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Abstract

This paper was written due to the 30th year celebration of the journal Psicologia: Ciência e Profissão, since there was a work on psychological assessment in the first issue, the same theme approached in this paper, that paper aimed at retrieving the development of psychological assessment field as well as pondering about its current moment and its future needs for the improvement of assessing practices, psychologists' education and the field of expertise. As conclusion, the authors refer to the precept that the scientific and technological progress is related to the development of the country, so that the most developed countries tend to have better assessment conditions. Especially regarding assessment, it is expected that psychologists carry it out more properly in a near future, that psychological instruments have the necessary psychometric qualities, and that society recognizes it as a scientific practice.
192
Ana Paula Porto
Noronha
Universidade São
Francisco
Caroline Tozzi Reppold
Universidade Federal de
Ciências da Saúde de
Porto Alegre
192
Considerações Sobre a
Avaliação Psicológica no
Brasil(*)
Considerations about Psychological Assessment in Brazil
Consideraciones acerca de Evaluación Psicológica en Brasil
(*) As autoras
são membros da
diretoria do Instituto
Brasileiro de Avaliação
Psicológica (IBAP),
sendo a primeira, a
presidente passada,
e a segunda, a futura
presidente.
PSICOLOGIA: CIÊNCIA E PROFISSÃO, 2010, 30 (núm. esp.), 192-201
Artigo
193
Considerações Sobre a Avaliação Psicológica no Brasil
Resumo: O presente artigo foi elaborado em virtude da comemoração dos 30 anos da revista Psicologia:
Ciência e Profissão, já que no primeiro número, havia um trabalho sobre avaliação psicológica, a mesma
temática aqui trabalhada. O objetivo a que se propôs foi resgatar o desenvolvimento da área de avaliação
psicológica no Brasil bem como refletir sobre seu momento atual e sobre as necessidades futuras para o
aprimoramento das práticas avaliativas, da formação dos psicólogos e da área de conhecimento. A título de
finalização, as autoras fazem menção aos preceitos de que progresso científico-tecnológico está relacionado
ao desenvolvimento do País, de modo que países mais desenvolvidos tendem a ter melhores condições de
avaliação. Especialmente no que respeita a avaliação, espera-se que, em um futuro próximo, os psicólogos
a realizem com mais propriedade, que os instrumentos psicológicos tenham as qualidades psicométricas
necessárias e que a sociedade a reconheça como uma prática científica.
A revista Psicologia: Ciência e Profissão
completa 30 anos, e a presente edição
comemorativa arrola textos que abordam
temáticas publicadas no primeiro número,
o que inclui a avaliação psicológica. Para
a área, isso é motivo de orgulho, uma vez
que, dentre assuntos diversos e históricos da
Psicologia, cabe a ela uma referência. Nesse
ensejo, o presente artigo tem como objetivo
a reflexão sobre a avaliação psicológica de
ontem, de hoje e do que se deseja para o
amanhã.
Ana Paula Porto Noronha & Caroline Tozzi Reppold
Palavras-chave: Avaliação psicológica. História da Psicologia. Testes psicológicos. Formação do psicólogo.
Keywords: Psychological assessment. History of psychology. Psychological tests. Psychologist education.
Resumen: El presente artículo ha sido elaborado en virtud de la celebración de los 30 años de la Revista
Psicología Ciencia y Profesión, ya que en la primera edición había un trabajo acerca de evaluación
psicológica, misma temática desarrollada aquí. El objetivo propuesto ha sido el de rescatar el desarrollo del
área de Evaluación Psicológica en Brasil, así como hacer reflexión acerca de su momento actual y acerca
de las necesidades futuras para el perfeccionamiento de las prácticas evaluativas, de la formación de los
psicólogos y del área de conocimiento. A título de finalización, las autoras hacen mención a los preceptos
de que el progreso científico tecnológico se halla relacionado al desarrollo del país, de forma que países más
desarrollados son más susceptibles de tener mejores condiciones de evaluación. Especialmente en lo que
tañe a la evaluación, se espera que en un futuro cercano los psicólogos la realicen con más propiedad, que
los instrumentos psicológicos tengan las cualidades psicométricas necesarias y que la sociedad la reconozca
como una práctica científica.
Palabras clave: Evaluación Psicológica. Historia de la Psicología. Testes Psicológicos. Formacion del psicólogo.
a partir da segunda metade da década de
1990 (Reppold & Serafini, no prelo; Wechsler
& Guzzo, 1999). A título de justificativa da
asserção, cita-se o XIII Simpósio de Pesquisa
e Intercâmbio Científico em Psicologia,
promovido pela Associação Nacional de
Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia, no
presente ano, no qual três grupos de trabalho1
(GTs) de avaliação estiveram presentes.
Divididos por temáticas de interesse comum
aos pesquisadores, esses grupos ilustram a
complexidade da área de avaliação psicológica
que, cada vez mais, busca abrir seu escopo
de interesse e articular estudos relacionados à
avaliação psicométrica, à avaliação projetiva
e à avaliação neuropsicológica.
Abstract: This paper was written due to the 30th year celebration of the journal Psicologia: Ciência e Profissão,
since there was a work on psychological assessment in the first issue, the same theme approached in this
paper, that paper aimed at retrieving the development of psychological assessment field as well as pondering
about its current moment and its future needs for the improvement of assessing practices, psychologists’
education and the field of expertise. As conclusion, the authors refer to the precept that the scientific and
technological progress is related to the development of the country, so that the most developed countries
tend to have better assessment conditions. Especially regarding assessment, it is expected that psychologists
carry it out more properly in a near future, that psychological instruments have the necessary psychometric
qualities, and that society recognizes it as a scientific practice.
