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Estratégias adaptativas na forma de fenômenos de ocultação: revisão bibliográfica

Authors:
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Revista UNINGÁ, n.10, p. 29-39, out./dez.2006
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Estraté
g
ias adaptativas na forma de fenômenos de
ocultação: revisão bibliográfica
MONIQUE CRISTINE DE OLIVEIRA(G-UNINGÁ)¹
PATRÍCIA BOSSOLANI CHARLO(G-UNINGÁ)1
LUCIANA SEGURA DE ANDRADE(UNINGÁ)2
RESUMO: Para alguns pesquisadores a camuflagem ocorre quando o
aspecto do corpo se confunde com um elemento do fundo e o mimetismo
quando o aspecto do corpo de um organismo torna-o parecido com uma
segunda espécie. Para outros, o mimetismo é a técnica de ocultação onde
um ser vivo possui aparência de outro, ou assume características
confundindo-se com o meio, caracterizando camuflagem como um tipo
de mimetismo. Este trabalho teve como objetivo avaliar as controvérsias
entre mimetismo e camuflagem quanto suas definições no mundo
científico. Foram realizadas buscas bibliográficas em artigos científicos
e textos específicos, abrangendo soluções às ameaças que os seres estão
sujeitos. Pode-se observar a existência de dois arranjos principais de
mimetismo com diferentes definições específicas. Contudo,
independente da classificação, ambos aumentam as chances de
sobrevivência dos animais perante a um predador, assim como a captura
de suas presas mediante a evolução e adaptação dos seres ao meio.
Palavras-chave: Mimetismo. Camuflagem. Evoluções adaptativas.
ABSTRACT: For some researchers the camouflage occurs when the
aspect of the body if confuses with an element of the deep one and the
mimicry when the aspect of the body of an organism becomes it similar to
one second species. to others, the mimicry is the occultation technique
where one to be alive possess appearance of another one, or assumes
characteristics confusing itself with the way, characterizing camouflage as
a type of mimicry. This work had as objective to evaluate the
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1 Acadêmicas do Curso de Ciências Biológicas, Faculdade Ingá – UNINGÁ
2 Professora Mestre Faculdade Ingá – UNINGÁ
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controversies between mimicry and camouflage how much its definitions
in the scientific world. Bibliographical searches in scientific articles and
specific texts had been carried through, enclosing solutions to the threats
that the beings are citizens. The existence of two main arrangements of
mimicry with different specific definitions can be observed. However,
independent of the classification, both they increase the possibilities of
survival of the animals before the one predator, as well as the capture of
its female prisoners by means of the evolution and adaptation of the
beings to the way.
Key words: Mimicry. Camouflage. Adaptatives evolutions.
INTRODUÇÃO
Numerosas espécies biológicas, sobretudo animais, apresentam
uma semelhança mais ou menos aproximada com outros organismos, ve-
getais ou animais, com objetos que as cercam ou com o substrato sobre o
qual se encontram. O mimetismo é a capacidade que certos animais têm
de variar a coloração e a forma, de acordo com o meio em que se
encontram, servindo para proteção e predação. Deve-se compreender que
o mimetismo é uma estratégia evolutiva, onde somente as espécies que a
desenvolveram, sobreviverão e produzirão outras gerações (Dicionário
Ecológico, online, 2006).
Entre os pesquisadores há controvérsias quanto à definição de
mimetismo e a diferenciação com a camuflagem. Para uns, em termos
ópticos, coloração críptica ou camuflagem é quando o aspecto geral do
corpo de um organismo se confunde com algum elemento do fundo, quer
o fundo seja ou não um outro ser vivo, como um gafanhoto que se
confunde com folhas ou uma aranha que se confunde com a areia do chão.
E o mimetismo é quando o aspecto geral do corpo de um organismo
torna-o parecido com indivíduos de uma segunda espécie, a ponto de
ambos serem confundidos por um determinado observador. Ao contrário
da camuflagem, no mimetismo as espécies envolvidas interagem,
havendo benefícios mútuos (mimetismo mülleriano) para as espécies
envolvidas ou benefícios apenas para o mímico, com eventuais prejuízos
para o modelo (mimetismo batesiano). Para outros pesquisadores, o
mimetismo é o fenômeno pelo qual um ser vivo se apresenta com
aparência (forma, desenho, colorido, odor ou emissão de som) de outro,
ou assume características que o confundem com o meio ambiente em que
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se situa, ou seja se camufla, caracterizando a camuflagem como um tipo
de mimetismo (AS ESPÉCIES..., online, 2006).
