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Responsabilidade social: contra ou a favor?

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Abstract

p> Introdução : Discute a responsabilidade social (RS) sob a ótica empresarial enfatizando as diferenças que surgem a partir da teoria neoliberal sobre a responsabilidade social empresarial (RSE) e da possibilidade de ações de melhoria da sociedade como um todo. A filantropia é considerada como o início de toda ação de RS. Objetivo: Compreender os conceitos de responsabilidade social a fim de estabelecer paralelos sobre o que as empresas desenvolvem, ampliando a percepção do que as organizações praticam atualmente. Metodologia : O artigo é desenvolvido a partir de uma metodologia com abordagem bibliográfica de natureza teórica. Resultados : A partir das diferenças existentes entre filantropia e RS é possível compreender esta última, ultrapassando expectativas econômicas. A ação ética na RS significa que as organizações devem aplicá-la em sua política de gestão e na cultura, incorporando-a às atividades sociais que beneficiam o ser humano. Conclusão : Numa visão pragmática e realista, conclui-se que a RSE na atuação gerencial das organizações repercute favoravelmente na sociedade, quando desenvolvida de forma contínua e com seu pleno sentido para a sustentabilidade social e ambiental do planeta, além de contribuir para a construção de uma sociedade cidadã por meio da ética e da melhoria das condições de vida de todos.</p
Inf. Inf., Londrina, v. 20, n. 1, p. 303 - 318, jan./abr. 2015.
http:www.uel.br/revistas/informacao/
303
DOI: 10.5433/1981-8920.2015v20n1p303
RESPONSABILIDADE SOCIAL: CONTRA OU A
FAVOR?
RESPONSABILIDAD SOCIAL: ¿A FAVOR O EN CONTRA?
Joana Coeli Ribeiro Garcia - nacoeli@gmail.com
Doutora em Ciência da Informação pela Universidade Federal do Rio de
Janeiro / Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia
UFRJ/IBICT. Professora do Departamento de Ciência da Informação e do
programa de Pós-graduação em Ciência da Informação (PPGCI) da
Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
Tatiana Falcão de Souza Fernandes -tatianafalc@gmail.com
Mestre em Ciência da Informação pelo PPGCI- UFPB. Professora do
Departamento de Ciências Contábeis da Universidade Federal do Rio
Grande do Norte (UFRN).
Jorge Raimundo da Silva - jormundinho@hotmail.com
Mestre em Ciência da Informação pelo PPGCI – UFPB Bibliotecário da
Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
Josivan de Oliveira Ferreira - jofer25@hotmail.com
Mestre em Ciência da Informação pelo PPGCI-
UFPB. Contador.
RESUMO
Introdução: Discute a responsabilidade social (RS) sob a ótica empresarial enfatizando as
diferenças que surgem a partir da teoria neoliberal sobre a responsabilidade social
empresarial (RSE) e da possibilidade de ações de melhoria da sociedade como um todo. A
filantropia é considerada como o início de toda ação de RS.
Objetivo: Compreender os conceitos de responsabilidade social a fim de estabelecer
paralelos sobre o que as empresas desenvolvem, ampliando a percepção do que as
organizações praticam atualmente.
Metodologia: O artigo é desenvolvido a partir de uma metodologia com abordagem
bibliográfica de natureza teórica.
Joana Coeli Ribeiro Garcia; Tatiana Falcão de Souza Fernandes; Jorge Raimundo da Silva;
Josivan de Oliveira Ferreira
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Resultados: A partir das diferenças existentes entre filantropia e RS é possível
compreender esta última, ultrapassando expectativas econômicas. A ação ética na RS
significa que as organizações devem aplicá-la em sua política de gestão e na cultura,
incorporando-a às atividades sociais que beneficiam o ser humano.
Conclusão: Numa visão pragmática e realista, conclui-se que a RSE na atuação gerencial
das organizações repercute favoravelmente na sociedade, quando desenvolvida de forma
contínua e com seu pleno sentido para a sustentabilidade social e ambiental do planeta,
além de contribuir para a construção de uma sociedade cidadã por meio da ética e da
melhoria das condições de vida de todos.
Palavras-chave: Responsabilidade social empresarial. Ética empresarial. Transformação
global. Filantropia.
1 INTRODUÇÃO
A sociedade globalizada vive um momento de significativas transformações.
