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FERREIRA, Aparecida de Jesus. Formação de professores de língua inglesa e o prepara para o exercício do letramento crítico em sala de aula em prol das práticas sociais: um olhar acerca de raça/etnia. Línguas & Letras, v. 7, n. 12, p. 171-187.

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X 172 RESUMO: Discussões e pesquisas sobre igualdade, inclusão, justiça social, identidade, diversidade e práticas sociais e cidadãs estão ocorrendo globalmente, bem como, localmente. Estas discussões neste momento histórico são necessárias, pois as injustiças e desigualdades estão ocorrendo a todo o momento. Documentos oficiais tais como os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998a, 1998b) bem como a Lei 10.639/2003 (BRASIL, 2003, 2004, 2005) tornou obrigatório no ensino básico público e privado o ensino de assuntos relacionados a pluralidade cultural, diversidade e relações étnico-raciais. Sendo assim, torna-se necessário estar discutindo questões que apontem possíveis formas de interação que sejam mais justas e igualitárias dentro e fora do sistema escolar. Os cursos de formação de professores de línguas é uma das arenas que estas temáticas podem e devem ser discutidas, para que tenhamos professores críticos e reflexivos a fim de formar cidadãos/ãs mais críticos. Esta comunicação tem a intenção de apresentar resultados de uma pesquisa que considerou à formação de professores de língua inglesa como língua estrangeira e o preparo destes professores para exercer um ensino voltado para as práticas sociais em sala de aula. A pesquisa foi embasada com os seguintes suportes teóricos: prática reflexiva (WALLACE, 1991, SCHÖN, 1983) e letramento crítico e práticas sociais (PENNYCOOK, 2001). O resultado da pesquisa demonstrou uma necessidade de se considerar à reflexão crítica nos cursos de formação de professores e cursos de formação continuada de professores de língua inglesa, desta forma tanto os professores em pré-serviço como os professores em serviço possam exercer o letramento crítico como uma forma de prática social no momento em que estiverem atuando em sala de aula. PALAVRAS-CHAVE: formação de professores de língua inglesa, letramento crítico, prática social.
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... Se fazendo necessário compreender que as salas de aula estão sendo, cada vez mais, habitadas por pessoas diversas; tornando-se necessária a observação de quais discursos estão sendo (re)forçados e naturalizados neste meio, no qual, em muitos momentos, podem gerar desconforto, exclusão, violência e sofrimento para aquelas e aqueles envolvidas/os no trabalho escolar. Dessa maneira, é possível compreender que, conforme algumas pesquisas que consideram identidade de gênero tanto na linguística aplicada como na área educacional, (LOURO, 1997;2000;MOITA LOPES, 2002;FERREIRA, 2006;2015;BUTLER, 2010;HALL, 2011;SALIH, 2013;WOODWARD, 2013;DIAS, MASTRELLA-DE-ANDRADE, 2015) que as identidades não são fixas, não são biológicas, mas são construídas socialmente, discursivamente, são instáveis e estão em constante processo de formação, transformação e (des)construção o tempo todo de nossas vidas. ...
... A língua, ao ser ensinada, pode ser vista como um instrumento para a prática social, (FERREIRA, 2006), ou seja, a língua como instrumento para questionar, problematizar, as normas e costumes que formam a sociedade. À vista disso, a sala de aula de línguas é, essencialmente, um espaço onde se aprende línguas para construir significados (MOITA LOPES, 2002) para ir além do binarismo, com perspectivas de utilizar a língua para compreender o contexto social, político e ideológico no qual as/os estudantes estão inseridas/os, ou seja, a língua inglesa, no processo de ensino-aprendizagem, para além do conceito de língua como código, a qual possa ser utilizada de maneira contextualizada mostrando também histórias locais e globais das pessoas (MELO, 2015), rompendo com o preconceito, racismo e estereótipos presentes, às vezes, nas práticas de comunicação contra certos grupos de identidades menos visibilizadas, tanto no ambiente escolar, quanto na sociedade. ...
