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Keep it Simple, Make it Fast! An approach to underground music scenes. Volume 1

Abstract

The underground music scenes were, for a long time, associated with strong DIY (do-ityourself) cultural practices. Consequently, in this book we intend to discuss the importance of underground artistic and musical practices in contemporary society, both for its volatility and for its undeniable importance in youth urban cultures, keeping a record of sociological reflection, although open to all other social sciences. Underground urban musical cultures were and still are considered by many as illegitimate objects of analysis within the framing of contemporary social theory. However, these cultures play a central role in the functioning of music (post) industry and in the outlook of emerging digital media. We also intend to clarify the musical scenes that run through contemporary cities, giving them rhythms but also specific forms of cultural identity, as well as a new historical, social and artistic heritage. In sum, this book aims to explore the contemporary landscapes of underground urban music scenes and DIY cultures in a context of globalized modernity. The book is organized according to the following seven thematic areas: Music and DIY cultures: DIY or Die!; Porto calling: meanings, dynamics, artifacts and identities in today's punk scenes; Music scenes, politics and ideology: social-historical memories and contemporary practices; Contemporary underground cultures’ aesthetics: between the digital, the retro and the nostalgia; Musical production, mediation, consumption and fruition in the contemporaneity; Underground music scenes; and, last, Local scenes, communities, identities and urban cultures.
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... As cidades são cada vez mais palcos de visibilidade e concretização de mudanças sociais, mesmo que nos situemos sob o recorte específico das manifestações de rock alternativo (Silva et al., 2015). Os perfis urbanos modificaram-se drasticamente: com as recomposições da textura social, cultural e urbanística das metrópoles (como a gentrificação) emerge, em lugar da cidade de outrora, a cidade dos consumos e das fruições onde avulta o papel cada vez mais central da cultura (produção simbólica) no conjunto das atividades económicas e do surgimento de renovados estilos de vida (Fortuna & Peixoto, 2002; Guerra, 2003; Guerra & Moreira, 2016Brake destaca a importância da urbanização como um eixo explicativo fundamental do processo de emergência das subculturas juvenis (Brake, 1980:10). Nesse mesmo trabalho, o sociólogo adianta uma divisão dos estudos acerca das culturas juvenis em quatro áreas: os que se dedicam à chamada juventude " respeitável " – composta pelos jovens que não estão envolvidos em nenhuma cultura juvenil, apenas partilham alguns modismos dessa expressividade mas que não se cristalizam em estilos de vida (Brake: 1980:23); a juventude marcada pela delinquência que abrange todo um conjunto de jovens que estão envolvidos em práticas de violência física e verbal, bem como actividades que podemos apelidar de desviantes pois envolvem drogas, crimes e delitos, e cujas manifestações culturais se associam indelevelmente à pertença de classe; os rebeldes culturais como um grupo de jovens que tendencialmente estão envolvidos nas tradições boémias e nas manifestações culturais, geralmente pertencentes às classes médias e portadores de uma elevada educação formal, são um grupo que se assume como apoiante e dinamizador do mundo artístico-literário, muito ligado às escolas de arte e à vivência urbana e de onde emergiram muitos dos membros de bandas pop rock, nomeadamente a partir da década de 70 do século XX; finalmente, Brake destaca a juventude politicamente militante onde podemos encontrar todo um conjunto de jovens envolvidos com grupos específicos abrangidos com as variadas formas de fazer política. ...
... Uma das bases desta pós-subcultura associa-se à compreensão de que as subculturas coexistem com as indústrias culturais, apropriam-se delas, e que na atualidade as divisórias são muito mais fluídas, com os indivíduos a provocarem leituras da realidade social com ethos como o DIY, ou como a autoorganização integrada (organizações situadas na estrutura social, que funcionam fora dos sistemas normativos mas o fazem não numa lógica de oposição mas de coexistência muito pacífica). Tudo isto abriu caminho para se produzirem leituras algo distintas sobre a realidade social em questão, nomeadamente sobre o modo como os indivíduos se apropriam das suas identidades musicais num contexto urbano (Guerra & Moreira, 2016). Para isto, o conceito de cena é particularmente útil, na sua ramificação em local, translocal e virtual, sendo que os três são formas de união de indivíduos com interesses semelhantes e com praxis que diferem desde a mera fruição, ao envolvimento político, à carnivalização do espaço, à transformação das formas culturais, às éticas alternativas, e são três formas de envolvimento muito marcadas pela fluidez, a presença temporária (Guerra, 2015bGuerra, , 2015c). ...