Nos últimos trinta anos, a humanidade surgir fatos e fenômenos sociais,
econômicos, tecnológicos, ambientais e políticos que moldaram este momento
especial, em que o conflito e a incerteza são aspectos intangíveis dessa
compreensão. Nesse panorama, ressalte-se o pensamento de Santos (2003, p. 19)
ao afirmar que “no cenário econômico nacional e internacional, o quadro social atual
é preocupante”. Isso requer de todos os atores sociais, decisões e condutas que
reflitam e intervenham com harmonia entre seus pares nos próximos anos,
notadamente para reverter as desigualdades sociais e estabilizar o acesso aos bens
essenciais e primordiais, tais como: saúde, educação e emprego.
Nesse horizonte desconhecido, preocupante e desafiador, verifica-se o papel
fundamental das instituições, em suas dimensões públicas ou privadas, as quais se
compõem essencialmente por indivíduos e por valores, missão, visão, objetivos
estratégicos, concepções estruturais e gerenciais.
Torna-se importante, diante das estratégias, seja dos indivíduos e das
organizações das quais fazem parte, a adição de reflexão nos processos de tomada
de decisão e planejamento estratégico, em que a dimensão econômico-financeira se
torna coadjuvante da dimensão social no ambiente competitivo atual. Esta é a
defesa de Santos (2003, p. 19) ao observar que “hoje, o lucro como indicativo de
empresa de sucesso o é mais uma verdade absoluta, a menos que venha
acompanhado do fortalecimento de vínculos comerciais e sociais da empresa”.
Assim, no âmbito das organizações, não há mais como tratar, a questão social como
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algo secundário, deixando o poder público como principal, e por vezes único
responsável, pois os efeitos da instabilidade são, e serão cada vez mais sentidos por
todos.
Mas não apenas pela organização, e sim também por parte dos cidadãos que
as compõem, deixando para trás a ideia de que o Estado é o principal ator ou
interventor nas questões sociais, cuja origem no modelo keynesiano, volta-se para
amenizar e corrigir os efeitos da crise econômica das décadas de 1920 e 1930.
Insere-se, pois, no ambiente empresarial, e de forma abrangente nas diversas
organizações, uma nova diretriz ética, intrínseca ao negócio. Isto significa dizer que
as organizações devem ter responsabilidade social (RS), estritamente ligada à ética
cobrada pelos agentes formadores do ambiente competitivo: empresários, gestores,
clientes, fornecedores, concorrentes, empregados e sociedade.
A RS configura-se como uma ação que, de alguma forma, contribui direta ou
indiretamente para a transformação e melhoria dos diversos segmentos da
sociedade, considerando sua atuação positiva ao focalizar questões voltadas à
sustentabilidade e à pró-atividade.
Surgida nos Estados Unidos da América, na década de 1960, quando uma
empresa resolveu publicar seu balanço anual ou relatório social, causou frisson,
originando o que hoje conhecemos como responsabilidade social empresarial (RSE).
A iniciativa contábil adotada mundo afora registra manifestações a favor deste
comportamento, espalhando-se pela Europa e pelo Brasil. Particularmente na
França, Alemanha e Inglaterra, iniciou-se cobrança por maior RS e consolidou-se a
necessidade de divulgação dos chamados balanços ou relatórios sociais,
configurando-se como uma ação que, de alguma forma, contribui direta ou
indiretamente para a transformação da sociedade.
No entanto, é possível encontrar autores cujos argumentos contrariam essas
ideias. Para Srour (2000), existem práticas contrárias à RS:
a) Desvio, pelos gestores, da atividade principal da empresa, de geração de
lucro e aumento do patrimônio líquido, incorrendo em atitude ilegal;
b) Elevação dos preços dos produtos ou serviços oferecidos como
consequência de que as atividades sociais aumentam os custos
empresariais;
c) Participação minimizada do governo em ações exclusivamente suas.
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Como destaca Ashley (2005), os argumentos contra a responsabilidade social
das empresas (RSE) têm sido mais fervorosamente articulados por Milton Friedman,
embora outros autores, como Neil Chamberlain e Henry Manne, compartilhem de
suas ideias. Para eles, a única responsabilidade que a empresa tem é conseguir
lucro, otimizar o uso dos recursos organizacionais, e, em consequência, aumentar o
retorno do capital dos acionistas. Dessa forma, mantendo o foco nos negócios, ela
aumenta sua competitividade e lucratividade.
