ArticlePDF Available

Convergência, colaboração, comunicação e inovações em instituições educativas

Authors:

Abstract and Figures

Resumo Os avanços impetrados pelas Tecnologias de Comunicação e Informação (TICs), por intermédio dos seus processos de inovação, atingiram todos os setores da atividade humana na contemporaneidade. Entretanto, grande parte das instituições educativas brasileiras está demorando em entender a profundidade da ruptura causada pela convergência digital e utilizar as novas possibilidades de comunicação e cooperação entre estudantes e/ou professores. Diferentemente do tempo da escassez da informação, as instituições educativas necessitam inovar nos seus processos de comunicação na área da educação formal, para estabelecer a cultura do compartilhamento de informações, tornando a sua estrutura de fluxo informativo flexível. Palavras-chave: Comunicação; convergência digital; colaboração; instituições educacionais. Resumen Los avances presentados por Tecnologías de la Información y la Comunicación (TIC), a través de sus procesos de innovación, llegó a todos los sectores de la actividad humana en la actualidad. Sin embargo, la mayoría de las instituciones educativas está asumiendo brasileño comprender la profundidad interrupción causada por la convergencia digital y el uso de las nuevas posibilidades de comunicación y cooperación entre los estudiantes y / o profesores. A diferencia de la época de la escasez de información, las instituciones educativas deben innovar en sus procesos de comunicación en el ámbito de la educación formal, tiene que establecer una cultura de intercambio de información, por lo que su flujo de información flexible estructura.
Comparação entre os conceitos cooperação e colaboração Fonte: COOK, Niall. Enterprise 2.0: How social software will change the future of work. England: Gower, 2008, p.28 Como demonstra a ilustração, pode-se afirmar que a colaboração é uma atividade realizada por um grupo de pessoas para aquisição ou criação de conhecimento de forma conjunta, ou seja, compartilhada. E a cooperação usa o mesmo tipo de estratégia para produção de um processo ou um produto. Geralmente, a cooperação está ligada ao retorno financeiro com algo. Portanto, quando se diz colaboração, a aquisição de conhecimento está mais presente e é a recompensa desejável. É preciso reconhecer, logo de início, que o termo colaboração padece de situação semelhante ao que vemos em interação ou mesmo autonomia: muitos autores contribuíram com o debate ao redor destes temas, o que torna difícil uma articulação de múltiplos usos e pensamentos. Em linhas gerais, ao ser visto como um método de aprendizagem, colaboração pode ser definida como " uma situação onde duas ou mais pessoas aprendem ou tentam aprender algo juntos através de processos de interação social, mediadas pela linguagem, em busca do desenvolvimento de habilidades específicas e a resolução de problemas " (DILLENBOURG apud OLIVEIRA, 2011, p.51) Com o aumento do volume de dados produzidos e armazenados na Internet, a produção de informações e conhecimentos cresce exponencialmente. Existe até dificuldade de processar a grande quantidade de dados que estão disponíveis na rede. O tráfego total de dados na internet em 2016 será quatro vezes maior que o atual e superará pela primeira vez o " zettabyte " , uma medida que equivale a um sextilhão de bytes, graças ao forte aumento dos uploads de vídeos, segundo previsões apresentadas pela empresa tecnológica Cisco. Concretamente, está previsto que o volume de dados chegue a 1,3 " zettabyte " , destacou em
… 
Content may be subject to copyright.
Rizoma, Santa Cruz do Sul, v. 2, n. 1, p. 124, julho, 2014
Resumo
Os avanços impetrados pelas Tecnologias de Comunicação e Informação
(TICs), por intermédio dos seus processos de inovação, atingiram todos os
setores da atividade humana na contemporaneidade. Entretanto, grande parte das
instituições educativas brasileiras está demorando em entender a profundidade
da ruptura causada pela convergência digital e utilizar as novas possibilidades de
comunicação e cooperação entre estudantes e/ou professores. Diferentemente do
tempo da escassez da informação, as instituições educativas necessitam inovar nos
seus processos de comunicação na área da educação formal, para estabelecer a
cultura do compartilhamento de informações, tornando a sua estrutura de uxo
informativo exível.
Palavras-chave: Comunicação; convergência digital; colaboração;
instituições educacionais.
