Curva dos valores normais de peso fetal estimado por ultra-sonografia segundo a idade gestacional

Article (PDF Available)inCadernos de Saúde Pública 16(4) · December 2000with2,126 Reads
DOI: 10.1590/S0102-311X2000000400026 · Source: DOAJ
Abstract
Este trabalho teve por objetivo avaliar a evolução do peso fetal estimado em gestações normais de 20 a 42 semanas. Quanto ao desenho e métodos empregados na pesquisa, realizou-se estudo descritivo de um universo constituído por 2.874 gestantes normais da cidade de Campinas, efetuando-se exame ultra-sonográfico obstétrico de rotina com medida da biometria fetal e utilizando-se, para o cálculo do peso fetal, a fórmula de Hadlock et al. (1991). Calcularam-se os valores dos percentis 10, 50 e 90 do peso fetal, por idade gestacional, com construção de curva posteriormente alisada mediante ajuste polinomial de 2º grau. Como resultado, obteve-se que o valor do percentil 50 foi de 368 gramas na 20ª semana, 1.512 gramas na 30ª semana, atingindo 3.417 gramas na 42ª semana. Constatou-se ter havido ganho médio de 200 gramas de peso por semana, de 27 a 38 semanas, a partir de quando o incremento diminuiu. Concluiu-se que a disponibilidade de curva brasileira do peso fetal estimado normal permitirá o diagnóstico pré-natal de seus desvios pela ultra-sonografia.

Figures

1083
Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 16(4):1083-1090, out-dez, 2000
ARTIGO ARTICLE
Curva dos valores normais de peso fetal
estimado por ultra-sonografia segundo
a idade gestacional
Curve of normal estimated fetal weight values
by ultrasound according to gestation age
1
Centro de Atenção Integral
à Saúde da Mulher,
Departamento de
Tocoginecologia,
Faculdade de Ciências
Médicas, Universidade
Estadual de Campinas.
Rua Alexander Fleming 101,
Campinas, SP
13081-970, Brasil.
cecatti@unicamp.br
José Guilherme Cecatti
1
Maria Regina Marrocos Machado
1
Fernanda Fioravanti Azank dos Santos
1
Emílio Francisco Marussi
1
Abstract
Objective: to evaluate the evolution of estimated fetal weight in normal pregnancies
in Campinas, Brazil, between 20 to 42 weeks. Design and methods: A descriptive study was per-
formed, including 2,874 normal pregnant women studied through routine obstetric ultrasound
with fetal biometry, using the Hadlock (1991) formula for fetal weight estimation. Data were
evaluated by fitting a curve with the 10th, 50th, and 90th percentiles of fetal weight for gesta-
tional age, subsequently submitted to a smoothing procedure by quadratic polynomial adjust-
ment. Results: the 50th percentile was 368g at 20th week, 1,512g at 30th, and 3,417g at 42nd
week. There was a mean weight increase of 200g per week from the 27th to 38th week, when the
gain decreased. Conclusions: The availability of a Brazilian curve of normal estimated fetal
weight will allow for prenatal ultrasound diagnosis of deviations.
Key words
Fetal Weight; Gestational Age; Fetal Growth Retardation; Prenatal Ultrasonography
Resumo
Este trabalho teve por objetivo avaliar a evolução do peso fetal estimado em gestações
normais de 20 a 42 semanas. Quanto ao desenho e métodos empregados na pesquisa, realizou-se
estudo descritivo de um universo constituído por 2.874 gestantes normais da cidade de Campi-
nas, efetuando-se exame ultra-sonográfico obstétrico de rotina com medida da biometria fetal e
utilizando-se, para o cálculo do peso fetal, a fórmula de Hadlock et al. (1991). Calcularam-se os
valores dos percentis 10, 50 e 90 do peso fetal, por idade gestacional, com construção de curva
posteriormente alisada mediante ajuste polinomial de 2
o
grau. Como resultado, obteve-se que o
valor do percentil 50 foi de 368 gramas na 20
a
semana, 1.512 gramas na 30
a
semana, atingindo
3.417 gramas na 42
a
semana. Constatou-se ter havido ganho médio de 200 gramas de peso por
semana, de 27 a 38 semanas, a partir de quando o incremento diminuiu. Concluiu-se que a dis-
ponibilidade de curva brasileira do peso fetal estimado normal permitirá o diagnóstico pré-na-
tal de seus desvios pela ultra-sonografia.