Para que se possa assumir posição definitiva em relação à RS, é necessário
conhecer sua essência no contexto contemporâneo; especialmente para que não
seja confundida com filantropia que representa atividades esporádicas de caridade,
e é como a RS se configura na maioria das organizações. Dessa feita, a RS se
constitui objetivo deste ponto de vista, ampliando a percepção do que as
organizações praticam e estabelecendo paralelos sobre o que desenvolvem.
Metodologicamente, este artigo desenvolve abordagem bibliográfica de natureza
teórica para cumprir o objetivo pretendido
.
2 RESPONSABILIDADE
SOCIAL
A política de RSE deve estar integrada em suas diretrizes principais,
agregada aos custos operacionais estratégicos e envolvendo todos os
colaboradores da organização. Diante dessa diretriz empresarial, a RS, segundo
Ashley (2003, p. 56), pode ser definida como:
[...] compromisso que uma organização deve ter com a sociedade,
expresso por meio de atos e atitudes que a afetem positivamente, de
modo amplo, ou a alguma comunidade, de modo específico, agindo
pró-ativamente e coerentemente no que tange a seu papel específico
na sociedade e a sua prestação de contas para com ela.
A organização, nesse sentido, assume obrigações de caráter moral, além das
estabelecidas em lei, mesmo que não diretamente vinculadas às suas atividades,
mas que possam contribuir para o desenvolvimento sustentável dos povos. Numa
visão expandida, RS é toda e qualquer ação que possa contribuir para a melhoria da
qualidade de vida da sociedade.
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A contribuição para a construção de um conceito evoluído para a
responsabilidade social empresarial nas organizações pode ser observada pelo
Banco Mundial, ao estabelecer que:
RSE é o compromisso empresarial de contribuir para o
desenvolvimento econômico sustentável, trabalhando em conjunto
com os empregados, suas famílias, a comunidade local e a
sociedade em geral para melhorar sua qualidade de vida, de maneira
que sejam boas tanto para as empresas como para o
desenvolvimento (BANCO MUNDIAL, 2002 apud KREITLON, 2004,
p. 3).
Isto significa que as entidades devem aplicar princípios em suas políticas de
gestão, semelhantes a uma cultura que deve ser incorporada às empresas. Além do
mais, o discurso de uma preocupação social deve refletir-se em ação, pois o
adianta uma empresa pagar mal a seus funcionários, corromper a área de compras
de seus clientes, pagar propinas a fiscais do governo e, ao mesmo tempo,
desenvolver programas voltados a entidades sociais da comunidade. Essa postura
não condiz com uma empresa que quer trilhar um caminho de responsabilidade
social.
Outra definição fundamentada pelo Instituto Ethos (2011), o qual menciona
RS como:
[...] a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente
da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e
pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o
desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos
ambientais e culturais para as gerações futuras, respeitando a
diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais.
Estas definições remetem às preocupações que afligem a sociedade atual, ou
seja, às questões ambientais e de empregabilidade, que se acostam finamente com
a capacidade de os indivíduos se manterem ativos e atendidos em suas
necessidades básicas. É possível, a partir dessas definições, extraírem-se
informações sobre a RSE como algo que vai além de expectativas econômicas e
atividades sociais que beneficiam o ser humano. Não se trata de ações paliativas,
mas de processos contínuos que tenham reflexos futuros e alinhados com a visão
estratégica da organização que, de acordo com Ashley (2003), é um conceito em
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construção. Assim encontram-se empresas praticando tanto a filantropia quanto a
RS.
[...] ainda é possível no Brasil, encontrar empresas praticando o
assistencialismo, enquanto outras desenvolvem por meio de
parcerias a responsabilidade social corporativa no contexto de ideias
ampliadas, envolvendo tanto empresas privadas como públicas e da
sociedade civil, de qualquer natureza, seus empregados, seus
stakeholders e a sociedade como um todo. Muitas vezes atendendo
ao constante nas políticas públicas (GARCIA, 2011, p. 28).
Para a prática da responsabilidade social corporativa (RSC), é necessário
atender a 4 importantes características, entre elas:
a) Caráter Plural, no sentido de que seu compromisso de prestar contas deixa
de ser apenas para com os sócios da organização, a partir do momento em que as
atividades desenvolvidas por elas passam as fronteiras da instituição. Assim, “O
mercado deve agora prestar contas aos funcionários, à mídia, ao governo, ao setor
não governamental e ambiental e, por fim, às comunidades com que opera.”
