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Ricardo Jorge

Authors:
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Palavras-chave: Médico, Professor, Higienismo, Epidemias, Saúde Pública, Lisboa,
Porto, Instituto Central de Higiene.
Ricardo de Almeida Jorge (Porto, 9 de Maio 1858 Lisboa, 29 de Julho 1939).
Filho de um ferreiro na Rua do Almada, Ricardo Jorge entrou aos oito anos para o
Colégio da Lapa, onde foi aluno de Ramalho Ortigão na disciplina de Francês e de
Manuel Rodrigues da Silva Pinto em Português. Frequentou o Liceu de Santa Catarina,
onde se tornou amigo de Júlio de Matos. Com 16 anos matriculou-se no curso de
Medicina da Escola Médico-Cirúrgica do Porto, onde foi um foi um aluno brilhante
entre 1874 e 1879, e conquistou vários prémios académicos. A sua dissertação de
licenciatura intitulou-se Um ensaio sobre o nervosismo. Em 1880 competiu pelo lugar
de substituto da Secção Cirúrgica da mesma Escola, com a apresentação do trabalho
Localizações Motrizes no Cérebro. Depois de aprovado, iniciou a sua carreira de
Professor na Escola onde se formou, leccionando as cadeiras de Anatomia, Histologia e
Fisiologia Experimental, ao mesmo tempo que se dedicava à prática clínica.
Desenvolveu também estudos sobre o diagnóstico e tratamento das doenças do sistema
nervoso pela hidroterapia, electricidade e ginástica, os quais colocou em prática ao
fundar, em colaboração com o Professor Augusto Henrique de Almeida Brandão, o
Instituto Hidroterápico e Electroterápico nas dependências do Grande Hotel do Porto
em 1881 (Ricon-Ferraz 2010, pp. 15-16).
Ao longo da sua carreira participou em vários congressos internacionais e realizou
diversas viagens de estudo ao estrangeiro, às quais chamava as suas “digressões
sanitárias” (Diário de Notícias, 18775, 21/02/1918). Logo em 1883 deslocou-se a
Estrasburgo, onde visitou os laboratórios de Anatomia Patológica de Recklinghausen e
Waldeyer, e depois a Paris, onde conheceu o neurologista Charcot e assistiu às suas
lições. De volta ao Porto, leccionou a cadeira de Anatomia dos Centros Nervosos e
criou o pioneiro Laboratório de Microscopia e Fisiologia do Porto.
Casou com Leonor Maria dos Santos e teve dois filhos: Artur Ricardo Jorge, nascido em
21 de Julho de 1886, médico e professor de Botânica e Zoologia na Faculdade de
Ciências da Universidade de Lisboa e Ministro da Instrução no breve período de 17 de
Junho a 9 de Julho de 1926 em que Gomes da Costa ocupou o poder na Ditadura
Militar; e Ricardo Jorge Júnior, nascido em 21 de Agosto de 1888, casado com Maria
Isabel Ortigão Ramos, com dois filhos.
Na sequência das polémicas levantadas com a instalação dos cemitérios no Porto, em
1884 Ricardo Jorge promoveu quatro conferências dedicadas aos temas da “Higiene em
Portugal”, “A Evolução das Sepulturas, Inumação e Cemitérios e Cremação, com
as quais demonstrou que os cemitérios não colocavam em risco a saúde pública. Estas
conferências foram publicadas no livro Higiene Social Aplicada à Nação Portuguesa,
amplamente divulgado, e no qual o seu autor concluiu, depois de estudar as condições
de sanidade locais, que era absolutamente necessária a intervenção do Estado para a
criação de um sistema de saneamento. A seriedade do seu estudo e o nível das propostas
apresentadas fizeram de Ricardo Jorge um dos mais prestigiados higienistas
portugueses, com larga influência nas políticas de saúde em Portugal. Neste livro
Ricardo Jorge relata a História da Medicina e da Higiene desde os gregos, passando pela
“imunda” Idade Média. O seu estilo raiava o literário, não se limitando, mesmo nos seus
relatórios científicos sobre problemas sanitários e higiénicos ou sobre epidemias, à
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linguagem pura e dura de um homem da ciência. Pelo contrário, inseria sempre figuras
de estilo e tentava dar alguma beleza ou mesmo lirismo aos textos, “resultando textos
quase poéticos, mesmo quando a matéria é o seu contrário” (Reis 2010, p. 34).
Estas caraterísticas foram comentadas por Camilo Castelo Branco, quando escreveu que
O estilo de Ricardo Jorge desatrema de tudo que se conhece em oratória parlamentar,
em dialéctica académica, em eloquência cívica dos clubes e até em oratória de
púlpito...”, na obra Serões de S. Miguel de Seide. A obra Higiene Social… incluiu frases
como: “Higiene: filha dilecta da civilização moderna, intimamente relacionada com o
desenvolvimento das ciências, das artes e das indústrias”. Ou, num comentário sobre a
Lei de Polícia Higiénica de 1868: um “verdadeiro escândalo da ciência, do senso
comum e da saúde pública”. Mais tarde, num relatório sobre a epidemia de tifo
exantemático no Porto em 1918, dirigido ao Conselho Superior de Higiene, Ricardo
Jorge descreveu a doença como “epidemia expansiva, derramada e fogueada pela cidade
(…) Se se tratasse, como tantas vezes acontece, felizmente, dum simples foco de
tabardilho, o golpe de mão praticado a ponto pela delegação poderia ter extirpado o
infeccionamento à nascença. Mas a sementeira do mal lograra germinar por largo; o
feixe mórbido da rua da Aliança fora apenas um rebento que a vigilância sanitária
surpreendera…”! (Diário de Notícias, nº 18.775, 21/02/1918).
Além da sua escrita com toques literários, Ricardo Jorge expunha as suas opiniões com
grande convicção, o que lhe grangeou algumas inimizades. No entanto, a maioria das
reacções às suas obras era de admiração, pelo rigor e pelo enquadramento histórico das
doenças ou dos temas que estava a descrever, com estatísticas, citação de autores, e
outros elementos fundamentais para a contextualização.
