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Abstract

No presente artigo apresentamos e discutimos o Novo Norte do Paraná (ou Norte Central) a partir de suas transformações espaciais realizada por meio dos interesses do capital internacional, principalmente o inglês, os quais investiram na formação de núcleos urbanos, comercialização de propriedades rurais, construção de ferrovias somada à possibilidade de ampliação das áreas de influências econômicas e políticas. O tema oferece a oportunidade para refletirmos quanto à formação da região do Novo Norte do Paraná por meio de uma leitura geográfica crítica que insere a referida região num plano mais amplo de atuação das elites econômicas europeias; assim, as transformações no/do espaço são compreendidas a partir da relação do capital na agricultura por meio de mecanismos que para se fortalecerem e se firmarem usaram investimentos materiais e também construíram ideologicamente uma rede de argumentos que justificavam seus empreendimentos como extremamente necessários para a população em geral, uma vez que o Estado apoiou os investimentos e construiu um plano de ação para que esses fossem realizados com sucesso. Essa lógica capitalista é ainda sustentada e a organização da região passa pela submissão dos trabalhadores às necessidades da burguesia regional e internacional; assim, apresentamos as Vilas Rurais como exemplo mais recente destes jogos políticos e econômicos sob a edificação ideológica de uma ética aquisitiva. Palavras-chave: transformações espaciais; investimentos estrangeiros; formação de região.
Geograa Ensino & Pesquisa,
vol. 17, n. 2, mai./ ago. 2013.
ISSN 2236-4994 I 26
O novo norte paranaense: as transformações do espaço sob a tutela
da ética aquisitiva
José Roberto Nunes de
Azevedo*
Tulio Barbosa**
Produção do espaço e dinâmica regional
DOI: 10.5902/22364994/10770
Resumo: No presente artigo apresentamos e discutimos o Novo Norte do Paraná (ou Norte Central) a partir
de suas transformações espaciais realizada por meio dos interesses do capital internacional, principalmente
o inglês, os quais investiram na formação de núcleos urbanos, comercialização de propriedades rurais,
construção de ferrovias somada à possibilidade de ampliação das áreas de inuências econômicas e políticas.
O tema oferece a oportunidade para reetirmos quanto à formação da região do Novo Norte do Paraná
por meio de uma leitura geográca crítica que insere a referida região num plano mais amplo de atuação
das elites econômicas européias; assim, as transformações no/do espaço são compreendidas a partir da
relação do capital na agricultura por meio de mecanismos que para se fortalecerem e se rmarem usaram
investimentos materiais e também construíram ideologicamente uma rede de argumentos que justicavam
seus empreendimentos como extremamente necessários para a população em geral, uma vez que o Estado
apoiou os investimentos e construiu um plano de ação para que esses fossem realizados com sucesso. Essa
lógica capitalista é ainda sustentada e a organização da região passa pela submissão dos trabalhadores às
necessidades da burguesia regional e internacional; assim, apresentamos as Vilas Rurais como exemplo
mais recente destes jogos políticos e econômicos sob a edicação ideológica de uma ética aquisitiva.
The new north of the Paraná: the spatial transformations under the
protection of purchasing ethics
Abstract: This paper presents and discuss the New North of the Paraná (or North Central) from their
spatial transformations that occurred through the interests of international capital, especially English,
which invested in the formation of urban centers, marketing of rural properties , railway construction
plus the possibility of expanding the areas of economic inuences and even politics. The theme offers
the opportunity to reect on the formation of the New North region of Paraná through a critical reading
that enters the geographic region that a more comprehensive plan of action of the European economic
elites, so the transformations of space are understood from the ratio of capital in agriculture with its
many mechanisms to strengthen themselves and take hold of used capital investment and also built a
network of ideological arguments to justify such investments as critical for the general population, since
the state has supported investments and constructed an action plan for the developments that were
successfully performed. This logic is still sustained and capitalist organization of the region passes through
the submission of workers to the needs of regional and international bourgeoisie, so we present the Rural
Villages as more recent example of these political games and economic ideology in the building of an
ethical purchase
* Doutorando em Geograa
pelo PPG da FCT-UNESP.
Bolsista FAPESP
** Prof. Dr. em Geograa
do Instituto de Geograa
da Universidade Federal de
Uberlândia. Doutorando em
História pelo Programa de
Pós-Graduação do Instituto de
História – Universidade Federal
de Uberlândia
Palavras-chave:
transformações espaciais;
investimentos estrangeiros;
formação de região
Key-Wo rds: spatial
transformations; foreign
investments; formation of the
region
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Introdução
Conra
tudo que
respira
conspira
Paulo Leminski, poeta paranaense
Centramos os objetivos deste trabalho na relação da produção de espacialidades
vinculadas ao processo histórico de dominação das relações de produção fundamentas sobre
os valores de uso e de troca da propriedade rural. A herança das imposições dos especuladores
europeus no Novo Norte do Paraná auspiciou as relações de produção e a organização espacial
desde a década de 1920 repercutindo ainda hoje na estrutura hierarquizada e engessada do
norte paranaense. Essa herança culminou no conservadorismo das políticas públicas voltadas
ao acesso as propriedades rurais pelos agricultores sem-terra; assim, os impeditivos legais
foram maquiados por programas inecientes do governo paranaense como o Programa Vilas
Rurais de 1995.
As transformações espaciais, sociais e econômicas ocorridas no Novo Norte do
Estado do Paraná ou também chamado de Norte Central Paranaense no início do século XX
foram majoritariamente causadas pela migração espontânea, por vendas empreendidas por
especuladores não associados a grandes corporações. Somente a partir da década de 1920 é
que as grandes empresas incorporadoras atuaram de forma mais agressiva e reorganizaram o
espaço norte paranaense com objetivo único de obter lucros, todavia os discursos legitimadores
destas ações comerciais foram além do lucro, isto é, ideologicamente a grande justicativa para
a “ocupação” e parcelamento das propriedades rurais e a criação de propriedades urbanas era
o povoamento do norte paranaense, pois tal discurso agradava ao Estado, aos empresários
e a população. Todavia, as práticas tiveram como base o conservadorismo do capitalismo
exploratório.
Desta forma, faz-se urgente compreendermos o processo de ocupação, povoamento e
comercialização desta área, já que tais elementos revelam-nos a origem de inúmeras mazelas
sociais e econômicas oriundas da concentração de terras e renda. Também apresentamos
o processo incorporador de terras como não pacíco e repleto de contradições ais quais
promoveram inúmeros problemas sociais associados à repressão violenta dos grupos
dominantes.
