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A AMÉRICA LATINA: males de origem

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... Aos negros e indígenas, destacava suas contribuições positivas na construção da nacionalidade, suas resistências ante a destruição de sua cultura e a exploração de seu trabalho (Bomfim 1997(Bomfim , 2005 Tal inovação metodológica e conceitual, contudo, não o permite romper com a linguagem biologicista que tanto critica. Muito embora não haja uma transposição 3 Álvaro Bomílcar, em sua obra O preconceito de raça no Brasil, de 1916, retoma as discussões de Bomfim sobre a mestiçagem e a sua inspiração antilusitana, muito embora discorde deste no tocante ao papel da Igreja Católica na formação do Brasil e a alternativa agrícola para o futuro da nação. ...
... O próprio Bomílcar aponta como um dos principais fatores para a obra do sergipano ter sida abafada o boicote dos editores portugueses, que dominavam a imprensa da capital nas primeiras décadas da república, devido ao seu exacerbado antilusitanismo (Oliveira, 1990). Importante destacar que seu aguerrido antilusitanismo não o impediu de inscrever o Brasil em uma linhagem latina (Bomfim, 2005). 68 REALIS, v.9, n. 02, Jul-Dez. ...
... Analisando os discursos radicais no pensamento social brasileiro, Antônio Cândido pensador brasileiro a destacar o caráter conservador das elites americanas nos países neo-ibéricos. Esse "conservantismo essencial" (Bomfim, 2005) Caio Prado Júnior 6 . São obras consideradas "clássicas", de "pais fundadores", aos quais sempre nos remetemos em nossos trabalhos. ...
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Este artigo discute a construção social do pensamento insurgente na obra do pensador sergipano Manoel Bomfim. Ao discutir o que denominou parasitismo social, o autor analisa a formação da sociedade brasileira, destacando os problemas herdados da colonização portuguesa, prescindindo do repertório racista, comum no discurso de seus coetâneos. Bomfim teceu duras críticas à elite dirigente e aos intelectuais recheados de conhecimento livresco e avessos aos fenômenos sociais que se desenrolavam diante dos seus olhos. Para o sergipano, o problema não era a leitura de autores estrangeiros, mas a aplicação grosseira de teorias alheias à realidade social que, invariavelmente, eram negativas. As explicações abstratas e teorias exóticas turvavam a visão e impediam que se compreendessem os reais motivos do atraso como, por exemplo, a insistência na monocultura e o tratamento aviltante ao trabalhador. Em sua análise, racismo e parasitismo são indissociáveis, e sob essa chave de leitura se centrará nossa argumentação.
... 69 Do pacto adstrito das elites contestatárias emanam chamamentos à comunhão nacional, nas muitas análises atribui-se o definhamento do regime ao liberalismo de cópia, ao federalismo excessivo, à anarquia mental e ao desregramento 69 Cf. Carone (1976Carone ( , 1977 e Fausto (1970 (Bomfim, 1993(Bomfim, [1905, p.201, grifo do autor). ...
... 69 Do pacto adstrito das elites contestatárias emanam chamamentos à comunhão nacional, nas muitas análises atribui-se o definhamento do regime ao liberalismo de cópia, ao federalismo excessivo, à anarquia mental e ao desregramento 69 Cf. Carone (1976Carone ( , 1977 e Fausto (1970 (Bomfim, 1993(Bomfim, [1905, p.201, grifo do autor). ...
... "Compreende-se, por ventura, uma democracia donde 90% dos indivíduos são excluídos por analfabetos. Povo, consciente de sua existência, tal como o exige uma democracia, não existe aqui; é preciso fazê-lo" (Bomfim, 1993(Bomfim, [1905, p.46-47). Desde que organizada e coordenada num sistema nacional, cogitava-se, a instrução popular exerceria efeitos dinamogênicos sobre as energias 71 Cf. ...
... Bomfim condenou a política dos colonizadores, a qual intitulou de parasitária, denunciou o chamado racismo científico como falácia estrategicamente formulada para a manutenção das nações industrializadas no poder, justificou os problemas sociais com argumentos pautados na cultura e apostou na educação popular como alavanca para o progresso almejado (Bomfim, 1993(Bomfim, /1905(Bomfim, , 1997(Bomfim, /1929(Bomfim, , 2013(Bomfim, /1930(Bomfim, , 1996. ...
... Bomfim condenou a política dos colonizadores, a qual intitulou de parasitária, denunciou o chamado racismo científico como falácia estrategicamente formulada para a manutenção das nações industrializadas no poder, justificou os problemas sociais com argumentos pautados na cultura e apostou na educação popular como alavanca para o progresso almejado (Bomfim, 1993(Bomfim, /1905(Bomfim, , 1997(Bomfim, /1929(Bomfim, , 2013(Bomfim, /1930(Bomfim, , 1996. ...
... Bilac escreveu densa obra e proferiu discursos aos alunos dos cursos de Direito e de Medicina de São Paulo, ao Exército, à Marinha, aos estudantes de diversos estados, à Liga da Defesa Nacional, além de outras instituições e personalidades importantes. Assim como Bomfim (1904;/1905, condenou a conjuntura política de sua época, utilizou-se de analogias para explicar o funcionamento e a degeneração da sociedade com base na lógica que rege os seres vivos e os sistemas biológicos e defendeu um projeto de nação pautado na valorização do povo, da língua nacional e das riquezas naturais do país. Suas palavras, tão exaltadas e apaixonadas quanto às de Bomfim só podem ser compreendidas quando confrontadas com a materialidade que as engendrou. ...
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Neste texto, investigamos o discurso O progresso pela instrucção, proferido, em 1904, pelo intelectual Manoel Bomfim (1868-1932) às formandas da Escola Normal do Distrito Federal, na cidade do Rio de Janeiro, durante uma solenidade de entrega de diplomas. Como professor da instituição e paraninfo da turma, Bomfim analisa a conjuntura política, econômica e social do país ao mesmo tempo que evoca o Estado a investir na instrução primária, encorajando as jovens professoras a assumirem a formação integral das novas gerações de cidadãos republicanos. Buscamos compreender, historicamente, essa fonte pouco estudada pela historiografia da educação brasileira mediante o estabelecimento de relações entre o posicionamento do autor e o contexto que o viabilizou. Com este estudo, entendemos que o discurso de Bomfim se soma às iniciativas do período em prol do combate ao analfabetismo massivo como condição para a modernização do país. Nesse sentido, nosso intuito é contribuir para a ampliação das análises atuais afetas à função social do magistério na Primeira República, uma vez que a escola primária, na perspectiva do intelectual, possibilitaria o progresso da nação, desde que houvesse formação adequada e engajamento do corpo docente; por isso, o teor emocional do discurso do autor como estratégia para convencimento e para adesão.
... Aimé Césaire e Frantz Fanon irão pensar a questão da identidade em outros termos. A partir da inversão operada por Octave Mannoni (1950), segundo a qual Próspero não seria mais um intelectual benevolente, mas um colonizador neurótico, os dois martinicanos irão criticar a obra do francês, assumindo um tom deliberadamente 4 Isto ocorre nas obras de Roberto Fernández Retamar (2005[1971[1993) e Aimé Césaire (1969) -neste, com uma mudança explícita operada na personagem Caliban em sua releitura da peça de Shakespeare. Podemos considerar, ademais, que a valorização da negritude em Fanon (2008Fanon ( [1952) e a valorização da figura do indígena com Oswald de Andrade (1990Andrade ( [1924[1928) contribuam para combater o apagamento que apontamos nas perspectivas anteriores. ...