A sua vasta obra, que abrange toda a sua carreira e tem até algumas publicações
póstumas, demonstra a variedade dos interesses de Ricardo Jorge. Incidindo
maioritariamente sobre as especialidades da Higiene e Epidemiologia, e também sobre
Medicina Geral, a lista de mais de sessenta títulos inclui mais de uma dezena de obras
literárias e outro tanto de História e de biografias de figuras ilustres da medicina e
mesmo das artes e da literatura. Escreveu ainda sobre Demografia, sobre as termas do
Gerês e colaborou regularmente nas revistas Clínica, higiene e hidrologia, dirigida por
Armando Narciso e publicada entre 1935 e 1957, Revista Científica, dirigida por
Teófilo Braga e Julio de Mattos, publicada mensalmente no Porto entre 1882 e 1982, A
Medicina Contemporânea (1882-1974), Lisboa Médica, entre outras. Teve também o
cuidado de publicar no estrangeiro e em várias revistas internacionais, como o Bulletin
Mensuel de l’Office International d’Hygiène Publique.
No que diz respeito ao interesse de Ricardo Jorge pelo termalismo e hidrologia, em
1886 o químico Adolfo de Sousa Reis pediu-lhe para comentar a sua análise às águas
das Caldas do Gerês. A sua conclusão sobre as mesmas foi tão favorável que Ricardo
Jorge decidiu, junto com o seu colega Marcelino Dias, o referido químico Sousa Reis e
o capitalista Manuel Joaquim Gomes, pedir a concessão destas termas. Em 1888 o
Governo adjudicou-lhes o contrato de exploração por cinquenta anos. Ricardo Jorge
exerceu o cargo de director clínico da Companhia das Caldas do Gerês entre 1889 e
1892. No entanto, as suas qualidades como empresário revelaram-se fracas e a
companhia abriu falência em 1893 (Matos 2010, pp. 75-76).
Pouco depois das referidas conferências sobre higiene, Ricardo Jorge foi convidado pela
Câmara Municipal do Porto para tomar parte de uma comissão de estudo sobre as
condições sanitárias da cidade, no âmbito da qual produziu um inquérito sobre as
condições de salubridade urbana. O respectivo relatório final, intitulado O Saneamento
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do Porto, foi publicado em 1888. Em 1891 foi nomeado médico municipal do Porto,
cargo que desempenhou até 1899. E em 1892 foi convidado também pela Câmara
Municipal do Porto para os cargos de Director dos Serviços Municipais de Saúde e
Higiene da Cidade do Porto e do Laboratório Municipal de Bacteriologia. No âmbito
destas actividades publicou a série do respectivo Anuário do serviço municipal de saúde
e higiene da cidade do Porto e um Boletim Mensal de Estatística Sanitária do Porto.
Em 1895 foi nomeado Professor Titular da cadeira de Higiene e Medicina Legal da
Escola Médico-Cirúrgica do Porto.
Em 1899 publicou uma das obras fundamentais para a compreensão dos problemas
sanitários da cidade: Demografia e Higiene da Cidade do Porto: clima, população,
mortalidade. Nesta, o autor descreveu a história da cidade e aprofundou a questão das
ilhas como causa para a proliferação de doenças e epidemias, com especial destaque
para a tuberculose. O levantamento das condições de vida e higiene das populações que
residiam nestes bairros levaram-no a apelidar o Porto de “cidade cemiterial”, devido às
péssimas condições sanitárias que ele encontrou. Este seu trabalho, juntamente com os
de Arantes Pereira e do Conde de Samodães, provedor da Santa Casa da Misericórdia
do Porto, ajudaram a influenciar a Rainha D. Amélia na criação, nesse mesmo ano, da
Assistência Nacional aos Tuberculosos e à construção de sanatórios para os doentes
(Almeida 2006, p. 77).
Em Junho de 1899 manifestaram-se vários casos de peste bubónica no Porto,
diagnosticada pelo médico municipal e director do posto de desinfecção pública do
Porto, o Dr. Ricardo Jorge. Foram imediatamente encomendados ao Instituto Pasteur de
Paris “duzentos tubos do soro Yersin”, o qual, segundo a opinião de Ricardo Jorge, não
dava os resultados lisongeiros que a princípio se divulgaram” (Diário de Notícias,
12102, 18/08/1899, p. 1). O soro Yersin tinha sido desenvolvido por Alexandre Emile
Jean Yersin, um médico Suiço que tinha isolado o bacilo da peste bubónica em 1894 em
conjunto com Kitasato Shibasaburō, após investigação sobre esta doença na China.
Durante a epidemia de peste em Macau em 1898 o soro fora testado. No entanto, a
sua eficácia dependia da rapidez da aplicação, logo nos primeiros dias da doença, e
funcionava melhor ainda como preventivo, como foi usado pelos médicos franceses que
se deslocaram ao Porto para estudar a evolução da epidemia: o dr. Calmette, que vem
ao Porto, delegado do Instituto Pasteur, de Paris, estudar a epidemia da peste bubónica.
O ilustre bacteriologista, que é uma notabilidade científica francesa (vem acompanhado
do) dr. Salemberie, preparador ajudante do dr. Roux, no Instituto Pasteur, de Paris. (…)
O dr. Calmette tem a mais inteira confiança na eficácia do soro anti-bubónico, aplicado
principalmente como preservativo. (…) declararam que estão imunes do contágio de
peste por 15 dias, por isso que se vacinaram em Paris(Diário de Notícias, 12118,
03/09/1899, p. 1). Ainda nesse mês os próprios filhos de Ricardo Jorge foram vacinados
pelo Dr. Calmette com este soro, assim como alguns comerciantes do Porto (ibidem,
12139, 24/09/1899).