O presente estudo foi desenvolvido com o objetivo de contribuir
para a compreensão das diferentes classificações quanto às estratégias
evolutivas de ocultação dentro da ciência, particularmente a relação entre
mimetismo e camuflagem, identificando-se distintas categorizações que
conduzam a melhorias efetivas no desempenho ambiental dos animais.
Segundo Vaz (online, 2006), de acordo com as teorias evolutivas
vigentes, apenas os animais mais aptos sobrevivem, o que quer dizer que,
ao longo de gerações, vão sendo selecionadas características que lhes
favorecem a sobrevivência e sucesso reprodutivo num meio mais ou
menos hostil. Desta forma, os diferentes animais encontraram ao longo da
sua existência soluções específicas para fazer face às ameaças a que estão
permanentemente sujeitos.
De maneira geral, quanto mais fisicamente indefesos são os
animais, mais sofisticados são os mecanismos de que dispõem para se
defender. É fácil compreender que, por exemplo, um elefante, não
necessite de ser particularmente discreto, ou de ter uma pele urticante,
para se defender. O que não quer dizer, que seja intocável.
Segundo Vaz (online, 2006) e Ricklefs (2003), para uma presa, é
muito mais compensador do ponto de vista energético, não ser sequer
atacada do que, após o ataque lhe ser desferido, ter que fugir ou lutar. Daí
que, grande parte dos mecanismos de defesa sejam pura e simplesmente
evasivos. Vaz (online, 2006) ainda retrata que uma das primeiras coisas
que chamam a atenção num animal e que auxiliam a identificá-lo como
membro de uma determinada espécie é sua cor, e essa coloração
desempenha importante papel na vida deles. Além de constituírem
características marcantes, as cores dos animais têm diversas funções,
como reconhecimento, mimetismo, acasalamento, sendo um dos fatores
da sobrevivência das espécies.
Fugir do predador é um dos maiores problemas de todos os
animais. Boa parte apenas corre, nada ou voa depressa. Mas algumas
espécies recorrem a um meio melhor, enganam os olhos de seu
perseguidor. Todos os olhos são iludíveis porque estão sujeitos ao que se
chama ilusão de óptica. E é precisamente nos defeitos da percepção que
se baseiam os melhores truques do mimetismo (GALVÃO, s.d.).
O mimetismo (vocábulo que deriva do latim mimere, que significa
imitar) é a técnica de ocultação dos animais, sendo a capacidade que têm
certos animais de variar a coloração e a forma, de acordo com o habitat
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em que se encontram. O mimetismo serve de proteção e predação aos
animais, pois os ajuda a despistar predadores e atrair presas. O mimetismo
é mais observado em espécies com pouca mobilidade, que em geral,
costumam ficar em repouso por longos períodos. Existem animais
miméticos pertencentes a muitas Classes distintas, incluindo moluscos,
peixes, insetos, aves, répteis e mamíferos. Chama-se "modelo" o animal,
vegetal ou detalhe ambiente a que se assemelha o "mímico" ou "ser
mimético", animal ou vegetal que toma a aparência do modelo (AS
ESPÉCIES..., online, 2006).
Mecanismo do Mimetismo
O mecanismo da mudança de cor que certos animais possuem em
relação ao meio foi amplamente estudado experimentalmente. Variando-
se as cores do ambiente artificial onde eles foram criados, produziam
harmônicas variações cromáticas. Verificou-se que na pele desses animais
existem células chamadas cromatóforos, carregadas de granulações
pigmentadas, que se dispõem de diversos modos e lhes permitem produzir
as diferentes cores. A mudança de cor se verifica pela concentração de
algumas granulações e expansão de outras, segundo o tipo de radiação
luminosa que recebam do ambiente (AS ESPÉCIES..., online, 2006).
Menegotto (1980) e Hickman et al. (2004) relatam que a luz atua
sobre as células pigmentadas determinando uma contração ou uma
mudança de posição dos cromatóforos, que se dispõem ora espraiando-se
em formas estreladas, ora retraindo-se como diminutas esferas; cada tipo
de cromatóforo absorve um determinado comprimento de onda do
espectro solar, e a ação conjunta dos cromatóforos profusamente
espalhados pela pele origina uma mudança total da cor. É indiscutível que
no mimetismo intervêm certos órgãos efetores, cujas atividades se
traduzem por reações ante os estímulos do exterior e que estão sob a
dependência do sistema nervoso, aceitando-se assim que exista um
sistema efetor pigmentar capaz de obedecer à ação estimulante do
ambiente (AS ESPÉCIES..., online, 2006).