Palavras-chave
Peso Fetal; Idade Gestacional; Retardo do Crescimento Fetal; Ultrasonografia
Pré-Natal
CECATTI, J. G. et al.
1084
Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 16(4):1083-1090, out-dez, 2000
Introdução
A determinação do peso fetal estimado (PFE)
pela ultra-sonografia é importante meio de ve-
rificar o bem-estar fetal e de avaliar a evolução
de seu crescimento no decorrer da gestação,
assim como reduzir a morbidade e mortalida-
de associadas ao retardo de crescimento intra-
útero (RCIU) (Hadlock et al., 1991).
Várias fórmulas foram criadas para estimar
o peso fetal a partir de medidas da biometria,
podendo incluir o diâmetro biparietal, a medi-
da do fêmur e a circunferência abdominal. Os
trabalhos de Hadlock et al. (1983) mostram ser
necessárias, pelo menos, três medidas fetais,
que são: o diâmetro biparietal ou a circunfe-
rência cefálica, como índice de crescimento da
cabeça; circunferência abdominal, como índi-
ce de crescimento do corpo; e, por fim, o com-
primento do fêmur, como índice de crescimen-
to em estatura.
Há múltiplos determinantes não-patológi-
cos do peso neonatal ao nascimento. No entan-
to, existem divergências entre os padrões ado-
tados como normais, incluindo-se aí variações
das características populacionais, como, por
exemplo, fatores antropométricos e demográ-
ficos maternos, fatores ambientais, tamanho
amostral adotado em estudos preliminares,
bem como critérios de exclusão e fórmulas ma-
temáticas utilizadas para cálculo (Goldenberg
et al., 1989).
Dentre estes fatores variantes, o mais im-
portante deles é o potencial intrínseco de cres-
cimento individual do feto (Ott, 1990). É possí-
vel encontrar estudos comparativos de popula-
ções brancas e negras/hispânicas em que não
se verificou diferença significativa entre os pa-
râmetros utilizados para o cálculo do peso fetal
(diâmetro biparietal, circunferência cefálica,
circunferência abdominal e comprimento fe-
mural) (Hadlock et al., 1990).
Outros fatores podem ainda influenciar e
modificar valores de referência adotados para
a estimativa do peso fetal. No que se refere ao ti-
po de população estudada, por exemplo, é pre-
ciso tomar em conta se é proveniente de cen-
tros de referência hospitalares ou da popula-
ção geral, da mesma forma que a raça, estatura
e ossatura maternas, a divisão em curvas dife-
rentes por sexo fetal, além da determinação da
idade gestacional – mesmo que o seja por ul-
tra-som precoce ou pela data da última mens-
truação (DUM) de certeza – se o ajustamento
de número de dias se faz para mais ou menos
no número de semanas.
Quanto à técnica para a estimativa do peso
fetal, esta pode sofrer variações que vão desde
várias fórmulas de diferentes autores – já inclu-
sas nos aparelhos de ultra-sonografia – até va-
riações intra e inter-observador. Em estudos
realizados por Chang et al. (1993), o desvio-pa-
drão intra-observador foi menor que 75g. O in-
tervalo de confiança a 95% da variação inter-
observador foi de -187,3 a +139,8g, usando uma
única fórmula, e de -159,9 a +124,3g quando
duas fórmulas foram utilizadas. Assim, os re-
sultados da estimativa de peso fetal por ultra-
som foram considerados reprodutíveis.
A presença de patologias maternas, bem
como as fetais, também deve ser conhecida pa-
ra que se possa avaliar sua possível influência
no crescimento fetal. Características fisiológi-
cas maternas – como peso e altura maternos e
paridade – podem igualmente influenciar o ga-
nho de peso fetal, em especial, no 3
o
trimestre
da gestação (De Jong et al., 1998).
É fundamental o discernimento entre o bai-
xo peso ao nascimento como conseqüência de
retardo de crescimento intra-uterino e aquele
resultante de baixo potencial de crescimento
inerente, para que se possa entender e manejar
clinicamente o retardo de crescimento intra-
útero. Há diferença entre tamanho e cresci-
mento, a qual, até há poucos anos atrás, não
havia sido elucidada. O diagnóstico de retardo
de crescimento intra-útero pode ser dado so-
mente se existir desvio significativo dos padrões
normais de crescimento, o que requer, no mí-
nimo, duas medidas ultra-sonográficas da bio-
metria fetal (Owen & Ogston, 1998).