Apesar da confiança dos médicos franceses neste soro, Ricardo Jorge conhecia bem as
condições em que a doença se desenvolvia e os grupos mais afectados: “As classes
trabalhadoras, miseráveis e mais imundas, ou nos seus hábitos ou na casa em que
residem. Por esse motivo, foram imediatamente postas em práticas medidas sanitárias
rigorosas obrigando à higiene pessoal (com a construção de balneários públicos) e para
o combate aos agentes transmissores da doença: os ratos e as pulgas. Um pormenor
interessante do combate à epidemia foi a caça aos ratos e aos gatos, que fez as crianças
do Porto e de Lisboa ganharem algum dinheiro: por cada rato grande entregue numa
esquadra de polícia recebiam 20 réis, por cada pequeno 10, o que motivou uma colheita
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diária considerável (Diário de Notícias, nº 12160, 15/10/1899, p. 1). Ao mesmo tempo
criou-se um cordão sanitário à volta do Porto, defendido pelo exército, e suprimiram-se
todos os comboios de recreio, todas as feiras, romarias e outros ajuntamentos, e
obrigou-se a inspecção médica todos os passageiros e empregados dos comboios, que
tinham de cumprir uma quarentena de nove dias (Diário de Notícias, 12102,
18/08/1899, p. 1). Sem dúvida, a grande aposta de Ricardo Jorge foi na prevenção da
disseminação da doença, isolando os doentes e a própria cidade, na linha dos trabalhos
de Pasteur, Koch, Roux, Bernardino António Gomes e outros que “desenvolveram a
farmacoterapia e recorreram ao experimentalismo e contribuiram para uma nova ordem
congnitiva e terapêutica (…) o controlo da doença no sentido da sua prevenção e, ainda,
a doença vista numa perspectiva médico-social, ou higienista, assumiu uma particular
valorização” (Pereira e Pita 1993, p. 662).
O século XIX foi a época das grandes pandemias e o Porto, pelas suas condições
especiais, ligadas à actividade comercial e à industrialização, ao crescimento
demográfico e às deficientes condições sanitárias, foi uma das cidades que mais sofreu
com as sucessivas epidemias e pelas doenças endémicas que afligiam a população e
elevavam as taxas de mortalidade. Desde a epidemia de cólera que se espalhou pela
Europa em 1832 e chegou ao Porto nos navios de soldados belgas que ajudaram os
Liberais na Guerra Civil (Gomes, 1866, p. IV), que esta cidade suportou vários cordões
sanitários e quarentenas. Durante o Cerco do Porto, e depois quando se espalhou pelo
país, a epidemia de cólera acabou por causar mais de 40.000 mortos, um número mais
elevado do que o da própria guerra. Depois desta seguiram-se mais oito vagas
epidémicas por toda a Europa, disseminadas por indivíduos com profissões de alta
mobilidade, como soldados, marinheiros, comerciantes ou pedintes, e intensificadas
pela falta de higiene nas casas e nas ruas, pelo uso de água e alimentos contaminados e
pela concentração dos doentes em pequenos espaços (Cascão, 1993). Os Estados
reagiram, por vezes de forma divergente, com medidas restritivas que privilegiavam os
cordões sanitários e as quarentenas, e que tinham consequências económicas por vezes
tão devastadoras como a própria doença. A comunidade médica internacional, se bem
que beneficiasse de uma circulação bastante regular do conhecimento, pelo menos entre
os países europeus e da América do norte, verificou a falta de capacidade de resposta
prática à doença. A partir de 1851 as potências europeias começaram a enviar os seus
melhores especialistas a Conferências Sanitárias Internacionais que visavam a discussão
científica e a uniformização das medidas que, sem pôr em risco as populações,
minimizassem as demoras e os incómodos que sujeitavam o comércio internacional”.
Estas conferências, iniciadas em Paris e repetidas em Constantinopla em 1866, Viena
em 1874, Washington em 1881, Roma em 1885, Veneza em 1892, Dresden em 1893 e
de novo em Veneza em 1897, revelaram “um conhecimento científico em constante
mutação” e “posições nacionais divergentes e mutáveis ao longo do tempo. As grandes
potências europeias Inglaterra, França e mais tarde a Alemanha posicionaram-se em
campos por vezes antagónicos pressionando os países mais pequenos e periféricos a
prescindirem da severidade das medidas quarentenárias” (Garnel, 2009).
Em Portugal defenderam-se e puseram-se em prática as medidas restritivas à liberdade
de circulação nestes períodos epidémicos, contra a posição de países mais liberais como
a Inglaterra ou a os estados alemães. Enquanto desde o século XVI o contágio das
doenças fora defendido, o século XIX viu surgir uma nova geração de cientistas que o
negaram, baseando-se na ineficácia das quarentenas e dos cordões sanitários. Baseados
em experiências várias, incluíndo no seu próprio corpo, e imbuídos do espírito liberal da
época, os cientistas defensores do “anti-contagionismo” lutaram pela liberdade do
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indivíduo e do comércio, contra o despotismo e a recção (Ackerknecht, 1948).
Verificou-se assim, numa clara associação entre teorias anti-contágio e interesses
comerciais, que os governos do norte da Europa, mais liberais e progressistas,
avançaram com políticas higienistas, abolindo quarentenas e cordões sanitários,
enquanto os do sul da Europa, mais conservadores, mantiveram as práticas
correspondentes à teoria do contágio. Sem dúvida que a teoria anti-contágio apresentou
aspectos positivos, uma vez que os países que a defenderam colocaram em prática
grandes operações sanitárias dirigidas especificamente contra a sujidade, as quais
acabaram por ser eficientes na prevenção das subsequentes epidemias. Por isso, mesmo
quando os trabalhos de John Snow fizeram retomar a teoria do contágio, que foi
readmitida pela maioria dos cientistas a partir de 1865, os conceitos higienistas
continuaram a ser considerados fundamentais e foram postos em prática com cada vez
maior intensidade.
O Porto sempre reagiu contra as medidas restritivas impostas pelo poder central. Em
todos os surtos epidémicos o isolamento da cidade e as proibições de feiras e mercados
foram contestados pelos comerciantes, pelos industriais e pela população como algo
extremamente prejudicial que punha em causa a sobrevivência não só dos negócios, mas
das próprias pessoas. Assim, a posição oficial das elites do Porto sempre foi de negação
do contágio. Neste caso, perante a evidência e na incapacidade de negar a
contagiosidade da peste bubónica, a posição das autoridades locais e dos representantes
dos industriais e dos comerciantes foi a negação da doença em si. De facto, com as
medidas radicais postas em prática por Ricardo Jorge logo nos primeiros dias do surto
epidémico, a doença não se espalhou e teve uma mortalidade reduzida (326 casos, dos
quais 111 óbitos, Diário de Notícias, 12267, 31/01/1900), o que contribuiu para as
afirmações locais de que não se tratava de uma epidemia.
