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O IMPACTO DA REVOLUÇÃO CUBANA NO PENSAMENTO DA ESQUERDA LATINO-AMERICANA: O CASO DO MOVIMENTO TROTSKISTA (1959-1974)

Authors:
ISSN: 2317-6334 para a publicação online - Anais III Fórum Brasileiro de Pós-Graduação em Ciência
Política UFPR - Curitiba 31 de julho de 2013 a 02 de agosto de 2013.
O IMPACTO DA REVOLUÇÃO CUBANA NO PENSAMENTO DA
ESQUERDA LATINO-AMERICANA: O CASO DO MOVIMENTO
TROTSKISTA (1959-1974)
Isabella Duarte Pinto Meucci, UNICAMP - CNPq
isameucci@gmail.com
ISSN: 2317-6334 para a publicação online - Anais III Fórum Brasileiro de Pós-Graduação em Ciência
Política UFPR - Curitiba 31 de julho de 2013 a 02 de agosto de 2013.
O IMPACTO DA REVOLUÇÃO CUBANA NO PENSAMENTO DA ESQUERDA
LATINO-AMERICANA: O CASO DO MOVIMENTO TROTSKISTA
(1959-1974)
Isabella Duarte Pinto Meucci1
RESUMO: O pensamento marxista latino-americano entra em um novo período quando
os revolucionários cubanos conquistam o poder. A Revolução Cubana influencia e
define o projeto político da esquerda latino-americana, promovendo mudanças
significativas em sua atuação prática. Dentre os diversos substratos de esquerda
impactados por essa mudança está o movimento trotskista, que busca novas
formulações teóricas e práticas, além de reafirmar posições anteriormente adotadas.
Esse artigo buscará compreender as análises do trotskismo latino-americano por meio
duas organizações atuantes no continente: o Bureau Latino Americano (BLA) e o
Secretariado Latino Americano do Trotskismo Ortodoxo (SLATO). Buscaremos
analisar as especificidades de interpretação dessas duas organizações e suas
contribuições para o marxismo latino-americano.
PALAVRAS-CHAVE: Marxismo; Trotskismo; América Latina; Revolução Cubana.
INTRODUÇÃO
A vitória dos revolucionários cubanos inaugurou um novo momento histórico
para o pensamento marxista latino-americano. Esse novo período é caracterizado pela
revisão de modelos etapistas de revolução, propagados pelos partidos comunistas, e
pelas inovações quanto aos métodos e aos atores envolvidos no processo revolucionário.
A Revolução Cubana pode ser vista como um dos elementos que caracterizam
definições políticas e ideológicas das esquerdas latino-americanas, pois tomando a
influência do modelo revolucionário cubano como um dos elementos definidores do
projeto político da esquerda, compreendemos que essas referências impregnavam a
linha política dessas organizações e, consequentemente sua atuação prática. Dentre as
diversas análises2 influenciadas pela experiência cubana, encontra-se o caso do
1 Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), isameucci@gmail.com, Mestranda em
Ciência Política.
2 Dentre essas análises destacam-se: o castrismo (ou guevarismo), com a influência decisiva
da obra de Regis Debray, Revolução na Revolução (1966); as teorias desenvolvimentistas da
CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina); a teoria da dependência com Gunder
Frank, Rui Mauro Marini, Anibal Quijano e Luis Vitale; e, em menor medida o maoísmo.
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movimento trotskista, que sofreu tanto revisões em suas elaborações teóricas quanto
modificações em suas fileiras. Para entender o impacto da Revolução Cubana na
esquerda latino-americana, mais especificamente no caso do movimento trotskista, esse
artigo buscará, inicialmente, fazer uma breve nota sobre o marxismo latino-americano,
tendo como base a periodização proposta por Michel Löwy (1999) em seu livro O
Marxismo na América Latina: uma antologia de 1909 aos dias atuais. É importante
ressaltar que essas diferentes fases também são apontadas por Portantiero (1991) em
História do Marxismo, que afirma não ser possível uma caracterização do marxismo
latino-americano sem a compreensão desses três diferentes momentos. Posteriormente,
buscaremos compreender a formação, a consolidação e as rupturas do trotskismo latino-
americano, que teve duas organizações atuantes na América Latina: o Bureau Latino
Americano (BLA), e o Secretariado Latino Americano do Trotskismo Ortodoxo
(SLATO). Por fim, analisaremos quais as especificidades de cada interpretação da
Revolução Cubana dentro do próprio movimento trotskista, que se encontrava cindido
na América Latina em BLA e SLATO. Também destacaremos os principais momentos
de assimilação da Revolução Cubana para o movimento trotskista, compreendendo em
qual período a influência se mostra como decisiva e qual é o seu momento de declínio.