... Além disso, as aulas de línguas estrangeiras (inglês) também são lugares de discussões das questões do cotidiano das/os estudantes, principalmente no que se refere às questões de gênero, de raça e de sexualidade uma vez que as pesquisas (FERREIRA, 2012(FERREIRA, , 2015TILIO, 2012;GIESEL, 2012;MELO, ROCHA, JUNIOR, 2013;MELO, 2015;NELSON, 2015;DIAS, MASTRELLA-DE-ANDRADE, 2015) têm demonstrado a importância de se utilizar dos discursos orais, escritos e, recentemente, multiletramentos e multimodais como foi encontrado nas pesquisas recentes dos últimos 5 anos (BARROS, 2013, SANTOS, 2013) com possibilidade de proporcionar um ensino/aprendizagem de línguas como instrumento para a prática social (FERREIRA, 2006), construindo significado entre a sala de aula e o mundo social (MOITA LOPES, 2002). ...
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O presente artigo pretende contribuir com reflexões referentes as identidades de gênero perante a exibição do vídeo “Acorda Raimundo” nas aulas de língua inglesa. Este artigo responde a duas questões: Como as aulas de língua inglesa podem contribuir para (des)naturalizar os papéis atribuídos para mulheres e homens? Como os papéis de gênero são vividos e naturalizados para mulheres e homens na sociedade? O referencial teórico utilizado está ancorado em Louro (1997, 2007), Moita Lopes (2002), Auad (2003, 2006), Butler (2010), Melo (2015) Ferreira (2006, 2012, 2015), Hall (2011), Dias e Mastrella-de-Andrade (2015). A metodologia utilizada neste estudo foi no contexto de grupo focal com 8 estudantes de uma turma de 2 Série do Ensino Médio, pertencentes a uma Escola Pública do Paraná. Os resultados da pesquisa demonstram que se faz necessário desconstruir estereótipos, preconceitos, machismo e sexismo nas relações de gênero, podendo encontrar na língua inglesa importantes contribuições para a construção de uma sociedade mais humana para todas as pessoas. Concluímos que, abordagens, em sala de aula, com temáticas envolvendo questões de gênero, são importantes porque possibilitam que professoras/es e estudantes reflitam criticamente sobre os discursos e práticas que reforçam as desigualdades entre mulheres e homens nas diferentes formas de manifestação do “ser” mulher/homem na sociedade.
... Et, comment la langue anglaise peut-elle collaborer à la (dé) construction de telles identités? Pour cela, nous utilisons le cadre théorique de Ferreira (2006de Ferreira ( , 2012de Ferreira ( , 2015, Benoît (2002), Chevalier (2014), Gomes (2005), Hall (2011), Blonde (2000 2013), Butler (2000), Melo (2015), Moita Lopes (2002Lopes ( , 2003, Woodward (2013). En ce qui concerne la méthodologie, il a été par la recherche qualitative, ethnographique développé l'année 2017. ...
... Questões de raça, de gênero e de sexualidade no contexto brasileiro são polêmicas e complexas (Ferreira, 2012;Louro 2013), vistas ainda como tabus (Ferreira, 2012), sendo tratadas, na maioria das vezes, de forma essencializadas e estereotipadas por algumas pessoas, principalmente no contexto escolar. Pesquisas têm demonstrado a necessidade de tratar esses temas no ambiente educacional (Ferreira, 2012(Ferreira, , 20152012;Cavalleiro, 2014) empoderamento e de questionamento para a prática social (Ferreira, 2006), a qual pode contribuir na construção de sujeitos sociais críticos, oportunizando acesso às informações variadas neste mundo globalizado (Melo, 2015). ...
... Nesse contexto, compreendemos raça como uma construção histórica, social, cultural, (Ferreira, 2012) discursiva, performativa (Melo, 2015) e política, produzida nas relações sociais e de poder ao longo do processo histórico (Gomes, 2005). No qual, "ser negra/o, branca/o, amarelo, por exemplo, seria o resultado dos diversos atos de fala performativos" a que somos expostos desde o nascimento (Melo, 2015, p.74), ou seja, aprendemos/somos construídas/os na sociedade e na cultura de observar e de classificar as pessoas pelas diferenças (Gomes, 2005 (Ferreira, 2006(Ferreira, , 2015Melo, 2015), revelando que "quando as pessoas são convidadas a se autoclassificar com relação à raça/etnia, suas decisões estão relacionadas às imagens que já foram construídas para elas, e que são associadas ao que foi construído social e historicamente" (Ferreira, 2006, p. 46 reconhecem. Ou seja, a interseccionalidade se constitui no desafio de abordar diferenças dentro da diferença (Crenshaw, 2004), em que " homens e mulheres podem experimentar situações de racismo de maneiras especificamente relacionadas ao seu gênero." ...
