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Variabilidade e estrutura genética das populações de Plasmodium falciparum no arquipélago de S. Tomé e Príncipe, com base em microssatélites

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Abstract

Introdução: Nas ilhas de São Tomé e Príncipe (STP), a malária atinge níveis meso-hiperendémicos, com predominância de Plasmodium falciparum. Em 1980-1982, decorreu um programa de erradicação no qual foi utilizado o fármaco cloroquina. Mais recentemente (2000), iniciou-se um novo esquema terapêutico à base de derivados da artemisinina. A informação acerca da estrutura genética de populações geograficamente isoladas de P. falciparum pode ter importantes repercussões no controlo da malária. Objectivos: Caracterizou-se a variabilidade genética de populações de P. falciparum em STP, utilizando microssatélites, de forma a: 1) comparar os níveis de variabilidade e diferenciação genética entre amostras colhidas em dois anos diferentes (2000 e 2004); 2) avaliar o possível impacto da introdução de um novo fármaco na estrutura populacional parasitária. Material e Métodos: Foram analisadas 355 amostras sanguíneas de habitantes de duas localidades (Neves, São Tomé; Rua dos Trabalhadores, Príncipe), colhidas nos anos de 2000 e 2004. Após extracção de DNA, foram identificados isolados de P. falciparum por PCR. Estes foram analisados para 12 loci de microssatélites. A análise das frequências genéticas foi efectuada com o programa GENEPOP e FSTAT. Resultados: No total foram identificados 114 isolados de P. falciparum. Houve uma acentuada diminuição da prevalência de infecção 49% a 10% no Príncipe. A diversidade genética foi comparável entre ilhas. Na comparação entre anos, verificou-se uma diminuição da diversidade genética de 2000 para 2004, no Príncipe (2000: Rs=5/He=0.82; 2004: Rs=4; He=0.76). Foram detectados níveis de diferenciação genética significativos, estimados pelo parâmetro Fst, entre ilhas e entre anos diferentes (mesma ilha). Conclusões: Os níveis de diferenciação genética observados entre ilhas sugerem a ocorrência de restrições ao fluxo genético, possivelmente associadas à barreira oceânica e consequente isolamento geográfico destas populações parasitárias insulares. A redução de diversidade genética entre 2000 e 2004 observada na ilha do Príncipe poderá reflectir uma redução populacional associada à implementação de medidas de controlo da malária. Este trabalho foi financiado pelo Programa POCI2010, Fundação para a Ciência e a Tecnologia/FEDER, Portugal (POCI/SAU-ESP/56903/2004).
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