Resumen
Los avances presentados por Tecnologías de la Información y la Comunicación
(TIC), a través de sus procesos de innovación, llegó a todos los sectores de la
actividad humana en la actualidad. Sin embargo, la mayoría de las instituciones
educativas está asumiendo brasileño comprender la profundidad interrupción
causada por la convergencia digital y el uso de las nuevas posibilidades de
comunicación y cooperación entre los estudiantes y / o profesores. A diferencia
de la época de la escasez de información, las instituciones educativas deben
innovar en sus procesos de comunicación en el ámbito de la educación formal,
tiene que establecer una cultura de intercambio de información, por lo que su
ujo de información exible estructura.
Palabras clave: Comunicación, convergencia digital, cooperación,
instituciones educativas
Abstract
Advances led by Information and Communication Technologies (ICT),
through their innovation processes, reached all sectors of human activity
Walter Teixeira de Lima Júnior 1
1 Docente do Programa de Pós-
-Graduação em Comunicação
Social da Universidade Metodista
de São Paulo
Convergência, colaboração, comunicação
e inovações em instituições educativas
Rizoma, Santa Cruz do Sul, v. 2, n. 1, p. 125, julho, 2014
nowadays. However, most Brazilian education institutions is talking to
understand the depth of disruption caused by digital convergence and uses the
new possibilities of communication and cooperation between professors and
students. Unlike the time of information scarcity, the educational institutions
need to innovate in their process of communication in the eld of formal
education to establish an information sharing culture, became its structure of
informative more exible.
Keywords: Communication, Digital convergence, collaboration, education
institutions
Introdução
Novos desaos são estabelecidos para as instituições educativas
brasileiras na contemporaneidade. Elas precisam comunicar seus
conteúdos educacionais de forma eciente para geração de jovens que
estão imersos nas tecnologias digitais conectadas. A educação formal,
institucional, está impregnada de métodos ditos tradicionais de educação
e aprendizagem, muitos deles baseados em mensagens verbais. Mesmo
antes da expansão vertiginosa da Internet, os recursos multimídia off-
line já eram muito poucos utilizados. São duas dinâmicas de transmissão
de informação e absorção dessas por processos cognitivos que, muitas
vezes, não se relacionam.
Com o avanço das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), que
impetrou formas de inovação de processos e produtos em todos os setores
da sociedade contemporânea, a grande parte das instituições demorou em
sintonizar seus objetivos com as novas formas de ensino e aprendizagem
a partir das experiências já vividas pelos seus alunos, seja acessando essas
tecnologias no trabalho ou em casa. Falta e faltou entendimento de que
o processo de inovação é um processo contínuo de adaptação às novas
condições impostas pelo desenvolvimento da sociedade. Nesta dinâmica,
inúmeros campos da atividade humana são afetados e as instituições
educativas não estão imunes ao novo contexto.
Entretanto, não estamos vivendo apenas mais um processo de inovação.
Estamos vivendo uma verdadeira revolução, com impactos similares ou
maiores do que foi a Revolução Industrial, que fez emergir um conjunto
de mudanças tecnológicas, produzindo profundo impacto nos processos
produtivos, tanto na área econômica como social, além de produzir a
industrialização de aparatos para aprisionamento da informação. As
plataformas analógicas e eletrônicas possibilitaram o surgimento de modelos
de negócios baseados na escassez da Informação. Ou seja, alguns poucos
detinham informações importantes para a sociedade, comercializando-as
com a grande massa, que não detinha tais informações. Entre um dos ramos,
cito os grupos de mídias.
Rizoma, Santa Cruz do Sul, v. 2, n. 1, p. 126, julho, 2014
Os meios de comunicação analógicos, surgidos a partir das
concepções econômicas da Revolução Industrial, cujo mercado
estruturado teve como base os modos de produção baseados na
escassez da informação, enfrenta à concorrência de múltiplas
plataformas digitais (LIMA JUNIOR, 2010, p.2).
