhões em projetos de C&T,
englobando a área de Pesquisa e
Desenvolvimento (P&D) e outras atividades
científicas (MCTI, 2014).
A consequência do investimento do
governo e do setor empresarial é a expansão
das áreas de C&T. Por exemplo, no ano de
2012 existiam no Brasil: 3.342 programas de
mestrado e doutorado nas diversas áreas de
estudo de acordo com as diretrizes do CNPq;
71.507 docentes nos programas; 203.717
alunos matriculados e 71.180 bolsas
concedidas (MCTI, 2012; CAPES, 2014).
De acordo com levantamento feito
pelo CNPq no ano de 2010, 452 instituições
estavam cadastradas no Diretório dos Grupos
de Pesquisa, representando 27.523 grupos de
pesquisa com 128.892 pesquisadores. As
pesquisas resultantes desses grupos geraram
458.107 publicações referentes a artigos
publicados em revistas nacionais e
internacionais, trabalhos completos em anais
de eventos, livros ou capítulos de livros e
outras publicações bibliográficas.
As vantagens do contato com a
pesquisa e a possibilidade de contribuir no
desenvolvimento científico e tecnológico
podem ocorrer no ambiente dos cursos de
pós-graduação, porém os programas são
ofertados de maneira concentrada. 47% dos
programas de pós-graduação estão
localizados na região Sudeste, 20% na região
Sul, a mesma porcentagem 20% na
região Nordeste (essas três regiões
concentram 87% do total de cursos de pós
graduação ofertados), 8% no Centro-Oeste e
apenas 5% no Norte (13% do total de cursos
de pós graduação ofertados) (CAPES, 2014).
Em uma análise por estados, é
possível identificar que 54% dos cursos de
pós-graduação estão localizados nos estados
de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande
do Sul e São Paulo, o que representa 30%
dos alunos matriculados em programas de
pós-graduação no país (CAPES, 2014). As
regiões Centro-Oeste e Norte, no ano de
2012, somavam 284 programas de pós-
graduação (mestrado e doutorado), com
6.747 docentes e 20.591 alunos matriculados
(CAPES, 2014). Se o número de programas
de pós-graduação das regiões Centro-Oeste e
Norte forem comparados com o quantitativo
nacional (ano de 2012), identifica-se que
apenas 8,5% dos programas estão nessas
regiões.
Estudos anteriores investigaram os
indicadores de C&T. Landi (2002) teve o
foco na realidade do Estado de São Paulo.
Viotti e Macedo (2003) discutiram os
números relativos ao Brasil. Rocha e Ferreira
(2004) avaliaram individualmente cada
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estado do país. Porém, a realidade de uma
região ou estado carente na oferta de cursos
de mestrado e doutorado, e ainda, que tenha
aumentado o investimento em C&T não foi
realizado. Logo, com o objetivo de
compreender as áreas mais carentes de C&T
no país, esta pesquisa terá como foco a
região Centro-Oeste, em especial o Estado
de Goiás. Dois motivadores sustentam essa
escolha. Primeiro, o Estado de Goiás, assim
como o Brasil, teve um acréscimo no
percentual investido em ciência (0,10% no
ano de 2002 para 0,87% para 2012) e em
tecnologia (0,35% em 2012). Assim, será
avaliado o resultado em C&T em um estado
que tem ampliado o investimento nessas
áreas. Segundo, o incentivo de
financiamento recebido para o
desenvolvimento de C&T por meio de
fomento da Fundação de Amparo à Pesquisa
do Estado de Goiás (FAPEG).
Dessa forma, o objetivo principal
deste estudo é mapear a atividade goiana de
pesquisa e inovação, identificando
potencialidades e deficiências nas áreas
estratégicas de desenvolvimento em C&T.
Pretende-se, com esse mapeamento,
fomentar a discussão no Estado de Goiás da
realidade da pesquisa e inovação, bem como
contribuir com estudos futuros que abordem
aspectos do impacto da ciência em
determinadas áreas do conhecimento e da
tecnologia no processo de habilitação de
uma melhor interação entre as pesquisas
acadêmicas e a realidade empresarial. Para
alcançar o objetivo proposto, o método
escolhido foi o quantitativo a partir do uso
da estatística descritiva por meio de dados
secundários obtidos em fontes como
CAPES, CNPq, FAP, FINEP, INPI e MCTI.
Este artigo está organizado em mais
quatro seções, além desta introdução. A
seção 2 irá apresentar uma revisão teórica
sobre ciência e tecnologia. Posteriormente,
na seção 3, o método utilizado para a
realização da pesquisa será apresentado. Os
resultados serão apresentados na seção 4 em
dois tópicos, primeiramente pesquisa e
posteriormente inovação. Por fim, a seção 5
aborda as considerações finais.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 Ciência e tecnologia (C&T)
A inovação exerce forte influência
na competitividade das empresas,
apresentando-se como um atrativo e
diferencial, justificando sua relevância nos
meios acadêmico, governamental e
empresarial (ROCHA, 2007). Para Rocha
(2007), inovação pode ser entendida como
um composto de ações desenvolvidas por
meio do conhecimento tecnológico, tendo
como resultado novos produtos, processos
ou melhorias nos itens já existentes.
Ainda segundo Rocha (2007),
existem diferenças no processo de inovação
de acordo com o desenvolvimento dos
países. Nos países em desenvolvimento, a
inovação ocorre de maneira gradativa, sendo
implementada aos poucos. nos países
economicamente desenvolvidos, a inovação
ocorre de maneira abrupta, ou seja,
repentina, devido ao valor do conhecimento
que os países possuem.
De acordo com Caçador e Grassi
(2009), o Brasil tem como característica
principal o atraso com relação a países
considerados desenvolvidos. No Brasil, as
atividades de ciência, tecnologia e
informação (CT&I) são incentivadas pelas
políticas industriais existentes e têm grande
investimento do governo (CAVALCANTE,
2009). Segundo Rocha e Ferreira (2004), nas
economias em desenvolvimento, como é a
do Brasil, além de apresentarem pouca
inovação no âmbito das empresas privadas, o
impacto da pesquisa industrial realizada
pelas empresas é relativamente baixo em
COELHO, Ricardo Limongi França; CAMARGO FILHO, Altair ; ALMEIDA, Marcos Inácio Severo de;
OLIVEIRA, Denise Santos de.
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termos da tecnologia embutida em produtos
e serviços comercializados.