(RESPONSABILIDADE..., 2011).
O caráter plural reflete-se no compromisso de prestação de contas das ações
desenvolvidas pela empresa a todas as partes envolvidas no ambiente interno e
externo à organização, ou seja, além dos sócios, as informações satisfazem aos
funcionários, à mídia, ao governo, às organizações não governamentais e às
comunidades circunvizinhas da organização. É importante salientar que o acesso à
informação proporciona maior conscientização das pessoas em relação aos fatores
de influência no desenvolvimento de produtos e serviços, afetando a sociedade de
maneira geral.
b) Caráter Distributivo tem em vista que a RS perpassa “[...] toda a cadeia
produtiva, não somente o produto final deve ser avaliado por fatores ambientais ou
sociais, mas o conceito é de interesse comum.” (RESPONSABILIDADE..., 2011).
Percebe-se que o caráter distributivo reflete-se em todo o processo de
produção, não se resumindo apenas ao produto final, mas também aos efeitos
gerados ao meio ambiente, ao cliente, ao concorrente e a toda sociedade de
maneira que a partir da RSE, o setor de produção deve ser informado de todos os
efeitos provocados.
c) Caráter Sustentável, pois a “responsabilidade social anda de mãos dadas
com o conceito de desenvolvimento sustentável.” (RESPONSABILIDADE..., 2011).
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Nota-se, nos dias atuais, que o caráter sustentável reflete a responsabilidade
de produzir para atender às necessidades da sociedade sem trazer consequências
danosas aos recursos que serão utilizados pelas gerações futuras.
d) Caráter Transparente visa que “A globalização traz consigo demandas por
transparência.” (RESPONSABILIDADE..., 2011). Atitudes e ações que possam ser
acompanhadas por todos os membros da sociedade.
Esta característica da RSE reflete, em certa medida, o que ocorre nos últimos
10 anos, proporcionado pela internacionalização dos mercados, a qual provocou
mudanças significativas na maneira de agir diante dos concorrentes, clientes,
fornecedores e, em última instância, da sociedade. A RSE passou a ser um requisito
indispensável para as organizações que deixaram de ter uma visão restrita para uma
nova perspectiva de atuação no mercado e a transparência de suas ações refletidas
nos relatórios anuais para que a organização possa ser avaliada em todas as suas
modalidades.
Figura 1 – Características da Responsabilidade Social Corporativa
Fonte: RESPONSABILIDADE... (2011).
3 FILANTROPIA
Reforçamos que a filantropia é a ação que inicia a RS. Friedman (1984) critica
como a RSE é praticada atualmente na sociedade ao destacar que a única
responsabilidade que a empresa tem é a de conseguir lucro; no entanto, agindo
assim a empresa obtém divulgação positiva por meio do marketing e,
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consequentemente, aumenta o retorno do capital para os acionistas. Embora não
seja uma forma ética de atender às necessidades da sociedade, não se pode negar
que ela faz algo positivo. Por outro lado, ainda é o autor quem explicita que ao
cumprir aquilo para o qual foi criada, a empresa torna-se responsável:
[...] ao gerar novos empregos, pagar salários justos e melhorar as
condições de trabalho, além de contribuir para o bem-estar público
ao pagar seus impostos. A empresa que desvia recursos para ações
sociais pode estar prejudicando sua competitividade [...] deve manter
o foco nos negócios (FRIEDMAN, 1984, p. 320).
Com esse entendimento, Canto-Sperber (2007, p. 235) esclarece que as
empresas podem beneficiar “[...] o mundo exterior à empresa, ao mesmo tempo em
que favorece a reputação ou a imagem da própria empresa.”
É provável que a partir desse pensamento haja alinhamento do conceito com
o de RS, uma vez que parte dos administradores e dirigentes de grandes
corporações se mantém reticentes em incorporar ao planejamento estratégico
objetivos de desenvolvimento social alinhado com os financeiros, ou seja, para
muitos fazer filantropia e caridade é praticar a RS. Eles se apoiam no pensamento
tecnicista do modelo neoliberal, vigente, notadamente, nas décadas de 1980 e 1990,
cuja principal referência se deu no pensamento de Freeman (1984), citado por
Kreitlon (2004), que defendia a ideia de responsabilidade das empresas
desenvolvida para atender aos interesses dos acionistas, substituindo a ótica de que
o gestor não tinha responsabilidade com os stakeholders, a qual envolve as “[...] três
correntes teóricas dedicadas ao estudo das relações entre ética, empresas e
sociedade.” (KREITLON, 2004, p. 6).