O MARXISMO LATINO-AMERICANO
A existência de um pensamento marxista latino-americano deve ser entendida
como surpreendente tendo em vista as dificuldades que Marx e Engels demonstraram
para apreender a realidade da América Latina. Ainda que exista um volume de textos
considerável desses autores sobre esse continente, suas indicações apresentam-se como
rudimentares para se pensar a aplicação do marxismo nesse contexto (Bianchi, 2010).
É nesse sentido que as interpretações próprias dos substratos intelectuais de
esquerda no continente latino-americano tiveram certa dificuldade para surgirem e se
firmarem. Somente nos anos 1920 e 1930 iniciam-se importantes análises voltadas para
um pensamento político marxista, que entende a revolução latino-americana como
socialista, democrática e anti-imperialista. Uma das manifestações teóricas mais
importantes desse período foi a do peruano José Carlos Mariátegui, que dentre muitas
contribuições, enfatizava que o marxismo latino-americano não deveria ser apenas calco
y copia do europeu, mas sim uma criação heróica. O mais importante seria dar vida à
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nossa própria realidade, com nossa própria língua, a um marxismo indoamericano.
Mariátegui foi o primeiro a entender de forma marxista a realidade latino-americana em
sua especificidade. Para Aricó (1989), o que acontecia no Peru na metade dos anos 1920
era a produção de um marxismo que pela primeira vez poderia ser chamado de latino-
americano.
A partir da década de 1930 inicia-se um novo período para o pensamento
marxista com a ascensão dos partidos comunistas em todo o mundo, tornando
hegemônica uma interpretação que evidenciava o processo de revolução por etapas,
defendida pela III Internacional. Nesse período, caracterizado como stalinista, a
interpretação era de que a América Latina estaria em uma etapa nacional-democrática
(Löwy, 1999). Diferentemente das análises de Mariátegui, essa teoria se voltava muito
mais para uma cópia de interpretações marxistas sobrepostas à realidade latino-
americana. As análises dos partidos comunistas apresentavam-se como reprodução de
manuais na qual as diferentes etapas do desenvolvimento econômico e social pelas quais
a Europa tinha passado eram universalizadas3.
No entanto, uma nova fase chegaria em breve para o pensamento marxista desse
continente. Em 1959, a Revolução Cubana inaugura um novo período para a história da
América Latina, constituindo também uma mudança capital no pensamento marxista
latino-americano, representando uma guinada teórica, e principalmente prática nos
rumos da esquerda. Pode-se dizer que nenhum dos países do continente passou
incólume a esse acontecimento, e provavelmente a história das esquerdas de cada país
tenha um marco decisivo em sua trajetória (Sader, 1991).
Deve-se atentar que em todos esses períodos destacados acima, o problema
central esteve sempre relacionado a questões teóricas e metodológicas que apontavam
para a aplicação do marxismo à realidade da América Latina. Para compreender essa
realidade e formular estratégias políticas, um dos principais problemas a ser enfrentado
3 Deve-se destacar que mesmo durante essa época existiram investigações marxistas criativas,
tanto dentro como fora do movimento comunista oficial. Esse é o caso das análises do
brasileiro Caio Prado Junior (História econômica do Brasil, publicado em 1945), do
argentino Sergio Bagú (A economia da sociedade colonial, publicado em 1949) e do chileno
Marcelo Segall (Desarrollo del capitalismo en Chile, de 1953). Além das publicações dos
trotskistas argentinos Nahuel Moreno (Cuatro tesis sobre la colonización española y
portuguesa, de 1957) e Milcíades Peña (Claves para entender la colonización española en
la Argentina, de 1966).
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é o caráter da revolução no continente. Segundo Löwy (1999), a ênfase na questão da
natureza da revolução é um dos pontos de referência para o estudo da evolução do
pensamento de esquerda na América Latina. Dessa forma, um novo período
revolucionário surge após a Revolução Cubana, pois a questão da natureza da revolução
passa a ser discutida amplamente pelos mais diferentes substratos da esquerda, alterando
também a prática dessas organizações. Consolidam-se correntes consideradas radicais,
ao mesmo tempo em que se rompe com a ideia de uma revolução por etapas e se
legitima a luta armada em determinadas ocasiões.
Dentre as várias correntes que se consolidam nesse período está o movimento
trotskista, que ganha novos adeptos principalmente porque a Revolução Cubana é vista
por muitos setores como a concretização de teses defendidas pela Quarta Internacional,
principalmente a tese da revolução permanente. Além disso, as críticas à URSS, feitas
décadas por essa corrente agora pareciam encontrar forças em novas análises
possibilitadas pelo processo revolucionário cubano.