Verificou-se também que algumas secreções endócrinas dos
animais superiores exercem grande influência sobre o sistema pigmentar.
Nos anfíbios, a hipófise influi nas mudanças de cor uma vez que sua
extirpação determina uma contração nos melonóforos, acarretando a
descoloração permanente da pele, enquanto que a injeção dos produtos
hipofisários restaura a pigmentação cutânea (MENEGOTTO, 1980).
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Tipos de Mimetismo
De acordo com "As espécies..." (online, 2006), dos numerosos
tratados sobre o assunto fica clara a discordância e confusão reinantes
entre os diferentes autores com relação aos tipos de mimetismo. Segundo
alguns autores, podem ser caracterizados três tipos de mimetismo:
TOPOMÓRFICO: quando um animal imita os objetos que o
cercam ou ainda o aspecto ou a coloração do ambiente;
FITOMÓRFICO: quando o animal se assemelha aos vegetais
sobre os quais se instala;
ZOOMÓRFICO: quando o animal parece com outros de outra
espécie.
Cada um destes tipos de mimetismo pode ser de forma, de cor ou
misto. Quando o mimetismo é de forma, denomina-se HOMOTÍPICO ou
ISOTÍPICO ou ISOMORFO; se é de cor, denomina-se HOMOCRO-
MÁTICO.
Outra corrente de autores coloca os seguintes tipos de mimetismo:
1. MIMETISMO PROPRIAMENTE DITO: trata-se da
imitação de um animal por outro. Existem três subtipos principais:
1.1. Mimetismo Batesiano: quando um ser fraco imita um mais
forte. Um indivíduo inofensivo (o imitador) adquiri as formas e as cores
de outro mais agressivo, para confundir seus predadores. Se a espécie
imitada for numerosa e perigosa, é possível que o predador abandone a
presa, por causa de uma má experiência anterior. Como exemplo, temos o
das cobras-corais-falsas, não-venenosas, que possuem uma cor mais ou
menos semelhante à das corais verdadeiras, extremamente venenosas
(Dicionário Ecológico, online, 2006).
Takyia; Ceotto (online, 2006) retratam que mecanismos para a
proteção contra predadores em algumas espécies de cigarrinhas (que
compõem a família Cicadellidae) foram reportados na literatura,
especialmente o mimetismo batesiano. Algumas espécies possuem
características como uma constrição na base do abdome, coloração
predominantemente preta e amarela e asas bastante transparentes e
alongadas, lembrando vespas, que são indiscutivelmente animais
agressivos e geralmente impalatáveis. Um desses casos apresenta
inclusive um tipo de mimetismo comportamental, onde a cigarrinha,
quando ameaçada, abre as asas numa posição semelhante às asas de uma
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vespa em repouso, deixando à mostra a impressionante constrição do
abdome. Um outro caso interessante de mimetismo em cigarrinhas é o de
mimetismo dual, extremamente vantajoso, onde cada sexo apresenta um
padrão de coloração diferente (o que não é muito comum na família) e
mimetiza modelos diferentes de vespas.
Para que uma relação de mimetismo batesiano seja eficiente o
número populacional dos mímicos tem que ser baixo, e esse é regulado
pelo número populacional dos modelos. Num caso de mimetismo dual,
que é regido por dois modelos diferentes, o número populacional dos
mímicos tende a aumentar, já que o controle do número de indivíduos de
cada sexo depende de modelos diferentes. Outro caso de mimetismo
batesiano na família Cicadellidae inclui a espécie Teletusa limpida,
encontrada no Norte e Sudeste Brasileiro, que apresenta uma semelhança
morfológica com abelhas (em Minas Gerais, o provável modelo mimético
seria Megachile neoxanthoptera), animais também pouco palatáveis (AS
ESPÉCIES..., online, 2006).
