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CULTURA DO COCO NO BRASIL: CARACTERIZAÇÃO DO MERCADO ATUAL E PERSPECTIVAS FUTURAS CULTURA DO COCO NO BRASIL: CARACTERIZAÇÃO DO MERCADO ATUAL E PERSPECTIVAS FUTURAS

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Abstract

A importância do agronegócio do coco é notória para a economia brasileira, especialmente para o Nordeste, onde se concentram mais de 90,0% da produção nacional. Ademais, com a limitação das importações de coco ralado impostas pela SECEX – Secretaria do Comércio Exterior, do Ministério da Indústria e Comércio, através da Resolução nº 19, de 30 de julho de 2002, o setor produtivo nacional terá que se adequar à nova realidade, melhorando o sistema de produção atual para atender a demanda do setor agroindustrial brasileiro que é da ordem de 26.000 t/ano. A necessidade de revitalização dessa atividade é sentida principalmente pela falta de recursos financeiros para enfrentar com mais agressividade as novas oportunidades de mercado. A demanda crescente de coco para consumo "in natura" e para a indústria reivindica uma melhoria acentuada nos níveis de produção dos coqueirais, que atualmente é muito baixa, em média 30 frutos/planta/ano. Com o objetivo de revitalizar o agronegócio do coco, o presente artigo descreve uma série de medidas no sentido de firmar a cultura como uma atividade lucrativa. Tais medidas consistem principalmente na incorporação de tecnologias, como por exemplo: a difusão da prática da irrigação localizada; utilização de modernos insumos de produção, com especial destaque para a questão da fertilização; melhoramento genético dos cultivares, onde se vislumbra o aumento da utilização de coqueiros híbridos, implicando no aumento de campos de produção de mudas; aprimoramento de equipamentos da indústria de extração de água-de-coco; aprimoramento das técnicas de conservação da água-de-coco. Ressalta-se que essas medidas para serem praticadas necessitam de um suporte financeiro que a maioria dos produtores não possuem, haja vista o cultivo do coqueiro ser efetuado, principalmente, em pequenas propriedades. Palavras-chave: Agronegócio do Coco; Competitividade no Agronegócio; Cadeia Produtiva do Coco.
XLIII CONGRESSO DA SOBER
“Instituições, Eficiência, Gestão e Contratos no Sistema Agroindustrial”
CULTURA DO COCO NO BRASIL: CARACTERIZAÇÃO DO
MERCADO ATUAL E PERSPECTIVAS FUTURAS
Raimundo Eduardo Silveira Fontenele
Doutor em Economia pela Universidade de Paris XIII, Mestre em Economia Rural pela
Universidade Federal do Ceará, Professor do Mestrado em Negócios Internacionais, da
Universidade de Fortaleza.
Rua Min. Abner de Vasconcelos, 301 Casa 2 60.833-490 Fortaleza – CE
CPF: 220.569.393-04
eduardo_fontenele@hotmail.com
Sistemas Agroalimentares e Cadeias Agroindustriais
Pôster
Ribeirão Preto, 24 a 27 de Julho de 2005
Sociedade Brasileira de Economia e Sociologia Rural
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CULTURA DO COCO NO BRASIL: CARACTERIZAÇÃO DO
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Resumo
A importância do agronegócio do coco é notória para a economia brasileira,
especialmente para o Nordeste, onde se concentram mais de 90,0% da produção nacional.
Ademais, com a limitação das importações de coco ralado impostas pela SECEX –
Secretaria do Comércio Exterior, do Ministério da Indústria e Comércio, através da
Resolução nº 19, de 30 de julho de 2002, o setor produtivo nacional terá que se adequar à
nova realidade, melhorando o sistema de produção atual para atender a demanda do setor
agroindustrial brasileiro que é da ordem de 26.000 t/ano. A necessidade de revitalização
dessa atividade é sentida principalmente pela falta de recursos financeiros para enfrentar
com mais agressividade as novas oportunidades de mercado. A demanda crescente de coco
para consumo “in natura” e para a indústria reivindica uma melhoria acentuada nos níveis
de produção dos coqueirais, que atualmente é muito baixa, em média 30 frutos/planta/ano.
Com o objetivo de revitalizar o agronegócio do coco, o presente artigo descreve uma série
de medidas no sentido de firmar a cultura como uma atividade lucrativa. Tais medidas
consistem principalmente na incorporação de tecnologias, como por exemplo: a difusão da
prática da irrigação localizada; utilização de modernos insumos de produção, com especial
destaque para a questão da fertilização; melhoramento genético dos cultivares, onde se
vislumbra o aumento da utilização de coqueiros híbridos, implicando no aumento de
campos de produção de mudas; aprimoramento de equipamentos da indústria de extração
de água-de-coco; aprimoramento das técnicas de conservação da água-de-coco. Ressalta-se
que essas medidas para serem praticadas necessitam de um suporte financeiro que a
maioria dos produtores não possuem, haja vista o cultivo do coqueiro ser efetuado,
principalmente, em pequenas propriedades.
Palavras-chave: Agronegócio do Coco; Competitividade no Agronegócio; Cadeia
Produtiva do Coco.
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1. INTRODUÇÃO
Cultura típica de clima tropical, o coqueiro vem sendo cultivado em cerca de 90
países. No Brasil, o cultivo do coco se desenvolve principalmente ao longo do litoral,
sendo encontrado em áreas desde o Estado do Pará até o Espírito Santo. As estatísticas
atuais demonstram que o Brasil possui mais de 266 mil hectares implantados com a
cultura, praticamente em quase todas as Unidades da Federação. Em 2000, conforme dados
do IBGE, a Bahia figurava como o maior produtor brasileiro, com 402.937 mil frutos,
seguido pelo Ceará, com produção de 193.729 frutos e o Pará, com 154.957 mil frutos
colhidos. Nesse mesmo ano, três estados nordestinos (Bahia, Ceará e Sergipe) chegaram a
concentrar juntos, 52,9% da produção nacional de coco, evidenciando, portanto, o destaque
da Região Nordeste nesse segmento agrícola.
Ocupando importante colocação no cenário nacional da produção de coco, o Ceará
se destaca como o segundo produtor do País, conforme comentado anteriormente. Em
2000, a produção de coco no Estado do Ceará atingiu 193.729 mil frutos, perfazendo cerca
de 21,0% da produção nordestina.
Em termos de importância econômica e social, a cultura do coco assume posição
importante como atividade geradora de emprego e renda, empregando mão-de-obra
durante todo o ano, e permitindo o consórcio com outras culturas, tais como cultivos de
subsistência, e até mesmo a criação de animais, contribuindo assim, para a fixação do
homem no campo.
O aproveitamento industrial do fruto do coqueiro se dá mediante o processamento
do endosperma sólido ou albúmen submetido à secagem (copra) ou fresco, este último
mais utilizado no Brasil, sendo destinado à fabricação de produtos tais como, o leite de
coco e o coco ralado, empregados na indústria alimentícia de doces, bolos, bombons,
chocolates, etc., ou utilizado “in natura” na culinária doméstica. Um tipo de processamento
mais recente e em franca expansão é a extração e envasamento da água-de-coco
(endosperma líquido) mediante a aplicação de tecnologias de processamento e
conservação. Não bastasse o considerável grau de diversificação da indústria de
beneficiamento das partes comestíveis do fruto, surge na lista de produtos oriundos do
coqueiro, e apresentando crescente demanda no mercado internacional, a fibra de coco
proveniente do mesocarpo do fruto, que dá origem a uma série de bens como tapetes,
enchimentos para bancos de automóveis, pó para substrato agrícola, etc. Além da aplicação
industrial existente para o fruto, há uma série de aplicações para as diversas partes do
coqueiro, tais como o uso no artesanato e em construções do tronco (estipe), folhas, raízes,
etc. Toda essa gama de aplicações de seus produtos e subprodutos confere à cultura do
coqueiro uma elevada importância econômica, fazendo com que a agroindústria do coco se
firme cada vez mais no contexto nacional, haja vista a expansão das áreas cultivadas que já
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extrapolaram os limites da região Nordeste, alcançando as regiões Norte, Centro-Oeste e
Sudeste.