Nesse sentido, ainda que o trotskismo esteja associado a uma imagem de cisões
e divisões e, ainda que as correntes trotskistas não demonstrem uma força militante
quantitativa, o seu núcleo racional sempre fez eco dos grandes problemas da época.
Assim como destaca Karepovs (2005), as organizações trotskistas e seus adeptos foram
capazes de formular exames conjunturais e estruturais de caráter histórico, político e
econômico, instigantes e inovadores. Dessa forma, compreender suas análises acerca da
natureza da revolução no continente, bem como as inovações trazidas pela Revolução
Cubana às suas interpretações, torna-se uma das principais formas de entender sua
contribuição para a formação de um pensamento político e social próprio dos substratos
intelectuais de esquerda latino-americanos.
O TROTSKISMO NA AMÉRICA LATINA: BLA e SLATO
De acordo com Robert Alexander (1973), o trotskismo tem sido uma pequena,
mas persistente força política da esquerda latino-americana desde os anos 1930. Os
latino-americanos ajudaram a IV Internacional de Trotsky a ser o grupo dissidente mais
longevo do comunismo internacional. Ainda assim, pouca história séria tem sido escrita
sobre o trotskismo em qualquer parte do mundo, e quase nada sobre o seu lugar nas
repúblicas latino-americanas.
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Na América Latina, os primeiros grupos e partidos trotskistas originaram-se de
cisões dos partidos comunistas. Para Broué (2005), a história da Oposição de Esquerda
e da IV Internacional latino-americanas difere em alguns pontos daquela da Europa por
sua pré-história e por seu contexto diferenciado. Nesse continente, partes inteiras de
partidos comunistas, ou ao menos importantes frações de seus quadros passaram à
Oposição de Esquerda e mais tarde à Quarta Internacional.
De acordo com Coggiola (1984), as cisões trotskistas mais importantes na
América Latina4 tiveram como base frações existentes nos partidos comunistas, ou
seja, foram criadas com independência da Oposição de Esquerda. Dessa forma, o fato da
Oposição Internacional convergir com importantes frações que surgiram nos PCs
mostra que a formação do trotskismo internacional não se deveu apenas a uma luta pelo
poder na URSS, mas expressou uma tendência de todo o movimento comunista e
operário internacional.
Após um influxo inicial do movimento trotskista com a fundação da IV
Internacional na França em 1938, ocorreram problemas advindos da II Guerra Mundial
que dificultaram a consolidação dessa corrente. A II Guerra trouxe dificuldades ao
movimento devido aos problemas de comunicação e também ao impacto da morte do
próprio Trosty no México, em 1940. A direção do movimento trotskista latino-
americano e mundial ficou com o Socialist Workers Party (SWP) norte-americano, que
promoveu intervenções tanto positivas quanto negativas no continente. No pós-guerra,
Coggiola (1984) destaca a importância do trotskismo argentino, que se transformou em
uma espécie de centro latino-americano. Por ser um país desenvolvido e por apresentar
a especificidade do peronismo, a Argentina estava no centro do cenário político da
época. Dois importantes grupos surgem nesse período, o Grupo Quarta Internacional e o
Grupo Operário Marxista, que se distinguiam por elaborarem diferentes análises sobre o
peronismo.
O Grupo Quarta Internacional foi mais tarde rebatizado como POR (Partido
Operário Revolucionário). Liderado por J.Posadas5, tendia a considerar o peronismo
4 Cuba, Chile e Brasil.
5 Pseudônimo de Homero Rómulo Cristalli Frasnelli (1912-1981), membro do Partido
Operário Revolucionário (POR) argentino, dirigente do Bureau Latino Americano (BLA) e
fundador da IV Internacional Posadista em 1962.
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como uma revolução democrático-burguesa, mas destacava a necessidade de uma
organização independente do operariado e a fidelidade à IV Internacional. o Grupo
Operário Marxista (GOM), liderado por Nahuel Moreno6, sustentava que o peronismo
era um movimento reacionário de direita, servente do imperialismo inglês, e que os
sindicatos peronistas eram “semifascistas”. Esses dois grupos representaram a disputa
da representação da IV Internacional na Argentina e a direção do próprio movimento
trotskista no continente (Coggiola, 1984).