Garcia (2011, p. 27), por sua vez, salienta que no campo da iniciativa privada,
a responsabilidade social foi concebida como uma atividade neoliberal uma vez que
tais ações eram executadas com o intuito de obter lucros. Eram feitas doações às
“[...] instituições necessitadas, recebendo delas um documento para, quando do
acerto de contas com o Imposto de Renda, abater o valor em sua declaração anual
[...]”. Isto se caracteriza como uma pseudorresponsabilidade social, ou seja, uma
filantropia travestida de RS, pois estas ações o passam de um jogo de marketing
com o intuito de proporcionar destaque à Instituição que promove tais ações.
De acordo com Santos (2003, p. 20), “O que não é responsabilidade social:
ações esporádicas, doações e outros gestos de caridade não vinculados à estratégia
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empresarial.” Nesse caso, as entidades que acreditam ser socialmente
responsáveis, na verdade, estão fazendo paternalismo, seja por iniciativa pessoal,
por sua corporação ou por seus dirigentes.
Ainda é Garcia (2011, p. 28) que, ao estudar RS em instituições de ensino
superior na cidade de João Pessoa, afirma que “[...] a responsabilidade social se
constituía e ainda se constitui em atividades isoladas de filantropia, paternalismo ou
mero assistencialismo.” Destacamos que por trás da filantropia existem diversos
interesses dentre os quais, a obtenção de lucros. Em uma palavra, à filantropia
não interessa tão somente o bem-estar social, sendo esta considerada como a
primeira atividade relacionada à RS.
Por outro lado, entendem-se como benéficas as ações que algumas
instituições praticam, pois de alguma forma estas iniciativas amenizam os problemas
sociais, mesmo que não venham a resolvê-los, uma vez que esta não é missão de
tais instituições. Este pensamento encontra apoio no utilitarismo: filosofia defendida
por Stuart Mill e Jeremy Bentham, a qual parte do pressuposto de que a atividade
humana deve objetivar a felicidade e o bem-estar dos indivíduos em que cada ação
é considerada boa do ponto de vista moral quando ela contribui para o bem-estar
coletivo.
Rachels (2004, p. 151) alerta que:
O utilitarismo clássico, a teoria de Bentham e Mill, pode ser resumido
em três proposições: primeiro, deve-se julgar que as ações são
moralmente certas ou erradas somente em função das suas
consequências. Nada mais importa. Segundo, ao avaliar as
consequências, a única coisa que interessa é a quantidade de
felicidade ou infelicidade criada. Tudo o mais é irrelevante. Terceiro,
a felicidade de cada pessoa conta da mesma maneira.
Diante do contexto, faz-se necessário evidenciar as diferenças entre
filantropia e responsabilidade social. Melo Neto e Froes (2001) destacaram as
diferenças relevantes em relação aos dois conceitos aqui expostos.
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Quadro 1 - Diferenças entre Filantropia e Responsabilidade Social
Filantropia Responsabilidade Social
Ação individual e coletiva Ação coletiva
Fomento da caridade Fomento da cidadania
Base assistencialista Base estratégica
Restrita a empresários abnegados Extensiva a todos
Prescinde de gerenciamento Demanda gerenciamento
Decisão individual Decisão consensual
Fonte: Melo Neto e Froes, 2001
É possível, a partir dessas diferenças, extrair informações sobre a RSE como
algo que vai além de expectativas econômicas e atividades sociais que beneficiam o
ser humano. A questão ética entra em ação e significa que as entidades devem
aplicar princípios em sua política de gestão, semelhante a uma cultura que deve ser
incorporada ao pensamento da empresa.
4 A
QUESTÃO
ÉTICA
E
A
RESPONSABILIDADE
SOCIAL
A ética, de forma geral, se confunde e se relaciona com o conceito de moral.
Segundo Gomes (2011), moral é entendida como “[...] regras de conduta que
organizam as relações interpessoais forçadas pelo hábito e que ordenam nossos
comportamentos.” Portanto, a moral atua como um agente regulador dos valores e
comportamentos que, em determinada sociedade e em dada época, são
considerados legítimos pelos indivíduos, como uma religião.