Os aspectos da violência visível no processo incorporador do norte paranaense são
ideologicamente camuados e os fatos distorcidos ao não levarmos em consideração tais
aspectos, pois a organização espacial e a funcionalidade na lógica capitalista foram fundadas na
plena exploração e na concentração de riquezas. O discurso dominante, apoiado na chamada
ética aquisitiva (THOMPSON, 2001), substituiu o conceito exploração para colonização, desta
forma, amenizou o impacto com o qual se justicava tais investimentos.
Se num primeiro momento as companhias incorporadoras no norte paranaense
optaram por desmembramentos menores das terras, não foi objetivando nenhuma reforma
agrária ou justicativa que pudesse ser dada por palavras ligadas a justiça e igualdade foram
meramente para justicar investimentos do Estado nesta região, pois se a mesma apresentasse
índices adequados de povoamento, o Estado poderia investir na construção de rodovias, de
infra-estrutura e entrepostos que colaborariam para o escoamento da produção agrícola dos
grandes produtores. Ao mesmo tempo em que o povoamento consorciado com as grandes
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sob a tutela da ética aquisitiva
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propriedades rurais forneceria mão-de-obra e certamente seriam áreas de inuencias eleitorais.
O processo de ocupação das terras do Norte do Paraná foi realizado objetivando o
fortalecimento da classe ruralista, ao mesmo tempo em que os núcleos desta “colonização”
foram materializados na fundação de cidades e de patrimônios urbanos visando o
desenvolvimento de mercado consumidor e a xação de uma elite econômica nesta região.
A herança desta lógica incorporadora preservou no Estado do Paraná o conservadorismo
e os conitos rurais existentes nas décadas seguintes foram resultados diretos desta cosmovisão.
Também frisamos que projetos políticos atuais como as Vilas Rurais, partem de pressupostos
conservadores e não solucionam os problemas de décadas da população pobre rural. Assim,
são também nossos objetivos no presente trabalho a contextualização histórica do norte
paranaense e a implantação das Vilas Rurais discutidos pela ótica marxista.
As transformações espaciais no novo norte (ou norte central) do Paraná
“Outrora apenas panorama
De campos ermos e orestas
Vibra agora a tua fama
Pelos clarins das grandes festas”.
Trecho da Letra do Hino do Paraná
O Hino do Paraná apresenta-nos as transformações do Estado que ocorreram desde o
início do século XX, ocialmente o Hino foi promulgado pelo decreto-lei estadual nº 2.457 no
dia 31 de março de 1947. Ao mesmo tempo em que nos apresenta as transformações sociais,
econômicas, políticas e ambientais, compactua com essas transformações saudando-as como
reformadoras de um Estado selvagem, no qual a civilização chegou para modicá-lo; assim, os
clarins nas grandes festas são exaltados, todavia “esquecem” na letra e na História Ocial, dos
camponeses, dos imigrantes pobres, dos indígenas, dos vitimizados pelo perverso processo de
ocupação das terras do Paraná e a quantidade de sangue derramado em todo o Estado.
O Norte do Paraná não foi diferente, quanto à violência com os trabalhadores, a
predominância do capital especulativo e a força das armas deram contornos signicativos
para que a predominância da nova conguração espacial, com suas respectivas funções
exploratórias, abastecessem futuramente mercados internacionais e garantissem, naquele
momento, a soberania do conservadorismo da classe burguesa nacional. Desta forma, segundo
Silva (1985, 38-39) é fundamental para compreender o desenvolvimento do capitalismo num
país:
“[...] pôr em evidência e examinar as suas contradições particulares, sem perder de vista,
é claro, que esse desenvolvimento faz parte do capitalismo internacional (o que determina
inclusive as especicidades desse desenvolvimento)”.
Desta maneira, a dinâmica sócio-espacial do norte paranaense foi organizada a partir dos
princípios éticos aquisitivos, ou seja, o planejamento regional e suas interações de produção,
consumo e mercado foram o ponto nevrálgico deste; assim, a prioridade na constituição da
região norte paranaense vinculava-se aos ditames do mercado externo em consórcio com a
elite conservadora nacional, como resultado a organização espacial voltada para os interesses
especulativos do capital justicados pela ética aquisitiva capitalista. Frisamos que a constituição
da espacialidade norte paranaense foi resultada das transformações materiais e imateriais, uma
vez que o discurso ideológico promoveu a formação e a identidade regional.
Diante disso, entendemos que o discurso hegemônico capitalista homogeneíza os
processos de povoamento e ocupação em todo o território nacional; assim, o norte do Paraná
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não foi diferente, os discursos ociais negligenciam a territorialização dos povos indígenas
habitantes desta porção do espaço por muitos séculos. Também o discurso privilegia o
branco pertencente à elite econômica dominante, como se os mesmos ao investirem nestas
terras estivessem exercendo, in natura, o heroísmo. Deste modo, as palavras pioneirismo e
colonização são, grosso modo, “sinônimos” de potencialidade latente manifestas nas ações
econômicas especulativas desta região.
O imaginário da população norte paranaense, por meio de décadas do ensino formal
praticado nas escolas paranaenses, gravita nesta insistente a ideológica consumação do
conceito pioneiro e colonizador como renovadores de uma paisagem grotesca e primitiva, que
ao tecerem tais investimentos proporcionaram a constituição de uma região propriamente dita.
Os investimentos realizados pelo setor privado em consórcio com as facilidades do Estado
promoveram o povoamento e, ousamos dizer, a fundação da região do Norte do Paraná,
que anterior a esses desdobramentos relacionados aos investimentos diretos e indiretos essa
porção do Estado paranaense não se congurava como tal, pois a mesma era tada como lugar
ermo, distante, despovoado e incapaz de gerar desenvolvimentos.
Com os investimentos, iniciais do capital internacional, somados ao direcionamento do
planejamento intervencionista estatal por meio do direcionamento do capital privado, a porção
do Estado paranaense passou a ser considerada, segundo os ditames conceituais capitalista,
uma região. Em outras palavras, a região funcionalista vista estruturalmente somente teve
sua origem na especulação econômica, pois a mesma passa a ser denida e nomeada como
região do Norte Novo, a funcionalidade apresentada à população pelos meios midiáticos da
época deniu a sistematização de uma ideia materializada nas transformações paisagísticas,
econômicas, políticas e sociais.