Além disso, é preciso que se esteja atento à
diferença entre o RCIU simétrico e o assimétri-
co. Suas causas estão relacionadas respectiva-
mente a processos patológicos crônicos e agu-
dos. Na primeira condição, todas as medidas
da biometria fetal encontram-se a, pelo menos,
dois desvios-padrões abaixo da média. Já na se-
gunda condição, há diminuição da circunferên-
cia abdominal fetal em relação ao crescimento
do fêmur. Esta diferenciação é importante para
que se intervenha no processo causal. Com re-
lação ao peso, para que um feto seja considera-
do com retardo de crescimento intra-útero, ele
deve estar com peso abaixo do percentil 10 da
curva de peso para a idade gestacional e/ou
apresentar relação fêmur/circunferência abdo-
minal menor que 24%.
O aumento do peso fetal com diagnóstico
de macrossomia acarreta desde mudança na
conduta obstétrica até a necessidade de inves-
tigação mais apurada da glicemia materna e do
recém-nascido. Já o diagnóstico de feto com re-
tardo de crescimento intra-útero pode signifi-
car, tanto para o obstetra como para a mulher,
situação de risco, o que, muitas vezes, não exis-
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te. Comparando-se o crescimento fetal de nos-
sa população com o de populações que apre-
sentam diferentes características sócio-econô-
micas, demográficas e antropométricas, é pos-
sível superdiagnosticar situações de retardo do
crescimento intra-útero.
A identificação correta de desvios do cres-
cimento fetal é imprescindível, o que implica
melhor assistência materna, maior número de
retornos à consulta médica e, inclusive, a reali-
zação de ecografias seriadas de controle.
Nos países em desenvolvimento, o peso ao
nascimento é provavelmente o fator mais im-
portante, influenciando a morbidade e morta-
lidade neonatal, além de exercer papel funda-
mental na determinação da mortalidade pós-
neonatal. Tal fato fica evidente ao verificar-se
que o risco de morte neonatal é quatro vezes
menor nas crianças que nascem com peso de
2.500-2.999g, e dez vezes menor naquelas com
3.000-3.499g (Ashworth, 1998).
Assim, em se tratando de problema de saú-
de pública, estudos clínicos e epidemiológicos
têm direcionado a atenção aos fatores causais
que podem influenciar o peso fetal (Kramer,
1987). A hipótese mais aceita é de que a ocor-
rência de baixo peso ao nascimento seja multi-
fatorial. No entanto, dois fatores básicos devem
ser diferenciados no diagnóstico de baixo peso
ao nascimento: a prematuridade (gestação de
menor duração) e o retardo de crescimento in-
tra-útero, com a possibilidade da presença de
ambos.
Desta forma, as causas de baixo peso ao
nascimento são mais relacionadas, em países
desenvolvidos, à prematuridade, em contrapo-
sição àqueles em desenvolvimento, cujas cau-
sas estão mais relacionadas ao retardo de cres-
cimento intra-útero.
Fatores como desnutrição materna, idade
materna avançada, antecedentes de filhos com
baixo peso, história de partos prematuros, mul-
tiparidade, a falta de acompanhamento pré-
natal e outros agiriam, isolada e associadamen-
te, com maior intensidade em nossa população
em comparação a outros países, cujas curvas
de peso fetal são adotadas no Brasil para deter-
minar o peso fetal ao nascimento. No entanto,
o primeiro passo para comparação mais preci-
sa e correta do peso fetal estimado em relação
à idade gestacional é a determinação precisa
desta.
Assim, foi objetivo deste estudo determinar
os valores dos percentis 10, 50 e 90 do peso fe-
tal estimado, de 20 a 42 semanas, em gestantes
normais, para a população de Campinas.
CURVA DOS VALORES NORMAIS DE PESO FETAL
1085
Sujeitos e métodos
O presente estudo foi descritivo da elaboração
de curva de valores normais do peso fetal esti-
mado. Foram estudadas 2.874 gestantes nor-
mais, de 20 a 42 semanas, da cidade de Campi-
nas, estado de São Paulo, no período de agosto
de 1997 a abril de 1998, identificando-se as
gestantes que poderiam ser incluídas no estu-
do a partir de exames de rotina feitos pelo ser-
viço (Perrotti, 1998).