No entanto, os banhos obrigatórios, as casas e roupas queimadas quando os médicos e
os subdelegados de saúde realizavam visitas domiciliárias, acompanhados pela polícia, e
encontrava um doente de peste, e o isolamento forçados dos doentes e de todos os seus
familiares e vizinhos em hospitais especiais, todas estas acções eram motivo de grande
revolta popular, que provocaram cenas de autêntica guerra civil. Por exemplo: juntou-
se muito povo, que acompanhou o préstito fúnebre e durante o trajecto protestando
contra as medidas sanitárias postas em vigor. Os manifestantes dirigiram-se para a rua
de Gonçalo Cristóvão e apedrejaram a casa onde reside um médico, quebrando os
vidros das janelas. Forças de cavalaria e infantaria da guarda municipal e alguns
guardas-civis fizeram restabelecer a ordem (...) Ontem de tarde, próximo do edifício do
Laboratório Municipal, à rua do Laranjal, onde está instalada a repartição de saúde e
higiene, juntou-se bastante povo (...) chegou ao local uma força de cavalaria da guarda
municipal, que pôs tudo em debandada (...) Quando o snr. dr. Ricardo Jorge retirou da
repartição, foi o seu trem seguido de uma força de cavalaria da guarda municipal, a fim
de evitar quaisquer manifestações àquele clínico. (...) foi ouvida a detonação de uma
bomba que explodiu para o lado dos Loios... (O Comércio do Porto, nº 198, 22/08/1899,
p. 2).
No Porto parece que até já está sendo alvo de injúrias, de apupos e de ameaças o
notável e dedicadíssimo homem de ciência que teve a coragem e a abnegação de dizer a
verdade no meio daqueles que a pretendiam teimosamente ocultar, movidos por
mesquinhos interesses particulares (Diário de Notícias, nº 12105, 21/08/1899, p. 1).
Dois dias depois Ricardo Jorge recebeu a solidariedade dos médicos do Porto, num
telegrama que dizia: “A associação dos médicos portugueses, considerando que o
professor Ricardo Jorge, na presente epidemia de peste bubónica aparecida no Porto,
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tem desde o princípio norteado o seu procedimento pelo que a ciência e o dever
profissional lhe impunham como iniludível, e considerando que tem procedido assim
em circunstâncias que tornam difícil e por vezes perigoso o cumprimento integral e
completo das suas obrigações morais e o exercício do seu cargo, louva a s. exª e afirma-
lhe a sua admiração e o seu respeito como médico e como funcionário... (Diário de
Notícias, nº 12108, 24/08/1899, p. 1). As medidas sanitárias foram reforçadas e o
cordão alargado, o que levou à demissão do presidente da Câmara Municipal do Porto,
Lima Júnior, por considerar que as determinações impostas pela Junta Consultiva da
Saúde Pública provarem que existia vontade contra a cidade, o que aniquila a
vida local” (Diário de Notícias, nº 12118, 03/09/1899, p. 1).
Ricardo Jorge ainda se aguentou no seu posto mais de um mês, até que: O dr. Ricardo
Jorge enviou hoje ofícios ao governador civil e câmara municipal, nos quais mostra a
impossibilidade que tem em continuar, pela parte que lhe diz respeito, no combate da
doença reinante, atento o desvairamento da opinião pública e da falta de concurso que
todas as classes dirigentes do Porto precisam de prestar para que se estabeleça a situação
sanitária da cidade. Segundo consta esses ofícios estão redigidos em linguagem
enérgica” (Diário de Notícias, nº 12145, 30/09/1899). Ricardo Jorge mudou-se para
Lisboa em 15 de Outubro de 1899. Câmara Pestana ainda continuou no Porto a estudar
a peste bubónica e acabou por ser infectado e morrer no dia 15 de Novembro de 1899.
Mas o combate contra a disseminação da epidemia estava ganho e a doença foi
considerada extinta em Janeiro de 1900.
Em Lisboa, Ricardo Jorge foi nomeado Inspector-Geral dos Serviços Sanitários do
Reino e lente de Higiene na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, além de membro do
Conselho Superior de Higiene e Saúde. Começou imediatamente a trabalhar na
organização geral dos Serviços de Saúde Pública (Decreto de 28 de Dezembro de 1899,
sob o Governo de José Luciano de Castro) e no Regulamento Geral dos Serviços de
Saúde e Beneficência Pública, de 24 de Dezembro de 1901, sob o Governo de Hintze
Ribeiro. Por sua causa o país tinha desde 1901 uma legislação actualizada, burocracia e
redes de controlo e fiscalização da higiene e da saúde pública; e dispunha de
especialistas competentes que acompanhavam o debate científico (Sousa et all, 2009, p.
289).
O seu trabalho como docente, investigador e mentor da nova legislação deu origem a
uma profunda reforma na saúde pública em Portugal, inspirada no modelo inglês
(Graça, 2000), e à criação da Direcção-Geral de Saúde e Beneficência Pública (Decreto
de 9 de Outubro de 1899) e do Instituto Central de Higiene, mais tarde Instituto
Superior de Higiene, que iria desempenhar um importante papel na educação, formação
e investigação em saúde pública. Em 1929, pelo Decreto 16861, de 11 de Maio,
assinado pelo Presidente Carmona e pelo Ministro da Instrução Pública Cordeiro
Ramos, ao Instituto Central de Higiene é dado o nome do Dr. Ricardo Jorge, por este se
ter tornado “credor das homenagens do País”. Ricardo Jorge dirigiu este instituto entre
1902 e 1926. Era este instituto que dava os cursos de Medicina Sanitária e Engenharia
Sanitária, os quais forneciam a habilitação necessária para o exercício dos lugares de
dicos e engenheiros do corpo de saúde pública. O primeiro habilitava para o cargo de
delegado de saúde, cujas funções, a nível distrital, incluiam a direcção técnica dos
serviços sanitários, o licenciamento dos estabelecimentos, a fiscalização da higiene
industrial e do trabalho operário ou agrícola, a higiene infantil e as condições sanitárias
da população em geral.