Em 1951, o III Congresso da Quarta Internacional foi marcado por uma grande
reviravolta em virtude das teses do dirigente Michel Pablo, que implicaram em uma
revisão total do programa trotskista. O Congresso também define a situação da América
Latina e o debate existente entre Posadas e Moreno, declarando o grupo de Posadas
como seção argentina da IV Internacional, e o encarregando de organizar o Bureau
Latino-americano (BLA) da Internacional. Ao final de 1953, as seções descontentes
com as teses de Michel Pablo constituem o Comitê Internacional7. A IV Internacional
estava, assim, dividida em duas frações independentes, o Secretariado Internacional (SI)
e o Comitê Internacional (CI). O CI, na América Latina, recebeu o apoio da corrente de
Moreno, que em 1954 constituiu o Secretariado Latino Americano do Trotskismo
Ortodoxo (SLATO), com sede em três países: Argentina, Chile e Peru. Durante os anos
1950, as organizações trotskistas influenciaram diversos países latino-americanos, como
Argentina, Bolívia, Chile, Peru, Uruguai, Brasil, México e Cuba, além de núcleos na
Colômbia, Equador e El Salvador.
BLA e SLATO constituíram as principais correntes trotskistas dos anos 1950 na
América Latina, caracterizando no continente uma divisão que se apresentava
internacionalmente. Segundo Löwy (2005), na maioria dos países latino-americanos
influenciados pelo trotskismo os movimentos dividiam-se em grupos e frações
antagônicas que se organizavam a partir da cisão da própria Internacional, representada
por esses dois grupos. Esses eram grupos reduzidos, com menos de uma centena de
6 Pseudônimo de Hugo Miguel Bressano Capacete (1924-1987), membro do Grupo Operário
Marxista (GOM) argentino, dirigente do Secretariado Latino Americano do Trotskismo
Ortodoxo (SLATO) e posterior fundador da Liga Internacional dos Trabalhadores - Quarta
Internacional (LIT-QI) em 1982.
7 O Partido Comunista Internacionalista (PCI) francês, o Socialist Workers Party (SWP) norte-
americano, as seções suíça e inglesa e a fração de Moreno na América Latina (SLATO).
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militantes, mas suas posições radicais e a dedicação de seus militantes asseguraram uma
influência muito maior do que sua força de organização. Deve-se lembrar que muito do
isolamento desses grupos estava associado à repressão militar e policial e à hostilidade
dos stalinistas.
Nos anos 1960, os impactos da Revolução Cubana provocaram uma
reconfiguração do trotskismo internacional. Para Coggiola (1984), a Revolução
significou um desafio em todos os planos possíveis para o movimento trotskista e não
era de se estranhar que também provocasse mudanças em suas fileiras. O Secretariado
Internacional (SI) e parte8 do Comitê Internacional (CI) decidem pela retomada da
unidade e formam o Secretariado Unificado da Quarta Internacional (SU) em 1963. A
reunificação foi, em grande parte, resultado do apoio mútuo de ambas as organizações à
resolução Dynamics of World Revolution de Ernest Mandel e Joseph Hansen e à
Revolução Cubana.
Essa reunificação promoveu mudanças também na América Latina. O SLATO,
de Nahuel Moreno, viu-se alinhado ao SU, enquanto o BLA de Juan Posadas não
aceitou a unificação, proclamando a “sua” IV Internacional, declarada “posadista”.
Mesmo após unificações e cisões, as tendências iniciadas pelo BLA e pelo SLATO
seguiram influenciando a formação de um pensamento trotskista latino-americano, na
medida em que continuaram efetuando um debate significativo acerca dos
acontecimentos que mobilizavam o continente.
A INFLUÊNCIA DA REVOLUÇÃO CUBANA NO MOVIMENTO TROTSKISTA
Após a vitória dos revolucionários cubanos, muitas iniciativas envolvendo
diferentes parcelas da esquerda ocorreram com o intuito de acelerar os processos de luta
pelo socialismo que se desenvolviam em diversos países. A Revolução Cubana marca a
esquerda latino-americana, e também a esquerda mundial porque demonstra que se pode
vencer o imperialismo em seu próprio “quintal”, mas também porque rompe com
padrões clássicos de luta seguidos pela esquerda marxista-leninista, centrados no partido
revolucionário (Barão, 2007).
8 Uniram-se ao Secretariado Internacional o SWP norte-americano e as seções latino-
americanas associadas ao SLATO. A Organização Comunista Internacionalista (OCI)
francesa, de Pierre Lambert e o Socialist Labor League (SLL) inglês, de Healy não aceitam
a unificação.
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Segundo Cantaneda (1994), dois fatos que precisam ser lembrados: o
primeiro é que desde 1956 ocorriam lutas armadas revolucionárias incessantes na
América Latina; o segundo é que em todos os países do continente a esquerda foi
influenciada por Cuba. No início dos anos 1960 surgiram vários grupos que tomaram o
caminho da guerrilha rural com nítida inspiração no Movimento 26 de Julho: as FALN
(Forças Armadas de Libertação Nacional) e MIR (Movimento de Esquerda
Revolucionário) na Venezuela; as FAR (Forças Armadas Revolucionárias) e o MR-13
(Movimento Revolucionário 13 de Novembro) na Guatemala; o MIR e o ELN (Exército
de Libertação Nacional) no Peru; a FSLN (Frente Sandinista de Libertação Nacional) na
Nicarágua; o Movimento 14 de Junho na República Dominicana e o ELN, do próprio
Che Guevara na Bolívia. Esses dois fatos dão uma dimensão de como a Revolução
Cubana possui um significado amplo no tocante à esquerda latino-americana como um
todo.