... Mas gostaríamos de nos concentrar, já nos encaminhando para o fim deste trabalho, sobre uma possível contribuição que a filosofia ameríndia poderia dar para o modo de pensar ocidental e para pensar nossa própria identidade enquanto diferença permanente. Talvez, a solução ideológica que buscava Morse para o "Grande 7 Importante lembrar que no posfácio de 1993 o autor esclarece sua concepção de mestiçagem num sentido muito mais próximo à noção de diferença que aqui propomos(FERNÁNDEZ RETAMAR, 2005[1993, p. 94-7). ...
... Fernández Retamar coloca, já em 1993, a presença de milhões de descendentes diretos dos habitantes originários da América como algo extraordinário. Cita os exemplos de Peru e Equador, onde os índios são mais que um terço da população, e a Guatemala e a Bolívia, onde são mais que a metade(FERNÁNDEZ RETAMAR, 2005[1993, p. 96). ...
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O artigo visa discutir a noção “América Latina”. Após passar brevemente pelas origens do termo e seus usos variados no decorrer da história, tentaremos defender a possibilidade de uma visão da América que parta dos povos originários. Como o pensamento Ameríndio conceberia nosso subcontinente? A partir de quais pressupostos? Qual seria, enfim, a visão de Caliban a respeito de si e de sua ilha, para falarmos com a metáfora shakespereana? Nossa sugestão será que a partir da reflexão Ameríndia podemos propor uma noção de América Latina mais ampla, capaz de abarcar a diferença e o Outro, em contraposição à visão recorrente na história de uma América Latina branca e elitista.
... Para tanto, o rei de Portugal dividiu o imenso Brasil em 12 pedaços e distribuiu aos homens do seu reino, para que viessem construir seus feudos, sendo soberanos nestas terras, contanto que não deixasse correr outra moeda senão a portuguesa e que pagassem o dízimo da produção. Pouco tempo depois, a metrópole reconheceu que poderia tirar maiores proveitos destas terras, e destes povos, decidindo converter todo o País em uma vasta capitania; daí por diante, o Brasil tornou-se literalmente "uma fazenda de Portugal na América", que teve por função a complementaridade econômica do monopólio mantido pela burguesia mercantil da metrópole portuguesa (BOMFIM, 1993). ...
... Para garantir o enriquecimento da Coroa Portuguesa, o mísero africano veio juntar-se aos povos indígenas já oprimidos, fundando uma nova organização social, a qual compreendia três categorias de gentes, nitidamente distintas: um mundo de escravos, degradados, que só conheciam da vida o açoite e o tronco; um mundo de ignorantes, vivendo do trabalho dos escravos; e, finalmente, uma população de miseráveis, que germinou entre uma e outra, vivendo sem necessidades, como o selvagem primitivo, ignorante como ele, imprevidente, descuidosa, apática, nula, a massa popular (BOMFIM, 1993). ...
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Diante da necessidade de construção de uma nova cultura constitucional de integração latino-americana e criação de um diálogo intercultural para efetivação do Direito como elo de transformação para a libertação, o presente estudo propõe-se repensar um novo modelo jurídico, a fim de fazer germinar a semente para uma sociedade mais equitativa, ancorando-se num paradigma comunitário-participativo, em que o equilíbrio e a complementaridade estarão interligados. Ao descortinar-se um novo constitucionalismo, emerge outro projeto político-comunitário, que parte especificamente da América Latina, exigindo um Direito descolonizado, considerando que os movimentos sociais podem ser um mecanismo de desconstrução do direito tradicional, tendo no pluralismo jurídico um mecanismo capaz de fazer o contraponto ao estatismo, com possibilidades dinâmicas e aptas para a proposta de uma educação jurídica epistemologicamente contemporânea, baseada no bem viver. Nesse sentido, o projeto do bem viver questiona o Estado predador, hierárquico e individualista, no resgate de uma identidade perdida e que precisa ser reconstituída. Toda essa reflexão vai ao encontro de um desejo de reconstrução da vida, repercutindo nas condições adversas da humanidade, que o modernismo e o capitalismo submergiram. Para tanto, é necessário sair de uma visão monocultural e emergir para os estados plurinacionais, descolonizando-os, posto que imperam baseados numa individualidade que deteriora a capacidade natural do humano, que não é único no mundo, que precisa respeitar a natureza à sua volta, para perceber que tudo vive, está interconectado e é interdependente. O enfrentamento do tema exige determinação. Trata-se de estudo inovador, tendo em vista os aspectos formais que o permeiam políticos, econômicos, históricos e institucionais, somando-se o capitalismo desenvolvimentista travestido de modernismo afetando diretamente o objeto da pesquisa e refletindo numa cultura de organização jurídica e educacional dogmatizada e esgotada, que precisa ser recuperada para que a sociedade alcance um paradigma comunitário-participativo no âmbito da educação jurídica. Ao concluir-se a pesquisa, sinaliza-se no sentido de que é possível haver mudança epistemológica, no âmbito da educação jurídica, propondo a renovação dos saberes, levando em conta as experiências sociais vivenciadas em países da América Latina, com base no pluralismo jurídico comunitário-participativo, evidenciando as tendências do Direito a partir da ampliação das demandas populares e do ativismo social, protagonizadas nos novos direitos, na interculturalidade, bem como nas experiências ancestrais, para almejar um equilíbrio com todas as formas de existência.
... Não se trata de negar a enorme frequência com que tais obras mobilizaram esforços no sentido de identificar aspectos e traços que, em maior ou menor medida, responderiam pelos descompassos do país em relação a "cenários centrais"; bem sabemos que, em situações limítrofes, chegou-se mesmo a retratá-la como uma configuração notadamente original, portadora de qualidades irredutíveis a quaisquer outras. Nessa direção, abundam ocasiões em que meio natural (Romero, 1949;Cunha, 1981;Freyre, 2000a), raça (Romero, 1949;Cunha, 1981;Vianna, 1956;Freyre, 2000a), aspectos históricos e culturais (Bomfim, 1993;Hollanda, 1936;Freyre, 2000b), economia (Prado Jr., 2011;Furtado, 2009;Ramos, 1996;Fernandes, 2006;Ianni, 1978), política (Nabuco, 2000;Bomfim, 1993;Torres, 1982;Vianna, 1987;Leal, 2012;Faoro, 2001), dentre outras variáveis, combinadas ou não entre si, foram arroladas com o intuito de explicar suas pretensas singularidades ou, de maneira mais branda, de apurar a propalada defasagem do Brasil em relação aos "centros dinâmicos da modernidade". Dito isso, é preciso também frisar que não deixou de haver ocasiões em que tal experiência societária, bem como alguns de seus traços característicos, foi vinculada a fatores que excediam suas fronteiras estritas. ...