Contextualização da avaliação
psicológica
O cenário da área tem se modificado, ao
longo dos últimos anos, mais especialmente,
1 Os três grupos
citados são os
seguintes: Pesquisa em
avaliação psicológica,
coordenado
pela Profa. Dra.
Acácia Aparecida
Angeli dos Santos;
Métodos projetivos
nos contextos da
avaliação psicológica,
coordenado pela
Profa. Dra. Anna Elisa
Villemor-Amaral;
Avaliação psicológica
e neuropsicológica
de crianças e
adolescentes,
coordenado pelo Prof.
Dr. Claudio Simon
Hutz.
PSICOLOGIA :
CIÊNCIA E PROFISSÃO,
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Nesse evento, estiveram presentes
aproximadamente 70 pesquisadores, de
quase 30 instituições de ensino superior, de
10 Estados brasileiros e de 4 Regiões do País.
O intuito do encontro foi problematizar e
estabelecer parcerias para o desenvolvimento
de projetos de pesquisa (Associação Nacional
de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia
[ANPEPP], 2010). Os números absolutos, se
olhados com descuido, podem trazer ao leitor
uma interpretação de pequenez. No entanto,
uma retomada histórica indica que, desde
sua primeira edição, o Simpósio conta com a
participação de expressivos pesquisadores da
área e com estudos que buscam contextualizar
o escopo da avaliação psicológica bem como
articulá-la a outras áreas de conhecimento.
No primeiro simpósio em que a área
esteve representada, foram apresentados
os seguintes trabalhos: Interação, cultura
e personalidade: contribuição das técnicas
projetivas2 e A prova de Rorschach, a epilepsia
temporal e a especialização hemisférica3.
Desde 1998, quando o Simpósio, em
sua edição, assumiu como forma de
organização a constituição de grupos de
trabalho, o grupo Pesquisa em avalião
psicológica integrou as reuniões da ANPEPP.
Coordenado em Gramado, RS pelo prof. Luís
Pasquali e pela profª Dra. Solange Wechsler4
(Weschler, 1998), o grupo foi posteriormente
coordenado pelos professores Claudio Simon
Hutz, Ricardo Primi e Ana Paula Noronha,
e, em 2008, redistribuído em razão de seu
superdimensionamento e do crescimento
expressivo de laboratórios e de linhas de
pesquisa relacionadas à avaliação psicológica
(ANPEPP, 2010).
Produções importantes foram oriundas das
discussões promovidas pelos pesquisadores
da área. Exemplos disso são os documentos
considerados guidelines. Dentre eles, a
tradução autorizada das Diretrizes para Uso
de Testes da International Test Commission,
realizada pelo Instituto Brasileiro de Avaliação
Psicológica IBAP, em colaboração com
o Laboratório de Avaliação e Medidas
Psicológicas (LAMP) da PUC-Campinas (http://
www.ibapnet.org.br/docs/DiretrizesITC.
PDF) e o manifesto elaborado em 2002
pelos membros do então GT Pesquisa em
Avaliação Psicológica (http://www.ibapnet.
org.br/avalpsi_manifesto.html). Nessa ocasião,
pesquisadores se reuniram e elaboraram um
documento intitulado Em defesa da Avaliação
Psicológica, no qual sugeriam conteúdos
que deveriam fazer parte dos currículos de
formação do psicólogo brasileiro na área de
avaliação psicológica (AP). Teoria da medida
e psicometria, avaliação da inteligência e da
personalidade e prática de planejamento,
execução e redação de resultados foram
destacados pelos autores como conteúdos
programáticos imprescindíveis para disciplinas
da área (Noronha et al., 2002). Cite-se
também a participação de membros do grupo
que, por intermédio do IBAP, colaboraram
com o Conselho Federal de Psicologia
(CFP) no que se refere à implantação, em
2003, do Sistema de Avaliação dos Testes
Psicológicos (SATEPSI). Essa iniciativa resultou
na elaboração de critérios de avaliação da
qualidade dos testes psicológicos e em uma
lista de testes que apresentam evidências
científicas para utilização profissional. Nessa
situação, uma das intervenções propostas
pelos pesquisadores foi a organização de
dúvidas levantadas na lista de discussão
virtual AvalPsi sobre o SATEPSI, as quais
foram enviadas ao CFP, que as respondeu
por meio de um documento para consulta
divulgado nos sites do CFP e do IBAP (ANPEPP,
2004). Essas referências ilustram que, além
de projetos de pesquisas, a articulação dos
pesquisadores tem propiciado a efetivação
de manifestações e de intervenções públicas
em prol da avaliação.
Aliado a isso, há outros números interessantes
que podem realçar o estado da arte e indicar
o crescimento da área em questão. Um deles
refere-se à revista Avaliação Psicológica. Esse
2 Mesa-redonda
coordenada por
André Jacquemin,
que contou com
a participação
de Claudio Hutz,
Cícero Vaz e Latife
Yazigi.
3 Trabalho
apresentado por
Latife Yazigi.
4 Integravam esse
GT os seguintes
pesquisadores:
Cícero Vaz, Claudio
Hutz, Denise
Bandeira, Elisa
Yoshida, Elisabeth
do Nascimento, Irai
Cristina Boccato
Alves, Luis Pasquali,
Marcelo Tavares,
Solange Wecshler
e Vera Figueiredo
(ANPEPP, 1998).