Diante dessa importância para o
desenvolvimento, com o objetivo de apoiar
as atividades de CT&I, foram criados no
Brasil, no ano de 1951, o CNPq e a CAPES
. A criação dessas instituições de fomento
sistematizou o padrão de investimento do
governo e estabeleceu diretrizes e padrões
para as diferentes instituições envolvidas
com CT&I no país (CAVALCANTE, 2009).
2.2 Políticas de ciência, tecnologia e
inovação
A associação entre desenvolvimento
tecnológico, da C&T tem levado o tema a ser
discutido na agenda de políticas públicas.
Para Cavalcante (2009), três elementos são
principais para a formação de políticas de
CT&I: (1) as formas de transmissão das
atividades de CT&I e sua relação com o
desenvolvimento econômico e social; (2) a
elaboração de objetivos baseados nessa
interpretação; e (3) a adoção de instrumentos
voltados a atingir os objetivos estabelecidos.
Cavalcante (2009) mostra que o
processo de inovação tem um caráter
essencialmente sistêmico, porém existe a
dificuldade no Brasil de se implantar
políticas públicas de CT&I que não sigam
uma concepção linear por exemplo,
privilegiando a pesquisa científica. O autor
identificou, em seu trabalho, que a maioria
dos recursos destinados à C&T no Brasil são
aplicados em instituições de ensino superior
e nas agências de fomento à pesquisa, o que
leva a poucos resultados comerciais
palpáveis.
Caçador e Grassi (2009) sugerem
que haja um maior número de políticas
públicas que favoreçam as atividades de
CT&I de forma sistêmica, tais como aquelas
que incentivem uma maior cooperação no
setor produtivo, seja entre empresas ou entre
empresas e universidades, que apoiem
atividades inovativas em setores industriais
tradicionais ou que atraiam investimentos em
áreas relacionadas ao conhecimento.
Para Cavalcante (2009), a
emergência em se elaborar políticas públicas
relacionadas à CT&I tem motivado o avanço
da elaboração e desenvolvimento de
indicadores para avaliar a ciência e
tecnologia.
2.3 Mensuração da ciência e tecnologia
Por meio de indicadores, é possível
verificar os efeitos de inovação com o ato de
inovar, o qual reflete diretamente no
desenvolvimento econômico (GODINHO,
2007). No Brasil, existem duas instituições
que apresentam indicadores de inovação: a
Associação Nacional de Pesquisa,
Desenvolvimento e Engenharia das
Empresas Inovadoras (ANPEI) e o Instituto
Brasileiros de Geografia e Estatísticas
(IBGE). A ANPEI era uma organização
privada e detinha a base de indicadores de
inovação do país entre os anos de 1992 e
2000, reunindo informações anuais das
empresas. Com o passar do anos, sua base
tornou-se limitada e ineficiente (ROCHA,
2007). Devido a essa limitação dos dados, o
IBGE passou a realizar pesquisas para
verificar o nível de inovação das empresas, a
denominada Pesquisa Industrial Tecnológica
(PINTEC). A PINTEC verifica a
abrangência nacional de inovação
tecnológica das empresas nacionais, tendo
como objetivo a criação de uma base de
dados para pesquisadores, estudiosos e
formuladores das políticas públicas
nacionais, com as informações necessárias
ao desenvolvimento (ROCHA, 2007).
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3 MÉTODO
Sendo o objetivo geral da pesquisa
mapear a atividade goiana de pesquisa e
inovação do Estado de Goiás, a primeira
etapa da pesquisa foi o levantamento de
fontes secundárias públicas para
levantamento de dados que pudessem
contribuir com a discussão por meio da
estatística descritiva da situação da pesquisa
e inovação no Estado de Goiás.
As fontes identificadas para a coleta
de dados foram: CAPES, CNPq, FINEP,
FAPEG e INPI e MCTI. Cada uma das
fontes identificadas apresentaram diferentes
contribuições para a compreensão das áreas
de C&T no Estado de Goiás. Os portais da
CAPES, CNPq e MCTI contribuíram com
informações sobre a pós-graduação. A
FINEP e a FAPEG para a análise dos
diversos editais e os respectivos
contemplados, sejam pesquisadores ou
instituições de ensino superior (IES). Por
fim, o INPI com a evolução do perfil e a
quantidade de patentes registradas.
As informações disponibilizadas
pelas fontes mencionadas nem sempre foram
possíveis de exportar para softwares de
edição como o Microsoft Excel. Em casos
nos quais os arquivos não eram possíveis de
exportação, os autores da pesquisa
transportavam manualmente os dados para
uma planilha de editoração e a validavam
com um segundo autor. Esta validação teve
como objetivo evitar erros da digitação
manual e das futuras análises descritivas.
Após a identificação das informações
disponíveis em cada portal, os autores
identificaram que os anos das informações
divulgadas não eram homogêneos, ou seja,
algumas fontes divulgam dados a partir do
ano de 2000 (ex.: MCTI), outras a partir do
ano de 2002 (ex.: CAPES) ou o ano de 2010
(ex.: CNPq). Como forma de apresentar
nesta pesquisa dados mais recentes, os
autores decidiram fazer comparações, tendo
como base, quando possível, intervalos de no
mínimo quatro anos (ex.: 2006 a 2010).
Com a pesquisa nos portais, os
seguintes indicadores foram escolhidos para
apresentação e discussão da pesquisa em
relação à ciência: instituições que ofertam
cursos de pós-graduação; número de
programas por grande área; número de
discentes na pós-graduação por grande área;
número de grupos de pesquisa, linha de
pesquisa, pesquisadores e estudantes;
produção por IES; produção científica dos
pesquisadores e publicações do Estado de
Goiás por área de conhecimento. Em relação
aos indicadores de inovação, foram
escolhidos: número de patentes; valores
captados pelo Estado de Goiás por meio de
editais da FINEP; e recursos para inovação
disponibilizados pela FAPEG.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Nesta seção serão apresentados os
indicadores levantados em fontes
secundárias que demonstram o status da
pesquisa e inovação no Estado de Goiás. Na
área de pesquisa serão apresentadas
inicialmente as IES que ofertam os cursos de
pós-graduação e, posteriormente, indicadores
referentes ao número de programas, número
de discentes e números de grupos de
pesquisa, a partir das áreas estabelecidas pela
Capes. Será discutido também o aspecto da
produção bibliográfica, produção científica
dos pesquisadores e o número de
publicações em periódicos. A discussão
sobre os indicadores de inovação serão
contemplados pelo número de patentes e
valores captados por meio de editais da
FINEP.