Foram incluídas as gestantes com data do
primeiro dia do último período menstrual nor-
mal – quando conhecido com segurança –, ex-
pressando-se em semanas ou dias completos a
idade gestacional (Araújo & Maretti, 1991); ca-
so esta primeira condição não fosse cumprida,
a idade gestacional foi estimada por exame ul-
tra-sonográfico pélvico precoce, efetuado an-
tes de 24 semanas, adotando-se valor único da
mesma quando da disponibilidade de ambos.
Para que a idade gestacional de 20 a 42 sema-
nas fosse considerada confiável, verificou-se a
ausência de uso de anticoncepcionais orais
nos últimos três meses ou injetáveis nos últi-
mos seis meses anteriores a essa gestação.
Não foram incluídas as gestantes que apre-
sentassem quaisquer das seguintes condições:
hipertensão arterial crônica; hipertensão ges-
tacional; diabetes mellitus; rotura de membra-
nas; senescência placentária precoce (segundo
classificação de Grannum et al., 1979); gesta-
ção múltipla; anomalia congênita fetal; óbito
fetal; isoimunização fetal; afora outras situa-
ções, tais como: doenças metabólicas, nefropa-
tias, cardiopatias, hiper e hipotireoidismo ma-
terno. Tais critérios de exclusão foram investi-
gados, em cada caso, através de check-list apli-
cado antes da admissão do caso ao estudo.
A variável dependente do estudo foi o peso
fetal estimado, determinado pelo exame ultra-
sonográfico, para aquele momento presente,
pela fórmula de Hadlock et al. (1991), com erro
estimado em 10%, expresso em gramas exatas:
Equação [Log
10
(Peso ao nascimento)] = 1,3596 -
0,00386(CA)(F) + 0,0064.(CC) + 0,00061(DBP)
(CA) + 0,0424(CA) + 0,174(F)
CA: circunferência abdominal
CC: circunferência cefálica
F: comprimento do fêmur
DBP: diâmetro biparietal
Para efetuar os exames ultra-sonográficos
nas gestantes, foram utilizados os aparelhos
Toshiba SSA-140 e Acuson XP4A, usando-se son-
da convexa de 3,75 mHZ em ambos, normal-
mente adotada como padrão para exames ul-
tra-sonográficos obstétricos, sendo realizados
por um único observador.
CECATTI, J. G. et al.
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Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 16(4):1083-1090, out-dez, 2000
Inicialmente, construiu-se uma curva de va-
lores normais do peso fetal estimado para cada
idade gestacional – no período de 20 a 42 se-
manas de gestação – através da estimativas dos
percentis 10, 50 e 90. Posteriormente, esta cur-
va foi submetida a alisamento por procedimen-
to de ajuste polinomial de 2
o
grau (Armitage,
1974).
Resultados
A população estudada foi composta de 70% de
mulheres brancas e de 66% com baixo nível de
escolaridade e, indiretamente, de nível sócio-
econômico (Perrotti, 1998).
A média do peso fetal estimado por semana
de gestação está na Tabela 1. A curva de valores
normais com os percentis 10, 50 e 90 está na
Tabela 2, expressa graficamente na Figura 1. A
curva alisada é exposta na Tabela 3 e na Figura
2. Os valores percentilares não alisados (ante-
riores ao ajuste polinomial) mostram estabili-
zação do peso fetal a partir da 39
a
semana.
O peso fetal estimado variou conforme o
esperado, com ganho médio de 200g de peso
por semana da gestação a partir da 27
a
até a 38
a
semana, com incremento menor das 39 às 42
semanas. O percentil 50 apresentou-se em tor-
no de 368g na 20
a
semana, atingindo 1.000g na
27
a
semana, 2.000g na 33
a
semana e 3.000g na
37
a
semana.
Discussão
Apesar das diferenças étnicas e econômicas
das populações, houve concordância da curva
construída em relação à curva de Hadlock et al.
(1991); entretanto, foram constatados valores
discretamente inferiores na curva construída
para as idades gestacionais maiores que 30
semanas. Os valores do percentil 90 da curva
construída aproximaram-se dos valores do
percentil 50 de Hadlock et al. (1991). Isto pode
mostrar que existe tendência para que o peso
fetal ao nascimento seja menor em todos os
percentis e nas idades gestacionais após 30 se-
manas, quando comparado à curva de Hadlock
et al. (1991).