atual revolução que tentamos entender, pois apenas começou,
liberta a informação dos suportes analógicos e eletrônicos e dá vida à
mesma em formatos digitais conectados, proporcionando facilidade na
obtenção de informações estruturadas sobre o mundo e seus mecanismos,
podendo ser copiada, reelaborada, compartilhada e distribuída, quase que
instantaneamente por intermédio de diversos dispositivos. Nesse escopo
tecnológico, a informação passa a ser imaterial. Ou seja, não está ligada
apenas a um suporte, seja livro, jornal, revista, televisão ou rádio. Estamos
vivendo a era da conectividade, das redes, dos grandes armazenamentos
e processamento de dados, mobilidade e portabilidade dos dispositivos
tecnológicos, compartilhamento de informações digitais e novas formas
de colaboração. É a Vida Digital. Título do livro do pesquisador do MIT,
Nicholas Negroponte, lançado nos EUA, em 1992, e até hoje atual. Nele,
Negroponte (1995) dizia que, em dez anos, seria provável que os adolescentes
estivessem desfrutando de panorama mais rico, em função da utilização das
tecnologias digitais conectadas.
Pois a busca do sucesso intelectual não perderá tanto para o rato de
biblioteca, mas, em vez disso oferecerá uma gama mais ampla de
estilos cognitivos, padrões de aprendizado e formas de expressão
(NEGROPONTE, 1995, p. 209)
O “sucesso intelectual” utilizando as tecnologias digitais, citado por
Negroponte, só é possível devido à revolução digital que se estabelece a partir
do desenvolvimento tecnológico das máquinas computacionais, embutidas
em personal computers, smartphones, tablets e e-readers. E, também, pela
conexão desses via redes telemáticas, como a Internet. O impacto devido à
transformação da informação, que somente era obtida de forma analógica,
para o código binário permitiu “ser mais eciente, ter cores nítidas, áudio e
voz movendo em sequência de imagens e todos outros tipos de informação
está cada vez mais representada dessa forma. Em outras palavras, as formas
que representamos a informação está convergindo para o paradigma digital”
(HILBERT; CAIRO, 2008, p.2). Assim, a convergência digital, denominada
na pesquisa de Willian Chee-Leong Lee (2003), defendida no Massachusetts
Institute of Technology, é a conversão entre domínio analógico (frequência
e físico) e domínio digital (bits), que possibilitou a criação de um novo
patamar de produção e distribuição de conteúdo informativo, pois estrutura
novos modelos de construção da representação da realidade (LIMA JUNIOR,
2008)2. Na ilustração apresentada abaixo (LEE, 2003, p.34), Lee demonstra
as conexões e sobreposições nos campos Tecnologia de Informação,
Telecomunicações e eletrônicos de consumo.
2 LIMA JUNIOR, W. T. Conver-
gência digital, mobilidade e o
futuro da interatividade. Confe-
rência apresentada no Seminário
Internacional Cidadania Digital
Latino-Americana: desaos globais
em comunicação, política e tecnolo-
gia, Faculdade Cásper Líbero, São
Paulo, 2008.
Rizoma, Santa Cruz do Sul, v. 2, n. 1, p. 127, julho, 2014
Figura 1: Sobreposições nos campos Tecnologia de Informação,
Telecomunicações e eletrônicos de consumo.
Fonte: LEE, William Chee-Leong. Clash of the Titans: impact of
convergence and divergence on digital media, 2003, p. 34
Apesar das intensas transformações sociais impetradas pelas tecnologias
digitais no cotidiano das pessoas, das empresas, das organizações e nas
escolas, o desenvolvimento tecnológico avança e a Tecnologia de Informação
e Comunicação produz novas formas de interação (interatividade) entre
os denominados interagentes, e não usuários como são denominados na
literatura vigente. Segundo o pesquisador Alex Primo
tanto ”receptor” e ”usuário” são termos que denotam ideias
limitadas sobre o processo interativo. O termo interagente emana a
ideia de interação, ou seja, a ação (ou relação) que acontece entre
os participantes. Interagente, pois, é aquele que age com outro.
(PRIMO, 2003, p.133)
Os interagentes irão, nos próximos anos, experimentar tecnologias que
permitem interagir em ambientes de realidade mixada, como a Realidade
Aumentada, experimentar redes sociais interligadas ao audiovisual (Web
Social TV), pesquisar e relacionar grandes bancos de dados na busca de
informações não triviais (Era do Big Data), se relacionar com o mundo sem
necessidade de aprender outras línguas (tradução simultânea em áudio),
entre outras tecnologias. Estudos realizados pela empresa de consultoria
estadunidense Gartner, Inc, demonstram que novas áreas tecnológicas,
que envolvem o campo da comunicação, estão sendo desenvolvidas e
consolidadas. Assim, o processo de adaptação tecnológica das instituições
educacionais terá que ser permanente.