... Não se trata de negar a enorme frequência com que tais obras mobilizaram esforços no sentido de identificar aspectos e traços que, em maior ou menor medida, responderiam pelos descompassos do país em relação a "cenários centrais"; bem sabemos que, em situações limítrofes, chegou-se mesmo a retratá-la como uma configuração notadamente original, portadora de qualidades irredutíveis a quaisquer outras. Nessa direção, abundam ocasiões em que meio natural (Romero, 1949;Cunha, 1981;Freyre, 2000a), raça (Romero, 1949;Cunha, 1981;Vianna, 1956;Freyre, 2000a), aspectos históricos e culturais (Bomfim, 1993;Hollanda, 1936;Freyre, 2000b), economia (Prado Jr., 2011;Furtado, 2009;Ramos, 1996;Fernandes, 2006;Ianni, 1978), política (Nabuco, 2000;Bomfim, 1993;Torres, 1982;Vianna, 1987;Leal, 2012;Faoro, 2001), dentre outras variáveis, combinadas ou não entre si, foram arroladas com o intuito de explicar suas pretensas singularidades ou, de maneira mais branda, de apurar a propalada defasagem do Brasil em relação aos "centros dinâmicos da modernidade". Dito isso, é preciso também frisar que não deixou de haver ocasiões em que tal experiência societária, bem como alguns de seus traços característicos, foi vinculada a fatores que excediam suas fronteiras estritas. ...
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O presente artigo almeja apurar no seio do pensamento social brasileiro a existência de elementos que indiquem alternativas a noções sociológicas consolidadas acerca da modernidade. Indaga-se sobre as premissas que subjazem imagens do Brasil talhadas em algumas obras ditas “clássicas” de interpretação de nossa formação social. Em seguida, busca-se identificar peças-chave do quadro de referência que, desde longa data, circunscreve os horizontes de ideação sociológica acerca da experiência moderna. Logo após, são contempladas as reflexões de analistas contemporâneos a respeito do valor heurístico de retratos do país delineados no seio do pensamento brasileiro. Por fim, à luz de programas e abordagens da teoria social contemporânea, lança-se mão de insights e sugestões ensaiadas em tais interpretações “clássicas” com o propósito de indicar saídas a alguns dos impasses e limites da sociologia da modernidade sublinhados na atualidade.
... Se no panorama até aqui esboçado Silvio Romero é visto como pioneiro na introdução da sociologia brasileira, os limites e os usos discursivos e ideológicos desta ciência naquele contexto também incidem sobre a avaliação de sua obra e é proporcional ao destaque que outrora ele mereceu. O pioneiro dessas críticas foi o seu conterrâneo e contemporâneo Manoel Bomfim [1905Bomfim [ ] (1993. Cognominando os intelectuais que partiam dos pressupostos raciais de teoristas da exploração, sociólogos do egoísmo, filósofos do massacre, e a sua sociologia de sociologia da cobiça, advertiu que a América Latina não estava condenada pelas leis gerais do progresso a viver como um povo primitivo distante da civilização. ...
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Este artigo resultou de uma pesquisa que teve a intenção de identificar algumas das imagens de Silvio Romero em trabalhos dedicados à história da sociologia brasileira e de demonstrar como os seus interesses sobre o estudo da literatura fornece- ram elementos para entendermos os horizontes da recepção da sociologia no Brasil nas últimas décadas do século XIX. Os resultados indicaram que as principais intuições de sua aborda- gem sociológica, especialmente o seu diagnóstico dos efeitos e do papel da miscigenação na sociedade brasileira, geraram uma vereda no campo da sociologia brasileira, que orientou, e ainda orienta, um paradoxal e controverso discurso sobre a nossa for- mação social.
... Faoro (2001, p. 819). Torna-se necessário, portanto, aventurar-se numa pesquisa complexa, ampla e contraditória da realidade histórica e cultural brasileira, cuja origem remonta ao legado colonial ibérico do Brasil (BOMFIM, 1993;NEDER, 1995NEDER, , 2007, tributário do largo período histórico em que o país viveu sob o domínio político das aristocracias rurais. ...
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O artigo perspectiva o cenário político brasileiro contemporâneo, no qual se inscreve o processo de impeachment da Presidenta da República Dilma Rousseff. Objetiva-se ilustrar que, nesta conjuntura, evidencia-se uma disputa politico-ideológica entre o campo republicano – daqueles setores que acreditam nas práticas do Estado Democrático de Direito – e o campo das práticas patrimonialistas, clientelistas e corruptas de apropriação do espaço público em nome de interesses privados. O método empregado na investigação é o fenomenológico hermenêutico, marcado pela invasão da filosofia pela linguagem a partir de uma pós-metafísica de reinclusão da faticidade que passa a atravessar o esquema sujeito-objeto, estabelecendo uma circularidade na compreensão. Como resultado da investigação, procura-se demonstrar que as elites brasileiras tem reagido ao avanço da institucionalidade democrática, do republicanismo no trato da coisa pública e da consolidação do Estado de Direito, mediante a perpetuação de um processo de impeachment que se dá às custas da destruição da legalidade democrática e do Estado de Direito.
... A noção de inferioridade apareceu na obra de Manoel Bomfim como uma crítica à opinião europeia existente na época, a qual classificava o povo latinoamericano como sendo formado por "gente selvagem e inferiores" e, por isso, não seria capaz de autogovernar-se e autodefinir-se enquanto povos soberanos (Bomfim, 2005;Aguiar, 2000). Sendo assim, o pensamento dominante atribuía ao povo latino-americano a causa que impedia o progresso da região. ...
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Neste artigo analisamos a identidade latino-americana, através dos ensaios-sociais América Latina: males de origem (1905), de Manoel Bomfim, e O labirinto da solidão (1950), de Octavio Paz. Destacamos a noção de “um modo singular de ser ocidental” como mote para a abordagem da referida identidade, considerando três aspectos vistos como “marcas simbólicas”: a herança colonial, a mestiçagem e o suposto sentimento de inferioridade. As obras puderam ser analisadas com base na abordagem temática, por permitir cruzar mais livremente diversas perspectivas, intérpretes e contextos, que dialogam entre si. Assumimos como pressuposto a leitura decolonial, que tem evidenciado a necessidade de revisão sobre os significados subjacentes noção de América Latina, segundo o argumento que a lógica da colonialidade é parte constitutiva da modernidade. Assim, propusemos o conceito de “identidade subjugada” para enfatizar os aspectos ligados às narrativas identitárias sobredeterminada pela “lógica colonial”
... A defesa da instrução técnica e da preservação da saúde da classe operária vinculava-se ao ideal higiênico de melhoria da raça. A instrução deveria ser um meio para superar a crise da indústria através da força de trabalho preparada e racionalizada com vistas à produtividade (Antunes, 2003;Massimi, 1990 (Bonfim, 1993). Se, desde a década de 1870, os intelectuais urbanos defendiam unanimemente a melhoria do ensino público como meio de garantir o progresso brasileiro, às mulheres era prescrita a educação que as tornasse boas esposas e mães competentes, capazes de criar bons cidadãos. ...