Considerações Sobre a Avaliação Psicológica no Brasil
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PSICOLOGIA :
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periódico temático foi criado em 2002,
sob a editoração do prof. Claudio Hutz,
inicialmente com uma participação modesta
de publicações. Com o passar dos anos, o
aumento de manuscritos submetidos foi tão
intenso que houve necessidade de alteração
na periodicidade da revista, que passou a ter
três números por ano. Desde sua fundação
até o momento, foram publicados 19
números, nos quais aproximadamente 150
artigos inéditos sobre AP foram apresentados
(http://scielo.bvs-psi.org.br/www.ibapnet.
org.br), revelando o crescente interesse de
pesquisadores pela avaliação.
Há décadas a avaliação também se organiza
como associação científica e elemento ativo
nos movimentos políticos da Psicologia
brasileira. Nesse sentido, estão o Instituto
Brasileiro de Avaliação Psicológica IBAP
(www.ibapnet.org.br) e a Associação Brasileira
de Rorschach e outros métodos projetivos –
ASBRo (http://www.asbro.org.br), fundados,
respectivamente, em 1997 e 1993 com o
intuito de promover o desenvolvimento da
área e de representar a avaliação psicológica
em órgãos e instituições de interesse do
psicólogo. Além da organização de eventos
científicos, da formação de grupos de
pesquisa e das frequentes discussões sobre
a formação profissional, essas instituições
têm colaborado com importantes decisões
que envolvem a Psicologia no País. Suas
participações no Fórum das Entidades
Nacionais da Psicologia Brasileira FENPB, ao
lado de outras 21 entidades, é exemplo disso.
Em acréscimo, pode-se mencionar o
convite recebido pelo Instituto Brasileiro
de Avaliação Psicológica para participar
do VII Congresso Nacional de Psicologia.
O evento foi promovido pelo Conselho
Federal de Psicologia CFP em 2010, e
reuniu os diretores eleitos pelos Conselhos
Regionais. Além desses, cinco entidades
foram convidadas, dentre elas o IBAP. Esse
evento é entendido como instância máxima
de deliberação da Psicologia brasileira, e seu
intuito foi discutir as políticas que deverão
ser adotadas pelo CFP nos próximos três anos
(http://cnp.pol.org.br). Pela primeira vez, a
avaliação psicológica esteve representada.
Outro dado que reflete o incremento da
área é a quantidade de testes psicológicos
comercializados na atualidade. Para ilustrar
esse fato, faz-se necessário comentar que,
em uma consulta ao Buros Institute of
Mental Measurement, em 2002, (http://
www.unl.edu/buros/), foi possível identificar
aproximadamente 2000 títulos disponíveis
naquele universo. Na mesma época, no
Brasil, pari passu com as Resoluções
25/2001 e nº 02/2003, do Conselho Federal
de Psicologia (CFP, 2010), promulgadas
com o intuito de regulamentar o uso e a
comercialização dos testes psicológicos,
aproximados 30 instrumentos faziam parte
da primeira relação do Sistema de Avaliação
dos Testes Psicológicos (SATEPSI). Hoje, os
psicólogos contam com 114 instrumentos, ou
seja, ao longo de sete anos, o que se construiu
foi muito superior ao produzido em décadas
passadas, o que representa um progresso para
a AP e traz repercussões para diversas outras
áreas da Psicologia. Nos campos da Psicologia
do desenvolvimento e da Psicologia clínica,
por exemplo, dispor de instrumentos válidos
auxilia na identificação precoce de padrões
comportamentais disfuncionais que podem
evoluir para transtornos mentais na vida
adulta bem como possibilita a avaliação da
eficácia de novas intervenções propostas,
ou da extensão de danos neurofuncionais
associados a psicopatologias específicas.
Ainda no campo clínico, citado aqui a título
ilustrativo, a preocupação metodológica
relacionada à padronização e à busca de
evidências de validade dos instrumentos
utilizados em pesquisas é fomentada, no
campo da saúde mental, desde a década
de 60. A proliferação do uso desses
instrumentos se deve, em grande parte,
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a dois fenômenos: a introdução de um
sistema classificatório multiaxial no campo
da psiquiatria a partir do DSM-III (American
Psychiatric Association, 1980) e o avanço
da psicofarmacologia. A proposta do DSM-
III contribuiu com o desenvolvimento da
psicometria por disponibilizar critérios
diagnósticos operacionais para avaliação dos
transtornos mentais, já a psicofarmacologia,
por ressaltar a necessidade de homogeneiza-
ção das amostras em pesquisas envolvendo
medicamentos psicotrópicos. Assim, técnicas
validadas passaram a ser consideradas uma
estratégia para eliminar o aspecto subjetivo
que as entrevistas traziam às avaliações.
Entretanto, muitos testes criados nesse
período não tiveram, até a virada do século,
novos estudos de validade ou de adaptação
dos instrumentos para uso nacional.
Assim, a comissão consultiva do SATEPSI
desenvolveu uma árdua tarefa relacionada
à avaliação dos testes disponíveis no País. A
comissão que compõe esse Sistema é formada
por psicólogos Doutores, especialistas em
avaliação psicológica em áreas distintas. O
primeiro grupo que a compôs teve a tarefa
de estruturar, com base em parâmetros
internacionais (AERA, APA & NCME, 1999),
os requisitos mínimos a partir dos quais os
instrumentos deveriam ser analisados. Desde
a sua criação, em 2002, a comissão consultiva
teve cinco composições diferentes5,
tendo ocupado sua função profissionais que
contribuem com publicações científicas,
pesquisas e que exercem a docência na área
de AP.