Rizoma, Santa Cruz do Sul, v. 2, n. 1, p. 128, julho, 2014
Figura 2: Hyper-cycle Technology
Fonte: Gartner Hiper-Cycle 2012.
Disponível em http://www.motiviti.com/blog/gartner-hype-cycle-for-
2012-and-beyond/
Redes
Diversas Tecnologias de Informação e Comunicação estão conectadas com
as redes telemáticas, que possuem a sua conguração mais famosa e poderosa,
a Internet. A junção da Internet com os computadores (PCs) e o barateamento
dos dispositivos que possuem essas tecnologias, formou novo ambiente
para livre troca de informações: o ambiente digital. Nesse ambiente digital
conectado, surgem a cada momento novas formas de apropriação tecnológica
e, por consequência, a apropriação da informação em diversos formatos e
combinações. Isso se deve à arquitetura da Internet, idealizada por Paul Baran,
em agosto de 1964, a pedido da agência Americana ARPA (Advanced Research
and Projects Agency - Agência de Pesquisas em Projetos Avançados) para o
que se tornaria em 1969 a ARPANET, a precursora da Internet.
Figura 3: Topologia de Rede de Paul Baran
Fonte: BARAN, Paul. On distributed communications:
Introduction to distributed communications networks (1964). Disponível em http://
www.rand.org/content/dam/rand/pubs/research_memoranda/2006/RM3420.pdf
Rizoma, Santa Cruz do Sul, v. 2, n. 1, p. 129, julho, 2014
Uma rede signica ter nodos e conexões (laços forte ou fracos) que
sustenta o uxo informativo, garantindo a uidez da informação. A
rede é uidez de informação (FRANCO, 2008). Portanto há novos
uxos informativos acontecendo, que são bem diferentes dos tempos da
escassez de informação. A arquitetura estabelece uma rede distribuída
de baixa hierarquia, proporcionando trocas de informações sem
barreiras ou convenções. Portanto, nodos sem conexões não possibilitam
compartilhamento de informações.
Colaboração
A estrutura de rede permite elevar o poder de colaboração humana
na troca de informações e conhecimento, pois a centralidade do polo
emissor não existe na rede. O ltro que diz o que deve ser acessado,
produzido e distribuído não pertence a uma pessoa ou organização,
pois a centralidade não existe na rede. O processo está nas mãos dos
interagentes que atuam na rede. O pesquisador da Harvard Law School,
Yochai Benkler, escreveu em 2006 o livro a Riqueza das Redes.
O favorecimento de relações digitais a partir de uma lógica
distinta do modelo econômico preponderante no Século XX:
produção individualizada, descentralizada, mas em colaboração
com outros usuários. A economia da informação em rede, para
Benkler, se baseia em processos de colaboração que podem
conviver com o sistema de mercado, já que incluem fatores
psicológicos e sociais que excedem a lógica de remuneração
e propriedade. A maneira como cultura e conhecimento são
produzidos e trocados “afeta o modo como a sociedade vê
o mundo, como ele é e como poderia ser” (BENKLER apud
OLIVEIRA, 2011, p 50).
Mas o que é colaboração? E como podemos lidar com a nova
cultura de apropriação da informação através das redes digitais?
Essas são perguntas fáceis de ser respondidas, pois as pontas visíveis
da possibilidade de colaboração são, às vezes, confundidas com a
conversação, que é o combustível das famosas redes sociais, como o
Facebook que atingiu, em 2012, 1 bilhão de contas. Entretanto, esses
sistemas, que parecerem colaborativos, possuem o objetivo estritamente
comercial e válido no sistema econômico em que vivemos. muita
dificuldade de se conceituar colaboração, principalmente, em função de
outro conceito, o de cooperação
Rizoma, Santa Cruz do Sul, v. 2, n. 1, p. 130, julho, 2014
Figura 4: Comparação entre os conceitos cooperação e colaboração
Fonte: COOK, Niall. Enterprise 2.0:
How social software will change the future of work. England: Gower,
2008, p.28
Como demonstra a ilustração, pode-se armar que a colaboração é uma
atividade realizada por um grupo de pessoas para aquisição ou criação de
conhecimento de forma conjunta, ou seja, compartilhada. E a cooperação
usa o mesmo tipo de estratégia para produção de um processo ou um
produto. Geralmente, a cooperação está ligada ao retorno nanceiro com
algo. Portanto, quando se diz colaboração, a aquisição de conhecimento está
mais presente e é a recompensa desejável.