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Esta Tese foi construída com base na pesquisa documental com o objetivo de investigar as possibilidades de enunciação, os lugares ocupados e as filiações dos discursos de gênero na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e, em particular, no Instituto de Psicologia desta Universidade. Esta pesquisa emergiu do diálogo entre a Análise de Discurso Francesa de Michel Pêcheux, os Estudos Feministas e de Gênero e a Arqueogenealogia de Michel Foucault. Conceituando gênero como a forma de organização sócio-histórica e política da diferença (sexual), analisamos a inscrição do indexador „gênero‟ em Linhas de Pesquisa, Projetos de Pesquisa e Teses e Dissertações disponíveis na base de dados digital da UFRGS. A análise do corpus investigado revelou a (in)visibilidade dos discursos de gênero na universidade, na qual ocupa posição periférica de enunciação. Conceito politizado que desvela as hierarquias sobre as quais a ordem social e a própria universidade brasileira estão assentadas, gênero resiste à tentativa de silenciamento que lhe é imposta e se enuncia, embora sitiado em alguns poucos campos do saber. Associados aos Grupos e Núcleos de Estudos de Gênero existentes na UFRGS, dentre eles, na Educação, nas Letras e nas Ciências Sociais e Humanidades, os discursos de gênero filiam-se às teorias feministas e às teorias pósestruturalistas de gênero. Em outros campos do saber, gênero é ocultado, negado, reprimido, amordaçado. No Instituto de Psicologia, os discursos de gênero também são periféricos, materializando-se em poucas disciplinas eletivas e em poucas Teses e Dissertações. Filiadas a diferentes discursos que fazem(se) política na produção de subjetividades (en)gendradas, as teorias e práticas psi regulam as possibilidades de gênero, podendo estar a serviço de manter a ordem social hierárquica. Buscando dar visibilidade às implicações das teorias e das práticas psicológicas ensinadas na universidade é que foi construída esta Tese, que deseja também instigar à reflexão sobre nossos próprios discursos. Sugestões para a transversalização das questões de gênero na estrutura curricular das universidades são oferecidas, alinhadas a políticas de formação de psicólogos e psicólogas comprometidos(as) contra todas as formas de opressão geradoras de sofrimento psíquico, sobretudo às mulheres e àqueles e àquelas, de todos os (trans)gêneros, designados menos humanos ao longo da história.
... No gesto de comemoração dos 60 anos da regulamentação da Psicologia no Brasil, é preciso não esquecer que o Brasil foi o berço de teses eugenistas que concebiam a limpeza étnica, eliminação de pessoas e comunidades indígenas e afro-brasileiras, como condição para o progresso nacional (Bomfim, 2012). Concepções psicológicas pseudocientíficas foram bastante difundidas em teses de psicologia (Masiero, 2005) que buscavam promover a evolução psíquica da espécie humana, o melhoramento psíquico ou aperfeiçoamento mental, estabelecendo comparações hierárquicas entre etnias, associando a condição étnica à profilaxia das então chamadas moléstias mentais. ...
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Resumo A constituição da psicologia como profissão e área acadêmico-científica se nutriu de saberes psicológicos presentes no campo cultural. A ciência e a profissão desdobram tais saberes em atenção a demandas do campo social. Quando esses conhecimentos, práticas e demandas são ingênua ou intencionalmente tomados como gerais e universais, há o risco de se reproduzir violências epistêmicas, eliminando as oportunidades de partilha e contribuição dos diversos pontos de vista culturalmente situados na construção daquilo que, desdobrando tradições greco-romanas, judaicas e cristãs vem sendo nomeado como psicologia. Diante dos 60 anos da regulamentação da Psicologia no Brasil, embora nas últimas décadas tenha havido algum esforço de escuta das demandas indígenas, em Pindorama ainda há um longo percurso para que as contribuições desses povos impliquem profundas retificações semânticas, implicando revisões conceituais e teórico-práticas. Este artigo defende que qualificar a psicologia como indígena visa oportunizar o diálogo de indígenas psicólogas e psicólogos, e quaisquer pessoas interessadas em refletir sobre o enraizamento dos conhecimentos e práticas psicológicas nas tradições que os originaram.
... Assim, ambos, cada um a seu modo, experimentam o desequilíbrio em relação à América: o branco, pela ausência da civilização deixada, ainda que, através da criação de instituições e intercâmbios, tente edificar, nas cidades em que viviam, um clima de europeísmo; e o negro, diante da forma como foi arrancado de sua África e posto sob um regime em que não lhe cabia praticamente escolha. Na realidade, foram os modos de vida que ajudaram a configurar uma tendência social ou não ao estoicismo, e não exatamente a uma propensão étnica a esta ou àquela escola filosófica.SegundoRibeiro (1995),Bonfim (2008) e os demais autores elencados para esta análise, os indígenas viveram, com a chegada do VERA LUCIA TEIXEIRA KAUSS e MARCOS TEIXEIRA DE SOUZA -Nus de estoicismo... Espaço Ameríndio, Porto Alegre, v. 5, n. 3, p. 85-97, jul./dez. 2011. ...
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Desde a chegada do homem branco à América, diversas visões foram construídas sobre o comportamento dos indígenas, sobretudo diante da morte e da dor. Equivocadas em muito ou em pouco, dos primeiros colonizadores até os autores contemporâneos, uma escrita perpassa: quem caracteriza e define o autóctone é o homem branco e não o próprio. Uma inusitada visão caracterizadora do indígena é a de um suposto estoicismo no comportamento do mesmo feita por Sarmiento.
... Darcy leu a obra de Bomfim como uma aventura em busca de uma utopia. Bomfim (2005) rejeitara, em América Latina: Males de Origem ([1905] 2005), aderir às ações e ideologias das elites que insistiam em explicar o "atraso" latino-americano por falsas suposições acerca da "raça" ou do "clima". Sua prioridade era revelar o sistema colonial como "parasitário", a extorquir as colônias e a fazer adoecer as metrópoles fadadas ao ócio. ...
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Resumo Esta comunicação apresenta orientações epistêmicas do antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro (1922-1997) e, também, do filósofo argentino Enrique Dussel (1934-) - cada um deles como uma voz de grande significado para um projeto viável de descolonização do conhecimento científico e filosófico ‘em’ e ‘a partir da’ América Latina. Tais estudiosos são aqui lembrados em algumas de suas teses e quadro analíticos originais, na interlocução com suas fontes, a fim de que se pudesse propor o pensamento de ambos, em provável diálogo, tanto no que diz respeito ao nível teórico quanto ao utópico relacionado a um projeto emancipador e autônomo latino-americano. Dessa forma, intenta-se demonstrar a complementaridade tanto quanto as intenções quanto aos problemas epistêmicos entre as perspectivas darcyniana e dusseliana, superando o modelo eurocentrado, por uma abordagem pluriversal na produção do conhecimento, defendida como necessária no debate teórico contemporâneo.
... Com relação a esse ponto, vale lembrar que, em 1905, ManoelBomfim (1993) havia publicado na cidade do Rio de Janeiro o seu livro A América Latina: males de origem, obra em que contesta a tese bastante em voga naquele período de que o clima tropical, a miscigenação e as chamadas "raças inferiores" seriam as causas do "atraso" dos países latino-americanos, como vários ensaístas, até então, insistiam em afirmar. Explicando o fenômeno por meio da noção de "parasitismo", que fora emprestada da biologia, Bomfim, que era médico de formação, responsabilizou pelos males causados àquelas sociedades os governos locais, as elites política e econômica, mas, sobretudo, a exploração das colônias pelas metrópoles e a exploração dos trabalhadoreslivres e escravizadospelos patrões ou senhores. ...