Quanto às publicações científicas, Suehiro
e Rueda (2007) fizeram uma análise das
produções da revista Avaliação Psicológica
desde seu primeiro número, em 2002, até
2007. Os autores analisaram 100 artigos, com
base em critérios como tipo de estudo, região
geográfica de origem do estudo e referências
empregadas, dentre outros. Os dados obtidos
revelam o aumento das publicações a partir
de 2005, sendo o relato de pesquisa a forma
mais frequente de submissão. É importante
ressaltar que, ao longo do período analisado, a
revista passou da classificação CAPES/ANPEPP
de C Nacional para A Nacional, e atualmente
inicia um processo de internacionalização,
o que tende favorecer a divulgação da
revista para outros países, além de poder ser
enriquecida com a contribuição de outros
autores.
Recentemente, observa-se também, em
outros veículos, uma série de publicações que
apresentam revisões sobre o estado da arte
da avaliação psicológica (Joly, Martins, Abreu,
Souza, & Cozza, 2005; Joly, Silva, Souza,
& Nunes, 2007; Reppold & Hutz, 2008;
Villemor-Amaral, 2008) e neuropsicológica
(Capovilla, 2007; Seabra, Dias, & Trevisan,
2010). Somam-se a eles estudos de revisão
sobre o ensino e a formação em AP (Joly,
Berberian, Andrade, & Teixeira, 2010;
Noronha, Carvalho, Miguel, Sousa, & Santos,
2010) e a aplicação da avaliação psicológica
em diferentes contextos (Gurgel, Plentz, Joly,
& Reppold, 2010; Oliveira, Santos, Noronha,
Boruchovitch, Cunha, Bardagi, & Domingues,
2007; Silva & Alchieri, 2008).
Dentre os resultados que se destacam,
estão os estudos de Joly et al. (2007, 2010).
Os autores destacam que, em painéis
apresentados em congressos brasileiros
de avaliação psicológica, assim como nas
pesquisas de mestrado e doutorado na área,
predominam estudos que buscam investigar
os parâmetros psicométricos de testes,
sobretudo de testes relacionados à avaliação
de personalidade e inteligência e de uso no
âmbito clínico ou escolar.
Não se pode, com isso, ingenuamente
concluir que a avaliação psicológica brasileira
se encontra em nível de excelência e pode
ser equiparada à das grandes potências
internacionais, com sua centena de testes.
Sopesando, pode-se afirmar que ela está
5 Membros da
Comissão Consultiva
em Avaliação
Psicológica em
2002: Álvaro José
Lelé, Audrey S. de
Souza, José Carlos
Tourinho e Silva,
Regina Sônia G. F.
do Nascimento e
Ricardo Primi; 2005:
Blanca Werlang,
Carlos Henrique
S. S. Nunes, Maria
Cristina Ferreira,
Regina Sônia G. F.
do Nascimento e
Ricardo Primi; 2008:
Blanca Werlang,
Maria Abigail
de Souza, Maria
Cristina Ferreira,
Marcelo Tavares e
Ricardo Primi; 2009:
Blanca Werlang,
Carlos Henrique
S. S. Nunes, Maria
Cristina Ferreira,
Marcelo Tavares
e Ricardo Primi;
2010: Anna Elisa
Villemor-Amaral,
Blanca Werlang,
Carlos Henrique S.
S. Nunes, Caroline
T. Reppold, Maria
Cristina Ferreira,
Marcelo Tavares e
Ricardo Primi.
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renascendo, o que, por certo, causa
estranheza. O presente artigo é motivado pela
publicação de um trabalho de Luis Pasquali
(1979) em um dos periódicos que mais
representam a psicologia brasileira, 30
anos. Àquela época, o autor se preocupava
com a validação de instrumentos de medida,
no caso específico, um instrumento sobre
avaliação parental. Pode-se, a partir disso,
afirmar que a avaliação já teve, também em
décadas passadas, seus dias de glória.
O uso do Teste de Inteligência de Binet
em 1907, em Minas Gerais, e a respectiva
adaptação desse instrumento, em 1924,
na Bahia, a publicação, por Medeiros
e Albuquerque, em 1924, do primeiro
livro brasileiro sobre testes psicológicos, a
inauguração de centros de pesquisa como o
Instituto de Seleção e Orientação Profissional
(ISOP) e o Serviço Nacional de Aprendizagem
Industrial (SENAI), na primeira metade do
século XX, revelam que as experiências
iniciais com avaliação psicológica no País
ocorreram em um momento histórico no qual
a Psicologia em si ainda era incipiente. Como
explicar, por exemplo, que, em 1927, Pierón
lecionou a disciplina Psicologia Experimental
e Psicometria, em São Paulo, quando a
Psicologia ainda não era uma profissão
reconhecida oficialmente? (Noronha &
Alchieri, 2002). Isso posto, pode-se admitir
que a área surgiu precocemente, vinculada
às demandas sociais da época, e criou
expectativas de que o seu desenvolvimento
seria promissor.
A precocidade da área pode ser confirmada
pela pesquisa de Noronha, Primi e Alchieri
(2004). Nesse estudo, os autores analisaram
as principais informações de 146 testes
psicológicos comercializados no Brasil,
considerando as informações dispostas
nos seus manuais. Os resultados indicaram
que, do total de instrumentos, 52,1% foram
elaborados até 1969, quando a profissão de
psicólogo ainda estava nascendo no País. O
estudo computou as produções publicadas
até 2002, e, à época, os autores reforçaram
a importância de uma ação mais enfática no
que diz respeito ao incremento da qualidade
dos testes psicológicos; adicionalmente,
chamaram a atenção para o estabelecimento de
formação profissional mais adequada na área
em questão. Nick (1988) já havia informado
que, entre 1930 e 1960, a construção de
testes foi mais acelerada no Brasil, embora não
tenha havido grandes preocupações com os
parâmetros psicométricos, possivelmente em
razão do pouco desenvolvimento dos recursos
tecnológicos disponíveis na época.