É preciso reconhecer, logo de início, que o termo colaboração
padece de situação semelhante ao que vemos em interação ou
mesmo autonomia: muitos autores contribuíram com o debate ao
redor destes temas, o que torna difícil uma articulação de múltiplos
usos e pensamentos. Em linhas gerais, ao ser visto como um método
de aprendizagem, colaboração pode ser denida como “uma
situação onde duas ou mais pessoas aprendem ou tentam aprender
algo juntos através de processos de interação social, mediadas
pela linguagem, em busca do desenvolvimento de habilidades
especícas e a resolução de problemas” (DILLENBOURG apud
OLIVEIRA, 2011, p.51)
Com o aumento do volume de dados produzidos e armazenados na Internet,
a produção de informações e conhecimentos cresce exponencialmente.
Existe até diculdade de processar a grande quantidade de dados que estão
disponíveis na rede.
O tráfego total de dados na internet em 2016 será quatro vezes
maior que o atual e superará pela primeira vez o “zettabyte”, uma
medida que equivale a um sextilhão de bytes, graças ao forte
aumento dos uploads de vídeos, segundo previsões apresentadas
pela empresa tecnológica Cisco. Concretamente, está previsto
que o volume de dados chegue a 1,3 “zettabyte”, destacou em
Rizoma, Santa Cruz do Sul, v. 2, n. 1, p. 131, julho, 2014
Washington o diretor de marketing da Cisco, Doug Webster.
Tanto terá crescido o tráfego de dados na rede que, em 2016, terão
circulado mais dados do que a soma de informação que circulou
na internet entre 1984 e 20123
Porém, a arquitetura da rede e a capacidade de processamento e
armazenamento de dados, aliadas à distribuição por diversos canais digitais e
atingindo variadas plataformas, permitem o cruzamento e inferências através
de diversos bancos de dados abertos (Open data) e que podem ser ligados
(Linked Data). Tim Berners-Lee inventor do WWW, a interface gráca da
Internet e líder do W3C, consórcio que tem por nalidade disseminar a cultura
de adoção de padrões para o desenvolvimento pleno da Web em longo prazo,
inventou o WWW em função da necessidade da colaboração de dezenas de
cientistas contratados pelo Conselho Europeu para Pesquisa Nuclear (CERN).
Mas eles teriam que colaborar de forma remota, ou seja, através de uma rede
que pudessem contribuir a distância. O memorando solicitando verba para o
CERN era para ajudar no projeto do Grande Colisor de Hádrons, instalado
na Genebra, Suíça. O memorando é de março de 1989. Portanto, a Web foi
primordial para que se realizasse um projeto de 7,5 bilhões de euros e que, a
partir dele, novos conhecimentos cientícos pudessem ser produzidos, como
vericar a existência ou não do Bóson de Higgs, informação extremamente
importante para a Física. Em 2006, Berners-Lee (2006) defendeu, em artigo na
Revista Science, o surgimento de uma nova forma de produzir conhecimento
cientíco: compartilhamento de dados e colaboração, possível devido à
internet e a sua arquitetura (BERNES-LEE; HALL; HENDLER; SHADBOLT;
WEITZNER,2006, p. 763)
Exemplos de sucesso de colaboração na rede
milhares de exemplos de sucesso na rede que utilizaram processos
de colaboração. Uns com sucesso dentro do seu segmento; portanto, não
conhecidos pela totalidade dos internautas. Entretanto, são experiências
muito bem-sucedidas do uso do trabalho colaborativo via rede. Como
exemplo, cito o livro “Data Handbook Journalism 1.0 beta4, elaborado de
forma colaborativa por uma determinada comunidade de jornalistas, que
também detém conhecimentos e habilidades em Ciência da Computação.
Foram seis meses de trabalho colaborativo, envolvendo 71 jornalistas5
e mais outros tantos anônimos, que contribuíram com pseudônimos. Esse
conjunto elaborou, até agora, o único livro sobre o tema e que continua aberto
a contribuições, pois os processos de inovação tecnológica são dinâmicos6.