Juan Carlos Portantiero (1989), ao analisar o marxismo latino-americano,
destaca o papel crucial da Revolução Cubana para o início de uma nova etapa do
marxismo nesse continente. O autor concorda com as afirmações que ressaltam que o
período posterior a 1959 corresponde a uma atividade rica a ativa das massas, como não
havia sido desde as guerras de independência. Isso se deve ao fato da Revolução
Cubana ter subvertido a problemática tradicional estabelecida na América Latina pela
corrente marxista até então hegemônica, ou seja, modificado a forma como a revolução
era tratada pela interpretação da III Internacional e reivindicada pelos partidos
comunistas de todo o continente.
É nesse sentido que as interpretações trotskistas acerca da realidade latino-
americana são fundamentais para compreender essa mudança, pois já se apresentavam
contrárias a um modelo etapista antes mesmo da conquista cubana. As novas
abordagens feitas pelo pensamento político marxista no continente permeiam, antes de
tudo, uma discussão que já vinha sendo feita no trotskismo e que com a Revolução
Cubana ganhou maior destaque em função do debate acerca dos métodos e dos atores
envolvidos no processo revolucionário (Marques, 2007).
Além da crítica ao modelo etapista, a Revolução Cubana também promoveu
importantes inovações. No movimento trotskista, o conceito de revolução permanente
ganhou novos contornos quando o êxito cubano apresentou uma outra realidade
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possível. Como contraponto ao “socialismo em um país”, os oposicionistas
associados em torno de Trotsky eram partidários da teoria da revolução permanente,
idealizada por ele em 1906 e atualizada em 1930, a partir da fracassada experiência da
Internacional Comunista na China. A teoria da revolução permanente constatava que a
burguesia deixara de ser revolucionária e se tornara conservadora, o que a
impossibilitava de realizar tarefas democrático-burguesas necessárias aos países
coloniais e semicoloniais, tese preconizada pelo movimento comunista. Essas tarefas
estariam a cargo do proletariado, que, hegemônico, não se deteria apenas nelas e
rumaria para resolver tarefas anticapitalistas, transformando a revolução inicialmente
democrática em socialista, e estendendo-se a outros países.
A Revolução Cubana promoveu uma atualização de conceitos importantes
associados à tese da revolução permanente: a guerrilha surgiu como alternativa à ação
direta das massas, o movimento guerrilheiro em lugar do partido, a ação voltada para o
campo e não para a cidade, e os atores revolucionários como os estudantes e
camponeses ao invés dos trabalhadores fabris. No entanto, toda essa atualização de
conceitos não poderia acontecer sem intensos debates e disputas dentro das próprias
fileiras trotskistas, tendo em vista que se tratavam de novas compreensões do processo
revolucionário e dos sujeitos nele envolvidos.
Em 8 de janeiro de 1959, sete dias após a tomada do poder em Cuba, o jornal
Frente Obrero - publicação do POR uruguaio (Partido Obrero Revolucionário),
associado ao BLA estampa como manchete uma saudação às massas cubanas, enfatiza
o exemplo de Cuba para a América Latina e defende uma tática de guerra de guerrilhas:
El POR saluda el triunfo de las masas cubanas, que han
impuesto la caída del régimen de Batista.
Su lucha es una experiencia de valor enorme para el avance de
la lucha de las masas de toda América Latina y abre, en Cuba misma,
un periodo de movilizaciones, de luchas crecientes y avances reales
para las masas.
La táctica de la guerra de guerrillas se ha mostrado para las
masas latinoamericanas como su forma de lucha, contra la que nada
se pueden ni el ejército mercenario ni el imperialismo, la guerra de
guerrillas sera una forma de lucha que desarrollará las masas
latinoamericanas en el próximo periodo, en el avance del proceso
revolucionario en el continente.
La juventud de Cuba ha dado ejemplo de heroismo en su
resistencia desafiando el exterminio físico e las tortura refinadas de
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Batista. (…) El movimiento de Fidel Castro fue adquiriendo carácter
social y de liberación nacional, a pesar de sus objetivos limitados.