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Resumo: O presente artigo se refere as identidades de raça, gênero e sexualidade nas aulas de língua inglesa. O Objetivo deste artigo é analisar e compreender o significado que as/os estudantes atribuem as identidades raciais, as quais fazem intersecção com as identidades de gênero e de sexualidade, no processo de ensino-aprendizagem de língua inglesa. Assim, neste artigo procuraremos responder as seguintes perguntas de pesquisa: o que os discursos das/os estudantes revelam acerca das identidades raciais, de gênero e de sexualidade na sala de aula de língua inglesa? E, como a língua inglesa pode colaborar na (des)construção de tais identidades? Para isso, utilizamos o referencial teórico de Ferreira. No que concerne a metodologia, foi através de pesquisa qualitativa, do tipo etnográfica desenvolvida no ano de 2017. A geração de dados foi com questionário, narrativas autobiográficas e entrevistas de grupo focal, com 4 alunas e 4 alunos de um Colégio Estadual do Paraná, considerando o quesito cor/raça das/os entrevistadas/os. O resultado da pesquisa revela que as identidades raciais são alvos de racismo e preconceito na sala de aula, ocorrendo com mais intensidade quando interccecionadas com as questões de gênero e de sexualidade. Dessa maneira, as conclusões apontam para o benefício e a necessidade de utilizar o ensino de língua inglesa como instrumento de empoderamento para desestabilizar às relações de poder existentes ao binarismo de homem/mulher, negra/o/branca/o, heterossexual/homossexual, no intuito de construir um mundo mais humano através do ensino de línguas/inglês. Abstract: This article refers to the identities of race, gender and sexuality in English language classes. The purpose of this article is to analyze and understand the meaning that students attribute to racial identities, which intersect with the identities of gender and sexuality, in the process of teaching-learning English as a foreign language. Thus, in this article we will try to answer the following research questions: What do students' discourses reveal about racial, gender and sexual identities in the English language classroom? And, how can English language collaborate in (the) construction of such identities? We use the theoretical reference framework narratives and focus group interviews, with 4 students and 4 students from a State School of Paraná, considering the color / race question of the interviewees. The result of the research reveals that racial identities are targets of racism and prejudice in the classroom, occurring more intensely when intercepted with gender and sexuality issues. In this way, the conclusions shows the benefit and necessity of using English language teaching as an instrument of empowerment to destabilize the existing power relations to heterosexual / homosexual black / white / heterosexual binarism of the male /female to create a more human world through language / English teaching. Keywords: race identity, race. gender. sexuality, english as foreign language language IDENTITÉS RACIALES DANS LES COURS DE LANGUES ET INTERSECTION AVEC LE GENRE ET LA SEXUALITÉ: DISCOURS PRODUITS PAR DES ÉTUDIANTES Résumé: Cet article fait référence aux identités de race, de genre et de sexualité dans les cours d'anglais. L'objectif de cet article est d'analyser et de comprendre le sens que / élèves attribuent les identités raciales, qui se croisent avec des identités de genre et la sexualité dans l'enseignement de la langue anglaise et le processus d'apprentissage. Ainsi, cet article va tenter de répondre aux questions suivantes: Quels discours de / étudiants sur Révéler l'identité raciale, le genre et la sexualité en classe de langue anglaise? Et, comment la langue anglaise peut-elle collaborer à la (dé) construction de telles identités? Pour cela, nous utilisons le cadre théorique. En ce qui concerne la méthodologie, il a été par la recherche qualitative, ethnographique développé l'année 2017. La génération de données était un questionnaire, des récits autobiographiques et interviews de groupes de discussion avec quatre étudiants et quatre étudiants d'un State College of Parana, compte tenu de la question de couleur / race des interviewés. Le résultat de la recherche montre que les identités raciales sont des cibles du racisme et des préjugés en classe, se produisant plus d'intensité quand interccecionadas avec les questions de genre et de la sexualité. Ainsi, les résultats font ressortir l'intérêt et la nécessité de l'enseignement de l'anglais comme un outil d'autonomisation pour déstabiliser les relations de pouvoir à l'homme de binaire / femme, noir / o / blanc / o, hétérosexuel / homosexuel, en créer un monde plus humain grâce à l'enseignement de la langue et de l'anglais. Mots-clés: identités; course genre; sexualité langue anglaise.