De modo particular, a cultura do coco tem condições de ser mais atuante nos
mercados nacional e internacional, desde que sejam superadas algumas condicionantes
ligadas à melhoria da produtividade dos coqueirais, expansão das áreas de plantio e
incremento do parque industrial, com a finalidade de aumentar a oferta de matéria-prima
doméstica e a capacidade de processamento das indústrias. Para tanto, faz-se necessário a
aplicação de recursos financeiros possibilitando a revitalização dos setores produtivo e
industrial, principalmente no que concerne a investimentos em tecnologias de produção
entre as quais, a prática da irrigação dos plantios e utilização de mudas selecionadas, e o
aparelhamento das unidades fabris beneficiadoras de endosperma sólido e de extração e
envasamento de água-de-coco. Este incremento do segmento terá conseqüências
importantes como o aumento no nível de empregos e das receitas dos estados produtores.
2. O SEGMENTO DO COCO NO BRASIL E NO MUNDO
2.1- O Cultivo no Brasil
No Brasil, o coqueiro é cultivado em uma área de 266.577 ha, conforme dados do
IBGE – Produção Agrícola Municipal de 2000, com produção equivalente a 1,3 bilhão de
frutos (Tabela 01). Dentre os cinco estados que apresentam as maiores produções
nacionais, três são nordestinos: a Bahia, maior produtor de coco do País (402,9 milhões de
frutos); Ceará, segundo maior produtor (193,7 milhões de frutos); e Sergipe, figurando na
quinta posição (91,9 milhões de frutos). Estes estados juntos respondem por 52,9% da
produção nacional de coco.
Tabela 1 – Área Plantada, Colhida e Produção de Frutos - 2000
Estados Área Plantada (ha) Área Colhida (ha) Produção (mil frutos)
Bahia 78.270 76.775 402.937
Ceará 37.316 37.316 193.729
Pará 17.084 16.836 154.957
Espírito Santo 8.895 8.895 132.487
Sergipe 45.720 45.720 91.985
BRASIL 266.577 264.311 1.301.411
FONTE: IBGE, Produção Agrícola Municipal – 2000.
Em termos de área plantada, a liderança dos estados nordestinos também se mostra
expressiva, com os três maiores produtores detendo juntos 60,5% da área total plantada
com a cultura do coco no Brasil. Também figuram como produtores de coco, porém com
volumes menos expressivos, os estados do Rio Grande do Norte, Alagoas, Pernambuco,
Paraíba, Maranhão e Rio de Janeiro.
No período de 1990 a 1998, conforme dados do IBGE, a produção de coco no
Nordeste Brasileiro, atingiu uma média anual de 716,1 milhões de frutos, sendo a maior
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produção obtida no ano de 1998 (792,2 milhões de frutos) e a menor produção observada
no ano de 1990 (619,7 milhões de frutos). Nesse mesmo período a área colhida média
atingiu o total de 211.487 ha e a produtividade média situou-se no patamar de 3.386
frutos/ha.
Observa-se, ao longo do período considerado, mais especificamente a intervalos de
três anos, um crescimento anual dos volumes produzidos seguido de uma queda brusca e
depois a retomada do crescimento. Esse comportamento cíclico da produção se deve,
principalmente, à alternância de anos chuvosos e anos secos, demonstrando a dependência
hídrica da cultura do coqueiro que apresenta queda significativa da produção nos períodos
de estiagem. Em vista disso, surge a necessidade de captação de recursos com vista ao
incremento da irrigação dos cultivos, possibilitando, assim, a obtenção de uma
produtividade constante ao longo dos anos.
A expansão acelerada da cultura do coco no Brasil, nos últimos anos decorre,
sobretudo, do incremento da comercialização do coco verde para atender o crescente
mercado da água-de-coco. Este mercado passou a ganhar espaço como alternativa para os
produtores que se descapitalizaram mediante o aumento das importações de coco ralado.
Informações do Ministério da Integração Regional demonstram que em 2000, a área
plantada com coqueiro anão no Brasil chegou a 57.000 ha, deste total 57,9% correspondia
a áreas com plantios em formação, 36,8% com plantios em fase de produção crescente e
5,3% com plantios em plena produção.
No Estado do Ceará, a exemplo do que ocorre no Nordeste, a produção de coco
vem demonstrando um processo de crescimento (Tabela 02). No período 1990/2000 o
volume produzido cresceu a uma taxa média anual de 3,8%, acréscimo este incentivado,
principalmente pelo aumento da produtividade, já que a área plantada apresentou um
crescimento anual de apenas 0,5%. Esse aumento da produtividade tem como justificativa
a maior atuação da pesquisa e experimentação através da difusão de tecnologias de manejo
dos cultivos. No cenário municipal, em 2000, destacou-se como maior produtor o
município de Trairi (37,7 milhões de frutos), no Norte Cearense, seguindo-se os
municípios de Itarema e Acaraú, no Noroeste Cearense, com volumes produzidos de 22,5
milhões de frutos, cada.
Tabela 2 – Produção, Área Colhida e Produtividade do Coco no Estado
do Ceará 1990/2000
Anos Produção (mil frutos) Área Colhida (ha) Produtividade
(mil frutos/ha)
1990 133.880 35.388 3,78
1991 140.909 38.268 3,68
1992 160.758 42.535 3,78
1993 120.611 38.259 3,15
1994 137.714 38.581 3,57
1995 143.444 40.292 3,56
1996 85.557 20.969 4,08
1997 104.346 25.418 4,11
1998 114.505 30.640 3,74
1999 187.045 35.954 5,20
2000 193.729 37.316 5,19
FONTE: IBGE, Produção Agrícola Municipal.
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Em 1998, a produção de coco do Ceará atingiu 114,5 milhões de frutos em uma
área de 30.640 ha, perfazendo cerca de 14,0% da produção nordestina. Em 1996, a
produção cearense atingiu seu menor nível ao longo da década, 85,5 milhões de frutos.
Dados atuais, entretanto, indicam uma franca recuperação da produção que em 2000
atingiu 193,7 milhões de frutos, um incremento de 55,8% em relação ao ano de 1996. Em
termos de área irrigada no Estado, observou-se no período 1999/2002 um acréscimo de
4,9% na área irrigada. A cultura do coqueiro, dentre as demais fruteiras irrigadas no Ceará
é a que apresenta maior área irrigada, sendo seguida de perto apenas pela banana.
Além da Região Nordeste, “a exploração econômica do coco no Brasil encontra
representantes também na Região Norte, pelo Estado do Pará, em função do seu elevado
volume de produção e, ainda, na Região Sudeste, pelos Estados do Espírito Santo e Rio de
Janeiro, este último por sua excelente produtividade” (Viana, 2001). Outra região onde o
cultivo do coqueiro encontra-se em expansão é a Centro-Oeste, principalmente o Estado do
Mato Grosso.
2.2- O Cultivo no Mundo
“O coqueiro é cultivado atualmente, em 86 países, em área de 11,6 milhões de
hectares, com produção estimada de 35,8 milhões de toneladas de frutos. Os países da
América detêm apenas 7,3% dessa produção, destacando-se o Brasil e o México como
principais países produtores” (Queiroz, 1999).
Os maiores produtores mundiais são os países asiáticos, principalmente, as
Filipinas, a Indonésia e a Índia. Em 1992, o maior produtor chegou a deter 30,0% da
produção total dos dez maiores produtores de coco do mundo. Considerando-se os três
maiores produtores, o volume produzido por estes chega a representar 83,0% do total
(Tabela 03). Em termos de área cultivada e produtividade, lideram, respectivamente, a
Indonésia (3.418.000 ha) e o México (7,23 mil frutos/ha).
Tabela 3 – Produção, Área Colhida e Produtividade de Coco no Mundo –
1992
País Produção
(mil frutos) Área Colhida (ha) Produtividade
(mil frutos/ha)
Filipinas 12.264.000 3.093.000 3,97
Indonésia 11.711.000 3.418.000 3,43
Índia 10.043.000 1.518.000 6,62
Sri Lanka 2.296.000 419.000 5,48
México 1.236.250 171.103 7,23
Brasil 1.097.500 252.531 4,35
Vietnam 1.010.000 222.000 4,55
Malásia 883.000 315.000 2,80
Tanzânia 456.250 310.000 1,47
Costa do Marfim 337.500 48.000 7,03
FONTE: EMBRAPA, 2001.
O Brasil ocupa a sexta posição tanto no ranking dos maiores produtores mundiais
como nas melhores produtividades, com volume produzido correspondente a 8,9% do total
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produzido pelas Filipinas, maior produtor. Em termos de área cultivada, o nosso País ocupa
a sétima posição.