As suas preocupações sanitárias levaram-no também ao estudo sistemático sobre a
epidemiologia da malária em Portugal, uma doença que assolavas as populações há
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vários séculos, especialmente nas zonas ligadas à cultura do arroz. O resultado do seu
estudo originou a publicação do relatório Epidemiologia. Sobre o estudo e o combate do
sezonismo em Portugal, em 1903, a criação de Estações Anti-Sezonáticas em 1911, e
inspirou vários outros estudos desenvolvidos nas décadas seguintes no sentido da
erradicação da doença (Lobo 2010, p. 88).
Ricardo Jorge particiou no Congresso Internacional de Medicina de 1906, no qual
presidiu à Secção de Higiene e Epidemiologia. Colaborou também na reforma do ensino
médico de 1911, e em 1912 iniciou os seus trabalhos no Office Internacional de
Higiene, em Paris, onde haveria de se distinguir. Foi responsável pela publicação dos
Arquivos do Instituto Cental de Higiene (1913-1938) e das Estatística do movimento
fisiológico da população de Portugal, publicadas anualmente pela Secção de
Demografia e Estatística do mesmo Instituto entre 1914 e 1925.
Fazendo parte dos “exemplos representativos da burguesia intelectual” que “escolheram
deliberadamente o caminho do empenhamento político (Vaquinhas e Cascão, 1993, p.
445), Ricardo Jorge pertenceu ao primeiro Ministério da Instrução Pública em 1913,
fazendo parte do Conselho de Instrução Pública do governo de Afonso Costa, que durou
de 9 de Janeiro de 1913 a 9 de Fevereiro de 1914.
Entre 1914 e 1915 presidiu à Sociedade das Ciências Médicas. Nos anos seguintes
visitou formações sanitárias na área de guerra em França.
Em Dezembro de 1917 declarou-se uma epidemia de tifo exantemático no Porto. Logo
em Janeiro de 1918, na qualidade de Director-Geral da Saúde, Ricardo Jorge deslocou-
se ao Porto para estudar o problema e colocar em prática as primeiras medidas
sanitárias. Como resultado do seu inquérito local, elaborou um relatório que foi
apresentado no Conselho Superior de Higiene, no qual desenvolveu a história e
definição da doença e apresentou o plano das medidas destinadas ao seu combate
naquela cidade e no país (Diário de Notícias, nº 18.775, 21/02/1918). Perante tal
relatório, Ricardo Jorge considerou desnecessária a sua ida para o Porto, “visto a
delegação de saúde, segundo as suas instruções, ter posto em prática os meios de
combater o mal” (carta de Ricardo Jorge ao Governador Civil do Porto, Diário de
Notícias, nº 18774, 20/02/1918, p. 1). O seu plano sanitário foi colocado em prática pelo
Prof. Augusto de Almeida Monjardino, nomeado comissário do governo na cidade do
Porto para combate à epidemia no dia 23 de Fevereiro de 1918, e depois pelo Prof.
António de Almeida Garrett, que o sucedeu no cargo e desde 18 de Maio de 1918
dirigiu o combate à epidemia de tifo exantemático que se prolongou até Março do ano
seguinte. Em simultâneo o comissário do governo teve de lidar com a epidemia de gripe
pneumónica que, desde Agosto desse ano (a publicação oficial do diagnóstico desta
epidemia foi em 31 de Agosto de 1918, Diário de Notícias, nº 18990, 25/09/1918, p. 1),
e com maior intensidade em Outubro, provocou em Portugal um número de mortos
estimado em mais de 135.000, apesar das estatísticas oficiais apontarem para 59.000
(Sobral, 2009, pp. 72-73).
Se as medidas sanitárias tomadas para evitar a propagação do tifo exantemático foram
muito semelhantes às da peste bubónica de 1899, com os banhos obrigatórios e a
desinfecção de roupas e casas para matar os piolhos transmissores da doença, o
isolamento dos doentes e dos seus contactos mais imediatos, as visitas domiciliárias e a
notificação obrigatória dos epidemiados, com a cidade dividida em áreas sanitárias e a
obrigatoriedade de guias sanitárias para os viajantes (apenas não se criou o cordão
sanitário), além da recomendação do recrutamento de tifosos curados para os serviços
perigosos de despiolhamento, aproveitando a sua imunidade à doença (Sousa et all,
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2009, p. 285), pelo contrário, no que disse respeito à gripe, a sua propagação pelo ar
tornou desnecessárias medidas restritivas à circulação de pessoas. Aconselhou-se apenas
evitar a permanência em lugares fechados onde haja grandes aglomerações (...) devem
arejar-se largamente as habitações e lugares de trabalho. É para aconselhar o uso de
preparações desinfectantes das vias nasais e garganta e tornou-se obrigatória a
declaração por escrito de todos os casos” (O Comércio do Porto, nº 140, 15/06/1918, p.
1). Segundo o relatório de Ricardo Jorge, “não se oferece profilaxia efectiva e eficaz a
exercer contra tal epidemia que não seja a higiene geral e assistência dos atacados
preferentemente em hospital de isolamento” (O Comércio do Porto, nº 227, 25/09/1918,
p. 1). Mais tarde as feiras e mercados foram proibidos e as escolas iniciaram o ano
lectivo depois do dia 28 de Novembro. Em simultâneo, entre Junho e Dezembro de
1918 verificou-se uma epidemia de varíola que obrigou a um movimento de vacinação
rigorosíssimo em todo o país.