A população estudada apresentou distri-
buição pelo nível de escolaridade e, portanto,
indiretamente, do nível sócio-econômico que
reflete a realidade brasileira, com 66% da po-
pulação proveniente de nível mais baixo e 34%
correspondendo a nível mais elevado (Perrotti,
1998).
Embora crianças negras pesem, em geral,
menos que as brancas, e seu 10
o
percentil seja
mais baixo, não está claro se esta diferença de-
ve-se somente a menor potencial genético pa-
ra crescimento nas crianças negras. No entan-
to, entre as crianças negras há mais fatores de
risco para baixo peso ao nascimento, incluindo
condições sócio-econômicas mais baixas e
maior ocorrência de hipertensão materna. Es-
tudos americanos sobre RCIU destacam ser me-
lhor o uso de populações heterogêneas quan-
to à raça (Goldenberg et al., 1989). No presente
estudo, não se fez separação entre população
branca e não branca, pois houve distribuição
equivalente à da população brasileira, com 70%
de branca e 30% de não branca, favorecendo
sua aplicabilidade clínica (Perrotti, 1998).
Fetos masculinos comumente pesam mais
que os femininos, além de os valores do per-
centil 10 serem maiores nos masculinos, pelo
menos em algumas populações. Além disso,
não há maior risco na gestação em relação ao
sexo fetal (excluindo patologias ligadas ao se-
xo) (Goldenberg et al., 1989). Portanto, não se
separaram os percentis de peso fetal pelo sexo,
Tabela 1
Média e desvio-padrão do peso fetal estimado de gestantes normais, segundo
a idade gestacional. Campinas, 1998.
Idade gestacional Peso fetal estimado (g) n
(semanas)
X DP
20 368,84 45,78 124
21 427,05 46,49 129
22 504,05 62,14 123
23 581,79 59,97 122
24 677,95 62,76 124
25 776,53 84,66 120
26 908,45 112,90 120
27 1.045,82 112,70 120
28 1.190,82 127,95 120
29 1.360,74 152,82 120
30 1.527,48 210,20 122
31 1.715,41 194,27 123
32 1.926,81 200,02 128
33 2.101,73 201,63 130
34 2.294,31 193,35 132
35 2.536,17 225,47 136
36 2.725,14 237,23 140
37 2.943,85 305,21 132
38 3.119,97 335,67 122
39 3.267,18 372,36 121
40 3.344,06 383,83 123
41 3.373,33 396,12 122
42 3.417,18 378,43 121
CURVA DOS VALORES NORMAIS DE PESO FETAL
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Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 16(4):1083-1090, out-dez, 2000
Tabela 2
Valores dos percentis 10, 50 e 90 do peso fetal estimado de gestantes normais, segundo a idade gestacional.
Campinas, 1998.
Idade gestacional Peso fetal estimado (g) n
(semanas) percentil 10 percentil 50 percentil 90
20 316,0 368,5 424,0 124
21 367,0 425,0 489,0 129
22 432,0 505,0 570,0 123
23 510,0 578,0 658,0 122
24 595,0 684,5 747,0 124
25 672,5 774,5 864,5 120
26 783,0 917,5 1.048,0 120
27 902,0 1.043,5 1.189,0 120
28 1.041,5 1.170,0 1.376,5 120
29 1.200,5 1.341,5 1.550,0 120
30 1.337,0 1.512,5 1.733,0 122
31 1.518,0 1.700,0 1.975,0 123
32 1.737,0 1.908,5 2.154,0 128
33 1.856,0 2.101,5 2.343,0 130
34 2.070,0 2.288,5 2.535,0 132
35 2.256,0 2.527,0 2.829,0 136
36 2.390,0 2.755,5 3.006,0 140
37 2.583,0 2.952,5 3.307,0 132
38 2.704,0 3.127,5 3.491,0 122
39 2.816,0 3.305,0 3.772,5 121
40 2.826,0 3.334,0 3.870,0 123
41 2.844,0 3.411,0 3.823,5 122
42 2.938,0 3.385,5 3.865,5 121
0
500
1000
1500
2000
2500
3000
3500
4000
4500
P90
P10
P50
42 idade gestacional
(semanas)
41403938373635343332313029282726252423222120
peso fetal estimado (g)
Figura 1
Valores dos percentis 10, 50 e 90 do peso fetal estimado de gestantes normais, segundo a idade gestacional.