... Dessa maneira, a língua, ao ser ensinada, pode ser vista como um instrumento para a prática social (FERREIRA, 2006), ou seja, a língua como instrumento para questionar e problematizar as normas e os costumes que formam a sociedade. Em vista disso, a sala de aula de línguas é, essencialmente, um espaço em que se aprende línguas para construir significados (MOITA LOPES, 2002), para ir além do binarismo, com perspectivas de utilizar a língua para compreender o contexto social, político e ideológico no qual as/os estudantes estão inseridas/os, ou seja, a língua inglesa no processo de ensino-aprendizagem para além do conceito de língua como código, a qual possa ser utilizada de maneira contextualizada, mostrando também histórias locais e globais das pessoas (MELO, 2015). ...
... sociedade(CAVALLEIRO, 2014;TEIXEIRA; PACÍFICO, 2014;FERREIRA, 2006 FERREIRA, , 2012 FERREIRA, , 2015JÚNIOR, 2013, MELO;MOITA LOPES, 2014; MELO, 2015). Os resultados das pesquisas mencionadas são de que há necessidade de se problematizar as questões de raça na escola e na sociedade em geral, haja vista que as situações de preconceito racial desencadearem uma série de exclusões e de consequências, principalmente para as pessoas negras.No Brasil, atualmente, a identidade racial negra ainda é motivo de racismo e preconceito. ...
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Resumo O presente artigo traz reflexões dos estudos realizados no Mestrado em Linguagem, Identidade e Subjetividade. As reflexões trazidas aqui são pertinentes ao estudo da linguagem, no que se refere à língua estrangeira, especificamente ao inglês. O objetivo deste artigo é averiguar o que as pesquisas recentes revelam sobre as identidades de gênero, de raça e de sexualidade nas aulas de língua inglesa, buscando compreender como a língua inglesa pode colaborar na desconstrução de estereótipos, preconceito e racismo em relação às identidades de gênero, de raça e de sexualidade existentes na sociedade. A pesquisa responde a seguinte pergunta: O que as pesquisas recentes revelam sobre as identidades de gênero, de raça e de sexualidade e as aulas de língua inglesa? O referencial teórico utilizado para dar suporte a pesquisa forma os referenciais na área linguagem e intersecção com raça, gênero e sexualidade,. A metodologia utilizada neste estudo foi a pesquisa bibliográfica. Os resultados da investigação revelam a falta de estudos nas questões de gênero, de raça e de sexualidade e língua inglesa, pois as pesquisas recentes encontradas apresentaram os referidos temas em outras áreas de estudo e com pouca relação com a língua inglesa. Assim, podemos concluir a necessidade de pesquisas que abordem as questões de gênero, de raça e de sexualidade no campo de ensino/aprendizagem de língua inglesa. Trabalhar dessa forma poderá colaborar na desconstrução dos estereótipos em sala de aula, do discurso de educadoras/es e estudantes no que se refere às relações de poder, desestabilizando a composição do binarismo: homem/mulher, negra/o/branca/a, heterossexual/homossexual, e auxiliando os sujeitos a utilizarem a linguagem para colaborar na construção de uma sociedade mais humana e digna para todas as pessoas. Palavras-chave: Identidades. Gênero. Raça. Sexualidade. Língua Inglesa.
... The government guidelines for the teaching of African and Afro-Brazilian history and culture provide guidance on what content to teach, and the guidelines are also intended to raise general awareness that racism exists in Brazil. It is intended that teaching about Afro-Brazilian culture will be achieved by well-developed teaching material as well as teachers who are prepared to deal with the issue in the classroom (MOITA LOPES, 2002;BRASIL, 2005, FERREIRA, 20062008JORGE, 2012). ...