Nos principais países produtores, o coqueiro é explorado, basicamente, para
produção de copra (albúmen sólido desidratado a 6%) e óleo, produto este que vem
enfrentando dificuldades tendo em vista a competição com outros tipos de óleos mais
baratos e saudáveis como o de girassol e o de soja. “As Filipinas, por exemplo, geram
recursos da ordem de 1,5 bilhão de dólares com a exportação desses produtos,
principalmente para os EUA e Comunidade Européia” (Persley, 1992). Já no Brasil, a
produção de coco é empregada quase que exclusivamente para a alimentação humana “in
natura” (uso doméstico e água-de-coco) ou através de produtos industrializados (coco
ralado, leite de coco, etc.).
No cenário da América do Sul, o Brasil lidera em produção, chegando a representar
69,2% do volume total de coco produzido no continente, o correspondente a cerca de 1,1
bilhão de frutos. Em seguida, com volume mais modesto, vem a Venezuela com 220
milhões de frutos produzidos. Esse País detém, entretanto, o maior índice de produtividade
observado entre os produtores mundiais de coco, 10.480 frutos/ha (Tabela 04).
Tabela 4 – Produção, Área Colhida e Produtividade de Coco na América do Sul -
1992
País Produção
(mil frutos) Área Colhida (ha) Produtividade
(mil frutos/ha)
Brasil 1.097.500 252.531 4,35
Venezuela 220.000 21.000 10,48
Colômbia 156.250 29.705 5,26
Guiana 60.000 11.407 5,26
Equador 52.500 9.981 5,26
Total 1.586.250 324.624 4,89
FONTE: EMBRAPA, 2001.
Outros continentes produtores, a Oceania e a África respondem pelo restante da
produção mundial. Na Oceania, o coco constitui a principal, quando não a única, fonte de
divisas de seus países, com destaque para Papua Nova Guiné, que detém 50,0% da
produção do continente e 50,0% dos coqueirais economicamente produtivos. No continente
africano, a cultura do coco tem elevada importância econômica para as populações nativas,
razão pela qual, nas últimas décadas, novos países vêm se incorporando à produção de
coco. Além do mais, o interesse dos centros de pesquisa e os programas de
desenvolvimento patrocinados para a cultura incentivam a adesão de novos produtores.
3. IMPORTÂNCIA ECONÔMICA DO COCO
3.1- Considerações
O coqueiro é uma planta de elevada importância econômica e social nas regiões
intertropicais do mundo, onde encontra condições favoráveis de clima e solo para se
desenvolver. Caracteriza-se por ser uma cultura de muitas aplicações, tanto no consumo
“in natura”, como na indústria e no artesanato. Sob o ponto de vista econômico, o
endosperma sólido ou albúmen é a parte mais importante, principalmente a nível mundial,
muito embora, no Brasil, deva ser considerada também de elevado valor econômico a
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extração da água-de-coco. Constitui ainda valor a ser agregado à cultura, o aproveitamento
de subprodutos como a casca do coco, geralmente descartada, mas que vem sendo
processada para produção de fibras longas utilizadas em enchimentos de bancos de
automóveis, e o pó da casca de coco, utilizado como substrato agrícola na agricultura
orgânica.
Além das diversas aplicações dos seus produtos e subprodutos, a cultura do coco
apresenta uma série de vantagens agroeconômicas, sociais e ambientais se comparada a
outras culturas desenvolvidas nas áreas litorâneas, vantagens estas que viabilizam a
atividade tornando-a rentável, capaz de retornar o capital investido.
Por ser uma cultura perene, o coqueiro permite a consorciação com outras culturas
e até com animais, sendo uma prática recomendada pela literatura técnica e por instituições
de pesquisa. Ademais, além de proporcionar ao produtor renda com a venda da sua
produção ao longo de todo o ano permite a subsistência do homem do campo, tornando-o
capaz de enfrentar eventuais crises no setor. Socialmente, o cultivo do coqueiro permite a
fixação do homem no campo, garantindo a ocupação de expressivo contingente rural
durante o ano inteiro.
Em termos ambientais, o coqueiro permite a recuperação de áreas degradadas em
virtude de desmatamentos e o controle dos processos erosivos nas regiões litorâneas, onde
melhor se desenvolve. Não menos importante tem se mostrado o aproveitamento dos
resíduos oriundos da extração da água-de-coco e da polpa. O processamento da casca de
coco diminui, consideravelmente, os transtornos ambientais provocados pelo seu descarte
em lixões ou aterros sanitários, além de reduzir os custos com transporte das indústrias de
beneficiamento.
3.2- Potencialidades Econômicas
3.2.1- Aproveitamento de solos de baixa fertilidade
Por desenvolver-se bem nas zonas litorâneas, onde predominam solos de baixa
fertilidade natural e susceptibilidade à erosão, o coqueiro surge como alternativa de
conservação desses solos, merecendo cuidados apenas com a dosagem na adubação, de
modo a permitir o desenvolvimento satisfatório da cultura.
Além do caráter conservacionista, o aproveitamento dos solos na zona litorânea
com o cultivo do coqueiro, cultura nobre que garante significativo retorno econômico
quando devidamente conduzida, surge como uma alternativa vantajosa para diversificação
da produção e da renda agrícola, tão sem opção nessas áreas, em face da baixa fertilidade
natural dos solos arenosos.
3.2.2- Possibilidade de consorciação com culturas e animais
A consorciação com outras culturas, especialmente as leguminosas, além de
contribuir no aumento da fixação de nitrogênio, funciona como opção para o incremento da
renda do produtor, bem como de sua subsistência. Além disso, essa possibilidade de
consorciação favorece a fixação do homem no campo. Dentre as culturas passíveis de
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consórcio nos coqueirais citam-se o feijão, a mandioca, o sorgo, a soja e a fruticultura de
baixo porte. Também é permitido, a partir de 5º ano, a consorciação com a pecuária em
pisoteio, especialmente a ovinocultura e a avicultura.
3.2.3- Produção contínua ao longo do ano
A produção contínua dos coqueirais possibilita para a região onde se desenvolve,
um incremento na geração de emprego e renda ao longo de todo o ano. A maior vantagem
de uma produção contínua repousa na fixação do homem ao campo, funcionando como
gerador de oportunidade de trabalho no meio rural, evitando o deslocamento de
contingentes para as zonas urbanas adjacentes.
Tendo em vista que a maioria dos cultivos de coco localiza-se em pequenas
propriedades (1,0 a 5,0 ha), com terras de baixa fertilidade, ressalta-se mais ainda a
importância social da cultura. Atualmente, 96,0% da produção mundial de coco são
provenientes de propriedades com 1,0 a 5,0 ha, envolvendo, aproximadamente, 50 milhões
de pessoas. “Somente na Ásia, 30 milhões de pessoas dependem diretamente da cultura do
coqueiro para sua sobrevivência, no Brasil são 500 mil pessoas” (Queiroz, 1999).
3.2.4- Retorno do capital investido
Estudos realizados pela EMBRAPA Agroindústria Tropical, no Campo
Experimental do Vale do Curu, em Paraipaba-CE, demonstraram que a utilização correta
da micro-irrigação e a aplicação freqüente de fertilizantes via fertirrigação podem antecipar
o início da colheita do coqueiro anão para dois anos e quatro meses, com uma produção de
até 122 frutos/planta, equivalente a uma produtividade de 25.000 frutos/ha, já no primeiro
ano de colheita (terceiro ano do plantio). “O uso eficiente da água e de fertilizantes na
irrigação é, portanto, importante na obtenção de produtividade e qualidade de frutos, na
redução dos custos de produção e, certamente, na manutenção da fertilidade dos solos,
diminuição dos riscos de erosão e lixiviação de nutrientes e manutenção do nível baixo do
lençol freático” (Nair, 1989; Yusuf & Varadan, 1993).
Análises de sensibilidade realizadas pela EMBRAPA – Tabuleiros Costeiros, sobre
o retorno de investimentos de irrigação do coqueiro anão mostram que a partir do quinto
ano já se tem retorno positivo, recuperando os custos acumulados na cultura irrigada,
enquanto que para a cultura não irrigada esse tempo foi de sete anos.
Comparação semelhante foi realizada pela SEAGRI – Secretaria da Agricultura
Irrigada do Estado do Ceará, utilizando dois tipos de sistemas de produção, um de alta
tecnologia com irrigação por gotejamento e outro de média tecnologia com irrigação por
sulco. Em ambos os sistemas, a receita líquida passa a ser positiva já no terceiro ano de
cultivo, entretanto os valores das receitas obtidas no sistema de alta tecnologia chegam a
ser 48,0% maiores que os do sistema de média tecnologia, demonstrando a maior
eficiência do sistema de alta tecnologia.