A identidade regional tornou válido o processo ideológico capitaneado pelos
investimentos e especulações do capital internacional e, posteriormente, nacional. O discurso
regionalista que culminou na construção de uma cultura in loco fomentou a constituição de
uma identidade regional forjada a partir dos interesses da elite econômica e ideológica.
A construção ideológica fundadora da região Norte do Paraná (principalmente o Novo
Norte) teve inuências e direcionamento a partir das propagandas veiculadas pela Companhia
de Terras Norte do Paraná (CTNP), durante as décadas de 1930 a 1950, nos principais jornais
do país e também inúmeros folhetos distribuídos em várias cidades da região norte de Minas
Gerais e alguns estados como Bahia e Pernambuco.
Conforme Santos e Molina (s.d) as propagandas da CTNP tinham como centralidade
atrair inúmeros compradores através da ideológica colonização pacíca, ordeira, terra próspera
e de oportunidades. Destacamos o paneto, veiculado em jornais e também distribuídos
avulsamente na década de 1940, que se encontra em anexo no trabalho de Santos e Molina
(s.d), o qual aponta o Norte do Paraná como o verdadeiro paraíso terrestre: “Sinta a Alegria
de Viver e Prospere no Norte do Paraná”
Em entrevistas1 realizadas pelos autores, entre 2002 a 2003, para comporem material
histórico para reconstituição do processo de ocupação no Norte do Paraná e Oeste Paulista
identicamos dois senhores, moradores da cidade de Porecatu a mais de 50 anos, sendo o
senhor C.M , atualmente ele reside em Londrina, e o senhor F. R (faleceu em 2010).
Como informou-nos o senhor C.M, natural do Estado de Pernambuco, ele já era casado
e tinha três lhos, era dono de uma pequena propriedade, recebeu em suas mãos um folheto
que, segundo ele, informava que o Norte do Paraná era a terra da prosperidade. Alguns parentes
seus haviam migrado para o Paraná e receberam cartas, segundo ele, mentirosas dizendo que
no Paraná o “dinheiro era ajuntado a rodo”. O senhor C. M2 disse-nos que seus parentes assim
procederam por terem vergonha de dizer que estavam trabalhando na lavoura e ganhavam
insuciente para sua manutenção. Iludidos pela propaganda, que iludiram inicialmente alguns
parentes, e depois o senhor C. M e família foram para o Norte do Paraná onde sofreram
1- Objetivávamos, de
forma independente,
escrever a História local
do Norte Paranaense e do
Oeste Paulista por meio
da reconstituição das
memórias dos trabalhadores,
de fato, o projeto colheu
poucas entrevistas e
documentos, pois o
mesmo foi interrompido
em 2003 por decisão dos
próprios pesquisadores.
2- Preferimos não revelar
os nomes dos mesmos por
não termos autorização da
família, pois um encontra-se
em idade bem avançada e o
outro faleceu no ano de 2010
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inúmeras privações, humilhações e empobreceram ainda mais.
O senhor F. R era prossional liberal em Salvador, Estado da Bahia, exercia a prossão
de alfaiate, quando lendo jornal viu uma notícia que no Paraná a prosperidade “corria como
rios”. Também era casado e tinha uma lha, resolveu mudar pouco tempo depois de ouvir de
muitos amigos que outras pessoas prosperaram no Paraná. O senhor F. R teve relativo sucesso,
pois seus serviços eram bastante solicitados, todavia apresentou-nos um quadro degradante
das condições de vida e sublinhou diversas vezes a censura política pela força.
Estes brevíssimos relatos apresentados aqui evidenciam o que de fato era o Norte do
Paraná, isto é, a prosperidade prometida era um aparato propagandista que ideologicamente
forjou a identidade e, grosso modo, a própria região do Novo Norte Paranaense.
Historicamente o processo de ocupação, segundo Müller (2001), destaca que esta
porção do Paraná após ser ocupado inicialmente pelos jesuítas no início do século XVII, cou
a margem do processo de colonização durante o século XVIII, de modo que somente em
meados do século XIX através da fundação de algumas colônias tais como a Colônia Militar de
Jataí e aldeamentos de São Pedro de Alcântara e São Jerônimo da Serra retomou a colonização.
Todavia, é justamente com o avanço dos cafezais paulistas a partir de 1862 que esta área é
denitivamente povoada, tendo intensicado o povoamento a partir da década de 1940.
O Norte do Paraná apresenta uma trajetória peculiar em relação às demais porções do
país na medida em que passou por um processo de povoamento orientado pelos interesses
capitalistas internacionais representados no país pela ação conjunta entre o Estado e a
Companhia de Terras Norte do Paraná3 , somado ao planejamento regional estatal com viés
mercadológico, ou seja, esta porção do território brasileiro teve sua economia voltada para
o mercado internacional. Também frisamos outro diferencial deste processo: o povoamento
era a primeira etapa de um processo longo de drenagem econômica e especulação fundiária
que resultou na fundação de vários municípios e o estabelecimento da especulação urbana
nas cidades decorrentes deste processo, isto é, a justicativa do Estado em associação à
empresa estrangeira para povoamento era na verdade uma associação classista que repudiava
a população pobre e sistematizou uma rotina de lucros para serem colhidos (e foram) em
décadas.
A Companhia de Terras Norte do Paraná por sua vez adquiriu do Estado uma extensa
área de 544.017 alqueires a preços irrisórios sendo que promoveu o loteamento das terras,
predominantemente a partir de lotes de reduzida extensão. Segundo Padis (1981), o baixo preço
das terras e a facilidade nas condições de pagamento possibilitadas pelos agentes imobiliários
permitiram intenso uxo migratório para região. Tratava-se de um empreendimento que
demandava volume de capital modesto com base essencialmente no trabalho familiar.
Conforme ressalta Padis (1981) apesar de se desenvolver na área uma série de culturas
tais como: algodão, milho, feijão e arroz destacou-se imensamente no Norte Paranaense a
cultura cafeeira, a qual encontrou condições edácas propicias para expansão desse cultivo4 .