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4.1 Indicadores da atividade goiania em
pesquisa
Os programas de pós-graduação do
Estado de Goiás estão concentrados em
instituições federais, em especial na
Universidade Federal de Goiás (UFG). O
Quadro 1 apresenta uma lista das IES que
ofertam cursos de pós-graduação (CAPES,
2014). Dos 74 programas de pós-graduação
oferecidos no Estado de Goiás (CAPES,
2014), a UFG representa 67,6% dos cursos
(80% do total são instituições de caráter
público), enquanto que a PUC-GO é
responsável por 16,2% (20% do total são
instituições de caráter privado) dos cursos.
Os programas que ofertam mestrado são os
mais comuns (61,6%), seguidos por
mestrado e doutorado (26%), mestrado
profissional (8,2%) e doutorado (4,2%).
Quadro 1 –Instituições de Ensino Superior que ofertam cursos de pós-graduação no Estado
de Goiás
Sigla Nome da IES Status Jurídico
ALFA Faculdade Alves Faria Privada
FESURV Universidade de Rio Verde Pública
IFG Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás Pública
IFGoiano Instituto Federal Goiano Pública
PUC-GO Pontifícia Universidade Católica de Goiás Privada
UEG Universidade Estadual de Goiás Pública
UFG Universidade Federal de Goiás Pública
UniEvangélica Centro Universitário de Anápolis Privada
Fonte: Elaboração própria com base nos dados da Capes (2014).
Dentre os programas disponíveis, é possível
acompanhar um crescimento na abertura de
novos programas. A Tabela 1 demonstra a
evolução da quantidade de programas entre o
período de 2006 e 2012 por área, de acordo
com a Capes (2014).
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Tabela 1 - Número de Programas por grande área entre os anos de 2006 e 2012 no Estado de
Goiás
Fonte: Elaboração própria com base nos dados da Capes (2014).
Conforme observado na Tabela 1,
três grandes áreas no ano de 2012
concentraram a maior quantidade dos
programas. A área de Ciências Humanas
(ex.: Educação, Filosofia e Sociologia)
contava com 14 programas, a área
Multidisciplinar (ex.: Agronegócio, Direitos
Humanos e Sociedade, Tecnologia e Meio
Ambiente), com 13 programas e a de
Ciências Agrárias (ex.: Agronomia, Genética
e Melhoramento de Plantas e Zootecnia),
com 10 programas. As áreas de Engenharias
(ex.: Engenharia Civil, Geotecnia, Estruturas
e Construção Civil) e Linguística, Letras e
Artes (ex.: Letras e Linguística, Estudo da
Linguagem e Música) possuíam apenas
cinco programas ofertados.
Um destaque em relação à evolução
da quantidade de programas refere-se ao
crescimento de 60% na oferta de cursos da
área Multidisciplinar entre os anos de 2011 e
2012. Esse fato pode ser compreendido
como uma alternativa das IES para abranger
uma maior quantidade de áreas em seus
programas. Um segundo destaque é a
evolução de 68,18% na quantidade desses
programas no período analisado, em especial
nos biênios 2006-2007 (15,91% de
crescimento) e 2011-2012 (15,63% de
crescimento).
Dentre os programas da área de
Ciências Humanas no ano de 2012, a UFG
foi responsável por ofertar 10 dos 14
programas (71%), tanto no nível de mestrado
como de doutorado. Na grande área
classificada como Multidisciplinar, 30% dos
programas foram ofertados pela PUC-GO. A
área de Ciências Agrárias tem sido ofertada
exclusivamente por instituições públicas
(CAPES, 2014).
A expansão da quantidade de
programas reflete no crescimento do número
de discentes. A Tabela 2 apresenta o número
de discentes por grande área entre os anos de
2006 e 2012. Com a Tabela 2, é possível
avaliar o aumento de 130,28% no número de
COELHO, Ricardo Limongi França; CAMARGO FILHO, Altair ; ALMEIDA, Marcos Inácio Severo de;
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matriculados em programas de pós-
graduação, passando de 1.602 alunos no ano
de 2006 para 3.689 alunos no ano de 2012.
Esse crescimento pode ser interpretado como
um reflexo da demanda do estado em relação
à formação de pós-graduação em seus
diferentes níveis (mestrado acadêmico,
mestrado profissional e doutorado) e áreas
do conhecimento.
Observa-se ainda na Tabela 2 a
ausência da oferta de programas de
doutorado nas áreas de Ciências Sociais
Aplicadas e Engenharias. Essas áreas
referem-se a cursos como Administração e
Engenharia (ex.: Civil, Elétrica e Sanitária).
Essa característica evidencia a necessidade
da migração de alunos para outros estados
em busca de formação. Outro aspecto que
reflete essa carência é a dificuldade em
preencher algumas vagas para professores
nas IES públicas, afinal, com a carência de
programas que formem novos pesquisadores
com os títulos de mestrado ou doutorado no
estado, os programas irão demandar
professores de outros estados dispostos a
fixar residência no Estado de Goiás.
Os programas que ofertam mestrados
profissionais possuem uma particularidade
em relação à quantidade de alunos
matriculados. Entre os anos de 2006 e 2008,
houve um crescimento de 253%, porém,
logo no ano de 2009, ocorreu uma queda
(38%) de alunos matriculados, voltando a
crescer apenas no ano de 2012. Essa
oscilação pode ser justificada pela abertura
pontual dos cursos, a partir de uma demanda
reprimida do mercado e a consequente
dificuldade em abrir novas turmas.
Dentre as áreas que mais ofertam os
mestrados profissionais, destacam-se as
áreas de Ciências da Saúde (ex.: Gestão da
Pesquisa e Desenvolvimento em Tecnologia
Farmacêutica), Ciências Sociais Aplicadas
(ex.: Planejamento Urbano e Regional) e a
Multidisciplinar (ex.: Ensino na Saúde). Esse
perfil de curso é ofertado majoritariamente
por IES particulares (ex.: PUC-GO e
ALFA). Cabe salientar, ainda, a importância
dos programas de mestrado profissional para
o Estado de Goiás, afinal, por ser uma
titulação que favorece a aplicabilidade
acadêmica no âmbito gerencial, esse perfil
de programa contribui para que as demandas
empresariais da região sejam pesquisadas e
publicadas em formato de dissertações,
artigos e livros produzidos por professores e
alunos desses programas.