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Este artigo procura lançar um olhar preliminar sobre os primeiros momentos da cena noise/experimental que despoletou na cidade das Caldas da Rainha, na viragem das décadas de 1980 para a de 1990, focando-se na atividade artística, musical e cultural das bandas locais-e tendo o artista João Paulo Feliciano como protagonista. Deste modo, procuramos identificar os pontos-chave e os fatores que possibilitaram o florescimento de uma cena noise em Caldas da Rainha, como lojas de discos, pessoas, pontos de encontro, editoras, eventos, live sessions, festas e etc. Também foi nosso objectivo, evidenciar os impactos iniciais que a música e as movimentações artísticas feitas na cidade tiveram no resto do país. Paralelamente, apresentamos os pontos de influência que a efervescência do rock em Portugal teve em Caldas da Rainha e na sua cena noise/experimental, lançando uma análise prévia sobre as ramificações do progresso da cena na cidade que levaram músicos locais, além de Feliciano, a ter destaque no cenário nacional. Assim, este artigo, intenta fazer um ensaio propedêutico do conceito de cena às dinâmicas desenvolvidas nas Caldas da Rainha, relevando a necessidade que determinados atores sentiram para a criação do seu próprio " ecossistema " fundando editoras, agendando gigs e expandindo a network e personagens e espaços-tão necessária para as cenas independentes. Aqui, iremos inserir a importância dos contatos com os músicos de outras cidades de Portugal e até os laços de amizade entre Feliciano e Lee Ranaldo (Sonic Youth) e no que isso auxiliou a chancelar o noise que se fazia na cidade, mais reconhecidamente pelos Tina and the Top Ten. Palavras-chave: noise, cenas musicais, indie, network, experimentalismo. 1
... As cidades são cada vez mais palcos de visibilidade e concretização de mudanças sociais, mesmo que nos situemos sob o recorte específico das manifestações de rock alternativo (). Os perfis urbanos modificaram-se drasticamente: com as recomposições da textura social, cultural e urbanística das metrópoles (como a gentrificação) emerge, em lugar da cidade de outrora, a cidade dos consumos e das fruições onde avulta o papel cada vez mais central da cultura (produção simbólica) no conjunto das actividades económicas e do surgimento de renovados estilos de vida (Guerra, 2003; Guerra & Moreira, 2016). A reabilitação urbana por via da cultura é muitas vezes assumida como o culminar de um processo de reabilitação, mas importa também assumi-la como um catalisador que despoleta uma reutilização de espaços abandonados e/ou degradados e o desenvolvimento de uma cena artística local. ...