Os investimentos ingleses no Novo Norte paranaense foram uma resposta direta a crise
de 1929, pois as expansões dos negócios ingleses eram de vital importância para o aumento
das taxas de lucros e respaldavam maior segurança por expandirem suas atividades econômicas
e comerciais. Também é importante lembrarmos que os investimentos ingleses somavam
no país “montantes” consideráveis principalmente, nas construções das ferrovias (CASTRO,
1976), já que:
As estradas de ferro constituem uma síntese do capital externo e das
necessidades da acumulação interna. Para a Inglaterra implica no barateamento
de matérias-primas e alimentos, alarga o campo de investimentos internos e
externos e amplia, em particular, o uxo de exportações de equipamentos e
máquinas. (CASTRO, 1976, p. 54)..
3- Vale destacar que a
referida companhia foi
vendida em 1944 para
empresários paulistas
passando a denomina-se:
Companhia Melhoramentos
Norte do Paraná. Também,
não podemos omitir o fato
de que apesar dessa ser o
principal projeto imobiliário
na área, ocorreram outras
iniciativas de menor
abrangência, como as
empreendidas por capitais
japoneses designadas
“Brazil Tokushoku Kaisha”
(Bratac) e a “Nambei
Tochikubushiri”, cujas
deram origem as cidades
de Assaí e Uraí. Para mais
informações a esse respeito
consultar Padis (1981).
4- Trata-se da terra roxa
decorrente da decomposição
do basalto, a qual em
geral é altamente fértil
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O modelo inglês de colonização, precedido pelos investimentos nas linhas férreas,
encontrou apoio no modelo desenvolvimentista-industrial inaugurado por Getúlio Vargas;
assim, os investimentos diretos estrangeiros foram considerados de suma importância para os
projetos do Estado brasileiro, os quais naquele momento era o povoamento de todo território
nacional, o fortalecimento do mercado interno e do consumo interno, o desenvolvimento da
indústria nacional e a necessidade de colocar o país novamente no mercado internacional,
que com a quebra da Bolsa de Valores de 1929 a economia brasileira muito se fragilizou.
Os investimentos estrangeiros diretos proporcionaram a reorganização do território
nacional, fazendo com que o mesmo casse “refém” dos ditames internacionais. O Brasil
como país agro-exportador com estrutura industrial precária, até a década de 1950, foi
organizado a partir das necessidades impositivas dos investimentos externos, esse cenário
somente foi possível com o aval da classe dominante brasileira, formada majoritariamente
por conservadores, uma vez que tais investimentos reforçariam a manutenção do status quo e
permitiram ganhos consideráveis para os mesmos.
Deste modo, frisamos os investimentos realizados no Novo Norte do Paraná a partir
de 1930 pelos ingleses da Parana Plantation, resultado das transformações da Brazil Plantation
Syndicate Ltda, no Brasil sua subsidiária era a CTNP. No período que abrange de 1925 a
1927 os investidores estrangeiros ingleses adquiriram do governo do Estado do Paraná
aproximadamente treze mil quilômetros quadrados de terras, sendo nesta área fundadas
Londrina e Maringá, como principais municípios, seguidos de Apucarana, Arapongas, Cianorte,
Jataizinho, Jaguapitã, Nova Esperança, Paranavaí, dentre outros.
Os ingleses objetivavam desenvolver na região Norte do Paraná complexos comerciais
e agrícolas que beneciassem diretamente os interesses dos investidores e a própria Inglaterra.
Para isso o loteamento do Novo Norte seguiu a lógica do planejamento inglês, que objetiva
constituir uma rede de comércio e consumidores, para isso era de vital importância o
desenvolvimento de uma logística eciente e, sobretudo, de núcleos urbanos; assim, segundo
Bortolotti (2007, p. 61): “A estratégia do planejamento inglês consistia na construção da
ferrovia aliada à subdivisão de pequenos lotes rurais e a implantação de núcleos urbanos de
apoio eqüidistantes uns aos outros, para abastecimento e prestação de serviços.”
A lógica planejadora apoiada na ética aquisitiva organizou o Novo Norte para a
exploração das terras rurais e urbanas, portanto, a formação de um complexo comercial e
produtivo permitiu que os retornos dos investimentos fossem processados em curto prazo.
Já que os investimentos diretos deram respostas quase que imediatas, principalmente o setor
ferroviário, a cotonicultura, o comércio de terras, o complexo comercial e as atividades de
incorporação urbana e a cafeicultura. Assim, os investidores estrangeiros e a elite nacional
fortaleceram seus ganhos consideravelmente garantindo logística adequada, produção
satisfatória, comércio adequado e acima de tudo mão-de-obra “farta e barata”.
A organização espacial do Novo Norte proporcionou o desenvolvimento de uma
identidade regional, que por sua vez passou a ser compreendida e identicada pelas paisagens
“típicas” resultantes destas transformações, portanto, o Novo Norte foi “construído”, a região
passou a ser identicada pelas características impositivas do capital investido.
Se o capital estrangeiro investiu sabendo dos lucros, o capital nacional paulista também
investiu pesadamente, adquiriu enormes áreas de matas nativas e formou fazendas bem
estruturadas de café. Assim, as paisagens do Novo Norte eram formadas por pequenos
proprietários de terras, que cumpriam o papel de mão-de-obra e dinamizavam a economia
local. As vilas rurais a partir de 1995 tiveram como objetivo principal a repercussão deste
dinamismo, ou seja, a subtração da população utuante de origem rural nas áreas urbanas
e a xação na zona rural em lotes que possibilitassem rendimentos para a sobrevivência e
ao mesmo tempo em que promovessem a produção de produtos agrícolas trabalhados com
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ferramentas de pequena monta e comercializados localmente, sem abandonarem a prossão
de trabalhadores temporários nas grandes propriedades rurais, ou seja, mantém a mão-de-
obra com baixo custo, distanciam esses trabalhadores do urbano impedindo os mesmos de se
associarem com outros e se fortalecerem politicamente.
Historicamente apesar de todos os investimentos estrangeiros a economia do Novo
Norte paranaense continuou atrasada quanto ao desenvolvimento amplo da região, já que
a relação entre a produção, capital e mais-valia continuou na mesma proporção, ou seja,
os investimentos objetivavam o retorno de lucros aos países investidores, principalmente a
Inglaterra, e sistematizaram a economia local sem impactar de fato o cotidiano das classes
trabalhadoras, muito ao contrário rmaram a continuidade do modelo dualista brasileiro forjado
pelos pactos de poder. No tempo presente esse distanciamento continua e os municípios da
região dependem ainda muito da produção agrícola vinculada ao mercado internacional. As
vilas rurais são, portanto, nesta lógica, “reservas” de mão-de-obra. O Estado organizou a
produção quase em sua totalidade, até mesmo a mão-de-obra foi dimensionada espacialmente.