Estima-se que para R$ 1,00 investido na irrigação do coqueiro tem-se um retorno
de R$ 1,70, considerando os custos fixos e variáveis com a aquisição do equipamento e
manejo da irrigação. Os resultados obtidos pela pesquisa confirmam o retorno certo e mais
rápido do capital investido na irrigação do coqueiro.
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3.2.5- Sustentabilidade dos ecossistemas costeiros
Convém ressaltar o importante papel dos coqueirais na sustentabilidade dos
ecossistemas costeiros do mundo tropical, devido o seu crescimento em ambientes de alta
salinidade, secos, com solos apresentando baixa fertilidade natural, onde poucas plantas
são capazes de se desenvolver e produzir. Além do mais o coqueiro serve como opção de
reflorestamento de áreas litorâneas degradadas e controle da erosão.
3.2.6- Reciclagem dos resíduos gerados
O processamento do coco é uma atividade geradora de resíduos, após retirar-se o
albúmen sólido de interesse para a obtenção de coco ralado e da água-de-coco, restam as
partes fibrosas representadas pelo exocarpo, mesocarpo e endocarpo, as quais constituem
cerca de 45,0% dos componentes do fruto. Tais resíduos são de difícil descarte, sendo
enviados para lixões e aterros sanitários, além de elevar os custos da indústria com
transporte até esses locais.
Esse problema se ameniza através da reciclagem, sendo produzidos em escala
industrial inúmeros produtos, entre os quais, enchimentos para bancos de automóveis e
colchões, vasos, placas e palitos para paisagismo, substrato agrícola, material de
decoração, placas acústicas e térmicas, etc.
Atualmente, da casca do coco processada obtém-se dois tipos de produtos, as fibras
longas (30,0% da casca) e as fibras curtas ou pó da casca de coco (70,0% da casca). A
Índia, líder mundial na comercialização de fibra de coco, com 1,02 bilhão de toneladas de
fibras produzidas por ano, chega a faturar U$ 70 milhões com exportação de fibra. “Em
meados de 2002, foram iniciados contatos entre os governos indiano e brasileiro visando,
futuramente, concretizar um acordo de transferência da tecnologia indiana na produção de
artigos à base de fibra de coco. Os produtos são biodegradáveis e servem tanto para a
confecção de utensílios domésticos quanto para a fabricação de artefatos para a construção
civil, há casos de casas de fibra de coco, na Índia” (Revista Poder, 2002).
3.2.7- Utilização da fibra de coco na indústria automotiva
No Brasil, a produção de fibra de coco ainda é incipiente, entretanto a utilização de
fibras longas e curtas (pó da casca de coco) como matéria-prima já vem se fazendo notar
em vários ramos industriais. No setor automotivo, o emprego da fibra de coco na
fabricação de assentos e no revestimento interno de veículos já é fato concreto na
montadora DaimlerChrysler, que controla as marcas Mercedes-Benz e Chrysler. Desde
2001, os veículos Classe A da fábrica da Mercedes, em Juiz de Fora-MG, e os caminhões
montados na fábrica do ABC Paulista, passaram as ser equipados com estofamentos de
fibra de coco e látex natural produzidos pela Poematec Fibras Naturais da Amazônia. Esta
empresa de artefatos industriais é fruto de um projeto ecológico (POEMA – Programa
Pobreza e Meio Ambiente) iniciado em 1992 no Estado do Pará, idealizado pela
Universidade do Pará, com apoio da DaimlerChrysler, que tem como objetivo frear a
devastação dos ecossistemas amazônicos, oferecendo trabalho à população local e
promovendo a utilização de matéria-primas renováveis. “O grupo já investiu US$ 1,4
milhão na pesquisa de matérias-primas renováveis e US$ 4,0 milhões em máquinas e
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equipamentos utilizados pela Poematec. O investimento será pago em dez anos com o
fornecimento de componentes para os veículos produzidos pela Mercedes-Benz” (Revista
Update, 2001).
Outras montadoras vêm seguindo o exemplo da DaimlerChrysler na substituição de
produtos sintéticos por naturais na fabricação de veículos, é o caso da General Motors, que
pretende retomar o uso da fibra de coco na fabricação dos modelos Vectra e Astra. Esse
material já tinha sido utilizado pela GM no antigo Opala, mas tal iniciativa não prosseguiu
em virtude da escassez de fibra no mercado.
A fibra de coco apresenta qualidade superior à das espumas de poliuretano,
material derivado do petróleo, pelo fato de ser uma matéria-prima barata e também por
reunir inúmeras outras vantagens tais como: ser ecologicamente correta; resistente;
durável, com vida útil estimada em 90 anos, quando manufaturada; perspirável, ou seja,
facilita a circulação do ar; isenta de ácaros e fungos, pois o tanino presente na fibra faz
vezes de acaricida e fungicida naturais; biodegradável.
3.2.8- Utilização da fibra de coco no setor de paisagismo
Dentre os diversos produtos obtidos a partir do beneficiamento da fibra de coco,
vem se destacando no setor do paisagismo e jardinagem, produtos como vasos, palitos e
placas, e outros que substituem perfeitamente, todos os tipos de artefatos produzidos com
xaxim (Dicksonia sellowiana), palmeira da Mata Atlântica, em extinção, que tem sua
extração regulamentada por lei.
A empresa Coco Verde, no Rio de Janeiro-RJ, além de comercializar o coco verde
para extração de água, coleta e reclica os resíduos, produzindo em escala industrial mais de
cem itens utilizando como matéria-prima a fibra de coco, em especial, os produtos
substituto da xaxim e substrato agrícola, contribuindo, assim, para a preservação ambiental
e oferecendo alternativa vantajosa para os vários segmentos da economia que tem nessa
planta o seu componente principal.
3.2.9- Utilização da fibra de coco para substrato agrícola
O beneficiamento da casca de coco seco, especificamente da parte fibrosa
(mesocarpo fibroso), produz fibras “amplamente utilizadas como combustível para
caldeiras, manufatura de cordoalha, tapetes, estofamentos e capachos” (Cempre, 1998) e
uma considerável quantidade de pó que é utilizado mundialmente como substrato para
plantas. “O substrato obtido a partir dos frutos maduros do coco tem se mostrado como um
dos melhores meios de cultivo para a produção de vegetais, principalmente em função da
sua estrutura física vantajosa, que proporciona alta porosidade e alto potencial de retenção
de umidade” (Rosa, 2001).
Em virtude do elevado teor de umidade existente na casca do coco verde, cerca de
85%, e da baixa qualidade da fibra, que desfavorece as aplicações normalmente
empregadas com a casca do coco seco, o resíduo é descartado, sendo encaminhado a lixões
ou aterros sanitários, contribuindo para a diminuição da vida útil dos mesmos. Visando
reduzir os efeitos ambientais nocivos dessa prática e agregar valor à renda do produtor, a
EMBRAPA Agroindústria Tropical vem desenvolvendo estudos para a obtenção do pó da
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casca do coco verde para produção de substrato agrícola. Esse processo envolve uma
seqüência de operações, compreendendo dilaceração, moagem, classificação, lavagem e
secagem. A utilização desse tipo de substrato (100% natural) traz ainda, como vantagem
ambiental, alternativa ao uso da turfa e da areia.
No Estado do Ceará, a empresa Metro-Agroindustrial, em Amontada-CE, se destaca no
processamento da casca de coco para obtenção de fibra longa e curta (pó da casca de
coco), esta última é comercializada, principalmente, para o sudeste do País, para
fazendas produtoras de flores.
3.2.10- Beneficiamento da biomassa do coqueiro
Outra utilização econômica dos resíduos refere-se à biomassa produzida
ininterruptamente nos pomares resultantes da palha, inflorescências, restolhos, etc. Estudos
estimam uma produção de 60kg de biomassa/planta/ano disponíveis para serem utilizadas
para compostagem orgânica. Considerando um hectare de coqueiro anão com 205 plantas e
área atualmente cultivada de 57.000 ha, tem-se um volume de biomassa de 701.100
toneladas. Informações do Grupo Gestor do Coco do Ceará dizem que a tonelada da
biomassa apresenta preço em torno de R$ 120,00/t, resultando essa utilização em um valor
bruto de R$ 84.132.000,00, somente para as áreas cultivadas com coqueiro anão no Brasil.
Com relação à cotação da fibra do coco no mercado internacional, esta chega a U$
200,00/t. Considerando que seis cocos produzem 1 kg de fibra e que a produção brasileira
atinge atualmente 1,3 bilhão de frutos, poderia ser esperado um faturamento de U$ 43,3
milhões, se toda a casca fosse processada.