... As this article is related to race and racism in the field of language education, foreign language education, TESOL and applied linguistics, it is important to point out that significant research has been done in the field over the last few years in Brazil, such as Moita Lopes (2002); Ferreira (2006Ferreira ( , 2007Ferreira ( , 2008Ferreira ( , 2011Ferreira ( , 2012a2012b); Silva (2009) ...
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FERREIRA, Aparecida de Jesus. Autobiographical narratives of race and racism in Brazil: Critical Race Theory and language education. Revista Muitas Vozes. Ponta Grossa, v.4, n.1, p. 79-100, 2015. This research reflects the experiences of language teachers regarding race and racism in their lives in Brazil. The three main research objectives were to examine how these teachers personally encountered racism; what these teachers’ narratives reveal about racism and the way that they reflect about their own racial identities; and finally, how the experiences of these teachers were transformed into action in their language classrooms and in their private lives. The theoretical framework used was based on Critical Race Theory (CRT), which was the basis for data analysis (LADSON-BILLINGS, 1998, LADSON-BILLINGS AND TATE, 1995). The methodology for data gathering was autobiographical narratives about these teachers’ experiences of race and racism. The results showed that in one way or other these teachers faced issues of race and racism in their own homes, in schools as students, in university as students, as well as in their own working environments.
... Em termos práticos, o aporte teórico dos NEL fundamenta a perspectiva do letramento crítico e também amplia a compreensão do contexto social considerando aspectos políticos e ideológicos nas práticas de linguagem (FERREIRA, 2006). Assim, ao adotarmos este referencial deslocamos as análises do âmbito linguístico e as direcionamos para um contexto mais abrangente, em que a leitura e a escrita são compreendidas como práticas socioculturalmente marcadas tendo seus significados construídos de formas diversas. ...
... Entender como a língua do outro funciona formal e socioculturalmente não significa alienar-se, pelo contrário, possibilita ao aluno compreender o papel das línguas e das culturas na sociedade. Numa perspectiva crítica, significa que o referencial de uma língua estrangeira possibilita ao aluno compreender-se como sujeito nas práticas socioculturais em que participa (MOITA LOPES, 1996;FERREIRA, 2006). ...
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Resumo O ciberespaço reflete mudanças socioculturais significativas que favorecem a participação e a construção de significados nos diferentes espaços de interação, de comunicação e de informação. Na perspectiva do letramento crítico, as práticas de letramento que ocorrem no ambiente virtual não são neutras visto que evidenciam visões de mundo socioculturalmente criadas (LANKSHEAR, KNOBEL, 2007). Sendo assim, o propósito desse artigo é discorrer sobre as práticas de letramento mediadas por tecnologia e as implicações desses novos espaços de autoria e disseminação de discursos para o ensino crítico de línguas. Nossas reflexões partem do pressuposto de que tanto a língua quanto a tecnologia não são culturais neutras e, por essa razão, requerem uma postura crítica do professor rumo ao ensino crítico e contextualizado de línguas. Palavras-chave: Educação. Letramentos. Ciberespaço. Abstract: Cyberspace and education: proposals about digital literacies. Cyberspace reflects significant sociocultural changes that promote the participation and construction of sense through different spaces for interaction, communication and information. From the critical literacy perspective, the literacy practices that occur in the virtual environment are not neutral because they reflect sociocultural views of the world (LANKSHEAR, KNOBEL, 2007). Thus, the purpose of this paper is to discuss literacy practices mediated through technology and the implications of these new spaces for authorship and the dissemination of discourses related to critical language teaching. Our reflections start from the idea that language and technology are not culturally neutral and, for that reason, a critical teaching attitude is required from the teacher to promote contextualized language teaching.
... professores e em associações de pesquisadores (por exemplo ABPN -Associação Brasileira de Pesquisadores Negros, ANPED -Associação Nacional de Pós-Graduação em Educação, ANPOLL -Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística, entre outros) e participantes ativos em debates sobre raça, racismo e relações raciais. Através dessas participações têm sido possível a implementação de políticas educacionais e linguísticas importantes que consideram as questões de raça, racismo e relações raciais, políticas tais como: ( Ferreira (2006Ferreira ( , 2007Ferreira ( , 2008Ferreira ( , 2009, Rossato (2014) (Bell, 2003;Chapman, 2007;Decuir E Dixon, 2004;Lopéz, 2003;Lynn, 1999;Marx E Pennington, 2003;Milner;Howard, 2013;Parker, 1998;Parker E Stovall, 2004;Solórzano E Yosso, 2001;Villenas;Deyhle, 1999;Yosso, 2005), No contexto aa Inglaterra (Gillborn, 2006;Rollock, 2012), no contexto brasileiro (Cruz, 2004;Cruz, 2010;Ferreira, 2004Ferreira, , 2006Ferreira, , 2009 e em outros países. De acordo com Tate (1997), há cinco princípios que definem a Teoria Racial Crítica (Critical Race Theory): 1. ...