Para uma melhor compreensão do
potencial científico dos programas de pós-
graduação, a Tabela 3 apresenta o número de
grupos, pesquisadores e linhas de pesquisa
por IES (CNPq, 2010), com o intuito de
propiciar uma análise da pesquisa em relação
às IES públicas e particulares.
Uma primeira análise a partir da
Tabela 3 identifica a quantidade de grupos
de pesquisa, mesmo em áreas que
apresentam uma baixa quantidade de
programas (Tabela 1). A área de Ciências
Sociais Aplicadas, por exemplo, no ano de
2010, somava apenas cinco programas de
pós-graduação ofertados no estado, porém
esses programas abrigavam 52 grupos de
pesquisa, 107 linhas de pesquisa diferentes
em estudo e 726 integrantes. Esse aspecto
corrobora o empenho dos pesquisadores em
avançar estrategicamente nas suas pesquisas,
principalmente em áreas carentes de um
programa que fomente seus estudos, bem
como a oportunidade da criação de um
programa específico da área para agregar os
esforços de pesquisa.
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Tabela 2 – Número de discentes de pós-graduação por grande área, entre os anos de 2006 e
2012 no Estado de Goiás
Fonte:Elaboração própria com base nos dados da Capes (2014).
Notas: M – Mestrado; D – Doutorado; MP – Mestrado Profissional.
Uma segunda análise refere-se à
relação entre pesquisadores e grupos de
pesquisas. De acordo com a Tabela 3, os
grupos de pesquisa apresentam em média
oito pesquisadores envolvidos, o que é
satisfatório para que ocorra troca de
conhecimento e interação entre os
pesquisadores com diferentes experiências
acadêmicas e profissionais. Em relação aos
estudantes, a média por grupos de pesquisa é
de aproximadamente dez, superior, por
exemplo, a do Estado de São Paulo, que
possui uma média de oito alunos por grupos
de pesquisa (CNPq, 2010).
Com uma consulta na base do CNPq,
é possível levantar duas informações
complementares à Tabela 3. A primeira é
que houve um acréscimo de 50,67% no
número dos grupos de pesquisa entre os anos
de 2006 e 2010 no Estado de Goiás,
colaborando para que o estado fosse
responsável no ano de 2010 por 7,1% dos
grupos de pesquisa do Brasil (CNPq, 2010).
A segunda é que, mesmo em IES nas quais
inexiste um programa de pós-graduação,
professores e estudantes estão
desenvolvendo suas pesquisas, como é o
caso da IES particular Universo, que realiza
diversas pesquisas, por exemplo, na área de
Ciências Sociais Aplicadas (12 grupos de
pesquisa, 19 linhas de pesquisa, 31
pesquisadores e 61 estudantes) (CNPq,
2010). Uma consequência do empenho dos
pesquisadores em se unirem para
desenvolverem suas pesquisas é apresentada
na Tabela 4, que trata da quantidade de
produção científica por IES que ofertam
cursos de pós-graduação.
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Tabela 3 –Número de grupos de pesquisa, linhas de pesquisa, pesquisadores e estudantes no
ano de 2010 no Estado de Goiás (continua)
Grande Área G LP Pesq E LP/G Pesq/G E/G
Ciências Agrárias 66 330 669 761 5 10,1 11,5
FESURV
5 23 43 32 4,6 8,6 6,4
IFG
1 2 6 9 2,0 6,0 9,0
IFGoiano
12 41 86 58 3,4 7,2 4,8
PUC-GO
1 3 12 15 3,0 12,0 15,0
UEG
8 39 70 104 4,9 8,8 13,0
UFG
29 145 306 504 5,0 10,6 17,4
Ciências Biológicas 51 265 436 652 5,2 8,5 12,8
IFGoiano
2 23 12 2 11,5 6,0 1,0
PUC-GO
3 12 31 75 4,0 10,3 25,0
UEG
5 30 38 63 6,0 7,6 12,6
UFG
41 200 355 512 4,9 8,7 12,5
Ciências Exatas e da Terra 40 181 298 320 4,5 7,4 8
IFG
1 2 28 29 2,0 28,0 29,0
IFGoiano
1 4 3 6 4,0 3,0 6,0
PUC-GO
4 12 34 24 3,0 8,5 6,0
UEG
5 25 32 50 5,0 6,4 10,0
UFG
28 136 197 211 4,9 7,0 7,5
Ciências Humanas 97 314 913 1.009 3,2 9,4 10,4
FESURV
1 2 2 5 2,0 2,0 5,0
IFG
2 6 27 4 3,0 13,5 2,0
IFGoiano
4 21 42 9 5,2 10,5 2,2
PUC-GO
15 34 127 256 2,3 8,5 17,1
UEG
11 41 107 81 3,7 9,7 7,4
UFG
64 210 608 654 3,3 9,5 10,2
Ciências Sociais Aplicadas 52 107 302 424 2,1 5,8 8,2
ALFA
4 5 31 39 1,2 7,8 9,8
FESURV
5 5 5 12 1,0 1,0 2,4
PUC-GO
8 21 96 175 2,6 12,0 21,9
UEG
3 8 20 11 2,7 6,7 3,7
UFG
20 49 119 126 2,4 6,0 6,3
Ciências da Saúde 59 216 475 690 3,7 8,1 11,7
PUC-GO
4 14 42 45 3,5 10,5 11,2
UEG
3 8 20 51 2,7 6,7 17,0
UFG
49 190 407 586 3,9 8,3 12,0
Engenharias 36 171 249 294 4,8 6,9 8,2
IFG
1 4 5 0 4,0 5,0 0,0
IFGoiano
2 8 7 6 4,0 3,5 3,0
PUC-GO
4 11 15 19 2,8 3,8 4,8
UEG
2 11 8 15 5,5 4,0 7,5
Indicadores da atividade goiana em pesquisa e inovação: potencialidades e deficiências em áreas
estratégicas no desenvolvimento científico e tecnológico
RAU/UEG – Revista de Administração da UEG
36 |
http://www.revista.ueg.br/index.php/revista_administracao
(conclusão)
Grande Área G LP Pesq E LP/G Pesq/G E/G
UFG
26 136 209 251 5,2 8,0 9,7
UniEvangélica
1 1 5 3 1,0 5,0 3,0
Linguística, Letras e Artes 48 140 394 494 2,9 8,2 10,3
IFGoiano
1 4 2 1 4,0 2,0 1,0
PUC-GO
2 5 12 35 2,5 6,0 17,5
UEG
5 17 31 41 3,4 6,2 8,2
UFG
40 114 349 417 2,8 8,7 10,4
TOTAL 449 1.724 3.736 4.644
Fonte: Elaboração própria com base nos dados do CNPq (2010).