Nesse sentido, a moral empresarial / corporativa pode ser definida como:
[...] conjunto daqueles valores e normas que, dentro de uma
determinada empresa, são reconhecidos como vinculantes. A
ética empresarial reflete sobre as normas e valores
efetivamente dominantes em uma empresa, interroga-se
pelos fatores qualitativos que fazem com que determinado
agir seja um agir bom (LEISINGER; SCHIMITT, 2001, p. 22).
Para Veloso (2006, p. 7), a RSC define o novo ethos, tornando obrigação para
as organizações a prática pautada numa conduta ética ao mesmo tempo em que
seguem os valores morais, provocando a criação de diretrizes nas organizações, ou
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seja, “preocupação com atitudes éticas e moralmente corretas que afetam todos os
públicos / stakeholders envolvidos.” Esta deve ser uma das preocupações das
organizações que buscam uma conduta diferenciada do ponto de vista ético e moral,
refletindo assim um resultado que busca atender a todas as partes interessadas, o
que reflete certa dependência em suas ações. Assim, as atitudes éticas e
moralmente corretas podem promover mudanças de comportamentos e de valores
nas instituições.
O reconhecimento e a valorização da importância na contribuição ao meio
ambiente é condição indispensável a toda empresa, tendo em vista que ela está
inserida na sociedade. Veloso (2006, p. 7) afirma que o “respeito ao meio ambiente
e contribuição para sua sustentabilidade em todo o mundo” devem fazer parte da
missão de uma organização, enquanto instituição séria e comprometida com a
sustentabilidade ambiental. Dessa forma, as ações relacionadas ao meio ambiente
refletem o conceito de desenvolvimento sustentável, que busca a utilização dos
recursos ambientais de modo responsável para atender às necessidades das
gerações futuras. Ainda acrescenta a autora que o envolvimento nas comunidades
poderá proporcionar “[...] desenvolvimento econômico e humano dos indivíduos ou
até atuando diretamente na área social, em parceria com governos ou
isoladamente.” (VELOSO, 2006, p. 7). Características essas que diferenciam as
organizações éticas responsáveis das demais.
Nos dias atuais, com o imperativo provocado pela globalização causadora de
grandes transformações socioeconômicas, a ética, através da RS, influencia os
rumos da economia global, considerando que a corrida por lucros obedece às leis e
segue comportamentos voltados à comunidade na qual está inserida. Nesse cenário,
a forma como os produtos são apresentados tende a sofrer mudanças, pois a
própria dinâmica do mercado impõe às empresas um comportamento diferenciado.
Ou seja, é de fato a sociedade que dita os padrões éticos e morais a serem
seguidos pelas grandes e pequenas empresas.
Dito de outra forma, o efeito que a globalização exerce nas empresas pode
ser entendido como uma resposta às exigências que o mercado local faz devido ao
acesso às tecnologias de informação, que possibilitaram maior dinamicidade no
tocante às trocas de informações. Assim, obtenção de mais informações acerca
de variados temas.
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Com base em Garcia (2011), adiantamos que de forma geral quando uma
indústria lança no mercado um produto, ela procura fazê-lo seguindo as
recomendações das agências de proteção ambiental ou de proteção aos animais, de
modo que não agrida a natureza, agregando valor ao seu produto. Tais atitudes
evidenciam a preocupação com o bem-estar do homem, com progresso econômico
da comunidade na qual a corporação está inserida e com a consciência ambiental.
Aqui cabe destacar o conceito ampliado de RS trabalhado por Garcia (2011, p. 33),
que engloba “[...] a gestão ambiental e gestão de fornecedores, com a finalidade de
criar a sustentabilidade ambiental, econômica e social promovida pelos impactos
sociais da organização.”
É essa consciência de pertencimento à sociedade que irá definir ações
sociais e práticas que a organização desempenhará num contexto amplo. Veloso
(2006, p. 8) acrescenta que “[...] toda sociedade funciona de acordo com princípios,
valores e tradições culturais específicos, que determinam os pensamentos e
comportamento dos indivíduos.Concluindo que: “Não indivíduos, empresas ou
países sem cultura.” Nesse sentido, a responsabilidade social contribui para a
criação de vínculos sólidos com clientes e fornecedores e, sobretudo, com a
sociedade na qual a empresa se insere.