4. PRODUTOS GERADOS
O agronegócio do coco envolve diversas atividades econômicas que vão desde a
produção agrícola, até sua distribuição nos mercados interno e externo, passando pelas
etapas de processamento, embalagem/envasamento, transporte e armazenamento. No
decorrer desse processo são originados inúmeros produtos a partir do beneficiamento, não
só do fruto, mas também de várias partes da planta. “Pela magnitude dos produtos obtidos
das diversas partes da planta, pode-se afirmar que do coqueiro tudo se aproveita” (Queiroz,
1999).
a) Aproveitamento do coco seco
Endosperma ou albumén sólido: coco ralado e leite de coco (uso na
culinária de doces e salgados); bebidas (piña colada); margarinas; ração
animal; óleos; álcool graxo; ácido graxo; glicerina; solventes.
Endocarpo (parte rígida da noz): combustível lenhoso (apresenta índice
calorífico 1,5 vezes superior ao da lenha); transformado em carvão ativado
(filtro de usinas nucleares); triturado em forma de pó para utilização na
fabricação de pastilhas de freios; material impermeabilizante de chapas de
madeira compensada; artesanato.
Mesocarpo fibroso (casca fibrosa): fibras longas utilizadas na fabricação de
mantas, tapetes, fibra para colchões, cordoaria, peças de carros, barreira
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sonora, contenção de encostas, vasos, enchimento para bancos automotivos,
etc; o pó da casca de coco, material residual obtido através do
processamento da casca de coco maduro para a obtenção da fibra longa, é
utilizado como substrato na agricultura intensiva-orgânica, face as seguintes
vantagens: economia de água, pela sua elevada capacidade de retenção de
umidade (94%); aumento nos índices de produtividade da horticultura e
floricultura face seu efeito fertilizante (rico em potássio e nitrogênio);
expansão de cinco vezes o seu volume, a menos de 20% de umidade;
alternativa para substituição da turfa.
b) Aproveitamento do coco verde
Endosperma ou albumén líquido ou água-de-coco: bebida isotônica
natural; reidratante; diurética; anti-helmítica e tenicida; empregada em
tratamentos de emergência como plasma sanguíneo; meio de cultura
natural; conservante de sêmen animal.
Mesocarpo fibroso: o pó da casca de coco verde, obtido através do
processamento que envolve etapas de dilaceração, moagem, lavagem e
secagem, pode ser utilizado como substrato agrícola, a exemplo do que
ocorre com a casca de coco maduro; confecção de vasos e placas
utilizadas em jardinagem, em substituição aos mesmos produtos obtidos
a partir do xaxim, planta em risco de extinção.
c) Aproveitamento de outras partes da planta
Folhas: cobertura de casas, abrigos, compostagem orgânica; a parte
lenhosa serve como combustível e confecção de cercas; a nervura da
palha serve na fabricação de palitos de dentes e fósforos.
Talo das folhas: confecção de cercas, combustível e artesanato.
5. BREVE CARACTERIZAÇÃO DA CADEIA PRODUTIVA
5.1- Considerações
Em termos conceituais, uma cadeia produtiva se constitui de uma visão sistêmica
de um grupo inter-relacionado de atividades produtivas, partindo-se do pressuposto de que
a empresa ou o segmento de produção pertence a um contexto maior, complexo, onde as
interações de interdependência e complementaridade influenciam de modo decisivo o
desempenho individual e coletivo.
Todo trabalho em cadeia objetiva aperfeiçoar as relações entre seus diversos elos,
reduzindo e eliminando os conflitos existentes, melhorando a produtividade e a qualidade
dos produtos e serviços oferecidos, de modo a permitir a satisfação total do consumidor
final. A cadeia produtiva do segmento do coco, como todo processo de produção, segue a
ordem geral das leis de mercado, sendo composta por aqueles que ofertam os produtos,
aqueles que processam, distribuem e aqueles que os consomem.
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A cadeia do agronegócio do coco é extensa, envolvendo os segmentos de produção
agrícola, industrialização e comercialização e distribuição. Muito embora se apresente
atualmente como uma atividade de expressiva significação econômica para o País, sua
sustentabilidade se mostra ameaçada, em virtude do baixo nível de investimentos no setor.
5.2- Produtor
O segmento agrícola, representado pelo produtor rural, constitui a base da cadeia
produtiva do coco, e se caracteriza, no Brasil, pelo cultivo em pequenas propriedades
rurais, com área média de 17,1 ha. No caso específico do Estado do Ceará, segundo
levantamento realizado pela empresa DUCOCO nas propriedades da região do Acaraú,
47,0% das propriedades produtoras têm área plantada entre 1 a 5 ha. Ainda em
conformidade com a referida pesquisa, 76,0% dos produtores declararam que a produção
de seus cultivos foi crescente ao longo dos últimos cinco anos (1997-2001), com 38,0%
dos produtores tendo, inclusive aumentado sua área de plantio.
Na produção primária, especialmente no cultivo do coqueiro gigante, ainda
predomina a mentalidade conservadora do extrativismo, não existindo uma preocupação
maior com a produtividade e com o meio ambiente, especialmente no que se refere ao
manejo do cultivo. Em virtude de adversidades comuns ao processo produtivo, os cuidados
com os tratos culturais são constantemente negligenciados provocando quedas
significativas nas produtividades.
Dentre os fatores que impossibilitam os produtores rurais a assumirem um papel
mais ativo na cadeia produtiva e receberem melhor remuneração, cita-se a baixa
produtividade dos cultivos existentes, conseqüência da interação de inúmeros fatores
negativos como a baixa qualidade genética e a idade avançada dos coqueirais, a
dependência das condições climáticas, a não utilização de tecnologias modernas para
condução dos cultivos, a falta de qualificação da mão-de-obra, a dificuldade de acesso do
pequeno produtor às linhas de crédito oferecidas e o baixo preço a nível de produtor.
Muito embora se observem tais dificuldades, o incremento da agroindústria do
coco, e recentemente a restrição à importação de coco ralado, tem gerado impactos na
atividade agrícola mediante a ampliação da área colhida e do emprego da mão-de-obra.
Vale ressaltar, que a atividade de colheita do coco ocorre durante todo o ano, inclusive no
período de entressafra das culturas tradicionais, contribuindo, assim, para uma redução no
nível de desemprego sazonal. Conforme diagnóstico da cultura do coco efetuado pela
EMBRAPA – Tabuleiros Costeiros, que consta no escopo da Resolução nº 19 de
30/07/2002, foi estimado que as operações de manutenção (roçagem, coroamento,
adubação, limpeza da copa), colheita, descascamento e comercialização necessitem de 46
homens-dia/ha/ano.
Em termos de empregos gerados, estudos na área informam que 1 ha de coco
ocupa, em média, 3 pessoas em emprego direto e que cada emprego direto gera 4 empregos
indiretos. De posse dessa relação, e considerando a área colhida no Brasil em 2000, que foi
de aproximadamente 264.000 ha, tem-se um total de pelo menos 792.000 empregos diretos
e 3.168.000 empregos indiretos gerados ao longo da cadeia produtiva do coco.
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5.3- Comercialização
Os canais de comercialização do coco devem ser vistos não só como uma simples
representação funcional de agentes econômicos que ligam produtores e consumidores, mas
como uma complexa cadeia de relações econômicas e sociais, relativamente estruturada,
que visa assegurar a apropriação dos excedentes gerados pela produção a estes agentes,
situados nos diversos níveis de distribuição.
De um modo geral, os grandes produtores de coco são proprietários de indústria ou
negociam suas produções diretamente com as indústrias processadoras locais. Já os
pequenos proprietários, que constituem a maior parte dos produtores, se caracterizam por
depender dos intermediários e dos agentes das indústrias para comercializarem suas
produções.
Dados do Censo Agropecuário 1995/1996 do IBGE, indicam que as vendas das
produções nacionais de coco seco são assim distribuídas: cerca de 64,0% para os
intermediários e/ou distribuidores; 16,0% para os processadores; 4,0% para o varejo; e
16,0% para outros mercados.
5.4- Indústria Processadora
A indústria de beneficiamento do coco, assim como o setor produtivo, tem se
ressentido de incentivos governamentais, sendo obrigada a caminhar com recursos próprios
e capitais restritos. Mesmo assim, tem-se observado o crescimento no setor em virtude da
importação de matéria-prima e do consumo crescente da água-de-coco.