Ao longo de toda esta crise sanitária, Ricardo Jorge não esqueceu o lado social da
questão, preocupando-se em angariar donativos para as vítimas da gripe e seus
familiares, uma função que era tradicionalmente exercida pelos particulares e muito
mais tarde, nos finais do Estado Novo, passou a ser assumida pelo Estado Social em
formação. Como exemplo desta componente humana podemos ler a carta que ele dirigiu
ao redactor do Diário de Notícias para demonstrar a sua solidariedade e angariar mais
fundos para a subscrição que este jornal estava a realizar: “Fui ontem ao hospital em
visita às enfermarias onde só vieram ficar os epidemiados. Interessava-me ver os
pneumónicos graves, mas o que mais me impressionou não foi o espectáculo da doença,
mas o da miséria (...) a nota mais comovedora: as pobres mães ficaram em casa, tiveram
de entregar os pequeninos ao carro que os rola para as enfermarias. Outras foram com a
ninhada toda (...) Não levanto esta ponta trágica para aterrar ninguém, mas sim para
trazer a perspectiva dolorosa do drama epidémico aos olhos dos bem aventurados (...)
Lisboa nunca ofereceu tamanho espectáculo de fortuna e gozo, e dizem que o caudal de
riqueza tem engrossado. Que desse caudal derive um veio (para as) misérias agravadas
pela doença que se está cavando nas classes pobres. Venha esse dízimo trazido ao
templo da desgraça e felizes os que puderem vertê-lo com mão larga, que nunca o será
mais que neste momento...” (Diário de Notícias, nº 19011, 17/10/1918, p. 2).
Na sequência destas epidemias, Ricardo Jorge participou em conferências
internacionais, como a da Comissão Sanitária dos Países Aliados, que se realizou em
Paris em Abril de 1918 (Diário de Notícias, 18823, 10/04/1918) e também no ano
seguinte, em Março, apresentou à mesma comissão um relatório sobre a gripe; em
Outubro de 1919 apresentou uma comunicação ao Comité Internacional de Higiene
Pública sobre o tifo exantemático no Porto, na qual reafirmou que o piolho, agente
responsável pela transmissão da doença, era ainda muito frequente nas classes mais
pobres, também as mais afectadas. Estes relatórios foram publicados respectivamente
em 1919 e 1920.
Apesar do intenso trabalho de Ricardo Jorge, o processo de transição sanitária teria
lugar em Portugal apenas a partir da década de 1920, em flagrante atraso relativamente
a outros países europeus. Porém, só se consolidaria definitivamente na década de 1950,
época em se pode afirmar que a transição epidemiológica estava terminada (Sousa et all,
2009, p. 288).
Em 1926 Ricardo Jorge foi incumbido de reformar o seu Regulamento de Saúde Pública
de 1901. Igualmente na sua qualidade de Director-Geral da Saúde, Ricardo Jorge foi o
responsável, em 1927, pela proibição da Coca-Cola (Ramos, 1993, p. 657), depois de
tomar conhecimento do slogan publicitário da bebida criada por Fernando Pessoa:
9
Primeiro estranha-se, depois entranha-se”. Só no dia 4 de Julho de 1977 é que a Coca-
Cola voltou a entrar oficialmente em Portugal.
Em 1929 foi nomeado Presidente do Conselho Técnico Superior de Higiene.
Mesmo nos últimos anos da sua vida manteve uma intensa actividade, intervindo pela
última vez numa reunião do Office Internacional de Higiene, três meses antes de
falecer.
Lista de obras:
Um ensaio sobre o nervosismo: dissertação inaugural apresentada e defendida perante
a Escola Medico-Cirurgica do Porto (Porto: Typ. Occidental, 1879).
Hygiene social applicada à Nação Portuguesa: conferências feitas no Porto (Porto:
Civilização, 1885).
Ensaios scientificos e criticos (Porto: Typ. Occidental, 1886).
De l'électrométrie et de l'électro-diagnostic: á propos de la paralysie faciale de Ch. Bell
(Porto: Typ. Occidental, 1888).
Saneamento do Porto: relatório apresentado à Commissão Municipal de Saneamento
(Porto: Typ. de António José da Silva Teixeira, 1888).
O Gerez thermal: historia, hydrologia, medicina (Porto: Typ. Occidental, 1888).
Caldas do Gerez: guia thermal (Porto: Alcino Aranha, 1891).
Boletim mensal de estatistica sanitaria. Serviço Municipal de Saude e Hygiene da
Cidade de Lisboa; dir. Ricardo Jorge (Porto: S.M.S.H.C.P., 1893).
A epidemia de Lisboa de 1894 (Porto: Typ. Occidental, 1895).
Souza Martins: discurso (Porto: Tip. A Vapor de Arthur José de Sousa, 1897).
Origens & desenvolvimento da população do Porto: notas históricas e estatísticas
(Porto: Typ. Occidental, 1897).
Demographia e hygiene da cidade do Porto: clima-população-mortalidade, Separata do
Anuário do serviço municipal de saúde e higiene da cidade do Porto (Porto: Repartição
de Saúde e Hygiene da Câmara, 1899).
A peste bubónica no Porto, 1899. Seu descobrimento. Primeiros trabalhos, Separata do
Anuário do serviço municipal de saúde e higiene da cidade do Porto (Porto: Repartição
de Saúde e Hygiene da Câmara, 1899).
Epidemiologia. Sobre o estudo e o combate do sezonismo em Portugal, Anais de Saúde
Pública do Reino, Inspecção Geral dos Serviços Sanitários, Secção de Higiene, Tomo I
(Coimbra, Edição da Imprensa da Universidade, 1903).
La malaria au Portugal: Premiers résultats d'une enquête (Lisbonne: Inspecção Geral
dos Serv. Sanitários, 1906).
O mal do bicho: contribuição à pathologia colonial portuguesa, Separata de A
Medicina Contemporânea (Lisboa: Tip. Adolpho de Mendonça, 1909).
Em verdade: cartas publicadas no jornal "Republica" de 21 de Junho a 1 de Julho
(Lisboa: Typ. Adolpho de Mendonça, 1911).
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O médico penitente: discurso proferido na sessão de abertura da Faculdade das
Sciencias Medicas em 6 de Dezembro de 1913, Sep. Medicina Contemporanea (Lisboa:
Typ. Adolpho de Mendonça, 1913).
El Greco: nova contribuição biográfica, crítica e médica ao estudo do pintor Doménico
Theotocópuli (Coimbra: Imprensa da Universidade, 1913).