Exemplicando, no campo dos grandes projetos, dois merecem destaque, por
volume de pessoas envolvidas e pelos avanços que proporcionaram na área
do conhecimento humano: Wikipedia e a comunidade de software livre. O
projeto Wikipedia foi iniciado em 15 de janeiro de 2001 e conta atualmente
com mais de 23 milhões de artigos criados em centenas de línguas e dialetos
3 Tráfego de dados na internet
ultrapassará o “zettabyte” em 2016;
Disponível em http://tecnologia.
terra.com.br/noticias/0,,OI5804465-
-EI12884,00-Trafego+de+dados+n
a+internet+ultrapassara+o+zettab
yte+em.html. Acessado em 28 de
outubro de 2012
4 Disponível em http://datajourna-
lismhandbook.org/1.0/en/. Acessa-
do em 28 de outubro de 2012
5 Disponível em http://datajour-
nalismhandbook.org/1.0/en/front_
matter_1.html. Acessado em 28 de
outubro de 2012
6 Disponível em http://datajour-
nalismhandbook.org/1.0/en/front_
matter_0.html. Acessado em 28 de
outubro de 2012
Rizoma, Santa Cruz do Sul, v. 2, n. 1, p. 132, julho, 2014
(756 387 artigos na versão em português), atingindo 285 línguas: A Wikipédia
lusófona conta precisamente com 1 053 057 usuários registrados. A Wikipedia
contabiliza 2.7 bilhões de páginas vistas mensalmente, registradas apenas
as requisições dos Estados Unidos. A Wikipedia não é meramente uma
enciclopédia multilíngue on-line, embora o website seja útil, popular e permita
quase que qualquer pessoa possa contribuir, o site é somente o mais visível
artefato daquela comunidade (REAGLE JR, 2010, p.1).
Benkler, na sua visão crítica econômica, explica que a internet
promoveu uma evolução produtiva de riqueza e de conhecimento. A
frase ‘commons based peer production’, concebida durante um artigo
pessoal, possui até hoje complicações em sua tradução ao português,
aproximando-se de “propriedade compartilhada por uma comunidade”.
Ou seja, uma comunidade aberta coopera espontaneamente e, de
forma voluntária, para a produção de um conteúdo informacional
cultural de valor que é, posteriormente, compartilhado. A Wikipedia,
enciclopédia multilíngue on-line colaborativa, é um exemplo notável
de aplicação (SBARAI, 2010, p.51).
Outro exemplo é o sucesso colaborativo está nas comunidades de software
livre. Para a Free Software Foundation, o movimento de software livre é um
dos mais bem sucedidos movimentos sociais nos últimos 30 anos, conduzido
por uma comunidade mundial de programadores éticos e dedicados à causa
da liberdade e ao compartilhamento. Os atuais sucessos do movimento do
software dependem do ensino de amigos, vizinhos e colegas de escola sobre
o perigo de não ter a liberdade do software, sobre o perigo da sociedade
perder o controle sobre a sua computação7. Ou seja, o perigo do domínio do
software proprietário.
Em 1980 foram criados os primeiros projetos organizados de forma
consciente para software livre, assim como foram estabelecidos
os fundamentos éticos, legais e nanceiros desse movimento.
Em 1984, Richard Stallman, então funcionário do laboratório de
inteligência articial do MIT, deixou seu emprego e começou a
trabalhar no Projeto GNU. Stallman gostava de compartilhar
seus interesses tecnológicos, conhecimentos e código, algo
incompatível com seu ambiente de trabalho no MIT.8
A comunidade de software é grande, internacional e difusa. Os seus
métodos de colaboração estão calcados na premissa de sempre ajudar
o outro, pois um dia pode precisar de alguém, quando uma rotina de
programa não rodar ou uma conexão com banco de dados não funcionar.
Uns dos principais sistemas de resolução de problemas para a comunidade
de software livre, através da colaboração, é o fórum. Sistema que não
funciona em outros formatos de conteúdo, como em jornais on-line, pois a
intencionalidade de cada interagente da comunidade de software livre está
voltada para obter conhecimento para resolver problemas e nos jornais, os
leitores estão disputando pelas melhores opiniões, o que gera muito conito
entre os participantes.