Notas: G – Grupos de Pesquisa; LP – Linhas de Pesquisa; Pesq – Pesquisadores; E – Estudantes.
Tabela 4 –Produção por IES acumulada dos anos de 2007 a 2010, no Estado de Goiás
IES TA PB PT OC PAC Total
ALFA 24 228 455 136 2 845
FESURV 39 669 193 329 1 1.231
IFG 57 363 538 398 5 1.361
IFGoiano 91 1.215 607 571 8 2.492
PUC-GO 458 4.401 6.820 5.033 102 16.814
UEG 309 3.178 3.659 2.511 70 9.727
UFG 2.593 37.894 34.597 17.072 1.633 93.789
UniEvangélica 6 193 44 95 0 338
TOTAL 3.577 48.141 46.913 26.145 1.821 126.597
Fonte: Elaboração própria com base no Censo 2010 do CNPq (2010).
Notas: TA – Total de Autores; PB Produção Bibliográfica; PT – Produção Técnica; OC
Orientação Concluída; PAC – Produção Artística/cultural.
A partir da Tabela 4, é possível
avaliar a relevância das IES públicas para a
criação de conhecimento científico no
estado, em especial a contribuição da UFG
nesse processo. Apenas a UFG é responsável
por cerca de 74% da produção científica e
técnica do estado (CNPq 2010), enquanto
que a soma das IES particulares representa
apenas 14%. Essa discrepância pode ser
explicada, em especial, com a influência do
programa REUNI – Programa de Apoio a
Planos de Reestruturação e Expansão das
Universidades Federais iniciado em 2003.
Tal programa contemplou os investimentos
realizados tanto na expansão física quanto no
quadro de docentes, o que desencadeou um
maior impacto na contratação de
pesquisadores fomentadores de produção do
estado.
Para uma melhor compreensão da
evolução da produção científica dos
pesquisadores contemplando também IES
que não possuem programas de pós-
graduação, a Tabela 5 apresenta a evolução,
a partir dos tipos de publicações.
COELHO, Ricardo Limongi França; CAMARGO FILHO, Altair ; ALMEIDA, Marcos Inácio Severo de;
OLIVEIRA, Denise Santos de.
RAU/UEG – Revista de Administração da UEG – ISSN 2236-1197, v.6, n.2 maio./ago. 2015 |
37
Tabela5 – Produção científica dos pesquisadores entre os anos de 2007 e 2010, no Estado de
Goiás
Ano TA PN PI EV LI CL OP Total
2006 1.591 1.350 899 1.916 117 575 2.211 8.659
2007 1.918 1.997 1.168 2.264 128 921 3.055 11.451
2008 1.930 2.227 1.405 2.464 191 975 2.998 12.190
2009 1.894 2.199 1.459 2.394 205 868 2.733 11.752
2010 1.782 1.949 1.524 2.186 191 1.060 2.733 11.425
Variação
12% 44% 69% 14% 63% 84% 24% 32%
Fonte:Elaboração própria com base nos dados do MCTI (2010).
Notas: TA –Total de Autores; PN –Periódico Nacional; PI –Periódico Internacional; EV –
Eventos; LI –Livros; CL –Capítulo de livros; OP –Outras produções; Variação – diferença
percentual entre os anos de 2006 e 2010.
A Tabela 5 revela uma oscilação em relação
às produções científicas dos pesquisadores.
Por exemplo, no ano de 2008 foram
publicados 2.227 artigos em periódicos
nacionais, enquanto que em 2010 o total caiu
para 1.949 artigos. Como aspecto positivo, a
quantidade de artigos publicados em
periódicos internacionais tem crescido, o que
pode ser um importante indicador da
visibilidade que os pesquisadores pretendem
dar às suas pesquisas, visto que esses
periódicos possuem maior visibilidade de
acesso por outros pesquisadores devido à
indexação das bases internacionais.
Por fim, para avaliar o quesito de
indicadores da atividade goiana em pesquisa,
a Tabela 6 apresenta as áreas com o maior
número de publicações a partir da base de
dados Web of Science em relação ao período
de 2002 e 2013. Cabe ressaltar que essa base
não espelha o número total de publicações de
pesquisadores com vínculo no estado, apenas
dos periódicos que a base contempla.
Tabela 6 – Publicações do Estado de Goiás em periódicos por área de conhecimento
(continua)
200
2 200
3 200
4 200
5 200
6 200
7 200
8 200
9 201
0 201
1 201
2 201
3
Ciências
Agrárias 13 15 11 19 28 33 40 35 46 64 65 62
Ciências
Biológicas 3 2 7 4 6 3 16 17 26 21 18 11
Ciências
Exatas e da
Terra
5 4 4 2 3 4 10 17 21 17 28 29
Ciências
Humanas 0 1 3 1 3 6 5 11 18 12 18 20
Ciências da
Saúde 23 30 32 29 39 39 52 68 62 74 74 80
Indicadores da atividade goiana em pesquisa e inovação: potencialidades e deficiências em áreas
estratégicas no desenvolvimento científico e tecnológico
RAU/UEG – Revista de Administração da UEG
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http://www.revista.ueg.br/index.php/revista_administracao
(conclusã
ãã
ão)
200
2 200
3 200
4 200
5 200
6 200
7 200
8 200
9 201
0 201
1 201
2 201
3
Ciências
Sociais
Aplicadas
0 1 0 3 3 4 3 3 5 5 15 9
Engenharias 0 0 0 0 1 0 3 1 2 2 7 6
Linguística,
Letras e Artes 0 0 1 1 2 1 0 1 1 0 1 1
Multidisciplin
ar 5 9 15 7 10 9 19 26 24 23 28 33
Total 49 62 73 66 95 99 148 179 205 218 254 251
Fonte: Elaboração própria com base nos dados do SCIE/ISI, Web of Science (2014).
A Tabela 6 apresenta o crescimento no
número de publicações (412%), com maior
destaque para o período entre os anos de
2008 e 2013, quando as publicações tiveram
um crescimento de 73%, o que evidencia a
relevância da ciência gerada no estudo para a
comunidade acadêmica. Dentre as áreas com
a maior média de publicações ao longo do
período analisado, destacam-se Ciências da
Saúde (50,17 publicações) e Ciências
Agrárias (35,92 publicações). As áreas com
menor média de publicação no período
foram as áreas de Linguística, Letras e Artes
(0,75 publicações), Engenharias (1,83
publicações) e Ciências Sociais Aplicadas
(4,25 publicações). Em relação às duas
últimas áreas mencionadas, o fato de não
terem um programa de pós-graduação no
nível de doutorado pode ser um aspecto da
redução de publicações relevantes em
periódicos, sejam eles nacionais ou
internacionais, afinal o curso de doutorado
tem como um dos objetivos formar
pesquisadores que possam gerar pesquisas
relevantes para a comunidade.