Nessa perspectiva, torna-se necessário conhecer e praticar a
responsabilidade social no contexto contemporâneo. É nesse cenário que a RS se
apresenta no início do século XXI. Assim, não se concebe que uma empresa, que
tenha pretensões num mercado cada vez mais competitivo, fuja dessas
responsabilidades que são legais e moralmente corretas. A RS deve fazer parte das
prioridades e competências das instituições que, de uma forma ou de outra, estão a
serviço da sociedade.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir da compreensão dos conceitos de RS e filantropia, observamos que
uma empresa, por mais que ofereça para os seus consumidores e parceiros
produtos e processos eficientes, se não tiver a visão clara e a gestão eficaz sobre
suas responsabilidades para com os fatores éticos de atuação social em seu
ambiente competitivo, poderá comprometer seus objetivos.
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Assim, é missão da empresa adotar um modelo de gestão, tendo como
alicerces a ética corporativa e o desenvolvimento sustentável fundamentados nas 4
características necessárias à implementação da RSE destacadas, a saber:
Caráter Plural, Distributivo, Sustentável e o Caráter Transparente, de modo que
contribua para a preservação do meio ambiente, melhor distribuição de renda,
aumento do desenvolvimento, repercutindo numa melhor qualidade de vida,
satisfação e motivação dos empregados. Consequentemente, estas ações poderão
trazer para a organização aspectos como maior facilidade de acesso ao capital dos
investidores, fortalecimento da marca, aumento das vendas e facilidade na decisão
das metas, que elas condizem com normas e políticas vigentes no governo e na
sociedade.
Entendemos que esse fenômeno se amplia com a globalização da economia,
uma vez que a mesma provoca mudanças de comportamentos ao permitir que as
diversas culturas se aproximem cada vez mais, forçando as organizações a
respeitarem e se adaptarem às diferenças culturais, tornando-se socialmente
responsáveis com relação ao contexto sociocultural e sobrepondo-se ao dever do
Estado.
Daí, pode também surgir uma nova consciência das famílias perante os
produtos e serviços que estão dispostos a consumir, que levam em consideração
outros fatores intangíveis, o somente relacionados à qualidade tecnológica ou ao
preço, mas referentes a critérios culturais, valores éticos e preocupação com o futuro
sustentável, ou seja, qualidade de vida almejada pelas famílias.
A discussão acerca da temática apresentada neste texto se faz necessária
para ampliar a percepção do que as organizações praticam atualmente. Numa visão
pragmática e realista sobre a temática das visões aplicadas no mundo dos negócios,
entendemos que a responsabilidade social, no âmbito da atuação gerencial nas
organizações, repercute favoravelmente na sociedade, desde que a sua aplicação
seja desenvolvida de forma contínua e de acordo com o seu pleno sentido, ou seja,
de forma distinta da prática filantrópica.
Ao assumir essa postura, as organizações poderão contribuir para construção
de uma sociedade melhor, mais justa, mais solidária, com menos corrupção e por
meio da ética e do desenvolvimento ambiental para a sustentabilidade do planeta.
Conclui-se que a RSE, na atuação gerencial das organizações e com foco dirigido
para a sustentabilidade social e ambiental do planeta, contribui para a construção de
Joana Coeli Ribeiro Garcia; Tatiana Falcão de Souza Fernandes; Jorge Raimundo da Silva;
Josivan de Oliveira Ferreira
Responsabilidade social: contra ou a favor?
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316
uma sociedade cidadã por meio da ética e da melhoria das condições de vida para
todos.
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Title
Social responsibility: for or against?
Abstract
Introduction: It discusses the social responsibility (SR) under the business perspective
emphasizing the differences that arise from the neoliberal theory on corporate social
responsibility (CSR) and the possibility of improvement actions of society as a whole.
Philanthropy is regarded as the beginning of all SR action.
Objective: To understand the concepts of social responsibility in order to establish parallel
on what companies develop, increasing the perception of what the organizations currently
practice.
Methodology: The article is developed from a methodology with bibliographic approach of
theoretical nature.
Results: From the differences between philanthropy and RS is possible to understand this
as overcoming economic expectations. The ethical action in the RS means that organizations
must apply it in their policy management and culture, incorporating the social activities that
benefit humans.