Neste sentido, a constituição da região não subtraiu e nem reforçou as diferenças sociais
e econômicas, pois a mesma proporcionou a manutenção do atraso e das injustiças para as classes
trabalhadoras, manteve a elite conservadora com “ares” de modernidade ao proporcionarem a
formação de núcleos urbanos, o desenvolvimento de logística comercial, a utilização de novas
técnicas e tecnologias na lavoura e a introdução do processo de industrialização. Ao mesmo
tempo em que promoveu ideologicamente “boas ações” ao proporcionar aos trabalhadores
rurais o “retorno” ao campo.
Neste sentido, concordamos com Moro (2000) ao armar que esta porção do Paraná
passou a partir da década de 1970 por um processo de Modernização Agrícola, a seu ver foi
parcial, conservadora e dolorosa ao passo em que além de não romper com a concentração
fundiária existente ainda contribui para a despossessão dos trabalhadores. O mesmo armamos
quanto as vilas rurais, já que são “depósitos” de trabalhadores que vivem em condições
precárias, com rendimentos limitados e acabam por auto-explorem-se para tirar o mínimo
excedente (quando se tem) do lote.
Para Silva (1996, p.30) a modernização da agricultura “consiste num processo genérico de
crescente integração da agricultura no sistema capitalista industrial”, a qual rebate diretamente
sobre a mão-de-obra ocupada no campo que passa de uma subordinação indireta para uma
subordinação direta do trabalho ao capital dado que estreita-se “a possibilidade de reprodução
de formas independentes da pequena produção ou de formas em que o trabalhador mantém
o controle do processo de trabalho.” (p.34).
Historicamente este cenário é marcado pela crise do café oriundo da superprodução no
plano nacional, especialmente a partir de 1950, o que levou na década seguinte a uma política
de desestímulo a produção desta cultura através do programa de racionalização da cafeicultura
denominado Gerca - Grupo Executivo de Racionalização da Cafeicultura5 . Por sinal a partir
de então é promovido no Paraná o incentivo em um primeiro momento das pastagens e;
posteriormente, da produção de soja e trigo que passou a dominar a paisagem rural.
Apesar de serem características da modernização da agricultura a crescente “[...]
mecanização, eletricação, irrigação, conservação do solo, uso de fertilizantes e agrotóxicos
[...]” (MORO, 2000, p.30), isto de fato não correu de forma homogênea no espaço em questão,
excluindo parcela substancial dos pequenos e médios produtores rurais descapitalizados
que foram “lançados” para os centros urbanos e, desde 1995, o governo do Paraná busca
reorganizar parte destes trabalhadores limitando-os geogracamente e politicamente nas vilas
rurais.
Neste contexto temos um processo duplamente negativo aos trabalhadores que
ao mesmo tempo em que passaram a ser liberados dos espaços rurais em decorrente da
erradicação dos cafezais, foram expulsos pela mecanização das atividades agrícolas, a qual
5- Para melhor dimensionar
esse aspecto basta
atentarmos para o fato
de que entre 1970 e 1985,
as lavouras permanentes,
especialmente o café,
foram reduzidas em
aproximadamente 59%.
(MORO, 2000).
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foi responsável por liberar elevado contingente de trabalhadores que passam a vislumbrar
nas cidades sua sobrevivência e são deste modo levados a subempregos, empregos informais,
empregos temporários e como atividade principal de parte destes trabalhadores tornam-se
volantes (bóias-frias), ou seja, a relação com o rural continua sob orientações identitárias
diferentes e com as condições de emprego ainda degradantes.
Ideologicamente diante desse cenário mais geral caracterizado pela ampliação das
diculdades em ordenar as condições sócio-econômicas da população que é priorizado o
estabelecimento de políticas públicas pelo Estado para “beneciar” as famílias que estavam
nas “raias da exclusão”, possibilitando as mesmas ainda que indiretamente estiverem aptas
às necessidades imanentes ao processo produtivo local baseado em uma nova conjuntura
espacial.
As vilas rurais, portanto, são criadas para a contenção de trabalhadores volantes subtraindo
os mesmos das periferias das cidades paranaenses, delimitando as ações e organizações destes
sob os auspícios das necessidades do mercado internacional. Esses trabalhadores contidos
nas vilas rurais são resultados do processo perverso de organização do Novo Norte, pois o
mesmo nas suas origens foi agrário-exportador e assim permanece em boa medida. Deste
modo, não se pode “desfazer” de toda identidade rural promovida pelos trabalhadores, ou
seja, a perpetuação de valores rurais e modos de vida ruralizados impõem a esses sujeitos
a dependência formal com essa divisão e função do trabalho. Ser do campo, ser rural, ser
da roça, portanto, tem efeitos signicativos na constituição simbólica destes trabalhadores;
assim, mantê-los cativos depende, sobretudo, das promoções ideologizadas por caminhos
que não tenham alternativas. Não armamos que a solução é o urbano (longe disso), apenas
demonstramos a necessidade em fomentar valores ideológicos que condicionam, até quando
for necessário para o capital e para o Estado, sujeitá-los a esse modo de vida vinculado a
produção agrário-exportadora. Diante disso, apresentamos as particularidades das vilas rurais
no Novo Norte do Paraná.
As vilas rurais: herança conservadora
acordei e me olhei no espelho
ainda a tempo de ver
meu sonho virar pesadelo
Paulo Leminski, poeta paranaense
.As Vilas Rurais correspondem a um projeto encabeçado pelo Governador Jayme
Lerner e compactado por diversas organizações estaduais como a Secretaria da Agricultura e
do Abastecimento (SEAB) e a Empresa Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural
(EMATER-PR)6 , como parte do Programa de Melhoria da Qualidade de Vida do Trabalhador
Rural, criado em 1995 com o objetivo de “solucionar” a saída crescente da população do
campo rumo aos centros urbanos.
Isto se justica na medida em que de acordo com Cavalcanti (2009, p.83), “em 1995, a
zona rural e a agropecuária do Estado do Paraná caminhavam para a decadência” visto que
“aproximadamente 20% de seus moradores (1.800.000 pessoas) não ganhavam o suciente
para sobreviver e não tinham oportunidade de trabalho”.