A guerra e o pensamento médico (Lisboa: Sociedade das Sciencias Medicas, 1914).
Ramalho Ortigão (Lisboa: s.n., 1915).
Á margem duma revista alemã (Lisboa: Typ. A Editora Limitada, 1915).
Contra um plagio do prof. Theophilo Braga: dados para a etho-psicologia literaria
duma pedantocracia (Lisboa: Liv. Clássica, 1917).
Sanidade em campanha: conferências proferidas no acampamento de Tancos e na
Faculdade de Medicina de Lisboa em Julho e Agosto de 1916: conferência (Lisboa:
s.n., 1917).
Folhas d'ouro...: (album litterario e artístico) (Lisboa: Typ. dos Caminhos de Ferro do
Estado, 1917).
De que faleciam os conegos regrantes, Separata de A Medicina Contemporânea
(Lisboa: Tip. Adolpho de Mendonça, 1918).
A influenza e a febre dos papatazes (Lisboa: Imprensa Nacional, 1918).
A influenza: nova incursão peninsular (Lisboa: Imprensa Nacional, 1918).
La grippe: rapport préliminaire présenté à la commission sanitaire des pays alliés dans
sa session de mars 1919 (Lisbonne: Imp. Nationale, 1919).
Le typhus exanthématique à Porto, 1917-1919: communication faite au Comité
international d'hygiéne publique dans sa session d'Octobre 1919 (Lisbonne: Imp.
Nationale, 1920).
Francisco Rodrigues Lobo: estudo biográfico e crítico (Coimbra: Imprensa da
Universidade, 1920).
Higiene militante, Separata de A Medicina Contemporânea (Lisboa: Tip. Adolpho de
Mendonça, 1920).
A intercultura de Portugal e Espanha no passado e no futuro, pref. Carolina Michaëlis
de Vasconcelos (Porto: Araújo & Sobrinho, 1921).
A encefalite letárgica e a epidemiologia dos quinhentos em Portugal e Espanha,
Separata de A Medicina Contemporânea (Lisboa: Tip. Adolpho de Mendonça, 1921).
Canhenho dum vagabundo: impressões de viagem (Lisboa: Empresa Literária
Fluminense, 1921).
O óbito de D. João II (Lisboa: Portugalia, 1922).
A propósito de Pasteur: discurso proferido em comemoração do centenário pastoriano
na Faculdade de Medicina de Lisboa aos 25 de Abril de 1923 (Lisboa: Portugalia,
1923).
Homenagem da Faculdade de Medicina do Pôrto ao Prof. Maximiano de Lemos [em]
21 de Fevereiro de 1923 (Porto: Faculdade de Medicina, 1923).
11
Passadas de erradio: impressões e estudos de viagem (Lisboa: Empresa Literária
Fluminense, 1924).
Camilo e Antonio Ayres: seguido do poema "As Comendas"... (Lisboa: Emp. Literária
Fluminense, 1925).
Sermões dum leigo (Lisboa: Empresa Literária Fluminense, 1925).
Les pestilences et la Convention Sanitaire Internationale (Lisbonne: Institut Central
d‟Hygiéne, 1926).
Alastrim et variole: vaccine, encéphalites postvaccinales (Lisbonne: Institut Central
d'Hygiène, 1927).
«Les faunes régionales des rongeurs et des puces dans leurs rapports avec la peste:
résultats de l'enquête du Comité Permanent de l'Office International d'Hygiène
Publique: 1924-1927», dans E. Roubaud, Étude systématique descriptive des puces des
rongeurs transmettant la peste (Paris: Masson et Cie. Éditeurs, 1928).
I-H-S. Discurso pronunciado na sessão académica consagrada a S. S. Pio XI e
celebrada na Sala Portugal da Sociedade de Geografia a 6-2-29 (Lisboa: Impr. Lucas
& Cª, 1929).
Brasil! Brasil!: Conferencia na Academia Brasileira de Letras sobre o Brasilismo em
Portugal e alocuções proferidas no Rio e em S. Paulo de 30-6 a 25-7 de 1929 (Lisboa:
Fluminense, 1930).
La fièvre exanthématique: fièvre escharo-nodulaire et son apparition au Portugal,
Separata de Lisboa Médica (Lisboa: Imp. Libanio da Silva, 1930).
Les anciennes épidémies de peste en Europe, comparés aux épidémies modernes
(Lisboa: Imprensa Nacional, 1932).
Um pseudo-historiador justiçado (Lisboa: s.n., 1932).
O soneto imortal de Anvers e as versões vernáculas (s.l.: s.n., 1933).
Myalgie épidémique do tronc: maladie de Bornholm, Separata de Lisboa Médica
(Lisboa: Libanio da Silva, 1933).
La leishmaniose au Portugal, Sep. da Revista Clínica, Higiene e Hidrologia, nº 4 (Abr.)
(Lisboa: Tip. Henrique Torres, 1935).
Regimento proveitoso contra ha pestenença, Sep. da Revista Clínica, Higiene e
Hidrologia, nº 1 (Jan.) (Lisboa: s.n., 1935).
La médecine et les médecins dans l'expansion mondiale des Portugais: conférence faite
le 3 Octobre 1934 à l'Université de Coimbra (s.l.: s.n., 1935).
Acerca do Kalazar em Portugal (s.l.: s.n., 1935).
O nosso amorismo novelesco nos quinhentos: sua influência na literatura universal”,
in: Revista da Faculdade de Letras, Lisboa, nº 2 (1936), pp. 207-223.
Les rodentia domestiques et sauvages dans l'evolution séculaire et mondiale de la peste
(Lisboa: Casa Portuguesa, 1937).
Memória de Belo Morais (s.l.: s.n., 1937).
L'hygiéniste international Sir George S. Buchanan, Sep. da revista Clínica Higiene e
Hidrologia (Lisboa: Tip. Henrique Torres, 1937).
12
Palavras mal proferidas (s.l.: s.n., 1937).
Fiévre Jaune (Lisboa: Centro Tipográfico Colonial, 1938).
Camilo e Inês de Castro (Lisboa: Império, 1939).
De Ceca e Meca: impressões e estudos de viagem (Lisboa: Inst. de Alta Cultura, 1961).