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Esta rede foi fundada no início de 2016 por Paula Guerra (Universidade do Porto), Lígia Dabul (Universidade Federal Fluminense) e Glória Diógenes (Universidade Federal do Ceará), a qual procura estimular novos investigadores e melhorar os fluxos entre circuitos académicos, como a Associação Brasileira de Antropologia, a Sociedade Brasileira de Sociologia, a Associação Portuguesa de Sociologia, a Associação Angolana de Sociologia, entre outras. Sendo mais na perspetiva de fortalecimento de pesquisas, ações e iniciativas dos investigadores e das suas plataformas de produção académica (laboratórios, institutos, centros, fóruns, etc.), não se pretende, com a criação desta Rede, representar as demais instâncias já existentes de articulação; pelo contrário, procura criar-se uma plataforma de convergência que acolha e intensifique a diversidade das iniciativas. Trata-se de estímulo, convergência e criação de redes que nos conduzam a fazer, pensar e comunicar sobre a arte e a vida social nesta parte luso-afro-brasileira do mundo. Pensamos que este Congresso Internacional foi o primeiro e fundador momento de congregação e diálogo de investigação, cruzando fronteiras, colocando em cena todas as artes, todos os nomes, espaço de diáspora das artes e cultura portuguesas. As artes estão a passar por mudanças profundas nos contextos sociais, culturais, económicos e ecológicos e nas estruturas de governança em que operam hoje. A combinação específica de diversos fatores aumenta os desafios enfrentados pelas artes e as suas potencialidades de investigação (Guerra, 2012, 2013). Alguns desses fatores combinados são: as dinâmicas locais e internacionais de organizações culturais e mercados de arte, a volatilidade do financiamento público e privado, a abertura e a incerteza da avaliação e reconhecimento do trabalho artístico, a natureza intrínseca da obra de arte, a relação das artes com a economia criativa e as políticas relacionadas com a chamada "agenda criativa", as formas diversificadas e renovadas de participação dos públicos-alvo, bem como o impacto da arte sobre a coesão social e construção da identidade (Cfr. Guerra & Costa, 2016). Este Congresso Internacional Lusófono teve como objetivo fornecer os contextos para a compreensão de todos estes aspetos multifacetados e entrelaçados que caraterizam os mundos da arte nas sociedades lusófonas contemporâneas, designadamente em Portugal, no Brasil, em Angola, em Moçambique, em S. Tomé e Príncipe, na Guiné, em Cabo Vede, em Timor, em Macau e em Goa, entre outros.
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A liminaridade e a ambiguidade continuam a marcar as culturas musicais underground dos nossos dias, nomeadamente no que diz respeito à relação: i) com o património cultural e musical de carácter popular constituído desde finais do século XIX; ii) com as cada vez mais hegemónicas técnicas e tecnologias digitais que revolucionaram o universo da cultura e da comunicação, sobretudo a partir da última década do século XX; iii) ou com os novos dispositivos organizacionais de produção, difusão e distribuição dos bens culturais, tanto quanto com os novos modos de prática e consumo musical/cultural. O objetivo deste número temático é discutir alguns dos novos desafios colocados às culturas musicais underground e a forma como estes ameaçam ou estimulam o seu potencial de resistência, diferenciação e inovação face às tendências e movimentos culturais populares dominantes, continuadamente tocados pelo (novo) espírito do capitalismo na modernidade (tardia).
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Punk in Italy has largely been overlooked as a research topic in the past, focussing instead on the scene in other nations. This article examines the Italian punk scene and its transition from classic to post-punk, focussing on its most famous and significant band: CCCP – Fedeli alla linea.After a short introduction to the historical and cultural background, the results of a qualitative textual analysis of CCCP lyrics using algirdas Greimas’ methodology for narrative semiotics (1983) will be presented. as the results show, CCCP’s artistic production can be interpreted as a subversive and ironic parody of the collectivist traditions that were dominant in Italian politics and culture at the time (communism and Catholicism), and as a creative critical reaction to neoliberalism. The conclusion briefly discusses certain theoretical issues such as the relationship between punk and authenticity, and compares Italian punk with british and Portuguese punk.
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Qualitative case study methodology provides tools for researchers to study complex phenomena within their contexts. When the approach is applied correctly, it becomes a valuable method for health science research to develop theory, evaluate programs, and develop interventions. The purpose of this paper is to guide the novice researcher in identifying the key elements for designing and implementing qualitative case study research projects. An overview of the types of case study designs is provided along with general recommendations for writing the research questions, developing propositions, determining the "case" under study, binding the case and a discussion of data sources and triangulation. To facilitate application of these principles, clear examples of research questions, study propositions and the different types of case study designs are provided.
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This article reconceptualizes subcultural resistance based on an ethnographic examination of the straight edge movement. Using the core values of straight edge, the author’s analysis builds on new subcultural theories and suggests a framework for how members construct and understand their subjective experiences of being a part of a subculture. He suggests that adherents hold both individual and collective meanings of resistance and express their resistance via personal and political methods. Furthermore, they consciously enact resistance at the micro, meso, and macro levels, not solely against an ambiguous “adult” culture. Resistance can no longer be conceptualized in neo-Marxist terms of changing the political or economic structure, as a rejection only of mainstream culture, or as symbolic stylistic expression. Resistance is contextual and many layered rather than static and uniform.