Há de frisar-se, entretanto, o crescente nível de mecanização das operações de
beneficiamento do coco seco e do envasamento da água-de-coco, bem como a constante
ação do setor industrial em parceria com instituições de pesquisa, no sentido de modernizar
as operações de beneficiamento, tendo em vista a melhoria dos níveis de produtividade e
qualidade do produto final. Apesar desse incremento, o setor se ressente da falta incentivos
financeiros para investir mais intensivamente em novas tecnologias.
Atualmente, o parque industrial de processamento do coco é formado, a nível de
Nordeste, por 11 indústrias destinadas à produção de coco ralado e leite de coco, e 6
indústrias que processam a água-de-coco, além de centenas de pequenos estabelecimentos
envasadores.
O processamento do coco no Brasil se dá conforme o tipo de produto a ser obtido,
no caso o coco ralado e/ou leite de coco para uso culinário, obtido a partir do
processamento do coco seco, e a água-de-coco, extraída do coco verde. Os processos
industriais para obtenção do coco ralado e extração da água-de-coco podem ser resumidos
nas seguintes etapas:
Coco ralado: recepção e seleção da matéria-prima - tratamento térmico –
abertura do fruto – despolpamento – despeliculamento – lavagem das amêndoas
– seleção final das amêndoas – corte - embalagem.
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Água-de-coco: recepção e seleção da matéria-prima – lavagem – abertura do
coco e extração da água – filtração – formulação – envase.
5.5.- Mercado Consumidor
5.5.1- Características do Consumo
Os principais segmentos de mercado atendidos no Brasil são os do coco ralado para
uso na culinária doméstica e na indústria alimentícia, e o da água-de-coco para consumo
“in natura” ou industrializada.
A baixa produção nacional de coco seco, incapaz de atender a demanda industrial,
incentivou a importação de coco ralado de outros países. “Conforme dados da FAO, o
Brasil importa coco desidratado desde 1973, contudo, foi ao longo da década de 90 que
esse processo se intensificou. Em 1995, o volume importado atingiu 16.845 toneladas,
quantidade esta superior à demanda das principais agroindústrias brasileiras de coco. Nesse
mesmo ano, o preço quilograma da noz para o produtor chegou a R$ 0,07, quando o preço
mínimo necessário para que o mesmo almeje algum lucro é de R$ 0,20 a R$ 0,25”
(Queiroz, 1999). Como resultado, a importação foi responsável por sérios prejuízos à
exploração do coqueiro no Brasil acarretando uma grande evasão de divisas para o País,
reduzindo acentuadamente o valor da produção nacional e diminuindo a remuneração do
produtor rural.
Por outro lado, nos últimos anos, o consumo de água-de-coco no Brasil cresceu
consideravelmente, isto em decorrência da preferência popular por produtos naturais, além
da abertura do mercado brasileiro para a importação de coco ralado, que retraiu os
investimentos na produção de coco seco, incentivando vários produtores a investirem no
mercado de coco verde.
Conforme dados divulgados em matéria apresentada no IV Encontro dos
Produtores de Coco – 2000, com relação ao aumento do consumo de água-de-coco
envasada, tem-se observado um crescimento de 20,0% ao ano, e mesmo tendo atingido a
expressiva marca de 100 milhões de litros em 1997, ainda não atende a demanda. Isso sem
contar a série de novos produtos que a indústria lança no mercado, como frapês e outras
preparações combinadas com frutas e refrescos. Indicadores da Associação Brasileira dos
Produtores de Coco mostram que a água-de-coco representa hoje 1,5% do mercado de
refrigerantes, fato este que está levando algumas indústrias de refrigerantes e outras
bebidas envasadas a desenvolverem tecnologias para atingir também esse grupo de
clientes.
O potencial de expansão de demanda por coco a nível mundial é um fato concreto,
indicando um mercado aberto a absorver produtos, como por exemplo, o coco verde que já
é exportado para a Europa. A conquista de novos mercados ou a expansão dos mercados já
existentes, bem como o domínio de tecnologias de conservação da água-de-coco, deverá
implicar para a agroindústria do coco um salto na capacidade instalada, com conseqüente
melhoria na margem de rentabilidade para o setor. Significa, também, aumento no nível de
emprego, maior geração de renda, entre outros benefícios.
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A Tabela 05 apresenta os valores e as quantidades das produções exportadas de
cocos verdes e secos no período de 1999 a 2001. Observa-se um acréscimo ao longo dos
anos das quantidades exportadas pelo Brasil, bem como um aumento na geração de divisas,
sendo mais expressivos os valores e quantidades referentes ao coco verde.
Tabela 5 – Exportações Brasileiras de Coco – 1999/2001
1999 2000 2001
Produtos Valor
(U$ mil) Quant.
(t) Valor
(U$ mil) Quant.
(t) Valor
(U$ mil) Quant.
(t)
Coco fresco 112 153 112 244 125,00 384,11
Coco seco 64 14 73 29 87,17 28,83
Total 176 167 185 273 212,17 412,94
FONTE: SEAGRI/SIGA.
O mercado internacional de coco verde tende a crescer face às novas tecnologias
empregadas no processo produtivo, mais especificamente no que se refere à refrigeração
do fruto verde, que pode ser armazenado em temperatura de 12ºC por um período de 28
dias sem deformação casca nem queda na qualidade da água. Em meados de 1999, foi feita
pelos produtores do Vale do São Francisco a primeira exportação de frutos verdes “in
natura” para a Europa, mais especificamente, para a Itália e a Inglaterra.
5.5.2- Preço do Produto
Conforme comentado anteriormente, os preços do coco seco desfibrado sofreram
forte impacto após o advento das importações. Dados confirmados pelo Ministério da
Agricultura demonstram que em junho de 1989 o preço do coco seco desfibrado oscilava
em torno de U$ 1,58/kg, caindo para U$ 0,13/kg em abril de 1994 (Ferreira, 1994). No
início do mês de dezembro de 2002, o preço coco seco oscilava nas capitais nordestinas
entre R$ 0,70 e R$ 0,85/unidade, segundo o SIMA – Sistema Nacional de Informação de
Mercado Agrícola. Segundo a mesma fonte e período, os preços do coco verde oscilaram
entre R$ 0,25 a R$ 0,40/unidade nas capitais nordestinas e R$ 0,50 a R$ 0,85, nas capitais
do Sudeste.
Dados da Fundação Getúlio Vargas, para o período 1996-1999, demonstram as
médias anuais dos preços recebidos pelos produtores de coco verde nos principais estados
nordestinos produtores (Tabela 06). Observa-se que os menores preços foram praticados no
Estado do Ceará, enquanto as maiores cotações foram obtidas pelos produtores baianos.
Tabela 06 – Preços de Coco Verde ao Nível de Produtor (R$/unid.) – 1996/1999
Anos Ceará Rio Grande do Norte Sergipe Bahia
1996 0,36 0,48 0,51 0,60
1997 0,38 0,46 0,46 0,56
1998 0,37 0,41 0,43 0,50
1999 0,37 0,43 0,48 0,51
FONTE: Fundação Getúlio Vargas.
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Do SIGA - Sistema de Informação Gerencial Agrícola da SEAGRI - Secretaria da
Agricultura Irrigada do Ceará foram obtidas algumas informações a respeito de preços
praticados nas Centrais de Abastecimento de Fortaleza e São Paulo para o coco verde
considerando a média dos anos 1995-2001, conforme apresentado na Tabela 07 a seguir.
Tabela 7 – Variação Mensal dos Preços do Coco Verde (R$/cento) em
Fortaleza e São Paulo 1995/2001
Cidades Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Fortaleza 35,23 36,18 32,82 27,91 26,68 25,21 26,53 27,65 29,56 29,82 32,02 32,07
S. Paulo 81,22 88,74 86,19 86,50 86,74 81,03 73,70 71,60 69,65 67,64 72,33 76,14
FONTE: SEAGRI/SIGA.
Observa-se a acentuada diferença nos preços praticados, quando se comparam os
preços praticados na região produtora, no caso o Estado do Ceará, pelos preços praticados
na região consumidora, o Estado de São Paulo.
6. CONCLUSÕES
Como visto no decorrer do presente estudo, a importância do agronegócio do coco
é notória para a economia brasileira, especialmente para o Nordeste, onde se concentram
mais de 90,0% da produção do País. Ademais, com a limitação das importações impostas
pelo GECEX, do Ministério da Indústria e Comércio, o setor produtivo nacional terá que se
adequar à nova realidade, melhorando o sistema de produção atual para atender a demanda
do setor agroindustrial brasileiro que é da ordem de 26.000 t/ano, segundo informações do
SINDCOCO.