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Se o tratamento que a escritora maranhense Maria Firmina dos Reis atribui às personagens negras e à questão da escravidão em seu romance inaugural Úrsula, publicado em 1859, e em seu conto A escrava, de 1887, é um tanto particular para a literatura brasileira produzida até aquele momento, em outro tema bastante em voga no período, o encontro da cultura europeia com a cultura indígena autóctone, ela também vai apresentar concepções distintas. Levando em consideração essa perspectiva, o presente artigo tem por objetivo analisar as ideias da autora contidas em seu conto indianista Gupeva, de 1861-2, uma vez que, nessa narrativa, ela se dedica a pensar o lugar destinado ao índio na sociedade brasileira oitocentista, no sentido de registrar a sua contribuição e de marcar o seu ideário acerca da questão nacional.
... A autora não mencionou alguns pioneiros críticos desses escritores e do racismo no mesmo período, como: o médico e educador Manoel Bomfim, que responsabilizou o parasitismo colonial (exploração lusa ibérica) pela miséria na América Latina; e o romancista Lima Barreto, que expôs a condição trágica, a pobreza e a luta pela dignidade humana entre negros e mulatos. Também não foram realçadas conquistas interpretativas de Sylvio e Euclides, capazes de ultrapassar o paradigma racial, através de interesse empírico de registros da cultura popular (Romero) ou de sopro épico e grandeza estilística (Cunha) (BOMFIM, 2005;LIMA BARRETO, 1976;ROMERO, 1954;CUNHA, 2000). Todo o ensaio debate conquistas políticas e acadêmicas nesse universo, ao longo do século XX. ...
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A coletânea “Contrastes da Intimidade Contemporânea”, coordenada por Lilia Moritz Schwarcz, é o último volume da série “História da Vida Privada no Brasil”. A obra foi escrita por historiadores e outros profissionais das Ciências humanas. Ela aborda temas como religião, raça, violência, ditadura, demografia, televisão, zonas de fronteira, imigração, política e transformações econômicas. Este texto analisa suas conquistas metodológicas (inovações temáticas e interpretativas) e seus limites (principalmente, escasso debate historiográfico).
... Veja-se, também, Go (2017). 4 Conforme argumenta Dépelteau (2013, p. 180), para a perspectiva sociológica transacional, não é possível imputar essências a "transatores" individuais engajados em relações, tendo em vista seu caráter "interdependente". Nesse caso, as próprias existências e ações dos transatores dependem de suas relações mútuas. ...
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Resumo Interessado no potencial heurístico das edições inaugurais de Raízes do Brasil e de Sobrados e Mucambos (1936), bem como em suas eventuais interlocuções com agendas de reflexão contemporâneas, o presente artigo almeja inquirir a respeito de suas afinidades em torno de uma questão em particular. Refiro-me a certas ambivalências e tensões interpretativas latentes nos ensaios, alimentadas pela coexistência de duas visadas que fazem pender as atenções de Sérgio Buarque de Holanda e de Gilberto Freyre em direções aparentemente inconciliáveis: de um lado, um viés internalista e substancialista da formação e modernização do país e, de outro, uma perspectiva transacional desses processos. Na parte final do artigo, à luz dos insights oferecidos pelo debate sociológico relacional, teço considerações acerca das contribuições das obras para uma abordagem da vida social brasileira sensível à miríade de conexões socio-históricas implicadas em sua formação e adesão aos padrões de sociabilidade modernos.
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O trabalho aqui apresentado é fruto do projeto de iniciação científica desenvolvido entre os anos de 2003 e 2005, intitulado “4 Reconstruções Históricas da ‘Civilização Brasileira’”, sob orientação do Prof. Dr. José Carlos Reis. Foram analisadas quatro obras de diferentes autores, nas quais se apresentam quatro interpretações distintas da história brasileira: Evolução do Povo Brasileiro (1923), de Oliveira Vianna; O Brasil Nação: realidade da soberania brasileira (1931), de Manoel Bomfim; História da Civilização Brasileira (1933), de Pedro Calmon e Conceito de Civilização Brasileira (1936), de Affonso Arinos de Mello Franco. Todas as obras analisadas tinham por objetivo caracterizar a sociedade brasileira a partir de sua história, avaliando o peso do passado brasileiro sobre o presente em que esses autores viveram e apresentando diferentes perspectivas quanto ao futuro possível do país. Durante a pesquisa então empreendida, a obra de Manoel Bomfim foi destacada das demais, pelo tom inovador e crítico com que aborda muitas das teses dos outros autores analisados. Além disso, seus comentaristas são unânimes ao afirmar que Manoel Bomfim é um nome quase desconhecido e muito pouco discutido, ainda que tenha elaborado uma obra que não poderia ser ignorada. Refletindo sobre as diferentes interpretações e significados atribuídos por esses autores ao passado brasileiro, a obra de Bomfim, pela reflexão crítica que suscita, apresentou um caminho fértil para a discussão a respeito do pensamento social e historiográfico brasileiro do período em que vivia. A partir daí, decidimos aprofundar o estudo específico de sua obra, estendendo-o para além de O Brasil Nação, apreendendo de maneira mais ampla sua narrativa histórica sobre o Brasil, procurando identificar novas questões a respeito da produção historiográfica do período. Esperamos que a análise de sua narrativa histórica revele novos aspectos da articulação narrativa que compôs sobre o Brasil e dos significados que atribuiu ao passado brasileiro. Para isso, apresentamos no trabalho uma síntese de sua narrativa, com os elementos a partir dos quais levantaremos questões que consideramos pertinentes sobre as relações entre a obra de Bomfim e a produção intelectual de sua época. Desejamos com isso contribuir para uma discussão mais ampla não apenas sobre Manoel Bomfim, mas também sobre a produção do conhecimento histórico no Brasil.
Conference Paper
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Resumo: O presente texto tem por objetivo levantar algumas questões a respeito da produção historiográfica de Manoel Bomfim (1868-1932), procurando destacar a ressignificação do passado brasileiro em sua narrativa histórica e suas proximidades e contrastes com o pensamento social brasileiro produzido no início do século XX. Para analisar sua obra, partimos das perspectivas abertas pelos conceitos de "tessitura de intriga" e "tempo histórico", presentes nas reflexões de Paul Ricoeur e Reinhart Koselleck. Abstract: The objective of the text is to point some questions about the historiographic production of Manoel Bomfim (1868-1932), trying to observe the re-signification of Brazilian past in his historical narrative and it's similarities and contrasts with Brazilian social thought produced in the earlier XX century. Our perspective was opened by the concepts of "intrigue tessiture" and "historical time", from the considerations of Paul Ricoeur and Reinhart Koselleck.