A trajetória da avaliação psicológica brasileira
foi também retratada por Pasquali e Alchieri
(2001). Os autores estabeleceram cinco
períodos pelos quais a ciência psicológica
passou desde 1836, considerando o status da
área de avaliação em cada época. Segundo
os autores, a área apresentou um entusiasmo
inicial exagerado relativo ao funcionalismo
americano pós-guerra, que se manteve até o
período que coincide com a regulamentação
dos cursos de Psicologia. Assim, o declínio
da AP ocorreu entre as décadas de 1960 a
1970, quando a escassa oferta de formação
especializada trouxe como consequência um
quadro de desqualificação docente e baixa
qualidade do ensino. Somado ao declínio
da produção na área, os testes passaram
a ser duramente criticados e a ter um uso
minimizado nos anos 80. Outros fatores
elencados para a involução da área foram
o radicalismo ideológico que acompanhou
a popularização dos enfoques humanista e
dialético na compreensão do ser humano
e a baixa qualidade do material editorial
produzido. Em decorrência, o ostracismo
instalou-se, e o desenvolvimento da área ficou
estagnado por quase três décadas.
Tal fato, embora não esteja sendo revelado
ineditamente, ainda traz para os psicólogos
que defendem a avaliação psicológica
sequelas desastrosas (Noronha et al., 2010;
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Pasquali & Alchieri, 2001, dentre outros). O
abandono da avaliação impediu seu avanço,
de modo que poucas pesquisas foram
realizadas e um mínimo de instrumentos
brasileiros foi construído. Até a criação
dos primeiros centros e laboratórios de
pesquisa em AP vinculados a programas de
pós-graduação (CPP/USPRP-1978, LabPam/
UnB- 1987, Litep/IPUSP-1988, Lamp/
PUCCAMP-1994, LM/UFRGS-1995, Lepap/
PUCMG- 1997), ainda não havia esforços
e massa crítica suficientes para oferecer
uma formação apropriada, e o docente da
área não recebia a devida atenção de seus
pares. Uma das consequências desse quadro
foi o grande número de processos éticos
relacionados à área, além do notável (pré)
conceito de alunos, docentes e psicólogos em
relação a ela (Alchieri & Bandeira, 2002; Hutz
& Bandeira, 2003; Noronha et al., 2002).
No tocante à formação, parece claro que a falta
de excelência está diretamente relacionada à
incompetência profissional. Adicionalmente,
após a publicação das diretrizes curriculares,
diversas instituições reduziram a carga horária
de disciplinas da área de avaliação psicológica
(Reppold & Serafini, no prelo), o que acarretou
um treinamento superficial do uso de testes
e de outros recursos, e, especialmente, uma
visão fragmentada do processo avaliativo.
O pouco conteúdo abordado com o futuro
psicólogo nos cursos de graduação refere-se à
administração e à avaliação de determinadas
técnicas, e muitas vezes é permeado de um
automatismo acrítico. Dessa forma, em sua
maioria, os psicólogos brasileiros não têm
sido formados para pesquisar ou construir
materiais. Contudo, como já dito, esse não é
um panorama novo, uma vez que a formação
em avaliação sofreu críticas contundentes
no final do século. Na década seguinte,
lamentavelmente pouco se avançou em
resposta às ponderações feitas por vários
autores (Hutz & Bandeira, 2003; Noronha,
2002; Villemor-Amaral, 2008).
Recentemente, Noronha et al. (2010),
com base em documentos internacionais,
recomendaram tópicos que deveriam ser
considerados quando da formação em
avaliação psicológica; conteúdo, infraestrutura
e métodos de ensino foram apontados pelos
autores como elementos importantes no
processo de aprendizagem. Outros tópicos
atuais relacionados à AP que poderiam
ser incluídos nos programas das disciplinas
referem-se aos avanços na área, dentre eles, a
avaliação informatizada ou a validade clínica
dos instrumentos psicológicos. Em acréscimo,
acredita-se que as situações ilustrativas que
levem os alunos a refletir sobre como agir
diante de situações que envolvam aspectos
éticos relacionados à avaliação psicológica é
uma estratégia importante a ser considerada.
Um estudo realizado por Frizzo, em 2004,
sobre as infrações éticas mais comumente
cometidas pelos psicólogos inscritos no
Conselho Regional de Psicologia 08 no período
de 1994 a 2003 revelou que as denunciadas
com maior frequência (46,15%) se referem
ao exercício da avaliação psicológica. Os
motivos alegados nas denúncias envolvem
principalmente as falhas quanto ao uso dos
testes aplicados e à elaboração dos relatórios
psicológicos.
Esses dados mais uma vez evidenciam que
a formação profissional é inegavelmente um
elemento nevrálgico da Psicologia. Em que
pesem estas considerações, não parece que
seja algo específico da avaliação psicológica,
uma vez que a preparação do psicólogo
prescinde de uma revisão global. Em alguma
medida, essa compreensão isenta a avaliação
da responsabilidade total pelas atuações
profissionais inconsistentes e convida a
Psicologia a refletir sobre o que se deseja do
psicólogo brasileiro no presente século.
A avaliação psicológica necessária
O que se espera da avaliação como ciência e
prática profissional? A resposta não é difícil, e
Um estudo
realizado por
Frizzo, em 2004,
sobre as infrações
éticas mais
comumente
cometidas
pelos psicólogos
inscritos no
Conselho
Regional de
Psicologia 08
no período de
1994 a 2003
revelou que as
denunciadas
com maior
frequência
(46,15%) se
referem ao
exercício da
avaliação
psicológica.