A mesma preocupação também é encontrada em uma publicação do jornal
Palabra Obrera de 1963 jornal argentino associado ao SLATO - que dedica uma
edição para a análise da Revolução Cubana intitulada “Balance Cubano”. Nessa edição,
enfatiza-se a superação dos partidos comunistas e do etapismo em Cuba, o
ressurgimento da revolução mundial e a natural influência da revolução em todo o
continente:
Primeramente, la Revolución Cubana superó em su origen al
Partido Comunista y creó una dirección enteramente nueva. Esta
dirección con su inherente honestidad, radicalismo, confianza en la
acción revolucionaria, resolución política y capacidad de aprendisaje,
se ubica en la principal corriente histórica de la revolución, no en la
retaguardia del Stalinismo. Representa el resurgimiento de de la
revolución mundial, no su declinación.
En segundo término la revolución cubana es profunda. Ha
conmovida enormemente a las masas. Esta poderosa fuerza no puede
ser contenido por un viejo grupo Stalinita cuyas referencias incluyen
el apoyo a Batista, no será mientras la dirección castrista permanezca
en el comando. En tercer término el curso natural de la Revolución
Cubana es cruzar las fronteras nacionales y hacer estallar
revoluciones en toda Latinoamerica.
Enquanto essas primeiras análises enfatizaram a superação definitiva do
etapismo e o exemplo das massas cubanas para toda a América Latina, as compreensões
futuras foram permeadas por uma batalha política e teórica acerca do guerrilheirismo.
Um dos expoentes desse debate no trotskismo latino-americano é Hugo González
Moscoso9, que escrevendo em 1968 defendeu a guerrilha não apenas como uma tática,
mas sim como uma estratégia a ser adotada por todos os países subdesenvolvidos. Além
disso, a luta de Hugo Blanco10 no Peru havia trazido aos trotskistas latino-americanos a
perspectiva dos conflitos assumirem a característica de luta armada. Na Argentina, o
Partido Revolucionário de los Trabajadores La Verdad (PRT-LV), comandado por
9 Hugo Gonzalez Moscoso (1922-2010), trotskista boliviano. Ver: Hugo González Moscoso.
The cuban revolution and its lessons. In: Ernest Mandel (ed.) 50 years of world revolution:
an International Symposium. Nova York: Pathfinder, 1973.
10 Hugo Blanco Galdos (1935-) é um destacado político peruano e líder da Confederação
Camponesa do Peru. Trotskista, dirigiu importante revolta camponesa durante a primeira
presidência de Fernando Belaúnde Terry (1963-1968).
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Nahuel Moreno, considerava a luta armada em forma de guerrilha uma possibilidade,
mas definia que a insurreição operária seria melhor para o movimento11.
Para Löwy (1999), a simpatia dos trotskistas pela Revolução Cubana e a
ausência de preconceitos anti-trotskistas entre os guevaristas permitiu o estabelecimento
de relações de colaboração entre as duas correntes, como ocorreu no Chile, na Bolívia e
na Argentina. Em 1969, no IX Congresso Mundial da Quarta Internacional-Secretariado
Unificado (QI-SU), essa aliança trotskista-guevarista foi cristalizada quando a linha
guerrilheirista foi favorecida, o que implicou em uma luta fracional para que fosse
aplicada, pois setores importantes do trotskismo latino-americano eram contrários a ela.
Segundo Coggiola (1984), os documentos do IX Congresso orientam as seções latino-
americanas para a preparação da luta armada - inclusive no campo - em toda
circunstância, ainda que as lutas operárias ocupassem o centro da cena. Prevalecia
uma análise simplificada e otimista, influenciada por eventos localizados da luta de
classes que eram considerados como uma ascensão generalizada dos movimentos
populares.
Após o IX Congresso Mundial da QI-SU, os argentino do PRT (LV) elaboraram
um conjunto de teses sobre a situação latino-americana, enfatizando que a revolução se
deslocava para as cidades e não para a guerrilha rural12. Os levantes insurrecionais ou
semi-insurrecionais que haviam enfrentado o exército e a polícia de modo muito mais
eficaz do que a guerrilha tinha feito aentão, indicavam que o movimento operário
com suas greves, ocupações e passeatas estava de volta à cena política. Essa situação
também estava associada à derrota de grande parte das guerrilhas rurais inspiradas pela
Revolução Cubana, dentre elas a boliviana, que acabou com a morte de Ernesto Che
Guevara em 1967.