Mesmo com a limitação de áreas
como Ciências Sociais, os dados
apresentados sobre a ciência demonstram
que o Estado de Goiás tem crescido tanto em
número de publicações em revistas ou livros,
como em número de programas. Este
crescimento de quantidade alinhado com a
crescente qualidade de programas e
capacitação de docentes e discentes será
fundamental para que tanto o estado como as
IES envolvidas com ciência possam ser
responsáveis por captar mais recursos de
editais públicos ou privados.
4.2 Indicadores da atividade goiana em
inovação
De acordo com dados do INPI
(2012), o Estado de Goiás entre os anos de
1980 e 2005 solicitou o registro de 730
patentes. Esse número representa 0.7% do
valor total do país, e deixa o estado na 10
a
colocação. Esses dados corroboram o estudo
de Póvoa e Silva (2005), que também
avaliaram o posicionamento do estado na
classificação de patentes.
Em um período mais recente, a
realidade do estado não sofreu significativas
mudanças. De acordo com a Tabela 7, entre
os anos de 2007 e 2012, foram registradas
130.961 patentes em todo o país, enquanto
que o Estado de Goiás representou uma taxa
inferior a 1% (657 patentes), ocupando
COELHO, Ricardo Limongi França; CAMARGO FILHO, Altair ; ALMEIDA, Marcos Inácio Severo de;
OLIVEIRA, Denise Santos de.
RAU/UEG – Revista de Administração da UEG – ISSN 2236-1197, v.6, n.2 maio./ago. 2015 |
39
apenas a 9
a
posição nacional. Entretanto, os
números revelam que houve uma evolução
do número de patentes nesse período no
Brasil e no Estado de Goiás, com
crescimento de 182% e 32%,
respectivamente.
Tabela 7 – Número de patentes entre os anos de 2007 e 2012
Patentes 2007 2008 2009 2010 2011 2012 Variação
do
período
Brasil 11.804 12.756 12.763 28.282 31.961 33.395 182%
Goiás 110 119 94 77 112 145 32%
Goiás/Brasil 0,2% 0,2% 0,1% 0,0% 0,0% 0,1% -
Fonte: Elaboração própria com base nos dados do INPI (2014).
A Tabela 7 demonstra um
crescimento entre os anos de 2007 e 2008
(8%), seguido por uma forte queda no
registro de patentes no biênio seguinte (35%)
no Estado de Goiás. Entre 2011 e 2012,
houve um novo aumento, atingindo 145
solicitações de registro.
De maneira complementar à
solicitação de patentes, a FINEP, que é
ligada ao Ministério da Ciência e
Tecnologia, tem um importante papel na
promoção de pesquisa e tecnologia em todo
o país. Em especial no Estado de Goiás, a
FINEP, a partir de seus diversos editais
divulgados ao longo dos anos, tem
contribuído na construção de laboratórios,
centros de estudo e desenvolvimento de
novas tecnologias em diversas áreas, com
destaque para as áreas da saúde e de
engenharia.
Nessa perspectiva de atuação da
FINEP no estado, a Tabela 8 apresenta um
sumário em relação aos valores com os quais
o Estado de Goiás foi contemplado nos
editais da FINEP entre os anos de 2006 e
2013. O estado apresenta uma média de
captação de recursos de R$ 9.755.672,99, o
que tem gerado uma importante contribuição
conjunta no desenvolvimento tecnológico e
científico no estado. Dentro da finalidade
dos valores recebidos, destaque para
algumas aplicações dos recursos destinados
para a construção e/ou reforma de
laboratórios e centros de pesquisa, a
consolidação de programas de pós-
graduação, a criação de infraestrutura para
desenvolvimento de pesquisas e, ainda, o
desenvolvimento de novos produtos por
meio de micro e pequenas empresas (MPE).
Dentre os valores recebidos, destaca-
se que apenas no ano de 2013 uma
universidade particular (PUC-GO) foi
contemplada com recursos para investimento
em uma pesquisa interdisciplinar entre saúde
e comportamento, enquanto que entre os
anos de 2006 e 2012 a concentração de
recursos permaneceu apenas em instituições
federais (principalmente a UFG). Um
aspecto complementar a ser mencionado em
relação à análise dos editais é que os temas
contemplados pelo estado são de
preponderância de áreas como: Ciências
Agrárias, Ciências Biológicas, Ciências
Exatas e da Terra e Ciências da Saúde.
No âmbito institucional, é importante
mencionar a importância da FAPEG em
complementar o apoio nacional da FINEP
para o desenvolvimento da inovação no
Estado de Goiás, que disponibilizou, entre os
anos de 2009 e 2013, o montante de R$
Indicadores da atividade goiana em pesquisa e inovação: potencialidades e deficiências em áreas
estratégicas no desenvolvimento científico e tecnológico
RAU/UEG – Revista de Administração da UEG
40 |
http://www.revista.ueg.br/index.php/revista_administracao
38.869.988,00 para projetos que
envolvessem o desenvolvimento tecnológico
e a inovação de produtos e processos
(FAPEG, 2014). Dentre os editais que
fomentaram os recursos, destacam-se os
projetos de pós-doutorado nas empresas,
para auxílio na formação de pesquisadores
que estejam vinculados no processo de
inovação das empresas (R$ 1.440.000,00 no
total), e, ainda, o PAPPE, que, juntamente
com a FINEP, disponibilizou cerca de R$
16.500.000,00 às empresas do estado para o
desenvolvimento de novas tecnologias em
áreas como Agronegócio, Fármacos e
Medicamentos, Máquinas e Equipamentos e
outros.
Tabela 8 Valores captados pelo Estado de Goiás por meio de editais da FINEP entre os
anos de 2006 e 2013
Ano Valor Total % Universidade % Empresa
% Secretaria
Estadual
2006 3.433.896,00 100% 0% 0%
2007 14.701.402,56 43% 57% 0%
2008 15.434.135,76 80% 16% 4%
2009 8.931.782,57 76% 24% 0%
2010 14.207.799,00 100% 0% 0%
2011 6.570.851,00 100% 0% 0%
2012 - 0% 0% 0%
2013 14.765.517,00 100% 0% 0%
Total 78.045.383,89
Fonte: Elaboração própria com base nos editais da FINEP (2014).
