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Projeto colaborativo para preparação e resposta após desastres

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RESUMO Os desastres estão afetando um número cada vez maior de pessoas em todo o mundo. A recorrência destes eventos tem como consequência uma crescente procura por abrigos temporários pela população afetada. Durante este período em que ficam desabrigadas, as pessoas adaptam edifícios públicos, tais como escolas, ginásios e igrejas, para a finalidade de uso como moradia emergencial. Estas apropriações de espaços inadequados para tal uso causam vários problemas, em uma circunstância na qual as pessoas já se encontram fragilizadas. Este artigo propõe como resultados parciais requisitos de projeto para futuras intervenções em abrigos temporários no Brasil. Confirma a adequação dos requisitos através de justificativas com um estudo de caso, o Projeto APIS -Banheiros emergenciais após desastres relacionados às chuvas, o qual exemplifica como o design emergencial pode ser realizado de maneira colaborativa. A pesquisa aborda de forma inédita um estudo de caso sobre intervenções na cidade de Eldorado, no Vale do Ribeira, envolvendo pesquisadores, funcionários da prefeitura local e moradores que ficaram desabrigados em inundações recorrentes no município. Este trabalho vem sendo desenvolvido desde o ano de 2010 junto ao grupo de pesquisa NOAH-Núcleo Habitat sem Fronteiras, criado e coordenado pela autora do artigo. O objetivo do artigo é apresentar características-chave para se projetar visando o período imediatamente após os desastres, incluindo a perspectiva das pessoas que passaram por esta experiência em abrigos temporários. As coletas de dados foram resultantes de workshops colaborativos inspirados na metodologia do design thinking, incorporando a abordagem intrinsecamente centrada no ser humano para a resolução de problemas.
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No período de 2006-2009, a equipe do Núcleo de Estudos e Pesquisas Sociais em Desastres (NEPED), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), empreendeu, sob os auspícios do CNPq, o estudo sociológico Representações Sociais dos Abrigos Temporários no Brasil. Victor Marchezini, à época no mestrado do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFSCar, foi um dos pesquisadores da equipe e se dedicou a analisar alguns aspectos desse complexo tema. De sua análise, resultou a dissertação de mestrado, ora transformada neste oportuno livro que vem a público. Nesta obra, o autor traz uma revisão bibliográfica da sociologia contemporânea e da sociologia dos desastres para enfatizar que, tal como ocorre nas demais esferas da vida social, as soluções técnicas se impõem cada vez mais e dominam resolutamente o campo de produção simbólica. Victor também salienta que os abrigos provisórios seriam um novo tipo de aglomerado de exclusão, isto é, espaço de abandono onde os grupos ali inseridos são tratados como massas e vivem em insegurança constante. Victor também dá destaque às tensões e conflitos sobre como estruturar as rotinas nesse território de exclusão. A ideia de campo de desabrigados é lançada pelo autor, para que o leitor possa compreender o que é viver por dias, semanas ou meses a fio sem privacidade, sem condições de exercitar as próprias regras que embasam a dinâmica familiar, numa convivência forçada com outras famílias, com terceiros e estranhos que se revestem de autoridade para lhe dizer a hora de comer, o tipo de alimentação disponível, a hora de tomar banho, a hora de recolher-se e de apagar a luz. Esperamos que o leitor se sinta devidamente elucidado acerca da estruturação e funcionamento dos campos de desabrigados, identificando-os como a expressão territorial de angústias, intranquilidades e sofrimentos físico e psíquico insistentes que perpassam a vida dos abrigados.
Após o desastre: abrigos temporários como loci de reafirmação da vulnerabilidade dos afetados pelas chuvas
  • N F L S Valencio
  • V Marchezini
  • M Siena
VALENCIO, N.F.L.S.; MARCHEZINI, V.; SIENA, M. Após o desastre: abrigos temporários como loci de reafirmação da vulnerabilidade dos afetados pelas chuvas. In: REUNIÃO
1º Workshop NOAH -Experiência participativa com desabrigados pelas chuvas. Relatório. São Paulo: NOAH/ FAU-USP, dezembro de
  • L L Barbosa
  • C S Sawada
  • C Y Takushi
BARBOSA, L. L.; SAWADA, C. S.; TAKUSHI, C. Y. 1º Workshop NOAH -Experiência participativa com desabrigados pelas chuvas. Relatório. São Paulo: NOAH/ FAU-USP, dezembro de 2011. Disponível em: <http://www.usp.br/noah/wpcontent/uploads/2012/07/Relatorio_Workshop_NOAH.pdf>. Acesso em: 11 maio 2014.
C. 2º Workshop NOAH-Dinâmica colaborativa para elaboração do projeto em Eldorado
  • L L Barbosa
  • C Y Takushi
  • L L S Carli
  • B Kawasaki
BARBOSA, L. L.; TAKUSHI, C. Y.; CARLI, L. L. S.; KAWASAKI, B. C. 2º Workshop NOAH-Dinâmica colaborativa para elaboração do projeto em Eldorado. Relatório. São Paulo: NOAH/ FAU-USP, agosto de 2012. Disponível em: <http://www.usp.br/noah/wpcontent/uploads/2012/09/Relatorio-II-Workshop-NOAH_3-setembro-2012.pdf>. Acesso em: 11 maio 2014.
Abrigos temporários: para onde vão as pessoas afetadas por situações de desastres? Revista Glocal-Painel de Geopolítica, Meio Ambiente, Cultura e Matemática Cotidiana
  • L L Barbosa
BARBOSA, L. L. Abrigos temporários: para onde vão as pessoas afetadas por situações de desastres? Revista Glocal-Painel de Geopolítica, Meio Ambiente, Cultura e Matemática Cotidiana., v. 2 e 3, p. 78-79, 2013.