Em acordo com o debate que revisava a linha guerrilheirista adotada em 1969, o
X Congresso Mundial da QI-SU de 1974 reavaliou as posições adotadas anteriormente e
caracterizou como errônea a tática guerrilheirista, enfatizando que a revolução se
deslocava para as cidades e não mais para a guerrilha rural. Desde 1971 a resistência ao
11 Partido Revolucionário de los Trabajadores (La Verdad). Informe internacional. Comité
Central PRT (LV), 23 mar. 1969 (mimeo), p.1. (Archivo Leon Trotsky, São Paulo)
12 Partido Revolucionário de los Trabajadores (La Verdad). Proyecto de tesis sobre la situación
latino-americana. Buenos Aires, jul.1969 (mimeo). (Archivo Leon Trotsky, São Paulo)
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guerrilheirismo dentro da IV Internacional havia conformado a Tendência Leninista
Trotskista (TLT), encabeçado pelo SWP norte-americano e pelo PST argentino, dirigido
por Nahuel Moreno. Essa tendência opunha-se às tentações guerriheiristas presentes na
Quarta Internacional Secretariado Unificado e à generalização dessa política pelas
seções latino-americanas da Internacional.
O debate em torno do guerrilheirismo foi certamente o que mais provocou
polêmicas e desacordos tanto entre as organizações ligadas ao BLA quanto ao SLATO.
No entanto, essas questões também foram levadas a dois Congressos Mundiais,
enfatizando que essa preocupação não estava apenas relacionada às seções latino-
americanas. Pode-se afirmar que, após a Revolução Cubana, as polêmicas em torno do
guerrilheirismo passam a ser uma preocupação do trotskismo mundial, muitas vezes
responsáveis por cisões de nível internacional.
Outros problemas decorrentes do guerrilheirismo também surgiram,
principalmente com relação aos atores envolvidos nesse processo e no deslocamento das
ações da cidade para o campo. Com esse deslocamento, os atores revolucionários seriam
os estudantes e os camponeses e não mais os trabalhadores das fábricas das cidades.
Nota-se que logo após a vitória cubana muitos desses questionamentos são deixados de
lado diante do desenrolar dos acontecimentos em Cuba e da necessidade de apoio à
Revolução. No entanto, com o passar dos anos, os debates se tornam mais intensos e
antigas certezas passam a ser amplamente questionadas.
Outras questões trazidas pelo sucesso dos revolucionários cubanos parecem ser
vistas de forma menos polêmica. Para ambas as correntes latino-americanas não
dúvidas de que a Revolução Cubana é prova de que o etapismo propagado pela III
Internacional teria sido posto em cheque diante dos acontecimentos, e que a ideia da
revolução permanente teria ganho ainda mais ênfase. Outras afirmações que também
podem ser encontradas em ambas as seções trotskistas latino-americanas são o exemplo
de Cuba para todo o continente e a inserção da Revolução em um âmbito maior,
representando o ressurgimento da revolução mundial.
Nesse sentido, a influência da Revolução Cubana suscita grandes debates nas
fileiras trotskistas tanto latino-americanas quanto mundiais. Nos primeiros anos do
regime revolucionário cubano, percebe-se que o apoio a Cuba e seu exemplo são
inquestionáveis, mas a prática guerrilheira é questionada, bem como os atores e o
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local em que se daria a revolução nos diferentes países do continente. Portanto, nesse
terceiro período do marxismo latino-americano, aberto pela Revolução Cubana, a união
entre a teoria e a prática ainda parece enfrentar problemas e a natureza da revolução
ainda é questionada.
As condições em Cuba se modificam sistematicamente desde a vitória dos
revolucionários até esse período, fazendo com que as análises trotskistas se voltem para
essas mudanças e revejam posições anteriores. Dessa maneira, ocorre um declínio da
influência da Revolução Cubana tanto nos debates trotskistas quando na prática da
guerrilha, que foi adotada por um período, mas caracterizada como errônea
posteriormente.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Desde a vitória da Revolução até a revisão do debate guerrilheirista efetuada no
X Congresso da IV Internacional Secretariado Unificado, as contribuições de
dirigentes e membros dos partidos trotskistas são fundamentais para a compreensão dos
acontecimentos da época e das políticas adotadas em diferentes países. Esses debates
podem ser considerados como parte de uma rica discussão no âmbito do pensamento
político marxista latino-americano.
As análises do movimento trotskista se mostraram contrárias a um modelo
etapista de revolução antes mesmo desse debate ser inserido pela Revolução Cubana.
Portanto, o êxito cubano possibilitou a verificação de parte das teses trotskistas e
incorporou inovações importantes ao conceito de revolução permanente quanto aos
métodos e aos sujeitos envolvidos nesse processo.
A influência da Revolução Cubana passou por um período de grande
efervescência logo após a vitória dos revolucionários e as posteriores modificações das
estruturas econômicas e sociais em Cuba. No entanto, essa influência sofre um
momento de declínio quando as guerrilhas rurais são derrotadas em diversos países, ao
mesmo tempo em que ocorre uma ascensão do movimento operário e um
questionamento do regime estabelecido em Cuba.