Campinas, 1998.
* Peso fetal estimado pela fórmula de Hadlock et al. (1991).
CECATTI, J. G. et al.
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Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 16(4):1083-1090, out-dez, 2000
como algumas curvas preconizam, pois pre-
tendeu-se demonstrar a evolução do peso de
maneira global, ou seja, mesmo nas situações
em que não se conhece o sexo fetal. Curvas de
peso fetal diferentes em relação ao sexo fetal já
foram construídas, mas esta diferença não se
mostrou estatisticamente significativa (Ott et
al., 1985; Secher et al., 1987).
Quando se dispõe de valores de peso fetal
estimado de gestantes normais, ao longo da
gestação é possível diagnosticar desvio da nor-
malidade pela presença de RCIU em um ponto
isolado de observação ou em curva de cresci-
mento ao longo do tempo. Para isso basta a rea-
lização de exame de ultra-som por intermédio
de equipamento adequado e profissional com
capacitação técnica para medidas de biometria
fetal.
Os resultados mostraram-se bastante simi-
lares em relação a outras curvas existentes na
literatura para populações tanto étnica quanto
economicamente diferentes, porém com valo-
res discretamente inferiores a partir da 30
a
se-
mana. Talvez esta diminuição do peso fetal no
terceiro trimestre, ocasião em que o feto deve-
ria ganhar mais peso, possa direcionar para in-
tensificação nos cuidados pré-natais neste pe-
ríodo, desde a alimentação materna até a bus-
ca e controle das patologias maternas mais fre-
qüentes próximas ao termo.
Utilizando curva efetuada com dados de
uma população brasileira, estar-se-á mais pró-
ximo à realidade sócio-econômica e às caracte-
rísticas demográficas maternas de cada caso a
ser avaliado, ou seja, aos fatores causais de bai-
xo peso ao nascimento mais prevalentes no
país. Com isso, pode-se supor que os resultados
devam ser melhor avaliados, facilitando a inter-
pretação dos mesmos para possível melhoria
no atendimento da saúde materna e neonatal.
Deve-se ainda considerar que o exame de ultra-
sonografia é realidade e que grande parcela das
mulheres grávidas a ele recorrem em algum
momento da gestação, motivo pelo qual isso
Tabela 3
Valores estimados* para os percentis 10, 50 e 90 do peso fetal estimado de gestações normais,
segundo a idade gestacional. Campinas, 1998.
Idade gestacional Peso fetal estimado (g) n
(semanas) percentil 10 percentil 50 percentil 90
20 95,5 284,2 324,2 124
21 231,7 389,1 442,5 129
22 367,9 499,0 566,6 123
23 504,1 614,1 696,5 122
24 640,2 734,3 832,1 124
25 776,4 859,6 973,5 120
26 912,6 990,0 1.120,7 120
27 1.048,8 1.125,5 1.273,7 120
28 1.184,9 1.266,1 1.432,4 120
29 1.321,1 1.411,9 1.596,9 120
30 1.457,3 1.562,7 1.767,2 122
31 1.593,5 1.718,7 1.943,2 123
32 1.729,6 1.879,8 2.125,0 128
33 1.865,8 2.046,0 2.312,6 130
34 2.002,0 2.217,3 2.506,0 132
35 2.138,2 2.393,8 2.705,1 136
36 2.274,3 2.575,3 2.910,0 140
37 2.410,5 2.762,0 3.120,7 132
38 2.546,7 2.953,7 3.337,2 122
39 2.682,9 3.150,6 3.559,4 121
40 2.819,0 3.352,6 3.787,4 123
41 2.955,2 3.559,7 4.021,1 122
42 3.091,4 3.772,0 4.260,7 121
* Ajustes polinomiais de 1
o
e 2
o
graus:
Peso fetal estimado = -1607,72 + (59,22xIG) + (1,60xIG
2
) & valor estimado < 0
CURVA DOS VALORES NORMAIS DE PESO FETAL
1089
Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 16(4):1083-1090, out-dez, 2000
não representaria gasto excedente de grande
monta na assistência à mulher grávida.
Finalmente resta ainda uma grande dúvida
a ser respondida. Qual a melhor curva de peso
fetal estimado a ser utilizada como referência
para uma população de gestantes brasileiras?