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RESUMOO Estado como interventor dos problemas sociais cria medidas de inclusão social por meio da implementação de políticas para atender a públicos específicos. Neste artigo temos como objetivo discutir as (re)ssignificações das políticas de integração entre ensino médio e educação profissional no contexto do Estado capitalista, observando o modelo de Estado brasileiro vigente e as ações desencadeadas para elaboração das políticas públicas educacionais. Para alcançar o objetivo proposto neste trabalho, adotou-se, como percurso metodológico, a pesquisa bibliográfica e a documental. Na revisão bibliográfica, dialogou-se, dentre outros, com trabalhos de: Ianni (1971), Carnoy (1988), Santos (1982), Afonso (2001) e Höfling (2001), discutindo-se as concepções de Estado e suas transformações no contexto da sociedade moderna; Bomfim (2008), apresentando a formação do Estado brasileiro e Moura (2012), Kuenzer (2009), Santos (2007), Ciavatta e Ramos (2011) e Kuenzer e Grabowski (2006), abordando as reformas e organização do Ensino Médio e da Educação Profissional. Concomitantemente à revisão bibliográfica, foi realizada uma pesquisa documental com o intuito de compreender como as políticas públicas são fixadas na literatura oficial. Esta última contou com os seguintes documentos: Decreto nº 2.208/1997, Decreto nº 5.154/2004, Decreto nº 6.302/2007 e Decreto nº 6.094/2007. Nesse sentido, a política apresenta-se como um ato que demanda ações e práticas, amparadas por leis, decretos e normas e que esses podem servir para conduzir as tramas das relações sociais e econômicas de forma reprodutora e/ou transformadora.ABSTRACTThe State as an intervener of social problems creates measures of social inclusion through the implementation of policies to attend specific audiences. The aim of this article is to discuss the (re)significations of the policies of integration between Secondary and Professional Education in the context of the capitalist State, observing the current Brazilian State model and the actions taken to elaborate the educational public policies. In order to accomplish the objective of this work, a bibliographical and documentary research was adopted as a methodological course. In the bibliographical review, there was a dialogue, among others, with works by: Ianni (1971), Carnoy (1988), Santos (1982), Afonso (2001) and Höfling (2001), discussing the conceptions of the State and its transformations in the context of modern society; Bonfim (2008), presenting the formation of the Brazilian State and Moura (2012), Kuenzer (2009), Santos (2007), Ciavatta & Ramos (2011) and Kuenzer & Grabowski (2006), addressing the reforms and organization of Secondary and Professional Education. Concomitantly to the bibliographic review, a documentary research was carried out in order to understand how public policies are laid down in the official literature. This last one was based on the following documents: Decree number 2.208/1997, Decree number 5.154/2004, Decree number 6.302/2007 and Decree number 6.094/2007. In this sense, policies are acts that demand actions and practices, supported by laws, decrees and norms and these can serve to conduct the fabric of social and economic relations in a reproductive and/or a transformative way.
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This book explores the meanings and expressions of racism in contemporary Brazil particularly in its presentations and disguises in educational policies and in school.
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A democracia, analisada no campo temático dos direitos humanos, significa a possibilidade de uma permanente invenção, a possibilidade da criação social de novos direitos e o confronto com o instituído, prática que, em sua essência, não deve cessar de expor os poderes estabelecidos aos conflitos que os desestabilizam e transformam. Os processos de colonização da América exerceram grave influência na configuração política das nações latino-americanas, especialmente através da adoção de modelos liberais europeizados de democracia representativa, baseados numa ideia absoluta de igualdade. As relações de poder originadas pelo colonialismo deixaram à margem dos espaços decisórios públicos nossos povos genuinamente americanos, situação que revela uma séria deficiência dos sistemas democráticos americanos. Diante desse quadro histórico de exclusão, países como Bolívia e Colômbia, que concentram em seus territórios numerosas comunidades indígenas, em uma postura de resistência histórica democrática, reagiram a tais modelos e adotaram, como estratégia constitucional de preservação da identidade cultural e política dos povos aborígenes, a garantia, por cotas, da participação obrigatória de representantes indígenas no sistema de representação política. O trabalho estruturado tem como objetivo principal investigar estes modelos de resistência democrática, estruturados a partir de ações afirmativas garantidoras da participação dos povos originários no poder político e suas consequências para a reconstrução democrática em países multiculturais.
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The aim of this article is to problematize some concepts which are used in the studies on regional development from the perspective of the latin american social thought. The question we intend to answer is: how do the concepts of region and development come to mean the knowledge and the historical experiences in what we now call Latin America? Is it possible to redefine them with the help of the latin american social thought? We assume that these concepts bring meanings and experiences of other spaces and times that are imposed on our spaces and times. However it must be considered that concepts are also loaded with meanings and they may be used to recover what has been denied. In order to do so we seek to recover in the social thought and in the constitution of the social sciences in Latin America elements of this localized knowledge that can contribute to the expansion of meanings and experiences of what we now call region and development.
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The article discusses the relationship between global history and Brazilian history and suggests an agenda for future research. It argues that global history scholars could profit from Brazil's great scholarly tradition, which conceptualises key topics of global history such as global encounters and cultural identities, power asymmetries and spatial orders. Scholars interested in Brazilian history, on the other hand, will find a set of approaches and questions from a global history perspective helpful for research on central fields of Brazil historiography such as the coffee economy, scientific racism, the Cold War and the Amazon.
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Nacionalismos de todas as colorações políticas pululavam mundo afora durante a década de 30 do século passado. Aqui, do lado de baixo do Equador, não foi diferente. No Brasil, em particular, tanto à direita como à esquerda do espectro ideológico nacional, manifestações de matriz nacionalista se fizeram sentir nos mais distintos campos, inclusive na área artística. Foi a época em que se assistiu à invenção do samba como ícone musical da nação. Em meio a esse processo, certos compositores populares moveram um combate aos estrangeirismos em geral. O fado, terceiro gênero musical “estrangeiro” mais gravado no país, ficou, então, sob a alça de mira de determinados críticos. Um inflamado antilusitanismo chegou a se expressar em estreita ligação com um sentimento antifadista. Este artigo se propõe, a partir daí, a mapear tais manifestações, tendo por foco, sobretudo, a produção do jornalista, poeta e compositor Orestes Barbosa, um dos parceiros de Noel Rosa. Ao mesmo tempo, busca inserir as lutas de representações travadas em nome do samba em redes de interlocução informais que desde o século XIX exprimiam sua hostilidade seja em relação a Portugal ou ao fado. Neste último caso, importa observar que ele enfrentou também sérias rejeições em terras portuguesas até impor-se como “fiel intérprete da alma lusitana”. Palavras-chave: Fado. Samba. Música Popular - Brasil. Música Popular - Portugal. Lutas de Representações.
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A dissertação aqui apresentada tem por objetivo contribuir para a história da historiografia brasileira, a partir das obras de Oliveira Vianna (1883-1951) e Manoel Bomfim (1868-1932). Esses dois autores elaboraram, nas primeiras décadas do século XX, interpretações distintas da experiência histórica brasileira, procurando encontrar no passado as origens explicativas dos problemas que observavam na sociedade e indicando os possíveis caminhos de sua superação. Oliveira Vianna, retomando teorias evolucionistas e deterministas difundidas entre a intelectualidade brasileira desde o final do século XIX, destacava nos caracteres geográficos, raciais e culturais da sociedade brasileira sua inaptidão política para a vida democrática em geral. Manoel Bomfim, por outro lado, questionava a validade científica dessas mesmas teorias e denunciava o conservadorismo das elites brasileiras como responsável pelo impedimento da consolidação de uma verdadeira democracia no Brasil. Durante a pesquisa, destacamos em suas obras o modo pelo qual suas narrativas históricas atribuem, assim, significados distintos para a experiência histórica brasileira. Articulando a reflexão historiográfica de sua época à experiência do passado e às suas inquietações com relação ao presente que vivenciavam e o futuro que esperavam para o Brasil, Oliveira Vianna e Manoel Bomfim constituíram, em suas narrativas, novos sentidos para a história brasileira. Sentidos certamente distintos, mas que, entretanto, permitem o estabelecimento de um diálogo, na medida em que os dois autores buscam construir uma identidade histórica para o Brasil, centrada em torno da definição da identidade nacional brasileira e da consolidação de um Estado adequado para o Brasil. The dissertation here presented has the objective to contribute to Brazilian historiography history, from the works of Oliveira Vianna (1883-1951) and Manoel Bomfim (1868-1932). These two authors elaborated, on the first decades of the XX century, distinct interpretations of Brazilian historical experience, trying to find in the past the explicative origins of the problems they observed on society and pointing possible ways to their solution. Oliveira Vianna, reaffirming deterministic and evolutionistic theories diffused among Brazilian intellectuality since the ending of the XIX century, indicated on geographical, racial and cultural characteristics of Brazilian society it’s political inaptitude to democratic life in general. Manoel Bomfim, on the other hand, questioned the scientific validity of these same theories and denounced Brazilian elite’s conservatism as responsible for the impending of a true democracy consolidation in Brazil. During the research, we indicated on their works the way by which their historical narratives attribute distinct meanings to Brazilian historical experience. Articulating their time’s historiographical reflections to the experience of the past and to their worries about the present they lived on and the future they expected to Brazil, Oliveira Vianna e Manoel Bomfim constituted, in their narratives, new senses to Brazilian history. Certainly distinct senses which, however, allow the establishment of a dialogue, since the two authors tried to construct an historical identity to Brazil, focused around the definition of Brazilian national identity and the consolidation of an adequate State for Brazil.