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espera-se que ela seja abrangente o bastante
para incluir os vários olhares.
A avaliação psicológica é, por lei, prática
exclusiva do psicólogo, o que, em alguma
medida, lhe concede uma reserva nesse
segmento. Para o presente século, espera-
se que seja imputada ao profissional a
competência necessária para a realização
de ações com excelência, de modo
que o garantido por lei seja acrescido
de competência e segurança nas suas
práticas avaliativas. Sustenta-se, com isso,
que a avaliação seja realizada apenas por
profissionais que tenham competência para
tal, e não por qualquer psicólogo, que a
eles é dado o direito de avaliar.
Para tanto, a formação brasileira precisa ser
repensada. A reserva de mercado somente
deve ser garantida se os psicólogos, pela sua
formação, tiverem condições de compreender
a complexidade de um processo avaliativo e
dispuserem de recursos e conhecimentos
que lhes possibilitem ponderar em que
circunstâncias uma avaliação deve ser
realizada, quais os melhores instrumentos a
utilizar em cada caso e como interpretar, de
forma contextualizada, os dados obtidos por
meio da avaliação. Para tanto, é necessário
que essa habilidade, prevista nas diretrizes
curriculares, seja de fato desenvolvida durante
o período de graduação e atualizada por meio
de formação continuada. Somente assim os
psicólogos poderão sair das universidades
em condição de realizar processos avaliativos
adequados e de fornecer diagnósticos e
prognósticos seguros (leia-se: baseados em
evidências empíricas e normas atualizadas)
em diferentes campos de atuação. Com isso,
os processos éticos referentes às atividades
de avaliação deverão diminuir, até cessar.
Adicionalmente, se as formações forem mais
valorizadas ao longo do curso, é possível
que mais psicólogos se interessem pela área,
minimizando o pré-conceito e aumentando
a quantidade de profissionais e recursos na
área.
Sob essa mesma perspectiva, qual seja, a da
formação, os psicólogos precisam incorporar,
em suas práticas profissionais, a atualização
continuada. Os anos de formação são
necessários, mas não são suficientes para
fomentar com propriedade todas as suas ações.
Constantemente novos campos de atuação
profissional têm se constituído, e o psicólogo
tem sido a chamado a contribuir, de forma
interdisciplinar, com práticas de avaliação.
Contudo, ainda se faz presente, entre alguns
psicólogos, a concepção equivocada de
que os anos de graduação lhes permitem
ter acesso aos domínios quase infinitos da
ciência psicológica. É preciso rever esses
dogmas; é preciso que o psicólogo brasileiro
se torne um consumidor mais efetivo e regular
da literatura que se produz no País ou fora
dele. Em contrapartida, é preciso que os
órgãos representativos de classe discutam de
forma mais fundamentada a criação do título
de Especialista em avaliação psicológica,
bandeira defendida pelos IBAPs e por outras
associações da área de AP desde o passado.
Também é desejável que os psicólogos
compreendam que o fato de a avaliação
ser uma prática desse profissional, dentre as
tantas outras por ele realizadas, não implica
sua realização por todos os formados. Assim,
como ocorre nas demais áreas de atuação
do psicólogo, alguns optam por umas
em detrimento de outras, supostamente
levando em consideração suas competências
profissionais. Conjectura-se que, embora
ele não esteja vinculado a determinado
contexto, deve a este o mesmo respeito que
tem em relação às suas preferências. Tem-se a
impressão de que, no que se refere à avaliação
psicológica, tem faltado respeito por parte de
certos colegas.
Por fim, almeja-se o reconhecimento
social da prática avaliativa. De uma vez
por todas, a avaliação psicológica precisa
ser compreendida como competência
imprescindível ao psicólogo – como é disposto
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nas diretrizes curriculares que regem a
formação profissional e como área que
requer formação específica e atualizada, o
que justifica o título de Especialista. Avaliar
é necessário em diferentes contextos de
atuação, pois, além de fornecer informações
preciosas dos aspectos psicológicos dos
processos avaliados, contribui para uma
atuação mais refinada e precisa. Para que
esse reconhecimento se efetive, muitas
instâncias precisam se unir.
A esse respeito, as palavras de Almeida
(1999) são oportunas. O autor afirma que
o progresso científico-tecnológico está
relacionado ao desenvolvimento do país, de
modo que aqueles mais desenvolvidos, com
mais recursos socioeconômicos, têm mais
possibilidade de investimento em pesquisas.
Órgãos de classe, associações científicas,
instituições de ensino, pesquisadores e
psicólogos são os autores nesse processo.
Esses são os desafios a serem vencidos no
presente século. Uma vez que o Conselho
Federal de Psicologia decidiu que o
próximo ano temático se referente à
avaliação psicológica, espera-se que os temas
apontados neste artigo sejam amplamente
discutidos e que os argumentos apresentados
contribuam para a implementação de práticas
voltadas para a qualificação do ensino, para
a formação continuada e para o avanço
da produção científica. Um dos fóruns
elencados para essa discussão é o V Congresso
Brasileiro de Avaliação Psicológica, a ser
realizado pelo IBAP, em Bento Gonçalves,
RS, entre os dias 01º e 04 de junho de 2011.
Ana Paula Porto Noronha
Doutora em Psicologia, docente do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu, Universidade São Francisco,
São Paulo – SP – Brasil
E-mail: ana.noronha@saofrancisco.edu.br
Caroline Tozzi Reppold
Doutora em Psicologia, docente da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, bolsista
Produtividade Do CNPQ. Rio Grande do Sul – RS – Brasil
E-mail: reppold@ufcspa.edu.br
*Endereço para envio de correspondência:
Rua Alexandre Rodrigues Barbosa, 45, Centro, Itatiba, São Paulo – SP – Brasil CEP 13253-231
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... Advances on psychologists' services can be obtained through better preparation. The basic undergraduate training cannot be considered as sufficient to perform assessment services (Noronha & Reppold, 2010). Graduate degrees on psychological assessment should be a goal to pursue for psychologists to practice in this area, as this is the reality in most developed countries, such as the United States of America or England. ...