1.2. Mimetismo Mülleriano: dois seres são completamente
diferentes, mas possuem uma qualidade em comum, um mesmo padrão
identifica um grupo de espécies. O predador, ao ter experiências
desagradáveis com alguns desses indivíduos, acaba por associá-las ao
grupo todo. Como exemplo, temos o das borboletas Licoria e
Helicorneus, cuja característica comum é um mau-cheiro. Desta forma,
uma ave insetívora, uma vez conhecendo as desagradáveis características
da Licoria, evitará destruir a Helicorneus (Dicionário Ecológico, online,
2006). 1.3. Mimetismo Parasitário: neste caso, o parasito procura
imitar o hospedeiro, como acontece com a mosca do gênero Vollucella,
que se assemelha a certa vespa e deposita seus ovos junto aos desta, na
tentativa de enganá-la (Dicionário Ecológico, online, 2006).
2. HOMOCROMIA: o animal passa a apresentar a mesma cor
dominante do meio que o cerca.
3. HOMOTIPIA ou HOMOMORFIA - consiste na imitação
da forma ou disposição do ambiente.
Além destas, uma terceira classificação pode ainda ser
considerada, usando-se a HOMOCROMIA e a HOMOTIPIA num sentido
mais generalizado, segundo o qual o mimetismo se verifica quando o ser
imita a cor e a forma de outros animais e ainda dos objetos que o cercam e
dos substratos em que se dispõem:
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I. HOMOCROMIA: consiste na imitação das cores de outros
animais, dos objetos e do substrato. O mimetismo homocromático está
muito difundido entre os insetos cujos ovos são verdes quando
depositados sobre vegetais e adquirem variados matizes quando
depositados sobre o solo. Muitas mariposas noturnas possuem a mesma
tonalidade cinza esverdeada dos líquens sobre os quais repousam durante
o dia, e os insetos do gênero Locusta têm a mesma cor verde das plantas
em que pousam (AS ESPÉCIES..., online, 2006). As pequenas rãs Hyla
arborea dificilmente são percebidas porque tomam a mesma cor dos
arbustos que crescem nas redondezas de seus habitats (VAZ, online,
2006). O arminho muda sua cor de neve quando ocorre o degelo,
substituindo-a por tonalidade cinza. Por habitar regiões com estações
muito pronunciadas, adquire durante uma parte do ano um aspecto
acinzentado, confundindo-se com a vegetação estival, e no inverno
tornam-se brancos para se confundirem com a paisagem coberta de neve.
O camelo, o antílope do deserto e os pássaros do Saara tomam uma cor
quase neutra e uniforme (AS ESPÉCIES..., online, 2006). A lebre alpina é
um bom exemplo de adaptação de um animal ao seu habitat natural.
Quando seu território fica coberto de neve, a lebre é completamente
branca, com duas pequenas pintas pretas nas pontas das orelhas. Na
primavera, ela se torna cinzenta, em abril se cobre de pintas e em maio o
seu pêlo se torna marrom-avermelhado. As patas são acolchoadas e os
dedos, bem separados. Quando abertos, esses dedos permitem à lebre
correr sobre a neve sem escorregar.
II. HOMOTIPIA ou HOMOMORFIA: consiste na imitação das
formas dos animais, dos objetos e dos substratos. Um exemplo
característico é o da borboleta Caligo que, vista de cabeça para baixo e
pela face inferior, dá a impressão de coruja. Os do gênero Bacillus e
Proscospis, vulgarmente conhecidos como bicho-pau, tomam a forma e a
cor de um graveto quando sobre uma árvore, confundindo-se com ela. A
mariposa Kallima paralecta toma o aspecto de uma folha a que não
faltam nervuras. Entre os vegetais, cita-se a alga Caulerpa, que possui
órgãos que se assemelham a raízes, hastes e folhas das plantas superiores
(AS ESPÉCIES..., online, 2006).
É interessante observar que, de maneira geral, em todos os grupos
zoológicos o indivíduo adquire a forma e a coloração do ambiente ou de
outros animais com o intuito de levar vantagem contra seus agressores ou
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suas vítimas; assim, pode-se dizer ainda que existe um mimetismo
defensivo e um mimetismo agressor.