7 Disponível em http://www.fsf.
org/about/. Acessado em 28 de
outubro de 2012
8 O Nascimento do Movimento
do Software Livre. Disponível
em http://pt.wikipedia.org/wiki/
Hist%C3%B3riado_software_li-
vre#. Acessado em 28 de outubro
de 2012
Rizoma, Santa Cruz do Sul, v. 2, n. 1, p. 133, julho, 2014
Instituições educativas
Para participar do momento contemporâneo, proporcionado pela
convergência e pelas possibilidades de cooperação através das redes, é
necessário que as instituições educativas compreendam os processos de
inovação tecnológica, que atingem todos os setores da atividade humana.
Os processos de comunicação na área da educação formal devem possuir
também a cultura do compartilhamento de informações, tornando a sua
estrutura de uxo informativo mais exível. Diferentemente do tempo da
escassez da informação e estruturas rígidas de acesso a elas, a informação na
sociedade conectada deve uir sem ltros ou qualquer tipo de diculdade.
Os acessos a sites, redes sociais e programas de compartilhamento devem
ser institucionalizados. As atividades realizadas pelos alunos devem ser
totalmente disponibilizadas e compartilhadas através da licença Creative
Commons. Programas e dispositivos baseados em software livre devem ser
ensinados e instalados na estrutura de TI das instituições. Deve-se, também,
produzir o aprofundamento na apropriação das tecnologias de comunicação
pelos alunos e professores, através da introdução nas matrizes curriculares
de disciplinas que mostrem a importância, na atual sociedade, de dominar
com mais profundidade as tecnologias que são utilizadas no campo de
conhecimento ensinado. Assim, mostra-se que não devemos nos apropriar
das Tecnologias de Informação e Comunicação de modo ingênuo (doméstico)
e, também, não devemos vê-las como Tecnologias para a felicidade, termo
cunhado pelo lósofo, cientista, matemático, diplomata e bibliotecário
alemão. Gottfried Wilhelm von Leibniz (1646 -1716). Considerado o “pai da
Tecnologia da Informação”, devido ao estudo da lógica binária, ele criticou
a adoção da tecnologia na busca da felicidade, que, hoje, pode ser traduzido
pelo “curtir”. Não devemos utilizar a tecnologia somente para a obtenção
de qualquer tipo de felicidade e, sim, utilizar a tecnologia em busca de
novas possibilidades de colaboração e construção do conhecimento humano.
Portanto, é premente que nas instituições educacionais sejam criados projetos
coletivos multidisciplinares nas escolas /universidades e que envolvam as
diversas estruturas (coordenadorias, departamentos etc). Essa construção
do conhecimento é denominada de “Invisible University”. Cito como
exemplo o que é realizado pela comunidade de software livre, movimento
que nasceu dentro de algumas universidades estadunidenses, nos anos 70
do século passado. A comunidade de software livre, na atualidade, se tornou
a maior comunidade de programação de softwares do mundo. Atualmente,
é impossível quanticar o número de projetos ou pessoas envolvidas neste
“espírito colaborativo”. O avanço no ensino/aprendizagem nas instituições
educacionais se dará quando cada estudante ou professor compartilhar
informação estruturada, que possui ou foi elaborada, em prol da criação de
conhecimento novo, sem as estruturas hierárquicas sufocantes, os muros e os
sistemas naturais ou articiais de ltragem de informação. Essas tarefas não
estão em manuais, pois os impactos das tecnologias continuam acontecendo
na sociedade. Assim, é necessário que as instituições educacionais sejam
Rizoma, Santa Cruz do Sul, v. 2, n. 1, p. 134, julho, 2014
contemporâneas e não tenham receio em ousar, fortalecendo uma das suas
principais funções como órgão fundamental da estrutura de um país, que é
nortear a educação para o compromisso da construção de uma sociedade
mais justa e igualitária.
Referências bibliográcas
ALVES, Rafael Sbarai Santos. Compreensão da construção do cidadão-
repórter por intermédio dos modelos de colaboração em ambientes
jornalísticos estruturados por tecnologias digitais. Dissertação apresentada
no Programa de Pós-graduação da Faculdade Cásper Líbero, 2010.
BERNERS-LEE, Tim; HALL, Wend; HENDLER, James; SHADBOLT,
Nigel; WEITZNER, Daniel J. Creating a Science of the Web. In: Science,
vol 313, 2006
DILLENBOURG, Pierre. What do you mean by collaborative learning?