Research Proposal
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EMENTA Esta disciplina busca discutir algumas das problemáticas que distinguem o continente americano, seja por serem relevantes em nações ou regiões específicas, seja porque promovem elos de solidariedade ou de conflito no âmbito continental. A disciplina busca também uma prática de ensino interdisciplinar, que discuta conceitos e dados utilizados pelas Ciências Sociais e outras áreas de conhecimento. Sob esse aspecto, os conceitos de sociedade, cultura e política se constituem em meios de aproximação às problemáticas continentais. Espera-se que essa estratégia permita ao estudante não apenas se familiarizar com as temáticas predefinidas como culturais, sociais e políticas, mas que também propicie a visualização da complexidade das Américas. OBJETIVOS A presente disciplina busca explorar um campo escassamente explorado e desenvolvido no país, os Estudos Latino-Americanos, mais diretamente o que vamos considerar clássicos da sua formação. Assim, ela está centrada na formação da análise social na região entre os anos 1810-1920, buscando compreender e analisar os principais eventos históricos e estruturas do período, como: revoluções de independência, estruturação das sociedades oligárquicas, a Revolução Mexicana e a relação com os Estados Unidos. Esses eventos e estruturas sociais fizeram com que a relação entre práxis e teoria-ou se preferirem, entre ação e pensamento-, marcam a construção intelectual de nossa região, característica que não torna os precursores das ciências sociais latino-americanas menos capazes de compreender, analisar, conceituar e teorizar a realidade na qual se encontram
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En conjunto, los autores de este libro destacan acertadamente que la “especificidad histórica del Estado” en América Latina estaría dada por la heterogeneidad estructural y el carácter subordinado y dependiente de su inserción en la economía mundial, mientras que las múltiples especificidades nacionales devendrían de los procesos de conformación particular de sus clases fundamentales, sus intereses antagónicos, sus conflictos, sus luchas y sus articulaciones, en tensión permanente con su forma de inserción en los ciclos históricos de acumulación a escala global.
Thesis
Diese Dissertation untersucht das Vorhandensein ethnozentrischer Aspekte in Unterrichtsmaterialien für brasilianisches Portugiesisch als Fremdsprache (PLE) innerhalb eines geopoetischen Ansatzes. Dabei wird sowohl die Beziehung zwischen Subjekt, Raum und Sprache, die auf kolonialen und zentralisierenden Paradigmen der Verwestlichung beruht, berücksichtigt als auch die Notwendigkeit der Überwindung dieser Paradigmen durch kritisch-reflexive, dialogische Praktiken. Als theoretische Grundlage werden dafür der Entstehungsprozess Brasiliens und die Einführung der portugiesischen Sprache, sowie das daraus resultierende soziokulturelle Panorama, seine Werte und Mythifizierungen beschrieben. Unter Berücksichtigung der Entstehung ethnozentrischer Aussagen und ihrer repräsentativen Konfigurationen anhand von Texten und Bildern, wird die Entsprechung einer Vision analysiert, die Brasilien über sich selbst hat und so auch exportiert wird. Zu diesem Zweck wird in einem qualitativ-interpretativen Ansatz der Ethnozentrismus in PLE exemplarisch anhand der Lehrbücher Falar... Ler... Escrever Português (Textbuch, 2017), Português via Brasil (2016) und Novo Avenida Brasil (Bd. 1, 2 e 3, 2014) untersucht. Mittels komparativer Methoden werden ethnozentrische Inhalte mit sozio-historisch-kulturellen Daten der brasilianischen Alterität verglichen, um ihnen in einer ethisch-humanistischen Verpflichtung zu mehr Visibilität und Integration zu verhelfen. Gleichzeitig wird die Schaffung von Unterstützungen auf der Grundlage geopoetischer Dekonstruktions-mechanismen angesprochen, die nicht nur diese Aspekte sondern auch ihre Quellen aufzeigen und somit diese effektiv analysieren und entmystifizieren.
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O texto procura traçar, em linhas gerais, os caminhos percorridos pela Psicologia no Brasil do século XIX ao XXI, articulando esses percursos com as condições concretas, econômicas, culturais, políticas, que o país vivia nos diferentes momentos. Procura-se apontar as mudanças no interior da disciplina em termos de perspectivas teóricas e na prática psicológica, salientando o processo de autonomização (de sua anterior inserção principalmente nos campos da Medicina e da Educação) e a regulamentação da profissão, bem como as mudanças no final do século XX e no começo do século XXI. Utiliza-se para isso de diferentes pesquisas e trabalhos já publicados pela autora.
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Investiga a tensão entre a dimensão política e econômica da política externa brasileira, em período marcado pela ascensão das forças progressistas em diferentes países sul-americanos, na primeira década do século XXI. A análise efetua-se ao nível macro, sistêmico, da relação entre Estado e capitalismo, na dimensão regional, entre os projetos políticos de regionalismo e a expansão do capitalismo brasileiro na América do Sul, e ao nível micro, nacional, entre as orientações de política externa das distintas coalizões políticas e o modelo de desenvolvimento dominante. Com esse recorte temporal, o autor propõe uma reflexão sobre as mudanças na América do Sul, e especialmente no Brasil, destacando a criação da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) como expressão das políticas sociais inclusivas e políticas externas autônomas adotadas. A obra inclui ainda um olhar sobre o momento atual, com a perda da arquitetura institucional sul-americana construída em governos anteriores e o refluxo dos investimentos internacionais de empresas brasileiras envolvidas nos processos da Lava Jato, entre outros aspectos.
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Resumo Ao revisitar algumas das mais prestigiadas obras de interpretação do Brasil, o artigo debruça-se sobre o sentimento de descompasso que permeia os retratos da vida social brasileira ali delineados. A conjectura que se quer examinar é que, admitida a pluralidade de perspectivas que colorem essa fatura, tais obras insinuam primar no país um ordenamento temporal intricado e sinuoso, apenas em parte sincronizado ao tempo homogêneo, progressivo e linear dos contextos modernos modelares. Importa-me, ademais, contemplar um conjunto de formulações críticas ao imaginário sociológico com o propósito de explorar uma segunda hipótese: tão logo apreciados em diálogo com essas proposições críticas, retratos da sociedade brasileira esboçados nessas obras parecem dispor de elementos sugestivos de um enquadramento teórico sensível às incongruências, assimetrias e tensões que atravessam a temporalidade moderna. Ao final do artigo, pretendo refletir sobre o alcance heurístico dessas ideias e suas eventuais contribuições para o debate sociológico contemporâneo.