Há insetos que, para além de possuírem cores idênticas à do meio
que freqüentam, têm ainda uma morfologia semelhante a folhas, paus ou
outras estruturas com as quais se possam confundir. O expoente máximo
do mimetismo são os animais que conseguem fazer variar a sua coloração
em função da cor e do padrão que os rodeia (VAZ, online, 2006). Ainda
segundo Vaz (online, 2006) muitas espécies de mariposas da América do
Sul têm as asas de brilhantes cores avermelhadas, amarelas ou azuis, mas
quando pousam, fecham as asas e tomam o aspecto de uma folha seca,
semelhança grandemente reforçada pela própria forma das asas que
terminam em uma espécie de cauda parecida com a haste da folha. Há
ainda uma linha escura que atravessa transversalmente as duas asas e
termina nessa cauda, simulando uma nervura. Para completar o
mimetismo, a asa anterior apresenta um ponto transparente, semelhante a
um orifício de folha seca. Mas não são todas as espécies que possuem tais
características. Algumas borboletas, ao contrário, possuem cores vivas,
que se mostram claramente mesmo quando estão pousadas.
O camaleão é um dos mais populares e conhecidos casos de
mimetismo, sua cor imita o meio ambiente. O cavalo-marinho imita as
folhagens submarinas, com a cauda enroscada nas algas pardas, entre as
quais se oculta, balouça suavemente, enganando outros peixes. O urso
branco, auxiliado por esse fenômeno, confunde-se com a neve, tornando-
se alvo difícil e perigoso adversário (VAZ, online, 2006). Outro exemplo
é o matamatá, um cágado que tem a aparência de uma folha apodrecida.
Esta característica o ajuda tanto a conseguir alimento, como a se proteger,
evitando que se transforme em jantar. Imóvel dentro dos rios, o matamatá
se confunde com as algas e sedimentos passando despercebido a seus
predadores e presas. Assim disfarçado, o matamatá abre bastante a boca e
dilata a garganta, criando um fluxo de água que suga peixes e
invertebrados aquáticos (ROCHA, online, 2006). Existem seres do mar
que, na água, ficam transparentes. O camaleão e a rã podem mudar de cor.
Esta, quando está sobre a grama, torna-se verde e, sobre um tronco de
árvore, mostra-se marrom (VAZ, online, 2006).
O polvo quando se sente ameaçado, a primeira táctica que adota é
formar inúmeras protuberâncias na pele, com aspecto de algas que
associadas a uma coloração parecida com o ambiente, conferem-lhe
grande mimetismo (MELLO, online, 2006). Os nectônicos são peixes que
nadam ativamente, porém mantêm uma relação com o substrato marinho,
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onde alguns fazem sua moradia. A coloração do corpo, que varia muito,
usualmente apresenta pintas, manchas ou listas claras ou escuras com um
fundo contrastante mais escuro ou mais claro. Alguns possuem um bom
mimetismo com o fundo onde vivem. Como exemplos têm-se meros,
salemas, budiões, ciobas, robalos e pescadas (OCEANOGRAFIA...,
online, 2006).
Raros são os casos em que o mimetismo é observado nos vegetais.
Cita-se, entretanto, como exemplo o das variadas disposições que tomam
algumas flores para atrair os insetos que atuam como intermediários em
sua fecundação, ou para afastar aqueles que lhes possam causar prejuízos.
Existe uma planta que vive entre os formigueiros, a Melapyrium pratense,
cuja semente é branca e tem forma semelhante à do casulo das formigas.
Pensa-se então que esta seria uma forma de mimetismo, em que o vegetal
procura fazer com que as formigas enterrem suas sementes como o fazem
com os próprios casulos (VAZ, online, 2006).
Significado Biológico do Mimetismo
Apesar de já ter sido esclarecido até certo ponto, o processo da
mudança de cor, ignora-se ainda a causa íntima e determinante do
mimetismo. As mudanças de cor e de forma em relação ao ambiente
deveriam ser consideradas fenômenos de adaptação, em cujo mecanismo
entram em jogo diversos fatores, cuja significação biológica permanece
relativamente obscura (AS ESPÉCIES..., online, 2006).
Para os lamarckistas, o mimetismo é uma adaptação relacionada
com a necessidade de defesa dos organismos; para os darwinistas, a
seleção natural salvou as formas miméticas da destruição porque teriam
passado despercebidas pelos seus inimigos; outras correntes consideram o
mimetismo como uma simples influência reflexa do meio sobre o ser vivo
e os adeptos do mecanicismo o consideram simplesmente como sendo
determinado por fatores físico-químicos, sem muita utilidade para a
espécie. Numerosas espécies biológicas, sobretudo animais, apresentam
uma semelhança mais ou menos aproximada com outros organismos,
vegetais ou animais, com objetos que as cercam ou com o substrato sobre
o qual se encontram (AS ESPÉCIES..., online, 2006).