Article
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The history of cognitive assessment in Brazil is described through evolutionary movements or waves, when tests were just imported and translated from other countries, criticized, and later evaluated in laboratories on test construction founded at private and state universities. The presence of high standards for test use place Brazil at the highest rank among other South American countries. Licensed psychologists conduct cognitive assessment using tests under traditional and new models to evaluate general intelligence, aptitudes, and creativity. At present, many challenges face Brazilian professionals, such as the absence of legal requirements for psychologists in the schools, which limits their possible contribution to public education. Leading researchers in school psychology in Brazil have underscored the need for higher standards for psychological training, including more specialized graduate courses on psychological assessment, in order to benefit Brazilian children and youth.
Article
Psychological assessment is a practical application of professional psychologists working in different areas of health, education, safety, traffic and so on. as well as it can be applied in different contexts and at different moments of human development. Given the above, this article aimed to conduct a literature review to understand the paths built by psychological assessment in their contexts, ramifications and future possibilities, through a search in sources such as books, articles published in journals indexed in the main scientific databases from Brazil and the world, in order to promote a compilation of the main findings of science on the subject, in the light of different views and areas of psychology, education science and human health in general. To this end, a literature review was carried out, from scientific sources such as books, articles, dissertations, theses and monographs, in specialized websites and in scientific databases such as Scielo, Scopus, Lilacs, among others. Inclusion and exclusion criteria were used, filtering texts in Portuguese or English that were relevant to the theme. Theoretical data were analyzed and discussed between the authors and their views. Based on the research, it is possible to conclude that psychological assessment is a tool that directs the psychologist's therapeutics and praxis in educational, clinical, criminal contexts, among others. It is understood from the data in the literature that psychological assessment needs theoretical and practical knowledge, aligning and directing the procedure and guiding the correct diagnosis. Being the psychologist's responsibility, psychological assessment needs ethical procedures based on the professional psychologist's code of ethics, for collective and individual well-being in professional practice.
Article
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This article provides guidelines for an entry-level course that prepares psychology students and practitioners to acquire entry-level skills, abilities, knowledge, and attitudes important to the individual assessment of intellectual abilities of children and youth. The article reviews prominent international, regional, and national policies, guidelines, and standards for test development and use, basic training issues, acquisition of competence in core professional behaviors, the identification of clinical assessment skills; scholarship that supports this entry-level course, and national and institutional issues related to psychological assessment. The guidelines are consistent with the International School Psychology Association and the International Testing Commission's recommendations and provide experiences based on U.S. context. The need to adjust course content and instructional methods in light of local conditions is recognized.
Article
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The aim in this study was to analyze differences between children’s performances on the Bender – Sistema de Pontuação Gradual (B-SPG) [Gradual Scoring System] in the states of Minas Gerais and Paraíba, and to compare them with the results presented in the test manual. The participants were 511 children, both sexes, aged 6-10 years ( M = 8.21, SD = 1.33), and 50.7% male. The children were from two states, Minas Gerais ( n = 298, 58.3%) and Paraiba ( n = 213, 41.7%). The SPG was administered collectively in classrooms. The mean B-SPG scores between the children from Minas Gerais and Paraiba were very similar and not statistically significant. Regarding the comparison between the two states and the normative sample, three results were significant, two of which favored the children from São Paulo and the other the children from Minas Gerais and Paraíba, showing little variation in the results of the B-SPG.
Article
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The contribution of psychology in the conflicts that come to the Judiciary followed the growth and the strengthening of the profession in Brazil. The historical and current issues that increasingly demand the contribution of the psychologist will, in this article, be examined under the light of theoretical and practical construction. The considerations brought were based on the pioneering team of psychologists, on the family courts of the Court of the State of São Paulo and on studies and research that the author performs nationally and internationally. Issues such as academic training in the area of forensic psychology, a psychological evaluation and reporting results translated in the reports will be discussed, and also mentioned the reference to documents of the profession (resolutions, technical references) and the legal framework (the Child and Youth Civil Procedure Code, recommendations of the National Council of Justice and the Court of São Paulo). This judiciary routine requires an active and careful way in dealing with the psychology of complex cases and in preparing to deal with the demands of society itself, which cut across various sciences together, such as law and psychology.
Article
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The present study investigated the scientific production of the journal Avaliação Psicológica, between the years of 2002 and 2007. 12 issues were considered, in which 100 articles were analyzed based in the following criteria: amount of articles published per year, type of research, region of origin, nature of authorship, authors' gender, type of work and material used in researches and references employed. The data evidenced an increase of publications in the last two years, being 2007 the year with greater number of articles. The research report was the most used form and the southeast region had published more in that period. There was still the predominance of multiple and feminine authorship and researches that employed tests or scales. The references were mostly based on articles, as expected.