Chapter
The purpose of this chapter is to offer an overview of the emergence and development of psychology as a science and profession in Brazil in the light of the most important sociocultural, economic, and political events in the country. To do so, a few points will be discussed that may explain under what conditions these processes have been historicized from the nineteenth to the beginning of the twenty-first century. This is done by means of a historiographic analysis based on the review of various primary and secondary sources. In the specific case of this chapter, two important aspects of the development of Brazilian psychology are discussed. On the one hand, the emergence of “science,” originating from the processes that Europe went through starting in the fifteenth century, occurs in countries where there has been strong investment in the creation of universities and in the creation of the necessary conditions for research. On the other hand, psychology, specifically, emerges as a result of profound changes in cities, especially those related to the exponential increase of their populations, to the detriment of the rural population, and of technological advances, mainly in communications.
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Los trabajos que se agrupan en este volumen colectivo abordan una problemática central, no solo para el análisis teórico sino para las prácticas políticas concretas: el Estado en América Latina.
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RESUMEN. En el texto se analiza el significado del terror y del amor, sentimientos trágicos, en el imaginario utópico latinoamericano a partir de la novela Canaã (1901), de Graça Aranha, y del ensayo Raza Cósmica (1925), del mexicano José Vasconcelos, cuyo foco son los conflictos entre la raza y el medio expresados en ambas obras. Por un lado, predomina la visión de Graça Aranha, que considera que la sumisión del hombre a la naturaleza designa el terror cósmico; por otro lado, tenemos la visión de Vasconcelos, que encuentra en el amor una estrategia de promoción del nuevo hombre americano. Sin embargo, aunque las obras son distintas, se pueden observar algunos puntos de convergencia y otros de tensión relativos a la valoración de los conceptos de raza y naturaleza. Ambas obras están involucradas por una cosmovisión cristiana del mundo. Palabras clave: utopia, amor, terror, la estética modernista, visión religiosa del mundo. ABSTRACT. The paper analyzes the meaning of terror and love, tragic feelings, on the utopian Latin American imaginary from the novel Canaan (1902), by Graça Aranha, and Cosmic Raza (1925), by the Mexican José Vasconcelos, focusing on conflicts between race and the environment, expressed therein. On the one hand, dominates the Graça Aranha's view, for whom the submission of man to nature means the cosmic terror; on the other hand, Vasconcelos's vision, who finds in love a strategy for promoting the new American man. Although, they are distinct, we observe, in these works, some points of convergence and other points of tension around the evaluation of concepts race and nature. Moreover, these views are surrounded by a Christian worldview.
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A instituição de uma relação entre raça e cidadania foi algo recorrente no século XIX brasileiro, sobretudo, em seus últimos anos. A construção desta relação por meio de um estudo de caso é o centro da discussão que se propõe. O caso em questão é a obra As raças humanas e a responsabilidade penal no Brasil (1894) de Raymundo Nina Rodrigues onde é possível localizar a tentativa de uma teoria local de associação entre raça e cidadania. Este texto foi produzido em um momento de intensas alterações da sociedade brasileira. Em fins do século XIX o Brasil passou por algumas alterações, ao menos em termos formais, bastante relevantes. A Reforma Eleitoral de 1881 que consagrou a exclusão da maior parte da população da cidadania política, no que diz respeito ao direito de voto – situação ratificada pela Constituição Republicana de 1891. O fim da Monarquia e a instalação da República em 1889 são eventos igualmente importantes dentro do cenário de mudanças pelas quais passou o Brasil no final dos oitocentos, mas muito possivelmente a alteração mais significativa tenha se dado um ano antes. Em 1888 a escravidão foi extinta no Brasil. Assim, no plano jurídico/legal todas as pessoas seriam formalmente iguais – incluso nos direitos políticos. De modo a desenvolverem-se discussões de como excluir, politicamente, aquelas pessoas recém-integradas. Tais debates passam a vincular a relação entre raça e cidadania. A elite intelectual brasileira dedicou muitas laudas a esta temática. Talvez não seja possível inferir que houve uma teoria, em estrito senso, nesta direção, mas ocorreram algumas tentativas. Uma dela foi desenvolvida por Raymundo Nina Rodrigues na obra As raças humanas e a responsabilidade penal no Brasil e é a postura desta intelectual que será discutida no presente artigo.
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A web 2.0 confere aos indivíduos a possibilidade de se engajarem ativamente em interações online, que desafiam fronteiras tanto temporais quanto espaciais. Nessas interações, categoriais sociais são constantemente (re)negociadas nos embates discursivos travados. O presente estudo focaliza as (re)construções de sociabilidades latinas na web, debruçando-se sobre comentários gerados em uma postagem da atriz Gina Rodriguez no Instagram. A partir das noções de entextualização (BAUMAN; BRIGGS, 1990), indexicalidade (SILVERSTEIN, 2009) e ordens de indexicalidade (BLOMMAERT, 2005), a análise descreve as múltiplas construções de latinidade, sinalizando as diversas – e, muitas vezes, contrastantes – ideologias linguísticas que as subjazem.
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This article analyzes the relationships between the writing of history and the experience of time in Brazil, c. 1870–1940. The focus of the analysis is the historical essay, arguing that this kind of essay was a privileged discursive modality for dealing with the problems of temporal order that featured that historical moment, characterized by a deep questioning about the paths taken by the Brazilian republic, by a distortion of the ideal of progress that defined, since the nineteenth century, the features of the modern concept of history, and, finally, by a desire to renew interpretations focused on the development of the nation.
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RESUMO A proposição sobre pensar os Estudos Organizacionais desde a América Latina (AL) tem como premissa reconhecer que a epistemologia é política e que há uma epistemologia da dominação inseparável de seu fundamento material. O texto faz uma discussão sobre o significado da AL, defendendo que ela é simultaneamente um espaço geopolítico e uma categoria de análise. Em seguida, realiza uma aproximação aos Estudos Organizacionais na AL desde o contexto brasileiro. Por fim, destaca a importância de um conhecimento fundado em uma ética crítica que contribua para tornar visíveis processos organizacionais que confrontam as múltiplas expressões concretas da colonialidade e que, ao mesmo tempo, seja relevante para as comunidades e coletivos em luta.
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Conferência no IESP-UERJ, em 2017, junto ao grupo de pesquisa Beemote (CNPq). Material integrante do ciclo de palestras "Encontros Beemote".
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Pretende-se investigar, neste artigo, a questão da historicidade do contexto histórico na história intelectual a partir de uma interlocução com a filosofia hermenêutica, com a desconstrução e com os estudos sobre redes intelectuais na América Latina. Como hipótese básica, entende-se que os estudos das redes intelectuais incrementaram significativamente a perspectiva do contexto histórico na interpretação das ideias, mas que uma articulação com as filosofias hermenêutica de Martin Heidegger e com a desconstrução de Jacques Derrida pode contribuir ainda mais para a radicalização do problema do contexto histórico.
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