A importância do segmento exige a necessidade de revitalização do mesmo
mediante a geração de inúmeros benefícios econômicos, sociais e ambientais, dentre os
quais merece destaque:
Geração de emprego e renda – constitui um elevado multiplicador de empregos,
especialmente nas regiões litorâneas e áreas metropolitanas, onde se localiza a
maioria das unidades industriais e, nas atividades agrícolas primárias
desenvolvidas na zona rural;
Fixação do homem no campo – a produção contínua dos coqueirais ao longo de
todo o ano, o favorecimento da consorciação com culturas ou animais
barateando os custos de implantação do pomar e conferindo outra alternativa de
renda e a subsistência do produtor rural, tornam a cultura do coqueiro uma
atividade fixadora do homem no campo;
Arrecadação tributária – o aumento da produção constatado ao longo dos anos,
a aquisição de insumos agrícolas e maquinários na própria região contribuem
sobremaneira para aumentar a receita do ICMS dos estados;
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Geração de divisas – as exportações ainda são incipientes, entretanto um
promissor mercado internacional pode ser explorado diante do aumento da
produção e da variedade de produtos que a cada dia incrementam a atividade;
Desenvolvimento sustentável do semi-árido – o cultivo do coqueiro está se
expandindo para outras regiões do País, como o Norte, Centro-Oeste, partes do
Sudeste e Sul, e até para regiões do semi-árido nordestino, através de projetos
governamentais de fomento à agricultura e, principalmente, de projetos
privados, sendo, portanto considerada uma alternativa para o desenvolvimento
sustentável dessas regiões;
Atividade agroindustrial – uma infinidade de produtos industrializados oriundos
do processamento fazem da agroindústria do coco uma atividade de retorno
econômico garantido face à grande demanda pelos produtos finais e com boas
perspectivas de preço e de mercado nacional e internacional para absorção
desses produtos;
Reciclagem de resíduos – os resíduos gerados do processamento do coco seco e
do coco verde são passíveis de aproveitamentos altamente rentáveis como a
produção de fibras, substrato agrícola, compostagem orgânica, entre outros.
Esse aproveitamento reduz consideravelmente o volume de resíduos sólidos a
serem destinados a lixões e aterros sanitários. Além do mais, a fibra de coco
tem a vantagem de ser ecologicamente correta, resistente, durável e perspirável,
também é isenta de ácaros e fungos, é reciclável, biodegradável e tem vida útil,
quando manufaturada, de até 90 anos;
Disponibilidade tecnológica – a cultura do coco brasileira tem recebido
importante contribuição de instituições de pesquisa, especialmente a
EMBRAPA-Tabuleiros Costeiros e Agroindústria tropical, através de pesquisas
de novas tecnologias de produção, processamento, melhoramento genético, etc.
Como se pode observar é extensa a listagem de benefícios advindos da exploração
do coqueiro, justificando, pois, sua viabilidade técnica e econômica. Mesmo assim, a
atividade se ressente da falta de recursos financeiros para enfrentar com mais agressividade
as novas oportunidades de mercado. A demanda crescente de coco para consumo “in
natura” e para a indústria, reivindica uma melhoria acentuada dos níveis de produção dos
coqueirais, que atualmente é muito baixa, em média 30 frutos/planta/ano,
independentemente da região ou do tamanho das propriedades em que são cultivados.
Em razão disso, faz-se mister a adoção de medidas no sentido de firmar a cultura
do coqueiro como uma atividade lucrativa, do ponto de vista da iniciativa privada e
bastante positiva, em termos da economia como um todo, mediante o aumento da
eficiência nos usos dos fatores de produção disponíveis, especialmente a terra e a mão-de-
obra, aumento da renda interna, arrecadações tributárias e geração de empregos diretos e
indiretos.
Tais medidas consistem principalmente na incorporação de tecnologias, como por
exemplo: a difusão da prática da irrigação localizada; utilização de modernos insumos de
produção, com especial destaque para a questão da fertilização; melhoramento genético
Ribeirão Preto, 24 a 27 de Julho de 2005
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XLIII CONGRESSO DA SOBER
“Instituições, Eficiência, Gestão e Contratos no Sistema Agroindustrial”
dos cultivares, onde se vislumbra o aumento da utilização de coqueiros híbridos,
implicando no aumento de campos de produção de mudas; aprimoramento de
equipamentos da indústria de extração de água-de-coco; aprimoramento das técnicas de
conservação da água-de-coco. Ressalta-se que essas medidas para serem praticadas
necessitam de um suporte financeiro que a maioria dos produtores e beneficiadores não
têm, haja vista o cultivo do coqueiro ser efetuado, principalmente, em pequenas
propriedades.
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ABREU, F.A.P, Extrator de Água-de-Coco Verde – Comunicado técnico 34. Fortaleza,
CE: Embrapa Agroindústria Tropical. Fortaleza, 1999.
IPLANCE, Oportunidades de Investimentos na Agroindústria do Coco no Ceará.
Fortaleza, 1977.
QUEIROZ, M.A de;GOEDERT, C.O; RAMOS, S.R.R, Recursos Genéticos e
Melhoramento de Plantas Para o Nordeste Brasileiro (on line), Petrolina, PE: Embrapa
Semi-Árido. Brasília-DF, 1999.
ROSA, M.F et alli, Processo Agroindustrial: Obtenção de Pó de Casca de Coco Verde.
Comunicado Técnico 61. Fortaleza, CE: Embrapa Agroindústria Tropical. Fortaleza, 2001.
ROSA, M.F; ABREU, F.A.P, Água-de-Coco Métodos de Conservação. Documento nº
37. Fortaleza, CE: Embrapa Agroindústria Tropical/SEBRAE-CE. Fortaleza, 2000.
VIANA, F.M.P et alli, Podridão-Basal-Pós-Colheita do Coco Anão Verde no Estado do
Ceará – Comunicado Técnico 59. Fortaleza, CE: Embrapa Agroindústria Tropical.
Fortaleza, 2001.
Ribeirão Preto, 24 a 27 de Julho de 2005
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... De acordo com Fontenele (2005), toda essa possibilidade de aplicações de seus produtos e subprodutos atribui uma elevada importância econômica e grande valor a ser agregado à cultura do coqueiro, fazendo com que a agroindústria do coco se firme cada vez mais no Brasil. Para Rocha et al. (2010), os produtos oriundos do aproveitamento das cascas do coco verde são diversos e estes produtos trazem a proposta da sustentabilidade. ...
... Para Rocha et al. (2010), os produtos oriundos do aproveitamento das cascas do coco verde são diversos e estes produtos trazem a proposta da sustentabilidade. A partir do coco se podem obter (FONTENELE, 2005;SANTOS et al., 2011): ...
... Além das diversas formas de aproveitamento dos produtos e subprodutos, a cultura do coco apresenta uma série de vantagens econômicas, sociais e ambientais, que se comparada a outras culturas desenvolvidas nas áreas litorâneas, viabilizam a atividade tornando-a rentável. Como identificado na pesquisa, do processamento da casca de coco se obtêm dois tipos de produtos, as fibras longas (30,0% da casca) e as fibras curtas ou pó da casca de coco (70% da casca), que se bem reaproveitados diminuem, consideravelmente, os transtornos ambientais provocados pelo seu descarte em lixões ou aterros sanitários (FONTENELE, 2005). ...
... al., 2006); entretanto poucas são as informações oficiais sobre o consumo de água de coco. Estima-se, que o coco vendido de maneira informal, responda por 80% do volume consumido no país (Cunha, 2011) e que o consumo nacional de água de coco, esteja ao redor de 100 a 350 milhões de litros por ano, com uma taxa de crescimento de aproximadamente 20% ao ano (Fontenele, 2005;Carvalho et al., 2006;Fontes & Wanderley, 2006). ...
Article
Cocos nucifera L. (Arecaceae) é uma palmeira tropical cultivada, preferencialmente, em áreas litorâneas. Seus frutos são conhecidos popularmente como "coco". A preservação de polpas por meio de aditivos químicos é um processo bastante prático, simples e com custos relativamente baixos de operação e armazenamento. No entanto, há restrições comerciais de certas substâncias, tais como os metabissulfitos, usados para conservação de alimentos por causarem prejuízos, corrosão a equipamentos, prejuízo à textura e sabor desagradável, além de processos alérgicos e asmáticos em pessoas susceptíveis. Portanto, o objetivo deste estudo foi elaborar coco tipo chips branqueado, sem adição de produtos químicos. A polpa branca do coco foi cortada em chips, branqueadas em sistema a vapor a 100oC por 20 min, e depois secas em estufa ventilada por 24h. O teste sensorial foi realizado com 85 provadores não treinados, estudantes universitários. Para o teste de aceitação foi utilizada uma escala hedônica estruturada com 9 pontos, que variava de gostei extremamente à desgostei extremamente, para os atributos cor, aroma, textura, sabor e nota global. Os provadores também avaliaram a intenção de compra do produto utilizando uma escala que variou de certamente compraria a certamente não compraria. As médias das notas dos provadores na escala hedônica mostram uma boa qualidade sensorial do produto. A intenção de compra foi de que há maior tendência dos provadores certamente comprarem o produto, o que indica que o produto foi bem aceito. Em relação a composição química do coco tipo chips observou-se um baixo teor de umidade e cinzas. Portanto, a elaboração do coco tipo chips é viável do ponto de vista industrial, nutricional e sensorial.