Article
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A formação do psicólogo e a necessidade de avanços nessa área são temas debatidos já há algum tempo. Especificamente em relação à formação em avaliação psicológica, do ponto de vista histórico, podem ser apontados diversos fatos em âmbito nacional e internacional que ajudaram na promoção de ganhos que trouxeram avanços importantes para essa área. Nesse sentido, pode-se afirmar que a década de 1990 representou um marco para o início de um novo período de desenvolvimento na avaliação psicológica no Brasil, ainda que exista muito que fazer para melhorias nessa área. O presente artigo teve como objetivo elucidar questões voltadas à formação em avaliação psicológica, e, para além de levantar essa problemática, pretensiosamente sugerir algumas reflexões. Para tal, são apresentadas reflexões sobre elementos norteadores do ensino de avaliação psicológica no país. Como base foram utilizados textos que são referência nacional e internacional no contexto da avaliação psicológica. Como consideração final para direções futuras ressalta-se a necessidade de discussões e debates na área da avaliação psicológica que não jazam no campo das idéias, mas que se perpetuem para a atuação e prática profissional.
Article
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Language is a conventional system of arbitrary symbols that are combined in a systematic way to store and exchange information. Understanding can be defined as the skill that involves what the child recalls about the communication made or applies from the information heard. This study systematically reviews the literature for the main instruments used in randomized studies to evaluate children's comprehension of oral language. The search strategy included MEDLINE, LILACS, PsycINFO and Cochrane Library databases, and randomized controlled trials comparing authors who used instruments to assess oral comprehension in children. The search retrieved 899 articles, from which 7 studies were included. The instruments used in these articles were: Peabody Picture Vocabulary Test, Peabody Picture Vocabulary Test-Revised (PPVT-R), Swedish Communication Screening at 18 months of age (SCS18), Test for Reception of Grammar - 2 (TROG-2), Reynell Test, Reynell Development Language Scales and Reynell Developmental Language Scales-II. There are few instruments available for oral language comprehension assessment. Most of them are intended to assess receptive vocabulary and many of these instruments have not been submitted to validity studies. Moreover, it is suggested that systematic reviews and more randomized controlled trials are promoted with samples of adolescents. Keywords: Comprehension; child language; randomized controlled trial; language comprehension tests.
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The field of psychological assessment of drivers is characterized by difficulties and limitations in both its fundamentals and professional practice, calling for studies which systematize its developments. In this sense, the object of this study is to review the Brazilian empirical studies on the instruments for psychological assessment of the abilities and intelligences adopted in the evaluation processes of drivers. Publications dealing with this topic in the country, as well as their main themes and methods were identified, and the results obtained were listed. Only 15 publications were found. It is concluded that, in fifty years, the research on the abilities and intelligences of drivers have brought limited contributions to the issue of validity of the process, not having been found a solid field of knowledge in relation to the constructs and assessment criteria of their behavior.
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Considerando a importância da Avaliação Psicológica na atuação profissional do psicólogo, este estudo objetivou identificar os problemas mais graves e mais freqüentes no uso dos testes psicológicos, segundo a concepção de psicólogos e listar os instrumentos mais utilizados pelos psicólogos. Participaram como sujeitos do estudo 214 psicólogos inscritos no CRP / 6feminine Região e o material utilizado foi um questionário enviado pelo correio. Os resultados demostraram que: 1) segundo os psicólogos, os problemas mais graves no uso dos testes psicológicos são os relativos aos próprios instrumentos e ao seu uso; 2) os problemas mais freqüentes no uso dos testes psicológicos, segundo os sujeitos, são os relativos ao instrumento e à formação dos psicólogos. Concluiu-se que é necessário o estabelecimento de parâmetros específicos para a formação na área.
Article
Scientific production analysis aims to describing or mapping the production in specific areas, showing details about aspects that have already been studied and also blanks. This paper analyzed 943 posters' abstracts presented at three National Conventions of Psychological Assessment. Women were the most productive, with authors filiated to public and private schools from Southwest brazilian region. Many different tests were referred to in the abstracts, most of them were objectives tests of intelligence and personality. Most studies were psychometric and used quantitative analysis. The main tendencies observed are discussed as its implications for research and practice in psychological assessment.
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The present research investigated the frequency of the use of psychological tests in assessment of adolescents. It also investigated the symptoms self-report by adolescents, the main sources of referrals, the reasons cited for the external sources about the assessment of the adolescent and frequency of multidisciplinary consults. The data had been collected in 211 protocols of adolescents between 12 and 17 years of age, assessed in University psychology clinics. The main results had indicated that 55.6% of the assessments had used psychological tests, graphical or projectives in general. The prevalence of symptoms reported varied in accordance with the information source. The reasons cited for the referrals had been conflicts of social interaction and the externalizing problems behavior. However, the complaints more frequently self reported by adolescents had been indicatives of internalizing problems behavior, overall in the feminine group. These data indicate the necessity of the planning the health care policy and the academic preparation, coherently with the reality.
Article
Cognitive neuropsychology focuses on information processing, different mental operations that are necessary to execute tasks. It assumes that study of brain-injured patients and their performance patterns can contribute to comprehend how the mind works. Such knowledge helps practitioners to comprehend their patients limitations and to delineate more effective remediation procedures. Psychological assessment based on cognitive neuropsychology aims to explain the processes underlying human complex mental activities, and to correlate such processes to neurological functioning. In Brazil, different neuropsychology tests have been developed to assess attention, visuo-spatial processing, oral language, written language, executive functions and arithmetic abilities. Many of these tests are computerized, recording temporal parameters, such as reaction time and response duration. Some of them can be applied virtually using the Internet, which allows studying large samples of participants scattered over vast territories. In the present, precision and validity studies are being conducted with a number of batteries applied to children and adults, with and without neuropsychiatric disorders, such as dyslexia, hyperactivity/attention deficit disorder, and anxiety disorders. Such tests have contributed to expand neuropsychological assessment in Brazil, aiding the comprehension of cognitive processes and their neurological bases, the improvement of evaluating processes, and the rehabilitation of patients with neurological disorders, in a more effective way.