Amato Lusitano: comentos à sua vida, obra e época (Lisboa: s.n., 1962).
Fisiopatologia dos grandes traumatizados, com Ludgero Pinto Basto (s.l.: s.n.. 1965).
Camilo Castelo Branco: recordações e impressões Camilo e António Aires (s.l.: s.n.,
1968).
Obras prefaciadas por Ricardo Jorge:
Herbert Spencer, Educação: intellectual, moral e physica, trad. Emygdio d'Oliveira
(Porto: Livraria Moderna, 1884).
J. M. Teixeira de Carvalho, Homens de outros tempos (Coimbra: Imprensa da
Universidade, 1924).
J. M. Teixeira de Carvalho, Homens de outros tempos (Coimbra: Imprensa da
Universidade, 1924).
Egas Moniz, Júlio Dinis e a sua obra, 6ª ed. (Porto: Livr. Civilização, 19…).
Samuel Schwarz, Os cristãos novos em Portugal no século XX (Lisboa: Schwarz, 1925).
Camillo Castello Branco, De como me casei (Le mariage de Sylvestre), Versão Francesa
de Olivier du Chastel (Lisboa: Emp. Lit. Fluminense, 1925).
Alfredo Pimenta, Estudos filosóficos e críticos (Coimbra: Imprensa da Universidade,
1930).
Albino Forjaz de Sampaio, Poeira do caminho: vinte e sete anos de vida literária
(Lisboa: Emp. Nac. Publicidade, 1932).
Manuel Duarte d'Almeida, Terra e azul: poesias (s.l.: s.n., 1933).
Francisco Rodrigues Lobo (ed.), Cartas dos grandes do mundo: cartas dos reis,
senhores e homens insignes portugueses (Coimbra: Impr. da Universidade, 1934).
Pedro António Bettencourt Raposo, Sonetos (Lisboa: Imp. Médica, 1936).
Moscas e mosquitos: campanha da Câmara Municipal de Cascais contra moscas e
mosquitos (Cascais: Junta de Turismo, 1939).
A. Tovar de Lemos, O serviço de inspecção de toleradas em 1939 (Lisboa: Imprensa
Nacional, 1940).
Traduções de Ricardo Jorge:
Guia medico-legal, pelo prof. Lacassagne, versão e adapt. de Ricardo Jorge, Maximiano
Lemos (Lisboa: Manoel Gomes, 1899).
Conde Th. du Moncel, O telephone (Porto: Magalhães & Moniz, 1900).
Lista de referências bibliográficas:
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Portugal (Lisboa: Círculo de Leitores, 1993) vol. VI.
Maria Antónia Pires de Almeida
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Resumo: A epidemia de gripe de 1918-1919 atingiu Portugal num momento de crise económica, social, política e ideológica. Os estudos reunidos nesta obra procuram analisar o seu impacto sob distintas perspectivas, relativas à demografia, à gestão do risco, à história da medicina, às atitudes das autoridades políticas, sanitárias e religiosas. Confere-se a devida importância ao contexto em que a epidemia ocorre, bem como às estruturas de longa duração em que se inscreve. O caso português é observado em termos comparativos com outras sociedades e é inserido numa perspectiva global da pandemia.
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Ricardo Jorge (1858-1939), a doctor and university professor, struggled (since1883), to give amplitude to the political space that public health occupied with an appeal to the State to establish medical strategies, in the name of modern sanitarianism. He was the organizer of the Municipal Services of Health and Hygiene in the city of Oporto since 1892. In the middle of 1899, an outbreak of bubonic plague occurred in Oporto, and the Health Council established a sanitation cordon around the city which caused the urban population to become angry due to the economic losses. This situation of animosity against him (he was insulted in the streets), forced him to leave to Lisbon, and he was given a position in the General Inspectorate of Public Health. In this context, he promoted the creation of the Central Institute of Hygiene (1899) and he took on the job of reforming the sanitary services, adapting them to the new scientific context, which led to the publication of the General Regulations of the Health and Public Aid Services (1901).
Article
par le délégué du gouvernement Portugais à la Conférence sanitaire internationale réunie a Constantinople, Bernardino Antonio Gomes.
José Luís Doria (coords.), Percursos da Saúde Pública nos séculos XIX e XX-a propósito
  • Isabel Amaral
  • Ana Carneiro
  • Teresa Salomé Mota
  • Victor Machado Borges
Isabel Amaral, Ana Carneiro, Teresa Salomé Mota, Victor Machado Borges, José Luís Doria (coords.), Percursos da Saúde Pública nos séculos XIX e XX-a propósito de Ricardo Jorge (Lisboa: CELOM-Centro Editor Livreiro da Ordem dos Médicos, 2010).
História de 100 Anos de Luta (Porto: Fronteira do Caos Editores
  • António Ramalho De Almeida
  • O Porto E A Tuberculose
António Ramalho de Almeida, O Porto e a Tuberculose. História de 100 Anos de Luta (Porto: Fronteira do Caos Editores, 2006).
Portugal e as Conferências Sanitárias Internacionais (Em torno das epidemias oitocentistas de cholera-morbus)
  • Lino Garnel
Maria Rita Lino Garnel, "Portugal e as Conferências Sanitárias Internacionais (Em torno das epidemias oitocentistas de cholera-morbus)", Revista de História da Sociedade e da Cultura, 9 (2009), pp. 229-251.
Educação: intellectual, moral e physica, trad. Emygdio d'Oliveira (Porto: Livraria Moderna, 1884)
  • Herbert Spencer
Herbert Spencer, Educação: intellectual, moral e physica, trad. Emygdio d'Oliveira (Porto: Livraria Moderna, 1884).
Terra e azul: poesias (s.l.: s.n
  • Manuel Duarte D 'almeida
Manuel Duarte d'Almeida, Terra e azul: poesias (s.l.: s.n., 1933).
De como me casei (Le mariage de Sylvestre
  • Castello Camillo
  • Branco
Camillo Castello Branco, De como me casei (Le mariage de Sylvestre), Versão Francesa de Olivier du Chastel (Lisboa: Emp. Lit. Fluminense, 1925).