In: Collaborative-learning: Cognitive and Computational Approaches.
Oxford: Elsevier, 1999
FRANCO, Augusto. Uma introdução às redes sociais, 2008. Disponível em
http://escoladeredes.net/group/bibliotecaer/forum/topics/catalogo-da-biblioteca-
da-e-r
LEE, William Chee-Leong. Clash of the Titans: impact of convergence
and divergence on digital media. Dissertação apresentada na Alfred P.
Sloan School of Management in Massachussets Institute of Technology,
2003
LIMA JUNIOR, W. T. Considerações sobre a relevância da informação
jornalística nos sistemas computacionais conectados em rede. In: VIII
ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISADORES EM JORNALISMO,
São Luís. Realizado Universidade Federal do Maranhão, 2010
__________________ Convergência digital, mobilidade e o futuro
da interatividade. Conferência apresentada no Seminário Internacional
Cidadania Digital Latino-Americana: desaos globais em comunicação,
política e tecnologia, Faculdade Cásper Líbero, São Paulo, 2008.
HILBERT, Martin; CAIRO, Osvaldo. From the binary digit to technological
convergence. Paper apresentado em New Aspects of Systems, Proceedings
of the 12th WSEAS International Conference on sytems, Heraklion, Greece,
Julho, 2008
NEGROPONTE, Nicolas. A vida digital. São Paulo: Companhia das Letras, 1995
Rizoma, Santa Cruz do Sul, v. 2, n. 1, p. 135, julho, 2014
OLIVEIRA, André Rosa. Análise de processos comunicacionais
assíncronos para colaboração em um ambiente virtual de Aprendizagem
aberto. Dissertação de Mestrado defendida no Programa de Pós-graduação
da Faculdade Cásper Líbero, 2011
PRIMO, Alex. Quão interativo é o hipertexto? : Da interface potencial
à escrita coletiva. Fronteiras: Estudos Midiáticos, São Leopoldo, v. 5, n. 2,
p. 125-142, 2003.
REAGLE JR, Joseph Michael. Good Faith collaboration: the culture of
wikipedia. EUA: MIT Press, 2010
Recebido em: 24/02/2014 Aceito em: 05/05/2014
ResearchGate has not been able to resolve any citations for this publication.
Full-text available
Conference Paper
The digital paradigm began some decades ago with the introduction of the microprocessor and the manipulation of information. The progresses of science and technology have been fantastic since those years, and due to these tremendous advances, the digital paradigm is in transitions today. Whereas the omnipresent importance of information for physical and living systems is not neglected, it is claimed that recent technological advances introduced a qualitative and quantitative change in the nature of how we handle information, thus placing these processes at the forefront of human activities. In this paper, we present a renovated and updated overview of the scope of the digital paradigm. We focus on the old ideas that make it possible, but also in the new ones that will show the new road.
Full-text available
Article
Understanding and fostering the growth of the World Wide Web, both in engineering and societal terms, will require the development of a new interdisciplinary field.
Compreensão da construção do cidadãorepórter por intermédio dos modelos de colaboração em ambientes jornalísticos estruturados por tecnologias digitais. Dissertação apresentada no Programa de Pós-graduação da Faculdade Cásper Líbero
  • Rafael Sbarai Alves
  • Santos
ALVES, Rafael Sbarai Santos. Compreensão da construção do cidadãorepórter por intermédio dos modelos de colaboração em ambientes jornalísticos estruturados por tecnologias digitais. Dissertação apresentada no Programa de Pós-graduação da Faculdade Cásper Líbero, 2010.
Uma introdução às redes sociais
  • Augusto Franco
FRANCO, Augusto. Uma introdução às redes sociais, 2008. Disponível em http://escoladeredes.net/group/bibliotecaer/forum/topics/catalogo-da-bibliotecada-e-r LEE, William Chee-Leong. Clash of the Titans: impact of convergence and divergence on digital media. Dissertação apresentada na Alfred P.
Análise de processos comunicacionais assíncronos para colaboração em um ambiente virtual de Aprendizagem aberto
  • André Oliveira
  • Rosa
OLIVEIRA, André Rosa. Análise de processos comunicacionais assíncronos para colaboração em um ambiente virtual de Aprendizagem aberto. Dissertação de Mestrado defendida no Programa de Pós-graduação da Faculdade Cásper Líbero, 2011