Qual a variabilidade entre a estimativa do peso
fetal por ultra-sonografia e o peso real medido
ao nascimento? Estas perguntas remetem à ne-
cessidade de dar continuidade ao estudo da
questão, provavelmente mediante pesquisas
que avaliem esta variabilidade e também o de-
sempenho destas curvas, tanto a bruta quanto
a alisada, de PFE no diagnóstico de situações
de RCIU e recém-nascidos PIG (pequeno para
idade gestacional).
0
500
1000
1500
2000
2500
3000
3500
4000
4500
4241403938373635343332313029282726252423222120
P90
P10
P50
idade gestacional
(semanas)
peso fetal estimado (g)
Figura 2
Valores estimados* para os percentis 10, 50 e 90 do peso fetal estimado de gestantes normais, segundo a idade
gestacional. Campinas, 1998.
* Ajustes polinomiais de 1
o
e 2
o
graus
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    • "USG eram emitidos segundo o protocolo do Setor e os dados de interesse do estudo eram coletados em formulário específico, no momento da realização do exame. Para a classificação do PFE em função da IG, foi utilizada a curva modificada dos valores normais de PFE por USG segundo a IG, elaborada inicialmente por Cecatti et al. 7 , em 2000. No presente estudo, a modificação dessa curva correspondeu à utilização de um ajuste polinomial de segundo e terceiro grau para obter as curvas de regressão dos percentis que melhor se adaptassem à tendência dos valores individuais. "
    [Show abstract] [Hide abstract] ABSTRACT: to evaluate the correlation between the estimated fetal weight (EFW) by ultrasonography and the neonatal weight (NW), as well as the EFW's capacity to predict changes in NW among pregnant women in João Pessoa, Paraíba, Brazil. a diagnostic validation study, including 122 pregnant women who have had the EFW calculated by ultrasonography up to seven days before delivery and the NW established immediately after birth, with a specific newborn's scale. The correlation between EFW and NW measurements was assessed by Pearson's correlation coefficient and by the mean difference between them. EFW and NW were classified as: low for the gestational age (LGA), adequate for the gestational age (AGA) and high for the gestational age (HGA), according to the percentiles 10 and 90 of the respective reference curves. The diagnosis of EFW deviation has been validated using the values of the Alexander's NW reference curve as gold-standard, by estimating the sensitivity, specificity, and positive and negative predictive values. there has been a high linear correlation between the EFW and NW (R=0.96), and the difference between them has varied from -474 g to +480 g, with an average of +3 g. Most of the highest percent weight estimate variations were between 10 and 15%. EFW has had 85.7% of sensitivity and 100% of specificity for the detection of LGA, and 100 and 77.2%, respectively, for the detection of HGA. EFW is able to predict NW adequately, and the reference EFW tested has had a good performance in the screening of fetal growth deviation, in the population studied.
    Full-text · Article · Jan 2010
  • Full-text · Article · · Revista brasileira de ginecologia e obstetrićia: revista da Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia
  • [Show abstract] [Hide abstract] ABSTRACT: The teeny for the gestational age are all those bab ies in which weight is found under the percentile 1 0 for its gestational age, based on a intra-uterine growing c urve from Bataglia and Lubhcenco. The weight and gestational age at the birth time reflect the sufficiency from the intra-uterine development making it easy to for esee the subsequents morbidies and neonatal mortalities. The purpose of this was to verify the existence of Tee ny for its Gestational Age (TGA) of new-borns, the maternal factors and the neonatal complications, beyond the im portance of phisiotherapic intervention for accompaniment in th e long run. This is a transversal observational stu dy, retrospective, of datas researches rising from a Sy stem of Promptuary of a private hospital convention ed to Unique Health System (SUS) of a city named Dourados, in the state of Mato Grosso do Sul - MS. It has been ver ified the evidence of teeny new-borns for its gestational age , born between the period of January and December 2005 in the mentioned hospital, in which weight was below 2500 Kg and gestational age between 37 to 42 weeks. The statistic analysis has been done by the average pattern-devia tion relative and absolute frequencies. The birth o f TGA were related to 56,57% of pregnant women with an age variation from 20 to 34 years; 52,63% of these mothers were multiparous and 42,01% were white. It was also poss ible to observe a prevalence of 3,11% of TGA newly-born babies. Among the present morbidities were found children with presence of meconium and anoxia aspirat ion, and
    Article · · Revista brasileira de ginecologia e obstetrićia: revista da Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia
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