Notas: % Universidade, % Empresa e % Secretaria Estadual representam percentualmente o valor contemplado
por meio dos editais em relação ao montante obtido pelo estado no respectivo ano.
Para a manutenção do crescimento
na área de inovação é importante que
empresas e IES possam atuar de maneira
conjunta. As empresas podem se aproximar
das IES apresentando problemas que
poderiam ser solucionados por meio de
pesquisas, incentivando, assim, docentes e
discentes por meio de grupos de pesquisa e
propondo soluções que possam gerar
impacto tanto acadêmico como empresarial.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta pesquisa teve como objetivo
mapear a atividade goiana de pesquisa e
inovação no Estado de Goiás, identificando
potencialidades e deficiências nas áreas
estratégicas de desenvolvimento em C&T.
Como resultado da pesquisa, foi observado a
grande discrepância na oferta de cursos de
pós-graduação no Brasil. Enquanto que no
Estado de Goiás, juntamente com os estados
que compõem as regiões Centro-Oeste e
Norte, possuem apenas 13% desses cursos
(CAPES, 2014), as regiões Nordeste,
Sudeste e Sul concentram 67%.
COELHO, Ricardo Limongi França; CAMARGO FILHO, Altair ; ALMEIDA, Marcos Inácio Severo de;
OLIVEIRA, Denise Santos de.
RAU/UEG – Revista de Administração da UEG – ISSN 2236-1197, v.6, n.2 maio./ago. 2015 |
41
No Estado de Goiás,
especificamente, apenas oito IES dentre as
84 em funcionamento no estado, ofertam
cursos de pós-graduação, sendo que as
instituições federais (como o IFG, o
IFGoiano e a UFG) são as mais
representativas. Como a maioria da oferta de
cursos é por meio do sistema de ensino
público (80%), uma consequência é a
dificuldade do acesso e de opção aos alunos
interessados em cursar programas de
mestrado ou doutorado.
As áreas ofertadas na pós-graduação
de maior importância no estado identificadas
foram a de Ciências Agrárias (10
programas), Ciências Humanas (14
programas) e a Multidisciplinar (13
programas). Pela vocação agrícola do estado,
destaque para a área de Ciências Agrárias
que tem contribuído para o desenvolvimento
de novas tecnologias que auxiliam
trabalhadores, agricultores familiares, e
empresas na produção e comercialização de
seus produtos. A área Multidisciplinar
também tem sido relevante na abordagem de
uma perspectiva de investigação e de
resolução dos problemas empresariais de
gestão, e ainda, contribuindo com o
desenvolvimento de novas metodologias e
processos para as empresas instaladas no
Estado de Goiás.
Foram identificadas como áreas
carentes as Engenharias, Linguística e Letras
e Artes (com apenas 5 programas). Por um
lado, a consequência dessa carência resulta
numa frágil formação e quantitativo de
professores que poderiam contribuir nas
escolas, atuando em disciplinas importantes
de alfabetização, por exemplo. De outro
lado, o desenvolvimento de novas
tecnologias que poderiam resultar em
patentes e inovação que poderiam ser
exploradas tanto no mercado nacional como
no internacional.
Enquanto proposta, diante do
crescimento da pós-graduação no Brasil e a
crescente oferta de novos programas, é
necessário considerar a viabilidade da
abertura de novos programas com
localização próxima às regiões carentes, em
especial, nas regiões Centro-Oeste e Norte.
Afinal, a superação da dificuldade em formar
novos pesquisadores, geraria para essas
regiões contribuições que a ciência propicia
tanto regionalmente quanto nacionalmente
aos pesquisadores e a sociedade.
Outra proposta a ser considerada
nesse trabalho para o desenvolvimento
científico e tecnológico, em especial da pós-
graduação do Estado de Goiás, seria
fomentar parcerias entre instituições públicas
e particulares, na criação de cursos
interinstitucionais (ex.: Minter ou Dinter).
Por meio desses cursos, seria possível aos
docentes o maior contato com outros
pesquisadores e profissionais experientes,
permitindo gerar pesquisas de qualidade e,
assim, promover uma maior qualificação dos
docentes para a futura abertura de programas
na própria instituição fomentadora dos
cursos interinstitucionais.
Sob o aspecto de inovação, destaca-
se o crescente investimento das empresas do
Estado de Goiás em áreas de P&D,
contribuindo com o desenvolvimento de
novos produtos e processos. No mesmo
sentido, a FAPEG tem tido relevante papel
no contexto de incentivo a parceria entre
pesquisadores e empresas, por meio de
editais que propiciam o acesso a recursos
financeiros. Espera-se que a consequência
desse fomento seja vista nos próximos anos
com um aumento no número de patentes no
estado.
Portanto, a contribuição deste artigo
concentra-se na reflexão da necessidade de
um maior equilíbrio dentre os novos
programas de pós-graduação no Brasil, como
forma de propiciar o acesso à capacitação de
Indicadores da atividade goiana em pesquisa e inovação: potencialidades e deficiências em áreas
estratégicas no desenvolvimento científico e tecnológico
RAU/UEG – Revista de Administração da UEG
42 |
http://www.revista.ueg.br/index.php/revista_administracao
novos mestres e doutores em todo o país.
Para a qualificação no Estado de Goiás, em
especial, os pesquisadores se deslocam para
outros estados a fim de se capacitarem,
gerando desgaste físico e financeiro, o que
em alguns casos pode inibir e desestimular o
pesquisador.
Como limitação da pesquisa,
destaca-se a disponibilização dos dados
pelos órgãos de C&T. Pelas pesquisas
realizadas pelos autores deste trabalho, as
informações obtidas, poderiam contemplar
futuros estudos com comparações entre
regiões e estado, o que facilitaria novas
análises, bem como um comparativo entre
regiões, para avaliar as potencialidades e
deficiências de cada região para a criação de
novas diretrizes nacionais.
Sugere-se como pesquisas futuras a
elaboração de análises causais entre as
informações disponibilizadas de C&T para
avaliar quais aspectos têm maior influência
na obtenção de melhores resultados.
REFERÊNCIAS
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de Pessoal de Nível Superior. Geocapes
Dados Estatísticos. Disponível em
<http://geocapes.capes.gov.br/geocapesds/#a
pp=c501&da7a-selectedIndex=0&5317-
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http://dgp.cnpq.br/planotabular/index.jsp>.