O Programa atingiu 273 municípios de um total de 399 e resultou em 412 Vilas Rurais,
que abrigam mais de 80 mil pessoas (CAVALCANTI: 2009), sendo que conforme pudemos
vericar em Pitangueiras há municípios que receberam mais de um projeto de vila enquanto
outros não o acataram.
Sendo de iniciativa do poder político municipal as Vilas Rurais dependiam diretamente
do alinhamento político estadual, o que supõe a existência de conitos partidários e de
identicação entre as partes envolvidas, podendo isto expressar a maior ou menor adesão ao
6- São Parceiros
ainda: Companhia
de Desenvolvimento
Agropecuário do Paraná
(CODAPAR), Instituto
Agronômico do Paraná
(IAPAR), Secretaria
do Planejamento e
Coordenação Geral (SEPL),
Instituto Paranaense
de Desenvolvimento
Econômico e Social
(IPARDES), Federação
dos Trabalhadores na
Agricultura do Estado
do Paraná (FETAEP).
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transformações do espaço
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projeto.
Vale destacar que em 2001 segundo Dores e Asari (2001) tínhamos no Paraná 15.436
famílias beneciadas de um total de 398 Vilas Rurais implantadas e em fase de implantação o
que nos permite dizer que a maior parte dos projetos foram efetivados já nos primeiros anos
de existência.
Neste sentido, buscamos empiricamente compreender as vilas rurais por meio do
município de Pitangueiras localizado no norte paranaense o qual teve a implantação do projeto
vilas rurais recebendo as seguintes vilas: Antonio Pinguelli, em julho de 1996, a qual congrega
23 famílias; Manoel Garcia Espinosa, efetivada em junho de 1998 e que envolve 19 famílias e
a mais recente, denominada Ernesto Sgorlon, de setembro de 2002, com 42 famílias.
Neste contexto é importante destacar uma especicidade de Pitangueiras: trata-se
um município com reduzida população, não ultrapassando segundo o IPARDES – Instituto
Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social – o número de 2.822 habitantes,
emancipado em 1991 do município de Rolândia. Nessa empreitada do projeto das Vilas Rurais
o município entrou com as terras enquanto a construção das casas foi efetivada pelo Governo
estadual. Eis aqui um problema crucial: inúmeras Vilas Rurais foram estruturadas em áreas
distantes do núcleo urbano, revelando-se como um impedimento, pois, conforme demonstra
alguns estudos7 , além da questão da acessibilidade dicultavam ainda para o sucesso a falta
de infra-estrutura básica para atendimento da população, como por exemplo, em relação ao
atendimento médico e escolar.
Os lotes por sua vez apresentam dimensão reduzida, não ultrapassando 5.100 m2.
Nesse caso é importante destacar que embora cada vileiro possua liberdade para desenvolver
determinadas atividades produtivas indistintamente possuem em seu lote uma área de pomar,
a qual foi concebida pelos gestores como fonte de alimentos como por si só fosse suciente
para atacar de frente o problema do abastecimento familiar.
Conforme diagnosticamos em Pitangueiras, para o recebimento do lote foram
estabelecidos alguns critérios que visavam adequar a demanda dos habitantes pelas áreas são
eles: residir no município pelo menos 2 anos, possuir perl para atividade rural, não ter
imóvel em seu nome.
Fica claro a partir dessas informações a preocupação por parte do Governo estadual
e municipal promoverem a desmobilização dos movimentos sociais de luta pela terra, o que
pode ser apreendido pelo fato de ser uma das exigências para o recebimento do lote que o
interessado resida na área pelo menos 2 anos. Isto se justica ao passo em que uma das
características desses movimentos que reivindicam a posse da terra é justamente a sua uidez
pelo território.
Nesse sentido é válido destacar que o período em que foi desenvolvido o Programa
Vilas Rurais (1995) coincide no plano nacional com o processo de recrudescimento dos
movimentos de luta pela terra a partir de ações concatenadas de ocupação de áreas destinadas
à Reforma Agrária.
Conforme Asari e Ponte (2001) o Governo do Paraná objetiva ao fomentar as Vilas
Rurais justamente ocultar a necessidade de se promover nesse Estado a Reforma Agrária, dado
que a distribuição de lotes por si só resolveriam a péssima distribuição de terras existentes.
É importante ressaltar também que as Vilas Rurais não se enquadram como uma
típica propriedade rural ao passo em que não atingem o módulo rural mínimo no Estado
do Paraná que é de 20 mil metros quadrados, o que implica diretamente na possibilidade de
cobrança do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) sobre tais
áreas em contraposição ao Imposto sobre Propriedade Territorial Rural (ITR), sendo, pois
foco de polêmica. Assim, a referida cobrança de IPTU, muito provavelmente, será realizada
quando oportunizar necessidades políticas voltadas para o enfraquecimento dessas e como
7- A esse respeito ver:
Asari; Muniz e Rosa
(2002), que elucidam o
caso da Vila Rural Belmiro
Golvea, em São Sebastião
da Amoreira/PR.
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desestímulos a esse modo de vida, todavia, isso depende das relações e articulações escalares
da produção agrário-exportadora e do papel dado a esses vileiros na divisão do trabalho.
O Estado operacionaliza a identidade dessas vilas ao permitir o comércio, a troca, entre
os que são iguais no modo de vida perlado de forma ocial. Ficou evidenciado que existe
a comercialização de lotes nas Vilas Rurais visitadas o que está relacionado especialmente a
casos de separação de casais e conseqüente venda para terceiros. Assim dos 84 lotes originais
20 foram vendidos. Nesse sentido os mutuários podem fazer a permuta entre si ou mesmo
com imóveis urbanos populares, desde que os seus proprietários possuam uma “identidade
rural”. De fato, entendemos que isto foi uma forma encontrada pelos gestores locais em
controlar a venda ou o abandono dos lotes pelos moradores haja vista que possibilita maior
exibilidade. Como construção de uma obrigatoriedade para a reserva de trabalhadores
vinculados às exigências do capital internacional o qual pressiona a produção interna.