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Article
O artigo discute a dificuldade presente para o desenvolvimento de um marxismo latino-americano. Essa dificuldade pode remeter à própria obra de Karl Marx e Friedrich Engels e à filosofia da história que se faz presente em alguns momentos dessa obra. A análise da situação irlandesa e da comuna rural russa, entretanto, permitiram a esses autores e, principalmente a Marx romper com essa filosofia da história. A seguir o artigo discute uma tentativa de interpretação da América Latina e particularmente do Brasil com base na obra de Marx: aquela desenvolvida no âmbito do chamado Seminário d’O Capital. Neste Seminário gestou-se uma forma de apropriação da obra de Marx na qual se destacavam seus aspectos metodológicos. Apesar das importantes contribuições dos autores vinculados a esse seminário, dentre os quais Fernando Henrique Cardoso e sua análise das situações de dependência, essa apropriação da obra de Marx revelou claros limites. Argumenta-se, por último a necessidade do marxismo construir uma unidade profunda entre teoria e prática, pesquisa teórica e pesquisa empírica para superar os impasses da interpretação da América Latina.
Article
Comentarios críticos a los trabajos de Ernesto Che Guevara «La guerra de guerrillas», «Cuba: ¿caso excepcional o vanguardia en la lucha contra el colonialismo?» y «Guerra de guerrillas: un método») Artículo publicado en la revista Estrategia (segunda época). Buenos Aires, 1964. Prólogo a la segunda edición (1986) Dos métodos frente a la revolución latinoamericana constituye una pieza clave del autor ante la Revolución Cubana, a la que calificara como «el más importante acontecimiento latinoamericano en lo que va del siglo, por marcar el comienzo de la revolución socialista en nuestro continente, Estados Unidos y el mundo occidental y por haber dado origen también a una nueva generación y tendencia revolucionaria a escala continental: el castrismo». Ubicado en el campo de esa nueva generación revolucionaria en los comienzos de la década de los años sesenta, Nahuel Moreno comenta críticamente los trabajos del Che Guevara en los que eleva la táctica de la guerra de guerri llas a la categoría de estrategia para todo el continente, negando, de esa manera, la esencia del marxismo que consiste «en partir de la realidad, de lo concreto, para volver a él modificándolo». En otras palabras, sólo con «un estudio profundo, total, de la historia y tradición de cada país, principalmente del movimiento de masas [ que la lucha por el poder por parte de los trabajadores implica una perspectiva inevitable de lucha armada. Y otra cosa muy distinta es poner un signo igual, como lo hicieron el Che y Fidel, entre la ine-vitabilidad de la lucha armada y la generalización de la guerra de guerrillas, o la guerrilla en general, para todo el continente, ignorando olímpicamente la necesidad de los organismos de masas y del partido marxista revolucionario y los aspectos específicos de cada país, cayendo en el esquematismo antimarxista que llevaría a las inmensas derrotas del movimiento revolucionario latinoamericano de aquella generación.
Conference Paper
Herbert Matthews, New York Times senior editor and close observer of Cuba, wrote in 1961: “January 1, 1959, when Fidel Castro triumphed, began a new era in Latin America.” Indeed, for the next three decades the Cuban Revolution was the primary driving force of Latin American politics. Castro’s revolution ignited a wave of revolutionary activity that posed unprecedented levels of threat to vested interests and shook the Latin American status quo to its core in the 1960s and early 1970s. The rise of this Cuban-inspired threat of revolution, in turn, catalyzed a wave of reaction which, aided by the United States, led to heightened repression that in some cases rose to the level of state terrorism. This paper focuses on the first impact of the Cuban Revolution, the wave of revolution that emanated from the island following Castro’s assumption of power. It examines the exhortations, material aid and, more importantly, the inspiration that Castro provided to create legions of revolutionaries across the Americas. As the example of Cuba drove up demands for change, the political agenda in most countries shifted leftward, fidelista groups and publications proliferated, street demonstrations and strikes multiplied, and rural guerrilla movements mushroomed. The second half of the paper offers an analysis of how the Cuban Revolution catalyzed the only revolutionary movements that succeeded in taking power after 1959: the Unidad Popular coalition in Chile (1970-1973), led by Salvador Allende, and the Frente Sandinista de Liberación Nacional in Nicaragua (1979-1990). In both cases, the impact of the Cuban Revolution interacted with local conditions to create revolutions that actually bore little resemblance to the Cuban example. The paper provides insight into the reasons why the Cuban Revolution spawned so many revolutionary movements yet ultimately failed to foster the creation of other long-lasting revolutionary regimes.
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Defend the Cuban revolution
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