... professores e em associações de pesquisadores (por exemplo ABPN -Associação Brasileira de Pesquisadores Negros, ANPED -Associação Nacional de Pós-Graduação em Educação, ANPOLL -Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística, entre outros) e participantes ativos em debates sobre raça, racismo e relações raciais. Através dessas participações têm sido possível a implementação de políticas educacionais e linguísticas importantes que consideram as questões de raça, racismo e relações raciais, políticas tais como: ( Ferreira (2006Ferreira ( , 2007Ferreira ( , 2008Ferreira ( , 2009, Rossato (2014) (Bell, 2003;Chapman, 2007;Decuir E Dixon, 2004;Lopéz, 2003;Lynn, 1999;Marx E Pennington, 2003;Milner;Howard, 2013;Parker, 1998;Parker E Stovall, 2004;Solórzano E Yosso, 2001;Villenas;Deyhle, 1999;Yosso, 2005), No contexto aa Inglaterra (Gillborn, 2006;Rollock, 2012), no contexto brasileiro (Cruz, 2004;Cruz, 2010;Ferreira, 2004Ferreira, , 2006Ferreira, , 2009 e em outros países. De acordo com Tate (1997), há cinco princípios que definem a Teoria Racial Crítica (Critical Race Theory): 1. ...
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The article aims to analyze autobiographical narratives of social identities of race of language teachers. The goal is to understand what are the meanings attributed to the racial identity of blacks and whites in autobiographical narratives. The theoretical framework used to analyze autobiographical narratives is the Critical Race Theory - CRT (Ladson-Billings, 1998). In conclusion, the meanings attributed to the words for black racial identity and white racial identity that are brought in autobiographical narratives are senses used in ways that disfavor the black racial identity and favor white racial identity and, yet, many of the examples presented in the narratives, put white racial identity as the norm.
... (2015) consideram racismo velado, que acarreta a invisibilidade dos negros, discursos liberais sobre a diversidade e a fuga constante a questões que encarem a realidade do racismo no Brasil. Ferreira (2006) considera importante o preparo de professores para o ensino de raça/etnia nas aulas de LI como LE. Para tanto, a autora enfatiza a valorização seja a o conhecimento recebido pelo professor em formação, seja o seu conhecimento experiencial, onde os professores têm a oportunidade de reflexão sobre o conhecimento em ação. ...
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A formação de professores de LI (Língua Inglesa) para crianças é um processo complexo em que lacunas expõem deficiências sobre a efetiva preparação de futuros profissionais diante das realidades que irão encontrar nas salas de aula. Segundo Seccato (2020), os IC (Incidentes Críticos) são elementos valiosos e relevantes para serem tratados durante a formação visando à preparação dos professores com respeito aos IC que poderão surgir nas suas vidas, seja na posição de indivíduos objetos ou agentes. Eles possibilitam a verbalização, reflexão e questionamento de suas características, causas, consequências e reações. O presente trabalho tem como objetivo discutir a utilização dos IC na formação de professores de LI para crianças, a partir da discussão de um relato (IC) de uma professora de LI. A consideração e reflexão sobre os tipos de IC que ocorrem na vida dos professores em formação possibilitam a recontextualização de suas futuras práticas. Assim como, o desenvolvimento de agentes sociais críticos por meio de uma linguística que também tem o papel de representar e defender esferas sociais excluídas e oprimidas (PENNYCOOK, 2001).