Averiguamos em Pitangueiras, devido à própria extensão dos lotes, que existe a
predominância de algumas atividades, destacando-se principalmente o café que esta presente
em 25 lotes e congura-se como uma verdadeira herança de um período áureo para inúmeros
produtores, seguido da palmeira real encontrada em 11 lotes8 . Por sua vez o bicho da seda
e a avicultura de corte foram encontrados em 4 lotes cada. Em menor proporção, temos
ainda: pecuária leiteira, agroindústria de Pães e indústria de confecções. Vê-se nesse caso
a necessidade de ampliarmos nosso foco de compreensão a respeito do campo, dado que
as atividades agrícolas tradicionais não são sucientes para explicar a dinâmica envolta a
geração de emprego e renda em tais espaços9 .
Nesse aspecto, como questão pontual é interessante chamar atenção para o fato
de os vínculos entre Cidade-Campo serem bastante tênues, na medida em que ocorre um
embricamento de atividades e serviços entre o espaço rural e urbano, diferentemente de outros
momentos históricos onde havia uma clara distinção entre tais esferas10 . Logo, devemos
concordar com Andrade (1995, p.09), que arma: “Os contrastes entre o campo e a cidade
vêm desaparecendo [...], o campo penetra cada vez mais a cidade e a cidade cada vez mais o
campo.” Todavia, a identidade rural nessas vilas precisa ser mantida para efeito de anulação das
vontades destes retornarem para as periferias dos centros urbanos.
A título de exemplo é importante chamar a atenção do caso do lote visitado do Sr.
A. T., o qual tem por atividade principal a avicultura de corte além da própria lavoura de
café. Este sujeito era um lavrador, percenteiro de café, beneciado pelo programa na Vila
Antonio Pinguelli.Segundo pudemos apurar no local o referido vileiro conseguiu através de
uma das linhas do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF),
nanciamento de R$25 mil reais o que possibilitou ao mesmo adquirir um aviário usado,
no qual inicialmente criava 8 mil frangos, possibilitando auferir renda mensal de cerca de
R$1.500,00 mensais. Embora, o vileiro alegue que sua condição de vida tenha melhorado
signicativamente após o seu ingresso no Programa Vilas Rurais, não podemos desvincular
disso a sua situação atual de dependência em relação à empresa abatedora. Ou seja, conforme
vericou-se o avicultor ca à mercê das prerrogativas da empresa, pois tem que conar no
peso da ração enviada pela empresa, da quantidade de pintainhos recebidos, etc. sem contar
que as exigências são crescentes em relação aos cuidados necessários com as condições de
produção em geral do aviário, na contramão aos preços pagos pelas aves, que mal paga os
custos de produção propiciando uma margem de lucro reduzida11 . Aqui se tem outro momento
das exigências do Estado e do capital, ou seja, quando os vileiros tornam-se “produtores” e
dependentes de cadeias produtivas; assim, os vileiros são direcionados para a dependência a
partir de suas identidades e pela prática cotidiana do trabalho.
Como se não bastasse é fato que dado as dimensões do lote ser exígua limitando as
atividades a serem realizadas, os membros da família acabam por buscar emprego fora do local
de moradia. Especialmente nessa situação, vimos que a reprodução da família está condicionada
8- Conforme pudemos
apurar no local outras
iniciativas foram aplicadas
nas Vilas Rurais em questão,
a exemplo da cultura de
go e de maracujá, as quais
atingiram 15 e 16 vileiros
respectivamente, sem
contudo prosperar. Diante
disso, foi elaborado através
de parceria entre os técnicos
da Emater e Prefeitura
Municipal diagnóstico
rural para avaliar as reais
potencialidades existentes,
de tal forma que auxiliasse
a demanda dos produtores.
9- A esse respeito ver ainda:
Teixeira e Lages (1997).
10- Conforme:
Sorokin, Zimmerman
e Galpin (1986).
11- Segundo nos informou
o produtor, gira em torno
de 30 centavos por cabeça,
valor esse alcançado após
45 a 49 dias, a depender
do contrato estabelecido
entre as partes.
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O Novo Norte Paranaense: as
transformações do espaço
sob a tutela da ética aquisitiva
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ao trabalho da mulher fora do ambiente domiciliar, como forma de complementação da renda
global, o marido buscando novas alternativas de renda e os lhos no mesmo caminho.
Contudo isto é possível de se concretizar dado as condições em que se efetivaram
as Vilas Rurais em Pitangueiras, qual seja, próximo ao núcleo urbano, todavia conforme já se
observou este não tem sido via de regra o que acontece em outras áreas do Estado.
Neste sentido, retomamos a questão essencial no Programa Vilas Rural que está
vinculada ao seu caráter de bolsão de trabalhadores disponíveis às necessidades do capital local
articulado as necessidades do mercado nacional e internacional. Nesse caso não se coloca em
relevo o atendimento da necessária qualidade de vida.
Como se não fosse suciente por si a disponibilidade de mão-de-obra decorrente
das Vilas Rurais, em Pitangueiras, existe ainda um mecanismo sosticado de agenciamento de
mão-de-obra, denominado “Terminal do Trabalhador”. Este local congrega em torno de 200
volantes diariamente. O poder público, tendo em vista garantir a permanência desse local e,
sobretudo garantir o bem-estar dos trabalhadores, mantêm de segunda à sábado um café da
manhã. Temos nesse sentido o efetivo interesse por parte da elite dominante de garantir o
exercício do controle social sobre estes trabalhadores os quais são completamente destituídos
de alternativas transformadoras.
Nesse caso, no tocante especicamente a mão-de-obra, concordamos com Asari; Muniz
e Rosa (2002) que destacam que “na verdade, o Programa visa sua manutenção e reprodução
como trabalhador assalariado, porém, mesmo para tanto, não oferece as condições necessárias,
sujeitando-o à insegurança do trabalho temporário ou sazonal”.
A perpetuação da condição de opressão da elite conservadora nacional para com
os trabalhadores rurais é ideologicamente combinada com discursos manipuladores que
apresentam a “nova” organização camponesa como algo revolucionário, já que “doa” terra e
proporciona outros signicados para as vidas dos trabalhadores, pois os liga a terra, como se
somente isso bastasse para subtrair séculos de exploração e manipulação da burguesia nacional.
As palavras inclusão, retorno às origens, identidade camponesa, são de fato, utilizadas
na produção de um discurso manipulador que midiaticamente impõe à população em geral a
crença nas Vilas Rurais como algo extraordinário, que proporciona aos moradores inúmeros
benefícios.