Conclusion: In a pragmatic and realistic view, it is concluded that CSR in management
practice of organizations reflects positively in society, when it is developed continuously and
with its full sense for the planet´s social and environmental sustainability, besides
contributing to building a citizen society through ethics and the improvement of living
conditions for all.
Keywords: Corporate social responsibility. Corporate ethics. Global transformation.
Philanthropy.
Título
Responsabilidad social: ¿a favor o en contra?
Resumen
Joana Coeli Ribeiro Garcia; Tatiana Falcão de Souza Fernandes; Jorge Raimundo da Silva;
Josivan de Oliveira Ferreira
Responsabilidade social: contra ou a favor?
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Introducción: habla sobre la responsabilidad social (RS), bajo la perspectiva de negocios
haciendo hincapié en las diferencias que surgen de la teoría neoliberal de la responsabilidad
social corporativa (RSC) y la posibilidad de acciones de mejora de la sociedad en su
conjunto. La filantropía es considerado como el principio de toda acción RS.
Objetivo: Comprender los conceptos de responsabilidad social para establecer paralelos en
lo que desarrollan las empresas, el aumento de la percepción de las organizaciones en la
actualidad la práctica.
Metodología: El artículo se desarrolla a partir de un enfoque bibliográfico metodología de
carácter teórico.
Resultados: De las diferencias entre la filantropía y la RS es posible entender esto como la
superación de las expectativas económicas. La acción ética en la RS significa que las
organizaciones deben aplicar en su política de gestión y en la cultura. Esto para que la
incorporación en las actividades sociales beneficien a los seres humanos.
Conclusión: En una visión pragmática y realista, se concluye que la RSE en la gestión de
actividades de las organizaciones refleja positivamente en la sociedad, cuando se
desarrollan de forma continua y con su pleno significado a la sostenibilidad social y
ambiental del planeta, y contribuir a la construcción una sociedad ciudadana a través de las
condiciones de vida éticos y mejorando para todos.
Palabras clave: Responsabilidad social empresarial. Ética en los negócios. Transformación
global. Filantropía.
Recebido em: 18.05.2012
Aceito em: 28.03.2015
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Article
Resumo O objetivo deste artigo é apresentar e discutir a evolução das principais correntes teóricas empenhadas em justificar o conceito de responsabilidade social empresarial (RSE). Embora no Brasil fale-se cada vez mais a respeito de ética nos negócios e de responsabilidade social das empresas, muitas vezes os argumentos escolhidos para justificar a RSE são essencialmente contraditórios, e misturam pressupostos derivados de orientações teóricas simplesmente incompatíveis entre si. Desde que a problemática relativa às relações entre ética, empresas e sociedade emergiu no início dos anos 60, a produção acadêmica nesse campo cindiu-se em três tipos de abordagens, ou escolas de pensamento, bastante distintas: a Business Ethics, matriz e precursora de todas elas, identificável por sua natureza normativa; a Business & Society, de orientação sociopolítica e contratual; e a Social Issues Management, abordagem de cunho instrumental, voltada para a gestão estratégica das questões éticas e sociais. Após um rápido esboço do contexto histórico dentro do qual surgiu o conceito de RSE, o texto apresenta algumas das principais características de cada uma das três abordagens, sublinhando aquilo que as distingue. Por fim, avança-se a hipótese que, ainda que partam de princípios bastante diferentes e até opostos, as três correntes teóricas acabam por reforçar-se mutuamente e promovem, em última instância, a mesma ideologia: ou seja, a apropriação de diversas questões de interesse público e político pela iniciativa privada.
Responsabilidade social nos negócios
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Responsabilidade social ou filantropia? Sanare: Revista Técnica da Sanepar
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SANTOS, Elenice C. Roginski M. Responsabilidade social ou filantropia? Sanare: Revista Técnica da Sanepar, Curitiba, v. 20, n. 20, p. 18-27, jul./dez. 2003.
Ética, valores e cultura: especificidades do conceito de responsabilidade social corporativa Ética e responsabilidade social nos negócios. 2
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Responsabilidade social nos negócios. São Paulo: Saraiva
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Dicionário de ética e filosofia moral
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Responsabilidade ético-social das universidades públicas e educação da população negra
  • Joana Coeli Garcia
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GARCIA, Joana Coeli Ribeiro (Org.) Responsabilidade ético-social das universidades públicas e educação da população negra. João Pessoa: Editora Universitária UFPB, 2011. v. 1, p. 23-41.