... Salientamos que o incidente de Charlottesville nos interessa tanto por seu teor -as violências decorrentes da desigualdade racial, aparentemente desvinculadas do tema apresentado, mas tomadas como mote mais que necessário -quanto pela dinâmica que o discurso em defesa da liberdade estabelece. Sobre o teor, cumpre observar que a questão racial é emblemática de outras violências perpetradas em diversos domínios da vida social, os quais compõem o universo de recortes feitos pelas abordagens críticas de letramento(s) (Cf., por exemplo, FERREIRA, 2006LUKE, 2009;MOITA LOPES, 2002;SILVA SANTOS, 2011;SANTOS, 2013). Em relação à dinâmica que, ironicamente, coloca uma organização historicamente ligada à luta por direitos (a UALC) em defesa de supremacistas brancos dizerem o que querem, sem que o discurso antirracista tenha igual acesso à esfera pública, podemos afirmar que se repete muitas vezes nos processos sociais, é claro, com outros contornos e feições. ...
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Resumo Este trabalho discute o conceito de letramento crítico no contexto educacional brasileiro recente, que é parte de uma crise política mais ampla, em que emergem uma agenda ultraliberal, a despolitização da educação e a resultante escalada da violência em múltiplas formas, em todos os níveis da vida social. Recorrendo à historiografia do termo ‘letramento’ e a outras expressões que marcaram mudanças epistemológicas na área ao longo do tempo (novos letramentos, multiletramentos, etc.), argumentamos que é apenas através da retomada de uma agenda revolucionária nos estudos de letramento que o letramento crítico pode ser promovido neste estágio avançado do modo de produção capitalista.
... Despite these criticisms, there have been some advances concerning research that addresses the importance of raising awareness of racial issues in the EFL curriculum, as the literature produced in Brazil has shown (Ferreira, 2006(Ferreira, , 2012(Ferreira, , 2014Moita Lopes, 2002;Pessoa, 2014;Santos, 2011;Silva, 2009). These discussions are aligned with research outside Brazil that emphasizes the need to include the issue of racial identity in English language teaching and TESOL (Teaching of English to Speakers of Other Languages). ...
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Gimenez, Telma; Ferreira, Aparecida de Jesus; Basso, Rosangela Aparecida Alves; Cruvinel, Roberta Carvalho. (2016). Policies for English language teacher education in Brazil today: Preliminary remarks. PROFILE Issues in Teachers’ Professional Development, 18(1), 219-234. 2016. http://dx.doi.org/10.15446/profile.v18n1.48740 . In the last decade Brazil has begun to tackle the educational challenges of a developing country with a young population. The scale of such a demand is a result of the social and cultural inequalities that have historically been existent. Recent official policies and programs have addressed this gap by promoting greater opportunities for teacher education, and for the teaching of English as a foreign language. In this paper we discuss four of these programs/policies by highlighting their innovative aspects vis-à-vis traditional practices. We conclude that, despite quantitative advances, much still needs to be done to guarantee qualitative improvements in areas such as the curriculum in order to challenge the continuing influence of predominant ideologies.
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Aspectos relacionados à decolonialidade, especialmente na formação de docentes de inglês, não devem mais ser ignorados. Pensando nisso, desenvolvemos, ao longo de um semestre do curso de Letras/Inglês de uma universidade federal, duas disciplinas do último semestre da graduação, por meio das quais estabelecemos diálogos entre o ensino de línguas e literaturas sob o olhar decolonial. Neste texto, objetivamos compartilhar e analisar dados acerca da experiência, a qual culminou com apresentações de propostas didáticas decoloniais por parte dos graduandos, a serem desenvolvidas em salas de aula de inglês da educação básica. Trata-se de uma análise qualitativa interpretativista (MOITA LOPES, 1994) do desenvolvimento das disciplinas, com foco nas propostas didáticas apresentadas. Nossa discussão, no escopo da linguística aplicada, ancora-se em autores como Grosfoguel (2021), Mignolo (2017), Silva Júnior; Matos (2019), Kumaravadivelu (2014), Monte Mór (2018), Queiroz (2020). Os principais resultados demonstram que, ao terem contato com ideias decoloniais, os docentes em formação inicial conseguiram expandir suas perspectivas acerca do significado de ensinar inglês na escola pública, embasando propostas em suas próprias vivências no ensino superior, bem como nas experiências proporcionadas pelos estágios supervisionados; o que, no caso em análise, culminou com atividades problematizadoras acerca de questões étnico-raciais e de gênero.