A contradição deste discurso construído ideologicamente liga-se a condição de classe
que permanece, a submissão às vontades do capital não são subtraídas e a dependência
do circuito produtivo é contínua. Enm, os trabalhadores não possuem autonomia, como
garante o projeto das Vilas Rurais, já que sua permanência nas atividades rurais depende de
empréstimos e, principalmente, de participar como fornecedor de matéria-prima no circuito
produtivo.
Diante disso, entendemos que as políticas neoliberais materializaram-se na formação das
Vilas Rurais, ao imporem aos vileiros dependência forçada quanto ao setor produtivo privado
e aos sistemas de créditos. A mesma lógica colonizadora ainda é mantida e os trabalhadores
são ainda lançados na direção das necessidades do capitalismo, justicados por uma ética
excludente, por uma ética aquisitiva.
Considerações nais
Isso de ser exatamente o que se é ainda vai nos levar além
Paulo Leminski, poeta paranaense
A formação da região do Novo Norte do Paraná não ocorreu de forma espontânea
ou mesma foi formada a partir da coragem de pioneiros, como prega a história ocial de
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inúmeros municípios que a compõe, trata-se de um processo de investimentos estrangeiros e
de expansão dos negócios da classe dominante paulista em associação com a classe dominante
paranaense.
De fato, ocorreu a formação de uma região a partir dos interesses do capitalismo
nacional conservador e do capitalismo estrangeiro, cujos interesses em alguns momentos se
chocaram, porém o Estado intermediou tais conitos proporcionando a adequação necessária
para que todos os grupos econômicos e políticos envolvidos tivessem substancias retornos.
Historicamente a região é marcada por uma lógica perversa que resulta na centralidade
da acumulação capitalista para uma minoria, enquanto que a maioria não desfruta de tais
resultados. O processo histórico das transformações espaciais em todo território nacional é
marcado por uma ética, chamada por Thompson (2001), aquisitiva, isto é, a transformação
espacial que beneciou e benecia apenas uma minoria é compreendida como correta, como
ética, mesmo que a maioria da população viva em condições materiais precárias.
As transformações espaciais do Norte Central ou Novo Norte foram marcadas por
esta lógica justicada por esta ética aquisitiva. O “surgimento” da região foi planejado em
conformidade aos interesses dos investidores capitalistas; assim, a população em geral nunca
teve qualquer participação direta no projeto colonizador (preferimos até explorador) desta
região. Quando a população se revoltou, como a Guerra de Porecatu, foi logo silenciada pela
força do Estado e dos setores produtivos.
Diante disso, entendemos que o Programa Vilas Rurais é marcadamente o resultado de
um jogo de interesses existentes entre diferentes atores sociais, do campo e da cidade, sob a
égide do Estado, comprometidos com a manutenção da ordem estabelecida.
As Vilas Rurais são incontestavelmente um projeto de mão-dupla, arquitetado com o
suposto m de beneciar os trabalhadores, mas que em seu âmago pretendia garantir um
verdadeiro exército de reserva disponível as demandas dos produtores rurais ao mesmo tempo
em que proporciona o esvaziamento das periferias urbanas.
Concordamos com Asari e Ponte (2001, p.172), quando destacam que as Vilas Rurais “é
mais uma alternativa para tentar eliminar os problemas causados pelo auxo da população aos
centros urbanos, proporcionando habitação e não condições de sobrevivência para as famílias
de trabalhadores rurais em seu próprio lote”.
Apesar da imprescindibilidade de se pensar em políticas públicas voltadas ao atendimento
das demandas especícas da população, tais como as de habitação, saúde, educação, etc., faz-
se necessário buscar um desenvolvimento sob enfoque territorial, na perspectiva de Favareto
(2006), o qual contemple ações intersetoriais e intermunicipais, de tal forma que atenda ao
conjunto dos interesses da população, particularmente daqueles que apostam na possibilidade
de vida digna no campo.
Portanto, as Vilas Rurais reetem os anseios e interesses da ala dominante paranaense
que insiste em controlar e manipular a população ao seu bel prazer sem, no entanto lhes
oferecer alternativas que contemple suas reais necessidades.
Desta forma, esses espaços não viabilizam possibilidades autônomas de desenvolvimento
social e econômico para tais sujeitos, homens e mulheres, que continuaram no raio de
dependência do Estado e dos setores produtivos, enm, toda uma região pensada e organizada
sob os auspícios de uma ética que tem como centralidade a aquisição de terras, de bens e de
lucros para uma minoria insignicante (demogracamente), enquanto a maioria depende dos
jogos de cartas marcadas das elites regionais, nacionais e internacionais.
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Correspondência:
José Roberto Nunes de Azevedo - Rua Roberto Simonsen, 305, Centro Educacional -
Presidente Prudente - SP. CEP: 19060-900.
E-mail: jrna1982@hotmail.com.
Recebido em 28 de março de 2012.
Avaliado em 16 de julho de 2012
Revisado pelo autor em 06 de dezembro de 2012.
Aceito para publicação em 06 de dezembro de 2012.
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O objetivo desta pesquisa é estabelecer a diferença conceitual trazida com a abordagem territorial do desenvolvimento rural em relação às abordagens tradicionais de apreensão deste mesmo objeto nas ciências sociais, a partir de uma análise histórica e teórica do problema. Na base da emergência do que se convencionou chamar por "nova ruralidade" há um deslizamento no conteúdo social e na qualidade da articulação das suas três dimensões definidoras fundamentais: as relações rural-urbano, a proximidade com a natureza, e os laços interpessoais. A tese que se pretende demonstrar é que os significados maiores desta mudança são, de um lado, a erosão do paradigma agrário que sustentou as visões predominantes sobre o rural ao longo de todo o último século, e, de outro, a intensificação de um longo e heterogêneo processo de racionalização da vida rural. Um processo através do qual o rural, em vez de desaparecer, se integra por completo à dinâmica mais ampla dos processos de desenvolvimento, por meio tanto da unificação dos diferentes mercados (de trabalho, de produtos e serviços, e de bens simbólicos) como também por meio da criação de instituições que regulam as formas de uso social destes espaços, agora amalgamando interesses que têm por portadores sociais segmentos originários também de outras esferas. Tese (Doutorado).
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Programa Vilas Rurais: Política pública de fixação dos trabalhadores no campo? Geografia
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  • H M C Muniz
  • M D Rosa
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Transformações no espaço rural e a geografia rural: Idéias para discussão
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