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CAVALCANTE, L. R. Políticas de ciência,
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GODINHO, M. M. Indicadores de C&T,
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Para onde vamos? Análise Social, Lisboa, v.
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SOBRE OS AUTORES
Ricardo Limongi França Coelho, Mestre em
Administração pela Unisinos, professor da
Universidade Federal de Goiás, e-mail:
ricardolimongi@gmail.com
Altair Camargo Filho, graduado em
Administração pela Universidade Federal de
Goiás, e-mail: altaircamargo@gmail.com
Marcos Inácio Severo de Almeida, Mestre
em Administração pela Universidade de
Viçosa, professor da Universidade Federal
de Goiás, e-mail: misevero@yahoo.com.br
Denise Santos de Oliveira, graduada em
Administração pela Universidade Federal de
Goiás, e-mail: deniseadm@hotmail.com
AGRADECIMENTO
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado
de Goiás (FAPEG)
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Resumo: Este artigo analisa a evolução da economia do Espírito Santo a partir dos anos 1990, focando seu setor industrial, à luz das interpretações acerca do desenvolvimento regional brasileiro e de indicadores de inovação. Os dados pesquisados indicam que um 3° Ciclo de Desenvolvimento Econômico se iniciou na economia local nesse período, caracterizando o que se denominou de processo de "diversificação concentradora", marcado pela ampliação da produção de setores já existentes, inclusive com atividades de exportação, e renascimento de outros, mas com tais mudanças sendo superadas pelo amplo crescimento da produção de commodities. Ademais, o artigo analisou indicadores de ciência, tecnologia e inovação (como os da PINTEC do IBGE), comparando a performance capixaba com a dos estados mais desenvolvidos e com os dados da média do país. O quadro encontrado sugere que, embora o Espírito Santo venha crescendo a taxas acima da média nacional nas últimas décadas, sua produção científica e tecnológica ainda é pequena, e por isso ele não se insere na região mais dinâmica do país, a saber, a região do "polígono" (Diniz 1993, 2000, 2002), que concentra grande parte da produção industrial, científica e tecnológica do Brasil. Considera-se que no longo prazo, se mantida a situação acima descrita, a economia capixaba pode perder dinamismo em termos de potencial de crescimento econômico, dado que ela é cada vez mais dependente da produção de commodities. As reservas naturais que sustentam este tipo de produção podem se esgotar, sem contar os limites ambientais e de espaço urbano decorrentes da mesma. O artigo conclui que a ampliação dos investimentos em ciência, tecnologia e inovação representa uma alternativa interessante em busca da redução da dependência da produção de commodities no futuro, buscando-se atingir uma diversificação produtiva com maiores níveis de agregação de valor. Palavras-chaves: desenvolvimento regional; ciência, tecnologia e inovação; Espírito Santo. Abstract: This paper examines the evolution of the Espírito Santo State's economy in the 1990s, focusing on its industrial sector, under the interpretations about the Brazilian regional development and innovation indicators. The researched data indicates that a 3 rd Cycle of Economic Development began in the local economy in that period, characterizing what is called a process of "concentrated diversification", based mainly on the increasing of the established sectors, including exportation activities, and the renewing of others, but such changes have been overcame by the great growth of commodities production. Moreover, this paper analysed indicators of science, technology and innovation (such as IBGE's PINTEC), comparing the local performance to the most developed states and to the average country data. The found results suggests that although Espírito Santo have shown economic growth rates above the national average in recent decades, it still has a small technological and scientific production, so that is the reason why is not embed in the most dynamic region of the country, i.e., the polygonal region (Diniz 1993, 2000, 2002), that agglomerates great part of country's industrial, scientific and technological production. It is considered that in the long run, ceteris paribus, this situation may worsen in the future in terms of growth potential, provided that Espírito Santo is increasingly depending on the production of commodities. The natural reserves that sustain this kind of production may be exhausted, not counting the environmental and urban space limits for the same. So, the paper concludes that enlarge investment in science, technology and innovation is an interesting alternative for the state to become less dependent on the production of commodities in the future, seeking to reach a productive diversification with higher level of value added.
Article
O objetivo deste trabalho � discutir a evolu��o das pol�ticas de ci�ncia, tecnologia e inova��o (CT&I) no Brasil com base nos indicadores agregados de gastos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e de produ��o cient�fica e tecnol�gica. A revis�o bibliogr�fica subsidia a proposi��o de que, gradativamente, as pol�ticas propostas de CT&I t�m superado a concep��o linear do processo de inova��o e passado a reconhecer sua natureza sist�mica. Ap�s uma breve an�lise da trajet�ria seguida pelo Brasil desde a cria��o das ag�ncias de fomento � pesquisa e � forma��o de recursos humanos, na d�cada de 1950, at� a d�cada de 1990, argumenta-se que as pol�ticas de CT&I elaboradas no pa�s t�m, da mesma forma, admitido o car�ter sist�mico do processo de inova��o. Em seguida, com base na evolu��o dos gastos nacionais em P&D, argumenta-se que as pol�ticas efetivamente implementadas continuam privilegiando o financiamento � pesquisa cient�fica. Demonstra-se que, a despeito do crescimento da participa��o do Brasil nas concess�es de patentes depositadas no United States Patent and Trademark Office (USPTO), o crescimento mais acelerado da participa��o nacional no total de artigos publicados em peri�dicos cient�ficos internacionais indexados no Institute for Scientific Information (ISI) tem levado a uma queda da rela��o entre esses dois indicadores. A persist�ncia de a��es de car�ter mais cient�fico do que tecnol�gico nas pol�ticas nacionais de CT&I efetivamente implementadas pode ser creditada ao descompasso entre as categorias anal�ticas usadas para subsidiar a formula��o das pol�ticas e a operacionaliza��o de a��es amparadas em conceitos menos instrumentais. The aim of this work is to discuss the evolution of the science, technology, and innovation (ST&I) policies in Brazil using the aggregate indicators of research and development (R&D) expenditures and of scientific and technological production. The literature review s
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Um olhar crítico sobre o desempenho recente da economia capixaba: uma análise a partir da literatura de desenvolvimento regional e de indicadores de inovação
  • S B Caçador
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INPI. Pedidos de Patentes por estado. Disponível em <http://www.inpi.gov.br/images/stories/Pedi dos_de_Patentes_por_Estados.pdf>. Acesso em: 20 out. 2014.
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