Chapter
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On the coastal flatland of Itaporanga D'Ajuda, coconut culture and livestock agroecosystems livestock provides environmental problems in the various coastal environments, marine beach, dunes, and mangrove areas. This study proposes an analysis of the environmental dynamics of the coastal flatland of the municipality ofItaporanga D'Ajuda and the possible impacts of land use. The studies of this research is based on the analysis of the landscape of agroecosystems, which consists in the interpretation of spatial heterogeneity and its relation with human activities and biocenosis. The coconut culture agroecosystems provides the removal of native vegetation, the expulsion of species from the fauna, altering the ecological relations by changing the dynamics of the cycles of matter and energy, problems that are also present in the practice of livestock. In addition to these problems caused by agroecosystems, urban expansion, driven by second-home tourism and the emergence of condominiums, are part of the dynamicsof use and occupation in the area, which has suppressed agroecosystems production spaces. The advance of urbanization as well as rural activities in agroecosystems degrade the environments of the coastal flatland, removing dunes, burying ponds present among the beach ridges, removing native vegetation that causes expulsion of species of fauna. Such impacts are potential adversities for the maintenance of ecosystems and even for urbanization.
Chapter
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Brazilian law provides a series of rules and policies that regulate space use and occupancy as well as guide environmental planning. Among those are the Permanent Preservation Areas (APPs) which purpose is to ensure the preservation of elements that are essential to maintain the environmental function and landscape. Another important instrument identifier of spaces are geoenvironmental units, defined by the integration of informations, can be used for the analysis of risk, fragility and potential use of spaces. The aim of this study was to evaluate the potential of geoenvironmental units in the identification and delineation of APPs in the study area, the Via Costeira (coastal route) in Natal/RN. The results showed that the methodology used was partially successful, making it possible to identify four of the five APPs.
Article
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The pedoclimatic zoning constitutes the recognition and mapping of areas of suitable land, unfit or with high potential for the implementation of a given culture, taking into account several attributessuch as: criteria edaphic, climatic, agronomic and risk of the activity. This study aimed to carry out the pedoclimatic zoning for coconut cultivation in deforested areas of the Juruá Valley, included in the cities of Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima and Rodrigues Alves. For structuring the soil database which 291 profiles were used. The points of the profiles were integrated with ZEE soil map at a scale of 1: 250,000 to take surface and subsurface variability profiles on each mapping unit. For the structuring of climate database were used global models that allowed a spatial resolution of 1 km2. From the criteria adopted in the methodology it found that the altered areas of regional Juruá Valley had become widely recommended to the cultivation of coconut tree coconut tree in management level B (medium technology) and C (high-tech). The regional Juruá Valley presents satisfactory characteristics and recommended for intensive cultivation of the coconut crop, both climate as soil, the working scale of 1: 250,000
Article
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Bio-based polymers have emerged as a feasible alternative to petrochemical polymers mainly due to their biodegradability and renewable feedstock. Brazil is considered one of the largest producers of agricultural commodities. Hence, the country is also distinguished by the large generation of this residue type, which can be potentially used as a source to obtain biopolymers, such as cellulose. Based on the Brazil agriculture market, the study aims to analyze the suitability of agroindustrial residues as raw material for cellulose-based materials. A methodology for the selection of the most suitable residues is proposed, which takes into account the chemical composition of residues, namely the cellulose content and the cellulose-to-lignin ratio, as well as, their availability. In order to meet conservation issues, the availability of residues is calculated as a function of sustainable removal rates and competitive uses. Taking as reference the main crops identified, the average amount of agroindustrial residues available in Brazil was estimated at 108 million tons/year. Among the most suitable residues to be used as cellulose feedstock are soybean straw, sugarcane top/leaves, maize husk and stover and sugarcane bagasse. Graphical Abstract Open image in new window
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Cocos nucifera (L.) (Arecaceae) is commonly called the "coconut tree" and is the most naturally widespread fruit plant on Earth. Throughout history, humans have used medicinal plants therapeutically, and minerals, plants, and animals have traditionally been the main sources of drugs. The constituents of C. nucifera have some biological effects, such as antihelminthic, anti-inflammatory, antinociceptive, antioxidant, antifungal, antimicrobial, and antitumor activities. Our objective in the present study was to review the phytochemical profile, pharmacological activities, and toxicology of C. nucifera to guide future preclinical and clinical studies using this plant. This systematic review consisted of searches performed using scientific databases such as Scopus, Science Direct, PubMed, SciVerse, and Scientific Electronic Library Online. Some uses of the plant were partially confirmed by previous studies demonstrating analgesic, antiarthritic, antibacterial, antipyretic, antihelminthic, antidiarrheal, and hypoglycemic activities. In addition, other properties such as antihypertensive, anti-inflammatory, antimicrobial, antioxidant, cardioprotective, antiseizure, cytotoxicity, hepatoprotective, vasodilation, nephroprotective, and anti-osteoporosis effects were also reported. Because each part of C. nucifera has different constituents, the pharmacological effects of the plant vary according to the part of the plant evaluated.
Extrator de Água-de-Coco Verde – Comunicado técnico 34. Fortaleza, CE: Embrapa Agroindústria Tropical
  • Referências Bibliográficas Abreu
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABREU, F.A.P, Extrator de Água-de-Coco Verde – Comunicado técnico 34. Fortaleza, CE: Embrapa Agroindústria Tropical. Fortaleza, 1999. IPLANCE, Oportunidades de Investimentos na Agroindústria do Coco no Ceará.
Ribeirão Preto, 24 a 27 de Julho de
  • Fortaleza
Fortaleza, 2001. Ribeirão Preto, 24 a 27 de Julho de 2005 Sociedade Brasileira de Economia e Sociologia Rural
Obtenção de Pó de Casca de Coco Verde
ROSA, M.F et alli, Processo Agroindustrial: Obtenção de Pó de Casca de Coco Verde. Comunicado Técnico 61. Fortaleza, CE: Embrapa Agroindústria Tropical. Fortaleza, 2001.
Extrator de Água-de-Coco Verde -Comunicado técnico 34. Fortaleza, CE: Embrapa Agroindústria Tropical
  • F A Abreu
ABREU, F.A.P, Extrator de Água-de-Coco Verde -Comunicado técnico 34. Fortaleza, CE: Embrapa Agroindústria Tropical. Fortaleza, 1999.
Oportunidades de Investimentos na Agroindústria do Coco no Ceará
IPLANCE, Oportunidades de Investimentos na Agroindústria do Coco no Ceará. Fortaleza, 1977.
Recursos Genéticos e Melhoramento de Plantas Para o Nordeste Brasileiro
  • C Goedert
  • S R Ramos
GOEDERT, C.O; RAMOS, S.R.R, Recursos Genéticos e Melhoramento de Plantas Para o Nordeste Brasileiro (on line), Petrolina, PE: Embrapa Semi-Árido. Brasília-DF, 1999.
Obtenção de Pó de Casca de Coco Verde. Comunicado Técnico 61. Fortaleza, CE: Embrapa Agroindústria Tropical
  • M Rosa
ROSA, M.F et alli, Processo Agroindustrial: Obtenção de Pó de Casca de Coco Verde. Comunicado Técnico 61. Fortaleza, CE: Embrapa Agroindústria Tropical. Fortaleza, 2001.
Podridão-Basal-Pós-Colheita do Coco Anão Verde no Estado do Ceará -Comunicado Técnico 59. Fortaleza, CE: Embrapa Agroindústria Tropical
  • F M Viana
VIANA, F.M.P et alli, Podridão-Basal-Pós-Colheita do Coco Anão Verde no Estado do Ceará -Comunicado Técnico 59. Fortaleza, CE: Embrapa Agroindústria Tropical. Fortaleza, 2001.