O mimetismo favorece os seres vivos na sua luta contra as
agressões do ambiente porque lhes permite passarem despercebidos,
permanecendo ocultos à vista dos animais predadores que os perseguem.
Assim fazem os crustáceos ao imitar as pedras do fundo do mar, ou ao
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disfarçar-se para enganar suas vítimas, e o camaleão, que adquire colorido
semelhante ao meio que o cerca, permanecendo imóvel para não ser
descoberto pelos insetos, os quais captura rapidamente logo que se põem
ao alcance de sua longa língua (AS ESPÉCIES..., online, 2006).
O importante nesta história é que o mimetismo aumenta as
chances de sobrevivência de um animal diante de um possível predador,
assim como também faz-se útil ao predador com dificuldades para
capturar presas espertas. O mimetismo ou a camuflagem, apesar de
diferenças em suas definições, são aquisições evolucionárias que
aumentam a adaptabilidade de um organismo ao seu meio.
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... Existem dois tipos básicos de mimetismo: Batesiano quando um animal inofensivo imita padrões de formas ou cores de uma espécie mais agressiva / tóxica para confundir seus predadores. E o Mulleriano quando duas ou mais espécies nocivas distintas, assemelham-se por adotarem mecanismos de defesas em comum [7]. ...
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A falta de conhecimento ou análise equivocada acerca da história de vida de diversos grupos animais é uma temática a ser trabalhada pelos docentes do ciclo básico de ensino. Este trabalho visou à elaboração e avaliação da efetividade do uso de um jogo didático no processo de ensino-aprendizagem sobre os temas mimetismo e camuflagem. O público-alvo foram duas turmas do oitavo ano do ensino fundamental. Elaboramos um questionário pré-teste composto por cinco questões tanto objetivas quanto discursivas para avaliar o conhecimento prévio dos alunos sobre os temas. Para uma turma confeccionamos e aplicamos um jogo didático e na outra realizamos apenas uma aula expositiva e dialogada. A análise dos dados foi feita de forma quantitativa e qualitativa após cada atividade realizada. Nossos resultados mostraram um baixo conhecimento prévio por parte dos alunos acerca dos temas trabalhados nesta pesquisa. Os alunos onde foi aplicado o jogo como ferramenta didática tiveram um desempenho melhor, acertando a maioria das perguntas contidas no questionário aplicado posteriormente. Com isso, este estudo demonstra que a utilização do lúdico se apresenta como um reforço positivo para o ensino de Ciências e que deve ser estimulada a inclusão deste método para as aulas. Palavras-chave: Ensino-aprendizagem, Ensino de Ciências, Lúdico, Herpetofauna. ABSTRACT The lack of knowledge or mistaken analysis about the life history of different animal groups is a theme to be addressed by teachers in the basic teaching cycle. This work aimed to elaborate and evaluate effectiveness of the use of a didactic game in the teaching-learning process on the themes of mimicry and camouflage. The target audience was two classes from the eighth grade of elementary school. We prepared a pre-test questionnaire consisting of five questions, both objective and discursive, to assess students' prior knowledge on the topics. For one class we made and applied a didactic game and in the other, we held only an expository and dialogued class. Data analysis was done in a quantitative and qualitative way after each activity was performed. Our results showed a low prior knowledge on the part of the students about the themes that worked in this research. The students where the game was applied as a didactic tool had a better performance, answering most of the questions contained in the questionnaire applied later. With this, this study demonstrates that the use of playfulness presents itself as a positive reinforcement for the teaching of Sciences and that the inclusion of this method for classes should be encouraged.
Os 15 minutos de fama das cigarrinhas
  • D M Takyia
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TAKYIA, D.M.; CEOTTO, P.C. Os 15 minutos de fama das cigarrinhas. Disponível em <http://www.bioletim.hpg.ig.com.br/III-
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  • M Menegotto
  • Ecologia
MENEGOTTO, M. Ecologia. 11. ed. Rio Grande do Sul: Sagra Luzzato, 1980.
A luta pela sobrevivência
  • A Vaz
VAZ, A. A luta pela sobrevivência. Disponível em <http://www.naturlink.pt/canais/Artigo.asp?iArtigo=3749&iLingua=1>. Acesso em 23 jul. 2006.